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Derrame Pleural • Sobre a cavidade pleural: normalmente não contêm ar, mas existe em seu interior mínim quantidade de líquido, resultante do equilíbrio entre seus mecanismos de formação e de reabsorção, aproximada de 1L/dia. A pleura parietal é responsável por praticamente toda a produção e reabsorção do fluido pleural, em decorrência da elevada pressão hidrostática dos seus capilares e pela presença dos estromas. • Essa película líquida, cujo maior componente é a água, facilita, por um lado, o deslizamento de um dos folhetos pleurais sobre o outro, mas dificulta a separação entre eles, em razão da elevada tensão superficial do líquido pleural. Quando a quantidade de líquido aumenta, anormalmente, acima de 100 a 300 mL, como consequência de um ou mais fatores que favorecem seu acúmulo na cavidade, tem-se a presença de derrame pleural. O líquido em excesso pode ser pus ou sangue. • O aumento da PHSC no folheto visceral, como ocorre na insuficiência cardíaca, a redução da POSC (hipoproteinemia), o aumento do valor de K (processos inflamatórios ou infecciosos) e a obstrução da CL (neoplasias malignas metastáticas) são os mecanismos mais frequentes que levam ao acúmulo de líquido pleural. • O estado da permeabilidade da membrana pleurocapilar (K) é importante fator determinante da composição do líquido pleural. Se muito aumentado, elementos contidos no sangue poderão passar com mais facilidade para o espac ̧o pleural, e o líquido conterá maior quantidade de proteínas (≥ 3,0 g%), marcadores inflamatórios bioquímicos e células, constituindo o denominado exsudato. • Se normal ou pouco alterado, é transudato. Qual é a importância de se fazer a distinc ̧ão entre transudato ou exsudato? ➢ Transudatos são causados por insuficiência cardíaca ou cirrose ou outra causa que já esteja em tratamento ou vai ser tratada, a seguir. (geralmente, não há agressão pleural) ➢ Exsudatos, em geral, devem ter sua causa esclarecida pelos exames de material pleural, e o tratamento poderá depender estritamente da investigação pleural (há processo inflamatório). AVALIAÇÃO: • Inicialmente, deve-se estabelecer a presença de derrame pleural, o que costuma ficar caracterizado por dados clínicos e pelas imagens radiológicas. CLÍNICA: • Dor ventilatório-dependente ou pleurítica; • Pode haver dispneia; • Astenia, anorexia, emagrecimento e febre podem estar presentes; • EF: Diminuição ou ausência de MV e do frêmito toracovocal; Macicez à percussão do tórax. Sinal de Signorelli, macicez à percussão da coluna vertebral. • Tríade clássica do derrame pleural: Tosse seca, dor torácica, dispneia. EXAMES DE IMAGEM: • Radiografia: Geralmente é necessário cerca de 200 mL para opacificar o recesso costofrênico lateral (em PA). Mas, a incidência em decúbito lateral com raios horizontais (Incidência de Laurel) é mais sensível para o diagnóstico, mesmo quando há pequenos volumes (50-100mL). • Opacidade homogênea que, devido à ação da gravidade, flui para as porções mais baixas da cavidade pleural, impedindo a visualizac ̧ão do seio costofrênico; • Imagem em menisco na interface derrame- pulmão, com bordos bem nítidos; • Desvio contralateral do mediastino se o derrame for volumoso. Isis Miranda – Turma IV • O derrame pode ser septado/multiloculado quando existirem aderências pleurais prévias ou recém-formadas, resultando em uma imagem irregular, diferente do habitual. • USG: Permite a detecção de líquido pleural, livre ou loculado; indicações de septações; distinção entre derrame e espessamento pleural, além de permitir o volume total do derrame e determinar o melhor local para punção. • TC: Não é exame de escolha para o diagnóstico. EXAMES LABORATORIAIS: • PH; Dosagem de proteínas e albumina; Desidrogenase lática (LDH); Glicose; Citologia oncótica e microbiologia (Cultura + Antibiograma); ADA; Amilase; Triglicerídeos e Colesterol; BNP ou NT-proBNP, CR, PCR. 2º: determinação da causa e/ou mecanismo do derrame. São vistos com maior frequência: • Transudados: insuficiência cardíaca; • Exsudatos infecciosos: tuberculose e pneumonia; • Exsudatos não infecciosos: neoplasias metastáticas (carcinomas e linfomas), embolia pulmonar e colagenoses; • Situações cirúrgicas: empiema, hemotórax e quilotórax. A existência de trauma recente deve levar à suspeita de hemotórax. • Dados que auxiliam na elaboração do diagnóstico diferencial dos derrames pleurais incluem idade, modo de início (agudo ou insidioso), presença de dor ventilatório- dependente, febre, contato com tuberculose, história de tumor maligno atual ou pregresso, rápida recorrência após drenagem, cirurgia abdominal ou torácica recente, radioterapia, lesão do miocárdio (infarto ou cirurgia recente), doença abdominal (cirrose, pancreatite, abscesso subfrênico e abscesso hepático). Quando realizar a investigação pleural: • Quando a causa é óbvia e a conduta independerá de exames pleurais (líquido pleural ou fragmentos pleurais), geralmente obtidos por punc ̧ão ou biópsia transcutânea, estes poderão ser dispensados (Ex.: Insuficiência cardíaca, hipoproteinemia, concomitância de tuberculose no parênquima pulmonar. • Quando há indícios de que a causa do derrame seja infecciosa, como vigência de tuberculose pulmonar comprovada ou de pneumonia, a toracocentese poderá ser necessária, pelo menos, para excluir ou confirmar a presença de empiema, situação em que deverá ser realizada a drenagem pleural. TORACONCENTESE: • Indicações: Pacientes com etiologia desconhecida; Pacientes não diagnosticados com derrame >1cm na radiografia de decúbito; Pacientes com pneumonia e derrame >5cm na radiografia lateral. • As recomendações atuais sugerem o uso rotineiro do US de tórax para guiar o sítio de punção à beira leito, aumentando a efetividade e reduzindo os índices de complicação. • As principais complicações da toracocentese incluem reação vagal, pneumotórax, punção de outros órgãos, hemorragia e dor. • Deve-se evitar a punção em pacientes com INR > 1,5, plaquetas 1.000 UI ou presença de pus. Nesses casos está indicada a completa evacuação do líquido pleural da cavidade pelo risco de progressão para outras fases do empiema. • Antecedente de uso de álcool ou drogas endovenosas e pacientes jovens (hemorrágico: acidente de punção, trauma ou neoplasia maligna; não costuma ocorrer na tuberculose. • Taxa de proteínas muito elevada: tuberculose ou outro exsudato com intensa resposta inflamatória. • Citológico diferencial com linfocitose e ause ̂ncia de célu- las mesoteliais: tuberculose. • Citopatológico com a presenc ̧a de células malignas: derrame neoplásico. • Pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) positiva ou anatomopatológico demonstrando granuloma: tuberculose. • Células LE presentes e/ou FAN com título elevado: lúpus eritematoso sistêmico. • Taxa de adenosina deaminase (ADA) superior a 40 UI/L: aponta fortemente para tuberculose. EXAME NO FRAGMENTO DE PLEURA PARIETAL: • No exame anatomopatológico, dois achados definem o diagnóstico: neoplasia maligna, em geral carcinoma metastático ou linfoma; ou granuloma, sem/com necrose, caseosa ou não. • A presença de granuloma na pleura costuma ser suficiente para confirmar o diagnóstico de tuberculose, uma vez que as outras causas de doença granulomatosa raramente se acompanham de derrame pleural. • PLEUROSCOPIA: Está indicada quando se julga que não haverá vantagem na execuc ̧ão de uma nova punção-biópsia, ou quando se planeja realizar imediatamente a pleurodese. A pleuroscopia possibilita fazer-se biópsia dirigida e decorticação endoscópica no caso de empiema. • TORACOTOMIA EXPLORATÓRIA: está indicada apenas em situações excepcionais. o Os procedimentos habituais (punção, biópsia, pleuroscopia) não foram efetivos e a principal suspeita for neoplasia; o Há probabilidade de mesotelioma pleural; o Existe necessidade de decorticação/pleurectomia; o Há necessidade de ressecção pulmonar; o Ocorrem acidentes durante a pleuroscopia; o Há hemorragia pós-traumática grave. DIAGNÓSTICO ESPECÍFICO DOS DERRAMES PLEURAIS: TRATAMENTO: 1. Causa de base; 2. Dreno em selo d’água; 3. Pleurodese: sela o espaço pleural para prevenir o acúmulo recorrente de líquido ou ar. 4. Shunt pleuroperitoneal: procedimento que desvia líquido da cavidade pleural para a cavidade peritoneal, permitindo que o líquido seja reabsorvido pela superfície peritoneal. 5. Decorticação: procedimento para remover uma camada espessa de tecido fibroso que se forma sobre o pulmão, impedindo sua expansão normal, geralmente ocorre em casos de empiema e tumores. 6. Pleurostomia: procedimento cirúrgico que consiste na abertura da cavidade pleural para drenagem de fluidos ou tratamento de infecções. Referências: 1. PCDT Pneumotórax; 2. Manual de condutas práticas da emergência do InCor: Cardiologia - Pneumologia, 3ª ed., 2023.