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Teoria da Pena 
 
“DA SANÇÃO PENAL E PENAS” 
 
 
Definição de Pena 
Pena: é a retribuição imposta pelo Estado em razão da prática de um ilícito penal e 
consiste na privação ou restrição determinada pela lei, cuja finalidade é a readaptação 
do condenado ao convívio social e a prevenção em relação à prática de novas infrações 
penais. 
 
 
TEORIAS DA PENA 
1ª Abolicionismo penal: movimento para descriminalização e despenalização, evitando 
encarceramento, a pretexto de castigar ou promover a sua recuperação; 
2ª Direito penal máximo: finalidade de punir a infração mínima a fim de não se tornar 
algo mais grave, sem haver limites para aplicação de penas; 
3ª Garantismo penal: sistema equilibrado de aplicação na norma penal, com atuação 
nas infrações mais graves, abolindo delitos de menor potencial ofensivo, respeitando o 
devido processo legal. 
. 
4ª Direito penal do inimigo: separa as pessoas de bem das pessoas consideradas 
inimigos (terroristas, crimes sexuais, criminosos organizados entre outros). Não 
aplicação das mesmas garantias fundamentais. As punições são severas, inclusive 
desproporcionais à gravidade do delito. Separar aqueles que estão em constante 
“guerra” com o Estado. 
PERGUNTA-SE ? 
Qual seria a opção melhor para o Brasil? 
 
. 
R: Seria o garantismo penal. Sistema equilibrado, com a intervenção mínima do estado 
nos conflitos da sociedade, porém quando o fizer deve ser feito com eficiência e 
severidade, sem gerar impunidade, restaurando a confiança no direito penal. 
 Espécies de Penas admitidas 
Art. 5º da CF: 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
privação ou restrição da liberdade; 
perda de bens; 
multa; 
prestação social alternativa; 
suspensão ou interdição de direitos; 
 
 
 Espécies de Penas vedadas 
Art. 5º da CF: 
XLVII - não haverá penas: 
de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
de caráter perpétuo; 
de trabalhos forçados; 
de banimento; 
cruéis; 
 
 
 Pena de Morte 
 
 
A pena de morte é admitida pelo ordenamento jurídico brasileiro? 
 
 
 Pena de Morte 
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso 
Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, 
e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional; 
 
 
 Pena de Morte 
É admitida somente em caso de guerra declarada pelo Presidente da República, nos 
termos do art. 55 e seguintes do Código Penal Militar e a forma de execução encontra-
se no art. 707 do Código de Processo Penal Militar. 
 
 Pena de Morte: Código Penal Militar 
Penas principais 
Art. 55. As penas principais são: 
morte; 
reclusão; 
detenção; 
prisão; 
impedimento; 
suspensão do exercício do pôsto, graduação, cargo ou função; 
reforma. 
Pena de morte 
Art. 56. A pena de morte é executada por fuzilamento. 
 
Pena pérpetua: Limite das Penas 
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser 
superior a 40 (quarenta) anos. (alteração pela lei 13964/19) 
 
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja 
superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo 
deste artigo. (alteração pela lei 13964/19) 
 
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-
se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido. 
Trabalho do Preso 
Lei de Execução Penal: 
“Art. 31. O condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na 
medida de suas aptidões e capacidade. 
Parágrafo único. Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser 
executado no interior do estabelecimento.” 
O preso condenado que se recuse a trabalhar, pode ser forçado? 
 
 
 
 
 
Trabalho do Preso 
Art. 5º da CF: XLVII - não haverá penas: 
c) de trabalhos forçados; 
 
Portanto, o preso condenado, que se recusa a trabalhar, não pode ser forçado, ao 
contrário, há um incentivo da lei, como o direito de remição da pena, pois a cada 3 dias 
de trabalho abate 1 dia na condenação. 
 
 
 
 
Banimento 
O banimento ou desterro é uma medida jurídica pela qual um cidadão perde direito à 
nacionalidade de um país, passando a ser um apátrida (a não ser que previamente 
possua dupla-cidadania de outro país). 
O banimento foi usado com frequência pela ditadura militar brasileira, como método de 
repressão política, para punir dissidentes políticos e guerrilheiros que cometessem 
crimes contra a segurança nacional, como sequestro de diplomatas estrangeiros e luta 
armada nas cidades e em áreas rurais. 
 
 
 
 
Penas cruéis 
As penas cruéis são aquelas cumpridas em regime degradante ou desumano, não sendo 
admitidos açoites, como chicotadas, marcações com ferro a brasa, tortura, etc. 
 
 
 
 
 
Finalidade da pena 
Existem 3 teorias que procuram explicar as finalidades da pena: 
Teoria absoluta ou da retribuição: a finalidade da pena é punir o infrator pelo mal 
causado à vítima, aos seus familiares e à coletividade. 
Teoria relativa ou da prevenção: a finalidade da pena é a de intimidar, evitar que delitos 
sejam cometidos. 
Teoria mista, unificadora ou conciliatória: a pena tem duas finalidades, punir e 
prevenir. 
 
 
 
 
 
Finalidade da pena 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à 
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem 
como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente 
para reprovação e prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; 
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; 
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, 
se cabível. 
 
 
 
 
 
Finalidade da pena 
A teoria adotada pelo Código Penal Brasileiro em seu artigo 59, é chamada de Teoria 
Mista ou Unificadora da Pena. Justifica-se esta teoria pela necessidade de conjugar os 
verbos reprovar e prevenir o crime. Assim sendo, houve a unificação das teorias 
absoluta e relativa, pois essas se pautam, respectivamente, pelos critérios da retribuição 
e da prevenção do mal cometido, como razões da existência do sistema penal. 
 
 
 
 
Fundamentos da pena 
São as consequências práticas da condenação, de forma que a aplicação da pena ao 
condenado apresenta diversos fundamentos: 
Preventivo: subdivide-se na: 
prevenção geral: a existência da norma penal incriminadora visa intimidar os cidadãos, 
no sentido de não cometerem ilícitos penais; e 
prevenção especial: a aplicação da pena ao criminoso no caso concreto, em tese, 
evitaria que que ele cometesse novos delitos enquanto cumpre sua pena. 
 
 
 
 
Fundamentos da pena 
Retributivo: a pena funciona como um castigo ao transgressor de forma proporcional 
ao mal que causou, dentro dos limites constitucionais e penais estabelecidos. 
Reparatório: consiste em compensar a vítima ou seus parentes pelas consequências 
advindas da prática do ilícito penal. A obrigação de reparar o dano é um efeito 
secundário da sentença condenatória. 
Art. 91, do CP: São efeitos da condenação: 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime. 
 
 
Fundamentos da pena 
Readaptação: a aplicação da pena deve buscar a reabilitação do criminoso ao convívio 
social, devendo receber estudo, orientação, possibilidade de trabalho, lazer, 
aprendizado de novas formas laborativas, etc. 
 
Princípios relacionados às penas 
Princípio da Legalidade e Anterioridade: a necessidade de que o crime se encontre 
definido em lei anterior, proibindo a retroatividade (maléfica), salvo para beneficiar o 
réu (art. 5º, XL da XF). “Nullum crimen, nulla poena sine praevia lege’”. 
Princípio da humanização: vedação de penas cruéis, de morte, de trabalhos forçados,de banimentos ou perpétuas, devendo respeitar os direitos humanos e o princípio 
constitucional da dignidade da pessoa humana. 
 
 
Princípios relacionados às penas 
Princípio da Proporcionalidade: É o juízo de ponderação entre a gravidade do ilícito 
praticado e a sanção a ser aplicada, a pena deve ser proporcional. 
Princípio da Intranscedência ou Pessoalidade: a pena não pode passar da pessoa do 
condenando, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de 
bens, nos termos das lei, serem estendidas aos sucessores e contra eles executadas até 
o limite do valor do patrimônio transferido. 
 
 
Princípios relacionados às penas 
Princípio da Inderrogabilidade: o juiz não pode deixar de aplicar a pena ao réu 
considerado culpado, bem como de determinar seu cumprimento, salvo exceções 
expressamente previstas em lei, como, por exemplo, o perdão judicial em crimes como 
homicídio culposo, lesão corporal culposa, receptação culposa, etc. 
 
FIM.. 
PRÓXIMA AULA: PENAS E SEUS CRITÉRIOS DE APLICAÇÃO

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