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Sumário 2 Doença Renal Crônica (Drc) 3 Injúria Renal Aguda (Ira) 8 Terapia Renal Substitutiva e Complicações 17 Hiperglicemias 22 Diabetes Mellitus 28 Síndrome Metabólica 34 Nódulo e Câncer de Tireoide 39 Hipotireoidismo 46 Hipertireoidismo 48 Itu / Pielonefrite 51 Tema Página 3 Doença renal crônica (DRC) Doença renal crônica (DRC): Definição: DRC pode ser definica como uma taxa de filtração glomerular (TFG)ao tratamento clínico. Pericardite urêmica: Atualmente é pouco frequente, sendo mais comum na nefrite lúpica (DRC + serosite lúpica). Geralmente se apresenta como derrame pericárdico hemorrágico. O ECG mostra supradesnivelamento do segmento ST de forma difusa. O tratamento constitui em terapia substitutiva renal de urgência. Indicação de terapia renal substitutiva: Diante do paciente com DRC em progressão, deve-se iniciar o preparo para início da terapia renal substitutiva a partir do estágio IV. Deve-se instruir e discutir o método (diálise peritoneal, hemodiálise ou transplante renal), discutir sobre potencial doadores para transplante e uma vez definido o método, confeccionar acesso para diálise, dando sempre preferencia para a fístula arteriovenosa em caso de hemodiálise. Em paciente idosos, frágeis e/ou com baixa expectativa de vida pode-se instituir cuidados paliativos. A terapia renal substitutiva no contexto de DRC está indicado quando se configura falência do tratamento clínico conservador ou quando de configura situação de hemodiálise de urgência. Doença renal crônica (DRC) 8 Definição: Existem várias definições de IRA na literatura, a mais aceita atualmente é a do KDIGO de 2012. Conforme tabela a seguir: Manejo geral e diagnóstico: Diante de suspeita ou confirmação de IRA deve-se primeiramente tentar compreender o contexto clínico do paciente por meio de história e exame físico. Todos os pacientes devem ser submetidos a coleta de Urina1, ureia, creatinina e eletrólitos. A ultrassonografia de rins e vias urinárias é fundamental para descartar IRA pós-renal e para ajudar a diferenciar IRA de doença renal crônica (DRC). É primordial detectar a presença de comorbidades e fatores de risco para IRA/DRC. A ultrassonografia de aparelho urinário ocupa papel de destaque no diagnóstico e manejo da IRA pois permite identificar sinais de DRC como: rins de dimensões reduzidas, hiperecogenicidade e perda da diferenciação córtico-medular. Permite ainda avaliar as dimensões do rim, assimetria renal, identificar malformações do trato genitourinário e agenesia renal. A imagem a seguir demonstra a progressão da imagem renal entre o estágios I a V Injúria renal aguda (IRA) 9 de DRC. IRA pré-renal: A IRA pré-renal decorre da hipoperfusão renal decorrente de hipovolemia. Corresponde por 30-60% das IRAs e seu tratamento corresponde à expansão volêmica além da suspensão de reversão da causa da hipovolemia e suspensão de diuréticos e inibidores da ECA/bloqueadores do receptor de angiotensina. Causas de IRA pré-renal: - Perdas TGI: Vômitos, diarreia, aspiração nasogástrica. - Perdas renais: Diurese osmótica, DI. - Perdas insensíveis: idosos, queimados e hipertermia. É importante lembrar que caso não seja revertida prontamente a IRA pré-renal pode progredir para necrose tubular aguda (NTA) e se tornar uma IRA Renal. Muitas vezes é difícil apenas clinicamente definir se trata-se de uma IRA pré-renal ou NTA. Para ajudar a diferenciar essas entidades pode-se utilizar a Fração de excreção de Na (FeNa) que quando 1 % - FEUR 75 anos), Diabéticos, ICC, DRC prévia, PASelevação de escórias nitrogenadas. O tratamento da rabdomiólise consiste em afastar a agressão (Exemplo: retirar paciente de escombros), hidratação precoce buscando débito urinário > 3 ml/Kg/H e alcalinização da urina visando um pH urinário> 6,5. Importante frisar que uma vez instalada NTA a hidratação pode não trazer benefício e pode levar a hipervolemia. Em casos graves terapia renal substitutiva pode ser necessária. Síndrome de lise tumoral (SLT): A SLT ocorre como consequência de necrose tumoral com liberação dos conteúdos intracelulares após tratamento (radioterapia ou quimioterapia) ou espontaneamente. É Injúria renal aguda (IRA) 13 mais comum em neoplasias de grande massa tumoral como hematológicas ou tumores sólidos com grande resposta à quimioterapia. O seu quadro clínico é composto por oligúria (IRA), arritmias (hipercalemia), convulsões (hipocalcemia). Seu diagnóstico é realizado por meio dos critérios de Cairo-Bishop conforme tabela a seguir. Não existe tratamento específico para SLT, sendo assim é fundamental a sua prevenção em pacientes de alto risco. Ela pode ser feita por meio de hidratação venosa visando débito urinário abundante. Pode-se ainda administrar alopurinol ou rasburicase. Diferentemente da rabdomiólise a alcalinização não é recomendada e pode ser deletéria. Uma vez instalada a SLT, o tratamento é de suporte e pode ser necessária terapia substitutiva renal. Síndrome hepatorrenal (SHR): A SHR é uma doença renal funcional em pacientes com insuficiência hepática aguda ou crônica, com hipertensão portal e ascite. Sua fisiopatologia é complexa e envolve: Hiperprodução de óxido nítrico com vasodilatação esplâncnica acentuada, hipovolemia relativa com hiperativação do sistema renina- angiotensina-aldosterona e sistema nervoso simpático. Esse conjunto leva à intensa vasoconstrição renal e disfunção miocárdica, que por fim gera disfunção renal funcional. Tem como fator desencadeante a peritonite bacteriana espontânea em 30 % dos casos e pode ser dividida entre: Injúria renal aguda (IRA) 14 - SHR Tipo1: Grave, rápida, fator desencadeante e mau prognóstico. - SHR Tipo2: menos grave, mais lenta, sem fator desencadeante e “melhor” prognóstico. O diagnóstico de SHR é de exclusão, sendo necessário descartar outras causas de IRA: pós renal, infecção e hipovolemia. Pedir USG de rins e vias e Urina1. Para confirmar o diagnóstico uma vez descartada outras causas de IRA, deve-se suspender diuréticos e realizar expansão com albumina, com o intuito de descartar IRA pré-renal, se mesmo assim se mantiver a IRA, está confirmada SHR. O tratamento da SHR consiste em suspensão de diuréticos + vasoconstritores (terlipressina ou noradrenalina) + albumina. Em casos selecionados e refratários a derivação intra-hepática portossistêmica transjugular pode reverter o quadro por reduzir a hipertensão portal. Caso o paciente seja candidato a transplante hepático a terapia renal substitutiva pode ser utilizada como ponte para o transplante. Os algoritmos a seguir resumem o diagnóstico e manejo da síndrome hepatorrenal. Injúria renal aguda (IRA) 15 Síndrome cardiorrenal: A síndrome cardiorrenal é caracterizada por disfunção miocárdica aguda ou crônica que leva a disfunção renal aguda ou crônica. Importante frisar que o paciente com insuficiência cardíaca que apresenta disfunção concomitante possui maior mortalidade e maior índice de readmissão hospitalar. Classificação: 1: IC aguda resultando em IRA 2: IC crônica resultando em IRC 3: IRA causando IC aguda 4: IRC causando IC crônica 5: “catástrofe simultânea” O tratamento consiste em medidas para compensação da insuficiência cardíaca como otimização de diuréticos ou drogas inotrópicas. Injúria renal aguda (IRA) 16 Injúria renal aguda (IRA) 17 A terapia renal substitutiva (TRS) consiste em métodos que mimetizam a função fisiológica dos rins. No paciente renal crônico existem três opções para TRS: Transplante renal, hemodiálise e diálise peritoneal. No contexto de injúria renal aguda (IRA) a hemodiálise é o método mais disponível e utilizado, embora a diálise peritoneal possa também ser utilizada. O procedimento de hemodiálise possui riscos e potenciais benefícios: Riscos: Necessidade de cateter, sangramento, hipotensão, desequilíbrio urêmico, infecção e custo. Benefícios: Controle volêmico, correção de distúrbios eletrolíticos e acidobásicos. A indicação de hemodiálise na IRA não deve nunca ser realizada por conta de valores de ureia e creatinina. É fundamental identificar o contexto clínico e tendência evolutiva da função renal. É importante também não postergar a TRS diante de urgências dialíticas ou falência do tratamento conservador. São indicações de diálise de urgência: - Hipervolemia refratária. - Hipercalemia refratária. - Acidose refratária. - Sangramento urêmico. - Pericardite urêmica. NÃO SE INDICA DIÁLISE UNICAMENTE POR VALORES ELEVADOS DE UREIA E/OU CRETININA! Complicações da hemodiálise: Hipotensão: A hipotensão ocorre geralmente no paciente submetido à hemodiálise convencional (até 4 horas de terapia) e decorre da retirada excessiva de líquidos do intravascular. Essa complicação é mais comum em pacientes em uso de drogas vasoativas como a noradrenalina ou em pacientes com débito cardíaco reduzido (Exemplo: insuficiência cardíaca). O quadro clínico típico consiste em hipotensão logo após o início da terapia, que tipicamente cessa com a interrupção da terapia e/ou expansão volêmica. Como alternativa pode-se reduzir a ultrafiltração proposta (retirada de líquido durante a hemodiálise) ou utilizar métodos como a SLED (SLOW LOW EFFICIENCY DIALYSIS) ou hemodiálise contínua, que consistem em diálises com maior duração e menor retirada de líquido por hora de terapia. Tipos de hemodiálise: Terapia renal substitutiva e complicações 18 Hemodiálise convencional: - Amplamente disponível. - No SUS (quase sempre) é a única opção. - Diálise de até 4 horas. - Alta eficiência. - Alto risco hemodinâmico. Contraindicada se Noradrenalina > 0,3 mcg/Kg/min. SLED (slow low efficiency dialysis): - Versão estendida da HD convencional. - Até 8 horas. - Pouco disponível. - Menor risco hemodinâmico. - 0,3-0,5 mcg/Kg/min de Noradrenalina. Hemodiálise contínua: - Menor risco hemodinâmico. - Diálise acima de 24 horas. Indicações: Disnatremias graves, instabilidade hemodinâmica, edema cerebral/lesão cerebral aguda, necessidade de grandes perdas volêmicas. Pouco disponível, alto custo e sem alteração de mortalidade. Infecção relacionada à cateter de hemodiálise: O quadro clínico típico consiste em hiperemia e secreção purulenta em óstio do cateter, febre, calafrios durante a terapia e/ou manipulação do cateter. Quando se trata de um cateter de curta permanência (não tunelizado), diante da suspeita de infecção deve-se realizar a retirada imediata do cateter. Por outro lado, diante de suspeita de infecção em cateter de longa permanência deve-se introduzir antibioticoterapia sistêmica e lockterapia (fechar o cateter com antibiótico em sua luz), coletar culturas e tentar tratamento mantendo o cateter. Deve-se sempre verificar a existência de critérios para retirada imediata do cateter: Indicações de retirada do cateter de longa permanência em caso de infecção: -Choque/sepse ou instabilidade. -Tunelite (infecção do túnel subcutâneo) -Infecção metastática: abcesso vertebral, artrite, endocardite, endoftalmite, abcesso esplênico. -Critérios microbiológicos: Infecção por fungo, S. aureus e pseudomonas. Terapia renal substitutiva e complicações 19 Síndrome do desequilíbrio urêmico: A síndrome do desequilíbrio urêmico decorre da redução brusca da osmolaridade plasmática por correção abrupta da ureia plasmática. A ureia é um agente osmótico e variações abruptas do seu valor sérico pode levar a edema cerebral. Basta lembrar do risco de edema cerebral durante correção de hiponatremias graves. O quadro clínico é composto por sintomas de hipertensão intracraniana como:cefaleia, náusea, rebaixamento do nível de consciência, coma, convulsões e óbito. Não existe tratamento específico e a principal medida consiste na prevenção do quadro, que pode ser feita ao se realizar diálises de curta duração e pouco eficientes nas primeiras terapias, principalmente em pacientes com altos valores de ureia no momento da indicação da terapia. Reações alérgicas/anafiláticas: Durante a hemodiálise pode ocorrer reação alérgica/anafilática ao circuito de diálise, ao dialisador e a substâncias utilizadas para desinfecção (óxido de etileno). O quadro clínico consiste em rash cutâneo, sibilância ou mesmo quadro de choque anafilático após início da terapia. O principal diferencial é com hipotensão relacionada a ultrafiltração excessiva, no entanto a presença rash (flush) e sibilância contribui para diferenciar as duas entidades. O tratamento consiste na interrupção da terapia e medidas para sibilância e anafilaxia. Terapia renal substitutiva e complicações 20 Embolia gasosa: Durante a passagem de cateter ou durante a terapia pode ocorrer quadro de embolia gasosa. O quadro geralmente consiste em dispneia ou dor torácica de forma súbita. Não há tratamento específico para o quadro. Na prova do REVALIDA o conceito mais cobrado é saber diferenciar os tipos de complicações da diálise. O quadro a seguir ajuda a fazer esse diferencial por meio do quadro clínico: Complicações da diálise peritoneal: Osm: 2xNa + Glicose/18 + Ureia/6 Peritonite associada à diálise peritoneal: O quadro clínico consiste em febre, dor abdominal, turvação do líquido peritoneal. Na análise do líquido peritoneal deve-se encontrar: > 100 leucócitos/mm3 ou > 8 leucócitos/campo com 50% de neutrófilos. Deve-se coletar cultura do líquido e iniciar antibioticoterapia empírica: - ATB: Ceftazidima + Vancomicina A retirada do cateter de diálise peritoneal está indicada se: Refratariedade, recorrência, tunelite. Terapia renal substitutiva e complicações 21 Sepse ou choque séptico. Cultura positiva para: Fungo ou micobactéria. Hiperglicemia: Para se realizar a diálise peritoneal é infundido um líquido (dialisato) na cavidade peritoneal. O agente osmótico desse líquido é a glicose. Dessa maneira, ocorre absorção peritoneal dessa glicose, levando à hiperglicemia. Refluxo gastroesofágico: Por conta do aumento da pressão intra-abdominal por infusão do líquido na cavidade, a diálise peritoneal pode causar ou agravar quadros de doença do refluxo gastresofágico. Terapia renal substitutiva e complicações 22 As hiperglicemias são divididas em cetoacidose diabética (CAD) e estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH) e são complicações agudas e graves do paciente diabético. Cetoacidose diabética: Complicação aguda do DM caracterizada por: Hiperglicemia: Glicemia > 250 mg/dL Hipercetonemia/cetonuria: positiva Acidose metabólica: pH ≤ 7,3 • Mais comum em DM-1! • Deficiência total de insulina! Na cetoacidose diabética ocorre insulinopenia quase absoluta, ou seja, o paciente não possui insulina. Dessa forma, como forma de manter a gliconeogênese (síntese de glicose) se inicia processo de lipólise. Isso leva a produção de cetoácidos que levam à acidose. Durante esse processo, por conta da hiperglicemia ocorre diurese osmótica que promove desidratação. Os fatores precipitantes mais comuns são: Interrupção do uso da insulina por má adesão e infecções. Muitas vezes a CAD acontece como primo-descompensação diabética, ou seja, um paciente descobre ser diabético tipo 1 durante um quadro de CAD. Outras patologias podem atuar como fator desencadeante: Gestação, cirurgia, trauma, infarto agudo do miocárdio, colecistite, apendicite, diarreias, vômitos e isquemia mesentérica. HIPERGLICEMIAS 23 O processo fisiopatológico pode ser resumido no organograma a seguir: Quadro clínico: - Desidratação - Taquipneia / Kusmaull - Hálito cetônico/frutado/adocicado - Dor abdominal - Rebaixamento de nível consciência - Início abrupto! - Pode ter os 3 P´s! Polifagia, polidipsia e políúria. Estado hiperglicêmico hirperosmolar: No estado hiperglicêmico hiperosmolar, geralmente o paciente apresenta alguma produção residual de insulina, o que é capaz de inibir o processo de lipólise e por sua vez evitar a geração de cetoácidos. Dessa forma, é muito mais comum em pacientes diabéticos do tipo II. O paciente típico é um paciente idoso, diabético tipo II, com alguma intercorrência clínica que o impede de ter acesso à água. Os principais fatores desencadeantes são: Infecções (mais comum), cirurgia, trauma, infarto agudo do miocárdio, colecistite, apendicite, diarreias, vômitos e isquemia mesentérica. O quadro clínico geralmente é marcado por profunda desidratação, rebaixamento de nível de consciência e hiperglicemia. Não há acidose e por isso não é comum a presença de taquipneia e respiração de Kusmaull. - pH > 7,3 HIPERGLICEMIAS 24 - Glicemia >600 mg/dL - OsmSérica > 320 - Geralmente DM-2 - Paciente >50 anos - Dificuldade de acesso à água Tratamento hiperglicemias: Não há diferenças marcantes no tratamento da CAD ou EHH. A principal diferença decorre do fato de não haver acidose no EHH, dessa forma não se deve repor bicarbonato nessa complicação. A hidratação, insulinização e suspensão da insulina EV segue o mesmo racional para CAD e EHH. 1. Hidratação: A hidratação é o primeiro passo no tratamento das hiperglicemias e pode ser dividida entre a fase de expansão e fase de manutenção conforme a seguir. - Expansão rápida: SF 0,9% 1500ml/h. Atenção nessa fase a solução de escolha é o soro fisiológico! HIPERGLICEMIAS 25 - Manutenção: Depende do Na!! Na > 135 mEq/L: NaCl 0,45% Realizar 250-500 ml/h Na Trocar para Nacl 0,45% + SG 5% Se o paciente tiver um pH 20-30 mEq de K diluído em 1000ml de SF0,9% e uma hora. K 3,3 – 5,2 mEq/L – insulinização + reposição de K 20-30 mEq por litro da solução de manutenção. K > 5,2 mEq/L – insulinização sem reposição de K - Dose de ataque: 0,1-0,15 U/Kg EV INSULINA R - Infusão contínua: 0,1 U/Kg/hora INSULINA R Queda da glicemia ideal: 50-70 mg/dL por hora ATENÇÃO: A correção mais rápida do que 50-70 mg/dL/h pode levar à complicações do tratamento! 3. Resolução da CAD: Os critérios de resolução são: - Controle de fator precipitante + - pH > 7,3 + - Bicarbonato >18 mEq/L+ - GlicemiaHipoglicemia: Complicação mais comum, por isso é importante adicionar SG5% para manutenção quando a glicemia estiver entre 250-300 mg/dL. Edema cerebral: Complicação grave e temida. Ocorre por correção muito rápida da glicemia. Lembrar que deve-se buscar uma redução entre 50-70 mg/dL/hora. Isso ocorre devido ao efeito osmótico da glicose. Ao se reduzir de forma abrupta a glicemia, o intravascular se torna subitamente menos hipertônico do que o sistema nervoso central. Isso faz com que haja, por gradiente osmótico, migração de H20 para o SNC levando a edema cerebral. Hipocalemia/arritmia: Complicação grave. Ocorre quando não se atenta ao valor do K sérico antes do início da insulina R EV. Deve-se lembrar que a insulina pode causar hipocalemia em decorrência de ativação da bomba Na-K-ATPase e correção da acidose. Por isso, é importante lembrar de repor potássio de acordo com os valores já citados anteriormente. Congestão/edema: Decorre da reposição volêmica excessiva, principalmente em pacientes com insuficiência cardíaca ou renal. Mucormicose: Condição grave e rara. Infecção fúngica que acomete pacientes com hiperglicemias agudas. HIPERGLICEMIAS 28 Definição: Trata-se de uma doença que cursa com hiperglicemia crônica e a longo prazo pode levar lesões em órgãos-alvo e também descompensações metabólicas agudas Pode ser causada por: ● Déficit de insulina (absoluto ou relativo) e/ou ● Resistência à insulina - Classificação do diabetes mellitus: ● Diabetes mellitus tipo I (DM-1): ocorre destruição primária das células beta pancreáticas e hipoinsulinismo “absoluto”. Mais comum em crianças e adolescentes ● Diabetes mellitus tipo II (DM-2): inicia com resistência periférica à insulina, que evolui para disfunção progressiva das células beta pancreáticas - hipoinsulinismo “relativo” ● Diabetes mellitus gestacional: intolerância a glicose diagnosticada durante a gestação ATENÇÃO: Há 2 tipos de diabetes que podem confundir você! “MODY” ou Maturity-Onset Diabetes of the Young – uma forma de diabetes tipo II no jovem em decorrência de problemas genéticos. “LADA” ou Latent Autoimune Diabetes of Adults – uma forma de diabetes tipo I no adulto. Quadro clínico: O diabetes mellitus pode ser assintomático por um longo período, especialmente no DM-2. Por isso é realizado rastreamento para os grupos de risco. Em casos graves de DM-1 ou DM-2 podem ocorrer os 3 P´s do DM ou “polis”: Poliúria, polidipsia e polifagia. Pode haver também emagrecimento nesses casos. Diagnóstico: Critérios diagnósticos de DM 1) Hemoglobina glicada (A1C) ≥ 6,5%* OU 2) Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl OU 3) Glicemia 2h após TOTG-75 ≥ 200 mg/dl OU 4) Glicemia aleatória ≥ 200 mg/dl + sintomas de hiperglicemia (“polis”) O diagnóstico é confirmado com 2 dos testes acima positivos (pode ser o mesmo exame realizado em duas ocasiões diferentes) ATENÇÃO!! Glicemia aleatória ≥ 200 mg/dl + sintomas de hiperglicemia (“polis”) já fecha o diagnóstico e não precisa de exame confirmatório DIABETES MELLITUS 29 Critérios Normal Pré-DM DM Glicemia de jejum 125 2 h após TOTG 199 HbA1c 6,4 Glicemia + sinto- mas - - ≥ 200 mg/ dL 3 P´s: - Poliúria - Polidipsia - Polifagia ● Estados pré-diabéticos: 1) Glicemia de jejum entre 100-125 mg/dl 2) “Intolerância à Glicose” = glicemia 2h após o TOTG 75 entre 140-199 mg/dl 3) Hemoglobina Glicada (A1C) entre 5,7-6,4% -Fatores de risco para DM-2: Indivíduos com idade ≥ 45 anos Obesidade/sobrepeso História familiar (1 grau) Doença cardiovascular HAS HDL 250 mg/dL Sd. Ovários policísticos Sedentarismo Acantose nigricans Pré-DM DM gestacional HIV + Etnias de risco (Afrodescendentes, Hispânicos e Indígenas) - Rastreio de DM tipo 2 no paciente assintomático: DIABETES MELLITUS 30 • Idade ≥ 45 anos ou • IMC > 25 (IMC > 23 no asiático) + fator de risco adicional • Repetir em 3 anos se exames normais. • Repetir e 1 ano se pré-DM! Tratamento: No DM-1 o paciente praticamente não produz insulina, então o tratamento consiste em insulinização plena. Isto é, a insulinização deve simular o feito que o pâncreas do paciente não está conseguindo fazer. A insulinização plena consiste em realizar uma insulina basal (lenta) e uma insulina prandial (rápida ou ultrarápida). Deve-se realizar duas a três aplicações de insulina basal e duas a três aplicações de insulina prandial. Dose: 0,4-1,0 U/Kg/dia -> 50 % basal e 50% prandial - Insulinas basais: NPH, Glargina, Detemir, Degludeca - Insulinas prandiais: Regular, Lispro, Asparte, Glulisina DIABETES MELLITUS 31 ATENÇÃO: Sobre insulinização para a prova do REVALIDA, o mais importante é saber que o paciente DM-1 precisa de insulinização plena (basal + prandial) e que isso envolve o uso de dois tipos de insulina, uma basal e uma prandial. As aplicações devem ser realizadas ao menos duas vezes ao dia, ou seja, duas aplicações de NPH e duas aplicações de Regular. Exemplo de insulinização para um paciente de 80 Kg: ● 0,5 U/Kg/dia: 40 U no total sendo 50% basal e 50% prandial ● 20 U de NPH e 20 U de insulina regular ● Dividir essa dose em 2-3 aplicações diárias de cada insulina. Como avaliar a insulinoterapia? 1- Glicemia matinal – depende da NPH do jantar da véspera; 2- Glicemia pré-almoço – depende da regular da manhã; 3- Glicemia pré-jantar – depende da NPH da manhã; 4- Glicemia antes de dormir – depende da regular da noite Metas glicêmicas: . Hemoglobina glicada (A1C) 60 anos - IMC > 35 Kg/m2 - DM gestacional prévio - Síndrome metabólica - Glicemia de jejum > 110 mg/dL No paciente DM-2 a droga de escolha inicial é a Metformina (Biguanida) por ser uma medicação com bom perfil de segurança, barata e eficaz. ● HBA1c 9,0%: Terapia tripla: Metformina + 2 AD ou terapia baseada em insulina ● Reavaliar após 3 meses se HBA1c 300 mg/dl na primeira consulta, pelo menos nas fases iniciais, especialmente naqueles com história de perda ponderal, cetonúria ou cetonemia (alguns desses pacientes são diabéticos tipo 1 LADA). 3- Emagrecimento progressivo atribuído ao diabetes. 4- Durante a gestação, quando os antidiabéticos orais são contraindicados. 5- Em situações de estresse agudo (cirurgia, infecções graves, AVE, IAM etc.). Atenção: Não é comum a cobrança na prova do REVALIDA a respeito das diferentes classes de antidiabéticos orais, no entanto, devido a relevância do tema sugerimos ao menos conferir a tabela a seguir: DIABETES MELLITUS 33 Não se esqueça que o controle adequado da glicemia nos pacientes diabéticos previne as complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia). - Complicações: Podem ser divididas entre microvasculares, macrovasculares e agudas ● Microvasculares: ● Retinopatia ● Neuropatia ● Nefropatia/doença renal do DM ● Macrovasculares: ● IAM ● AVC ● Doença arterial obstrutiva periférica ● Agudas: ● Cetoacidose diabética. ● Estado hiperglicêmicohiperosmolar ● Hipoglicemia Rastreio microvasculares: As complicações microvasculares devem ser rastreadas e podem ser prevenidas por meio do controle glicêmico adequado. O manejo específico de cada complicação nunca foi cobrado na prova do REVALIDA. No entanto, vale a pena destacar a indicação de bloqueio do sistema angiotensina-renina-aldosterona com inibidores da ECA (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA)nos pacientes diabéticos com hipertensão e/ou que apresentam microalbuminúria positiva (> 30 mg/g). O uso de IECA/BRA é capaz de prevenir e desacelerar a nefropatia do DM (doença renal do DM). Em paciente com microalbuminúria positiva também está indicado o uso de inibidores de SGLT-2 como antidiabéticos orais. O rastreio das complicações microvasculares deve se inicar 5 anos após o diagnóstico nos pacientes com DM-1 e após 5 anos nos pacientes com DM-2. Isso porque, o DM-2 pode ser assintomático e muitas vezes não se sabe precisamente o tempo de duração do DM. ● DM1: após 5 anos do diagnóstico do DM. ● DM2 rastreio no momento do diagnóstico. ● Retinopatia: fundo de olho. ● Neuropatia: história, exame físico e monofilamento. ● Nefropatia: Microalbuminúria (+ se > 30 mg/g) e função renal. ● Tratamento nefropatia: ● Se microalbuminúria + IECA/BRA ● Utilizar preferencialmente inibidores de SGLT-2 DIABETES MELLITUS 34 Definição: A síndrome metabólica (SM) é um distúrbio complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular relacionados à deposição central de gordura e resistência à insulina. Diagnóstico: São necessários 3 ou mais critérios para o diagnóstico de SM. Os critérios são os apresentados no quadro 1. Para ajudar a memorizar esses critérios lembre-se da regra mnemônica Homem Gordo Gosta de Terno Preto Homem: HDL Gordo: Circunferência abdominal Gosta: Glicemia de jejum Terno: Triglicerídeos Preto: Pressão arterial - Tratamento: O tratamento da síndrome metabólica pode ser dividido entre medidas não Síndrome metabólica 35 farmacológicas e medidas farmacológicas. As medidas não farmacológicas podem ser resumidas pela expressão: mudança de estilo de vida. Essas medidas têm como objetivo levar à perda ponderal e redução da deposição de gordura abdominal, além de estimular hábitos de vida mais saudável. ● Perda de peso: Deve-se visar a perda de 5-10% do peso corporal no primeiro ano. Esse nível de perda de peso mostrou benefício em estudos clínicos, mostrando melhora do perfil metabólico do paciente. ● Dieta: A abordagem dietética possui vários componentes e deve ser individualizada, no entanto como regras gerais ela deve incluir: Restrição calórica: Visando perda de peso de 5-10%. Ingesta de carboidratos complexos: Hortaliças, leguminosas, frutas e grãos integrais. Evitar ingesta de carboidratos de rápida absorção como açúcar refinado. Proteínas: Dar preferência a carnes magras como frango e peixe. Gorduras saturadas e trans: Evitar ingesta excessiva de gorduras saturadas e trans. Restrição de sal: No máximo 6g/dia de sal de cozinha. O quadro 2 detalha as recomendações dietéticas: Síndrome metabólica 36 ● Atividade física regular: É recomendada atividade física regular, sendo um importante adjuvante na perda de peso além de vários outros benefícios metabólicos como controle da hiperglicemia e pressão arterial. A atividade física regular é definida como uma atividade física de moderada intensidade, por pelo menos 30 minutos e 5 ou mais dias por semana. O quadro 3 a seguir detalha as recomendações sobre exercício físico. ● Ingesta alcoólica: Para o consumo de bebidas alcoólicas, o limite máximo recomendado é de 30 g de etanol ao dia para o sexo masculino e metade para as mulheres. ● Tabagismo: É recomendada a cessação do tabagismo. Já as medidas farmacológicas visam controle da pressão arterial, glicemia e dislipidemia. Detalhes sobre o tratamento de cada uma dessas patologias serão abordados em conteúdos específicos. No entanto, abordaremos aqui algumas linhas gerais. ● Hipertensão arterial: Além das medidas não farmacológicas o controle da pressão arterial deve ser buscado com fármacos de primeira linha. Em caso de hipertensão arterial estágio 2 ou 3 deve-se iniciar o tratamento com combinação de fármacos de imediato. Conforme a imagem a seguir: Síndrome metabólica 37 Meta de pressão arterial: Redução da pressão arterial para cifras inferiores a 130mmHg/ 85mmHg pode ser útil em pacientes com elevado risco cardiovascular. Nos pacientes diabéticos, recomenda-se reduções da pressão arterial para níveis inferiores a 130/80mmHg e para os pacientes com proteinúria maior que 1g/24h, cifras inferiores a 120/75mmHg deverão ser a meta. ● Diabetes mellitus: A meta no tratamento da síndrome metabólica é manter a glicemia o mais próximo possível da normalidade, evitando a progressão de pré-diabetes para diabetes sempre que possível. Em caso de diabetes mellitus estabelecido as metas são iguais as preconizadas para qualquer paciente diabético: - Hemoglobina glicada Metástase linfonodal NÓDULO E CÂNCER DE TIREOIDE 40 Foliculares: 10% -> Metástase hematogênica Oncocíticos: 5% - Medulares (5%): Pior prognóstico, não respondem a radioiodoterapia. - Linfomas primários de tireoide ( 4 cm, invasão linfonodal, metástase ou paciente de alto risco (extremos de idade, história familiar positiva, exposição a radiação prévia). Radioiodoterapia: A terapia com iodo radioativo visa eliminar possível doença residual e está indicada nos carcinomas diferenciados de risco intermediário e alto. Na prática, não se faz radioiodoterapia para pacientes de baixo risco. Para um câncer de tireoide sem classificado como de baixo risco ele deve ter: Tamanhona tireoide. A grande maioria dessas neoplasias é representada pelo microcarcinoma papilífero de tireoide, tumores diferenciados menores ou iguais a um centímetro. No Brasil, a neoplasia maligna de tireoide representa o quinto câncer mais prevalente nas mulheres, sendo em homens uma neoplasia bem menos frequente. Classificação dos principais tipos de neoplasia maligna da tireoide: ● Carcinomas diferenciados de tireoide (90-95%) Papilíferos (85%) Foliculares (10%) Oncocíticos (5%) ● Carcinoma medular de tireoide (5%) ● Carcinoma anaplásico (1%) ● Linfoma primário de tireoide ( 50 anos Mais comum em > 50 anos Mais comum em idosos Esporádica: 5ª e 6ª década de via Familiar: antes da 3ª década de vida Crescimento lento lento Variável rápido Variável Disseminação Linfonodal Via hematogênica (osso, pulmão e fígado, principalmente) Linfonodal e via hematológica Invasão local e Via hematogênica Linfonodal e via hematogênica Sobrevida global em 10 anos 95-98% 80-90% 50%e insuficiência respiratória em poucos meses. NÓDULO E CÂNCER DE TIREOIDE 46 Definição ● = deficiência na produção dos hormônios tireoidianos ● Epidemiologia ● Predomínio feminino (5-8 vezes mais) ● Aumenta com idade ● Fisiologia Etiologia ● Hipotireoidismo primário = disfunção tireoidiana ● Tireoidite crônica autoimune (ex: tireoidite de Hashimoto ou tireoidite linfocítica) ● Deficiência ou excesso de iodo ● Iatrogênica (ex: tireoidectomia, radioiodoterapia, radiação cervical) ● Medicamentos: tionamidas, lítio, amiodarona ● Hipotireoidismo secundário = disfunção hipofisária ● Tumores ● Iatrogênicas (ex: cirurgias e radiação hipofisária) ● Hipotireoidismo terciário = disfunção hipotalâmica ● Tumores ● Iatrogênicas Quadro clínico ● Fadiga e fraqueza | Intolerância ao frio | Constipação intestinal | Depressão | Irregularidade menstrual | Bócio | Edema | Ganho de peso | Lentificação dos reflexos tendinosos | Pele grossa e seca | Unhas quebradiças | Queda de cabelo | Macroglossia HIPOTIREOIDISMO 47 ● Exames complementares ● TSH, TSH confirmatório e T4 livre ● Diagnóstico Tratamento ● Reposição com levotiroxina (T4 sintético) ● Hipotireoidismo subclínico ● TSH ≥ 10 mU/L → repor com levotiroxina ● TSH 4,5-10,0 + idade > 65 anos → não repor levotiroxina ● TSH 4,5-10,0 mU/L + idade ≤ 65 anos → repor levotiroxina se: sintomática, doença cardiovascular ou elevado risco cardiovascular, elevado risco de progressão para hipotireoidismo clínico HIPOTIREOIDISMO 48 Definição ● Tireotoxicose = estado de excesso de hormônios tireoidianos ● Hipertireoidismo = excesso de hormônios tireoidianos produzidos pela tireóide Etiologias (principais) ● Hipertireoidismo primário: doença de Graves, doenças nodulares tóxicos ● Hipertireoidismo secundário: adenoma hipofisário produtor de TSH ● Destruição de folículos tireoidianos: tireoidites agudas, tireoidite de Hashimoto Quadro clínico ● Nervosismo | sudorese excessiva | intolerância ao calor | palpitação | fadiga | perda ponderal | hiperdefecação | edema de membros inferiores | taquicardia | bócio | tremor de extremidades | pele quente e úmida | sopro na tireóide | alterações oculares (ex: lid lag) Exames complementares ● TSH, TSH confirmatório, T4 livre, outro (conforme suspeita etiológica) Doença de Graves ● Epidemiologia: 80% dos hipertiroeidismos | mulher (5-10x) | 10-50 anos ● Fisiopatologia: doença autoimune com produção de autoanticorpos anti-receptor de TSH (TRAb) → ação estimulador da tireóide → bócio + hipertireoidismo + outros ● Quadro clínico (característico): exoftalmia + edema periorbital, mixedema pré- tibial, baqueteamento digital, sopro cervical ● Exames complementares: ↓ TSH, ↑ T3/T4 | TRAb positivo | Cintilografia de tireóide: HIPERcaptação de radioido ● Diagnóstico ● Clínico: sintomas de tireotoxicose + bócio + pelo menos 1 dos 3 sinais (oftalmopatia, mixedema, acropatia) ● Clínico-laboratorial: sinais e sintomas de tireoitoxicose + TRAb+/ hipercaptação HIPERTIREOIDISMO 49 de radioiodo ● Tratamento ● Controle de sintomas → beta-bloqueador ● Reduzir produção de hormônios tireoidianos em excesso → tionamidas (ex: metimazol, propiltiouracil) ● Outros: radioiodoterapia, tireoidectomia Nódulos tóxicos ● Etiologias: bócio multinodular tóxico (BMNT), adenoma tóxico (doença de Plummer) ● Epidemiologia: 2a causa mais comum de hipertireoidismo ● Quadro clínico: nódulo(s) de tireóide, dispneia, disfagia, rouquidão ● Exames complementares/ diagnóstico: ↓ TSH, ↑ T3/T4 | Cintilografia de tireóide: HIPOcaptação de radiodo | TRAb negativo ● Tratamento ● Controle de sintomas → beta-bloqueador ● Reduzir produção de hormônios tireoidianos em excesso → tionamidas (ex: metimazol, propiltiouracil) ● Outros: radioiodoterapia, tireoidectomia Tireoidite de De Quervain ● Epidemiologia: mulheres (3:1), adultos jovens e meia-idade ● Fisiopatologia: inflamação tireoidiana após infecção (viral) com reação cruzada (linfócitos T destroem folículos tireoidianos) ● Quadro clínico: história de infecção de vias aéreas, dor tireoidiana, tireotoxicose, bócio ● Exames complementares: ↓ TSH, ↑ T3/T4 | Cintilografia de tireóide: HIPOcaptação de radiodo | ↑ PCR e VHS | ↑ tireoglobulinas ● Tratamento ● Autolimitado: resolução em +/-8 semanas após tireotoxicose, controle de dor, controle de sintomas de tireotoxicose (beta-bloqueador) | Tionamidas não são indicadas (inibem síntese de T3/T4) ● Fase de hipotireoidismo: transitório, assintomático (maioria), levotiroxina (se sintomático) ● Eutireoidismo: hipotireoidismo permaneces me 15% em 1 ano HIPERTIREOIDISMO 50 Tireoidite de Hashimoto / hashitoxicose ● = hipotireoidismo crônico autoimune = tireoidite linfocítica crônica ● Fisiopatologia ● Tireoidite de Hashimoto (90%): auto-anticorpos para diversas partes da síntese de T3/T4 → diminuição gradual na produção de T3/T4 → hipotireoidismo permanente ● Hashitoxicose (10%): estímulo da tireóide pelo TRAb → clínica indistinguível de doença de Graves ● Exames complementares/ diagnóstico: ↓ TSH + ↑ ou ↓ T3/T4 (conforme tiroidite crônica ou hashitoxicose) | anti-TPO positivo em 80% | anti-tireoglobulina positivo em 30-60% | TRAb+ em 15% | USG: tireoide atrófica ● Tratamento ● Tireoidite de Hashimoto → levotiroxina ● Hashitoxicose → beta-bloqueador e tionamidas HIPERTIREOIDISMO 51 Definições: • Bacteriúria assintomática: Patógeno colonizando a urina, mas sem causar sintomas. Urocultura. • Cistite/infecção do trato urinário baixo: Infecção que acomete a bexiga. • Pielonefrite/infecção do trato urinário alto: Infecção que por via ascendente acomete o parênquima renal. Fisiopatologia: • Patógenos da flora colonizam o introito vaginal e causam infecção por via ascendente. • Fatores de risco: Idade, sexo feminino, comportamentais (vida sexual ativa e uso de espermicidas), DM, lesões medulares, uso de cateter vesical e gestação. • Eschericia coli é o agente mais comum (75%), seguido por Staphylococcus saprophyticcus, Enterococcus e bacilos gram negativos (Protteus e Enterobacter). Cistite: • Infecção do trato urinário baixo, não complicada. • Não há necessidade de pedir exames laboratoriais. • Tratamento empírico: - Nitrofurantoína 100 mg 12/12 horas por 5 dias. - Sulfametoxazol-Trimetropim 160/800mg 12/12 horas por 3 dias. - Fosfomicina 3 g dose única. - Drogas de SEGUNDA linha: Norfloxacino, Ác. Nalidíxico, Amoxacilina+Clavulanato. Populações especiais: • Homem Pedir urina 1 e urocultura mesmo sendo apenas cistite. Tratar por 7 dias. Realizar exames prostático. • Gestação Colher urina 1 e urocultura. Quinolonas contra-indicadas. Tratar por 7 dias. • DM, imunossupressão, internação recente ou litíase: Colher urina 1 e URC. Tratamento por tempo habitual (3-5dias). • Idosos: Mulheres idosas, tratamento de escolha é ciprofloxacino 250 mg 12/12 hrs por 3 dias. • Sondagem vesical: - Trocar sonda vesical. Solicitar urina 1 e urocultura. - Se persistir bacteriúria por mais de 48 hrs pós retirada tratar. - ATB conforme antibiograma. Pielonefrite: • Infecção do trato urinário alto (rins). • Sintomas de cistite + febre/calafrios, giodano +, dor costovertebral e náuseas/ vômitos. ITU / PIELONEFRITE 52 • Solicitar urina 1 e urocultura com antibiograma. • Leucocitúria em U1 em praticamente 100 % dos casos. • TC/ USG se febre/sintomas não ceder em 72 horas de tratamento. Desacartar complicações. • Tratamento empírico: • Geralmente ambulatorial, considerar internação se comprometimento sistêmico grave (sepse). • Ceftriaxone 1 g de 12/12 horas por 7 dias. • Ciprofloxacino 400/500 mg 12/12 horas. • Aminoglicosídeo dose única. Diagnóstico diferencial: • Doenças ginecológicas -> uretrites e vaginites. • Cistite intersticial em idosos. • Pielonefrite crônica: Quadro em pacientes com litíase ou refluxo vesico-ureteral.Principais pontos: • Cistite --> diagnóstico clínico e tratamento empírico. • Tratamento: preferência ambulatorial por poucos dias (dose única até 5 dias). • Não tratar bacteriúria assintomática! • Exames de imagem se pielonefrite sem resposta em 48-72 horas. • Pielonefrite, ITU em homens, sondagem vesical, DM, imunossupressão e litíase renal > solicitar urina 1 e Urocultura. • Pielonefrite: ATB por 7-10 dias. ITU / PIELONEFRITE Doença renal crônica (DRC) Injúria renal aguda (IRA) Terapia renal substitutiva HIPERGLICEMIAS DIABETES MELLITUS Síndrome metabólica DE TIREOIDE HIPOTIREOIDISMO HIPERTIREOIDISMO ITU / PIELONEFRITE