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O Império Monárquico 
e a Construção do 
Estado-nação
Leonardo Octavio Belinelli
O Império Monárquico 
e a Construção do 
Estado-nação
2
Introdução
Neste conteúdo, estudaremos o complexo processo histórico no qual se formou o 
Estado brasileiro. Uma das razões de sua complexidade se deve ao fato de que era 
preciso também construir uma ideia própria de nação à qual esse Estado em formação 
deveria corresponder. Outra razão se deve, sem dúvida, ao fato de que, como é natural em 
qualquer processo político de grande magnitude, existiram diversos projetos políticos 
em disputa. Assim, embora vencidos, é importante que compreendamos os principais 
aspectos dos projetos alternativos surgidos nesse período.
Ademais, buscaremos compreender as bases sobre as quais o Estado e a sociedade 
brasileira se construíram ao longo do século XIX. Entre esses elementos, destaca-se a 
ênfase na produção agrária e a utilização de mão de obra escravizada, aspectos herdados 
do período colonial e não alterados pelo País no período seguinte à sua independência.
Por fim, examinaremos os papéis desempenhados pelos movimentos sociais durante 
o período imperial, com destaque para o movimento abolicionista, em suas disputas 
por direitos e demais garantias.
Objetivos da Aprendizagem
• Analisar as dificuldades em torno da consolidação do Estado brasileiro e os 
percalços na construção de uma nação;
• Explicar as bases da economia agrária do século XIX e a dependência do 
sistema escravista vigente;
• Compreender o papel dos movimentos sociais e do abolicionismo na luta por 
direitos e cidadania. 
3
O Primeiro Reinado e a Regência: O Poder 
Centralizador e as Pressões Provinciais 
As primeiras dificuldades do governo de D. Pedro I foram relacionadas com o 
reconhecimento de seu governo por parte de setores internos e externos ao País. 
Estavam em jogo nesse processo de reconhecimento a própria legitimidade de 
existência do Estado nacional brasileiro e o poder monárquico de Pedro I.
Figura 1: Quadro de D. Pedro I
Fonte: Wikimedia.org.
Como revelam as ideias desses dois pensadores, a Confederação do Equador chegou 
a formular propostas bastante radicais para o período. Porém, isso não correspondia 
aos interesses das elites, que desejavam maior autonomia política, mas sem alterar 
os fundamentos sociais do País – como a escravidão. Por isso, os senhores, antes 
apoiadores da revolta, passaram a se afastar dela. Sem o seu apoio, a Confederação do 
Equador foi duramente reprimida e vencida pelas forças imperiais. Alguns dos líderes 
da revolta, como Frei Caneca, foram condenados à morte. Outros foram presos e houve 
ainda quem conseguiu fugir, como Manuel Pais de Andrade.
No plano externo, embalado pela Doutrina Monroe, os Estados Unidos foram os 
primeiros a reconhecer o governo brasileiro, em maio de 1824. No que se refere aos 
4
países latino-americanos, o reconhecimento demorou a vir – o primeiro a fazê-lo foi 
o México, em 1825. A razão para essa demora é simples: boa parte dos países da 
região adotou o modelo republicano de governo. Para agravar a situação, além do 
modelo monárquico, o recém-fundado Brasil era governado por um herdeiro da Coroa 
da ex-metrópole.
Por fim, é preciso observar que Portugal só viria a reconhecer a Independência do 
Brasil em 1825, quando recebeu 2 milhões de libras esterlinas como indenização e 
Dom João IV, rei de Portugal e pai de D. Pedro I, nomeado imperador honorário do Brasil. 
O acordo foi intermediado pela Inglaterra. Embora já reconhecesse informalmente a 
Independência do Brasil, a Inglaterra só poderia reconhecer a legitimidade do governo 
brasileiro e a negociar abertamente com o Brasil se Portugal o reconhecesse como 
independente. Foi a própria Inglaterra quem emprestou o dinheiro para o Brasil pagar 
a indenização a Portugal. Os demais países europeus reconheceram a Independência 
brasileira depois disso.
Figura 2: Bandeira do Império brasileiro
Fonte: Wikimedia.org.
Durante esse processo de reconhecimento interno e externo, D. Pedro I e os demais 
partidários da Independência tinham como missão organizar e estabilizar o poder 
político no País. Em junho de 1822 – ou seja, antes da Proclamação da Independência 
– D. Pedro I, então príncipe regente, convocou eleições para a Assembleia, cujo 
objetivo era criar uma Constituição para o País. Composta, em larguíssima maioria, 
por senhores de terras, a Assembleia Constituinte foi organizada em maio de 1823, 
na cidade do Rio de Janeiro. 
5
Figura 3: Ilustração de José Bonifácio de Andrada e Silva, conhecido como Patriarca da Independên-
cia, líder da Assembleia Nacional Constituinte de 1823
Fonte: Wikimedia.org.
Muito insatisfeito com o projeto, em especial devido à previsão de redução de 
seus poderes, D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte em novembro de 
1823 e expulsou os principais representantes do projeto constitucional formulado, 
como José Bonifácio e seus irmãos. Com essa medida, a rivalidade entre setores 
brasileiros (representados pelos senhores de terras), simpáticos a uma monarquia 
constitucional, e setores portugueses (representados por comerciantes e militares), 
defensores da “recolonização” e do absolutismo, ganhou força. 
Ao fechar a Assembleia Constituinte, Pedro I parecia se aproximar do grupo português. 
Tentando se equilibrar diante da disputa entre os grupos, D. Pedro I “prestigiou” os 
brasileiros ao designar dez membros nascidos no Brasil para compor a comissão 
responsável por elaborar um projeto constitucional para o País. O texto redigido pela 
comissão foi outorgado por D. Pedro I em 25 de março de 1824 e continuaria em vigor 
até o final do Império, em 1889.
Por um lado, tratou-se de uma constituição que cedia ao modelo liberal de organização 
do Estado, como revelou o estabelecimento da divisão hoje clássica de poderes 
(Executivo, Legislativo e Judiciário).
Por outro lado, também era uma constituição que retinha um elemento absolutista, 
como sinalizou a criação do Poder Moderador, de uso exclusivo do monarca
6
O Poder Moderador permitia ao monarca nomear e demitir livremente os ministros 
de Estado – medida que sabotava a ideia de representação, pilar do modelo liberal 
de governo. 
Cabe destacar que a Constituição de 1824 tornava o catolicismo a religião oficial 
do País e subordinava a Igreja ao Estado por meio do padroado – instituição que já 
existia durante o período colonial.
Com o padroado, os funcionários religiosos eram remunerados 
pelo Estado. E mais: cabia ao imperador nomeá-los para os cargos 
eclesiásticos. Por esses motivos, podemos aproximar os funcionários 
religiosos católicos daquele período aos funcionários públicos.
Curiosidade
O processo autoritário que levou à outorga da Constituição de 1824 fez com que 
fosse construída nos setores da sociedade brasileira, alinhados com o pensamento 
liberal, a imagem de Pedro I como uma figura com propensões tirânicas.
Figura 4: Ilustração da primeira sede do Parlamento brasileiro, no qual ocorreu a Assembleia Geral 
Constituinte de 1823
Fonte: Wikimedia.org.
A primeira reação surgiu em Pernambuco, estado em que se gestou uma revolta de 
matriz republicana conhecida como Confederação do Equador. Para ela, contribuiu, 
além da má imagem de Pedro I, a crise econômica pela qual a região – profundamente 
dependente da exportação de açúcar – passava. Diante dela, vários grupos da 
sociedade pernambucana se revoltaram contra os anseios absolutistas de Pedro I. A 
revolta ocorreu quando o imperador nomeou, em julho de 1824, um governador para 
a província, que desagradou diversos setores dela. 
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Os revoltosos instalaram a Confederação do Equador em 2 de julho de 1824. Tratava-
se de um projeto de Estado independente que reuniria, de forma republicana e 
descentralizada (confederada), diversas províncias do Nordeste. Foi nesse contexto 
que se destacaram as ideias de dois pensadores liberais bastante influentes: o 
jornalista baiano Cipriano Barata e o político e religioso Joaquim doAmor Divino 
Rabelo, conhecido como Frei Caneca.
Cipriano Barata era o líder do jornal liberal Sentinela da Liberdade, publicado na cidade 
de Recife (PE). Antes de participar da Confederação do Equador, ele já havia se engajado 
na Conjuração Baiana (1798), na Revolução Pernambucana (1817) e na Confederação 
Pernambucana (1824). Cipriano Barata era um liberal radical, defensor da abolição 
da escravidão e ferrenho crítico do governo imperial, que o mandou prender em 1823, 
razão pela qual não pôde participar diretamente da Confederação da Equador.
Por sua vez, Frei Caneca trabalhava no jornal Typhis Pernambucano, no qual defendia 
o modelo federalizado para organização política do País. Frei Caneca também era um 
crítico da vitaliciedade dos mandatos senatoriais. da existência do Poder Moderador 
e do que entendia ser uma usurpação da soberania popular quando Pedro I outorgou 
a carta constitucional de 1824.
Figura 5: Ilustração de Frei Caneca
Fonte: Wikimedia.org.
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Figura 6: Ilustração de Cipriano Barata
Fonte: Wikimedia.org.
Como revelam as ideias desses dois pensadores, a Confederação do Equador chegou 
a formular propostas bastante radicais para o período. Porém, isso não correspondia 
aos interesses das elites, que desejavam maior autonomia política, mas sem alterar 
os fundamentos sociais do País – como a escravidão. Por isso, os senhores, antes 
apoiadores da revolta, passaram a se afastar dela. Sem o seu apoio, a Confederação 
do Equador foi duramente reprimida e vencida pelas forças imperiais. Alguns dos 
líderes da revolta, como Frei Caneca, foram condenados à morte. Outros foram presos 
e houve ainda quem conseguiu fugir, como Manuel Pais de Andrade.
Em 1825, instalou-se o conflito entre Brasil e Argentina na região do rio da Prata, 
que ficou conhecido como Guerra da Cisplatina (1825-1828). A razão da disputa era 
o controle da região em que se situava a Província Cisplatina, na qual hoje é situado 
o Uruguai. O conflito foi mediado pela Inglaterra, insatisfeita com os bloqueios 
estabelecidos na região do Prata, uma vez que este era uma via privilegiada para a 
chegada de mercadorias na região. O acordo resultante da mediação foi a criação de 
um novo país, a República Oriental do Uruguai.
O resultado não foi bom para imagem de Pedro I, visto como derrotado, além de 
autoritário. Acresce ainda que os gastos nos conflitos – como, por exemplo, com 
a contratação de mercenários para as guerras contra a Confederação do Equador e 
Argentina (Cisplatina) – debilitavam as condições econômicas do país, já abaladas 
pela assimetria entre as crescentes importações e as exportações declinantes. Um 
sinal expressivo da crise econômica foi a falência do Banco do Brasil, em 1829. Um 
dos resultados imediatos da crise foi o aumento do custo de vida para a população, 
que passou a hostilizar os comerciantes portugueses por serem os supostos 
responsáveis pelo aumento da carestia de vida. 
9
É preciso acrescentar ao quadro um outro problema: com a morte de D. João VI, 
em março de 1826, D. Pedro I, legítimo herdeiro do trono português, passou a se 
preocupar crescentemente com a sucessão de seu pai. Temerosos de que D. Pedro I 
quisesse exercer seu direito e planejasse reunir as duas coroas, os políticos brasileiros 
o pressionavam cada vez mais. Como resposta, D. Pedro I renunciou ao trono 
português em favor de sua filha, Maria da Glória. Ainda menor, e, portanto, incapaz de 
exercer seus poderes reais, Maria da Glória foi tutelada por seu tio, irmão de Pedro I, 
Dom Miguel, que passou a ser o regente do trono português. Traindo seu irmão, Dom 
Miguel organizou um golpe de Estado e declarou-se rei de Portugal. Irritadíssimo com 
a traição de Miguel, Pedro I começou a planejar manobras militares para reconquistar 
o trono para sua filha, o que reascendia as preocupações dos políticos brasileiros. 
Todos esses fatores contribuíram para o aumento da tensão entre o monarca e os 
políticos locais, agravada ainda pelo assassinato do jornalista oposicionista Líbero 
Badaró, em São Paulo. Especulou-se que Pedro I estaria por trás do crime. Para 
tentar se afastar das pressões, o imperador viajou a Minas Gerais, onde foi recebido 
com hostilidade. Para agradá-lo diante disso, grupos mais próximos de Pedro I, em 
geral portugueses, organizaram uma festa para recepcioná-lo no Rio de Janeiro, em 
13 de março de 1831. Para impedir a festa, políticos liberais brasileiros entraram em 
conflito com os organizadores. O confronto ficou conhecido historicamente como 
Noite das Garrafadas.
Perdido em meio às tensões e conflitos, Pedro I nomeou um ministério composto 
inteiramente por brasileiros. Entretanto, insatisfeito com o que entendia ser 
insubordinações de seus ministros, o monarca demitiu todos em 5 de abril de 1831 e 
nomeou apenas ministros portugueses de orientação conservadora – fato que ficou 
conhecido como Ministério dos Marqueses. Essa medida causou uma revolta geral 
entre os senhores de terras, os políticos liberais e até mesmo entre setores das Forças 
Armadas, como revelou a reunião de duas mil pessoas nas ruas do Rio de Janeiro. 
Aqueles que protestavam queriam o reestabelecimento dos ministros brasileiros.
Diante desse cenário, Pedro I renunciou ao trono brasileiro em 7 de abril de 1831 
em favor de seu filho Pedro de Alcântara, de apenas cinco anos. Em seguida, rumou 
para Portugal para lutar pelo trono de sua filha, mas morreria em 1834. Como Pedro 
de Alcântara era menor, a Constituição de 1824 determinava que o País deveria ser 
governado por três regentes eleitos pela Assembleia Imperial, os quais o governariam 
até que o herdeiro do trono atingisse a maioridade, aos 18 anos. Ali começaria o 
chamado Período Regencial (1831-1840).
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Independência 
(1822)
Guerra da Cisplatina 
(1825-1828)
Noite das Garrafadas 
(03/1831)
Abdicação de Pedro I 
(04/1824)
Constituição de 1824
(03/1824)
Confederação do Equador 
(07/1824 – 09/1824)
Quadro 1: Conflitos pré-Reinado
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
De acordo com o que vimos, esse período ainda seria marcado por disputas em torno 
de questões que não estavam absolutamente resolvidas. Por exemplo, os debates 
acerca da centralização ou descentralização dos poderes políticos e administrativos 
na Corte, sobre o modelo de governo (monarquia ou república), e mesmo entre os 
tipos de trabalho a serem instalados no País (mão de obra livre ou escrava). Questões 
como essas foram tematizadas na Confederação do Equador e voltariam a ser nas 
conhecidas revoltas regenciais.
Logo no momento em que Pedro I partiu para Portugal, as forças políticas locais 
estavam divididas em três grupos, cujas características estão no objeto de 
aprendizagem a seguir:
11
Liberais exaltados.
Apelidados de “farroupilhas” ou “jujubas”, defendiam maior autonomia 
provincial e a descentralização do poder político (federalismo). Muitos 
defendiam a instalação de uma república no País. Seus representantes vinham 
de profissionais liberais, religiosos, militares de baixa patente, pequenos 
comerciantes e baixo funcionalismo público.
Restauradores 
Chamados de “caramurus”, queriam a volta de Pedro I e defendiam o poder 
absolutista e centralizador do monarca. Entre seus representantes, estavam 
o alto funcionalismo público, militares de alta patente e comerciantes 
portugueses.
Liberais moderados
Conhecidos como “chimangos”, defendiam a unidade territorial do País, a 
manutenção da escravidão e a monarquia constitucional. Alguns desejavam maior 
autonomia das províncias. Seus representantes, em geral, eram os latifundiários. 
Com o falecimento de Pedro I, em 1834, os restauradores perderam muita de 
sua influência e perspectivas – afinal, já não era mais possível reconduzi-lo ao 
poder. Cerca de três anos depois, os liberais moderados se dividiram em dois 
partidos, os quais dominariam o cenário político até o final do Império.
Partido Liberal 
Correspondia à ala dos moderados que, embora defensora do governo 
centralizado no Rio de Janeiro,concordava em fazer concessões a algumas 
das demandas dos liberais exaltados – como, por exemplo, maior autonomia 
provincial. Seus simpatizantes serão chamados de luzias.
Partido Conservador 
Grupo moderado que não estava disposto a fazer concessões aos exaltados. 
Defendiam o fortalecimento do Legislativo e a centralização do poder 
administrativo no Rio de Janeiro, capital do Império. Eram especialmente 
preocupados com o tema da unidade territorial. Seus representantes e 
simpatizantes eram chamados de saquaremas.
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A primeira fase do Período Regencial ficou conhecida como Regência Trina Provisória, 
o que se explica pelo fato de que, na ocasião da abdicação de Pedro I, alguns deputados 
presentes no Rio de Janeiro elegeram três regentes provisórios até que os demais 
deputados retornassem de suas viagens para que fosse feita uma eleição definitiva. 
A Regência Trina Provisória, composta pelo senador Carneio de Campos, o senador 
Campos Vergueiro e o brigadeiro Francisco de Lima e Silva, durou cerca de três meses. 
Durante o período em que governaram, o Ministério dos Brasileiros foi readmitido, os 
presos políticos anistiados e o Poder Moderador teve seu uso bloqueado. Por esses 
motivos, estabeleceu-se a ideia de que havia sido iniciado um período conhecido 
como “avanço liberal”, que iria até 1837.
Em 17 de junho de 1831, foi feita a eleição para os cargos de regentes permanentes. 
Foram eleitos os deputados João Bráulio Muniz, José da Costa Carvalho e um dos 
regentes provisórios, Francisco de Lima e Silva. O período iniciado com essa eleição 
foi marcado pelo predomínio das propostas dos liberais moderados. Um dos sinais 
disso foi o destaque obtido pelo padre Diogo Antônio Feijó, nomeado ministro da 
Justiça do Império. Seu principal objetivo, alinhado com os interesses dos moderados, 
era garantir a ordem pública e a unidade territorial – o que implicava sufocamento 
dos diversos focos de revoltas espalhados pelo país.
Insatisfeito com a participação de setores do Exército nas revoltas, o governo 
criou, em 18 de agosto de 1831, a Guarda Nacional, espécie de polícia dirigida por 
autoridades e proprietários rurais. A patente mais alta da Guarda Nacional era a de 
coronel, geralmente atribuída aos senhores de terras – situação da qual surgiu o 
termo “coronelismo”. A importância dos coronéis (senhores de terras) na Guarda 
Nacional era imensa. Sinal disso é que as demais patentes eram distribuídas entre o 
pessoal de confiança, razão pela qual ficou conhecida como Guarda dos Coronéis. A 
Guarda Nacional existiu até 1922 e teve papel decisivo na manutenção dos latifúndios 
e na repressão das revoltas espalhadas pelo país.
Além da criação da Guarda Nacional, outra medida importante tomada pela trina de 
regentes foi a criação do Ato Adicional de 1834. Com ele, a regência deixava de ser 
trina permanente para ser una (exercida por uma pessoa) e temporária (mandato de 
quatro anos). Além disso, o Ato Adicional criou Assembleias Legislativas provinciais, 
que teriam competências para legislar sobre assuntos locais e suspendeu o Conselho 
de Estado. Ao conceder maior autonomia provincial, o Ato Adicional de 1834 foi visto 
como uma medida liberalizante.
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Como estabelecido pelo Ato Adicional, em 1835 foi feita eleição para novo regente. O 
padre Diogo Antônio Feijó, candidato mais simpático à ala progressista dos liberais 
moderados, venceu o pleito. Foi durante a regência de Feijó que começaram algumas 
das principais revoltas da história brasileira: Cabanagem, no Pará, e a Farroupilha, no 
Rio Grande do Sul.
Tais revoltas, no entanto, só podem ser adequadamente compreendidas se tivermos 
em mente o acúmulo de insatisfações da população durante vasto período e a 
incapacidade dos governos posteriores de resolver esses problemas, os mesmos que 
vimos quando abordamos o reinado de Pedro I. 
Diante dessas revoltas, Feijó passou a ser pressionado pelos setores regressistas 
que o acusavam de ser incapaz de defender a ordem pública no País. Com o desgaste, 
Feijó renunciou em 1837. Para seu lugar, foi eleito o senador pernambucano Pedro de 
Araújo Lima, ligado aos regressistas.
Figura 7: Ilustração de Diogo Antônio Feijó
Fonte: Wikimedia.org.
Figura 8: Ilustração de Pedro de Araújo Lima
Fonte: Wikimedia.org.
14
Uma de suas primeiras medidas foi a nomeação de um ministério composto 
inteiramente por políticos conservadores, conhecido como Ministério das 
Capacidades. O objetivo central desse grupo era reprimir os focos de revoltas e, assim, 
manter a unidade territorial do País. Vale observar: o eventual desmembramento 
territorial do Brasil abalaria o principal pilar de riquezas dos senhores de terras, 
uma vez que corriam o risco de terem suas terras tomadas pelos revoltosos. 
Segundo o entendimento compartilhado pelos novos ministros, algumas das razões 
pelas quais teriam sido estouradas revoltas pelo País seriam as reformas liberais 
concretizadas por medidas como o Ato Adicional de 1834. Visando reverter esse 
quadro, os novos ocupantes do poder promulgaram, em 12 de maio de 1840, a Lei 
Interpretativa do Ato Adicional. Seu principal objetivo foi reduzir a autonomia das 
províncias e subordinar os poderes repressivos ao governo central.
Diante da ofensiva dos políticos conservadores, os setores progressistas traçaram 
uma estratégia ousada para voltar ao poder: passaram a sustentar que o meio mais 
adequado para preservar a unidade territorial do Império e fortalecer o governo seria 
passar o poder para as mãos de Pedro de Alcântara. Embora ainda fosse menor, a 
Assembleia Geral poderia reduzir a sua maioridade. Com esse objetivo, foi criado o 
Clube da Maioridade. 
Em 1840, a Assembleia Geral reduziu a maioridade de Pedro de Alcântara naquele 
episódio conhecido como Golpe da Maioridade. Aos 14 anos completos, Pedro de 
Alcântara, agora Pedro II, fez o juramento como Imperador do Brasil em 23 de julho 
de 1840. Assim começou o Segundo Reinado.
Figura 9: Dom Pedro II no momento em que assumiu o posto de imperador, aos 14 anos
Fonte: Wikimedia.org.
15
Regência Trina provisória 
(04/1831 a 06/1831)
Regência Feijó 
(1835-1837)
Regência Araújo 
Lima (1837-1840)
Lei Interpretativa do 
Ato Adicional (1840)
Golpe da 
Maioridade (1840)
Regência Trina 
Permanente (1831-1835)
Ato Adicional (1834)
Quadro 2: Linha do tempo – Período regencial (1831-1840)
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
O Segundo Reinado e a Afirmação de um Estado-
Nação
Como mencionamos, a partir de 1837, os liberais moderados passaram a se dividir 
em dois partidos: o Liberal e o Conservador. O historiador José Murilo de Carvalho, em 
pesquisa detalhada, revelou quem eram os setores sociais que compunham cada partido; 
CARVALHO, 2011.
Partido Conservador
Era composto por latifundiários ligados à exportação, por burocratas (em 
especial, bacharéis em Direito) e grandes comerciantes.
Partido Liberal 
Era composto por profissionais liberais urbanos, proprietários rurais ligados ao 
mercado interno e ou áreas de colonização mais recente.
Embora diferissem em alguns pontos programáticos – o Partido Conservador 
defendia o governo centralizado, enquanto o Partido Liberal era mais simpático 
à descentralização política e administrativa -, pode-se dizer que os dois partidos 
apresentavam mais semelhanças do que diferenças. Sinais disso eram as idas e vindas 
16
de políticos entre um partido e outro. Em geral, os dois partidos eram dominados por 
posturas pragmáticas, cujo objetivo final era ocupar o poder.
Durante o Segundo Reinado (1840-1884), houve 36 gabinetes ministeriais, dos quais 
21 eram liberais e 15 conservadores.
Se somarmos o tempo total em que permaneceram no poder, veremos que os 
conservadores ficaram 10 anos a mais do que os liberais, o que se explica pelo fato 
de terem ideias mais simpáticas à centralização do poder em Pedro II.
O período do Segundo Reinado também foi marcado pela modernização econômica 
do País, o que se deveu, basicamente, às altas exportações docafé, à redução da 
importação de pessoas escravizadas e a alguns estímulos para atividades vinculadas 
à indústria. Com a alta internacional dos preços do café, os cafezais se espalharam 
pela região Sudeste do País, na qual o clima favorece o plantio. Por isso, nesse 
período, pode- se dizer que o eixo econômico do País foi alterado: saiu do Nordeste 
açucareiro e passou ao Sudeste cafeeiro.
Parcelas das rendas obtidas pela exportação de café foram investidas em atividades 
industriais, como aquelas vinculadas ao vestuário e à alimentação. Ao mesmo tempo, 
essas rendas possibilitaram o surgimento de serviços públicos em algumas das principais 
cidades brasileiras, nas quais foram instalados bondes, ferrovias e iluminação. No setor 
privado, começaram a ser criados teatros, bancos, cafés e outras atividades. Acresce 
ainda que, a essa mudança de eixo econômico, devemos agregar a lenta, porém contínua, 
substituição da mão de obra escrava pelo trabalhador assalariado, em geral atraído de 
regiões da Europa, como Itália, Alemanha, Polônia e outras.
Tendo em vista a importância das terras no período, podemos compreender os 
esforços feitos pelos latifundiários e pelos setores do governo para aprovar a Lei de 
Terras (1850). A Lei de Terras passava a impedir a aquisição de terras – tão vastas 
no território nacional – por meio da ocupação. A partir dela, as terras só poderiam 
ser adquiridas se compradas de detentores ou do próprio governo. É importante frisar 
que essa Lei surgiu no momento em que começa a transição da mão de obra escrava 
para a mão de obra livre. Sendo assim, os setores alforriados e os trabalhadores 
livres poderiam, caso a lei não tivesse sido feita, obter legalmente terras, o que 
poderia ter transformado sua condição social (COSTA, 2007, p. 193). Por esse motivo, 
interpreta-se que a Lei de Terras foi, antes de tudo, uma manobra para que as terras 
continuassem a estar concentradas nas mãos de poucos. 
17
Como mencionamos a questão da mão de obra, é preciso observar a evolução do 
debate sobre a escravidão, instituição que atingiu seu ápice ao longo do século XIX. 
Sinal disso é que não eram apenas os latifundiários que tinham escravos, mas também 
pequenos proprietários e comerciantes – em geral, detentores de uma a três pessoas 
escravizadas.
Cabe observar, entretanto, a existência de resistências negras, nunca conformadas 
com a escravização. Escravizados e ex-escravizados participavam de diversas 
rebeliões e motins para se rebelar contra a violência a que eram submetidos. Além 
disso, formaram quilombos em diversas províncias, tais como Bahia, Espírito Santos, 
Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo – províncias que foram ou 
eram vinculados aos produtos exportados pelo Brasil, razão pela qual tinham grande 
números de pessoas escravizadas.
Com o final da guerra do Paraguai, fortaleceu-se a união entre as pessoas escravizadas 
rebeldes e o movimento abolicionista (1870-1888), cuja meta era justamente o fim da 
escravidão. Diversos setores da sociedade brasileira se engajaram na causa. Entre 
os nomes mais destacados, poderíamos citar Castro Alves, Chiquinha Gonzaga, Luís 
Gama, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, André Rebouças, entre outros.
Figura 10: Retratos de Luiz Gama, importantes ícones do abolicionismo brasileiro
Fonte: Wikimedia.org.
18
Figura 11: Retratos de Chiquinha Gonzaga, importantes ícones do abolicionismo brasileiro
Fonte: Wikimedia.org.
Como resultado das pressões do movimento abolicionista e dos países europeus, 
desejosos de expandir o mercado de seus produtos (e, cabe lembrar, pessoas 
escravizadas não tinham autonomia para consumir), o governo de Pedro II promulgou 
diversas leis a respeito do tema.
Em 1831, por pressão inglesa, o Império promulgou uma lei que proibia o tráfico de 
pessoas escravizadas, que não foi cumprida pelo governo brasileiro.
Como resposta, em 1845, a Inglaterra promulgou o Bill Aberdeen (1845), ato permitia 
aos ingleses prender qualquer navio negreiro com o qual sua esquadra se deparasse. 
Isso gerou desentendimentos entre o governo brasileiro e inglês.
Em 1850, o Brasil promulgou a Lei Eusébio de Queirós, que proibia a entrada de 
pessoas escravizadas no País e estabelecia a expulsão dos traficantes. Com essa 
lei, a repressão, no Brasil, sobre o tráfico internacional de pessoas escravizadas, 
aumentou.
Como a lei de 1831 não foi cumprida, dizia-se que ela era para 
“inglês ver”. Daí a origem da expressão ainda hoje popular.
Curiosidade
É nesse contexto que o movimento abolicionista surgiu, em 1870. 
19
Lei do Ventre Livre (1871) 
Filhos de mães escravas passaram a ser livres. Criava também a possibilidade 
de pessoas escravizadas comprarem sua própria alforria. Um traço perverso 
dessa lei: criou a sensação de desobrigação dos senhores a respeito da 
alimentação dos filhos de suas escravas.
Lei dos Sexagenários (1885)
Tornava livres as pessoas escravizadas acima de 65 anos. O impacto dessa lei 
foi reduzido, pois poucos escravos chegavam a tal idade. Ela também acabava 
beneficiando os senhores, pois os “livravam” dos gastos de alimentação com 
pessoas escravizadas menos ativas.
Como se vê, ambas as leis tinham impactos reduzidos sobre o aspecto principal da 
escravidão. Na verdade, eram estratégias de adiamento da abolição total. Ainda assim, 
acabavam expondo os conflitos existentes e permitiram a visibilização da campanha 
abolicionista, que chegou a conquistar as ruas. A abolição veio apenas em 13 de maio 
de 1888, com a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, então regente do Império por 
conta da ausência de seu pai, Pedro II, que estava na Europa tratando da saúde. 
Com a abolição do tráfico em 1850, começou o processo, capitaneado pelos 
cafeicultores do Sudeste, de importação de imigrantes europeus para trabalharem na 
lavoura. A primeira iniciativa neste sentido foi feita pelo senador Campos Vergueiro 
que, entre 1847 e 1857, levou imigrantes alemães, suíços e belgas para sua fazenda. 
O sistema adotado era o de parceria: os imigrantes davam parte de sua produção 
para os senhores e ficavam com outra parcela para venda.
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Figura 12: Retrato de D. Pedro II no período final do Império
Fonte: Wikimedia.org
O sistema era degradante, pois os imigrantes eram explorados como pessoas 
escravizadas, razão pela qual organizaram revoltas e faziam má propaganda do Brasil 
em seus países de origem. O fluxo de imigrantes para o Brasil só voltaria a crescer no 
final do século XIX.
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Conclusão
Neste conteúdo, estudamos os processos de formação e consolidação do Estado brasileiro 
durante a implantação e desenvolvimento da monarquia imperial, estabelecida entre 
1822 e 1889. Se comparada às independências dos demais países latino-americanos, o 
processo de emancipação do Brasil parece mais simples. Em certa medida, essa é uma 
visão correta. Entretanto, ela não pode obscurecer o fato de que houve outros modelos 
políticos em disputa e que aquele vencedor, para sê-lo, precisava reprimir as diversas 
ideias e agitações do período, como a Confederação do Equador. Por isso, pode-se dizer 
que, entre 1822 e 1840, houve disputas importantes, como vimos. 
Em seguida, vimos como se consolidou o Segundo Reinado e algumas de suas 
principais características: o jogo político entre os partidos Liberal e Conservador, 
a modernização econômica e a situação dos setores subalternos da sociedade 
brasileira. Para fixação do conteúdo, cabe destacar os principais tópicos tratados 
neste conteúdo: 
• A formação do Estado monárquico brasileiro e a outorga da Carta Constitu-
cional de 1824 por D. Pedro I. 
• As crises, conflitos e revoltas que marcaram o Primeiro Reinado, o agrava-
mento da crise política, a abdicação de D. Pedro I e o período regencial.
• O golpe da maioridade e a consolidação do jogo político imperial: os partidos 
Liberal e Conservador. 
• O fortalecimento das exportações do café e das oligarquias do Sudeste ca-
feeiro; a Lei de Terras (1850).
• A resistência negra e o surgimentodo movimento abolicionista. 
• A questão da imigração de trabalhadores livres nos meados do século XIX.
Para saber mais sobre a estrutura e o jogo político imperial, veja: 
CARVALHO, J.M. A construção da ordem-teatro de sombras. Rio de 
Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. Para documentos históricos da 
política brasileira, entre os quais as leis relacionadas à escravidão, 
vale consultar o site do Senado Federal. Acesse o link.. 
Saiba mais
 
https://www12.senado.leg.br/institucional/arquivo/instrumentos/documentos-digitalizados
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Referências 
CARVALHO, J. M. A construção da ordem: teatro de sombras. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 2011.
COSTA, E. V. da. Da monarquia à República. São Paulo: Unesp, 2007.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2009.
MOTA, C. G. (Org.). Brasil em perspectiva. São Paulo: Difel, 1982.
SCHWARCZ, L. M.; STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2015.
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