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Construindo Pontes: A Extensão Universitária nas Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
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UNIDADE 3
CONSTRUINDO PONTES: A EXTENSÃO 
UNIVERSITÁRIA NAS CIÊNCIAS 
HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS
INTRODUÇÃO
Nesta unidade você terá a oportunidade de observar de que forma a extensão está 
ligada às Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e os desafios que o mundo nos coloca 
nesta área, explorando seu papel na compreensão dos fenômenos sociais e na busca 
por soluções para estes desafios enfrentados pela sociedade. 
Você perceberá que neste contexto, as Ciências Humanas conversam de forma fluida 
com outras ciências no intuito de auxiliá-las no processo de compreensão de mundo e 
no enfrentamento dos problemas sociais.
No segundo tópico, irá se deparar com a discussão sobre os Direitos Fundamentais 
e Sociais, uma conquista da sociedade na busca de reduzir as disparidades sociais e 
econômicas, sua importância e a garantia desses direitos para a promoção da justiça 
social e como elas são tratadas para o alcance do desenvolvimento social.
O terceiro tópico trará a discussão sobre a sustentabilidade, sua importância e a análise 
das problemáticas relacionadas ao modo de produção e consumo que nos trouxeram a 
discutir com veemência e porque se trata de um aspecto crucial para nossa existência. 
Vamos tratar também como gerar práticas sustentáveis voltadas para o desenvolvimen-
to regional e local, explorando suas diversas facetas.
E, por fim, no quarto e último tópico, um vislumbre da análise do papel da universidade 
como catalisadora do desenvolvimento socioeconômico através da extensão em Ciên-
cias Humanas.
1. AS CIÊNCIAS HUMANAS E OS DESAFIOS ENFRENTADOS 
PELA SOCIEDADE
O mundo moderno é desafiador e acompanhá-lo exige habilidades e competências 
cada vez mais complexas, seja pelas mudanças tecnológicas, sociais e políticas apre-
sentadas às nossas vidas e ao ambiente de trabalho, impondo-se de forma mais curta a 
cada revolução científica e de conhecimento, seja pelo entendimento das relações entre 
ser humano e tecnologia; ser humano e máquina; e entre seres humanos.
Podem-se apontar como desafios para a sociedade problemas gerados pelo capita-
lismo como o modo de produção que repercute em muitas esferas com os problemas 
ambientais que ameaçam a sobrevivência do planeta e das espécies aqui viventes; a 
migração e a mobilidade humana; as desigualdades sociais, de gênero, de raça dadas 
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por um histórico secular e cultural; as diferenças culturais; além do crescimento econô-
mico como forma única de riqueza.
Todos esses temas e muitos outros têm instigado o conhecimento humano e o conceito 
de humano, assim como o entendimento, a interpretação dessa situação e a proposição 
de soluções ou mitigações.
As transformações nas condições históricas e sociais que sustentam nossa existência 
têm impactado nossa autocompreensão, moldado nossas representações sociais e cul-
turais e influenciado a forma como nos engajamos politicamente e participamos da so-
ciedade. Essas mudanças têm provocado alterações significativas em nossas práticas 
de pesquisa e ensino, assim como nos processos educativos associados.
Diante desses desafios, as Ciências Humanas e Sociais Aplicadas assumem um papel 
central. São elas que nos ajudam a interpretar o impacto dessas mudanças nos indiví-
duos e nas sociedades, oferecendo as ferramentas para analisar criticamente o mundo 
à nossa volta e desenvolver uma visão ampla e integrada da realidade. Por meio de 
pesquisas e práticas que investigam o comportamento humano, as estruturas sociais 
e as dinâmicas culturais, essas ciências promovem o entendimento das condições que 
moldam a experiência humana e orientam a formulação de soluções e políticas públi-
cas, assim como sua reavaliação. Além disso, elas permitem questionar os modelos 
estabelecidos, incluindo o próprio conceito de progresso e desenvolvimento, propondo 
alternativas que contemplem a diversidade social, cultural e econômica.
Omobowale, Akanle e Busari (2023) enfatizam que a base ideológica das políticas públi-
cas está concentrada na teoria e na prática metodológica das Ciências Sociais quando 
possibilita a explicação da sociedade, da governança e do comportamento humano, 
bem como indica as ferramentas para implementá-las. 
Por meio de pesquisas sobre as desigualdades estruturais e barreiras sociais, permitem 
maior conhecimento fornecendo dados e conhecimento teórico e empírico para a formu-
lação de políticas que buscam enfrentar e mitigar as disparidades sociais e econômicas. 
Áreas como a Sociologia, a Antropologia, o Direito e a Economia ajudam a compreender 
a relações humanas, as relações de poder, as desigualdades sociais e a marginalização 
que acabam por influenciar o acesso a direitos básicos, mas ao mesmo tempo trazem 
alento ao propor possíveis soluções embasadas em dados, conhecimento histórico e 
análises rigorosas.
A estrita e importante parceria entre as Ciências Humanas e outras áreas de conhe-
cimento trouxe avanços inequívocos ao entendimento das desigualdades para os im-
pactos e consequências de sua existência em uma sociedade, gerando conhecimentos 
que abrangem desde estudos linguísticos, de identidade e de relações materiais e suas 
induções de estratificação social (Staines et al., 2024).
Com relação à sustentabilidade, fornecem insights sobre os comportamentos humanos, 
consciência ambiental, altruísmo, empatia que promovem uma prática sustentável. Em 
um estudo publicado pelo Environmental Education Research, Kollmuss e Agyeman 
(2002), discutem que para entender as práticas sustentáveis se deve levar em conta 
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Construindo Pontes: A Extensão Universitária nas Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
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as várias áreas do saber social. Não somente modelos econômicos, psicológicos ou 
sociais vistos isoladamente conseguem explicar, mas uma junção destes permitem en-
tender as motivações e percepções das comunidades em relação ao meio ambiente. 
De acordo com Cesco, Moreira e Lima (2014, p. 57) 
[...] em questões sociais e tecnocientíficas, a exemplo das atuais discussões 
em torno do meio ambiente e desenvolvimento, certamente há dimensões 
políticas, técnicas, culturais e interrelacionais que só serão percebidas e res-
pondidas quando ultrapassarmos as barreiras disciplinares.
Completam ainda com a discussão de que disciplinas que trabalham questões concretas, 
práticas e materiais devem conversar com aquelas que trabalham questões não palpá-
veis, conceituais e imateriais, pois consideram utópico o conceito de ciência neutra. 
A Economia como ciência não se desvincula da história, da política, da matemática 
e das questões culturais em sua análise. Assim como essas mesmas contextualiza-
ções englobam os saberes da Administração na construção e aprimoramento de seus 
modelos de gestão. As Ciências Contábeis, ao lidar com os dados do patrimônio das 
organizações. O Direito, no estudo da adaptação das normas às relações sociais e da 
Pedagogia ao estudar os processos de ensino e aprendizagem (Michaelis, 2024).
Faz parte do cerne das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas essa visão interdiscipli-
nar e a apropriação de outras ciências para se aprimorar constantemente.
Desta forma, ajuda a moldar uma sociedade mais inclusiva e sustentável por pos-
sibilitar a orientação ao desenvolvimento de estratégias de intervenção que consi-
derem as complexidades regionais, culturais e econômicas, promovendo uma visão 
integrada das necessidades humanas e ecológicas, colocando-se como ferramenta 
essencial para o enfrentamento dos desafios contemporâneos com políticas públi-
cas baseadas em evidências.
2. A GARANTIA DE DIREITOS FUNDAMENTAIS PARA A 
REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES
A partir das chamadas revoluções burguesas ocorridas no século XVIII, principalmente 
a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos, decorrem os direitos 
naturais que concernem à liberdade natural dohomem, findando o poder absolutista 
(Fonte, 2021).
Os Estados que se formaram a partir das Revoluções Burguesas representam a origem 
dos sistemas democráticos hoje conhecidos, fundados oficialmente no final do século 
XVIII como Estados Democráticos de Direito, de onde o poder político deve emanar a 
vontade popular.
As constituições, como conjuntos de leis escritas pela vontade do povo, estabeleceram 
e oficializaram os governos moderados e vinculados aos direitos fundamentais, mas 
que ainda precisariam evoluir em associar às liberdades, os direitos sociais aos menos 
favorecidos, que até então não eram reconhecidos como direitos públicos, portanto, 
fora da gestão pública (Fonte, 2021).
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Mas o constitucionalismo histórico somente nascerá, como marco e promessa, nos 
anos de 1917 com a constituição do México e em 1919 com a constituição de Weimar. 
Estabeleceram seu aparecimento como aparato legislativo, mas não prático e concreto, 
pois não chegaram a ser reconhecidos como “[...] verdadeiros direitos subjetivos exigí-
veis em face do Estado” (Fonte, 2021, p. 30). 
Apenas após a Segunda Guerra Mundial que os direitos sociais, assim como os direitos 
fundamentais, são tornados efetivos, ligados à noção do Welfare State inglês em sua 
expressão mais comum do Estado de Bem-Estar Social, que garante padrões mínimos 
de saúde, educação, seguridade social e renda aos cidadãos.
Sobre o Estado de Bem-Estar Social, suas origens, antecedentes históricos, seu auge e 
crise, leia em “Estado de bem-estar social – História e crise do Welfare State” em Sociologia 
UOL, texto de Renato Cancian.
Disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/sociologia/estado-do-bem-estar-
-social-historia-e-crise-do-welfare-state.htm. Disponível em: 05 nov. 2024.
SAIBA MAIS
Interessante ressaltar que as iniciativas e os marcos de inserção constitucional dos 
direitos fundamentais, e posteriormente dos direitos sociais, se estabelecem em fa-
ses de crises econômicas graves e sucessivas como em 1873, 1929 e o pós-guerra, 
de forma que a carência, desemprego e problemas econômicos estruturais. De forma 
atual, Fonte (2021) discute que os desafios impostos pelo mundo moderno perfazem a 
necessidade ainda mais urgente e atual das proteções e garantias dos direitos funda-
mentais e sociais, como as mudanças nos cenários econômicos globais, as mudanças 
no mercado de trabalho e as novas tecnologias.
2.1 DIREITOS FUNDAMENTAIS E SOCIAIS
Os direitos fundamentais estabelecem um conjunto de normas que exigem do Estado 
as garantias que, por meio de leis, atos administrativos e de bens e serviços públicos, 
irá disponibilizar ao uso e a possibilidade de uso do cidadão, garantindo, uma vida digna 
de forma coletiva à sociedade.
Promulgada em 5 de outubro de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil 
representou um avanço na escrita legislativa, além de símbolo da luta democrática, 
ficou conhecida como a “Constituição Cidadã” por apresentar avanços nos direitos e 
garantias para o povo brasileiro, além de permitir a expressão e organização da so-
ciedade e consolidar o Estado Democrático de Direito com “[...] cláusulas essenciais à 
manutenção e ao fortalecimento da democracia” (TSE, 2024, [n.p.]).
Na Constituição Federal do Brasil, estes direitos fundamentais são contemplados do 
artigo 5º ao 17º e os sociais nos artigos 6º ao 11º.
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Entende-se por direitos fundamentais, “[...] disposições declaratórias, o que significa 
que são prerrogativas reconhecidas pelo Estado como válidas”, portanto, uma norma, 
reconhecida pelo Estado em lei (Fachini, 2024).
A inviolabilidade dos direitos fundamentais é a garantia da relação de liberdade entre 
indivíduo e o Estado e representam cláusulas pétreas, isto é, não podem ser alteradas 
por qualquer mecanismo legislativo ou suprimidos.
Na Carta Magna, os direitos estão assim divididos:
 ` Direitos individuais e coletivos (artigo 5º);
 ` Direitos sociais (artigo 6º ao 11º);
 ` Direitos de nacionalidade (artigos 12º e 13º);
 ` Direitos políticos (artigos 14º ao 17º).
Assim, abrindo o Título II – Dos direitos e garantias fundamentais, Capítulo I – Dos direi-
tos e deveres individuais e coletivos, está o artigo 5º que diz que “[...] todos são iguais 
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e es-
trangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, 
à segurança e à propriedade [...]” (Brasil, 1988, [n.p.]).
E logo no Capítulo II – Dos direitos sociais, diz o artigo 6º “São direitos sociais a educa-
ção, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, 
a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desampa-
rados, na forma desta Constituição” (Brasil, 1988, [n.p.]).
Os direitos sociais totalizam doze que, teoricamente, todos os brasileiros devem ter 
acesso, incluindo no direito ao trabalho, o direito ao emprego, como trabalho subordi-
nado (Franco Filho, 2020). 
Discutiu-se, através de um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 19/2010 de autoria 
do Senador Cristóvão Buarque, a inclusão no artigo 6º o direito à busca da felicidade, 
inspirado por vigorar em constituições de países orientais e constante no preâmbulo da 
Declaração de Independência dos Estados Unidos de 1776, figurando “[...] que todos os 
homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, 
que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade” (Franco Filho, 2020, 
[n.p.]), assim como destacado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Infelizmente 
foi arquivado em 2015 com o fim da legislatura. Entende-se que é o direito maior de 
todos, fazendo dos demais direitos essenciais para a busca da felicidade.
Esses direitos se configuram como o alicerce para uma sociedade justa ao garantir que a 
sociedade como um todo acesse o mínimo necessário para que possa viver com dignidade.
2.2 O DESENVOLVIMENTO SOCIAL
É paradoxal que o Brasil figure entre as maiores economias do mundo em termos de 
resultado de geração de produção e renda (PIB); esteja presente em fóruns interna-
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cionais e em discussões de agendas positivas entre os maiores e mais importantes 
países com uma presença proeminente; tenha uma constituição considerada avançada 
com relação aos direitos sociais e ainda assim, em 2022, apresentasse 3,5% de sua 
população extremamente pobre, o que significa que, entre os países do G20 (grupo das 
19 maiores economias do mundo, além da União Europeia), fica com a segunda pior 
posição, atrás apenas da Índia que possui uma taxa de 12,9%, enquanto que França e 
Estados Unidos apresentam, respectivamente, uma taxa de 0,1% e 0,2% (IBGE, 2024).
Essa condição, segundo o critério do Banco Mundial, estabelece que pobre é aquele 
que possui um ganho de até US$ 6.85 e extremamente pobre quem vive com menos 
de US$ 2.15, portanto abaixo da linha da pobreza, que é a linha de referência para 
definição das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da 
ONU (Acosta, 2022).
A maioria dessas pessoas não acessa um atendimento de qualidade aos serviços pú-
blicos de saúde e de assistência social, vivendo em condições precárias de habitação, 
sem acesso a saneamento básico, portanto mais sujeitas a risco de morte. A situação se 
agrava quando isolamos as áreas rurais, onde mais de um terço dessa população, cer-
ca de 38,7%, vivia abaixo da linha de pobreza nacional (que é de um ganho de US$ 5,50 
diário), uma vez que na área urbana o índice é de 15,3% da população (Nalin, 2024).
Desta forma, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente ao tentar transportar todo 
arcabouço legislativo do papel às efetivas condiçõesreais da população, buscando de 
forma ampla a justiça social. 
A justiça social também é um princípio fundamental estabelecido pela Constituição Fe-
deral de 1988. Diz no Título VII – Da ordem econômica e financeira, Capítulo I – Dos 
princípios gerais da atividade econômica, artigo 170 que “[...] a ordem econômica, fun-
dada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar 
a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social” e no Título VIII – Da 
ordem social, Capítulo I – Disposição geral, o artigo 193 que “A ordem social tem como 
base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais” (Brasil, 
1988, [n.p.]).
A justiça social em seu entendimento amplo está associada à garantia de qualidade de 
vida à toda população, portanto é o objetivo último dos direitos fundamentais e sociais.
O acesso às garantias mínimas de dignidade integral é uma preocupação mundial ilus-
trada pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, programa das Nações Unidas 
com 17 objetivos propostos para serem alcançados até 2030 pelas nações como um 
“[...] apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima 
e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prospe-
ridade” (Nações Unidas Brasil, 2024, [n.p.]).
O objetivo 10 traz como tema a redução das desigualdades, em um mundo onde a 
desigualdade de renda aumentou 11% acima do crescimento populacional nas últimas 
décadas. Ilustrada pela concentração de renda que denota, segundo dados da ONU, 
que os 10% mais ricos concentram 40% da renda global e os 10% mais pobres detêm 
apenas entre 2% e 7% dessa renda (Nações Unidas Brasil, 2024).
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Assegurar a justiça social, portanto, o acesso aos seus direitos fundamentais é o ponto 
de partida para que as desigualdades não aumentem. O acesso à educação e saúde 
de qualidade permitem que pessoas em diferentes condições possam almejar competir 
em condições mais justas. Dizem Scalon e Salata (2016, p. 179) que “[...] a elevação da 
renda, a superação da pobreza extrema, a criação de empregos formais e a ampliação 
educacional estabeleceram patamares mais elevados de condições de vida”.
Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia em 1998 por suas contribuições para as te-
orias do bem-estar social e da escolha social, em seu livro Desenvolvimento como 
Liberdade (2010), pondera sobre uma amplificação do conceito de desigualdade para 
além das discussões que circundam a renda, uma vez que as privações aparecem na 
participação política e de voz, na comunicação, na vulnerabilidade à violência e na 
carência de poder. Defende que o desenvolvimento não deve ser visto apenas como 
crescimento econômico, mas como um processo de expansão das liberdades, sendo 
passível de existir quando as capacidades se ampliam e quando as pessoas podem 
fazer o que desejam fazer e o que desejam ser, sendo um meio para alcançar seus 
direitos fundamentais e básicos.
O debate livre e democrático auxilia as pessoas a entenderem seus objetivos e evita-
rem preconceitos, assim a sociedade, por si mesma, pode decidir o que deseja e qual 
o limite do seu desenvolvimento, auxiliando o governo a entender o que é necessário e 
qual o delineamento das políticas públicas em favor dessa sociedade.
Portanto, as políticas públicas que promovam a justiça social, capacitando pessoas e 
que valorizem o fortalecimento democrático rumarão no sentido do desenvolvimento e 
inclusão social, permitindo mobilidade social e diminuindo desigualdade.
2.3 A REDUÇÃO DA DESIGUALDADE COMO OBJETIVO DOS 
DIREITOS SOCIAIS
Um indicador que tenta se aproximar de um conceito qualitativo para o desenvolvimento 
humano é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), calculado a partir de critérios de 
saúde, educação e renda per capita. Seu valor pode variar de 0 a 1, sendo que quanto 
mais próximo de 1, maior é o nível de desenvolvimento. É divulgado anualmente pelo 
PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
Foi criado em 1990 pelos economistas Amartya Sen (Índia) e Mahbub ul Haq (Paquis-
tão) no intuito de reforçar a caracterização do desenvolvimento como um indicador qua-
litativo e humano e não somente quantitativo econômico, como é considerado o Produto 
Interno Bruto (PIB), como medida de riqueza financeira dos países.
Embora o IDH seja um indicador genérico do desenvolvimento de um país, disponibiliza 
possibilidades de atuação de organismos multilaterais (como Banco Mundial, por exem-
plo), via agendas públicas ou planos comuns para grupo de países, ou do próprio governo 
local através de implementação de políticas públicas no intuito de melhorar qualidade de 
vida, leia-se nesse aspecto, melhorar o acesso aos direitos fundamentais e sociais.
De certa forma, a existência desse indicador possibilitou um parâmetro de análise exter-
na e interna sobre o desempenho das políticas públicas, como mostram os debates em 
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comissões do Senado Federal, buscando avaliar as atuações dos diversos ministérios 
em favor da melhora dos parâmetros que compõem o indicador (TVSenado, 2024).
Entre 193 países, divulgado em março de 2024, mas levantado em 2022, o Brasil ocupa 
a posição 89 com índice de 0,760, estando um pouco acima da média mundial de 0,739, 
mas atrás do Chile (posição 44), Argentina (posição 48) e Uruguai (posição 52). Lideram 
o ranking, a Suíça em primeiro lugar (0,967), seguida por Noruega (0,966) e Islândia 
(0,959) (PNUD, 2024).
O IDH brasileiro tem apresentado incrementos desde que foi criado, partindo de um ín-
dice de 0,620 em 1990, com grandes avanços na primeira década dos anos 2000 (0,722 
em 2010), com o maior índice alcançado em 2019 de 0,764.
Segundo o próprio PNUD (2024), a estagnação do Brasil na última década se deve às 
dificuldades de dar continuidade às políticas públicas, prejudicando o desempenho em 
educação e saúde. O mundo, embora mais rico, apresenta um aumento na fome e na 
pobreza, portanto está mais desigual.
Para apresentar otimismo, o Brasil tem instrumentos para que tais avanços visualizados 
desde 1990 possam se perpetuar. Um deles e objeto de constante observação das ins-
tituições democráticas que nos compõem como federação, é a Constituição Federal de 
1988 que, ao ser construída como Constituição Cidadã pode ser um instrumento forte 
para alavancarmos avanços nos direitos sociais, a partir da força social para que tais 
letras sejam efetivas.
O investimento em educação como forma de diminuir as desigualdades é o caminho 
que nos apontam as experiências distribuídas pela história, como o da Coreia do Sul, 
ampliando seu acesso e melhorando os índices de qualidade, funcionando como um 
“trampolim” social e permitindo uma equalização das oportunidades a partir do ponto 
de partida, uma vez que um maior índice educacional está correlacionado com maior 
qualificação, maior produtividade e, consequentemente, maior renda (Ferreira, 2024).
Saiba como a Coreia do Sul conseguiu se tornar um exemplo de desenvolvimento econômico e 
social estando na década de 1960 no atual patamar de desenvolvimento do Afeganistão e cin-
quenta anos depois muda sua história, principalmente a partir do seu investimento em educação.
Coreia do Sul – Destino: Educação. Canal Futura. 
Disponível em: https://youtu.be/MCzggm56cKs?si=YwEMlxMwoT2FQU1B. Disponível 
em: 05 nov. 2024.
SAIBA MAIS
Estudo realizado pela FGV EESP em parceria com a Fundação Lemann, mostra que o 
crescimento econômico está associado positivamente com a qualidade da educação, 
refletindo aumentos entre 1 e 2,2 pontos percentuais ao ano no PIB per capita, isto é, na 
produtividade da mão de obra, sendo o capital humano um dos fatores que ajuda a ex-
plicar as diferenças de crescimento econômico entre países (Fundação Lemann, 2023). 
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O desafio, mas que não deixa de ser importante e urgente, é que o retorno desse tipo de 
investimento demanda pelo menos uma geração e, para sanar deficiências prementes 
são importantes e necessárias outras políticas públicas de atendimento mais imediato.
São chamadas de políticas públicas de compensação, uma vez que têm como foco 
atender pessoas que vivem em situação precária ou em vulnerabilidade, pois se faz 
necessária uma ação direta do Estado no intuito de assegurar os direitos e combater 
diretamente as desigualdades sociais e econômicas.
Os Programas de Transferência Condicionada, como o Bolsa Família, são exemplos de 
programas que transferem renda diretamente para as famílias em situação de pobreza 
e estabelecem condicionantes como frequência escolar das crianças e sua vacinação, 
por exemplo, para que acessem a renda. Ao mesmo tempo que auxilia no combate à 
pobreza, melhora o acesso a direitos básicos como saúde e educação.
Programas de acompanhamento de saúde, como o Estratégia Saúde da Família (ESF) in-
corpora o atendimento na atenção básica, provendo acesso via busca ativa e de orienta-
ção da população, cumprindo um papel preventivo e de ação direta de acesso ao serviço.
A Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012) representa um avanço no combate à exclusão so-
cial e étnica como uma lei afirmativa na educação brasileira que pretende democratizar 
o acesso ao ensino superior e técnico, buscando corrigir falhas históricas.
A correção no caminho do desenvolvimento social brasileiro é complexa e deve ser com-
posta de políticas conjunturais, que amenizem o quadro de vulnerabilidades sociais, e estru-
turais, que ajudem a refazer o alicerce social. Essa complexidade se dá pelas múltiplas di-
mensões de suas causas, uma vez que essa situação se prolongou devido a vários fatores 
estruturais acumulados ao longo destes 500 anos de história: a escravidão, a concentração 
da estrutura agrária, o processo industrial baseado no capital e não na mão de obra, a falta 
do investimento em educação e qualificação do trabalho, política fiscal regressiva e injusta, 
o crescimento econômico sem distribuição e pelo desemprego e a precarização do trabalho.
Por esses motivos, a sociedade brasileira é estratificada e sua mobilidade é rígida, sen-
do dificultado o processo de mudança de classe social, mas é um processo contínuo, 
principalmente nos dias em que vivemos com forte concentração do capital em termos 
mundiais, crises econômicas e geopolíticas.
No entanto, a construção de uma sociedade mais justa que permita acesso a elementos 
básicos e dignos para sobrevivência são essenciais para a melhor qualidade de vida de 
todos. A inclusão e mobilidade social dos excluídos permite um maior crescimento e de-
senvolvimento econômico pelo aumento da renda e distribuição, mas também fortalece 
um dos pilares para o combate das desigualdades que é a democracia.
3. A SUSTENTABILIDADE E AS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
O Relatório Brundtland (1991), resultado da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente 
e Desenvolvimento das Nações Unidas de 1987, apresentou conceitos que se tornaram 
importantes e que, desde então, são alicerces para as discussões das questões socio-
ambientais tratadas a partir desse marco.
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Sustentabilidade e contexto regional
Nosso Futuro Comum, como ficou mundialmente conhecido, propôs ações que pudes-
sem conciliar o desenvolvimento econômico com o bem-estar social e a preservação 
do meio ambiente. A sustentabilidade ambiental pode ser definida como a capacidade 
de atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações 
futuras em atender suas próprias necessidades.
Mas, antes de aprofundarmos nas práticas para desenvolvimento regional e local, va-
mos pensar um pouco sobre o nosso comportamento e o comportamento dos ecossis-
temas e, se da forma que vivemos, conseguimos alcançar a sustentabilidade.
3.1 O QUE É SUSTENTABILIDADE
A ideia de haver desenvolvimento e concomitantemente haver conservação pode soar 
estranha para muitos. Isto denota o pensamento usurpador que foi plantado em nossa 
consciência como resultado de um longo processo histórico. 
Entende-se a ideia de crescimento econômico como sendo a existência de uma produ-
ção cada vez maior (um PIB em patamares elevados), uma movimentação do comércio 
mundial em grande escala, um consumo condizente ao que se produz e assim por 
diante.
Mas essa sociedade realmente estaria em “desenvolvimento”? 
Pelo lado material-financeiro, pode-se dizer que há crescimento, mas não desenvolvimento. 
Agora que resolvemos o problema da produção, dizem, alguma vez tivemos 
uma vida tão boa quanto agora? Não estamos melhor alimentados, melhor 
vestidos, melhor alojados que nunca e melhor educados? Claro que esta-
mos: a maioria - mas de forma alguma todos - nos países ricos. Mas isso 
não é o que entendo por ‘substância’. A substância do homem não pode ser 
medida pelo Produto Nacional Bruto. (Schumacher, 1981, p. 17) 
Uma sociedade é próspera quando permite que a geração atual tenha boas condições 
de vida, não pressionando o ambiente em que vive, dando condições para que as ge-
rações futuras também possam aproveitar dos recursos que hoje existem, mantendo a 
variedade e a produtividade da natureza.
Entende-se por desenvolvimento sustentável uma forma de relacionamento do ser hu-
mano/natureza e ser humano/sociedade em que não se busquem vantagens levando 
ao prejuízo de qualquer outra espécie atual ou futura.
O atual modo de produção humana, o capitalismo, desde há muito buscou incessante-
mente o crescimento, o aumento da produção para que esta se tornasse capital. Este 
sistema trabalhou e trabalha sob uma base quantitativa, e o que foge desse âmbito é 
ineficiente, pois não gera excedente financeiro, sendo o que sustenta toda sua estrutura. 
O ambiente natural já nos mostra outro lado, pois sua busca primeira é por qualidade 
através de todos os seus ciclos energéticos, com o equilíbrio entre a energia solar en-
viada e sua transformação pelas plantas (através da fotossíntese); os ciclos da água; 
os ciclos químicos (nitrogênio, carbono); e o ciclo de vida e morte, onde a morte de um 
indivíduo propicia a vida de outro, mas estritamente equilibrado, fazendo com que sua 
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produção não exceda o consumo e não acarrete perturbações aos decompositores. 
Este emaranhado de relações é estritamente firmado na qualidade, procurando o bene-
fício dos seres que aqui vivem.
O ser humano com o modo de produção vigente não se preocupou em respeitar os 
ciclos naturais, influenciando o tempo natural, biológico e geológico, substituídos pelo 
tempo do capital (particularmente financeiro) que é o agora, o curto prazo. Assim subor-
dinou a qualidade à quantidade.
Quando falamos de desenvolvimento sustentável, temos que considerar não 
só os aspectos materiais e econômicos, mas o conjunto multidimensional e 
multifacetado que compõe o fenômeno do desenvolvimento; os seus aspec-
tos políticos, sociais, culturais e físicos. A sustentabilidade do todo só pode 
repousar na sustentabilidade conjunta de suas partes. Estes fatores e os 
seus respectivos equilíbrios repousam sobre fatores qualitativos, com o são 
os graus de coesão e harmonia social, questões como cidadania, alienação, 
valores éticos e morais, o grau de polarização social e política, os valores da 
sociedade e o nível entrópico do sistema. (Stahel, 1995, p. 4)
Desta forma, percebe-se que o mecanismo do mercado trabalha unilateralmente bus-
cando a efetivação de lucros, o incremento material e financeiro (o quantitativo) e o 
meio ambiente trabalha pelo equilíbrio, pela frugalidade e pela baixa entropia. Então 
como buscar o desenvolvimento sustentável em tal sociedade, como fazer a junção? 
Nossas bases estruturais nos traem quando buscamos novamente reencontrar o equi-líbrio. O raciocínio acerca de um novo sistema ou uma tomada de consciência pode ser 
a esperança de uma mudança.
Morin (1977, p. 25) irá nos ajudar:
O que dizia Machado: Caminante no hay camino, se hace camino al andar. O 
método só pode formar-se durante a investigação; só pode desprender-se e 
formular-se depois, no momento em que o termo se torna um novo ponto de 
partida, desta vez dotado de método. Nietzsche sabia-o: ‘Os métodos vêm no 
fim’ (O Anticristo). O regresso ao começo não é um círculo vicioso se a viagem, 
como hoje a palavra trip indica, significa experiência, donde se volta mudado. 
Então, talvez tenhamos podido aprender a aprender a aprender aprendendo. 
Então, o círculo terá podido transformar-se numa espiral onde o regresso ao co-
meço é, precisamente, aquilo que afasta do começo. Foi precisamente isto que 
nos disseram os romances de aprendizagem de Wilhelm Meister a Siddharta. 
Desta forma, se coloca o desafio de, com as nossas ações, provocarmos um reencontro 
com a nossa natureza e interligá-la com o meio em que vivemos e nos acolhe. Plantar-
mos ações de respeito mútuo e de interligação nos fará novamente uma espécie digna 
de fazer parte do conjunto.
3.2 A SUSTENTABILIDADE NO CONTEXTO REGIONAL E LOCAL
Em 1992 o Brasil sediou uma conferência global inspirada pelo Relatório Brundtland de 
1987, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, 
também conhecida como Rio-92 ou Eco-92, abrindo novamente um ciclo de discussões 
amplas e globais acerca da sustentabilidade ambiental depois de um longo período, 
desde 1972 em Estocolmo. 
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A Rio-92 vai cunhar a frase que marca o pensamento ambiental dali em diante, a ne-
cessidade de práticas locais para efeitos globais, isto é, “pensar globalmente e agir 
localmente”. Partir da conscientização, da educação e de práticas sustentáveis são 
essenciais para enfrentar os desafios que a conduta de uso e exploração do planeta 
trouxe como consequências vividas atualmente e agravada para esta e para as próxi-
mas gerações se nenhuma ação de mudança aconteça.
Dentre os principais resultados da Rio-92 temos a Agenda 21, como instrumento de 
planejamento de ações locais e globais; a oficialização do conceito de desenvolvimento 
sustentável; e a pauta da necessidade de ações para uma mudança de visão de um 
modo de produção baseado no crescimento econômico sem levar em conta o equilíbrio 
ecológico e social.
Abre-se, então, um caminho de discussões sobre sustentabilidade que se seguem, com 
ênfase as discussões também do IPCC (Painel Intergovernamental sobre a Mudança 
do Clima) desde 1988. 
Para conhecer mais sobre o IPCC (Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima), 
suas discussões, grupos de trabalho e seus relatórios, acesse a página do Ministério da Ci-
ência, Tecnologia e Inovações.
Disponível em: https://antigo.mctic.gov.br/mctic/opencms/ciencia/SEPED/clima/cien-
cia_do_clima/painel_intergovernamental_sobre_mudanca_do_clima.html. Disponível 
em: 05 nov. 2024.
SAIBA MAIS
Neste contexto, a Agenda 21, inaugura uma série de planejamentos e grupos de traba-
lho nas prefeituras dos municípios brasileiros na busca de sua aplicação, adaptada aos 
problemas do espaço público mais próximo às pessoas.
Gustavo Krause, como gestor público, menciona que o 
[...] poder municipal é o mais humanizado dos poderes da República. As 
carências têm cara de gente. Andam, falam, respiram, têm corpo e alma. [...] 
No Município, o mundo é nossa casa, a família, a rua, o bairro. Depois vem 
a cidade, a nação, o estado e o mundo. (Noblat, 2020, [n.p.])
Desta forma, cabe ao contexto local e, em seguida ao regional, aplicar e, principalmen-
te, adaptar políticas e práticas para conciliar e equilibrar as atividades econômicas dos 
cidadãos à necessidade da proteção ambiental, sem esquecer da equidade social. 
Não é possível engendrar um manual dessas políticas e práticas de forma direta, mas 
apenas orientativo, uma vez que as características geográficas e ambientais, tipos 
de atividades econômicas desenvolvidas e os fatores culturais serão extremamente 
relevantes para o desenvolvimento de um posicionamento mais sustentável, dado que 
essas novas formas de agir devem ser viáveis no longo prazo e sejam soluções que 
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partam da decisão ativa da comunidade, facilitando seu envolvimento e sustentabilidade, 
sem correr o risco de serem abandonadas no meio do caminho, como são aquelas que 
partem de decisões em níveis superiores e são aplicadas por força de lei, não refletindo 
a vontade e a necessidade popular.
Nessas ações, a proteção ambiental é fundamental para a qualidade de vida das co-
munidades. Ela se reflete no desenvolvimento das atividades econômicas, na gestão 
dos resíduos, no estímulo ao uso e geração de energias renováveis, o estímulo à ma-
nutenção e criação de áreas comuns de proteção ambiental, além de novas práticas de 
construção mais sustentáveis através do plano diretor construído e ordenado para tal.
Em nível local e regional, as atividades econômicas sustentáveis devem promover as 
atividades locais, impulsionando-as de forma a respeitar os ciclos de produção, levado 
em conta uma das questões-chaves da economia que é a eficiência. Eficiência produti-
va no intuito de gerar um melhor uso dos recursos, diminuindo as perdas, uma vez que 
essas perdas representam também maiores custos. Eficiência ambiental e melhores 
formas de gerar a produção também levam a um menor uso de recursos naturais e 
menor descarte.
As parcerias com instituições de ensino superior, com agências governamentais e ser-
viços privados como o SEBRAE para promover capacitação de empresários e traba-
lhadores locais são essenciais para uma nova forma de fazer e, a partir dela, promover 
o desenvolvimento e a competitividade dos negócios. Permite viabilizar um alicerce de 
investimentos em novas tecnologias que contribuam ao ramo da tecnologia verde, em 
expansão no país.
Para tanto, o apoio público e privado local, no incentivo a micro, pequenas e médias 
empresas é o caminho para o fortalecimento de negócios locais que, historicamente, 
são os que mais geram empregos em níveis nacionais, promovendo a expansão da 
inclusão, geração e circulação de renda local, contribuindo para o seu espraiamento, 
contrário à problemática de sua concentração totalmente nociva à justiça social.
Com destaque para uma nova forma de pensar a economia, a Economia Circular, ques-
tiona a linearidade do sistema produtivo baseado na extração – produção – distribuição 
– consumo – descarte, cujo produto é o lixo, problema sério enfrentado pelo mundo todo 
e está no cerne da sociedade do consumo.
Segundo a Ellen MacArthur Foudation (2024, [n.p.]) “[...] na economia atual, nós reti-
ramos materiais da Terra, fazemos produtos a partir deles e, no final, os descartamos 
como resíduos – o processo é linear. Em contraste, na economia circular, evitamos 
produzir resíduos desde o início” (Figura 01).
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Figura 01. Economia Linear
Fonte: adaptada de https://ideiacircular.com/economia-circular/. Acesso em: 02 nov. 2024.
“O lixo é um erro de design”, é uma frase amplamente mencionada e discutida nos 
meios da Economia Circular, desde o Fórum Econômico Mundial, fundações internacio-
nais, órgãos governamentais, academia, coletivos e ONGs vinculadas ao tema. Preten-
de voltar a atenção ao funcionamento do ambiente natural que não produz lixo, apenas 
a espécie humana apresenta este subproduto de suas atividades.
A ideia da Economia Circular (Figura 02) se baseia na prática de eliminar os resíduos 
desde o início da cadeia produtiva, circular os produtos aproveitando de forma inteli-
gente os recursos, reutilizando e reparando, fazendo com que os resíduos se tornem 
nutrientesem novos processos, auxiliando a regenerar a natureza, enfrentando as mu-
danças climáticas e a perda de biodiversidade.
A circulação dos recursos propõe eliminar o conceito de lixo através dos fluxos cíclicos 
e do conceito do berço ao berço, repensando o design dos processos produtivos (Ideia 
Circular, 2024).
Uma forma de entender melhor o conceito de Economia Circular é a animação “Economia 
Circular: Re-pensando o Progresso” produzida pela Fundação Ellen MacArthur com o artista 
Luke Stenzhorn no canal da Ideia Circular
Disponível em: https://youtu.be/OWxy4PXq2pY?si=fv7d6xxodyXpwjcv. Disponível em: 
05 nov. 2024.
SAIBA MAIS
RECURSOS 
NATURAIS
MATÉRIA 
PRIMA MANUFATURA DISTRIBUIÇÃO USO / 
CONSUMO DESCARTE
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Figura 02. Economia Circular
Fonte: adaptada de https://ideiacircular.com/economia-circular/. Acesso em: 02 nov. 2024.
USO / CONSU
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RECURSOS NATURAIS
A sustentabilidade aplicada ao desenvolvimento regional e local é algo além da simples 
preservação ambiental. Fortalece uma visão integrada de pertencimento da comunida-
de ao meio, conscientizando que a saúde ambiental é parte da saúde e da qualidade de 
vida das pessoas em seus aspectos econômicos e sociais, prezando pela construção 
de um futuro melhor.
4. A PONTE DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COM O 
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
É importante relembrar o papel das Universidades como instituições que não só geram 
conhecimento, mas também têm um papel importante na geração de soluções práticas 
para problemas sociais e econômicos e essa contribuição se dá a partir de três dimen-
sões: o ensino, a pesquisa e a extensão. Esta última cumprindo um papel essencial 
para criação de soluções conjuntas para os problemas que se colocam no dia a dia da 
população. Através dela, os estudantes podem aplicar o que foi desenvolvido em sala 
de aula e aprender a vivenciar as problemáticas e a construção conjunta de soluções.
A parceria com governos municipais, estaduais e federal, ONGs e setor privado é um 
elemento importante de como a ação extensionista pode incluir os agentes sociais e 
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econômicos para potencializar a efetiva ação e subsequente melhoria no desenvolvi-
mento local e regional.
4.1 CONTRIBUIÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
São várias as áreas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas que podem atuar na 
extensão universitária trazendo contribuições excelentes para o desenvolvimento socio-
econômico local e regional.
Em nível educacional, pode-se atuar na disponibilização de cursos e programas de 
capacitação para o mercado de trabalho, observando as características e atividades 
desenvolvidas regionalmente, as necessidades e a avaliação da inclusão social, sem 
perder de vista os pilares de estímulo ao desenvolvimento sustentável no desenvolvi-
mento econômico.
O olhar sobre programas de tecnologia e inovação são oportunidades ímpares no im-
pulso da formação de uma mão de obra mais qualificada e passível de maior renda, 
contribuindo para o crescimento e desenvolvimento econômico local.
Os programas de Empreendedorismo e Inovação Social representam um novo aspec-
to de empreendedorismo que não foca no empreendimento convencional voltado às 
vendas e ao lucro, mas em negócios que podem ser replicados e que a ideia de lucro 
é reaplicada no investimento voltado à melhoria e crescimento do negócio para fazer 
diferença na vida das pessoas, transformando o cenário de vulnerabilidade econômica, 
social e cultural.
O papel da extensão nesse ramo é se apresentar como incubadora e aceleradora de 
startups, fornecendo espaço, mentoria, capacitação e/ou intermediação para captação 
de recursos financeiros, suporte operacional, aprimoramento do modelo de negócios e 
a geração de uma rede de contatos, entre outros aspectos de suporte que podem ser 
gerados (TOTVS, 2024).
Na área da saúde, as Ciências Humanas podem contribuir para analisar as desigualda-
des e promover ações voltadas à equidade com a redução de barreiras aos atendimen-
tos e ao acesso ao serviço de saúde incentivando, com a abordagem, a participação 
das comunidades com senso de pertencimento e responsabilidade. A comunicação e 
o feedback para a comunidade geram confiança e mobilização na disseminação de 
informações importantes para uma maior inclusão e acesso a estes serviços. A organi-
zação do atendimento e da documentação representa também um ganho efetivo nas 
estruturas de atendimento.
O olhar crítico na análise e avaliação de projetos sob o ponto de vista econômico, admi-
nistrativo, social e ambiental podem representar um diferencial em projetos que envol-
vam as áreas técnicas da área de exatas, observando o uso por pessoas e contextos 
socioeconômicos diferentes.
Em projetos de extensão, a abordagem multidisciplinar acrescenta riqueza de detalhes 
e de aspectos a serem analisados, consequentemente os resultados serão mais sólidos 
em seus objetivos.
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É desafiador realizar a extensão universitária, pois não depende apenas da universida-
de, de seus estudantes ou professores, mas de parcerias eficazes, do engajamento da 
comunidade e, muitas vezes, de financiamento para que o projeto ocorra.
Podemos encontrar diversos exemplos de projetos de extensão nas universidades bra-
sileiras e representam verdadeiras pontes de saber com as comunidades. Nas palavras 
de Sousa Santos (2004, p. 55) “[...] a extensão pode contribuir decisivamente para fazer 
emergir uma universidade de proximidade [...]”, onde a riqueza entre os saberes se 
desenvolve nas concepções do humano e da vivência. 
CONCLUSÃO
No contexto da extensão, as Ciências Humanas e Sociais Aplicadas desempenham 
um papel extremamente importante, pois oferecem ferramentas para compreensão dos 
fenômenos sociais e a constante busca por solucionar os desafios contemporâneos. 
A interconexão das áreas e a facilidade pela interdisciplinaridade são primordiais para a 
análise dos problemas sociais, permitindo explorar sua abrangência e propor soluções 
mais eficazes.
No alinhamento para solução de problemas, o alcance dos Direitos Fundamentais e 
Sociais representa um avanço para o requerimento e exigência da efetivação desses 
direitos para a redução das desigualdades e a construção de uma sociedade com mais 
justiça social para o alcance de um ser humano pleno em seus direitos, capaz de gerar 
um futuro melhor para a sociedade.
A busca por uma sociedade mais justa perpassa o desenvolvimento sustentável aplica-
do no contexto regional e local. A reinclusão do ser humano como parte de um contexto 
natural permite o olhar com mais consciência para todas as suas ações no meio, sejam 
elas econômicas ou sociais. 
A Universidade, através da extensão universitária, pode representar um papel de agen-
te catalisador do desenvolvimento socioeconômico através da ponte entre o conhe-
cimento e a comunidade, solucionando problemas locais, promovendo práticas mais 
sustentáveis e de inclusão social.
Ao compreender a complexidade do ser humano transportamos o conhecimento para o 
campo da ação, transformando a realidade e construindo um futuro mais equitativo e justo. 
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