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FACULDADE SÃO FRANCISCO DA PARAIBA – FASP R. Dona Geralda Baptista, 393 - Distrito Industrial, Cajazeiras - PB, 58900-000 CURSO DE BACHARELADO EM NUTRIÇÃO DANIELLE SOUZA ALVES RESSECÇÕES CIRUGICAS RESSECÇÕES CIRUGICAS DO TRATOGASTRO INTESTINAL fundoplicatura de Nissen: Cirurgia antirrefluxo, realizado com uma técnica aberta ou laparoscópica, o fundo, ou a porção superior do estômago, envolve 360 graus a parte inferior do esôfago e é suturado no lugar para limitar o refluxo. O tratamento cirúrgico é uma alternativa para pessoas que lograram êxito com o tratamento clínico, aquelas que optam pela cirurgia apesar de um tratamento clínico bem sucedido (p. ex., por questões de qualidade de vida, necessidade de uso vitalício de medicamentos, despesa com medicamentos), aquelas que sofrem as complicações da DRGE (esôfago de Barrett, estenose péptica) e aquelas que apresentam manifestações extraesofágicas (asma, rouquidão, tosse, dor no peito, aspiração). Dietoterapia: As recomendações iniciais devem concentrar-se no tamanho e no conteúdo das refeições. O consumo de refeições pequenas, e não grandes, reduz a probabilidade de refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago. Evitar alimentos que desencadeiam o refluxo como:em frutas e sucos cítricos, tomate, abacaxi, álcool, cafeína, chocolate, bebidas carbonatadas, menta ou hortelã, alimentos gordurosos ou fritos, alimentos condimentados, vinagre ou alimentos que contenham vinagre. Evitar alimentos secos e difíceis de passar pelo esôfago, como pão, bife, legumes crus, peito de frango seco, frutas cruas, pasta de amendoim, outras carnes secas ou quaisquer alimentos com casca, sementes ou amêndoas. O cigarro deve ser suspenso por estar associado à redução da pressão do esfíncter esofagiano inferior e à salivação reduzida, causando depuração prolongada do ácido esofágico. Evitar consumo de cafeína e bebidas alcoólicas. Esofagectomia: câncer de esôfago ou o esôfago de Barrett com alto grau de displasia. Na maioria das vezes, o paciente submetido à esofagectomia apresenta condições como disfagia, redução do apetite, efeitos colaterais da quimioterapia e perda de massa corporal. A esofagectomia requer a colocação de outro canal para o transporte do alimento da orofaringe para o restante do sistema GI para fins de digestão e absorção. Dietoterapia na fase pré-operatória: A dificuldade de deglutição (disfagia) é o problema mais comum identificado em pacientes que aguardam uma esofagectomia. As mudanças alimentares podem variar de alimentos regulares devidamente mastigados e ingeridos lentamente a alimentos moles ou a alimentos pastosos ou batidos no liquidificador (Cap. 13). Os pacientes podem beneficiar-se também de suplementos nutricionais orais densamente calóricos para maximizar a ingestão de energia e proteína. Pós-operatório: A transição para a ingestão oral após a cirurgia progride de líquidos transparentes para uma dieta à base de alimentos sólidos úmidos. Aconselha-se o paciente a comer pouco e com frequência e a limitar o consumo de líquidos nas refeições. Gastrectomia total: retirada total do estômago; Gastrectomia parcial: retirada parcial do estômago; derivação em Y de Roux, o jejuno é puxado para cima e anastomosado ao esôfago. Conecta-se, então, o duodeno ao intestino delgado para que as secreções biliares e pancreáticas possam fluir para o intestino. A Billroth I (gastroduodenostomia) consiste na remoção do piloro e/ou do antro, e em uma anastomose da extremidade proximal do duodeno à extremidade distal da parte restante do estômago. A Billroth II (gastrojejunostomia) envolve a remoção do antro do estômago e uma anastomose da parte restante do estômago à lateral do jejuno, criando uma alça cega formada pelo duodeno Dietoterapia: A ingestão oral de líquidos e alimentos tem início tão logo a função do sistema GI retorne (geralmente em 24 a 72 horas após a cirurgia). Normalmente, inicia-se ingestão frequente de gelo ou água em pequenas quantidades, seguida por líquidos e alimentos sólidos facilmente digeridos; depois, então, o paciente pode progredir para uma dieta regular. Pacientes submetidos a determinadas cirurgias gástricas, como Billroth II, apresentam uma falta de correspondência entre o tempo de entrada do alimento no intestino delgado e a liberação e interação com as enzimas biliares e pancreáticas, contribuindo para o comprometimento da digestão e da absorção. Pode ocorrer deficiência de vitaminas e minerais como vitamina b12 e ferro. A deficiência de ferro pode ser atribuída à perda de secreção ácida, uma vez que o suco gástrico normalmente facilita a redução dos compostos de ferro, permitindo sua absorção. O supercrescimento bacteriano na porção proximal do intestino delgado ou na alça aferente contribui para a depleção de vitamina B 12 porque as bactérias disputam o uso da vitamina com o hospedeiro. Ressecção duodenal: são raras é o local preferido das absorções dos principais nutrientes, como ferro, zinco, cálcio e ácido fólico. É a porta de entrada para enzimas pancreáticas e enzimas biliares. Ressecção do jejuno: Como as ressecções jejunais resultam em redução da superfície e trânsito intestinal mais rápido, a reserva funcional para absorção de micronutrientes, de quantidades excessivas de açúcares (especialmente lactose) e de lipídeos fica reduzida. Depois de ressecções jejunais, o íleo tipicamente se adapta para realizar as funções do jejuno. A motilidade do íleo é comparativamente lenta, e os hormônios secretados no íleo e cólon ajudam a tornar mais lento o esvaziamento gástrico e as secreções. Ressecção do íleo: Resseções significativas do íleo, sobretudo o íleo distal, produzem grandes complicações nutricionais e clínicas. O íleo distal é o único local para absorção de sais biliares e do complexo vitamina B12-fator intrínseco. Além disso, o íleo absorve uma porção importante dos 7 a 10 L de líquido ingeridos e secretados no sistema GI diariamente. Ressecção do cólon: A preservação do cólon é fundamental para manter o estado de hidratação. No entanto, se o paciente tiver alguma parte do cólon retirada, a má absorção de sais biliares pode atuar como irritante da mucosa, aumentando a motilidade colônica, com perdas hidroeletrolíticas. Dietoterapia: A maioria dos pacientes que têm ressecções intestinais significativas precisa de NP (nutrição parenteral) inicialmente para restaurar e manter o estado nutricional. A duração da NP e subsequente terapia nutricional serão baseadas na extensão da ressecção intestinal, na saúde do paciente e na condição do sistema GI restante. Ostomias intestinais: Uma ostomia intestinal é uma abertura cirurgicamente criada entre o sistema intestinal e a pele, sendo especificamente nomeada de acordo com o local de origem ao longo do sistema intestinal. Colostomias e ileostomia podem ser categorizadas como ostomias em alça ou terminais. Uma ostomia em alça é formada quando uma alça intestinal é trazida até a pele e se faz uma incisão em um lado. A extremidade distal é suturada à pele, enquanto o lado proximal da alça é evertido de volta em si mesmo. O resultado é um estoma com duas aberturas: a alça proximal (funcional), da qual o efluente ou as fezes são descarregadas, e a alça distal, que pode conectar-se ao ânus e secretar muco. Uma ostomia em alça é usada mais frequentemente quando é temporária. As ostomias terminais são criadas quando o intestino é cortado, e a extremidade é trazida através da pele para criar o estoma. As ostomias terminais e em alça são potencialmente reversíveis. O débito de uma ileostomia é denominado efluente, enquanto o débito de uma colostomia é de fezes. Colostomia: Uma colostomia é cirurgicamente criada a partir do cólon, indo até a pele, quando uma porção do intestino grosso é removida ou derivada. Pode originar-se em qualquer parte do cólon: ascendente, transverso, descendente ou sigmoide. Tipicamente começa a funcionar dois a cinco dias depois da cirurgia, e a quantidade e o tipo de débito variam um pouco, dependendo da quantidade de cólon restante.Ileostomia: é uma abertura criada cirurgicamente a partir do intestino delgado distal (mais frequentemente do íleo terminal) até a pele quando o cólon inteiro, o reto e o ânus são removidos ou derivados Tratamento: O tratamento de um paciente com ostomia nova envolve a manutenção do estado nutricional e de hidratação, cuidado meticuloso com a pele e contenção adequada da corrente fecal utilizando um sistema de bolsa no hospital e em casa, quando o paciente é transferido. Uma ostomia mal construída pode causar escoriações da pele e dificuldade de aplicação da bolsa e, além disso, afetar significativamente a qualidade de vida (QV) do paciente. Dietoterapia: As recomendações tradicionais para alimentação pós-operatória dos pacientes com uma colostomia ou ileostomia são manter a alimentação até que o intestino tenha começado a “funcionar” ou eliminar fezes ou efluente. Há uma preocupação com a ileostomia visto que tem um potencial para bloqueio ou obstrução intestinal no local do estoma por estreitamento da luz intestinal no ponto em que o íleo atravessa a parede abdominal. Os pacientes são orientados a mastigar muito bem seus alimentos para reduzir a chance de bloqueio. Os pacientes de ileostomia com volumes mais altos de efluente aquoso são incentivados a incorporar alimentos mais espessos para ajudar a espessar o débito no estoma. O paciente deve experimentar, já que o débito espessado pode, por vezes, ser desejável, mas pode causar desconforto se for espessado demais. A manutenção de um estado hidroeletrolítico adequado é questão importante relacionada com a nutrição ao tratar um paciente com colostomia ou ileostomia. Os pacientes com uma ileostomia precisam reconhecer os sintomas de desidratação e compreender a importância de manter uma ingestão adequada de líquidos durante o dia todo. Além disso, os pacientes podem ter de aumentar a ingestão de sal, potássio e magnésio em decorrência das perdas no débito da ileostomia. O débito da ostomia pode ser agudo ou cronicamente elevado, e isso é muito mais comum com uma ileostomia Proctocolesctomia com anastomose illeoanal com bolsa illeal: proctocolectomia restauradora com anastomose ileoanal com bolsa ileal (IPAA) evoluiu como tratamento cirúrgico de escolha para pacientes com colite ulcerativa clinicamente refratária e polipose adenomatosa familiar. Cerca de 30% dos pacientes com colite ulcerativa finalmente precisam de colectomia, e a maioria desses pacientes escolhe uma IPAA. Esse procedimento envolve remoção completa do cólon e do reto (proctocolectomia), ao mesmo tempo preservando o esfíncter anal, o que é seguido pela criação de um reservatório usando uma parte do íleo distal (bolsa ileal). Essa bolsa é então reconectada (anastomose bolsa-anal) ao canal anal preservado, mantendo a continência e a função voluntária. Isso representa uma cura para os processos patológicos, evitando uma ileostomia permanente. A bolsa mais comum é a bolsa ileal em J, que usa duas alças do intestino preferida pela eficiência da construção e resultados funcionais ótimos. As complicações agudas e crônicas podem necessitar da remoção da bolsa ileal e construção final de uma ileostomia permanente. Pouchite é uma inflamação inespecífica do tecido da mucosa que forma a bolsa ileal e é a complicação de longo prazo mais frequente da IPAA em pacientes com RCU. Os sintomas habituais de apresentação incluem aumento da frequência das evacuações, urgência, incontinência, escape noturno, cólicas abdominais e desconforto pélvico. A endoscopia da bolsa é a principal modalidade de diagnóstico e diagnóstico diferencial em pacientes com disfunção da bolsa. Antibioticoterapia é a base do tratamento para pouchite ativa. Alguns pacientes podem desenvolver dependência de antibióticos, necessitando de terapia de manutenção em longo prazo. Dietoterapia Na maioria das vezes, pacientes submetidos a um procedimento de IPAA necessitam de injeções suplementares de vitamina B12. A causa da deficiência de vitamina B 12 pode ser multifatorial: (1) ocorre redução da capacidade absortiva em função da ressecção do íleo distal (principal local de absorção da vitamina B12); (2) o supercrescimento bacteriano é um fenômeno bem conhecido em pacientes com bolsa ileal, e as bactérias anaeróbicas podem se ligar à vitamina B12 em suas formas livre e intrínseca, levando a uma diminuição da concentração disponível para absorção; e (3) pode haver ingestão insuficiente de vitamina B 12. A anemia apresentada pelos pacientes depois de IPAA também pode ser causada por deficiência de ferro em razão do comprometimento da absorção, diminuição da ingestão oral, aumento da demanda e perda de sangue. Os pacientes com uma bolsa costumam descrever hipersensibilidades alimentares específicas que podem exigir alteração da dieta, mais ainda do que os pacientes com ileostomia permanente. Os problemas comumente relatados incluem sintomas obstrutivos e aumento do débito de fezes, da frequência e dos gases. A incidência de obstrução pode ser evitada limitando-se as fibras insolúveis, com mastigação cuidadosa e pelo consumo frequente de pequenas refeições durante o dia todo. Os pacientes podem tentar experimentar um agendamento das refeições, colocando refeições maiores mais cedo no dia e limitando a ingestão de alimentos e líquidos mais para o final do dia, a fim de minimizar as interrupções do sono. As mesmas medidas dietéticas utilizadas para reduzir o débito excessivo de fezes (redução da cafeína, evitar lactose se o paciente for deficiente em lactase, limitação dos alimentos ricos em açúcares simples, frutose e sorbitol) provavelmente reduzirão o volume das fezes e sua frequência em pacientes com IPAA. REFERENCIAS KRAUSE alimentos, nutrição e dietoterapia CAJAZEIRAS-PB 2025 image4.jpeg image5.jpeg image6.png image7.jpeg image1.jpeg image2.gif image3.png image8.png image9.png