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1. Hiponatremia (Sódio 125 mEq/L, seguido de correção mais lenta. Monitorização neurológica e laboratorial rigorosa. Considerar vasopressina antagonistas em SIADH refratário. Hiponatremia Aguda Sintomática Qualquer valor com sintomas Evolução rápida da hiponatremia Convulsões, rebaixamento do nível de consciência Solução salina hipertônica (3%) intravenosa imediata com taxa de correção mais rápida (ex: 2-4 mEq/L na neurológic os agudos primeira hora), com monitorização intensiva. 2. Hipernatremia (Sódio > 145 mEq/L) Classifica ção Valor de Referência Etiologia Sintomas Tratamento Específico Hipernatre mia Leve a Moderada 146-159 mEq/L Perda de água não reposta (sudorese, diarreia, diabetes insipidus), administração excessiva de sódio Sede, oligúria, irritabilidade, fraqueza Reposição de água por via oral (se possível) ou intravenosa com solução hipotônica (soro glicosado 5% ou solução salina 0,45%), calcular o déficit de água livre e repor gradualmente (taxa de correção geralmente 145 mEq/L) Classificaçã o Valor de Referên cia Volemia Etiologia (Exemplos) Sintomas Tratamento Específico Hipernatre mia Hipovolêmi ca > 145 mEq/L Diminuída Perdas insensíveis (febre, sudorese), perdas renais (diabetes insipidus), perdas gastrointestinais (diarreia osmótica) Sede intensa, sinais de desidratação, oligúria, taquicardia, hipotensão Reposição de volume com solução hipotônica (SG 5% ou SF 0,45%) após estabilização hemodinâmica com solução isotônica (se necessário). Calcular o déficit de água livre e repor gradualmente (taxa de correção 145 mEq/L Normal ou discretame nte diminuída Diabetes insipidus (nefrogênico), hipodipsia Sede intensa, poliúria (em DI) Reposição de água por via oral (se possível) ou intravenosa com solução hipotônica (SG 5% ou SF 0,45%). Em DI nefrogênico, investigar e tratar a causa (ex: suspender medicações causadoras). Considerar tiazídicos em alguns casos de DI nefrogênico parcial. Hipernatre mia Hipervolêmi ca > 145 mEq/L Aumentada Administração excessiva de solução salina hipertônica, hiperaldosteronismo primário, síndrome de Cushing Edema, ganho de peso, hipertensão Restrição de sódio e água. Tratar a causa base. Diuréticos (de alça) podem ser necessários para remover o excesso de volume e sódio. Em casos graves, considerar diálise. Tópico Hipocalemia (Potássio 5,5 mEq/L) Definição Concentração sérica de potássio abaixo de 3,5 mEq/L. Concentração sérica de potássio acima de 5,5 mEq/L. Mecanis mo Principal Perda aumentada de potássio do corpo ou movimento anormal de potássio do líquido extracelular (LEC) para o líquido intracelular (LIC). Excreção renal inadequada de potássio ou movimento anormal de potássio do LIC para o LEC. Etiologia s Perda Aumentada: Gastrointestinal (diarreia, vômitos), Renal (diuréticos de alça e tiazídicos, hiperaldosteronismo), Cutânea (sudorese excessiva). Redistribuição: Insulina, alcalose metabólica, beta- agonistas. Ingestão Insuficiente: Rara isoladamente. Excreção Renal Diminuída:Insuficiência renal aguda ou crônica, hipoaldosteronismo, diuréticos poupa-potássio, IECA/BRA. Redistribuição: Acidose metabólica, lise celular (rabdomiólise, síndrome de lise tumoral, hemólise), hiperglicemia hiperosmolar não cetótica. Ingestão Excessiva: Rara em pacientes com função renal normal. Pseudohipercalemia: Hemólise da amostra. Quadro Clínico Fraqueza muscular, cãibras, fadiga, arritmias cardíacas (principalmente com níveis muito baixos - achatamento da onda T, aparecimento da onda U, prolongamento do intervalo PR). Fraqueza muscular, arritmias cardíacas (bradicardia, ondas T apiculadas, alargamento do QRS, fibrilação ventricular), parada cardiorrespiratória (em casos graves). Diagnósti co Dosagem de potássio sérico. História clínica e exame físico detalhados para identificar a causa. Avaliação da função Dosagem de potássio sérico. História clínica e exame físico detalhados para identificar a causa. função renal. Eletrocardiograma (ECG) para avaliar o impacto cardíaco. Investigar causas renal. Eletrocardiograma (ECG) para avaliar o impacto cardíaco. Tratamen to Reposição de potássio por via oral (preferencialmente) ou intravenosa (em casos graves ou impossibilidade de via oral). Monitorizar níveis de potássio e função renal. Corrigir a causa base. Estabilização do cardiomiócito: Gluconato de cálcio IV. Desvio do potássio para o intracelular: Solução polarizante (insulina + glicose), beta-agonistas (nebulização), bicarbonato de sódio (em acidose metabólica). Remoção do potássio do corpo: Diuréticos de alça (furosemida), resinas de troca iônica (poliestireno sulfonato de sódio/cálcio), hemodiálise ou diálise peritoneal (em casos graves ou refratários). Tratar a causa base. 1. Acidose Metabólica Tópico Descrição Definição Diminuição primária da concentração de bicarbonato ([HCO₃⁻]) no plasma, resultando em diminuição do pH arterial ( 7,45). Mecanismo Principal Ganho de bicarbonato ou perda de ácido não volátil (H⁺). Etiologias Perda de H⁺: Vômitos persistentes, aspiração nasogástrica, uso excessivo de diuréticos (perda de H⁺ e contração de volume), hiperaldosteronismo. Ganho de HCO₃⁻: Administração excessiva de bicarbonato. Quadro Clínico Hipoventilação (compensatória), confusão, tontura, parestesias, cãibras musculares, tetania (em casos graves). Diagnóstico Gasometria arterial (pH > 7,45, HCO₃⁻ alto). Eletrólitos séricos (cloro baixo sugere perda por vômito). História clínica e exame físico para identificar a etiologia. Tratamento Tratar a causa base. Reposição de volume com solução salina isotônica (se sensível a cloreto). Inibidores da secreção ácida gástrica (se vômitos). Em casos graves, pode ser necessário administrar ácido clorídrico (raramente). 3. Acidose Respiratória Tópico Descrição Definição Aumento primário da pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO₂) no sangue arterial, resultando em diminuição do pH arterial ( 7,45). Mecanismo Principal Hiperventilação alveolar, levando à eliminação excessiva de CO₂. Etiologias Ansiedade, dor, febre, hipoxemia, estimulação do centro respiratório (salicilatos, tumores cerebrais), ventilação mecânica excessiva. Quadro Clínico Tontura, parestesias (formigamento ao redor da boca e extremidades), espasmos musculares, tetania, ansiedade, palpitações. Diagnóstico Gasometria arterial (pH > 7,45, PaCO₂ baixo). História clínica e exame físico para identificar a causa da hiperventilação. Oximetria de pulso para avaliar a oxigenação. Tratamento Tratar a causa base (aliviar dor, reduzir ansiedade, corrigir hipoxemia). Em casos leves, pode-se tentar respiração em saco de papel para aumentar a PaCO₂. Ajustar parâmetros da ventilação mecânica, se aplicável. Distúrbio Ácido-Base Mecanismo de Compensação Alteração Esperada na Gasometria Base Excess (BE) Anion Gap Acidose Metabólica Respiratório: Hiperventilação para diminuir a PaCO₂. ↓ pH, ↓ HCO₃⁻, ↓ PaCO₂ (esperado: PaCO₂ = 1,5 x [HCO₃⁻] + 8 ± 2 ou PaCO₂ ≈ último dígito do pH x 100) BE baixo (negativo) Pode estar aumentado (acidose metabólica com anion gap aumentado) ou normal (acidose metabólica hiperclorêmica ou sem anion gap). Alcalose Metabólica Respiratório: Hipoventilação para aumentar a PaCO₂. ↑ pH, ↑ HCO₃⁻, ↑ PaCO₂ (esperado: Para cada 1 mEq/L de BE alto (positivo) Geralmente normal, mas pode haver alterações aumento no HCO₃⁻, a PaCO₂ aumenta em 0,7 mmHg, com limite máximo de 55 mmHg) dependendo da causa. Acidose Respiratória Renal: Aumento da retenção de bicarbonato (HCO₃⁻) pelos rins. A compensação renal é mais lenta, levando horas a dias. * Aguda: Aumento discreto do HCO₃⁻ (para cada 10 mmHg de aumento na PaCO₂, o HCO₃⁻ aumenta em 1 mEq/L). * Crônica: Aumento mais significativo do HCO₃⁻ (para cada 10 mmHg de aumento na PaCO₂, o HCO₃⁻ aumenta em 3,5 mEq/L). ↓ pH, ↑ PaCO₂, ↑ HCO₃⁻ (compensação renal) BE pode estar ligeiramente positivo na acidose respiratória crônica devido ao aumento do bicarbonato. Geralmente normal, mas a condição subjacente pode influenciar. Alcalose Respiratória Renal: Aumento da excreção de bicarbonato (HCO₃⁻) pelos rins. A compensação renal é mais lenta, levando horas a dias. * Aguda: Diminuição discreta do HCO₃⁻ (para cada 10 mmHg de diminuição na PaCO₂, o HCO₃⁻ diminui em 2 mEq/L). * Crônica: Diminuição mais significativa do HCO₃⁻ (para cada 10 mmHg de diminuição na PaCO₂, o HCO₃⁻ diminui em 5 mEq/L). ↑ pH, ↓ PaCO₂, ↓ HCO₃⁻ (compensação renal) BE pode estar ligeiramente negativo na alcalose respiratória crônica devido à diminuição do bicarbonato. Geralmente normal, mas a condição subjacente pode influenciar.