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Sumário Sumário BOAS VINDAS! Antes de qualquer coisa, quero te parabenizar pela escolha. Isso diz muito sobre seu comprometimento. Nossa equipe organizou cada detalhe com carinho e, acima de tudo, profissionalismo. Aproveite! Mas esteja atento à seguinte observação: Este material NÃO DEVE SER ENCARADO COM UM CURSO, em hipótese alguma. Na verdade, depois de incansáveis horas de estudo, compilação e estruturação para facilitar sua vida, trazemos apenas aquilo que cai em prova, e de maneira completamente mastigada. Cada explicação deve ser mais do que suficiente para sua compreensão rapidamente, entretanto, lembre-se disso: Para aprender algo, você deve forçar o seu cérebro a revisar informações. NÃO NEGLIGENCIE AS REVISÕES. No mais, agora, você está livre das “neuras” de montar materiais, rabiscar folhas, etc. É você e sua mente e utilizando 200% da capacidade com um material que realmente importa para sua aprovação. O MÉTODO DOS APROVADOS A frase “cada pessoa tem seu próprio método de estudo” não deve ser levada 100% a sério. Sim, algumas pessoas têm facilidade para adquirir conhecimento utilizando Flashcards, outras mapas mentais, etc., mas A ESTRUTURA DE AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES QUE O CÉREBRO HUMANO UTILIZA É UMA SÓ. Não reinvente a roda; faça o básico bem feito. Para te auxiliar nisso, criamos este material pautados no que a ciência considera mais efetivo para o aprendizado. Você não precisa ficar procurando materiais ou questões. Conforme você avança neste material, as questões avançam também. Para uma revisão ainda mais efetiva, procure por nossos materiais em Flashcard. Bons estudos. Sumário IMPORTANTE: VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS É UMA INFRAÇÃO GRAVE Este conteúdo destina-se apenas ao uso pessoal. Não compartilhe-o em nenhuma hipótese. Prezado(a) leitor(a), Este material demandou inúmeras horas de estudo, pesquisa e produção de conteúdo. Todo esse esforço foi empregado com o objetivo de oferecer-lhe o melhor material possível para auxiliá-lo(a) em seus estudos. Além do esforço intelectual de uma grande equipe, há também o esforço monetário para adquirir e manter equipamentos, softwares, hospedagem de sites, servidores, design e a equipe envolvida, pois nenhum trabalho é realizado de forma voluntária por aqui. Não compartilhe este material por meio algum, seja em sites, e-mails, grupos, etc. Caso você se depare com qualquer forma de compartilhamento suspeito, peço que denuncie imediatamente essa fonte ilegal. Pirataria É CRIME, sujeito a punições que podem incluir até QUATRO anos de prisão, além de multa, conforme o artigo 184 do Código Penal. Desejamos sucesso, paz, saúde e garra. Vença primeiro em sua mente, então qualquer batalha estará ganha. Bons Estudos! Sumário Tópico Página Introdução ao Dir Constitucional 5 Princípios de Interpretação da Constituição 9 Princípios Constitucionais 9 Analise Específica do Artigo 1 ao 4 13 Lei Seca: Constituição 21 Artigo 5 23 Direitos Sociais 35 Nacionalidade 40 Direitos Políticos 41 Partidos Políticos 43 Organização Político-Administrativa 45 Poder Legislativo 52 Poder Executivo 65 5 CONCEPÇÕES E SENTIDOS DE CONSTITUIÇÃO: Sociológico (Ferdinand Lassale): Constituição é a soma dos fatores reais de poder na prática, ou seja, é como a Constituição deveria ser na sua efetividade. A Constituição é um fato social e não uma mera folha de papel. Jurídico (Hans Kelsen): Constituição é uma norma jurídica pura, positivada em um texto formal. No sentido lógico-jurídico, é uma norma hipotética; no sentido jurídico-positivo, é uma norma escrita. Político (Karl Schmitt): Teoria decisionista. A Constituição é a decisão política fundamental e é preocupada com o conteúdo das normas e não com a sua forma. As leis constitucionais são parte do texto, mas sem muita relevância comparado aos temas de grande relevância jurídica, como a forma de estado. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES Origem: - Outorgadas: impostas; não há constituinte - Democrática / Promulgada / Popular: constituinte eleito pelo povo - Cesaristas / Bonapartista: imposta unilateralmente e o povo a legitima via REFERENDO - Pactuadas / Dualistas: pacto entre forças políticas rivais Forma: - Escritas / Instrumental: efeito estabilizante, racionalizador, instrumental, de segurança jurídica, e de calculabilidade e publicidade. ÚNICO documento escrito. - Não escrita / Costumeira / Consuetudinária: leis esparsas, costumes, jurisprudências, ou seja, NÃO significa que não existem documentos escritos! – são as constituições LEGAIS ou INORGÂNICAS Modo: - Dogmática: valores em voga no momento da elaboração - SEMPRE escrita e por um constituinte. - Histórica: constrói-se no lento evoluir da sociedade - NÃO é escrita, e sim costumeira. São mais estáveis. Extensão: - Analíticas / Prolixas / Expansivas: conteúdo extenso (EX: CF/88) - Sintéticas / Concisas / Sumárias / Negativas: restringem- se às matérias materialmente constitucionais, buscando limitar o poder do Estado (EX: Constituição dos EUA). Finalidade: - Constituição Garantia: limitam-se aos direitos de 1a geração, ou seja, LIMITAR ação do Estado. - Constituição Dirigente: Normas PROGRAMÁTICAS (metas, programas e objetivos) – definem DIRETRIZES para a ação estatal, não apenas princípios. Sistema: - Principiológicas / Aberta: princípios são mais importantes que as regras (EX: CF/88). - Preceitual: regras são mais importantes que os princípios. Conteúdo: CONTEÚDO MATERIAL: - Organização do Estado - Limitações ao poder do Estado - Aquisição, exercício e transmissão do poder NORMAS MATERIALMENTE CONSTITUCIONAIS: - Podem estar em uma constituição escrita - Podem estar fora da constituição, como os tratados de DH NORMAS FORMALMENTE CONSTITUCIONAIS: - Contidas em documento solene, como a CF/1988 - Podem não ser "tão fundamentais", como no caso do Colégio Dom Pedro II 6 ESTABILIDADE: - Imutáveis - Rígidas: modificadas apenas por procedimento mais dificultoso que para as leis - Pressuposto para o controle de constitucionalidade abstrato - Semirrígidas: parte modificada por procedimento simples e parte mais dificultoso - Flexíveis: modificadas pelo mesmo procedimento que as leis, sem supremacia formal e sem controle de constitucionalidade ONTOLÓGICA: - Normativas: efetivamente regulam e se adequam à realidade social - Nominativas: buscam regular, mas não conseguem e são prospectivas - Semânticas: apenas formalizam o status quo e legitimam os detentores do poder EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: PLENA Autoaplicável e pode ser regulamentada, mas não restringível. Remédios constitucionais são normas de eficácia plena. CONTIDA Autoaplicáveis, mas podem ser restringidas pela própria CF, pelo legislador infraconstitucional ou por conceitos ético-jurídicos indeterminados. Aplicabilidade possivelmente não integral. Limitada Não autoaplicáveis - reserva legal. Produzem efeitos jurídicos mínimos. Aplicabilidade indireta, mediata, diferida e não integral. Princípio institutivo ou organizativo: estruturação, criação e organização dos entes, poderes, etc. Princípio programático: princípios, diretrizes e programas a serem cumpridos. programáticas: -Consubstanciam programas e diretrizes para atuação futura dos órgãos estatais. Sua função é estabelecer os caminhos que os órgãos estatais deverão trilhar para o atendimento da vontade do Constituinte. ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES (JOSÉ AFONSO DA SILVA): Orgânicos: normas que regulam a estrutura do Estado e do Poder. Limitativos: normas que limitam a atuação do Estado. Socioideológicos: compromisso com o bem- estar social, como os Direitos Sociais. De Estabilização Constitucional: solução de conflitos constitucionais, como a ADI e a intervenção. Formais de Aplicabilidade: regras de aplicação da Constituição, como o preâmbulo e o ADCT. NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: Revogação - NovaCláusula da reserva do possível não pode ser evocada quando falta o básico, quando o mínimo necessário para a existência digna é negado às pessoas Teoria do reserva do possível encontra limites na chamada teoria do mínimo existencial. Estado não pode alegar não ter dinheiro para efetivar certos direitos sociais considerados mínimos ou essenciais para a fruição de uma vida humana digna Teoria do mínimo existencial permite que certos direitos sociais considerados essenciais para a fruição de uma vida digna sejam juridicamente exigíveis por seus titulares Mesmo sendo normas de caráter programático, alguns direitos sociais são exigíveis por meio da intervenção do Poder Judiciário EXEMPLOS PRÁTICOS EM DECISÕES JUDICIAIS Para consolidar a compreensão dos pontos abordados, leremos trechos da ementa de um importante precedente do STF. O acórdão considerou correta a sentença que obrigou o Município de São Paulo a matricular as crianças de até cinco anos de idade em unidades de ensino próximas de sua residência ou do endereço do trabalho dos responsáveis legais, sob pena de multa diária por criança não atendida. Foi concluído que há legitimidade jurídica da utilização das "astreintes" contra o poder público, que tem obrigação de respeitar os direitos das crianças, inclusive o direito à educação infantil assegurado pela Constituição (CF, art. 208, IV, na redação dada pela EC no 53/2006). O dever jurídico de executar políticas de educação infantil é imposto ao poder público, notadamente ao município (CF, art. 211, § 2o), sendo legítima a intervenção do Poder Judiciário em caso de omissão estatal na implementação dessas políticas públicas. A proteção judicial de direitos sociais, como no caso da educação infantil, não transgride o postulado da Separação de Poderes. É possível a intervenção do Poder Judiciário em caso de omissão estatal injustificável em políticas públicas, levando em consideração a escassez de recursos e as "escolhas trágicas" que precisam ser feitas. Isso é amparado pela reserva do possível, mínimo existencial, dignidade da pessoa humana e vedação do retrocesso social. (ARE 639.337 AGR, Rel. Min. Celso de Mello, 2a Turma, julgado em 23/08/2011). JUDICIALIZAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE Definição de Judicialização: Transferência de decisões sobre reconhecimento e concretização de um direito para o Poder Judiciário, que seriam da competência dos Poderes Executivo e Legislativo. Causas da judicialização: Tendência mundial Modelo institucional brasileiro Significado da judicialização: Transferência de poder para juízes e tribunais Alterações na linguagem, na argumentação e no modo de participação da sociedade Importância da Judicialização do direito à saúde: Tema central em debates doutrinários e jurisprudenciais Relacionado à reserva do possível e mínimo existencial. Quando a judicialização se trata do direito à saúde, o assunto ganha maior relevância e polêmica, devido à ineficiência do sistema público de saúde e da atuação inábil dos Poderes Executivo e Legislativo na condução de uma política pública de qualidade. O direito à saúde é um direito fundamental social, definido como completo bem-estar físico, mental e social, relacionado ao princípio da dignidade da pessoa humana. Apesar de sua relevância, há uma falta de políticas públicas eficientes para a promoção de uma saúde pública de qualidade, o que resulta em um aumento das demandas judiciais coletivas e individuais. EXEMPLOS DE CASOS: As demandas incluem solicitações para o fornecimento de medicamentos, 35 próteses, vagas em UTI, internações hospitalares, cirurgias, exames e tratamentos fora do domicílio, inclusive no exterior. Pronunciamentos Mais Importantes e Recentes do STF: ADPF (MC) 45-DF3, de relatoria do Min. Celso de Mello: A responsabilidade pela assistência à saúde é solidária entre os entes federados, de acordo com o entendimento do STF e é responsabilidade de todos garantir tratamento médico adequado aos necessitados. O jurisdicionado pode propor ação contra um ou mais entes federados e o magistrado deve direcionar a efetivação da medida pleiteada para o ente responsável. Decidiu-se também que o direito à saúde tem prioridade em relação à cláusula da reserva do possível em casos que possam afetar o mínimo existencial. A assistência à saúde tem primazia constitucional reconhecida e a falta de eficiência, descaso governamental, incompetência na gestão de recursos e falta de visão política não podem ser obstáculos para o cumprimento do dever do Estado em garantir o direito à saúde e à vida, sob pena de graves violações aos direitos fundamentais da cidadania. DIREITOS SOCIAIS RELACIONADOS AO TRABALHO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988: Enunciam direitos; São de natureza protetiva; Criam mecanismos assecuratórios das relações de trabalho (direito de greve, sindicalização, etc.); Questões sobre direitos dos trabalhadores são mais simples e requerem a reprodução do texto constitucional na disciplina de Direito Constitucional; Questões mais complexas são apresentadas na disciplina de Direito do Trabalho; Serão realizados apontamentos pertinentes e importantes para a prova, sem aprofundamento excessivo. Classificação dos direitos individuais dos trabalhadores urbanos e rurais DIREITOS SOCIAIS Direito ao trabalho e à garantia do emprego Direitos referentes ao salário haurido pelo trabalhador Direitos referentes à proteção do trabalhador Direitos concernentes ao repouso do trabalhador Outros direitos sociais do trabalhador Direitos sociais do trabalhador doméstico DIREITOS REFERENTES AO SALÁRIO DO TRABALHADOR Salário-mínimo (fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e sua família) Vedação da vinculação do salário mínimo para qualquer fim, a fim de preservar seu poder aquisitivo Exceções para o uso do salário mínimo: fixação da indenização em salários mínimos (corrigido por índice oficial) e fixação de pensão alimentícia (para garantir as mesmas necessidades básicas dos trabalhadores em geral) Proibição da vinculação do salário mínimo como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial (Súmula Vinculante nº 4). Piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho (art. 7o, V). 36 Obs.1: União delegou competência aos Estados e ao Distrito Federal para instituir piso salarial em casos que não há mínimo definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho. Obs.2: É permitido fixar o piso salarial em múltiplos do salário mínimo desde que o reajuste não esteja automaticamente vinculado ao reajuste do salário mínimo. A utilização do salário mínimo como parâmetro para a fixação do salário-base não afronta o art. 7o, IV, da CF/88 nem a SV 4. Irredutibilidade do salário: Exceções: Convenção coletiva Acordo coletivo Salário garantido nunca abaixo do mínimo para trabalhadores com remuneração variável Exceção: militares não têm essa garantia, de acordo com decisão do STF. Militares têm regime e direitos próprios, diferente dos servidores civis. Estado deve apenas fornecer condições adequadas para o serviço militar obrigatório. (C) DIREITOS REFERENTES À PROTEÇÃO DO TRABALHADOR: Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei (art. 7o, XX). Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7o, XXII). Seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa (art. 7o, XXVIII). Proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre para menores de 18 anos e de qualquer trabalho para menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiza partir dos 14 anos (Art. 7º, XXXIII). ATENÇÃO A Constituição não proíbe expressamente o trabalho insalubre de empregadas grávidas ou lactantes, mas a CLT, por meio da Lei nº 13.287/2016, proibiu tal prática. No entanto, a Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) alterou a redação do art. 394-A da CLT para permitir que empregadas grávidas ou lactantes possam trabalhar em atividades insalubres, desde que cumpridos requisitos e precauções. MAS O JOGO VIROU, OUTRA VEZ: A ADI (ação direta de inconstitucionalidade) nº 5938/DF foi ajuizada para impugnar tal dispositivo, alegando que a permissão para o trabalho insalubre seria inconstitucional por violar a proteção à maternidade, gestação, saúde, mulher, nascituro, recém-nascidos, trabalho e meio ambiente equilibrado. O STF julgou a ação procedente e declarou a inconstitucionalidade da expressão "quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento", contida nos incisos II e III do art. 394-A da CLT. Assim, o STF entendeu que o trabalho de gestantes e lactantes em atividades insalubres viola a Constituição Federal, que protege a maternidade, mercado de trabalho da mulher, redução dos riscos do trabalho e a proteção da mulher e da criança. DIREITOS CONCERNENTES AO REPOUSO DO TRABALHADOR R e p o u s o s e m a n a l r e m u n e r a d o , preferencialmente aos domingos (art. 7, XV). 37 Obs: Constituição não torna obrigatório repouso aos domingos, mas determina preferência. Exceções devem ser razoáveis e objetivas, não podendo ser arbitradas pelo empregador. Férias anuais remuneradas com, no mínimo, um terço a mais do que o salário normal (art. 7, XVII). Licença à gestante/adoção: duração de 120 dias, sem prejuízo do emprego e do salário (art. 7, XVIII). Segundo decisão do STF (RE 778.889), a licença maternidade se aplica tanto à mãe gestante quanto adotante, por igual período de 120 dias, com base na interpretação sistemática da Constituição. Além disso, segundo a ADI 6327, o marco inicial para contagem da licença é a data da alta da mãe ou do recém-nascido, especialmente nos casos de internações que excederem 2 semanas. Esta medida corrige a omissão legislativa, que desconsiderava o tempo de internação para fins de contagem de licença, prejudicando mães e crianças prematuras. Licença-paternidade: Nos termos da lei (art. 7, XIX) Prazo atual é de cinco dias (art. 10, § 1 do ADCT) Aposentadoria: Garantida (art. 7, XXIV) DIREITOS DOS TRABALHADORES DOMÉSTICOS Em 1988, apenas uma parcela dos direitos trabalhistas foi garantida ao empregado doméstico pelo art. 7o. Em 2013, a Emenda Constitucional 72 limitou o trabalho em oito horas diárias como um direito básico dos domésticos. Ainda assim, a equiparação jurídica não foi completa. Os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII do art. 7o são aplicáveis aos trabalhadores domésticos. Atendidas as condições estabelecidas em lei, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII também são assegurados, bem como sua integração à previdência social. QUAIS SÃO OS DIREITOS QUE NÃO SE APLICAM AOS DOMÉSTICOS? Direitos garantidos aos trabalhadores em geral que não se aplicam aos domésticos: Piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho. Participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva. Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. Adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei. Proteção em face da automação, na forma da lei. Proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos. Igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES COLETIVAMENTE CONSIDERADOS Regulação da organização coletiva de trabalhadores ou empregadores pela Constituição 38 Possibilidade de defesa dos interesses de cada grupo de forma coletiva, visando melhores condições de trabalho Regras constitucionais do direito coletivo do trabalho estão nos artigos 8º ao 11º Artigos 8º, incisos V, VII e VIII prevêem algumas exceções de direitos do trabalhador individualmente considerado DIREITOS INDIVIDUAIS RELACIONADOS À SINDICALIZAÇÃO Livre associação profissional ou sindical garantida pela Constituição (art. 8o, caput); Aposentados filiados têm o direito de votar e ser votados nas organizações sindicais (art. 8o, VII); Dirigentes sindicais têm estabilidade provisória no emprego, não podendo ser dispensados a partir do registro de sua candidatura, ainda que suplente, até um ano após o final de seu mandato (art. 8o, VIII). A exceção ocorre caso cometa falta grave, nos termos da lei. Vale lembrar que o empregado com representação sindical só pode ser despedido mediante inquérito em que se apure falta grave, de acordo com a súmula no 197 do STF. DIREITOS COLETIVOS DE SINDICALIZAÇÃO: Liberdade sindical Lei não pode exigir autorização do Estado para fundação de sindicato, exceto registro no órgão competente. Poder Público não pode interferir ou intervir na organização sindical. Unicidade sindical Vedada criação de mais de uma organização sindical representativa de categoria profissional ou econômica na mesma base territorial. Base territorial definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um município. Legitimidade dos sindicatos para representação de determinada categoria depende de registro no Ministério do Trabalho. Legitimidade processual dos sindicatos Cabe ao sindicato a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas. Sindicatos possuem legitimidade processual para atuar na defesa de todos e quaisquer direitos subjetivos individuais e coletivos dos integrantes da categoria por eles representada, atuando como substitutos processuais. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL A assembleia geral fixará a contribuição para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva Será descontada em folha, quando se tratar de categoria profissional É independente da contribuição prevista em lei Reforma Trabalhista de 2017 acabou com a obrigatoriedade da contribuição sindical prevista na CLT Empregado passa a ter opção em contribuir ou não com o sindicato de sua categoria com valor correspondente à remuneração de um dia de trabalho Súmula Vinculante no 40 do STF preceitua que a contribuição confederativa só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo Participação Obrigatória dos Sindicatos nas Negociações Coletivas de Trabalho O texto constitucional confere ao sindicato a defesa dos direitos da categoria Sua participação é obrigatória nas negociações coletivas (art. 8o, VI). GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO (i) O direito de greve dos servidores públicos é garantido pela Constituição Federal (art. 37, VII), condicionado à regulamentação por lei específica que ainda não foi editada. 39 (ii) O STF aplicou a legislação existente para o setor privado (Lei 7.783/1989) aos servidores públicos por analogia, a fim de viabilizar o exercício do direito de greve até a edição da lei específica. (iii) A vedação ao exercício de greve se aplica apenas aos policiais civis e servidores públicos que atuam diretamente na segurança pública. (iv) O rol de serviços essenciais previsto na Lei 7.783/1989 é exemplificativo, o que permite ao Poder Judiciário ampliar as restrições ao direito de greve em casosnão previstos na lei. DOIS ARTIGOS IMPORTANTÍSSIMOS PARA PROVA Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação. Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. GRAVE BEM ESTE NÚMERO 200. Ele é campeão de incidência em provas de Concurso Público. 40 NACIONALIDADE I. NATOS a. Nascidos na RFB, mesmo que de pais estrangeiros, contanto que eles não estejam a serviço de seu país; b. Nascidos no estrangeiro de pai ou mãe brasileira, desde que qualquer um deles esteja a serviço da RFB1 (organismo em que o Brasil é parte); c. Nascidos no estrangeiro de pai ou mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira OU venham a residir na RFB e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade BR. II. NATURALIZADOS a. (...) originários de países de língua PT: residência por 1 ano ininterrupto e idoneidade moral – ato discricionário; b. (...) qualquer nacionalidade: residentes > 15 anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade BR – ato vinculado STF (RE 264.848): ato (portaria do MJ) meramente declaratório, RETROAGINDO à data do pedido. STF (RMS 27.840): ato de naturalização SOMENTE pode ser anulado por via JUDICIAL, e NÃO por mero ato administrativo. §1o: Portugueses com residência permanente têm direitos inerentes ao brasileiro naturalizado, se houver reciprocidade em favor dos brasileiros. Exceção: os casos previstos na Constituição, para brasileiros natos. §2o: Lei não pode fazer distinção entre natos e naturalizados, exceto nos casos previstos na Constituição. §3o: São privativos de brasileiros natos os cargos de carreira diplomática, oficial das FFAA e ministro da Defesa (único que deve ser nato). §4o: Perda da nacionalidade: Cancelamento da naturalização por decisão judicial, por atividade nociva ao interesse nacional. Adquirir outra nacionalidade, exceto nos casos de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira ou imposição de naturalização como condição para permanência ou exercício de direitos civis no país estrangeiro. A perda não é automática e não pode ser feita por ato do Presidente ou do Ministério da Justiça. Art. 13: A língua portuguesa é o idioma oficial da RFB. §1o: São símbolos da RFB a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais. §2o: O Distrito Federal e os municípios poderão ter símbolos próprios. 41 DIREITOS POLÍTICOS (ART. 14) - Voto: universal, direto e secreto - Mediante: plebiscito (antes), referendo (depois), iniciativa popular (processo legislativo) - ALISTAMENTO e VOTO: - Obrigatórios para maiores de 18 anos - Facultativos para analfabetos, maiores de 70 anos, e jovens entre 16 e 18 anos - Não são alistáveis como eleitores: ESTRANGEIROS e CONSCRITOS em serviço militar obrigatório - CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE - Domicílio eleitoral na circunscrição - Idade mínima: - 35 anos para PR, VPR e Senador - 30 anos para GOV e VGOV - 21 anos para DF / DE, PRF, VPRF e Juiz de Paz - 18 anos para VE - Chefes do Executivo e sucessores/substitutos podem ser reeleitos apenas uma vez - STF não permite terceiro mandato consecutivo de prefeito em qualquer município - Chefes do Executivo devem renunciar até 6 meses antes do pleito para concorrerem a outros cargos §7o - Inelegíveis no território de jurisdição do titular, o cônjuge e parentes consanguíneos ou afins até o 2o grau ou por adoção, do Chefe do Executivo ou de quem os substituiu nos 6 meses anteriores ao pleito, salvo o candidato à reeleição. A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no §7o. São inelegíveis para o cargo de chefe do Executivo o cônjuge e os parentes, indicados no §7o, do titular do mandato, salvo se este, reelegível, tenha falecido, renunciado ou se afastado definitivamente do cargo até 6 meses antes do pleito. §8o - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - menos de 10 anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II – mais de 10 anos: será agregado e, se eleito, passará para a inatividade. §9o - A Lei Complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação. Ação de Impugnação de Mandato Eletivo: §10 e §11 - AIME: O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de 15 dias da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. A AIME tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor se temerária ou de manifesta má-fé. §§12 e 13 - Com a EC 111/21, concomitantemente às eleições municipais serão realizadas consultas públicas sobre questões locais. A convocação para essas consultas deverá ser realizada em até 90 dias antes da data das eleições. Não é permitida a utilização de propaganda gratuita no rádio e na TV para a divulgação dos argumentos favoráveis e contrários àquilo que está sendo consultado. Vedação de Cassação de Direitos Políticos. EXCEÇÕES - Perda: - Cancelamento da naturalização por sentença (Transitada em julgado). - Recusa de cumprir obrigação imposta ou prestação alternativa. - Aquisição voluntária de outra nacionalidade (suspensão). - Incapacidade civil absoluta. - Condenação criminal (TEJ, enquanto durarem seus efeitos). - Improbidade administrativa (após trânsito em julgado). 42 DETALHES IMPORTANTES Alterações no processo eleitoral em lei entrarão em vigor na data de publicação, não se aplicando à eleição que ocorra em até 1 ano. Anualidade é considerada cláusula pétrea pelo STF e inclui emendas constitucionais que alterem o processo eleitoral. 43 PARTIDOS POLÍTICOS: - Livre criação, fusão, incorporação e extinção de partidos. - PROIBIÇÃO de recebimento de recursos de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes. - Autonomia para definir sua estrutura interna. - Estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provisórios. - Adotar critérios de escolha e regime de coligações nas eleições majoritárias. - VEDADA a celebração de coligações nas eleições proporcionais. - Estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. - Registrar no TSE após adquirir personalidade jurídica. - Direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e TV de acordo com a LEI. - Direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e TV somente se obtiverem, nas eleições para a CD, no MÍN. 3% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos 1/3 das UFs, com um MÍN. de 2% dos votos válidos em cada uma delas, ou se tiverem elegido pelo menos 15 Deputados Federais distribuídos em pelo menos 1/3 das UFs. - VEDADA a utilização de organização paramilitar pelos partidos políticos. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA - NÃO HÁ PERDA DE MANDATO 1) Candidato eleito por partido sem fundo partidário e tempo de rádio e TV 2) Saída do partido com anuência deste 3) Justa causa estabelecida em lei - HÁ PERDA DE MANDATO - Para Deputados e Vereadores (cargos eletivos proporcionais) que se desligarem do partido. Incentivo à participação política das mulheres (EC 117/2022): Recursos para implementação: - 5% mínimos do Fundo Partidário serão destinados à promoção e difusão da participação política das mulheres, de acordo com interesses intrapartidários - 30% mínimos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e tempo de propaganda gratuita no rádio e TV deverão ser destinados proporcionalmente às respectivas candidatas Distribuição dos recursos:- Realizada conforme critérios e normas estatutárias dos respectivos partidos - Considerando a autonomia e interesse partidário. 44 ESTADO E FEDERAÇÃO - Estado é a nação politicamente organizada; - Nação é uma união em comunidade (conceito sociológico); - Elementos constitutivos do Estado: Território (dimensão física), Povo (dimensão pessoal), Governo soberano (dimensão política); - Governo soberano é a autoridade/poder que não se sujeita a qualquer outra, sendo uno, indivisível, inalienável e imprescritível; - Titularidade do poder é do povo, conforme o Art. 1º §u da Constituição; - Povo exerce o poder por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição. Características da Federação - Descentralização - Pessoas jurídicas autônomas politicamente - Autonomia política: - Auto-organização (Constituições Estaduais) - Autolegislação (criação de leis pelos entes) - Autoadministração - Autogoverno 45 ORGANIZAÇÃO POLÍTICO- ADMINISTRATIVA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: - União - Estados - Distrito Federal - Municípios Todos autônomos, nos termos da Constituição. A República Federativa do Brasil é a única soberana. Capital federal: Brasília (não sinônimo de Distrito Federal). Os Territórios Federais integram a União e não são autônomos. Sua criação e transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. Alterações na estrutura da federação: A alteração da Federação é Cláusula Pétrea: é imutável. Mas, estas são as possíveis reorganizações do espaço territorial: - Cisão (subdivisão): ente A -> B e C. -Desmembramento-formação: parte do ente se desmembra formando um novo ente: A -> "A-B" e “B". -Desmembramento-anexação: parte do ente se desmembra, mas se anexa a outro existente: A e C -> A-B e C+B. - Fusão: dois ou mais entes formam um ente novo: A + B -> C. - Incorporação: ente B incorpora outro ente, que deixa de existir: A e B -> B (+A). É POSSÍVEL A FORMAÇÃO DE NOVOS ESTADOS ? Formação de Estados Requisitos: Consulta prévia (plebiscito) para a população diretamente interessada Oitiva das Assembleias Legislativas e; Edição de Lei Complementar pelo Congresso Nacional. Formação dos Municípios: - Disciplinada no art. 18, §4º - Depende de criação, incorporação, fusão ou desmembramento - Lei estadual deve regular dentro do período determinado por LC Federal - Requer consulta prévia por plebiscito com populações envolvidas - Estudos de Viabilidade Municipal devem ser apresentados e publicados na forma da lei Requisitos: Edição de LC Federal Aprovação de LO Federal para estudo de viabilidade Realização e divulgação de Estudos de Viabilidade Municipal consulta prévia por plebiscito LO Estadual para criação, incorporação, fusão ou desmembramento. VEDAÇÕES FEDERATIVAS Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II - recusar fé aos documentos públicos; 46 III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. As vedações têm como objetivo tornar mais harmoniosas as interações entre os entes federados, garantir a igualdade entre os cidadãos e proteger o direito de liberdade religiosa. O princípio da isonomia federativa também é respeitado, impedindo a distinção entre brasileiros ou preferências entre eles. BENS PÚBLICOS Terras Devolutas: - Regra: Estado (Art. 26, IV) Exceção: União (Art. 20, II) - indispensáveis à defesa das fronteiras, fortificações e construções militares, vias federais de comunicação e preservação ambiental. Lagos, Rios e Águas Correntes: Regra: Estado (Art. 26, I) Exceção: União (Art. 20, III) - banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, terrenos marginais e praias fluviais. Ilhas Fluviais e Lacustres: Regra: Estado (Art. 26, III) Exceção: União (Art. 20, II) - zonas limítrofes com outros países. Águas Superficiais ou Subterrâneas, Fluentes, Emergentes e em Depósito: - Regra: Estado (Art. 26, I) - Exceção: União (Art. 20, I) - zonas limítrofes com outros países. Ilhas Oceânicas e Costeiras: Regra: Estado (Art. 26, II) Exceção: Município (Art. 20, IV) - quando sede do Município. Exceção: União (Art. 20, IV) - áreas afetadas ao serviço público e unidades ambientais federais. BENS DA UNIÃO: - Recursos naturais da plataforma continental e zona econômica exclusiva - Mar territorial - Terrenos de marinha e seus acrescidos - Potenciais de energia hidráulica - Recursos minerais, inclusive os do subsolo - Cavidades naturais subterrâneas e sítios arqueológicos e pré-históricos - Terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Diferencia-se: Competência Material: - Competência administrativa em realizar coisas - Exclusiva da União (Art. 21) - Comum para todos, inclusive municípios (Art. 23) Competência Legislativa e Regulamentar: - PrivaTiva da União (Art. 22) - ConcorrenTe para União, Estados e DF (Art. 24) - Competência da União é para estabelecer normas gerais (Art. 24, §1º) - Competência suplementar dos Estados é permitida (Art. 24, §2º) - Inexistindo lei federal, Estados exercem competência plena (Art. 24, §3º) - Lei federal suspende eficácia de lei estadual quando contrária (Art. 24, §4º) PRINCÍPIOS NA REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA: - Princípio da predominância do interesse: - União = matérias de interesse nacional - Estados = matérias de interesse regional 47 - Municípios = matérias de interesse local - Princípio da subsidiariedade: - Exercício da competência pelo ente mais próximo do "problema" - Competências: - União: expressamente previstas - Estados: residuais - Municípios: expressamente previstas Competências da União: - Competência exclusiva (Art. 21) - Competência material (iniciam por verbos) -Competências gerais (normas gerais, instituir diretrizes) - Competências sensíveis (guerra, atividades nucleares) Art. 21. Competências da União: - Explorar serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens; - Explorar serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território; - Explorar serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros; - Organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio. Competência privativa da União (Art. 22): Esta é uma Competência legislativa para regulamentar. A r t . 2 2 . C o m p e t e p r i v a t i v a m e n t e à União legislar sobre: - Desapropriação - Trânsito e transporte - Registros públicos - Propaganda comercial Observação: Mesmo sendo privativa da União legislar sobre desapropriação, todos os entes podem realizar desapropriações por competência material. MNEMÔNICO CAPACETE DE PM C = Comercial A = Agrário P = Penal A = Aeronáutico C = Civil E = Eleitoral T = Trabalho E = Espacial P = Processual M = Marítimo Competência comum: - Assuntos importantes para todos - Temas coletivos - Zelar pela guarda da Constituição - Saúde - Meio ambiente - Fomentar a cultura Art. 23. Competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: VIII - Fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar; XII - Estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.* *Apesar da competênciapara legislar sobre trânsito ser privativa da União, todos os entes têm competência para estabelecer educação no trânsito. Competência legislativa concorrente: União, Estados e Distrito Federal 48 - Direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico - Juntas comerciais - Produção e consumo - Educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação - Previdência social, proteção e defesa da saúde (competência concorrente) - Os demais direitos são de competência privativa da União - A competência para legislar sobre seguridade social é privativa da União (Art. 22, XXXII). MNEMÔNICO Lembre-se do ursinho PUFET P = Penitenciário U = Urbanístico F = Financeiro E = Econômico T = Tributário Competências dos Estados e do Distrito Federal: - O Distrito Federal possui competência legislativa híbrida, ou seja, pode legislar como os Estados e Municípios (Art. 32, § 1º). - A competência dos Estados é residual, ou seja, podem exercer todas as competências que não lhes sejam vedadas pela Constituição (Art. 25, §1º). A competência para instituir impostos e contribuições residuais é da União (Art. 154, I e Art. 195, §4º). Além disso, a Constituição elenca algumas competências expressamente para os Estados: Exploração de serviços locais de gás canalizado (Art. 25, §2º) Possibilidade de instituição de regiões metropol i tanas, aglomerações urbanas e microrregiões (Art. 25, §3º). Competências dos Municípios: - Competência legislativa: - Competência exclusiva: legislar sobre assuntos de interesse local (Art. 30, I) - Competência suplementar: suplementar a legislação federal e estadual no que couber (Art. 30, II) - Competência administrativa: - Instituir e arrecadar os tributos de sua competência e aplicar suas rendas, com a obrigação de prestar contas e publicar balancetes nos prazos definidos por lei (Art. 30, III) - Criar, organizar e suprimir distritos, observando a legislação estadual (Art. 30, IV) - Organizar e prestar serviços públicos de interesse local, incluindo transporte coletivo, que é essencial (Art. 30, V) - Manter programas de educação infantil e ensino fundamental, em cooperação técnica e financeira com a União e o Estado (Art. 30, VI) - Prestar serviços de atendimento à saúde da população, em cooperação técnica e financeira com a União e o Estado (Art. 30, VII) - Promover adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, parcelamento e ocupação do solo urbano (Art. 30, VIII) 49 Competência nos serviços: - União (Art. 21 XII): Explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão (...). - Estado (Art. 25, § 2º): Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão (...). - Município (Art. 30, V): Prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão (...). Observação: Apenas a União pode delegar serviços por autorização, concessão ou permissão; o Estado apenas por concessão e o município por concessão ou permissão. Se a questão associar a delegação de um serviço do Estado por permissão, por exemplo, já podemos considerá-la como errada. 50 - INTERVENÇÕES: Mecanismo excepcional da Constituição Federal - Utilizada quando não há mais recursos para resolver a situação - Limita temporariamente a autonomia do ente federativo Tipos de Intervenção - Federal: União intervém nos Estados ou no Distrito Federal - Estadual: Estados intervêm em seus municípios - União pode intervir em municípios, mas apenas em territórios federais Motivos para Intervenção - Garantir integridade constitucional - Manter ordem pública - Reorganizar finanças dos estados e municípios - A Intervenção não viola o Estado Democrático de Direito. - Entes federativos têm autonomia, mas ela pode ser limitada em certos casos. - Garantia da ordem e do cumprimento das normas constitucionais e legais para todos os Estados e Municípios. - Princípios a serem seguidos em caso de intervenção: Excepcionalidade, Necessidade, Temporariedade e Formalidade. - Hipóteses previstas na Constituição Brasileira para a decretação da Intervenção Federal e da Estadual. Intervenção Federal: - Realizada pela União em Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios de Territórios Federais. - União só realiza intervenção para: - Manter a integridade nacional; - Repelir invasão estrangeira ou de um estado em outro; - Encerrar grave comprometimento da ordem pública; - Garantir o livre exercício dos Poderes; - Reorganizar as finanças do estado que suspendeu o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos ou que deixou de entregar receitas tributárias aos seus Municípios dentro dos prazos; - Garantir a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; - Assegurar a observância dos princípios constitucionais sensíveis. - Exemplo: União pode realizar intervenção federal na Bahia caso o estado se recuse a prestar contas. - Intervenção federal formalizada através de Decreto Federal, especificando a amplitude, o prazo e, se for o caso, um interventor. - Decreto submetido ao Congresso Nacional em até 24 horas para apreciação. Quem Pode Pedir Intervenção Federal? - Por Solicitação (intervenção federal solicitada pelo poder coagido) - Por Requisição (intervenção federal requisitada pelo STF, STJ, TSE ou STF para garantir o livre exercício do Poder Judiciário ou prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial) - Por provimento do STF, de representação do PGR (intervenção federal decretada após provimento de representação por desrespeito aos Princípios Constitucionais Sensíveis ou recusa ao cumprimento de lei federal) - Espontânea (intervenção federal decidida pelo presidente, com consulta prévia ao Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional) Intervenção Estadual: - Realizada pelos Estados em seus Municípios; 51 - O Estado só intervém no município se houver: • Dívida fundada sem justificativa por dois anos consecutivos; • Falta de prestação de contas; • Não cumprimento do mínimo em saúde e educação; • Não observância dos princípios constitucionais; • Necessidade de execução de lei, ordem ou decisão judicial; A intervenção é decretada pelo governador do Estado; O Tribunal de Justiça precisa aprovar a representação em algumas hipóteses; 52 PODER LEGISLATIVO DAS SESSÕES E REUNIÕES Reuniões ou sessões legislativas: 1. Sessão ordinária: Realizada anualmente no Congresso Nacional. Período: de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. 2. Sessão extraordinária: Convocada em casos de urgência ou interesse público relevante. Pode ser convocada pelo Presidente do Senado, Presidente da República, Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado ou por requerimento da maioria dos membros de ambas as Casas. Necessita da aprovação da maioria absoluta de cada Casa do Congresso Nacional. 3. Sessão conjunta: Realizada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal juntos. Objetivos: a) Inaugurar a sessão legislativa. b) Elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas. c) Receber o compromisso do Presidente e do Vice- Presidente da República. d) Deliberar sobre veto presidencial. 4. Sessão preparatória: Realizada por cada Casa (Senado e Câmara dos Deputados) separadamente. Ocorre a partir de 1º de fevereiro no primeiro ano da legislatura. Objetivos: a) Posse dos membros. b) Eleição das Mesas Diretoras. c) Mandato de 2 anos para as Mesas. d) Vedação de recondução para o mesmo cargo na eleição seguinte. O Poder Legislativo federal é exercido pelo Congresso Nacional, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. A Câmara dos Deputados é composta por 513 representantes do povo, eleitos por sistema proporcional emcada estado, território e no Distrito Federal. Cada estado deve ter no mínimo 8 e no máximo 70 deputados. O mandato dos deputados é de 4 anos. Já o Senado Federal é composto por três senadores de cada estado e do Distrito Federal, sendo eleitos segundo o princípio majoritário. Cada senador é eleito com dois suplentes. O mandato dos senadores é de 8 anos, com renovação de 1/3 e 2/3 do Senado a cada 4 anos. O Poder Legislativo federal é bicameral. • Sistema Proporcional: ◦ P a r t i d o t e m r e p r e s e n t a ç ã o proporcional ao percentual de votos ◦ Usa-se o método do quociente eleitoral Exemplo: partido com 10% dos votos terá 10% das cadeiras • Sistema Majoritário: ◦ Candidato com maior número de votos é eleito • Função legislativa do Congresso Nacional: ◦ Elaborar leis ◦ Regras de deliberação das decisões: ◦ Artigo 47 da CF ◦ Maioria simples dos votos ◦ Maioria dos presentes ◦ Maioria absoluta de seus membros presente • Legislatura: período de 4 anos do mandato parlamentar (Senador tem 2 Legislaturas) ◦ Cada Legislatura tem 4 sessões legislativas 53 • Sessão Legislativa: período anual de atividade do Congresso ◦ Cada sessão legislativa ordinária tem 2 períodos legislativos ordinários: ▪ 1º período: 2 de fevereiro a 17 de julho ▪ 2º período: 1º de agosto a 22 de dezembro • Atribuições do Congresso Nacional Dividem-se nas atribuições que precisam de sanção do presidente e nas que não precisam. • Artigo 48 (necessitam de sanção do presidente): • Artigo 49 (não necessitam de sanção): Algumas das atribuições são: • Autorização para o presidente da República declarar guerra; • Aprovação de tratados internacionais; • Fiscalização contábil, financeira e orçamentária do Executivo; • Julgamento de autoridades em casos de crimes de responsabilidade. Competência Privativa do Congresso Nacional: • Dispor sobre todas as matér ias de competência da União, especialmente sobre: • Fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas (não confundir com a competência do presidente de exercer o comando supremo das Forças Armadas) • Concessão de anistia (enquanto fica com o presidente a competência de concessão de indulto) • Criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84, VI, b (lembre-se também da competência do presidente para extinção dos cargos vagos por decreto autônomo (Art. 84 XXV)) • Organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito Federal • Moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal • Fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º; 150, II; 153, III; e 153, § 2º, I (a fixação do subsídio dos Ministros do STF depende de lei, entretanto a iniciativa é do próprio STF (Art. 96, II, b)) Competência exclusiva do Congresso Nacional: • Autorizar presidentes a se ausentarem do país por mais de 15 dias • Aprovar estado de defesa, estado de sítio e intervenção federal • Sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa • Fixar subsídios de Presidente, Vice-Presidente da República e Ministros de Estado • Julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar relatórios sobre a execução dos planos de governo Competência da Câmara dos Deputados: • Competências constitucionais: ◦ I. Autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado, tanto para o crime comum (STF) quanto para crime de responsabilidade (Senado). Trata-se do juízo de admissibilidade. • II. Proceder à tomada de contas do Presidente da República , quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa. Atente-se ao prazo de 60 dias, pois é muito cobrado em prova. • Demais competências: internas. Competências privativas do Senado Federal: • Processar e julgar autoridades nos crimes de responsabilidade: 54 ◦ Presidente e Vice-Presidente da República ◦ Ministros de Estado e Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ◦ Ministros do Supremo Tribunal Federal ◦ Membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público ◦ Procurador-Geral da República e Advogado-Geral da União Aprovar previamente, por voto secreto após arguição pública, a escolha de: • Ministro do Supremo Tribunal Federal • Ministros do Tribunal de Contas da União • Procurador-Geral da República • Chefe de Missão Diplomática de caráter permanente Aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração de ofício do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato. Competências do Senado Federal sobre Finanças Públicas: • Fixar limites globais da dívida consolidada da União, Estados, DF e Municípios por proposta do Presidente da República (VI) • Dispor sobre limites globais e condições para operações de crédito externo e interno da União, Estados, DF e Municípios, suas autarquias e entidades controladas pelo Poder Público federal (VII) • Dispor sobre limites e condições para concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno (VIII) • Estabelecer limites globais e condições para a dívida mobiliária dos Estados, DF e Municípios (IX) Resumo • Congresso Nacional ◦ Assuntos sensíveis ◦ Assuntos de abordagem nacional ou internacional • Senado Federal (Art. 52) ◦ Julgamento de autoridades ◦ Aprovação de autoridades ◦ Finanças públicas • Exceção exclusiva do CN (Art. 48) ◦ Matéria f inanceira, cambial e monetária ◦ Instituições financeiras e suas operações ◦ Moeda, seus limites de emissão e montante da dívida mobiliária federal • Câmara dos Deputados (Art. 51) ◦ Autor ização do processo de impeachment ◦ Tomada de contas do Presidente não apresentadas ao CN DAS COMISSÕES (ART. 58) Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação. § 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa. § 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: I discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa; II realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil; III convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições; IV receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas; V solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão; VI apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer. CPIs 55 § 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. § 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidasno regimento comum, cuja composição reproduzi rá, quanto possível , a proporcionalidade da representação partidária. COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO (CPI) OBJETO: fato determinado (+ investigação de fatos surgidos no curso) PRAZO: STF (+ sucessivas prorrogações na mesma legislatura) PODERES: próprios das autoridades judiciais (+ outros nos RIs) CRIAÇÃO: req. 1/3 da Casa/Congresso Nacional (vinculada) RELATÓRIO: conclusivo (+ encaminhado ao MP p/ AP | AC). PODERES DAS CPIs: • Quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal; • Determinação de exames, perícias e diligências; • Requisição de documentos e informações de órgãos; • Convocação e interrogatório de pessoas; • Ouvir testemunhas sob juramento e sob pena de condução coercitiva; • Utilização de documentos oriundos de inquérito sigiloso; • Busca e apreensão, desde que não viole domicílio; • Prisão de qualquer pessoa em flagrante delito. LIMITAÇÕES DAS CPIs: • Interceptação telefônica; • Convocação do Chefe do Executivo; • Quebra de sigilo judicial; • Busca e apreensão domiciliar*; • Anulação de atos do Executivo (compete ao Congresso Nacional); • Ordem de prisão, salvo flagrante; • Medidas cautelares (arresto, bloqueio de bens, etc.); • Formulação de denúncia ao Judiciário (MP); • Investigação de negócios entre particulares, salvo interesse público; • CPI federal não pode investigar fatos de competência dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O ASSUNTO: STF MS 25.966: Medidas que restringem direitos só são válidas se: • Pertinentes • Indispensáveis • Motivadas • Com prazo definido • Aprovadas pela MA Art. 50: Câmara dos Deputados, Senado Federal ou Comissão podem convocar Ministros ou titulares de órgãos subordinados à Presidência da República para prestarem informações pessoalmente Ausência sem justificação é crime de responsabilidade. Mesa da Câmara dos Deputados e Senado Federal podem encaminhar pedidos escritos de informações. Recusa, não atendimento em 30 dias ou prestação falsa é crime de responsabilidade DO PROCESSO LEGISLATIVO O processo legislativo é um procedimento com finalidade de produção legislativa. - ATOS NORMATIVOS PRIMÁRIOS ELABORADOS: 1. Emendas à Constituição; 2. Leis complementares; 3. Leis ordinárias; 56 4. Leis delegadas; 5. Medidas provisórias; 6. Decretos legislativos; 7. Resoluções. - ATOS NORMATIVOS PRIMÁRIOS FORA DO ESCOPO DO PROCESSO LEGISLATIVO: 1. Decretos autônomos (competência do chefe do executivo); 2. Regimentos dos tribunais (competência dos tribunais). - ATOS NORMATIVOS SECUNDÁRIOS: 1. Decretos regulamentares. - FORMALIDADE DO PROCESSO LEGISLATIVO: - A Constituição expressa que a lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. - A Lei complementar em questão é a 95 de 1998. NOÇÕES DE PROCESSO LEGISLATIVO: Fases do processo legislativo ordinário: 1ª – Fase introdutória: - Iniciativa do projeto de lei 2ª – Fase Constitutiva: - Deliberação parlamentar (Discussão e aprovação/ rejeição pelo legislativo) - Deliberação executiva (Sanção ou veto do chefe do Executivo) 3ª – Fase Complementar: - Promulgação da lei (Declaração da existência) - Publicação da lei (Comunicação da existência) Iniciativa das Leis: - Complementares e ordinárias: membros ou Comissões da Câmara dos Deputados, Senado Federal, Congresso Nacional, Presidente da República, STF, Tribunais Superiores, PGR e cidadãos. - Iniciativa Popular: - Federal: proposta na Câmara dos Deputados por 1% do eleitorado nacional + de pelo menos 5 estados + ao menos 0,3% dos eleitores de cada estado. - Estadual: regulada por Lei Ordinária. - Municipal: subscrita por no mínimo 5% do eleitorado. Leis de iniciativa privativa do Presidente da República: I - Fixação ou modificação dos efetivos das Forças Armadas II - Disposições sobre: a) Criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; b) Organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; c) Servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; d) Organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; e) Criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; f) Militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. (*a extinção de cargos vagos pode ser realizada por decreto.) 1. Projeto é iniciado na Câmara dos Deputados, exceto se for de autoria do Senado Federal. 2. Casa iniciadora pode: - Rejeitar o projeto (projeto é arquivado); - Aprovar o projeto (projeto vai para Casa revisora). 3. Casa revisora pode: - Emendar o projeto (projeto volta para Casa iniciadora); - Rejeitar o projeto (projeto é arquivado); - Aprovar sem emendas (projeto vai para sanção/veto do Presidente). 4. Emendas: 57 - Emenda (apenas o que foi modificado) será apreciada pela Casa iniciadora. - Casa iniciadora pode: não aprovar as emendas (vale o Projeto inicial) ou aprovar as emendas (vale o Projeto modificado). - Casa iniciadora não pode mais alterar o texto, apenas aprovar ou não as emendas. 5. Emendas parlamentares: os parlamentares podem modificar os textos de lei (emendas parlamentares). 6. Vedação à aumento de despesa prevista (Art. 63 da Constituição): não será admitido aumento da despesa prevista nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o LOA e LDO, e nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público. Sanção e Veto: - Sanção: - Expressa: formalizada antes do prazo de 15 dias úteis. - Tácita: decorrido o prazo de 15 dias úteis. - Veto: - Motivo: inconstitucionalidade ou contrariedade ao interesse público. - Prazo: 15 dias úteis contados do recebimento do projeto. - Comunicação: ao Presidente do Senado Federal em até 48 horas. - Abrangência do veto parcial: texto integral de artigo, parágrafo, inciso ou alínea. - Apreciação do veto: em sessão conjunta dentro de 30 dias contados do recebimento. - Rejeição do veto: exige voto da maioria absoluta. - Deliberação não realizada dentro do prazo: proposição sobrestada até votação final. - Projeto veto não mantido: enviado para promulgação pelo Presidente da República. Trancamento da pauta no processo legislativo: - MP não apreciada em 45 dias contados da publicação - Projeto de lei do Presidente com solicitação de urgência não deliberado em 45 dias - Veto presidencial não apreciado por Deputados e Senado em 30 dias. Aprovação: - Lei Ordinária: Maioria Simples (maioria dos presentes) - Lei Complementar: Maioria Absoluta (maioria do quórum máximo) Art. 69: As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta. ECS (EMENDAS À CONSTITUIÇÃO) - Iniciativa no poder derivado reformador (Art. 60): 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal Presidente da República Mais da 1/2 das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se pela maioria relativa de seus membros - Discussão e votação (Art. 60, §2º): em cada Casa do Congresso Nacional em 2 turnos 3/5 dos votos dos respectivos membros de cada casa (Câmara e Senado) Promulgação (Art. 60, §3º): Pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem (não pelo Presidente) 58 Limitações às EmendasConstitucionais: - Limitação Procedimental: a Constituição não poderá ser emendada durante intervenção federal, estado de defesa, ou estado de sítio. - Limitação Material: não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I. a forma federativa de Estado (forma republicana não é cláusula pétrea); II. o voto direto, secreto, universal e periódico (voto obrigatório não é cláusula pétrea); III. a separação dos poderes; e IV. os direitos e garantias individuais. Limitação Formal: - Princípio da irrepetibilidade: - Matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. - Emendas Constitucionais: não pode haver nova proposta na mesma sessão legislativa - Medidas provisórias: vedada a reedição na mesma sessão legislativa se rejeitada ou perdida a eficácia por decurso de prazo - Leis ordinárias e complementares: rejeitadas só podem ser objeto de novo projeto na mesma sessão legislativa com proposta da maioria absoluta dos membros das Casas do Congresso Nacional Conclusão: O Princípio da irrepetibilidade é aplicado de forma relativa no processo legislativo. Informações importantes sobre ECs: - Ausência de iniciativa popular - Ausência de iniciativa reservada - Ausência de participação dos Municípios - Participação dos Estados e do Distrito Federal - Não se submete a sanção ou veto do Chefe do Poder Executivo - Presidente da República não dispõe de competência para promulgação de uma emenda à Constituição MEDIDAS PROVISÓRIAS - Medidas Provisórias: atos normativos primários gerais com força de lei - Utilizadas pelo Presidente da República em casos de relevância e urgência - Submetidas de imediato ao Congresso Nacional (Art. 62) - Constituição Federal veda a edição de medidas provisórias sobre matéria: Nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; Direito penal, processual penal e processual civil; Organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; Planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvados os créditos extraordinários; Que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; Reservada a lei complementar; Já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. - Prazo para a MP ser votada: 60 dias, prorrogável por mais 60 dias uma única vez. - Se a MP não for apreciada em até 45 dias, ocorrerá o trancamento de pauta. - Em caso de rejeição ou perda de eficácia da MP, o Congresso Nacional deve disciplinar as relações jurídicas delas decorrentes por meio de um decreto legislativo. Se o decreto legislativo não for editado em até 60 dias após a rejeição ou perda de eficácia da MP, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência continuam regidas pela MP. 59 Procedimento da MP - Presidente edita a MP - MP é submetida ao Congresso Nacional (CN), que tem 60+60 dias para apreciar; - Comissão mista emite parecer sobre a MP antes de ser apreciada pelos plenários da Câmara dos Deputados e Senado Federal. - Se MP for convertida em lei, Presidente do Senado Federal a promulgará - Se MP for rejeitada, CN disciplinará relações jurídicas por decreto legislativo - Se MP for modificada, Presidente sanciona ou veta o "projeto de lei de conversão" Medida Provisória no Direito Tributário: - Possível, desde que respeitados os requisitos de relevância e urgência. - MP que implique instituição ou majoração de impostos excepcionados só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. - Impostos (em regra): efeitos no exercício financeiro seguinte a conversão da MP em lei. - Demais tributos e impostos excepcionados: efeitos a partir da publicação da MP. LEIS DELEGADAS: - Presidente solicita delegação ao Congresso Nacional (Art. 68). - Delegação será por meio de resolução do Congresso Nacional (Art. 68, §2º). - Tipos de delegação: típica/própria e atípica/imprópria (Art. 68, caput e §3º). - Apreciação do projeto pelo Congresso Nacional em votação única, vedada qualquer emenda (Art. 68, §3º). - Matérias que não serão objeto de delegação: atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, matéria reservada à lei complementar, organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, carreira e garantia de seus membros, nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais, planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos (Art. 68, §1º). Para uma compreensão completa do tema, veja a lei seca atualizada abaixo: SEÇÃO VIII DO PROCESSO LEGISLATIVO SUBSEÇÃO I DISPOSIÇÃO GERAL Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de: I - emendas à Constituição; II - leis complementares; III - leis ordinárias; IV - leis delegadas; V - medidas provisórias; VI - decretos legislativos; VII - resoluções. Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. SUBSEÇÃO II DA EMENDA À CONSTITUIÇÃO Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 60 § 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando- se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. § 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. § 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. SUBSEÇÃO III DAS LEIS Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; II - disponham sobre: a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) f) militares das Forças Armadas, seu regimejurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) III – reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art61%C2%A71iif https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art61%C2%A71iif https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 61 § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, suspendendo-se durante os períodos de recesso do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativosda Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público. Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados. § 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa. § 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior. § 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código. Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 62 votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar. Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora. Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará. § 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. § 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. § 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção. § 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013) § 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República. § 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice- Presidente do Senado fazê-lo. Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. § 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. § 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício. § 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda. Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta. DEPUTADOS E SENADORES Prerrogativas dos Deputados e Senadores: Imunidade material: - Invulnerabilidade civil e penal por opiniões, palavras e votos - Válido para Senadores e Deputados federais e estaduais - Necessário estar atuando na qualidade de parlamentar - Opiniões e palavras devem estar relacionadas ao mandato - Abrangida em todo o território nacional Os vereadores são invioláveis civil e penalmente por suas opiniões, palavras e votos, desde que estejam agindo na qualidade de Vereador e que as opiniões e palavras tenham relação com o mandato. Além disso, sua atuação é limitada geograficamente ao respectivo município. Imunidades formais: Prisão: - Só podem ser presos desde a expedição do diploma, no caso de flagrante de crime inafiançável. - Os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva. - Pelo voto da maioria absoluta de seus membros, será resolvido sobre a manutenção ou não da prisão. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc76.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc76.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc76.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 63 Foro por prerrogativa de função:Constituição revoga inteiramente a anterior. - Normas constitucionais anteriores só podem ser absorvidas como normas infraconstitucionais de forma expressa. Recepção: - Analisa-se a compatibilidade MATERIAL entre norma infraconstitucional pré-constitucional e a Constituição atual. - Incompatibilidade FORMAL não impede a recepção. Desconstitucionalização: - Normas constitucionais anteriores são absorvidas como normas infraconstitucionais só de forma expressa. 7 Inconstitucionalidade Superveniente NÃO aceita no Brasil. STF entende que lei inconstitucional é um ato nulo, que NÃO admite a constitucionalidade / inconstitucionalidade superveniente. Repristinação: - Só é permitida de forma expressa. - Efeito repristinatório pode ocorrer se uma lei B revoga a lei A e o STF suspende a lei B por medida cautelar com efeito “EX NUNC”, fazendo a lei A voltar a vigorar automaticamente salvo manifestação contrária. Mutação Constitucional: - Processos informais sem modificação do texto constitucional. PODER CONSTITUINTE PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO (PCO): - Não há direito adquirido, ato jurídico perfeito, nem coisa julgada em face de decisão do PCO. - Teoria adotada no Brasil: positivismo jurídico. - PCO é pré-jurídico - natureza política. - Formas básicas de exercício do PC: - Convenção: pelo povo, direta ou indiretamente; - Outorga: ação de usurpadores do poder. - É inicial, autônomo/ilimitado, incondicionado e permanente. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE: - Poder dos estados-membros de elaborar as suas próprias constituições. - Cuidado! DF possui LOrg, mas com status de CE. - Deriva de outro poder que o instituiu (neste caso o PCO). - É subordinado a regras materiais e condicionado - exercício deve seguir as regras previamente estabelecidas. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR: - Poder de editar emendas à Constituição. PODER CONSTITUINTE DIFUSO: - STF altera a CF via mutação no sentido. MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO: Interpretativista: Juiz não pode transcender o que diz a constituição Não-Interpretativista: Juiz tem maior liberdade. Valores substantivos (justiça, liberdade, igualdade) Científico espiritual: Considera os valores da sociedade e da CF e a realidade social presente. Busca-se a interpretação da constituição como um conjunto, em um processo de integração comunitária. Tópico-Problemático: Prevalência do PROBLEMA sobre a norma Hermenêutico-Concretizador: Prevalência da NORMA sobre o problema. "Espiral hermenêutica” Normativo estruturante: NORMA = texto APLICADO à realidade - prioriza-se a concretização em detrimento da interpretação. Métodos Clássicos (Savigny) Sistemático: vê a norma a ser interpretada como inserida em um sistema. Histórico / Genético: busca investigar as origens e entender o contexto de produção. 8 Teleológico: busca a FINALIDADE da norma. (EX: expandir o conceito de “casa”) Jurídico: identidade entre lei e constituição. CF interpretada pelas regras tradicionais de hermenêutica. 9 PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO: Não Se Deve Confundir os Métodos com os Princípios. Métodos são práticos, são processos pelos quais a interpretação ocorre. Já os princípios norteiam os métodos de maneira teórica, mas que devem ser obedecidas. Servem como limites aos métodos. Princípio é a moldura e Método é a obra de arte. Princípios: Unidade da Constituição - análise integrada das normas para evitar contradições; Efeito Integrador - interpretações que favoreçam a integração política e social e reforcem a unidade política são prestigiadas; Justeza/Conformidade Funcional - visa evitar a modificação da repartição de funções estabelecida na CF; Concordância Prática ou Harmonização - deve-se ponderar os valores dos princípios e normas, evitando o sacrifício total de um em relação ao outro; Força Normativa - adotar interpretação que garanta maior eficácia e permanência das normas para evitar que se tornem uma "letra morta"; Máxima Efetividade - buscar a máxima efetividade dos direitos fundamentais; Interpretação Conforme a Constituição (Leis) - preferir a interpretação que mais se aproxima da Constituição em caso de normas polissêmicas, com ou sem redução de texto. Art. 28, § único, Lei 9.868 - tem eficácia contra todos e efeito vinculante (ADI/ ADC). INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Para uma melhor compreensão, entenda a divisão feita pelo professor Canotilho. Basicamente se dividem em duas categorias: (i) político-constitucionais e (ii) jurídico-constitucionais. Os princípios político-constitucionais são decisões políticas fundamentais expressas em normas e estruturam o sistema jurídico. São considerados fundamentais e se referem às características mais importantes do Estado, como o princípio republicano, o federativo, a separação dos poderes e a dignidade da pessoa humana. Os princípios jurídico-constitucionais são princípios gerais presentes na ordem jurídica nacional e derivam dos princípios político-constitucionais. Eles estão enunciados no texto constitucional, e são exemplos o princípio da legalidade, da isonomia e da proteção social dos trabalhadores, entre outros. ESTRUTURA DE UM ESTADO *Entenda-se ESTADO como país. Estados-Membro é que são os estados da nossa federação, como o Estado de São Paulo, o Estado da Bahia, etc. Escolhas básicas para estruturação de um Estado: - Forma de Estado: federada (artigos 1° e 18 da CF/ 88) - Forma de Governo: republicana (artigo 1° da CF/88) - Sistema de Governo: presidencialista. Vejamos em detalhes: FORMA DE GOVERNO - Republicana - Monárquica O Brasil optou pela República: - Significa "coisa pública", "coisa do povo" Princípios de uma República: - Eletividade (governantes são eleitos pelos governados) - Temporariedade (eleitos por prazo certo e determinado) 10 - Possibilidade de responsabilização (governante pode ser responsabilizado por infrações relacionadas à sua atuação política - crimes de responsabilidade) Desde o Decreto nº 1 de 15 de novembro de 1889, o Brasil é um país republicano. A Constituição de 1891 foi a primeira a adotar essa forma de governo, e todas as subsequentes seguiram essa mesma linha. Vale lembrar que a primeira Constituição do país, a de 1824, estabelecia uma monarquia. A monarquia é a forma de governo mais antiga ainda em vigor, e suas características são a irresponsabilidade política do monarca, a hereditariedade na transmissão do poder e a vitaliciedade no exercício do poder. Mesmo com a tradição republicana, o Brasil começou como uma monarquia com a Constituição de 1824. SISTEMA DE GOVERNO - Permite identificar a relação entre os Poderes dentro de um Estado - Sistemas básicos: presidencialismo e parlamentarismo (i) Surgimento: - Presidencialismo surgiu nos EUA na Constituição de 1787 - Parlamentarismo teve contornos iniciados na Inglaterra do século XI (ii) Chefia: Presidencialismo: chefia é una, com todas as funções executivas concentradas no Poder Executivo, desempenhada pelo Presidente da República - Presidente da República não depende do apoio da maioria dos Parlamentares para se eleger ou governar - Programa de governo pode ser divergente das concepções partilhadas pela maioria do Parlamento - Presidente precisará arquitetar um apoio de uma maioria parlamentar para governar num cenário multipartidário - Vínculo político entre Poder Executivo e Legislativo é construído posteriormente - Presidencialismo de coalizão no Brasil. Parlamentarismo: chefia é dual, desempenhada pelo Monarca ou pelo Presidente da República (chefia de Estado) e pelo chefe de Governo (como no caso da Itália, Alemanha e Áustria) - Monarca e Presidente possuem atribuições meramente protocolares - Chefia de Governo é realizada pelo 1o Ministro - 1o Ministro governa com o Conselho de Ministros, que compõe seu gabinete - Parcela das funções- Desde a expedição do diploma, serão julgados perante o Supremo Tribunal Federal. - Infrações penais que guardarem relação com o mandato. Processo: - Instaurado processo criminal contra Deputados e Senadores - Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva - Casa respectiva poderá sustar o andamento da ação até a decisão final - Sustação requer iniciativa de partido político e voto da maioria dos membros Imunidade probatória: - Não obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do mandato - Não obrigados a revelar pessoas que lhes confiaram ou de quem receberam informações Prerrogativa testemunhal: - Ajustarão com autoridade competente local, dia e hora para serem inqueridos. Estado de Sítio: - Prerrogativas só podem ser suspensas mediante votação de 2/3 dos membros da Casa respectiva - Para casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional que sejam incompatíveis com a execução da medida Imunidade Material e Formal: - Deputados estaduais e distritais possuem imunidade material e formal relativa ao processo - Vereadores possuem imunidade material com limitação territorial Prerrogativas do Presidente da República: - Imunidade formal: não possui Imunidades materiais: - Prisão: Presidente não pode ser preso antes de sentença condenatória. - Foro por prerrogativa de função: Presidente julgado pelo Supremo Tribunal Federal em casos de infrações penais comuns relacionadas com mandato e pelo Senado Federal em casos de crime de responsabilidade. Processo: - Só poderá ser processado e julgado por crime comum ou de responsabilidade - Autorização da Câmara dos Deputados necessária - 2/3 dos membros devem aprovar Suspensão das funções: - Recebimento da denúncia pelo STF ou pelo Senado - Presidente ficará suspenso das funções por 180 dias - Se julgamento não estiver concluído após o prazo, afastamento será cessado - Processo continuará normalmente IMUNIDADES Prisão de Deputados e Senadores: - Possível em caso de flagrante de crime inafiançável. - Autos remetidos à Casa respectiva para decisão sobre manutenção da prisão. - Decisão tomada por maioria absoluta. Prisão do Presidente da República: - Não sujeito a prisão cautelar ou em flagrante. - Exceção: sentença condenatória. PROCESSO Deputados e Senadores: - Não é necessário autorização prévia - Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva - Casa pode sustar a ação pelo voto da maioria de seus membros, com iniciativa do partido político representado Presidente da República - Só pode ser processado e julgado com autorização da Câmara dos Deputados - Autorização requer decisão de dois terços de seus membros - Se denúncia recebida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Senado Federal, o Presidente fica suspenso por 180 dias - Se o julgamento não estiver concluído após 180 dias, o afastamento do Presidente cessa, mas o processo continua. SUSPENSÃO: - Deputados e Senadores: possível suspensão do processo 64 - Presidente da República: aceita a denúncia, PR fica automaticamente suspenso das funções. VEDAÇÕES-INCOMPATIBILIDADES DOS DEPUTADOS E SENADORES I. Vedações Funcionais - Desde a expedição do diploma > Aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado em pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum" - Desde a Posse > Ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum" e/ou aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum" em pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público CONTRATUAIS: - Diploma expedido: - Contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público - Exceção para contrato com cláusulas uniformes. POLÍTICAS: - Posse - Ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo PROFISSIONAIS: - Com diploma expedido - Não podem: - Ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que tenha contrato com pessoa jurídica de direito público e receba benefícios - Exercer função remunerada em empresa com contrato com pessoa jurídica de direito público - Patrocinar causa em que qualquer das entidades (pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público) seja interessada. PERDA DO MANDATO PROCEDIMENTO: - Automática/Declarada: A perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. - Votada/decidida: A perda será decidida pela Casa respectiva, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. HIPÓTESES Automática/Declarada: - Deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; - Perder ou tiver suspensos os direitos políticos; - Decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição. Votada/decidida: - Infringir as vedações parlamentares; - Proceder de modo incompatível com o decoro parlamentar: a) casos definidos no regimento interno; b) abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional; c) percepção de vantagens indevidas. - Sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. Obs.: A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais. Casos em Que Deputados e Senadores Não Perdem o Mandato: - Deputado ou Senador investido no cargo de: Ministro de Estado; Governador de Território; Secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital; Chefe de missão diplomática temporária. Obs.: nesses casos, o Deputado ou Senador poderá optar pela remuneração do mandato. 65 - Licenciado por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa. Obs.: O suplente será convocado nos casos de vaga, de investidura ou de licença superior a cento e vinte dias. Não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato. PODER EXECUTIVO |__ CHEFE DE ESTADO • Representa o Estado nas relações internacionais • Corporifica a unidade interna • É a "cara" do país |__ CHEFE DE GOVERNO • Gerencia os negócios internos do Estado • Exerce liderança na política nacional • Orienta decisões gerais e dirige a máquina administrativa FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO FORMAS DE GOVERNO: Monarquia: concentração do poder político em uma só pessoa, cargo vitalício e hereditário; República: povo tem direito de escolher seus governantes, governantes são escolhidos temporariamente e devem prestar contas. SISTEMAS DE GOVERNO: Dependendo do sistema de governo adotado em uma república, a participação direta ou indireta do povo na administração pode variar. 1. PRESIDENCIALISMO: Chefe de governo e de Estado é o presidente; Governantes são escolhidos pelo povo; Separação dos poderes; Independência entre os poderes; Harmonia entre os poderes. 2. PARLAMENTARISMO: Chefe de governo administra o país; Chefe de Estado cuida das relações externas e forças armadas; Chefe de Estado é escolhido pelos parlamentares; Governantes são escolhidos pelo povo; Interdependênciaentre legislativo e executivo; Descentralização da chefia de governo e de Estado; Dissolução do parlamento com convocação de novas eleições gerais, por injunção do chefe de Estado. Sobre o Presidente e Vice-Presidente da República: Eleição: sistema majoritário de 2 turnos, maioria ABSOLUTA dos votos VÁLIDOS (50% +1) Em caso de morte, desistência ou impedimento antes do 2o turno: 1) Convocado, entre os remanescentes, o de MAIOR VOTAÇÃO; 2) Se dentre os remanescentes houver empate, convoca-se o de maior idade Posse: PR / VPR tomarão posse em até 10 dias, em sessão do Congresso Nacional, mandato começa em 05/ janeiro do ano seguinte Substituição: VPR substitui o PR diante de impedimentos. Em caso de vacância: Presidente não tomar posse em 10 dias, salvo força maior; Ausência do país por +15 dias sem autorização do Congresso Nacional, aplica-se aos estados; Vacância do cargo de Presidente, o Vice-Presidente assume. Dupla Vacância STF (ADI 1057/21): autonomia dos E, DF e M para legislar, desde que previsto eleições, diretas ou indiretas. 02 primeiros anos do mandato: eleições diretas em 90 dias 02 últimos anos do mandato: eleições indiretas em 30 dias. ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DO PRESIDENTE Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: I - nomear e exonerar os Ministros de Estado; II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição; 66 IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente; VI – dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos; VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional; IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; X - decretar e executar a intervenção federal; XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias; XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais- generais e nomeá-los para os cargos que lhes são privativos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99) XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei; XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União; XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União; XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII; XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional; XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional; XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional; XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas; XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição; XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior; XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei; XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62; XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição. XXVIII - propor ao Congresso Nacional a decretação do estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021) Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações. SEÇÃO III DA RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I - a existência da União; https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc32.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc23.htm#art84xiii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc23.htm#art84xiii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc23.htm#art84xiii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc109.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc109.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc109.htm#art1 67 II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV - a segurança interna do País; V - a probidade na administração; VI - a lei orçamentária; VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais. Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento. Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade. § 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções: I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal; II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal. § 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo. § 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidenteda República não estará sujeito a prisão. § 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções. Competência privativa da União: definição dos crimes de responsabilidade e normas de processo e julgamento. Crimes de responsabilidade do Presidente da República: atentados contra a Constituição Federal e, em especial, contra a existência da União, exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, livre exercício do Legislativo, Judiciário, MP e dos poderes constitucionais das UFs, segurança interna do país, probidade na administração, lei orçamentária e cumprimento das leis e decisões judiciais. JURISPRUDÊNCIAS Art. 86, § 4o. Presidente da República: imunidade não extensível a outras autoridades Presidente da República não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções durante o mandato. Regra não se aplica a prefeitos, governadores, legisladores Única imunidade do PR extensível aos governadores é o juízo de admissibilidade Rito processual de julgamento: No impeachment, todas as votações são abertas Aplicação subsidiária do RICD / RISF ao impeachment não viola a reserva legal Competência legislativa: Definição dos crimes de responsabilidade e normas de processo e julgamento é competência privativa da União Ação penal contra governador: Vedado às UFs instituir normas que condicionem a instauração de ação penal contra governador, por crime comum, à previa autorização da AL STJ pode dispor sobre a aplicação de medidas cautelares penais, inclusive afastamento do cargo. MINISTROS DE ESTADO: Escolhidos pelo Presidente Maiores de 21 anos Competências: Expedir IN p/ execução das leis, decretos e regulamentos Referendar atos emanados e decretos assinados pelo PR Apresentar relatório ANUAL de gestão ao PR Exercer orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da ADMF na área de sua competência 68 LEI: Criação e extinção de Ministérios e órgãos da ADMP. Conselho da República (ConR): Órgão superior de consulta do PR Composto por líderes da CD/SF, 6 BRA natos com +35 anos, mandato de 3 anos, sem recondução (2-PR | 2-CD | 2-SF) Competência para se pronunciar sobre intervenção federal, estado de defesa e de sítio e questões relevantes para estabilidade das instituições democráticas. PR pode convocar MINISTRO p/ participar de reunião quando na pauta estiver questão relacionada ao seu Ministério. Conselho de Defesa (ConD): Órgão de consulta do PR sobre soberania e defesa do EDD Composto pelo MD, MRE, MPOG e comandante das FFAA Competência para opinar sobre intervenção federal, estado de defesa e de sítio, declaração de guerra e celebração da paz; segurança do território, a garantia da independência nacional e defesa do EDD. PODER EXECUTIVO ESTADUAL: Governador perderá mandato se assumir outro cargo ou função na ADMD/ADMI (exceto concurso público) Subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por LEI DE INICIATIVA da Assembleia Legislativa. PODER EXECUTIVO MUNICIPAL ELEIÇÃO Eleição do Prefeito: Menos de 200 mil eleitores: Eleição simultânea para prefeitos e vereadores - Não há 2º turno - Candidato com maior número de votos é eleito Mais de 200 mil eleitores: Mesmos moldes do Presidente Haverá 2º turno DUPLA VACÂNCIA Municípios têm autonomia política para disciplinar o processo de escolha dos sucessores no caso de dupla vacância Constituição estadual não pode interferir 69 70 1. [Julgue o item a seguir, referente à Constituição da República. O inciso IV do art. 3º trata da promoção do bem de todos sem preconceito. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 2. [Julgue o item a seguir, referente à Constituição da República. A igualdade é um princípio geral do ordenamento e pedra angular do regime democrático. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 3. [Julgue o item a seguir, referente à Constituição da República. A Constituição é uma norma jurídica pura, positivada em um texto formal, segundo a concepção de Hans Kelsen. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12] 4. [Julgue o item a seguir, referente à Constituição da República. No sentido político, a Constituição espelha os fatores reais de poder, isto é, revela a vontade da elite política dominante do momento. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 12] 5. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A administração pública é composta apenas pelo Poder Executivo. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 17] 6. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A função típica do Poder Legislativo é administrar. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 17] 7. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A função típica do Poder Executivo é julgar. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 17] 8. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A função típica do Poder Judiciário é legislar. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 17] 9. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A função atípica do Poder Legislat ivo é julgar. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12] 10. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A função atípica do Poder Executivo é legislar. 71 ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12] 11. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A função atípica do Poder Judiciário é administrar. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12] 12. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A administração pública direta é composta pelos órgãos e entidades da administração pública que possuem personalidade jurídica própria. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 12] 13. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A administração pública indireta é composta pelos órgãos e entidades da administração pública que não possuem personalidade jurídica própria. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 12] 14. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A administração pública pode ser centralizada ou descentralizada. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12] 15. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A administração pública centralizada é aquela em que os órgãos e entidades estão subordinados diretamente ao chefe do Poder Executivo. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12] 16. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A administração pública descentralizada é aquela em que os órgãos e entidades possuem autonomia administrativa e financeira. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12] 17. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A administração pública indireta é composta pelas empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 18. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. As empresas públicas são entidades da administração pública indireta que possuem personalidade jurídica de direito privado. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 72 19. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. As sociedades de economia mista são entidades da administração pública indireta que possuem personalidade jurídica de direito público. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 17] 20. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. As fundações públicas são entidades da administração pública indireta que possuempersonalidade jurídica de direito privado. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 17] 21. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A licitação é um procedimento administrativo obrigatório para a contratação de obras, serviços, compras e alienações na administração pública. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 22. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A dispensa de licitação é permitida em casos de emergência ou de calamidade pública. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 23. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A inexigibilidade de licitação é permitida quando houver inviabilidade de competição. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 24. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação mais utilizada é o pregão. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 17] 25. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. O pregão é uma modalidade de licitação exclusiva para a contratação de bens e serviços comuns. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 64] 26. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação convite é utilizada para contratações de pequeno valor. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 64] 27. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação tomada de preços é utilizada para contratações de médio valor. 73 ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 64] 28. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação concorrência é utilizada para contratações de grande valor. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 64] 29. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação leilão é utilizada para a venda de bens móveis inservíveis para a administração pública. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 64] 30. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação concurso é utilizada para a seleção de projetos ou trabalhos técnicos, científicos ou artísticos. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 64] 31. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação concurso é utilizada para a contratação de serviços de publicidade. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 64] 32. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação concurso é utilizada para a contratação de serviços de consultoria. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 64] 33. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação concurso é utilizada para a contratação de serviços de engenharia. ☐Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 49] 34. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação concurso é utilizada para a contratação de serviços de limpeza e conservação. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Errado. 12] 35. [Julgue o item a seguir, referente à administração pública. A modalidade de licitação concurso é utilizada para a contratação de serviços de vigilância. ☐ Certo ☐ Errado Resposta: Certo. 12]executivas (chefia de Governo) é do Poder Legislativo - Vínculo político necessário entre Poder Executivo e Legislativo é construído "a priori” - Relação de confiança e apoio deve se manter durante todo o exercício do cargo - Possibilidade constante de dissolução/queda do Gabinete pelo Parlamento (iv) Mandato Presidencialismo: - Mandato cumprido por prazo certo e previamente determinado (4 anos no Brasil) - Não é possível destituir o Presidente da República do seu cargo por mera liberalidade do Parlamento - Única possibilidade de abreviar o mandato é por condenação por crime de responsabilidade Parlamentarismo: - 1º Ministro chefiando o Governo por tempo indeterminado - Mandato não tem prazo previamente determinado 11 (v) Principais vantagens Presidencialismo: - Estabilidade decorrente de mandatos com prazo certo - Legitimidade, uma vez que o candidato eleito tem grande aceitação popular Parlamentarismo: - Relação harmoniosa e bem articulada entre os Poderes - Superar crises políticas de forma mais rápida e menos dolorosa, com substituição simplificada do Governo FORMA DE ESTADO - Refere-se à divisão do poder político em razão de um território - Princípio federativo é adotado como critério organizador na Carta Constitucional - Forma de Estado no Brasil é federada - Não confundir com forma de governo (republicana) ou sistema de governo (presidencialista) FORMA DE ESTADO Relaciona-se com a divisão no exercício do poder político em razão do território. Existem duas formas usuais: Estado unitário e Estado federado. Estado unitário: - Característica marcante é a centralização política. - O poder encontra-se em um único núcleo estatal, do qual emanam todas as decisões. - Existe descentralização administrativa. - O Brasil já foi um Estado Unitário. Estado federado: - A nota marcante é a descentralização no exercício do poder político. - O poder é pulverizado em mais de uma entidade política. - Todas funcionam como centros emanadores de comandos normativos e decisórios. - Os entes da federação incluem: União, Estados- membros, Distrito Federal e Municípios. - Só o Estado Federal possui soberania, os entes federados possuem autonomia. Isso quer dizer que o Estado Federal - o Brasil, como um todo - é soberano perante outros países, isto é, totalmente independente. - Indissolubilidade do vínculo federativo, com a consequente inexistência do direito à secessão. A FEDERAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988: - 1ª Constituição brasileira (1824): Estado unitário - 1ª Constituição republicana (1891): Federação resultante da segregação de competências entre entidades federadas - Constituições subsequentes: Adotam a federação - Constituição de 1988: Federação é princípio fundamental e cláusula pétrea - Entes federados: União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos entre si, sem hierarquia - Vínculo indissolúvel: Não há direito de secessão - Soberania: Exclusiva da República Federativa do Brasil - Entes federados: Dotados de autonomia. 12 QUESTÕES QUESTÃO 1 Ano: 2021 Banca: Quadrix Órgão: CRT-04 Provas: Agente de Fiscalização - Edificações/Construção Civil Com relação ao conceito e aos sentidos de constituição, julgue o item. No sentido político, a constituição espelha os fatores reais de poder, isto é, revela a vontade da elite política dominante do momento. A) CERTO B) ERRADO COMENTÁRIOS GABARITO: Errado - Alternativa B Sociológico (Ferdinand Lassale): Constituição é a soma dos fatores reais de poder na prática, ou seja, é como a Constituição deveria ser na sua efetividade. A Constituição é um fato social e não uma mera folha de papel. QUESTÃO 2 Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Agente de Fiscalização Existem várias concepções a serem tomadas para definir o termo “Constituição”, e alguns autores preferem a ideia da expressão tipologia dos conceitos de Constituição em várias acepções (LENZA, 2019). Quanto ao conceito de Constituição em seus diversos sentidos, julgue o item. Na concepção de Hans Kelsen, a palavra Constituição, em seu sentido lógico-jurídico, tem o significado de norma fundamental hipotética. A) CERTO B) ERRADO COMENTÁRIOS GABARITO: Certo - Alternativa A Jurídico (Hans Kelsen): Constituição é uma norma jurídica pura, positivada em um texto formal. No sentido lógico-jurídico, é uma norma hipotética; no sentido jurídico- positivo, é uma norma escrita.X` PRÉVIA DO ASSUNTO De Que Tratam os 4 Primeiros Artigos da Constituição da República? Os 4 primeiros artigos da Constituição da República Federativa do Brasil estabelecem princípios fundamentais e diretrizes gerais para a organização do país. Podemos considerá-los o início do nosso ordenamento jurídico, o ponto de partida. Eles falam diretamente sobre: - União indissolúvel da República Federativa do Brasil, constituída em Estado Democrático de Direito; - Soberania popular (todo o poder emana do povo); - Fundamentos: sociedade livre, justa e solidária; garantia do desenvolvimento nacional; erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais e regionais; promoção do bem de todos, sem discriminação; - Princípios nas relações internacionais: prevalência dos direitos humanos, igualdade entre os Estados, repúdio ao terrorismo e ao racismo, cooperação para o progresso da humanidade; 13 - Busca pela integração econômica, política, social e cultural entre os povos da América Latina para a formação de uma comunidade latino-americana de nações. Antes do aprofundamento, vejamos alguns conceitos que serão úteis: Forma de Estado: Federação (federalismo cooperativo); MNEMÔNICO: FÉ NA FEDERAÇÃO Forma de Governo: República; MNEMÔNICO: FOGO NA REPÚBLICA Sistema de Governo: Presidencialismo; MNEMÔNICO: SIGO O PRESIDENTE Regime de Governo: Democracia (com participação semidireta do povo); MNEMÔNICO: REGO A DEMOCRACIA OUTROS CONCEITOS IMPORTANTÍSSIMOS Direitos: Bens e vantagens prescritos na norma constitucional Deveres: Instrumentos para assegurar o exercício dos direitos e reparar eventuais violações GERAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS Gerações de direitos constitucionais são uma forma de classificar os direitos humanos em diferentes categorias ou fases históricas, de acordo com sua evolução e reconhecimento na sociedade. Essa classificação ajuda a compreender a progressão dos direitos ao longo do tempo e reflete a expansão e o desenvolvimento dos direitos fundamentais nas constituições e nas legislações de diversos países. A teoria das gerações de direitos surgiu como resultado das mudanças sociais e políticas que ocorreram ao longo dos séculos, levando a uma ampliação gradual do escopo dos direitos protegidos e reconhecidos pela lei. Essas gerações são frequentemente associadas a momentos históricos específicos e às demandas sociais que surgiram em cada período. GERAÇÕES 1ª Geração: Liberdade e Direitos Civis e Políticos 2ª Geração: Igualdade e Direitos Sociais Econômicos Culturais 3ª Geração: Fraternidade e Direitos Difusos 4ª Geração: Direito à democracia, à informação, ao pluralismo e à engenharia genética ANÁLISE ESPECÍFICA DOS ARTIGOS 1° A 4° ARTIGO 1° 14 O artigo primeiro deixa claro 3 pilares que regem a nossa nação: A Forma de Estado, O Regime de Governo e os Fundamentos da República Federativa do Brasil. Forma de Estado que o Brasil adota: União indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal O Regime de Governo que o Brasil adota: Estado Democrático de Direito Fundamentos: - Soberania - Cidadania - Dignidade da pessoa humana - Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa - Pluralismo político Para memorizar os incisos (FUNDAMENTOS) do art. 1°: So-Ci-Di-Va-Plu. Vejamos cada um em detalhes: SOBERANIA Soberania é propriedade essencial de todo Estado Nacional.País precisa de soberania para ser considerado como tal. Ter soberania significa não se subordinar a nenhum país no cenário internacional e ser um poder supremo no cenário interno. Soberania pode ser lida em duas perspectivas. Na ótica internacional, significa independência e igualdade entre os Estados. Na perspectiva interna, significa supremacia da Constituição sobre todas as outras normas. CIDADANIA Cidadania é o direito que todo indivíduo possui de participar da vida política do Estado. Isso pode ser feito por meio do exercício dos direitos políticos, atuando em plebiscitos ou referendos, propondo ação popular ou subscrição de um projeto de lei. A construção do Estado requer a participação de todos os cidadãos em múltiplas frentes de ação. Idealmente, deve haver uma relação harmoniosa entre a sociedade e os eleitos para uma atividade política robusta e constante. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA O art. 1° afirma que a dignidade da pessoa humana é o terceiro fundamento do nosso ordenamento. Esse valor- fonte é a base de todos os direitos fundamentais e um ingrediente argumentativo crucial. Ele impede a funcionalização e a tratamento das pessoas como objetos. O STF afirmou que a dignidade da pessoa humana é um vetor interpretativo e valor-fonte que inspira todo o ordenamento constitucional vigente no Brasil. Isso significa que a Dignidade da Pessoa Humana é um princípio central no país, que coloca o ser humano como preocupação central do Estado. É dever do Estado garantir que a pessoa não seja mercantilizada e promover o desenvolvimento da personalidade humana. A dignidade da pessoa humana é um princípio fundamental que tem sido amplamente utilizado pela Corte Suprema e pela doutrina para embasar questões pertinentes aos Direitos Fundamentais. Através da elaboração de súmulas vinculantes, a relevância desse princípio foi comprovada em várias decisões importantes. A Súmula Vinculante 11 é um exemplo disso, já que determina que o uso de algemas só é permitido em casos excepcionais de resistência ou perigo à integridade física do preso ou de terceiros, através de autorização por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal. A Súmula Vinculante 56, por sua vez, determina que a falta de um estabelecimento penal adequado não justifica a 15 manutenção do condenado em um regime prisional mais severo. Direito à vida apresentado em duas perspectivas: i) Direito de continuar vivo (não ser morto); ii) Direito à vida digna. Constituição brasileira veda a pena de morte, exceto em guerra declarada. Proteção à vida digna vai além da subsistência física e inclui acesso a bens, serviços essenciais, liberdades e direitos, proibição de tratamento desmerecedor e penas cruéis. Decisões importantes do STF: (i) Julgamento da ADPF n° 54 em 2012 - declarou a inconstitucionalidade da interpretação que tipifica como crime a interrupção da gravidez de feto anencefálico, violando preceitos como a laicidade do Estado, a dignidade da pessoa humana, a proteção da autonomia, da liberdade, da privacidade e da saúde. (ii) Reconhecimento de direitos previdenciários a casais homoafetivos em 2003, embrião do entendimento de que entidade familiar não se limita à união estável entre homem e mulher; consolidado em 2011 no julgamento da ADI 4.277 e ADPF 132, reconhecendo o direito fundamental à orientação sexual e a legitimidade jurídica da união homoafetiva como entidade familiar, baseados em princípios como a dignidade da pessoa humana, a liberdade, a autodeterminação, a igualdade, o pluralismo, a intimidade, a não discriminação e a busca da felicidade. (iii) O STF considera constitucionais os preceitos da Lei de Biossegurança que permitem o uso de células-tronco embrionárias de embriões humanos fertilizados in vitro e não utilizados para pesquisas e terapias, pois não ferem o direito à vida ou à dignidade da pessoa humana. (iv) Em 2018, o STF declarou que condução coercitiva para interrogatório é incompatível com a Constituição Federal, pois restringe temporariamente a liberdade sem nenhum direito legal ou motivo justo, e trata o indivíduo como culpado, violando a dignidade da pessoa humana. (v) Em 2018, o STF reconheceu o direito dos transgêneros de alterar seu nome e gênero diretamente em seus registros civis, sem a obrigação de comprovar certificações médicas e psicológicas. Isso foi feito com base nos princípios da dignidade da pessoa humana, da inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem. VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA - Opção constitucional pelo sistema econômico capitalista, com propriedade privada dos meios de produção e livre iniciativa. - Economia de livre mercado com foco no bem-estar social e melhoria das condições de vida da sociedade. - Art. 170 da CF/88 reforça a valorização do trabalho humano e livre iniciativa para assegurar existência digna conforme ditames da justiça social. - Fundamento em estudo garante liberdade para iniciar, organizar e gerir atividade econômica, mas não é absoluto. - Ordens econômicas são orientadas pelos princípios da proteção do consumidor e livre concorrência, legitimando intervenções estatais para correção de falhas de mercado e defesa dos direitos do consumidor e igualdade de concorrência. PLURALISMO POLÍTICO - Reconhece a diversidade da sociedade - Permite a defesa de ideias e concepções diferentes - Tolerância com ideias efetivamente contraditórias - Assegura a liberdade de expressão e participação democrática *Não deve ser confundido com pluripartidarismo ou multipartidarismo (apesar de ser consequência do pluralismo) 16 - Pluralismo político não ampara práticas e condutas discriminatórias e abusivas que espalham ódio e intolerância. - Discursos que incitam o preconceito e a discriminação s ã o violadores do direito à liberdade de expressão e manifestação e podem constituir crime. ANÁLISE ESPECÍFICA DOS ARTIGOS 1° A 4° ARTIGO 2° O ponto central desse artigo é a Separação de Poderes. Separação dos poderes Origem em "A Política" de Aristóteles Foi aprofundada em "Segundo Tratado do Governo" de John Locke Reconhecimento mundial em "O espírito das leis" de Montesquieu - Montesquieu não defendia uma separação rígida e isolada dos poderes - Propôs bases de um governo moderado e controlado - O objetivo era evitar identidade entre aqueles que exercem as funções estatais (evitar confusão entre o que era o governo e o que eram as pessoas que governavam) - É imprescindível manter os poderes vinculados e em interdependência - Cada poder deve controlar os outros dois e ser por eles também controlado (conhecido como ‘FREIOS E CONTRAPESOS') A "Separação dos Poderes” no Brasil é conhecida como "Tripartição funcional do Poder". No Artigo 2, a Constituição estabelece que são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. ATENÇÃO SEPARAÇÃO DOS PODERES EM DETALHES - Poderes são independentes entre si - Especialização funcional - Cada poder possui funções constitucionalmente delineadas - Independência orgânica - Tarefas são exercidas sem interferência ou subordinação a qualquer outro Poder - Independência deve ser entendida com temperamentos O Estado contemporâneo não mais aceita a ideia de separação rígida 17 Relação entre os Poderes será construída de forma harmônica - Todos os Poderes exercem todas as funções Sistema de freios e contrapesos: - Cada Poder age para impedir o exercício arbitrário do outro SISTEMA DE FREIOS E CONTRAPESOS EM DETALHES Dentre as situações que consagram o sistema de freios e contrapesos na Constituição, destacam-se: 1) Controle de constitucionalidade das leis pelo Judiciário; 2) Veto presidencial aos projetos aprovados pelo Legislativo; 3) Derrubada do veto presidencial pelo Legislativo; 4) Rejeiçãode Medida Provisória pelo Legislativo; 5) Aprovação do Senado para nomeação de autoridades; 6) Condenação do Presidente pelo Senado em processo de impeachment. ANÁLISE ESPECÍFICA DOS ARTIGOS 1° A 4° ARTIGO 3° Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil: I. Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II. Garantir o desenvolvimento nacional; III. Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV. Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Esses objetivos fundamentais orientam a República Federativa do Brasil e todas as políticas públicas adotadas pelo Estado. Eles são metas, propósitos e finalidades que ainda não foram completamente alcançados, mas que guiam o povo brasileiro em sua busca por uma sociedade mais justa e solidária. É importante observar que os objetivos estão expressos em verbos no infinitivo, revelando nosso compromisso em construir, garantir, erradicar, reduzir e promover, em vez de apenas declarar intenções. MNEMÔNICO Construir Garantir Erradicar Reduzir Promover "A pessoa de nome CONSGA pode ERRAR uma questão e, se isso acontecer, ela REPROVA". - O aspecto central é referente ao inciso IV do art. 3°, que trata da promoção do bem de todos sem preconceito; Esse inciso é um corolário do princípio da igualdade; - A igualdade é um princípio geral do ordenamento e pedra angular do regime democrático; PODER FUNÇÃO TÍPICA FUNÇÃO ATIPICA EXECUTIVO Administrar Julgar e legislar LEGISLATIVO Legislar e Fiscalizar Julgar e Administrar JUDICIÁRIO Julgar Legislar e Administrar 18 - A Constituição protege a igualdade para evitar que grupos de pessoas sejam deixadas em indignidade e abandono social/jurídico/fático; - As ações afirmativas são mecanismos poderosos de inclusão social que corrigem e mitigam os efeitos das discriminações no passado; - As ações afirmativas são práticas ou políticas estatais que tratam diferentemente certos grupos vulneráveis, buscando redistribuir bens e oportunidades para corrigir distorções; - No Brasil, um exemplo de ações afirmativas é a política de cotas étnico-raciais para a seleção e ingresso de estudantes em universidades; Exemplo: O STF entende que a reserva de vagas para estudantes afrodescendentes na Universidade de Brasília é adequada e proporcional ao atingimento dos objetivos e compatível com os valores e princípios da Constituição. ANÁLISE ESPECÍFICA DOS ARTIGOS 1° A 4° ARTIGO 4° Princípios que regem a República Federativa do Brasil nas Relações Internacionais: - Independência nacional - Prevalência dos direitos humanos - Autodeterminação dos povos - Não intervenção - Igualdade entre os Estados - Defesa da paz - Solução pacífica dos conflitos - Repúdio ao terrorismo e ao racismo - Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade - Concessão de asilo político. ATENÇÃO O examinador cosuma misturar os artigos com princípios fundamentais para confundir. O Inciso I do artigo 4° é a “Independência Nacional” relacionada à soberania na comunidade de Estados. A Carta das Nações Unidas reconhece a soberania como um dos princípios fundamentais que regem as relações internacionais. O Inciso II é a “Prevalência dos Direitos Humanos”, onde os Estados pautam suas relações internacionais com o ideal de fazer imperar os direitos humanos. Vejamos em detalhes: PRINCÍPIOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS EM DETALHES NÃO ESTÃO ORGANIZADOS NA MESMA SEQUÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO Princípio da autodeterminação dos povos: - Liberdade de um grupo em se separar do Estado e se organizar em um Estado Nacional novo - Reconhecimento da validade do novo Estado se a comunidade que pleiteia sua independência estiver em uma das seguintes condições: (i) sob domínio colonial e se insurja contra a condição de colônia (Resolução 1514 da Assembleia Geral da ONU de 1960) (ii) não vive em domínio colonial, mas encontra-se sob regime de opressão ou discriminação no seio do Estado que integra (Resolução 2526 da Assembleia Geral da ONU de 1970) Princípio da não-intervenção: - Não interferência em temas considerados exclusivamente domésticos dos demais Estados - Respeito à soberania de cada Estado 19 - Ideal de paz perpétua mundial baseado no respeito recíproco entre os países em relação à integridade territorial e às decisões políticas domésticas. Princípio da Igualdade entre os Estados - Soberania e autodeterminação dos povos - Comunidade de Estados deve se respeitar mutuamente - Todos os participantes estão em posição de igualdade no cenário internacional - Mesmo com diferenças políticas, sociais e econômicas, todos têm igualdade em direitos e obrigações - Sociedade internacional é composta de membros que se situam em um mesmo patamar de importância e igualdade Princípio da Defesa da Paz - Paz é o objetivo supremo da comunidade internacional - Propósito fundamental das Nações Unidas é manter a paz e a segurança internacionais - Tomar medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão - Chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz JÁ SE PERGUNTOU POR QUE O BRASIL NÃO SE ENVOLVE EM GUERRAS? POR QUE O NOSSO PAÍS É TÃO PACÍFICO? Princípio da Solução Pacífica dos Conflitos: Resolver conflitos pacificamente, sem uso da força. - Pacto Briand-Kellog: Estados signatários devem basear mudanças em relações mútuas em meios pacíficos e dentro da ordem e da paz. - Princípio do Repúdio ao Terrorismo e ao Racismo: repudiar racismo para promover eliminação da discriminação racial nas relações internacionais. Absoluta rejeição ao terrorismo para alcançar a paz social e solucionar controvérsias pacificamente. Terrorismo é afronta aos direitos humanos e segurança dos Estados. Princípio da Cooperação entre os Povos para o Progresso da Humanidade - Não existia antes de 1945 (fim da segunda guerra mundial) Surge da vontade dos Estados de trabalharem juntos pelo bem comum. Princípio fundamental do direito internacional hoje em dia. Valores maiores, especialmente a conquista do progresso da humanidade Estados devem promover níveis mais altos de vida, trabalho efetivo, progresso e desenvolvimento econômico e social para todos os povos Cooperação na solução de problemas internacionais econômicos, sociais, sanitários e culturais/educacionais Princípio da Concessão de Asilo Político Mecanismo de proteção da pessoa humana e solidariedade internacional, para indivíduos que sofrem perseguições políticas, religiosas ou por livre manifestação do pensamento. ATENÇÃO Parágrafo único do art. 4° prevê: República Federativa do Brasil busca integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina para formar uma comunidade latino-americana de nações. O examinador pode trocar a expressão por outra para confundir. Fique alerta! 20 Como os Concursos Cobram Este Assunto? A maior parte das questões sobre os princípios fundamentais cobrará a literalidade dos dispositivos, sendo importante uma leitura atenta e cuidadosa do texto constitucional para acertar as questões na prova. Para te ajudar nisso, deixamos o texto constitucional GRIFADO, com algumas observações, na próxima página. 21 Constituição Federal Título I I - DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS (arts. 1º a 4º) ART. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; · Lei nº 9265, de 12.2.1996, que disciplina a gratuidade dos atos necessários ao exercício da cidadania. III - a dignidadeda pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. So-Ci-Di-Va-Plu. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. · Iniciativa popular, arts. 14, caput, III, 61, caput e § 1º da CF. Direitos políticos, arts. 14 a 16 da CF. ART. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. ART. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Lei nº 7716, de 5.11.1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. Lei nº 8081, de 21.9.1990, que estabelece os crimes e as penas aplicáveis aos atos discriminatórios ou de preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional, praticados pelos meios de comunicação ou por publicação de qualquer natureza. Lei nº 9459, de 13/05/1997, que os define crimes resultantes de preconceito de raça e cor. ART. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; · Lei nº 8072, de 25.7.1990, que dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do art. 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, e determina outras providências. · 22 Lei nº 9695, de 20.8.1998, que acrescenta incisos ao art. 1º da Lei nº 8072, de 25 de julho de 1990, que dispõe sobre os crimes hediondos, e altera os arts. 2º, 5º e 10 da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1997, e dá outras providências. · Lei nº 7716, de 5.11.1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. · Lei nº 8081, de 21.9.1990, que estabelece os crimes e as penas aplicáveis aos atos discriminatórios ou de preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional, praticados pelos meios de comunicação ou por publicação de qualquer natureza. · Lei nº 9459, de 13/05/1997, que define os crimes resultantes de preconceito de raça e cor. IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político. · Lei nº 9474, de 1997, que define mecanismos para a implementação do Estatuto dos Refugiados de 1951, e determina outras providências. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. · Decreto nº 350, de 21.11.1991, que promulga o Tratado para a Constituição de um Mercado Comum entre a República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai (Tratado Mercosul). · Decreto nº 922, de 10.9.1993, que promulga o Protocolo para a Solução de Controvérsias, firmado em Brasília em 17 de dezembro de 1991, no âmbito do Mercado Comum do Sul (Mercosul). 23 ATENÇÃO O grande “pulo do gato” para as matérias de Direito em concursos públicos é que não existe pulo do gato. A grande maioria dos aprovados tem algo em comum: leram a “lei seca” várias vezes, privilegiando-a acima de teorias. Isso quer dizer que você deve focar no texto das leis (especialmente da constituição), pois a maioria das questões não passam de jogos de sete erros: as questões retiram alguma palavra ou adicionam para que você avalie se o texto está correto ou não. Não reinvente a roda: estude a lei seca. Para facilitar o seu estudo, abaixo você encontrará os artigos em sua literalidade, mas com a marcação e esquematização de alguns detalhes. ART 5° - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza Brasileiro x Estrangeiro A CF (Constituição Federal) pode autorizar distinção, mas a lei não pode fazê-lo. - Garantia do direito à vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. DIREITO À VIDA Princípio fundamental garantido pela Constituição Federal de 1988 do Brasil e pela doutrina jurídica Artigo 5º da Constituição: "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida” - Princípio básico de que todas as pessoas têm o direito de viver e que esse direito deve ser protegido pelo Estado - Abrange não apenas o direito de não ser morto, mas também o direito de ter acesso a condições adequadas de vida - Inclui alimentação, moradia, saúde, educação e segurança - Responsabilidade do Estado - Garantir a ausência de ameaças à vida - Promover condições que assegurem uma vida digna para todos os cidadãos Pesquisas com célula tronco não violam o direito à vida, pois a inviolabilidade é de um indivíduo já personalizado. PRINCÍPIO DA ISONOMIA - Auto-aplicável e não suscetível de regulamentação ou complementação Divide-se TEORICAMENTE em ISONOMIA MATERIAL E ISONOMIA FORMAL. - Isonomia Material: tratar igualmente situações semelhantes e de forma desigual as situações desiguais A Lei Maria da Penha é um exemplo de isonomia material, uma vez que a grande maioria dos casos de violência doméstica ocorre com a mulher sendo vítima, o que fez com que o legislador criasse mecanismos para defender essa parcela da sociedade que está mais vulnerável a esse tipo de crime. 24 Outro exemplo pode ser o tratamento diferenciado que é dado a cadeirantes, idosos e gestantes. Em vista de sua condição limitada de locomoção, o tratamento a eles dispensado é diferente, é desigual, mas na medida de sua desigualdade (uma simples rampa de acesso, para cadeirantes - ou uma simples preferência na fila do banco para gestantes e idosos). - Isonomia Formal: prevista no texto da lei, coibindo privilégios e abusos especiais. I - Homens e Mulheres têm igualdade de direitos e obrigações, conforme a CF. II - A legalidade prevalece sobre as obrigações, e ninguém deve obedecer a uma ordem ilegal, sendo o dever de um cidadão se opor a ela. (Aqui temos o conceito de LEI em sentido AMPLO) III - Ninguém deve ser submetido a tortura ou tratamento desumano ou degradante. O uso de algemas deve ser excepcional, com justificativa por escrito e punição caso não cumprido. IV - A manifestação do pensamento é livre, mas o anonimato é proibido. A denúncia anônima não é aceita formalmente para a instauração de IP, porém um procedimento informal pode ser realizado. V - O direito de resposta é proporcional à ofensa e inclui indenização por danos materiais, morais e à imagem. O sigilo de denúncias contra administradores é proibido. VI - Os locais de culto e suas liturgias são protegidos por lei. VII - A assistência religiosa é assegurada em entidades civis e militares de internação coletiva, de acordo com a lei. Exemplos desse tipo de entidade civil: presídios, estabelecimentos hospitalares, clínicas, sanatórios VIII - Ninguém pode ser privado de direitos por crença ou convicção filosófica ou política, exceto se desejar se eximir de obrigação legalmente imposta e se recusar a cumprir uma prestação alternativa. Exemplo: Os adventistas guardam o sábado (crença - convicção filosófica) e por isso não realizam algumas provas de concurso público, mas a eles é dada a oportunidade de realizar a prova em outro momento. Portanto, caso desejem ingressar no serviço público, devem se submeter às mesmas etapas de provas quetodos os outros candidatos, mas de maneira alternativa (em dia ou horário diferente). Se recusarem essa ALTERNATIVA, não podem ingressar no serviço público por nenhuma “brecha”. X – Inviolabilidade dos direitos á intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, com direito de indenização pelo dano material ou moral (PF / PJ). STF (ADI 4815): autorização prévia não é exigida para publicação de biografias. 25 STF (RE 215.984): direito à imagem é autônomo e não requer ofensa à reputação para reparação de dano moral. XI – Inviolabilidade do domicílio: NENHUM indivíduo pode entrar em residência sem consentimento do morador, exceto em caso de: Flagrante delito, Desastre, Prestação de socorro ou Determinação judicial - durante o dia. O termo "residência" inclui qualquer espaço privado, usado para exercício de profissão ou atividade, e não inclui locais públicos como bares e restaurantes. Provas obtidas à noite por escuta ambiental são permitidas. INVIOLABILIDADE DO SIGILO - Correspondência - Comunicações telegráficas - Dados e comunicações telefônicas (exceto investigação criminal ou instrução processual penal) EXCEÇÕES: - Procedimento de persecução penal permite compartilhamento de dados colhidos no IP com RFB para procedimento administrativo fiscal de irregularidades fiscais despidas de ilícito penal. - Ilícita a prova obtida por interceptação telefônica via denúncia anônima ou a mando de juiz incompetente, mesmo que seja indispensável. - Lícita a utilização de conversa telefônica feita por terceiros com autorização de um dos interlocutores sem o conhecimento do outro fundada em legítima defesa. - Lícita gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores, sem conhecimento do outro, quando ausente causa de sigilo ou reserva da conversação. - Lícito para adm. penitenciária interceptar correspondências, excepcionalmente. - Interceptação de conversa telefônica somente permitida para judiciário. - Sigilo das ligações permitido para judiciário e CPIs. - Lícita a prova obtida pelo policial a partir da verificação, no celular de indivíduo preso em flagrante delito, dos registros das últimas ligações. - Constitucional o compartilhamento, sem prévia autorização judicial, dos RIFs e da íntegra dos procedimentos fiscalizatórios da Receita Federal com órgãos de persecução penal para fins criminais. XIII - Exercício livre de profissões, sujeito às qualificações da LEI. STF (RE 414.426): Inscrição em conselho de fiscalização só exigida em atividades com potencial lesivo. XV - Livre locomoção no território nacional em tempo de paz, sujeita a restrições da LEI (eficácia contida). XVI - Direito de reunião protegido por MS, com apenas prévio aviso à autoridade exigido, independentemente de autorização. XVII - Reuniões com fins lícitos permitidas, mas vedadas as de caráter paramilitar. XVIII - Criação de associações e cooperativas independe de autorização e não pode sofrer interferência estatal. XIX - Associações só podem ser compulsoriamente dissolvidas ou ter atividades suspensas por decisão judicial, exigindo TEJ no primeiro caso. XXI - Representação judicial ou extrajudicial de filiados só pode ocorrer com autorização expressa. XXIV - Desapropriação por necessidade, utilidade pública ou interesse social só pode ocorrer com justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados casos da CF. XXVI - Pequena propriedade rural trabalhada pela família não pode ser objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade. 26 XXVII - Direito exclusivo de propriedade intelectual pertence aos autores, sendo transmitido aos herdeiros pelo tempo que a LEI fixar. Artigo XXVIII - Direitos Autorais - Proteção às participações individuais em obras coletivas - Reprodução da imagem e voz humana, incluindo atividades esportivas - Direito de fiscalização do uso econômico das obras criadas ou participadas Artigo XXIX - Propriedade Industrial - Autores de inventos industriais têm privilégio temporário para sua utilização Súmula 386 do STF: - Execução de obra musical por artistas remunerados é exigível direito autoral, exceto quando a orquestra for de amadores Artigo XXXI - Sucessão de bens de estrangeiros no país - Regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou filhos brasileiros, salvo se a lei pessoal do falecido for mais favorável (testamento) Artigo XXXIII - Direito à informação - Todos têm direito a receber informações de interesse particular, coletivo ou geral dos órgãos públicos, desde que prestadas dentro do prazo estabelecido em lei. Exceto informações cujo sigilo é imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. Artigo XXXIV - Direitos assegurados sem pagamento de taxas - Direito de petição para defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder - Obtenção de certidões para defesa de direitos e esclarecimentos. XXXV: Lei não exclui apreciação judicial para lesão ou ameaça a direito. Lei não pode condicionar acesso ao exaurimento da via administrativa. São três hipóteses que exigem esgotamento da via administrativa: HD, Justiça Desportiva e reclamação contra descumprimento de SV pela ADMP. XXXVI: Lei não prejudica direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada. A teoria subjetiva de proteção dos direitos adquiridos do STF (Súmula 654) dispõe que a garantia da irretroatividade da lei não pode ser invocada pela entidade estatal que a editou. Não há direito adquirido em normas constitucionais originárias, mudança do padrão de moeda, criação ou aumento de tributo e mudança de regime jurídico. Lei nova não afeta efeitos futuros de contratos celebrados antes da sua vigência, para não violar o ato jurídico perfeito. APOSENTADORIA: É suficiente preencher os requisitos antes da vigência da lei, independentemente do momento em que o requerimento foi feito. XXXVII: Não há juízo ou tribunal de exceção. Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal a atração do processo do corréu para o foro por prerrogativa de função de um dos denunciados por continência ou conexão. XXXVIII – JÚRI: - Crimes dolosos contra a vida (incluindo latrocínio) a) Plenitude de defesa b) Sigilo das votações c) Soberania dos veredictos - Competência do júri prevalece sobre foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual (não prevalece sobre foro previsto na CF) XLII – Racismo: - Inafiançável e imprescritível 27 - Reclusão XLIII – Tortura, tráfico, terrorismo e hediondos: - Inafiançáveis, insuscetíveis de graça, anistia ou indulto - Graça engloba indulto e comutação de penas, de competência do Presidente da República. XLIV – Ação de grupos armados: - Inafiançável e imprescritível XLVI – Lei: - Individualização da pena e adotará diversas medidas, incluindo perda de bens e prestação social alternativa XLVIII – Pena: - Cumprida em estabelecimentos distintos de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo LI – Extradição: - Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum (antes da naturalização), ou envolvimento em tráfico (lei – antes ou depois da naturalização) LV – Direitos dos litigantes: - Assegurados o contraditório e a ampla defesa - Direito do defensor ter acesso aos elementos de prova já documentados em procedimento investigatório, realizado por órgão com competência de polícia judiciária, inclusive as sigilosas - Inconstitucional exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admisibilidade de recurso administrativo. LVI - Prov. obtidas por meios ilícitos são INADMISSÍVEIS. - Prova ilícita não contamina todo o processo - Prova ilegal divide-se em: (a) afronta o direito MATERIAL; (b) afronta o direito PROCESSUAL - LVII - Ninguém será culpado até o trânsito em julgado - Cabe aoMP comprovar, de forma inequívoca, a culpabilidade do acusado - Impossibilidade de exigir da defesa provas referentes a fatos negativos - STF (ADCs 43, 44 e 54/2019) julgou constitucional o art. 283 do CPP - O cumprimento da pena só pode ter início com o esgotamento de todos os recursos - A execução provisória da pena é proibida, exceto em prisão preventiva. LVIII - RG civ. ident. ≠ id. crim. exc. lei. LXV - Prisão ilegal = relax. imediata por aut. judic. LXVI - Ninguém preso se lei adm. lib. provis. com/s/ fiança. LXVII - Prisão civ. ≠ dívida, exc. inadimp. vol. e inesc. obr. alim. LXXV - Estado inden. conden. por err. judic. e preso além tempo fix. LXXVI - Reg. civ. nasc. e cert. ób. grat. p/ pobres, só cas. não. LXXVIII - Raz. dur. proc. asseg. junt. judic. e adm. LXXIX - Dir. prot. dados pes. asseg. nos meios dig. seg. lei. §1: Normas dir. e gar. fund. apl. imed. §4: Brasil subm. Juris. TPI c/ adesão. REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS: - HC repressivo - HC preventivo LXVIII - HABEAS CORPUS - Garante a liberdade de locomoção e proteção contra ilegalidade ou abuso de poder IMPETRANTE: - Qualquer pessoa natural em seu favor ou de outrem - MP ou PJ em favor de pessoa natural 28 - Juiz de ofício JURISPRUDÊNCIA: - STF (Súmula 695): Não cabe HC quando já extinta a pena privativa de liberdade. - STF (Súmula 694): Não cabe HC contra pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública. - STF (Súmula 693): Não cabe HC contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. - STF (Súmula 691): Não compete ao STF conhecer de HC impetrado contra decisão do relator que, em HC requerido a tribunal superior, indefere a liminar - (o instrumento correto é o Agravo Interno). - STF (Súmula 606): Não cabe HC originário para o Tribunal Pleno de decisão de Turma, ou do Plenário, proferida em HC ou no respectivo recurso – mas cabe contra ato individual formalizado por integrante do STF (STF, HC130620). - STF (Súmula 395): Não se conhece de recurso de HC cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas [...] - STF (HC 103.823): HC não é meio adequado para impugnar ato alusivo a sequestro de bens móveis e imóveis bem como a bloqueio de valores. - STF (RE 338.840): Não há que se falar em violação ao art. 142, § 2o, da CF, se a concessão de HC, impetrado contra punição disciplinar militar, volta-se tão-somente para os pressupostos de sua legalidade, excluindo o mérito. - STF (AI 573.623): O HC é medida idônea para impugnar decisão judicial que autoriza a quebra de sigilos fiscal e bancário em procedimento criminal. - STF (HC 72.391): A petição com que impetrado o HC deve ser redigida em português, sob pena de não conhecimento do writ constitucional. LXIX - MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL Proteção de direito líquido e certo não amparado por HC ou HD quando responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de PJ no exercício de atribuições do poder público. LXX - MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO MS coletivo impetrado por a) Partido com representação no CN (em favor de pessoa ou coletividade) b) Organização Sindical, entidade de Classe ou Associação legalmente constituída e em funcionamento pelo menos 01 ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. - 1 Representantes ou órgãos de partidos políticos, administradores de entidades autárquicas, dirigentes de PJ ou PF no exercício de atribuições do poder público. - Líquido e certo: Não admite dilação probatória, pois as provas são pré-constituídas (i.e. não admite provas testemunhais nem periciais). JURISPRUDÊNCIA E LEGISLAÇÃO (LEI 12.016/2009): STJ: - MS não serve para dar efeito suspensivo a recurso criminal do MP. - MS não substitui a ação popular. - É cabível MS contra ato em licitação de EP ou SEM. STF: - É constitucional lei que fixa prazo de decadência para impetração de MS (120 dias). - Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de MS. - Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de MS. - Pedido de reconsideração na via ADM não interrompe prazo para MS. - MS não é substitutivo de ação de cobrança para remunerações atrasadas de servidor público. - Não cabe MS contra decisão judicial com trânsito em julgado. - Não cabe MS contra ato judicial da qual caiba recurso ou correição. - Não cabe MS contra lei em tese (privativo da ADI) - contra lei de efeitos concretos, o STF admite. - A entidade de classe tem legitimidade para MS ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. - Impetração de MS coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe de autorização destes. STF (Súmula 624): - Não compete ao STF conhecer originariamente o MS contra atos de outros tribunais 29 - Competência para apreciar o MS contra atos e omissões de tribunais é do próprio tribunal STF (Súmula 510): - Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o MS ou a medida judicial. STF (Súmula 429): - A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do MS contra omissão da autoridade. STF (Súmula 271): - Concessão de MS não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. STF (MS 30.717): - Órgãos públicos despersonalizados têm legitimidade ativa e passiva para impetrar MS restrito à atuação funcional e em defesa de suas atribuições institucionais (não para ações comuns). STF (RE 472.489): - A injusta recusa estatal em fornecer certidões, não obstante presentes os pressupostos legitimadores dessa pretensão, autorizará a utilização de instrumentos processuais adequados, como o MS ou a própria ACP. - Eventual perda da representatividade não prejudica o MS pendente, uma vez que a legitimidade há de ser contemporânea à impetração. - É cabível liminar em MS, exceto para casos de compensação de CT, entrega de mercadoria proveniente do exterior, equiparação/reclassificação de servidores públicos e/ou concessão ou aumento de vantagens de servidores. STF (RE 669.367): - O impetrante pode desistir de MS a qualquer tempo, ainda que proferida decisão de mérito a ele favorável, sem anuência da parte contrária. - Em caso de urgência, o MS pode ser impetrado via fax, telegrama ou outro meio eletrônico de autenticidade comprovada. Lei 12.016, Art. 22: - No MS coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. - Não cabe MS contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de EP, SEM e de concessionária de serviço público. (art. 1º, §2º) MANDADO DE INJUNÇÃO - Art. 5o, LXXI: Falta de norma regulamentadora inviabiliza exercício dos direitos constitucionais - Legislação (Lei 13.300/2016) - Legitimados como impetrantes (art. 3o): - PF / PJ titulares dos direitos, liberdades ou prerrogativas - Eficácia da decisão (art. 9o cc §§1o e 2o): - Limitada às partes, pode ter eficácia ultra partes ou erga omnes - Prejuízo (art. 11, §único): - Impetração prejudicada se norma regulamentadora for editada antes da decisão - Jurisprudência STF (MI 725): - PJ de direito público (ex: municípios) pode impetrar MI. HABEAS DATA LXXII - Possibilidade de concessão de HD para: a) Conhecimento de informações sobre a pessoa do impetrante, encontradas em bancos de dados públicos ou governamentais - se informações são de interesse público ou coletivo, MS é utilizado. b) Retificação de dados, quando não preferir um processo sigiloso, judicial ou administrativo. JURIS PRUDÊNCIA STJ (Súmula 2): Habeas Data não é concedido se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa. 30 STF (HD90 AgR): A ação de Habeas Data visa proteger a privacidade do indivíduo contra abusos no registro e/ou divulgação de dados pessoais falsos ou equivocados. Habeas Data não é um meio válido para obter vista de processo administrativo. Ação Popular: - Qualquer cidadão pode propor - Objetivo: anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural - Isenção de custas e ônus da sucumbência na 1ª instância, salvo comprovada má-fé - Condenação a pagar 10x as custas em caso de má-fé - Desistência: autor pode desistir ou ser absolvido, mas qualquer cidadão ou representante do MP pode continuar a ação nos 90 dias seguintes. 31 DIREITOS SOCIAIS: EVOLUÇÃO HISTÓRICA Antes de estudarmos os direitos sociais no Brasil, é importante entender como eles surgiram no mundo. No século XIX e início do XX, a Revolução Industrial causou grande mudança na sociedade, substituindo a mão-de-obra humana por máquinas nas atividades agropecuárias e gerando migração em massa das pessoas para as cidades em busca de trabalho nas fábricas. No entanto, os trabalhadores eram obrigados a cumprir jornadas de trabalho extenuantes em ambientes insalubres e sofriam com salários baixos e a exploração do trabalho infantil. Isso resultou na organização das classes operárias para exigir dos patrões e do Estado condições melhores para os trabalhadores. Os direitos sociais foram conquistados gradualmente por meio de lutas, sendo a Constituição Mexicana em 1917 e a Constituição de Weimar em 1919 as primeiras a prevê-los em seus textos. No Brasil, a Constituição de 1934 foi a primeira a contemplar os direitos sociais. Na Constituição de 1988, eles foram inseridos no título constitucional destinado aos direitos e garantias fundamentais e possuem aplicação imediata, ou seja, podem ser exigidos sem necessidade de regulamentação por lei. CONCEITOS IMPORTANTES Direitos sociais são direitos fundamentais que garantem condições mínimas de vida digna e igualdade social por meio de políticas públicas. Titulares: Qualquer pessoa pode ser titular de direitos sociais, com exceções conforme o direito em questão. Destinatários: Os direitos sociais destinam-se principalmente aos mais fragilizados economicamente e abrangem áreas como educação, saúde, seguridade social e lazer, entre outros. PESSOAS JURÍDICAS SÃO TITULARES DE DIREITOS SOCIAIS? Só se os Direitos Sociais em questão forem compatíveis com a natureza da pessoa jurídica. Exemplo: uma pessoa jurídica pode reivindicar o direito à segurança se os serviços públicos de segurança não são prestados de forma satisfatória no local onde está situada. Garantia e implementação dos direitos sociais: Esses direitos obrigam e vinculam os poderes públicos. A maioria dos direitos sociais só é realizada com a atuação prestacional direta do Estado, em serviços públicos para a população ESTRUTURAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS NA CONSTITUIÇÃO: Artigo 6: Direitos sociais básicos (educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados) 32 Artigos 7 a 11: Direito ao trabalho e proteção aos trabalhadores urbanos e rurais Artigos 193 e seguintes: Desdobramento dos direitos sociais do artigo 6 no Título VIII, que trata "Da ordem social". Direitos sociais básicos previstos no art. 6 da Constituição Federal de 1988: Educação Saúde Alimentação Trabalho Moradia Transporte Lazer Segurança Previdência social Proteção à maternidade e à infância Assistência aos desamparados Modificações neste rol de direitos sociais: EC 26/2000: incluiu o direito à moradia EC 64/2010: incluiu o direito à alimentação EC 90/2015: incluiu o direito ao transporte MNEMÔNICO PARA DECORAR o ROL DO ARTIGO 6: ATENÇÃO EC n° 114, de dezembro de 2021 Adicionou parágrafo único ao art. 6: Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de renda. *Normas e requisitos de acesso serão determinados em lei. Observada a legislação fiscal e orçamentária. EFICÁCIA E CONCRETIZAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS Direitos sociais são dinâmicos e novos direitos são conquistados e positivados conforme as demandas sociais surgem. Os poderes públicos não podem subtrair os direitos sociais já conquistados, como o direito à saúde, pois são considerados cláusulas pétreas implícitas. A vedação do retrocesso é um princípio constitucional implícito que impede a revogação ou redução de direitos sociais já regulamentados e efetivados sem criar mecanismos alternativos de compensação. Esse princípio funciona como um limite às medidas do Estado que representem retrocesso social, sempre impulsionando a atuação estatal para o aperfeiçoamento e incremento dos direitos sociais. A vedação do retrocesso é aplicável a qualquer direito fundamental vigente na ordem constitucional brasileira. QUÃO FORTE É o NOSSO COMPROMISSO COM OS DIREITOS SOCIAIS? Objetivos Fundamentais da República Federativa (Constituição Federal de 1988, artigo 3º) são: Erradicar a pobreza Reduzir as desigualdades sociais e a marginalização 33 Construir uma sociedade livre, justa e solidária A Implementação e efetivação de direitos sociais pelo Estado são indispensáveis para cumprir tais objetivos, mas a realidade do país mostra falhas na atuação dos poderes públicos. Os serviços de saúde e educação são exemplos de ineficiência. SE o DINHEIRO PÚBLICO É LIMITADO, PODE- SE DESCUMPRIR OS MANDAMENTOS CONSTITUCIONAIS SOBRE DIREITOS SOCIAIS? É suficiente justificar o descumprimento de obrigações impostas pelo texto constitucional ao poder público? Cláusula/Princípio da reserva do possível Considera a condição econômica do Estado e sua capacidade financeira em efetivar os direitos sociais. Inexistência de recursos públicos suficientes justifica a não plena efetivação dos direitos sociais Capacidade financeira do Estado é limitada para atender a toda população uniformemente Recursos públicos são alocados para atender apenas uma parcela de direitos em detrimento de outros PORTANTO, a atuação político-administrativa do Estado limitada ao economicamente possível. DEVE-SE ANALISAR o SEGUINTE: POSSIBILIDADE FÁTICA: TEMOS DINHEIRO PARA GASTAR COM ISSO? Efetiva disponibilidade dos recursos públicos financeiros necessários à satisfação do direito prestacional. POSSIBILIDADE JURÍDICA: ESTAMOS AUTORIZADOS A GASTAR COM ISSO? Autorização orçamentária para cobrir as despesas de determinada prestação RAZOABILIDADE DA EXIGÊNCIA É RAZOÁVEL GASTARMOS COM ISSO? Toda a sociedade arcaria com os custos da prestação exigida? Exigência poderá ser denegada pelo Estado mesmo com recursos públicos para atendê-la. Exemplo: O poder público não está obrigado a fornecer remédios que não estão previstos no SUS, se existem outros igualmente eficazes. Se o paciente quer utilizar remédio não previsto no SUS, deve arcar com os custos da aquisição. A situação do Estado brasileiro é delicada e os governantes enfrentarão dificuldades para efetivar todos os direitos sociais. Eles terão que fazer "escolhas trágicas" para priorizar alguns direitos e deixar outros de lado. Isso significa que a realização dessas escolhas será sempre trágica, beneficiando uns e prejudicando outros. O administrador público dirá que não gosta de ter que escolher entre direitos, mas é economicamente inviável atender a todos. Memorize a expressão "escolhas trágicas", muito usada pela jurisprudência. MAIS DETALHES SOBRE A “RESERVA DO POSSÍVEL" Justifica a dificuldade estatal em efetivar direitos fundamentais sociais. Alegação de insuficiência de recursos públicos não pode ser utilizada ilimitadamente 34