Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
CUIDADOS PALIATIVOS 
1 
 
 
SUMÁRIO 
 
NOSSA HISTÓRIA ................................................................................................................ 2 
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................... 3 
2. BREVE HISTÓRIA DOS CUIDADOS PALIATIVOS ................................................. 4 
a. Cuidados Paliativos no Brasil................................................................................... 5 
3. CUIDADOS PALIATIVOS: CONCEITOS E PRINCÍPIOS ........................................ 8 
4. A EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM CUIDADOS PALIATIVOS......................... 12 
a. O Médico ............................................................................................................... 12 
b. O Enfermeiro ......................................................................................................... 13 
c. O Psicólogo ........................................................................................................... 15 
d. O Assistente Social ................................................................................................ 16 
e. O Farmacêutico ..................................................................................................... 18 
f. O Nutricionista ....................................................................................................... 19 
g. O Fisioterapêuta .................................................................................................... 21 
h. O Fonoaudiólogo ................................................................................................... 24 
i. O terapêuta Ocupacional ....................................................................................... 25 
j. O Assistente Espiritual ........................................................................................... 27 
k. O Dentista .............................................................................................................. 28 
CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 33 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 34 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em 
atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com 
isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível 
superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no 
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de 
promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem 
patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras 
normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e 
eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. 
Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de 
cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do 
serviço oferecido. 
 
 
 
 
3 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Nas últimas décadas ocorreu o processo de envelhecimento de grande parte 
da população, assim como o aumento da prevalência de doenças crônicas. Em 
contrapartida, os avanços tecnológicos e o desenvolvimento de novas terapêuticas, 
fez com que muitas doenças ditas fatais se transformassem em doenças crônicas, 
promovendo a longevidade dos portadores. 
Os pacientes que não alcançam a cura acumulam-se nos hospitais, recebendo 
invariavelmente assistência inadequada. Essas abordagens podem ignorar o 
sofrimento e são incapazes, por falta de conhecimento adequado, de tratar os 
sintomas mais prevalentes. 
Não se trata de cultivar uma postura contrária à medicina tecnológica, mas 
refletirmos sobre a nossa conduta, diante da mortalidade humana, tentando o 
equilíbrio necessário entre o conhecimento científico e o humanismo, para resgatar a 
dignidade da vida e a possibilidade de se morrer em paz. 
A doença interrompe o projeto de vida de uma pessoa e toda sua família, 
gerando a necessidade de uma provisão de cuidados no sentido de recuperar sua 
capacidade para viver o mais próximo possível do “normal” ao longo da experiência 
da doença. Para responder a essa necessidade, é preciso uma combinação de 
intervenções terapêuticas apropriadas, que têm por objetivo o controle de sintomas, 
com práticas de alívio do sofrimento e de melhora da qualidade de vida. Assim os 
Cuidados Paliativos podem complementar e ampliar os tratamentos modificadores da 
doença ou podem tornar-se o foco total do cuidado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
2. BREVE HISTÓRIA DOS CUIDADOS PALIATIVOS 
 
Historiadores apontam que a filosofia paliativista iniciou na antiguidade, com as 
primeiras definições sobre o cuidar. Na Idade Média, durante as Cruzadas, era comum 
achar hospices (hospedarias, em português) em monastérios, que abrigavam os 
doentes e moribundos, famintos, mulheres em trabalho de parto, pobres, órfãos e 
leprosos. Esta forma de hospitalidade tinha como característica o acolhimento, a 
proteção, o alívio do sofrimento, mais do que a busca pela cura. 
O Movimento Hospice Moderno foi introduzido pela Cicely Saunders, uma 
médica inglesa, que em 1967 fundou o St. Christopher’s Hospice, cuja estrutura 
forneceu assistência aos doentes e o desenvolvimento de ensino e pesquisa. Em 
1970, Cicely Saunders se encontrou com Elisabeth Klüber-Ross, nos Estados Unidos 
e fizeram com que o Movimento Hospice também crescesse naquele país. 
 
Figura 1: Função do hospice durante o processo de doença avançada e luto. 
Fonte: Vamos falar de Cuidados Paliativos – SBGG. 
 
Na década de 1980, o Comitê de Câncer da Organização Mundial da Saúde 
(OMS) criou um grupo de trabalho responsável por definir políticas para o alívio da dor 
e cuidados do tipo hospice. O termo Cuidados Paliativos, já utilizado no Canadá, 
passou a ser adotado pela OMS. 
A OMS publicou sua primeira definição de Cuidados Paliativos em 1990: 
5 
 
 
“cuidado ativo e total para pacientes cuja doença não é responsiva a tratamento de 
cura. O controle da dor, de outros sintomas e de problemas psicossociais e espirituais 
é primordial. O objetivo do Cuidado Paliativo é proporcionar a melhor qualidade de 
vida possível para pacientes e familiares”. Essa definição foi revisada em 2002 e 
substituída pela atual. 
 
a. Cuidados Paliativos no Brasil 
 
No Brasil, iniciativas e discussões isoladas sobre cuidados paliativos foram 
desenvolvidas desde a década de 1970, porém, foi somente na década de 1990 que 
surgiram os primeiros serviços organizados. O que vale a pena mencionar é o espírito 
pioneiro do professor Marco Túlio de Assis Figueiredo que abriu o primeiro curso de 
filosofia em cuidados paliativos e serviços de consultoria na Escola Paulista de 
Medicina na UNIFESP / EPM. Outro serviço importante e pioneiro no Brasil é o 
atendimento do Instituto Nacional do Câncer (INCA) do Ministério da Saúde, que 
inaugurou em 1998 o hospital Unidade IV, dedicado aos cuidados paliativos. Contudo, 
atendimentos a pacientes fora da possibilidade de cura acontecem desde 1986. Em 
dezembro de 2002, o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo – HSPE/SP 
inaugurou uma enfermaria de cuidados paliativos sob a liderança da Dra. Maria Goretti 
Sales Maciel. Em São Paulo, outro serviço pioneiro é o Hospital Municipal Servidor 
Público, liderado pelo Dr. Dalva YukieMatsumoto, lançado em junho de 2004 e o 
projeto iniciado em 2001. 
A primeira tentativa de integrar os cuidados paliativos foi a Associação 
Brasileira de Cuidados Paliativos - ABCP, fundada pela psicóloga Ana Georgia de 
Melo em 1997. 
No entanto, com o estabelecimento da Sociedade Nacional de Cuidados 
Paliativos em 2005, os cuidados paliativos do Brasil deram um grande salto em frente. 
Por meio do ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos), foi promovida a 
profissionalização dos cuidados paliativos no Brasil, foram estabelecidos os padrões 
de qualidade dos serviços de cuidados paliativos e foi realizada a definição precisa do 
que é e do que não é de cuidados paliativos, e foram realizadas discussões com o 
Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Conselho Federal de Medicina-CFM e 
Associação Médica Brasileira-AMB. Participando ativamente da Câmara Técnica 
sobre Terminalidade da Vida e Cuidados Paliativos do CFM, a ANCP ajudou a 
6 
 
 
elaborar duas resoluções importantes que regulam a atividade médica relacionada a 
esta prática. 
Em 2009, o Conselho Federal de Medicina adotou os cuidados paliativos como 
princípio básico pela primeira vez na história da medicina brasileira e incorporou-o ao 
seu novo "Código de Ética Médica". A ANCP luta pela regularização da Medicina 
Paliativa como área de atuação médica junto à Associação Médica Brasileira e a 
universalização dos serviços de Cuidados Paliativos no Ministério da Saúde. 
Atualmente no Brasil, as atividades relacionadas aos cuidados paliativos ainda 
precisam ser regulamentadas por lei. No Brasil, ainda existem conhecimentos e 
preconceitos relacionados aos cuidados paliativos, principalmente entre médicos, 
profissionais de saúde, administradores de hospitais e instituições judiciárias, que são 
muito escassos. Cuidados paliativos ainda se confundem com eutanásia e existe um 
grande preconceito em relação ao uso de opioides como a morfina para o alívio da 
dor. 
A ANCP prevê que esta situação deverá mudar rapidamente nos próximos 
anos. Haverá uma demanda por serviços de Cuidados Paliativos e por profissionais 
especializados com a regularização profissional. Há. também, a necessidade dos 
Hospitais em ter uma equipe de Cuidados Paliativos para receber uma acreditação 
internacional como a Joint Commission International, a quebra de resistências e maior 
exposição do trabalho para o grande público por meio de filmes e novelas. A ANCP e 
seus parceiros estão trabalhando duro para alcançar esse objetivo. Por exemplo, a 
formalização legal e profissional permitirá que os planos de saúde incluam os cuidados 
paliativos em sua cobertura. Os cuidados paliativos comprovadamente reduzem os 
custos dos cuidados de saúde e trazem enormes benefícios para os pacientes e suas 
famílias. 
A conscientização da população brasileira sobre os cuidados paliativos é 
fundamental para que o sistema de saúde brasileiro mude o tratamento de pacientes 
com doenças que ameaçam sua continuidade de vida. Os cuidados paliativos são uma 
necessidade de saúde pública, são necessidades humanitárias. 
 
 
 
 
Figura 2: Onde existem Cuidados Paliativos no Brasil 
7 
 
 
 
Fonte: Academia Nacional de Cuidados Paliativos. 
 
 
8 
 
 
3. CUIDADOS PALIATIVOS: CONCEITOS E PRINCÍPIOS 
 
Segundo a OMS, Cuidado Paliativo é “uma abordagem que promove a 
qualidade de vida de pacientes e seus familiares, que enfrentam doenças que 
ameacem a continuidade da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento. 
Requer identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de 
natureza física, psicossocial e espiritual”. 
Os princípios dos Cuidados Paliativos foram publicados pela OMS em 1986 
que regem a atuação de uma equipe multiprofissional, tais princípios foram revisados 
em 2002 e são estes: 
 
● Promover o alívio da dor e de outros sintomas desagradáveis: 
 
Para tanto, é necessário ter expertise na prescrição de medicamentos, no uso 
de medidas não farmacológicas e nos métodos psicossociais e espirituais de 
caracterização de "sintomas totais", pois todos esses fatores podem ajudar a agravar 
ou reduzir os sintomas e devem ser considerados no método. 
 
● Afirmar a vida e considerar a morte um processo normal da vida: 
 
O Cuidado Paliativo resgata a possibilidade da morte como um evento 
natural e esperado na presença de doença ameaçadora da vida, colocando ênfase na 
vida que ainda pode ser vivida. 
 
● Não acelerar nem adiar a morte: 
 
Dessa forma, enfatiza-se que os cuidados paliativos não têm nada a ver com 
a eutanásia, como muitas pessoas ainda acreditam. Diagnóstico objetivo, adequado, 
compreensão da história natural da doença, acompanhamento positivo, entusiasmado 
e respeitoso e empatia com o paciente e sua família nos ajudarão a tomar decisões. 
Desta forma, vamos cometer menos erros e sentir mais seguro. 
 
● Integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente; 
9 
 
 
Perda de autonomia, da autoimagem, da segurança, da capacidade física, do 
respeito, sem falar em perdas materiais específicas, como emprego, poder aquisitivo 
e, portanto, status social, podem trazer dor, frustração e desespero, e intervir 
objetivamente no desenvolvimento de doenças, sintomas A intensidade e a frequência 
podem ser difíceis de controlar. Do ponto de vista psicológico, esses métodos são 
essenciais. O que há de novo é que também é possível resolver esses problemas de 
uma perspectiva espiritual, que sempre está confusa e se sobrepõe a questões 
religiosas. 
 
● Oferecer um sistema de suporte que possibilite ao paciente viver tão 
ativamente quanto possível até o momento da sua morte: 
 
Não devemos esquecer que qualidade de vida e felicidade significam 
conformidade com todos os aspectos da vida. Questões sociais, dificuldades no 
acesso a serviços, medicamentos e outros recursos também podem ser a causa do 
sofrimento e devem ser incluídas na equipe multidisciplinar para serem resolvidas. É 
nossa responsabilidade ajudar os pacientes a resolver seus problemas. 
 
● Oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença 
do paciente e o luto Oferecer abordagem multiprofissional para focar as 
necessidades dos pacientes e seus familiares, incluindo acompanhamento no 
luto: 
 
A família inteira e o núcleo social do paciente também estão "doentes". A 
unidade de identidade de uma pessoa é a família, respeitando todas as condições que 
o tornam um mundo cultural próprio, essas condições geralmente estão distantes do 
mundo cultural dos profissionais de saúde, ou até estranhas. ”Essa família, seja 
parente ou descendente (amigos, parceiros, etc.), podem e devem ser nossos 
parceiros e colaboradores. Essas pessoas conhecem os pacientes melhor do que nós, 
suas necessidades, suas características, seus desejos e ansiedades, e geralmente 
não são só o que os próprios pacientes dizem. Eles também sofrem, e seu sofrimento 
deve ser bem-vindo e aliviado. 
10 
 
 
● Abordagem multiprofissional para focar as necessidades dos pacientes e 
seus familiares, incluindo acompanhamento no luto: 
 
O objeto de ação é sempre o paciente, e sua autonomia é respeitada. Incluir a 
família no processo do cuidar compreende estender o cuidado no luto, que pode e 
deve ser realizado por toda a equipe e não somente pelo psicólogo. Uma equipe 
multiprofissional com múltiplos "olhos" e percepções pessoais pode realizar esse 
trabalho plenamente. 
 
● Melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso da 
doença: 
 
Através de uma abordagem holística, observando este paciente como um ser 
biográfico mais que um ser simplesmente biológico, podemos melhorar o curso da 
doença, respeitando os desejos e necessidades dos pacientes, e podemos estendê-
lo com base na experiência de vários serviços de cuidados paliativos. Viver com alta 
qualidade significa ser respeitado, controlaros sintomas, atender aos seus desejos e 
necessidades e poder viver com sua família. 
 
● Iniciar o mais precocemente possível o Cuidado Paliativo, juntamente 
com outras medidas de prolongamento da vida, como quimioterapia e 
radioterapia, e incluir todas as investigações necessárias para melhor 
compreender e controlar situações clínicas: 
 
Uma abordagem precoce também permite a prevenção dos sintomas e de 
complicações inerentes à doença de base, além de propiciar o diagnóstico e 
tratamento adequados de doenças que possam cursar paralelamente à doença 
principal. Além de determinar as capacidades funcionais do paciente, uma boa 
avaliação deve ser feita de acordo com os exames necessários para desenvolver um 
plano de cuidado integral, adequado a cada situação e a cada momento do 
desenvolvimento da doença. 
11 
 
 
Figura 3: Necessidades do paciente / família presente durante a doença e o luto. 
 
Fonte: Vamos Falar de Cuidados Paliativos – SBGG. 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
4. A EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM CUIDADOS PALIATIVOS 
 
Cuidados Paliativos são indicados para todos os pacientes e seus familiares 
com doença ameaçadora da continuidade da vida por qualquer diagnóstico, com 
qualquer prognóstico, seja qual for a idade e a qualquer momento da doença em que 
eles tenham expectativas ou necessidades não atendidas. Esses cuidados são 
prestados, de forma mais efetiva, por uma equipe interdisciplinar, que sejam 
competentes e habilidosos em todos os aspectos do processo de cuidar relacionados 
à sua área de atuação. 
 
a. O Médico 
 
Durante muitos anos as equipes de saúde se organizam de forma 
hierarquizada. Nesse contexto, o médico é colocado como o detentor do papel 
predominante, mas se ele aceitar essa forma de organização, todo trabalho 
necessário para que o paciente e sua família tenham sofrimento diminuído, dor 
controlada e uma vida digna pode não ter o êxito necessário. 
No seu processo de formação acadêmica, os médicos se voltaram para o 
diagnóstico e tratamento de doenças. Ao enfrentar pacientes que necessitam de 
cuidados paliativos, o foco não está mais na doença, mas em ser um paciente em 
seus campos físico, psicológico, social e espiritual, ele deve revisar seus 
conhecimentos e aprender a trabalhar em equipe. No que diz respeito ao 
conhecimento técnico do médico, ele sozinho não pode atender a todas as 
necessidades dos pacientes e de suas famílias para um atendimento abrangente. 
Para que o trabalho em equipe alcance os resultados desejados, além de 
saber trabalhar com outros profissionais de diferentes profissões, cada membro deve 
ter um entendimento completo de seu próprio campo. A chave do sucesso é a 
comunicação: a comunicação deve não apenas ir além das relações interpessoais, 
dificuldades ou áreas relacionadas, mas também se desenvolver em direção ao plano 
de tratamento executado por toda a equipe. 
No âmbito de sua especificidade, os profissionais devem fazer um diagnóstico 
clínico, entender a doença, sua história natural, os tratamentos realizados e o 
progresso esperado do paciente naquele momento. Se necessário, entre em contato 
com outros especialistas médicos que têm ou ainda estão tratando pacientes para 
13 
 
 
discutir comportamentos específicos. O médico é responsável por propor um plano 
de tratamento que possa aliviar os sintomas de desconforto, independentemente de 
ser tratado com medicação. No entanto, a principal tarefa do médico na equipe de 
cuidados paliativos pode ser coordenar a comunicação entre profissionais relevantes, 
pacientes e seus familiares, e espera ouvir informações sobre o diagnóstico e 
prognóstico da doença. 
Os profissionais médicos não devem transferir responsabilidade para outros 
membros da equipe para falar sobre esses aspectos diretamente relacionados a 
pacientes e doenças. A comunicação eficaz entre o médico e a equipe também é muito 
importante, de modo que, quando todos os profissionais são solicitados pelos 
pacientes e familiares, eles devem manter a mesma postura e falar o "mesmo idioma". 
Dessa forma, o médico atuará como facilitador do trabalho de toda a equipe e ajudará 
os pacientes a exercer autonomia. 
Como resultado, pacientes, familiares e equipes de cuidados paliativos podem 
compartilhar escolhas e decisões. Dessa forma, não importa o quão avançado seja o 
estado de saúde, todos serão responsáveis em conjunto pela promoção da saúde e 
da vida, atingindo o objetivo de cuidar dos pacientes de maneira abrangente e 
personalizada, com foco em seu bem-estar e qualidade de vida. 
 
b. O Enfermeiro 
 
Entre as várias definições de enfermagem, é atraente defini-la como uma área 
que estuda a resposta humana à doença. Segundo o Código de Ética para 
Profissionais de Enfermagem (CEPE), “a enfermagem é uma profissão dedicada à 
saúde e à qualidade de vida das pessoas, famílias e comunidades”. No século 19, sua 
antecessora, Florence Nightingale, a definiu como "a arte é a ciência de cuidar da 
humanidade". O altruísmo e a valorização do ambiente em que a enfermagem é 
realizada são dois padrões incutidos como patrimônio histórico na formação de 
enfermeiros. 
Especialmente no âmbito dos cuidados paliativos, os enfermeiros 
desempenham seu papel na formulação de medidas práticas e gerenciais de maneira 
coordenada com toda a equipe de Saúde. Nesse momento especial de tratamento, 
seus profissionais concentram suas discussões para a estrutura do cuidado ante a 
estrutura da cura. Dessa forma, existe um ambiente real para a prática da enfermagem 
14 
 
 
fundamental. 
As habilidades do enfermeiro devem se concentrar na avaliação sistemática 
dos sinais e sintomas, no auxílio da equipe multiprofissional que determina as 
prioridades para cada cliente, para a interação da dinâmica familiar e especialmente 
para o reforço das orientações clínicas, a fim de que os objetivos do tratamento que 
foram traçados pela equipe multidisciplinar sejam alcançados. 
No entanto, em termos de capacidade clínica, é necessário enfatizar a 
sabedoria dos enfermeiros no controle da dor, pois esse é um dos sintomas mais 
impõem sofrimento para os pacientes em cuidados paliativos. Trata-se de um desafio 
a ser vencido com esforço, pois a falta de conhecimento também é uma realidade 
enfrentada por outros profissionais da equipe de saúde. Em relação a esse problema 
prático que cria obstáculos à qualidade da assistência à saúde, os programas de 
educação acadêmica e a tecnologia médica precisam trabalhar juntos para 
implementar o ensino e desenvolver um ambiente para as práticas de saúde. 
Nesse espaço clínico, o enfermeiro deve atuar profissionalmente com uma 
equipe multidisciplinar para desenvolver as habilidades clínicas internas para controlar 
sinais e sintomas e se comunicar de forma verdadeira, de modo a resumir o 
comportamento de cada profissional de acordo com os interesses dos pacientes, 
familiares e pacientes. 
Inserido em uma equipe multidisciplinar, o papel do enfermeiro é levar a uma 
comunicação eficaz, abrir e adaptar-se ao papel do ambiente de tratamento, com o 
objetivo de negociar as metas de assistência alcançadas com os pacientes e seus 
familiares para coordenar o cuidado planejado. Portanto, os cuidados paliativos 
enfatizam as capacidades de relacionamento do enfermeiro. Para equipes, pacientes 
e instituições, o profissional deve ter habilidades de comunicação, pois essas 
habilidades podem garantir o melhor desenvolvimento de sua prática clínica. 
15 
 
 
c. O Psicólogo 
 
A valorização do desempenho multiprofissional é baseada na compreensão do 
sofrimento dos pacientes em escala global. Cada membro da equipe trata o sofrimento 
da perspectiva de seu empoderamento do conhecimento. O objetivo comum é garantir 
que as diferentes necessidades de pacientes, famílias e equipes possam ser 
reconhecidas e atendidas, esclarecendo ações de natureza diferente. 
Aomesmo tempo, devemos entender os princípios dos cuidados paliativos. O 
trabalho em equipe é um deles e supõe-se que os psicólogos tenham a capacidade 
de se comunicar com profissionais de outras áreas do conhecimento. Parece haver 
concordância sobre o assunto a interdisciplinaridade precisa de flexibilidade, sem 
eliminar a especificidade. Essas últimas são fundamentais para que as diferentes 
necessidades (médicas, sociais, psicológicas, espirituais, etc.) de pacientes, das 
famílias e da equipe possam ser identificadas e atendidas pelas conexões entre ações 
em diferentes áreas. 
Do ponto de vista da teoria psicanalítica, a doença e todo o contexto 
circundante serão inevitavelmente explicados pelo paciente de acordo com sua fala, 
ou seja, seu sistema de emoções e crenças (consciente e inconsciente). Com isso em 
mente, uma das ações que um psicólogo pode tomar é ouvir o paciente clinicamente 
para ajudá-lo a identificar e transformar a forma de “olhar” o que traz prejuízo e 
sofrimento. Portanto, a situação ideal é iniciar o acompanhamento psicológico o mais 
cedo possível - de fato, isso está de acordo com os princípios recomendados para os 
cuidados paliativos. Lembre-se de que os cuidados paliativos são prestados de 
diferentes maneiras: asilos, ambulatórios, hospitais (cuidados paliativos), consultas e 
visitas domiciliares. Portanto, pode-se considerar que o paciente pode ser 
acompanhado por uma equipe por muitos anos. 
Há, também, a participação da família nesse processo de cuidado. A 
experiência demonstrou que a qualidade do relacionamento entre um paciente e seu 
cuidador pode ser benéfica ou afetar negativamente o curso da doença, morte e 
sofrimento. Portanto, nos cuidados paliativos, a atenção à família do paciente outro 
aspecto norteador da ação da equipe. Observe que a atenção à família exige que o 
psicólogo seja capaz de lidar com situações de grupo. É por isso que os psicólogos 
incentivam pacientes e familiares a pensar e falar livremente sobre sua situação. 
Dessa maneira, ele se esforça para legitimar seu sofrimento e contribui para expor a 
16 
 
 
experiência de doença, morte e luto. 
Por último, temos a atuação e envolvimento de toda a equipe com o paciente. 
O trabalho de cuidar de pacientes em cuidados paliativos envolve um contato próximo 
com a dor, o que significa um certo "custo emocional" para os profissionais que 
trabalham na área. De maneira geral, a equipe de saúde sofre com o cuidado e a 
atenção às próprias dificuldades. Nesse sentido, a participação em um espaço de 
diálogo sobre questões de desempenho (supervisão, grupos de pesquisa, 
psicoterapia, publicações, congressos etc.) pode tornar seu trabalho em cuidados 
paliativos uma ferramenta valiosa para o crescimento pessoal e profissional. 
 
d. O Assistente Social 
 
As pessoas reconhecem as múltiplas necessidades dos indivíduos em 
cuidados paliativos e determinam que apenas uma área não fornecerá as respostas 
necessárias, o que sem dúvida torna inegável a busca por um trabalho eficaz nas 
equipes interdisciplinares em crescimento e consolidação. Portanto, o papel dos 
assistentes sociais na equipe de cuidados paliativos é orientado pelo trabalho com 
pacientes, famílias, redes de apoio social, organizações que organizam serviços e 
trabalham em diferentes áreas da equipe. 
Em relação à perspectiva social, buscamos primeiro encontrar-se com 
familiares, pacientes e cuidadores. É necessário mapear o perfil socioeconômico com 
informações vitais para o caso. Portanto, é importante reconhecer a família (família 
real) que vamos encontrar, não o que esperamos (família ideal). Essa conexão nem 
sempre é satisfatória: as pessoas que estão morrendo nem sempre são “amadas por 
todos”, as famílias nem sempre têm os devidos cuidados (financeiros, emocionais e / 
ou organizacionais) e o paciente não vai sempre querer ser cuidado segundo a nossa 
avaliação. 
Conhecer e compreender as limitações e possibilidades dessa família é o 
primeiro passo para um cuidado adequado, para isso, ouvir e acolher são ações 
essenciais, bem como o reconhecimento da hora certa para adotar cada método. Não 
ouviremos todas as notícias na primeira entrevista, nem perceberemos tudo no 
primeiro encontro. Portanto, é vital que os profissionais de serviço social conheçam o 
caminho e o tempo certos para coletar informações, ou o momento certo para ouvir e 
dar as boas-vindas. 
17 
 
 
 
Com relação à avaliação socioeconômica, algumas informações são essenciais 
e devem ser obtidas através da primeira abordagem: composição familiar, local de 
residência, formação, profissão e situação empregatícia do paciente, renda, religião e 
rede de suporte. Esses dados apoiarão a assistência social porque nos fornecerão 
parâmetros suficientes sobre as necessidades experimentadas pela família ou nos 
mostrarão seus mecanismos de enfrentamento: 
● Composição familiar: onde o paciente mora e em quem ele pode ou não confiar; 
esses dados nos fornecerão subsídios para ajudar os familiares a encontrar 
alternativas quando o atendimento não for suficiente para atender às necessidades 
do paciente; 
● Local de residência: De acordo com o local de residência do indivíduo, é 
necessário entender a precariedade ou suficiência das redes de suporte social e a 
dificuldade de participar de consultas ou outros procedimentos; 
● Formação, profissão e situação empregatícia do paciente: essas informações 
são essenciais, especialmente quando o paciente é o mantenedor da família; 
● Renda familiar: está intimamente relacionada ao item anterior e nem sempre 
recebe a atenção que merece na análise; portanto, deve sempre ser entendida para 
que a equipe possa fornecer parâmetros reais para requisitos e exigências futuras; 
● Religião: As crenças religiosas da família e dos pacientes fornecem subsídios 
para a morte adequada, cuidados com a vida, rituais e diferentes necessidades 
relacionadas a crenças e significados pessoais; 
● Rede de suporte social: envolve entidades (instituições, grupos formais, 
serviços) ou pessoas (parentes, amigos, vizinhos) nas quais pacientes e familiares 
podem confiar quando necessário. 
O papel dos assistentes sociais na equipe de cuidados paliativos pode ser 
resumido na compreensão de pacientes, familiares e cuidadores a partir dos aspectos 
socioeconômicos, com o objetivo de fornecer informações e orientações legais, 
burocráticas e de direitos, o que é importante para o bom andamento do atendimento 
e da saúde dos pacientes e para a garantia de morte digna. 
Cabe também ao profissional avaliar a rede de apoio social da pessoa 
envolvida, para que esta possa atuar em circunstâncias apropriadas, além de dialogar 
entre o paciente / família e a equipe sobre questões culturais e sociais envolvendo 
enfermagem Além disso, uma rede de treinamento deve ser entendida e estabelecida 
18 
 
 
para garantir um atendimento preciso ao paciente. Além disso, diante de doenças 
incuráveis e momentos especiais nos estágios finais da vida, a importância de ouvir e 
receber. 
 
e. O Farmacêutico 
 
A assistência farmacêutica em cuidados paliativos concentra-se 
principalmente em fornecer aos membros da equipe informações sobre a 
disponibilidade de medicamentos, relação às possibilidades farmacotécnicas e aos 
aspectos legais, bem como aos pacientes e familiares, quanto ao uso e ao 
armazenamento corretos dos medicamentos. 
O tratamento farmacológico de pacientes em cuidados paliativos representa 
uma possível maneira de atuação e é sinérgico com outras medidas de tratamento 
não farmacológico e trabalha com todos os profissionais envolvidos no trabalho 
relacionado a cuidados no final do ciclo de vida. A necessidade do uso de drogas 
baseia-se basicamente na dor física do paciente durante o desenvolvimento da 
doença, que é refletida pelas diferentes características da dor, levando ao 
comprometimento social, emocional e,sobretudo, limitando o indivíduo no exercício 
de suas atividades. 
Os cuidados paliativos envolvem vários tipos de tratamentos para dor e 
sintomas, e os recursos de medicamentos podem ser obtidos na rede pública através 
da assistência a medicamentos em um programa chamado "medicamentos 
excepcionais". O Programa de Medicamentos de Dispensação em Caráter 
Excepcional (PMDCE) é uma das estratégias do Ministério da Saúde (MS), que visa 
realizar o acesso do povo brasileiro a medicamentos e assistência a medicamentos 
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) na rede pública. Apesar dos esforços 
públicos de liberação dos medicamentos imprescindíveis ao tratamento da dor do 
câncer, não encontramos ações condizentes com gravidade e necessidade dos 
pacientes que padecem com dor e demais sintomas. 
Entre os pacientes com câncer avançado, cerca de 60% a 90% sentirão dor e 
o alívio da dor é possível em aproximadamente 80% dos casos, adotando-se o 
princípio básico de administrar os medicamentos de acordo com a escada analgésica 
da Organização Mundial da Saúde (OMS). Apresentar algumas sugestões especiais, 
como tomar a administração oral estritamente de acordo com o intervalo de doses e 
19 
 
 
especificar o medicamento de acordo com as necessidades de cada paciente, são os 
pré-requisitos para orientar a formulação do plano de tratamento. 
A complexidade da assistência ao paciente em cuidados paliativos significa o 
estabelecimento de uma equipe interdisciplinar que deve se unir e reunir para atender 
às necessidades dos pacientes e familiares, com o objetivo de melhorar a qualidade 
de vida e a dignidade durante a morte. A Dama Cicely Saunders, pioneira da filosofia 
em cuidados paliativos, transmitiu sabiamente a seguinte mensagem: “Não se 
preocupar em proporcionar mais dias de vida, e sim mais vida aos dias que se tem”. 
 
f. O Nutricionista 
 
Pacientes em cuidados paliativos têm pouco apetite, pouca sede e muitas 
vezes acabam rejeitando alimentos devido a sintomas como dor, náusea, vômito, 
constipação e diarréia. Além disso, eles perdem o sentido do paladar e alteram os 
processos de deglutição, digestão, absorção e excreção. Por esses motivos, as 
famílias começam a se preocupar, porque os indivíduos começaram a recusar comida. 
Devido à baixa ingestão de alimentos, os pacientes podem experimentar perda de 
peso, exaustão de tecidos magros e gordurosos e síndrome de anorexia-caquexia. 
Para os familiares, é difícil entender que o paciente está morrendo por causa 
da doença subjacente, não por falta de comida e água. O objetivo do tratamento deve 
ser melhorar a qualidade de vida, reduzir a dor e minimizar o estresse. Os desejos e 
necessidades dos pacientes devem ser atendidos. 
Analisando que o alimento exerce papel essencial na vida de todos nós, pois 
está relacionada à alegria e às lembranças agradáveis que certos alimentos nos 
trazem em nossas vidas. As alterações são graves ao longo do tempo ou o início da 
doença. No entanto, numa situação de impossibilidades, o alimento acaba sendo mais 
notado pela sua ausência ou pelas dificuldades na sua ingestão do que pela sua 
presença e o prazer proporcionados 
De acordo com a American Dietetic Association (ADA), a nutrição em cuidados 
paliativos deve proporcionar conforto emocional, prazer, ajudar a reduzir a ansiedade, 
aumentar a auto-estima e a independência, manter maior integridade e melhor 
comunicação com os familiares. O nutricionista do departamento de cuidados 
paliativos deve entender o prognóstico da doença e a expectativa de vida do indivíduo, 
quais sintomas aparecerão, o grau de reversibilidade da desnutrição e, nesses 
20 
 
 
aspectos, assim como o paciente, a família e a equipe, discutir qual terapia nutricional 
é mais adequada e avaliar riscos e benefícios. 
Antes de recomendar métodos de tratamento, os nutricionistas devem usar 
avaliações antropométricas e testes clínicos e bioquímicos para avaliação nutricional, 
entender os hábitos alimentares, preferências, aversões alimentares e aspectos 
psicossociais relacionados à dieta do para, posteriormente, realizar os diagnósticos 
nutricionais e estabelecer quais serão as condutas adotadas. O objetivo da terapia 
nutricional varia de acordo com o estágio da progressão da doença: 
● Estágio inicial: manter ou restaurar o estado nutricional e impedir a progressão 
da doença; 
● Fase final: promova felicidade e conforto, qualidade de vida e alívio dos 
sintomas. 
Dicas nutricionais para cuidados paliativos: 
● Os pacientes devem comer os alimentos de sua escolha e comer quando 
sentem vontade; 
● Respeitar os desejos do indivíduo, como não comer, comer menos ou recusar 
nutrição enteral ou parenteral; 
● Dê tempo aos pacientes para comer e preste atenção à sua ingestão; 
● Forneça uma pequena quantidade de comida; 
● Ouvir as informações dos pacientes sobre sintomas relacionados à comida; 
● Mude os hábitos alimentares, oferecendo os alimentos quando o paciente 
estiver menos fatigado, nauseado ou com menos dor; 
● Combinar diferentes métodos de alimentação - dieta oral e enteral (deve ser 
priorizada a via oral). 
Portanto, o nutricionista é um dos profissionais responsáveis por fornecer 
recursos e esclarecimentos aos pacientes e seus familiares. A capacidade de se 
comunicar é básica e tão importante quanto ter conhecimento profissional. 
Independentemente de qualquer conduta dietoterápica a ser realizada, os 
desejos do indivíduo devem ser respeitados. Além de satisfazer as necessidades 
nutricionais dos pacientes, as prescrições alimentares também devem proporcionar 
prazer e conforto. Associando isso com outras medidas, ajudará a manter a qualidade 
de vida dos pacientes em cuidados paliativos. 
A partir dessas considerações, pode-se concluir que a terapia nutricional em 
cuidados paliativos pode ser indicada e utilizada, mas as decisões relacionadas à sua 
21 
 
 
prescrição devem levar em consideração a situação clínica, prognóstico, riscos e 
benefícios da terapia proposta, os desejos do paciente e a situação enfrentada pelos 
familiares. 
 
g. O Fisioterapêuta 
 
A fisioterapia é uma ciência aplicada e seu principal objeto de pesquisa é o 
movimento humano (WCPT-Federação Mundial de Fisioterapia). Como um processo 
de tratamento, a fisioterapia usa seu próprio conhecimento e recursos, levando em 
consideração a condição social, psicológica e física inicial do paciente, e tenta 
promover, melhorar ou adaptar a condição física do indivíduo, com um relacionamento 
terapêutico que envolve o seguinte: o paciente, o terapeuta, bem como a natureza e 
os recursos físicos e naturais. Quando falamos de cuidados paliativos, é importante 
incluir a família, o ambiente, os aspectos sociais e espirituais dessa relação 
terapêutica. 
O fisioterapeuta utilizará recursos, técnicas e exercícios para estabelecer um 
plano de tratamento apropriado com base nos resultados da avaliação específica para 
aliviar a dor e outros sintomas de estresse, por meio de uma abordagem 
multidisciplinar e interdisciplinar. Oferece suporte para que os pacientes vivam de 
forma mais ativamente possível, com impacto na qualidade de vida, com dignidade e 
conforto, além de auxiliar os familiares na assistência ao paciente, no enfrentamento 
da doença e no luto. 
O plano de tratamento deve ser elaborado de acordo com a dependência e o 
progresso do paciente. Perracini divide o foco do trabalho dos fisioterapeutas de 
acordo com a função do paciente: 
 
● Pacientes totalmente dependentes: 
 Objetivo: manter a amplitude de movimento, obter uma postura confortável, 
facilitar a respiração e outras funções fisiológicas, proporcionar higiene e evitar 
complicações como úlceras de pressão, inchaço e dor nos membros. 
 
○ Posicionamento e orientação quanto às mudanças relacionadas de decúbito e 
transferências (cama-cadeira de rodas-poltrona-banheira); 
○ Mobilização totaldo paciente e orientação postural; 
22 
 
 
○ Prevenir o imobilismo e de suas consequências. Prevenção quanto à instalação 
de deformidades; 
○ Identificar os meios de locomoção do paciente e promoção de mudanças 
ambientais necessárias e possíveis; 
○ Priorizar das condições ventilatórias do indivíduo, por meio de treino e 
orientação de exercícios respiratórios, manobras que favoreçam a retirada de 
secreções, quando necessário, assim como orientações quanto à aspiração traqueal 
e ao estímulo de tosse. 
 
● Pacientes dependentes, mas tem a capacidade de andar: 
 Objetivo: manter sua mobilidade, autocuidado e função. 
 
o Mudanças de decúbito e orientações sobre transferência e postura foram 
adotadas; 
o Adaptar perdas funcionais através de novas estratégias móveis; 
o Facilitar e instruir dispositivos que auxiliam a locomoção (órteses e sapatos 
adequados); 
o Treinar marcha em casa e ao ar livre. Ambiente adequado é propício à fixação 
e obtenção de novos padrões motores; 
o Mobilização global, adequada de acordo com as condições clínicas; 
o Exercício de coordenação e equilíbrio; 
o Exercícios respiratórios e treino de tosse. 
 
● Paciente independente, mas frágil: 
 Objetivo: manter ou melhorar sua capacidade funcional. 
 
o Aperfeiçoamento de mecanismos de proteção, como proteção muscular e 
articular e facilitação de ganhos motores. Monitorar possíveis déficits de perda de 
função, como defeitos sensoriais, musculares e articulares; 
o Treinos de marcha, coordenação e equilíbrio. Orientação postural; 
o De acordo com a situação clínica, a terapia com exercícios para aumentar a 
amplitude, força e flexibilidade das articulações. Cinesioterapia respiratória; 
o Treinamento em ambientes com demandas de requisitos motores compatíveis 
com a complexidade de tarefas que desempenham no seu dia-a-dia; 
23 
 
 
o Melhorar / manter sua condição física (tolerância ao esforço físico); 
o Adaptar dispositivos de auxílio à marcha. Identificar e eliminar fatores de risco 
para quedas; 
o Referência ao centro de reabilitação ou fisioterapia ambulatorial. 
 
No controle da dor, os fisioterapeutas podem usar as seguintes técnicas: 
terapia manual, eletroterapia como TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea), 
associada ou não a fármacos, Biofeedback, termoterapia (frio e calor), exercício e 
mobilização, posicionamentos adequados e técnicas de relaxamento. A massoterapia 
(massagem terapêutica) pode ser usada para causar relaxamento muscular e alívio 
da dor, reduzir os níveis de estresse e ansiedade e reduzir alguns dos efeitos 
colaterais causados por medicamentos, como náusea e vômito. O benefício final é 
melhorar a qualidade do sono e a qualidade de vida. 
No caso de dificuldades respiratórias ou desconforto respiratório, use técnicas 
que possam ajudar a manter a permeabilidade das vias aéreas e a ventilação 
adequada, e relaxamento dos músculos acessórios da respiração, para reduzir o 
trabalho respiratório. Combine a cinesioterapia respiratória com a mobilização e 
extensão dos músculos da caixa torácica com melhora da sua complacência, em 
posturas adequadas que facilitem a ação dos músculos respiratórios (por exemplo: 
decúbito elevado que favorece a ação do diafragma) e até mesmo usar estimulantes 
respiratórios (estimulação a inspiração e expiração) e ventilação não invasiva podem 
ajudar a melhorar da ventilação. 
No caso do paciente pediátrico, ao prestar ajuda, devemos lembrar que, além 
de apresentarem características diferentes dos adultos, as crianças ainda estão em 
processo de maturidade física, emocional, cognitiva, social e espiritual, o que afeta o 
aparecimento de sintomas multidimensionais. Alterações de rotina e inatividade são 
refletidas em sua condição músculo-esquelética. É importante manter o mínimo de 
exercício possível para evitar agravar os sintomas de desconforto, como dor, 
fraqueza, falta de ar, imobilidade, acúmulo de secreções e tosse ineficaz 
Antes de escolher qualquer recurso, é preciso considerar a faixa etária, o 
desenvolvimento neuropsiquiátrico e as condições clínicas, e avaliar cuidadosamente 
as necessidades específicas de cada criança. Sempre que possível, permitir que 
crianças ou adolescentes participem da escolha do tratamento adequado, o que 
aumentará sua autonomia. Os jogos são uma ferramenta que pode fornecer às 
24 
 
 
crianças a experiência necessária em todos os aspectos do desenvolvimento. Deve-
se incentivar a participação de membros da família nas atividades propostas, nos 
cuidados e nas orientações, favorecendo a convivência entre si e aproximando-os dos 
profissionais da equipe. 
A assistência aos jovens é um enorme desafio para as equipes de cuidados 
paliativos. O foco principal desse grupo deve ser o de obter autonomia máxima, e esse 
processo deve começar o mais cedo possível. Se esse objetivo continuar até o fim, a 
equipe fará uma importante contribuição para a vida desse jovem. 
O trabalho do fisioterapeuta é desenvolver um plano de ajuda para ajudar o 
paciente a se desenvolver o mais ativamente possível e promover a adaptação ao 
esforço físico progressivo e seus efeitos emocionais, sociais e espirituais até a morte. 
 
h. O Fonoaudiólogo 
 
A terapia da fala pode ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes e 
de suas famílias. Isso é para alcançar e manter seu potencial físico, psicológico, social 
e espiritual máximo, ajudando os pacientes a entender e controlar as limitações 
trazidas pelo desenvolvimento da doença. De acordo com as observações, 60% dos 
pacientes com câncer apresentam alterações orais em estágio avançado, como: 
xerostomia (boca seca) - saliva artificial, pode ser recomendada uma dieta com baixo 
teor de açúcar, uso diário de flúor para evitar cáries e sem goma de mascar; reduza a 
higiene bucal; estomatite; úlceras de argila por candidíase; mau hálito; alterações do 
paladar; secreção excessiva de saliva - em muitos casos, o uso de gel base butilado 
pol reduz o acúmulo de saliva, principalmente na garganta. 
Esses sintomas são causados por drogas, quimioterapia, radioterapia e 
imunossupressão. Com o tempo, podem ocorrer alterações na deglutição (disfagia), 
náusea e vômito, disfagia, perda de apetite, desidratação, alterações no nível de 
consciência e alterações na comunicação. Esses aspectos, seja no início ou no final 
do desenvolvimento da doença, estão intimamente relacionados à terapia 
fonoaudiológica. Dessa forma, as "Diretrizes para cuidados paliativos" devem ser 
lembradas para garantir a redução dos sintomas e fornecer apoio aos pacientes e 
familiares. 
Diante desses sintomas, a responsabilidade do profissional é garantir 
consistência adequada dos alimentos por meio de ajuste e manipulação da postura, 
25 
 
 
fornecer uma pequena quantidade de alimentos de alta qualidade, garantir aparência 
e tamanho, manter a deglutição segura e a administração oral. Minimize a sensação 
de falha ao redor dos alimentos. Quando a disfagia piora e certos sintomas são 
mostrados), isso torna a via oral insegura. Em muitos casos, é necessário estabelecer 
uma Via alternativa (tubo naso-intestinal, gastrostomia ou jejunostomia). É 
importante lembrar que todos os objetivos possíveis são garantir o alívio dos sintomas, 
aumentar o conforto, a qualidade de vida e reduzir a dor, buscando satisfação, prazer 
e segurança para o paciente e sua família. 
Em suma, o curso de ação deve ser personalizado e vinculado ao plano de 
assistência, com o objetivo de maximizar o conforto durante a morte e trabalhar com 
a equipe interdisciplinar para respeitar os pacientes e familiares de maneira calma, 
segura e em consenso (Quadro 1). 
 
Quadro 1: Etapas para alimentação segura assistida. 
 Fonte: Oxford Nextbook Textbook of Palliative Medicine. 
 
i. O terapêuta Ocupacional 
 
“Terapia Ocupacional é um campo de conhecimento e de intervenção em 
saúde, em educação ena esfera social, que reúne tecnologias orientadas para a 
emancipação e autonomia de pessoas que, por diversas razões ligadas a 
26 
 
 
problemáticas específicas (físicas, mentais, sensoriais, sociais), apresentam –
temporária ou definitivamente – limitações funcionais e/ou dificuldades na inserção e 
participação na vida social” (Universidade de São Paulo). 
A intervenção da terapia ocupacional é de fundamental importância, porque 
mesmo que a vida diária seja muito limitada e não exista possibilidade de escolha e/ou 
ação, a vida não perderá seu significado. Durante todo o processo de trabalho, os 
terapeutas ocupacionais estão comprometidos em criar a possibilidade de expandir a 
autonomia e fazer as coisas, entendendo as atividades como atividades que podem 
trazer experiência em potencial, a fim de economizar a capacidade restante e realizar 
projetos. Toda a intervenção visa tornar permanentes atividades importantes no 
cotidiano dos pacientes e de suas famílias. 
O cuidado com a família e os cuidadores é uma parte básica indispensável da 
assistência em terapia ocupacional. O principal objetivo é instruir a equipe de 
enfermagem sobre o estímulo positivo dos pacientes e treiná-los para serem 
facilitadores para promover a independência na vida cotidiana. Ouvir e acolher as 
necessidades da família também podem desempenhar um papel nas intervenções de 
terapia ocupacional. 
Em resumo, o quadro a seguir descreve os principais objetivos da terapia 
ocupacional: 
 
Quadro 2: Objetivos em Cuidados Paliativos - Terapia Ocupacional. 
Fonte: ANCP. 
27 
 
 
Em sua prática, as atividades dos terapeutas ocupacionais incluem arte, 
expressividade, artesanato, lazer, autocuidado e outras atividades de recursos 
terapêuticos. Segundo Castro et al., esses recursos fornecem uma conexão entre o 
sujeito e seu ambiente, permitindo ampliar o viver; são enriquecedoras, permitem 
estruturar e integrar diferentes experiências, intensificando o sentimento de vida e 
potência. 
Deve-se enfatizar que, nas fases finais da vida, os terapeutas ocupacionais 
acompanharão os pacientes; há mudança no foco, tendo na organização da rotina e 
na diminuição dos estímulos um modo de propiciar conforto. Em alguns casos, ele 
pode manter suas atividades consideradas importantes, usando recursos como 
música e leitura, trazendo melhor acolhimento e conforto aos pacientes. No 
acompanhamento familiar, pode-se ajudar nas despedidas, na expressão de 
sentimentos e emoções e na abertura de novos canais de comunicação por meio de 
atividades. O monitoramento pós morte é parte integrante da assistência em terapia 
ocupacional, principalmente por meio de ligações telefônicas ou visitas de luto. 
Portanto, o desempenho da terapia ocupacional em cuidados paliativos é muito 
importante e pode construir brechas de vida, potência, criação e singularidade, em um 
cotidiano por vezes empobrecido e limitado pela doença. A vida não pode perder seu 
significado e sentido até o último momento. De fato, a dignidade do paciente deve ser 
aprimorada a partir da possibilidade de cura. Somente o trabalho em equipe pode 
fornecer ajuda de qualidade, para que os pacientes e suas famílias sejam acolhidos e 
cuidados. 
 
j. O Assistente Espiritual 
 
Com a introdução do conceito de cuidados paliativos, a OMS emitiu princípios 
claros em 1990 e reafirmou em 2002 para regular suas atividades. O atendimento de 
saúde mental atende a cada um deles e ajuda a aliviar a dor e outros sintomas de 
estresse; reafirma a vida e considera a morte como um processo natural; incorpora 
aspectos psicossociais e espirituais no atendimento; fornece sistemas de apoio para 
ajudar os pacientes a viver o mais ativamente possível até a morte; e amparando os 
membros da família durante toda a doença. 
A Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations (JCAHO, 
2005), apontou que os valores espirituais dos pacientes influenciam a forma como 
28 
 
 
eles respondem ao tratamento, incluindo um padrão de certificação que exige que as 
instituições de saúde atendam às necessidades espirituais dos pacientes. Ao falar 
sobre religião e espiritualidade, pode-se pensar na religião como relacionada a grupos 
religiosos organizados, artefatos e escrituras, regras e regulamentos, oficiais bem 
treinados, rituais e dogmas. A espiritualidade tende a ser experimentada como uma 
experiência mais calorosa e espontânea, e está associada ao amor, inspiração, 
perfeição, profundidade e mistério, e é mais pessoal. 
Para proporcionar um atendimento abrangente aos pacientes e suas famílias, 
ambos são necessários: o atendimento espiritual individual e diário trará ao enfermo 
e seus cuidadores: ouvidos atentos, condições para reflexões profundas sobre 
questões existenciais; confrontos e desafios quanto a propósito de vida, perdão, 
acerto de contas, vida eterna, qualidade e utilidade de vida. 
Como parte dos serviços médicos, a prestação de cuidados espirituais permite 
que os destinatários expressem suas emoções e sentimentos, falando abertamente 
sobre a morte e o morrer, e ajudando-o a participar de todas as decisões referentes a 
seu tratamento e aos desejos finais. Os cuidados paliativos reconhecem que, mesmo 
que a reabilitação ou recuperação física não seja possível, "reabilitação mental e 
emocional" pode ocorrer. Muitos pacientes gravemente enfermos ou doentes 
terminais falam sobre descobrir riquezas e preencher lacunas que nunca foram vistas 
na vida. 
No caso de estresse pessoal ou perda de pacientes, a equipe de saúde 
também se beneficiará muito com o apoio espiritual. Mesmo no seu trabalho diário, 
você pode encontrar maior segurança na tomada de decisões sobre questões 
bioéticas que envolvem dilemas no ciclo de vida do paciente. 
A morte atinge toda criatura, mas nunca estamos preparados para aceitá-la. 
Criados para a vida, temos a esperança da vida eterna. É por isso que é tão difícil lidar 
com pacientes que estão morrendo. Mesmo que seja quase rotina no hospital, nunca 
vamos nos acostumar. 
 
k. O Dentista 
 
A definição de cuidados paliativos dentários é o tratamento de pacientes com 
doenças progressivas ou avançadas causadas direta ou indiretamente pelos danos à 
cavidade oral, provocados pela doença ou por seus métodos de tratamento, e o foco 
29 
 
 
do tratamento é melhorar a qualidade de vida (Wiseman, 2000). A doença mais 
comum que afeta seriamente a função oral é o câncer de cabeça e pescoço, 
especialmente em estágios avançados. Esse tipo de câncer, além de despertar a 
percepção de morte, também traz o risco de sequelas funcionais e estéticas. Ademais 
da dor, a autoimagem, a socialização e a habilidade de realizar funções rotineiras, 
como mastigar, engolir e respirar, podem piorar devido ao tumor ou ao seu tratamento. 
Embora tenham sido feitos progressos, ainda é uma área que requer atenção 
para combinar as necessidades desses pacientes com problemas induzidos por 
tumores e doenças dentárias comuns (muitas das quais são infecciosas), 
comprometendo ainda mais sua saúde. Instruir pacientes e cuidadores e discutir 
esses aspectos com uma equipe multidisciplinar os ajudará a se integrar nesta 
importante área da saúde. 
 
Figura 4: Consequências da Xerostomi. 
 Fonte: ANCP - Manual de Cuidados Paliativos. 
 
Pacientes em cuidados paliativos têm graves limitações funcionais e graves 
danos orais, principalmente quando doenças entram na cavidade oral, como câncer 
de cabeça e pescoço. Nesse caso, os sintomas habituais pioram e nem sempre 
podem ser curados, portanto, atenção e cuidados especiais são necessários. Os 
sintomas orais mais comuns são dor, sangramento, feridas abertas, infecções 
oportunistas, disfagia, boca seca, desnutrição, desidratação, perda de apetite, 
caquexia e desfiguração. As secreções de pacientes submetidos à traqueotomia 
também podem prejudicar a comunicação verbal, levando a disfunçãooral e dor. Dor, 
30 
 
 
úlceras, sangramento e trismo são os sintomas mais importantes do câncer bucal 
avançado. O tratamento inadequado ou a falta de tratamento podem causar 
desconforto e comprometimento nutricional, prejudicando ainda mais a qualidade de 
vida desses pacientes. 
É necessário detectar a presença de doenças bucais, como raízes infectadas 
ou doença periodontal, pois isso pode agravar as condições de saúde. Para minimizar 
as complicações orais, a prioridade é adaptar a higiene bucal para manter a saúde 
bucal, reduzir a irritação e os danos nos tecidos e melhorar o conforto. A capacidade 
do paciente de cuidar de si mesmo deve ser avaliada para desenvolver métodos 
alternativos para melhorar a escovação dos dentes, incluindo indicações específicas 
para escovas de dentes, pastas e enxaguatórios bucais que devem ser fornecidos aos 
pacientes e seus cuidadores. As escovas de dentes extra-macias são mais macias 
aos tecidos orais do que as escovas de dentes convencionais e devem ser usadas 
em conjunto com pasta de dentes sem lauril sulfato de sódio para evitar irritação ou 
agravamento da descamação da mucosa oral. 
Depois de uma minuciosa avaliação do doente, deve-se aplicar uma sequência 
de cuidados que melhorem preventiva ou curativamente sua condição de saúde. Nas 
Figuras 2, 3 e 4, uma sugestão de protocolo para Cuidados Paliativos orais. 
 
Figura 5: Esquema da sequência de cuidados orais preventivos, curativos e paliativos em pacientes 
sob Cuidados Paliativos. 
 Fonte: ANCP - Manual de Cuidados Paliativos. 
 
31 
 
 
Figura 6: Esquema da sequência de cuidados orais preventivos, curativos e paliativos em pacientes 
sob Cuidados Paliativos. 
 Fonte: ANCP - Manual de Cuidados Paliativos. 
 
Figura 7: Esquema da sequência de cuidados orais preventivos, curativos e paliativos em pacientes 
sob Cuidados Paliativos. 
 Fonte: ANCP - Manual de Cuidados Paliativos. 
 
Quanto à cavidade oral, várias melhorias melhoraram a qualidade de vida. O 
controle de infecções é essencial para evitar complicações locais ou sistêmicas. O 
tratamento sintomático e os cuidados tópicos, como higiene bucal e limpeza de 
feridas, podem ajudar a reduzir a dor, o desconforto e as infecções oportunistas. 
Trata-se de uma área profissional que envolve geriatria, oncologia e dor. 
32 
 
 
O dentista ainda carece de formação em dor bucal e facial e experiência na 
prestação de serviços a esses pacientes, mas vem despertando gradativamente a 
necessidade de integração em uma equipe multiprofissional. consciência. 
Especialistas, incluindo cuidados paliativos. Espera-se que essa integração permita 
que os pacientes se beneficiem de novas terapias e cuidados no futuro
33 
 
 
CONCLUSÃO 
 
O luto é o estágio final da intervenção da equipe, portanto, surge a dúvida a 
respeito de quando ele termina. Parks diz que o processo de luto está terminado 
quando uma pessoa completa a fase final do luto de restituição, em que uma pessoa 
pode reinvestir suas emoções na vida e no viver. Worden explica que o luto está 
terminado quando suas respectivas tarefas são completadas. Quando você pensa 
em uma pessoa que se amou e se perdeu, sempre há um sentimento de tristeza, 
mas essa é outra tristeza sem manifestações físicas, como o choro intenso. 
O que se observou é que os humanos não estão preparados para a finitude. 
Somos apresentados a um mundo que celebra o nascimento em vez da morte. Os 
ritos da morte da cultura ocidental esclareceram a experiência da morte. A morte de 
outra pessoa faz com que enfrentemos nossa própria vida e nossa própria morte, 
causando desconforto, ansiedade e dor. Visto que a morte é o estágio final do ciclo 
vital, somos forçados a prestar muita atenção à qualidade de vida e às relações 
interpessoais. 
Nesse sentido, os cuidados paliativos representam o resgate de tratamentos 
preciosos, proporcionando aos pacientes e suas famílias espaço para sobrevivência 
e morte, e os pacientes e suas famílias são considerados atores ativos no processo 
de cooperação com a equipe de saúde. Nesse caso, é possível legitimar os desafios 
inerentes ao estágio final da vida e da morte. 
“Não existe amor sem perda. E não existe a superação da perda sem alguma 
experiência de luto. Não ser capaz de vivenciá-la é ser incapaz de entrar no grande 
ciclo da vida humana de morte e renascimento – ser incapaz, isto é, de viver 
novamente” (Lifton, 1975, apud Walsh & Mcgoldrick, 1998). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
Academia Nacional de Cuidados Paliativos. Manual de cuidados paliativos. Rio de 
Janeiro: Diagraphic; 2009. 
 
Andrade L. A Atuação do Serviço Social em Cuidados Paliativos. In: Academia 
Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). Manual de cuidados paliativos. São Paulo: 
ANCP; 2009. p. 221-223. 
 
Brasil. Resolução CFM Nº 1973, de 14 de julho de 2011. Dispõe sobre a nova 
redação do Anexo II da Resolução CFM Nº 1.845/08, que celebra o convênio de 
reconhecimento de especialidades médicas firmado entre o Conselho Federal de 
Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Comissão Nacional de 
Residência Médica (CNRM). Diário Oficial da União 2001; 1 ago. 
 
FRANCO, M. H. P. Luto em cuidados paliativos. In: Cuidado paliativo. São Paulo: 
CREMESP, 2008. 
 
Furtado AM, Souza SRO, Ramos JS, Ferreira MCA. O enfermeiro frente ao paciente 
fora de possibilidade terapêutica: dignidade e qualidade no processo do morrer. Rev 
Enferm. Global 2011;10(22):1-8. 
 
Kardec, A. O livro dos Espíritos. Editora Petit. São Paulo, 2001. 
 
PARKES, C. M. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. São Paulo: Summus, 
1998. 
 
Mota MS, Gomes GC, Coelho MF, Lunardi WD, Souza, LD. Reações e sentimentos 
de profissionais da enfermagem frente à morte dos pacientes sob seus cuidados. 
Rev Gaúcha Enferm 2011;32(1):129-135. 
 
Rodrigues IG. Cuidados Paliativos: Análise de conceito [dissertação]. Ribeirão 
Preto: Universidade de São Paulo; 2004. 
 
Saporetti, L. A.; Silva AMOP. Finitude – Apectos Éticos, Religiosos e Espirituais. 
Capítulo do Livro Geriatria e Gerontologia Básicas (no prelo). 
 
WALSH, F.; McGoldrick, M. Morte na família: sobrevivendo às perdas. (C. O. 
Dornelles, Trans.). Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 
 
WORDEN, W. W. Terapia do luto: um manual para o profissional de saúde mental. 
2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 
 
 
 
 
 
 
 
 
35

Mais conteúdos dessa disciplina