Prévia do material em texto
CONTABILIDADE GERAL 15 Considerar-se abusivo o voto exercido com o fim de causar dano à companhia ou a outros acionistas, ou de obter, para si ou para outrem, vantagem a que não faz jus e de que resulte, ou pos- sa resultar, prejuízo para a companhia ou para outros acionistas. O acionista responderá pelos danos causados pelo exercício abusivo do direito de voto, ainda que seu voto não haja prevalecido (art. 115, caput e §3º, da Lei nº 6.404/1976). O acionista não poderá votar nas deliberações da assembleia geral relativas ao laudo de avaliação de bens com que concorrer para a formação do capital social e à aprovação de suas contas como administrador, nem em quaisquer outras que puderem be- neficiá-lo de modo particular, ou em que tiver interesse conflitante com o da companhia (art. 115, §1º, da Lei nº 6.404/1976). Por fim, a deliberação tomada em decorrência do voto de acio- nista que tem interesse conflitante com o da companhia é anulá- vel, e o acionista responderá pelos danos causados, além de ser obrigado a transferir para a companhia as vantagens que tiver aufe- rido (art. 115, §4º, da Lei nº 6.404/1976). 1.6.5. Acionista controlador O acionista controlador, conforme disposto no artigo 116 da Lei nº 6.404/1976 é aquele, pessoa física, jurídica ou grupo de pes- soas vinculadas por acordo de voto, que gerencia a companhia por deter: I – Percentual de capital votante que confira maioria na assem- bleia e possibilidade de eleição da maioria dos administradores da companhia (requisito objetivo). II – Uso efetivo do percentual do capital votante para comandar a gestão dos negócios sociais (requisito subjetivo). O acionista controlador deve usar seu poder com o fim de fa- zer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social. Ele tem deveres e responsabilidades para com os demais acionis- tas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender (art. 116, parágrafo único, da Lei nº 6.404/1976). O acionista controlador da companhia aberta e os acionistas, ou grupo de acionistas, que elegerem membro do conselho de ad- ministração ou membro do conselho fiscal, deverão informar ime- diatamente as modificações em sua posição acionária na compa- nhia à CVM e às Bolsas de Valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação, nas condições e na for- ma determinadas pela CVM (art. 116-A da Lei nº 6.404/1976). Haverá, ainda, responsabilização do controlador que usar seu poder de forma abusiva.Conforme disposto no artigo 117, §1º, da Lei nº 6.404/1976, são atos praticados com abuso de poder: I – Orientar a companhia para fim estranho ao objeto social ou lesivo ao interesse nacional, ou levá-la a favorecer outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo da companhia, ou da econo- mia nacional; II – Promover a liquidação de companhia próspera, ou a trans- formação, incorporação, fusão ou cisão da companhia, com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem indevida, em prejuízo dos demais acionistas, dos que trabalham na empresa ou dos inves- tidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; III – promover alteração estatutária, emissão de valores mo- biliários ou adoção de políticas ou decisões que não tenham por fim o interesse da companhia e visem a causar prejuízo a acionistas minoritários, aos que trabalham na empresa ou aos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; IV – Eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou tecnicamente; V – Induzir, ou tentar induzir, administrador ou fiscal a praticar ato ilegal, ou, descumprindo seus deveres definidos nesta Lei e no estatuto, promover, contra o interesse da companhia, sua ratifica- ção pela assembleia geral; VI – Contratar com a companhia, diretamente ou através de outrem, ou de sociedade na qual tenha interesse, em condições de favorecimento ou não equitativas; VII – aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de adminis- tradores, por favorecimento pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que justifique fundada suspeita de irregularidade; VIII – subscrever ações, para os fins do disposto no art. 170, com a realização em bens estranhos ao objeto social da companhia. Na hipótese do item V, o administrador ou fiscal que praticar o ato ilegal responde solidariamente com o acionista controlador (art. 117, §2º, da Lei nº 6.404/1976). ATENÇÃO O acionista controlador que exerce cargo de administrador ou fiscal também terá os deveres e responsabilidades próprios do car- go (art. 117, §3º, da Lei nº 6.404/1976). Por derradeiro, cabe ressaltar que as ações que dão poder de controle costumam ser negociadas por valor bem superior em re- lação às ordinárias emitidas pela mesma sociedade. A diferença é chamada de “prêmio de controle”. 1.6.5.1. Espécies de poder de controle O poder de controle pode ser dividido em quatro modalidades: Controle totalitário: todos os acionistas possuem direito de voto. Todos podem exercer o controle da sociedade. Controle majoritário: controle exercido por aquele que detém a maioria das ações com direito a voto. Controle minoritário: controle assumido por quem detém me- nos da metade das ações com direito a voto, diante da pulverização do capital social. Com bem observado pelo Prof. André Ramos, o poder de con- trole assumido por acionista minoritário “é possível, sobretudo, em razão do quórum de instalação da assembleia geral previsto no art. 125 da Lei nº 6.404/1976, que permite a instalação da assembleia, em segunda convocação, com a presença de qualquer número de acionistas com direito de voto”. Controle gerencial: trata-se de modalidade de poder de con- trole presente nas grandes companhias de capital aberto, em que o universo de acionistas é enorme, havendo extrema dispersão das ações, onde o poder de controle fica nas mãos dos administrado- res, assumindo os acionistas a posição de meros investidores. 1.6.5.2. Alienação de controle Como forma de garantir aos sócios minoritários o direito de deixar a sociedade, caso o controle social seja adquirido por uma pessoa que antes não fazia parte da companhia, o lei estabeleceu um mecanismo que garante o direito aos acionistas em ter suas ações com direito de voto recompradas pelo preço de no mínimo 80% do valor pago pelas ações, caso queiram vender. Esse importante instrumento de proteção é denominado de tag along, também conhecido como direito de venda conjunta ou cláusula de saída conjunta. É o que diz o artigo 254-A da Lei nº 6.404/1976: “a alienação, direta ou indireta, do controle de companhia aberta somente po- derá ser contratada sob a condição, suspensiva ou resolutiva, de que o adquirente se obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no mínimo igual a 80% do valor pago por ação com direito a voto, integrante do bloco de controle”. CONTABILIDADE GERAL 16 Os titulares de ações preferenciais sem direito a voto só têm direito de saída conjunta se previsto como vantagem estatutária. Entende-se como alienação de controle a transferência, de forma direta ou indireta, de ações integrantes do bloco de controle, de ações vinculadas a acordos de acionistas e de valores mobiliá- rios conversíveis em ações com direito a voto, cessão de direitos de subscrição de ações e de outros títulos ou direitos relativos a valores mobiliários conversíveis em ações que venham a resultar na alienação de controle acionário da sociedade (art. 254-A, §1º, da Lei nº 6.404/1976). A CVM autorizará a alienação do poder de controle da com- panhia, desde que verificado que as condições da oferta pública de aquisição (OPA) atendem aos requisitos legais. Compete à CVMestabelecer normas a serem observadas (art. 254-A, §§ 2º e 3º, da Lei nº 6.404/1976). O adquirente do controle acionário de companhia aberta po- derá oferecer aos acionistas minoritários a opção de permanecer na companhia, mediante o pagamento de um prêmio equivalen- te à diferença entre o valor de mercado das ações e o valor pago por ação integrante do bloco de controle (art. 254-A, §4º, da Lei nº 6.404/1976). 1.6.5.3. Oferta Pública de Aquisição (OPA) A oferta pública para aquisição de ação (OPA) visando o con- trole de companhia aberta também é conhecido como take over. Take over, portanto, é uma técnica de aquisição do controle de uma companhia. Há a oferta, por um “agressor”, das ações de uma determinada companhia (alvo), com o objetivo de obter o controle dela. É uma alternativa às aquisições convencionais, permitindo ao ofertante adquirir o poder de controle sem a necessidade de prévia negociação com controladores diluídos da companhia. Uma OPA pode ser amigável ou hostil. Diz-se amigável quando ela é precedida de negociação com o Conselho de Administração de companhia a ser adquirida e o con- selho considera a proposta vantajosa, recomendando aos acionistas que a aceitem. Por outro lado, é hostil (hostile takeover) a OPA que é feita sem prévia negociação ou quando a sociedade promotora da oferta decide prosseguir com a oferta mesmo após a rejeição inicial do Conselho de Administração. A oferta pública para aquisição de controle de companhia aber- ta somente poderá ser feita com a participação de instituição finan- ceira que garanta o cumprimento das obrigações assumidas pelo ofertante (art. 257 da Lei nº 6.404/1976). A OPA deverá ter por objeto ações com direito a voto em nú- mero suficiente para assegurar o controle da companhia e será ir- revogável (art. 257, §2º, da Lei nº 6.404/1976). Caso o ofertante já seja titular de ações votantes do capital da companhia, a oferta poderá ter por objeto o número de ações ne- cessário para completar o controle, mas o ofertante deverá fazer prova, perante a CVM, das ações de sua propriedade (art. 257, §3º, da Lei nº 6.404/1976). A CVM poderá expedir normas sobre oferta pública de aqui- sição de controle. Se a oferta contiver permuta, total ou parcial, dos valores mobiliários, somente poderá ser efetuada após prévio registro na CVM (art. 257, §§ 1º e 4º, da Lei nº 6.404/1976). De acordo com o artigo 258 da Lei nº 6.404/1976, o instrumen- to de oferta de compra, firmado pelo ofertante e pela instituição financeira que garante o pagamento, será publicado na imprensa e deverá indicar: I – O número mínimo de ações que o ofertante se propõe a adquirir e, se for o caso, o número máximo; II – O preço e as condições de pagamento; III – A subordinação da oferta ao número mínimo de aceitantes e a forma de rateio entre os aceitantes, se o número deles ultrapas- sar o máximo fixado; IV – O procedimento que deverá ser adotado pelos acionistas aceitantes para manifestar a sua aceitação e efetivar a transferência das ações; V – O prazo de validade da oferta, que não poderá ser inferior a 20 (vinte) dias; VI – Informações sobre o ofertante. Parágrafo único. A oferta será comunicada à Comissão de Valores Mobiliários dentro de 24 horas da primeira publicação. E até a publicação da oferta, o ofertante, a instituição financei- ra intermediária e a CVM devem manter sigilo sobre a oferta pro- jetada, respondendo o infrator pelos danos que causar (art. 260 da Lei nº 6.404/1976). É possível a existência de ofertas públicas concomitantemen- te? Sim, a existência de oferta pública em curso não impede outra oferta concorrente. A publicação de oferta concorrente torna nulas as ordens de venda que já tenham sido firmadas em aceitação de oferta ante- rior, sendo facultado ao primeiro ofertante prorrogar o prazo de sua oferta até fazê-lo coincidir com o da oferta concorrente (art. 262 da Lei nº 6.404/1976). 1.7. Demais valores mobiliários Além das ações, principal valor mobiliário emitido por uma S/A, as sociedades anônimas também podem emitir debêntures, partes beneficiárias, bônus de subscrição, Commercial papers. Debêntures: espécie de valor mobiliário emitido pelas socie- dades anônimas que representam empréstimos contraídos por ela, conferindo aos debenturistas um direito de crédito (título executivo extrajudicial), nos termos do que dispuser a sua escritura de emis- são ou o seu certificado. As debentures não conferem aos adqui- rentes o direito de ser acionista, apesar de poder ser convertida em ações. A companhia poderá emitir debêntures que conferirão aos seus titulares direito de crédito contra ela, nas condições constan- tes da escritura de emissão e, se houver, do certificado (art. 52 da Lei nº 6.404/1976). A debênture terá valor nominal expresso em moeda nacional, salvo nos casos de obrigação que, nos termos da legislação em vi- gor, possa ter o pagamento estipulado em moeda estrangeira, além de poder conter cláusula de correção monetária, com base nos coe- ficientes fixados para correção de títulos da dívida pública, na varia- ção da taxa cambial ou em outros referenciais não expressamente vedados em lei (art. 54 da Lei nº 6.404/1976). Partes beneficiárias: títulos negociáveis, sem valor nominal, e estranhos ao capital social, que conferem direito de crédito even- tual contra a sociedade, provenientes da participação nos lucros, caso haja, a depender do resultado da S/A. Podem ser emitidos pela companhia a qualquer tempo (art. 46, caput e §1º, da Lei nº 6.404/1976). Para que não haja um excessivo endividamento da companhia com prejuízo aos acionistas em receber seus dividendos ao final do exercício social, a lei impõe um limite de comprometimento em um décimo (10%) dos lucros para a participação atribuída às partes beneficiárias, inclusive para formação de reserva para resgate, se houver (art. 46, §2º, da Lei nº 6.404/1976). É vedado conferir às partes beneficiárias qualquer direito pri- vativo de acionista, salvo o de fiscalizar, nos termos desta Lei, os atos dos administradores, como também é proibido a criação de mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art. 46, §§ 3º e 4º, da Lei nº 6.404/1976). CONTABILIDADE GERAL 17 Também é vedado às companhias abertas emitir partes benefi- ciárias (art. 47, parágrafo único, da Lei nº 6.404/1976). Além de ser mais um mecanismo de captação de recursos junto a investidores, como os demais valores mobiliários, as partes be- neficiárias poderão ser alienadas pela companhia como remune- ração de serviços prestados à companhia (art. 47, caput, da Lei nº 6.404/1976). Assim como ocorre nas debentures, também é possível a con- versão das partes beneficiárias em ações, mediante capitalização de reserva criada para esse fim, basta que haja previsão estatutária para tanto (art. 48, §2º, da Lei nº 6.404/1976). Bônus de subscrição: títulos negociáveis emitidos pela com- panhia, dentro do limite de aumento de capital autorizado no es- tatuto, que conferem ao seu titular, nas condições constantes do certificado, o direito de preferência para subscrever novas ações da companhia emissora, em um futuro aumento de capital (art. 75 da Lei nº 6.404/1976). Commercial papers: consistem em promessa de pagamento (uma espécie de nota promissória) com o objetivo de conseguir re- cursos de curto prazo, emitida pela sociedade anônima geralmente com problemas momentâneos de liquidez, permitindo o aumento do seu capital de giro. É uma alternativa ao empréstimo bancário. Sua finalidade é bem parecida com as debêntures, opções ao empréstimo bancário, para a captação de recursos. Entretanto, as debêntures são utilizadas para a obtenção de recursos a longo pra- zo, enquanto a emissão de commercial papers objetiva conseguir recursos a curto prazo. ATENÇÃO O prazo de vencimento se emitido por companhias fechadas é de 30 a 180 dias, e quando emitido por companhias abertas, o prazo de vencimento é de 30 a 360 dias. 1.8. Órgãos societáriosQuatro são os principais órgãos da companhia: a assembleia geral, o conselho de administração, a diretoria e o conselho fiscal. Além destes, a depender do tamanho e da complexidade da em- presa exercida pela companhia, o estatuto poderá prever livremen- te a existência de outros órgãos técnicos de assessoramento ou de execução. Cabe ressaltar que alguns órgãos surgem por demandas jurídi- cas e outros por objetivos puramente administrativos. A lei das S.A. não disciplina a atuação desses órgãos sociais na companhia. Cabendo, portanto, ao estatuto social cuidar das regras sobre sua criação, organização, estrutura, composição, funciona- mento e função. A disciplina desses órgãos, portanto, é estatutá- ria[20]. Vamos à análise de cada uma delas. 1.8.1. Assembleia geral 1.8.1.1 disposições gerais A assembleia geral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto, tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar conve- nientes à sua defesa e desenvolvimento. Nas companhias abertas, o acionista poderá participar e votar a distância (através de video- conferência ou sistema equivalente), nos termos da regulamenta- ção da CVM (art. 121 da Lei 6.404/76). Desta forma, podemos constatar que a assembleia geral é o ór- gão deliberativo máximo da companhia, em razão das matérias de sua competência para votação (tratar de todo e qualquer assunto relacionado ao objeto social) e por ser composta por todos os seus acionistas (alguns com direito a voto, outros apenas com direito de apresentar sugestões). 1.8.1.2. Competência Privativa Na prática, questões de pouca relevância para companhia são- tratadas pelo concelho de administração, órgão cuja convocação e realização de deliberações se faz com menos formalidade, todavia, certas matérias são de competência privativa da assembleia geral. Nos termos do artigo 122 da Lei nº 6.404/76, compete privati- vamente à assembleia geral: I – Reformar o estatuto social; II – Eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no inciso II do art. 142; III – Tomar, anualmente, as contas dos administradores e de- liberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas; IV – Autorizar a emissão de debêntures, ressalvado o disposto nos §§ 1o, 2o e 4o do art. 59; V – Suspender o exercício dos direitos do acionista (art. 120); VI – Deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social; VII – Autorizar a emissão de partes beneficiárias; VIII – Deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e ci- são da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas; e IX – Autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. Em caso de urgência, a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores, com a concordância do acionista controlador, se houver, convocando-se imediatamente a assembleia geral, para manifestar-se sobre a ma- téria (art. 122, parágrafo único, da Lei 6.404/76). Para essa hipótese, a assembleia geral deliberará apenas para ratificar ou não o ato de urgência praticado pelos administradores. 1.8.1.3. Competência para convocação Surgindo então a necessidade de deliberação por assembleia geral,compete ao conselho de administração, se houver, ou aos diretores, observado o disposto no estatuto, sua convocação (art. 123, caput, da Lei 6.404/76). Todavia, esta convocação não é de competência exclusiva do conselho de administração ou da diretoria, a lei também prevê hi- póteses especiais em que ela pode ser convocada por outros ór- gãos ou mesmo por acionistas. Desta forma, segundo o parágrafo único do artigo 123 da Lei da S.A., assembleia geral também pode ser convocada: I – Pelo conselho fiscal, nos casos previstos no número V, do artigo 163; II – Por qualquer acionista, quando os administradores retarda- rem, por mais de 60 dias, a convocação nos casos previstos em lei ou no estatuto; III – Por acionistas que representem 5%, no mínimo, do capital social, quando os administradores não atenderem, no prazo de 8 dias, a pedido de convocação que apresentarem, devidamente fun- damentado, com indicação das matérias a serem tratadas; IV – Por acionistas que representem 5%, no mínimo, do capital votante, ou 5%, no mínimo, dos acionistas sem direito a voto, quan- do os administradores não atenderem, no prazo de 8 dias, a pedido de convocação de assembleia para instalação do conselho fiscal. Ressalte-se que as hipóteses de convocação de assembleia por parte dos acionistas se dá, em suma, para os casos de inércia dos órgãos originariamente competentes para tanto. CONTABILIDADE GERAL 18 1.8.1.4. Modo de convocação e local Em relação à convocação da assembleia, ela será feita mediante anúncio publicado por 3 vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembleia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria (art. 124, caput, da Lei 6.404/76). Destaca-se aqui a preocupação da lei com a divulgação do ato de convocação a fim de garantir que os acionistas interessados possam comparecer e defender seus interesses. Nos termos do §1º do mesmo artigo 124 da lei especial, a primeira convocação da assembleia geral deverá ser feita: I – Na companhia fechada, com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio; não se reali- zando a assembleia, será publicado novo anúncio, de segunda convocação, com antecedência mínima de 5 dias; II – Na companhia aberta, o prazo de antecedência da primeira convocação será de 15 dias e o da segunda convocação de 8 dias. E mesmo que não haja cumprimento das formalidades legais previstas neste artigo, será considerada regular a assembleia geral quando comparecerem todos os acionistas (art. 124, §4º, da Lei 6.404/76). Nas companhias fechadas, o acionista que representar 5%, ou mais, do capital social, será convocado por telegrama ou carta registra- da, expedidos com a antecedência prevista no § 1º do artigo 124, desde que o tenha solicitado, por escrito, à companhia, com a indicação do endereço completo e do prazo de vigência do pedido, não superior a 2 exercícios sociais, e renovável; essa convocação não dispensa a publicação do aviso previsto no § 1º, e sua inobservância dará ao acionista direito de haver, dos administradores da companhia, inde- nização pelos prejuízos sofridos (art. 124, §3º, da Lei 6.404/76). E para finalizar o assunto quanto aos procedimentos de convocação, há de se ressaltar que as companhias abertas, com ações ad- mitidas à negociação em bolsa de valores, deverão remeter, na data da publicação do anúncio de convocação da assembleia, à bolsa de valores em que suas ações forem mais negociadas, os documentos postos à disposição dos acionistas para deliberação na assembleia geral (art. 124, §6º, da Lei 6.404/76). Quanto ao local de sua realização, salvo motivo de força maior, a assembleia geral realizar-se-á no edifício onde a companhia tiver a sede; quando houver de efetuar-se em outro, os anúncios indicarão, com clareza, o lugar da reunião, que em nenhum caso poderá reali- zar-se fora da localidade da sede (art. 124, §2º, da Lei 6.404/76). 1.8.1.5. Quórum de instalação Quanto ao quórum de instalação, ressalvadas as exceções previstas em lei, a assembleia geral somente se instalará validamente, em primeira convocação, com a presença de acionistas que representem, no mínimo, ¼ (um quarto) do capital social com direito de voto; em segunda convocação instalar-se-á com qualquer número (art. 125, caput, da Lei 6.404/76). Os acionistas sem direito de voto podem comparecer à assembleia geral e discutir a matéria submetida à deliberação (art. 125, pa- rágrafo único, da Lei 6.404/76). Isto porque, apesar de nem todos os acionistas terem direito a voto, como já estudado, eles possuem o chamado direito de voz, que lhespermite discutir as matérias em debate antes da decisão ser tomada. Quóruns de instalação na S.A. Primeira chamada Segunda chamada 1/4 do capital social votante. 2/3 do capital social votante se houver pro- posta de reforma dos estatutos. Qualquer número de acionistas. CONTABILIDADE GERAL 19 1.8.1.6 Legitimação e representação Nos termos do artigo 126 da Lei 6.404/76, todos os que comparecerem à assembleia geral devem comprovar a sua qualidade de acionista, observadas os seguintes requisitos: I – Os titulares de ações nominativas exibirão, se exigido, documento hábil de sua identidade; II – Os titulares de ações escriturais ou em custódia nos termos do art. 41, além do documento de identidade, exibirão, ou depositarão na companhia, se o estatuto o exigir, comprovante expedido pela instituição financeira depositária. III – Os titulares de ações ao portador exibirão os respectivos certificados, ou documento de depósito nos termos do número II; IV – Os titulares de ações escriturais ou em custódia nos termos do artigo 41, além do documento de identidade, exibirão, ou deposi- tarão na companhia, se o estatuto o exigir, comprovante expedido pela instituição financeira depositária. É possível ainda que o acionista seja representado na assembleia geral por procurador constituído há menos de 1 ano, que seja acio- nista, administrador da companhia ou advogado; na companhia aberta, o procurador pode, ainda, ser instituição financeira, cabendo ao administrador de fundos de investimento representar os condôminos (art. 126, §1º, da Lei 6.404/76). É possível, ainda, que o acionista seja representado no ato por seu representante legal, coso não possa ou não queira comparecer pessoalmente (art. 126, §4º, da Lei 6.404/76). 1.8.1.7. Livro de presença e mesa Antes de abrir-se a assembleia, os acionistas assinarão o “Livro de Presença“, indicando o seu nome, nacionalidade e residência, bem como a quantidade, espécie e classe das ações de que forem titulares (art. 127, caput, da Lei 6.404/76). Ressalte-se que as formalidades previstas em lei para a assembleia também se fazem presentes durante sua realização. E mesmo à distância, considera-se presente em assembleia geral, para todos os efeitos desta Lei, o acionista que registrar a sua pre- sença, na forma prevista em regulamento da CVM (art. 127, parágrafo único, da Lei 6.404/76). Por fim, instalada a assembleia, os trabalhos serão dirigidos por mesa composta, salvo disposição diversa do estatuto, de presidente e secretário, escolhidos pelos acionistas presentes (art. 128 da Lei 6.404/76). 1.8.1.8. Quórum das deliberações Instalada a assembleia, em primeira ou segunda convocação, conforme o caso, assinado o livro de presença por todos os que compa- recerem e composta a mesa que presidirá os trabalhos, poderá a assembleia geral passar a discutir as matérias e deliberar sobre elas. Para tanto, todavia, será preciso observar o quórum de deliberação, o qual, em regra, é de maioria dos acionistas com direito a voto presentes à sessão. Apesar do caput do artigo 129 falar em “maioria absoluta de votos”, na verdade ela quis se referir à maioria simples, ou seja, maioria dos presentes. Isto porque, diante da necessidade de apenas 1/4 dos acionistas com direito de voto, em primeira convocação, e de qual- quer número de acionistas, em segunda convocação, para a instalação da assembleia geral, entender que seria necessário o voto de mais de 50% de todos os acionistas com direito a voto (maioria absoluta de votos) para deliberar sobre algum tema, significa que na maioria das vezes nada será deliberado, diante da não obtenção do quórum suficiente para tanto. Todavia, o estatuto da companhia fechada (é vedado no caso das companhias abertas) pode aumentar o quórum exigido para certas deliberações, desde que especifique as matérias (art. 129, §1º, da Lei 6.404/76). Trata-se do que alguns doutrinadores chamam de quórum estatutário, que consiste em aumentar o quórumestabelecido para determinada matéria. Segundo o Prof. André Ramos, “ao estabelecer o quórum estatutário para determinada matéria, a companhia fechada cria o que a doutrina chama de “minoria de bloqueio”, importantíssimo mecanismo de defesa dos acionistas minoritários, que pode chegar a prever até mesmo a necessidade de deliberação unânime para a aprovação de determinadas matérias”. Cabe ressaltar que além do quórum normal previsto pelo artigo 129 daLei 6.404/76, há ainda um artigo especifico tratando do quórum qualificado estabelecido para a deliberação sobre certas matérias especiais. Desta forma, estabelece o artigo 136 da Lei da S.A. que é necessária a aprovação de acionistas que representem, no mínimo, 50% das ações com direito a voto (independentemente do número de acionistas presentes), se maior quórum não for exigido pelo estatuto da companhia cujas ações não estejam admitidas à negociação em bolsa ou no mercado de balcão, para deliberação sobre: I – Criação de ações preferenciais ou aumento de classe de ações preferenciais existentes, sem guardar proporção com as demais classes de ações preferenciais, salvo se já previstos ou autorizados pelo estatuto; II – Alteração nas preferências, vantagens e condições de resgate ou amortização de uma ou mais classes de ações preferenciais, ou criação de nova classe mais favorecida; III – Redução do dividendo obrigatório; IV – Fusão da companhia, ou sua incorporação em outra; V – Participação em grupo de sociedades (art. 265); VI – Mudança do objeto da companhia; VII – Cessação do estado de liquidação da companhia; VIII – Criação de partes beneficiárias IX – Cisão da companhia; X – Dissolução da companhia. Por fim, em caso de empate, se o estatuto não estabelecer procedimento de arbitragem e não contiver norma diversa, a assembleia será convocada, com intervalo mínimo de 02 meses, para votar a deliberação; se permanecer o empate e os acionistas não concordarem em cometer a decisão a um terceiro, caberá ao Poder Judiciário decidir, no interesse da companhia (art. 129, §2º, da Lei 6.404/76). Como visto, cabe ao estatuto disciplinar o procedimento adotado em caso de empate, como prever a designação de árbitro para resol- ver a controvérsia, por exemplo. Em caso de omissão, uma nova assembleia deverá ser convocada como pelo menos 02 meses de intervalo mínimo. E persistindo o empata ainda assim, caberá a um terceiro ou ao poder judiciário decidir a respeito.