Prévia do material em texto
HIDRÁULICA I Mestrado Integrado em Engenharia Civil Hidrostática (2) Hidrostática. Impulsões sobre superfícies planas. Impulsões sobre superfícies curvas. Princípio de Arquimedes 2 ▪ Impulsão hidrostática (ou impulsão) ▪ Impulsão sobre superfícies planas ▪ Impulsão sobre superfícies curvas ▪ Princípio de Arquimedes Conteúdo da Aula 3 ▪ No caso geral, um conjunto de forças de pressão hidrostática distribuídas sobre uma superfície pode ser substituído por um sistema equivalente constituído por uma força e um momento (ou binário). ▪ Quando este sistema equivalente pode ser reduzido a uma força única e é possível eliminar o binário, esta força denomina-se por impulsão hidrostática ou, simplesmente, impulsão, . ▪ Isto só acontece em: Impulsão hidrostática (ou impulsão) superfícies planas (sistemas de forças paralelas) calotes esféricas (sistemas de forças concorrentes) corpos imersos ou flutuantes (forças com resultante vertical pelo princípio de Arquimedes) superfícies cilíndricas delimitadas por secções planas, normais às geratrizes, mergulhadas num único fluido p. 51 4 ▪ Tem uma distribuição de pressões uniforme p em toda a área de contacto com o fluido S ▪ Módulo a força de pressão: ▪ Direção e sentido da força de pressão: o normal ao plano, do exterior para o plano. ▪ Ponto de aplicação o No centroide (centro geométrico) da superfície plana. Impulsão sobre superfícies planas horizontais p Área, S = pS 5 ▪ a superfície plana de traço AB submersa num líquido. ▪ o plano que contém a superfície AB interseta o plano da superfície livre do líquido no eixo Ox; ▪ estes planos fazem, entre si, um ângulo . ▪ a distância do centroide da superfície AB ao eixo Ox é y0. ▪ a distância da superfície elementar de área S a Ox é y Impulsão sobre superfícies planas não horizontais p. 52 6 ▪ A pressão na superfície elementar na superfície S é ▪ O módulo da força elementar é ▪ O módulo da impulsão na superfície AB é (integração) ▪ Atendendo a que a coordenada y0 do centroide da superfície AB obedece à condição ▪ vem Impulsão sobre superfícies planas não horizontais =d dF p S = = senp h y ( ) = d sen dF y S ( ) = = d sen d S S F y S = sen d S y S fluido homogéneo e incompressível = 0d S y S Sy = 0sen y S = 0 h S ou = 0p S sendo p0, a pressão no centroide da superfície e S, a área da superfície. sendo , o peso volúmico do fluido, h0, a profundidade no centroide da superfície e S, a área da superfície ( )= 0 seny S = F p S vindo p. 53 7 ▪ A determinação da coordenada Y do ponto de aplicação da impulsão é feita através da igualdade de momentos provocados, em relação a Ox, pelas pressões que atuam em S e pela impulsão resultante ▪ Donde vem Impulsão sobre superfícies planas não horizontais = d S Y y F = 2sen d S y S ( )= sen d S y y S momento de inércia da superfície plana em relação a Ox: Ix = senθ xY I = sen xIY = 0 sen sen xI y S ▪ De acordo com o teorema de Lagrange-Steiner, o momento de inércia Ix relaciona-se com o momento de inércia da superfície plana em relação ao eixo GG’ que passa pelo centroide e é paralelo ao eixo Ox, IG: = + 2 0x GI I Sy ▪ donde + = 2 0 0 GSy I Y Sy = +0 0 GIY y Sy = 0 ' GIy Sy Distância entre o centro de impulsão e o centroide (o centro de impulsão situa-se abaixo do centroide) sendo IG, o momento de inercia da superfície plana em relação a um eixo perpendicular à reta de maior declive do plano que passa no centroide da superfície plana = 0 xIY y S ( ) =d sen dF y S p. 54 8 Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Momentos de inércia IG tabelados p. 554 9 ▪ A distância X do centro de impulsão ao eixo Oy pode ser determinada recorrendo ao mesmo método – igualdade de momentos – com que se definiu a distância Y. Vem: ▪ Donde vem Impulsão sobre superfícies planas não horizontais ▪ No caso de superfícies simétricas em relação a Oy, o produto de inércia é nulo, pelo que X = 0, ou seja, o centro de impulsão situa-se no eixo de simetria. = = d sen d S S X x F xy S = 0 d S xy S X Sy Oy X p. 54 10 Impulsão sobre superfícies planas não horizontais = 0 h S sendo , o peso volúmico do fluido, h0, a profundidade no centroide da superfície e S, a área da superfície 0 0 GIY y Sy = + = 0 ' GIy Sy sendo IG, o momento de inercia da superfície plana em relação a um eixo perpendicular à reta de maior declive do plano que passa no centroide da superfície plana p. 53-54 11 Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Caso particular: superfície rectangular com dois lados horizontais ▪ O módulo da força elementar na área elementar S é ▪ O módulo da impulsão sobre o retângulo é ▪ A impulsão é igual ao produto da largura b do retângulo pela resultante do diagrama de pressões ao longo da linha de maior declive. Este diagrama é linear e as pressões nas extremidades são dadas por p1 = h1 e p2 = h2, assim: ▪ A posição Y do centro de impulsão corresponde, necessariamente, à posição do centroide do diagrama de pressões. Demonstra-se que: = F p S = F pb y = = 2 1 d d y S y F b p y ( ) ( ) + + − = − = = − 2 21 2 1 2 2 1 2 1 2 1 2 2 sen 2sen p p h h h h b y y b b h h ( )− = + 2 1 2 1 2 ' 12 h h y h h Método do diagrama de pressões p. 55 12 Impulsão sobre superfícies planas não horizontais = 0 h S sendo , o peso volúmico do fluido, h0, a profundidade no centroide da superfície e S, a área da superfície 0 0 GIY y Sy = + = 0 ' GIy Sy sendo IG, o momento de inercia da superfície plana em relação a um eixo perpendicular à reta de maior declive do plano que passa no centroide da superfície plana p. 53-54 13 Problema 2.4 14 Problema 2.4 p. 84 20 Exemplo 2.9 p. 64 23 Um recipiente de forma cúbica, fechado, com 1 m de aresta, contém, até meia altura, um óleo de densidade 0,85, sendo a pressão do gás contido sua metade superior pg = 7 kPa. Admitindo que a pressão do gás é constante, determine: a) A impulsão total sobre uma das faces laterais do recipiente. b) A posição do centro de impulsão na mesma face. Exemplo 2.7 (se houver tempo) Enunciado p. 59 24 ▪ a) A impulsão total sobre uma das faces laterais. o A situação descrita traduz-se no diagrama de pressões indicado o A pressão na base do recipiente é dada por: o A impulsão total na face vem: Exemplo 2.7 Resolução b g oleo oleop p d h= + 7000 0,85 9800 0,5= + 11165 Pa= 1 1gp h b = 1 2 = + 1 2 ,7000 0 5 1= =h1 =h2 2 2 2 g bp p h b + = , 7000 11165 0 5 1 2 + = ,4541 25N= 3500 N= ,8041 25N = 25 ▪ b) A posição do centro de impulsão o Para a resolução desta alínea é mais fácil decompor o diagrama de pressões na parte retangular e triangular indicadas o A parte rectangular do diagrama de pressões ▪ Impulsão: ▪ Posição do centro de impulsão = centro da face o A parte triangular do diagrama de pressões ▪ Impulsão (= impulsão total – impulsão ’) ▪ Posição do centro de impulsão = 1/3 da altura do triângulo Exemplo 2.7 Resolução ’ = 21 ’’ =h1 z0 1' 2 2 3500 7000 N = = = '' ' 8041,25 7000 1041,25 N = − = − = o A distância do centro de impulsão ao fundo é obtida por ponderação dos centros de impulsão com os valores da impulsão associados às áreas retangular e triangular do diagrama de pressões: ' '' 0 ' '' ' '' z z z + = + 7000 0,5 1041,25 0,5 / 3 8041,25 + = 0,457m= 26 ▪ Forças sobre superfícies curvas ▪ Princípio de Arquimedes ▪ Impulsão sobre um corpo mergulhado na interface de dois líquidos Superfícies curvas e princípio de Arquimedes 27 ▪ Para determinar o módulo e a linha de ação da impulsão sobre uma superfície curva é conveniente calcular primeiro as respetivas componentes vertical e horizontal e adicioná-lasvectorialmente. ▪ Considere-se a superfície AB que verifica a condição de bijeção com as respetivas projeções vertical, Sv, e horizontal, Sh Analise-se a superfície elementar de área S ▪ Esta superfície é atuada pela uma força de pressão: ▪ A componente horizontal desta força é: em que é área da projeção da superfície S no plano vertical. ▪ Na área infinitesimal Sv atua a força: Impulsão sobre superfícies curvas Sv Sh h v = F h S ( ) = = senh VF h S h S = senvS S = d dh vF h S Componentes horizontal e vertical p. 61 28 ▪ O módulo da componente horizontal da impulsão é o integral de dFh na totalidade da superfície AB ▪ Esta equação mostra que componente horizontal da impulsão numa superfície curva é igual: o à impulsão na superfície vertical projetada Sv: o ou seja, ao produto da pressão no centroide da superfície projetada pela respetiva área: Impulsão sobre superfícies curvas Sh = dh hS F = dh vS h S constante p=hA = 0h vh S sendo h0 é a distância entre a superfície livre e o centroide da superfície plana vertical projetada e Sv é a respetiva área. = 0h vp S = vh S = dh vS h S = d dh vF h S Sv Sv Componente horizontal Sv Sv 0 h0 y' CI p=hB p. 62 29 ▪ Esta equação mostra que componente horizontal da impulsão numa superfície curva é igual: o à impulsão na superfície vertical projetada Sv: ▪ Sendo Sv a área da superfície projetada plana, a linha de ação da componente horizontal da impulsão pode ser obtida por Impulsão sobre superfícies curvas Sh p=hA Sv Sv Componente horizontal = 0 ' GIy Sy Sv Sv 0 h0 y' CI substituindo S por Sv e y0 por h0. p=hB = 0h vh S p. 62 30 Impulsão sobre superfícies curvas Componente vertical ▪ O módulo da componente vertical da força elementar de pressão é: o sendo a área da secção transversal do prisma de líquido situado acima da superfície elementar de área S ▪ Como o volume do prisma elementar é =hSh, tem-se ▪ O módulo da componente vertical da impulsão é dado por: ( ) = = cosv hF h S h S = coshS S = v hF h S = vF = = v d em que é o volume situado por cima da superfície curva (i.e., o volume limitado pela superfície curva, pelas geratrizes verticais definidas ao longo do contorno da superfície curva e pela superfície livre do líquido) Sh v 0CI p. 63 31 Impulsão sobre superfícies curvas Componente vertical ▪ O módulo da componente vertical da impulsão é dado por: ▪ O valor da componente vertical da impulsão é igual ao volume situado verticalmente entre a superfície livre e a superfície AB multiplicado pelo peso volúmico do líquido. ▪ A sua linha de ação passa pelo centroide do referido volume de líquido (se líquido único) ou no centro de gravidade do volume (se vários líquidos). = = v d em que é o volume situado por cima da superfície curva (i.e., o volume limitado pela superfície curva, pelas geratrizes verticais definidas ao longo do contorno da superfície curva e pela superfície livre do líquido) Sh v 0CI p. 63 32 Problema 2.7 33 Problema 2.7 38 ▪ Sempre que não se verifique a condição de bijeção entre uma superfície curva e as respetivas projeções, a superfície curva deve ser decomposta em trechos que verifiquem aquela condição, nos quais se aplicam os resultados aqui obtidos. ▪ A impulsão sobre a superfície resulta da soma vetorial das impulsões parcelares Impulsão sobre superfícies curvas Componentes horizontal e vertical Exemplo 2.11 Há pontos da superfície projetada que têm dois pontos associados da superfície curva Divisão da superfície em duas partes, de modo que cada uma verifique a condição de bijecção p. 64 39 Problema 2.6 40 Problema 2.6 p. 85 43 ▪ O princípio de Arquimedes estabelece que um corpo imóvel completamente mergulhado num fluido homogéneo recebe deste uma impulsão vertical, de baixo para cima, igual ao peso do volume de fluido deslocado. Princípio de Arquimedes = = G G ’ = G G Três situações de equilíbrio G são as indicadas na figura. Determine: a) O valor da impulsão total na tampa circular. b) A densidade mínima do corpo cúbico para que a tampa se encontre em equilíbrio estático Problema 2.10 Enunciado 53 Outros problemas 54 Problema 2.9 55 O cilindro retém uma massa de água parada com altura h = r = 2 m. (a) Calcule a força, F, por unidade de comprimento a aplicar no eixo do cilindro para que este não se desloque horizontalmente por rolamento. (b) Calcule a densidade mínima do cilindro para que este não se desloque verticalmente. Problema 2.9 Enunciado = = 2h r 56 a) Cálculo da força, F, por unidade de comprimento o A impulsão horizontal no cilindro (por unidade de comprimento) é: o Admite-se que no ponto onde o cilindro assenta no pavimento apenas existe reação vertical. o As únicas forças horizontais a que o cilindro está sujeito nesta situação são a impulsão horizontal e a força F. o Por equilíbrio das forças horizontais, Problema 2.9 Resolução = 0h vh S ( )= 9800 1 2 h h ( )= 9800 1 2 h h = = 2h r =19600 N h 0HF = + 19 600 NhF = =0hF − = N H=0 57 b) Cálculo da densidade mínima do cilindro, dmin, para que este não se desloque verticalmente. o A impulsão vertical no cilindro (por unidade de comprimento) é: sendo o volume de líquido situado por cima da superfície curva o O peso do cilindro é Problema 2.9 Resolução = = 2h r c cG = ( )2 1cd r= 123 150,4 Ncd= G v v = ( ) = 2 1 4 r = 22 9800 4 = 30 787,6 N o Na situação limite (associada a dmin), a reação normal é nula. o Por equilíbrio de forças verticais, tem-se: 0vF =+ min30 787,6 123 150,4 0d− =0v G − = min 0,25d = N=0 Slide 1: Hidrostática (2) Slide 2: Conteúdo da Aula Slide 3: Impulsão hidrostática (ou impulsão) Slide 4: Impulsão sobre superfícies planas horizontais Slide 5: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 6: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 7: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 8: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 9: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 10: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 11: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 12: Impulsão sobre superfícies planas não horizontais Slide 13 Slide 14: Problema 2.4 Slide 20: Exemplo 2.9 Slide 23: Exemplo 2.7 (se houver tempo) Slide 24: Exemplo 2.7 Slide 25: Exemplo 2.7 Slide 26: Superfícies curvas e princípio de Arquimedes Slide 27: Impulsão sobre superfícies curvas Slide 28: Impulsão sobre superfícies curvas Slide 29: Impulsão sobre superfícies curvas Slide 30: Impulsão sobre superfícies curvas Slide 31: Impulsão sobre superfícies curvas Slide 32 Slide 33: Problema 2.7 Slide 38: Impulsão sobre superfícies curvas Slide 39 Slide 40: Problema 2.6 Slide 43: Princípio de Arquimedes Slide 44: Princípio de Arquimedes Slide 45: Princípio de Arquimedes Slide 46: Princípio de Arquimedes Slide 47: Princípio de Arquimedes Slide 48 Slide 49: Problema 2.10 Slide 53 Slide 54 Slide 55: Problema 2.9 Slide 56: Problema 2.9 Slide 57: Problema 2.9