Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

MEMÓRIA E 
ALZHEIMER
A memória é a capacidade de codificar, armazenar e
recuperar experiências, impressões e fatos da vida.
Seu funcionamento está diretamente ligado ao
aprendizado. A eficiência da memorização depende
de diversos fatores, como nível de consciência,
atenção, estado emocional, motivação e contexto no
qual ocorre a aquisição da informação.
A evocação é o retorno consciente ou espontâneo
de informações armazenadas na memória. Fatores
emocionais influenciam esse processo, sendo mais
difícil lembrar de experiências desagradáveis. A
evocação nunca é exata, pois envolve reconstrução
da memória com possíveis alterações.
Um aspecto extra é o reconhecimento como
passado, ou seja, identificar a lembrança como algo
já vivido. Além disso, a evocação envolve
disponibilidade e acessibilidade da informação. No
fenômeno da "ponta da língua", por exemplo, a
memória está armazenada, mas não acessível no
momento desejado.
1.Entender as bases neurobiológicas da
memória e os tipos de memória.
Stephane Santiago
FASES DA MEMÓRIA
 A memória psicológica apresenta três fases, ou
elementos básicos:
 ● fixação (ou aquisição, ou codificação): captar,
adquirir e codificar informações.
 ● conservação (ou retenção, ou armazenamento):
reter as informações de modo fidedigno.
 ● evocação (ou rememoração, ou recuperação):
também denominada de lembranças orecordações;
é a fase em que as informações são recuperadas
para distintos fins.
 FIXAÇÃO
A aquisição de novas informações depende da
consciência, atenção, percepção e capacidade de
apreensão. A fixação ocorre com mais facilidade
quando a informação desperta interesse, tem
valor emocional, é nova, se associa a
conhecimentos prévios e envolve múltiplos
sentidos. A conservação das informações permite
sua manutenção ao longo do tempo, mas elas
sofrem um processo gradual de esquecimento,
conforme a lei de Ribot, que indica que as
memórias mais recentes, complexas e
desorganizadas são perdidas primeiro.
 EVOCAÇÃO
MEMÓRIA SEGUNDO O TEMPO DE AQUISIÇÃO,
ARMAZENAMENTO E EVOCAÇÃO 
Em relação ao processo temporal de aquisição,
armazenamento e evocação de elementos
mnêmicos, a neuropsicologia moderna divide a
memória em quatro momentos temporais:
MEMÓRIA SENSORIAL E DEPÓSITO SENSORIAL (ATÉ 1
SEGUNDO)
A memória sensorial armazena temporariamente
grande quantidade de informações captadas pelos
sentidos, mas por um período muito curto.Os
estímulos visuais (memória icônica) e auditivos
(memória ecoica) são registrados de forma
inconsciente e rapidamente apagados, a menos que
recebam atenção. Esse processo ocorre em um
depósito sensorial, onde, em cerca de 50
milissegundos, decide-se inconscientemente quais
estímulos serão mantidos ou descartados.
A memória imediata está ligada à atenção e à
memória de trabalho, permitindo reter informações
logo após a percepção, como lembrar um número
para discá-lo em seguida. Ela é limitada e
influenciada pela concentração, fadiga e treino.
Tanto a memória imediata quanto a de trabalho
dependem da integridade das áreas pré-frontais do
cérebro.
Stephane Santiago
MEMÓRIA IMEDIATA OU DE CURTÍSSIMO PRAZO (DE
POUCOS SEGUNDOS ATÉ 1 A 3 MINUTOS).
MEMÓRIA RECENTE OU DE CURTO PRAZO (DE
POUCOS MINUTOS ATÉ 3 A 6 HORAS).
A memória de curto prazo permite reter informações
por um período breve e tem capacidade limitada.
Muitas vezes, inclui também a memória de
curtíssimo prazo. Seu funcionamento depende de
áreas do cérebro, como o hipocampo (região CA1), o
córtex entorrinal e o córtex parietal posterior.
MEMÓRIA DE LONGO PRAZO OU REMOTA (DE DIAS,
MESES ATÉ MUITOS ANOS) 
A memória de longo prazo armazena informações
por dias, meses ou até a vida toda, com capacidade
quase ilimitada. Ela organiza as informações em
redes semânticas, associando conceitos
semelhantes. Seu armazenamento envolve o
hipocampo e diversas áreas corticais,
especialmente nos lobos frontais.
As memórias de longo prazo podem ser divididas em
explícitas (ou declarativas) e implícitas (ou não
declarativas)
Memória explícita
As memórias explícitas correspondem a informações
sobre o mundo que são acessíveis à consciência,
podendo ser lembradas voluntariamente e expressas
verbalmente. Esse tipo de memória se divide em
memória episódica e memória semântica.
Memória episódica: Relaciona-se a eventos
autobiográficos e experiências pessoais,
vinculadas a um local e momento específicos.
Memória semântica: Refere-se a conhecimentos
factuais que podem ser compartilhados com
outras pessoas.
Memória implícita
A memória implícita é um tipo de memória
automática e inconsciente, responsável pelo
aprendizado de habilidades e hábitos sem
necessidade de evocação consciente. Inclui a
memória de procedimento (habilidades motoras e
cognitivas), o condicionamento clássico e operante, a
aprendizagem não associativa e a pré-ativação.
Também está relacionada à sensação de
familiaridade, tornando processos inicialmente
conscientes, dirigir um automóvel exige, quando se
está aprendendo, que se sigam instruções que são
recordadas conscientemente, tornando-se, depois,
um procedimento automático. 
Há vários tipos de memória implícita: memória de
procedimento, condicionamento clássico,
condicionamento operante, aprendizagem não
associativa e pré-ativação. 
A memória de procedimento refere-se a práticas e
habilidades motoras (andar de bicicleta, amarrar o
sapato, tocar piano, escrever), perceptivas (montar
quebra-cabeças, descobrir a solução de labirintos
gráficos, ler) e cognitivas (usar e compreender regras
gramaticais)
O condicionamento clássico é um conceito
desenvolvido por Pavlov. Tem como base o
pareamento de dois estímulos: o Estímulo
Incondicionado (EI): Forte e naturalmente eficaz,
como o alimento que causa salivação no animal. e o
estímulo condicionado (EC),Inicialmente fraco ou
neutro, como uma campainha. Após várias
apresentações antes do EI, o EC pode provocar a
mesma resposta, como a salivação.
BASES NEUROBIOLÓGICAS DA MEMÓRIA .
O fenômeno da memorização, ou engramação
mnéstica, é essencial para a formação das unidades
de memória. As estruturas límbicas
temporomediais, especialmente o hipocampo, a
amígdala e o córtex entorrinal, desempenham um
papel fundamental nesse processo. Elas são
responsáveis pela consolidação dos registros e pela
transferência das unidades de memória de curto e
médio prazos para a memória de longo prazo.
Nas memórias recentes, ocorrem mudanças e
consolidações nas sinapses neuronais, que
envolvem cascatas complexas de eventos
moleculares e celulares necessários para estabilizar
informações recém-adquiridas. Essas mudanças
ocorrem nas redes neuronais coordenadas pelo
hipocampo. Já nas memórias de longo prazo, a
consolidação é um processo mais lento, baseado em
redes neuronais sistêmicas, e depende do tempo.
Esse processo converte as memórias recentes e
instáveis em formas mais permanentes e estáveis,
por meio da reorganização das redes neurais de
suporte à memória, também coordenadas pelos
hipocampos.
A interrupção bilateral do circuito hipocampo-
mamilo-tálamo-cíngulo pode resultar na
incapacidade de fixar novos elementos mnêmicos,
levando à síndrome amnéstica, que varia em
intensidade. Os hipocampos são, sem dúvida, as
estruturas mais importantes para a memória,
desempenhando um papel crucial na consolidação e
recuperação das memórias.
Stephane Santiago
HIPOCAMPO
O hipocampo é uma eminência alongada e curva
situada no assoalho do corno inferior do ventrículo
lateral, acima do giro para-hipocampal. Ele recebe
informações de várias áreas neocorticais através do
córtex entorrinal e projeta essas informações aos
corpos mamilares do hipotálamo por meio do fórnix.
Anatomicamente, o hipocampo dos mamíferos é
dividido em três grandes regiões: o giro denteado
(GD), o corno de Ammon (CA) - subdividido em
quatro partes (CA1, CA2, CA3 e CA4) - e o córtex
entorrinal lateral e medial. Cada uma dessas regiões
possui padrões de conectividade, tipos de neurônios
e suscetibilidade a fatores destrutivos diferentes.
Funcionalmente, os hipocampos são divididos em
duaspartes: o hipocampo dorsal, que está mais
ligado ao aprendizado e à memória, e o hipocampo
ventral, mais ligado ao processamento emocional.
Todo o hipocampo tem grande capacidade de
plasticidade sináptica.
Embora o hipocampo seja indispensável para a
consolidação das memórias de curta e longa
duração, esses tipos de memória não são
armazenados no hipocampo, pois permanecem
depois de sua remoção cirúrgica. O grau de
consolidação da memória pelo hipocampo é
modulado pelas aferências que ele recebe da
amígdala. Esta consolidação é maior quando a
informação a ser memorizada está associada a um
episódio de grande impacto emocional. 
Além disso, o hipocampo é responsável pela memória
espacial ou topográfica, que está relacionada a
localizações no espaço, configurações ou rotas,
permitindo-nos navegar e encontrar caminhos. Na
doença de Alzheimer, onde há grave
comprometimento do hipocampo, os pacientes na
fase final perdem completamente a orientação e
não conseguem se deslocar de uma cadeira para a
cama, por exemplo.
Tradicionalmente, os hipocampos foram relacionados à
memória explícita consciente, e não à memória implícita.
Estudos neuroanatômicos indicam que tanto a memória
explícita quanto a implícita utilizam o hipocampo nas mesmas
áreas, mas com processos funcionais diferentes.
GIRO DENTEADO
Em resumo, o hipocampo desempenha um papel crucial
na consolidação da memória e na navegação espacial,
sendo uma estrutura essencial para o aprendizado, a
memória e o processamento emocional.
Tem amplas ligações com a área entorrinal e o
hipocampo e, com este, constitui a formação do
hipocampo. É responsável pela dimensão temporal
da memória. Por exemplo, ao lembrarmos de nossa
festa de aniversario ele informa a data e se ela foi
antes ou depois de outro evento marcante 
CÓRTEX ENTORRINAL
 Ocupa a parte anterior do giro para-hipocampal
medialmente a sulco rinal. É um tipo de córtex
primitivo (arquicórtex) e corresponde à área 28 de
Brodmann. Recebe fibras do fórnix e envia fibras
ao giro denteado que, por sua vez, se liga ao
hipocampo.
 O córtex entorrinal funciona como um portão de
entrada para o hipocampo, recebendo as diversas
conexões que a ele chegam através do giro
denteado, incluindo as conexões que recebe da
amígdala e da área septal. Lesão do córtex
entorrinal, mesmo estando intacto o hipocampo,
resulta em grande déficit de memória. O córtex
entorrinal é geralmente a primeira área cerebral
comprometida na doença de Alzheimer. 
Memória de Trabalho: Situada entre os processos
de atenção e memória imediata, é uma memória
explícita e consciente que exige esforço constante.
Envolve regiões corticais pré-frontais. Nas tarefas
verbais, as áreas pré-frontais esquerdas e áreas de
Broca e Wernicke são importantes, enquanto nas
tarefas visuoespaciais, as áreas pré-frontais direitas
são mais envolvidas.
Memória Episódica: Memória explícita de médio e
longo prazo relacionada a eventos específicos da
experiência pessoal. Depende das regiões da face
medial dos lobos temporais, particularmente o
hipocampo e os córtices entorrinal e perirrinal.
Alterações podem ocorrer em doenças como
Alzheimer, afetando a capacidade de lembrar
eventos recentes e antigos.
Memória Semântica: Refere-se ao aprendizado,
conservação e utilização de conceitos e
conhecimentos gerais. Inclui conhecimentos gerais
sobre o mundo e depende das regiões inferiores e
laterais dos lobos temporais, especialmente no
hemisfério esquerdo. Frequentemente explícita, mas
pode ser implícita.
Memória de Procedimentos: Memória automática e
não consciente de habilidades motoras, perceptuais
e visuoespaciais. Geralmente implícita, mas pode ser
explícita durante a aquisição da habilidade.
Relacionada ao sistema motor e/ou sensorial
específico envolvido na tarefa, principalmente
envolvendo a área motora suplementar, núcleos da
base e cerebelo.
Stephane Santiago
CÓRTEX PARA-HIPOCAMPAL
Ocupa a parte posterior do giro para-hipocampal
continuando-se com o córtex cingular posterior no
nível do istmo do giro do cíngulo. Estudos de
neuroimagem funcional mostraram que o córtex
para-hipocampal é ativado pela visão de cenários,
especialmente os mais complexos, como uma rua ou
uma paisagem. Entretanto, a ativação só ocorre com
cenários novos e não com os já conhecidos. Também
não é ativado com a visão de objetos, o que é feito
pelo hipocampo. 
Pacientes com lesão do giro para-hipocampal são
incapazes de memorizar cenários novos, embora
consigam evocar cenários já conhecidos neles e
navegar. Isto mostra que, como ocorre no
hipocampo, a memória destes cenários não é
armazenada no córtex para-hipocampal, mas em
outras áreas muito provavelmente no isocórtex, pois
ela permanece depois dele ser lesado.
CÓRTEX CINGULAR POSTERIOR
 Recebe muitas aferências dos núcleos anteriores do
tálamo que, por sua vez, recebem aferências do
corpo mamilar pelo trato mamilo talâmico,
integrando o circuito de Papez. Lesões no cíngulo
posterior ou dos núcleos anteriores do tálamo
resultam em amnésias. O córtex cingular posterior
está também relacionado com a memória
topográfica. 
 Em resumo as funções dessas estruturas:
Hipocampo: Consolidação da memória e
navegação espacial.
Giro Denteado: Processamento de entrada e
formação de novas memórias.
Córtex Entorrinal: Integração sensorial e
transferência de informações para o
hipocampo.
Córtex Para-hipocampal: Associação de
informações contextuais com memórias.
Córtex Cingulado Posterior: Atenção e controle
da memória.
TIPOS DE MEMÓRIA SEGUNDO A ESTRUTURA
CEREBRAL ENVOLVIDA
Denomina-se amnésia, de forma genérica, a perda
da memória, seja da capacidade de fixar, seja da
capacidade de manter e evocar antigos conteúdos
mnêmicos
Stephane Santiago
QUANTITATIVAS
AMNÉSIA ANTERÓGRADA E RETRÓGRADA 
Em pacientes com mania ou hipomania, as
representações mnêmicas (elementos de memória)
afluem rapidamente, criando uma tempestade de
informações ou imagens que ganham em número,
mas perdem em clareza e precisão. Essa hipermnésia
reflete mais a aceleração geral do ritmo psíquico do
que uma alteração na memória.
Outro tipo de hipermnésia é a hipermnésia para
memória autobiográfica, um fenômeno raro em que
o indivíduo tem uma memória autobiográfica quase
perfeita.
Hipermnésia para Memória Autobiográfica: Um
fenômeno raro onde o indivíduo tem uma
memória autobiográfica quase perfeita.
Hipermnésia Anterógrada (de Fixação):
Exagerada capacidade de armazenar novas
informações, geralmente relacionada a
habilidades específicas.
Hipermnésia Retrógrada (de Evocação):
Excessiva quantidade de recordações em pouco
tempo, frequentemente observada na síndrome
maníaca.
Hipermnésia Lacunar: Relacionada à
rememoração de eventos traumáticos ou
ataques de pânico.
Hipermnésia Seletiva: Memória seletiva de
eventos dolorosos, sucessos pessoais ou fatos
que confirmam delírios.
02.Debater sobre as alterações
patológicas da memória (qualitativas e
quantitativas).
HIPERMNÉSIAS
AMNÉSIAS (OU HIPOMNÉSIAS) 
Em relação às amnésias associadas à memória
episódica autobiográfica, cabe citar a Lei da
regressão mnêmica, de Ribot. Segundo a lei de Ribot
(atualmente denominada temporally graded amnesia)
descreve a perda de memória em indivíduos com
lesão ou doença cerebral. A memória é perdida na
ordem inversa de aquisição:primeiro os elementos
mais recentes, depois os mais antigos; primeiro os
mais complexos, depois os mais simples; primeiro os
mais estranhos, depois os mais familiares.
Em relação aos processos fisiopatológicos, as
amnésias podem ser divididas em dois grandes
grupos: psicogênicas ou dissociativas e orgânicas
Amnésias Dissociativas (Psicogênicas): Perda
seletiva de memórias com valor psicológico
(simbólico, afetivo). O indivíduo esquece uma
fase ou evento específico, mas lembra-se de tudo
ao redor. Normalmente retrógrada, pode seguir
um trauma emocional ou estar relacionada à fuga
dissociativa.
Amnésias Orgânicas: Perda de memória menos
seletiva em relação ao conteúdo
emocional/simbólico. Inicialmente, há perda de
capacidade de memorização de fatos e eventosrecentes, e em estados avançados (como
demência), ocorre perda gradual de conteúdos
antigos.
Na amnésia anterógrada, o indivíduo não consegue
mais fixar elementos mnêmicos a partir do evento
que lhe causou o dano cerebral. Por exemplo, ele
não lembra o que ocorreu nas semanas (ou meses)
seguintes a um trauma craniencefálico. A amnésia
anterógrada é um distúrbio-chave e bastante
frequente na maior parte dos distúrbios
neurocognitivos, transtornos de base orgânica. 
Já na amnésia retrógrada (verificável na amnésia
dissociativa), o indivíduo perde a memória para
fatos ocorridos antes do início do transtorno (ou
trauma). Sua ocorrência, sem amnésia anterógrada,
é observada em quadros dissociativos
(psicogênicos), como a amnésia dissociativa e a
fuga dissociativa. 
OBS: De modo geral, é comum, após trauma craniencefálico, a
ocorrência de amnésias retroanterógradas, ou seja, déficits de fixação
para o que ocorreu dias, semanas ou meses antes e depois do evento
patógeno
As alterações qualitativas da memória envolvem
sobretudo a deformação do processo de evocação de
conteúdos mnêmicos previamente fixados. O
indivíduo apresenta lembrança deformada que não
corresponde à sensopercepção original. Os
principais tipos de paramnésias são: 
Stephane Santiago
QUALITATIVAS
Amnésia (hipomnésia) Generalizada: Afeta todas as
recordações de grande parte do passado, incluindo
meses, anos ou mesmo a vida inteira. É pouco
frequente e pode ocorrer após um traumatismo
cranioencefálico grave, na fase terminal de demência
ou em transtornos dissociativos histéricos, como a
fuga psicogênica.
Amnésia (hipomnésia) lacunar : Falha de memória
que abrange um período específico de tempo, com
limites precisos, durante o qual houve prejuízo na
capacidade de fixação. Todos os eventos anteriores e
posteriores a esse período são normalmente
lembrados. Pode ocorrer após um estado de coma,
delirium, ataque de pânico ou evento psicológico
traumático.
Amnésia (hipomnésia) seletiva: Afeta memórias com
conteúdo e significado afetivo comum. Observada
em quadros dissociativos histéricos, como a amnésia
psicogênica.
Ilusões Mnêmicas: Consistem na adição de
elementos falsos a memórias de fatos reais,
tornando a lembrança fictícia. Podem ocorrer na
esquizofrenia, transtorno delirante e transtornos de
personalidade. A alomnésia é uma ilusão de memória
que distorce involuntariamente as recordações de
eventos reais.
Alucinações Mnêmicas: São criações imaginativas
com aparência de lembranças, mas que não
correspondem a memórias reais. Ocorrem
principalmente na esquizofrenia e em outras psicoses
e podem formar a base para delírios.
Confabulações (Fabulações): Memórias falsas
involuntárias que ocorrem em quadros amnésicos
de origem orgânica, como na demência e no
delirium. As confabulações são plausíveis, mas não
verdadeiras, e a pessoa não tem consciência de sua
falsidade.
Déjà Vu e Jamais Vu: No déjà vu, o indivíduo sente
familiaridade com uma situação nova, como se já a
tivesse vivenciado. No jamais vu, a pessoa não
reconhece uma situação familiar. Esses fenômenos
podem ocorrer na epilepsia do lobo temporal,
esquizofrenia, síndromes de ansiedade e em pessoas
normais.
Criptomnésia: Falha no reconhecimento de
memórias como pretéritas. Recordações voltam à
mente, mas parecem ideias novas, levando a casos
de plágio involuntário.
Ecmnésia: Recordação tão intensa que o indivíduo
se comporta como se estivesse vivendo um evento
passado naquele momento. Pode ocorrer em
estados crepusculares histéricos e epilépticos,
delirium ocupacional, intoxicação por alucinógenos
e demência.
Lembrança Obsessiva: Imagens da memória ou
conteúdos ideativos do passado que surgem
espontaneamente e não podem ser repelidos
voluntariamente. São comuns em indivíduos com
transtornos do espectro obsessivo-compulsivo.
Stephane Santiago
EPIDEMIOLOGIA 
Aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o
mundo vivem com demência, sendo a doença de
Alzheimer (DA) a causa mais comum, contribuindo
para 60 a 70% dos casos. O custo anual de cuidados
com um paciente com DA avançada é superior a 50
mil dólares, além do peso emocional para a família e
cuidadores. A DA pode se manifestar cedo, a partir da
terceira década de vida, mas é mais comum em
idosos, com perda progressiva da memória episódica.
A prevalência da DA ao longo da vida é superior a
11% entre os homens e 21% entre as mulheres. A
maioria dos pacientes apresenta DA de início tardio (a
partir dos 65 anos), enquanto a DA de início precoce é
muito menos comum.
03.Explorar a fisiopatologia, fatores de
risco e as implicações psicossociais da
Doença de Alzheime
CONCEITO: A Doença de Alzheimer (DA) é
um transtorno neurodegenerativo
progressivo e fatal que se manifesta pela
deterioração cognitiva e da memória,
comprometimento progressivo das atividades
de vida diária e uma variedade de sintomas
neuropsiquiátricos e de alterações
comportamentais.
 FISIOPATOLOGIA
A doença de Alzheimer é uma condição que afeta
gradualmente a memória e a função cognitiva de uma
pessoa. Esse problema é causado por um padrão
degenerativo nos neurônios (células nervosas),
resultante de dois principais fatores patológicos:
Placas β-amiloides: Estas são depósitos anormais de
proteínas que se acumulam fora dos neurônios,
interrompendo a comunicação entre as células
nervosas.
Proteína Tau hiperfosforilada: Dentro dos neurônios, a
proteína tau, quando alterada (hiperfosforilada), forma
emaranhados que atrapalham o funcionamento
normal das células.
Esses dois fatores levam a várias alterações no
cérebro:
Estresse oxidativo: Um desequilíbrio entre a
produção de radicais livres e a capacidade do
corpo de desintoxicá-los, resultando em danos às
células.
Reatividade glial: Ativação das células gliais, que
estão envolvidas na resposta inflamatória do
cérebro e na morte dos neurônios.
Inflamação neuronal: Processo inflamatório que
afeta os neurônios, prejudicando sua função e
sobrevivência.
Redução dos níveis de acetilcolina: Devido à perda
de neurônios colinérgicos (neurônios que utilizam
acetilcolina como neurotransmissor), há uma
diminuição desse importante neurotransmissor,
essencial para a memória e o aprendizado.
A hiperfosforilação da proteína tau induz mudanças
em sua forma que levam à sua agregação (formação
de emaranhados). Esses emaranhados são tóxicos para
as células e estão associados à perda da atividade
biológica necessária para manter a estabilidade e
coesão dos microtúbulos (estruturas que ajudam na
forma e função dos neurônios).
Stephane Santiago
FATORES DE RISCO
O envelhecimento, o sexo feminino e o alelo APOE4 são
fatores de risco não modificáveis bem estabelecidos. Os
fatores de risco potencialmente evitáveis ou reversíveis
incluem: 
● Os mesmos fatores que aumentam o risco de doença
cardiovascular (p. ex., hipertensão, síndrome metabólica
e hiperglicemia). 
● História de lesão cerebral traumática. 
● Transtornos do sono. 
● Alguns medicamentos com atividade anticolinérgica
(p. ex., antidepressivos, antipsicóticos e fármacos
antiparkinsonianos). 
● Baixo nível de atividade tanto física quanto cognitiva
ao longo da vida. 
O alelo APOE4 é uma variante do gene APOE que
aumenta o risco de desenvolver a doença de
Alzheimer (DA). É o fator genético mais estudado
para a DA de início tardio
IMPLICAÇÕES PSICOSSOCIAIS DA DOENÇA DE
ALZHEIMER De acordo ao artigo : O impacto da doença de
Alzheimer nas relações intergeracionais
As implicações psicossociais da doença de Alzheimer são
significativas, especialmente para os cuidadores familiares.
A doença afeta não apenas o paciente, mas também a
dinâmica familiar, causando estresse físico e emocional.
Os cuidadores frequentemente enfrentam uma sobrecarga
de responsabilidades, o que pode levar a problemas de
saúde mental e física. A necessidade de suporte para
atividades diárias básicas, como alimentação e higiene,
aumenta a dependência do paciente e a carga sobre os
cuidadores. Além disso, a perda de autonomia e memória
do paciente pode gerar sentimentos de frustração e
tristeza tantopara o paciente quanto para os cuidadores.
 04.Compreender as bases farmacológicas
utilizadas na Doença de Alzheimer
Em resumo, a doença de Alzheimer é marcada
pelo acúmulo de placas β-amiloides e
emaranhados de proteína tau hiperfosforilada,
que juntos causam estresse oxidativo,
inflamação, morte de neurônios e redução dos
níveis de acetilcolina, levando ao
comprometimento gradual da memória e da
função cognitiva.
Não existe cura para a doença de Alzheimer (DA).
Os medicamentos disponíveis não revertem os
sintomas existentes e, na melhor das hipóteses,
apenas retardam ligeiramente o declínio do
paciente. Uma estratégia para abordar a DA é a
prevenção, controlando fatores de risco e
promovendo fatores de proteção durante a fase de
comprometimento cognitivo leve. Algumas medidas
podem reduzir a velocidade de progressão da
doença, como controlar o risco vascular e praticar
atividade física regular. Estudos mostram que a
atividade física regular (no mínimo 3 vezes por
semana, durante 30 a 40 minutos, com esforço
equivalente a uma caminhada rápida) pode ajudar a
estabilizar parcialmente a doença.
Tratamento: Os tratamentos farmacológicos
disponíveis para a doença de Alzheimer visam
retardar a progressão dos sintomas e melhorar a
qualidade de vida dos pacientes. Os principais
medicamentos utilizados incluem:
Inibidores da Acetilcolinesterase: Como
donepezila, rivastigmina e galantamina,
aumentam os níveis de acetilcolina no cérebro,
melhorando a comunicação entre os neurônios
e aliviando os sintomas cognitivos.
Antagonistas do Receptor NMDA: Como a
memantina, ajudam a regular o glutamato, um
neurotransmissor associado à aprendizagem e
memória, prevenindo a excitotoxicidade e
protegendo os neurônios de danos adicionais.
Mecanismo de Ação: Os medicamentos agem de
diferentes maneiras para combater os efeitos da
doença de Alzheimer:
Inibidores da Acetilcolinesterase: Bloqueiam a
enzima acetilcolinesterase, responsável pela
degradação da acetilcolina, aumentando assim
os níveis desse neurotransmissor crucial para a
memória e aprendizado.
Antagonistas do Receptor NMDA: Regulam a
atividade do glutamato, prevenindo a
excitotoxicidade que pode levar à morte neuronal.
A memantina se liga aos receptores NMDA,
impedindo a ação excessiva do glutamato.
Esses tratamentos não curam a doença de Alzheimer,
mas podem retardar a progressão dos sintomas e
melhorar a função cognitiva e a qualidade de vida dos
pacientes.
Stephane Santiago
05.Discutir estratégias de prevenção e promoção de
saúde para o envelhecimento cognitivo saudável
Uso Terapêutico da Cannabis na Doença de
Alzheimer: Uma Revisão Integrativa 2022
Os sistemas de apoio social são fundamentais tanto
para os pacientes com doença de Alzheimer quanto
para os cuidadores. Medicamentos como antipsicóticos
(frequentemente quetiapina) e antidepressivos (ISRSs e
IRSNs) ajudam a manejar os sintomas comportamentais.
Terapias complementares ou alternativas, como o
ginkgo biloba, não demonstraram benefícios
significativos. É importante lembrar que a carga
emocional e física para os cuidadores pode ser imensa,
sendo essencial o aconselhamento e o apoio para eles
também.
 TERAPIAS DE SUPORTE
A cannabis pode ser utilizada no tratamento da
doença de Alzheimer devido às suas
propriedades terapêuticas promissoras. O
canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC),
compostos derivados da cannabis, possuem
efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores.
Esses compostos ajudam a regular
neurotransmissores, reduzir a formação e
deposição de placas β-amilóide e diminuir a
toxicidade e morte neuronal. Além disso, a
cannabis apresenta poucos efeitos colaterais,
tornando-se uma alternativa viável para
melhorar a qualidade de vida dos pacientes com
Alzheimer.
Para promover um envelhecimento cognitivo saudável, é
essencial adotar estratégias de prevenção e promoção de
saúde que envolvam diversos aspectos da vida. 
Atividade Física Regular: Exercícios como caminhadas,
natação, dança ou yoga melhoram a saúde cerebral e a
função cognitiva, aumentando a circulação sanguínea e
promovendo a neuroplasticidade.
Alimentação Saudável: Uma dieta equilibrada, rica em
frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e
gorduras saudáveis, é fundamental para a saúde do
cérebro. Alimentos ricos em antioxidantes ajudam a
combater o estresse oxidativo e a inflamação.
Estimulação Cognitiva: Manter o cérebro ativo com
atividades como leitura, jogos de tabuleiro, quebra-cabeças,
aprender um novo idioma ou tocar um instrumento musical,
ajuda a preservar a função cognitiva.
Socialização: Manter conexões sociais e participar de
atividades comunitárias reduz o risco de declínio cognitivo,
estimulando o cérebro e combatendo a solidão e a
depressão.
Controle de Fatores de Risco: Gerenciar condições de
saúde como hipertensão, diabetes e colesterol alto é crucial
para prevenir o declínio cognitivo, sendo importante
realizar consultas regulares e usar medicamentos
adequados.
Sono de Qualidade: Um bom sono é essencial para a saúde
cerebral, ajudando na consolidação da memória e na
remoção de toxinas do cérebro. Estabelecer uma rotina de
sono e criar um ambiente propício melhora a qualidade do
sono.
Redução do Estresse: Técnicas de relaxamento como
meditação, mindfulness e respiração profunda ajudam a
reduzir o estresse e a ansiedade, que são prejudiciais à
saúde cognitiva.
Prevenção de Quedas: Medidas como manter a casa bem
iluminada, usar calçados adequados e remover obstáculos
são importantes para evitar lesões que possam afetar a
saúde cerebral.
Stephane Santiago
Uso Terapêutico da Cannabis na Doença de
Alzheimer: Uma Revisão Integrativa 2022
A cannabis pode ajudar no tratamento da doença de Alzheimer com base na fisiopatologia da doença de
várias maneiras:
1. **Redução do Estresse Oxidativo:** A cannabis possui propriedades antioxidantes que ajudam a reduzir o
estresse oxidativo no cérebro. O estresse oxidativo é um dos fatores que contribuem para a
neurodegeneração na doença de Alzheimer.
2. **Efeitos Anti-inflamatórios:** Os compostos da cannabis, como o canabidiol (CBD) e o
tetrahidrocanabinol (THC), têm propriedades anti-inflamatórias. A inflamação crônica no cérebro é um
componente significativo da doença de Alzheimer, e a redução da inflamação pode ajudar a proteger os
neurônios.
3. **Neuroproteção:** A cannabis tem propriedades neuroprotetoras que ajudam a proteger os neurônios
contra danos e morte celular. Isso é crucial na doença de Alzheimer, onde a perda neuronal é um dos
principais fatores que levam ao declínio cognitivo.
4. **Regulação de Neurotransmissores:** A cannabis pode ajudar a regular neurotransmissores, como a
acetilcolina, que é crucial para a memória e o aprendizado. A diminuição dos níveis de acetilcolina é
observada na doença de Alzheimer, e a regulação desses neurotransmissores pode melhorar a função
cognitiva.
5. **Redução da Formação de Placas Amiloides:** A cannabis pode ajudar a reduzir a formação e deposição
de placas β-amilóide no cérebro. Essas placas são uma característica da doença de Alzheimer e interferem na
comunicação entre os neurônios.
Esses mecanismos mostram como a cannabis pode ser uma alternativa terapêutica promissora para melhorar
a qualidade de vida dos pacientes com Alzheimer, abordando vários aspectos da fisiopatologia da doença.