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2. CINEMÁTICA DE UM PONTO MATERIAL Movimento Curvilíneo (Movimento em duas dimensões e três dimensões) terça-feira, 17 de março de 2025 1 MSc. Fernando Tacho terça-feira, 17 de março de 2025 2 Tópicos 2.1 Introdução 2.2 Deslocamento, Velocidade e Aceleração; 2.3. Movimento com aceleração constante 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis; 2.5 Caso especial 2: movimento circular; 2.6 Aceleração tangencial e normal no movimento circular. terça-feira, 17 de março de 2025 3 2.1 Introdução Na aula anterior foi estudado o movimento de uma partícula movendo-se ao longo de uma linha reta. Esta aula trata da cinemática de uma partícula movendo-se em duas dimensões ou numa trajetória curvilinea. O estudo do movimento bidimensional permite analisar uma ampla variedade de movimentos, desde o movimento de satélites em órbita até o movimento de elétrons em um campo elétrico uniforme. O estudo do movimento bidimensional será analisado usando a natureza vetorial do deslocamento, velocidade e aceleração. As equações cinemáticas para o movimento bidimensional serão obtidas a partir das definições fundamentais dessas três quantidades. Dois casos especiais de movimento em duas dimensões serão estudados: o movimento de projéteis e o movimento circular uniforme. terça-feira, 17 de março de 2025 4 A descrição da posição de uma partícula é feita pelo seu vetor posição 𝑟 , traçado desde a origem de algum sistema de coordenadas até a partícula localizada no plano xy (figura 1). 2.2 Deslocamento, Velocidade e Aceleração Figura 1 Uma partícula se movendo no plano xy está localizado com a posição vetor r extraído da origem para a partícula. À medida que a partícula se move de A para B no intervalo de tempo ∆𝑡 = 𝑡 − 𝑡0, seu vetor posição muda de 𝑟 0 para 𝑟 Dado que o deslocamento é um vetor, e o deslocamento da partícula é a diferença entre sua posição final e sua posição inicial, tém-se: ∆𝑟 = 𝑟 − 𝑟 0 Eq. 1 Posição e Deslocamento Onde 𝑟 no plano xy pode ser escrito: 𝑟 = 𝑥𝑖 + 𝑦𝑗 Eq. 2 𝑣 𝑚𝑒𝑑 = ∆𝑟 ∆𝑡 Muitas vezes é útil quantificar o movimento fazendo a razão entre um deslocamento e intervalo de tempo durante o qual esse deslocamento ocorreu, conhecido como velocidade média e é expresso por: A velocidade média é uma grandeza vetorial direcionada ao longo de ∆𝑟 . A velocidade média entre os pontos é independente do caminho percorrido. A velocidade média é proporcional ao deslocamento, que depende apenas dos vetores de posição inicial e final e não do caminho percorrido Eq. 3 Velocidade média 2.2 Deslocamento, Velocidade e Aceleração 𝑣 = lim ∆𝑡→0 ∆𝑟 ∆𝑡 No movimento curvilíneo, a velocidade instantânea é um vector tangente à trajectória, e é definido como o limite da velocidade média: 𝑣 = 𝑑𝑟 𝑑𝑡 Ou seja, a velocidade instantânea é igual à derivada do vetor posição em relação ao tempo. A direção do vetor velocidade instantânea em qualquer ponto da trajetória de uma partícula é ao longo de uma linha tangente à trajetória naquele ponto e na direção do movimento (figura 2). Figura 2 Uma partícula se move de posição em posição. Seu vetor velocidade muda de vi para vf Eq. 4 Velocidade instantânea 2.2 Deslocamento, Velocidade e Aceleração 𝑣 no plano xy pode ser escrito: 𝑣 = 𝑣𝑥𝑖 + 𝑣𝑦𝑗 Eq. 5 À medida que uma partícula se move de um ponto a outro ao longo de alguma trajetória, seu vetor velocidade instantânea muda de 𝑣 0 no instante 𝑡0 para 𝑣 no instante 𝑡. Conhecendo a velocidade nestes pontos permite determinar a aceleração média da partícula: 𝑎 𝑚𝑒𝑑 = ∆𝑣 ∆𝑡 O módulo varia porque a velocidade da partícula pode aumentar ou diminuir. A direcção da velocidade varia porque a velocidade é tangente `a trajectória, que esta continuamente se curvando. Fig. 3 – Aceleração no movimento curvilíneo Eq. 6 No movimento curvilíneo, a velocidade varia tanto em módulo como em direcção. Aceleração média 2.2 Deslocamento, Velocidade e Aceleração Quando a aceleração média de uma partícula muda durante diferentes intervalos de tempo, é útil definir sua aceleração instantânea que é definido como o valor limite da aceleração média quando t se aproxima de zero: 𝑎 = lim ∆𝑡→0 ∆𝑣 ∆𝑡 𝑎 = 𝑑𝑣 𝑑𝑡 Em outras palavras, a aceleração instantânea é igual à derivada do vetor velocidade em relação ao tempo. É importante reconhecer que várias mudanças podem ocorrer quando uma partícula acelera. Tanto a magnitude quanto a a direção do vetor velocidade pode mudar simultaneamente Eq. 7 Aceleração instantânea 2.2 Deslocamento, Velocidade e Aceleração 𝑎 no plano xy pode ser escrito: 𝑎 = 𝑎𝑥𝑖 + 𝑎𝑦𝑗 Eq. 8 𝑣 = 𝑣 0 + 𝑎 𝑡 𝑟 = 𝑟 0 + 𝑣 0𝑡 + 1 2 𝑎 𝑡2 As equações da cinemática ou funções de vector posição 𝑟 e velocidade 𝑣 são expressas de acordo: Eq. 9 Eq. 10 2.3. Movimento com aceleração constante Uma partícula parte da origem em 𝑡 = 0 com uma velocidade inicial tendo uma componente x de 20 𝑚/𝑠 e uma componente y de − 15𝑚/𝑠. A partícula se move no plano xy com uma componente x apenas de aceleração, dada por 𝑎𝑥 = 4,0 𝑚 𝑠2 . Determine (a) As componentes do vetor velocidade a qualquer instante e o vetor velocidade total em qualquer instante. (b) A velocidade da partícula em t igual a 5,0 segundos. (c) Determine as coordenadas x e y da partícula em qualquer instante t e o vetor posição neste instante. 2.3. Movimento com aceleração constante Exemplo terça-feira, 17 de março de 2025 11 Objetos LANÇADOS AO AR geralmente realizam um movimento designado por movimento de projétil. O corpo se move em uma trajetória curva e seu movimento é simples de analisar fazendo duas suposições: A aceleração de queda livre g é constante ao longo da amplitude de movimento e é direcionada para baixo, O efeito da resistência do ar é insignificante. Com essas suposições, descobre-se que a trajetória de um projétil é sempre uma parábola. 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis Introdução 12 A expressão vetorial para o vetor posição do projétil em função do tempo, com 𝑟 0 e 𝑎 = 𝑔 é: 𝑟 = 𝑣 0𝑡 + 1 2 𝑔 𝑡2 Esta expressão está representada graficamente na Figura 4. Figura 4 o vetor posição do projétil Eq. 11 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis 13 O movimento do projétil é a superposição de dois movimentos: (1) movimento de velocidade constante na direção horizontal, e (2) movimento de queda livre na direção vertical. Com exceção de t, o tempo de voo, os componentes horizontais e verticais do movimento de um projétil são completamente independentes um do outro. 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis 14 A figura 5 representa um projétil disparado da origem em 𝑡0 = 0 com uma componente 𝑣0𝑦 positiva, como mostra a Figura 5. Dois pontos são especialmente interessantes de analisar: Figura 5 pontos interessantes de analisar num projectil. A distância R é chamada de alcance horizontal do projétil, e a distância h é sua altura máxima O ponto de pico , que possui coordenadas cartesianas (R/2, h), e o ponto , que possui coordenadas (R, 0) A B 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis Alcance horizontal e altura máxima de um projétil 15 Determinar-se o h observando que no pico, 𝑣𝑦𝐴 = 0. Primeiro é determinado o tempo 𝑡𝐴 que o projétil leva para atingir o pico: Usando expressão tA e substituindo na expressão de função posição y(t) e substituindo y por h, obtem-se uma expressão para h em termos da magnitude e direção do vetor velocidade inicial: Eq. 12 𝑣𝑦 = 𝑣0𝑦 + 𝑎𝑦𝑡 0 = 𝑣0 sin 𝜃0 − 𝑔𝑡𝐴 𝑡𝐴 = 𝑣0 sin 𝜃0 𝑔 ℎ = 𝑣0 sin 𝜃0 𝑣0 sin 𝜃0 𝑔 − 1 2𝑔 𝑣0 sin 𝜃0 𝑔 2 ℎ = 𝑣0 2 𝑠𝑖𝑛2 𝜃0 𝑔 2.4 Caso especial 1: movimentode projécteis Alcance horizontal e altura máxima de um projétil 16 O alcance R é a distância horizontal que o projétil percorre no dobro do tempo que leva para atingir seu pico, ou seja, em um tempo 𝑡𝐵 = 2𝑡𝐴 Usando função de posição x e observando que 𝑣0𝑥 = 𝑣𝑥𝐵 = 𝑣0 cos 𝜃0 e fixando 𝑅 ≡ 𝑥𝐵, em 𝑡 = 2𝑡𝐴 tem se: Usando a identidade sin 2𝜃 = 2 sin 𝜃 cos 𝜃 escrevemos R na forma mais compacta Eq. 13 𝑅 = 𝑣0𝑥𝑡𝐵 = 𝑣0 cos 𝜃0 2𝑡𝐴 = 𝑣0 cos 𝜃0 2𝑣0 sin 𝜃0 𝑔 = 2𝑣0 2 sin 𝜃0 cos 𝜃0 𝑔 𝑅 = 𝑣0 2 sin 2𝜃0 𝑔 Alcance horizontal e altura máxima de um projétil 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis 17 As Equações 12 e 13 são úteis para calcular h e R somente se 𝑣0 e 𝜃0 forem conhecidos (o que significa que apenas 𝑣0 precisa ser especificado) e se o projétil cair na mesma altura de onde partiu como na Figura 5. A Figura 3 ilustra várias trajetórias para um projétil com uma determinada velocidade inicial, mas lançado em ângulos diferentes. A Figura 6 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis Alcance horizontal e altura máxima de um projétil Um saltador em distância deixa o solo a um ângulo de 20,0° acima da horizontal e a uma velocidade de 11,0 m/s. (a) Que distância ele salta na direção horizontal? (Suponha que seu movimento seja equivalente ao de uma partícula.) (a) Qual é a altura máxima atingida? 18 2.4 Caso especial 1: movimento de projécteis Problema terça-feira, 17 de março de 2025 19 A Figura 7 mostra um carro movendo-se em uma trajetória circular com módulo de velocidade linear constante. Esse movimento é chamado de movimento circular uniforme. Como a direção do movimento do carro muda, o carro tem uma aceleração. Para qualquer movimento, o vetor velocidade é tangente à trajetória. Figura 7movimento circular uniforme 2.5 Caso especial 2: movimento circular Introdução terça-feira, 17 de março de 2025 20 Conseqüentemente, quando um objeto se move em uma trajetória circular, seu vetor velocidade é perpendicular ao raio do círculo. Vetor aceleração em movimento circular uniforme é sempre perpendicular à trajetória e sempre aponta em direção ao centro do círculo. Uma aceleração desta natureza é chamada de aceleração centrípeta (em busca do centro), e sua magnitude é onde r é o raio do círculo e a notação 𝑎𝑟 é usada para indicar que a aceleração centrípeta ocorre ao longo da direção radial. Assim, concluí-se que no movimento circular uniforme, a aceleração é direcionada para o centro do círculo e tem módulo dado por 𝑣2/𝑟, onde v é a velocidade da partícula e r é o raio do círculo. 2.5 Caso especial 2: movimento circular Eq. 14 𝑎𝑟 = 𝑣2 𝜌 terça-feira, 17 de março de 2025 21 A Figura 8 mostra uma partícula movendo-se ao longo de uma trajetória curva onde a velocidade muda tanto em direção quanto em magnitude ou seja movimento não uniforme. Como sempre acontece, o vetor velocidade é tangente à trajetória, mas agora a direção do vetor aceleração a muda de ponto a ponto 2.5 Caso especial 2: movimento circular ACELERAÇÃO TANGENCIAL E RADIAL terça-feira, 17 de março de 2025 22 Este vetor pode ser resolvido em dois vetores componentes: um vetor componente radial 𝑎𝑟 e um vetor componente tangencial 𝒂𝒕. Assim, 𝑎 pode ser escrito como a soma vetorial desses vetores componentes: A aceleração tangencial causa a mudança na velocidade da partícula. É paralelo à velocidade instantânea e seu módulo é 2.5 Caso especial 2: movimento circular Eq. 15 Eq. 16 𝑎𝑇 = 𝑑𝑣 𝑑𝑡 terça-feira, 17 de março de 2025 23 A aceleração radial surge da mudança na direção do vetor velocidade e tem uma magnitude absoluta dada por onde r é o raio de curvatura do caminho no ponto em questão. Como 𝑎𝑟 e 𝒂𝒕 são vetores componentes mutuamente perpendiculares de a, segue-se que o movimento circular uniforme é um caso especial de movimento ao longo de uma trajetória curva 2.5 Caso especial 2: movimento circular Eq. 17 𝑎 = 𝑎𝑇 2 + 𝑎𝑁 2 Cada componente de aceleração têm o seu significado. Quando a partícula se move, o módulo da velocidade pode variar, essa variação esta relacionada com a aceleração tangencial. A direção da velocidade também varia e essa variação está relacionada com a aceleração normal. Variação no módulo da velocidade: Aceleração Tangencial Variação na direção da velocidade: Aceleração Normal Tem-se 𝑎 = 𝑢𝑇 𝑑𝑣 𝑑𝑡 + 𝑢𝑁 𝑣2 𝜌 onde 𝜌 é o raio de curvatura Eq. 9 2.5 Caso especial 2: movimento circular O primeiro termo da eq. 9 é um vector tangente à curva e é proporcional à variação no tempo do módulo da velocidade. Esse termo corresponde a aceleração tangencial. O segundo termo é um vector normal à curva e corresponde à aceleração normal. Esse termo está relacionado com a variação em direção O módulo da aceleração é dado por 𝑎 = 𝑎𝑇 2 + 𝑎𝑁 2 = (𝑑𝑣/𝑑𝑡)2+(𝑣4/𝜌2) Eq. 12 Se o movimento curvilíneo é uniforme (módulo de velocidade constante), não há aceleração tangencial, ou seja, 𝑎𝑇 = 0 Por outro lado, se o movimento é rectilíneo (a direção da velocidade não varia) Não há aceleração normal, ou seja, 𝑎𝑁 = 0 de modo que o raio da curvatura é Infinito. 2.5 Caso especial 2: movimento circular • Halliday e Resnick. (2009). Fundamentos de Física, Mecânica (8a ed., Vol. 1). 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