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CRIMES CONTRA A PESSOA
CRIMES CONTRA A VIDA
HOMICÍDIO
Art. 121- Homicídio – É a eliminação da vida humana extrauterina praticada por outra pessoa. É a morte do homem praticada por outro homem.
Vida = nascer com vida = respirar - Aforisma de Galeno - “viver é respirar; não ter respirado é não ter vivido”.
Morte = Morte Encefálica – Art. 3.º da Lei 9434/97.
· Segundo os autores a violência não é essencial ao crime de homicídio, porque é possível matar até mesmo de susto. Os autores citam o veneno, que segundo eles não é forma de violência.
DENOMINAÇÕES ESPECIAIS:
· Parricídio • Matricídio • Infanticídio • Filicídio • Mariticídio (Esposa X Marido) • Uxoricídio (Marido X Esposa) • Fraticídio (Irmão) • Sororicídio (Irmã) • Genocídio • Feminicídio • Feticídio
Caput - homicídio simples.
§ 1º - homicídio privilegiado.
§ 2º - homicídio qualificado.
§ 3º - homicídio culposo
§ 4º - culposo majorado (1. Parte)
§ 4º - doloso majorado (2. Parte) § 6º e § 7º
§ 5º - perdão judicial
CARACTERÍSTICAS DO CRIME
Comum - porque pode ser praticado por qualquer pessoa (ao contrário do crime próprio);
Simples - atinge somente a uma objetividade jurídica, no caso, a vida (oposto ao crime complexo).
Material - classificação quanto ao resultado que pode ser material, formal ou de mera conduta. O homicídio é crime de conduta e resultado.
Instantâneo - Se consuma em determinado momento. É instantâneo, mas de efeitos permanentes.
Livre - porque a lei não diz como deve ser praticado (Ao contrário do crime de forma vinculada). Crimes de forma vinculada Ex.: 284 CP- curandeirismo. Este não admite tentativa, pois se deixa de se consumar é por vontade do agente.
Hediondo – simples = n/f de grupo de extermínio e qualificado
§ 1º HOMICÍDIO PRIVILEGIADO
· Motivo de relevante valor social (interesse coletivo) ou moral (interesse particular). Ex. Eutanásia, traidor da pátria.
· O juiz pode diminuir a pena de 1/6 a 1/3. Segundo Mirabete e Heleno Fragoso essa diminuição é facultativa. Segundo os demais, dentre os quais Damásio é obrigatória. A pena tem que ser de Acordo com a decisão do Júri.
· Não se pode confundir o motivo de relevante valor moral e o motivo de relevante valor social com as atenuantes genéricas (65 CP), sendo as mesmas circunstâncias do Art. 65 também previstas no § 1º do 121, aplica-se sempre o § 1º. O mesmo não ocorre com o domínio de violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da vítima, nesta hipótese a atenuante que existe no Art. 65, III, “c”, não é igual à causa de diminuição de pena. Para haver a causa de diminuição de pena do art.65, III, “c”, é necessário que o agente tenha sido provocado pela vítima e essa provocação não tenha sido agressão, pois nesse caso teria havido legítima defesa. Se houver demora entre violenta emoção e a morte não se configura a diminuição de pena do § 1º, mas fica configurada a atenuante genérica, pois ali não existe a relação de imediatividade. Além disso, na atenuante genérica o agente não precisa estar dominado pela emoção, pode estar influenciado apenas.
· Provocação # Agressão – Art. 25 CP – Legítima Defesa
· PRIVILEGIADO X QUALIFICADO = HEDIONDO?
· Subjetiva X Subjetiva = incompatível.
· Subjetiva X Objetiva = compatível.
§ 2º HOMICÍDIO QUALIFICADO
· I e II – Motivos;
· III – Meios;
· IV – Modos;
· V – Finalidade;
· VI – Feminicídio
· VII – Agente de segurança
· VIII - Com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido:  
Mercenário – Paga = recebimento prévio ou Promessa de recompensa = valor econômico.
Torpe – moralmente reprovável, a razão que faz uma pessoa matar é repugnante, desprezível, Ex.: paga ou recompensa, vingança por disputa de dinheiro.
Fútil – motivação insignificante, se caracteriza pela desproporção entre o motivo e a morte, Ex.: briga de trânsito. 
· E a ausência de motivo como se qualifica? Homicídio simples.
· Ciúme - decisão do STJ- motivo injusto, portanto, homicídio simples.
· I e II - São motivos do crime - circunstâncias subjetivas. Se for considerada elementar do crime vai se comunicar. (Ver hipótese do art.30 CP). Se as circunstâncias não forem elementares elas nunca vão se comunicar no concurso de pessoas. Se considerar elementar porque tem uma escala penal própria vai haver comunicabilidade desde que tenha entrado na esfera de conhecimento do coautor ou partícipe.
· Incisos III e IV – meios e modos de execução do crime. Nesses incisos o CP usa uma forma casuística e as demais formas são genéricas.
Veneno - só qualifica o homicídio se for usado como meio insidioso ou cruel. Se não for assim não qualifica.
Insidioso - perfídia, escondido.
Cruel que causa sofrimento desnecessário à vítima.
Traição - diminuição ou impossibilidade de reação da vítima. (Pelas costas)
Emboscada - tocaia
Dissimulação - se faz de amigo da vítima para matar, disfarce.
Surpresa - qualifica o homicídio. Mas não é qualquer surpresa, e sim aquela que diminua a defesa da vítima.
V - Inciso diferente. Ele é um motivo torpe, destacado de inciso I, porque tem relação com outros crimes. Só será aplicado se houver conexão. Se a conexão for com contravenção não se aplica esse inciso e sim o I, pois o Inciso V, fala para assegurar a de outro crime.
FEMINICÍDIO
“Art. 121-A. Matar mulher por razões da condição do sexo feminino:
Pena – reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta) anos.
§1º. Considera-se que há razões da condição do sexo feminino quando o crime envolve:
I – violência doméstica e familiar;
II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
§2º. A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime é praticado:
I – durante a gestação, nos 3 (três) meses posteriores ao parto ou se a vítima é a mãe ou a responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência de qualquer idade;
II – contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental;
III – na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima;
IV – em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha);
V – nas circunstâncias previstas nos incisos III, IV e VIII do § 2º do art. 121 deste Código.
Coautoria
§3º. Comunicam-se ao coautor ou partícipe as circunstâncias pessoais elementares do crime previstas no § 1º deste artigo.”
§ 7o - A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: 
I - Durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 
II - Contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental;
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; 
IV - Em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.
AUTORIDADE OU AGENTE PÚBLICO
VII – Contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição.
HOMICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 (QUATORZE) ANOS
IX - contra menor de 14 (quatorze) anos:
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada de:
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que implique o aumento de sua vulnerabilidade;
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela.
§ 6o - A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação dede trabalho;
II – Mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. 
§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
I – contra criança ou adolescente; 
II – Por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem
TRÁFICO DE PESSOAS
Art. 149-A.  Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de:
I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo;
II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo;
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão;
IV - adoção ilegal; ou
V - Exploração sexual.
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se:
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las; 
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou
IV - A vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional
§ 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar organização criminosa.  
ART. 150 - VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO
Crime comum. Quanto a tentativa é necessário entender que há duas ações “entrar e permanecer”. Sendo assim a forma “entrar” admite tentativa, já quanto à forma “ permanecer” existe controvérsia:
· Admite tentativa - Damásio;
· Não admite - posição dominante. Alegam que quando a pessoa entra e é instada a sais e não o faz o crime está consumado.
Este crime é de mera conduta, ou seja, não há resultado (entrar ou permanecer é a conduta).
O art. 150 no § 1º prevê uma forma qualificada quando o crime é cometido durante a noite ou em lugar ermo.
Durante a noite é diferente da qualificadora do furto que prevê durante o repouso noturno. Aqui no art. 150, durante a noite é a partir do momento que o sol se põe. Quando escurece
Quanto ao repouso noturno é diferente, sendo necessário observar os hábitos de cada comunidade.
Apesar do conceito durante a noite tem-se entendido que não incide a 1ª parte do § quando há uma festa. O agente responde pela forma simples.
Quanto a 2ª parte do parágrafo que fala em violência ou uso de arma, é importante observar que a violência é só contra pessoa. Não há necessidade de que a arma seja empunhada, basta que seja usada ostensivamente com o fim de intimidar. A pena será de detenção de 6 meses a 2 anos, além da pena correspondente a violência, em concurso material (cúmulo de penas). Caso a violência se der contra coisa, o agente responderá por dano.
§ 3º - são casos que o entrar em casa alheia não constitui crime, estrito cumprimento do dever legal e estado de necessidade. Estão em consonância com o art. 5º, XI da CF.
§ 4º- diz o que compreende a expressão CASA (art. 150, caput- “casa alheia ou suas dependências”).
Quintal, jardim, garagem, etc.- é preciso que os limites estejam demarcados. 
Imóvel alugado- o proprietário pode cometer o crime porque se protege o domicílio.
A casa tem que ser habitada, ainda que os moradores estejam ausentes.
Se a casa é desabitada o crime pode ser outro, como por exemplo, o art. 161, § 1º, II - esbulho possessório. Porém para que se caracterize este crime há necessidade que haja violência ou grave ameaça ou concurso de 2 ou mais pessoas, do contrário não é crime, sendo questão civil simplesmente.
§ 4º do art. 150- indica o que deve ser compreendido como casa.
Ex. supermercado no horário de funcionamento possui compartimentos de uso restrito- local onde se exerce atividade profissional- a invasão desse local pode constituir crime do art. 150.
Prova de delegado- RJ- Invasão de boleia de caminhão. Em se tratando de funcionário público aplica-se a lei 4898. A questão versava sobre considerar ou não boleia de caminhão como residência. Embora o tema seja controvertido tem-se entendido que estando o veículo parado e sendo ele utilizado pelo motorista para dormir, como é comum entre os caminhoneiros deve ser considerado domicílio.
§ 5º- o que não se compreende na expressão casa.
· Hotel, hospedaria, etc. O hotel em si não é casa, mas o quarto ocupado pelo hóspede sim. - § 4, II.
· Bar, restaurante não são considerados, mas se houver um escritório ou um local de administração sim.
Não se compreendem enquanto estiverem abertos, mas após fechados sim. 
O crime de violação de domicílio ás vezes é meio para a prática de outro crime. Ex. Tício invadiu a casa de Caio e o matou. Só haverá punição pelo homicídio.
Princípio da Consunção ou absorção- o crime fim é absorvido pelo crime meio. Porém se houver desistência voluntária na prática de outro crime o agente responde pelos atos já praticados.
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA
VIOLAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA
Art. 151 - Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem:
SONEGAÇÃO OU DESTRUIÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA
§ 1º - Na mesma pena incorre:
I - Quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte, a sonega ou destrói;
VIOLAÇÃO DE COMUNICAÇÃO TELEGRÁFICA, RADIOELÉTRICA OU TELEFÔNICA
II - Quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica entre outras pessoas;
III - quem impede a comunicação ou a conversação referida no número anterior;
IV - Quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem observância de disposição legal.
§ 2º - As penas aumentam-se de metade, se há dano para outrem.
§ 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função em serviço postal, telegráfico, radioelétrico ou telefônico:
§ 4º - Somente se procede mediante representação, salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º.
CORRESPONDÊNCIA COMERCIAL
Art. 152 - Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para, no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo:
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS
DIVULGAÇÃO DE SEGREDO
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem:
§ 1º Somente se procede mediante representação.  
§ 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública:  
§ 2o Quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal será incondicionada. 
VIOLAÇÃO DO SEGREDO PROFISSIONAL
Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.
INVASÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO   
Art. 154-A.  Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
§ 1o  Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput.
§ 2o  Aumenta-se a pena de um sexto a um terço se da invasão resulta prejuízo econômico.
§ 3o  Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controleremoto não autorizado do dispositivo invadido:        
§ 4o  Na hipótese do § 3o, aumenta-se a pena de um a dois terços se houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos
§ 5o  Aumenta-se a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra: 
I - Presidente da República, governadores e prefeitos;
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal;
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou
IV - Dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal. 
AÇÃO PENAL
Art. 154-B.  Nos crimes definidos no art. 154-A, somente se procede mediante representação, salvo se o crime é cometido contra a administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou contra empresas concessionárias de serviços públicos.
ALTERAÇÕES NOS CRIMES DE VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO, FURTO E ESTELIONATO - Lei 14.155/2021
I – VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO INFORMÁTICO (ART. 154-A DO CP)
O art. 154-A do Código Penal quatro o crime de invasão de dispositivo informático. O delito foi inserido no Código Penal pela Lei nº 12.737, de 30 de novembro de 2012, chamada pela imprensa de “Lei Carolina Dieckmann”, tendo em vista que a atriz havia sido vítima dessa conduta poucos meses antes (em maio de 2012), quando ainda não havia uma figura típica específica.
A Lei nº 14.155/2021 promoveu quatro alterações no crime do art. 154-A:
1) modificou a redação do caput, ampliando a incidência do tipo penal;
2) majorou a pena do crime na sua forma básica (caput do art. 154-A);
3) majorou os limites da causa de aumento de pena do § 2º;
4) majorou a pena da qualificadora do § 3º.
	CÓDIGO PENAL
	ANTES da Lei 14.155/2021
	DEPOIS da Lei 14.155/2021
	Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
	Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
 
	Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
	Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
BEM JURÍDICO PROTEGIDO
O bem jurídico protegido neste crime é a privacidade, gênero do qual são espécies a intimidade e a vida privada. Desse modo, esse novo tipo penal tutela valores protegidos constitucionalmente (art. 5º, X, da CF/88).
“O direito à privacidade, em sentido mais estrito, conduz à pretensão do indivíduo de não ser foco da observação por terceiros, de não ter os seus assuntos, informações pessoais e características particulares expostas a terceiros ou ao público em geral.” (MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 1ª ed., São Paulo: Saraiva, 2007, p. 370).
Sujeito ativo
Pode ser qualquer pessoa (crime comum).
Obviamente que não será sujeito ativo desse crime a pessoa que tenha autorização para acessar os dados constantes do dispositivo.
Sujeito passivo
A vítima pode ser qualquer pessoa, física ou jurídica.
Alterações da Lei nº 14.155/2021
Antes: o tipo penal falava em invadir dispositivo informático alheio;
Agora: o crime é invadir dispositivo informático de uso alheio.
Antes: o tipo falava que era crime invadir sem autorização expressa ou tácita do TITULAR do dispositivo.
Agora: o crime é invadir sem autorização expressa ou tácita do USUÁRIO do dispositivo.
A mudança teve por objetivo deixar claro que o sujeito passivo do delito não precisa ser necessariamente o proprietário do dispositivo, podendo a invasão ocorrer em um dispositivo que esteja sendo utilizado por alguém – que não é seu dono – mas que teve a sua privacidade violada.
Assim, na maioria dos casos, a vítima é o proprietário do dispositivo informático.
No entanto, é possível identificar, em algumas situações, como sujeito passivo, o indivíduo que, mesmo sem ser o dono do computador, celular etc., é a pessoa que efetivamente utiliza o dispositivo para armazenar seus dados ou informações que foram acessados indevidamente. É o caso, por exemplo, de um computador utilizado por vários membros de uma casa ou no trabalho, onde cada um tem perfil e senha próprios.
Análise das elementares do tipo
Invadir - Ingressar, sem autorização, em determinado local. A invasão de que trata o artigo é “virtual”, ou seja, no sistema ou na memória do dispositivo informático.
Dispositivo informático - Em informática, dispositivo é o equipamento físico (hardware) que pode ser utilizado para rodar programas (softwares) ou ainda para ser conectado a outros equipamentos, fornecendo uma funcionalidade. Exemplos: computador, tablet, smartphone, memória externa (HD externo), entre outros.
De uso alheio - O dispositivo no qual o agente ingressa deve ser de uso de terceiro.
Conectado ou não à rede de computadores - Apesar do modo mais comum de invasão em dispositivos ocorrer por meio da internet, a Lei admite a possibilidade de ocorrer o crime mesmo que o dispositivo não esteja conectado à rede de computadores. É o caso, por exemplo, do indivíduo que, na hora do almoço, aproveita para acessar, sem autorização, o computador do colega de trabalho.
 
Mecanismo de segurança. Alteração da Lei nº 14.155/2021
 Antes: o tipo penal exigia que a invasão no dispositivo informático alheio ocorresse “mediante violação indevida de mecanismo de segurança”. Exemplos de mecanismos de segurança: firewall (existente na maioria dos sistemas operacionais), antivírus, anti-malware, antispyware, senha para acesso.
 Agora: essa exigência foi abolida.
 
Veja o seguinte exemplo prático para entendermos a alteração: Determinado indivíduo, na hora do almoço, aproveita para acessar, sem autorização, o computador do colega de trabalho, tendo acesso a dados privativos. Vale ressaltar que esse computador não é protegido por senha ou qualquer outro mecanismo de segurança.
Pela literalidade da redação anterior, não haveria crime, considerando que não houve violação de mecanismo de segurança. Pela redação atual, será sim crime.
Outro exemplo: imagine que um funcionário encontrou o pen drive (não protegido por senha) de seu colega de trabalho e decidiu vasculhar os documentos e fotos ali armazenados. Pela redação anterior, não haveria crime. Pela redação atual, o delito restará configurado.
Houve, portanto, a correção de uma falha da Lei. Isso porque, mesmo sem a violação de mecanismo de segurança, a privacidade estava sendo violada e, portanto, merecia reprimenda penal.
 
Com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo.
Ex: Hacker que ingressa no computador de uma atriz para obter suas fotos lá armazenadas.
Atenção: se houver autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo, não haverá crime. 
Ex: Determinado banco contrata uma empresa especializada em segurança digital para que faça testes e tente invadir seus servidores.
 
Ou com o fim de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita.
É o caso, por exemplo, do indivíduo que invade o computador e instala programa espião que revela as senhas digitadas pela pessoa ao acessar sites de bancos.
Pena. Alteração da Lei nº 14.155/2021
Houve um aumento da pena imposta:
 Antes: detenção, de 3 meses a 1 ano.
 Agora: reclusão, de 1 a 4 anos.
 
Com a mudança, o art. 154-A do CP deixa de ser crime de menor potencial ofensivo, não estando mais sujeito à competência do Juizado Especial Criminal (art. 61 da Lei nº 9.099/95).
Por outrolado, continua sendo cabível suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei nº 9.099/95) e acordo de não-persecução penal (art. 28-A do CPP).
 
Figura equiparada
§ 1º Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput. 
 
É o caso, por exemplo, do indivíduo que desenvolve um programa do tipo “cavalo de troia” (trojan horse), ou seja, um malware (software malicioso) que, depois de instalado no computador, libera uma porta para que seja possível a invasão da máquina.
 
Se a invasão gerou prejuízo econômico (causa de aumento)
Alteração da Lei nº 14.155/2021
 Antes: aumentava a pena de 1/6 a 1/3.
 Agora: aumenta a pena de 1/3 a 2/3.
	CÓDIGO PENAL
	ANTES da Lei 14.155/2021
	DEPOIS da Lei 14.155/2021
	§ 2º Aumenta-se a pena de um sexto a um terço se da invasão resulta prejuízo econômico.
	§ 2º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se da invasão resulta prejuízo econômico.
 
Invasão qualificada pelo resultado (qualificadora)
O § 3º do art. 154-A prevê uma qualificadora nos seguintes termos:
§ 3º Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido:
Assim, haverá a qualificadora prevista neste § 3º se, com a invasão, o agente conseguir obter o conteúdo de:
a) Comunicações eletrônicas privadas (e-mails, SMS, diálogos em programas de troca de mensagens etc);
b) Segredos comerciais ou industriais;
c) Informações sigilosas (o sigilo que qualifica o crime é aquele assim definido em lei).
 Incidirá também a qualificadora no caso do invasor conseguir obter o controle remoto do dispositivo invadido.
Alteração da Lei nº 14.155/2021
 Antes: a pena para essa qualificadora era de 6 meses a 2 anos.
 Agora: a pena passou a ser de 2 a 5 anos.
	CÓDIGO PENAL
	ANTES da Lei 14.155/2021
	DEPOIS da Lei 14.155/2021
	 Art. 154 (...)
 § 3º (...)
 Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave.
	 Art. 154 (...)
 § 3º (...)
 Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. (Artigo 288-A do CP)
§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;      
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental;   
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima;    IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.   
§ 3º HOMICÍDIO CULPOSO
Negligência – comportamento negativo – ausência de precaução
Imprudência – comportamento positivo – pratica ato perigoso
Imperícia – falta de aptidão
Homicídio culposo – Tratando-se de acidente de automóvel, aplica-se à previsão do Código Brasileiro de Trânsito – Art. 302 da Lei 9503/97.
· Crime de médio potencial ofensivo, portanto cabe suspensão condicional do processo.
· Só não caberá se houver a aplicação de uma causa de aumento de pena do § 4º.
§ 4º HOMICÍDIO CULPOSO QUALIFICADO
É necessário tomar cuidado com a 1ª circunstância do § 4º do art. 121: inobservância de regra técnica de profissão arte ou ofício. Não confundir com imperícia.
· Na imperícia existe relação com regra de profissão, arte ou ofício. Porém na imperícia (que é forma de culpa), a pessoa que não observa o dever de cuidado, desconhece a regra de profissão, arte ou ofício.
Ex. O médico que embora tenha inscrição no CRM não saiba clinicar, não esteriliza os equipamentos.
· Na hipótese do § 4º a pessoa conhece a regra e quer dolosamente inobservá-la. 
Ex. O médico que vai operar e embora saiba que a cirurgia deva ser realizada com o paciente na posição horizontal resolve fazê-la na posição vertical.
· Não se pode, diz a doutrina, combinar o homicídio culposo por imperícia com a 1ª causa de aumento de pena do § 4º, porque são incompatíveis.
· Se o homicídio for culposo por imperícia não cabe essa causa de aumento de pena. Só se a culpa se manifestar através de negligência ou imprudência.
Parte final do § 4º- norma inserida pelo ECA - se a vítima for menor de 14 anos, dobra-se a pena, só se o homicídio for doloso. É importante observar essa regra de aumento de pena em função da L 9099, para saber se caberá ou não suspensão condicional do processo.
· Divide-se em 2 partes:
1ª parte - caso de aumento de pena no homicídio culposo - inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício;
2ª parte - homicídio doloso - caso de aumento de pena se a vítima for menor de 14 anos ou maior de 60 anos.
§ 5º PERDÃO JUDICIAL
Apenas nos casos de homicídio culposo.
· O Código de trânsito não prevê o perdão judicial, mas a maioria dos autores entende que deva ser aplicado nos casos em que o próprio agente sofra as consequências do acidente. Ex.: Condutor do veículo também fique gravemente ferido ou cause a morte de pessoa muito próxima.
· Quanto à natureza jurídica da sentença que concede o perdão judicial há controvérsia:
· Damásio - sentença condenatória- embora não gere reincidência - Art. 120 CP. 
· Súmula 18 do STJ - a sentença é declaratória da extinção da punibilidade. Apesar do entendimento de Damásio a própria Exposição de Motivos da Reforma da parte especial - N.º 98 Lei 7209/84 confirma a posição do STJ.
Ex.: Uma pessoa beneficiada com o perdão judicial e um ano depois comete outro crime não é reincidente, pois mesmo que se considere a sentença condenatória o At 120 é expresso ao dizer que o perdão judicial não se considera para efeito de reincidência.
PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO – Art. 122 CP
· Crime comum, simples, material, não admite tentativa, condicionado.
· Não existe participação em suicídio já que as condutas de partícipe estão aqui elencadas como crime autônomo. Só existe esse crime se for a título de dolo. A pessoa tem que saber e querer colaborar no suicídio de alguém.
· Não admite tentativa. - Vários crimes não admitem tentativa e dentre eles estão os crimes condicionados. Para que esse crime se consume é necessário que o resultado seja morte ou lesão grave, pois se não houver esse resultado e sim uma lesão leve, por exemplo, o fato é atípico.
· É possível por omissão? Maj. Não X Min. Sim Art. 12 § 2.º CP – dever jurídico de impedir o resultado.
· Se o agente praticar atos de execução o crime é de homicídio. Ex: Tício instiga Caio a suicidar-se. Caio não tem coragem de tomar o veneno, então Tício ministra o veneno. O crime é de homicídio.
· Instigar uma criança (menor de 12 anos – ECA) a suicidar-se é homicídio, uma vez que a criança não tem capacidade de discernimento. Porém não se estabelece uma idade limite, entendendo-se que deve ser analisado caso a caso. Damásio entende que a idade limite deve ser 14 anos por analogia a presunção de violência.
· Os autores dizem que esse crime só se caracteriza quando existe uma conduta dirigida a uma pessoa determinada. Sendo assim um livro chamado Manual do Suicida, que dá dicas de como cometer suicídio, não leva o seu autor a responder pelo crime. Essa observação é trazida pelo livro de Mirabete.
PACTO DE MORTE – “A” e “B” fazem um pacto de morte, “A” abre o registro de gás.
· “B” morre e “A” sobrevive – Art. 121 para “A”.
· “A” morre e “B” sobrevive – Art. 122 para “B”.
· “A” e “B” sobrevivem com LCG – Art. 121 c/c 14, II para “A” e Art. 122 para “B”.
· “A” e “B” sobrevivem com LC Leve – Art. 121 c/c 14, II para “A” e 122, caput para “B”.
ROLETA RUSSA – Arma de fogo com uma munição no tambor, cada um atira em si, girando o tambor.
DUELO AMERICANO – duas armas, só com uma munição cada, e cada um atira no outro respectivamente após contagem de determinada distância. O sobrevivente responderá por participação em suicídio. Se um atirar no outro – homicídio ou tentativa de homicídio.
INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO
Alteração do art. 122 do CP pela Lei nº13.968 de 26 de Dezembro de 2019
Suicídio é a eliminação, supressão, destruição deliberada, voluntária e consciente da própria vida. Também chamado de autocídio ou autoquíria (MASSON, 2014, p. 56).
Vale lembrar que no Brasil o ato de suicídio não é punido. E não é porque no caso do suicídio o autor da conduta não pode ser punido, já que se esse fosse o caso, a tentativa de suicídio poderia ser punida, coisa que não é.
Contudo, o que se pune é o induzimento, a instigação ou auxílio ao suicídio, de modo que se pune a participação em suicídio (BUSATO, 2014, p. 60), ou seja, quem colabora ou incentiva um suicídio alheio será punido nos termos da lei, uma vez que o suicídio, por si só, não é crime, por conta do princípio da alteridade (ou também chamado de lesividade), que recrimina apenas os comportamentos que excedem a figura do próprio autor. São exemplos clássicos deste delito: o pacto de morte e a roleta russa, bem como os mais recentes praticados pela internet como o jogo da baleia azul, etc.
A nova Lei nº 13.968/2019, acabou por punir também aquele que induz, instiga ou auxilia a prática de automutilação, pois assim ficou a redação do art. 122 do Código Penal:
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material para que o faça: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
A automutilação é o ato de praticar contra si uma autolesão, como por exemplo, praticar um corte em si mesmo, amputar seus membros, queimar seu corpo, etc. Vale lembrar que, assim como o ato do suicídio não é punido, aquele que se automutila também não pratica crime.
O crime pode ter duas formas de participação: a moral (induzimento e a instigação) e a material (auxílio). Trata-se, portanto, de crime de ação múltipla ou de conteúdo variado (também chamado de plurinuclear).
Induzir: é dar, colocar a ideia na mente de alguém que ainda não tinha pensado nessa possibilidade, e, portanto, cria a ideia de suicídio ou automutilação na cabeça da vítima. Exemplo: A procura B para quedê conselhos para resolver seus problemas financeiros, e B diz que a única solução é que A se mate ou se automutile.
Instigar: reforçar a ideia preexistente na mente da vítima para que se suicide ou se automutile. Exemplos: A sobe no prédio para se matar, e B vendo a cena, grita, estimulando A para que pule e se mate; A está prestes a se automutilar, e B acaba por estimular a prática da conduta.
Auxiliar: o agente colabora, materialmente, para a prática do suicídio ou da automutilação. Exemplo: emprestar corda, arma, veneno etc. O auxílio deve ser acessório, ou seja, não poderá ser a causa direta da morte ou automutilação, pois, se for, o crime será de homicídio ou de lesão corporal, respectivamente. Ou seja, pratica o crime definido no artigo 122 quem empresta a arma para a vítima se matar, mas comete homicídio quem aperta o gatilho, mesmo com autorização da vítima. Assim como, pratica crime de lesão corporal previsto no artigo 129 do CP, aquele que realiza um corte na vítima, mesmo que seja a pedido da mesma.
NÃO ESQUEÇA: O auxílio (material) deve ser eficaz, e, portanto, deve haver nexo causal (relação de causa e efeito – art. 13 do CP) entre o auxílio prestado e o modo como aconteceu o suicídio ou autolesão. Exemplo: no caso de emprestar uma corda e a vítima se matar com um tiro, não há nexo causal. Assim, aquele que emprestou a corda, não responderá pelo crime em comento.
Elemento Subjetivo
Necessário a presença do dolo direto ou eventual (Ex: Jogo da roleta russa que consiste que o agente dispare contra a própria cabeça com uma arma de fogo, municiada apenas com uma única munição. Ao estimular as pessoas na prática da conduta, haverá crime se alguém morrer, por dolo eventual).
Deve haver dolo na conduta, já que o “animus jocandi”, ou seja, em uma brincadeira o agente diz para outra pessoa “se matar”, e ele então se mata, não há presença do dolo, afastando a presença do crime.
NÃO ESQUEÇA: Como não há previsão legal de forma culposa no artigo 122 do Código Penal, textos ou músicas depressivas (ou não) que possam estimular o suicídio ou a automutilação, não geram a responsabilidade de seus autores e/ou intérpretes por ausência de dolo em relação a uma pessoa específica ou a pessoas determinadas.
Sujeito Ativo
Qualquer pessoa, sendo um crime comum.
Sujeito Passivo
Qualquer pessoa desde que tenha alguma capacidade de discernimento e resistência (não vulnerável). Excluem-se, portanto, as crianças e pessoas com desenvolvimento mental retardado, por serem considerados vulneráveis. Nesses casos, o agente responderá por lesão corporal ou homicídio, por previsão expressa nos parágrafos 6º e 7º do art. 122 do CP, respectivamente. Vale lembrar que tal interpretação era analógica ao art. 217-A do CP, mas que agora se encontra expresso em referida lei.
Consumação
Trata-se de ponto onde ocorreram as maiores mudanças no tipo penal, em decorrência da novel legislação. O art. 122 do CP antes da Lei 13.968/19 era crime de cunho material, e agora com a nova redação passou a ser formal (desnecessário o resultado naturalístico). Ou seja, antes para a consumação do delito era necessário que houvesse a morte ou a lesão grave da vítima. Agora, por ser um crime formal, basta a conduta do agente para que o delito esteja consumado. Eventual resultado (morte ou lesão) passa a ser qualificadora do delito como veremos a seguir.
Tentativa
Antes de referida lei, o crime em estudo não admitia a tentativa, segundo corrente majoritária. Com a alteração da nova lei, contudo, a tentativa é admitida. Nas condutas induzir e instigar, a tentativa é possível nas hipóteses de forma indireta (ex: bilhete ou e-mail que com a indução ou instigação, se extravia antes de chegar à vítima). Já na conduta auxiliar, temos o exemplo onde o agente estava levando um veneno ou arma para a vítima, mas acaba surpreendido antes de entregar o material para a vítima se suicidar ou automutilar.
QUALIFICADORAS
COM RESULTADO LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE OU GRAVÍSSIMA - ARTIGO 122, § 1º, DO CÓDIGO PENAL
A pena passará a ser de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão 3corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 do Código Penal.
COM RESULTADO MORTE
Se da conduta, resultar o suicídio da vítima ou se da automutilação sobrevier o resultado morte, o crime passará a ter a pena de reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Ou seja, ambas as hipóteses de qualificadora do crime são preterdolosas.
CAUSA DE AUMENTO DE PENA (§ 3º)
Nessas hipóteses abaixo, a pena será duplicada, quando:
a) praticado o crime por motivo egoístico, torpe ou fútil (inciso I).
Aqui o crime demonstra a conduta egoística do agente, que para benefício próprio, econômico ou não, visa o suicídio ou autolesão de terceira pessoa. Exemplo: agente que induz terceiro a se matar para ficar com a namorada. Nas hipóteses de motivo torpe ou fútil, com o mesmo fundamento das hipóteses do art. 121 § 2º, I e II do CP, contudo, objetivando o suicídio ou a autolesão.
b) a vítima for menor (inciso II, primeira parte).
Trata-se do menor de 18 anos e maior de 14 anos, já que pessoas nessa idade possuem capacidade reduzida de entender que estavam tirando a própria vida. O menor de 14 anos de idade, será vítima ou de homicídio ou lesão corporal, nos termos dos § 6º e 7º.
c) Se a vítima, por qualquer causa, tiver diminuída sua capacidade de resistência (inciso II, segunda parte).
A diminuição da resistência pode ser provocada por enfermidade física, moral, mental e até por uso de drogas e bebidas alcoólicas. Exemplo: se o agente aproveita que a vítima está embriagada ou em estado de depressão.
NÃO ESQUEÇA: Observe que a expressão é “diminuída”, pois, se a capacidade da vítima tiver sido totalmente anulada, o crime será de homicídio.
CAUSA DE AUMENTO DE PENA (§ 4º)
A pena será aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. Uma das hipóteses é o exemplo do “jogo da Baleia Azul”, onde os participantes são induzidos a praticar desafios transmitidos por redes sociais, sendo que na última etapa a vítima precisa tirar sua própria vida.
CAUSA DE AUMENTO DE PENA (§ 5º)
Se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual e pratica a conduta descrita no tipo penal, terá a pena aumentada em metade.
NÃO ESQUEÇA: Se o caso for realizado pela internet e for identificado o líder ou o administrador do grupo onde foi praticado a conduta delituosa, além da aplicação da pena em dobro (§ 4º), haverá ainda a incidência do aumento da metade por força deste parágrafo (§ 5º).
QUALIFICADORAS
SE DA CONDUTA RESULTA LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA (§ 6º)
Caso a vítima seja vulnerável, portanto, menor de 14 anos, ou não tenha o necessário discernimento para a prática do ato, por enfermidade ou deficiência mental, e tão pouco puder oferecer resistência, responderá o agente pelo crime de lesão corporal gravíssima, previsto no art. 129 § 2º do CP(onde a pena é de reclusão, de 2 a 8 anos). Trata-se de uma consequência lógica, tendo em vista que a vítima não tem capacidade plena de sua conduta, e, portanto, é um mero “fantoche” do autor do delito.
A nova legislação, contudo, deixou uma lacuna legislativa, pois se da conduta contra o vulnerável resultar lesão leve ou grave, teremos as seguintes consequências:
- se resulta lesão leve no vulnerável – permanece o “caput” do art. 122 do CP;
- se resulta lesão grave no vulnerável – o agente responderá pelo art. 122, § 1ºdo CP.
Não me parece razoável, mas, em ambos os casos, o agente continuará respondendo pelo art. 122 do CP e não pelo art. 129 do CP, em respeito ao princípio da legalidade.
SE DA CONDUTA RESULTA A MORTE (§ 7º)
Em situação similar ao do parágrafo anterior, caso a vítima seja vulnerável, ou seja, o menor de 14 anos, ou contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato (interessante notar que neste parágrafo o legislador retirou do rol de vulneráveis, a vítima com deficiência mental,em comparação com o texto do § 6º), e da conduta resultar a morte, o agente responderá pelo crime de homicídio previsto no art. 121 do CP.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
Se houver violência ou grave ameaça por parte do agente, o crime será de homicídio ou de lesão corporal (Ex: o agente aponta um revólver na cabeça da vítima para ela se suicidar ou se automutilar). A violência ou grave ameaça exclui a voluntariedade e, por consequência, não há se falar em suicídio ou automutilação.
Se a fraude excluir a consciência da vítima quanto ao cometimento do suicídio, ocorrerá o crime de homicídio, respondendo o autor, pela qualificadora de fraude por essa conduta. Exemplo: colocar veneno na bebida da vítima e convencê-la a tomar (art. 121 § 2º, III do Código Penal).
É cediço que o art. 122 do CP era da competência do Tribunal do Júri, pois é um crime doloso contra a vida, contudo, uma das maiores dúvidas em relação ao novo dispositivo legal é a competência para seu julgamento, no que tange a conduta de induzir, instigar ou auxiliar materialmente a automutilação, que entendemos não ser doloso contra a vida (mas sim contra a integridade física ou a saúde de outrem). Pela topologia do art. 122 do CP, que está no capítulo dos crimes contra a vida, e por força do art. 74, § 1º do Código de Processo Penal, será da competência do Tribunal do Júri os crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal. A nova lei não alterou o referido texto de lei, o que poderia dar ensejo ao entendimento que o art. 122 do CP, mesmo na conduta de autolesão, seria de competência do Tribunal do Júri. Contudo, entendemos que referida conduta, a de induzir, instigar ou auxiliar materialmente a autolesão trata-se de competência do juízo comum, já que não se trata de crime doloso contra a vida, conforme prevê o texto constitucional no art. 5º, XXXVIII, alínea d. Tão pouco seria razoável que alguém que induz alguém a cortar parte de seu próprio dedo fosse a Júri popular. Enfim, somente a jurisprudência irá sanar tal questionamento.
QUADRO ESQUEMÁTICO – INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO E AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO
OBJETO JURÍDICO - Vida humana extrauterina, bem como a integridade física e a saúde de terceiro
ELEMENTO OBJETIVO - Induzir, instigar ou auxiliar materialmente
ELEMENTO SUBJETIVO – Dolo
SUJEITO ATIVO - Qualquer pessoa
SUJEITO PASSIVO - Qualquer pessoa, desde que possua a capacidade de discernimento e resistência (não vulnerável)
CONSUMAÇÃO - Por ser crime formal, no momento da conduta, independentemente de resultado
TENTATIVA - É possível
QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA - Crime complexo, comum, formal, instantâneo, de ação múltipla e doloso.
AÇÃO PENAL - Pública incondicionada
INFANTICÍDIO - Art. 123
Sujeito Passivo – Neonato (acabou de nascer) Nascente (morto durante o parto)
Dilatação do colo do útero
Fases do Parto
Expulsão do feto para a parte exterior do útero
Expulsão da placenta
Sujeito Ativo qualificado - a mãe - É crime simples, própria, material, admite tentativa.
· É uma espécie de homicídio privilegiado, mas que o legislador preferiu colocar como tipo autônomo – Princípio da Especialidade.
Estado Puerperal – “Conjunto das perturbações psicológicas e fisiológicas sofridas pela mulher em face do fenômeno parto” – Damásio de Jesus - é uma certa anomalia psíquica que algumas mulheres podem ter após o parto, alteração no comportamento – não é doença. Puerpério = resguardo. Quem atesta o estado puerperal é o médico. A medicina mais moderna diz que não existe estado puerperal.
· A lei diz durante ou logo após o parto - Existe uma enorme divergência quanto a esse período. Alguns livros falam que pode ser de 6 a 8 semanas, enquanto que outros falam de 6 a 8 dias. O melhor entendimento é não fixar prazo, pois já que é necessário haver um laudo médico, caberá ao médico determinar a existência ou não do estado puerperal.
· E quando a mãe por erro mata filho que não é o seu?
Ex.: enfermeira entrega o bebê trocado e a mulher mata a criança pensando ser o seu filho. Deveria ser entendido como homicídio, pois a lei é clara ao referir “o próprio filho”, mas Damásio entende tratar-se de infanticídio putativo. Havendo erro de pessoa – Art. 20 § 3.º CP – responde por infanticídio. 
· O partícipe no crime de infanticídio
Ex.: A enfermeira que emprestou o instrumento para que a mãe se pratique o infanticídio. 
1º - Segundo o entendimento dominante responde como partícipe em infanticídio - Damásio, Delmanto e Nelson Hungria.
2º - Responde por homicídio- Fragoso, Hungria (opinião antiga). Tendo em vista o art. 30 do CP.
3º - Caso a mãe (No estado do art. 123) convença alguém a praticar atos de execução para matar o próprio filho. A outra pessoa responde por homicídio- Frederico Marques. Os demais autores não fazem essa distinção.
· Quem julga crime de infanticídio é o Tribunal do Júri.
Não há modalidade culposa nesse crime. Se estiverem presentes os requisitos e sendo apresentado como modalidade culposa não é típico.
A) Se pelo estado puerperal a mulher vem ser portadora de doença mental – Art. 26, caput.
B) Se pelo estado puerperal a mulher sofre perturbação mental – Art. 26, parágrafo único.
C) Se em consequência do estado puerperal a mulher vem a sofrer influência psíquica – Art. 123
ABORTO – Artigo 124/128
CONCEITO - “Considera-se aborto a interrupção da gravidez com a consequente destruição do produto da concepção. Consiste na eliminação da vida intrauterina. Não faz parte do conceito de aborto, a posterior expulsão do feto, pois pode ocorrer que o embrião seja dissolvido e depois reabsorvido pelo organismo materno, em virtude de um processo de autólise; ou então pode suceder que ele sofra processo de mumificação ou maceração, de modo que continue no útero materno. A lei não faz distinção entre o óvulo fecundado (3 primeiras semanas de gestação), embrião (3 primeiros meses), ou feto (a partir de 3 meses), pois em qualquer fase da gravidez estará configurado o delito de aborto, quer dizer desde o início da concepção até o início do parto”. CAPEZ
Interrupção da gravidez com a morte do feto ou destruição do óvulo. Consuma-se com a morte do produto da concepção. 
Esse produto tem nome diferente de acordo com o tempo:
Óvulo - até 03 semanas
Embrião - 03 semanas a 03 meses
Feto - após 03 meses.
O aborto só ocorre durante a gravidez, enquanto não se inicia o parto. Se este já se iniciou a mulher matando o filho cometerá infanticídio, havendo estado puerperal, ou homicídio.
Parto - para Fragoso- rompimento do saco amniótico.
Mirabete - inicia-se com as contrações sentidas pela mulher com o deslocamento do feto.
Sujeito Ativo – 
Art. 124 – Auto aborto – própria gestante
Art. 126 – QQ pessoa – provocado por terceiro.
Sujeito passivo do aborto
1- O Estado – (Fragoso, Mirabete, Paulo José da Costa Jr.). Não há pessoa, pois, o feto é o objeto material do crime.
2- O feto - Damásio e Mirabete.
Objeto material é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa.
Não há crime de aborto de gravidez tubária ou ovárica, porque são casos em que a gravidez é anormal e não a possibilidade de chegar ao final. O mesmo ocorre no caso de gravidez molar - o produto da gravidez chama-se mola - produto este degenerado que não tem condições de vida humana.
Espécies
Natural
Acidental
Criminoso – 124/127
Legal – 128
1º - Auto aborto
2º - Consentir que outro provoque o aborto. São crimes próprios que só a mulher grávida pode praticar.
3º - Praticar aborto com consentimento da gestante.
4º - Praticar aborto sem consentimento da gestante.
Exceção pluralista - a mulher consente que alguém pratique o aborto. Ela comete um crime e aquele que pratica comete outro, a partir da mesma ação. Embora exista a exceção pluralista, cada uma das modalidades admite participação.
Tentativa - Admite-se Ex: A mulher pode, por exemplo, ingerir substância abortiva e não ocorre a morte do feto.
Crime impossível - Se o produto ingerido não for idôneo para provocar o aborto. 
É crime simplese comum, salvo o art. 124 CP que é crime próprio, já que aqui o sujeito ativo é mulher grávida (auto-aborto o aborto consentido).
ART. 124 – AUTO ABORTO
Se uma mulher quer praticar o auto-aborto e pede que alguém explique a ela como fazer, essa pessoa é partícipe no auto-aborto.
Se uma pessoa dá as instruções a uma mulher de como praticar o aborto, não fazendo a intervenção. Neste caso a mulher responde pelo art. 124, 1ª parte, CP. E o que deu as instruções, induziu ou instigou a prática do aborto responde pelo mesmo art. 124, 1ª parte c/c 29 - partícipe no mesmo crime.
ART. 125 CP - ABORTO PROVOCADO SEM CONSENTIMENTO DA GESTANTE.
Dissenso real (violência, grave ameaça ou fraude) ou presumido (menor de 14 anos ou alienada mental).
ART. 126 CP - IDEM COM O CONSENTIMENTO DA GESTANTE. NESTE CASO HÁ DOIS CRIMES:
· Pessoa que provoca o aborto responde por esse crime – inclusive terceiros (enfermeira, anestesista);
· A mulher que consente responde pelo art. 124, 2ª parte CP. Cada um responde por seu crime - exceção dualista.
ART. 126, PARÁGRAFO ÚNICO - CONSENTIMENTO INVÁLIDO.
Ex: O médico engana a mulher dizendo que se não fizer o aborto morrerá. Este consentimento não tem validade.
Não é válido o consentimento da gestante se ela for incapaz. Nesse caso a pena será de aborto sem consentimento.
ART. 127 - ABORTO QUALIFICADO - AUMENTO DE PENA - SÓ É APLICÁVEL AOS ART. 125 E 126 CP.
1) Se resulta LCG ou morte – atos
2) Se dos meios empregados resulta LCG ou morte.
Se em razão do aborto a gestante sofre lesão corporal grave ou morte. Portanto é aplicado nas hipóteses do art. 125 e 126, ou seja, para quem pratica aborto com ou sem consentimento.
A provocação do aborto é sempre dolosa (resultado preterdoloso)
A lesão leve está absorvida pelo próprio aborto.
Se o indivíduo quiser realizar o aborto e matar a mãe são dois crimes.
a) Bate na mulher sem ciência da gravidez – ela aborta = Lesão leve por erro de tipo invencível em relação á qualificadora.
b) Bate na mulher, tem ciência da gravidez, mas evita a barriga – ela aborta = LC Grave. 129 § 2.º V CP.
c) Bate na mulher, tem ciência da gravidez, e que se dane – ela aborta = 125 CP com dolo eventual.
ART. 128 - EXCLUDENTES DE ILICITUDE
I - Aborto necessário ou terapêutico. Praticado por médico
Pode ser outra pessoa no caso do art. 24 - perigo atual, alguns autores entendem que pode ser perigo iminente - Estado de necessidade.
II - Estupro - Tem de ser praticado por médico. Por analogia aplica-se no caso de atentado violento ao pudor - Damásio, Mirabete.
NJ – Causa excludente de ilicitude
Não há necessidade de autorização judicial para que o médico pratique esse aborto.
ABORTO DE ANENCÉFALO
CONCEITO DE ANENCEFALIA - “uma patologia congênita que afeta a configuração encefálica e dos ossos do crânio que rodeiam a cabeça”, como consequência deste fato, têm-se o desenvolvimento mínimo do encéfalo, que apresenta ausência parcial, ou total do cérebro. Ademais, a parte de trás do crânio também se mostra sem fechar, podendo ter, ainda, a falta de ossos nas regiões laterais e anterior da cabeça.
Em determinados casos, é certo a sobrevivência por alguns dias, após o nascimento. Porém, não é uma vida propriamente de um ser humano, já que se encontra total impossibilidade de vida biológica e moral. Raros são as hipóteses em que as crianças completam um ano de vida.
A criança ao nascer não possui nenhuma expectativa de vida, já que nasce com essa deformidade. Desta forma, não tem o porquê da mãe carregar em seu corpo, durante nove meses, um filho que não possua possibilidade de ter vida extrauterina, sabendo que após o nascimento ele certamente virá a óbito.
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal – STF decidiu que não será mais considerado crime o aborto de feto anencéfalo, incluindo na lista de aborto legal, junto aos casos de estupro e em que a gestante corra risco de vida. Por oito votos contra apenas dois, foi declarada a inconstitucionalidade da interrupção de gravidez de fato anencéfalo como crime previsto no Código Penal Brasileiro. O relator do processo foi o ministro Marco Aurélio Mello.
Assim, o parto de feto anencéfalo passa a ser voluntário, já que a gestante pode se manifestar em não dar continuidade a gestação, devendo procurar o Sistema Único de Saúde para solicitar o serviço, gratuito, sem a autorização judicial.
ESPÉCIES
ABORTO TERAPÊUTICO: ocorre quando a vida da gestante está em risco, neste caso o médico realiza o aborto com o intuito de salvar a vida da mãe.
ABORTO SENTIMENTAL: é o aborto nos casos de estupro. Genival Veloso de França, explica que essa espécie de aborto surgiu quando alguns países da Europa, na Primeira Guerra Mundial tiveram suas mulheres violentadas por invasores, diante da indignação patriota, criou-se a figura do aborto sentimental, para que essas mulheres não fossem obrigadas a carregar no ventre os filhos de seus agressores.
ABORTO EUGÊNICO: seria o aborto realizado nos casos de fetos defeituosos, ou até mesmo com possibilidade de se tornarem defeituosos no futuro.
ABORTO SOCIAL: é o aborto feito por falta de recursos financeiros, em outras palavras, ocorre quando a mãe não possui condições econômicas para sustentar o filho.
ABORTO POR MOTIVO DE HONRA: é o aborto provocado para esconder motivos que manchem a imagem da mulher perante a sociedade, é utilizado para esconder a desonra.
CASOS ESPECIAIS
IMPOSSIBILIDADE DE CRIME
Imaginemos a hipótese em que por um defeito na fecundação o feto não passa de um emaranhado de células, as células que iriam formar a placenta se comportam de forma anormal formando uma massa de cistos, trata-se da gravidez molar.
Suponhamos ainda que o gameta feminino, já fecundado pelo espermatozoide masculino não consiga chegar ao útero, desenvolvendo-se fora dele, tal fenômeno é denominado pela medicina de gravidez ectópica ou tubária.
Em ambas situações ocorre o que chamamos de crime impossível visto que na gravidez molar não se forma uma vida e na gravidez tubária não existe vida intrauterina, logo não fica caracterizado o delito de aborto.
ABORTO EM ACIDENTE DE TRÂNSITO
E se, a gestante na condução de um veículo automotor sofre um acidente abortando a criança concebida? Tal situação não importará em responsabilidade penal a gestante visto que não existe previsão legal para a modalidade culposa do aborto. Se esta mesma gestante, por exemplo, for vítima de um acidente provocado por terceiro, que age de forma imprudente, causando-lhe o aborto, o terceiro será responsabilizado criminalmente por lesões corporais de natureza culposa.
MORTE DE FETOS GÊMEOS
Pensemos na hipótese de o agente que manipule substancia química abortiva na bebida da gestante, de gravidez gemelar, como responderia por tais delitos? Certo que responderia pelo tipo de aborto agora é importante verificar se o agente tinha conhecimento que a gravidez era de gêmeos. Tendo o agente ciência deste fato responderá por concurso formal impróprio, segunda parte do art. 70, caput, CP, haja vista que por meio de uma conduta produziu dois ou mais resultados agindo com desígnios autônomos. Se o agente o faz, entretanto, imaginado ser a gravidez simples deverá responder por um único aborto.
AGRESSÃO CONTRA GESTANTE GRAVIDA
Diante da agressão contra uma mulher, sabidamente, gravida fica a dúvida se o agente responderá por lesão corporal qualificada pelo resultado aborto ou simplesmente por aborto sem o consentimento da gestante. Deverá ser analisado, então, para onde foi dirigida a conduta do agente, ou seja, se este queria causar lesão corporal na mulher e desta agressão adveio o resultado aborto ou se sua conduta foi diretamente dirigida a causar-lhe aborto.
Porém se o acusado se valer do direito de ficar em silêncio, deverá ser analisado qual foi a realidade dos fatos. Se o agente agride uma mulher com socos violentos no rosto, o seu dolo, claramente foi o de causar-lhe lesões corporais. Se o agente, contudo, desfere-lhe golpes na barriga, responderá pelo crime de aborto. Se ainda assim restarem duvidas deverá anorma ser interpretada in dubio pro reo, devendo o agente responder pelo delito de lesões corporais qualificadas pelo resultado aborto, a qual a pena cominada é de reclusão, de dois a oito anos ao invés de aborto sem o consentimento da gestante, cuja a pena cominada é de reclusão de três a dez anos.
GESTANTES QUE TENTAM SUICÍDIO
Entende-se que o suicídio, por ser uma autolesão, não é um ato punível o que o nosso legislador pune é a instigação, auxilio ou induzimento ao suicídio (art. 122, CP).  Agora e se a gestante, sabendo que tirando sua vida tiraria a do feto consequentemente tentar suicídio e sobreviver? Posiciona-se Rogério Greco no sentido de que deverá ser-lhe imputado o aborto na modalidade tentada, não ocorrendo a morte do feto, caso contrário o produto da concepção morra responderá a gestante pelo crime de aborto.
SEGUNDO O MINISTÉRIO DA SAÚDE, OS ABORTAMENTOS PODEM SER CLASSIFICADOS COMO:
Ameaça de abortamento: nesse caso, o concepto mantém sua vitalidade, entretanto, são observados na gestante o sangramento genital e cólicas. Geralmente, o sangramento é de pouca intensidade e as cólicas pouco intensas. O colo uterino permanece fechado. Nesse caso, o correto é que a mulher permaneça em repouso.
Abortamento completo: comumente acontece em gestações que apresentam menos de oito semanas e é observada uma eliminação total do conteúdo do útero. Nesse caso, a mulher fica em observação para que seja conferido se o sangramento é mantido e para que as infeções sejam evitadas.
Abortamento inevitável/incompleto: nesse tipo de abortamento, temos uma situação em que apenas parte do conteúdo uterino é eliminado. É verificado, nesses casos, um sangramento maior que na ameaça de abortamento. Além disso, o colo do útero encontra-se aberto e a mulher sente dores. Em situações assim, é necessário realizar procedimentos como a AMIU (aspiração manual intrauterina) ou curetagem (técnica que consiste na raspagem da parte interna do útero).
Abortamento retido: observa-se nesse tipo de abortamento que o colo do útero permanece fechado e a mulher não apresenta perda sanguínea, entretanto, o embrião não apresenta sinais de vida. Nesse caso pode ser realizada a técnica AMIU ou ser utilizado medicamentos.
Abortamento infectado: nessa circunstância, observa-se infecções decorrentes, principalmente, de abortamentos realizados de maneira ilegal. Verifica-se um abortamento incompleto e sinais de infecções causadas, geralmente, por bactérias. Febre, sangramento, dores e eliminação de pus pelo colo uterino podem ser notados.
Abortamento habitual: considera-se abortamento habitual quando a mulher apresenta três ou mais abortos espontâneos consecutivamente. Essa situação não é comum e as causas devem ser averiguadas.
Abortamento eletivo previsto em lei: essa situação diz respeito aos abortamentos solicitados em caso de estupro, risco de vida para a mulher ou feto anencéfalo (que não apresenta total ou parcialmente a calota craniana e o cérebro). Diferentes técnicas podem ser utilizadas, como uso de medicamentos, AMIU e curetagem. Nesse caso, apesar do aborto ser provocado, não se configura um crime.
LESÃO CORPORAL – Art. 129 CP
1- LC SIMPLES - caput
2- LC PRIVILEGIADA - §§ 4.º e 5.º
3- LC QUALIFICADA - §§ 1.º, 2.º e 3.º
4- LC CULPOSA - § 6.º e § 7.º (Culposa qualificada)
5- PERDÃO JUDICIAL - § 8.º 
6- LC VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - §§ 9.º, 10 e 13 
Objetividade Jurídica – proteção a integridade física – “animus laedendi” – e físico-psíquica da pessoa.
S.A.- QQ pessoa
S.P. – QQ pessoa – Exceto (Aceleração de Parto e Aborto – Mulher)
Tentativa – Admite-se (Branca) – exceto na LC culposa e na LC preterdolosa
LC GRAVE - § 1.º
I – Incapacidade – 30 dias – Não se refere de forma específica ao trabalho, mas em relação às ocupações da vida de maneira geral – dolo ou culpa.
II – Perigo de vida – trata-se de perigo concreto. A prática tem de esclarecer em que consistiu o perigo - é caso de crime preterdoloso: dolo no antecedente - lesão; culpa no consequente - perigo de vida. Não admite tentativa, senão seria tentativa de homicídio se houver dolo – há necessidade de fundamentar a probabilidade de êxito letal, não bastando a natureza e local das lesões.
III – Debilidade Permanente – Diminuição da capacidade funcional – respiratória, reprodutora – diz respeito à atividade de um órgão – não significa perpetuidade, mas pode ser duradoura.
IV – Aceleração de Parto – o feto vem a ser expulso antes do período determinado para o nascimento. É necessário que o agente tenha ciência da gravidez da vítima.
OBS.: O fato da qualificadora estar acobertada pelo dolo é excepcional, pois a regra é da qualificadora estar acobertada pela culpa (preterdolo).
AUTOLESÃO - Não existe crime de autolesão, mas ela pode ser parte de outros crimes - Art. 171, § 2º, V ou CPM Art. 184 - o indivíduo que se lesiona para não servir a uma força militar.
A lesão corporal leve e culposa - Ação penal pública condicionada, ainda que não seja aplicado o procedimento da L.9099/95 – Artigo 88.
LC GRAVÍSSIMA - § 2.º
I – Incapacidade permanente para o trabalho - De forma genérica ou específica? Genérica
II – Enfermidade incurável – Doença física ou mental em que a cura ainda não é alcançada pela medicina. AIDS - transmissão intencional – homicídio - dolo de homicídio.
III – Perda ou inutilização de membro, sentido ou função – ablação de membro, inaptidão do órgão a sua função específica.
IV – Deformidade permanente – É o dano estético, de certa monta, permanente, visível, irreparável e capaz de causar impressão vexatória. A vítima não é obrigada a submeter-se a uma cirurgia, mas se o fizer e se recuperar desaparecerá a qualificadora.
V – Aborto – Há necessidade do elemento subjetivo normativo (culpa) no resultado, punindo-se a LC a título de dolo e o aborto a título de culpa. – O agente tem de ter a ciência da gravidez da vítima.
1) Se o agente sabe da gravidez e provoca lesão na vítima, vindo esta em consequência a abortar – LC Gravíssima.
2) Se o agente conhece a gravidez e ainda assim agride violentamente a vítima, provocando o abortamento – Aborto + LC em concurso formal imperfeito (70 2.ª parte – pena aplicada cumulativamente) 
Art. 129 § 2.º V – o agente age com dolo em relação a LC e culpa quanto a qualificadora.
Art. 127 – O agente age com dolo em relação ao aborto e culpa em relação a LC Grave.
LC SEGUIDA DE MORTE - § 3.º
Preterdolo - Não admite tentativa – pois atribui-se o resultado a título de culpa.
Competência para julgamento – Juiz Singular
LC PRIVILEGIADA 
§ 4º - são as mesmas hipóteses do homicídio privilegiado, que só são aplicadas nas lesões graves e gravíssimas seguidas de morte, porque se a lesão for leve existe a hipótese da multa substitutiva do § 5º.
LC CULPOSA - § 6º 
Se a lesão é a título de culpa não interessa a gravidade da lesão, o crime é sempre o mesmo.
Crime de trânsito – Lesão Corporal no Trânsito – CTB – Art. 303 Lei 9503/97
LC QUALIFICADA - §§ 7º e 8º
Causa de aumento de pena e perdão judicial igual ao homicídio e homicídio culposo.
LC DOMÉSTICA - §§ 9º e 10 – Lei 10.886/2004 – 17/06/04.
 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA    
§ 9º - Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).  
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência.  
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a penaé aumentada de um a dois terços.
§13. Se a lesão é praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”
Art. 21. Praticar vias de fato contra alguem: Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de réis, se o fato não constitue crime. 
§1º. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos.
§2º. Se a contravenção é praticada contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A do Decreto- Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), aplica-se a pena em triplo.” (NR)
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
Crimes de perigo – A ação consiste em produzir situação objetiva de periclitação do bem jurídico tutelado, sendo o propósito do agente tão somente essa situação de perigo e não produzir o dano.
Perigo é a modificação do mundo exterior que contém a probabilidade (não mera possibilidade) de provocar um dano. 
· Abstrato
· Concreto
· Comum
· Individual
ARTIGO 130 - PERIGO DE CONTÁGIO VENÉREO
S.A - QQ pessoa – homem ou mulher
S.P - QQ pessoa mesmo que consinta
Ato sexual ou q.q. ato libidinoso
Uso de preservativo afasta o dolo – não ocorre em outros AL
Moléstia Venérea – Sífilis, blenogarria (gonorreia), cancro mole, etc. 
Doenças Sexuais Transmissíveis – Candidíase, herpes simples tipo II etc. 
AIDS – Necessariamente não se transmite por contato sexual
1.º - sabe
2.º - devia saber
3.º - sabe e tem intenção de contaminar
Crime impossível – ofendido já contaminado
Ação penal – representação
Concurso de crimes – crimes contra os costumes
Se não houver o contato sexual – 131 ou 132
ARTIGO 131 - PERIGO DE CONTÁGIO DE MOLÉSTIA GRAVE # SEXUAL
· Moléstia transmissível por contágio, sendo que a gravidade e a possibilidade devem ser constatadas pericialmente = tuberculose, febre amarela, varíola, cólera, tifo, aids.
· Praticar atos capaz de produzir o contágio: Ex. seringa, sangue, etc.
Perigo comum – 267 § 2.º e 268
ARTIGO 132 – EXPOR A VIDA DE OUTREM A PERIGO
S.P. – pessoa determinada # perigo comum
Expor = colocar em risco (comissivo ou omissivo) – exposição genérica, ampliada
Ex: Obras, empregados, trânsito (sem ser na direção)
Morte = 121 § 3.º
LC – 132
Intenção – 121 ou 129
Disparo de arma de fogo – Art. 15 da Lei 10826/03
Art. 242, 243 e 244 do ECA
Art. 306, 308 e 311 Lei 9503/97
PARÁGRAFO ÚNICO – EX.: BOIAS-FRIAS
	Resultado
	Dolo de Perigo
	Dolo de Dano
	Nada
	130 e 132
	130 § 1.º e 131
	Leve
	130 e 132
	130 § 1.º e 131
	Grave
	129 §§ 1.º e 2.º 
	129 §§ 1.º e 2.º - AIDS
	Morte
	121 § 3.º 129 § 3.º 
	129 § 3.º ou 121
ARTIGO 133 – ABANDONO DE INCAPAZ # DO CÓDIGO CIVIL
Crime próprio = relação de assistência ou guarda Ex.: Empregada, pais, parentes
S. P. – bêbados, doentes, incapazes
Ficar próximo; capacidade de se defender – não há crime
§§ 1.º e 2.º - resultado agravador =preterdoloso
§ 3.º - idoso
Sem dever de assistência – 135
Recém-nascido - 134
ARTIGO 134 – ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO
SA – Mãe
 Pai incestuoso, adúltero – Damásio.
SP – Amplo
 Restrito = perda do cordão umbilical
Desonra própria
ART. 135 CP – OMISSÃO DE SOCORRO. 
Crime omissivo puro ou próprio - unissubsistentes (não admite tentativa). No momento da omissão o crime está consumado.
Deixar de prestar assistência
Não pedir socorro da autoridade pública
Se uma pessoa socorrer não haverá crimes para aqueles que não socorreram anteriormente.
É crime de perigo
Presumido - no artigo até onde diz “ao desamparo”. Não há necessidade de provar o perigo, é uma presunção.
Concreto - o restante do artigo - tem que haver prova da situação de perigo. É crime comum, o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Todos têm dever de solidariedade.
O código de trânsito também prevê a omissão de socorro no seu art. 304 (pena maior, de 6 meses a 1 ano). Está havendo dúvida sobre quando deve ser aplicado. No caso do homicídio culposo - art. 302 § 1º, III CTB, há uma causa de aumento da pena quando o agente não presta socorro, sendo assim ele não responde pelo crime de omissão autônomo e sim pelo homicídio culposo qualificado. Na lesão corporal também a omissão é causa de aumento de pena - art. 303. Sendo assim só responde pela omissão autonomamente o terceiro, o condutor de outro veículo.
Outra hipótese interpretativa:
Uma pessoa pode ser acusada de homicídio culposo e o juiz chegar à conclusão que não houve culpa ou dolo, foi um caso fortuito, porém devendo responder pela omissão de socorro.
Também no CP o art. 135 pode constituir crime autônomo ou causa de aumento de pena, como no art. 121 § 3º c/c § 4º e art. 129 º c/c § 7º.
Para que seja aplicado o CTB é necessário que o fato se origine quanto o condutor estiver na direção de veículo.
O parágrafo único do art. 135 prevê o aumento de pena:
· De metade se houver lesão corporal grave;
· Triplicada se resultar morte.
CONDICIONAMENTO DE ATENDIMENTO MÉDICO-HOSPITALAR EMERGENCIAL 
Art. 135-A.  Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.  
Parágrafo único.  A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.  
ARTIGO 136 – MAUS TRATOS
SA – próprio = relação de vigilância
Abusos nos meios correcionais (físicos e morais) ou disciplinares – forma vinculada descrita na lei # outros crimes
Mulher não é sujeito passivo
RIXA – Artigo 137
Conceito - É o tumulto, a confusão, a luta ocorrida entre pelo menos três pessoas (rixoso ou rixento), não sendo necessário o contato físico, pois poderá ocorrer através de pedradas, garrafadas ou outro objeto. A característica fundamental da rixa é o seu caráter tumultuário, sem ajuste prévio, visto que a rixa pré-ordenada (ex proposito) não é tipificada em nossa legislação, devendo eclodir subitamente (ex improviso).
É crime comum, plurissubjetivo (mínimo de 3 pessoas), crime de perigo presumido.
É possível haver tentativa nesse crime? A maioria entende não ser possível a tentativa, pois no momento em que tem início já está consumado o crime. Porém existem alguns autores que admitem a tentativa (Damásio), pois entende que a rixa pode ser de improviso ou premeditada, enquanto que a maioria entende só ser possível de improviso.
É crime formal, pois sendo um crime de perigo o seu resultado é o perigo.
Parágrafo único - mesmo quem não causou a morte ou lesão responde por ela.
Exemplos
1- A, B, C, D, E- participaram de uma rixa. Todos respondem pelo crime de Rixa simples. A sofreu lesão leve.
2- Descobriu-se que foi B que causou a lesão em A
A, C, D e E =137 caput
B = 137 caput c/c 129 n/f 69 CP
3- A sofreu lesão grave e descobriu-se que B foi o causador da lesão. Nesse caso A,C D e E respondem na forma do art. 137 § único (aumento de pena), ou seja, até mesmo a vítima responde pela forma qualificada, e B responde pelo art. 137 § único 1ª parte e pela lesão grave. Tudo em concurso material. Verifica-se, assim a presença de bis in idem, pois a lesão grave está incidindo duas vezes, uma autonomamente e outra como qualificadora. Damásio ao analisar esse problema acredita que embora seja a solução legal, já que é explicitada inclusive na Exposição de Motivos, não deveria ser a aplicada, pela presença do bis in idem. B deveria responder pelo art. 137 caput e pela lesão grave.
4- A morreu, e não se descobriu quem matou. Todos respondem pelo art. 137 c/c § único.
5- Se descobrem que foi B o causador da morte. C, D, E respondem pelo art. 137 § único e B = art. 137 § único n.f. concurso material com art. 121 CP. O mesmo problema visto no caso anterior. Damásio entende que o agente deve responder pelo homicídio e pela rixa simples.
6- Durante a rixa C morre, descobre-se que A matou em legítima defesa,já que é possível ocorrer legítima defesa durante a rixa. Todos respondem pelo 137 § único. Mesmo aquele que agiu em legítima defesa responde pela forma qualificada.
7- Ocorreu a morte de B quando A já havia abandonado a luta. C, D, E respondem pelo art. 137 § único, e A também responderá pela forma qualificada.
8- Se A entrou na luta após a morte de B, responderá A pelo 137 caput, enquanto os demais respondem pelo 137 § único.
9- D e E morrem, não sendo possível determinar quem matou. Todos os demais respondem pelo art. 137 § único, a pena cominada será a mesma (6 meses a 2 anos), independentemente do número de mortes.
10- Descobriu-se que o autor das mortes foi A, B e C = art. 137 § único e A = art. 137 § único e art. 121 2 vezes n. f. do art. 69.
· LC LEVE - Conhece a autoria – 129 para autor. Demais – Rixa simples, inclusive a vítima.
· LC LEVE - Não conhece a autoria – rixa simples todos, inclusive a vítima.
· LC GRAVE - Conhece a autoria – 129 §§ para autor c/c Rixa simples n/f 70CP. Demais – Rixa qualificada, inclusive a vítima.
· LC GRAVE - Não conhece a autoria – rixa simples todos, inclusive a vítima.
· MORTE DOLO - Conhece a autoria – 121 para autor c/c Rixa simples n/f 70CP. Demais – Rixa qualificada.
· MORTE CULPA - Conhece a autoria – 129 § 3º para autor c/c Rixa simples n/f 70CP. Demais – Rixa qualificada.
· MORTE - Não conhece a autoria – rixa qualificada todos.
CRIMES CONTRA A HONRA
HONRA OBJETIVA – juízo que as pessoas têm a respeito de você; conceito que a pessoa desfruta no meio social;
HONRA SUBJETIVA – juízo que cada um tem a respeito de si próprio; conceito que a pessoa tem de si mesma.
Dignidade – conjunto de atributos morais da pessoa
Decoro – conjunto de atributos físicos e intelectuais da pessoa
A honra constitui interesse jurídico disponível, em razão de que havendo consentimento do ofendido há exclusão de ilicitude. Ex: Se eu não pagar tal dia, pode me chamar de ladrão.
Pessoa Jurídica – Só difamação
Calúnia, difamação e injúria - Características comuns:
Crimes comuns; Formais (de consumação antecipada);
Quais seriam os resultados dos crimes contra a honra?
O indivíduo se sentir ofendido. Sendo assim é formal, porque não é necessário que a vítima se ofenda, basta que seja ofensa idônea, ou seja, capaz de ofender.
Praticamente todos os autores tratam da honra sob dois aspectos:
Calúnia e difamação atingem a honra objetiva, enquanto que a injúria atinge a honra subjetiva.
Consumação - Isso tem influência inclusive com relação a consumação. A injúria que atinge a honra subjetiva se consuma quando a vítima toma conhecimento da ofensa, já a calúnia e a difamação se consumam quando chega ao conhecimento de terceiros.
Tentativa – somente na forma escrita
ART. 138 – CALÚNIA - imputar falsamente a alguém, fato definido como crime. Se for contravenção não é calúnia, podendo configurar contravenção.
Núcleos desse tipo: falsamente e crime.
Falsamente em regra, pois há vários casos que a lei não admite a exceção da verdade - art. 138 § 2º, sendo assim, ainda que verdadeiros a calúnia existe.
É necessário também que seja um fato específico.
§ 1º- o dolo só pode ser direto, não pode ser eventual.
§ 2º- é punível a calúnia contra os mortos. Nesse caso os sujeitos passivos são os parentes.
§ 3º- casos nos quais não se admite a exceção da verdade.
ART. 139 – DIFAMAÇÃO - também é um fato específico, porém não é crime, podendo ser uma contravenção, ou algo moralmente desabonador. Também não é necessário que a imputação seja falsa. Não há necessidade de o fato ser falso, ainda que verdadeiro ocorrerá o delito.
§ único - única hipótese que admite a exceção da verdade - se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
ART. 140 – INJÚRIA - normalmente é atribuir uma qualidade negativa a alguém. Se atribui um fato impreciso também é injúria. Ex.: estelionatário, ladrão.
SP – Não podem ser ofendidos no crime de injúria as crianças e os loucos, por não terem discernimento da ofensa.
Não cabe à exceção da verdade em nenhuma hipótese. Crime de difícil defesa.
O elemento subjetivo do tipo nos 3 crimes é a intenção de ofender.
Caricaturas - de modo geral entende-se que o caricaturista não age com ânimo de ofender e sim com o ânimo de brincar ou informar.
§ 1º - o juiz pode deixar de aplicar a pena em 2 hipóteses: Perdão Judicial
I- Quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II- No caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - INJÚRIA REAL - se a injúria consiste em violência ou vias de fato.
Ex. esbofetear alguém com a intenção de humilhar, cuspir, jogar bebida, etc.
Nesses casos a pena é maior, além da pena correspondente à violência.
Ex. Uma pessoa bate na outra com a intenção de humilhar, porém além disso provocou uma lesão corporal. Deverá responder pela injúria real – art. 140 § 2º e pelo art. 129 em concurso material.
OBS.: Sempre que o código disser: pena tal “além da pena correspondente a violência”, essa pena é em concurso material. 
§ 3º - INJÚRIA POR PRECONCEITO - Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à condição de pessoa idosa ou com deficiência: 
Art. 141 – DISPOSIÇÕES COMUNS – AUMENTO DE PENA
I - Quando o ofendido for o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro condicionada a Requisição do Ministro da Justiça;
II - Contra funcionário público em razão de sua função - condicionada a representação do ofendido; OBS: Quando se ofende um funcionário público, na sua presença, em exercício de sua função o crime é de DESACATO.
III – Em público
§ 1º - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro.
§ 2º - Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena.
§ 3º - Se o crime é cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em dobro.
ART. 142 – EXCLUDENTES – INJÚRIA E DIFAMAÇÃO
I – Imunidade Judiciária
II – Opinião Desfavorável e Crítica Literária
III – Conceito Desfavorável emitido por funcionário público
ART. 143 - RETRATAÇÃO - é causa extintiva da punibilidade - art. 107, VI. Só é admissível na calúnia e na difamação. Retratar é admitir o fato, mas demonstrar arrependimento, justificar de alguma forma o fato. A retratação independe da vontade da vítima. O juiz é que decidirá se ela é válida ou não.
Parágrafo único.  Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa.
ART. 144- PEDIDO DE EXPLICAÇÕES EM JUÍZO
ART. 145 – AÇÃO PENAL - Nos crimes contra honra, em regra a ação é privada, porém existem exceções: art. 140 § 2º - injúria real. Se a lesão for leve fica condicionada a representação (Lei 9099/95).
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
        Parágrafo único.  Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3o do art. 140 deste Código.  (Súmula 714 STF) 
CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
ART. 146 - CONSTRANGIMENTO ILEGAL
Liberdade de autodeterminação (física e psíquica). O direito a essa liberdade encontra-se previsto no art. 5º, II da CF: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei”.
Menor – ECA = Art. 232
Ex. João obriga Caio, mediante violência, a trocar o pneu de seu carro, cinto de castidade, reconciliação forçada.
Crime comum, material e admite tentativa.
Pretensão ilegítima # legítima = 345 CP
O resultado desse crime é a conduta vítima praticada sob coação. No momento em que ela age está consumadoo crime. Existe tentativa se a vítima não chegar a agir.
§ 1º- as penas aplicam-se cumulativamente e em dobro:
· Se pelo menos 4 pessoas estiverem presentes na execução do crime.
· Se há emprego de arma (própria ou imprópria) - não é necessário dar tiro ou apontar a arma, basta usa-la ostensivamente.
§ 2º além das penas cominadas aplicam-se as correspondentes à violência, ou seja, o agente responde pelo constrangimento ilegal e também pelas lesões causadas - concurso material. 
Subsidiariedade = 157, 158, 213, Lei 9455/97 1.º I, b
§ 3º não se compreendem na disposição desse artigo:
· Intervenção médica ou cirúrgica em iminente perigo de vida;
· Coação exercida para impedir suicídio.
Para a maioria dos autores, essa exceção se trata de excludente de ilicitude - estado de necessidade de terceiro - posição dominante- Mirabete, Fragoso.
Para Damásio cuida-se de excludente de tipicidade.
Existe esse crime mesmo que o constrangimento seja utilizado para evitar a prática de um ato imoral (prostituição), ou seja, que a vítima seja obrigada a abster da prática de um ato.
INTIMIDAÇÃO SISTEMÁTICA (BULLYING)
Art. 146-A. Intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais
Pena - multa, se a conduta não constituir crime mais grave.
INTIMIDAÇÃO SISTEMÁTICA VIRTUAL (CYBERBULLYING)
Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social, de aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou transmitida em tempo real:
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.
ART. 147 – AMEAÇA
Crime comum, formal (se consuma independentemente do resultado). 
Meios = gestos, verbal, escritos, mímica, símbolos
Dano = físico, moral ou econômico
O resultado é a vítima sentir-se atemorizada, mas o crime consuma-se independentemente disso, bastando que a ameaça seja idônea, ou seja, algo sério. A vítima não precisa estar presente, basta que tenha ciência da ameaça por terceiro. O sujeito passivo só pode ser pessoa que tenha capacidade de entender a ameaça.
Segundo entendimento dominante esse crime exige que haja ânimo sério e refletido. Por esse motivo não é crime de ameaça quando relacionado a uma explosão de cólera. Também é posição dominante que não há crime quando o agente está embriagado. Damásio, porém, entende que há. E nesse caso a ameaça causa ainda um maior temor na vítima.
Espécies
Direta – própria vítima
Indireta – pessoa diversa ou patrimônio
Explícita – arma de fogo
Implícita – subentendida (cobro minhas dívidas com sangue)
Condicional – se sair vai apanhar
Supersticiosa – Macumba
Inverossímil – Cair um raio # praga
Não caracteriza – bravata, brincadeira, desafio, etc.
Tentativa cabível somente na forma escrita. Ex.: ameaça por carta que se extravia.
Esse crime é subsidiário de outros crimes, como por exemplo, o art. 157 (violência ou grave ameaça). Nesse caso o agente é punido pelo roubo e não pela ameaça. Quando ela é elemento de outro crime não é punida autonomamente (princípio da consunção).
Não se confunde a ameaça com o constrangimento ilegal, pois na ameaça a finalidade é causar medo e no constrangimento ilegal o agente quer obrigar a vítima a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Sendo assim se houver uma imposição de fazer ou não fazer mediante ameaça trata-se de constrangimento ilegal.
§ 1º Se o crime é cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em dobro.
§ 2º Somente se procede mediante representação, exceto na hipótese prevista no § 1º deste artigo.” (NR)
ART. 147-A – CRIME DE PERSEGUIÇÃO - STALKING
ART. 147-B – DANO PSICOLÓGICO
Art. 147-A – PERSEGUIÇÃO - STALKING
https://blog.mege.com.br/artigo-147-perseguicao/
Art. 147-A.  Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de metade se o crime é cometido:
I – contra criança, adolescente ou idoso;
II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código;
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.
§ 2º  As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.
§ 3º  Somente se procede mediante representação.
Art. 147-B – DANO PSICOLÓGICO
Violência psicológica contra a mulher  
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2021/07/29/comentarios-lei-n-14-1882021/
https://www.conjur.com.br/2021-ago-12/controversias-juridicas-dano-emocional-mulher-crime-codigo-penal
Art. 147-B.  Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave.
ART. 148 - SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO
Crime contra a liberdade individual. É muito comum falar, principalmente na imprensa, de crime de sequestro referindo-se ao crime previsto no art. 159 (extorsão mediante sequestro), este, porém, é crime contra o patrimônio. A finalidade do crime previsto no art. 148 não é obter vantagem, e sim privar a vítima de sua liberdade. Ex.: não deixar uma pessoa sair de casa; internação em hospital com intuito de priva-la da liberdade.
Os autores costumam dizer que sequestro é quando a vítima é levada para um local onde possui certa mobilidade, e cárcere privado quando é colocada em local onde seus movimentos são mais restritos.
Esse crime é material, o resultado é a privação da liberdade da vítima (se consuma no momento que a vítima é privada de sua liberdade). Admite a tentativa. Se no momento que a vítima estiver sendo retirada de sua residência alguém impede, configura a tentativa. (Tempo inexpressivo = cabe)
Consentimento = exclui o crime (parar de beber)
O § 1º prevê uma forma qualificada. Pena de reclusão de 2 a 5 anos se:
I- A vítima é ascendente, descendente ou cônjuge do agente;
II- Se o crime é praticado mediante internação da vítima em hospital em casa de saúde ou hospital.
III- Se a privação da liberdade dura mais de 15 dias.
IV- Menor de 18 anos
V- Fins libidinosos
É crime permanente (a consumação se alonga no tempo pela vontade do agente).
Sendo crime permanente é necessário lembrar certas peculiaridades, como por exemplo:
· Flagrante - art. 303 do CPP- enquanto não cessar a permanência pode haver flagrante;
· Prescrição - o termo inicial da prescrição é o dia que cessa a permanência - art. 111, III CP.
· Possibilidade de aplicação de lei mais rigorosa que venha a surgir durante a permanência
§ 2º - outra forma qualificada. Resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral. Preterdolo.
Ex. vítima colocada dentro de um caixote.
REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local

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