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CUIDADOS COM AS PRÓTESES Toda a prótese deve seguir um protocolo rígido, desde seu planejamento até a fase de manutenção ou controle posterior após sua instalação. A manu- tenção envolve responsabilidades inerentes ao pacientes/profissionais envolvidos na reabilitação. A seguir, serão destacados três momentos de cuidados com as próteses fixas e removíveis: instalação, orientações e controle posterior. INSTALAÇÃO DESINFECÇÃO DAS PRÓTESES DENTÁRIAS Para evitar contaminação cruzada durante as provas e instalações das próteses dentárias, deve- se ter atenção aso cuidados de desinfecção das diferentes próteses. O polimento de próteses totais feito nos laboratórios de prótese dentária, também, pode transferir agentes patogênicos, como, espiroquetas, estreptococos, influenza e mycobacterium tuberculoses, de um paciente para o outro por não ocorrer a troca ou desinfecção de feltros e borrachas. Próteses devem ser lavadas com escova e sabão antimicrobiano para remover detritos e diminuir o risco de contaminação Não é recomendado o uso de complexos fenólicos ou compostos clorados para desinfecção de próteses com metal. O uso de iodóforos pode danificar a qualidade do material. O hipoclorito de sódio é um desinfetante com bastante eficácia para se usar em resinas acrílicas: moldeiras, bases de registro, padrões de resina para fundição, coroas provisórias e PTRs. - PTR: hipoclorito de sódio (0,5 ou 1%) por 10 minutos - PPR: álcool a 70%, clorexidina a 2% por 10 minutos - Próteses fixas de porcelana: glutaraldeido a 2%, hipoclorito a 1%, clorexidina a 2% por 10min - Próteses metalocerâmicas: glutaraldeido a 2%, clorexidina a 2% por 10min Em relação ao álcool a 70% e 96% relata-se que não são substâncias que possuem eficácia em matéria orgânica e que se encontra em desuso. O uso de EPI durante a manipulação dos moldes, modelos e trabalhos protéticos tem como objetivo diminuir as possibilidades de adquirir alguma doença infecciosa por aspiração ou contato como objeto contaminado. Moldes devem ser lavados com água corrente e não se pode usar ar ou vapor para secagem devido à produção de aerossóis. Deve-se deixar secando ao natural. CONSULTA DE INSTALAÇÃO Bochecho Com solução de clorexidina 0,12% por 1 minuto. Momento de expectativa para o paciente e de reforçar a orientação e a motivação para a higiene das próteses e dos tecidos bucais. Na instalação orientamos o paciente para a manutenção da prótese e o esquema das consultas de retorno. Avaliar as condições da prótese para instalação. No caso das próteses fixas convencionais e implantossuportadas, avaliar: adaptação cervical, sobre e subcontorno, isquemias gengivais, contatos proximais, oclusão, estética, fonética e acabamento e polimento. Na fase de instalação deve-se ter o cuidado de propiciar a integração da prótese removível aos elementos do sistema mastigatório, de modo que não sejam criadas condições de dor ou de injuria ao paciente. Após instalada, deve estar em harmonia com a mucosa e os tecidos musculares, tanto em repouso como em função, sendo cômoda, agradável e eficiente. O que avaliar na consulta de avaliação? Acabamento da prótese, retenção, estabilidade e suporte, avaliar as áreas de compressão, sobre- extensão e sub-extensão. Avaliar estética e fonética. Acabamento da prótese Procurar irregularidades na parte interna e externa da prótese, como bolhas positivas, espículas de resina ou qualquer borda cortante. As bordas devem ser arredondadas e lisas. As correções são feitas por brocas de acabamento de resina acrílica, sem interferir no vedamento periférico. Avaliar retenção, estabilidade e suporte No caso das PPRs, apoios e grampos devem ser ajustados perfeitamente aos nichos, aos planos- guia e às áreas de retenção. Conectores menores e maiores devem manter uma situação de alívio ou de distância em relação à gengiva marginal dos dentes remanescentes. Sela em relação de passividade com as inserções musculares que delimitam a área chapeável e, ainda sua superfície interna ajustada ao rebordo residual, em toda a sua extensão. Nas próteses totais removíveis o teste de retenção avalia o vedamento periférico da prótese. Teste de estabilidade lateral e verificar a adaptação à superfície interna da sela com o rebordo residual. Avaliar áreas de compressão, sobre e sub-extensão Em áreas de compressão o paciente normalmente relato incomodo. Em casos de sobre-extensão a prótese tende a deslocar durante movimentos como sorrir, deglutir e bocejar. A sub-extensão é verificada durante a inspeção visual. Avaliar a oclusão Contatos oclusais nos dentes posteriores uniformes, simultâneos e bilaterais, contatos oclusais leves nos dentes anteriores Avaliar estética e fonética Conferir a DVO, conferir a montagem dos dentes, conferir cor dos dentes e da gengiva Aparência com as novas próteses A aparência se torna mais natural com o tempo. Inicialmente, as próteses podem parecer estranhas e volumosas na boca, dando uma sensação de enchimento nas bochechas e lábios. Isso pode ser superado com o tempo e os pacientes são aconselhados a serem perseverantes nesse período. ORIENTAÇÕES RECOMENDAÇÕES INICIAIS APÓS A INSTALAÇÃO - Paciente poderá sentir a boca cheia, como se as próteses estivessem muito volumosas, aumentando a produção salivar. Neste caso, pode- se sugerir engolir com mais frequência - Consumir alimentos macios, cortados em pequenos pedaços e mastigação bilateral. Período de 6 a 8 semanas para mastigar satisfatoriamente - O ideal é remover as próteses à noite para relaxamento da musculatura, evitando compressão sobre os tecidos e diminuindo a reabsorção óssea - Remover para higienização a cada refeição. - Orientar o paciente quanto à direção de inserção e remoção das PPRs - Ao tossir ou espirrar, colocar a mão na boca HIGIENIZAÇÃO Higienização de próteses fixas convencionais e implantossuportadas Escovas dentais macias, fio dental com passa fio, escova interdental ou unitufos, escovas elétricas. Higienização de próteses totais Método mecânico (por escovação), químico (por soluções apropriadas) ou combinado - Método mecânico: escova para prótese total removível ou convencional (macia), sabão ou detergente neutro, método mais utilizado, uso constante de pasta ou creme dental pode causar ranhuras nas próteses por causa do abrasivo - Método químico: utilizar pastilhas efervescentes a base de enzimas proteolíticas como COREGA TABS e POLIDENT, de acordo com as recomendações do fabricante. Pode usar água sanitária (hipoclorito de sódio a 1%) sendo uma colher de chá para um copo de água (200ml) filtrada durante no máximo de 15 a 20 minutos diários. Uma vez por semana deixar as próteses imersas de 8 a 12 horas em um recipiente com água filtrada e vinagre branco, que tem ação desinfetante. Após a utilização de um desses produtos , as próteses devem ser enxaguadas em água corrente e/ou imersas em um recipiente com água durante alguns minutos para retirar o gosto e odor desagradáveis. Método bem indicado para usuários de prótese que possuem idade avançada e com reduzida coordenação motora ou destreza manual para realizarem com eficácia a escovação. - Método combinado: associação do método mecânico e químico. Ação efetiva na higienização das próteses. Higienização de PPRs - Método mecânico: cuidados durante a escovação para não danificar os grampos e empenar a prótese - Método químico: utilizar pastilhas efervescentes como na PT. Não usar água sanitária devido ao seu potencial de corrosão na armação metálica, hipoclorito de sódio leva ao escurecimento e diminui a resistência mecânica do metal. - Método combinado: é recomendada a utilização associada dos métodos mecânicos e químicos de higienização, a fim de obter um controle adequado do biofilme nos aparelhos protéticos Higienização da boca Na presença de dentes, utilizar uma escova comcerdas maciais e um creme dental, uso de fio dental, passa-fio (PPF e implantes) e bochechos com enxaguatório. Escova elétrica também pode ser recomendada para auxiliar a higiene da boca. Na ausência dos dentes, utilizar uma escova de cerda macias para massagear a gengiva, palato e língua, eliminando a placa bacteriana e os resíduos alimentares. As escovas utilizadas para a limpeza dos dentes naturais não deveriam sr as mesmas utilizadas para a limpeza protética. - Fio dental com haste pode ser indicado para crianças, idosos, pessoas com aparelhos ortodôn- ticos, pessoas com dificuldades motoras, pacientes acamados - Em casos de PPR orientações para limpeza de nichos - Em casos de paciente com limitação motora, avaliar a indicação de adaptador para escova de dentes – deixar o cabo mais grosso - O álcool nos enxaguatórios è contra indicado nos casos de indivíduos imunocomprometidos, pessoas que apresentam úlceras na mucosa bucal, crianças, etilistas, idosos, pacientes com xerostomia, mucosite e síndrome da ardência bucal - Clorexidina em bochecho é indicada para os casos de estomatite protética, cicatrização de feridas causadas pela inserção das próteses removíveis. Desvantagens de alteração do paladar, manchas em língua e nos dentes artificiais - Uma forma eficaz de higienizar a língua é usar um raspador de língua Cuidados com as escovas: deve-se salientar a importância da higienização das escovas de dente, pois diversos fatores como a umidade e a disponibilidade de nutrientes as transformam em nichos para proliferação de microorganismos. Aplicação de clorexidina Personalizar os cuidados de higiene bucal, saben- do: qual histórico do paciente, quais os motivos das perdas dentárias, classificação funcional do idoso, possui destreza manual, apresenta limitação motora, depende de cuidados para indicar o melhor métodos de higienização, a melhor escova, fio dental e enxaguatório. DORMIR COM AS PRÓTESES: para preservar a saúde dos tecidos bucais é importante que eles sejam poupados da pressão exercida pela base da prótese por 6 a 8 horas por dia. O ideal é remover as próteses à noite, permitindo que haja uma melhor circulação do sangue pelos tecidos mais afetados. A remoção da prótese à noite evita estomatite protética e hábitos parafuncionais. Apesar das vantagens do paciente dormir à noite sem a prótese, deve-se considerar o benefício emocional e social. CONTROLE POSTERIOR O tratamento com a prótese começa no momento da instalação. Retornos periódicos são muito importantes para o controle do trabalho realizado e avaliação da sua saúde bucal. Sendo assim, o paciente não deve deixar de ir aos retornos agendados pelo dentista Visitas de revisão: a cada seis meses no primeiro ano e, depois desse período, uma vez ao ano para usuários de prótese total. Para pacientes edêntulos, retorno a cada 6 meses ou em menor tempo de acordo com a necessidade do paciente. Nas consultas devemos avaliar a higienização, a estabilidade e a retenção das próteses removíveis, sempre analisando a necessidade de um reembasamento. Controle radiográfico.