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DIREITO EMPRESARIAL II Aula 11/03 Sociedades Anônimas História da SA’s ● Casa di San Giorgio (Génova, ITA) = responsável pela arrecadação tributária de Génova → durou de 1407 a 1805 → natureza pública (concessão antecipada de receitas) e foi a primeira a ter personalidade e responsabilidade → nascimento das companhias coloniais ● Em 1568 foi desenvolvido o conceito de Statuto = separação da assembleia e pacto primário → influenciou a Constituição, art. 109, CF ● Entregava-se dinheiro para a exploração do “Novo mundo”, mas precisava de carta, que é uma autorização estatal ● Movimento associativo → Companhias Americanas = caráter comunitário e voltadas para o consumo (início do século XIX na ING nasce o cooperativismo) ● Nos EUA, esse caráter comunitário impactou no financiamento de infraestrutura → o foco não era o lucro → construíram bancos, pontes e pedágios = “sem banco, não há comércio” ● EUA no século XIX teve na iniciativa privada uma saída para sua infraestrutura → no início do século XX, essa característica comunitária sumiu → dispersão acionária, ou seja, as companhias americanas são dispersas ○ No BRA, as estatais são fortes desde a origem ● Em 1808, o comércio começa no Brasil ○ No Brasil colônia era proibido (1530 a 1808) ○ Primeiro banco do Brasil - IPO (1808 a 1817) → ações do BB ○ Liquidação do BB em 1829 e novo BB em 1851 (que está funcionando até hoje) ○ Praça do comércio do Rio (1809-1920) = bolsa de valores (vendia títulos públicos) e necessitava do reconhecimento da função de corretor (1845) ○ As SA’s dependiam de autorização governamental ○ Admitiam ações ao portador (ação sem nome) e podiam ser transferidas por endosso (o dono escrevia o nome do comprador) → acabou em 1991 com o Collor → favorecia a lavagem de dinheiro ○ 1942 = nova lei das SA’s ○ Anos 40 e 50 → CSN, Vale, BNDE e Petrobrás ○ Decreto 9783/46 → bolsas estaduais e a obrigatoriedade de registro → B3 englobou/absorveu todas essas bolsas ○ Golpe de 64 → Banco central do Brasil ■ Decreto lei 157 para criar companhias incentivadas → pagava-se o tributo e recebia cotas da FINAM, que com elas podiam ser trocadas por ações de companhias que pagavam tal tributo (grande tônica da década de 70) → mercado de estatais (lei 6404/76 - SA’s e lei 6385/76 - mercado de valores mobiliários) ○ Caso Enron (2000), pós internet, o mercado de internet a cada 6 meses duplicada, mas entre 99 e 2000, a demanda aumentou 10% e na Enron acabou faltando dinheiro → maquiaram os dados da contabilidade ■ A partir disso, facilitou o acesso à internet, se tornando algo barato ○ Caso SOX → transparência na contabilidade → é exigido no BRA em 2000 ○ Crise de 2008 → tempo dos derivativos ○ B3 é a quinta maior bolsa do mundo → 328 empresas listadas ○ Reformas pandêmicas → lei da liberdade econômica e outras Características da Companhia ou das sociedades anônimas ● Capital dividido em ações e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações adquiridas ou subscritas ○ Nas sociedades limitadas, as relações são regidas pelo direito das obrigações, enquanto as SA’s são regidas pelo direito de propriedade (as ações são consideradas bens móveis incorpóreos → a titularidade é destacada na personalidade do sócio, pois no intuito pecuniae prevalece o capital) ● Sempre será uma sociedade empresária, logo sempre vai poder pedir falência ou recuperação judicial ● Nas sociedades simples, não se divide o estabelecimento ● Teoria contratual x teoria institucional ○ teoria contratual (Scarelli) = “o interesse social é o mesmo interesse dos sócios” ○ teoria institucional = “o interesse social é diferente do interesse dos sócios” ○ o interesse da companhia está mais próximo ao interesse nacional (visão alemã, século XX) → nas SA’s brasileiras é predominante a teoria institucional ● Estrutura orgânica da administração → acionista controlador, assembleia, diretoria, conselho fiscal = sistema de órgãos ● Art. 3 da lei das SA’s = a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões companhia ou sociedade anônima → nunca terá razão social → o nome do fundador, acionista, ou pessoa que por qualquer outro modo tenha concorrido para o êxito da empresa, poderá figurar na denominação ● Sociedade de capital x Sociedade de pessoas e familiares ○ Acionista pode pedir dissolução parcial, nas SA’s familiares (jurisprudência) ○ Simples é sociedade de pessoas ○ Limitada pode ser ambas ● Espécies de SA’s ○ Sociedade comandita por ações = o problema recai sobre os próprios administradores (menos comum) ○ Sociedade de economia mista = BB, Trensurb e Petrobrás ○ Subsidiária integral ○ Capital aberto ou fechado ■ Para funcionar como capital aberto, deve obter autorização da CVM para atuar na bolsa ou balcão (forte regulação estatal) ○ Sociedade anônima do Futebol (lei 14193) ○ Sociedade Holding ou de participações (art. 2, parágrafo 3) ■ “resolve dentro da família” → exercício de controle da companhia e evita conflitos familiares → “não morre” → Holding patrimonial ● Objeto (art.2 da lei das SA’s) ○ Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes Aula 18/03 Constituição de SA ● Estrutura maleável ○ Séc. XIX, SA’s eram para grandes cias ○ órgãos complexos ou simples ○ alteração da obrigatoriedade de 2 diretores (cuidado - verificar estatutos) ● Central de balanços = site público para publicação de sociedades com menos de 78 milhões por ano ○ dispensa de publicações prévias para constituição ● Constituição da SA ○ aberta → subscrição pública ■ podem captar investidores, pois é aberta ao público ■ indispensável a realização de assembleia → já inicia a abertura do capital antes da criação da sociedade ■ precisa de autorização da CVM ○ fechada → subscrição particular ■ abrir o capital → de fechada para aberta ■ pode ser por assembleia ou por escritura pública (todas SA do Brasil) ● Requisitos preliminares (Art. 80, LSA) ○ subscrição de pelo menos 2 pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social ■ subsidiária integral → pode ter apenas 1 acionista (art. 251, LSA) ○ realização, como entrada, de 10%, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro ■ depósito deve ser feito em banco autorizada pela CVM ■ assembleia é feita a alteração do contrato social e, junto com o contrato núcleo (instrumento da junta comercial), é transformado de limitada para anônima ○ preço de emissão das ações = em geral, as ações não têm valor nominal → mas pode ser definido em assembleia ■ “subscreve as ações e depois é feita a integralização delas” ■ no ativo, é colocado os bens da sociedade ● Companhia em organização x sociedade em comum ○ os administradores/fundadores têm responsabilidade ilimitada → podem responder pela demora da constituição, por exemplo ○ não tem personalidade jurídica ● Constituição pública (art. 82, LSA - registro da emissão) ○ instituições financeiras têm um papel de zelar os capitais ○ CVM tem o papel de garantir transparência entre os investidores ○ Lei 6385/76 regulamenta como funciona a abertura de capital ■ conceito de valor mobiliário = as cias fechadas tem ações, enquanto as cias abertas podem emitir valor mobiliário ■ investimento em dinheiro, com escopo de lucro e para várias pessoas, caracterizam um valor mobiliário (oferecido para o público com expectativa de lucro, com base no esforço dos outros) → a partir de 2001, temos esse conceito material com um valor funcional ○ 2 normas sobre oferta pública (CVM 400 e CVM 476) ■ Há política pública de investimento nas empresas do que nos bancos → desenvolver uma atividade que tem mais ganhos do que a poupança → só posso oferecer para investidores profissionais (limites na colocação → vedado o uso da internet, telefonee escritórios) → números de investidores até 75 ou 50 ○ Conceito de balcão = é organizado e só existe hoje a B3 → é o mercado de valores mobiliários e as partes podem negociar para transformar em dinheiro ○ Conceito de bolsa de valores = neutralidade e transparência dos preços e apenas para ações → é obrigado a lançar no pregão, sem saber quem está do outro lado (caso queira vender) → em tese, não é feito leilões altos e sim em valores fracionados ● Requisitos do Estatuto (espalhado na LSA) ○ definição de objeto de modo preciso e completo ○ fixação do valor do capital social ● Deveres dos fundadores e diretores (art. 88, LSA) ○ constituição por subscrição particular (pode ter divergência no ato de subscrição) ○ boletim = um documento para cada acionista; lista = todos assinam ○ art. 85, LSA → formalidades iniciais ■ primeiro ato: publicação no diário oficial (pós arquivamento na junta) ● Livros sociais ○ matéria jurídica e tradicional (cias de capital fechada - advogado) ○ instituições financeiras (necessário para bolsa de valores) ○ ao todo, 6 livros são obrigatórios → importantes para dar credibilidade → os diretores devem zelar por esses livros ○ problema de documentos eletrônicas → pdf pode perder as assinaturas → a junta não faz a autenticação do papel ○ Art. 105 - A exibição dos livros da companhia pode ser ordenada judicialmente sempre que, a requerimento de acionistas que representem, pelo menos, 5% do capital social, sejam apontados atos violadores da lei ou do estatuto, ou haja fundada suspeita irregularidades praticadas por qualquer dos órgãos da companhia ● Anulação da cia ○ Art. 285, LSA = sempre é possível sanar o vício, por deliberação da assembleia-geral (é anulatória, sempre é decadencial) ■ Ex.: ilicitude do objeto; constituição por absolutamente incapaz Capital social ● é constitutivo, um patrimônio autônomo, destacado do patrimônio (doutrina) ● generalidades = o que os sócios arriscam a perder, é o que aportaram/subscreveram ● diferença entre capital fixo e patrimônio líquido (doutrina) ○ capital fixo não se altera, enquanto o patrimônio líquido sim ○ patrimônio líquido é calculado entre o ativo e passivo ○ quanto maior o capital, mais seguro (juridicamente) ○ quanto maior o patrimônio líquido, mais rentável (economicamente) ○ o dinheiro que vem de capital vira ativo ● Tutela da integralidade do capital social ○ não distribuir dividendos com objetivo de captar clientes → Banco Central controla a integralidade de capital das instituições financeiras ○ objeto de atenção = ativo deve ser maior que o passivo ● Sociedades da tecnologia da informação e capital ○ baseadas na propriedade dinâmica e são reguladas pelo direito das obrigações ● Funções do capital ○ garantia aos credores (passivo exigível) ○ formação de poder política (organização) → ex.: acionista controlador ○ a sociedade pode ter lucro, mas declarar falência (ativos menos passivos = lucro, mas sem dinheiro para pagar as contas por conta da falta de caixa ○ fontes dos recursos → desenvolvimento de atividades econômicas e função de produção (capital é melhor do que lucro) ● Princípios ○ intangibilidade ou estabilidade → capital tem que ser igual ao lucro ■ se for maior, pode distribuir dividendos; menor não pode ■ saídas em caso de capital menor: reduzir o capital ou ficar anos sem distribuir ■ o estatuto da cia fixará o valor da capital social, expresso em moeda nacional ■ serviços não podem formar o capital social ■ SA deve contratar peritos (pelo menos 3) para avaliarem os bens, apresentando laudo técnico Aula 25/03 Desdobramentos sobre capital social ● Capital mínimo e máximo ○ não há mínimo por força de lei → mas pode existir excesso ou falta de capital ○ mínimo = antiga EIRELI (100 salários mínimos), mas em instituições financeiras e seguradoras é variável ■ mínimo em dinheiro = 10% em capital ○ em alguns casos, não pode transformar uma sociedade em seguradora, podendo sofrer com desconsideração da personalidade jurídica → subcaptação, conforme a doutrina ○ Art. 199, LSA → limite para retenção de lucros, autorizando em alguns casos, a redução de capital ○ supercaptação = capital excessivo ○ Art. 206, II → dissolução judicial = 5% ou mais do capital social ○ modificações de capital = arts. 167 a 174 Ação ● para Scarelli, é um dos 3 pilares da SA ● menor fração/fatia do capital e confere a posição de acionista → status socii (art. 109, LSA) ● mecanismo de socialização do risco → é uma coisa móvel, imaterial e indivisível → é regido pelo direito das coisas (impacto no dir. civil) ● ação é diferente de título de crédito → no passado era mais similar, por conta do endosso e de ações ao portador, que não existem mais ● certificado de ação para comprovar que tinha ações naquele momento ● ação nominativas (nome do acionista); ação com valor nominal (via estatuto); ação sem valor nominal (via integralização) → arts. 13 e 14, LSA Espécies (ordinárias ou preferenciais) ● ordinárias = direito comuns de sócio (art. 110) → ações com voto plural (pode ter 1 ação com no máximo 10 votos (em cias abertas, deve constar no estatuto) → quando o fundador é importante → grande capitalização e controle da cia → impacto na abertura de capital ○ estão preocupadas com o controle ● classes em cias fechadas (art. 16) ○ em geral, as preferenciais têm direito à voto, mas em bolsa de valores, não tem direito à voto → para melhor governança, busca-se 1 ação = 1 voto ● preferenciais (art. 17) = prioridade na distribuição de dividendo (fixo, quando houver lucro ou reserva; mínimo, recebe o valor mínimo + outro valor) ○ aceita a correr risco, mas tem preferência no recebimento (no reembolso de capital, com ou sem prêmio → deve ter cláusula, operação para investimento e desinvestimento) ○ estão preocupadas com o investimento ○ vantagens jurídicas = cias abertas tem obrigações para votar ■ golden share (art. 17 - privatizações) → Vale e Embraer, veta algumas alterações por parte do Estado ● observações ○ ações ordinárias podem ser convertidas em ações preferenciais ○ voto plural é permitido ○ caso passe 3 anos sem distribuição de dividendos, as ações preferenciais podem ganhar direito à voto ● Circulação ○ as ações são indivisíveis (art. 28) → ela pode ser dividida em caso de morte ou separação (condomínio de ações) ○ as cias fechadas podem direito de preferência estatutária ■ primeiro tenta se vender as ações para os outros acionistas e posteriormente aos terceiros → é colocado através de cláusula ○ acordos de acionistas → contratos de opção, preferência e primeira oferta ■ ideia = nunca impedir a circulação, mas colocar regras ■ opção de venda (quase ninguém faz) e opção de compra (usada para adquirir mais percentual) ■ falta de liquidez das cias fechadas e abertas ● fechadas → muito difícil conseguir vender ● abertas → possibilidade de vender na bolsa ○ entesouramento = quando a cia compra as próprias ações → não tem direito de dividendos e de votar → tem 6 meses para recolocar as ações no mercado (cia pode comprar 100%) ○ direito e garantias ■ penhor (art. 39) e alienação fiduciária e usufruto (direito de dividendo e de voto) → regidas pelo dir. real ■ outras restrições → propriedade fiduciária é com base na confiança e obrigado a restituir (importante para o mercado financeiro) ■ fideicomisso via testamento (forma de sucessão testamentária que garante a transmissão dos bens a um beneficiário futuro, após uma condição ou prazo) ● Preço de emissão (art. 170) - critérios ○ perspectiva de rentabilidade ○ valor do PL da ação ○ cotação em bolsa ○ diluição injustificada → justificação de anulação sobre a deliberação do preço ● Stock options ○ influência dos EUA → mecanismos de participação de empregados para distribuição do sucesso da cia → forma de “remuneração” → relação com o direitodo trabalho (jurisprudência e LSA) → se for demitido por justa causa, perde → necessita de previsão estatutária ● Phantom stocks ○ obrigada a vender as ações em preço à vista, mas deve ser mostrado que não é salário e afins → nunca se torna acionista ● Resgate (art. 44) ○ não interessa se tem lucro ○ retirada das ações de circulação, com ou sem redução de capital ○ voluntário = quando o acionista aceita ○ compulsório = quando a cia tem direito de resgatar as ações após tal critério ● Amortização (art. 44) ○ depende da existência de reservas de lucro ○ antecipação da devolução do investimento sem redução de capital ● Reembolso (art. 45) ○ não depende do uso de reservas ○ pagamento aos acionistas dissidentes nos casos de direito de recesso ou de grupamento ○ a companhia pagará 80% do valor de reembolso calculado com base no último balanço e, levantado o balanço especial, pagará o saldo no prazo de 120 (cento e vinte) → possibilidade de regulação no estatuto ○ a lei pede o valor contábil, em casa de recesso → “a minoria vencida, pode pedir para sair” Aula 01/04 Debêntures ● o que é = ela é um instrumento jurídico expresso na LSA que permite as cias fazem captação de recursos perante ao pública (abertas) e mercado/pessoas conhecidas (fechadas) → importante fonte de financiamento ● espécie de empréstimo de dinheiro → emite a debênture para alguém e receber alguma quantia em dinheiro e se obriga a restituir os valores com pagamento de juros ou até mesmo, com lucros ○ é diferente de emitir ações = emitindo ação tu faz com que a pessoa vire acionista e está transferindo uma parte do capital (o momento econômico não é adequado, pois as ações estarão em um valor muito abaixo) → resguarda o acionista ● rentabilidade = maior que a de um banco → ainda existe a possibilidade de se transformar em acionista em um momento futuro (o investidor quer no fundo, comprar um pedaço da cia → tem um ganho importante de capital, que pode ser de seu interesse) → o debenturistas deve verificar se o momento é bom para converter em ações ● instrumento de investimento sem assumir certos riscos do negócio → debenturistas, na pior hipótese, perde o valor investido → o acionista pode perder a personalidade jurídica ou a justiça do trabalho pode responsabilizar acionistas, enquanto os debenturistas não ● é possível que atribuir alguns poderes aos debenturistas → pode ter poder de fiscalização → mas é menor que os do acionistas ● classes de debenturistas ○ com garantia real → um imóvel pode ser uma garantia → ela tem servido nas operações de recuperação judicial e de falência ○ com garantia flutuante → um grupo de ativos (parte do estoque, por exemplo) → também impacta na recuperação judicial e de falência ○ podem ser sem garantia ○ subordinadas → a garantia não é os ativos → só pode executar os lucros que a cia tiver → parecida com a de sócio → é conversível em ações (investimento em startups) → pode ganhar o controle da cia ■ quando tu tem uma que só pode ser convertida → é comum ter uma opção de venda por 1 real ■ podem não ser executadas (quando não há lucro) ● Pode ter juros fixos e variáveis → é obrigatório que tu tenha sempre um valor nominal → pode haver ou não prémio de reembolso (determinado valor é pago ao ser resgatada) ○ amortização - pagamento parcial ○ resgate - antecipa o pagamento e retira a debênture de circulação ● sobre o vencimento ○ debênture perpétua (art. 57) → é possível que ela vença apenas com o inadimplemento (economicamente não é vantajoso) → tem discussão sobre, pois é uma dívida que concorre com as ações e, portanto, ela deveria ter um prazo ● debêntures de infraestrutura = vendidas em balcão ● bônus de subscrição (art. 75) ○ direito de preferência, que pode ser vendido para alguém → transforma a obrigação, em coisa (direito por um objeto) → não acontece com tanta frequência ○ direito de preferência de subscrição de ações por determinado preço (são considerados uma vantagem para os acionistas → como se fosse um fruto das ações) ○ nas cias de capital aberto se transforma em um valor mobiliário ● lei das startups ○ não será chamado de sócio = quem tem contrato de opção de subscrição de ações (direito potestativo, o contrato é definido pela vontade) O acionista ● proprietário de uma coisa móvel e também é considerado um sócio → a pessoa que possui a propriedade de uma ação, possui obrigações (principalmente no caso do controlador) e direitos ○ todavia, existem acionistas que só subscrevem a ação e terá apenas uma obrigação = realizar a integralização da ação subscrita (se ele não cumprir, a cia pode obrigá-lo executar o pagamento → ela não é extinta com a venda das ações) → com isso, o estatuto deve prever o que acontece com o acionista que não integralizou ● o acionista quando ele também é administrador, passa a ter deveres que faz ele agir de um certo modo ○ o administrador tem deveres de colaboração e lealdade da cia → dever de fiscalizar → isso não é atribuído ao acionista singular ● acionista remisso = o acionista que não cumpre com a promessa de integralização (art. 107) → posso executar o acionista pelo não pagamento das ações ou a cia pode vender as ações na bolsa → é possível, inclusive, cancelar as ações se não encontrar comprador (caducas) ● acionista deve sempre votar no interesse da cia → caso ele não vote, terá o voto abusivo ou voto em conflito de interesse e pode ser responsabilidade pelos danos ○ voto abusivo = abusa da condição jurídica em benefício próprio ou de terceiro (art. 186) ■ conflito formal de interesse x conceito material de interesse ● formal = a própria lei já diz, que o acionista não pode votar (aprovação das próprias contas → já está previamente proibido) ● material = ao exercer o direito de voto, isso provoca um prejuízo para a cia → ex.: definição do preço de um bem (preço maior de um bem que o acionista votou → não cabe impedir a votação e sim verificar se houve conflito posteriormente) ■ art. 115 → abuso de voto dos acionistas minoritário e majoritário → pode responder mesmo que o voto não prevaleça ● abuso do minoritário = se o majoritário não pode votar suas próprias contas, o minoritário fica responsável → com isso, caso desaprove as contas sem que exista um fundamento ● direitos essenciais (art. 109) ○ a assembleia e o estatuto são soberanos, mas não podem se sobressair sobre direitos que são essenciais ○ 1) participar dos lucros sociais; 2) participar do acervo da cia em caso de liquidação (paralisa a sociedade, vende-se os bens, paga os credores e sobra o acervo); 3) fiscalizar, na forma prevista na lei, a gestão dos negócios sociais (um diretor fiscaliza o outro, o acionista não pode bater na porta e querer fiscalizar a cia); 4) preferência para subscrição de ações, debêntures convertidas em ações e bônus de subscrição (em caso de aumento de capital → ele tem preferência na proporção da ação); 5) hipótese de retirada da cia (servem para proteger o acionista, quando a regra dos jogos estiverem sendo quebradas, nenhuma regra estatutária pode impedir esse direito → fusão e afins); ■ O estatuto da sociedade pode estabelecer que as divergências entre os acionistas e a companhia, ou entre os acionistas controladores e os acionistas minoritários, poderão ser solucionadas mediante arbitragem, nos termos em que especificar ■ o direito à informação, que não está na lei, é considerado, pela jurisprudência e doutrina, um direito essencial ■ o direito de propriedade sobre as ações não é um direito essencial → a ação em si não é considerada um direito essencial, pois em caso de fusão/incorporação, aquela ação é extinta, ou seja, passa a ser acionista de outra cia ■ direito de voto também não é essencial ○ direitos de minoria (art. 202, p3) → não importa o tamanho do acionista, ele pode impedir que não haja a distribuição de dividendoinferior ao obrigatório ■ com 10% posso impor a adoção de voto múltiplo para eleição dos membros do conselho de administração Aula 08/04 Poder de controle e acordo de acionistas ● conforme Hannah Arendt, deve haver relações de poder na sociedade ● acionista controlador (conceito material) = elege os administradores e tem influência nas principais ações da sociedade → tem que ser PN ou PF ○ além disso, orienta o funcionamento dos órgãos da cia → deve cumprir com a função social ○ diante terceiros, o acionista controlador não tem responsabilidades ○ art. 116-A = publicidade do controle e interesse social ○ art. 117, p1 = abuso de poder do controlador (8 modalidades) ○ Tag along = quando vende as ações do controlador e os outros acionistas podem vender suas ações por no mínimo 80% do preço pago pro controlador (“mudou as regras do jogo”) ● o poder na SA → participação no capital ou investimento acionário, direção e controle ○ controlador como órgão da cia ○ acionista tem dever de lealdade e de integralização do capital ○ acionista majoritário = não significa que será controlador, pois o controle pode ser compartilhado → controle minoritário (disperso ou gerencial) ○ teoria dos deveres fiduciários dos administradores (atua conforme o interesse da cia) ○ estrutura oligárquica da SA = o acionista controlador é quem manda, mas a lei limita o poder ● obrigações do controlador ○ lealdade, informar, monitorar e governança corporativa ○ controlador é o árbitro do bem comum → transforma o papel da assembleia → tem deveres positivos ○ permanência? a lei não diz → mas tem que ser via eleição ○ prêmio do controle (o acionista minoritário pode receber até 80% da ação) → o controle vale mais que as outras posições societárias (tanto é que as ações de controle não são disponíveis na bolsa de valores) → se houver venda, deve ter uma cláusula contratual de no mínimo 20% (art. 254, LSA) → deve oferecer para todos os acionistas ● controle interno vs externo ○ interno = votos ○ externo = por meio de contratos e instrumentos de dívida ● acordos de acionistas ○ constitui um contrato celebrado entre acionistas de determinada cia visando à composição de seus interesses individuais ao estabelecimento de normas de atuação na sociedade → ajustes parassociais ■ a cia não é parte ■ não existe no código civil ■ contrato típica → natureza acessória ○ acordo de controle, de voto, de minoritários (tem % mínima) e de bloqueio → deve haver reunião prévia para acordo de votos ○ buy or sell vs opção de compra ■ buy or sell = compra ou venda de ações para resolver conflitos societários → mecanismo auto regulável (deve ser feita uma oferta séria) ■ opção de compra = as partes definem uma opção de compra com o passar do tempo (contrato próprio ou em acordo) → tem como colocar cláusulas de rendimento e afins ○ procuração tem 1 ano de validade, salvo em acordo de acionistas ■ torna o instituto eficaz, impedindo manobras, em caso de acionista ausente ○ tem tempo indeterminado, basta notificação ou se for extinta a sociedade (não pode por inadimplemento) ■ exceto em votos de verdade, o acordo pode ser quebrado (ex.: envolvimento de corrupção ou prejuízo no interesse social) Aula 15/04 Assembleia de acionistas ● órgão que realiza a atribuição de direitos e deveres (é limitado) → não tem personalidade jurídica ● cada membro responde por seus atos (pessoalmente) ● presidente vira um órgão da assembleia ○ forma a vontade da sociedade → não é uma manifestação dos acionistas ○ é indivisível (ideia de unidade, mas pode ser separar as atas - que tem suspensão no tempo) → deliberações, que são separáveis da assembleia podem anular uma deliberação específica (ex.: voto abusivo da minoria) ● os diretores praticam os atos (aprovando e assinando) → mesmo que seja contra o ato deliberativo da assembleia ● necessita do órgão executivo ● competência (art. 122) ○ atos de autonomia privada, nem sempre da vontade (direito societário tem efeitos específicos) → deliberação da assembleia é considerada uma autonomia e autoridade privada ○ em caso de urgênmcia, certas matérias podem ser deliberadas com o controlador (falência e recuperação judicial), sob ratificação ○ competência privativa (art. 121) → assembleia está limitado sobre o objeto da cia ● convocação ○ quem convoca = conselho de administração ou diretores → conselho fiscal (art. 163, V) e qualquer acionista em caso de mora (ou a própria assembleia pode convocar) ○ deve-se verificar o que determina o estatuto ○ o 5% do capital no caso de pedido fundamentado no prazo de 5 dias ○ convocação deve ser publicada (3x na imprensa e diário oficial) ○ pauta detalhada = as cias abertas não podem ter assuntos gerais ■ caso tenha a presença de todos = pode-se falar algum outro assunto na assembleia ○ art. 124, p3 = convocação por carta (caso tenha % considerável) ○ podem ser digitais, mas o recomendável é presencial ○ art. 294 → publicações eletrônicas (central de balanços → tem discussão) ● quórum de instalação ○ primeira convocação = ¼ do total de votos conferidos pelas ações com direito à voto; segunda convocação = qualquer número ■ ⅔ para reforma de estatuto ● legitimação e representação ○ cabe aos diretores conferir → exibir a identificação ○ procuração com firma reconhecida com prazo inferior a um ano (assinatura e certificado digital são válidos) ○ presença de advogado na assembleia (procuração só para advogado ou para acionista) ● procedimento ○ primeiro: livro de presenças e verificar se tem quórum ○ segundo: eleição da mesa (poder de polícia) → definir o presidente da assembleia, além do secretário, que elabora a ata ○ terceiro: quórum de deliberação (em caso de empate, nova assembleia em prazo de 30 dias) ○ quarto: deliberações preliminares - forma de sumário ■ elaboração da ata (em forma de sumário ou analítica) → consta apenas as deliberações e ocorrências (protesto) e arquiva na junta → maioria assina → autenticação pelo presidente → pode ser publicada somente o extrato da ata ● modalidades ○ geral (ordinária ou extraordinária) = para todos → afastar conflito de interesses → emissão de debêntures e de ações do capital autorizado → publicação e arquivamento se houver interesse de terceiros ■ alteração de estatuto → arquivamento e publicação obrigatória → quórum de ⅔ → art. 136-A, vai vigorar o princípio da maioria ○ assembleia geral ordinária (art. 132) → matérias pacíficas ■ prazo = nos 4 primeiros meses do ano sobre o ano anterior (pode fazer depois de abril, mas se caracteriza como mora) ■ deve ser publicado em 30 dias ou em aviso de 30 dias ■ “prejuízo é da cia e não precisa ser deliberado” ■ publicação é uma prestação de contas → importante para os administradores (os acionistas, depois de aprovado as contas, pode propor uma ação anulatória → tem 2 anos, depois não se discute mais) ■ em cias de economia mista, o tribunal de contas que aprova ○ assembleia geral extraordinária (art. 136) ■ quórum qualificado → maioria do capital com direito à voto → dizem sobre matérias especiais ■ é por exclusão, se não tiver na hipótese de ordinária (quórum maior, tendência de conflito) ○ de preferencialistas ○ de debenturistas ● Direito de recesso/retirada (descapitalização) ○ contraponto ao princípio majoritário ■ “se tu não acredita no acionista controlador, pega os valores contábeis e vai embora” → ele protege a minoria (ex.: mudar o objetivo social) e a maioria (ex.: decide o destino e provavelmente terá que aportar algo) ○ elemento histórico → Código Comercial ITA de 1892, que autorizava a alteração do estatuto e a abertura para a minoria se retirar ■ reforma de 1997 no BRA → facilitou as privatizações ■ em 2001 → voltou o direito de recesso, exceto na cisão ■ em 2015 → dir. de recesso pela adoção de cláusula arbitral ○ recesso legal vsrecesso estatutário ■ estatuto pode melhorar o dir. de recesso e aplicar outras regras (deve-se negociar bem na emissão primária de ação) ○ abuso do controlador → movimentos para expulsar a minoria pagando pouco (pode-se anular os atos do controlador) ○ hipóteses de direito de retirada = direitos essenciais e “cláusulas pétreas” → direitos inderrogáveis ○ condições e efeitos do recesso → possibilidade de exercício no prazo de 30 dias a contar da publicação da ata ■ para Eizirik, deve exercer sobre a totalidade das ações ○ recesso vs dissolução parcial (em cias fechadas) ■ utilização rar do recesso Aula 22/04 Órgãos da administração ● Diretoria (unitária ou plural) → executivo da cia ● Conselho de administração (acionista ou não) ● Comitês estatutários (uma função mais gerencial) ○ pode mudar conforme a complexidade da atividade ● órgão vs pessoalidade (é pessoal, mas pode haver procuradores) ○ Regras de governança = normas criadas para a governança empresarial → busca-se organização, transparência e auditabilidade dos procedimentos da empresa (“pois são os acionistas que pagam a conta”) → criam órgãos, deveres e competências, que promovem o funcionamento da atividade empresarial ● Diretoria (arts. 143 e 144) → órgão executivo e deliberativo, quando não houver conselho ○ é a representação da cia → mandato de até 3 anos no máximo → não pode ter mais de ⅓ da diretoria composta por conselheiros ○ normas comuns (arts. 145 a 152) ■ requisitos e impedimentos (art. 146) ■ garantia de ações (art. 148) ■ prazo de 30 dias para posse ■ substituição e término de gestão (art. 150) → não pode ter cia sem diretor, logo os diretores ficam até os próximos) ■ renúncia (art. 151) e remuneração (art. 152) → papel da CVM para conter o abuso de remuneração dos administradores ● Conselho de adm = no passado era conselho de acionistas, mas a doutrina alterou isso → sobre o ponto de vista econômico, é interessante ter uma administrador independente, que não recebe dividendos ○ composição e colegialidade (art. 140) = o conselho mais simples tem 3 pessoas e com mandato de até 3 anos → podem sair a qualquer momento e podem reeleger quantas vezes quiser → estatuto ou assembleia pode definir o presidente (ele é quem define a pauta e a convocação pode ser feita a partir de qualquer membro) ■ art. 140, p1 = participação dos empregados (não é obrigatório no direito brasileiro) ■ art. 140, p2 = é preciso ter conselheiros independentes nas cias abertas ■ atos de verdade = o conselheiro fica vinculado à lei antes de estar vinculado aos acionistas (através do acordo entre acionistas) ○ função = deliberar, contratar/demitir diretores, fiscalizar os atos dos administradores e diretores, e cuidar do regulamento interno (ex.: auditoria externa ou/e interna) ○ voto múltiplo (é obrigatório caso seja pedido) = mecanismo que permite a concentração de votos da minoria para eleger membros do conselho ■ quando, pelo voto múltiplo, a minoria empatar com a maioria, a maioria escolhe +1 ■ destituição de um conselheiro em voto múltiplo = destituiu todo o conselho ○ competência = matérias de maior importância da gestão e privativa → escolhe e destitui os auditores independentes, se houver → a lei fala quando o estatuto pode intervir/alterar ■ a assembleia pode eleger diretores nas cias que têm conselho de administração? não, pois cabe ao conselho ● Comitês estatutários = participa, normalmente, um membro da administração, da diretoria, advogados e empregados → promovem a abertura de outros órgãos (se tem previsão estatutária, é dever do conselho manter → foco no direcionamento da empresa) ○ conselhos de família = juridicamente não existe, além de não gerar efeitos, mas é uma expressão utilizada ● Regulação orgânica = as competências que os órgãos têm (estão previstos na lei e no estatuto) → estatuto é diferente de contrato ○ regulação contratual = abandona a qualquer momento ○ regulação trabalhista = subordinação à alguém (é comum ter um direito com relação trabalhista ou contratual) → as grandes cias têm relações de trabalho com as pessoas que trabalham nos órgãos Aula 11/03 Aula 18/03 Aula 25/03 Aula 01/04 Aula 08/04 Aula 15/04 Aula 22/04