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Esta unidade trata do Direito Constitucional e dos Direitos Humanos. É sabido que nossa Constituição Federal possui muitas normas oriundas de internalização de pactos de direitos humanos, portanto o estudo conjunto cumpre uma lógica de aprendizado. Serão abordados os principais pontos sobre organização do Estado, Direitos Fundamentais, Controle de Autor: Me. Thiago Cesar Giazzi IN IC IAR Constitucionalidade, Remédios Constitucionais, assim como o Pacto de San José da Costa Rica e a Declaração Universal de Direitos Humanos. Neste momento, serão tratados os direitos e deveres individuais e coletivos e os direitos políticos positivos e negativos, incluindo o direito de cidadania. No título relativo aos direitos e às garantias fundamentais, a Constituição Federal (CF) prevê normas que atribuem alguma vantagem ou algum bem ao indivíduo, a grupos sociais ou à coletividade (direitos), bem como normas que asseguram o exercício desses direitos (garantias). Por vezes, as garantias podem ser processuais, como no caso do habeas corpus ou do mandado de segurança, chamados de remédios constitucionais. Em outras situações, há garantias que não têm relação com o processo. Seria o caso, por exemplo, da liberdade de culto, um dos meios para assegurar a liberdade de crença. Para �ns de prova, a leitura atenta de todo o art. 5º da CF é essencial. Há alguns pontos, porém, que merecem menção especial: No caput do dispositivo, a Constituição estipula que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos dos incisos. Note que o constituinte disse menos do que deveria, pois esses direitos são garantidos a todos os brasileiros e a todos os estrangeiros, não apenas os que residam no Brasil. Há proteção, também, às pessoas jurídicas, desde que os direitos sejam compatíveis com a sua condição. Garante que todos tenham liberdade de pensamento. Por conta disso, o indivíduo pode, também, crer naquilo que quiser, bem como expressar seu pensamento livremente, independentemente de censura ou licença (incisos IV e IX). Veda-se apenas o anonimato, assegurando-se também o direito de resposta, em caso de ofensas, bem como indenização por dano material, moral ou à imagem (inciso V). Além disso, ninguém pode ser privado de direitos em razão de sua crença ou convicção, exceto se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa �xada em lei (inciso VIII – é o caso, por exemplo, do serviço militar obrigatório). Sem o consentimento do morador, é possível ingressar na casa, a qualquer momento, em razão de �agrante delito, Quadro 3.1 - Principais direitos fundamentais individuais do art. 5º Fonte: Elaborado pelo autor. : o quadro traz os direitos e as garantias individuais reiteradamente cobrados nos exames. A primeira linha informa a abrangência do art. 5º: “no caput do dispositivo, a desastre ou para prestar socorro. Durante o dia, o ingresso também é permitido mediante autorização judicial. Note que o conceito de casa é extenso, abrangendo também quartos de hotel, escritórios etc. É o exemplo de norma constitucional de e�cácia contida, pois, na ausência de regramentos legais, a liberdade é plena. A reunião em locais abertos ao público independe de autorização do Estado. Porém, deve haver prévio aviso à autoridade competente, de modo que o seu exercício não frustre outra reunião anteriormente convocada para o local. Além disso, a reunião deve ser pací�ca e sem armas. Atente-se para a imunidade tributária presente no dispositivo. Se versarem sobre essa matéria e forem aprovados, em cada casa do Congresso Nacional, em duplo turno, por 3/5 dos membros, os tratados terão a mesma força de emendas constitucionais. Farão parte, assim, do chamado bloco de constitucionalidade, podendo servir de parâmetro de controle na jurisdição constitucional. O exemplo é a Convenção de Nova Iorque sobre os Direitos das Pessoas com De�ciência. Constituição estipula que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos dos incisos. Note que o constituinte disse menos do que deveria, pois esses direitos são garantidos a todos os brasileiros e a todos os estrangeiros, não apenas os que residam no Brasil. Há proteção, também, às pessoas jurídicas, desde que os direitos sejam compatíveis com a sua condição”. Na segunda linha, traz a liberdade de consciência (inciso VI): “garante que todos tenham liberdade de pensamento. Por conta disso, o indivíduo pode, também, crer naquilo que quiser, bem como expressar seu pensamento livremente, independentemente de censura ou licença (incisos IV e IX). Veda-se apenas o anonimato, assegurando-se também o direito de resposta, em caso de ofensas, bem como indenização por dano material, moral ou à imagem (inciso V). Além disso, ninguém pode ser privado de direitos em razão de sua crença ou convicção, exceto se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa �xada em lei (inciso VIII – é o caso, por exemplo, do serviço militar obrigatório)”. A terceira linha mostra a inviolabilidade domiciliar (inciso XI): “sem o consentimento do morador, é possível ingressar na casa, a qualquer momento, em razão de �agrante delito, desastre ou para prestar socorro. Durante o dia, o ingresso também é permitido mediante autorização judicial. Note que o conceito de casa é extenso, abrangendo também quartos de hotel, escritórios etc.”. Na quarta linha, aparece a liberdade de pro�ssão (inciso XIII): “é exemplo de norma constitucional de e�cácia contida, pois, na ausência de regramentos legais, a liberdade é plena”. A quinta linha mostra a liberdade de reunião (inciso XVI): “a reunião em locais abertos ao público independe de autorização do Estado. Porém, deve haver prévio aviso à autoridade competente, de modo que o seu exercício não frustre outra reunião anteriormente convocada para o local. Além disso, a reunião deve ser pací�ca e sem armas”. Na sexta linha, vem os direitos petição e certidão (inciso XXXIV): “atente-se para a imunidade tributária presente no dispositivo”. Na sétima e última linha, estão os tratados e as convenções sobre direitos humanos (§ 3º): “se versarem sobre essa matéria e forem aprovados, em cada casa do Congresso Nacional, em duplo turno, por 3/5 dos membros, os tratados terão a mesma força de emendas constitucionais. Farão parte, assim, do chamado bloco de constitucionalidade, podendo servir de parâmetro de controle na jurisdição constitucional. O exemplo é a Convenção de Nova Iorque sobre os Direitos das Pessoas com De�ciência”. Democracia signi�ca um governo em que há a participação do povo na tomada das decisões políticas de uma sociedade. Quanto ao modo de exercício, a democracia pode ser direta ou indireta. A democracia direta é aquela em que o povo participa da vida política de uma sociedade sem intermediários (representantes); o povo por si exercerá o poder. Já a democracia indireta ocorre quando o poder em uma sociedade é exercido por meio dos representantes do povo. Nesse caso, o povo escolherá os seus representantes para atuarem em seu nome. Atente-se ao fato de que o Brasil adota a democracia semidireta, que é concomitante à democracia representativa e que também possui mecanismos de participação direta, como iniciativa de leis, plebiscito e referendo, segundo a previsão do art. 14 da Constituição (BRASIL, 1988). Observe que se pode acrescentar, entre outros, a ação popular como instrumento de participação do povo. A cidadania designa o indivíduoNote que a norma não é retirada de�nitivamente do ordenamento jurídico, continuando a ser aplicada para outros que não sejam partes do processo. Além disso, quando o juiz declara que a norma é inconstitucional, reconhece sua nulidade, ou seja, reconhece que a norma nasceu viciada. Por conta disso, ela não pode gerar efeitos jurídicos válidos desde a edição, devendo-se desconstituir todas as relações que foram Quadro 3.5 - Características do controle de constitucionalidade incidental Fonte: Elaborado pelo autor. : o quadro traz as características do controle de constitucionalidade incidental. A primeira linha mostra que esse controle é difuso, pois qualquer membro do Poder Judiciário pode efetuar controle de constitucionalidade de leis e atos normativos, pois é da essência da atividade jurisdicional decidir sobre a validade das leis que aplicarão. A segunda linha informa que é incidental, já que o controle de constitucionalidade é efetuado incidentalmente ao objeto principal da causa, como questão prejudicial. Assim, antes de decidir se o autor da ação tem razão em seu pedido, o juiz, na fundamentação, deve veri�car se as leis usadas para a resolução do caso respeitam a Constituição. A terceira linha mostra as características de ser concreto e subjetivo, pois o controle é sempre efetuado à luz de casos concretos, levados ao juiz pelas partes. A quarta linha mostra que o controle é declaratório (nulidade), pois, ao decidir a questão de constitucionalidade, veri�cando que o ato normativo não respeita a Constituição, o juiz declara sua nulidade. A quinta linha indica que possui efeitos inter partes e ex tunc , pois quando o juiz declara a inconstitucionalidade da norma, ele apenas afasta sua aplicação do caso concreto apresentado para julgamento. Note que a norma não é retirada de�nitivamente do ordenamento jurídico, continuando a ser aplicada para outros que não sejam partes do processo. Além disso, quando o juiz declara que a norma é inconstitucional, reconhece sua nulidade, ou seja, reconhece que a norma nasceu viciada. Por conta disso, ela não pode gerar efeitos jurídicos válidos desde a edição, devendo-se desconstituir todas as relações que foram travadas com base nela. Essas considerações são importantes porque o Brasil, a partir da República, implementou o controle de constitucionalidade seguindo o modelo estadunidense. Sob a Constituição de 1988, o controle incidental segue sendo intensamente utilizado, cabendo menção aos seguintes pontos: • a difusão ainda é característica do modelo, de modo que qualquer juiz pode declarar a inconstitucionalidade de normas. Porém, em face dessa cláusula, prevista no art. 97 da Constituição, os tribunais só podem declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo pela maioria absoluta de seus membros ou dos membros do órgão especial. Assim, há procedimento especí�co para que isso ocorra. - Em regra, os julgamentos das causas, nos tribunais, ocorrem nas câmaras, turmas ou seções. Quando arguida a inconstitucionalidade, o órgão fracionário veri�ca a viabilidade travadas com base nela. do pedido. Se rejeita a arguição, o próprio órgão fracionário declara a constitucionalidade da norma em questão e julga a causa. Se, porém, admite a arguição, suspende o julgamento do caso concreto e remete o incidente para o pleno ou o órgão especial. Com a decisão do Após, segue a decisão do pleno e julga a causa e as demais causas semelhantes. • “[...] viola a cláusula de reserva de plenário a decisão do órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte”. • Cláusula de reserva de plenário não se aplica a casos de recepção ou revogação. Portanto, normas anteriores à Constituição de 1988 podem ser declaradas incompatíveis com ela e, por isso, serem revogadas diretamente pelo órgão fracionário. • - : o controle de constitucionalidade pela via incidental pode ser feito por meio de qualquer veículo processual civil ou penal, em face de qualquer juiz ou tribunal. O recurso extraordinário, porém, se destina especi�camente a arguir questão de constitucionalidade perante o STF, tribunal cuja função primordial é a guarda da Constituição. - compete ao STF julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: - contrariar dispositivo desta Constituição; - declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; - julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição; - julgar válida lei local contestada em face de lei federal: note que, nessa hipótese, não há controle de legalidade, mas de constitucionalidade. É que, no caso, cuida-se de possível invasão da esfera de competência legislativa da União pelo Estado, temas disciplinados pela Constituição Federal. nos termos do art. 102, § 2º, da CF, “[...] no recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a �m de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros” (BRASIL, 1988). As decisões do Poder Judiciário no controle de constitucionalidade incidental têm efeitos inter partes, como visto. Isso se dá mesmo quando o STF declara a inconstitucionalidade de uma norma em recurso extraordinário, por exemplo. Ocorre que, nessa hipótese, a Constituição prevê mecanismo para dar efeitos erga omnes à decisão do STF: resolução do Senado Federal. Segundo o art. 52, X, CF: Compete ao Senado Federal, por meio de resolução, “[...] suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão de�nitiva do STF” (BRASIL, 1988). A decisão de inconstitucionalidade do STF em controle incidental não tem efeitos erga omnes por si mesma. Há necessidade da resolução do Senado Federal para isso (LENZA, 2020). A resolução do Senado Federal suspende a execução da lei. Não atua no campo da existência, pois não há revogação, nem no da validade, pois o Senado não declara a nulidade da norma. Isso signi�ca que a resolução senatorial tem efeitos ex nunc , ou seja, a lei deixa de ser aplicada para todos a partir dali. Os efeitos produzidos até então são preservados, exceto para as partes do processo que originou a declaração de inconstitucionalidade. É que, para elas, aplica-se a característica do sistema incidental (decisões com efeitos ex tunc ). • a regra no controle de constitucionalidade incidental é que as decisões declaratórias de inconstitucionalidade de uma norma tenham efeitos ex tunc . O STF, porém, já modulou os efeitos de decisão proferida em recurso extraordinário, atribuindo a ela efeitos pro futuro por motivos de segurança jurídica. Percebendo a inadequação do modelo de controle de constitucionalidade estadunidense à Europa continental, Hans Kelsen desenvolve o modelo principal, concentrado, também conhecido como modelo europeu, austríaco ou kelseniano. Suas características são opostas às do modelo estadunidense. Há um único órgão estatal com poderes para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos, não cabendo ao Poder Judiciário fazê-lo. Em geral, esse órgão é conhecido como Corte, ou Tribunal Constitucional. A questão de constitucionalidade, ou seja, a �scalização de compatibilidade do ato normativo com a Constituição, é o único objeto do processo ou incidente levado à análise da Corte Constitucional. O exame da constitucionalidade da lei é feito em abstrato, independentemente de um caso concreto. Por essa razão, não há partes. Não há autor ou réu, mas apenas legitimados ativos previstos em normas jurídicas como aptos à provocação da Corte Constitucional. Decidindo que a norma examinada é inconstitucional,a Corte Constitucional a retira do ordenamento jurídico. Por isso, Hans Kelsen se referia a esse órgão como “legislador negativo”. A norma controlada é mantida ou extraída do ordenamento jurídico para todos, não apenas para o legitimado ativo que provocou o exame. Quando o modelo é desenvolvido por Hans Kelsen, os efeitos da decisão que decretava a inconstitucionalidade eram ex nunc . Isso porque a retirada da norma do ordenamento só produz efeitos a partir da Quadro 3.6 - Características do controle concentrado ou principal Fonte: Elaborado pelo autor. : o quadro traz as características do controle de constitucionalidade concentrado ou principal. A primeira linha mostra que o controle é concentrado por haver um único órgão estatal com poderes para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos, não cabendo ao Poder Judiciário fazê-lo. Em geral, esse órgão é conhecido como Corte, ou Tribunal Constitucional. A segunda linha cita a característica de ser principal, pois a questão de constitucionalidade, ou seja, a �scalização de compatibilidade do ato normativo com a Constituição, é o único objeto do processo ou incidente levado à análise da Corte Constitucional. Na terceira linha, estão as características abstrato e objetivo. O exame da constitucionalidade da lei é feito em abstrato, independentemente de um caso concreto. Por essa razão, não há partes. Não há autor ou réu, mas apenas legitimados ativos previstos em normas jurídicas como aptos à provocação da Corte Constitucional. A quarta linha mostra que o controle é constitutivo (anulabilidade), pois, decidindo que a norma examinada é inconstitucional, a Corte Constitucional a retira do ordenamento jurídico. Por isso, Hans Kelsen se referia a esse órgão como “legislador negativo”. A quinta linha mostra que possui efeitos erga omnes , pois a norma controlada é mantida ou extraída do ordenamento jurídico para todos, não apenas para o legitimado ativo que provocou o exame. A sexta linha mostra os efeitos ex nunc : quando o modelo é desenvolvido por Hans Kelsen, os efeitos da decisão que decretava a inconstitucionalidade eram ex nunc . Isso porque a retirada da norma do ordenamento só produz efeitos a partir da decisão. Posteriormente, desenvolve-se a ideia de modulação dos efeitos, de tal sorte que a Corte pode atribuir à decisão efeitos ex tunc , ex nunc ou ainda pro futuro. No Brasil, alguns institutos típicos do modelo principal de controle de constitucionalidade começaram a ser adotados em meados do século XX. Atingiu-se grande desenvolvimento com a Constituição de 1988, que previu uma série de instrumentos de controle principal, todos de competência exclusiva do STF e, alguns deles, quando o parâmetro de controle for a Constituição Estadual, os Tribunais de Justiça. Por isso, a maior parte da doutrina fala em instrumentos de controle concentrado (LENZA, 2020). São eles: decisão. Posteriormente, desenvolve-se a ideia de modulação dos efeitos, de tal sorte que a Corte pode atribuir à decisão efeitos ex tunc , ex nunc ou ainda pro futuro . • Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI); • Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO); • Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC); • Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF); • Representação/ADI Interventiva (IF). • arts. 102, I, “a” e 103, CF, e Lei nº 9.868/1999 • STF • - presidente da República; - mesa do Senado Federal e da Câmara dos Deputados; - mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF; - governador do Estado/DF; - procurador-geral da República; - Conselho Federal da OAB; - partido político com representação no Congresso Nacional; - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. - Pertinência temática relação de pertinência entre o objeto da ADI e a �nalidade institucional, a atividade-�m, ou o interesse especí�co do legitimado. - mesa da AL/CLDF; - governadores; - confederações sindicais ou entidades de classe. • os demais. Podem propor ADI sobre qualquer tema em qualquer situação, sem demonstração de pertinência. apenas para partidos políticos e confederações ou entidades de classe. Nesse caso, a procuração deve indicar expressamente as normas que serão impugnadas, com poderes especí�cos para propor ADI. Os demais legitimados não precisam de advogado, pois têm capacidade postulatória para a ADI (note que as procuradorias podem assinar em conjunto, mas nunca isoladamente). exige representação no Congresso Nacional, bastando um parlamentar na Câmara ou no Senado. A perda posterior da representação é irrelevante, pois o critério é aferido no momento da propositura. A decisão pela propositura, segundo o STF, é do presidente do partido ou do diretório nacional. - Entidade de classe: apenas pro�ssional, não segmento social (ex.: UNE não tem legitimidade). - Caráter nacional: presença de associados ou membros em, no mínimo, nove Estados (analogia com a Lei Orgânica dos Partidos Políticos – Lei nº 9.096/1995). - Confederações: só as que cumprirem requisitos do art. 535, CLT (compostas de no mínimo três federações). Assim, estão excluídos sindicatos e federações, ainda que de caráter nacional. Exclui também as centrais sindicais. • “leis ou atos normativos federais ou estaduais” podem ser objeto do controle de constitucionalidade principal, por ADI, perante o STF (art. 102, I, “a”). Trazendo maiores detalhes: - não cabe ADI contra norma proveniente do poder constituinte originário (não se admite a tese das normas constitucionais inconstitucionais). Cabe ADI, porém, contra normas provenientes do poder constituinte derivado, como as emendas, que devem respeitar o procedimento previsto na CF e as cláusulas pétreas; se a MP for convertida em lei no curso da ação, exige-se o aditamento da petição inicial; entendido também como decreto regulamentando assunto na ausência total de lei; só se admite em relação a atos que tenham generalidade e abstração. Nesse caso, deve-se usar ação popular para questionar o ato. • pois há ilegalidade, sendo a ofensa à CF indireta. Porém, se não houver lei anterior, caberá ADI, pois a inconstitucionalidade é manifesta em razão da invasão da esfera de competência legislativa; não há inconstitucionalidade, no caso, pois a norma será recebida ou revogada; abrange medida provisória não convertida em lei; pois não há ADI preventiva; a primeira, pois não é ato normativo. A segunda, pois há procedimento próprio para seu cancelamento, não cabendo ADI; não pode ser objeto de ADI no STF. Cabe ADI nos Tribunais de Justiça, em face das Constituições Estaduais; quando exerce competência do Estado é cabível ADI no STF. Quando exerce competência do município, por sua vez, aplicam-se as observações relativas à norma municipal, ou seja, não cabe ADI no STF, e sim no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, em face da Lei Orgânica do Distrito Federal. • - Deve ser apresentada em duas vias e conter: indicação expressa do dispositivo impugnado; fundamentos jurídicos do pedido; o pedido e suas especi�cações; cópias do ato impugnado; documentos comprobatórios do alegado; e procuração, se a petição for subscrita por advogado. - Se a petição inicial for inepta, não fundamentada ou manifestamente improcedente, o relator a indeferirá liminarmente. • o relator pedirá informações ao órgão ou à autoridade que editou o ato impugnado, devendo prestá-las no prazo de 30 dias do recebimento do pedido ou, no caso de pedido liminar na ADI, no prazo de 5 dias (se houver excepcional urgência, o STF pode deferir a cautelar independentemente da oitiva daquele que editou o ato). será citado para efetuar a defesa do ato impugnado, em 15 dias. O AGU, na ADI, tem posição de curador da presunção de constitucionalidade das leis e dos atos normativos. Não participa do procedimento para dar livre parecer, pois não é �scal dalei, como o procurador-geral da República. Assim, o AGU não pode sustentar a inconstitucionalidade da norma, salvo se o STF já tiver precedente nesse sentido ou se o interesse da União colidir com a manutenção da norma. tem 15 dias para dar seu parecer. há vedação legal à intervenção de terceiros. Porém, o relator, mediante despacho irrecorrível, poderá admitir a manifestação de órgãos e entidades, considerando-se a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes. O amicus curiae funcionará como fonte de informação da Corte no que diz respeito à matéria envolvida e aos re�exos da decisão, não podendo, apenas, formular pedido ou apresentar recursos, pois não tem legitimação. - Concedida por votos da maioria absoluta do STF (salvo no recesso, quando a competência passa para o presidente da Corte). - Tem efeitos erga omnes e ex nunc , salvo se o STF entender que deve dar e�cácia retroativa. Além disso, tem efeito repristinatório, pois torna aplicável legislação anterior, salvo expressa manifestação em contrário. (art. 12, Lei nº 9.868/1998). Ao invés de julgar o pedido liminar, STF vai direto ao mérito, com prazos reduzidos de manifestações. Assim, o relator, em face da relevância da matéria e de seu especial signi�cado para ordem social e a segurança jurídica, pode submeter o pedido diretamente ao plenário, que poderá julgar de�nitivamente a ação. presença de, ao menos, oito ministros. exige no mínimo seis ministros votando pela procedência (declaração de inconstitucionalidade) ou pela improcedência da ação (declaração de constitucionalidade). não cabem contra a decisão, sendo admitida apenas a interposição de embargos de declaração. erga omnes (decisões de�nitivas de mérito têm e�cácia contra todos e efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas três esferas federativas) e ex tunc (em regra). na declaração de inconstitucionalidade, pelo voto de 2/3 dos ministros, o STF, fundado em razões de segurança jurídica ou excepcional interesse social, pode restringir os efeitos da declaração ou decidir que ela só tenha e�cácia a partir do trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser �xado (casos de declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade, efeitos ex nunc ou pro futuro). Na ADO, a maioria das regras e, portanto, das explicações dadas anteriormente para a ADI são aplicadas. Como peculiaridade, cabe menção ao seguinte: • omissão inconstitucional total ou parcial quanto ao cumprimento do dever constitucional de legislar ou quanto à adoção de providência administrativa. Note que, nesses termos, a omissão pode partir de qualquer órgão estatal que tenha por dever imposto pela Constituição a edição de algum ato. • - Apresentada a petição inicial, os demais legitimados ativos que não provocaram o STF podem se manifestar nos autos, pedindo a juntada de documentos e apresentando memoriais. pode ser ouvido, a critério do relator, dando-se prazo de 15 dias. • - Concedida em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, por decisão da maioria absoluta do STF. - Deve-se ouvir o responsável pela omissão, com prazo de cinco dias. - Conteúdo da cautelar: suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo questionado, no caso de omissão parcial; suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos; outra providência �xada pelo STF. • declarada a omissão, o STF dará ciência ao poder competente para a adoção das providências necessárias. A vinculação existe apenas quando a omissão for imputável a órgão administrativo, que deverá adotar as medidas em 30 dias ou em prazo razoável estipulado em caráter excepcional pelo STF, considerando as circunstâncias do caso e o interesse público envolvido. Se a providência tiver caráter legislativo, não há prazo a ser observado. A maioria das regras e, portanto, das explicações dadas anteriormente para a ADI aplicam-se à ADC. Como peculiaridade, cabe menção ao que segue. • a mesma da ADI. A menção especial a esse ponto é justi�cável porque a Lei nº 9.868/1999 ainda traz os legitimados originais da ADC, em número menor. Vige, porém, a redação dada ao art. 103, da CF, pela Emenda Constitucional nº 45/2004, que equiparou ADI e ADC nesse ponto. • lei ou ato normativo federal. Note que, na ADI, o objeto engloba, também, atos estaduais, o que não ocorre na ADC. • há diferenciação no conteúdo da medida cautelar, consistente na determinação de que os juízes e os tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento de�nitivo. O julgamento da ADC pelo STF deve ocorrer em até 180 dias, sob pena de perda da e�cácia da cautelar. • art. 102, § 1º, CF, e Lei nº 9.882/1999. • STF. • a mesma da ADI. No projeto de lei que resultou na Lei nº 9.882/1999, havia previsão para que qualquer pessoa pudesse ingressar com a ADPF. O dispositivo, no entanto, foi vetado, remanescendo apenas a possibilidade de o interessado solicitar ao PGR, mediante representação, a propositura. • - Evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público (ADPF autônoma). - Relevante fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição (ADPF incidental): a controvérsia deve ser no plano judicial, o que precisa ser demonstrado na petição inicial. Além disso, esse objeto denota o cabimento da ADPF em relação a dois tipos de norma que escapam da ADI: normas municipais e direito pré-constitucional. existe semelhança com o procedimento da ADI, valendo menção às seguintes características especiais: não será admitida ADPF quando houver qualquer outro meio e�caz de sanar a lesividade (caráter subsidiário da arguição). - Concedida pela maioria absoluta do Tribunal. É possível, porém, que em caso de extrema urgência, perigo de lesão grave ou em período de recesso, o relator conceda a cautelar, ad referendum do Tribunal Pleno. - Conteúdo: poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento do processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada. Além das observações feitas no para todas as ADI, item relativo à intervenção federal, o estudo deve ser dirigido à Lei nº 12.562/11, que �xa as regras da representação interventiva. Como questões essenciais, cita-se o seguinte. • STF • exclusiva do PGR • violação aos princípios constitucionais sensíveis ou recusa de execução de lei federal • valem as regras de quórum da ADI. Se a representação for julgada procedente, o presidente do STF comunicará o presidente da República para que, no prazo improrrogável de até 15 dias, edite o decreto interventivo. Assim, a intervenção, no caso, será vinculada. Teste seus Conhecimentos (Atividade não pontuada) (Exame Uni�cado XXIX)O Estado Alfa promulgou, em 2018, a Lei Estadual X, concedendo unilateralmente isenção sobre o tributo incidente em operações relativas à circulação interestadual de mercadorias (ICMS) usadas como insumo pela indústria automobilística. O Estado Alfa, com isso, atraiu o interesse de diversas montadoras em ali se instalarem. A Lei Estadual X, no entanto, contraria norma da Constituição da República que dispõe caber a lei complementar regular a forma de concessão de incentivos, isenções e benefícios �scais relativos ao ICMS, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal. Em razão da Lei Estadual X, o Estado Beta, conhecido polo automobilístico, sofrerá drásticas perdas em razão da redução na arrecadação tributária, com a evasão de indústrias e fábricas para o Estado Alfa. Diante do caso narrado,com base na ordem jurídico-constitucional vigente, assinale a a�rmativa correta. O Governador do Estado Beta não detém legitimidade ativa para a propositura da Ação Direta de Inconstitucionalidade em face da Lei Estadual X, uma vez que, em âmbito estadual, apenas a Mesa da Assembleia Legislativa do respectivo ente está no rol taxativo de legitimados previsto na Constituição. A legitimidade do Governador do Estado Beta restringe-se à possibilidade de propor, perante o respectivo Tribunal de Justiça, representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual. A legitimidade ativa do Governador para a Ação Direta de Inconstitucionalidade vincula-se ao objeto da ação, pelo que deve haver pertinência da norma impugnada com os objetivos do autor da ação; logo, não podem impugnar ato normativo oriundo de outro Estado da Federação. O Governador do Estado Beta é legitimado ativo para propor Ação Direta de Inconstitucionalidade em face da Lei Estadual X, a qual, mesmo sendo oriunda de ente federativo diverso, provoca evidentes re�exos na economia do Estado Beta. Como desdobrar histórico dos Direitos do Homem, os Direitos Humanos assumem essa nomenclatura a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, assumindo um pacto internações de reconhecimento da dignidade da pessoa humana enquanto valor intrínseco e absoluto a ser protegido em todos os povos. Existem diferenças teóricas sobre os Direitos Humanos, os Direitos do Homem, os Direitos Naturais e os Direitos Fundamentais, apesar de todos eles possuírem identidade de tutela sobre vários bens jurídicos. Utilizando de recorte histórico, tem-se primeiramente os Direitos Naturais, reconhecidos como aqueles que são inerentes ao estado de humano vivente. A pessoa nasce e logo de pronto adquire direitos como o de viver, de se locomover, de expressar suas falas, de conviver em sua família. Os Direitos Naturais, próprios de um sistema jurídico não positivado, não precisam estar escritos em normas jurídicas, pois já devem ser reconhecidos pela simples existência de seu sujeito. Com a intenção de formalizá-los de forma escrita para, uma vez redigidos, poder ser opostos às vontades de governos autoritários, surge a Declaração Universal de Direitos do Homem e do Cidadão, a �m de redigir à termo os interesses da Assembléia Nacional Francesa em 1789, datando a Revolução Francesa, �rmando de forma escrita, invariável, os direitos de liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão. Nota-se que, de certa forma, são os mesmos bens jurídicos dos direitos naturais, entretanto dá-se ênfase à propriedade e à resistência, pois foram valores reconhecidos por lutas sociais daquela época contra governos tiranos (SARLET; MARINONI; MITIDIERO, 2019). Em 1948, após a Segunda Grande Guerra Mundial, �rmou-se a Organização das Nações Unidas como entidade criada por um pacto multinacional, a �m de proteger que não ocorresse mais as atrocidades que as grandes guerras mundiais haviam provocado. Partindo como base o texto e os bens jurídicos da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão e, levando em conta o reconhecimento de tantos valores e bens jurídicos massacrados pelas Guerras, formou-se um texto, pactuando as Nações interessadas, protegendo os bens de cunho ético (ou seja, que tem validade para todos, independente de classe, cor, gênero, raça, povo, costumes) por serem estes entendidos como bens jurídicos inerentes à condição humana para o desenvolvimento e para a paz. As nações pactuantes assumem um compromisso de internalizar tais valores éticos apostos na Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH) em suas próprias legislações, para, assim, promover a coercibilidade necessária às normas jurídicas para os seus povos. Desta forma, no Brasil, os Direitos Fundamentais, positivados no texto legal com maior nível de hierarquia (Constituição Federal) são formados pelos mesmos direitos oriundos da DUDH, que tiveram seus valores jurídicos reconhecidos como inerentes à condição e natureza humana e acrescentados por proteção à valores próprios da história brasileira, para que sejam opostos contra qualquer autoridade pública ou pessoa privada que despreze tais valores e direitos, vinculando o agir de todos, alguns outros direitos e garantias, como os remédios constitucionais e os direitos de reunião e associação (SARLET; MARINONI; MITIDIERO, 2019). Em suma, na atualidade tem-se para os brasileiros 2 diplomas jurídicos que orientam e tutelam os bens próprios relativos aos direitos humanos e naturais, uma em esfera internacional, cuja oposição se dá principalmente para as nações, com conteúdo ético (válido e comum à todos os povos) que é a DUDH. O segundo diploma é a própria Constituição Federal que possui os Direitos Fundamentais como normas hierarquicamente superiores, oponíveis à todos os cidadãos e entidades brasileiras que repete a proteção de valores éticos em âmbito interno (como a DUDH tem conteúdo que vale para todos os povos, por óbvio, vale para o Brasil também) e acrescenta valores que a nossa sociedade representada na Constituinte (originária ou derivada, pois podem ser acrescidos direitos fundamentais por via de emenda constitucional) achou por bem acrescentar tal proteção fundamental. Importante observação que os Direitos Fundamentais, por força do art. 60, § 4º, tem proteção contra reduções de aplicação, podendo ser expandidos, mas não diminuídos (princípio da vedação do retrocesso). A dignidade da pessoa humana é o princípio basilar fundamental de nosso ordenamento jurídico e dos ordenamentos de todas as nações que pactuam com a DUDH. Expressa pela junção de um valor (dignidade = valor diferente de preço que não admite troca por outro valor semelhante ou maior) atribuído à um objeto (pessoa) com características exclusivas (humana), a dignidade da pessoa humana impõe a todos os sujeitos que não se pode tratar outra pessoa, por esta possuir sua individualizada dignidade, como instrumento meio para conseguir a vontade do opressor. A dignidade também, quando tutelada juridicamente como é o caso do Brasil que a apresenta como fundamento da república no art. 1º, III da Constituição Federal, cria o dogma de que não deve existir (conduta ética, universalizada) pessoa melhor ou pior que outra, pois enquanto todos sujeitos à condição humana (possuidores de defeitos, desejos, dons, etc.) não temos valores de preço para serem mais valorizados em detrimentos de outros (SARLET; MARINONI; MITIDIERO, 2019). É o princípio que se operacionaliza em todos os direitos fundamentais e, por todas as ações jurídicas deve ser respeitado. Para a proteção de uma pessoa (individualizada) humana (exposto às imperfeições da condição humana), deve ser promovida a sua autonomia, garantindo assim a sua liberdade, a sua igualdade, o seu dever de solidariedade com o outro e sua integridade psicofísica. Fere o sistema de proteção aos direitos humanos a realização de discriminação de qualquer natureza entre as pessoas. Quando ocorre diminuição de uma pessoa ou da forma que essa pessoa tem acesso ao mundo por outra, existe uma lesão à dignidade da pessoa humana por haver a instrumentalização (deixar a pessoa humana de ser o �m em si mesma para ser o �m da vontade de outro que se põe como superior). Desta forma, qualquer tipo de discriminação ou diminuição da pessoa humana, seja por cor, sexo, língua, religião, opinião política, nacionalidade, renda, entre todas as pensáveis situações. A proteção à liberdade se dá em várias esferas (liberdade de locomoção, de manifestação de vontade, de escolha religiosa, de escolha de nacionalidade, de escolha de família, de escolha de utilização do próprio corpo, escolha pro�ssional, etc.). OsDireitos de Liberdade são direitos humanos e direitos fundamentais tidos como direitos de primeira dimensão (ou geração como tratam as doutrinas mais clássicas). Invocam sempre um dever negativo do Estado, ou seja, o Estado assume o dever de não interferir nos direitos de liberdade de seus cidadãos, assim como assume o dever de criar meios para esses direitos serem protegidos (Segurança, Judiciário etc.) (LENZA, 2020). Por força da determinação de abominação dos fatos que desintegram a dignidade da pessoa humana nos sujeitos, a legislação brasileira trata tais crimes como assemelhados à hediondos, pois na própria constituição já se apontam sua proibição por ferir a humanidade. Afere-se regularmente o reconhecimento de duas vertentes de igualdade: formal e material. Igualdade formal seria representada pela ideia de que “todos são iguais perante à Lei”, ou seja, que as autoridades não poderiam fazer distinção de forma de aplicação das normas em relação às pessoas. A segunda informa que todos devem possuir condições assemelhadas para promoção de estarem no mesmo patamar de sujeitos, de negociação, de desenvolvimento. Não que todos devam ter as mesmas propriedades, mas as mesmas condições de desenvolvimento para alcançar os bens jurídicos e de vida que assim desejarem. Os direitos de igualdade são chamados de direitos de segunda dimensão, representando, quando internalizados pelo ordenamento jurídico do país, a assunção de um dever positivo pelo Estado, de uma obrigação de fazer correspondente na entrega do bem jurídico necessário à população para que esta possa ter condições de desenvolvimento. São estes os chamados direitos sociais (saúde, educação, lazer, transporte público, seguridade social, proteção nas relações de trabalho, acesso à justiça, acesso à cultura), correspondentes em uma forma de deixar as relações humanas entre pessoas com condições patrimoniais e culturais diferentes, justa, em patamar de igualdade, alcançando a justiça social. Não é permitida a prisão sem ordem judicial e sem cumprir as formalidades impostas pelo regramento jurídico. Desta forma, estão previstos a existência de Habeas Corpus como remédio para fazer cessar qualquer prisão arbitrária e, também, proibidas as prisões civis (de natureza não como pena de prática de crime) por dívida patrimonial, como era o caso do depositário (LENZA, 2020). Relativos aos direitos de primeira dimensão, principalmente nos fatos ligados à liberdade e integridade psicofísica, implica-se obrigação negativa do Estado e tem relevância na inviolabilidade de domicílio, na proteção da criança e do adolescente, na proteção da mulher, na proteção pelo sigilo bancário e postal, pelo sigilo de dados. São direitos ligados à solidariedade entre todos os povos, reconhecidos como direitos de terceira dimensão. Implica no dever de todos os sujeitos e todas as nações se autolimitarem para a proteção dos interesses daqueles vulneráveis, das minorias e, também, assumirem a postura ética, de promover o desenvolvimento de e para todos. Chamam-se de direitos ubíquos, por estarem presentes além das fronteiras, em todo o lugar. Como forma de operacionar a tutela, são direitos humanos as garantias processuais como o juízo natural, investido no cargo para o julgamento e para a determinação de prisões, o regular processamento dos atos judiciais, os remédios constitucionais, o direito de ação, de assistência de advogado. Nesta unidade foram trabalhados os conceitos sobre Direito Constitucional e Direitos Humanos. Os principais pontos, de acordo com os critérios de reiteração nos exames da Ordem dos Advogados do Brasil, foram expostos para que o estudo seja otimizado, sendo assim, a organização do Estado, os Direitos e garantias Fundamentais, o Controle de Constitucionalidade e os direitos de liberdade, igualdade, solidariedade são apresentados de modo objetivo, intentando a melhor �xação. BRANCO, P. G. G.; MENDES, G. F. . 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. BRASIL. [Constituição (1988)]. . Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Constituicao/Constituicao.htm . Acesso em: 19 mar. 2020. BRASIL. . Regula o direito de acesso a informações e disciplina o rito processual do habeas data . Brasília, DF: Presidência da República, 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9507.htm . Acesso em: 19 mar. 2020. BRASIL. . Disciplina o mandado de segurança individual e coletivo e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2009. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12016.htm . Acesso em: 19 mar. 2020. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9507.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9507.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12016.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12016.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12016.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12016.htm GONZAGA, A. de A. . 8. ed. Rio de Janeiro: Método, 2017. (Série Essencial). LENZA, P. (coord.) . Volume único. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Recurso online. SARLET, I. W.; MARINONI, L. G.; MITIDIERO, D. . 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.dotado de capacidade eleitoral ativa, ou seja, aquele que pode votar, e também o indivíduo dotado de capacidade eleitoral passiva, aquele que pode ser votado caso preencha as exigências legais. A aquisição da cidadania, segundo a Constituição, ocorre por meio do alistamento eleitoral: o indivíduo deve fazer sua inscrição como eleitor perante a Justiça Eleitoral (título eleitoral). Isso pressupõe nacionalidade brasileira (estrangeiros não podem se alistar como eleitores), idade mínima de 16 anos e não ser conscrito durante o serviço militar obrigatório. Os direitos políticos positivos referem-se à alistabilidade e à elegibilidade. A alistabilidade diz respeito à capacidade eleitoral ativa, segundo a qual há a possibilidade de o indivíduo ser eleitor. O alistamento é obrigatório para os brasileiros de ambos os sexos, maiores de 18 anos de idade, e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos de idade e os maiores de 16 e menores de 18 anos de idade (art. 14, § 1º, I e II, da CF). Não podem se alistar como eleitores os estrangeiros e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (art. 14, § 2º, CF). Os conscritos são os nacionais convocados para o serviço militar obrigatório – porém, caso se trate de serviço militar permanente, há a obrigação de realizar o alistamento eleitoral. A elegibilidade diz respeito à capacidade eleitoral passiva, a qual prevê a possibilidade de ser eleito. Deve-se observar que nem sempre da alistabilidade decorre a elegibilidade. Isso porque a Constituição (art. 14, § 3º) é expressa quanto às condições de elegibilidade, sendo elas: a nacionalidade brasileira; o pleno exercício dos direitos políticos; o alistamento eleitoral; o domicílio eleitoral na circunscrição; a �liação partidária e a idade mínima para os cargos de presidente e vice- presidente da República e senador (35 anos), governador e vice-governador de Estado e do Distrito Federal (30 anos), deputado federal (21 anos), deputado estadual ou distrital (21 anos), prefeito e vice-prefeito (21 anos) e juiz de paz (21 anos). Ressalta-se que a Constituição (art. 14, § 4º) prevê que os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis. Os direitos políticos negativos são relativos às inelegibilidades, que são as circunstâncias, constitucionais ou previstas em lei, que impedem o cidadão de se eleger, restringindo o exercício total ou parcial da capacidade eleitoral passiva. As normas constitucionais sobre inelegibilidades estão previstas no art. 14, do § 4º ao § 7º da Constituição. dizem respeito àquelas pessoas que não podem concorrer à eleição alguma (art. 14, § 4º, CF). Desse modo, não podem exercer a capacidade eleitoral passiva os inalistáveis (estrangeiros, conscritos durante o serviço militar obrigatório, menores de 16 anos e menores de 18 anos não alistados) e os analfabetos (lembre-se de que o analfabeto tem direito à alistabilidade e, portanto, direito de votar, mas não pode ser eleito, pois não possui capacidade eleitoral passiva). são restrições especí�cas a certos tipos de cargos ou funções em que o cidadão se encontra no momento da eleição. Para o mesmo cargo, o presidente da República, os governadores de Estado e do Distrito Federal, os prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente (art. 14, § 5º, CF). Para concorrerem a outros cargos, devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito (art. 14, § 6º, CF). Trata-se da desincompatibilização, por meio da qual o candidato se desvencilha de alguma circunstância que o impede de se eleger. São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou a�ns, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da República, do governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição (art. 14, § 6º, CF). Como exemplo, o cônjuge e os parentes até o segundo grau consanguíneos ou a�ns de governador não poderão se candidatar a qualquer cargo eletivo no Estado (vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e governador do mesmo Estado). Fique atento à Súmula Vinculante nº 18/2009, que dispõe que “[...] a dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do art. 14 da Constituição Federal”. O militar alistável é elegível, desde que, se Quadro 3.2 - Restrições aos direitos políticos: inelegibilidade relativa Fonte: Elaborado pelo autor. : o quadro traz restrições ao exercício dos direitos políticos. Na primeira linha, a restrição por motivos funcionais proíbe, para o mesmo cargo, o presidente da República, os governadores de Estado e do Distrito Federal, os prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente (art. 14, § 5º, CF). Para concorrerem a outros cargos, devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito (art. 14, § 6º, CF). Trata-se da desincompatibilização, por meio da qual o candidato se desvencilha de alguma circunstância que o impede de se eleger. Na segunda linha, a restrição por motivo de casamento, parentesco ou a�nidade diz que são inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou a�ns, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da República, do governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição (art. 14, § 6º, CF). Como exemplo, o cônjuge e os parentes até o segundo grau consanguíneos ou a�ns de governador não poderão se candidatar a qualquer cargo eletivo no Estado (vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e governador do mesmo Estado). Fique contar com menos de dez anos de serviço, afaste-se da atividade; e se contar com mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior; e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade (art. 14, § 8º, CF). A Constituição Federal autorizou a criação de outros casos de inelegibilidades relativas e os prazos de sua cessação por Lei Complementar, a �m de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a in�uência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. atento à Súmula Vinculante nº 18/2009, que dispõe que “[...] a dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do art. 14 da Constituição Federal”. A terceira linha fala da restrição dos militares: o militar alistável é elegível, desde que, se contar com menos de dez anos de serviço, afaste-se da atividade; e se contar com mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior; e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade (art. 14, § 8º, CF). Na quarta linha, a restrição por previsões de ordem legal diz que a Constituição Federal autorizou a criação de outros casos de inelegibilidades relativas e os prazos de sua cessação por Lei Complementar, a �m de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a in�uência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. A Lei Complementar nº 135/2010, conhecida como Leida Ficha Limpa, inova com o amparo da constitucionalidade já a�rmada pelo STF em relação às inelegibilidades relativas. A partir da referida lei, entende-se que é inelegível o cidadão que tenha decisão condenatória proferida por órgão judicial colegiado, mesmo que ainda não tenha ocorrido o trânsito em julgado. Outra novidade é a inelegibilidade daquele que for condenado, em decisão proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma. A perda ou suspensão de direitos políticos refere-se aos casos em que, respectivamente, há a privação de�nitiva ou temporária dos direitos políticos. A Constituição elenca os casos em seu art. 15, sem apontar quais são os de perda e de suspensão. Contudo, a doutrina procura esclarecer, reconhecendo como casos de suspensão: a. incapacidade civil absoluta (inciso II); b. condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos (inciso III); c. recusa em cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII, da CF (inciso IV); d. improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º da CF. Desse modo, seria hipótese de perda dos direitos políticos apenas o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. A reaquisição dos direitos políticos suspensos se dará automaticamente com a cessação dos motivos que determinaram a suspensão. Quanto à hipótese de perda dos direitos políticos por cancelamento da naturalização, só será possível por meio de ação rescisória (prazo de dois anos do trânsito em julgado). Teste seus Conhecimentos (Atividade não pontuada) (Exame Uni�cado XXX) Em março de 2017, o Supremo Tribunal Federal, em decisão de�nitiva de mérito proferida no âmbito de uma Ação Declaratória de Constitucionalidade, com e�cácia contra todos ( erga omnes ) e efeito vinculante, declarou que a lei federal, que autoriza o uso de determinado agrotóxico no cultivo de soja, é constitucional, desde que respeitados os limites e os parâmetros técnicos estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Saiba mais Interessante o adendo posto pela Lei Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010), que tem sido reiteradamente assunto da mídia. A leitura é importante para a inteligência dos critérios de inelegibilidade em razão de condenação. Disponível em: Fonte: elaborado pelo autor. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp135.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp135.htm Inconformados com tal decisão, os congressistas do partido Y apresentaram um projeto de lei perante a Câmara dos Deputados visando proibir, em todo o território nacional, o uso do referido agrotóxico e, com isso, “derrubar” a decisão da Suprema Corte. Em outubro de 2017, o projeto de lei é apresentado para ser votado. Diante da hipótese narrada, assinale a a�rmativa correta. A superação legislativa das decisões de�nitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de uma ação declaratória de constitucionalidade, deve ser feita pela via da emenda constitucional, ou seja, como fruto da atuação do poder constituinte derivado reformador; logo, o projeto de lei proposto deve ser impugnado por mandado de segurança em controle prévio de constitucionalidade. Embora as decisões de�nitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações declaratórias de constitucionalidade não vinculem o Poder Legislativo em sua função típica de legislar, a Constituição de 1988 veda a rediscussão de temática já analisada pela Suprema Corte na mesma sessão legislativa, de modo que o projeto de lei apresenta vício formal de inconstitucionalidade. Como as decisões de�nitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado de constitucionalidade gozam de e�cácia contra todos e efeito vinculante, não poderia ser apresentado projeto de lei que contrariasse questão já paci�cada pela Suprema Corte, cabendo sua impugnação pela via da reclamação constitucional. O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não �ca vinculado às decisões de�nitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no controle de constitucionalidade, de modo que o projeto de lei apresentado em data posterior ao julgamento poderá ser regularmente votado e, se aprovado, implicará a superação ou reação legislativa da jurisprudência. Disciplina reiterada na cobrança dos exames da Ordem, os Remédios Constitucionais são ações previstas no texto constitucional que possuem função de garantia de cumprimento dos direitos individuais e coletivos opostos contra o representante estatal, de poder, ou pessoa que esteja ferindo direitos fundamentais individuais ou coletivos, conforme o tipo do remédio. HHaabbeeaass CCoorrppuuss O habeas corpus tem seu nascimento com a Magna Carta (1215) e, também, com o Habeas Corpus Act (1679). Desde a Constituição Brasileira de 1824, protege-se a liberdade de locomoção, mas o habeas corpus , como instrumento constitucional, teve sua proteção primeiramente garantida com a Constituição Brasileira de 1891. Desde então, foi mantida pelos demais diplomas constitucionais criados posteriormente (BRANCO, 2019). Na atual Constituição, encontra sua previsão no art. 5º, LXVIII, segundo o qual: “[...] conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder” (BRASIL, 1988). Tem como objeto a proteção da liberdade de locomoção do indivíduo, cuja �nalidade é fazer cessar violência ou coação da liberdade, decorrente de abuso de poder e de ilegalidade. Nesse sentido, é uma garantia individual que tem por objeto de proteção a liberdade de ir e vir das pessoas. As hipóteses de cabimento referem-se a: a. ato lesivo ou sua ameaça à liberdade de locomoção; b. ameaça ou lesão decorrente de violência ou coação e que estas tenham origem na ilegalidade ou no abuso do poder. Quanto aos aspectos formais, salienta-se que essa garantia não exige formalidades para sua impetração. Não há exigência de capacidade postulatória nem dependência de representação por advogado. É uma ação gratuita (art. 5º, LXXVII, CF). Contudo, deve-se ressaltar que, apesar da informalidade que rege esse instrumento, não há possibilidade de impetração apócrifa, não assinada pelo impetrante e que não contenha qualquer autenticação. Trata-se de ação sumaríssima e que, por isso, exige prova pré-constituída. São duas as modalidades dessa garantia: repressiva e preventiva (GONZAGA, 2017). A modalidade repressiva, também chamada de liberatória, ocorre com o objetivo de afastar constrangimento ilegal à liberdade de locomoção. Já na modalidade preventiva, o objetivo é afastar a ameaça à liberdade de locomoção, hipótese em que é possível expedir, por autoridade competente, um salvo conduto para garantir o livre trânsito de ir e vir. O autor do habeas corpus denomina-se impetrante; o indivíduo em favor do qual se impetra, paciente – observa-se que o paciente pode ser o próprio impetrante. Denomina-se autoridade coatora, ou impetrado, a autoridade que pratica a ilegalidade ou abuso de poder. • qualquer pessoa física (nacional ou estrangeira), em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público (art. 654, CPP) ou pessoa jurídica em favor de pessoa física. Outra situação é a possibilidade de juiz competente, que pode expedir de ofício o habeas corpus , e, também, escrevente judicial ou funcionário público, no caso de estarem sendo impedidos de postular em juízo, no desempenho de suas funções. Observe que o art. 192 do Regimento Interno do STF aponta que impetradoo habeas corpus por estranho, dele não se conhecerá se desautorizado pelo paciente. • é a autoridade ou o agente público. Trata-se do coator, aquele que exerce ou ameaça exercer o constrangimento ilegal, sendo omissivo ou comissivo. Alerta-se para a possibilidade de o habeas corpus ser impetrado em face de particular, por exemplo, um hospital psiquiátrico que priva o paciente de sua liberdade de ir e vir, ilegalmente, atendendo aos pedidos desumanos de �lhos que abandonam seus pais. O órgão para apreciar a ação de habeas corpus será determinado de acordo com a autoridade coatora. O para a impetração é o período em que o indivíduo sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. HHaabbeeaass DDaattaa O habeas data é garantia constitucional, instituída pela Constituição de 1988, que encontra previsão no seu art. 5º, LXXII, segundo o qual, regulamentado pela Lei nº 9.507/1997: a. para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b. para a reti�cação de dados, quando não se pre�ra fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; c. para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justi�cável e que esteja sob pendência judicial ou amigável. Como condição de procedibilidade, observa-se que deve haver a recusa por parte dos bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público e, também, a inexistência de sigilo que comprometa a segurança do Estado e da sociedade. É importante frisar que, havendo decisão de indeferimento por parte da autoridade no prazo legal, o requerente deve exigir a formalização da negativa do pleito. Isso signi�ca que esse documento será fundamental para a interposição do habeas data no poder judiciário, sem o qual o juízo ou tribunal não dará andamento ao processo, indeferindo liminarmente a peça inicial. Por força do art. 5º, LXXVII, da Constituição (BRASIL, 1988), o requerimento administrativo e a ação de habeas data são inteiramente gratuitos. • qualquer pessoa, física ou jurídica, poderá ajuizar a ação constitucional de habeas data para ter acesso às informações a seu respeito. • dependerá da natureza jurídica do banco de dados. Lembre-se de que pode ser impetrado contra entidade governamental ou entidades privadas prestadoras de serviço público, por exemplo, as empresas de serviço de proteção ao crédito (SPC). • dependerá da qualidade da autoridade que tem as informações armazenadas. • não há prazo para impetração. Entretanto, uma vez dada a entrada com a ação de habeas data , o juiz noti�cará a autoridade para que ela preste a(s) informação(s) no prazo improrrogável de 10 dias. O Mandado de Segurança nasceu com a Constituição de 1934, sendo mantido pelos diplomas constitucionais que vieram em sequência. Na atual Constituição, encontra sua previsão no art. 5º, LXIX, segundo o qual: O Mandado de Segurança encontra-se regulamentado pela Lei nº 12.016/2009 (BRASIL, 2009). As hipóteses de cabimento são: É aquele que pode ser comprovado, pelo julgador, tão logo a impetração do mandado de segurança, não cabendo, assim, comprovação posterior, pois não seria líquido e certo. Cabe salientar que o Mandado de Segurança deve apresentar-se com prova pré-constituída, ou seja, rea�rmando o fato de não haver possibilidade de se juntar prova aos autos após sua impetração. Nesse sentido, é o direito comprovado junto com a petição inicial. Também se observa que a liquidez e a certeza se referem a fatos (Súmula 625, STF). Entretanto, nada impede que o interessado procure outros meios judiciais, tendo em vista que o Mandado de Segurança não obsta o acesso a possíveis vias judiciais. A utilização do Mandado de Segurança é residual. A ilegalidade con�gura-se com os desvios de padrões de legalidade (relacionada aos atos vinculados), enquanto o abuso de poder revela-se quando há extrapolação de determinada competência, assim entendida como o desvio de sua �nalidade (relacionada aos atos discricionários). Há duas modalidades de Mandado de Segurança: . Mandado de Segurança Repressivo é quando já tiver ocorrido a ilegalidade ou o abuso de poder. Ao contrário, haverá Mandado de Segurança Preventivo quando a intenção for prevenir a violação de direito líquido e certo. É o impetrante do Mandado de Segurança o detentor do direito líquido e certo não amparado por habeas corpus e habeas data . Podem ser: pessoas físicas (brasileiras ou não, residentes ou não, domiciliadas ou não), jurídicas, órgãos públicos despersonalizados, porém com capacidade processual (che�as do Executivo, mesas do Legislativo), universalidades de bens e direitos (espólio, massa falida, condomínio), agentes políticos (governadores, parlamentares), Ministério Público, entre outros. É a autoridade coatora, a qual pode ser integrante do Poder Público em qualquer grau, seja da Administração Direta ou Indireta, assim como delegatários de funções públicas ou particulares que executem, a qualquer título, atividades, serviços e obras públicas. Por exemplo: universidades privadas. O órgão competente para apreciar o Mandado de Segurança será determinado de acordo com a autoridade coatora e sua sede funcional. O prazo é decadencial de 120 dias, a contar da data em que o interessado tiver conhecimento o�cial do ato a ser impugnado. Não há suspensão ou interrupção desse prazo. O Mandado de Segurança Coletivo diferencia-se do Mandado de Segurança Individual apenas quanto à legitimidade Quadro 3.3 - Hipóteses de cabimento do Mandado de Segurança Fonte - Elaborado pelo autor. : o quadro trata dos requisitos de cabimento do Mandado de Segurança. A primeira linha traz o direito líquido e certo, como aquele que pode ser comprovado, pelo julgador, tão logo a impetração do mandado de segurança, não cabendo, assim, comprovação posterior, pois não seria líquido e certo. Cabe salientar que o Mandado de Segurança deve apresentar-se com prova pré-constituída, ou seja, rea�rmando o fato de não haver possibilidade de se juntar prova aos autos após sua impetração. Nesse sentido, é o direito comprovado junto com a petição inicial. Também se observa que a liquidez e a certeza se referem a fatos (Súmula 625, STF). Entretanto, nada impede que o interessado procure outros meios judiciais, tendo em vista que o Mandado de Segurança não obsta o acesso a possíveis vias judiciais. A segunda linha informa sobre a necessidade de o direito ser não amparável por habeas corpus ou habeas data , pois a utilização do Mandado de Segurança é residual. Na ativa e seu objeto de proteção. Sua hipótese de cabimento se refere à proteção aos direitos transindividuais, sejam eles coletivos ou individuais homogêneos. Os direitos coletivos são aqueles de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica. Já os individuais homogêneos são os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação especí�ca da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à �nalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. terceira linha, está a ilegalidade ou abuso de poder: a ilegalidade con�gura-se com os desvios de padrões de legalidade (relacionada aos atos vinculados), enquanto o abuso de poder revela- se quando há extrapolação de determinada competência, assim entendida como o desvio de sua �nalidade (relacionada aos atos discricionários). Há duas modalidades deMandado de Segurança: repressivo e preventivo. Mandado de Segurança Repressivo é quando já tiver ocorrido a ilegalidade ou o abuso de poder. Ao contrário, haverá Mandado de Segurança Preventivo quando a intenção for prevenir a violação de direito líquido e certo. A quarta linha cita a legitimidade ativa, sendo esta do impetrante do Mandado de Segurança o detentor do direito líquido e certo não amparado por habeas corpus e habeas data . Podem ser: pessoas físicas (brasileiras ou não, residentes ou não, domiciliadas ou não), jurídicas, órgãos públicos despersonalizados, porém com capacidade processual (che�as do Executivo, mesas do Legislativo), universalidades de bens e direitos (espólio, massa falida, condomínio), agentes políticos (governadores, parlamentares), Ministério Público, entre outros. Na quinta linha, está a legitimidade passiva, que diz que o Mandado de Segurança é impetrado contra a autoridade coatora, a qual pode ser integrante do Poder Público em qualquer grau, seja da Administração Direta ou Indireta, assim como delegatários de funções públicas ou particulares que executem, a qualquer título, atividades, serviços e obras públicas. Por exemplo: universidades privadas. Na sexta linha, está a competência, que diz que o órgão competente para apreciar o Mandado de Segurança será determinado de acordo com a autoridade coatora e sua sede funcional. A sétima linha mostra o prazo para a impetração, que é decadencial de 120 dias, a contar da data em que o interessado tiver conhecimento o�cial do ato a ser impugnado. Não há suspensão ou interrupção desse prazo. A sétima linha traz algumas diferenças sobre o Mandado de Segurança Coletivo. O Mandado de Segurança Coletivo diferencia-se do Mandado de Segurança Individual apenas quanto à legitimidade ativa e seu objeto de proteção. Sua hipótese de cabimento se refere à proteção aos direitos transindividuais, sejam eles coletivos ou individuais homogêneos. Os direitos coletivos são aqueles de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica. Já os individuais homogêneos são os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação especí�ca da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. A oitava linha traz a legitimidade ativa do Mandado de Segurança Coletivo, sendo exercida por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à �nalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. O Mandado de Injunção é novidade da Constituição de 1988 e tem por �nalidade assegurar a fruição de direitos garantidos constitucionalmente. Encontra-se previsto no art. 5º, LXXI, nos seguintes termos: “Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania” (BRASIL, 1988). Veri�ca-se, como hipótese de cabimento, que essa garantia constitucional tem por �nalidade efetivar direitos e liberdades constitucionais que não podem ser usufruídos em razão da falta de norma regulamentadora (GONZAGA, 2017). Em outras palavras, é utilizado quando há omissão normativa de norma constitucional de e�cácia limitada, impedindo o exercício de um direito em caso concreto. Ademais, deve-se lembrar que a omissão poderá ser parcial, sendo aquela em que a regulamentação for insu�ciente. • qualquer pessoa (física ou jurídica). Alerta-se que a pessoa jurídica de direito público também tem legitimidade ativa para a propositura de Mandado de Injunção, e é necessária a atuação do advogado. • em face de órgão ou poder incumbido de elaborar a norma. Portanto, nunca em relação ao particular. • será determinada com base na fonte de onde deveria ter emanado a norma faltante (art. 102, I, “q”, II, “a”; art. 105, I, “h”; art. 125, CF). • enquanto persistir a omissão normativa. Não há prazo de prescrição ou decadência. • reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: a. determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora (será dispensada essa determinação quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma); b. estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Observar a evolução da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quanto à sua posição em relação às decisões proferidas em mandado de injunção. São elas: a. posição não concretista; b. posição concretista individual intermediária; c. posição concretista direta; d. posição concretista geral. Já o Mandado de Injunção Coletivo é aquele que pode ser promovido: a. pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis; b. por partido político com representação no Congresso Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a �nalidade partidária; c. por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes a suas �nalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; d. pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados. A Ação Popular encontra previsão no art. 5º, LXXIII, segundo o qual: Encontra-se regulamentada pela Lei nº 4.717/1965. é utilizada na proteção de interesses difusos. Isso signi�ca que é garantia voltada a impugnar atos lesivos ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Por lesividade, deve-se entender, também, ilegalidade. Cumpre observar que não é possível a sua utilização na defesa de interesses particulares, contra atos jurisdicionais, contra lei em tese e tendo como �nalidade o controle de constitucionalidade. São duas as modalidades: repressiva e preventiva. Trata-se de Ação Popular Repressiva quando visa corrigir os atos danosos consumados. Ao contrário, será Ação Popular Preventiva quando ajuizada antes da consumação dos efeitos do ato lesivo. • é do cidadão. Compreende os brasileiros natos ou naturalizados e, também, os portugueses equiparados. É necessária a atuação de advogado. • o agente público que praticou ato lesivo ao patrimônio público, a entidade lesada e os bene�ciários de tal ato. • dependerá da autoridade que poderá desfazer o ato impugnado. Assim, deve-se veri�car a origem do ato impugnado, sendo a regra o juízo de primeiro grau. • a Ação Popular prescreve em cinco anos. Saiba mais A questão da Ação Popular é relacionada com a disciplina de Direito Ambiental, em razão de ser importante meio de garantia contra ações que atinjam a prevenção ou precaução contra bem ambiental protegido. Aconselho estudar e realizar a leitura do art. 225, da Constituição, relacionando os cabimentosda Ação Popular. A Ação Civil Pública foi introduzida no Brasil pela Lei nº 7.347/1985. Contudo, a Constituição de 1988 a incorporou em seu art. 129, III, o qual prevê que: “São funções institucionais do Ministério Público: [...] III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos” (BRASIL, 1988). Atualmente, a Lei nº 7.347/1985 (modi�cada pela Lei nº 8.078/1990) possui apenas caráter processual. Inclusive, posteriormente, também foram criadas outras leis com o objetivo de ampliar seu âmbito de proteção. trata-se de instrumento utilizado para impedir danos ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e por infrações da ordem econômica, à ordem urbanística e à honra e dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, protegendo-se, assim, os interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, desde que socialmente relevantes. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm • é um procedimento administrativo preliminar para a apuração dos atos lesivos. Assim, se houver provas su�cientes para a ação, o inquérito civil será dispensável. • Ministério Público, Defensoria Pública, União, estados, Distrito Federal, municípios, autarquias, empresas públicas, fundações, sociedades de economia mista ou associações constituídas há pelo menos um ano, nos termos da Lei Civil, que tenham por �m a proteção de interesses difusos e coletivos. • em face da Administração Pública ou de particular. • a Ação Civil Pública deve ser proposta no foro do local onde ocorrer o dano. Trata-se de natureza funcional e, portanto, absoluta e improrrogável. A Ação Civil Pública pode ser utilizada como instrumento de controle de constitucionalidade das leis, desde que seja incidentalmente, ou seja, no curso de um processo concreto. Nesse caso, os efeitos estarão vinculados às partes do processo. Cabe observar que, se a questão constitucional for o objeto principal da demanda, não se admitirá a Ação Civil Pública, pois seus efeitos são erga omnes , e desse modo haveria equiparação aos efeitos do controle concentrado e usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal (RCL 633-6, SP). A Constituição Federal, dentro de sua função política, organiza as estruturas de formação do Estado, sua forma de governo, de organização. Dessa forma, age como liame entre diversas ciências, especialmente a jurídica e as ciências políticas. No estudo das formas de Estado, distingue-se claramente o Estado unitário do Estado federal. No primeiro, existe um único centro de poder político, que pode criar e extinguir, de acordo com a vontade de seus titulares, pessoas jurídicas para gerir serviços públicos locais, por exemplo. No segundo, por sua vez, o poder político é descentralizado por força da Constituição Federal, que prevê a existência de entes federativos autônomos, todos integrantes da federação, que repartem competências entre eles. A origem próxima da Federação pode ser encontrada na formação dos Estados Unidos da América, quando as treze colônias britânicas da América do Norte, lutando contra o que consideravam arbítrio do rei inglês, declaram independência da metrópole (1776), tornando-se estados soberanos. A partir daí, unem esforços para vencer de�nitivamente a guerra estabelecida contra os ingleses, formando, por exemplo, um exército comum. Ocorre que toda a atuação conjunta estava regida por um tratado internacional (Artigos de Confederação), o qual poderia ser rompido a qualquer momento pelos signatários (SARLET; MARINONI; MITIDIERO, 2019). Algum tempo depois do �m da guerra, buscando aprofundar e trazer maior estabilidade ao vínculo entre eles, os treze novos estados abrem mão da soberania e retêm a autonomia para editar a Constituição dos Estados Unidos da América. Com isso, há a criação de um novo Estado (EUA), uma Federação composta pelos Estados-membros que aderiram, bem como por um novo ente, a União, criada para desempenhar de modo centralizado certas tarefas. Dos Estados Unidos da América, a Federação se espalhou pelo mundo, alcançando inclusive o Brasil, conforme será analisado a seguir. Desse processo histórico, porém, são extraídos dois conceitos diversos e muito relevantes para o estudo da Federação. Quadro 3.4 - Soberania e autonomia Fonte: Elaborado pelo autor. : o quadro consistem em duas colunas. Na primeira, está o conceito de soberania, que é o poder supremo de todo Estado independente, abrangendo a capacidade ilimitada de criação do próprio ordenamento jurídico. Ideologicamente, o titular do poder soberano nas democracias é o povo, que pode optar, por exemplo, pela edição de nova Constituição. Estados soberanos podem estabelecer relações entre si por meio de tratados internacionais, formando confederações das quais podem voluntariamente sair (direito de denúncia ao tratado). Justamente em razão da soberania, jamais formarão federações. Na segunda coluna, está o conceito de autonomia, que é o poder atribuído aos entes federativos, abrangendo a capacidade de criação do próprio ordenamento jurídico, limitada aos ditames da Constituição Federal. É, portanto, um poder menor do que a soberania. Nesse sentido, os Estados-membros de uma federação estão submetidos à Constituição e não podem sair do novo Estado ao qual pertencem (não há direito de secessão – vide art. 1º da Constituição Federal, que fala da “união indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal”). É o poder supremo de todo Estado independente, abrangendo a capacidade ilimitada de criação do próprio ordenamento jurídico. Ideologicamente, o titular do poder soberano nas democracias é o povo, que pode optar, por exemplo, pela edição de nova Constituição. Estados soberanos podem estabelecer relações entre si por meio de tratados internacionais, formando confederações das quais podem voluntariamente sair (direito de denúncia ao tratado ). Justamente em razão da soberania, jamais formarão federações. É o poder atribuído aos entes federativos, abrangendo a capacidade de criação do próprio ordenamento jurídico, limitada aos ditames da Constituição Federal. É, portanto, um poder menor do que a soberania. Nesse sentido, os Estados- membros de uma federação estão submetidos à Constituição e não podem sair do novo Estado ao qual pertencem (não há direito de secessão – vide art. 1º da Constituição Federal, que fala da “união indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal”). Toda federação tem como partes componentes, ou seja, como entes federativos, no mínimo a União e os Estados. No Brasil, porém, há entes adicionais. De fato, nos termos do artigo 18 da Constituição Federal, “A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição” (BRASIL, 1988). Note que, além da União e dos Estados, o poder constituinte optou pela inserção do Distrito Federal e dos Municípios no pacto federativo, o que não é comum nas federações clássicas. a) Características gerais dos entes federativos • entes federativos são pessoas jurídicas – capazes, portanto, de direitos e deveres –, compostas por órgãos, como o Legislativo, o Executivo, o Judiciário e o Ministério Público. Juntos, os entes federativos formam a federação. • União, Estados, Municípios e Distrito Federal têm poder para criar as próprias normas jurídicas, nos limites dados pela Constituição Federal. A autonomia atribui aos entes federativos três capacidades: capacidade de edição da própria Constituição. Isso é bastante nítido em relação aos Estados-membros, que editam Constituições Estaduais.Já no que diz respeito aos demais entes, a União não editou a Constituição Federal, mas tem competência para alterar o seu teor por meio do Congresso Nacional, que exerce o poder constituinte derivado reformador realizando emendas à Constituição. Por sua vez, a organização dos Municípios e do Distrito Federal está disciplinada por meio de Leis Orgânicas, que versam sobre matéria constitucional. capacidade de editar as próprias leis e de tomar as próprias decisões políticas, por meio de representantes eleitos pelo povo respectivo. Todos os entes federativos legislam, nos termos da Constituição Federal, e repartem as competências. capacidade de edição dos próprios atos administrativos. Todos os entes federativos têm a própria Administração Pública. • todos têm poderes dados pela Constituição Federal, que reparte as competências nos moldes que estudaremos adiante. Assim, apesar de a ordem jurídica da União ser aplicada no território brasileiro inteiro, isso não signi�ca que ela é hierarquicamente superior aos Estados e aos Municípios, já que cada um desses entes trabalha com competências distintas. b) Características individuais dos entes federativos • - Ente federativo incumbido das atividades de interesse geral. - Regida pela Constituição Federal. - Dotada pelo Poder Legislativo, Executivo, Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas. - Bens disciplinados no art. 20, CF. • - Entes federativos incumbidos das atividades de interesse regional. - Regidos pelas Constituições Estaduais, que devem obediência aos princípios da Constituição Federal. - Dotados de Poder Legislativo, Executivo, Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas. - Bens disciplinados no art. 26, CF, de modo residual aos da União. • Municípios - Entes federativos incumbidos das atividades de interesse local. - Regidos pelas Leis Orgânicas Municipais, que devem obediência aos princípios �xados na Constituição Estadual e na Constituição Federal. - Dotados de Poder Legislativo e Executivo. • - Ente federativo incumbido de sediar Brasília, a capital federal, abrigando o centro de poder da União. - Regido pela Lei Orgânica do Distrito Federal, que deve obediência aos princípios da Constituição Federal. - Dotado de Poder Legislativo, Executivo, Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas. - Não se confunde com Estados nem com Municípios, constituindo outra espécie de ente federativo. - Não pode se dividir em Municípios, embora tenha cidades (como Brasília), que não têm personalidade jurídica. c) Operações territoriais do art. 18, CF • a Constituição Federal prevê que os Estados podem incorporar- se entre si (fusão), subdividir-se (cisão) ou desmembrar-se (partes que saem podem formar outro Estado ou se anexar a Estado existente). O procedimento envolve três etapas: note que a Constituição fala em aprovação, de modo que a rejeição impede a continuidade do processo; observe que é obrigatório ouvir as Assembleias, mas a posição do órgão estadual não vincula o Congresso Nacional; existe ampla discricionariedade do Congresso, não está vinculado às etapas anteriores, podendo não editar a lei complementar mesmo se houver ampla aceitação popular no plebiscito, por exemplo. • de modo semelhante aos Estados, a Constituição Federal fala em criação, incorporação, fusão e desmembramento de Municípios. Há diferença, porém, no que diz respeito ao procedimento, com etapas diversas. - Realização e divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, na forma da lei. - Consulta à população dos Municípios envolvidos mediante plebiscito. - Efetivação da operação mediante lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal. • assim como textos constitucionais anteriores, a Constituição Federal permite a criação de Territórios Federais, que podem ser transformados em novos Estados ou reintegrados ao Estado de origem. Desde 1988, quando todos os Territórios Federais foram extintos, não houve a criação de novos. Todavia, seu estudo tem relevância, e suas principais características são: - a ser regulado por meio de lei complementar federal, deve envolver, necessariamente, a oitiva das Assembleias Legislativas dos Estados envolvidos (art. 48, VI, CF); - autarquia federal. Os Territórios Federais pertencem à Administração Pública descentralizada da União. Assim, embora sejam pessoas jurídicas de direito público, não são entes federativos; - há Poder Legislativo (Câmara Territorial, com competência e eleições de�nidas em lei – art. 33, CF), Poder Executivo (o governador é escolhido e nomeado pelo presidente da República – art. 84, XIV, CF), Judiciário e Ministério Público (organizados e mantidos pela União); - podem se dividir em Municípios, diferentemente do Distrito Federal. A ausência de hierarquia entre os entes federativos faz com que seja necessária a existência de repartição constitucional de competências. É que todos eles têm capacidade para criar o próprio Direito, havendo quatro ordens jurídicas parciais (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) que, juntas, formam a ordem jurídica total, o ordenamento jurídico da federação. A forma de evitar graves e recorrentes antinomias entre as ordens jurídicas das diferentes esferas federativas é prever, na Constituição Federal, campos de atuação especí�cos para cada um deles. Se todos os entes estão subordinados à Constituição Federal, a invasão de competência atribuída a outro gera inconstitucionalidade da norma editada. Atribuir competência é conferir poder. Quanto mais competência o ente federativo tiver, maior será sua capacidade de participação na construção da ordem jurídica total. (SARLET, MARINONI; MITIDIERO, 2019). A repartição constitucional de competências está estritamente ligada, assim, à maior ou menor autonomia dos entes federativos, e, por tudo isso, é o tema mais importante a respeito de federação na preparação para exames, sendo sempre objeto de questões. A análise desse tema será feita com duas abordagens: primeiro, veri�cando os tipos de Estado federal que podem existir, a depender da forma como as competências são distribuídas entre os entes federativos. Segundo, estudando o modelo positivado na Constituição Federal de 1988. a) Classi�cação – tipos de Estado federal (federalismo) • re�ete o processo de formação dos Estados Unidos da América, tal como descrito anteriormente. Estados soberanos se associam e abrem mão de sua soberania em prol da criação de um novo Estado soberano, que é a federação (EUA). Os Estados que se associaram perdem a condição de verdadeiros Estados, uma vez que deixam de ter um de seus elementos essenciais: a soberania. Isso não signi�ca, porém, que os Estados-membros terão pouco poder. É que, na elaboração da Constituição Federal, cedem à União parcela de suas atribuições, retendo a maior parte dos poderes para si. No federalismo por agregação, a autonomia estadual, portanto, é maior. retrata o processo de formação da federação no Brasil. Durante o Império, o Estado brasileiro era unitário, havendo forte centralização. Com a Proclamação da República, em 1889, a federação é implantada por decisão do poder central, que transforma as províncias em Estados-membros da federação e atribui a eles alguns poderes, retendo a maior parte para si. Essa é uma das razões pelas quais, historicamente, a União tem muito mais competências que os Estados na federação brasileira. No federalismo por segregação, a autonomia estadual é menor. • o termo vem da federação norte-americana, que tem como entes federativos apenas a União e os Estados. Duas esferas, portanto, que exercem seus poderes sem que as normas jurídicas produzidas por elas se comuniquem, já que tratam de matérias distintas. A Constituição prevê temas que serão completamente trabalhadospela União, sem a interferência dos Estados, e temas que serão integralmente normatizados pelos Estados, sem atuação da União. Há, assim, competências privativas (técnica conhecida como “repartição horizontal de competências”). nesse tipo de federalismo, inaugurado junto com o Estado Social de Direito, a cooperação, inerente às federações, é acentuada para possibilitar maior intervenção estatal em áreas como saúde, educação e previdência, que demandam ação conjunta de todos os entes federativos em face dos investimentos necessários. O mecanismo para isso é a previsão, na Constituição Federal, de competências concorrentes, matérias que, simultaneamente, são tratadas por todos os entes federativos, com diferentes graus de profundidade (por isso, essa técnica é conhecida como “repartição vertical de competências”). b) Modelo de repartição de competências adotado pela Constituição Federal de 1988: Na Constituição Federal, há uma mescla dos sistemas horizontal e vertical de repartição de competências, de modo que há tanto competências privativas como concorrentes. É importante analisar cada uma delas, dedicando especial atenção à letra dos arts. 21 a 25 e 30 do texto constitucional. • são as atribuídas com exclusividade a determinado ente federativo, de tal maneira que, naquela matéria, só ele possa legislar ou atuar materialmente. • parcela da doutrina distingue competências privativas de exclusivas, nos termos seguintes: atribuídas com exclusividade, mas delegáveis a outro ente federativo (exemplo: art. 22, parágrafo único, CF); atribuídas com exclusividade e indelegáveis a outro ente federativo (exemplo: art. 21, CF). • a Constituição Federal lista expressamente o que compete à União e menciona o que cabe aos Municípios; o que restar será competência privativa dos Estados. É por isso que, em relação aos Estados, costuma-se usar a expressão “competência residual”. Em síntese, cabe: aquilo que estiver listado especialmente nos arts. 21 (competências materiais, de execução) e 22 (competências legislativas) da CF. A leitura atenta desses dispositivos é extremamente relevante e mostra a vastidão da competência da União, que cria praticamente todo o direito material e processual do Brasil; aquilo que estiver listado no art. 30 da CF, que liga a competência legislativa e material dos Municípios aos assuntos e serviços públicos de interesse local (observe os incisos I e V). O interesse, aqui, não precisa ser exclusivamente local, bastando que seja predominantemente local. É o caso, por exemplo, de transporte coletivo nos limites do Município, de coleta de resíduos, de concessão de licenças para funcionamento do comércio, bem como �xação do horário de funcionamento do comércio local (Súmula Vinculante 38, STF). • aquilo que não couber à União nem aos Municípios, mais a exploração de serviços locais de canalizado, mais a instituição de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões (art. 25, CF); • tudo aquilo que couber aos Estados e aos Municípios, tendo em vista que não há Municípios no Distrito Federal (art. 32, § 1º, CF). • são as atribuídas concomitantemente a mais de um ente federativo. Assim, todos os que tiverem poder nas matérias desse tipo de competência poderão atuar ou legislar a respeito delas. • o texto constitucional traz diferenciações quanto ao nome dessas competências, associando-as a expressões que, na verdade, são sinônimas. Assim, é preciso cuidado com a nomenclatura. competências materiais, de execução, atribuídas simultaneamente a mais de um ente federativo. competências legislativas atribuídas simultaneamente a mais de um ente federativo. • - Competências comuns - União, Estados, Distrito Federal e Municípios. leis complementares federais devem �xar normas para a cooperação entre todos os entes federativos, “[...] tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional” (art. 23, parágrafo único) (BRASIL, 1988). - Entes competentes: União, Estados e Distrito Federal. - Funcionamento: todos os entes legislarão sobre os temas listados no art. 24, porém, o farão em profundidades diferentes. traz normas gerais sobre a matéria, ou seja, traz princípios, inicia o tratamento do tema, não podendo esgotá-lo. suplementam as normas gerais, ou seja, trazem os detalhamentos que completam a regulamentação sobre o tema. Na federação, a regra é a autonomia. Assim, na normalidade institucional, os entes federativos não interferem na ação uns dos outros. Porém, de modo excepcional, nas hipóteses previstas taxativamente na Constituição Federal (arts. 34 a 36), é possível a intervenção de um ente sobre outro. Isso ocorre para preservar a subsistência da própria federação ou de valores essenciais à Constituição (BRASIL, 1988). • – efetuada nos Estados e no DF, bem como nos Municípios localizados em Território Federal. Tendo em vista que, hoje, os Territórios Federais não existem, não é possível intervenção federal em Municípios. Suas hipóteses e seus procedimentos serão analisados a seguir. • – efetuada nos Municípios situados no território do Estado. Suas hipóteses estão previstas no art. 35 da CF. O procedimento é semelhante aos da intervenção federal. Porém, a decretação compete ao governador do Estado, e o controle político, à Assembleia Legislativa. • listadas no art. 34, I, II, III e V, CF. • decretar e executar a intervenção federal é competência privativa do Chefe do Poder Executivo da União (art. 84, X, CF). O presidente ouvirá o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, órgãos consultivos previstos nos arts. 89/91 da CF. Note, porém, que os Conselhos emitem opiniões não vinculantes sobre o tema, cabendo a decisão exclusivamente ao presidente da República. O decreto interventivo, cuja e�cácia se inicia com a publicação, deverá: especi�car a amplitude, as condições de execução e o prazo da medida, que é sempre temporária, porquanto a regra é a autonomia; nomear interventor, se couber. Nesse caso, as autoridades locais serão afastadas. Cessados os motivos da intervenção, os afastados retornam aos cargos, salvo impedimento legal (art. 36, § 1º e 4º, CF). Controle político do Congresso Nacional sobre o decreto, em 24 horas. Sendo o decreto editado durante o período de recesso, haverá convocação extraordinária em 24 horas (o controle político só pode ser dispensado na hipótese do art. 36, § 3º, CF). Se o Congresso aprovar o decreto (art. 49, IV, CF), a intervenção continua. Se não aprovar, o presidente da República deve encerrar a intervenção, sob pena de crime de responsabilidade. • - (art. 34, IV, CF): garantir o livre exercício do Poder Legislativo e do Poder Executivo nas unidades da federação. - exige-se solicitação do Poder coacto ou impedido. No restante, o procedimento é igual ao da intervenção federal espontânea, tendo o presidente da República, em face da solicitação, discricionariedade para decretar a medida. • Por requisição - : - art. 34, IV + art. 36, I, CF: garantir o livre exercício do Poder Judiciário estadual que estiver coagido. Depende de requisição do Supremo Tribunal Federal. Nesse caso, como existe ordem, a decretação da intervenção pelo presidente da República é vinculada. O restante do procedimento será idêntico ao da intervenção espontânea; - art. 34, VI + art. 36, II, CF: para prover execução de ordem ou decisão judicial. Depende de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral. Havendo requisição, a decretação pelo presidente da República é vinculada, sendo o restante do procedimento igual ao da intervenção espontânea. • - : - art. 34, VII + art. 36, III, CF: por violação aos princípios constitucionais sensíveis ou recusa de execuçãode lei federal. Depende de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação interventiva apresentada pelo Procurador Geral da República. Se provida a representação. Teste seus Conhecimentos (Atividade não pontuada) (EXAME UNIFICADO XXXI) Alfa, entidade de classe de abrangência regional, legalmente constituída e em funcionamento há mais de 1 ano, ingressa, perante o Supremo Tribunal Federal, com mandado de segurança coletivo para tutelar os interesses jurídicos de seus representados. Considerando a urgência do caso, Alfa não colheu autorização dos seus associados para a impetração da medida. Com base na narrativa acima, assinale a a�rmativa correta. Alfa não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo, de modo que a defesa dos seus associados em juízo deve ser feita pelo Ministério Público ou, caso evidenciada situação de vulnerabilidade, pela Defensoria Pública. Alfa goza de ampla legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo, inclusive para tutelar direitos e interesses titularizados por pessoas estranhas à classe por ela representada. Alfa possui legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses jurídicos dos seus associados, sendo, todavia, imprescindível a prévia autorização nominal e individualizada dos representados, em assembleia especialmente convocada para esse �m. Alfa possui legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses jurídicos da totalidade ou mesmo de parte dos seus associados, independentemente de autorização. O controle de constitucionalidade é a veri�cação da adequação de um ato normativo com a Constituição, tomando por base requisitos formais e materiais. Sua existência lastreia-se no fato de que a Constituição �xa o modo de se produzir o Direito e as bases estruturais sobre as quais se assenta todo o ordenamento jurídico. Para preservar a supremacia do texto constitucional em face das demais normas (garantindo, além disso, sua rigidez), deve haver �scalização e sanção pela sua desobediência. Não fosse assim, normas infraconstitucionais contrárias à Constituição subsistiriam no ordenamento jurídico, e não haveria razão para sustentar sua inferioridade hierárquica em relação às normas constitucionais. Com isso, as bases do constitucionalismo, movimento voltado à limitação do poder estatal, estariam minadas (GONZAGA, 2017). Existem vários tipos de inconstitucionalidade e de controle de constitucionalidade. Assim, antes de estudar em mais detalhes a estruturação do modelo brasileiro de controle jurisdicional de constitucionalidade, tema muito relevante na preparação para as provas, é preciso analisar algumas classi�cações. a) Tipos de inconstitucionalidade • vício na formação do ato, no processo de elaboração da norma, não no seu conteúdo. Tem, por sua vez, tipos. • violação à iniciativa privativa de projetos de lei prevista na Constituição. Note que a sanção do projeto de lei não sana o vício no caso de a iniciativa ser privativa do Chefe do Poder Executivo. - Ato normativo editado por sujeito diverso do previsto pela CF (ex.: lei editada pela União, quando a competência para isso é do Estado). • - Vício veri�cado em outras fases do processo legislativo, depois da iniciativa (ex.: falta de observância do quórum, inobservância do bicameralismo etc.). • é a incompatibilidade do conteúdo da norma com a Constituição. Não é só a incompatibilidade direta, mas também o excesso do Poder Legislativo, que pode violar a proporcionalidade e a razoabilidade (devido processo legal substantivo). • ocorre em razão da edição de ato normativo com algum dos vícios descritos acima. • ocorre em razão da não edição de ato normativo cuja existência é exigida pela Constituição. • a norma inconstitucional é editada posteriormente à Constituição. • no Brasil, a norma editada anteriormente à Constituição, incompatível com ela, não é analisada sob o aspecto da inconstitucionalidade, e sim do direito intertemporal. Isso porque o STF adotou a tese da recepção e da revogação do direito anterior (sob a CF de 1988, discutiu-se o tema na ADI 2, que referendou o entendimento). Assim, a Constituição atua, no caso, como norma posterior e superior que revoga norma anterior e inferior contrária. O mesmo ocorre com a superveniência de emendas constitucionais que venham a revogar leis anteriores a ela por serem com ela incompatíveis. tempus regit actum na hipótese de inconstitucionalidade formal orgânica, quando uma nova Constituição muda a competência para a edição do ato normativo (ex.: de estadual para federal, e vice-versa – nesse caso, haverá revogação ou, eventualmente, manutenção da legislação federal até que a estadual a revogue). b) Tipos de controle • Quanto ao momento anterior à inserção do ato no ordenamento jurídico. posterior à inserção do ato no ordenamento jurídico. • Quanto ao sujeito controlador exercido por órgão político e não jurisdicional. exercido por órgão integrante do Poder Judiciário. Constituição atribui parte do controle a órgão político e parte a órgão jurisdicional. • realizado durante o processo legislativo, por órgãos como a Comissão de Constituição e Justiça. o Chefe do Poder Executivo pode vetar projetos de lei, motivado por inconstitucionalidade. Note que, mesmo se isso não ocorrer, o presidente da República poderá, posteriormente, propor Ação Direta de Inconstitucionalidade, se entender que a norma viola a Constituição. ocorrerá apenas se for provocado por parlamentar, mediante mandado de segurança, para garantir o seu direito público subjetivo ao devido processo legislativo. É o caso das propostas de emenda à Constituição que violem cláusula pétrea. Já quanto aos projetos de lei, o controle preventivo abrange apenas questões formais, nunca materiais. veri�cado em situações previstas na Constituição, como o art. 49, V (competência do Congresso Nacional para sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou da delegação legislativa), e o art. 62 (medidas provisórias rejeitadas pela não observância dos pressupostos constitucionais da relevância e da urgência). majoritariamente, entende-se que o Chefe do Poder Executivo pode deixar de cumprir norma que considere, fundamentadamente, inconstitucional. Nesse caso, determinará que sua Administração siga a decisão. pela via dos diversos instrumentos processuais previstos no ordenamento jurídico e que serão estudados à frente. Entre as competências do Judiciário, seja em qual for a instância ou organização jurisdicional que estiver em tela, existe o dever de realizar a análise de constitucionalidade das normas e dos fatos envolvidos no caso concreto. Diferentemente do controle concentrado, em que o objeto de julgamento é coletivo, erga omnes , no controle incidental o objeto de julgamento é o caso concreto, que neste, pode ter incidência de normativas inconstitucionais. Nesses termos, seguem as características do controle incidental: Qualquer membro do Poder Judiciário pode efetuar controle de constitucionalidade de leis e atos normativos, pois é da essência da atividade jurisdicional decidir sobre a validade das leis que aplicarão. O controle de constitucionalidade é efetuado incidentalmente ao objeto principal da causa, como questão prejudicial. Assim, antes de decidir se o autor da ação tem razão em seu pedido, o juiz, na fundamentação, deve veri�car se as leis usadas para a resolução do caso respeitam a Constituição. O controle é sempre efetuado à luz de casos concretos, levados ao juiz pelas partes. Ao decidir a questão de constitucionalidade, veri�cando que o ato normativo não respeita a Constituição, o juiz declara sua nulidade. Quando o juiz declara a inconstitucionalidade da norma, ele apenas afasta sua aplicação do caso concreto apresentado para julgamento.