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Usurpação: 
 
O crime de usurpação envolve tomar para si, de forma ilegal, algo que 
pertence a outra pessoa, como parte de um terreno, água, um imóvel ou até mesmo 
animais. A lei brasileira trata disso no artigo 161 e 162 do Código Penal, e esse 
crime pode ocorrer de várias formas: 
Alteração de Limites: É quando alguém tira ou move uma cerca, tapume ou 
marco que divide propriedades com a intenção de aumentar seu terreno, se 
apropriando de parte do imóvel do vizinho. 
● Exemplo: Mover a cerca para dentro do terreno do vizinho querendo ficar com 
aquela parte. 
● Só é crime se houver a intenção de tomar posse. 
Usurpação de Águas: Acontece quando alguém desvia ou represa, sem 
permissão, água que passa por um terreno que não é seu, para seu próprio 
benefício ou de outra pessoa. 
● Exemplo: Alguém faz um desvio de rio ou riacho que passa por terreno alheio, 
para levar a água até sua plantação. 
Esbulho Possessório: É quando alguém invade um terreno ou prédio que 
pertence a outra pessoa, usando violência, ameaça, ou se estiver acompanhado de 
mais duas pessoas ou mais. 
● Exemplo: Invadir um sítio com um grupo e tomar posse dele à força. 
● Importante: Só é crime se o invasor tiver a intenção de ficar com o imóvel, 
tomando a posse de quem estava lá antes. 
Supressão ou Alteração de Marca em Animais: É quando alguém apaga ou 
modifica a marca de propriedade em animais (como gado ou rebanho) que não são 
seus, tentando fazer parecer que os bichos são de sua propriedade. 
● Exemplo: Trocar a marca de boi roubado para enganar e vender como se 
fosse seu. 
Dano: 
 
O crime de dano ocorre quando alguém destrói, inutiliza ou estraga algo que 
pertence a outra pessoa, seja um bem móvel (como um celular, carro ou livro) ou 
imóvel (como uma casa ou muro). Existem três formas principais: destruir (quando o 
objeto é totalmente acabado), inutilizar (quando o bem perde sua função original) e 
deteriorar (quando há apenas um dano parcial). Para que o crime exista, é 
necessário que a pessoa tenha agido com intenção, mesmo que não queira causar 
prejuízo direto à vítima — basta saber que o ato causará danos e mesmo assim 
realizá-lo. 
Esse crime é considerado simples quando não envolve violência e o bem 
danificado é privado. Se for um dano pequeno, de valor insignificante, o juiz pode 
considerar que não vale a pena punir, aplicando o princípio da insignificância. A 
vítima deve entrar com queixa (ação penal privada), mas se houver acordo e 
pagamento dos prejuízos, o caso pode ser encerrado. 
Já o dano qualificado ocorre quando o ato é mais grave, como quando há uso 
de violência contra pessoas, uso de explosivos ou quando o bem danificado 
pertence ao poder público ou a empresas que prestam serviços públicos. Nesses 
casos, a pena é maior e o processo não pode ser encerrado apenas com pagamento 
dos danos. Também se considera dano qualificado quando alguém destrói a própria 
coisa com intenção de receber seguro, ou quando um preso danifica a cela para 
fugir. 
Em todos os casos, o crime se consuma no momento em que o bem é 
danificado, mesmo que parcialmente, e é possível punir a tentativa se a pessoa não 
conseguir concluir o ato. Por fim, não existe crime de dano se a coisa for 
abandonada ou sem dono, e a destruição for consentida pelo dono, desde que ele 
seja capaz de decidir por si. 
 
Apropriação indébita: 
 
O crime de apropriação indébita acontece quando uma pessoa fica com um 
bem que recebeu de forma legítima, mas depois decide não devolvê-lo ao dono, 
passando a agir como se fosse o verdadeiro proprietário. A vítima entrega o objeto 
por vontade própria e de forma consciente, sem engano ou ameaça, e o agente 
recebe esse bem de boa-fé. O crime ocorre no momento em que o agente muda sua 
intenção e resolve ficar com o objeto, seja vendendo, doando, ou simplesmente se 
recusando a devolvê-lo. 
A apropriação indébita pode acontecer de duas formas: propriamente dita, 
quando a pessoa pratica um ato típico de dono, como vender ou alugar o bem, ou 
por negativa de restituição, quando ela simplesmente não devolve o que pegou 
emprestado ou recebeu para guardar ou entregar a outra pessoa. 
Qualquer pessoa que tenha posse ou detenção de um bem pode cometer 
esse crime, e a vítima pode ser o proprietário ou quem tiver direito legítimo sobre o 
bem. A tentativa de apropriação indébita é possível quando a pessoa tenta vender 
ou se desfazer do objeto, mas não consegue. No entanto, não há crime quando a 
pessoa esquece de devolver o bem ou o utiliza brevemente, sem a intenção de ficar 
com ele — nesses casos, é apenas uma questão civil. 
A apropriação só é crime quando envolve bens móveis, como dinheiro, carro 
ou objetos pessoais. Imóveis não entram nesse tipo penal. O crime se consuma 
quando o agente demonstra, por atitudes ou palavras, que não vai devolver o bem. 
Se, após ser descoberto, ele se arrepender e devolver ou pagar o prejuízo, pode ter 
sua pena reduzida, mas isso não anula o crime. 
Existem situações especiais que aumentam a pena, como quando o bem foi 
recebido em um depósito necessário, como em situações de emergência (enchente, 
incêndio), ou quando se trata de bagagem deixada sob a responsabilidade de hotel 
ou pousada. 
 
Estelionato: 
 
O crime de estelionato acontece quando uma pessoa engana outra por meio 
de mentira ou truque (fraude) para conseguir alguma vantagem econômica de forma 
ilegal, causando prejuízo à vítima. Para isso, o golpista pode usar um artifício (como 
objetos falsos), um ardil (como uma conversa enganosa), ou até mesmo o silêncio 
malicioso, se perceber que a vítima está em erro e nada faz para corrigi-la. 
No estelionato, a vítima entrega o bem por vontade própria, mas isso só 
acontece porque foi enganada. Por isso, é diferente do furto, onde o bem é retirado 
sem consentimento, e da apropriação indébita, onde o bem é entregue 
voluntariamente, mas sem engano. 
O estelionato se consuma quando o golpista consegue a vantagem, e a vítima 
tem um prejuízo. Se o golpe falha (por exemplo, o bem não chega ao golpista ou 
alguém interrompe a entrega), é tentativa. Se a fraude usada era tão ruim que nunca 
enganaria ninguém, pode ser crime impossível e o fato será considerado atípico. 
Tanto quem aplica o golpe quanto quem recebe a vantagem de forma 
consciente pode responder pelo crime. Se alguém só recebe o bem e não sabia que 
era fruto de golpe, não comete crime. Mas se sabia e mesmo assim ficou com o 
objeto, comete receptação. 
A vítima pode ser qualquer pessoa ou empresa, mesmo que não seja a 
enganada diretamente. É comum, por exemplo, um funcionário de loja ser 
enganado, mas quem sofre o prejuízo é a empresa. 
Existem várias formas de fraude que geram outros crimes além do 
estelionato, como: 
- Falsificação de documentos para aplicar golpes. 
- Venda de combustíveis adulterados ou produtos com peso alterado. 
- Pirâmides financeiras ou fraudes com taxímetro e bomba de gasolina, que 
lesam pessoas em geral — nesse caso, o crime é contra a economia popular. 
Quando há falsificação de documentos para cometer estelionato, 
normalmente só se responde pelo estelionato, pois a falsificação é vista como meio 
para o golpe (princípio da consunção). Mas se o documento falsificado ainda puder 
ser usado depois (como um RG falso), o criminoso responde pelos dois crimes. 
 
Receptação: 
 
A receptação é o crime cometido por quem compra, recebe, transporta, 
conduz ou esconde um bem que sabe ser fruto de um crime, como roubo, furto, 
estelionato, entre outros. Ou seja, é um crime posterior, que depende da existência 
de um crime anterior que tenha gerado o objeto ilícito. 
Essa prática é considerada grave porque alimenta a cadeia do crime, 
permitindo que os bens roubados ou furtados continuem circulando. 
O crime de receptação pode acontecer de várias formas: 
- Própria: quando a pessoa adquire, recebe, transporta, conduz ou oculta obem sabendo da origem criminosa. 
- Imprópria: quando ajuda alguém a manter esse bem ou lucra com ele, 
mesmo sem tê-lo diretamente. 
- Pode haver ainda receptação qualificada (quando feita em atividade 
comercial), majorada (com aumento da pena em certas situações), privilegiada 
(quando há circunstâncias que tornam o crime menos grave), ou culposa (quando a 
pessoa não sabia, mas deveria saber da origem ilícita). 
A receptação se consuma no momento da ação (compra, transporte, etc.), 
mas se o bem continua sendo transportado ou escondido, o crime é considerado 
permanente, permitindo prisão em flagrante mesmo após dias. 
A pena para receptação dolosa simples é de 1 a 4 anos de prisão, mais multa. 
A pena pode aumentar se o crime envolver atividade comercial ou se for cometido 
com intenção de lucro. 
 
REFERÊNCIAS 
GONÇALVES, Victor Eduardo R. Direito penal: parte especial. (Coleção esquematizado®). 
Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2024. E- book. ISBN 9788553621798. Disponível em: Minha 
biblioteca.

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