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Obrigações híbridas são aquelas que conjugam características dos direitos reais (direitos das coisas) e direitos obrigacionais (direito pessoal), dentre elas têm-se a Obrigação de Ônus Real e a Obrigação com Eficácia Real. A palavra “Ônus” traz a ideia de obrigação, dever, pendência e encargo. Quanto à palavra “real”, imediatamente aponta que se trata de uma coisa tutelada pelo Direito Real. No entendimento de Carlos Roberto Gonçalves, a Obrigação de Ônus Real são obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade constituindo gravames ou direitos oponíveis erga omnes (efeitos da lei ou decisão atingem todas as pessoas que estejam submetidas a um determinado ordenamento jurídico), como, por exemplo, a renda constituída sobre imóvel. Aderem e acompanham a coisa. Por isso se diz que quem deve é esta e não a pessoa. Para que haja, efetivamente, um ônus real é essencial que o titular da coisa seja realmente devedor, sujeito passivo de uma obrigação. De forma ampla, este tipo de figura híbrida se refere a responsabilidade (ônus) que recai sobre a coisa como garantia de cumprimento de prestação auferida pelo sujeito. Os ônus reais marcam-se pelo elemento vontade, imprimem necessária limitação ao uso e gozo da propriedade, e a responsabilização de seu titular limita-se ao próprio bem. Verifica-se esta casuística na renda constituída sobre imóvel, na qual há um direito temporário que grava determinado bem, obrigando o seu proprietário a pagar prestações periódicas (art. 803 do CC). Exemplifica-se: João doa uma fazenda para Maria, obrigando esta (Maria) a destinar 50% (cinquenta por cento) da safra colhida, todo ano, para Caio. Logo, o uso, a habitação, o usufruto, a hipoteca (que expropria o bem do sujeito como garantia de pagamento da prestação), o penhor, dentre outros, são exemplos de ônus reais. Em todos eles existem limitações por parte do proprietário sobre a coisa, cada qual com sua particularidade. Assim, por estarem taxados no Código Civil, integram o Direito das Coisas, mas que, por sua natureza, verifica-se a existência de obrigações. A Obrigação com Eficácia Real, de acordo com Maria Helena Diniz, terá eficácia real quando, sem perder seu caráter de direito a uma prestação, se transmite e é oponível a terceiro que adquira o direito sobre determinado bem, pois certas obrigações resultantes de contratos alcançam, por força de lei, a dimensão de direito real. Logo, não existe um acordo de vontade das partes ao formá-la, vincula pessoas por força da lei. O vínculo tem caráter pessoal, mas a existência dar-se de modo legal, característica peculiar de direito real. Por isso é híbrida, pois mistura-se os atributos de um e de outro. Tem a transmissibilidade, atributo de direito pessoal (ou obrigacional). Deste modo, estas obrigações não podem ser consideradas como de natureza real, pois, pelo princípio da tipicidade a eles inerentes, toda limitação ao direito de propriedade que não esteja prevista em lei como direito real tem natureza obrigacional. Nas obrigações de eficácia real, deve-se observar sua oponibilidade perante terceiros, ressalvado o direito à prestação, conforme o Artigo 576 do Código Civil: Art. 576. Se a coisa for alienada durante a locação, o adquirente não ficará obrigado a respeitar o contrato, se nele não for consignada a cláusula da sua vigência no caso de alienação, e não constar de registro. Conforme lecionam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, na obrigação com eficácia real, sem perder seu caráter de direito a uma prestação, há a possibilidade de oponibilidade a terceiros, quando houver anotação preventiva no registro imobiliário, como, por exemplo, nos casos de locação e compromisso de venda, de acordo com o que estabelece o art. 8º da Lei 8.245/91, in verbis: Art. 8º. Se o imóvel for alienado durante a locação, o adquirente poderá denunciar o contrato, com o prazo de noventa dias para a desocupação, salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. PROPTER REM Origina-se com a coisa e transmite-se com ela automaticamente. O adquirente do direito real não pode negar-se a assumir esta obrigação. -REsp 8446.187/SP- taxa condominial ÔNUS REAIS São obrigações que limitam o uso e o gozo da propriedade; é um gravame que recai sobre uma coisa, restringindo o direito do titular de um direito real. - usufruto, hipoteca EFICÁCIA REAL Em sua essência, trata-se de uma obrigação pessoal, como qualquer outra, mas que, em virtude do seu registro, nos termos da lei, passa a ter uma oponibilidade erga omnes; São obrigações que resultam de contratos e alcançam, por força de lei, a dimensão de direito real - Artigo 576/CC