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A conduta consiste no movimento humano 
voluntário e possui basicamente dois 
elementos: 
a) Comportamento voluntário (dirigido a 
um fim, ninguém a forçou); 
b) Exteriorização da vontade 
(mecanismos mecânicos); 
As causas que excluem a conduta 
Caso Fortuito ou de Força Maior: 
Caso fortuito: tem origem em causa 
desconhecida 
Ex. cabo elétrico aéreo que sem saber o 
motivo se rompe e cai sobre fio telefônicos 
causando incêndio e explosão de caldeira de 
usina); 
- o que deu causa a morte não é a conduta 
da pessoa; 
Força maior: trata-se de um fato da 
natureza, e portanto, pode-se conhecer o 
motivo ou a causa que deu origem ao 
acontecimento 
Ex. reio que provoca incêndio, forte chuva 
que causa alagamento, etc. 
- não tive conduta mecânica nem 
comportamento voluntário; 
Involuntaridade 
Trata-se da ausência de capacidade por 
parte do agente, de dirigir sua conduta 
conforme uma finalidade predeterminadas. 
São casos de involuntariedade: 
a) Estado de inocência completa: como o 
sonambulismo e a hipnose, não 
pratica o crime por falta de conduta, 
porque estava no estado completo de 
involuntariedade; 
b) Movimentos reflexo: apesar de ter 
movimento mecânico do corpo não há 
voluntariedade, porque o movimento 
foi causado por algum estimulo 
externo. 
Ex. estou na fila do banco, alguém chega 
atrás de mim e me dá um susto, ao levar 
o susto acabo dando um tapa na mulher 
que estava atrás de mim, causando lesão 
corporal; Não responderei por lesão 
corporal, pois não houve voluntariedade, 
por mais que houve a ação mecânica; 
- Não confundir com ação em curto circuitos 
(crime praticado por ímpeto de fúria e em 
fração de segundos); 
Coação Física Irresistível 
Aqui exclui a parte física, a exteriorização 
física do comportamento, os movimentos 
mecânicos do comportamento; 
Ex. menina termina o namoro e já arruma 
outro, o ex-namorado descobre e fica furioso, 
vai até a casa dela, encontra ela com o 
namorado novo, pega a mão dela segurando 
ela, e faz ela apartar o gatilho e matar o novo 
namorado, neste caso não foi ela quem 
matou, ela não pode responder por 
homicídio; 
-somente coação física deve ser irresistível, a 
moral não!! 
Anotações 
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Crimes Comissivos: crime praticado por 
ação, por um fazer. 
O crime comissivo nada mais é do que a 
realização (ação) de uma conduta desvaliosa 
proibida pelo tipo penal incriminador. Viola 
um tipo penal proibitivo. 
Exemplos: homicídio, furto, roubou, 
falsificação de documento público etc. 
 Viola o tipo penal proibitivo: cuidado 
com essa frase, pois artigo é diferente 
de norma (tipo), o artigo é o texto 
descrito na lei, ex. art. 121 – matar 
alguém, meu comportamento se 
encaixou ao artigo (tipicidade formal), 
a norma ou tipo é o espirito proibitivo, 
pois a norma fala não matar; 
Crimes omissivos: é a não realização (não 
fazer) de determinada conduta valiosa 
(comportamento ideal) a que o agente estava 
juridicamente obrigado e que lhe era possível 
concretizar. Viola um tipo mandamental. 
- te manda fazer algo e você não fez, ex. 
omissão de socorro; 
Divide-se em duas espécies: 
Crime Omissivo Próprios ou 
Puros/Propriamente ditos: no crime 
omissivo próprio ocorre o descumprimento de 
norma imperativa que determina a atuação 
do agente. Existe um dever genérico de agir 
que não é observado pelo destinatário da 
norma. Este dever, aliás, é dirigido a todos 
indistintamente (dever de solidariedade). 
Ex. Omissão de Socorro – art. 135 
 O próprio legislador escreve a conduta 
omissiva, ex. deixar de, não fazer 
etc... 
 Se ninguém fizer nada todos 
respondem, agora se um fazer livra 
todos; 
Crime omissivo Impróprios ou Impuros/ 
Impropriamente ditos: chamado também 
de comissivos por omissão ou crime do 
garantidor. 
Nos crimes omissivos impróprios não basta a 
simples abstenção de comportamento. Aqui, 
o não fazer será penalmente relevante 
apenas quando o omitente possuir a 
obrigação de agir para impedir a 
ocorrência do resultado (dever jurídico). 
Mais do que o dever genérico de agir, aqui o 
omitente tem o dever jurídico de evitar a 
produção do evento; 
 Tem o dever de enfrentar o perigo, de 
evitar a produção de um evento mais 
drástico; 
 O legislador traz 3 personagens que 
deve de fato impedir; 
Decorre de cláusula geral, prevista no artigo 
13, §1º do CP: 
a) Tenha por lei obrigação de cuidado, 
proteção ou vigilância, ex. policial; 
 
b) De outra forma, assumiu a 
responsabilidade de impedir o 
resultado; ex. contrato, eu contrato 
babá para cuidar dos meus filhos e ela 
fica só assistindo novela, ele cai e 
morre, ela responde pelo resultado; 
 
c) Com seu comportamento anterior, 
criou o risco da ocorrência do 
resultado; ex. se você coloca a vida de 
outras pessoas em risco, ascendo um 
cigarro no cinema e começa a pegar 
fogo, eu me torno garantidor tenho 
dever de salvar todo mundo; 
Ex. três pessoas estão na praia, sendo uma 
mulher, o salva vidas e um cadeirante que 
estava com um celular, eles avistam uma 
pessoa no mar pedindo socorro, mas não o 
ajudam, o moço morre afogado, qual será a 
responsabilidade de cada um? 
- a mulher responde por omissão de socorro; 
- o salva vida tinha a obrigação de salvar, 
então ele responderá por homicídio doloso é 
um crime de omissão impropria; 
No plano fático ele e a mulher praticaram a 
mesma conduta omissiva, só que ele é 
garantidor ele responde pelo resultado e ela 
pelo dever de solidariedade simples; 
- o cadeirante responderá por omissão de 
socorro, mesmo que ele não tinha a 
possibilidade de nadar, ele estava com o 
celular, então ele deveria ter chamado o 
resgate e ele não acionou. 
- a lei não exige o heroísmo de ninguém, mas 
se ele podia e devia fazer e não fez, ai ele 
responde; 
As pessoas respondem como se tivesse 
praticado o crime se tinham a obrigação de 
impedir; 
ANOTAÇÕES 
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____________________________________O crime doloso, e suas principais espécies, 
está previsto no artigo 18, inciso I do CP; 
“Art. 18 – Diz-se o crime: 
I- Doloso, quando o agente quis o 
resultado (dolo direto) ou assumiu 
o risco de produzi-lo (dolo 
eventual)”. 
A doutrina conceitua dolo como: a vontade 
consciente dirigida a realizar (ou aceitar 
realizar) a conduta descrita no tipo penal 
incriminador; 
Do Crime Doloso 
- eu consigo prever a possibilidade de 
alcançar o resultado, ex. se eu atirar o gatilho 
eu mato; 
- ou eu dirijo a minha conduta para atingi-lo, 
eu realmente quero matar; 
- ou eu assumo o risco de produzi-lo; 
Elementos do dolo 
- Elemento volitivo; 
- Elemento intelectivo; 
Cuidado: a liberdade da vontade não é 
elemento do dolo, mas circunstância a ser 
analisada na culpabilidade (exigibilidade de 
conduta diversa). Ex. coação moral 
irresistível. 
Para eu ter dolo não preciso ter liberdade de 
escolha; Ex. gerente de banco trabalhando e 
entra dois criminosos apontando a arma em 
sua cabeça, mandando ele encher as 
mochilas com dinheiro, neste caso a banca 
pergunta sobre a conduta do gerente, esse 
gerente praticou um fato típico, uma conduta 
dolosa de subtração de coisa alheia móvel? 
-sim, praticou um fato típico, uma conduta 
dolosa, ele não responderá porque não há 
culpabilidade, pois houve a inexigibilidade de 
conduta diversa referente a coação moral 
irresistível, então eu não preciso da 
liberdade, apenas da consciência; 
Espécies de dolo: 
Dolo direto ou determinado: configura-se 
quando o agente prevê um resultado, 
dirigindo a sua conduta na busca de realizar 
esse evento. 
Ex. quero matar meu desafeto, eu consigo 
prever se eu atirar eu vou matar; 
Importante: A doutrina começa a trabalhar 
uma subdivisão em graus de dolo direto: 
1º grau: é a vontade de praticar crime sobre 
o alvo principal (alvo vítima desejada); ex. 
presidente da república; 
2º grau: alcança as vítimas que devem 
necessariamente serem atingidas para 
alcançar o dolo de primeiro grau; ex. pessoas 
que estão dentro do avião com o presidente, 
aereomoça, piloto, copiloto... 
3º grau: consequências possíveis para 
atingir o dolo de primeiro grau. Ex. pessoas 
atingidas pela queda do avião; 
Ex. terroristas quer matar o Presidente da 
República, ele prepara uma bomba no avião 
que o presidente irá viajar, o dolo direto de 
primeiro grau recai sobre o presidente, mas 
dentro do avião terá outras pessoas, e não 
há chance delas sobreviverem, o resultado é 
certo, não tem como atingir o dolo de 
primeiro grau sem atingir o de segundo grau, 
se este avião cai e atinge pessoas que estão 
lá em baixo será dolo direto de terceiro grau; 
São consequências que pode acontecer e 
também pode não acontecer; 
Dolo indireto ou indeterminado: o agente, 
com a sua conduta, não busca resultado 
certo e determinado. Possui duas 
modalidades: 
Dolo alternativo: agente prevê a pluralidade 
de resultados, dirigindo a sua conduta para 
realizar qualquer deles. Tem a mesma 
intensidade de vontade de realizar os 
resultados previstos; 
 Eu quero praticar um comportamento 
criminoso, e esse comportamento vai 
colocar em risco as pessoas, e eu 
prevejo pluralidade de resultados, no 
meu comportamento eu posso atingir 
vários crimes. 
 Ex. briga de torcida organizada, o 
corintiano quer atirar no flamenguista, 
só que ele sabe que atirando e 
acertando ele pode causar lesão 
corporal ou morte, ele está 
preocupado em atirar, se ele matar vai 
sair satisfeito, se ele causar lesão 
corporal também vai sair satisfeito, 
então é 50% de vontade de matar e 
50% de causar lesão corporal, esse é 
o dolo alternativo; 
Dolo eventual: O agente prevê pluralidades 
de resultados, dirigindo a sua conduta para 
realizar um deles, assumindo o risco de 
realizar outro. A intensidade da vontade em 
relação aos resultados previstos é diferente. 
Esse assumir o risco é tratar com indiferença, 
ele não se importa; 
Dolo eventual com o resultado mais 
grave: Ex. estou armado e quero atirar em 
um torcedor do flamengo, e quero causar 
lesão corporal, mas eu não sei manusear 
arma de fogo e sou ruim de mira e posso 
matar se eu errar, mas ele não liga. Então, 
tenho o dolo direito sobre a lesão corporal e 
o dolo eventual sobre a morte; 
Ex. sujeito chega no bar querendo encher a 
cara, e vai sair com o carro, era previsível pra 
ele que se ele enchesse a cara ficando 
completamente embriagado, poderia 
acontecer um acidente, neste tempo ele sai 
embriagado e atropela uma pessoa, então 
ele irá responder por dolo eventual pois ele 
assumiu o risco, ignorou, tratou com 
indiferença; 
Do Crime Culposo 
“Art. 18 – diz-se o crime: 
I- (...) 
II- Culposo, quando o agente deu 
causa ao resultado por 
imprudência, negligencia ou 
imperícia; 
Conceito: o crime culposo consiste numa 
conduta voluntária que realiza um evento 
ilícito não querido ou aceito pelo agente, mas 
que lhe era previsível (culpa inconsciente) ou 
excepcionalmente previsto (culpa consciente) 
e que poderia ser evitado se empregasse a 
cautela necessária. 
Elementos da culpa: 
1- Conduta humana voluntária, 
- ex. saio do trabalho para ir para casa 
mas vou com pressa em alta 
velocidade, então eu quis estar em 
alta velocidade mas não quis praticar 
um crime; 
 
2- Violação de um dever de diligencia; 
 
ex. se o juiz perceber que uma pessoa 
de inteligência média tivesse evitado o 
crime não é perdoável, mas se ele 
entender que qualquer pessoa 
também erraria naquela situação ele 
perdoa; 
Modalidades de Culpa: 
a) Imprudência: culpa positiva (é um 
fazer em excesso) sinônimo de 
afoiteza, sempre está presente 
durante a conduta; Ex. sujeito em alta 
velocidade, passa um pedestre na 
frente e não dar tempo de frear e mata 
a pessoa; 
 
b) Negligencia: culpa negativa (deixar 
de fazer), ocorre antes da conduta; Ex. 
sujeito vai sair de carro, o carro está 
sem freio, sem pastilha, pneu careca, 
ele sai em baixo de chuva, sem estar 
acima do limite de velocidade, mas ao 
tentar frear o carro não responde e 
atropela a vítima, caso de negligencia; 
 
c) Imperícia: falta de aptidão técnica; ex. 
suborna o cara do detram e não sabe 
dirigir, compra a carteira de motorista 
e começa a dirigir na rua, ele se 
apavora, troca os pedais e acaba 
atropelando uma pessoa, não possui 
capacidade técnica alguma para 
dirigir, então será imperícia; 
 
As três modalidades podem acontecer no 
mesmo contexto; 
3- Resultado naturalístico 
involuntário: é todo resultado que 
causa modificação no mundo externo, 
no mundo nos fatos; 
4- Nexo entra a conduta e resultado: 
 
Relação de causalidade: 
“Art. 13 – o resultado de que depende 
a existência do crime, somente é 
imputável a quem lhe deu causa. 
Considera-se causa ação ou omissão 
sem a qual o resultado não teria 
ocorrido”. 
 
5- Resultado involuntário previsível: 
Eu não consegui prever o que era 
previsível para uma pessoa com o 
mínimo de cuidado, então agi com 
culpa; 
 
6- Tipicidade: depende de previsão legal 
especifica, o legislador prevê, ex. 
homicídio culposo, é previsto as 
hipóteses; 
 
“Art. 18- diz-se o crime: 
Parágrafo único: salvo os casos 
expressos em lei, ninguém pode ser 
punido por fato previsto como crime, 
senão quando o pratica dolosamente” 
Espécies de Culpa 
- Culpa Inconsciente: o agente não prevê o 
resultado que, entretanto, era previsível. 
Aqui, qualquer pessoa de diligencia mediana 
tinha condições de prever o risco; 
Ex. indivíduo que atinge involuntariamente a 
pessoa que passava pela rua, porque atirou 
um objeto pela janela por acreditar que 
ninguém passaria naquele horário 
- o agente age de forma inconsciente com o 
resultado, ele não enxerga o que qualquer 
pessoa enxergaria; 
- Culpas Consciente: o agente prevê o 
resulta, mas espera que ele não ocorra, 
suponde ter opoder de evita-lo com suas 
habilidades ou com a sorte. Aqui, mais que 
mera previsibilidade, o agente tem previsão. 
Ex. caçador que, avistando um companheiro 
próximo ao animal que deseja abater, confia 
em sua condição de perito atirador para não 
atingi-lo quando disparar, causando ao final, 
lesões ou morte da vítima ao disparar o tiro; 
- neste caso tem previsão concreta; 
- neste caso eu não tratei com indiferença a 
morte do meu amigo, eu confiei em mim, mas 
eu consegui prevê, muito parecido com o 
dolo eventual; 
- Culpa própria: á aquela em que o agente 
não quer e não assume o risco de produzir o 
resultado, mas acaba lhe dando causa por 
negligencia, imprudência ou imperícia; 
- Culpa imprópria: chamada desse jeito por 
que na verdade é um crime doloso, mas são 
casos específicos onde o legislador dá um 
voto de confiança para o criminoso; 
- é aquela em que o agente, por erro evitável, 
imagina certa situação de fato que, se 
presente, excluiria a ilicitude do seu 
comportamento. Provoca intencionalmente 
determinado resultado típico, mas responde 
por culpa por razões de política criminal. 
Assim anuncia o artigo 20, §1, do CP; 
§1 – é isento de pena, quem, por erro 
plenamente justificado pelas circunstâncias, 
supõe situação de fato que, se existisse, 
tornaria a ação legitima. Não há isenção de 
pena quando o erro deriva de culpa e o 
fato é punível como crime culposo”. 
Ex. legitima defesa putativa, sujeito caloteiro 
jurado de morte, ele andando na rua ve uma 
das pessoas que ameaçaram ele se antecipa 
e atira em seu desafeto, ele quis atirar, foi 
doloso, mas ele agiu em erro evitável, ele 
não é um delinquente, ele agiu em erro, no 
caso a legitima defesa putativa, então 
responderá por homicídio culposo e caso o 
desafeto sobrevivesse responderia por lesão 
corporal culposa, porque o crime culposo não 
admite tentativa; 
Quais as diferenças entre culpa 
consciente e dolo eventual? 
Dolo eventual: foda-se 
Culpa consciente: fodeu 
Em ambos o agente consegue prever o 
resultado como possível, há uma previsão 
concreta; 
Mas no dolo eventual o agente assume o 
risco, trata com indiferença/descaso de 
produzir o resulta. 
Mas na culpa consciente o agente acredita 
poder evitar o resultado com base nas: 
- próprias habilidades; 
- com base na sorte; 
No concurso devemos analisar o ponto da 
conduta, pois o dolo eventual vem sempre 
antes da conduta (foda-se), já a culpa 
consciente vem depois da conduta (fodeu); 
Ex. sujeito chega no condomínio em que ele 
mora, com dois duas torres, ele quer soltar 
um rojão porque seu time ganhou, o sindico 
ao ver que o condômino quer fazer isso, 
alerta ele para não fazer pois pode acertar 
alguma pessoa ou algum apartamento, ai ele 
fala “ah não to nem aí, ali só mora corintiano 
e se acertar não ligo”, a bomba acaba 
acertando uma criança causando lesão 
corporal leve, ele irá responder por lesão 
corporal dolosa, a título de dolo eventual, 
porque antes veio o foda-se e depois vem a 
produção da culpa e do resultado; 
Ex. atirador de facas, coloca uma pessoa no 
meio, ele sabe que se ele errar ele pode 
matar ou causar alguma lesão, mas ele 
confia no seu talento porque ele nunca errou, 
mas um certo dia acaba acertando na pessoa 
que está lá sentada, quando ele tira a venda 
ele fala “nossa fodeu”, ele vai responder por 
lesão corporal culposa, agiu de forma 
imprudente causando um resultado 
naturalísticos; 
Do Crime Preterdoloso 
No crime preterdoloso, o agente pratica 
distinto do que haja projetado cometer, 
advindo da conduta dolosa resultado culposo 
mais grave do que projetada. O 
comportamento é doloso, mas o resultado 
(mais grave) é involuntário. 
- antes vem o dolo e após o culpa; 
- trata-se de figura hibrida, havendo 
verdadeiro concurso de dolo e culpa no 
mesmo fato (dolo no antecedente – conduta 
– e culpa no consequente – resultado). 
Ex. só quero agredir, mas acabo matando, 
ex. briga na balada, começo a bater na 
pessoa, mas ela é levada para o hospital e 
morre por traumatismo craniano, eu vou 
responder porque eu dei causa, é um 
exemplo de crime preterdoloso; 
Ex. lesão corporal seguida de morte – art. 
129, §3º do CP (lesão dolosa + morte 
culposa): 
“Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a 
saúde de outrem: 
§3º- se resulta morte e as circunstancias 
evidenciam que o agente não quis o 
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo: 
- pena – reclusão de quatro a doze anos; 
- o resultado mais grave é a título de conduta 
culposa; 
Exercício: 
“X” estaciona seu automóvel regularmente em uma via 
pública com o objetivo de deixar seu filho, “Z”, na pré-
escola, entretanto, ao descer do veículo para abrir a 
porta para “Z”, não percebe que, durante esse 
instante, a criança havia soltado o freio de mão, o 
suficiente para que o veículo se deslocasse e 
derrubasse um idoso, que vem a falecer em razão do 
traumatismo craniano causado pela queda. Em tese, 
“X”. 
- não responde por crime algum, uma vez que não 
agiu com dolo ou culpa. 
ANOTAÇÕES 
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Não confundir com erro de proibição. 
Erro de tipo em alguma das suas espécies, 
tem previsão legal, outras não, a doutrina 
discute e a jurisprudência aceita. 
Artigo 20 do Código Penal: 
“Erro sobre elementos do tipo, 
Art. 20 – O erro sobre elemento constitutivos 
do tipo legal de crime exclui o dolo, mas 
permite a punição por crime culposo, se 
previsto em lei”. 
Ex. a) mulher que sai às pressas da sala de 
aula e, por engano, leva a bolsa de sua 
colega, muito parecida com a sua – erro de 
tipo; 
Ex. b) caçador que atira e mata o seu colega 
de caça, depois que este, sem avisar, se 
disfarça de urso para pregar-lhe uma peça; 
Espécies de Erro de Tipo: 
Dividido em duas espécies, sendo Erro de 
tipo Essencial e Erro de tipo Acidental; 
No essencial, o erro recai sobre os dados 
principais do tipo penal (elementares), 
enquanto que no acidental, recai sobre 
dados secundários (periféricos); 
Quando falamos em erro de tipo, significa 
que o agente representa errado a realidade, 
ele se engana em relação a realidade; 
No essencial, o agente se equivoca sobre 
elementares do crime, podemos considerar 
como qualquer elemento previsto 
expressamente no crime; 
No acidental o sujeito sabe que vai praticar 
um crime, só que ela representa errado sobre 
peculiaridades que não estão no tipo penal, 
ex. eu quero matar meu vizinho, só que eu 
atiro e acabo matando meu cunhado; 
No essencial ele não quer praticar um crime, 
mais ao praticar ele se encaixa num tipo 
penal. 
No acidental fica claro que ele quer praticar 
só corrige o percurso se ele ver que é o 
cunhado e vai atrás do vizinho; 
ESSENCIAL ACIDENTAL 
-Inevitável (escusável, 
perdoável) 
-Sobre o objeto; 
-Sobre a pessoa; 
-Evitável (inescusável, 
imperdoável) 
-Na execução; 
-Resultado diverso 
do pretendido; 
-Sobre o nexo 
causal 
 
Erro de Tipo Essencial 
- o erro de tipo essencial recai sobre 
elementares, circunstâncias ou quaisquer 
dados que se agregam a determinada figura 
típica; 
As consequências dessa modalidade 
dependerá se o erro é inevitável ou evitável: 
Se inevitável (justificável, escusável ou 
invencível- não tinha como não errar, ele iria 
errar de qualquer jeito) excluirá o dolo por 
ausência de consciência, e a culpa por 
ausência de previsibilidade, não responde 
por crime nenhum; 
Ex. estou na sala de aula, e um amigo coloca 
o celular dele na minha carteia junto com o 
meu, e o celular dele é idêntico ao meu, eu 
representei errado sobre o objeto na conduta 
de furto, achando que era objeto meu maisna verdade era objeto alheio, qualquer 
pessoa cometeria esse erro; 
Se evitável (injustificável, inescusável ou 
vencível), cuidando-se de erro previsível, só 
excluirá o dolo, mas será punido a título de 
culpa, se previsto o crime nessa modalidade, 
pois havia a possibilidade de o agente 
reconhecer o perigo; 
Um dos elementos da culpa é a tipicidade, 
para responder pela culpa deve estar fixado 
em lei como culpa; 
Ex. se o amigo vestido de urso, sempre fazia 
esse tipo de brincadeira e mesmo assim eu 
atirei nele, ele vai responder por homicídio 
culposo, pois prevê essa tipificação; 
Outros tipos que não possui a modalidade 
culposa, serão considerados atípicos, ex. do 
furto, não tem modalidade culposa, então 
não responderei por crime nenhum, mesmo 
se eu podia evitar de pegar o celular do meu 
amigo; 
Como aferir a (in) evitabilidade do erro? 
- A corrente tradicional invoca a figura no 
“homem médio”, entendendo que a 
previsibilidade deve ser avaliada apenas sob 
o enfoque objetivo; 
Esse raciocínio acima está um pouco 
ultrapassado, o que vem prevalecendo é que 
nós devemos fazer uma substituição 
hipotética considerando todas as 
peculiaridades do caso concreto. 
Ex. voltando ao exemplo do caçador, se o 
caçador agiu em mata densa/selvagem, 
longe do centro urbano, certamente seu erro 
será considerados inevitável, ficando isento 
de pena. 
Se no entanto, agiu em mata próxima ao 
centro habitado, ciente de que outros 
acidentes ocorreram na região, não 
observando o seu dever de cuidado, seu erro 
será etiquetado como evitável, respondendo 
por crime culposo. 
Erro de Tipo Acidental 
O sujeito é criminoso, ele quer praticar o 
crime; 
É o erro que recai sobre dados secundários, 
periféricos do tipo. A intensão criminoso é 
manifesta, incidindo naturalmente a 
responsabilidade penal. Vale estudarmos em 
separado cada uma das espécies de erro de 
tipo acidental e suas respectivas 
consequências; 
Quando não tem previsão legal, temos olhar 
de forma mais benéfica ao réu; 
Erro de tipo acidental SOBRE O OBJETO: 
- Não possui previsão legal, mas é aceito 
pela doutrina. Ocorre quando o agente 
confunde o objeto material (coisa) visado, 
atingindo outro que não o pretendido; 
Ex. quero furtar um celular da Samsung, mas 
furtei um iphone; 
Ex. sujeito quer furtar um relógio de ouro que 
custa 30 mil real, só que ele se confunde e 
pega um de latão que custa 30 reais; Se eu 
considero o relógio de 30 mil seria furto, se 
eu considero o relógio de 30 reais entra o 
princípio da insignificância, ou seja, não tem 
crime; 
Mas será que ele vai responder pelo 
pretendido ou pelo que ele pegou de 
verdade? 
Consequência prevalece que o agente 
deverá responder considerando as 
características do objeto efetivamente 
atingido, ou seja, o latão; 
Não podemos fazer analogia in malam 
partam. 
E vice e versa, se ele vai querendo pegar o 
de 30 reais sabendo que não vai dar em 
nada, mas acaba pegando o de ouro, ele vai 
responder pelo de ouro, ou seja, por furto; 
SOBRE A PESSOA 
Está previsto no artigo 20, §3; 
- §3º: o erro quanto a pessoa contra a qual o 
crime é praticado não isenta de pena. Não se 
consideram, neste caso, as condições ou 
qualidades da vítima, senão as da pessoa 
contra quem o agente queria praticar o 
crime”. 
Ex. eu Ana quero atirar no João (vítima 
pretendida), mas acabo atirando em Pedro 
(vítima real), neste caso eu vou responder 
pela vítima pretendida, mesmo que eu tenha 
acertado quem eu não queria, pois não cabe 
o princípio da insignificância aqui; 
Nesta espécie, há uma equivocada 
representação do objeto material (pessoa) 
visado pelo agente. Por conta desse erro, o 
agente acaba por atingir pessoa diversa. 
Aqui, percebe-se a existência de ao menos 
dois personagens como vítima: vítima real 
(pessoa realmente atingida) e a vítima 
virtual (pessoa que se pretendia atingir). 
Quando da execução, o agente confunde 
ambas; 
Ex. fulano quer matar seu próprio pai, porém, 
representando equivocadamente a pessoa 
que entra em casa, acaba por matar seu tio. 
Fulano será punido por parricídio, embora 
seu pai permaneça vivo; 
Consequência: o agente será 
responsabilizado pelo crime, com a ressalva 
de que serão consideradas as qualidades e 
características da vítima pretendida. 
Então, se eu queria matar meu pai para ficar 
com a herança e mato meu tio, eu serei 
deserdado e não serei mais herdeiro da 
herança do meu pai e responderei por 
homicídio qualificado por motivo torpe. 
Agora se eu queria matar meu tio, mais 
acabo matando meu pai, eu vou responder 
por homicídio simples, e ainda continuarei 
sendo herdeiro, tendo direito a herança de 
meu pai; 
ERRO NA EXECUÇÃO (ABERRATIO 
ICTUS) 
Previsto no artigo 73 do Código Penal: 
Art. 73 – Quando, por acidente ou erro no 
uso dos meios de execução, o agente ao 
invés de atingir a pessoa que pretendia 
ofender, atinge pessoa diversa, responde 
como se tivesse praticado o crime contra 
aquela, atendendo-se ao disposto no §3º do 
artigo 20 deste Código. No caso de ser 
também atingida a pessoa que o agente 
pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 
70 deste código”; 
Ex. se eu quero acertar meu pai e o tiro 
passa perto do pescoço dele e acerta meu 
tio, irei responder igual sobre o erro da 
pessoa, ou seja, responderei pela vítima 
atingida; 
Agora se, eu quero matar meu pai atirei o 
disparo pegou o pescoço dele e matou e 
acabou acertando a perna do meu tio 
causando lesão, terei concurso formal de 
crimes eu mediante uma única conduta eu 
acerto dois resultados/crimes diferentes, 
responderei por homicídio doloso em 
concurso formal com lesão corporal culposa; 
Vou considerar as características da vítima 
pretendida, não pode ser a que foi acertada; 
Em síntese, trata-se do acidente ou erro no 
uso dos meios de execução e, por 
conseguinte, o agente acaba atingindo 
pessoa diversa da pretendida (embora 
corretamente representada). 
Ex. fulano mira seu pai entretanto, por falta 
da habilidade no uso da arma, acaba 
atingindo vizinho que passava do outro lado 
da rua. 
Consequências: 
Se o agente atingir apenas a pessoa diversa 
da pretendida, será punido pelo crime, 
considerando-se, contudo, as condições e 
qualidades da vítima desejada, e não da 
vítima efetivamente atingida; 
2- Se o agente atingir também a pessoa 
diversa, será punido pelos dois crimes, em 
concurso formal. No exemplo anterior se 
“fulando atingir seu pai, ceifando sua vida e 
sem querer também seu vizinho, que sofre 
lesões será punido por homicídio doloso do 
pai e lesões culposas do vizinho, aplicando-
se a regra do concurso formal de crimes 
(art.70); 
Resultado Diverso do Pretendido 
(ABERRATIO CRIMINIS) 
Quero praticar um crime contra o patrimônio 
e acabo acidentalmente atingido uma 
pessoa, bens jurídicos diversos, o agente 
responde por culpa uma modalidade de erro 
acidental que afastaremos o dolo; 
Art. 74 – Fora dos casos do artigo anterior, 
quando por acidente ou erro na execução do 
crime, sobrevém resultado diverso do 
pretendido, o agente responde por culpa se o 
fato é previsto como crime culposo; se ocorre 
também o resultado pretendido, aplica-se a 
regra do art. 70 deste código”. 
Ex. estou com inveja do meu vizinho pois ele 
comprou uma BMW, aí eu pego um tijolo 
para acertar no carro dele (dano ao 
patrimônio), e ao tacar no carro pega na 
cabeça do meu vizinho e acabo matando, por 
erro no golpe, erro na execução, resultado 
diverso do pretendido, pois eu queria atingir o 
carro não ele. 
Se o resultado era previsível eu responderei 
pelo resultado atingido, porém por culpa, ou 
seja, homicídio culposo, se não era 
previsível, afasta-se culpa, afasta-se dolo, 
não há culpa. 
E se eu atinjo os dois resultados? Dano ao 
patrimônio e homicídio, se eu falar que era 
previsível tereiconcurso formal de crimes, 
homicídio culposo em concurso formal com 
dano ao patrimônio. 
Ou respondo por crime mais grave que eu 
atingi a título de culpa se tiver a modalidade 
culposa, ou se atingir os dois bens jurídicos 
eu responderei por concurso formal. 
E se eu quero atingir pessoa mais eu acerto 
o carro? 
- se eu aplicar o art. 74 será injusto, 
prevalece na doutrina, como o legislador 
disse menos do que gostaria vamos fazer 
uma interpretação extensiva, peso de bens 
jurídicos: 
- se eu quero atingir um bem jurídico 
pequeno mais acabo acertando um alto 
aberratio criminis, resultado diverso do 
pretendido, afasta o dolo e respondo por 
culpa sobre o resultado mais grave (ao invés 
de responder por dano ao patrimônio que a 
pena é minúscula eu respondo por homicídio 
culposo); 
- agora, se inverter o peso dos bens jurídicos, 
responderemos por tentativa (ex. quero 
acertar a cabeça do meu vizinho mas acabo 
acertando o carro) vou responder por 
tentativa de homicídio; 
Erro de Tipo 
Acidental 
Resultado 
Pretendido 
Resultado 
Produzido 
Erro sobre o objeto Coisa Coisa 
(diversa) 
Erro sobre a pessoa Pessoa Pessoa 
(diversa) 
Erro na execução Pessoa Pessoa 
(diversa) 
Resultado diverso do 
pretendido 
Coisa Pessoa 
Tentativa (erro na 
execução com o 
resultado atingido menos 
valioso que o resultado 
pretendido) 
Pessoa Coisa 
 
Erro sobre o nexo causal (ABERRATIO 
CAUSA) 
Não possui previsão legal (doutrina). É o 
caso em que o resultado desejado se produz, 
mas com nexo diverso, de maneira diferente 
da planeja pelo agente. Divide-se em duas 
espécies: 
- erro sobre o nexo causal em sentido 
estrito: ocorre quando o agente, mediante 
um só ato, provoca o resultado visado, porém 
com outro nexo de causalidade 
Ex. A empurra B de um penhasco para que 
ele morra afogado, porém, durante a queda, 
B bate a cabeça contra uma rocha e morre 
em razão de um traumatismo craniano. 
Resultado homicídio doloso, uma única 
conduta, ele quer matar afogado, mas ocorre 
que morre por outro motivo; 
- dolo geral ou aberratio causae: ocorre 
quando o agente, mediante pluralidade de 
atos, provoca resultado pretendido, porém 
com outro nexo causal. 
Ex. A atira em B (1º ato) e, imaginando que B 
está morto, joga o corpo no mar, vindo B a 
morrer por afogamento. 
Consequência: homicídio doloso, será punido 
por um só crime, dolo geral, queria matar eu 
matei, mais por nexo causal diferente. 
 
 
 
 
Estamos falando de pluralidades de 
delinquentes. 
Plurisubjetiva: exige mais de um agente para 
cometer o crime, ex. organização criminosa. 
O nosso código penal adotou uma teoria, e a 
jurisprudência adotou outra, mas elas se 
complementam. 
Teoria objetivo formal: autor é quem 
realização a ação nuclear típica e partícipe 
quem concorre de qualquer forma para o 
crime. Ex. matar, roubar. Teoria adota pelo 
código penal, artigo 29 do CP. 
Teoria do domínio do fato: idealizada pelo 
alemão Hans Welzel no final da década de 
1930. Para essa teoria, autor é quem 
controla finalisticamente o fato, ou seja, 
quem decide a sua forma de execução, seu 
início, cessação e demais condições. 
Partícipe, por sua vez, será aquele que, 
embora colabore dolosamente para o 
alcance do resultado, não exerça domínio 
sobre a ação. 
Autor é aquele de domina a situação do 
crime, é aquele mandante. 
Como desdobramento lógico desta teoria, é 
possível afirmar que possui o controle final 
do fato: 
- aquele que, por sua vontade, executa o 
núcleo do tipo (autor propriamente dito); 
- aquele que planeja a empreitada criminosa 
para ser executada por outras pessoas (autor 
intelectual); 
- aquele que se vale de um não culpável ou 
de pessoa que atua sem dolo ou culpa para 
executar o tipo, utilizada como seu 
instrumento (autor mediato); 
Autoria Mediata: o autor mediato é o sujeito 
que, sem realizar diretamente a conduta 
descrita no tipo penal comete o fato típico por 
ato de outra pessoa, utilizada como seu 
instrumento. 
Não se confunde com o conceito de 
partícipe, tendo em vista que partícipe é 
conduta acessaria, além de não possuir o 
domínio do fato. Nesse sentido, podemos 
diferenciar: 
 
O autor mediato se vale, como seu 
instrumento, de pessoa não culpável (não 
imputável, sem potencial consciência da 
ilicitude ou inexigível dele conduta diversa) 
ou que atua sem dolo ou culpa. 
Embora o CP não contenha previsão 
expressa a respeito do conceito de autoria 
mediata, apresenta 5 hipóteses em que o 
instituto é aplicável: 
1- Inimputabilidade penal; 
2- Coação moral irresistível; 
3- Obediência hierárquica 
4- Erro de tipo escusável provocado por 
terceiro; 
5- Erro de proibição escusável provocado 
por terceiro. 
Partícipe 
Temos duas modalidade de participação: 
a) Participação moral 
- instigação: reforça ideia criminosa já 
existente; 
- induzimento: faz nascer a ideia criminosa 
sobre o autor 
b) Participação material: 
Fornece instrumentos ou meios para 
viabilizar ou facilitar o crime praticado pelo 
autor. 
Eles podem acontecer no mesmo contexto. 
A participação pode ser prestada durante os 
atos preparatórios ou executórios, mas, se 
consumado o crime, somente se considera 
eventual a assistência se previamente 
acordada entre os agentes. 
Além disso, a participação é conduta 
acessória, que depende, para ter relevância, 
da conduta principal. Como o participe não 
pratica a ação nuclear típica (o verbo do 
crime), sua ação só será punível, em regra, 
se o autor iniciar os atos executórios do fato 
a que havia se proposto. 
A participação só é punível se pratica for ao 
menos tentada, se não chegar a tentar o 
crime, não será punido. 
Temos 4 teorias que discutem a possibilidade 
de punição do participe: 
1- Acessoriedade mínima: para que a 
conduta do participe seja punida é 
necessário que a conduta do autor seja um 
fato típico. 
Crítica: permite a punição do participe 
mesmo quando o autor está amparado por 
excludente de ilicitude. 
2- Acessoriedade limitada (ou média): 
para que a conduta do partícipe seja punida 
é necessário que a conduta do autor seja um 
fato típico e ilícito. Essa teoria é adotada 
pelo Brasil. 
3- Acessoriedade máxima: para que a 
conduta do participe seja punida é 
necessário que a conduta do autor seja um 
fato típico, ilícito e culpável. 
Crítica: permite a impunidade do participe de 
alguém sem culpabilidade. 
4- Hiperacessoriedade: para que a 
conduta do partícipe seja punida é 
necessário eu a conduta do autor seja fato 
típico, ilícito, culpável e punível. 
Para falarmos em curso de pessoas é 
necessário 4 requisitos cumulativamente: 
a) Pluralidade de agentes e de 
condutas: duas ou mais pessoas para 
praticarem crimes; 
b) Relevância causal das condutas. 
c) Liame subjetiva entre os agentes: 
concordância dos agentes para praticar o 
crime. 
d) Identidade da infração penal: todo 
mundo deve responder pelo menos delito; 
 
Todos os concorrentes do evento 
criminoso responderão pela mesma 
infração penal? 
 
Temos 3 teorias discutindo esse tema, e o 
Brasil adotou uma como regra e as outras 
duas como exceções. 
 
Teoria monista (unitária ou igualitária): 
mesmo que o fato criminoso tenha sido 
praticado por vários agentes, conserva-se 
único. Não estabelece distinções entre os 
personagens e a gravidade do ato praticado 
por cada um. 
 
Crítica: dificulta o estabelecimento material 
da equivalência das condições, ignorando, 
também as próprias exceções previstas em 
lei, que estabelecem penas maiores ou 
menores de acordo com a função 
efetivamente desempenhada por cada um 
dos agentes. 
 
Brasil adota a monista temperada, mitigada, 
igualitária, todos respondem na medida da 
sua culpabilidade. 
 
Teoria pluralista: a cada um dos agentes se 
atribui conduta, elemento psicológico e 
resultado específicos.Haverá tantos crimes 
autônomos para quantos forem os agentes. 
Crítica: o papel de cada um dos agentes não 
é autônomo, o elemento subjetivo não é 
destacado do todo e o resultado também não 
será fracionado. 
Brasil não adotou, mas temos exceções para 
aplicar essa teoria, ex. aborto com 
consentimento. 
Há, todavia exceções em que o legislador 
aplicou a teoria pluralista: 
Aborto provocado por terceiros com o 
consentimento da gestante (art. 124 e 126 do 
CP); 
Corrupção (passiva: art. 317; ativa: art. 333). 
Teoria dualista: separa os autores (que 
praticam o núcleo do tipo) dos partícipes (que 
auxiliam de qualquer forma). Há um crime 
para os autores e outro para os partícipes. 
Crítica: muitas vezes a atuação do executor é 
menor relevante do que a desempenhada 
pelo partícipe, como ocorre por exemplo no 
homicídio praticado por mandato. 
Autoria Colateral (não é hipótese de 
concurso de pessoa, mas no concurso é 
cobrado dentro desse tema): verifica-se a 
autoria colateral quando dois ou mais 
agentes, um ignorando a contribuição do 
outro, concentram suas condutas para o 
cometimento da mesma infração penal. Nota-
se, no caso, a ausência de vínculo subjetivo 
entre os agentes, que, se presente, faria 
incidir as regras do concurso de pessoas. 
 
O que fazer quando não é possível identificar 
quem foi o efetivo causado do resultado 
criminoso (daí surgindo a chamada autoria 
incerta)? 
Aplicaremos o princípio do in dubio pró réu, 
na dúvida favorece o réu. 
Se não for possível detectar quem é o autor 
do crime, temos que aplicar o in dubio pró 
réu, na dúvida absolve. 
Punibilidade no Concurso de Pessoas 
Segundo o artigo 29 do CP, ao menos 
abstratamente, autor e partícipe incorrem na 
mesma pena: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre 
para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
Teoria monista temperada, cada um 
responde na medida de sua culpabilidade. 
§ 1º - Se a participação for de menor 
importância, a pena pode ser diminuída de 
um sexto a um terço. 
Trata-se de participação de pouca relevância, 
só podendo ser aferida na prática. 
Cuidado: aplica-se exclusivamente ao 
partícipe; 
§ 2º - Se algum dos concorrentes 
(coautores e partícipes) quis participar de 
crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a 
pena deste; essa pena será aumentada até 
metade, na hipótese de ter sido previsível 
o resultado mais grave. 
Se refere a coautoria e a participação. 
Ex. dois sujeitos acordam de fazer um furto 
na casa de uma família que havia saído para 
viajar. Um dos assaltantes ficou no andar de 
baixo da casa e outro foi para o segundo 
andar. Ao chegar no segundo andar se 
deparou com a filha da família dormindo no 
quarto e com isso ele acabou estuprando ela. 
Os agentes combinaram apenas de praticar o 
furto e não o estupro. 
Se o cara de baixo não sabia do estupro ele 
vai responder somente pelo furto e não pelo 
estupro. Mas essa pena será aumentada 
pela metade, se os elementos do caso 
concreto era previsível, ex. o agente que só 
cometeu o furto sabia que o outro era 
conhecido por estupro. 
Art. 30 - Não se comunicam as 
circunstâncias e as condições de caráter 
pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
Ex. um sujeito de 30 anos e um de 18 anos 
praticam um roubo, o sujeito de 30 anos 
cumprirá a pena normal, mas o sujeito de 18 
anos terá sua pena reduzida pela metade por 
ser menor de 21 anos. 
Salvo, quando elementares do crime, ex. 
crime de infanticídio, somente mãe pode 
responder por crime, é uma elementar do 
crime. 
Ex. crime de peculato furto. O diretor da 
escola pública vai realizar um furto e chama 
seu cunhado (particular) para ajuda-lo, o 
cunhado sabe que ele é diretor da escola e 
que está se aproveitando da função para 
realizar o peculato furto. Qual será o crime 
para cada um deles? Cuidado!!! 
Se funcionário público é elementar do crime 
de peculato furto, vai se comunicar ao 
coautor, esse cunhado que não era nada, vai 
responder como se funcionário público fosse. 
A conduta do participe é acessório a conduta 
do autor. 
Art. 31 – o ajuste, a determinação ou 
instigação e o auxílio, salvo disposição 
expressa em contrário, não são puníveis, se 
o crime não chega pelo menos, a ser 
tentado. 
O participe é punido se o autor tiver pelo 
menos tentado o crime, o início dos atos 
executórios, salvo disposição em contrário é 
raro acontecer, mas temos alguns crimes que 
o participe é punido como se fosse autor. 
Ex. induzimento, instigação e auxilio ao 
suicídio e a automutilação. 
Então na regra, para o participe ser punido é 
necessário que autor tenha ao menos 
começado a executar o crime. 
Pluralidade de delitos que ocorrem no 
mesmo delito. 
Ex. matei alguém, roubei, e xinguei pessoas. 
No brasil foi criado 3 espécies de concurso 
de crimes. 
Concurso Material: 
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais 
de uma ação ou omissão, pratica dois ou 
mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se 
cumulativamente as penas privativas de 
liberdade em que haja incorrido. No caso de 
aplicação cumulativa de penas de reclusão e 
de detenção, executa-se primeiro aquela. 
Ou seja, duas ou mais condutas e dois ou 
mais crimes = somam-se as penas. 
Reclusão é mais grave, iniciando-se o regime 
em fechado, depois semiaberto e aberto. 
Detenção inicia-se em semiaberto. 
Ex. matei, roubei e injuria, irei somar as 
penas, 3 comportamentos, 3 crimes, e 3 
penas, somam-se tudo. 
Dá-se o concurso material (ou real) quando o 
agente, mediante mais de uma ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplicando-se 
cumulativamente as penas privativas de 
liberdade em que haja incorrido. 
São requisitos do concurso material: 
- Pluralidade de condutas; 
- Pluralidade de crimes; 
Condenação a penas de reclusão e 
detenção: 
Nos termos da parte final do art. 69 do CP, 
em caso de aplicação cumulativa de penas 
de reclusão e detenção, deverá ser 
executada primeiramente a pena de 
reclusão. 
Ex. homicídio e crime contra a honra. 
Cumpro primeiro a reclusão (homicídio 
+grave) e depois a detenção (crime contra a 
honra – grave). 
Condenação a pena privativa de liberdade 
e restritiva de direitos: 
Quando ao agente tiver sido aplicada pena 
privativa de liberdade, não suspensa, por um 
dos crimes, para os demais será incabível a 
substituição por penas restritivas de direito, 
conforme o §1º, do art. 69 do CP: 
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao 
agente tiver sido aplicada pena privativa de 
liberdade, não suspensa, por um dos crimes, 
para os demais será incabível a substituição 
de que trata o art. 44 deste Código. 
Ou seja, se você pratica um crime muito 
grave que não dá parra substituir a pena 
privativa de liberdade, em concurso material 
com o crime que dá, por conta desse crime 
mais grave você perde esse benefício, 
ambas iremos considerar a pena privativa de 
liberdade e somá-las. 
Concurso material e penas restritivas de 
direito: 
Sendo aplicadas duas penas restritivas de 
direitos, é possível que o condenado cumpra 
ambas simultaneamente, desde que seja 
compatíveis entre si. Não sendo, deverá 
cumpri-las sucessivamente. Eis o §2, do art. 
69: 
§ 2º - Quando forem aplicadas penas 
restritivas de direitos, o condenado cumprirá 
simultaneamente as que forem compatíveis 
entre si e sucessivamente as demais. 
Ex. pratiquei um crime que autoriza a pena 
restritiva de direito em concurso material com 
outro crime que autoriza também, agora 
também dá, se forem compatíveis entre si. 
Ex. um dos crimes o juiz me condena ao 
pagamento de 5 cestas básicas e pelo outro 
crime a 48 horas de trabalho comunitário, eu 
consigo realizar essas duas 
simultaneamente. 
Mas se eu fui condenado a cumprir 48hr de 
trabalho comunitário por um crime e pelo 
outro também, é incompatível,não vou 
conseguir realizar simultaneamente. Então 
eu cumpro uma e depois a outra. 
Concurso Formal/Ideal 
Chamado de concurso ideal, surge de 
políticas criminal para quando possível 
beneficiar o criminoso. 
O concurso formal ou ideal está previsto no 
artigo 70 do CP. 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só 
ação ou omissão, pratica dois ou mais 
crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a 
mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, 
somente uma delas, mas aumentada, em 
qualquer caso, de um sexto até metade. 
As penas aplicam-se, entretanto, 
cumulativamente, se a ação ou omissão é 
dolosa e os crimes concorrentes resultam de 
desígnios autônomos, consoante o disposto 
no artigo anterior. 
Chamamos de exasperação da pena, pegarei 
a pena de um só dos crimes e aumentarei de 
um sexto até a metade. 
Essa é a regra, e essa regra é cabível 
quando um dos crimes é doloso ou quando 
todos são culposos. 
Ex. quero matar um sujeito e dou um tiro nele 
levando a óbito em um local público, este tiro 
acerta a perna de uma pessoa desconhecida 
também, então tenho um crime doloso e um 
crime culposo, crime formal próprio. Pegarei 
a pena do homicídio e aumentar de um sexto 
até a metade. Eu aplico a pena de um crime 
só e aumento simbolicamente, o que é 
favorável para o sujeito que praticou outras 
condutas. 
Ex. ou pode ser crimes culposos. Ex. estou 
dirigindo imprudente meu carro, subo na 
calçada e atropelo 5 pessoas, 3 morreram e 
2 sobreviveram. 3 homicídios culposos e 2 
lesões corporais grave, pegarei a pena de 
um só e aumentar de um sexto até a metade, 
aqui não soma as penas. Esse é o benefício 
do concurso formal de crimes. 
Mas temos a exceção: as penas serão 
somadas quando os resultados decorrerem 
de desígnios autônomos, ou seja, dolo em 
cada crime, neste caso as penas serão 
somadas. 
Ex. a pessoa quer matar duas pessoas de 
uma só vez, o cara dá um tiro de fuzil e mata 
as duas pessoas. Uma conduta e dois 
resultados, mas há dolo intenção em cada 
resultado. 
O SJT diz que quando alguém entra em um 
transporte público, onde tem motorista e as 
pessoas, por exemplo 22 pessoas dentro do 
ônibus, entende que esse assalto é um único 
crime desdobrado em vários atos, sendo 
concurso formal. Mas há desígnios 
autônomos, ou seja, pegar o celular de um, 
pegar a carteira de outro, então há concurso 
formal impróprio, neste caso eu iriei somar as 
penas, mesmo o STJ falando que seria caso 
de concurso formal normal. 
 
 
Aplicação da pena no concurso formal 
perfeito ou próprio: no concurso formal 
perfeito incide o sistema da exasperação: o 
juiz aplica uma só pena se idênticas, ou a 
maior, se diferentes, aumentada de um sexto 
até metade. Quanto maior o número de 
infrações, maior deve ser o aumento. 
Ex. motorista reincidente que, 
negligentemente, atropela e mata casal. 
Análise da fixação da pena: 
 
Concurso material benéfico 
Não se descarta a hipótese de o sistema da 
exasperação se revelar prejudicial ao réu. 
Neste caso, lembrando que o concurso 
formal foi criado para beneficiar o agente, 
deve o magistrado preferir o cumulo das 
penas. 
Trata-se de denominado concurso material 
benéfico, estabelecido no parágrafo único do 
CP: 
Parágrafo único - Não poderá a pena 
exceder a que seria cabível pela regra do art. 
69 deste Código. 
Se você for aplicar o benefício do concurso 
formal esse benefício não pode resultar em 
pena maior do que o concurso material. 
 
Toda vez que na pratica de concurso formal 
própria se a exasperação resultar em pena 
mais grave ao cumulo de pena, aplica-se o 
cumulo das penas. 
Crime Continuado/ Continuidade Delitiva 
Verifica-se a continuidade delitiva (ou crime 
continuado, estampada no art. 71 do CP, 
quando o sujeito, mediante pluralidades de 
condutas, realiza uma série de crimes da 
mesma espécie, aguardando entre si um elo 
de continuidade (em especial, as mesmas 
condições de tempo, lugar e maneira de 
execução). 
 Art. 71 - Quando o agente, mediante mais 
de uma ação ou omissão, pratica dois ou 
mais crimes da mesma espécie e, pelas 
condições de tempo, lugar, maneira de 
execução e outras semelhantes, devem os 
subseqüentes ser havidos como 
continuação do primeiro (fixão jurídica), 
aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se 
idênticas, ou a mais grave, se diversas, 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto 
a dois terços. 
De 1/6 a 2/3 é outra forma de exasperação 
da pena. 
Ex. imagine que em um intervalo de 30 dias o 
sujeito pratique 12 crimes de furto (pena 
mínima de 1 a 4 anos), segundo esse artigo 
71 devem todos os subsequentes serem 
considerados como continuidade do primeiro 
furto, a consequência disso é: que ao invés 
do sujeito responder por 12 furtos responderá 
apenas por 1 furto mais 1/6 até 2/3, favorável 
para o criminoso. 
Requisitos: 
- Pluralidade de condutas; ex. roubou 12 
furtos. 
- Pluralidade de crimes da mesma espécie, 
ou seja, mesmo tipo penal. Ex. 12 furtos 
iguais. 
- Elo de continuidade: é também requisito do 
crime continuado o ele de continuidade entre 
as condutas. Esse elo se revela através: 
Das condições de tempo: a lei não anuncia 
qual o hiato temporal máximo que deve 
existir entre o primeiro e o último delito de 
cadeia, alertando a jurisprudência que não 
pode suplantar 30 dias. 
Das mesmas condições de lugar: para a 
jurisprudência, haverá as mesas condições 
de lugar quando os crimes são praticados na 
mesma comarca (ou em comarcas vizinhas). 
Da mesma maneira de execução (modus 
operandi): bem como alerta BITENCOURT: 
a lei exige semelhança e não identidade. A 
semelhança na maneira de execução se 
traduz no modus operandi de realizar a 
conduta delitiva. Maneira de execução é o 
modo, a forma, o estilo de praticar o crime, 
que, na verdade, é apenas mais um dos 
requisitos objetivos da continuação 
criminosa. 
Outras circunstâncias semelhantes: 
abrangendo quaisquer outras circunstancias 
das quais se possa concluir pela 
continuidade. 
Crime continuado especifico 
 Parágrafo único - Nos crimes dolosos, 
contra vítimas diferentes, cometidos com 
violência ou grave ameaça à pessoa, 
poderá o juiz, considerando a culpabilidade, 
os antecedentes, a conduta social e a 
personalidade do agente, bem como os 
motivos e as circunstâncias, aumentar a 
pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a 
mais grave, se diversas, até o triplo (ou 
seja, pena de um crime X 3), observadas as 
regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 
75 deste Código. 
Ex. um estuprador, ele comete 12 estupro no 
mesmo mês, ele poderá responder até 3 
estupros e não pelos doze que ele cometeu. 
E caso a pena somada seja mais benéfica 
que a multiplicada, aplica-se a soma. 
Qual lei deve ser aplicada se, no decorrer da 
prática de um crime continuado, sobrevém lei 
mais grave? 
Ex. em 30 dias sujeito praticou 12 furtos 
(pena de 1 a 4 anos), este é o código penal 
vigente, mas imagine que no meio do 
caminho vem uma lei nova que fala que o 
furto tem a pena agora de 2 a 6 anos. Ou 
seja, estamos falando de leis vigentes, 
porque ela foi implementada DURANTE a 
prática dos crimes. A partir daí ocorreu uma 
lacuna a qual foi objeto de súmula do STF. 
Súmula nº 711 do STF: a lei penal mais 
grave aplica-se ao crime continuado ou 
permanente, se a sua vigência é anterior à 
cessação (antes de acabar o crime) da 
continuidade ou da permanência”. 
Se vem lei nova no meio da continuidade ou 
do permanente, aplica-se a lei mais grave. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Isso porque o Código Penal não apresenta 
qual seria o conceito de crime. A doutrina 
apresenta algumas definições de crime com 
enfoques diversos. 
Vejamos cada um, separadamente: 
Conceito formal 
Crime é aquilo que assim está rotulado em 
uma norma penal incriminadora, sob ameaça 
de pena. Perceba que sobo enfoque formal 
a prioridade é analisar o fato de tal 
comportamento ter sido previsto em lei como 
crime. 
Conceito material 
Crime é comportamento humano, causador 
de relevante e intolerável lesão ou perigo de 
lesão ao bem jurídico tutelado, passível de 
sanção penal. Sob o enfoque material, a 
prioridade se dá sobre o fato de tal 
comportamento criminoso atingir bens 
jurídicos. 
Conceito analítico 
Considera a estrutura do crime, ou seja, os 
elementos que integram o delito, 
prevalecendo que crime é todo fato típico, 
ilícito e culpável. 
Trata-se da Teoria Tripartida (ou tripartite) do 
Delito, prevalecendo na doutrina, segundo a 
qual estrutura o crime com os mencionados 
substratos e necessariamente nessa ordem: 
FATO TÍPICO, ILICITUDE (ou 
antijuridicidade) e CULPABILIDADE. 
Observação: somente no Brasil existe 
corrente contrária entendendo que crime é 
composto apenas pelo Fato Típico e Ilicitude 
(Corrente Bipartida ou Bipartite), se 
apegando à expressões utilizadas pelo 
legislador no Código Penal ao se referir às 
excludentes de culpabilidade (“isenção de 
pena”). Para os adeptos desta corrente, a 
culpabilidade seria apenas mero pressuposto 
de aplicação da pena. Já para os adeptos da 
corrente tripartida, a culpabilidade constitui 
verdadeiro juízo de reprovabilidade da 
conduta do agente. 
A seguir, analisaremos de forma mapeada a 
Teoria do Crime segundo a corrente 
majoritária: Tripartida. 
 
 
Fato típico: 
Observação: A punibilidade não constitui 
elemento do crime, mas mera consequência 
jurídica, ou seja, presentes os três elementos 
do crime, o direito de punir do Estado se 
concretiza, surgindo a punibilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 121 – HOMICÍDIO. 
A – Homicídio simples: 
“Art. 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de 
seis a vinte anos”. 
Conceito: é a injusta morte de alguém (vida 
extrauterina) praticada por pessoa física. 
Bem jurídico tutelado (objeto jurídico): 
vida humana. 
Sujeitos do crime: sujeito ativo pode ser 
qualquer pessoa (crime comum), assim como 
o sujeito passivo também pode ser qualquer 
pessoa (crime comum). 
 Consumação e tentativa: atinge a 
consumação com a morte da vítima (crime 
material). Como a execução do crime pode 
ser fracionada (crime plurissubsistente), a 
tentativa é perfeitamente admissível, até 
mesmo quando praticado por dolo eventual. 
Ação Penal: independentemente da 
modalidade de homicídio, a ação penal será 
pública incondicionada. 
B – Homicídio privilegiado (§1º - caso de 
diminuição de pena): 
“§ 1º Se o agente comete o crime impelido 
por motivo de relevante valor social ou moral, 
ou sob o domínio de violenta emoção, logo 
em seguida a injusta provocação da vítima, o 
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um 
terço”. 
- Motivo de relevante valor social: diz respeito 
aos interesses de toda uma coletividade, ou 
seja, altruístico e nobre (ex: indignação 
contra um traidor da pátria); 
 - Relevante valor moral: ao contrário da 
anterior, refere-se à interesses individuais, 
particulares, pessoais do agente, entre eles 
os sentimentos de piedade, misericórdia e 
compaixão (ex: homicídio praticado para 
livrar enfermo terminal das dores – 
eutanásia). 
- Sob domínio de violenta emoção com a 
injusta provocação da vítima - Requisitos: 
 (a) Domínio de violenta emoção: a emoção 
não pode ser leve e passageira ou 
momentânea. Deve ser intensa e 
permanente ao menos durante a conduta. 
Obs: a frieza de espírito, obviamente, exclui a 
emoção tratada. 
(b) Reação imediata (“logo em seguida a 
injusta provocação da vítima”): exige-se que 
o revide seja imediato. A demora na reação 
exclui a causa minorante, transformando-se 
em vingança. Para identificar o possível 
momento para o rebate deve-se considerar 
rebate toda reação praticada durante o 
período de domínio da violenta emoção 
(dependerá do caso concreto). 
 (c) Injusta provocação da vítima: a 
provocação não significa, necessariamente, 
agressão, mas compreende qualquer 
comportamento incitante, injuriosa e 
desafiadora. Ex: violenta emoção do marido 
que flagra a esposa em adultério – não é o 
caso do marido que já sabe da infidelidade 
da esposa e prepara para colhê-la em 
flagrante com a finalidade de matá-la. 
 C – Homicídio qualificado (§2º): 
O §2º do art. 121 descreve qualificadoras, 
sendo que umas estão ligadas aos motivos 
determinantes do crime, indicativos de 
depravação espiritual do agente (incisos I, II, 
V, VI e VII – circunstâncias subjetivas), e 
outras com o modo perverso que 
acompanham o ato ou fato em prática 
(incisos III e IV – circunstâncias objetivas). 
Tais formas de homicídio qualificado estão 
etiquetados como hediondas (art. 1º, inciso I, 
da Lei nº 8.072/90). 
 # - Existe Homicídio Privilegiado-qualificado? 
Seria possível combinar as privilegiadoras 
com as qualificadoras? E, por fim, em caso 
positivo, seria crime hediondo? R: 
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____________________________________
____________________________________
____________________________________
____________________________________
____________________________________ 
 
Vamos às qualificadoras em espécie: 
I – Mediante paga ou promessa de 
recompensa, ou por outro motivo torpe; 
Trata-se de homicídio praticado por motivo 
torpe (ignóbil, vil, repugnante, abjeto), já 
trazendo em sua redação dois exemplos de 
motivo torpe, sendo o homicídio mercenário e 
por mandato remunerado. Aqui o agente 
pratica o delito motivado pela ganância do 
lucro ou motivado pela expectativa do seu 
recebimento (ex: matador profissional). 
É crime de concurso necessário (exige-se 
pluralidade de agentes), no qual é 
indispensável a participação de, no mínimo, 
duas pessoas (mandante e executor). 
# - A qualificadora em estudo se comunica ao 
mandante? É circunstância simples ou 
elementar do crime? 
R: 1ª C: Não necessariamente se comunica 
ao mandante. Ex: pai que manda matar 
traficante da região que estuprou sua filha de 
15 anos – pai responderá por homicídio 
simples, com a diminuição de pena relativa 
ao motivo de relevante valor moral; já o 
executor pela modalidade qualificada em 
estudo (Rogério Greco); 
2ª C: Entende que é elementar do crime e, 
portanto, se comunica ao mandante 
(Tribunais Superiores). 
 # - A vingança é motivo torpe? 
R: Depende. A constatação de vingança, por 
si só, não tem o condão de aplicar a 
qualificadora em estudo, necessitando de 
análise das peculiaridades do caso concreto 
(STJ e STF). 
II – Por motivo fútil; 
O motivo fútil simboliza real desproporção 
entre o crime e a sua motivação (causa 
moral). É aquele pequeno demais para que 
na sua insignificância possa parecer capaz 
de explicar o crime que dele resulta. 
Não se confunde com motivo injusto 
(presente em todos os crimes). Para que haja 
futilidade na motivação, é necessário que, 
além de injusto, o motivo seja de fato 
insignificante. 
São exemplos: homicídio por rompimento de 
namoro; por esbarro em balada; vítima ter 
rido do homicida; etc. 
 III – Com emprego de veneno, fogo, 
explosivo, asfixia ou outro meio insidioso ou 
cruel, ou de que possa resultar perigo 
comum: 
É qualificado o homicídio quando cometido 
com emprego de veneno, fogo, explosivo, 
asfixia, tortura ou outro meio insidioso 
(dissimulado) ou cruel (aumenta inutilmente o 
sofrimento da vítima), ou de que possa 
resultar perigo comum (capaz de atingir 
número indeterminado de pessoas). 
Este inciso também utiliza fórmula casuística 
inicial e, em seguida, utiliza fórmula genérica, 
permitindo ao aplicador do direito encontrar 
outros casos que denotem insídia, crueldade 
ou perigo comum advindo da conduta do 
agente (interpretação analógica). Não 
obstante, vejamos cada um dos exemplos 
apresentados pelo inciso III: 
(a) Emprego de veneno: o agente, na buscado intento criminoso, utiliza substância capaz 
de perturbar ou destruir as funções vitais do 
organismo humano. 
Obs1: qualquer substância poderá configurar 
veneno, a depender do caso concreto, ao 
exemplo do açúcar ministrado a um diabético 
(o agente deve ter ciência da condição de 
diabético da vítima); 
Obs2: só incidirá a qualificadora se a vítima 
não perceber que está ingerindo veneno, 
pois, caso seja forçada à ingerir veneno, 
estaremos diante de outro meio cruel, 
alcançado pela expressão genérica trazida 
pelo inciso em comento. 
(b) Emprego de fogo ou asfixia: utilização de 
qualquer objeto capaz de causar explosão 
como meio de alcançar a morte da vítima, 
pois revela meio especialmente perverso 
escolhido pelo agente, podendo, inclusive, 
colocar número indeterminado de pessoas 
em risco. Exemplo verídico: jovens de 
Brasília que atearam fogo em índio que 
dormia num banco nas proximidades do 
Esplanada, aguardando o sol para reivindicar 
direitos junto aos Poderes Constituídos. 
 (c) Emprego de asfixia: é o impedimento, por 
qualquer meio (mecânico – afogamento, 
enforcamento, estrangulamento, esganadura 
ou sufocação – ou tóxico – gases deletérios) 
da passagem do ar pelas vias respiratórias 
ou pulmões da pessoa, acarretando a falta 
de oxigênio no sangue, podendo, a depender 
do tempo de interrupção da respiração, 
causar a morte. 
(d) Emprego de tortura: somente qualifica o 
homicídio se a morte era a finalidade do 
agente, tendo escolhido a tortura como meio, 
ou seja, se o agente atua com o dolo apenas 
de torturar a vítima, alcançando a morte 
diante de excesso culposo (imprudência), 
responderá pelo crime de tortura qualificado 
pelo resultado (art. 1º, §3º, da Lei nº 9.455/97 
– crime preterdoloso). 
IV – À traição, de emboscada, ou mediante 
dissimulação ou outro recurso que dificulte 
ou torne impossível a defesa do ofendido: 
Qualifica o homicídio a utilização de qualquer 
recurso que dificulte ou impossibilite a defesa 
da vítima, sendo que o próprio Código Penal 
apresenta alguns exemplos, tais como a 
traição, emboscada e dissimulação, cabendo, 
novamente, interpretação analógica. 
(a) Traição: é ataque desleal, repentino e 
inesperado (ex: atirar pelas costas ou 
durante o sono). 
(b) Emboscada: pressupõe ocultamento do 
agente, que ataca a vítima com surpresa. 
Denota maior covardia e perversidade por 
parte do agente. 
(c) Dissimulação: fingimento, disfarçando o 
agente a sua intenção criminosa, 
surpreendendo a vítima desatenta e 
indefesa. 
V – Para assegurar a execução, ocultação, a 
impunidade ou vantagem de outro crime; 
Apresenta hipótese de conexão entre o 
homicídio e outro(s) crime(s), no qual o 
agente mata para garantir a perfeição de 
crime anterior ou concomitante. Obs: se o 
homicídio foi praticado para assegurar a 
execução, ocultação, impunidade ou 
vantagem de uma contravenção penal, 
descabida a presente qualificadora, podendo 
configurar, conforme o caso, motivo torpe ou 
fútil. 
 VI – Feminicídio; 
 A Lei 13.104/15 incluiu o feminicídio como 
qualificadora do homicídio, entendido como a 
morte de mulher em razão da condição do 
sexo feminino (violência de gênero). 
O §2º-A foi acrescentado para informar 
quando a morte da mulher deve ser 
considerada em razão da condição do sexo 
feminino: “I – violência doméstica e familiar; II 
– menosprezo ou discriminação à condição 
de mulher”. 
O significado de violência doméstica e 
familiar (inciso I) é encontrado no art. 5º da 
Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha). 
Assim, violência doméstica pode ser 
considerada como qualquer ação ou omissão 
baseada no gênero que cause a morte da 
mulher: 
 (a) no âmbito da unidade doméstica, 
compreendida como o espaço de convívio 
permanente de pessoas, com ou sem vínculo 
familiar, inclusive as esporadicamente 
agregadas; 
(b) no âmbito da família, compreendida como 
a comunidade formada por indivíduos que 
são ou se consideram aparentados, unidos 
por laços naturais, por afinidade ou por 
vontade expressa; 
 (c) em qualquer relação íntima de afeto, na 
qual o agressor conviva ou tenha convivido 
com a ofendida, independentemente de 
coabitação. 
Já no inciso II, a identificação do menosprezo 
e da discriminação à condição feminina ficará 
por conta do juiz analisando as 
peculiaridades do caso concreto. 
VII – Contra autoridade ou agente de 
segurança pública (homicídio funcional): 
A Lei nº 13.142/15 acrescentou o inciso VII 
ao §2º do art. 121 com a seguinte redação: 
“VII – contra autoridade ou agente descrito 
nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, 
integrantes do sistema prisional e da Força 
Nacional de Segurança Pública, no exercício 
da função ou em decorrência dela, ou contra 
seu cônjuge, companheiro ou parente 
consanguíneo até terceiro grau, em razão 
dessa condição: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos”. 
Personagens mencionados no inciso VII: 
(a) Art. 142 da CF/88: abrange as Forças 
Armadas, constituídas pela Marinha, Exército 
e pela Aeronáutica; 
(b) Art. 144 da CF/88: disciplina os órgãos de 
segurança pública: polícia federal, polícia 
rodoviária federal, polícia ferroviária federal, 
polícias civis, polícias militares e corpos de 
bombeiros militardes. 
(c) Integrantes do sistema prisional: 
abrangidos, além dos agentes presentes no 
dia a dia da execução penal (diretor da 
penitenciária, agentes penitenciários, 
guardas, etc.), mas também aqueles que 
atuam em certas etapas da execução penal 
(comissão técnica de classificação, comissão 
de exame criminológico, conselho 
penitenciário, etc.). 
(d) Integrantes da Força Nacional de 
Segurança Pública: o Departamento da 
Força Nacional de Segurança Pública 
(FNSP) é, em resumo, um agrupamento de 
polícia da União, composta pelos quadros 
mais destacados das polícias de cada Estado 
e da Polícia Federal, que assume o papel de 
polícia militar em distúrbios sociais ou em 
situações excepcionais nos estados 
brasileiros, sempre que a ordem pública é 
posta em situação concreta de risco. 
Obs: nas hipóteses acima, é necessário que 
o crime tenha sido cometido contra o agente 
no exercício da função ou em decorrência 
dela (ex: agente mata policial de folga pelo 
simples fatode ser policial). 
(e) Contra cônjuge, companheiro ou parente 
consanguíneo até o 3º grau de algum dos 
agentes acima mencionados. Obs: para 
estes personagens, é indispensável que o 
crime tenha sido praticado em razão da 
ligação familiar com o agente de segurança 
pública (ex: morte de senhora pelo simples 
fato de ser mãe de policial militar). 
VIII - com emprego de arma de fogo de uso 
restrito ou proibido: 
Essa qualificadora do crime de homicídio foi 
introduzida pelo Pacote Anticrime. Havia sido 
vetada pelo presidente da República, porém, 
posteriormente alguns vetos foram cassados 
pelo Congresso Nacional. 
Parcela da doutrina entende que os guardas 
civis (municipais ou metropolitanos) também 
estão protegidos pela mencionada norma. 
Trata-se de qualificadora objetiva, incidindo 
quando o sujeito ativo utilizar arma de fogo 
de uso restrito ou proibido para matar 
alguém. Estamos diante de norma penal em 
branco na medida em que as definições de 
armas de fogo de uso restrito ou proibido são 
extraídas do art. 2º do Decreto nº 9.847/2019 
(tema trabalhado nas aulas sobre o Estatuto 
do Desarmamento). 
IX - contra menor de 14 (quatorze) anos. 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos”. 
A última qualificadora do crime de homicídio 
foi introduzida pela Lei “Henry Borel” (Lei nº 
14.344/2022). Trata-se de qualificadora de 
natureza objetiva na medida em que leva em 
conta apenas a idade do sujeito passivo. A 
finalidade é tratar com maior reprovação o 
homicídio contra personagens em condição 
presumidamente vulnerável. 
D – Homicídio culposo (§3º): 
“§ 3º Se o homicídio é culposo: 
Pena - detenção,de um a três anos”. 
Ocorre homicídio culposo quando o agente, 
com manifesta imprudência, negligência ou 
imperícia, deixa de empregar a atenção ou 
cuidado de que era capaz, provocando, com 
sua conduta, resultado morte, previsto (culpa 
consciente) ou previsível (culpa 
inconsciente), porém jamais aceito ou 
querido. 
E – Causas de aumento de pena: 
§2º-B – Lei “Henry Borel”: 
A Lei 14.344/2022 acrescentou as seguintes 
causas de aumento de pena: 
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 
14 (quatorze) anos é aumentada de: 
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é 
pessoa com deficiência ou com doença que 
implique o aumento de sua vulnerabilidade; 
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, 
padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, 
companheiro, tutor, curador, preceptor ou 
empregador da vítima ou por qualquer outro 
título tiver autoridade sobre ela. 
§4º, primeira parte – homicídio culposo 
majorado: 
(a) Inobservância de regra técnica de 
profissão, arte ou ofício: nesta hipótese, 
diferentemente da imperícia (modalidade de 
culpa), o agente tem aptidão técnica para 
desempenhar o seu trabalho, porém acaba 
por causar a morte de alguém em razão do 
seu descaso, deliberadamente desatendendo 
aos conhecimentos técnicos que possui. Ex: 
médico especialista em cirurgia cardíaca que, 
por descuido, corta um nervo do paciente, 
causando-lhe a morte; 
(b) Omissão de socorro: se o agente, agindo 
com culpa, deixa de prestar socorro à vítima, 
podendo fazê-lo e não havendo qualquer 
risco pessoal a ele, responderá por homicídio 
culposo com o presente aumento de pena. 
Obs1: se a vítima é socorrida imediatamente 
por terceiros ou morre instantaneamente, 
tornando indiferente ou inviável a assistência, 
não incidirá o aumento; 
Obs2: se o agente, no caso concreto, não 
agiu com culpa, mas, mesmo assim, deixa de 
prestar socorro à vítima, responderá apenas 
pelo crime de omissão de socorro (art. 135 
do CP); 
(c) Não procurar diminuir as consequências 
do comportamento: trata-se de expressão 
redundante, na medida em que não deixa de 
ser uma forma de omitir socorro; 
(d) Foge para evitar a prisão em flagrante: 
Obs1: a doutrina moderna entende que tal 
causa é inconstitucional, pois, não sendo o 
agente obrigado a produzir prova contra si 
mesmo, não poderá sofrer aumento de pena 
ao utilizar-se da mencionada garantia 
constitucional; 
Obs2: não incide a presente causa, ou a 
causa da omissão de socorro, quando o 
agente foge para evitar linchamento. 
§4º, segunda parte – homicídio doloso 
majorado: 
A pena será aumentada de 1/3 se o 
homicídio é praticado contra pessoa menor 
de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) 
anos. É indispensável que o agente tenha 
conhecimento da idade da vítima, evitando-
se a responsabilidade penal objetiva. Além 
disso, seguindo orientação da Teoria da 
Atividade (art. 4º do CP), a presente 
majorante considera a idade da vítima 
quando da prática do crime. 
§6º - Milícia privada ou grupo de extermínio: 
A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a 
metade se o crime for praticado por milícia 
privada, sob o pretexto de prestação de 
serviço de segurança, ou por grupo de 
extermínio. 
Grupo de extermínio: reunião de pessoas, 
matadores, “justiceiros” (civis ou não) que 
atuam na ausência do poder público, cuja 
finalidade é a matança generalizada, chacina 
de pessoas supostamente etiquetadas como 
marginais ou perigosas; Milícia armada: 
grupo de pessoas armado (civis ou não), 
tendo como finalidade anunciada 
desenvolver a segurança retirada das 
comunidades mais carentes, “restaurando a 
paz” 
§7º Feminicídio: 
§7º A pena do feminicídio é aumentada de 
1/3 (um terço) até a metade se o crime for 
praticado: 
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses 
posteriores ao parto; 
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) 
anos, com deficiência ou com doenças 
degenerativas que acarretem condição 
limitante ou de vulnerabilidade física ou 
mental; 
III - na presença física ou virtual de 
descendente ou de ascendente da vítima; 
IV - em descumprimento das medidas 
protetivas de urgência previstas nos incisos I, 
II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 
7 de agosto de 2006. (Incluído pela Lei nº 
13.771, de 2018) 
F – Perdão judicial (§5º): 
“§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o 
juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as 
consequências da infração atingirem o 
próprio agente de forma tão grave que a 
sanção penal se torne desnecessária”. 
Perdão Judicial é o instituto pelo qual o juiz, 
não obstante a prática de um crime, deixa de 
lhe aplicar pena, nas hipóteses 
expressamente previstas em lei, levando em 
consideração determinadas circunstâncias 
que concorrem para o evento. 
É causa extintiva da punibilidade (art. 107, 
inciso V, do CP). 
Cabe à defesa demonstrar que as 
consequências do crime atingiram o próprio 
agente de forma tão grave que a sanção 
penal se mostra desnecessária. 
Ex1: pai que de forma culposa vem a matar a 
filha/esposa/filho, etc.; 
Ex2: causador de acidente que, apesar de 
causar a morte da vítima, ficou tetraplégico, 
permitindo presumir que a pena, no caso em 
tela, se tornou desnecessária. 
Art. 122 – induzimento, instigação ou 
auxílio a suicídio ou a automutilação 
(Redação dada pela Lei nº 13.968, de 2019). 
“Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a 
praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material 
para que o faça: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio 
resulta lesão corporal de natureza grave ou 
gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 
deste Código: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação 
resulta morte: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
§ 3º A pena é duplicada: 
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe 
ou fútil; 
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer 
causa, a capacidade de resistência. 
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é 
realizada por meio da rede de computadores, de rede 
social ou transmitida em tempo real. 
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é 
líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual. 
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta 
em lesão corporal de natureza gravíssima e é 
cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou 
contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, 
não tem o necessário discernimento para a prática do 
ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode 
oferecer resistência, responde o agente pelo crime 
descrito no § 2º do art. 129 deste Código. 
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é 
cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou 
contra quem não tem o necessário discernimento para 
a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, 
não pode oferecer resistência, responde o agente pelo 
crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste 
Código”. 
Bem jurídico tutelado (objeto jurídico): 
vida humana, na maior parte, e a integridade 
física nos casos específicos de 
automutilação. 
Vale frisar que com a alteração legislativa, 
quando se visar apenas a automutilação não 
estaremos diante de um crime doloso contra 
a vida, mas apenas contra a integridade 
física, afastando, portanto (e apenas nesse 
caso) a competência do Tribunal do Júri para 
o processo e julgamento. 
Sujeitos do crime: sujeito ativo pode ser 
qualquer pessoa (crime comum), já o sujeito 
passivo pode ser, em regra, qualquer 
pessoa, existindo circunstâncias especiais 
que majoram a pena ou que podem mudar a 
figura típica (crime comum). 
Consumação e tentativa: o crime é formal 
em relação aos verbos “induzir” e “instigar”, 
consumando-se independentemente de 
efetivo resultado lesivo sobre a vítima. Vale 
destacar que não há mais a condição 
objetivade punibilidade que existia antes da 
recente alteração legislativa, com isso haverá 
crime mesmo que a vítima não sofra nenhum 
dano. Já em relação ao verbo “auxiliar”, 
consuma-se com a prática de algum auxílio 
concreto e efetivo no sentido de viabilizar o 
suicídio da vítima ou da automutilação. A 
tentativa é admissível. 
Voluntariedade: só é punido a título de dolo. 
Vítimas vulneráveis: os §§ 6º e 7º 
concretizam entendimento que já prevalecia 
na doutrina e na jurisprudência, no sentido de 
que, quando se tratar de vítimas 
absolutamente incapazes (vulneráveis por 
presunção), o agente responderá como se 
tivesse causado o resultado de forma direta, 
valendo-se da vítima como instrumento 
(crimes de homicídio ou lesão corporal, 
respectivamente). 
Ação Penal: ação penal pública 
incondicionada. 
Art. 123 – INFANTICÍDIO 
 “Art. 123 - Matar, sob a influência do estado 
puerperal, o próprio filho, durante o parto ou 
logo após: Pena - detenção, de dois a seis 
anos.”. 
Bem jurídico tutelado (objeto jurídico): 
vida humana. 
Sujeitos do crime: sujeito ativo somente 
pode ser a mãe parturiente sob influência do 
estado puerperal (crime próprio), já o sujeito 
passivo deve ser o ser humano logo após o 
parto, ou seja, o nascente ou recém-nascido 
(crime próprio). 
Consumação e tentativa: o crime é material, 
consumando-se com a morte do recém 
nascido. A tentativa é admissível. 
Voluntariedade: só é punido a título de dolo. 
Ação Penal: ação penal pública 
incondicionada. 
A – Conduta: 
A ação criminosa consiste em causar a mãe 
a morte do próprio filho, durante ou logo após 
o parto (critério cronológico), sob a influência 
do estado puerperal (critério etiológico). 
A morte pode ser causada de forma livre 
(ação ou omissão). 
A circunstância de tempo (durante ou logo 
após) deve ser compreendida como todo o 
período em que perdurar o estado puerperal. 
Estado puerperal “é aquele que envolve a 
parturiente durante a expulsão da criança do 
ventre materno. Neste momento, há intensas 
alterações psíquicas e físicas, que chegam a 
transformar a mãe, deixando-a sem plenas 
condições de entender o que está fazendo, 
razão pela qual se trata de situação de semi-
imputabilidade”. 
OBSERVAÇÃO: não basta a presença do 
estado puerperal, pois é preciso que haja 
relação de causalidade entre tal estado e o 
crime, pois nem sempre o estado puerperal 
produz perturbações psíquicas na 
parturiente. 
Arts. 124 A 128 – INTRODUÇÃO AO 
ABORTO 
Conceito: trata-se da interrupção da gravidez 
com a destruição do produto da concepção. 
Bem jurídico tutelado (objeto material): a vida 
intrauterina. 
A doutrina classifica o aborto em: 
(a) natural (interrupção espontânea da 
gravidez, geralmente causados por 
problemas de saúde – indiferente penal); 
(b) acidental (quedas, traumatismos, etc., em 
regra, é atípico); 
(c) criminoso (arts. 124 a 127 do CP); e, (d) 
legal ou permitido (art. 128 do CP). 
Art. 124 do CP: Aborto provocado pela 
gestante ou com seu consentimento: 
“Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou 
consentir que outrem lho provoque: 
Pena - detenção, de um a três anos” 
Sujeitos do crime: sujeito ativo somente 
pode ser a mulher grávida (crime próprio), já 
o sujeito passivo a doutrina diverge. Parcela 
entende que é o Estado, pois o feto não seria 
titular de direitos, entretanto prevalece que o 
sujeito passivo é mesmo o produto da 
concepção (crime próprio). 
Consumação e tentativa: o crime é 
material, consumando-se com a morte do 
feto ou a destruição do produto da 
concepção, decorrente de manobras 
abortivas. A tentativa é admissível. 
Voluntariedade: só é punido a título de dolo. 
Conduta: na primeira conduta descrita no 
tipo penal, a mulher gestante, por intermédio 
de meios executivos químicos, físicos ou 
mecânicos, provoca nela mesma, mediante 
ação ou omissão, a interrupção da gravidez, 
destruindo a vida endouterina. 
A segunda conduta típica é a de consentir a 
gestante no aborto, exigindo-se, assim, a 
figura do provocador, o qual responderá pelo 
crime previsto no art. 126 do CP. 
Art. 125 do CP: Aborto provocado por 
terceiro, sem o consentimento da 
gestante: 
“Art. 125 - Provocar aborto, sem o 
consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de três a dez anos”. 
Sujeitos do crime: sujeito ativo pode ser 
qualquer pessoa (crime comum). Já em 
relação ao sujeito passivo, trata-se de crime 
de dupla subjetividade passiva, figurando 
como vítimas a gestante e o produto da 
concepção (óvulo, embrião ou feto). 
Consumação e tentativa: o crime é 
material, consumando-se com a morte do 
feto ou a destruição do produto da 
concepção, decorrente de manobras 
abortivas. A tentativa é admissível. 
Voluntariedade: só é punido a título de dolo. 
Conduta: interromper, violenta e 
intencionalmente, uma gravidez, destruindo o 
produto da concepção. Ex: agente que 
desfere pontapé violento no ventre de mulher 
sabidamente grávida. 
Art. 126 do CP: Aborto provocado por 
terceiro, com o consentimento da 
gestante: 
“Art. 126 - Provocar aborto com o 
consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos.”. 
Sujeitos do crime: sujeito ativo pode ser 
qualquer pessoa (crime comum). Já em 
relação ao sujeito passivo, só o produto da 
concepção (óvulo, embrião ou feto) poderá 
figurar como vítima. 
Consumação e tentativa: o crime é material, 
consumando-se com a morte do feto ou a 
destruição do produto da concepção, 
decorrente de manobras abortivas. A 
tentativa é admissível. 
Voluntariedade: só é punido a título de dolo. 
Conduta: interromper, violenta e 
intencionalmente, uma gravidez, destruindo o 
produto da concepção, com o consentimento 
da gestante. Ex: agente que desfere pontapé 
violento no ventre de mulher sabidamente 
grávida. 
Não consentimento presumido: o 
parágrafo único do art. 126 desconsidera a 
vontade positiva da gestante quando menor 
de 14 anos, “alienada ou débil mental, ou se 
o consentimento é obtido mediante fraude, 
grave ameaça ou violência”. 
 Nessa hipótese, o terceiro provocador 
responderá pelo crime do art. 125, ficando a 
gestante isenta de sanção penal por não ter 
responsabilidade. 
 
Art. 127 do CP: Aborto majorado pelo 
resultado: 
“Art. 127 - As penas cominadas nos dois 
artigos anteriores são aumentadas de um 
terço, se, em consequência do aborto ou dos 
meios empregados para provocá-lo, a 
gestante sofre lesão corporal de natureza 
grave; e são duplicadas, se, por qualquer 
dessas causas, lhe sobrevém a morte”. 
O crime de aborto será majorado: 
(a) Se, em consequência do aborto ou das 
manobras abortivas, a gestante sofre lesão 
corporal de natureza grave: (art. 129, §§ 1º e 
2º, do CP); 
(b) Se, por qualquer dessas causas (aborto 
ou meios empregados) lhe sobrevém a 
morte: obviamente tal causa de aumento 
aplica-se apenas aos artigos 125 e 126, isso 
porque o 
Direito Penal não pune a autolesão, 
tampouco o ato de matar-se. Em todo o caso, 
trata-se de figura preterdolosa, ou seja, o 
resultado morte deve ter sido alcançado de 
maneira culposa, pois se foi a vontade ou 
aceito pelo agente, estaremos diante do 
crime de homicídio em concurso formal com 
o aborto 
Art. 128 do CP: Aborto legal – causas 
especiais de exclusão da ilicitude. 
“Art. 128 - Não se pune o aborto praticado 
por médico: 
Aborto necessário 
I - se não há outro meio de salvar a vida da 
gestante; 
Aborto no caso de gravidez resultante de 
estupro 
II - se a gravidez resulta de estupro e o 
aborto é precedido de consentimento da 
gestante ou, quando incapaz, de seu 
representante legal”. 
I – Aborto necessário: 
Para a presente modalidade, indispensável o 
preenchimento de três requisitos: 
(a) Aborto praticado por médico: não é 
necessário que o médico seja especialista na 
área de ginecologia-obstetrícia. No caso do 
aborto ser necessário e, diante da 
impossibilidadede se procurar um médico 
por conta da urgência, o aborto vir a ser 
praticado por pessoa sem habilitação 
profissional de médico (parteira, 
farmacêutico, particular, etc.), apesar de o 
fato ser típico, o agente estará acobertado 
pelo estado de necessidade, aplicando-se a 
mesma solução no caso da própria gestante 
praticar o aborto para salvar a própria vida; 
(b) Perigo de vida da gestante: não basta o 
perigo para a saúde; 
(c) Impossibilidade do uso de outro meio para 
salvar a gestante: não pode o médico optar 
pelo meio mais fácil, pois, se existir outra 
maneira que não a interrupção da gravidez 
para salvar a vida da gestante, o médico 
responderá pelo crime. 
Prevalece na doutrina que não é necessário 
o consentimento da gestante para realizar o 
aborto necessário. 
II – Aborto sentimental: 
Ao contrário da modalidade anterior que 
protege a vida da gestante, nesta o motivo 
consiste na falta de justificativa em impor à 
vítima de estupro, ofendida em sua honra, 
uma maternidade que talvez lhe fosse odiosa 
e sempre lhe trouxesse à memória o triste 
acontecimento da violência sexual. Depende 
de três requisitos: 
(a) Que o aborto seja praticado por médico: 
diferente da hipótese anterior, nesta, como a 
gestante não sofre perigo atual, caso o 
aborto seja provocado por terceiro não 
médico, este responderá pelo crime. Caso 
seja praticado pela gestante, a mesma 
poderá responder pelo crime ou, a depender 
das circunstâncias, poderá se caracterizar 
hipótese de inexigibilidade de conduta 
diversa (causa supralegal de exclusão da 
culpabilidade). 
(b) Que a gravidez seja proveniente de 
estupro: proveniente de conjunção carnal, 
atos libidinosos diversos da conjunção carnal 
e nos casos de estupro de vulnerável 
(consentimento da vítima ou de seu 
representante legal). 
(c) Prévio consentimento da gestante ou seu 
representante legal: preferencialmente formal 
(acompanhado de boletim de ocorrência), 
inclusive com testemunhas. Não são 
necessárias a sentença condenatória do 
crime de estupro ou a autorização judicial. 
# - e o aborto do feto anencefálico? 
R: Feto anencefálico: embrião, feto ou 
recém-nascido que, por malformação 
congênita, não possui a parte do sistema 
nervoso central, faltando-lhe os hemisférios 
cerebrais e possui apenas parcela do tronco 
encefálico. 
Após anos de muitos debates doutrinários e 
decisões conflituosas, o STF se manifestou 
de forma a permitir o aborto e tal caso, 
seguido por diretrizes estabelecidas pelo 
Conselho Federal de Medicina. Atualmente, 
no caso de diagnóstico de anencefalia, o 
laudo terá que ser assinado, 
obrigatoriamente, por dois médicos. A 
gestante será informada do resultado e 
poderá optar livremente por fazer o aborto ou 
manter a gravidez e, ainda, se gostaria de 
ouvir a opinião de uma junta médica ou de 
outro profissional. O aborto poderá ser 
realizado em hospital privado ou público e 
em clínicas, desde que haja estrutura 
adequada. 
Art. 129 DO CP: LESÃO CORPORAL: 
“Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a 
saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano”. 
Por um critério de exclusão, trata-se da 
chamada lesão corporal de natureza leve. 
Conceito: é a injusta ofensa à integridade 
física ou saúde de outrem. 
Bem jurídico tutelado (objeto jurídico): 
incolumidade pessoal, protegendo-o na sua 
saúde corporal, fisiológica e mental. 
Sujeitos do crime: na forma simples (caput), 
o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa 
(crime comum), assim como o sujeito passivo 
também pode ser qualquer pessoa (crime 
comum). 
Consumação e tentativa: consuma-se no 
instante em que ocorre a ofensa à 
integridade corporal ou à saúde física ou 
mental da vítima (crime material). Como a 
dor não é elementar do tipo, não é 
necessário que a vítima sofra para a 
consumação do delito (ex: cortar o cabelo da 
vítima, desde que provoque uma alteração 
desfavorável no aspecto exterior da vítima, 
conforme os padrões sociais médios). Apesar 
da dificuldade probatória em alguns casos, a 
tentativa nas modalidades dolosas é 
perfeitamente possível (crime 
plurissubsistente) 
Voluntariedade: as modalidades de lesão 
corporal são dolosas, com exceção de 
hipótese prevista no §6º (lesão culposa). 
A – Qualificadoras: 
A1 – Lesão corporal de natureza grave (§1º): 
Anuncia o §1º que a pena será de reclusão, 
de um a cinco anos, se da lesão resulta: 
(a) Incapacidade para as ocupações 
habituais, por mais de 30 (trinta) dias: por 
ocupação habitual entende-se qualquer 
atividade corporal costumeira, tradicional, 
não necessariamente ligada a trabalho ou 
ocupação lucrativa, devendo ser lícita, não 
importando de moral ou imoral, podendo ser 
intelectual, econômica, esportiva, etc. Assim, 
até um bebê pode ser vítima desta 
modalidade, vez que tem de estar confortável 
para dormir, mamar, tomar banho, ter suas 
vestes trocadas, etc.; 
(b) Perigo de vida: consistente na 
probabilidade séria, concreta e imediata do 
êxito letal, devidamente comprovado por 
perícia, ou seja, o perigo deve ser real, e não 
presumido. 
Além disso, só admite o preterdolo, pois, se o 
agente quis ou assumiu o risco do resultado 
morte, não o alcançando por circunstâncias 
alheias à sua vontade, estaremos diante de 
tentativa de homicídio; 
(c) Debilidade permanente de membro, 
sentido ou função: entende-se por membro 
cada um dos quatro apêndices do troco, 
ligado a este por meio de articulações, sendo 
dois superiores e dois inferiores, e que 
realizam movimentos diversos, entre os quais 
a locomoção (braços, antebraços, pernas, 
mãos, coxas e pés); já o sentido é a 
faculdade de experimentar certa classe de 
sensações, e de perceber as coisas externas 
e o meio pelo qual essa faculdade se exercita 
(visão, audição, tato, paladar e olfato); a 
função consiste na atividade própria ou 
natural de um órgão (respiratória, circulatória, 
digestiva, etc.). Se a debilidade de membro, 
sentido ou função ocorrer por tempo 
indeterminado, também incidirá a presente 
qualificadora, ainda que seus efeitos possam 
ser reduzidos com o uso de aparelhos de 
próteses; 
(d) Aceleração de parto: ocorre quando, em 
decorrência da lesão, o feto é expulso, com 
vida, de forma precoce (parto prematuro). 
Obviamente, a condição de gravidez da 
vítima deve estar presente na esfera de 
conhecimento do agente. 
A2 – Lesão corporal de natureza 
gravíssima (§2º): 
Anuncia o §1º que a pena será de reclusão, 
de dois a oito anos, se da lesão resulta: 
(a) Incapacidade permanente para o 
trabalho: aqui a incapacidade é para o 
trabalho, de forma permanente, absoluta, e 
sem previsibilidade de cessação. Entende a 
maioria que deve ser incapacidade para 
qualquer trabalho. Entretanto, minoria da 
doutrina entende que basta que cause 
incapacidade para o trabalho até então 
exercido pela vítima; 
(b) Enfermidade incurável: trata-se de 
alteração permanente de saúde em geral por 
processo patológico, ou seja, transmissão 
intencional de uma doença para a qual não 
existe cura no estágio atual da medicina (ex: 
vítima, depois das lesões, passa a 
apresentar convulsões ocasionadas por 
disritmia cerebral decorrente de traumatismo 
cranioencefálico). Além disso, a doutrina 
também considera incurável a enfermidade 
cujo restabelecimento depende de cirurgia 
arriscada ou tratamento incerto, pois a vítima 
não está obrigada a aventurar-se por 
caminhos para os quais a própria medicina 
ainda não reconhece sucesso; 
(c) Perda ou inutilização de membro, sentido 
ou função: diferente do parágrafo anterior, 
aqui exige-se a perda ou inutilização de 
membro, sentido ou função em decorrência 
da lesão sofrida (ex: amputação de membro). 
A perda impotência sexual decorrente de 
lesão também é gravíssima. Não obstante, 
prevalece na doutrina que se tratar-se de 
órgãos duplos (olhos, rim, testículos, etc.), a 
lesãopara ser gravíssima deve atingir 
ambos; 
(d) Deformidade permanente: trata-se do 
dano estético, aparente, considerável, 
irreparável pela força da natureza e capaz de 
provocar impressão vexatória (ex: cicatriz). 
Segundo o STJ, a realização de cirurgia 
estética que repare os efeitos da lesão não 
afasta a qualificadora da deformidade 
permanente, pois “o dato criminoso é 
valorado no momento de sua consumação, 
não afetando providências posteriores, 
notadamente quando não usuais e 
promovidas a critério exclusivo da vítima”; 
(e) Aborto: exige-se o preterdolo (lesão 
dolosa e aborto culposo), pois, caso o agente 
queira o aborto, estaremos diante do crime 
de aborto praticado por terceiro, com ou sem 
o consentimento da gestante. Além disso, 
vale lembrar que deve o agente ter 
conhecimento da condição de gestante da 
vítima. 
Obs: É perfeitamente possível a coexistência 
de lesão grave com lesão gravíssima no 
mesmo contexto fático, como quando, por 
exemplo, além de ficar a vítima incapacitada 
para as ocupações habituais por mais de 
trinta dias (lesão grave), sofre também 
deformidade permanente (lesão gravíssima). 
Nesse caso, o crime permanece único, 
aplicando-se as penas da lesão gravíssima 
(§2º), devendo o juiz, quando da fixação da 
pena-base, considerar as demais 
consequências sofridas pela vítima. 
A3 – Lesão corporal seguida de morte 
(§3º): 
“§ 3°. Se resulta morte e as circunstâncias 
evidenciam que o agente não quis o 
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos”. 
Trata-se de modalidade preterdolosa de 
crime, exigindo dolo na lesão corporal e 
culpa em relação ao resultado morte, pois, do 
contrário, havendo dolo também do resultado 
morte, estaremos diante do crime de 
homicídio (e, nesse caso, a lesão estaria 
absorvida pelo crime mais grave). 
Além disso, deve haver nexo entre a conduta 
e o resultado. Nesse sentido, o caso fortuito, 
ou imprevisibilidade do resultado, elimina a 
configuração do crime preterdoloso, 
respondendo o agente apenas pelas lesões 
corporais. 
Se o antecedente doloso consiste em 
simples gesto de ameaça (art. 147) oi em 
meras vias de fato (LCP, art. 21), o resultado 
morte só pode ser imputado ao agente a 
título de homicídio culposo (desde que 
previsível), que absorve a ameaça ou a 
contravenção. 
Por se tratar de crime preterintencional, não 
admite tentativa. 
B – Diminuição de pena (§4º): 
”§ 4° Se o agente comete o crime impelido 
por motivo de relevante valor social ou moral 
ou sob o domínio de violenta emoção, logo 
em seguida a injusta provocação da vítima, o 
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um 
terço”. 
A redação do §4º acima destacado é idêntica 
à do §1º do art. 121, cabendo as mesmas 
considerações feitas ao crime de homicídio. 
C – Substituição da Pena (§5º): 
“§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, 
pode ainda substituir a pena de detenção 
pela de multa [...]:” 
I – se ocorre qualquer das hipóteses do 
parágrafo anterior: se o agente comete o 
crime impelido por motivo de relevante valor 
social ou moral, ou sob o domínio de violenta 
emoção, logo em seguida a injusta 
provocação da vítima, e a lesão é leve o juiz 
poderá aplicar a pena de multa ao invés da 
pensa de detenção; 
II – se as lesões são recíprocas: apesar de 
não existir a compensação de culpas em 
matéria de Direito Penal, nesta hipótese, 
havendo lesões mútuas, ambos serão 
condenados, mas, com a incidência do 
presente privilégio. 
Obs: tal benefício perdeu destaque com o 
advento da Lei nº 9.714/98, que alterou o art. 
44 do CP para permitir a aplicação da pena 
de multa isoladamente em substituição a 
pena de um ano privativa de liberdade. 
D – Lesão corporal culposa (§6º): 
Prescreve o § 6º que se a lesão resulta de 
comportamento negligente, imprudente ou 
imperito, a pena será de detenção de dois 
meses a um ano. Temos aqui a mesma 
sistemática do homicídio culposo, alterando-
se apenas o resultado, logo, as 
considerações constantes no homicídio 
culposo se aplicam aqui. 
Vale observar, porém, que o grau de lesões 
sofridas não interfere no tipo penal, mas 
apenas na fixação da pena-base (art. 59 do 
CP). 
E – Causa de aumento de pena (§7º): 
“§ 7º. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) 
se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º 
e 6º do art. 121 deste Código”. 
No caso de lesão dolosa (ou mesmo 
preterdoloso), incide a causa de aumento 
acima se o crime “e praticado contra pessoa 
menor de catorze ou maior de sessenta 
anos” ou se “o crime for praticado por milícia 
privada, sob o pretexto de prestação de 
serviço de segurança, ou por grupo de 
extermínio”, cabendo as mesmas 
considerações feitas no estudo do crime de 
homicídio. 
F – Perdão judicial (§8º): 
Apenas à lesão culposa (§6º), há a 
possibilidade de se reconhecer o perdão 
judicial, nas mesmas hipóteses cabíveis ao 
homicídio culposo (§5º do art. 121), ou seja, 
“se as consequências da infração atingirem o 
próprio agente de forma tão grave que a 
sanção penal se torne desnecessária”. 
G – Lesão corporal leve qualificada pela 
violência doméstica e familiar (§9º): 
“§ 9º. Se a lesão for praticada contra 
ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou 
companheiro, ou com quem conviva ou tenha 
convivido, ou, ainda, prevalecendose o 
agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade: (Redação 
dada pela Lei nº 11.340, de 2006) 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) 
anos”. 
A Lei Maria da Penha alterou a redação do 
§9º, tornando mais rigorosa (em tese) a 
punição nos casos de violência doméstica e 
familiar. Assim, incidirá tal qualificadora 
quando o crime for praticado contra: 
(a) Ascendente, descendente ou irmão: aqui 
não comporta se o parentesco é legítimo ou 
ilegítimo, ou seja, reconhece-se a figura do 
padrasto, madrasta, enteado(a) e irmão/irmã, 
filho(a) por adoção. Nesses casos, é 
dispensável a coabitação entre o autor e a 
vítima, bastando a relação de parentesco; 
 (b) Cônjuge ou companheiro: tal majorando, 
apesar de resistência de parcela da doutrina, 
prevalece mesmo diante da separação de 
fato ou judicial (até porque seria alcançado 
pela hipótese seguinte); 
(c) Com quem conviva ou tenha convivido: a 
lesão deve ser causada em razão da 
vivência, atual ou pretérita (ex: república de 
estudantes); 
(d) Prevalecendo-se o agente das relações 
domésticas, de coabitação ou de 
hospitalidade: o agente deve se valer da 
vantagem doméstica, de coabitação ou 
hospitalidade em relação à vítima, 
merecendo interpretação restritiva (ex: 
agressões praticadas pela babá contra 
criança, desde que não se revista de 
requintes de tortura). 
H – Lesão corporal grave, gravíssima ou 
seguida de morte majorada pela violência 
doméstica e familiar (§10º): 
Se presentes as mesmas circunstâncias do 
§9º (crime praticado contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou 
companheiro, ou com quem conviva ou tenha 
convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o 
agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade), aumenta-se 
em 1/3 a pena da lesão corporal de natureza 
grave (§1º), gravíssima (§2º) e seguida de 
morte (§3º). 
I – Lesão corporal leve no ambiente 
doméstico e familiar contra pessoa 
portadora de deficiência (§11): 
Se, além das hipóteses previstas no §9º 
(violência doméstica e familiar), a vítima for 
portadora de deficiência, incidirá aumento de 
pena de 1/3. 
Para incidir a incidência do aumento de pena 
é imprescindível que o agente tenha 
conhecimento de que a vítima é portadora de 
deficiência. 
O conceito de pessoa portadora de 
deficiência é trazido pelo art. 2º da Lei nº 
13.146/15, in verbis: 
“Art. 2º. Considera-se pessoa com deficiência 
aquela que tem impedimento de longo prazo 
de natureza física, mental, intelectual ou 
sensorial, o qual, em interação com uma ou 
mais barreiras, podeobstruir sua participação 
plena e efetiva na sociedade em igualdade 
de condições com as demais pessoas. 
§ 1º. A avaliação da deficiência, quando 
necessária, será biopsicossocial, realizada 
por equipe multiprofissional e interdisciplinar 
e considerará: 
I - os impedimentos nas funções e nas 
estruturas do corpo; 
II - os fatores socioambientais, psicológicos e 
pessoais; 
III - a limitação no desempenho de 
atividades; e 
IV - a restrição de participação”. 
J – Lesão corporal contra autoridade ou 
agente de segurança pública (§12): 
 “§12. Se a lesão for praticada contra 
autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 
144 da Constituição Federal, integrantes do 
sistema prisional e da Força Nacional de 
Segurança Pública, no exercício da função 
ou em decorrência dela, ou contra seu 
cônjuge, companheiro ou parente 
consanguíneo até terceiro grau, em razão 
dessa condição, a pena é aumentada de um 
a dois terços. 
Aqui, cabem as mesmas considerações 
feitas quando do estudo do homicídio 
funcional, com exceção do resultado lesivo 
(morte e lesão corporal). 
J – Lesão corporal contra autoridade ou 
agente de segurança pública (§12): 
“§13. Se a lesão for praticada contra a 
mulher, por razões da condição do sexo 
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 
deste Código: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). 
(Incluído pela Lei nº 14.188/2021). 
Motivado pelas mesmas razões do 
feminicídio, se o sujeito ativo causar lesão 
corporal contra a mulher apenas pelo fato 
dela ser mulher ou com preconceito à 
condição do sexo feminino (bem como diante 
do vínculo doméstico ou familiar que guarda 
com a vítima) incidirá a qualificadora em 
estudo. 
K – Ação penal: 
Em regra, é cabível ação penal pública 
incondicionada. Excepcionalmente, porém, 
no caso de lesão dolosa de natureza leve 
(art. 129, caput, do CP) e culposa (§6º), o 
oferecimento da ação penal dependerá de 
representação da vítima ou de seu 
representante legal, ou seja, ação penal 
pública condicionada a representação do 
ofendido (art. 88 da Lei nº 9.099/95). 
Nos casos de violência doméstica e familiar, 
será publica condicionada apenas se a vítima 
for homem, nas hipóteses dos §§ 9º e 11, 
pois, apesar de não mais de menor potencial 
ofensivo, a lesão continuará leve. 
Ver dos crimes contra a honra, art. 138 a 
145. 
ANOTAÇÕES 
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