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C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
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EDITAL
Primeiro Reinado: a Organização, A Guerras nas províncias, a
Constituinte em Ação, a constituição Imperial, revolução de
1824, Legislatura ordinária, abdicação e a situação do País, o
reconhecimento diplomático, o ncidente de Chiquitos, a
Perda da Cisplatina a sucessão portuguesa, Missão de Barba-
cena
Período Regencial - aspectos administrativos, militares, cul-
turais, econômicos, sociais e territoriais / Segundo Reinado:
aspectos administrativos, militares, econômicos, sociais e
territoriais, crise da monarquia e proclamação da república
Unidade I – Brasil Imperial
Anteriormente estudamos quais foram os
fatos políticos e econômicos que fizeram
com que a Família real portuguesa viesse
para o Brasil, as principais medidas to-
madas por D. João, primeiro como príncipe regente e de-
pois como rei, como se desencadeou os tratados com a
Inglaterra e a política interna e externa do Período Joa-
nino e também, como se desenvolveu o processo de
emancipação do Brasil. Nesta unidade, estudaremos o
Primeiro Reinado (1822-1831), o Período Regencial
(1831-1840) e o Segundo Reinado (1840-1889). Será
uma unidade extensa, com muitas informações importan-
tes e que a semelhança das anteriores, vai requerer muito
estudo e atenção.
A história do Brasil Imperial começa com a independên-
cia em 1822 e termina em 1889, com a proclamação da
República. Ao contrário dos países vizinhos, todos eles
republicanos e cheios de disputas internas, o Brasil teve
relativa estabilidade política, crescimento econômico e
permanência da mesma Constituição no período de 1822-
1889. São características marcantes desta fase da história
nacional:
• Primeiro Reinado autoritário,
• Período Regencial convulsionado,
• Segundo Reinado relativamente estável interna-
mente e instável externamente,
• Poder Legislativo imperial eleito na forma pre-
conizada pela lei,
• No Segundo Reinado, democrática divergência
entre o Poder Moderador e o Legislativo, ainda
• Lutas políticas entre os Partidos Conservador e
Liberal, e ao final
• Graves crises políticas que conduziriam a pro-
clamação da república.
A historiografia reporta um Primeiro Reinado com o Im-
perador D. Pedro I, autoritário e incapaz de lidar com os
problemas internos e externos do país, que termina seu
governo sendo forçado a abdicar em 1831. Seu sucessor,
o futuro Imperador Pedro II, estando impossibilitado de
governar pela Constituição vigente, por contar apenas
com 5 anos de idade, cede lugar aos Governos Regenci-
ais. Esta fase é caracterizada por uma série de disputas
políticas e guerras civis regionais que ameaçam a ordem
interna e a unidade territorial do país. Alçado à
maioridade em 1840, D. Pedro II assume o governo, pa-
cifica e estabiliza internamente o Brasil, traz prosperi-
dade econômica, enfrenta graves questões externas e
após um reinado de 49 anos é deposto em 1889, momento
em que se inicia o período republicano.
4.1 Primeiro Reinado (1822-1831)
O Primeiro Reinado resultou do processo de independên-
cia, iniciado em 1808, com a vinda da família real portu-
guesa, como consequência das medidas administrativas
tomadas durante o Período Joanino - que favoreceram a
liberdade econômica e a autonomia administrativa do
Brasil – e principalmente, em função das tentativas de re-
colonizarão por parte das Cortes portuguesas.
Podemos resumir que a história deste período é caracte-
rizado pelas guerras da independência, pelo reconheci-
mento internacional, pelos acordos econômicos com a In-
glaterra, pela elaboração de nossa primeira Constituição,
pelos embates políticos do Imperador, pelas revoltas in-
ternas, pelas guerras externas e pelo processo de abdica-
ção de D. Pedro I.
A historiografia demonstra que algumas regiões do país,
devido a presença de tropas e comerciantes portugueses,
decidiram não aderir ao Grito do Ipiranga e partiram para
a resistência armada ao governo de D. Pedro I. Para ga-
rantir a independência, a unidade territorial e sua autori-
dade e face a não existir um exército permanente, o Im-
perador, financiado com recursos da elite colonial, con-
tratou mercenários (Lord Cochrane, John Grenfell, Pierre
Labatut, dentre outros) para eliminar os focos de resistên-
cias no Maranhão, Bahia, Pará, Piauí e na Província Cis-
platina, derrotando-os em definitivo até meados de 1823.
Essas guerras pela independência contrariam a visão tra-
dicional de que mesma teria sido totalmente pacífica.
Terminada a onerosa fase das lutas pela emancipação,
outra fase mais onerosa começaria: o reconhecimento!
Um país ser reconhecido perante a comunidade interna-
cional é muito importante, tanto para fins políticos
quanto comerciais. E o Brasil precisava ser reconhecido!
Os Estados Unidos foram o primeiro país a fazê-lo em
1824, em parte devido a seus interesses comerciais e em
parte devido a Doutrina Monroe, que preconizava “Amé-
rica para os americanos", ou seja, que nenhum país euro-
peu deveria intervir nos assuntos americanos. Os demais
países americanos foram relutantes a princípio, pois to-
dos eram repúblicas e o Brasil um império., mas acaba-
ram cedendo, sendo o México o primeiro a reconhecer
em 1825. Os ingleses tinham imenso interesse nesse as-
sunto, mas enquanto Portugal não o fizesse, teriam que
aguardar. Então, começaram a trabalhar para que isto
fosse levado a cabo. Intermediaram um acordo para que
o Brasil indenizasse Portugal em 2 milhões de libras es-
terlinas e fosse concedido a D. João o título honorífico de
Imperador do Brasil. Feito! Agora, para pagar essa for-
tuna, o governo brasileiro contraiu empréstimo com a
própria Inglaterra.
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E não ficou somente nisso! Após o processo de reconhe-
cimento, os ingleses pressionaram para obterem novas
vantagens comerciais e para tanto, forçaram a renovação
dos tratados de 1810, exigiram o fim do tráfico de escra-
vos e com a manutenção dos privilégios alfandegários,
inundaram o país com seus manufaturados., prejudicando
as exportações e a instalação de indústrias no Brasil.
Resolvidos estes assuntos, agora seria necessário organi-
zar a nação dando-lhe um conjunto de leis a serem obe-
decidas por todos. Como sabemos, nossa independência
foi fruto de um acordo político entre as elites coloniais,
sem a participação popular no processo. A ideia era a de
que os representantes dessas elites fossem eleitos para
uma Assembleia Nacional Constituinte e elaborassem
uma Constituição para o Brasil. O anteprojeto constituci-
onal ficou pronto em 1823 e foi apresentado ao impera-
dor. Dentre seus principais pontos estavam a exclusão da
vida pública dos portugueses residentes no Brasil, a limi-
tação dos poderes do imperador, a ampliação dos poderes
do legislativo e o voto atrelado a renda mínima equiva-
lente a 150 alqueires de mandioca. Apelidada de Consti-
tuição da Mandioca, não agradou ao imperador. Apoiado
pelos comerciantes portugueses, reunidos no chamado
Partido Português, o imperador dissolveu a Assembleia
Constituinte desagradando a elite brasileira, reunida no
Partido Brasileiro. Após, D. Pedro I nomeia uma comis-
são de notáveis para redigir uma nova Constituição que
estivesse a sua altura e a altura do Brasil. Em 25 de março
de 1824, D. Pedro I outorga a Constituição de 1824, que
tinha como principais dispositivos:
• Estabelecimento de uma monarquia hereditária;
• Estabelecimento de 4 poderes: Moderador, Exe-
cutivo, Legislativo e Judiciário;
• O Moderador seria exercido exclusivamente
pelo imperador, dando-lhe autoridade para no-
mear ministros, senadores e juízes, nomear os
presidentes de província, dissolver o legislativo
e intervir nos demais poderes;
• O Legislativo seria composto por senadores (es-
colhidos pelo imperador e com mandato vitalí-
cio) e deputados eleitos para mandato de 3 anos.
• Executivo exercido pelo imperador, seus minis-
tros e pelospresidentes das províncias;
• Judiciário composto por juízes nomeados pelo
imperador;
• Direito de voto para homens livres, maiores de
25 anos, condicionado a níveis de renda (voto
censitário);
• Instituição do regime de padroado, submissão
da Igreja aos ditames do imperador, que nome-
aria bispos e remuneraria os membros do clero;
• O catolicismo foi declarado religião oficial do
Brasil, sendo os demais cultos permitidos em
caráter particular; e
• Criação de um Conselho de Estado para asses-
sorar o imperador.
Estas tendências absolutistas de D. Pedro em contraponto
as intenções liberais e federalistas da elite latifundiária,
desaguaram em embates políticos cada vez mais acirra-
dos. Esses descontentamentos conduziram a Confedera-
ção do Equador em 1824. A revolta eclodiu após a inter-
ferência de D. Pedro I na nomeação do presidente da pro-
víncia de Pernambuco. Liderados por Manuel Pais de
Andrade, Cipriano Barata e Frei Caneca, dentre outros,
os revoltosos desejavam a instalação de um regime repu-
blicano federalista na região. A rebelião rapidamente se
espalhou pelas províncias do Ceará, Rio Grande do
Norte, Paraíba, Alagoas, Piauí e Sergipe. A repressão co-
mandada pelo mercenário Lord Cochrane foi rápida e in-
cisiva. Atacados por terra e mar os revoltosos sofreram
pesadas perdas e foram derrotados. Alguns líderes foram
presos, outros fugiram e Frei Caneca foi fuzilado.
A partir desses acontecimentos o governo de D. Pedro
ruiu. Seus opositores foram para os jornais, cada vez mais
combativos, as elites deixaram de apoia-lo e dois aconte-
cimentos agravaram ainda mais a situação: a guerra pela
independência da Província Cisplatina (1825-1828),
dando origem a imensos gastos da coroa e a independên-
cia - mediada pela Inglaterra – do Uruguai e, a crise deri-
vada da sucessão dinástica de Portugal após a morte de
D. João VI, cujo envolvimento do imperador gerou sus-
peitas e mais gastos de recursos, levando a falência do
Banco do Brasil em 1829.
Desgastado pelos acontecimentos, pela grave crise eco-
nômica e por seu personalismo político, a oposição a D.
Pedro crescia assustadoramente. A tensão política ga-
nhava a imprensa e as ruas, onde os confrontos entre os
partidários do imperador (portugueses) e os representan-
tes das elites brasileiras somente se acentuavam. Com o
assassinato do jornalista Líbero Badaró a situação agra-
vou-se ainda mais, gerando uma batalha campal: a Noite
das Garrafadas! Em resposta a situação o imperador no-
meou um ministério composto somente por brasileiros,
para demiti-los logo em seguida. Em resposta a nomea-
ção de um ministério de portugueses (Ministério dos
Marqueses), os grandes proprietários rurais, a tropa im-
perial e outras duas mil pessoas organizaram protestos
nas ruas do Rio de Janeiro. Em 7 de abril de 1831, D.
Pedro abdica ao trono em favor de seu filho, um garoto
de apenas 5anos, e parte imediatamente para Europa.
Chegava ao fim o Primeiro Reinado.
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QUESTÃO 01
No dia 25 de março de 1824, D. Pedro I outorgou a pri-
meira Constituição brasileira, que tinha como caracterís-
ticas o(a)
[A] religião católica e voto universal.
[B] Poder Moderador e Senado vitalício.
[C] liberdade administrativa às províncias e voto censitá-
rio.
[D] magistrados nomeados pelo imperador e religião pro-
testante.
[E] voto extensivo às mulheres e Poder Moderador.
QUESTÃO 02
A Constituição de 1824, estabeleceu, entre os poderes,
aquele que seria considerado a "chave" de toda organiza-
ção política do governo de D. Pedro I. Este era o Poder:
[A] Liberal
[B] Legislativo
[C] Popular
[D] Moderador
[E] Judiciário
QUESTÃO 03
Caracterizaram a constituição brasileira de 25 de março
de 1824:
(1) voto censitário e descoberto
(2) república parlamentarista
(3) padroado
(4) quatro poderes
(5) voto direto e universal
[A] 1, 2 e 3
[B] 2, 3, e 4
[C] 3, 4 e 5
[D] 1, 3 e 4
[E] 2, 3 e 5
QUESTÃO 04
Entre as causas da abdicação de D. Pedro I ao trono bra-
sileiro podem ser citadas as seguintes, exceto:
[A] a oposição da Igreja Católica a D. Pedro I.
[B] a tendência autoritária do Imperador.
[C] as ligações mantidas por D. Pedro em Portugal, após
1826.
[D] as guerras Cisplatina e a independência do Uruguai.
[E] os conflitos políticos entre brasileiros e portugueses.
QUESTÃO 05
O mais importante movimento sedicioso acontecido no
Primeiro Reinado foi:
[A] a Guerra da Cisplatina.
[B] a Confederação do Equador.
[C] a Guerra dos Mascates.
[D] a Cabanagem.
[E] a Revolução do Porto.
QUESTÃO 06 (UEP[A]
A crise política do I Império Brasileiro, que resultou na
abdicação de D. Pedro I, teve como cerne a disputa entre
a inclinação centralista-absolutista do monarca e a defesa
do federalismo pelas elites econômicas regionais. A re-
núncia do imperador em 1831 resultou:
[A] na transferência de poder às elites regionais e aos re-
gentes, ordem política que se mostrou frágil e abriu ca-
minho para levantes oposicionistas e populares.
[B] na transformação imediata de Pedro II em monarca
do Reino Português na linha de sucessão da Casa de Bra-
gança.
[C] no fortalecimento de movimentos separatistas regio-
nais, em desacordo com a manutenção do regime monár-
quico e da escravidão.
[D] no surgimento de grupos políticos republicanos, que
seriam embrionários do movimento que promoveu a Pro-
clamação da República em 1889.
[E] na emergência de uma identidade nacional brasileira,
em oposição a qualquer posição de mando de autoridades
portuguesas em território nacional.
Gabarito comentado
Q1. Conforme estudado, a Constituição de 1824 continha característi-
cas liberais e absolutistas ao mesmo tempo. Dentre as alternativas po-
demos excluir: o voto universal pois poderiam votar apenas homens li-
vres, maiores de 25 anos e com determinada renda; liberdade adminis-
trativa das províncias, pois estavam subordinadas diretamente a D. Pe-
dro I; a religião oficial era a católica e as mulheres não podiam votar.
Então, a alternativa correta é a Letra B.
Q2. A chave de toda a organização política do Império residia no Poder
Moderador, pela qual o imperador poderia nomear ministros, senadores
e juízes, nomear os presidentes de província, dissolver o legislativo e
intervir nos demais poderes. Letra D
Q3. Ao estudar o Primeiro Reinado notamos que o mesmo não possui
as seguintes características: república parlamentarista por tratar-se de
uma monarquia constitucional hereditária; voto direto e universal de-
vido ao direito de voto ser destinado para homens livres, maiores de 25
anos, condicionado a níveis de renda (voto censitário). Letra D
Q4. Essa questão exige muita atenção pois pede a única alternativa in-
correta. De todas as listadas, a única que não integra as causas da abdi-
cação de D. Pedro I é a oposição da Igreja Católica, pois a mesma estava
subordinada ao imperador pelo Padroado. Letra A
Q5. Conforme estudado, as tendências absolutistas de D. Pedro em con-
traponto as intenções liberais e federalistas da elite latifundiária, desa-
guaram em embates políticos cada vez mais acirrados. Esses descon-
tentamentos conduziram a Confederação do Equador em 1824. Letra B
Q6. Após o primeiro reinado teremos um aumento dos embates políti-
cos que resultarão nos levantes oposicionistas e populares do Período
Regencial. Letra A
4.2 Período Regencial (1831-1840)
A imensa crise política que forçou a abdicação de D. Pe-
dro I, muito em função da ambição política de ambas as
partes, não findará com a instalação da Regência. O que
estudaremos é um período histórico muito conturbado,
com graves disputas políticas, insatisfação de diversos
segmentos sociais e revoltas no território brasileiro. En-
contraremos ainda, uma grave crise econômica, desequi-
líbrio nas contas públicas, aumento do custo de vida,
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reinvindicações populares por melhores condições de
vida e protestos generalizados.
O Período Regencial, considerado uma experiência repu-
blicana entre os dois reinados, é dividido em três perío-
dos:
• Regência Trina Provisória (abril – junho de
1831);
• Regência Trina Permanente (1831-1835);
• Regência Una do Padre Feijó (1835-1837) e
• Regência Una de Araújo Lima (1837-1840).
Para alguns historiadores, existe também uma divisão re-
lacionada ao exercício do poder no país:
• Avanço Liberal (1835-1837): onde teremos uma
maior descentralização administrativa, maior li-
berdade administrativa nas províncias, modifi-
cação da Constituição para amparar essas mu-
danças liberais e a eclosão das primeiras rebe-
liões regenciais.
• Retrocesso Conservador (1837-1840): período
marcado pela retomada da centralização admi-
nistrativa, retirada de parcela da autonomia pro-
vincial, instituição de leis para amparar tais me-
didas e dura repressão as rebeliões regenciais.
Conforme estudamos, ainda no Primeiro Reinado, tive-
mos o início da formação das agremiações políticas no
Brasil, na figura dos Partidos Brasileiro e Português.
Agora no Período Regencial teremos a concreta forma-
ção e evolução dos partidos políticos, assim distribuídos
no início da Regência:
• Restauradores, também denominados de Cara-
murus: desejavam a volta de D. Pedro I ao poder
e defendiam a centralização administrativa e um
governo absolutista. Representavam os interes-
ses dos comerciantes portugueses no Brasil e
uma parcela do funcionalismo público;
• Liberais Moderados ou Chimangos: desejavam
a manutenção da ordem política, econômica e
social (escravidão), a preservação da unidade
territorial do país e a monarquia constitucional.
Neste segmento político militavam os grandes
proprietários rurais.
• Liberais Exaltados ou Farroupilhas/Jurujubas:
desejavam a descentralização política, conces-
são de maior autonomia as províncias e alguns
a proclamação de uma república. Dentre os
exaltados encontramos profissionais liberais, e
pequenos comerciantes.
A partir de 1837, o jogo político vai centrar-se numa di-
visão dos liberais moderais em Progressistas e Regressis-
tas. Isso deveu-se em parte pela morte de D. Pedro I em
1834, extinguindo a tendência restauradora que se juntou
aos moderados fortalecendo essa facção política.
• Os Progressistas defendiam um governo forte
no Rio de Janeiro e maior concessão de autono-
mia administrativa as províncias. Ao final do
Período Regencial formaram o Partido Liberal;
• Os Regressistas defendiam o fortalecimento do
Legislativo e defendiam a retirada de parcela da
autonomia administrativa concedida as provín-
cias. Formaram o Partido Conservador ao final
do Período Regencial.
Na Regência Trina Provisória (abril-junho de 1831), os
regentes interinos (senadores Carneiro de Campos e
Campos Vergueiro e o brigadeiro Lima e Silv[A] procu-
raram reestabelecer a ordem pública, readmitiram o Mi-
nistério dos Brasileiros, anistiaram presos políticos e sus-
penderam a utilização do Poder Moderador durante a Re-
gência.
Na Regência Trina Permanente (1831-1835), formada
pelos deputados Bráulio Muniz (representando o Nor-
dest[E] e Costa Carvalho (representando o Sul) e o briga-
deiro Lima e Silva, os interesses dos grandes produtores
rurais foram consolidados e os protestos dos diversos
segmentos sociais explodiram em rebeliões Brasil afora.
Para manter a ordem pública, reprimir revoltas e comba-
ter rebeliões, o ministro da Justiça Padre Feijó criou em
1831 uma milícia de confiança dos proprietários rurais; a
Guarda Nacional. Para consolidar o projeto de descentra-
lização administrativa e concessão de liberdade as pro-
víncias, em 1834 foi realizada uma modificação da Cons-
tituição de 1824 denominado de Ato Adicional de 1834.
Por esse Ato:
• A Regência deixaria de ser trina e passaria a ser
una;
• O Conselho de Estado foi suspenso;
• As províncias teriam maior autonomia,
• Criavam-se as Assembleias Legislativas nas
províncias;
• Criou-se o município neutro do Rio de Janeiro;
e
• Eleição do Regente Uno para mandato de quatro
anos.
Eleito Regente Uno em 1835, a Regência do Padre Feijó
(1835-1837), considerado progressistas, foi marcada pela
eclosão da Cabanagem no Pará, da Farroupilha no Rio
Grande do Sul e por uma forte oposição política ao seu
governo. Não conseguindo governar adequadamente e
nem impor a ordem, Feijó renunciou em 1837. Para subs-
tituí-lo foi eleito o senador regressista Araújo Lima.
A Regência Una de Araújo Lima (1837-1840) reprimiu
violentamente as rebeliões que haviam eclodido Brasil
afora. Para garantir o reestabelecimento da ordem pú-
blica, montou um gabinete de governo formado por polí-
ticos mais conservadores (Ministério das Capacidades) e
instituiu um conjunto de leis para promover a centraliza-
ção administrativa e manter a unidade territorial do país.
Esse conjunto de modificações conhecido Lei Interpre-
tativa do Ato Adicional (1840) promoveu uma revisão
mais conservadora do Ato Adicional, considerado por
muitos como o “código da anarquia", estabelecendo:
• Reorganização da Guarda Nacional;
• Redução da autonomia provincial;
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• Criação dos Partidos Liberal e Conservador;
• Subordinação dos órgãos policiais e da Justiça
ao poder central.
Esse fortalecimento de uma política regressista/conserva-
dora desagradou a corrente progressistas/liberal, embora
tenha surtido efeito no combate as rebeliões existentes.
Para reduzir o poder de Araújo Lima, os progressistas
passaram a defender a maioridade do jovem Pedro de Al-
cântara como forma de preservar a unidade territorial e
restabelecer a autoridade de governo perante o país. Para
tanto, foram criados os chamados Clubes da Maioridade.
Em 1840, o Legislativo aprovou a tese da maioridade
(Golpe da Maioridad[E] e Pedro de Alcântara tornou-se
o segundo imperador do Brasil como D. Pedro II.
Causadas pela grave crise econômica decorrente dos gas-
tos do governo, aumento de impostos e alto custo de vida,
as rebeliões ocorridas entre 1831 e 1845, ameaçaram a
ordem política e social vigente e a unidade territorial do
Brasil. Abaixo veremos um breve resumo das chamadas
Rebeliões Regenciais, que tanto tumultuaram o período
regencial:
• Cabanagem (1835-1840) - Pará: ocorrida no
Pará (Grão-Pará), foi uma revolta popular que
durou aproximadamente 5 anos. Lutando contra
as péssimas condições de vida e miséria local,
os revoltosos denominados de cabanos, toma-
ram o poder na província. Liderados pelo padre
Batista Campos, tomaram Belém, mas não fo-
ram muito organizados, facilitando a repressão
governamental.
• Revolução Farroupilha (1835-1845) - Rio
Grande do Sul: denominada de Guerra dos Far-
rapos, a revolta foi a mais longa da história do
Brasil. Suas causas residem em questões sociais
e econômicas, principalmente sobre os impostos
cobrados pela produção do charque, principal
alimento fornecido aos escravos (Questão do
Charqu[E]. Liderados por Bento Gonçalves,
Davi Canabarro e Giuseppe Garibaldi, o movi-
mento composto pelos estancieiros gaúchos,
proclamou a independência da região doravante
denominada de República Rio-Grandense. em
1839, a revolta chegou a Santa Catarina, for-
mando a República Juliana. Sob a liderança do
barão de Caxias, os revoltosos foram derrotados
e assinaram um tratado de paz (Ponche Verd[E]
que anistiou os revoltosos, incorporou soldados
e oficiais farroupilhas no exército imperial, li-
bertou os negros escravos que lutaram ao lado
dos farroupilhas.
• Revolta dos Malês (1835) - Bahia: ocorrida em
Salvador, foi a rebelião mais temida pela elite
latifundiária do país, pois implicava num movi-
mento de escravos africanos num país em que a
maioria da população era de escravos negros. Os
revoltosos eram muçulmanos, denominados de
malês e que exerciam atividades livres como es-
cravos de ganho (alfaiates,pequenos
comerciantes, artesãos e carpinteiros). Seus
principais objetivos eram os de acabar com o ca-
tolicismo na região, confiscar os bens dos lati-
fundiários, proclamar uma república islâmica,
libertar os negros, mas mantê-los a serviço dos
líderes do movimento. Traídos, foram violenta-
mente reprimidos, muitos dos líderes e partici-
pantes mortos e alguns revoltosos presos e de-
gredados para a África.
• Sabinada (1837-1838) - Bahia: liderada pelo
médico Francisco Sabino Álvares, a rebelião foi
integrada por membros da classe média de Sal-
vador dentre eles profissionais liberais, comer-
ciantes e outros homens de posse e boa cultura.
Objetivavam proclamar uma república na região
que duraria até a maioridade de Pedro de Alcân-
tara. Violentamente reprimidos, foram derrota-
dos, mas os líderes não foram executados, sendo
presos e deportados ou degredados.
• Balaiada (1838-1841) - Maranhão: outra revolta
popular, liderados pelo artesão Manuel dos An-
jos (conhecido como balaio), pelo negro Cosme
e pelo vaqueiro Raimundo Gomes, foi causada
pela grave crise econômica decorrente da queda
dos preços do algodão devido à concorrência da
produção oriunda dos Estados Unidos. Teve
participação de pessoas simples, vaqueiros, ser-
tanejos, escravos e no início, também pelos
membros de profissionais liberais da região, de-
nominados de "bem te vis". Combatidos pelas
tropas imperiais liderados pelo então coronel
Luís Alves de Lima e Silva, foram de derrotados
e presos na vila de Caxias. Mais tarde foram
anistiados por D. Pedro II. Ao retornar vitorioso
à capital, o Coronel Luís Alves de Lima e Silva
recebeu o título de Barão de Caxias.
QUESTÃO 01
Em 1831, durante o Período Regencial, em resposta às
agitações militares e populares, criou-se pelos moderados
o [A]
[A] Guarda Nacional.
[B] Conselho de Estado.
[C] Clube da Maioridade.
[D] Regência Una de Feijó.
[E] Código do Processo Criminal.
QUESTÃO 02
As Províncias onde, durante o Império (1822-1889),
ocorreram a Balaiada e a Sabinada, respectivamente, fo-
ram:
[A] Maranhão e Ceará;
[B] Pernambuco e Paraíba;
[C] Maranhão e Bahia;
[D] Ceará e Pernambuco;
[E] Paraíba e Rio de Janeiro.
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QUESTÃO 03
Das rebeliões iniciadas no Período Regencial (1831-
1840), a de maior duração foi a:
[A] Cabanada;
[B] Sabinada;
[C] Cabanagem;
[D] Balaiada;
[E] Farroupilha.
QUESTÃO 04 (UPF-RS)
O Período Regencial (1831-1 840) apresentou um con-
junto de particularidades políticas e sociais importantes
na história da monarquia brasileira. Em relação ao perí-
odo, considerem-se as seguintes afirmativas:
I. Os três grupos políticos que atuaram no período foram
os Republicanos ou Caramurus; os Exaltados ou Farrou-
pilhas e os Moderados ou Chimangos.
II. A criação da Guarda Nacional, em 1831, significou a
formação de uma milícia armada dirigida e formada pelos
grandes proprietários rurais.
III. O Código de Processo Criminal dava amplos poderes
ao juiz de paz, que estava sob o controle dos senhores
locais.
IV. O Ato Adicional de 1834 alterou a Carta de 1824,
especialmente em relação às reivindicações des-centrali-
zadoras, pela criação das Assembleias Provinciais.
Está correto:
[A] I apenas.
[B] I e II apenas.
[C] II, III e IV apenas.
[D] I, III e IV apenas.
[E] III e IV apenas.
QUESTÃO 05
O Período Regencial brasileiro (1831-1840) foi mar-cado
por revoltas em quase todas as províncias do Império, em
meio às lutas políticas entre os membros da classe domi-
nante. Uma das tentativas de superação desses conflitos
foi a aprovação, pelo Parlamento, do Ato Adicional de
1834, que se caracterizava por:
[A] substituir a Regência Una pela Regência Trina.
[B] fortalecer o Legislativo e o Judiciário.
[C] conceder menor autonomia às províncias.
[D] extinguir os conselhos provinciais.
[E] estimular o desenvolvimento econômico regional.
Gabarito comentado
Q1. Preocupados em manter a ordem política, social e econômica vi-
gentes, o grupo político que governava o país, inclusive para manter
também a unidade territorial, passa a reprimir violentamente as rebe-
liões que eclodiram no período. Para tanto, criaram uma milícia armada
para atendar suas demandas: a Guarda Nacional. Letra A.
Q2. Conforme estudado a resposta correta para o presente questiona-
mento é Maranhão e Bahia. Letra C
Q3. Denominada de Guerra dos Farrapos, a revolta foi a mais longa da
história do Brasil. Suas causas residem em questões sociais e econômi-
cas, principalmente sobre os impostos cobrados pela produção do char-
que, principal alimento fornecido aos escravos (Questão do Charqu[E].
Q4. Nossos estudos do processo político iniciado no Brasil, durante o
Período Regencial, nos ensinam que dentre os tais partidos o republi-
cano surgirá somente no Segundo Reinado. As demais alternativas es-
tão corretas. Letra C.
Q5. Para consolidar o projeto de descentralização administrativa e con-
cessão de liberdade as províncias, em 1834 foi realizada uma modifica-
ção da Constituição de 1824 denominado de Ato Adicional de 1834.
Essa alteração também fortaleceu os poderes Legislativo e Judiciário.
Letra B.
4.3 Segundo Reinado (1840-1889)
Alçado à condição de Imperador em tenra idade, como
consequência do Golpe da Maioridade, o jovem D. Pedro
II governará o Brasil por mais de 49 anos enfrentando
turbulências internas e externas, mas também sendo ca-
paz de estabelecer - ao longo da história - um período de
estabilidade política, desenvolvimento econômico e pro-
gresso tecnológico. Entretanto, somente em 1888 dará
desenlace definitivo ao problema da escravidão, ação que
dizem os historiadores, ajudar a causar-lhe a perda de
apoio político e consequentemente o trono.
O estudo desse período será feito em três abordagens. Na
primeira veremos os principais acontecimentos no con-
texto interno (administrativos, econômicos, sociais e ter-
ritoriais) e depois no contexto externo (diplomáticos e
militares). Finalmente, concluiremos nossa abordagem
falando sobre a crise da monarquia e as causas que leva-
ram a proclamação da República.
Politicamente o Segundo Reinado nasce e termina sobre
a égide de dois golpes: no início o da Maioridade e ao
final o da proclamação republicana. Alçado ao poder
como solução imediata para os problemas da nação, D.
Pedro II consolidará a imagem do governante represen-
tante do Estado e de suas instituições, exercendo o poder
com apoio dos grandes latifundiários escravocratas e
agroexportadores.
Os grupos políticos serão aqueles oriundos da cisão do
Partido dos Liberais Moderados, ainda no Período Re-
gencial. De um lado teremos o Partido Conservador (an-
tigo Regressista), denominados de Saquaremas e que de-
fendiam um governo centralizado e de outro o Partido Li-
beral (antigo Progressista), também chamados de Luzias,
defensores de um governo mais descentralizado. Embora
divergentes em alguns aspectos, mantinham a defesa dos
grupos hegemônicos no país: grandes produtores rurais,
comerciantes e profissionais liberais. De uma dissidência
dos Liberais, surgiu na província de São Paulo, em 1873,
o Partido Republicano Paulista (PRP), integrado pelos
cafeicultores paulistas que reivindicavam a abolição da
escravidão, maior autonomia para as províncias e o fim
do Poder Moderador, mais tarde a proclamação da Repú-
blica.
Após a assunção do trono, D. Pedro II formou um go-
verno com os políticos liberais apoiadores do Golpe da
Maioridade que nas eleições de 1840, apelidada de Elei-
ções do Cacete, utilizaram de violência contra seus opo-
sitores e ostensivas fraudes eleitorais. Em virtude do
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ocorrido, foram afastados do poder por D. Pedro II em
1841. Tal medida suscitou forte oposição dos políticos
liberais de São Paulo e Minas Gerais que partiram para a
rebelião armada contra o governo. Liderados pelo padreFeijó em SP e Teófilo Otoni em MG, promoveram a Re-
volta Liberal de 1842. A rebelião foi vencida pelo Barão
de Caxias e seus membros foram anistiados pelo Impera-
dor em 1844.
Objetivando pacificar as relações políticas, foi criado em
1847 o cargo de Presidente do Conselho de Ministros,
que deu início a um Sistema Parlamentarista no Brasil,
com uma especificidade: seria do Imperador, via Poder
Moderador, a prerrogativa de escolher o Gabinete de seu
interesse. Desta forma D. Pedro II submete o Legislativo,
principal poder de um Parlamentarismo clássico. Por esta
razão os historiadores denominam nosso parlamenta-
rismo monárquico de “Parlamentarismo às avessas".
Esse sistema propiciou a pacificação política, alternando
no exercício do poder os Partidos Liberal e Conservador,
quem em determinados momentos governaram juntos no
formato de coalização nos chamados Gabinetes de Con-
ciliação (1853-1861).
Entretanto, as dissidências anteriores a este evento forta-
leceram em Pernambuco um espírito opositor ao governo
central. Governados de 1845-1848 por um representante
dos liberais (Chichorro da Gam[A] os ânimos se manti-
veram calmos. Após 1848 a situação mudou. A presença
de um governante conservador na província, a grave crise
econômica decorrente da queda de produção de açúcar, o
predomínio político dos Cavalcanti e as desigualdades
sociais na província, conduziram os radicais do Partido
Liberal pernambucano, conhecidos como praieiros, a re-
belião armada. Começava a Revolução Praieira, nome
derivado do Partido da Praia e do Jornal Diário Novo, li-
derada por Borges da Fonseca. Derrotados por tropas fe-
derais, alguns integrantes foram condenados à prisão per-
pétua em Fernando de Noronha, mas anistiados em 1851.
Na oportunidade que chegaram efetivamente ao poder, os
revoltosos divulgaram um Manifesto ao Mundo pro-
pondo:
• Voto livre e universal;
• Liberdade de imprensa;
• Total independência dos poderes constituídos;
• Extinção do Poder Moderador;
• Reforma do Poder Judiciário;
• Fim do recrutamento militar obrigatório;
• Proibição do comércio varejista para portugue-
ses; e
• Estabelecimento de um sistema federativo no
país.
No aspecto econômico e social, o Segundo Reinado foi
marcado por alguma modernização do país, pela manu-
tenção da escravidão e pela crescente produção de café,
que se tornou o principal produto da economia brasileira.
Os cafezais ocuparam a região sudeste onde propiciaram
a imensa expansão da lavoura, devido a qualidade do solo
e a substituição progressiva do trabalho escravo pelo
imigrante assalariado, o que permitiu a aplicação de re-
cursos nas capitais em serviços de iluminação pública,
transporte por bondes e ferrovias e criação de bancos.
Ajudado pela criação da Tarifa Alves Branco (1844), que
instituiu a cobrança de novas tarifas alfandegárias sobre
os produtos importados (de 15% para 30%), o principal
expoente dessas iniciativas foi o Barão, depois Visconde
de Mauá (Irineu Evangelista de Sousa), empresário res-
ponsável pela construção de primeira ferrovia brasileira
(Rio de Janeiro-Petrópolis), do surgimento do serviço de
bondes no Rio de Janeiro, pela instalação de iluminação
a gás na capital, pela utilização do telegrafo no Brasil e
de um cabo submarino ligando o Brasil a Europa. Vale
ressaltar que tamanhas melhorias beneficiaram apenas al-
gumas cidades (capitais) e algumas poucas regiões.
Quanto a produção de café e a manutenção do tráfico de
escravos a situação pode ser assim descrita: com a grande
expansão da lavoura cafeeira e as contínuas pressões dos
ingleses para o fim do tráfico negreiro, desde 1831, a so-
lução foi substituir a mão de obra escrava pelo trabalho
assalariado dos imigrantes. Antes de tal solução, em
1845, o parlamento britânico instituiu o Bill Aberdeen,
ato que declarou crime o tráfico de escravos no Atlântico,
ficando os criminosos sujeitos a prisão e julgamento na
Inglaterra. Em função desse grave conflito de soberania,
D. Pedro II promulga em 1850 a Lei Eusébio de Queiróz,
colocando fim ao tráfico intercontinental de escravos ne-
gros, que o jeitinho brasileiro substituiu pelo inter-regio-
nal do Nordeste para o Sudeste brasileiro. Neste mesmo
ano, é também promulgada a Lei de Terras, que estabele-
cia a propriedade da terra por meio de compra e não mais
pela ocupação das terras, concentrando a propriedade nas
mãos dos grandes latifundiários.
A política externa do Segundo Reinado será marcada por
um conflito diplomático com a Inglaterra e por interven-
ções na região do rio da Prata, para defesa dos interesses
nacionais, que resultarão no mais sangrento conflito bé-
lico da América do Sul. Com a instituição da Tarifa Alves
Branco em 1844, os produtos ingleses serão taxados no
dobro do que era cobrado anteriormente. Essa providên-
cia trará bons resultados econômicos para o Brasil, mas
prejudicará os interesses ingleses no país. Com o objetivo
de forçar um compromisso do governo brasileiro com o
fim do tráfico negreiro, pois os escravos negros não eram
consumidores de seus manufaturados, a Inglaterra redo-
bra suas pressões sobre o Brasil visto a proclamação do
Bill Aberdeen em 1845 e a consequente extinção do trá-
fico externo com a Lei Eusébio de Queirós em 1850. As
pressões inglesas foram intensificadas e através de seu
embaixador William Christie, teremos dois graves inci-
dentes diplomáticos na chamada Questão Christie:
• O primeiro em 1861, com o roubo não explicado
da carga do navio inglês Príncipe de Gales no
litoral gaúcho, e
• O segundo em 1862, com a prisão de oficiais in-
gleses que embriagados promoviam algazarra
nas ruas do Rio de Janeiro.
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Com a exigência de indenização pela carga roubada e pu-
nição dos militares brasileiros envolvidos na prisão dos
oficiais ingleses, a questão foi levada ao arbitramento in-
ternacional do Rei da Bélgica (Leopoldo I) que deu ga-
nho de causa ao Brasil. Mesmo com o pagamento anteci-
pado da carga, o governo inglês não pediu desculpas ao
governo brasileiro que rompeu relações diplomáticas
com a Inglaterra no período de 1863-1865, momento em
que os ingleses apresentaram suas desculpas formais, re-
conhecendo a soberania brasileira.
Por sua vez as chamadas Questões Platinas serão resul-
tado da política de garantia dos interesses nacionais no
cone sul (região do rio da Prata), com vistas a assegurar
a livre navegação na bacia platina, único acesso fluvial
ao Mato Grosso, e impedir os ataques dos fazendeiros
uruguaios as estâncias gaúchas fronteiriças com aquele
país. A manutenção dos interesses nacionais fez com que
o Brasil se aliasse ao Partido Colorado uruguaio e inter-
visse nos governos dos presidentes Oribe e Aguirre, re-
presentantes do Partido Blanco, contrário as pretensões
brasileiras. Visando impedir o objetivo argentino de ane-
xar o Uruguai, o Brasil também interveio numa ação mi-
litar contra o governo do presidente Rosas. Vale ressaltar
que a última intervenção no Uruguai, contra Aguirre, re-
sultou em protestos e ações bélicas do Paraguai contra o
Império brasileiro.
O início do conflito mais sangrento da América do Sul
foi o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de
Olinda em 1864. Após o rompimento de relações diplo-
máticas, o exército paraguaio invadiu o Mato Grosso e o
Rio Grande do Sul. Começava a Guerra do Paraguai
(1864-1870).
A ambição paraguaia de formar o Paraguai Maior, com
saída para o mar anexando parte do Rio Grande do Sul e
o Uruguai, arrastaram para a guerra Argentina e Uruguai
que firmaram com o Brasil o Tratado da Tríplice Aliança.
Segundo os historiadores a guerra teve três momentos
distintos:
• Ofensiva paraguaia no Mato Grosso e Rio
Grande do Sul, que levou a formação dos Bata-
lhões de Voluntários da Pátria, a assinatura do
tratado da Tríplice Aliança e aos episódios his-
tóricos da retirada da Laguna, o sacrifício da
guarnição militar de Douradoscomandada pelo
Tenente Antônio João e a rendição das tropas
paraguaias em Uruguaiana.
• Ofensiva aliada, onde ocorreram as Batalha
campal do Tuiuti, a Batalha naval do Riachuelo,
a reorganização do Exército feita pelo marquês
de Caxias e o evento das batalhas de Humaitá,
Lomas Valentinas, Avaí e Itororó, sendo estas
três últimas comandas pelo então marquês de
Caxias, na campanha militar denominada de
Dezembrada.
• Campanha das Cordilheiras, onde após a ocupa-
ção de Assunção, Caxias passa o comando das
tropas para o Conde D'Eu, que iniciará a terceira
fase da guerra. O conflito terminará na Batalha
do Cerro Corá coma morte do líder paraguaio
Solano López. Por seus méritos, o marquês de
Caxias receberá de D. Pedro II o título de duque.
Como saldo final da guerra tivemos cerca de 300 mil
mortes entre civis e militares, a redução em cerca de 60%
da população paraguaia, a destruição da economia para-
guaia, o imenso prejuízo econômico brasileiro e o forta-
lecimento do exército brasileiro como instituição nacio-
nal.
Na parte final dos nossos estudos sobre o Segundo Rei-
nado, veremos a seguir os acontecimentos que gradual-
mente conduziram à instituição da República no Brasil.
Quais então foram as causas da crise do Império e da pro-
clamação da República? A proclamação da república foi
o resultado final da crise iniciada em 1870, decorrente da
campanha abolicionista, de conflitos com a igreja e com
os militares, do surgimento do movimento republicano e
do interesse dos cafeicultores e dos militares. Apesar de
sua postura conciliadora, D. Pedro II não conseguiu pa-
cificar os interesses confiantes dos diferentes grupos po-
líticos e sociais existentes naquele momento histórico do
país.
A campanha abolicionista, intensificada após a Guerra do
Paraguai, foi responsável pelo apoio de grande parcela da
sociedade brasileira e de grupos econômicos ingleses,
que enxergavam na escravidão um atraso. Por sua vez,
parcela da intelectualidade, os cafeicultores do oeste pau-
lista, os militares e a imprensa defendiam a abolição
como uma necessidade para a modernização socioeconô-
mica do país. Por um lado, os cafeicultores do vale do rio
paraíba se opunham ao fim da escravidão e, no máximo,
admitiam-na com a indenizações do governo. Com vistas
a protelar uma decisão definitiva do caso, o governo im-
perial promulgou duas leis que emanciparam parcela dos
escravos:
• Lei do Ventre Livre (1871): também chamada
de Lei Visconde do Rio Branco, foi objeto de
grandes controvérsias no Parlamento, mas re-
presentou um passo na direção do fim da escra-
vatura ao declarar livres os filhos de mulher es-
crava que nasceram desde aquela data, e
• Lei dos Sexagenários (1885): denominada de
Saraiva-Cotegipe, declarou livres os escravos
com mais de 65 anos.
A abolição definitiva veio em 13 de maio de 1888, mo-
mento em que a Princesa Isabel extinguiu a escravidão
no Brasil, abalando definitivamente as relações políticas
entre o Império e os proprietários de escravos, que passa-
ram a apoiar a causa republicana.
Com a Questão Religiosa, a Igreja também passou a en-
grossar a fila dos descontentes com o poder imperial. Du-
rante o Segundo Reinado, de acordo com a constituição
de 1824, a Igreja era subordinada ao Estado por meio do
regime de padroado. Nesse regime, o imperador tinha o
poder de nomear padres e bispos. Em 1864, o papa Pio
IX proibiu a existência de católicos ligados à maçonaria.
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Valendo-se do padroado, Dom Pedro II, que era maçom,
desacatou a ordem papal e determinou o beneplácito, ou
seja, que as ordens do papa somente iriam vigorar no Bra-
sil depois de aprovadas pelo imperador. Apesar disso, em
1872, os bispos de Olinda e Belém, D. Vidal e D. Ma-
cedo, cumpriram as ordens papais e foram punidos com
prisão por D. Pedro II, fato que gerou comoção e grande
revolta. Mesmo sendo anistiados em 1875, o conflito aba-
lou profundamente o apoio que o império possuía junto a
igreja e aos católicos.
Por sua vez, a Questão Militar está relacionada aos con-
flitos ocorridos entre os militares e o governo imperial
entre 1884 e 1889. Após a Guerra do Paraguai (1864-
1870), os militares se conscientizaram de sua importân-
cia, mas não foram recompensados e reconhecidos pela
monarquia. No ano de 1883, o embate se acentuou
quando um grupo de oficiais criticou o governo por causa
de um projeto de revisão do pecúlio militar (aposenta-
dori[A]. Mediante as críticas, o governo recuou e anulou
o projeto, mas vetou que os membros do Exército utili-
zassem dos meios de comunicação para criticar as insti-
tuições ou autoridades do Império. Dois conflitos são
considerados os mais importantes entre militares e os po-
líticos, apelidados de “casacas”: o primeiro em 1884, en-
volve o Tenente-Coronel Sena Madureira que apoiou a
causa abolicionista e foi transferido para o Rio Grande do
Sul, gerando muito ressentimento entre os militares, que
neste momento, já comungavam das ideias positivistas
que haviam sido introduzidas no Exército; o segundo in-
cidente se deu em 1885, quando o Coronel Cunha Matos
apontou irregularidades em quartéis no Piauí, realizando
críticas na imprensa, sendo punido. O descaso que os po-
líticos tinham pelo Exército levou-os a punir oficiais,
provocando mais revolta em importantes comandantes
militares, como o Marechal Deodoro da Fonseca. A insa-
tisfação dos militares com o governo, somadas às ideias
positivistas e à movimentação republicana orquestrariam
o fim do regime monárquico em 1889.
Vale ressaltar a importância para este contexto das ideias
republicanas no Brasil. Em 1870 surge o Manifesto Re-
publicano, para esclarecer a sociedade das falhas do re-
gime monárquico e as virtudes da República. Para os re-
publicanos a Monarquia era um regime de “privilégios”
que conduzia o país a uma “desorganização administra-
tiva e a perturbações econômicas”, concedia excessivo
poder do Imperador e pecava pela falta de representação.
D. Pedro II e seus ministros tentaram acalmar os ânimos.
O Gabinete do Visconde de Ouro Preto propôs reformas
política, social e econômica de cunho liberal. Porém os
republicanos estavam convictos de que era necessária a
mudança de regime. Alguns políticos conseguiram o
apoio do Marechal Deodoro que liderava o Exército na
época. Na manhã do dia 15 de novembro, Deodoro assu-
miu o comando de tropas e junto com os líderes republi-
canos declararam a instauração da República com a no-
meação de um novo Gabinete. Não houve manifestações
populares, pois, como disse Aristides Lobo “o povo as-
sistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer
o que significava”. Estava proclamada a República brasi-
leira.
QUESTÃO 01
O item da pauta de exportação brasileira do Segundo Rei-
nado que foi considerado um importante fator de moder-
nização da economia foi:
[A] O Tabaco.
[B] O Café.
[C] A Cana de Açúcar.
[D] A Soja.
[E] O Trigo
QUESTÃO 02
A Lei de Terras (1850) regulamentou questões relaciona-
das à propriedade privada da terra e a mão de obra agrí-
cola. Tal legislação atendeu aos interesses dos grandes
fazendeiros da região sudeste, que cultivavam:
[A] cacau.
[B] cana de açúcar.
[C] soja.
[D] café.
[E] algodão.
QUESTÃO 03
Em resposta ao ataque paraguaio à província de Corrien-
tes, em 1865, foi assinado um tratado que deu origem à
Tríplice Aliança. Os países que fizeram parte desta Trí-
plice Aliança foram:
[A] Argentina, Brasil e Chile.
[B] Argentina, Brasil e Uruguai.
[C] Brasil, Uruguai e Paraguai.
[D] Brasil, Argentina e Chile.
[E] Paraguai, Chile e Argentina.
QUESTÃO 04
Entre as causas da Guerra da Tríplice Aliança temos a
(o):
[A] disputa pela livre navegação na Bacia do Prata.
[B] controle sobre as exportações de prata e estanho vin-
dos da Bolívia.
[C] interesse da Inglaterra em dominar o mercado de ex-
portação de erva-mate.
[D] desejo do presidenteSolano Lopez em anexar o Uru-
guai.
[E] apresamento do Navio Marquês de Olinda, que le-
vava o presidente da província de São Paulo.
QUESTÃO 05
A decretação da cobrança da Tarifa Alves Branco (1844)
levou o governo Imperial a:
[A] falência do Banco do Brasil.
[B] um aumento da tributação sobre as importações.
[C] proibir o tráfico de escravos.
[D] decretar o fim do Tratado de Methuen.
[E] incentivar as importações de produtos.
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QUESTÃO 06
Em 1845, a Inglaterra aprovou o Bill Aberdeen. Com re-
lação a esse ato é correto afirmar:
[A] concedia à Inglaterra o direito de monopolizar o trá-
fico negreiro par o Brasil.
[B] determinava a substituição da mão-de-obra escrava
pela mão-de-obra livre.
[C] era declarado legal o aprisionamento de qualquer na-
vio negreiro, bem como o julgamento dos traficantes pela
marinha inglesa.
[D] elevava violentamente as taxas alfandegárias sobre
os produtos brasileiros.
[E] visava à eliminação da concorrência que a agricultura
escravista brasileira representava.
QUESTÃO 07
Ente os anos de 1864 e 1870, desenrolou-se na América
do Sul, um conflito intitulado Guerra do Paraguai, ou
Guerra da Tríplice Aliança. Podemos afirmar que o epi-
sódio conhecido como o estopim para o início deste con-
flito foi o [A]:
[A] aprisionamento do navio brasileiro Marquês de
Olinda pelos paraguaios.
[B] ataque paraguaio às tropas da Tríplice Aliança na Ba-
talha de Tuiuiti.
[C] dueto naval ente as marinhas paraguaia e brasileira
na batalha do Riachuelo.
[D] Invasão de áreas dos estados do Paraná e São Paulo.
[E] tentativa de tomada de Buenos Aires e La Paz pelo
ditador Solano López.
QUESTÃO 08
A importância da Lei Eusébio de Queirós (1850), no con-
texto do processo de abolição da escravatura, está no fato
de ter:
[A] declarado extinto o tráfico de africanos, estipulando
penas para seus infratores.
[B] concedido liberdade a todos os escravos que partici-
param da Praieira (1848).
[C] permitido a repressão dos traficantes de escravos por
navios da marinha portuguesa.
[D] libertado os escravos que fossem maiores de 60 anos
de idade.
[E] acabado com a venda em separado de casais africanos
em leilões públicos.
QUESTÃO 09
Durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), após
a ocupação da capital paraguaia, o comando das forças
brasileiras passou a ser exercido por:
[A] Conde D'Eu;
[B] Osório;
[C] Caxias;
[D] Tamandaré;
[E] Solano López
QUESTÃO 10
No cenário militar da Guerra do Paraguai podemos afir-
mar que:
[A] foi uma guerra em que o Brasil teve que enfrentar as
forças da Tríplice Aliança.
[B] a campanha da "Dezembrada" foi a principal ação na-
val no rio Paraguai por parte da Marinha Imperial.
[C] foi uma guerra tríplice, do Brasil, contra a Argentina,
da Argentina contra o Uruguai e do Uruguai contra o Pa-
raguai.
[D] a principal ação terrestre por parte do Exército Bra-
sileiro foi nas duas batalhas de Tuiuti.
[E] teve início quando Solano Lopez depôs o governo
uruguaio de Aguirre, que contava com o apoio do Brasil.
QUESTÃO 11 (UNIFOR)
O café foi introduzido no Brasil no início do século XVIII
para consumo doméstico. Com o avanço da Revolução
Industrial, na Europa e depois nos Estados Unidos, a agri-
cultura do café expandiu-se rapidamente e na terceira dé-
cada do século XIX este produto já era exportado em
larga escala. Sobre o assunto assinale a alternativa cor-
reta.
[A] os primeiros cafezais para exportação concentraram-
se no Vale do Rio Paraíba no estado do Rio de Janeiro e
no oeste de São Paulo.
[B] o trabalho assalariado foi a principal forma de uso da
mão de obra nesta etapa inicial.
[C] na medida em que as boas terras do vale do Paraíba
foram esgotando-se o plantio do café deslocou-se para o
Espírito Santo e Bahia.
[D] na segunda metade do século XIX o café já era o
principal produto de exportação com largo crescimento
em São Paulo.
[E] os governos dos estados produtores optaram por não
proteger a agricultura do café, para manter os princípios
da não intervenção.
QUESTÃO 12
A Proclamação da República, em 1889, está ligada a um
conjunto de transformações econômicas, sociais e políti-
cas ocorridas no Brasil, a partir de 1870, dentre as quais
se inclui:
[A] a universalização do voto com a reforma eleitoral de
1881, efetivada pelo Partido Liberal.
[B] o desenvolvimento industrial do Rio de Janeiro e de
São Paulo, criando uma classe operária combativa.
[C] a progressiva substituição do trabalho escravo, cul-
minando com a Abolição em 1888.
[D] a concessão de autonomia provincial, que enfraque-
ceu o governo imperial.
[E] o enfraquecimento do Exército, após as dificuldades
e os insucessos durante a Guerra do Paraguai.
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QUESTÃO 13 ()
Durante o Império, a economia brasileira foi marcada por
sensível dependência em relação à Inglaterra e a outros
países europeus. Essa situação foi alterada em 1844 com:
[A] a substituição do livre-cambismo por medidas prote-
cionistas, através da Tarifa Alves Branco.
[B] a criação da Presidência do Conselho de Ministros,
que fortaleceu a aristocracia rural.
[C] a aprovação da Maioridade, que intensificou as rela-
ções econômicas com os Estados Unidos.
[D] a eliminação do tráfico de escravos e a consequente
liberação de capitais para novos investimentos.
[E] o estabelecimento do Convênio de Taubaté com a in-
tervenção do Estado na economia.
QUESTÃO 14
O descontentamento do Exército, que culminou na Ques-
tão Militar no final do Império, pode ser atribuído:
[A] às pressões exercidas pela Igreja junto aos militares
para abolir a monarquia.
[B] à propaganda do militarismo sul-americano na im-
prensa brasileira.
[C] às tendências ultrademocráticas das forças armadas,
que desejavam conceder maior participação política aos
analfabetos.
[D] à ambição de iniciar um programa de expansão im-
perialista na América Latina.
[E] à predominância do poder civil que não prestigiava
os militares e lhes proibia o debate político pela im-
prensa.
QUESTÃO 15
Sobre o parlamentarismo praticado durante quase todo o
Segundo Reinado e a atuação dos partidos Liberal e Con-
servador, podemos afirmar que:
[A] ambos colaboraram para suprimir qualquer fraude
nas eleições e faziam forte oposição ao centralismo im-
perial.
[B] as divergências entre ambos impediram períodos de
conciliação, gerando acentuada instabilidade no sistema
parlamentar.
[C] organizado de baixo para cima, o parlamentarismo
brasileiro chocou-se com os partidos Liberal e Conserva-
dor de composição elitista.
[D] Liberal e Conservador, sem diferenças ideológicas
significativas, alternavam-se no poder, sustentando o par-
lamentarismo de fachada, manipulado pelo imperador.
[E] os partidos tinham sólidas bases populares e o parla-
mentarismo seguia e praticava rigidamente o modelo in-
glês.
QUESTÃO 16
Segundo o historiador Boris Fausto, o fim do regime mo-
nárquico resultou de uma série de fatores de diferentes
relevâncias, destacando-se:
[A] unicamente o xenofobismo despertado pelo Conde
d'Eu, nos meios nacionalistas.
[B] a disputa entre a Igreja e o Estado, sem dúvida, o fator
prioritário na queda do regime.
[C] a maior força política da época: os barões fluminen-
ses, defensores da Abolição.
[D] a aliança entre exército e burguesia cafeeira que,
além da derrubada da monarquia, constituíram uma base
social estável para o novo regime.
[E] a doutrina positivista, defendida pelas elites e que se
opunha a um executivo forte e reformista.
Gabarito comentado
Q1. Os cafezais ocuparam a região sudeste onde propiciaram a imensa
expansão da lavoura, devido a qualidade do solo e a substituição pro-
gressiva do trabalho escravo pelo imigrante assalariado, o que permitiu
a aplicação de recursos nas capitais em serviços de iluminação pública,
transportepor bondes e ferrovias e criação de bancos, modernizando a
economia. Letra B.
Q2. Promulgada em 1850 a Lei de Terras, que estabeleceu a proprie-
dade da terra por meio de compra e não mais pela ocupação das terras,
concentrou a propriedade nas mãos dos grandes latifundiários ligados
ao plantio do café. Letra D.
Q3. A ambição paraguaia de formar o Paraguai Maior, com saída para
o mar anexando parte do Rio Grande do Sul e o Uruguai, arrastaram
para a guerra Argentina e Uruguai que firmaram com o Brasil o Tratado
da Tríplice Aliança. Letra B.
Q4. As chamadas Questões Platinas, dentre elas a Guerra do Paraguai,
serão resultado da política de garantia dos interesses nacionais no cone
sul (região do rio da Prat[A], com vistas a assegurar a livre navegação
na bacia platina, único acesso fluvial ao Mato Grosso, e impedir os ata-
ques dos fazendeiros uruguaios as estâncias gaúchas fronteiriças com
aquele país. Letra A.
Q5. A criação da Tarifa Alves Branco (1844) instituiu a cobrança de
novas tarifas alfandegárias sobre os produtos importados (de 15% para
30%),. Letra B.
Q6. Em 1845, o parlamento britânico instituiu o Bill Aberdeen, ato que
declarou crime o tráfico de escravos no Atlântico, ficando os crimino-
sos sujeitos a prisão e julgamento na Inglaterra. Letra C.
Q7. O início do conflito mais sangrento da América do Sul foi o aprisi-
onamento do navio brasileiro Marquês de Olinda em 1864. Letra A.
Q8. D. Pedro II promulga em 1850 a Lei Eusébio de Queiróz, colocando
fim ao tráfico intercontinental de escravos negros. Letra A.
Q9. Após a ocupação de Assunção, Caxias passa o comando das tropas
para o Conde D'Eu, que iniciará a terceira fase da guerra. A chamada
Campanha das Cordilheiras. Letra A.
Q10. Estima-se que mais de 50 mil homens participaram da maior e
mais sangrenta batalha campal da América do Sul, a batalha do Tuiuti.
Letra D.
Q11. No aspecto econômico e social, o Segundo Reinado foi marcado
por alguma modernização do país, pela manutenção da escravidão e
pela crescente produção de café, que se tornou o principal produto da
economia brasileira. Os cafezais ocuparam a região sudeste onde pro-
piciaram a imensa expansão da lavoura, devido a qualidade do solo e a
substituição progressiva do trabalho escravo pelo imigrante assalariado,
o que permitiu a aplicação de recursos nas capitais em serviços de ilu-
minação pública, transporte por bondes e ferrovias e criação de bancos.
Letra D.
Q12. A abolição definitiva veio em 13 de maio de 1888, momento em
que a Princesa Isabel extinguiu a escravidão no Brasil, abalando defini-
tivamente as relações políticas entre o Império e os proprietários de es-
cravos, que passaram a apoiar a causa republicana. Letra C.
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Q13. A criação da Tarifa Alves Branco (1844), que instituiu a cobrança
de novas tarifas alfandegárias sobre os produtos importados (de 15%
para 30%). Letra A
Q14. A Questão Militar está relacionada aos conflitos ocorridos entre
os militares e o governo imperial entre 1884 e 1889. Após a Guerra do
Paraguai (1864-1870), os militares se conscientizaram de sua importân-
cia, mas não foram recompensados e reconhecidos pela monarquia. Le-
tra E.
Q15. Durante o Segundo Reinado, teremos o Partido Conservador (an-
tigo Regressist[A], denominados de Saquaremas e que defendiam um
governo centralizado e de outro o Partido Liberal (antigo Progres-
sist[A], também chamados de Luzias, defensores de um governo mais
descentralizado. Embora divergentes em alguns aspectos, mantinham a
defesa dos grupos hegemônicos no país: grandes produtores rurais, co-
merciantes e profissionais liberais.
Objetivando pacificar as relações políticas, foi criado em 1847 o cargo
de Presidente do Conselho de Ministros, que deu início a um Sistema
Parlamentarista no Brasil, com uma especificidade: seria do Imperador,
via Poder Moderador, a prerrogativa de escolher o Gabinete de seu in-
teresse. Desta forma D. Pedro II submete o Legislativo, principal poder
de um Parlamentarismo clássico. Por esta razão os historiadores deno-
minam nosso parlamentarismo monárquico de “Parlamentarismo às
avessas". Letra D.
Q16. A proclamação da república foi o resultado final da crise iniciada
em 1870, decorrente da campanha abolicionista, de conflitos com a
igreja e com os militares, do surgimento do movimento republicano e
do interesse dos cafeicultores e dos militares. Letra D.
EDITAL
aspectos administrativos, culturais, econômicos, sociais e
territoriais, revoltas, crises e conflitos e a participação bra-
sileira na II guerra
Unidade V – Brasil Republicano
5.1 Brasil Republicano (Introdução)
Na unidade anterior, você estudou o Pe-
ríodo Imperial da História do Brasil e
nela foram abordados os aspectos funda-
mentais do conteúdo e também a crise da
monarquia e as causas da proclamação da república.
Nesta unidade, estudaremos os diversos aspectos da His-
tória republicana do Brasil, assim como a participação
brasileira na Segunda Guerra Mundial. Para tanto, divi-
diremos a unidade conforme abaixo:
• República Velha (1889 a 1930),
• Era Vargas (1930-1945) e Redemocratização
(1946-1964), e
• Governos Militares (1964-1985) e República
atual (1985 aos tempos atuais).
A República Brasileira nasceu mediante interesse cole-
tivo de algumas patentes militares ligados a grupos oli-
gárquicos republicanos, em especial os cafeicultores do
oeste paulista, mais os profissionais liberais da camada
média da população. Então, quais foram as principais ca-
racterísticas dos diversos períodos em que se divide a his-
tória da República?
A República Velha (1889-1930) dividida em dois perí-
odos, foi marcada inicialmente pelos governos militares
da “República da Espada (1889-1894)” e depois, pelo
predomínio político dos grandes produtores rurais de São
Paulo e Minas Gerais na “República das Oligarquias
(1894-1930)”. Nesta segunda fase, foi recorrente um con-
junto de práticas de fraudes eleitorais, voto de cabresto,
currais eleitorais, clientelismo, degola política dos adver-
sários dos grupos hegemônicos, utilização de recursos
públicos na “Política de Valorização do Café”, troca de
apoios na “Política dos Governadores”, a eleição do Pre-
sidente do Brasil, dentre os políticos de Minas Gerais e
São Paulo, na denominada “Política do Café com Leite”,
ainda, revoltas que contestavam o sistema político, o pro-
cesso de industrialização, e finalmente, as pressões de cu-
nho político e social que levaram a Revolução de 1930.
A Era Vargas (1930-1945), iniciada pela Revolução de
1930, encerrou a fase de predomínio político dos cafei-
cultores e deu a Getúlio Vargas o poder até 1945. Durante
o “Governo Provisório (1930-1934)”, Getúlio conseguiu
contornar os conflitos entre as elites nacionais e com a
promulgação da Constituição de 1934, consolidou a nova
fase da história republicana. No “Governo Constitucional
(1934-1937)”, Vargas enfrentou o confronto de diversas
facções ideológicas existentes na sociedade, reflexo dos
acontecimentos políticos na Europa, que contribuíram
para a tentativa do Partido Comunista Brasileiro de derru-
bar o governo na chamada Intentona Comunista (1935).
Este golpe, serviu de pretexto para Vargas dar um outro
golpe em 1937, instalando a ditadura do “Estado Novo
(1937-1945)”. Nesta fase, foi outorgada a Constituição
de 1937, o Congresso Nacional foi fechado, os partidos
políticos foram extintos, uma série de leis que garantiram
direitos à classe trabalhadora foram criadas, a industria-
lização foi incentivada e os direitos e garantias individu-
ais foram desconsiderados. Ao final da Segunda Guerra
Mundial (1939-1945), enfraquecido politicamente, Var-
gas foi deposto e com este fato político, deu-se início a
redemocratização do país. Uma nova Constituição foi
adotada em 1946, garantindo a realização de eleições di-
retas para presidente da República e para os governos dos
estados.O Período da Redemocratização (1946-1964) foi ma-
ado por forte instabilidade política e pelas mudanças de-
correntes da urbanização e industrialização que, por sua
vez, constituíram novas forças políticas. A pretensão des-
sas forças em aprofundar mudanças sociais no Estado
brasileiro desagradaram camada conservadora da socie-
dade. Neste período a historiografia registra graves crises
políticas, uma delas causadora do suicídio de Getúlio
Vargas, em 1954. Num dos poucos momentos de trégua,
o governo de JK conseguiu promover desenvolvimento,
mas ao final, não conseguiu resolver os conflitos sociais
existentes. O Governo Jânio Quadros (1961) não respon-
deu aos anseios da população, sendo que sua renúncia fa-
vorece o fortalecimento das ideias “progressistas”, base
das reformas propostas pelo Governo de João Goulart.
Na visão política da época, fortemente influenciada pelo
contexto internacional, tais medidas colocavam em risco
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a integridade institucional, a segurança jurídica, o modo
de vida e a democracia no país. Frente ao perigo que re-
presentavam aos interesses nacionais, as classes domi-
nantes apoiaram a supressão das demandas esquerdizan-
tes na política e a deposição de João Goulart, em 1964.
Os Governos Militares (1964-1985) são caracterizados
pelo grande incentivo ao desenvolvimento econômico,
pela estatização, pelo autoritarismo político, pela repres-
são a grupos que procuravam a subversão do regime, pelo
Milagre Econômico, pela construção de grandes obras
nacionais e pelo acordo nuclear com a Alemanha. Com o
passar do tempo, o autoritarismo cedeu espaço a uma
abertura política “lenta, gradual e segura” que culminou
na “Lei da Anistia”, no movimento sindical do ABC pau-
lista, na campanha das Diretas Já e na eleição indireta de um
civil para a presidência da república.
A Nova República, iniciada com a eleição indireta de
Tancredo Neves em 1985, permanece até os dias atuais.
No Governo Sarney tivemos a elaboração e promulgação
da Constituição de 1988, denominada de Constituição Ci-
dadã, o imenso processo inflacionário e os diversos pla-
nos econômicos. Em 1989, tivemos a eleição direta de
Fernando Collor de Mello e em 1992, o seu impeachment.
O Plano Real do governo Itamar Franco, garantiu a esta-
bilidade econômica e a instalação do neoliberalismo por
FHC, que governou até 2002. O mandato de Luiz Inácio
Lula da Silva ensejou a distribuição de renda e a melhora
do nível educacional, mas também a corrupção, as acusa-
ções de compra de votos e o escândalo do mensalão. No
governo seguinte, o escândalo da Lava Jato e as pedala-
das fiscais levaram impeachment de Dilma Rousseff.
Ainda, neste período, tivemos a inédita a prisão de dois
ex-presidentes: Lula e Temer e em outubro de 2018, a
eleição do capitão Jair Messias Bolsonaro como presi-
dente do Brasil. Vejamos a seguir, um estudo sobre cada
um desses períodos.
5.2 República Velha (1889-1930)
Conforme estudado, a República começou como um mo-
vimento militar e civil liderado pelo Marechal Deodoro
da Fonseca, pelos políticos ligados aos produtores de café
e por profissionais liberais que em 15 de novembro de
1889 a proclamaram. Fundamentada no modelo de go-
verno dos EUA, presidencialista e federalista, profunda-
mente inspirada na filosofia positivista de Auguste
Comte, uma vez instalada, preocupou-se em defender a
ordem, manter a segurança, os direitos da população e
cumprir com as obrigações financeiras contraídas pelo
Império. O seu primeiro grande período (1889-1930) é
denominado de “República Velha” ou “Primeira Repú-
blica” e durou de 15 de novembro de 1889 até a Revolu-
ção de 1930, quando assumiu o poder Getúlio Vargas.
Para fundamentar a nova forma de governo, foi elaborada
e promulgada a Constituição de 1891 que estabeleceu:
• o presidencialismo,
• o federalismo,
• o sistema bicameral (Senado e Câmara dos De-
putados)
• a separação da Igreja do Estado,
• o registro civil de nascimentos, casamentos e
mortes,
• uma maior autonomia aos estados,
• uma nova bandeira nacional com o lema positi-
vista “Ordem e Progresso”,
• a existência dos poderes legislativo, executivo e
judiciário,
• a extinção do poder moderador,
• o fim do voto censitário,
• o direito de voto para homens alfabetizados com
mais de 21 anos, excluídos os mendigos, padres,
analfabetos, soldados e mulheres,
• a liberdade de culto para todas as religiões,
• a garantia do ensino primário, obrigatório, laico
e gratuito, e
• a liberdade de imprensa.
A República Velha é historicamente dividida em dois pe-
ríodos: a República da Espada (1889-1894) e República
das Oligarquias (1894-1930). A “República da Espada”,
por sua vez é dividida em Governo Provisório (1889-
1891) liderado pelo Marechal Deodoro, Governo do Ma-
rechal Deodoro (1891) e Governo Floriano Peixoto
(1891-1894).
O Governo Provisório do Marechal Deodoro (1889-
1891) garantiu a convocação e instalação de uma Assem-
bleia Constituinte com o objetivo de elaborar uma nova
Constituição que substituísse a de 1824. Apoiado pelo
exército e pelos cafeicultores paulistas, Deodoro procu-
rou criar novas instituições republicanas em substituição
às do Império e incentivar o desenvolvimento mediante a
industrialização. Realizou ainda a chamada “grande na-
turalização” concedendo a cidadania brasileira a todos os
estrangeiros que residiam no país. Nesta fase do seu go-
verno, o marechal Deodoro nomeou como ministro da
Fazenda o intelectual e jurista Rui Barbosa cuja principal
medida foi estimular a industrialização no país, mediante
a concessão do direito a alguns bancos privados para emi-
tir papel-moeda. O resultado foi catastrófico, pois gerou
uma imensa crise financeira acompanhada de grave pro-
cesso inflacionário, denominada de “Encilhamento”.
Após a primeira eleição, que foi indireta, o marechal De-
odoro foi eleito presidente e o marechal Floriano Peixoto,
vice.
Durante seu mandato como presidente eleito de forma in-
direta em 1891, Deodoro, devido a sua rígida formação
militar, não soube lidar com as demandas políticas e opo-
sição parlamentar do Congresso Nacional e resolveu go-
vernar de forma autoritária partindo para o confronto po-
lítico. Em 3 de novembro de 1891, decreta o fechamento
do Congresso gerando forte reação no meio civil que pro-
move a greve dos trabalhadores da Estrada de Ferro Cen-
tral do Brasil e no meio militar, principalmente a Mari-
nha, que se rebela na “Revolta da Armada” forçando a
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renúncia do presidente. O vice, marechal Floriano Pei-
xoto, assume o poder governando com mão de ferro.
Durante seu governo, o marechal Floriano Peixoto reabre
o Congresso Nacional, estimula a industrialização, pro-
move uma reforma bancária (só o governo federal pode
emitir papel moeda), tabela os preços da carne e dos alu-
guéis, mas mesmo assim enfrenta forte oposição dos ge-
nerais do exército (Manifesto dos 13 generais), uma nova
“Revolta da Armada” (liderada pelo Almirante Custódio
José de Mello) e a “Revolução Federalista” (uma disputa
entre grupos políticos do Rio Grande do Sul). A enérgica
repressão do governo contra esses movimentos rendeu ao
presidente a alcunha de “marechal de ferro”.
A partir de 1894, com a eleição direta do primeiro presi-
dente civil, Prudente de Morais, representante da oligar-
quia do café, teve início a “República das Oligarquias”
que durará até 1930. Todas as características que emba-
sam o sistema político vigente na República Oligárquica,
mencionados na “Introdução” acima, começam a se es-
truturar em 1898, com a eleição de Campos Sales. É na
chamada “Política dos Governadores”, elaborado sistema
de apoio político, onde o presidente da república passa a
representar os interesses das oligarquias regionais, nota-
damente as de Minas Gerais e São Paulo, consolidando o
poder político das mesmas.
A alternância do poder napresidência entre líderes dessas
oligarquias ficou conhecida como “Política do Café com
Leite”. A essência desse acordo político residia na pre-
sença municipal dos “coronéis”, líderes políticos que
controlavam o voto (voto de cabresto) e as eleições - nor-
malmente fraudadas devido ao voto aberto - nas suas
áreas de influência, os chamados “currais eleitorais”.
Consolida-se então o fenômeno político conhecido como
“Coronelismo”.
Para que essa sistemática funcionasse, o controle da eco-
nomia também foi implementado. A partir do momento
que o café toma vulto no cenário mundial, gerando uma
superprodução no Brasil acima da capacidade de con-
sumo do mercado externo, a queda nos preços será inevi-
tável. Para que os cafeicultores pudessem manter seus lu-
cros, foi organizado o “Convênio de Taubaté”. Deste mo-
mento em diante o governo brasileiro compraria a produ-
ção de café excedente e assim manteria os lucros dos ca-
feicultores. Realizada às custas de empréstimos interna-
cionais, esta medida envolverá recursos públicos e como
medida de compensação, gerará criação de novos impos-
tos e o aumento dos já existentes (socialização das per-
das), entretanto, a produção de látex na Amazônia (Ciclo
da Borracha e de cacau no Sul da Bahia ajudaram a dimi-
nuir as perdas econômicas.
Outro fato notório diz respeito a grande imigração de eu-
ropeus neste período, notadamente italianos, portugueses
e espanhóis, que no Brasil serão mão de obra fundamen-
tal no processo de industrialização. O aumento da indus-
trialização dará início ao movimento operário e ao sindi-
calismo, principalmente em virtude das péssimas
condições de trabalho dos operários. Tais condições des-
favoráveis terão como consequência a Greve de 1917.
É necessário destacar que durante o governo do Presi-
dente Rodrigues Alves (1902-1906), ocorreram muitas
transformações estruturais na capital do país, cujo centro
era lotado de cortiços e casebres em péssimas condições
de higiene o que favorecia a presença de epidemias como
a da febre amarela, peste bubônica e varíola. As reformas
estruturais (bota abaixo) foram gerenciadas pelo prefeito
Pereira Passos e as de ordem sanitária pelo médico sani-
tarista Oswaldo Cruz. A campanha de vacinação imple-
mentada para combater a varíola levou a chamada “Re-
volta da Vacina”.
A historiografia mostra que a República Velha viveu in-
tensos momentos de contestação, alguns de ordem religi-
osa, outros militares e um cultural. Como exemplos de
movimentos de contestação a esse sistema político pode-
mos citar:
• a Revolta de Canudos (1893-1897): movimento
messiânico (religioso) no sertão nordestino, mo-
tivado pela vida miserável dos sertanejos e que
foi liderado pelo Beato Antônio Conselheiro,
• a Guerra do Contestado (1912-1916): outro mo-
vimento messiânico, desta feira ocorrido na
fronteira entre os estados do Paraná e Santa Ca-
tarina, cujas causas residem nas duras condições
de vida dos trabalhadores da construção da Es-
trada de Ferro Brazil Railway. Seus líderes fo-
ram os monges João e José Maria.
• o Cangaço: fenômeno do banditismo social mo-
tivado pela miséria, pela seca e pela fome, asso-
lou o sertão nordestino até meados da década de
30. Seu principal líder foi Virgulino Ferreira, o
Lampião,
• a Revolta da Chibata (1910): liderada pelo ma-
rinheiro João Cândido, apelidado de Almirante
Negro, contra os castigos físicos na Marinha,
• a “Campanha Civilista” de Rui Barbosa, en-
quanto candidato à presidência da república,
contra a eleição de representantes das oligar-
quias,
• o Movimento Tenentista (1922-1926), luta dos
Capitães e Tenentes do Exército por “Reformas
Modernizantes” (fim da corrupção eleitoral,
voto secreto, Justiça Eleitoral, saneamento da
economia, industrialização do Brasil e reforma
da educação pública) Os principais episódios fo-
ram: a Revolta do Forte de Copacabana em 1922
(18 do Forte) a Revolução Paulista de 1924 e a
Coluna Prestes (1924-1926), e
• a Semana de Arte Moderna (11-18 de fevereiro
de 1922): uma forte reação crítica e cultural aos
valores da época, aos “padrões arcaicos” da arte
e a invasão cultural estrangeira. Seus principais
expoentes, prontos a “abrasileirar” a arte e a cul-
tura foram: Mário e Oswald de Andrade, Me-
notti del Picchia, Anita Malfatti e Tarsila do
Amaral.
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Ao final da década de 20, uma série de acontecimentos
irão conduzir a uma grave crise política e ao fim da Polí-
tica do Café com Leite e consequentemente da República
Velha. Serão eles:
• a crise na produção de café devido a queda nos
preços,
• a Quebra da Bolsa de Nova York em 1929,
• a recessão econômica,
• a crise sucessória do presidente Washington
Luís, que quebrou a aliança entre as oligarquias
que se revezavam no poder, levando a formação
da “Aliança Liberal” entre Minas Gerais, Rio
Grande do Sul e Paraíba para eleição de Getúlio
Vargas, e
• o assassinato de João Pessoa e o levante militar
(Revolução de 1930) que conduziu a chamada
Era Vargas.
QUESTÃO 01
A Política de emissão de dinheiro em grande quantidade,
que causou uma desenfreada especulação na Bolsa de
Valores, durante o governo do marechal Deodoro da Fon-
seca, ficou conhecida como:
[A] Encilhamento.
[B] Crise de 1929.
[C] Crise Contestada.
[D] Queda do Banco do Brasil.
[E] Queda do Marechal de Ferro.
QUESTÃO 02
Na República Velha, ocorreram vários movimentos con-
testatórios. Identifique aquele que está localizado geogra-
ficamente de forma correta:
[A] Revolta da Vacina – Rio de Janeiro.
[B] Revolução Federalista – Paraná.
[C] Canudos – Minas Gerais.
[D] Contestado – Bahia.
[E] Revolta da Armada – Rio Grande do Sul.
QUESTÃO 03
No dia 05 de julho de 1922, jovens oficiais resolveram
abandonar o forte e marchar pela praia de Copacabana,
no Rio de Janeiro, para enfrentar as forças legalistas. Esse
episódio, conhecido como “os 18 do Forte”,
[A] provocou, imediatamente, a queda do último presi-
dente da República do “Café-com-Leite”.
[B] provocou a renúncia do Presidente Artur Bernardes.
[C] levou o Governo Federal a transferir a Escola de
Formação de Oficiais do Rio de Janeiro para Porto Ale-
gre.
[D] deu início a um período ditatorial, interrompido
apenas com a Revolução de 1930.
[E] originou o movimento denominado de Tenentismo.
QUESTÃO 04
Na história do Brasil, o termo “messianismo” é usado no
estudo de alguns movimentos sociais. Assinale a única
alternativa que apresenta um desses movimentos e seu
respectivo líder.
[A] Revolta de Canudos / Antônio Conselheiro.
[B] Revolta da Vacina / João Maria.
[C] Guerra do Contestado, Euclides da Cunha.
[D] os 18 do Forte de Copacabana / Miguel Lucena.
[E] Coluna Prestes / Luís Carlos Prestes.
QUESTÃO 05
Em 1906, os governadores de São Paulo, Minas Gerais e
Rio de Janeiro se reuniram e estabeleceram o Convênio
de Taubaté, que
[A] pode ser considerado o marco inicial da “política dos
governadores”.
[B] defendeu medidas para incrementar a imigração eu-
ropeia.
[C] resultou na política de ampliação da produção cafe-
eira.
[D] estabeleceu a primeira política de valorização do
café.
[E] caracteriza a fundação da “política do café com leite”.
QUESTÃO 06
Durante o governo de Marechal Deodoro da Fonseca, seu
ministro da fazenda, Rui Barbosa, adotou uma série de
medidas econômicas que ficou conhecida como “encilha-
mento”. Essa política econômica estatal estava baseada
em duas ações:
[A] a abolição da escravatura e a abertura dos portos.
[B] a emissão de papel moeda e a expansão do crédito.
[C] o incentivo à imigração e o financiamento de casas
próprias.
[D] a especulação financeira e a criação de empresas fan-
tasmas.
[E] um programa de privatizações e a criação de um im-
posto único.
QUESTÃO 07
A Política dos Governadores, característica marcante da
República Velha, tinha por objetivo:
[A] evitar a fragmentaçãoe o separatismo entre os esta-
dos da federação;
[B] eliminar as oposições e consolidar o poder das oligar-
quias;
[C] favorecer as oligarquias nordestina e urbana;
[D] enfrentar, com auxílio dos governadores, a oligarquia
cafeeira;
[E] solucionar as questões sociais e combater as fraudes
eleitorais.
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QUESTÃO 08
O Brasil, durante a República Velha, tinha no café o seu
principal produto de exportação, e em 1906, o governo
federal criou uma política de valorização deste produto
que ficou conhecida como:
[A] Encilhamento
[B] Política Café-com-Leite
[C] Política das Salvações
[D] Convênio de Taubaté
[E] Funding-Loan
QUESTÃO 09
O Governo Provisório, instituído logo após a proclama-
ção da República, representava as diversas forças que
derrubaram o Império, a saber:
[A] as camadas médias urbanas e a aristocracia latifundi-
ária do café e do açúcar.
[B] o Exército, os ex-escravos e a burguesia industrial já
fortalecida.
[C] setores da Igreja, a Guarda Nacional, e as camadas
urbanas.
[D] o Exército, a Guarda Nacional e a burguesia agrária
canavieira.
[E] o Exército, as camadas médias urbanas e a burguesia
agrária cafeeira.
QUESTÃO 10
Durante a República Velha (1889 – 1930), o Brasil teve
que resolver várias questões de fronteiras, sendo impor-
tantíssimo o trabalho diplomático do:
[A] Barão de Caravelas
[B] Barão do Rio Branco
[C] Marquês do Paraná
[D] Visconde de Ouro Preto
[E] Visconde de Mauá
QUESTÃO 11
A política do “café-com-leite” significava a dominação
política dos estados:
[A] São Paulo e Minas Gerais
[B] Rio de Janeiro e Minas Gerais
[C] São Paulo e Rio de Janeiro
[D] São Paulo e Paraná
[E] Rio de Janeiro e Paraná
QUESTÃO 12
A República Velha:
[A] foi o resultado de uma imensa participação popular.
[B] caracterizou-se pelo governo de militares em sua fase
inicial e dos grandes fazendeiros posteriormente.
[C] caracterizou-se pelo predomínio dos governadores
nordestinos.
[D] caracterizou-se pela ausência de movimentos de opo-
sição.
[E] teve apenas presidentes civis.
Gabarito comentado
Q01. A crise financeira instalada no Brasil, decorrente da política eco-
nômica conduzida pelo Ministro da Fazenda Rui Barbosa, no governo
provisório do Marechal Deodoro da Fonseca, objetivava à industriali-
zação e se baseou na emissão de moeda destinadas ao financiamento de
projetos industriais. O fracasso do projeto teve como consequências:
inflação e falências. Letra A
Q02. Conforme nossos estudos eis a sequência correta de revoltas e
seus respectivos locais: Revolta da Vacina – Rio de Janeiro, Revolução
Federalista – Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Canudos - Bahia,
Contestado na divisa do Paraná com Santa Catarina e Revolta da Ar-
mada - Rio de Janeiro e Santa Catarina. Letra A
Q03. O tenentismo foi um movimento político-militar de jovens tenen-
tes do Exército Brasileiro, descontentes com a situação política do Bra-
sil, ocorrido no início da década de 1920. Letra E
Q04. Na República Velha aconteceram dois movimentos messiânicos:
Canudos e Contestado. Ambos são semelhantes, tanto pelo número de
seguidores quanto pela resposta violenta do governo ao tratar da ques-
tão. O líder de Canudos foi o beato Antônio Conselheiro e os líderes do
Contestado foram os monges João e José Maria. Letra A
Q05. A partir do momento que o café toma vulto no cenário mundial,
gerando uma superprodução no Brasil acima da capacidade de consumo
do mercado externo, a queda nos preços será inevitável. Para que os
cafeicultores pudessem manter seus lucros, foi organizado o “Convênio
de Taubaté”. Deste momento em diante o governo brasileiro compraria
a produção de café excedente e assim manteria os lucros dos cafeicul-
tores. Letra D
Q06. O marechal Deodoro nomeou como ministro da Fazenda o inte-
lectual e jurista Rui Barbosa cuja principal medida foi estimular a in-
dustrialização no país, mediante a concessão do direito a alguns bancos
privados para emitir papel-moeda. O resultado foi catastrófico, pois ge-
rou uma imensa crise financeira acompanhada de grave processo infla-
cionário, denominada de “Encilhamento”. Letra B
Q07. É na chamada “Política dos Governadores”, elaborado sistema de
apoio político, onde o presidente da república passa a representar os
interesses das oligarquias regionais, notadamente as de Minas Gerais e
São Paulo, consolidando o poder político das mesmas. Letra B
Q08. O Convênio de Taubaté foi uma intervenção do governo na cafei-
cultura brasileira, com a finalidade de promover a elevação dos preços
do produto e assim, assegurar os lucros dos cafeicultores. Letra D
Q09. A República começou como um movimento militar e civil lide-
rado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, pelos políticos ligados aos
produtores de café e por profissionais liberais que em 15 de novembro
de 1889 a proclamaram. Letra E
Q10. José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco,
político, jornalista, diplomata, historiador e ministro das Relações Ex-
teriores teve um papel decisivo para a definição das fronteiras do Brasil.
O barão do Rio Branco defendia o uso da diplomacia e não da guerra
para resolver os litígios de fronteira entre o Brasil e seus vizinhos. Tra-
tou de uma questão com a Argentina, no Sul do país (Questão de Palmas
- 1895), e também obteve sentença favorável na disputa pelo Amapá
(1899), enfrentou ainda, negociações com a Bolívia sobre o Acre, terri-
tório que passou a ser brasileiro (Tratado de Petrópolis - 1903). Letra B
Q11. É na chamada “Política dos Governadores”, elaborado sistema de
apoio político, onde o presidente da república passa a representar os
interesses das oligarquias regionais, notadamente as de Minas Gerais e
São Paulo, consolidando o poder político das mesmas. A alternância do
poder na presidência entre líderes dessas oligarquias ficou conhecida
como “Política do Café com Leite”. Letra A
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Q12. A República Velha é historicamente dividida em dois períodos: a
República da Espada (1889-1894), liderada pelos Marechais Deodoro e
Floriano, e a República das Oligarquias (1894-1930), liderada pelas
Oligarquias regionais de Minas Gerais e São Paulo. Letra B
5.2 Era Vargas (1930-1945) e Redemocratização
(1946-1964)
A Era Vargas (1930-1945) é estabelecida pela Revolução
de 1930 que reorganizou a República, antes dominada
pelas oligarquias regionais de Minas Gerais e São Paulo,
mediante:
• a suspensão da Constituição de 1891,
• o fechamento do Poder Legislativo, e
• a nomeação de Interventores Estaduais.
No geral, as principais características políticas da Era
Vargas foram:
• a centralização do poder político e enfraqueci-
mento das oligarquias regionais,
• a modernização econômica mediante uma polí-
tica de substituição de importações,
• formulação de um conjunto de Leis Trabalhis-
tas, e
• controle dos Sindicatos.
A historiografia divide a Era Vargas em três períodos:
Governo Provisório (1930-1934), Governo Constitucio-
nal (1934-1937) e Estado Novo (1937-1945).
Durante o “Governo Provisório”, em 1932, no estado de
São Paulo, uma série de protestos contra Vargas ocorreu
e num deles quatro estudantes (Martins, Miragaia, Dráu-
zio e Camargo) morreram em confronto com as forças
policiais. Esse fato originou a sigla MMDC e deu início
a uma revolta denominada de “Revolução Constituciona-
lista de 1932”. Mesmo derrotada a revolta paulista, a
pressão pela elaboração de uma Constituição continuou.
Em 1933 foi convocada uma Assembleia Constituinte
que promulgou uma nova Constituição em 1934. Vargas
foi então eleito indiretamente para a presidência.
Dentre as principais características da Constituição de
1934 estão:
• o voto secreto,
• o direito de voto às mulheres,
• o estabelecimento de uma Justiça Eleitoral,
• a instituição dos direitos trabalhistas:salário mí-
nimo, jornada de 8 horas diárias, férias anuais
remuneradas, indenização por demissão sem
justa causa,
• representação classista no Legislativo,
• proibição do trabalho para menores de 14 anos,
• representação classista,
• proibição do voto para analfabetos, mendigos e
militares até a graduação de sargento,
• proteção estatal as jazidas minerais e bacias hi-
drográficas capazes de gerar eletricidade.
No Período Constitucional (1934-1937), tivemos uma ra-
dicalização política entre dois grupos com ideologias an-
tagônicas:
• Ação Integralista Brasileira (AIB) organização
de direita, nacionalista, inspirada no fascismo,
anticomunista e baseada na disciplina e hierar-
quia. Seu fundador, o escritor Plínio Salgado,
adotou o lema “Deus, pátria e família”, unifor-
mes com camisas verdes, a letra grega “sigma”
como símbolo e uma saudação: “anauê”!
• Aliança Nacional Libertadora, liderada por Luís
Carlos Prestes, agremiação com comunistas,
anarquistas e socialistas, que defendiam o com-
bate ao capitalismo, a estatização das empresas
estrangeiras, o calote da dívida externa e a re-
forma agrária como extermínio ao latifúndio.
Em 1935, liderada por Luiz Carlos Prestes a “Intentona
Comunista (1935)” tentou subverter a ordem e instalar no
Brasil um regime de exceção. Nós batalhões de Natal,
Recife e Rio de Janeiro, alguns militares se revelaram,
mas foram derrotados por forças do governo. Essa revolta
abriu um precedente para Vargas e os militares do Exér-
cito decretarem estado de guerra. A descoberta do cha-
mado “Plano Cohen”, uma suposta conspiração comu-
nista, levou ao golpe que manteve Vargas no poder até
1945.
O “Estado Novo”, uma ditadura imposta por Getúlio Var-
gas será decretada em novembro de 1937 com a revoga-
ção da Constituição de 1934, a instalação do estado de
emergência, o fim da autonomia dos estados, a supressão
dos partidos políticos, a suspensão das eleições e a proi-
bição de greves e protestos. Marcaram este período o
controle da educação, a censura, a criação do Departa-
mento de Imprensa e Propaganda (DIP), a instituição do
programa radiofônico “a Hora do Brasil” e a criação das
leis trabalhistas através da CLT (Consolidação das Leis
do Trabalho) e a outorga da Constituição de 1937 (Po-
laca, cujas principais características foram:
• nomeação de interventores para os governos es-
taduais,
• extinção da justiça eleitoral e dos partidos polí-
ticos,
• instituição da censura aos meios de comunica-
ção,
• proibição de greves,
• previsão de pena de morte para crimes políticos,
• extinção do poder legislativo
Em 1938, o governo sofreu uma tentativa de golpe, deste
feita levada a cabo pelos Integralistas (AIB) liderados por
Plínio Salgado. A rebelião foi dominada rapidamente e
seus membros foram presos e exilados.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial e vitórias dos ali-
ados, quase todos países democráticos, fizeram com que
“Estado Novo” entrasse em crise. Antecipando-se aos no-
vos “ventos democráticos, Vargas convocou eleições ge-
rais, anistiou presos políticos e permitiu o
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pluripartidarismo favorecendo o surgimento das legendas
da União Democrática Nacional (UDN), o Partido Social
Democrático (PSD), o Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB) e a volta do Partido Comunista do Brasil (PCB).
Ao mesmo tempo, Vargas planejava permanecer no po-
der, estimulando o movimento popular do “quere-
mismo”. Neste momento diversas forças políticas e líde-
res militares afastaram Vargas da presidência obrigando-
o a renunciar. Chegava ao fim a Era Vargas, mas não o
mito populista do “pai dos pobres”.
Agora, estudaremos a Redemocratização (1946-1964)
que aconteceu após o Estado Novo de Vargas. Esta fase
de nossa história também é conhecida como República
Populista ou Quarta República e nela ocorreram eleições
baseadas no sufrágio universal (excluindo os analfabe-
tos), um crescimento da participação do cidadão na vida
político-partidária e inúmeras tensões sociais.
A definição de populismo se refere a um conjunto de prá-
ticas políticas exercidas por governos da América Latina,
ao longo do século XX, inclusive no Brasil. Por defini-
ção, o termo está relacionado a ações de governo voltadas
para as camadas mais pobres como as implementadas pe-
los presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e
João Goulart.
Dentre as principais características deste período histó-
rico encontramos:
• relação direta do presidente com o povo,
• nacionalismo econômico,
• discurso em defesa dos direitos básicos dos tra-
balhadores,
• liderança política baseada na troca de favores
(clientelismo),
• forte clima de tensão social,
• grande influência do contexto internacional
(Guerra Fria e Bipolarização), e
• a necessidade de alinhamento com uma das duas
potências (EUA ou URSS).
A República Populista começa com o Governo Eurico
Gaspar Dutra (1946-1951). Os destaques políticos dos
anos Dutra foram o alinhamento ao governo dos Estados
Unidos e a declaração da ilegalidade do comunismo no
Brasil. O resultado imediato desta opção foi o rompi-
mento das relações diplomáticas com a União Soviética,
o fechamento do PCB, a cassação do mandato dos depu-
tados comunistas e a adoção de uma política intervencio-
nista nos sindicatos de trabalhadores, com a proibição de
greves.
Ainda no campo político, foi promulgada uma nova
Constituição (1946), cujas principais características fo-
ram:
• igualdade de todos perante a lei,
• permissão de voto a todas as mulheres,
• liberdade de manifestação de pensamento sem
censura,
• eleições diretas para presidente, vice-presidente,
governador, deputado federal, senador e depu-
tado estadual,
• mandato de 5 anos para o presidente, sem direito
a reeleição, mandato de quatro anos para depu-
tados e de oito anos para senadores,
• inviolabilidade do sigilo de correspondência,
• liberdade de consciência, de crença e do exercí-
cio de cultos religiosos,
• inviolabilidade do lar,
• A prisão só em flagrante delito ou por ordem es-
crita de autoridade competente,
• a garantia ampla de defesa do acusado,
• extinção da pena de morte, e
• separação dos três poderes.
No campo econômico, o governo Dutra adotou uma po-
lítica de incentivo à importação de bens de consumo e
propôs o Plano Salte onde os investimentos públicos se-
riam destinados a algumas áreas essenciais para o desen-
volvimento do país (Saúde, Alimentação, Transporte e
Energia). Durante o mandato do presidente Dutra, Getú-
lio Vargas planejou seu retorno à presidência do país, tra-
balhando numa plataforma populista de governo que iria
promover o nacionalismo econômico, uma democracia
social e uma política trabalhista.
Eleito, o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-
1954) foi marcado por um aumento significativo do po-
der aquisitivo da população, graças ao aumento de 100%
no salário mínimo, e por uma intensa crise política, pois
a oposição, contrária ao projeto nacionalista de Vargas,
procurou desestabilizar o governo a todo custo. Os prin-
cipais atritos residiam na exploração de recursos consi-
derados vitais para o desenvolvimento da economia do
país: o petróleo e a energia elétrica. Durante seu governo,
Vargas promoveu a Campanha do Petróleo (o petróleo é
nosso), que defendia a exploração estatal desse recurso
por tratar-se de uma questão de soberania nacional. A
campanha foi bem-sucedida e em 1953, foi criada a Pe-
trobras. A oposição ao projeto político-econômico de
Vargas foi encabeçada pelo jornalista Carlos Lacerda e
pela UDN, partido conservador que defendia uma maior
participação do capital estrangeiro na economia brasi-
leira, que mostrava índices muito ruins devido ao au-
mento da inflação e do custo de vida.
Contribuíram para o fim do segundo governo de Vargas
os episódios do “aumento de 100% do salário mínimo”,
proposto pelo ministro do trabalho João Goulart, que
descontentou aos empresáriose aos setores conservado-
res que passaram a enxergar o governo de Vargas associ-
ado ao comunismo, e também, o episódio do “Atentado
da Rua Tonelero” onde o major da aeronáutica Rubens
Vaz foi morto. A morte do major fortaleceu a oposição
de parte das Forças Armadas contra o presidente, pois as
investigações realizadas indicavam que Gregório Fortu-
nato, chefe de segurança do Palácio do Catete, teria sido
o mandante do crime. Mesmo que a participação de Ge-
túlio no atentado nunca tenha sido comprovada, a
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oposição e as Forças Armadas exigiam sua renúncia. Na
manhã de 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas escreve
sua carta-testamento e comete suicídio. Seu governo che-
gava ao fim de maneira dramática com seu velório e se-
pultamento acompanhado por mais de 1 milhão de pes-
soas. Seu vice, Café Filho, assume o governo e preside o
país entre agosto de 1954 e novembro de 1955, período
muito conturbado de nossa história republicana, onde su-
cessivamente respondem pela presidência, devido a pro-
blemas de saúde de Café Filho, Carlos Luz, presidente da
Câmara dos Deputados, e Nereu Ramos, presidente do
Senado.
Durante 1955, o cenário político brasileiro foi muito con-
vulsionado, complicando a realização das eleições ao fi-
nal do ano e quase impedindo a posse do presidente eleito
no ano seguinte. A crise política somente foi debelada
após a intervenção do então Ministro da Guerra, o mare-
chal Henrique Teixeira Lott, que ratificou a vitória de JK
nas eleições, possibilitando sua posse em janeiro de 1956.
O governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), eleito
com um discurso de desenvolvimentismo (50 anos em 5),
foi marcado pela construção de estradas, pelo incentivo
ao crescimento industrial, pela construção das usinas hi-
drelétricas de Furnas (rio Grande) e de Três Maria (rio
São Francisco), pela implantação no país da indústria au-
tomobilística, pela instalação de empresas multinacionais
no país, pela implantação da indústria pesada e pelo pro-
jeto e efetiva construção da nova capital (Brasília). Na
economia JK estabeleceu o “Plano de Metas”, um pro-
grama econômico para o desenvolvimento do Brasil pri-
orizando investimentos nas áreas de energia, transporte,
indústria, educação e alimentação.
A construção de Brasília, um projeto arquitetônico de Os-
car Niemeyer e urbanístico de Lúcio Costa, embora rea-
lizada em tempo recorde e com imensa importância es-
tratégica, consumiu grande soma de recursos públicos e
durante o governo, contribuiu para aumentar a dívida ex-
terna, a inflação anual e agravar a dependência do país
junto ao FMI.
Nas eleições de 1960, concorrendo pela UDN, Jânio Qua-
dros conseguiu atrair o voto da classe média e das elites
nacionais, que enxergavam nele real capacidade para
combater a inflação e garantir o crescimento econômico
do país. Sua campanha propagava o combate ao desper-
dício de recursos públicos e pela moralização da política
e da administração pública no Brasil.
O governo de Jânio Quadros (1961) durou alguns meses
e foi considerado pela historiografia como uma adminis-
tração confusa e que muito contribuiu para lançar o país
numa grave crise institucional.
Na economia, as ações adotadas visavam o combate à in-
flação, a redução de gastos públicos, a desvalorização da
moeda frente ao dólar, o congelamento de salários e o in-
centivo às exportações.
Politicamente, o presidente promoveu a redução dos car-
gos administrativos e abdicou do apoio do partido que o
elegeu (UDN). Isolado politicamente, governou sem
apoio parlamentar e, totalmente alheio aos eventos da
Guerra Fria, adotou uma Política Externa Independente.
Condecorou o guerrilheiro cubano Che Guevara, promo-
veu a vinda do ditador cubano Fidel Castro ao Brasil e
reatou relações diplomáticas com a URSS e com a China;
fatos esses que desagradaram aos políticos que ainda o
apoiavam e também a setores das Forças Armadas.
Sem o apoio da UDN, do Congresso e de seus eleitores,
apresentou sua renúncia no dia 25 de agosto de 1961. Tal
medida resultou em grave crise política devido a cúpula
militar não aceitar a posse do vice-presidente João Gou-
lart, conforme previa a Constituição de 1946. Os ânimos
se exaltam ainda mais com a Campanha da Legalidade,
onde grupos políticos e tropas militares defendem a posse
de João Goulart. O impasse somente será solucionado
com a apresentação e adoção do parlamentarismo, em se-
tembro de 1961.
Empossado, o governo João Goulart (1961-1964) enfren-
tará grave situação econômica e social no país. Inicial-
mente, no aspecto econômico, propõe o chamado Plano
Trienal que procurará promover uma melhor distribuição
de renda, reduzir o endividamento externo e diminuir a
inflação.
Politicamente, sua administração será influenciada pela
mobilização social e política e pela radicalização ideoló-
gica. Tudo ficará mais difícil na medida em que o Plano
Trienal fracassa e a inflação persiste. Num comício frente
à estação da Central do Brasil, em 13 de março de 1964,
lança seu programa de Reformas de Base visando facili-
tar o acesso à terra aos lavradores (Reforma Agrári[A],
promover uma reforma urbana, combater o analfabe-
tismo, dar direito de voto aos analfabetos, corrigir as de-
sigualdades sociais e limitar a remessa de lucros das mul-
tinacionais para o exterior.
Suas propostas de reforma desagradam a vários setores
da sociedade que promovem manifestações, a maior de-
las a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Com
a intensificação e radicalização da agitação política e so-
cial, uma rebelião militar tem início em Minas Gerais, es-
palhando-se pelo Brasil. Neste momento, Goulart viaja
para o Rio Grande do Sul e dali para o Uruguai. Neste
momento, o presidente da Câmara dos Deputados, Rani-
eri Mazzilli declara vaga a presidência da república e as-
sume interinamente o governo. Ato contínuo, os militares
assumem a direção do país. Inicia-se o período dos Go-
vernos Militares.
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5.3 Os Governos Militares (1964-1985) e a Repú-
blica atual (1985-)
Em 15 de abril de 1964, eleito por votação indireta, assu-
miu a presidência o marechal Castelo Branco. Os histori-
adores costumam caracterizar os sucessivos governos dos
generais como períodos de autoritarismo político, con-
centração de renda e desenvolvimentismo econômico.
O Governo Castelo Branco (1964-1967), possui os se-
guintes fatos a serem destacados: apoio internacional dos
EUA, rompimento de relações diplomáticas com Cuba,
elaboração do Programa de Ação Econômica do Governo
(PAEG) para combate a inflação, intervenções nos sindi-
catos, instalação do bipartidarismo (Arena e MDB), ou-
torga dos Atos Institucionais (AI-1 a AI-4) e criação da
Lei de Segurança Nacional (LSN-1967).
O Governo Costa e Silva (1967-1969) é inaugura, se-
gundo Cotrim (2012), o inicio do “fechamento político”
do regime militar. Nele os movimentos de protesto contra
o governo se acentuam, as críticas são mais ferrenhas e
as passeatas começam a ocorrer. Em resposta, será bai-
xado o AI-5, forte instrumento normativo, que endureceu
ainda mais o regime com o fechamento do Congresso,
cassação de mandatos e a instituição da emenda constitu-
cional de 1969.
O Governo Médici (1969-1974), é considerado pela his-
toriografia como os “anos de chumbo” do regime militar
em virtude do enfrentamento existente entre grupos de
esquerda, opositores ao governo, e os militares. Com a
luta armada, levada a cabo pela guerrilha, o “fechamento
político” se acentua e a repressão a esses grupos aumenta.
No campo econômico teremos o chamado “Milagre Eco-
nômico" com o crescimento da economia a altas taxas
anuais, favorecendo assim a produção industrial, o au-
mento das exportações e os grandes projetos nacionais,
como por exemplo, a rodovia Transamazônica, a ponte
Rio-Niterói, o início da construção da Usina Hidrelétrica
deItaipu, INCRA, PIS e o Mobral. Com a chegada da
crise internacional do petróleo teremos a volta do pro-
cesso inflacionário e em resposta, o arrocho salarial.
No Governo Geisel (1974-1979), inicia-se a “abertura
política”, uma distensão do regime caracterizado por um
processo “lento, gradual e seguro” de devolução do poder
aos civis, e também a revogação do AI-5. Será um perí-
odo de alta inflacionária, aumento da dívida externa e
queda no PIB. O governo resolve estabelecer relações bi-
laterais com diversos países, inclusive com a China Co-
munista. No campo econômico, lança o II Plano Nacional
de Desenvolvimento (II PND), com ênfase em investi-
mentos no setor energético (usinas hidrelétricas de Tucu-
ruí no rio Tocantins e Itaipu no rio Paraná, a criação do
Programa Nacional de Álcool (Proálcool) e o Acordo Nu-
clear com a Alemanha Ocidental, que resultou no
Programa Nuclear Brasileiro com a construção das Usi-
nas Nucleares de Angra dos Reis).
O governo do general João Baptista de Oliveira Fi-
gueiredo (1979-1985) encerra o período dos Governos
Militares com a transição para a redemocratização do
país. No campo político, teremos a adoção de medidas
voltadas para a abertura política, como a aprovação da
Lei da Anistia, em 1979, que permitirá o retorno dos exi-
lados políticos ao país. Ocorrerão ainda, a reforma parti-
dária com o fim do bipartidarismo e consequente surgi-
mento de novos partidos políticos (PMDB, PT, PTB,
PDS, PDT e PP), às eleições diretas para governadores
de estados em 1982 e o movimento das "Diretas Já", or-
ganizado por vários setores da sociedade para eleições di-
retas para a presidência da república em 1984. Entretanto,
a Emenda Dante de Oliveira será rejeitada no Congresso
Nacional e as eleições diretas somente vão ocorrer em
1989.
Na economia, o governo Figueiredo apresentará altos ín-
dices de desemprego, grave recessão econômica, baixo
crescimento do PIB e aumento da inflação. Finalmente, a
gestão enfrentará as greves dos metalúrgicos do ABC
paulista por melhores salários. Em 1985, será eleito - de
forma indireta - para a presidência da república o mineiro
Tancredo Neves. Porém, em virtude do falecimento de
Tancredo antes de assumir o cargo, seu vice, José Sarney,
toma posse. Inicia-se o período denominado de Repú-
blica atual.
5.4 A participação do Brasil na Segunda Guerra
Mundial (1939-1945)
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi um dos con-
flitos mais sangrentos da história da humanidade. No in-
tervalo de tempo em que ocorreu, morreram mais de 70
milhões de pessoas, muitos povos foram dizimados,
imensos recursos financeiros foram gastos, as armas nu-
cleares foram criadas e utilizadas e novas áreas de in-
fluência econômica e ideológica foram estabelecidas.
Conforme o Exército Brasileiro, em artigo publicado em
sua página na web, “derrotada pelos aliados em 1918, a
Alemanha, após o armistício de 11 de novembro, entrou
na fase mais difícil de sua história…. O caos econômico
gerou uma brutal inflação. Por outro lado, a limitação im-
posta à sua capacidade de defesa feria profundamente o
orgulho nacional...O aparecimento da figura carismática
de Adolf Hitler no cenário político e o crescimento do
nacional-socialismo foram consequências desse estado
de coisas...Em 28 de janeiro de 1942... o Brasil anunciou
o rompimento de suas relações diplomáticas com a Ale-
manha, a Itália e o Japão. Os atos com que o Brasil efeti-
vou essa atitude revelaram de maneira irrefutável a deci-
são brasileira de prevenir-se contra as agressões, na imi-
nência de serem desencadeadas contra este hemisfério.
Essas providências apressaram a entrada de nosso país na
guerra. Nossos navios costumavam viajar regularmente
para os países amigos, particularmente os Estados
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21
Unidos, aos quais fornecemos importantes elementos
para a sua economia de guerra, em fase de crescimento.
Inconformadas, a Alemanha e a Itália iniciaram a guerra
submarina contra a nossa navegação comercial. A agres-
são teve início a 16 de fevereiro de 1942 com o afunda-
mento do navio Buarque…. Dois dias após foi afundado
o Olinda, ao largo da costa oriental da América do Norte.
De nada adiantaram nossos protestos diplomáticos: con-
tinuou a violência, sendo afundados outros navios, apesar
de reafirmarmos nossos propósitos de neutralidade…. A
opinião pública, tendo à frente a juventude, exigiu ime-
diato revide. O governo, no dia 22 do mesmo mês, reco-
nheceu o estado de beligerância imposto pela Alemanha
e pela Itália. No dia 31, o Decreto nº 10.358 declarou o
estado de guerra em todo o território nacional. Seguiu-se
o Decreto nº 10.451, de 16 de setembro de 1942, de mo-
bilização geral.”
O Exército não estava preparado para o tipo de guerra que
ia enfrentar. Emergencialmente, foi necessário rever trei-
namentos e táticas a fim de que pudessem atuar integra-
dos ao Exército norte-americano. Sob o comando do ge-
neral Mascarenhas de Morais, somente em meados de
1944, o primeiro escalão da FEB chefiado pelo general
Zenóbio da Costa desembarcaria em Nápoles. Após ser
incorporado ao 5º Exército Americano, participou da
ofensiva aliada na região dos Apeninos (Linha Gótica)
onde os alemães estavam entrincheirados. Nesses com-
bates, os soldados lutaram nas batalhas de Monte Castelo,
Castelnuovo, Montese e Fornovo. Monte Castelo foi a
maior batalha da FEB na guerra, angariando grande sig-
nificado simbólico como um batismo de fogo das tropas
que não tinham experiência de combate, que avançaram
montanha acima, que combateram em temperaturas
abaixo de zero e que lutaram ferozmente contra um ini-
migo experiente e bem armado.
Nos campos de batalha na Itália, a FEB perdeu 454 sol-
dados que foram enterrados no cemitério de Pistóia. Mais
tarde, em 1960, suas cinzas foram transladadas para o
Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, si-
tuado no Rio de Janeiro. A participação da FEB na Se-
gunda Guerra evidenciou a imensa contradição do Estado
Novo: apesar enviar tropas para lutar pela democracia na
Europa, internamente era um feroz regime ditatorial. Em
1945, o retorno dos contingentes da Força Expedicioná-
ria precipitou a queda da ditadura de Vargas e a redemo-
cratização do país.
QUESTÃO 1
A eleição indireta de Getúlio Vargas para a presidência
nacional, na qual foi eleito para um mandato de quatro
anos, ocorreu no ano de:
[A] 1930
[B] 1934
[C] 1937
[D] 1946
[E] 1950
QUESTÃO 2
Jânio Quadros representou uma reviravolta no sistema
político da época, sendo eleito presidente da República
por um partido de pouca expressão nacional. O apoio de
um partido tradicional, porém, foi decisivo na obtenção
de uma diferença de mais de um milhão de votos. Trata-
se do partido:
[A] PTB
[B] UDN
[C] PSB
[D] PSD
[E] PSDB
QUESTÃO 3
Após ingressar na II Guerra Mundial em agosto de 1942,
o Brasil enviou à Europa a Força Expedicionária Brasi-
leira, que integrou o 5º Exército dos Estados Unidos, atu-
ando em território:
[A] alemão
[B] francês
[C] italiano
[D] belga
[E] suíço
QUESTÃO 4
Com a promulgação da Constituição de 1934, a segunda
constituição do período republicano brasileiro, inicia-se
o período constitucional da Era Vargas. São elementos
presentes nesta Constituição de 1934, EXCETO:
[A] Voto secreto.
[B] Voto feminino.
[C] Justiça eleitoral.
[D] Jornada de trabalho não superior a 8 horas.
[E] Eleições diretas para a escolha do próximo presidente
da República.
QUESTÃO 5
Para controlar gastos e investimentos, priorizando saúde,
alimentação, transportes e energia, foi criado o Plano
Salte, que tem esse nome por ser a sigla composta pelas
letras iniciais das prioridades. É correto afirmar que o
Plano Salte foi lançado no governo de:
[A] Juscelino Kubitschek.
[B] Getúlio Vargas, durante o Estado Novo.
[C] Dutra.
[D] João Goulart.
[E] Jânio Quadros.
C H Q A O / H i st ó r i a d o B r a s i l
22
QUESTÃO 6
Em 1945 chega ao fim o Estado Novo implantado pelo
presidente Getúlio Vargas. Entre as causas tivemos a(s)
[A] Revolução de 1945 realizada pelos sindicatos e apoi-
ado pelo Partido Trabalhista Brasileiro daquela época.
[B] atuação do movimento estudantil, liderado pela UNE,
que assumiu o poder apoiando o partido da União Demo-
crática Nacional.
[C] pressões norte-americanas obrigando Getúlio Vargas
a extinguir o Estado Novo e tornar o país uma democra-
cia.
[D] adesão de Getúlio ao Fascismo, propiciando que ele
implante no Brasil um regime semelhante após 1945.
[E] participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial ao lado
das democracias, criando uma situação interna contradi-
tória, pois o país vivia, até aquele ano, uma ditadura.
QUESTÃO 7
O Plano Collor e Plano Real, apesar das diferenças de
épocas, possuem em comum o fato de
[A] estabelecerem metas de construção de usinas hidre-
létricas, postos de extração de petróleo, rodovias e outras
grandes obras públicas.
[B] trazer excelentes resultados econômicos e sociais,
comprovando a boa capacidade brasileira no planeja-
mento público.
[C] serem políticas estatais de intervenção na regulação
da moeda nacional.
[D] terem estabelecido controle de preços como o Plano
Cruzado.
[E] terem proposto reformas no Ministério de Educação
aplicando a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
QUESTÃO 8
Assinale a alternativa que NÃO foi um efeito apresentado
pelo “Plano Real” durante os governos do presidente Fer-
nando Henrique Cardoso.
[A] Diminuição drástica da inflação
[B] Instituiu a estabilidade monetária.
[C] Aumento das exportações para a China.
[D] Aumento das taxas de juros.
[E] Redução dos investimentos em infraestrutura.
QUESTÃO 9
Sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mun-
dial, pode-se afirmar que
[A] limitou-se ao fornecimento de matérias primas estra-
tégicas aos aliados e ao auxílio no patrulhamento do
Atlântico Sul.
[B] o ingresso no conflito deu-se a partir de uma aproxi-
mação diplomática e comercial com as potências aliadas,
em especial os EUA, e após o clamor popular decorrente
dos repetidos ataques de submarinos alemães a navios
mercantes brasileiros.
[C] foi limitada ao papel diplomático de mediação entre
as potências aliadas e os países do Eixo.
[D] não teve nenhuma influência na crise do Estado
Novo.
[E] a participação da Força Expedicionária Brasileira
(FEB) foi decisiva nos combates travados nas ilhas japo-
nesas do Pacífico.
QUESTÃO 10
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) teve efeitos fa-
voráveis à política de industrialização no Brasil. Nesse
período, o fato responsável pelo impulso da indústria bra-
sileira foi o(a)
[A] desenvolvimento da indústria automobilística e de
bens de consumo.
[B] empenho efetivo do Estado na implantação da indús-
tria pesada no Brasil.
[C] Política dos Governadores, que estimulou a industri-
alização de São Paulo e Rio de Janeiro.
[D] política de emissão de dinheiro – o Encilhamento –
para incentivar o consumo interno.
[E] Convênio de Taubaté, que favoreceu o comércio de
manufaturados de origem brasileira.
QUESTÃO 11
O Plano Real, lançado em 1994 durante o governo de Ita-
mar Franco, teve como uma das ações o(a):
[A] congelamento de preços e salários.
[B] criação da Unidade Real de Valor.
[C] instituição do empréstimo compulsório sobre os com-
bustíveis (álcool e gasolina).
[D] bloqueio de parte do saldo das contas corrente e pou-
panças dos correntistas.
[E] nova moeda brasileira passou a ser o Cruzado.
QUESTÃO 12
O período que decorreu entre 1946 e 1964 é conhecido,
na História do Brasil, como “República” ou “Era Popu-
lista”. A respeito desse período, é correto afirmar que a
política:
[A] interna do governo João Goulart foi marcado pela
união de toda a classe política em prol da estabilização
do país.
[B] industrial do governo Juscelino Kubistchek terminou
por afetar a economia, levando o país a romper com o
Fundo Monetário Internacional.
[C] monetária do governo Jânio Quadros pautou-se pela
desvalorização da moeda, o que levou a declarar a mora-
tória.
[D] externa do governo Eurico Dutra caracterizou-se por
sua independência em relação aos grandes blocos ideoló-
gicos vigentes.
[E] mineral do governo Getúlio Vargas buscou a nacio-
nalização de todas as jazidas, ficando o monopólio de ex-
ploração para a Companhia vale do Rio Doce.
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QUESTÃO 13
A Constituição, promulgada em 1934, durante o Governo
Getúlio Vargas, estabelecia o que se segue, EXCETO:
[A] extinção do cargo de Vice-Presidente da República;
[B] reforma eleitoral, com o voto secreto e o voto femi-
nino;
[C] representação classista do Poder Judiciário;
[D] mandato presidencial de 4 anos;
[E] eleições diretas para o executivo.
QUESTÃO 14
É correto afirmar que o Presidente Dutra:
[A] legalizou o Partido Comunista Brasileiro;
[B] rompeu relações com a União Soviética;
[C] renunciou meses depois de assumir o cargo;
[D] preferiu suicidar-se a renunciar ao cargo;
[E] proibiu a importação de produtos estrangeiros.
QUESTÃO 15
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o go-
verno de Getúlio Vargas decidiu-se pelo alinhamento
com as forças das Nações Unidas, para combater o nazi-
fascismo. Foi, então, enviada uma Força Expedicionária,
à FEB, para a Europa, mais precisamente para:
[A] o sul da França
[B] a Itália
[C] a Normandia
[D] a Rússia
[E] o norte da África
QUESTÃO 16
Ao primeiro governo Vargas (1930-1945) pode ser atri-
buída uma importante conquista social. Foi a:
[A] construção da Companhia Siderúrgica Nacional
(1941);
[B] criação da Companhia Vale do Rio Doce (1942);
[C] entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1942);
[D] criação das Leis Trabalhistas, com a jornada de 8 ho-
ras, férias remuneradas e indenização por dispensa;
[E] outorga da Constituição de 1937 com características
fascistas, a chamada “Polaca”.
QUESTÃO 17
Política de maior aproximação entre o governo e as ca-
madas populares retomada por Getúlio Vargas:
[A] Populismo
[B] Positivismo
[C] Sindicalismo
[D] Peleguismo
[E] Anarquismo
QUESTÃO 18
A indústria automobilística brasileira foi implantada na
década de 50, no governo de:
[A] Eurico Gaspar Dutra
[B] Getúlio Vargas
[C] Juscelino Kubitschek
[D] Jânio Quadros
[E] Castelo Branco
QUESTÃO 19
A Revolução Constitucionalista de São Paulo teve como
causa política:
[A] a oposição ao golpe de 1937.
[B] a exigência de eleições e de uma constituição.
[C] a crise do café.
[D] a vitória da Revolução de 1930.
[E] a queda de Getúlio Vargas do comando do Exército
Brasileiro.
QUESTÃO 20
Um dos marcos da ''Política Nacionalista'' de Getúlio
Vargas, em sua volta ao Governo em 1951, foi:
[A] a criação do Plano SALTE.
[B] o Programa de Metas.
[C] a inauguração da Usina de Volta Redonda.
[D] a criação da Petrobrás.
[E] a criação da Companhia Vale do Rio Doce.
QUESTÃO 21
As críticas da oposição contra o Presidente Jânio Quadros
acirraram-se, motivadas, especialmente:
[A] pelo combate aos comunistas.
[B] pela condecoração ao líder cubano ''Che'' Guevara.
[C] pelo rompimento diplomático com a URSS.
[D] pela decretação do AI-5.
[E] pelo episódio do atentado a Carlos Lacerda.
Gabarito comentado
Q1. No pleito de 1934, foram eleitos os deputados para a Constituinte
e após, os mesmos elegeram - de forma indireta - a Getúlio Vargas para
a presidência do Brasil. Letra B
Q2. Jânio Quadros teve vitoriosa carreira política em São Paulo, em
virtude de sua competência administrativa e relativa independência de
partidos políticos. Em 1959, foi lançado candidato à presidência pelo
Partido Trabalhista Nacional (PTN). Após receber o apoio da UDN, foi
eleito com expressiva votação popular. Empossado, sua políticaeconô-
mica foi baseada no controle da inflação, no saneamento das finanças
públicas, na defesa do fortalecimento da Petrobrás e no controle das
remessas de lucros para o exterior. Entretanto, seu posicionamento em
relação à política externa o distanciou da UDN, fato que contribuiu para
sua renúncia. Letra B
Q3. A Força Expedicionária Brasileira foi constituída em 1943 para lu-
tar na Europa (Itália), ao lado dos países Aliados, contra tropas nazifas-
cistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Letra C
Q4. Considerada como consequência direta da Revolução Constitucio-
nalista de 1932, a Constituição de 1934 trouxe como principais dispo-
sitivos: independência do executivo, legislativo e judiciário; eleição di-
reta (exceto para a presidência da república no pleito de 1934), incor-
poração do Código Eleitoral, criação do Tribunal do Trabalho e respec-
tiva legislação trabalhista, obrigatoriedade e gratuidade do ensino pri-
mário, princípio da igualdade perante a lei, habeas-corpus para prote-
ção da liberdade pessoal e mandado de segurança para defesa do direito,
assistência judiciária para os desprovidos financeiramente, limitação do
trabalho a oito horas diárias, proibição de trabalho a menores de 14 anos
e o direito de voto secreto a todos os adultos, independente do sexo.
Letra E
Q5. Plano “SALTE” foi o plano econômico da administração do presi-
dente Dutra (1946-1950) que teve como objetivo estimular o desenvol-
vimento da saúde, alimentação, transporte e energia, conforme sintetiza
a sigla. Letra C
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Q6. O presidente Getúlio Vargas, até então governando como ditador
num regime de inspiração nazifascista, perdeu sua lógica governamen-
tal na medida em que leva o Brasil a participar da Segunda Guerra Mun-
dial ao lado dos Aliados. O governo de Vargas perdeu sua sustentação
durante a luta contra Hitler e Mussolini e o retorno da FEB acelerou sua
deposição. Letra E
Q7. O presidente Collor de Mello, em 1990, estabeleceu o plano eco-
nômico que ficou popularmente conhecido como Plano Collor, mar-
cado pelo confisco da poupança e retirada do dinheiro de circulação
com o objetivo de estabilizar a inflação. O Plano Real, do governo Ita-
mar Franco, foi um programa de estabilização econômica que também
objetivava controlar a inflação em três fases: as chamadas Ações Ime-
diatas, a criação da URV (Unidade Real de Valor) e a implementação
da nova moeda, o Real. Ambos interviram na regulação da moeda na-
cional. Letra C
Q8. O Plano Real teve como resultados o controle da inflação, a estabi-
lização monetária, a recuperação da credibilidade da moeda brasileira,
o aumento das taxas de juros e a redução dos investimentos em infraes-
trutura. Letra C
Q9. O Brasil durante o início da Segunda Guerra Mundial mantinha
uma certa neutralidade adotada pelo presidente Getúlio Vargas. Entre-
tanto, após dezenove navios brasileiros terem sido torpedeados na costa
brasileira, o clamor popular obrigou o governo brasileiro a abandonar a
neutralidade e declarar guerra aos países do Eixo. Em meados de 1944,
sob o comando do general Mascarenhas de Morais, partiu para a Itália
a Força Expedicionária Brasileira (FE[B]. Letra B
Q10. Durante a Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas conseguiu
que os Estados Unidos concordassem em modernizar nossas Forças Ar-
madas e concedessem empréstimos para a construção de uma usina si-
derúrgica no país, a CSN - Companhia Siderúrgica Nacional, localizada
em Volta Redonda-RJ. Letra B
Q11. O Plano Real, do governo Itamar Franco, foi um programa de es-
tabilização econômica que objetivava controlar a inflação em três fases:
as chamadas Ações Imediatas, a criação da URV (Unidade Real de Va-
lor) e a implementação da nova moeda, o Real. Letra B
Q12. Para reduzir a necessidade de emissão de moeda, manter os incen-
tivos à industrialização e construir Brasília, JK recorria a empréstimos
no mercado externo. Sua política industrial afetou a economia permi-
tindo a aceleração da inflação, levando o país a solicitar novos emprés-
timos ao FMI. Tais empréstimo tiveram sua liberação condicionada a
um plano de ajuste fiscal e contenção salarial. Juscelino optou por rom-
per com o FMI. Letra B
Q13. A Constituição de 1934 estabeleceu uma representação classista
no Poder Legislativo, com 50 deputados eleitos pelos sindicatos ou as-
sociações profissionais. Letra C
Q14. O Governo Dutra (1946-1951), estabeleceu uma política conser-
vadora caracterizada pelo rompimento com a União Soviética, proibi-
ção ao Partido Comunista, criação da Escola Superior de Guerra, apro-
ximação com os Estados Unidos e proibição dos jogos de azar. É bom
lembrar que na área econômica e infraestrutura, suas principais ações
foram a instituição do plano SALTE, a construção da rodovia que liga
São Paulo ao Rio de Janeiro e da rodovia que liga a Bahia ao Rio de
Janeiro, e ainda, a instalação da Companhia Elétrica do São Francisco.
Letra B
Q15. A Força Expedicionária Brasileira foi constituída em 1943 para
lutar na Europa (Itáli[A], ao lado dos países Aliados, contra tropas na-
zifascistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Letra B
Q16. Durante a Era Vargas (1930-1945), Getúlio atuou de no sentido
de ampliar os benefícios trabalhistas. Para isso, criou o Ministério do
Trabalho e concedeu direitos aos trabalhadores. Letra D
Q17. O populismo é uma forma de governar centrada no objetivo de
tomar decisões para conquistar apoio popular para o governo. Letra A
Q18. No governo de JK (1956-1961), ocorreu a criação do GEIA
(Grupo Executivo da Indústria Automobilístic[A] e o estabelecimento
da indústria automobilística no país. Letra C
Q19. Dentre os fatores políticos que contribuíram para o Movimento
Constitucionalista de 1932, encontra-se o de Vargas haver assumido o
poder sem uma constituição que pudesse legitimar seu governo, tido
como autoritário. Letra B
Q20. No chamado governo Democrático de Vargas (1951-1954), dentre
outros acontecimentos, destacamos a criação da Petrobrás, para contro-
lar a prospecção e refino de petróleo; e da Eletrobrás, responsável pela
geração e distribuição de energia elétrica. Letra D
Q21. O governo de Jânio Quadros durou poucos meses pois perdeu sua
base de apoio político e social ao adotar política econômica muito aus-
tera e uma política externa independente, restabelecendo relações di-
plomáticas com a União Soviética e condecorando o guerrilheiro cu-
bano Che Guevara. Letra B
Agora vá à luta
QUESTÃO 01
A Revolução Praieira foi um movimento que arregimen-
tou oligarcas e setores empobrecidos da população per-
nambucana contra o Império do Brasil. Ao divulgarem o
“Manifesto ao Mundo”, os rebeldes exigiam, entre outras
demandas, o voto livre e universal, a independência dos
poderes constituídos, o fim do Poder Moderador e o mo-
nopólio de brasileiros no comércio varejista.
Em relação aos seus ideais, é correto afirmar que os re-
beldes
[A] foram inspirados pela Revolução Francesa, eram fa-
voráveis à centralização política no poder executivo e
partidários da presença portuguesa na economia.
[B] foram influenciados pela “Primavera dos Povos” de
1848, eram liberais e possuíam um componente antilusi-
tano.
[C] eram adeptos das teorias socialistas, incentivando a
luta de classes e a administração centrada no poder do
imperador.
[D] lutavam contra o predomínio das oligarquias regio-
nais, preconizavam a “revolução dos pobres” e a inde-
pendência da região Nordeste.
[E] defendiam o fim do Império, o retorno à condição co-
lonial e o incentivo ao comércio interno.
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QUESTÃO 02
É praticamente um consenso historiográfico a interpreta-
ção de que onde houve escravidão, houve resistência. Os
escravos jamais se conformaram com a perda da liber-
dade e as rebeliões representaram a principal forma de
resistênciacoletiva.
Sobre o tema, responda: qual foi a maior revolta de cati-
vos no Brasil, liderada por escravos muçulmanos, tendo
a participação de africanos e crioulos, escravos e libertos,
atingindo mobilização de cerca de 600 revoltosos?
[A] Revolta de João Congo.
[B] Revolta de Nazaré das Farinhas.
[C] Levante dos Malês.
[D] Insurreição do Haiti.
[E] Revolta de Carrancas.
QUESTÃO 03
Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a constru-
ção do Estado imperial, considere as seguintes afirma-
ções.
I. O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade pri-
vada e livre comércio, foi uma das correntes de pensa-
mento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras.
II. A unidade nacional, a integridade territorial e a escra-
vidão estão entre os principais pilares da monarquia.
III. A nobreza imperial, definida como uma classe social
distinta, era um segmento restrito reservado àqueles que
possuíam vínculos de consanguinidade com a aristocra-
cia europeia.
Quais estão corretas?
[A] Apenas I.
[B] Apenas II.
[C] Apenas III.
[D] Apenas I e II.
[E] I, II e III.
QUESTÃO 04
A igualdade de interesses agrários e escravocratas que
através dos séculos XVI e XVII predominou na colônia,
toda ela dedicada com maior ou menor intensidade à cul-
tura do açúcar, não a perturbou tão profundamente, como
à primeira vista parece, a descoberta das minas ou a in-
trodução do cafeeiro. Se o ponto de apoio econômico da
aristocracia colonial deslocou-se da cana-de-açúcar para
o ouro e mais tarde para o café, manteve-se o instrumento
de exploração: o braço escravo.
(Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala, 1989.)
O excerto descreve o complexo funcionamento do Brasil
durante a colônia e o Império. Uma de suas consequên-
cias para a história brasileira foi
[A] a utilização de um mesmo padrão tecnológico nas su-
cessivas fases da produção de mercadorias de baixo
custo.
[B] a existência de uma produção de mercadorias inteira-
mente voltada para o abastecimento do mercado interno.
[C] a liberdade de decisão política do grupo dominante
local enriquecido com a exploração de riquezas naturais.
[D] a ausência de diferenças regionais econômicas e cul-
turais durante o período colonial e imperial.
[E] a manutenção de determinadas relações sociais num
quadro de modificações do centro dinâmico da economia.
QUESTÃO 05
A primeira Constituição brasileira, de 1824, foi
[A] aprovada pela Câmara dos Deputados e estabeleceu
o voto censitário.
[B] imposta por Portugal e determinou o monopólio por-
tuguês do comércio colonial.
[C] outorgada pelo imperador e definiu a existência de
quatro poderes.
[D] promulgada por uma Assembleia Constituinte e con-
centrou a autoridade no Poder Executivo.
[E] determinada pela Inglaterra e estabeleceu o fim do
tráfico de escravos.
QUESTÃO 06
Assim, as províncias do nordeste, há muito insatisfeitas
com a política da corte, e agitadas com essa guerra de
palavras, manifestaram-se em uma nova explosão revo-
lucionária.
Contra decisões de D. Pedro I, conclamava o Typhis Per-
nambucano: ‘Eia, pernambucanos! A nau da pátria está
em perigo, cada um a seu posto, unamo-nos com as pro-
víncias limítrofes. Escolhamos um piloto, que mareie a
nau ameaçada de iminente e desfechada tempestade; ele-
jamos um governo supremo, que nos conduza à salvação
e à glória.’.
(Lúcia Bastos Pereira das Neves. "A Vida Política" in:
Crise Colonial e Independência / coordenação Alberto da
Costa e Silv[A]
O contexto tratado deve ser relacionado com:
[A] a Confederação do Equador;
[B] a Revolução Pernambucana de 1817;
[C] a Praieira;
[D] a Sabinada;
[E] a Cabanagem.
QUESTÃO 07
O ponto de partida para o nascimento de uma cozinha
brasileira foi o livro de receitas Cozinheiro Imperial, de
1840. Estimulava a nobreza e os ricos a acrescentarem
ingredientes e pratos locais em suas festas. A princesa
Isabel comemorou as bodas de prata com um banquete
no qual foram servidos bolo de mandioca e canja à brasi-
leira.
RIBEIRO, M. Fome imperial: Dom Pedro II não era um
gourmet, mas ajudou a dar forma à gastronomia brasi-
leira. Aventuras na História, mar. 2014 (adaptado).
O uso da culinária popular brasileira, no contexto apre-
sentado, colaborou para
[A] enfraquecer as elites agrárias.
[B] romper os laços coloniais.
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
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[C] reforçar a religião católica.
[D] construir a identidade nacional.
[E] humanizar o regime escravocrata.
QUESTÃO 08
“Em 1828 o Brasil despontava como o maior produtor
mundial de café, e, ao longo da década seguinte, os valo-
res obtidos com sua exportação ultrapassariam o que o
país amealhava com o envio de açúcar ao mercado mun-
dial. Quase toda essa produção, ademais, vinha de uma
só região. O vale do rio Paraíba do Sul, ou simplesmente
Vale do Paraíba, compreendendo terras das províncias de
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. (...) No início
da década de 1830, o Brasil reinava como o maior produ-
tor mundial, bem à frente dos demais competidores
(Cuba, Java, Jamaica, Haiti)”.
MARQUESE, Rafael; TOMICH, Dale. O Vale do Para-
íba escravista e a formação do mercado mundial de café
no século XIX. In: SALLES, Ricardo; GRINBERG,
Keila (org.). O Brasil Imperial, volume 2: 1831-1870.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p. 339-383.
Sobre as condições que permitiram o desenvolvimento da
economia cafeeira no Império do Brasil e o domínio do
mercado mundial pelo café produzido no Brasil, assinale
a alternativa INCORRETA:
[A] O desenvolvimento da cafeicultura no Vale do Para-
íba se beneficiou da grande disponibilidade de terras com
sua distribuição ainda não implementada.
[B] A Revolução do Haiti (entre 1791 e 1804) desestabi-
lizou a produção cafeeira da ilha, retirando-a do mercado
mundial de café.
[C] A existência prévia de vias que cruzavam a região e
de um sistema de transportes baseado em tropas de mu-
las, que serviram ao escoamento da produção aurífera no
século XVIII, facilitou o escoamento da produção cafe-
eira do Vale do Paraíba em direção aos portos de expor-
tação.
[D] As leis que proibiam o tráfico de escravos para o ter-
ritório do Império do Brasil, frutos da pressão inglesa,
acabaram por beneficiar a produção cafeeira do Vale do
Paraíba, uma vez que a utilização da mão de obra de imi-
grantes se mostrou muito mais produtiva.
[E] Um conflito fiscal entre Espanha e Estados Unidos na
década de 1830 retirou a produção cafeeira cubana do
principal mercado consumidor mundial de café à época,
o mercado norte-americano.
QUESTÃO 09
Nas décadas de 1860 e 1870, as escolas criadas ou recri-
adas, em geral, previam a presença de meninas, mas se
atrapalhavam na hora de colocar a ideia em prática. Na
província do Rio de Janeiro, várias tentativas foram feitas
e todas malsucedidas: colocar rapazes e moças em dias
alternados e, em 1874, em prédios separados. Para com-
plicar, na Assembleia, um grupo de deputados se mani-
festava contrário ao desperdício de verbas para uma ins-
tituição “desnecessária”, e a sociedade reagia contra a
ideia de coeducação.
VILLELA, H. O. S. O mestre-escola e a professora. In:
LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G.
(Org.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte:
Autêntica, 2003 (adaptado).
As dificuldades retratadas estavam associadas ao se-
guinte aspecto daquele contexto histórico:
[A] Formação enciclopédica dos currículos.
[B] Restrição do papel da mulher à esfera privada.
[C] Precariedade de recursos na educação formal.
[D] Vinculação da mão de obra feminina às áreas rurais.
[E] Oferta reduzida de profissionais do magistério pú-
blico.
QUESTÃO 10
“Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!”
(ALVES, Castro. O Navio Negreiro. São Paulo: Global,
2016)
Essa é uma parte do poema “O Navio Negreiro”, escrito
em 1869 pelo poeta baiano Castro Alves. A lei Eusébio
de Queiroz, que proibiu o tráfico negreiro para o Brasil,
foi promulgada em 1850. Castro Alves, que apoiava a
causa abolicionista, teria escrito esse poema 19 anos de-
pois da referida lei, com o objetivo de
[A] impedir a revogação da lei que proibiu o tráfico tran-
satlântico de negros africanos, como era o desejo de mui-
tos traficantes que haviam perdido seus lucrativos negó-
cios.
[B] abolir a escravidão, ao menos na região onde nasceu,
a Bahia, que, no século XIX, era a principal região escra-
vista do Brasil.
[C] persuadir intelectuais que eram seus contemporâneos
a aderirem à causa abolicionista, como Joaquim Nabuco,
Luís Gama e José do Patrocínio, reconhecidos escravo-
cratas.
[D] dramatizar em versos o sofrimento dos negros africa-
nos no momento em que tiveram que sair de sua terra em
direção ao Brasil, transportados nos porões dos navios
negreiros, para contribuir assim com a luta pelo fim da
escravidão.
[E] apenas preservar a memória do sofrimento dos afri-
canos que haviam sido escravizados, pois, em 1869, o
Brasil já havia abolido a escravidão, sendo o último país
do continente americano a acabar com a vergonhosa prá-
tica.
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27
QUESTÃO 11
Em um recenseamento realizado em 1872 como parte das
políticas do Segundo Reinado, 58% dos residentes no
país (que responderam ao recenseamento) declaravam-se
pardos ou pretos e 38% se diziam brancos. Apesar da su-
perioridade numérica, existe muito desconhecimento no
que diz respeito às condições de vida das populações afri-
canas e afrodescendentes que residiam no Brasil, durante
o Período Imperial.
A respeito destas condições e a partir de seus conheci-
mentos, analise as proposições.
I. Antes da abolição da escravatura, não havia nenhuma
possibilidade de conquista da liberdade por parte dos es-
cravizados e das escravizadas.
II. Africanos e afrodescendentes escravizados e escravi-
zadas formavam uma unidade política extraoficial e luta-
vam todos pelas mesmas causas, na medida em que pos-
suíam os mesmo costumes, religiões e idiomas.
III. A “Revolta dos Malês”, ocorrida no século XIX, é um
exemplo contundente da diversidade existente entre afri-
canos e afrodescendentes escravizados e escravizadas.
Assinale a alternativa correta.
[A] Somente a afirmativa I é verdadeira.
[B] Somente a afirmativa II é verdadeira.
[C] Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
[D] Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
[E] Somente a afirmativa III é verdadeira.
QUESTÃO 12
É correto interpretar a charge, que representa D. Pedro II
e foi publicada em 1887, como uma
[A] demonstração da exaustão provocada pela diversi-
dade de atividades exercidas pelo imperador.
[B] valorização do esforço do imperador em manter-se
atualizado em relação ao que acontecia no país.
[C] crítica à passividade e à inoperância do imperador em
meio a um período de dificuldades no país.
[D] denúncia da baixa qualidade da imprensa monárquica
e de suas insistentes críticas ao imperador.
[E] celebração da serenidade e harmonia das relações so-
ciais no país durante o Império.
QUESTÃO 13
Por onde mais se distanciava a ficção parlamentar brasi-
leira do modelo britânico era pelo fato da subida ou da
queda de um ministério depender só idealmente, entre
nós, de uma eventual maioria na câmara popular.
(Sérgio Buarque de Holanda. “Do Império à República”.
In: O Brasil monárquico, tomo II, vol 5, 1985.)
O historiador refere-se ao regime monárquico brasileiro
como “ficção parlamentar”, porque
[A] o ordenamento político brasileiro era sustentado pe-
las tradições orais.
[B] os ministros podiam governar sem contar com o
apoio do Parlamento.
[C] o debate de ideias políticas no país estava interditado
pelo governo imperial.
[D] a manutenção de grupos dirigentes submetia-se ao
exercício do poder moderador.
[E] o poder absolutista do rei proibia a constituição de
partidos políticos.
QUESTÃO 14
Observe a imagem abaixo:
Essa rara imagem do Brasil no século XIX aponta para
uma sociedade
[A] industrial, composta por valores da alta burguesia.
[B] livre, na qual a escravidão não era mais uma reali-
dade.
[C] desigual, ainda pautada por estruturas conservadoras.
[D] militarizada, voltada para valores da hierarquia da
guerra.
[E] harmoniosa, demonstrando o bom convívio entre di-
ferentes grupos.
QUESTÃO 15
A poetisa Emília Freitas subiu a um palanque, nervosa,
pedindo desculpas por não possuir títulos nem conheci-
mentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que “sem ser
hábil, é, em compensação, guiada pelo poder da von-
tade”. Maria Tomásia pronunciava orações que levanta-
vam os ouvintes. A escritora Francisca Clotilde arreba-
tava, declamando seus poemas. Aquelas “angélicas se-
nhoras”, “heroínas da caridade”, levantavam dinheiro
para comprar liberdades e usavam de seu entusiasmo a
fim de convencer os donos de escravos a fazerem alfor-
rias gratuitamente.
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28
MIRANOA, A. Disponível em: www.opovoon-
line.com.br. Acesso em: 10 jun. 2015.
As práticas culturais narradas remetem, historicamente,
ao movimento
[A] feminista.
[B] sufragista.
[C] socialista.
[D] republicano.
[E] abolicionista.
QUESTÃO 16
Campos achava grande prazer na viagem que íamos fa-
zendo em trem de ferro. Eu confessava-lhe que tivera
maior gosto quando ali ia em caleças tiradas a burros,
porque ia vendo, ao longe, cá embaixo, aparecer a pouco
e pouco o mar e a cidade. O trem leva a gente de corrida,
de afogadilho, desesperado, até à própria estação de Pe-
trópolis. Campos continuou a dizer todo o bem que
achava no trem de ferro. Só o tempo que a gente poupa!
Falei do progresso, ele também, e chegamos satisfeitos à
cidade da serra.
(Machado de Assis. Memorial de Aires, 1988. Adap-
tado.)
A trama do romance, publicado em primeira edição em
1908, transcorre na sociedade carioca do ano de 1888. O
excerto reproduz o diálogo de dois amigos, referindo-se
à
[A] tendência do governo imperial de evitar os relaciona-
mentos da sociedade brasileira com as novidades euro-
peias.
[B] incompatibilidade das tecnologias importadas com
uma sociedade sustentada pelo trabalho escravo.
[C] questão das mudanças de costumes sociais provoca-
das por processos de modernização histórica.
[D] consciência do atraso histórico do Império no quadro
das repúblicas democráticas da América.
[E] imitação pela sociedade da Corte dos comportamen-
tos antieconômicos das elites europeias.
QUESTÃO 17
A expedição que alcançava a foz do Rio Mucuri era lide-
rada por Teófilo Benedito Ottoni (1807-1869), empresá-
rio e político mineiro, que lá pretendia abrir um porto
para ligar Minas ao mar. A localidade de Filadélfia era a
materialização desse sonho. O nome escolhido era, ao
mesmo tempo, uma homenagem à cidade símbolo da in-
dependência dos Estados Unidos e um manifesto de ade-
são a ideais igualitários. Essa filosofia também transpa-
recia na relação com os índios, com os quais o político
mineiro procurou negociar a ocupação do território em
troca do respeito ao que hoje chamaríamos de reserva.
ARAÚJO, V. L. Uma utopia republicana. Revista de His-
tória da Biblioteca Nacional, n. 67, abr. 2011 (adaptado).
Um elemento que caracterizou, no âmbito da sociedade
monárquica, o projeto inovador abordadono texto foi
[A] introduzir o protestantismo como mecanismo de in-
tegração social.
[B] ampliar a cidadania para integrar os grupos autócto-
nes da região.
[C] aceitar os aborígenes como mão de obra do empreen-
dimento.
[D] reconhecer os nativos para discutir a forma de ocu-
pação do terreno.
[E] incorporar a doutrina liberal como fundamento das
relações citadinas.
QUESTÃO 18
Atente ao seguinte fragmento da obra da historiadora
Emília Viotti da Costa, a respeito do processo de inde-
pendência do Brasil:
“A ordem econômica seria preservada, a escravidão man-
tida. A nação independente continuaria subordinada à
economia colonial, passando do domínio português à tu-
tela britânica. A fachada liberal construída pela elite eu-
ropeizada ocultava a miséria e a escravidão da maioria
dos habitantes do país. Conquistar a emancipação defini-
tiva da nação, ampliar o significado dos princípios cons-
titucionais seria tarefa relegada aos pósteros”.
COSTA, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da eman-
cipação política do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme
(Org.). Brasil em perspectiva. 16. ed. Rio de Janeiro: Edi-
tora Bertrand Brasil, 1987. p.125.
Considerando o processo de independência do Brasil, as-
sinale a afirmação verdadeira.
[A] Não ocorreu nenhuma ocultação dos reais problemas
sociais e econômicos do país após a independência, já
que a elite local buscou solucioná-los imediatamente.
[B] Apenas ocorreu a independência econômica do Bra-
sil, mas não a política, pois a elite nacional europeizada
submeteu-se aos interesses da Inglaterra.
[C] Pelo fato de a monarquia ter sido logo adotada como
forma de governo, a independência não representou mu-
danças sociais significativas, pois estas ficariam a cargo
de gerações futuras.
[D] Não houve acordo de independência com os Britâni-
cos, que reagiram o quanto puderam à independência do
Brasil, já que ela representaria a real autonomia econô-
mica do país.
QUESTÃO 19
Na interpretação mais conhecida sobre a História do Bra-
sil, a data de 7 de setembro de 1822 representou um
marco, pois, nesse dia, D. Pedro proclamou oficialmente
a separação da Colônia da metrópole portuguesa.
Sobre o processo de Independência do Brasil, assinale a
alternativa CORRETA.
[A] As relações entre a Coroa portuguesa e o Brasil me-
lhoraram quando Dom João VI, de Portugal, apoiado pela
Corte portuguesa, assinou um decreto concedendo o tí-
tulo de Regente do Brasil a seu filho Dom Pedro. Entre-
tanto, aproveitando-se da autoridade que lhe foi
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
29
concedida, no dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro
rompeu politicamente com Portugal e proclamou a Inde-
pendência do Brasil.
[B] A Independência brasileira foi um processo liderado,
em grande parte, pelos setores sociais que mais se bene-
ficiavam com a ruptura dos laços coloniais: os grandes
proprietários de terra e os grandes comerciantes, pois a
separação tinha como objetivo preservar a liberdade de
comércio e a autonomia administrativa. A maioria da po-
pulação permaneceu na situação anterior à proclamação
da Independência.
[C] Após o processo de Independência, a economia bra-
sileira tornou-se competitiva no mercado internacional,
pois devido ao apoio econômico inglês o Brasil começou
a desenvolver a atividade industrial, o que era proibido
pelo governo metropolitano.
[D] A mudança mais significativa após a Independência
do Brasil ocorreu no âmbito econômico-social, pois com
o desenvolvimento econômico surgiram novas classes
sociais urbanas ligadas ao processo industrial.
[E] A Inglaterra, interessada em manter os benefícios co-
merciais garantidos pelos tratados de comércio e navega-
ção de 1810, foi a primeira nação a reconhecer a Inde-
pendência do Brasil.
QUESTÃO 20
O pastor norte-americano Pat Robertson, dono do canal
de comunicação Christian Broadcasting Network, afir-
mou que a tragédia provocada pelo terremoto no Haiti,
em janeiro de 2010, foi decorrente do “pacto com o di-
abo” que setores da população haitiana teriam feito para
que o país se tornasse independente. Nas palavras do Pas-
tor, "Os haitianos estavam sob o jugo da França. Eles se
uniram e fizeram um pacto com o diabo. Disseram: 'Ser-
viremos a ti caso nos liberte da França'".
(Adaptado de Haroldo Ceravolo Sereza, “Pastor ameri-
cano atribui terremoto a 'pacto com o Diabo' e provoca
protestos; país se libertou da França em 1804”. Uol notí-
cias. 14/01/2010. Disponível em https://noti-
cias.uol.com.br/especiais/terremoto-
haiti/ultnot/2010/01/14/ult9967u9.jhtm. Acessado em
30/08/2017.)
A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos, as-
sinale a alternativa correta.
[A] A independência do Haiti foi decisiva para que o Im-
pério Brasileiro, que projetava a construção de um Estado
Nação reconhecido internacionalmente, reprimisse movi-
mentos como a Revolta Malês, em Salvador (1835).
[B] A declaração do Pastor é pautada em preconceitos em
relação às práticas religiosas dos afrodescendentes no
Haiti. A conquista espiritual, parte dos projetos imperia-
listas, garantiu a eliminação de religiões consideradas pa-
gãs nas Américas.
[C] Colônia francesa nas Antilhas, Saint Domingue tor-
nou-se responsável por 40% da produção mundial de ca-
cau no século XVIII. A mão de obra empregada era ma-
joritariamente escrava, com a exploração de africanos ou
de seus descendentes.
[D] O processo de independência do Haiti foi apoiado por
outras colônias, interrompendo o projeto imperialista eu-
ropeu no Novo Mundo. Após 1804, os EUA conduzem
as ações imperialistas na América, tornando-se a princi-
pal referência cultural no continente.
QUESTÃO 21
Durante o período Regencial (1831-1840) ocorreram no
Brasil várias rebeliões provinciais, expressões, ao mesmo
tempo, das lutas das elites pelo poder local e por maior
autonomia das províncias, e da marginalização das cama-
das populares, empobrecidas e excluídas da participação
política. A revolta que, ocorrida no Maranhão, contou
também com a participação de escravos foragidos foi:
[A] Farroupilha.
[B] Cabanagem.
[C] Sabinada.
[D] Balaiada.
QUESTÃO 22
Considere os fragmentos abaixo.
“Lei de 18 de Agosto de 1831”
"Cria as Guardas Nacionais e extingue os corpos de mi-
lícias, guardas municipais e ordenanças. [...]”
Disponível em: http://www2.camara.leg.br/le-
gin/fed/lei_sn/1824-1899/ lei-37497-18-agosto-1831-
56430 publicacaooriginal-88297-pl.html (texto adap-
tado)
“De tão conservadora, e atuante, ela criou uma tradição,
estendendo a sua atuação até a Primeira República, so-
bretudo nas áreas rurais do país.”
SCHWARCZ, Lilia e STARLING, Heloisa. Brasil: uma
biografia. São Paulo: Cia Das Letras, 2015, p. 24 8 .
Assinale a alternativa que situa CORRETAMENTE a
criação da Guarda Nacional e as razões de sua permanên-
cia até a Primeira República.
[A] Em meio às disputas entre Moderados, Exaltados e
Restauradores no Rio de Janeiro pelo governo central da
Regência, e da ocorrência de revoltas nas províncias, a
Guarda Nacional foi constituída pelas elites locais como
força repressiva confiável, tornando-se uma das bases do
poder local até a chamada República Oligárquica.
[B] Para garantir a ordem e conter as revoltas dos Res-
tauradores partidários do retorno de D. Pedro I, a Guarda
Nacional foi constituída para enfrentar as Guardas Muni-
cipais formadas por portugueses aliados aos proprietários
rurais, o que garantiu um instrumento de repressão efici-
ente até a Primeira República.
[C] Com o objetivo de substituir as Ordenanças de ori-
gem portuguesa, responsáveis pela guarda pessoal do im-
perador, a Guarda Nacional foi criada de acordo com o
modelo francês das milícias de cidadãos, e eram forças
responsáveis por proteger pessoalmente os regentes e,
posteriormente, os presidentes da República.
[D] De acordo com os interesses dos Moderados,Exalta-
dos e Restauradores, aliados durante todo o Período Re-
gencial para garantir a unidade territorial do país, a
Guarda Nacional foi criada para apoiar o Exército na
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30
tarefa de garantir a segurança das fronteiras, o que ex-
plica a sua atuação durante a República da Espada.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.
O Rio de Janeiro dos primeiros anos da República era a
maior cidade do país, com mais de 500 mil habitantes.
Capital política e administrativa, estava em condições de
ser também, pelo menos em tese, o melhor terreno para o
desenvolvimento da cidadania. Desde a independência e,
particularmente, desde o início do Segundo Reinado,
quando se deu a consolidação do governo central e da
economia cafeeira na província adjacente, a cidade pas-
sou a ser o centro da vida política nacional. O comporta-
mento político de sua população tinha reflexos imediatos
no resto do país. A Proclamação da República é a melhor
demonstração dessa afirmação.
(José Murilo de Carvalho. Os bestializados, 1987.)
QUESTÃO 23
A Proclamação da República, em 1889,
[A] expressou a interferência norte-americana e reduziu
a influência britânica nos assuntos internos do país.
[B] teve forte participação dos sindicatos operários da ca-
pital e ampliou os direitos de cidadania no Brasil.
[C] representou o fim da hegemonia das elites cafeeiras e
açucareiras na condução da política brasileira.
[D] foi rejeitada e combatida militarmente pelos princi-
pais clérigos católicos no Brasil e no exterior.
[E] resultou da ação de um setor das forças armadas e
contou com o apoio de grupos políticos da capital.
QUESTÃO 24
“No início do século XVII, temos as primeiras referên-
cias, nos documentos, a escravos fugidos que formam
uma comunidade na área dos Palmares, na região serrana
a cerca de 60 quilômetros da costa do atual estado de Ala-
goas, por volta de 1605. (...) Em 1667, os quilombolas
começaram a atacar fazendas para conseguir armas, liber-
tar escravos e vingar-se de senhores e feitores. (...)Os ata-
ques portugueses intensificaram-se nos anos seguintes,
sem sucesso, até que o paulista Domingos Jorge Velho
ofereceu-se para conquistar os índios de Pernambuco, em
1685, o que abria as portas para sua atuação, também, no
combate aos escravos fugidos e agrupados em Palmares.”
FUNARI, Pedro Paulo e CARVALHO, Aline Vieira de.
Palmares, ontem e hoje. Rio de Janeiro: Jorge ZAHAR
Editor, 2005, pp. 11-13.
“Em meados de 1887, escravos fugidos de várias partes
da província, estimulados pelos caifazes, organizaram no
Mont Serrat, em Santos, no litoral paulista, o Quilombo
do Jabaquara – uma verdadeira cidade, de onde seus ocu-
pantes saíam para trabalhar nas minas de carvão ou como
carregadores de café no porto. Foi a maior colônia de es-
cravos fugidos no período.
O Quilombo do Jabaquara fazia parte de uma rede de qui-
lombos muito mais ampla, ligada à Confederação
Abolicionista – criada em 1883 na sede do jornal Gazeta
da Tarde, na cidade do Rio de Janeiro por José do Patro-
cínio, João Clapp, André Rebouças, Aristides Lobo e
muitos outros intelectuais, jornalistas, empresários etc.”
VAINFAS, Ronaldo e outros. História. São Paulo: Edi-
tora Saraiva, 2014. p. 485.
Os textos permitem afirmar que os quilombos no Brasil
[A] eram comunidades constituídas por negros fugidos
da escravidão e brancos abolicionistas, estabelecidas em
todas as regiões, duramente combatidas pelos coloniza-
dores portugueses e pelos industriais do império.
[B] foram numerosos nas regiões economicamente mais
importantes do país, como Alagoas e São Paulo, onde a
massa de escravos concentrava-se para abastecer, respec-
tivamente, várias atividades urbanas e as lavouras de
cana-de-açúcar.
[C] romperam a unidade do movimento de resistência dos
negros à escravidão, acolhendo indígenas e outros traba-
lhadores dispostos a participar de uma alternativa à soci-
edade baseada no latifúndio, na monocultura e na escra-
vidão.
[D] tiveram papel significativo na resistência à escravi-
dão desde o período colonial, e no império receberam o
apoio de setores progressistas da sociedade favoráveis à
abolição da escravidão sem indenização aos proprietá-
rios.
QUESTÃO 25
Em 25 de março de 1824, Dom Pedro I outorgou a Cons-
tituição Política do Império do Brasil. Em relação à Cons-
tituição de 1824, assinale a alternativa correta.
[A] O Texto Constitucional foi construído coletivamente
pela Câmara de Deputados, votado e aprovado em 25 de
março de 1824. Expressava os interesses tanto do partido
liberal quanto do partido conservador, para o futuro na
nação que recém conquistara sua independência.
[B] A Constituição de 1824 instaurava a laicidade no ter-
ritório nacional, extinguindo a religião católica como re-
ligião oficial do império e expressando textualmente que
“todas as outras religiões serão permitidas com seu culto
doméstico, ou particular em casas para isso destinadas,
sem forma alguma exterior do Templo”.
[C] A organização política instaurada pela Constituição
de 1824 dividia-se em 4 poderes: Executivo, Legislativo,
Judiciário e Moderador, sendo que este último determi-
nava a pessoa do imperador como inviolável e sagrada.
[D] A Constituição de 1824 determinou a cidadania am-
plificada e o direito ao voto para todos os nascidos em
solo brasileiro, independentemente de gênero, raça ou
renda.
[E] A Constituição de 1824 promoveu, em diversos arti-
gos, ideais de cunho abolicionista. Tais ideais foram res-
paldo para movimentos políticos posteriores, tais como a
Revolta dos Farrapos e a Revolta dos Malês.
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31
QUESTÃO 26
Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de
março de 1824)
Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organi-
zação política, e é delegado privativamente ao Impera-
dor, como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro Re-
presentante, para que incessantemente vele sobre a ma-
nutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos de-
mais Poderes Políticos.
Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 18 abr.
2015 (adaptado).
A apropriação das ideias de Montesquieu no âmbito da
norma constitucional citada tinha o objetivo de
[A] expandir os limites das fronteiras nacionais.
[B] assegurar o monopólio do comércio externo.
[C] legitimar o autoritarismo do aparelho estatal.
[D] evitar a reconquista pelas forças portuguesas.
[E] atender os interesses das oligarquias regionais.
QUESTÃO 27
“[...] no 07 de setembro de 1822, nas margens do Ipi-
ranga, nos arredores de São Paulo, quando Dom Pedro,
herdeiro do trono português, gritou ‘Independência ou
morte’, estava exagerando. [...] O que estava em jogo no
início da década de 1820 era mais uma questão de mo-
narquia, estabilidade, continuidade e integridade territo-
rial do que de revolução colonial.”
MAXWELL, Kenneth. Por que o Brasil foi diferente? O
contexto da independência. In: MOTA, Carlos Gui-
lherme (Org.). Viagem incompleta: A experiência brasi-
leira (1500-2000). Formação: histórias. São Paulo: Se-
nac, 2000, p. 186.
O processo de independência do Brasil foi marcado por
diversas características. Sobre esse tema, fazem-se as se-
guintes afirmações.
I. A instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro em
1808 representou uma alternativa para o contexto de crise
política da Metrópole e a possibilidade de estruturar um
império luso-brasileiro na América.
II. Da mesma forma que nos demais países da América
Latina, o Brasil independente tornou-se monárquico, li-
beral e, rapidamente, urbano.
III. O projeto de D. Pedro, ao proclamar a independência,
era ampliar o controle das Cortes portuguesas sobre o
Brasil, além de acabar com a escravidão.
Com base nas afirmações, assinale a alternativa correta.
[A] Apenasa afirmação I está correta.
[B] Apenas as afirmações I e II estão corretas.
[C] Apenas as afirmações I e III estão corretas.
[D] Apenas as afirmações II e III estão corretas.
[E] Todas as afirmações estão corretas.
QUESTÃO 28
Atente aos dois excertos a seguir que tratam da legislação
eleitoral durante o período imperial no Brasil. O primeiro
diz respeito às alterações promovidas no sistema eleitoral
do Império pela Lei Nº 387 de 19 de agosto de 1846, e o
segundo apresenta o artigo 2º do Decreto Nº 2.675 de 20
de outubro de 1875, que reformava a legislação eleitoral:
“De acordo com a legislação eleitoral do período, as fai-
xas mínimas de rendas estabelecidas para participação no
pleito eram as seguintes:
[A] para ser eleitor de primeiro grau;
[B] para ser eleitor de segundo grau, candida-
tar-se a Juiz de Paz e candidatar-se a vereador;
[C] para candidatar-se a deputado;
[D] para candidatar-se a senador.”;
FARIA, Vanessa Silva de. Eleições no Império: conside-
rações sobre representação política no segundo reinado.
on-line. XXVII Simpósio nacional ANPUH. Natal, 2013
p. 2.
Disponível em: www.snh2013.anpuh.org/resour-
ces/.../1364925577_ARQUIVO_artigoanpuh2013.pdf
“Art. 2º O Ministro do Imperio fixará o numero de elei-
tores de cada parochia sobre a base do recenseamento da
população e na razão de um eleitor por 400 habitantes de
qualquer sexo ou condição, com a unica excepção dos
subditos de outros Estados. Havendo sobre o multiplo de
400 numero excedente de 200, accrescerá mais um elei-
tor”.
Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/de-
cret/1824-1899/decreto-2675-20-outubro-1875-549763-
publicacaooriginal-65281-pl.html
Com base nos textos acima, pode-se concluir acertada-
mente que durante o Império
[A] havia limitações à participação popular no processo
eleitoral.
[B] havia uma representatividade muito maior do que a
atual, pois um a cada quatrocentos habitantes podia votar
como eleitor de primeira.
[C] o sistema de colégio eleitoral fazia com que o eleitor
de primeira pudesse escolher o chefe do executivo pro-
vincial e do executivo imperial.
[D] apesar da limitação no número de eleitores, o acesso
da população à candidatura era bem mais fácil.
200$000
400$000
800$000
1.600$000
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32
QUESTÃO 29
Observe a imagem.
A charge faz referência ao cenário político brasileiro do
fim do Segundo Reinado. O movimento republicano ga-
nhara fôlego a partir da década de 1870 e a pressão sobre
D. Pedro II se intensificou na década seguinte.
Sobre o contexto político que culminou na Proclamação
da República no Brasil, é correto afirmar que
[A] a República foi proclamada por representantes das
classes populares, insatisfeitas com as condições de vida
oferecidas pelo Império.
[B] a abolição da escravidão aumentou a popularidade a
monarquia, que tornou-se mais forte, adiando por meio
século o projeto republicano.
[C] a Princesa Isabel, opositora do Imperador e defensora
da igualdade jurídica entre brancos e negros, foi uma das
principais partidárias da República.
[D] os comandantes das Forças Armadas, prestigiados
após a vitória na Guerra do Paraguai, defenderam a mo-
narquia em troca de melhores postos e salários.
[E] o movimento republicano se transformou em uma
força política decisiva quando a monarquia perdeu o
apoio dos cafeicultores, da Igreja Católica e dos militares.
QUESTÃO 30
Art. 3º O governo paraguaio se reconhece obrigado à ce-
lebração do Tratado da Tríplice Aliança de 1º de maio de
1865, entendendo-se estabelecido desde já que a navega-
ção do Alto Paraná e do Rio Paraguai nas águas territori-
ais da república deste nome fica franqueada aos navios
de guerra e mercantes das nações aliadas, livres de todo
e qualquer ônus, e sem que se possa impedir ou estorvar-
se de nenhum modo a liberdade dessa navegação comum.
(“Acordo Preliminar de Paz Celebrado entre Brasil, Ar-
gentina e Uruguai
com o Paraguai (20 junho 1870)”. In: Paulo Bonavides e
Roberto Amaral
(orgs.). Textos políticos da história do Brasil, 2002.
Adaptado.)
O tratado de paz imposto pelos países vencedores da
guerra contra o Paraguai deixa transparente um dos mo-
tivos da participação do Estado brasileiro no conflito:
[A] o domínio de jazidas de ouro e prata descobertas nas
províncias centrais.
[B] o esforço em manter os acordos comerciais celebra-
dos pelas metrópoles ibéricas.
[C] a garantia de livre trânsito nas vias de acesso a pro-
víncias do interior do país.
[D] o projeto governamental de proteger a nação com
fronteiras naturais.
[E] o monopólio governamental do transporte de merca-
dorias a longa distância.
QUESTÃO 31
Ainda que não se possa falar na existência de um projeto
de industrialização, em São Paulo, o setor industrial cres-
ceu significativamente após a abolição da escravidão,
embora estivesse anunciado desde 1870. Os especialistas
falam em “surto industrial” e destacam que essa conjun-
tura contou com o desenvolvimento urbano, a criação de
mercado para os manufaturados, o investimento em es-
tradas de ferro, a disponibilidade de mão de obra e a im-
portação de maquinário industrial. Esse crescimento in-
dustrial originou-se de pelo menos duas fontes inter-rela-
cionadas, que foram
[A] o setor comercial e os escravos libertos.
[B] o setor açucareiro e os trabalhadores livres nacionais.
[C] o setor minerador e os imigrantes.
[D] o setor da pecuária e o gaúcho.
[E] o setor cafeeiro e os imigrantes.
QUESTÃO 32
O Brasil foi o último país da América a acabar, oficial-
mente, com a escravidão em seu território. Apesar do pi-
oneirismo das províncias do Ceará e do Amazonas, que
aboliram a escravidão em 1884, o processo que levou até
a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, teve
início com a Lei Eusébio de Queirós, de 4 de setembro
de 1850, que proibia o tráfico de escravos para o Brasil.
Atente ao que diz o Professor Antonio Torres Montene-
gro a esse respeito: “Com o passar dos anos, vai-se tor-
nando evidente que a extinção do tráfico de escravos, por
si, não é suficiente para garantir um fim próximo para a
escravidão. Existia, agora, o comércio de escravos entre
as províncias, que começava a gerar outros problemas.
Isso porque as províncias do Norte e Nordeste passaram
a vender grandes quantidades de escravos para o Sul e
Sudeste. [...] O Norte e o Nordeste passam, então, a ado-
tar, crescentemente, o trabalho livre, tornando-se aos
poucos, mais flexíveis em relação a um prazo imediato
para o fim da escravidão do que o Sul, que tinha acabado
de realizar um grande investimento na compra de escra-
vos”.
MONTENEGRO, Antonio Torres. Reinventando a liber-
dade: A abolição da escravatura no Brasil.
9ª ed. São Paulo: Atual, 1989, p. 9-10.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
33
De acordo com o texto acima, pode-se concluir acertada-
mente que
[A] a partir da edição da Lei Eusébio de Queirós, em
1850, que proibia o tráfico de escravos para o Brasil, ga-
rantiu-se o fim do comércio de escravos no país.
[B] o comércio interprovincial de escravos favoreceu a
que as províncias do Ceará e do Amazonas abolissem a
escravidão ainda em 1884, cerca de 4 anos antes da assi-
natura da Lei Áurea.
[C] no Sul e Sudeste, em virtude da compra de escravos
das províncias do Norte e Nordeste, surgiu um movi-
mento de apoio à abolição por parte dos grandes latifun-
diários cafeicultores.
[D] o fim da escravidão no Brasil foi um processo demo-
rado porque apenas questões étnicas impediam a realiza-
ção da abolição.
QUESTÃO 33
O movimento abolicionista, que levou à libertação dos
escravos pela Lei Áurea em 13 de maio de 1888, foi a
primeira campanha de dimensões nacionais com partici-
pação popular. Nunca antes tantos brasileiros se haviam
mobilizado de formatão intensa por uma causa comum,
nem mesmo durante a Guerra do Paraguai. Envolvendo
todas as regiões e classes sociais, carregou multidões a
comícios e manifestações públicas e mudou de forma
dramática as relações políticas e sociais que até então vi-
goravam no país.
GOMES, L. 1889. São Paulo: Globo, 2013 (adaptado).
O movimento social citado teve como seu principal veí-
culo de propagação o(a)
[A] imprensa escrita.
[B] oficialato militar.
[C] corte palaciana.
[D] clero católico.
[E] câmara de representantes.
QUESTÃO 34
“As consequências da escravidão não atingiram apenas
os negros. Do ponto de vista da formação do cidadão, a
escravidão afetou tanto o escravo quanto o senhor. Se um
estava abaixo da lei, o outro se considerava acima. A li-
bertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade
efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis, mas negada
na prática. Ainda hoje, apesar das leis, aos privilégios e à
arrogância de poucos correspondem o desfavorecimento
e a humilhação de muitos.”
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o
longo caminho. 14ª ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, p. 53.
No século XIX, o combate à escravidão no Brasil relaci-
onou-se à
[A] adesão dos proprietários rurais à plena concretização
dos direitos humanos.
[B] elaboração da Constituição por pessoas comprometi-
das com a justiça social.
[C] criação de leis emancipacionistas para a manutenção
da Guerra do Paraguai.
[D] mobilização de diferentes grupos sociais em torno da
campanha abolicionista.
QUESTÃO 35
Promulgada em 1850, a chamada Lei de Terras determi-
nou as normas sobre a posse, manutenção, uso e comer-
cialização das terras no período do Segundo Reinado,
modificando as relações fundiárias no Brasil.
A partir desta data, ficou estabelecido que as terras
[A] seriam tomadas pelo Estado e transformadas em co-
operativas, visando aumentar a produtividade e combater
o problema da fome nas cidades.
[B] seriam demarcadas e entregues a membros da aristo-
cracia imperial, em um regime de administração que fi-
cou conhecido como Capitanias Hereditárias.
[C] passariam a ser adquiridas por meio de compra e
venda ou por doação do Estado, com registro em cartório,
ficando proibida a obtenção de terras por meio de ocupa-
ção.
[D] seriam divididas em pequenos lotes e distribuídas a
escravos alforriados e imigrantes europeus, em um sis-
tema que ficou conhecido como colonato.
[E] pertenceriam ao Estado e seriam geridas por funcio-
nários públicos concursados, por meio do Instituto Naci-
onal de Colonização e Reforma Agrária (Incr[A].
QUESTÃO 36
A abdicação de Dom Pedro I, em 1831, foi seguida por
anos turbulentos, nos quais diferentes grupos políticos
defendiam distintos projetos para os destinos da nação.
Neste período – que, até a coroação de Dom Pedro II, é
conhecido como “Período Regencial” diversas revoltas
eclodiram nas províncias e reivindicavam, especial-
mente, autonomia em relação ao poder central.
Assinale a alternativa que contém apenas os nomes das
revoltas ocorridas durante o “Período Regencial”.
[A] Farroupilha, Cabanagem, Inconfidência Mineira, Re-
volta dos Malês.
[B] Farroupilha, Sabinada, Balaiada, Cabanagem.
[C] Inconfidência Mineira, Revolução Pernambucana,
Conjuração Baiana, Sabinada.
[D] Sabinada, Balaiada, Farroupilha, Coluna Prestes.
[E] Cabanagem, Sabinada, Araguaia, Revolução Pernam-
bucana.
QUESTÃO 37
O escritor José de Alencar relata como ocorriam as reu-
niões do Clube da Maioridade, realizadas na casa de seu
pai em 1840. Discutia-se nessas ocasiões a antecipação
da maioridade do imperador D. Pedro II, então com ape-
nas 14 anos, para que ele pudesse assumir o trono antes
do tempo determinado pela Constituição. No fim da vida,
José de Alencar rememora os episódios de sua infância e
chega a uma surpreendente conclusão: os políticos que
frequentavam sua casa na ocasião iam lá não porque es-
tavam pensando no futuro do país, mas apenas para
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
34
devorar tabletes e bombons de chocolate. Conforme o re-
lato do escritor, os membros do Clube da Maioridade,
discutindo altos assuntos na sala de sua casa, pareciam
realmente gente séria e preocupada com os destinos do
Brasil, até que chegava a hora do chocolate.
Para Alencar, a discussão política no Brasil se resumia a
um “devorar de chocolate”, isto é, cada um defendia ape-
nas seus interesses particulares e nada mais.
Adaptado de Daniel Pinha Silva, “O império do choco-
late”, em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/lei-
turas/o-imperio-do-chocolate.
Acessado em: 01/08/2016.
Sobre o Golpe da Maioridade e a visão de José de Alen-
car a esse respeito, é correto afirmar que:
[A] O golpe foi uma manobra das elites políticas, que cri-
aram uma forma de alterar a Constituição e contemplar
os seus interesses durante o período regencial, fato criti-
cado por Alencar ao fazer uma anedota com o chocolate.
[B] Ao entregar o poder a um jovem de 14 anos, alegando
ser maior de 18, os políticos do Império manifestavam
uma ousada visão política para evitar a influência da In-
glaterra nos assuntos brasileiros, preservando seus inte-
resses como donos de escravos.
[C] O golpe foi uma resposta dos conservadores às pro-
postas liberais que pretendiam estabelecer a República no
país, e Alencar apontou uma prática política dos parla-
mentares que é recorrente na história do país.
[D] José de Alencar expressou sua decepção com os po-
líticos e, ao registrar sua visão sobre o Clube da Maiori-
dade, o escritor contribuiu para inibir procedimentos se-
melhantes durante o Império, assegurando uma transição
pacífica e legal para a República, em 1889.
QUESTÃO 38
“... esses males, nós os temos suportado em comum com
as outras Províncias da União Brasileira (...). Para que
lançássemos mãos das armas foi preciso a concorrência
de outras causas (...) que nos dizem respeito(...) e que nos
trouxeram íntima convicção da impossibilidade de avan-
çarmos na carreira da Civilização e prosperidade sujeitos
a um governo que há formado o projeto iníquo de nos
submeter à mais abjeta escravidão (...).”
O trecho do Manifesto Farroupilha de 1838, referia-se ao
[A] fortalecimento do poder central nas mãos da elite la-
tifundiária, ligados ao setor exportador, impedindo assim
a participação política das camadas médias urbanas, so-
bretudo dos militares.
[B] estabelecimento de tarifas alfandegárias favoráveis
aos interesses dos estanceiros gaúchos e charqueadores e
maior autonomia aos governos provinciais.
[C] desejo de um governo federalista capaz de limitar o
anseio e efetiva participação das classes populares e am-
pliar o poder dos grandes proprietários de escravos junto
ao governo.
[D] anseio autonomista das diversas províncias do país e
eliminação do regime de produção escravista, vigente
também no sul do país, para tentar dinamizar o mercado
consumidor nacional.
[E] repúdio à política centralizadora do governo imperial,
assim como às demais rebeliões populares que assolavam
o país, defendendo reformas sociais e a adesão a um re-
gime unitarista.
QUESTÃO 39
Leia o texto.
Em abril de 1831, Dom Pedro I abdicou ao trono do Bra-
sil em favor de seu filho, Dom Pedro de Alcântara que
tinha, então, cinco anos de idade. Uma Regência foi cri-
ada para governar até que Dom Pedro II, como ficaria co-
nhecido, atingisse a maioridade e pudesse ser coroado.
Durante o Período Regencial, a política brasileira foi
marcada
[A] pela intensificação da política expansionista do re-
gente Feijó, que acentuou os conflitos internacionais no
Cone Sul (Guerras da Cisplatina e do Paraguai), e pelo
aumento progressivo da dívida externa brasileira.
[B] pela fragmentação do Império, marcada pela perda de
territórios fronteiriços (Província Cisplatina, Amazônia
Colombian[A]nos combates com as tropas de Simón Bo-
lívar e José de San Martín.
[C] pelo pacto federativo, conduzido pelo jovem impera-
dor, que favoreceu as demandas dos regionalistas, conce-
dendo autonomia administrativa às províncias.
[D] pela promulgação da primeira Constituição do Impé-
rio, que sofreu forte resistência das elites regionais por
seu caráter centralizador, pela criação do poder Modera-
dor e pela extensão do direito de voto aos analfabetos.
[E] pela criação das Assembleias Legislativas Provinciais
e pela eclosão de rebeliões em diversas províncias, sendo
algumas de caráter popular (como a Cabanagem) e outras
comandadas pelas elites regionais (caso da Guerra dos
Farrapos).
QUESTÃO 40
Sobre a regência do paulista Diogo Antônio Feijó, entre
1835 e 1837, é correto afirmar que
[A] o regente conseguiu vencer a eleição devido ao apoio
recebido dos produtores de algodão do Nordeste, classe
emergente nos anos 1830, o que possibilitou o combate
às rebeliões regenciais e o início do processo de centrali-
zação político-administrativa.
[B] o apoio inicial que Feijó recebeu de todas as forças
políticas do Império foi, progressivamente, sendo corro-
ído porque o regente eleito mostrou simpatia pelo projeto
político da Balaiada, que defendia uma Monarquia base-
ada no voto universal.
[C] a opção de Feijó em negociar com os farroupilhas e
com a liderança popular da Cabanagem provocou forte
reação dos grupos mais conservadores, especialmente do
Partido Conservador, que organizaram a queda de Feijó
por meio de um golpe de Estado.
[D] o isolamento político do regente Feijó, que provocou
a sua renúncia do mandato, relacionou-se com a sua
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
35
incapacidade de conter as rebeliões que se espalhavam
por várias províncias do Império e com a vitória eleitoral
do grupo regressista.
[E] as condições econômicas brasileiras foram se deteri-
orando durante a década de 1830 e provocaram um forte
desgaste da regência de Feijó, que renunciou ao cargo de-
pois de um acordo para uma reforma constitucional.
QUESTÃO 41
Entre abril de 1831 e julho de 1840, durante o período em
que o príncipe herdeiro, Pedro de Alcântara, foi menor de
idade, o Brasil esteve sob comando de regentes. As qua-
tro regências (duas trinas e duas unas) se seguiram du-
rante nove anos que marcaram a nossa história no século
XIX. Sobre esse período, é correto afirmar que
[A] ocorreram avanços sociais inegáveis, como a aboli-
ção da escravatura e a concessão do direito ao voto para
os analfabetos, contudo ambos foram revogados com a
chegada de D. Pedro II ao trono.
[B] foi um período de grande agitação social e política no
qual ocorreram revoltas de escravos, como a dos Malês,
em Salvador e revoltas separatistas como a Cabanagem,
no Pará, a Sabinada, na Bahia e a Farroupilha, no Rio
Grande do Sul e Santa Catarina.
[C] foi um período de grande paz interna, o que propor-
cionou um desenvolvimento econômico e social sem pre-
cedentes, isso foi o que garantiu a D. Pedro II um governo
longevo de 49 anos que só acabou com sua morte em
1889.
[D] durante esses anos o país expandiu seu território,
tendo anexado a Província Cisplatina e o estado do Acre,
definindo assim suas atuais fronteiras e sua posição de
maior país da América do Sul.
QUESTÃO 42
A Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 na Bahia, contou
com ampla participação popular e defendeu, entre outras
propostas,
[A] a rejeição ao catolicismo e a construção de uma or-
dem islâmica.
[B] a manutenção da escravidão de africanos e a amplia-
ção da escravização de indígenas.
[C] o retorno de D. Pedro I e o restabelecimento da mo-
narquia absolutista.
[D] a ampliação das relações diplomáticas e comerciais
com os países africanos.
[E] o reconhecimento dos direitos e deveres de todo ci-
dadão brasileiro.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
É interessante notar como, em Machado de Assis, se ali-
avam e se irmanavam a superioridade de espírito, a maior
liberdade interior e um marcado convencionalismo. Dois
termos que se repelem, pensador e burocrata, são os que
melhor o exprimem. Entre Memórias póstumas de Brás
Cubas e Quincas Borba, a vida nacional passara pelas
profundas modificações da Abolição e da República.
− Que pensa de tudo isso Machado de Assis? indagava
Eça de Queirós.
À queda da Monarquia, disse Machado no seu gabinete
de burocrata, diante da conveniência de tirar da parede o
retrato do imperador:
− Entrou aqui por uma portaria, só sairá por outra porta-
ria.
Era o que tinha a dizer aos republicanos, atônitos com
esse acatamento ao ato de um regime findo.
Adaptado de: PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de As-
sis. 6. ed. rev., Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo:
EDUSP, 1988, p. 208
QUESTÃO 43
O republicanismo no Brasil, sobretudo a linha defendida
pelos militares, sofreu forte influência do positivismo –
forma de pensamento característico do século XIX −, fi-
losofia de Auguste Comte. Os republicanos positivistas
[A] pretendiam chegar ao regime republicano por meio
de mudanças decorrentes de movimentos de luta entre os
monarquistas e os positivistas.
[B] concebiam o Estado como uma entidade voltada ao
aprimoramento positivo da sociedade, independente-
mente do regime de governo.
[C] consideravam que só seria possível a criação de uma
sociedade igualitária através do republicanismo e de “re-
formas positivas do trabalho”.
[D] defendiam que a monarquia seria superada pelo “es-
tágio positivo da história da humanidade”, representado
de modo especial pela república.
[E] acreditavam que a queda da monarquia ocorreria por
meio de uma “revolução baseada nos princípios do posi-
tivismo e do republicanismo”.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
“A unidade básica de resistência no sistema escravista,
seu aspecto típico, foram as fugas. (...) Fugas individuais
ocorrem em reação a maus tratos físicos ou morais, con-
cretizados ou prometidos, por senhores ou prepostos mais
violentos. Mas outras arbitrariedades, além da chibata,
precisam ser computadas. Muitas fugas tinham por obje-
tivo refazer laços afetivos rompidos pela venda de pais,
esposas e filhos. (...) No Brasil, a condenação [da escra-
vidão] só ganharia força na segunda metade do século,
quando o país independente, fortemente penetrado por
ideias e práticas liberais, se integra ao mercado internaci-
onal capitalista. (...) “Tirar cipó” – isto é, fugir para o
mato – continuou durante muito tempo como sinônimo
de evadir-se, como aparece no romance A carne, de Júlio
Ribeiro. Mas as fugas, como tendência, não se dirigem
mais simplesmente para fora, como antes; se voltam para
dentro, isto é, para o interior da própria sociedade escra-
vista, onde encontram, finalmente, a dimensão política de
luta pela transformação do sistema. “O não quero dos ca-
tivos”, nesse momento, desempenha papel decisivo na li-
quidação do sistema, conforme analisou o abolicionista
Rui Barbosa”.
REIS, João José. SILVA, Eduardo. Negociação e con-
flito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo:
Companhia das Letras, 1989, p. 62-66-71.
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
36
QUESTÃO 44
De acordo com os autores do texto, João José Reis e Edu-
ardo Silva, assinale a alternativa incorreta.
[A] As fugas de escravos entre os séculos XVI e XIX ti-
veram motivações diversas, entre elas o tráfico interpro-
vincial.
[B] Durante o século XIX, a luta dos escravos pela liber-
dade não se dava somente pela fuga coletiva para a for-
mação de quilombos.
[C] As cidades, no século XIX, tornaram-se espaços sig-
nificativos para as lutas pela abolição.
[D] Os escravos foram agentes da história, e não apenas
força de trabalho.
[E] A naturalização do sistema escravista se manteve es-
tável durante o período colonial e o imperial.
QUESTÃO 45
Examine o gráfico.
O gráficofornece elementos para afirmar:
[A] A despeito de uma ligeira elevação, o tráfico negreiro
em direção ao Brasil era pouco significativo nas primei-
ras décadas do século XIX, pois a mão de obra livre já
estava em franca expansão no país.
[B] As grandes turbulências mundiais de finais do século
XVIII e de começos do XIX prejudicaram a economia do
Brasil, fortemente dependente do trabalho escravo, mas
incapaz de obter fornecimento regular e estável dessa
mão de obra.
[C] Não obstante pressões britânicas contra o tráfico ne-
greiro em direção ao Brasil, ele se manteve alto, contri-
buindo para que a ordem nacional surgida com a Inde-
pendência fosse escravista.
[D] Desde o final do século XVIII, criaram-se as condi-
ções para que a economia e a sociedade do Império do
Brasil deixassem de ser escravistas, pois o tráfico ne-
greiro estava estagnado.
[E] Rapidamente, o Brasil aderiu à agenda antiescravista
britânica formulada no final do século XVIII, firmando
tratados de diminuição e extinção do tráfico negreiro e
acatando as imposições favoráveis ao trabalho livre.
QUESTÃO 46
Na História do Rio Grande do Sul, encontramos diferen-
tes exemplos de disputas entre portugueses e espanhóis,
entre grupos políticos regionais, e de conflitos sucessivos
em torno de interesses e de fronteiras na Região do Prata.
Assinale a alternativa que apresenta exemplos desses
conflitos, com a participação sul-rio-grandense, no sé-
culo XIX.
[A] Campanha da Legalidade, Guerra da Cisplatina e
Guerra do Paraguai.
[B] Guerra da Cisplatina, Guerra contra Aguirre e Guerra
do Paraguai.
[C] Revolução Farroupilha, Revolução de 1923 e Revo-
lução Federalista.
[D] Revolta da Armada, Guerra da Cisplatina e Confede-
ração do Equador.
[E] Guerra da Cisplatina, Guerras Guaraníticas e Campa-
nha da Legalidade.
QUESTÃO 47
...uma Constituição não é outra coisa que a ata do Pacto
Social que fazem entre si os homens, quando se juntam e
associam para viver em reunião ou sociedade.
(Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca. Citado
por Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota in História
do Brasil: uma interpretação)
As palavras do Frei Caneca foram proferidas a propósito
de crítica ao modelo autocrático-imperial de Pedro I.
Assinale a alternativa que apresente a revolução republi-
cana e separatista que eclodiu no nordeste, ocorrida con-
tra o governo de Pedro I:
[A] Revolução Pernambucana de 1817;
[B] Sabinada;
[C] Cabanagem;
[D] Balaiada;
[E] Confederação do Equador.
QUESTÃO 48
Atente às seguintes afirmações acerca do momento his-
tórico brasileiro conhecido como
Segundo Reinado:
I. Esse período, no primeiro momento, constituiu a luta a
favor da permanência da monarquia, sob a égide de Pedro
I.
II. A crise interna do sistema escravista, aliada aos vários
conflitos e revoltas internas observadas durante esse pe-
ríodo, contribuíram para pôr fim ao Segundo Reinado.
III. O final do Segundo Reinado representou o fim do pe-
ríodo Imperial no Brasil e o início do sistema republi-
cano.
É correto o que se afirma somente em
[A] I e II.
[B] I e III.
[C] II.
[D] III.
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37
QUESTÃO 49
O fato de ser a única monarquia na América levou os go-
vernantes do Império a apontarem o Brasil como um so-
litário no continente, cercado de potenciais inimigos. Te-
mia-se o surgimento de uma grande república liderada
por Buenos Aires, que poderia vir a ser um centro de atra-
ção sobre o problemático Rio Grande do Sul e o isolado
Mato Grosso. Para o Império, a melhor garantia de que a
Argentina não se tornaria uma ameaça concreta estava no
fato de Paraguai e Uruguai serem países independentes,
com governos livres da influência argentina.
(Francisco Doratioto. A Guerra do Paraguai, 1991.)
Segundo o texto, uma das preocupações da política ex-
terna brasileira para a região do Rio da Prata, durante o
Segundo Reinado, era
[A] estimular a participação militar da Argentina na Trí-
plice Aliança.
[B] limitar a influência argentina e preservar a divisão
política na área.
[C] facilitar a penetração e a influência política britânicas
na área.
[D] impedir a autonomia política e o desenvolvimento
econômico do Paraguai.
[E] integrar a economia brasileira às economias para-
guaia e uruguaia.
QUESTÃO 50
Considere as seguintes afirmações sobre a construção
histórica da identidade nacional brasileira.
I. A nacionalização da língua falada no Brasil e a busca
por uma literatura brasileira autônoma foram tarefas as-
sumidas pelos escritores ligados ao Romantismo, entre os
quais se destacam Gonçalves de Magalhães, Gonçalves
Dias e José de Alencar.
II. A expressão “Brasil, ame-o ou deixe-o” foi difundida
durante o governo de D. Pedro I como propaganda contra
os ideais restauradores do Partido Português, que defen-
dia o retorno do Brasil à condição de Vice-Reino de Por-
tugal.
III. Um dos traços marcantes do modernismo dos anos
1920 foi propor um nacionalismo crítico em que se con-
jugava a tradição cultural do Brasil com as vanguardas
artísticas europeias, enfatizando a mestiçagem e o caráter
híbrido da formação nacional brasileira.
Quais estão corretas?
[A] Apenas I.
[B] Apenas II.
[C] Apenas I e III.
[D] Apenas II e III.
[E] I, II e III.
QUESTÃO 51
Os colonos que emigram, recebendo dinheiro adiantado,
tornam-se, pois, desde o começo, uma simples proprie-
dade de Vergueiro & Cia. E em virtude do espírito de ga-
nância, para não dizer mais, que anima numerosos
senhores de escravos, e também da ausência de direitos
em que costumam viver esses colonos na província de
São Paulo, só lhes resta conformarem-se com a ideia de
que são tratados como simples mercadorias ou como es-
cravos.
(Thomas Davatz. Memórias de um colono no Brasil
(1850), 1941.)
O texto aponta problemas enfrentados por imigrantes eu-
ropeus que vieram ao Brasil para
[A] trabalhar nas primeiras fábricas, implantadas na re-
gião Sudeste do país, para reduzir a dependência brasi-
leira de manufaturados ingleses.
[B] substituir a mão de obra escrava nas lavouras de café
e cana-de-açúcar, após a decretação do fim da escravidão
pela lei Áurea.
[C] trabalhar no sistema de parceria, estando submetidos
ao poder político e econômico de fazendeiros habituados
à exploração da mão de obra escrava.
[D] substituir a mão de obra indígena na agricultura e na
pecuária, pois os nativos eram refratários aos trabalhos
que exigiam sua sedentarização.
[E] trabalhar no sistema de colonato, durante o período
da grande imigração, e se estabeleceram nas fazendas de
café do Vale do Paraíba e litoral do Rio de Janeiro.
QUESTÃO 52
No que diz respeito ao crescimento da lavoura cafeeira
no Brasil do século XIX, é correto afirmar que
[A] o café era produzido em larga escala, em todo o Bra-
sil, porém, a presença da mão de obra assalariada resul-
tava em baixa rentabilidade.
[B] esse período coincide com uma fase de vitalidade e
expansão dos mercados europeus e com o desenvolvi-
mento dos Estados Unidos, resultando no grande inte-
resse pelos produtos agrícolas.
[C] desde o período colonial a produção cafeeira compe-
tia, no mercado internacional, com a produção açucareira
brasileira.
[D] o norte do Brasil, à época, era uma região produtora
de café por excelência, pois podia disponibilizar vasta
mão de obra escrava.
QUESTÃO 53
Enfermo a 14 de novembro, na segunda-feira o velho
Lima voltou ao trabalho, ignorando que no entretempo
caíra o regime. Sentou-se e viu que tinham tirado da pa-
rede a velha litografia representando D. Pedro de Alcân-
tara. Como na ocasião passasse um contínuo, perguntou-
lhe:
– Por que tiraram da parede o retrato de Sua Majestade?
O contínuo respondeu, num tom lentamente desdenhoso:
– Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana?
– Pedro Banana!– repetiu raivoso o velho Lima.
E, sentando-se, pensou com tristeza:
– Não dou três anos para que isso seja uma República!
AZEVEDO, A. Vidas alheias. Porto Alegre, s.e, 1901
(adaptado).
A crônica de Artur Azevedo, retratando os dias imediatos
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
38
à instauração da República no Brasil, refere-se ao(à)
[A] ausência de participação popular no processo de
queda da Monarquia.
[B] tensão social envolvida no processo de instauração
do novo regime.
[C] mobilização de setores sociais na restauração do an-
tigo regime.
[D] temor dos setores burocráticos com o novo regime.
[E] demora na consolidação do novo regime.
QUESTÃO 54
O texto abaixo se refere à construção da identidade naci-
onal no Brasil no decorrer do século XIX, sobretudo a
partir do Segundo Reinado.
Leia o trecho e, em seguida, responda à questão:
“Por oposição ao negro, que lembrava a escravidão, o in-
dígena permitia identificar uma origem mítica e unifica-
dora. (...). A natureza brasileira também cumpriu função
paralela. Se não tínhamos castelos medievais, templos da
Antiguidade ou batalhas heroicas para lembrar, possuía-
mos o maior dos rios, a mais bela vegetação. (...). Por
mais que tenha partido de d. Pedro I e de Bonifácio a ten-
tativa de elaborar (...) uma ritualística local, foi com d.
Pedro II e seu longo reinado que se tornaram visíveis a
originalidade do protocolo e o projeto romântico de re-
presentação política do Estado”
(SCHWARCZ, Lilia. As Barbas do Imperador, p.140);
Com base no trecho acima e em seus conhecimentos, é
CORRETO afirmar que a identidade nacional no século
XIX foi construída:
[A] Tendo como base as referências europeias existentes
nas províncias que formavam o Brasil antes da Indepen-
dência do país.
[B] A partir de um processo de longa duração, que se va-
leu do uso de aspectos naturais e de elementos simbólicos
locais que pretendiam representar a Nação.
[C] De forma consensual e harmônica, considerando a
heterogeneidade dos diferentes povos que formavam o
país.
[D] Através da valorização da herança africana e dos cos-
tumes da África, continente ao qual o país estava direta-
mente ligado pelo Atlântico Sul.
[E] Com o objetivo de reproduzir no país recém-indepen-
dente as mesmas características existentes em Portugal.
QUESTÃO 55
Apesar da prosperidade econômica do Império, a estru-
tura socioeconômica brasileira não sofreu modificações
significativas. As lutas pela modernização do país acaba-
riam resultando na Proclamação da República em 1889.
O fim da monarquia no Brasil foi o resultado da ruptura
das relações do governo com os seguintes setores da so-
ciedade que lhe davam sustentação:
I. A Igreja.
II. O exército.
III. A aristocracia escravista.
Quais estão corretos?
[A] Apenas I.
[B] Apenas I e II.
[C] Apenas I e III.
[D] Apenas II e III.
[E] I, II e III.
QUESTÃO 56
Considere as afirmações abaixo, sobre imigração para o
Brasil e as suas políticas públicas de fomento.
I. A lei orgânica de 1867 previa uma série de benefícios
e facilidades à vinda dos imigrantes europeus, como, por
exemplo, o pagamento de suas passagens às colônias e a
atribuição de um lote de terra de até hectares por fa-
mília imigrante.
II. Uma das metas do incentivo à imigração europeia era
a política de “branqueamento” do país, exemplificada
pelo decreto n.º 528 de 1890, que, entre outras medidas,
proibia a entrada de imigrantes africanos no país, salvo
em condições excepcionais.
III. As regiões do país que mais atraíra imigrantes foram
o Sudeste e o Nordeste, principalmente pela ausência de
latifúndios significativos e de mão de obra disponível à
industrialização de ambas as regiões.
Quais estão corretas?
[A] Apenas I.
[B] Apenas II.
[C] Apenas I e II.
[D] Apenas II e III.
[E] I, II e III.
QUESTÃO 57
O número de votantes potenciais em 1872 era de
o que correspondia a da população
total. Esse número poderia chegar a quando sepa-
ramos os escravos dos demais indivíduos. Em 1886,
cinco anos depois de a Lei Saraiva ter sido aprovada, o
número de cidadãos que poderiam se qualificar eleitores
era de isto é, da população.
CASTELLUCCI, A. A. S. Trabalhadores, máquina polí-
tica e eleições na Primeira República. Disponível em:
www.ifch.unicamp.br. Acesso em: 28 jul. 2012.
A explicação para a alteração envolvendo o número de
eleitores no período é a
[A] criação da Justiça Eleitoral.
[B] exigência da alfabetização.
[C] redução da renda nacional.
[D] exclusão do voto feminino.
[E] coibição do voto de cabresto.
60
1.097.698, 10,8%
13%,
117.022, 0,8%
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
39
QUESTÃO 58
É hoje a nossa festa nacional. O Brasil inteiro, da capital
do Império a mais remota e insignificante de suas aldeo-
las, congrega-se unânime para comemorar o dia que o ti-
rou dentre as nações dependentes para colocá-lo entre as
nações soberanas, e entregou-lhe os seus destinos, que até
então haviam ficado a cargo de um povo estranho.
Gazeta de Notícias, 7 set. 1883.
As festividades em torno da Independência do Brasil
marcam o nosso calendário desde os anos imediatamente
posteriores ao 7 de setembro de 1822. Essa comemoração
está diretamente relacionada com
[A] a construção e manutenção de símbolos para a for-
mação de uma identidade nacional.
[B] o domínio da elite brasileira sobre os principais car-
gos políticos, que se efetivou logo após 1882.
[C] os interesses de senhores de terras que, após a Inde-
pendência, exigiram a abolição da escravidão.
[D] o apoio popular às medidas tomadas pelo governo
imperial para a expulsão de estrangeiros do país.
[E] a consciência da população sobre os seus direitos ad-
quiridos posteriormente à transferência da Corte para o
Rio de Janeiro.
QUESTÃO 59
Em 1835, a Regência Una foi assumida por Diogo Feijó.
Foi eleito em votação apertada, com pouco mais da me-
tade dos votos, numa demonstração clara de que enfren-
taria grande oposição em seu governo. Logo explodiram
rebeliões em várias províncias, alguma reivindicando
mais poder, outras com objetivos separatistas e até
mesmo tendência republicana. Todas com maior ou me-
nor mobilização popular.
VAINFAS, Ronaldo ET AL. História. São Paulo: Sa-
raiva, v. 2, 2010, p. 207.
No clima de rebeliões do período descrito no texto, as
maiores mobilizações populares ocorreram
[A] na Cabanagem do Grão-Pará, na Balaiada do Mara-
nhão e nos Malês, na Bahia.
[B] na guerra da Cisplatina, no quilombo dos Palmares e
na guerra de independência na Bahia.
[C] na Revolução Pernambucana de 1817, na Confedera-
ção do Equador e na guerra dos Mascates.
[D] na campanha da Maioridade, na pressão pela abdica-
ção de D. Pedro I e na declaração de guerra do Brasil ao
Paraguai.
[E] em todas as províncias do Sul e do Sudeste, onde pre-
valecia a maioria da população rural, carente de atendi-
mento por parte dos setores governamentais.
QUESTÃO 60
Observe com atenção a notícia em destaque no jornal Ga-
zeta de Notícias.
Assinale a alternativa que identifica corretamente a lei a
que o jornal se refere e sua relação com o processo de
extinção da escravidão no Brasil.
[A] Lei Eusébio de Queiroz: endurecia a fiscalização das
leis que proibiam a escravidão desde os primeiros séculos
da presença portuguesa na América.
[B] Lei Eusébio de Queiroz: promulgada após a abolição,
visava garantir direitos e condições de reinserção da po-
pulação liberta na sociedade e na economia brasileiras.
[C] Lei Áurea: foi promulgada após a proclamação da
República, quando toda a legislação imperial foi revo-
gada e a questão da escravidão passou por nova regula-
mentação.
[D] Lei Áurea: instituía uma série de dispositivos legais
e foi adotada anos antes da abolição para garantir que,uma vez liberta, a população negra estivesse preparada
para o mercado de trabalho.
[E] Lei Áurea: representou o último passo para a abolição
da escravidão, que já vinha ocorrendo gradualmente com
a adoção de leis como a Eusébio de Queiroz, Lei do Ven-
tre Livre e Lei do Sexagenário.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, considere o
texto abaixo.
Há no Romantismo nacional uma expressão evidente do
culto da nacionalidade, o qual, tomado num sentido mais
amplo, se manifesta também em lutas pela afirmação da
liberdade política e determina a exaltação de valores e
tradições. Esse sentimento é tomado também nos seus as-
pectos sociais, sob o apanágio dos direitos do homem li-
vre, razão de ser do movimento abolicionista e matéria
para o romance, para o teatro e para a poesia da época.
(Adaptado de: CANDIDO, Antonio e CASTELLO, José
Aderaldo. Presença da Literatura Brasileira I. Das ori-
gens ao Romantismo. São Paulo: DIFE, 1974, p. 207-
208)
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
40
QUESTÃO 61
O texto de Antonio Candido e José Aderaldo Castello faz
referência à razão de ser do movimento abolicionista.
Sobre este movimento é correto afirmar que
[A] se estruturou a partir dos centros urbanos e encontrou
apoio no nordeste, onde o contingente de escravos estava
declinando desde o século XVIII.
[B] agravou, com o comércio interno de escravos, a situ-
ação econômica do norte/nordeste, mas resolveu o pro-
blema de mão de obra do sul.
[C] alterou as formas de produção agrícola no norte e nor-
deste ao estimular o tráfico interno entre as províncias do
sudeste durante o século XIX
[D] aproximou-se ideologicamente de movimentos de in-
surreição de escravos que aconteciam nas colônias euro-
peias no norte da África e na Ásia.
[E] provocou a diminuição de importação de escravos e
reduziu o abastecimento de mão de obra escrava para o
setor cafeeiro, durante o século XIX.
QUESTÃO 62
Observe as figuras abaixo.
Considere as seguintes afirmações sobre o processo es-
cravista no Brasil.
I. As relações sociais entre senhores e escravos, no Brasil,
eram definidas pelo equilíbrio de poder estabelecido pela
miscigenação, conferindo à experiência histórica brasi-
leira o caráter de "democracia racial".
II. Os africanos deportados da África para a América de-
senvolveram mecanismos de sociabilidade, constituindo
famílias e formas de identidades sociais.
III. A Lei Áurea, além da emancipação dos escravos, de-
cretava uma série de benefícios sociais e políticos para os
libertos.
Quais estão corretas?
[A] Apenas I.
[B] Apenas II.
[C] Apenas III.
[D] Apenas I e II.
[E] I, lI e III.
QUESTÃO 63
Dentre as afirmações a seguir, assinale aquela que está
INCORRETA no que diz respeito à Confederação do
Equador (1824).
[A] A Confederação do Equador estava afinada com os
ideais de federação que serviram de base para a implan-
tação da República dos Estados Unidos da América.
[B] A revolta começou com a exigência de que o Presi-
dente da Província de Pernambuco, indicado por D. Pe-
dro I, renunciasse ao cargo em favor do liberal Manuel
de Carvalho Pais de Andrade.
[C] A Confederação do Equador uniu Pernambuco e as
Províncias da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
[D] Cedendo às forças de repressão comandadas pelo
Brigadeiro Francisco Lima e Silva, após cinco meses de
resistência, os rebeldes se entregaram, sendo, por este
motivo, anistiados.
QUESTÃO 64
Observe o quadro.
A partir da análise do quadro e tendo em vista o contexto
do Brasil no I Império, é possível classificar o voto, na-
quele período, como
[A] censitário, amplo, indireto e irrestrito.
[B] universal, masculino, direto e representativo.
[C] censitário, masculino, indireto e em dois graus.
[D] universal, apartidário, direto e em quatro graus.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
41
QUESTÃO 65
Essas imagens de D. Pedro II foram feitas no início dos
anos de 1850, pouco mais de uma década após o Golpe
da Maioridade. Considerando o contexto histórico em
que foram produzidas e os elementos simbólicos destaca-
dos, essas imagens representavam um
[A] jovem maduro que agiria de forma irresponsável.
[B] imperador adulto que governaria segundo as leis.
[C] líder guerreiro que comandaria as vitórias militares.
[D] soberano religioso que acataria a autoridade papal.
[E] monarca absolutista que exerceria seu autoritarismo.
QUESTÃO 66
“O ano de 1850 foi um marco divisor de águas, devido à
promulgação da lei Eusébio de Queiroz. Embora, após a
extinção oficial do tráfico, tenham sido registrados al-
guns desembarques clandestinos de africanos, estes fo-
ram em pequeno número e, dez anos após a promulgação
da referida lei, o Brasil havia definitivamente deixado de
ser um país importador de escravos.”
DEL PRIORE, Mary; VENÂNCIO, Renato. Uma breve
história do Brasil. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil,
2010. p. 183. (Adaptado)
A lei de 1850 representou um marco importante no pro-
cesso de abolição da escravidão no país. Essa medida
teve como impacto o([A]
[A] declínio da produção cafeeira.
[B] crescimento do número de alforrias.
[C] distribuição de terras para os libertos.
[D] intensificação do tráfico interprovincial.
[E] adoção de uma política de reprodução de cativos.
QUESTÃO 67
Atente para as afirmações a seguir, acerca do Processo de
Abolição dos Escravos no Brasil, e assinale com V as
afirmações verdadeiras e com F, as falsas.
( ) Em 1850, o Brasil foi levado a extinguir o tráfico
internacional, porém, surgiu o tráfico interno com a
venda de escravos das áreas mais pobres para as mais de-
senvolvidas.
( ) Nesse processo, algumas leis foram aprovadas com
o objetivo de acalmar os abolicionistas e ir lenta e gradu-
almente extinguindo a escravidão, quais sejam: Lei do
Ventre Livre, Lei do Sexagenário.
( ) Nesse movimento não se tem notícias de insurrei-
ções ou ações dos próprios escravos em prol da própria
liberdade, em virtude da forte repressão presenciada nos
últimos momentos do período escravocrata.
( ) A abolição da escravatura se deu ainda no Reinado
de D. Pedro II e representou um grande avanço para a
inserção do ex-escravo como cidadão na sociedade bra-
sileira.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
[A] V - V - V - F.
[B] V - V - F - F.
[C] F - V - F - V.
[D] F - F - F - V.
QUESTÃO 68
Lei nº 3353, de 13 de maio de 1888, declara extinta a es-
cravidão no Brasil.
A Princesa Imperial Regente em nome de Sua Majestade,
o Imperador o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os
súditos do Império que a Assembleia Geral decretou, e
ela sanciona a Lei seguinte:
Artigo 1º: É declarada extinta desde a data desta Lei a
escravidão no Brasil.
Artigo 2º: Revogam-se as disposições em contrário.
(Disponível em: http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/atuacao-e-
conteudos-de-apoio/legislacao/trabalho-es-
cravo/lei_3353_1888.pdf.)
De acordo com o conteúdo da lei anteriormente exposta
e a trajetória da abolição da escravidão no
Brasil, analise as afirmativas.
I. Logo após a abolição, direitos e deveres constitucionais
foram estendidos aos libertos e a seus algozes.
II. A Constituição de 1824 permitia que cada estado (pro-
vínci[A] estabelecesse legislação própria em relação à es-
cravidão.
III. Mesmo depois da Lei Áurea, o tráfico de escravos
continuou a representar a atividade mais lucrativa do Im-
pério.
IV. Com o advento da Lei Áurea, a legitimidade antes
atribuída à escravidão, deixa de existir oficialmente no
Brasil.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
[A] I, apenas.
[B] IV, apenas.
[C] I, II, III e IV.
[D] II e III, apenas.
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42
QUESTÃO 69
Decreto-lei 3.509,de 12 de setembro de 1865
Art. 1º – O cidadão guarda-nacional que por si apresentar
outra pessoa para o serviço do Exército por tempo de
nove anos, com a idoneidade regulada pelas leis milita-
res, ficará isento não só do recrutamento, senão também
do serviço da Guarda Nacional. O substituído é respon-
sável por o que o substituiu, no caso de deserção.
Arquivo Histórico do Exército. Ordem do dia do Exér-
cito, n. 455, 1865 (adaptado).
No artigo, tem-se um dos mecanismos de formação dos
“Voluntários da Pátria”, encaminhados para lutar na
Guerra do Paraguai. Tal prática passou a ocorrer com
muita frequência no Brasil nesse período e indica o([A]
[A] forma como o Exército brasileiro se tornou o mais
bem equipado da América do Sul.
[B] Incentivo de grandes proprietários à participação dos
seus filhos no conflito.
[C] solução adotada pelo país para aumentar o contin-
gente de escravos no conflito.
[D] envio de escravos para os conflitos armados, visando
sua qualificação para o trabalho.
[E] Fato de que muitos escravos passaram a substituir
seus proprietários em troca de liberdade.
QUESTÃO 70
“Episódio que em princípio deveria ter marcado a memó-
ria popular foi a Proclamação da República. Mas não foi
o que aconteceu [...]. A participação popular foi menor
do que na proclamação da independência.”
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o
longo caminho. 17ª edição, Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2013, p. 80-81. (Adaptado)
Entre os principais grupos sociais, envolvidos na articu-
lação do referido evento, destacam-se os
[A] empresários e imigrantes.
[B] industriais e camponeses.
[C] operários e intelectuais.
[D] banqueiros e religiosos.
[E] fazendeiros e militares.
QUESTÃO 71
A própria forma pela qual, em geral, nos referimos aos
eventos ocorridos em 15 de novembro de 1889 - a "Pro-
clamação da República" - já incorpora algumas ideias im-
portantes. Em primeiro lugar, a de que ocorreu uma "pro-
clamação". Logo surgem outras ideias, como a de que a
República no Brasil teria sido algo inevitável, uma etapa
necessária da "evolução" da sociedade brasileira. Ainda
mais, podemos imaginar que o fácil sucesso do golpe de
Estado seria resultado de um consenso nacional, e que os
militares, os principais protagonistas do movimento, te-
riam atuado de forma unida e coesa.
(15 DE NOVEMBRO DE 1889: A PROCLAMAÇÃO
DA REPÚBLICA. CPDOC/FGV. Disponível em:
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Pro-
clamacaoRepublica).
O evento citado no texto teve como principal caracterís-
tica sociopolítica
[A] uma organização e execução militar.
[B] a oposição da chamada ‘mocidade militar’.
[C] uma unidade entre os diversos setores militares.
[D] a fundamental participação da marinha e de seus ofi-
ciais.
[E] a participação massiva dos Republicanos civis do fi-
nal do Império.
QUESTÃO 72
Leia o segmento abaixo, escrito entre os dias 18 e 19 de
maio de 1888.
O momento político e social é grave, gravíssimo. Os pro-
blemas que nos assediam, a despeito de havermos arre-
dado o trambolho da questão servil, são ainda muito sé-
rios, são da índole daqueles que decidem o futuro de um
povo.
ROMERO, Sílvio. Prólogo da 1ª edição. In: História da
literatura brasileira. Tomo I. Rio de Janeiro: Livraria
José Olympio, 1953.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacu-
nas do enunciado abaixo, na ordem em que aparecem.
O trecho faz referência ao contexto de ___________,
agravada, entre outros fatores, pela consolidação dos ide-
ais __________, pela extinção formal do __________,
pelo descontentamento dos __________ em relação ao
governo central, culminando com o fim da monarquia no
Brasil em 1889.
[A] crise do segundo reinado - republicanos - trabalho es-
cravo- militares
[B] crise do primeiro reinado - parlamentaristas - trabalho
escravo - militares
[C] crise do segundo reinado - positivistas - trabalho de
imigrantes - liberais
[D] crise do primeiro reinado- republicanos - trabalho es-
cravo - conservadores
[E] crise do segundo reinado - escravistas - parlamenta-
rismo - republicanos
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
43
QUESTÃO 73
A pintura histórica alcançou no século XIX importante
lugar no projeto político do Segundo Reinado. Esse gê-
nero artístico mantinha intenso diálogo com a produção
do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Por meio
da pintura histórica, forjou-se um passado épico e monu-
mental, em que toda a população pudesse se sentir repre-
sentada nos eventos gloriosos da história nacional. O tra-
balho de Araújo Porto-Alegre como crítico de arte e di-
retor da Academia Imperial de Belas Artes possibilitou a
visibilidade da pintura histórica com seus pintores ofici-
ais, Pedro Américo e Victor Meirelles.
CASTRO, Isis Pimentel de. Adaptado de periodi-
cos.ufsc.br.
Considerando as imagens das telas e as informações do
texto, as pinturas históricas para o governo do Segundo
Reinado tinham a função essencial de:
[A] consolidar o poder militar
[B] difundir o pensamento liberal
[C] garantir a pluralidade política
[D] fortalecer a identidade nacional
QUESTÃO 74
Estimativa do número de escravos africanos de-
sembarcados no Brasil entre os anos de 1846 a
1852
Ano Números de escravos africanos
desembarcados no Brasil
1846
1847
1848
1849
1850
1851
1852
Disponível em: www.slavevoyages.org. Acesso em
24 fev. 2012 (adaptado)
A mudança apresentada na tabela é reflexo da Lei Eusé-
bio de Queiróz que, em 1850,
[A] aboliu a escravidão no território brasileiro.
[B] definiu o tráfico de escravos como pirataria.
[C] elevou as taxas para importação de escravos.
[D] libertou os escravos com mais de 60 anos.
[E] garantiu o direito de alforria aos escravos.
QUESTÃO 75
Aprovado em agosto de 1834, o chamado Ato Adicional
propôs alterações à Constituição brasileira de 1824. A
principal delas se caracterizou por
[A] conceder maior autonomia às Províncias.
[B] substituir a Regência Una Pela Regência Trina.
[C] manter e ampliar o poder do Conselho de Estado.
[D] extinguir a vitaliciedade do Senado.
QUESTÃO 76
Após a abdicação de Dom Pedro I, políticos intitulados
regentes governaram o Brasil em nome do imperador, já
que o herdeiro do trono, seu filho Dom Pedro II, tinha
apenas 5 anos. Essa fase de grande agitação social e po-
lítica vai de abril de 1831 a julho de 1840. Observe as
duas gravuras relativas às revoltas sociais características
desse período histórico específico.
É correto afirmar que as gravuras referem-se, respectiva-
mente, a:
[A] Carrancas e Sabinada.
[B] Farroupilha e Cabanagem.
[C] Balaiada e Revolta dos Malês.
[D] Revolta do Guanais e Setembrada.
QUESTÃO 77
Em 1881, a Câmara dos Deputados aprovou uma reforma
na lei eleitoral brasileira, a fim de introduzir o voto direto.
A grande novidade, porém, ficou por conta da exigência
de que os eleitores soubessem ler e escrever.
As consequências logo se refletiram nas estatísticas.
Em 1872, havia mais de 1 milhão de votantes, já em
1886, pouco mais de 100 mil cidadãos participaram das
eleições parlamentares. Houve um corte de quase 90 por
cento do eleitorado.
CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo cami-
nho. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2006 (adaptado).
Nas últimas décadas do século XIX, o Império do Brasil
passou por transformações como as descritas, que repre-
sentaram a
64.262
75.893
76.338
70.827
37.672
7.058
1.234
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
44
[A] ascensão dos “homens bons”.
[B] restrição dos direitos políticos.
[C] superação dos currais eleitorais.
[D] afirmação do eleitorado monarquista.
[E] ampliação da representação popular.
QUESTÃO 78
As culturas da cana-de-açúcar e do café ilustram muitobem alguns aspectos da economia brasileira desde a co-
lônia até o período republicano.
Acerca das mesmas e de suas correlações internas e ex-
ternas é correto afirmar, exceto:
[A] Há uma clara correlação entre esses dois produtos e
o processo de inserção brasileira na economia mundial.
De forma geral o Brasil (colônia e depois independent[E]
tornou-se exportador de bens primários. Manufatura e in-
dústria foram atividades secundárias em boa parte da His-
tória econômica brasileira.
[B] Os acordos de Taubaté em 1920 definiram clara-
mente espaços e zonas de produção açucareira e cafeeira
no Brasil. Dessa forma, evitava-se a superprodução e a
baixa do preço no mercado internacional.
[C] O autoritarismo e a escravidão foram visíveis aspec-
tos da conformação política e social do Brasil nessas duas
atividades agrícolas. As grandes lavouras exportadoras
usavam de trabalho escravo e qualquer rebelião ou con-
testação era reprimida com muita violência.
[D] Em clara correlação com o perfil produtivo açuca-
reiro e cafeeiro, o latifúndio marcou a conformação da
propriedade no Brasil.
QUESTÃO 79
Relacione as escravidões indígena e de origem africana
presentes no Brasil durante os períodos Colonial e Impe-
rial, apresentadas na COLUNA A, às características que
as identificam, elencadas na COLUNA B.
COLUNA A COLUNA B
1. Escravidão indí-
gena
2. Escravidão de
origem africana
( ) Representava um negócio
pouco lucrativo e restrito à re-
gião colonial.
( ) Era um negócio extrema-
mente lucrativo, envolvendo
três continentes e vários pro-
dutos.
( ) Era combatida pela Igreja
Católica, que fazia questão de
se responsabilizar por esses
escravos e catequizá-los.
( ) Era defendida pela Igreja
Católica, como uma forma de
purgar os pecados desses es-
cravos.
Assinale a alternativa que completa correta e respectiva-
mente os parênteses, de cima para baixo.
[A] 1 – 2 – 1 – 2
[B] 2 – 2 – 1 – 2
[C] 2 – 1 – 2 – 1
[D] 2 – 1 – 1 – 2
[E] 1 – 2 – 1 – 1
QUESTÃO 80
Para Portugal, não era interessante trazer para o Brasil
imigrantes de estados possuidores de colônias, tais como
França, Inglaterra, Holanda e Espanha. Abrir as portas da
colônia e, depois, do recém-criado império do Brasil po-
deria significar um risco. Daí, a preferência por imigran-
tes dos estados alemães, da Suíça, e da Itália. Pedro I con-
tinuou essa política enfatizando que era necessário apoiar
o desenvolvimento da agricultura, pelo aliciamento de
bons colonos que aumentassem o número de braços dos
quais necessitávamos.
(Adaptado de João Klug, “Imigração no Sul do Brasil, em
Keila Grinberg e Ricardo Sales (org.). O Brasil Imperial.
v. III. 1870-1889. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2009, p. 247.)
Assinale a alternativa correta.
[A] A grande entrada de imigrantes no Brasil ocorreu a
partir do Primeiro Reinado, em função do fim do tráfico
negreiro e da maciça propaganda promovida pelo go-
verno brasileiro na Europa.
[B] No Primeiro Reinado, a entrada de imigrantes asso-
ciava-se ao incremento da produção agrícola e tinha em
conta o cenário internacional, no qual as metrópoles eu-
ropeias disputavam territórios e riquezas.
[C] Em meio à corrida imperialista do século XIX, Por-
tugal empenhou-se pelo fim da escravidão em Lisboa e
do tráfico negreiro em suas colônias africanas.
[D] A imigração no Brasil surgiu como questão a partir
da implantação da Lei Áurea, que alterou os modos de
pagamento do trabalho livre.
QUESTÃO 81
O café foi introduzido no Brasil no início do século XVIII
para consumo doméstico. Com o avanço da Revolução
Industrial, na Europa e depois nos Estados Unidos, a agri-
cultura do café expandiu-se rapidamente e na terceira dé-
cada do século XIX este produto já era exportado em
larga escala.
Sobre o assunto assinale a alternativa correta.
[A] Os primeiros cafezais para exportação concentraram-
se no Vale do Rio Paraíba no estado do Rio de Janeiro e
no oeste de São Paulo.
[B] O trabalho assalariado foi a principal forma de uso da
mão de obra nesta etapa inicial.
[C] Na medida em que as boas terras do vale do Paraíba
foram esgotando-se o plantio do café deslocou-se para o
Espírito Santo e Bahia.
[D] Na segunda metade do século XIX o café já era o
principal produto de exportação com largo crescimento
em São Paulo.
[E] Os governos dos estados produtores optaram por não
proteger a agricultura do café, para manter os princípios
da não intervenção.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
45
QUESTÃO 82
Acerca da Monarquia e da República na construção do
Estado brasileiro é correto afirmar, exceto:
[A] A República brasileira passou por diversas fases. Na
chamada 1ª República, apesar do discurso de mudança
em relação ao período monárquico, permaneceram mui-
tas formas autoritárias de poder como, por exemplo, a es-
trutura oligárquica.
[B] A Monarquia brasileira manteve a escravidão e teve
sério atrito com a Grã-Bretanha, quando essa última ten-
tou acabar com o tráfico de escravos no século XIX.
[C] A transição da Monarquia para a República envolveu
um conflito grave entre a aristocracia agrária do nordeste
e do sudeste contra os movimentos modernizadores cen-
trados no exército e na burguesia industrial de São Paulo.
[D] Em 1993 houve um plebiscito no Brasil que contra-
pôs Monarquia e República. A República foi vitoriosa e
manteve-se como a forma de governo no país.
QUESTÃO 83
Em 1827, o Presidente da Província de Minas Gerais,
Francisco Pereira, ao ser indagado sobre os índios Aimo-
rés, respondeu: “Permita-me V. Exa. refletir que de tigres
só nascem tigres; de leões, leões se geram; e dos Aimorés
só pode resultar prole semelhante” [...]. Na segunda me-
tade do século XIX, o Senador do Império, Dantas de
Barros, afirmava: “No Reino animal, há raças perdidas;
parece que a raça índia, por um efeito de sua organização
física, não podendo progredir no meio da civilização, está
condenada a esse fatal desfecho. Há animais que só po-
dem viver e produzir no meio das trevas; e se os levam
para a presença da luz, ou morrem ou desaparecem. Da
mesma sorte, entre as diversas raças humanas, o índio pa-
rece ter uma organização incompatível com a civiliza-
ção”.
CUNHA, Manuela Carneiro da. (org.) Legislação indige-
nista no século XIX. São Paulo: EdUSP, 1992 (Adap-
tado).
Analisando os discursos do presidente da província e do
senador do império, é correto inferir que
[A] atualizavam as teorias da época para analisar a diver-
sidade existente entre a população brasileira.
[B] demonstravam a eficácia dos avanços científicos para
recuperar os delinquentes sociais existentes no país.
[C] incentivavam a ocupação planejada do território para
conservar a diversidade biológica brasileira.
[D] adotavam argumentos convincentes para defender a
necessidade de proteger os povos nativos do país.
[E] defendiam a urgência da demarcação das terras indí-
genas para proteger os imigrantes colonizadores.
QUESTÃO 84
A manutenção da unidade territorial e do regime monár-
quico, no contexto da independência do Brasil, demons-
tra que a elite política
[A] possuía ideais políticos convergentes e comungava
similares interesses econômicos.
[B] protegia o direito à autonomia regional e lutava con-
tra a centralização política do poder.
[C] constituía uma classe política homogênea e propunha
um projeto econômico industrializador.
[D] apoiava a livre escolha dos presidentes provinciais e
garantia a liberdade política dos cidadãos.
[E] aceitava os princípios do liberalismo econômico e de-
fendia o direito político de iniciativa popular.
QUESTÃO 85
Depois de declarada a Independência do Brasil, foi ne-
cessário dar uma ordenação legal ao novo país por meio
da sua primeira constituição. Sobre esse processo, é IN-
CORRETO afirmar que:
[A] O primeiroprojeto de constituição recebeu o nome
de Constituição da Mandioca, porque estabelecia que,
para votar ou se eleger, a pessoa deveria comprovar uma
renda mínima, equivalente a determinada quantidade de
alqueires plantados desse vegetal.
[B] A Assembleia Legislativa reunida em 1823 para ela-
borar a primeira Constituição do Brasil foi dissolvida por
D. Pedro I, por ter proposto um projeto que privilegiava
os grandes proprietários de terra e excluía os pobres da
participação política.
[C] A primeira Constituição do Brasil foi outorgada por
D. Pedro I e estabelecia o voto censitário e a formação de
quatro poderes – Legislativo, Judiciário, Executivo e Mo-
derador –, ficando os dois últimos sob controle do Impe-
rador.
[D] A primeira Constituição brasileira, estabelecida em
25 de março de 1824, instituiu uma monarquia hereditá-
ria no Brasil e o catolicismo como religião oficial do
novo País, subordinando a Igreja ao controle do Estado.
[E] Instituído pela Constituição outorgada de 1824, o Po-
der Moderador garantia a D. Pedro I o direito de nomear
ministros, dissolver a Assembleia Legislativa, controlar
as Forças Armadas e nomear os presidentes das provín-
cias, favorecendo a concentração de poderes no Impera-
dor.
QUESTÃO 86
Movimento implantado em Pernambuco de 1824, que
teve adesão das províncias da Paraíba, Ceará e Rio
Grande do Norte, tendo como um dos seus objetivos es-
tabelecer uma República com princípios federalistas e
que teve a participação de homens livres e escravos, foi
a:
[A] Balaiada.
[B] Insurreição Pernambucana.
[C] Confederação do Equador.
[D] Sabinada.
[E] Farroupilha.
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
46
QUESTÃO 87
Considere as afirmações abaixo sobre a Proclamação da
República no Brasil, em 1889.
I. Teve, como uma das suas principais causas, a abolição
da escravidão, em 1888, pois essa medida levou a oligar-
quia cafeeira e escravocrata carioca, uma das bases de
apoio do Imperador, a se sentir traída pela monarquia e
abandonar o regime imperial.
II. Resultou em profundas alterações estruturais no Bra-
sil, na medida em que a queda da monarquia acarretou a
perda de poder da oligarquia cafeeira, que foi alijada do
sistema político, em favor da ascensão das classes médias
urbanas.
III. Teve, como um dos seus principais agentes, o exér-
cito brasileiro, que, desde a Guerra do Paraguai, desejava
ampliar o seu papel político no Império, o que não era
permitido pelo Imperador.
IV. Atendeu aos interesses das camadas mais humildes
da população brasileira, tendo em vista a impopularidade
do Imperador e a tendência de o regime republicano per-
mitir a participação popular no sistema eleitoral recém-
implantado.
Estão corretas as afirmativas
[A] I e II, apenas.
[B] II e III, apenas.
[C] I e III, apenas.
[D] I, II e IV, apenas.
[E] I, II, III e IV.
QUESTÃO 88
“Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel, que ocupava
a regência do trono na ausência do pai, que estava fora do
país, assinou a Lei Áurea, que acabava com a escravidão
do país.”
(Jose A. de Freitas Neto e Célio Ricardo Tasinafo. Histó-
ria Geral e do Brasil. SP. Editora HABRA 2006)
Assinale a alternativa correta:
[A] O processo de erradicação de trabalho escravo no
Brasil foi resultado de uma concessão dos brancos aos
cativos, gerando condições para que estes fossem integra-
dos à sociedade urbana.
[B] Com a abolição, o contingente de escravos que mi-
graram para a cidade foi significativo. Sem qualificação
profissional, engrossaram as fileiras daqueles que viviam
de biscates e venda ambulante.
[C] Os negros livres, pardos e mulatos aceitaram a exclu-
são e viveram pacificamente, sem causar tumultos nas
ruas das cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.
[D] Mesmo sendo proprietários de uma extensa escrava-
ria, fazendeiros do Nordeste e do Vale do Paraíba admi-
tiram a abolição e foram os principais abolicionistas.
[E] A Lei dos Sexagenários, promulgada em 1885, bene-
ficiou efetivamente os escravos de 65 anos de idade ou
mais, pois garantia a liberdade para todos e um auxílio
alimentação para que pudessem viver sem precisar de
abrigo dos senhores.
QUESTÃO 89
Os escravos, obviamente, dispunham de poucos recursos
políticos, mas não desconheciam o que se passava no
mundo dos poderosos. Aproveitaram-se das divisões en-
tre estes, selecionaram temas que lhes interessavam do
ideário liberal e anticolonial, traduziram e emprestaram
significados próprios às reformas operadas no escra-
vismo brasileiro ao longo do século XIX.
REIS, J. J. Nos achamos em campo a tratar da liberdade:
a resistência negra no Brasil oitocentista. In: MOTA, C.
G. (Org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira
(1500-2000). São Paulo: Senac, 1999.
Ao longo do século XIX, os negros escravizados constru-
íram variadas formas para resistir à escravidão no Brasil.
A estratégia de luta citada no texto baseava-se no apro-
veitamento das
[A] estruturas urbanas como ambiente para escapar do
cativeiro.
[B] dimensões territoriais como elemento para facilitar as
fugas.
[C] limitações econômicas como pressão para o fim do
escravismo.
[D] contradições políticas como brecha para a conquista
da liberdade.
[E] ideologias originárias como artifício para resgatar as
raízes africanas.
QUESTÃO 90
Pode-se afirmar corretamente que a Guerra do Paraguai
representou para o Brasil
[A] a afirmação do exército brasileiro como um persona-
gem importante junto à sociedade brasileira.
[B] a concretização da emancipação política dos escravos
nascidos no Brasil.
[C] o incentivo à adoção de um regime republicano cons-
titucional no País.
[D] a solução de uma profunda crise financeira pela qual
passava o Brasil.
QUESTÃO 91
Como os abolicionistas americanos previram, os proble-
mas da escravidão não cessariam com a abolição. O ra-
cismo continuaria a acorrentar a população negra às esfe-
ras mais baixas da sociedade dos Estados Unidos. Mas se
tivessem tido a oportunidade de fazer uma viagem pelo
Brasil de seus sonhos – o país imaginado por tanto tempo
como o lugar sem racismo – eles teriam concluído que
entre o inferno e o paraíso não há uma tão grande distân-
cia afinal.
(Adaptado de Célia M. M. Azevedo, Abolicionismo: Es-
tados Unidos e Brasil, uma história comparada (século
XIX). São Paulo: Annablume, 2003, p. 205.)
Sobre o tema, é correto afirmar que:
[A] A experiência da escravidão aproxima a história dos
Estados Unidos e do Brasil, mas a questão do racismo
tornou-se uma pauta política apenas nos EUA da atuali-
dade.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
47
[B] Os abolicionistas norte-americanos tinham uma visão
idealizada do Brasil, pois não identificavam o racismo
como um problema em nosso país.
[C] A imagem de inferno e paraíso na questão racial tam-
bém é adequada às divisões entre o sul e o norte dos EUA,
pois a questão racial impactou apenas uma parte daquele
país.
[D] A abolição foi uma etapa da equiparação de direitos
nas sociedades norte-americana e brasileira, pois os di-
reitos civis foram assegurados, em ambos os países, no
final do século XIX.
QUESTÃO 92
De volta do Paraguai
Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derra-
mado seu sangue em defesa da pátria e libertado um povo
da escravidão, o voluntário volta ao seu país natal para
ver sua mãe amarrada a um tronco horrível de reali-
dade!...
AGOSTINI. “A vida fluminense”, ano 3, n. 128, 11 jun.
1870. In: LEMOS, R. (Org). Uma história do Brasil atra-
vés da caricatura (1840-2001). Rio de Janeiro: Letras &
Expressões, 2001 (adaptado).
Na charge, identifica-se uma contradição no retorno de
parte dos “Voluntários da Pátria” que lutaram na Guerra
do Paraguai (1864-1870), evidenciada na
[A] negação da cidadania aos familiares cativos.
[B] concessão de alforriasaos militares escravos.
[C] perseguição dos escravistas aos soldados negros.
[D] punição dos feitores aos recrutados compulsoria-
mente.
[E] suspensão das indenizações aos proprietários prejudi-
cados.
QUESTÃO 93
Atente para as seguintes afirmações sobre a Crise do Es-
cravismo Brasileiro, perceptível no Segundo Reinado.
I. A crise alimentou, a longo prazo, a difícil questão em
torno da substituição da mão de obra, bem como resultou
na constituição de um mercado interno.
II. A crise resultou na constituição de um tráfico interpro-
vincial de escravos, das áreas decadentes do Nordeste
para o Vale do Paraíba.
É correto afirmar-se que
[A] I é verdadeira e II é falsa.
[B] I é falsa e II é verdadeira.
[C] ambas são falsas.
[D] ambas são verdadeiras.
QUESTÃO 94
A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, reu-
niu uma multidão em frente ao Paço Imperial, no Rio de
Janeiro.
Essa ideia de que as pessoas saíram correndo e comemo-
rando, isso é lenda. Depois do 13 de maio, meu bisavô e
a maioria dos escravos continuaram vivendo onde traba-
lhavam. Registros históricos mostram que alguns recebe-
ram um pedaço de terra para plantar. Mas poucos passa-
ram a ganhar ordenado, e houve quem recebesse uma
porcentagem do café que plantava e colhia − conta o his-
toriador Robson Luís Machado Martins, que pesquisa a
história de sua família, e a do Brasil, desde a década de
1990.
Adaptado de O Globo, 12/05/2013.
A fotografia e a reportagem registram aspectos particula-
res sobre os significados da abolição, os quais podem ser
associados aos seguintes fatores do contexto da época:
[A] crise monárquica − exclusão social
[B] estagnação política − ruptura econômica
[C] expansão republicana − reforma fundiária
[D] transição democrática − discriminação profissional
QUESTÃO 95
Passada a festa da abolição, os ex-escravos procuraram
distanciar-se do passado de escravidão, negando-se a se
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
48
comportar como antigos cativos. Em diversos engenhos
do Nordeste, negaram-se a receber a ração diária e a tra-
balhar sem remuneração. Quando decidiram ficar, isso
não significou que concordassem em se submeter às mes-
mas condições de trabalho do regime anterior.
FRAGA, W; ALBUQUERQUE, W. R. Uma história da
cultura afro-brasileira. São Paulo: Moderna, 2009 (adap-
tado).
Segundo o texto, os primeiros anos após a abolição da
escravidão no Brasil tiveram como característica o([A]
[A] caráter organizativo do movimento negro.
[B] equiparação racial no mercado de trabalho.
[C] busca pelo reconhecimento do exercício da cidada-
nia.
[D] estabelecimento do salário mínimo por projeto legis-
lativo.
[E] entusiasmo com a extinção das péssimas condições
de trabalho.
QUESTÃO 96
No dia 01 de janeiro de 1880, uma massa popular con-
centrou-se nos arredores do Largo de São Francisco, no
Rio de Janeiro, protestando contra a entrada em vigor de
uma taxa de 20 réis, um vintém, sobre o serviço de bon-
des puxados a burro. O vintém era moeda de cobre, a de
menor valor da época. O delegado que comandava as tro-
pas da polícia pediu reforços ao Exército, mas, antes que
a ajuda chegasse, ordenou à polícia que dispersasse a
multidão a cacetadas. A um grito de “Fora o vintém!”, os
manifestantes começaram a espancar condutores, esfa-
quear mulas, virar bondes e arrancar trilho. Coma che-
gada do Exército, alguns mais exaltados passaram a ar-
rancar paralelepípedos e atirá-los contra os soldados. Um
deles atingiu o comandante da tropa. O oficial descontro-
lou-se e ordenou fogo contra a multidão. As estatísticas
de mortos e feridos são imprecisas. Falou-se em 15 a 20
feridos e em três a dez mortos. A multidão dispersou-se
e, salvo pequenos distúrbios nos três dias seguintes, o
motim do vintém havia terminado. A cobrança da taxa
passou a ser quase aleatória. As próprias companhias de
bondes pediam ao governo que a revogasse. Desmorali-
zado, o ministério caiu a 28 de março. O novo ministério
revogou o desastrado tributo.
CARVALHO, José Murilo de. A guerra do vintém. Dis-
ponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br>
Acesso em: 31 jul. 2013 (Adaptado).
A eclosão da chamada Guerra do Vintém, descrita no
texto acima, está relacionada com a(o)
[A] descaso dos cidadãos cariocas com a conservação das
vias públicas.
[B] aversão da população contra o monopólio português
do comércio varejista.
[C] hostilidade do povo com o recrutamento forçado para
as tropas nacionais.
[D] desilusão dos moradores com a atuação das forças
armadas brasileiras.
[E] descontentamento de segmentos sociais com a cares-
tia do transporte urbano.
QUESTÃO 97
O período historicamente conhecido como Período Re-
gencial foi caracterizado
[A] por rebeliões populares cujas ações exigiam o retorno
da antiga realidade social com a volta de Pedro I ao po-
der.
[B] pela promoção política e pela ascensão social dos se-
tores menos favorecidos proporcionadas pelos regentes.
[C] por um conjunto de rebeliões populares que clama-
vam pelo estabelecimento da republica e pelo final da es-
cravidão.
[D] pela convulsão política que desencadeou varias rebe-
liões que questionavam as estruturas estabelecidas.
QUESTÃO 98
No Brasil, o período que seguiu logo após a abdicação de
D. Pedro I foi marcado por um conjunto de crises. Ob-
serve o que é dito sobre o que ocorria nesse momento.
I. As diversas forças políticas lutavam pelo poder, e as
reivindicações populares eram por melhores condições
de vida.
II. Os conflitos ocorridos representavam o protesto do
povo contra a centralização do governo, e eram marcados
pela reivindicação por maior participação popular na vida
política do País.
III. As convulsões populares do período exigiam o re-
forço das antigas realidades sociais, bem como a submis-
são das forças políticas ao poder central.
Está correto o que se afirma somente em
[A] II e III.
[B] I.
[C] I e II.
[D] III.
QUESTÃO 99
Era “exclusivo do imperador e definido pela Constituição
como ‘chave mestra de toda organização política’. Es-
tava acima dos demais poderes”.
(COTRIM, 2009)
O texto em epígrafe aborda a criação no Brasil, pela
Constituição de 1824, do Poder
[A] Moderador.
[B] Justificador.
[C] Executivo.
[D] Judiciário.
[E] Legislativo.
QUESTÃO 100
Em 1824, é outorgada a Constituição do Império do Bra-
sil. Entre suas características, podemos afirmar que
[A] dividia os poderes do Estado exclusivamente em
Executivo, Legislativo e Magistratura.
[B] separava a Igreja Católica do Estado Laico.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
49
[C] previa a eleição direta do Primeiro Ministro.
[D] estabelecia o voto universal e secreto para a popula-
ção masculina.
[E] dividia os poderes do Estado em Executivo, Legisla-
tivo, Judiciário e Moderador.
Gabarito
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
0 B C D E C A D D B
1 D E C D C E C D C B
2 A D A E D C C A A E
3 C E B A D C B A B E
4 D B A D E C B E D B
5 C C A B E C B A A
6 E A B D C B D B B E
7 E A A D B A C B B A
8 B D C A A B C C B D
9 A B A D A C E D C A
10 E
Resposta da questão 52: ANULADA
Edital
REPUBLICA:
- Primeira Republica: os governos militares e a polí-
tica do café com leite;
- O coronelismo, aquestão social e a economia cafe-
eira;
- As crises do fim da Primeira república:
a) o Tenentismo,
b) a Crise de 1929;
c) a criação das oligarquias
d) a Revolução de 30:
- Era Vargas: Governo Provisório e o Estado Novo
a) economia na Era Vargas e o nacionalismo econô-
mico;
b) militares no poder
b) Juscelino Kubtschek e o desenvolvimentismo.
c) João Batista Figueiredo
QUESTÃO 01
"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo
coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre
mim. Não me acusam,insultam; não me combatem, ca-
luniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufo-
car a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não
continue a defender, como sempre defendi, o povo e prin-
cipalmente os humildes. Sigo o destino que me é im-
posto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos
grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me
chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de li-
bertação e instaurei o regime de liberdade...".
Trecho extraído do(a):
[A] Carta Testamento de Vargas
[B] Documento Renúncia de Jânio Quadros
[C] Discurso de João Goulart já no exílio
[D] Documento Renúncia de Fernando Collor
[E] Documento Renúncia de Marechal Deodoro
QUESTÃO 02
No Brasil, a organização política implantada pelo Re-
gime Militar, instalado pós/64, caracterizou-se pela
[A] ampliação dos poderes estaduais sustentada por acor-
dos regionais entre chefes políticos conservadores e seto-
res de vanguarda empresarial.
[B] crescente concentração de poderes para o Executivo
com os Atos Institucionais legitimando a manutenção de
um Estado forte.
[C] permanente utilização de instrumentos de exceção
controlados pelos representantes do Congresso que pas-
sou a ser autônomo e independente.
[D] implantação de controle popular sobre os antigos ca-
ciques políticos municipais que ameaçavam a estabili-
dade do Regime.
[E] estratégia de abertura e distensão política executada
de forma lenta e gradual com o objetivo de fortalecer o
poder dos partidos políticos.
QUESTÃO 03
Considere seus conhecimentos de História para a análise
da tabela a seguir.
Anos/atividades 1939 1953 1957 1968
Agricultura (% do
PIB) 25,8 26,1 22,8 17,9
Indústria (% do
PIB) 19,4 23,4 24,4 28
Adaptação de dado: IBGE, estatísticas.
Após a análise dos dados apresentados, pode-se afirmar
que a tabela demonstra.
[A] crescimento da indústria no Brasil, entendido como
fator importante para o desenvolvimento brasileiro pela
política nacional-desenvolvimentista.
[B] o crescimento da política de substituição de importa-
ção para proporcionar o crescimento industrial.
[C] o crescimento da agricultura resultado da importância
dada ao setor pelo Plano de Metas de JK.
[D] a queda da agricultura devido à Política Nacionalista
deflagrada pelo Presidente Vargas durante o Estado
Novo.
[E] a queda da produção industrial devido à Política Na-
cional-Desenvolvimentista do período militar.
QUESTÃO 04
Entre 1924 e 1927, como parte do chamado movimento
tenentista, a Coluna Prestes percorreu milhares de quilô-
metros em território brasileiro e tinha como objetivo:
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
50
[A] alinhar o Brasil ao modelo nazifascista que vinha
crescendo na Europa naquele período;
[B] promover uma ampla reforma agrária, contando para
isso com o apoio explícito de alguns setores oligárquicos
da região sul;
[C] criar condições para a ocorrência, no menor espaço
de tempo possível, de um movimento comunista apoiado
pela União Soviética;
[D] estimular a sindicalização dos trabalhadores rurais,
como forma de dar a eles um mínimo de garantias traba-
lhistas;
[E] mudar o esquema político em vigor naquele mo-
mento, baseado principalmente nas fraudes eleitorais, na
corrupção e no clientelismo.
QUESTÃO 05
As dificuldades enfrentadas pela economia cafeeira du-
rante a República Velha foram parcialmente minimizadas
com a adoção das resoluções negociadas na(o):
[A] Convênio de Taubaté.
[B] Política dos Governadores.
[C] Funding Loan.
[D] Política do “café com leite”.
QUESTÃO 06
Considere a charge para responder à questão.
A charge é uma alusão ao voto
[A] secreto, uma conquista dos sindicatos operários du-
rante a era Vargas.
[B] censitário, em que havia a exigência de uma renda
anual para votar e para se candidatar a cargos públicos.
[C] da mulher, fruto da luta feminina nos anos 30.
[D] da mandioca, em que votar era permitido apenas para
homens livres e com uma renda igual ou superior ao valor
de 1,5 toneladas de mandioca.
[E] do cabresto, uma característica do coronelismo.
QUESTÃO 07
Depois de proclamada a República brasileira e instaurado
o governo provisório do Mal. Deodoro da Fonseca (1889-
1891), foram necessárias medidas no plano econômico-
financeiro para solucionar a insuficiência de papel-mo-
eda em circulação no país.
Rui Barbosa, ministro da fazenda, elaborou uma rápida
solução que ficou conhecida como Encilhamento.
Esse plano econômico-financeiro tinha como principal
característica
[A] o confisco do papel-moeda em circulação, o que ge-
rou inflação e especulação.
[B] a emissão de papel-moeda para a reativação dos ne-
gócios, o que provocou inflação e especulação.
[C] a criação de nova moeda para o país, levando o Brasil
à condição de nação desenvolvida.
[D] a organização do mercado e de novos negócios, a par-
tir da criação de mais quatro bancos no país.
[E] a distribuição equilibrada da renda, provocando um
aquecimento na economia do mercado interno.
QUESTÃO 8
Dentre as razões dos militares assumirem o governo em
1964 estavam as chamadas Reformas de Base propostas
pelo presidente João Goulart. Assinale a alternativa que
identifica CORRETAMENTE uma dessas reformas pro-
postas no início da década de 60 do século XX para o
Brasil:
[A] Reforma Monetária.
[B] Reforma Agrária.
[C] Reforma Sanitária.
[D] Reforma Partidária.
QUESTÃO 09
Observe a charge abaixo.
Esta charge, inspirada em uma marcha de carnaval inter-
pretada por Francisco Alves, faz referência
[A] à ascensão de Getúlio Vargas ao poder, após o golpe
do Estado Novo.
[B] ao término do Estado Novo com a destituição de Ge-
túlio Vargas.
[C] à volta de Getúlio Vargas ao poder, após o governo
de Eurico Dutra.
[D] à eleição de Getúlio Vargas como governador do Rio
Grande do Sul, após a redemocratização.
[E] à reeleição de Getúlio Vargas como presidente, após
o governo JK.
QUESTÃO 10
A construção de Brasília durante o governo Juscelino Ku-
bitschek (1956-1961) teve, entre suas motivações ofici-
ais,
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[A] afastar de São Paulo a sede do governo federal, im-
pedindo que a elite cafeicultora continuasse a controlá-
lo.
[B] estimular a ocupação do interior do país, evitando a
concentração das atividades econômicas em áreas litorâ-
neas.
[C] deslocar o funcionalismo público do Rio de Janeiro,
permitindo que a cidade tivesse mais espaços para aco-
lher os turistas.
[D] tornar a nova capital um importante centro fabril, reu-
nindo a futura indústria de base do Brasil.
[E] reordenar o aparato militar brasileiro, expandindo
suas áreas de atuação até as fronteiras dos países vizi-
nhos.
QUESTÃO 11
Borracha e borracheiro, segundo o dicionário Houaiss,
podem significar:
“Borracha: substância elástica e impermeável, resultante
da coagulação do látex de vários vegetais, esp. de árvores
dos gên. Hevea e Ficus, com propriedades diversas e inú-
meros usos industriais, segundo os vários tipos de trata-
mento a que é submetida; caucho, goma-elástica”.
“Borracheiro: 1) aquele que produz, industrializa ou
vende borracha ('substância') 2) Regionalismo: Brasil. in-
divíduo que repara e/ou vende pneus; 3) Regionalismo:
Norte do Brasil. m.q. seringueiro ('trabalhador').
Houaiss (Dicionário da Língua portuguesa. Verbetes
Borracha e borracheiro. Versão digital, SP: Instituto An-
tônio Houaiss, Editora Objetivo, 2009).
Os verbetes acima esclarecem os significados do termo
“borracha” no Brasil. Um desses significados põe em evi-
dência o Norte do país, em que a palavra tem um emprego
diferenciado historicamente porque
[A] o norte do Brasil teve um contato mais próximo com
a produção do látex e, nesta região, a palavra borracheiro
passou a significarmais do que a produção da borracha
em si, definindo também o seu produtor (trabalhador), o
seringueiro.
[B] o Brasil, como um todo, conheceu a borracha como
um produto que se industrializa, pois esse produto era ex-
traído da Amazônia e industrializado no Centro Sul. As-
sim, no Norte o significado da borracha ligou-se ao
campo do trabalho e no Sul vinculou-se ao da produção.
[C] o Norte do Brasil percebe a goma elástica de maneira
mais ampla e correta, pois, distinguindo-se do resto do
Brasil, os nortistas conhecem o processo de produção e
trabalho com o látex, diferentemente do que ocorre com
os nordestinos e sulistas.
[D] o Centro-Sul do Brasil visualiza a borracha em seus
produtos como os pneus; já o povo do Norte e Centro-
Oeste percebem o produto em todo o seu processo pro-
dutivo, desde a extração do látex até a sua produção e
comercialização.
[E] o Centro-Sul do Brasil é o reduto da produção e do
trabalho com o látex, por isso o significado da palavra é
mais amplo. Já no Norte e Nordeste apenas se sabe que a
borracha tem utilidades como a fabricação do pneu, o que
justifica o uso mais simplificado da palavra.
QUESTÃO 12
A denominação de república oligárquica é frequente-
mente atribuída aos primeiros 40 anos da República no
Brasil.
Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fa-
zem parte do vocabulário político necessário ao entendi-
mento desse período.
(Adaptado de Maria Efigênia Lage de Resende, “O pro-
cesso político na Primeira República e o liberalismo oli-
gárquico”, em Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves
Delgado (orgs.), O tempo do liberalismo excludente – da
Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 91.)
Relacionando os termos do enunciado, a chamada “repú-
blica oligárquica” pode ser explicada da seguinte ma-
neira:
[A] Os governadores representavam as oligarquias esta-
duais e controlavam as eleições, realizadas com voto
aberto. Isso sustentava a República da Espada, na qual
vários coronéis governaram o país, retribuindo o apoio
político dos governadores.
[B] Diante das revoltas populares do período, que amea-
çavam as oligarquias estaduais, os governadores se alia-
ram aos coronéis, para que chefiassem as expedições mi-
litares contra as revoltas, garantindo a ordem, em troca
de maior poder político.
[C] As oligarquias estaduais se aliavam aos coronéis, que
detinham o poder político nos municípios, e estes frauda-
vam as eleições. Assim, os governadores elegiam candi-
datos que apoiariam o presidente da República, e este re-
tribuía com recursos aos estados.
[D] Os governadores excluídos da política do “café com
leite” se aliaram às oligarquias nordestinas, a fim de su-
perar São Paulo e Minas Gerais. Essas alianças favorece-
ram uma série de revoltas chefiadas por coronéis, que co-
mandavam bandos de jagunços.
QUESTÃO 13
Assinale a personalidade da história brasileira que está
associada à expressão “50 anos em 5”.
[A] Juscelino Kubitschek
[B] Getúlio Vargas
[C] Jânio Quadros
[D] Ulysses Guimarães
[E] Fernando Collor de Mello
QUESTÃO 14
“No governo de JK predominou o discurso desenvolvi-
mentista. O lema era assegurar o progresso econômico do
Brasil através do Plano de Metas, que priorizava os seto-
res básicos, como transportes, energia, educação e indús-
tria. Prometendo realizar em cinco anos aquilo que
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52
normalmente seria feito em cinquenta, o governo passava
a imagem de que o Brasil estava entrando numa era de
otimismo e que as mudanças terminariam por beneficiar
a todos”.
(Rezende, A. P. e Didier, M. T. Rumos da História. His-
tória Geral e do Brasil. Volume Único. Ensino Médio. 2ª
Ed. São Paulo: Atual 2005 p. 608)
Pode ser considerada uma consequência do plano de me-
tas:
[A] O Estado permitiu a participação do capital estran-
geiro em setores como o de petróleo, dos transportes e da
produção de aço.
[B] As portas do país foram abertas para a entrada dos
capitais estrangeiros.
[C] A relação do governo com o capital nacional foi mar-
cada pela convergência total de interesses.
[D] O transporte rodoviário foi deixado de lado, optou-se
pelo transporte ferroviário.
[E]
QUESTÃO 15
Entre as principais características do modelo político
adotado no Brasil durante a República Velha (1889-
1930), destacaram-se
[A] a política do Regresso Conservador, o militarismo e
o voto censitário.
[B] a “política dos governadores”, o coronelismo e o
“voto de cabresto”.
[C] o “parlamentarismo às avessas”, o clientelismo e o
voto a descoberto.
[D] a “política do café com leite”, o coronelismo e o voto
secreto censitário.
[E] a política de valorização do café, o populismo e o
voto universal.
QUESTÃO 16
Em 05 julho de 1922 eclodiu a Revolta do Forte de Co-
pacabana, na cidade do Rio de Janeiro. “A revolta não se
estendeu a outras unidades. No dia seguinte, centenas de-
les se entregaram, atendendo a um apelo do governo. Um
grupo se dispôs, porém, a resistir. O forte voltou a ser
bombardeado por mar e por aviões. Dezessete militares,
com a adesão ocasional de um civil, decidiram sair pela
praia de Copacabana, ao encontro das forças governa-
mentais. Na troca de tiros, morreram dezesseis, ficando
feridos os oficiais Siqueira Campos e Eduardo Gomes”.
(In: FAUSTO, Boris. História do Brasil. 5 edição. São
Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997. Pá-
gina 308.)
O texto se refere:
[A] a Revolução Constitucionalista.
[B] a Coluna Prestes.
[C] ao movimento Tenentista.
[D] a Revolução Federalista.
QUESTÃO 17
Sobre a gênese das fronteiras brasileiras, assinale a alter-
nativa correta:
[A] O Tratado de Madri, assinado em 1750, definiu cerca
de 2/3 da extensão total das atuais fronteiras brasileiras.
[B] Todas as fronteiras delimitadas durante o período im-
perial se originaram de conflitos armados.
[C] Uma parcela das linhas internacionais de fronteiras
da área amazônica foi delimitada após a proclamação da
República.
[D] O atual traçado das fronteiras brasileiras já estava
plenamente configurado em 1900.
[E] Em nenhum período, o governo brasileiro recorreu ao
arbitramento internacional para resolver questões frontei-
riças.
QUESTÃO 18
Fazendo uso do humor a charge acima revela um grave
problema de saúde pública que tem assustado muitos bra-
sileiros em pleno início do século XXI. Entretanto, a fe-
bre amarela não representa um problema da saúde propri-
amente novo. Cerca de cem anos atrás, no Rio de Janeiro,
capital do país, houve uma grande revolta que teve como
estopim a campanha contra a febre amarela, organizada
pelo sanitarista Osvaldo Cruz. Esta revolta ficou conhe-
cida como a
[A] Revolta da Chibata.
[B] Revolta da Vacina.
[C] Revolta de Canudos.
[D] Revolta dos Balaios.
[E] Revolta da Armada.
QUESTÃO 19
Veja você, meu amigo, te resta apenas um meio para não
ser explorado, nem oprimido: demonstrar coragem. Se os
trabalhadores que são tão numerosos se opuserem com
todas as suas forças aos patrões e a quaisquer formas de
governo, estaremos bem próximos dos homens verdadei-
ramente livres.
Fala da peça Uma comédia social, representada por ope-
rários de São Paulo nos anos de 1910.
Adaptado de Nosso Século (1910-1930). São Paulo: Abril
Cultural, 1981.
Durante a Primeira República (1889-1930), em cidades
como o Rio de Janeiro e São Paulo, o movimento operá-
rio tornou-se um dos principais críticos às exclusões da
sociedade brasileira. Considerando as propostas
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
53
defendidas na fala citada do personagem, uma das ideo-
logias que se fez presente no movimento operário brasi-
leiro, naquele momento, foi:
[A] socialismo
[B] anarquismo
[C] liberalismo
[D] cooperativismo
QUESTÃO20
Os caminhões rodando, as carroças rodando,
Rápidas as ruas se desenrolando,
Rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos...
E o largo coro de ouro das sacas de café!...
Na confluência o grito inglês da São Paulo Railway...
Mas as ventaneiras da desilusão! a baixa do café!...
(Mário de Andrade. Paisagem n° 4. Poesias completas,
1987.)
O poema de Mário de Andrade, escrito em 1922, revela
características da cidade de São Paulo na época. Entre
elas, podemos citar
[A] o desinteresse dos cafeicultores em controlar o preço
do café no mercado internacional.
[B] o limitado crescimento econômico, que eliminou o
peso e a influência da capital paulista nas decisões do go-
verno federal.
[C] a harmonização social, após o período de revoltas so-
ciais do início da República.
[D] a hegemonia do capital estrangeiro, que impedia o
crescimento da burguesia nacional.
[E] a persistência de aspectos tradicionais durante o pro-
cesso de modernização e reurbanização.
QUESTÃO 21
Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias, de
cujo perigo já nos advertia Saint-Hilaire, e sob o disfarce
do que se chamou “a política dos governadores”. Em cír-
culos concêntricos esse sistema vem cumular no próprio
poder central que é o sol do nosso sistema.
PRADO, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1972.
A crítica presente no texto remete ao acordo que funda-
mentou o regime republicano brasileiro durante as três
primeiras décadas do século XX e fortaleceu o(a)
[A] poder militar, enquanto fiador da ordem econômica.
[B] presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder
dos coronéis.
[C] domínio de grupos regionais sobre a ordem federa-
tiva.
[D] intervenção nos estados, autorizada pelas normas
constitucionais.
[E] isonomia do governo federal no tratamento das dis-
putas locais.
QUESTÃO 22
No alvorecer do século XX, o Rio de Janeiro sofreu, de
fato, uma intervenção que alterou profundamente sua
fisionomia e estrutura, e que repercutiu como um terre-
moto nas condições de vida da população.
BENCHIMOL, J. Reforma urbana e Revolta da Vacina
na cidade do Rio de Janeiro. In: FERREIRA, J.; DEL-
GADO, L. A.N. O Brasil republicano: o tempo do libe-
ralismo excludente. Rio de Janeiro: Civilização Brasi-
leira, 2008.
O texto refere-se à reforma urbanística ocorrida na capital
da República, na qual a ação governamental e seu resul-
tado social encontram-se na:
[A] Cobrança de impostos — ocupação da periferia.
[B] Destruição de cortiços — revolta da população pobre.
[C] Criação do transporte de massa — ampliação das fa-
velas.
[D] Construção de hospitais públicos — insatisfação da
elite urbana.
[E] Edificação de novas moradias — concentração de tra-
balhadores.
QUESTÃO 23
A reforma partidária brasileira (Lei Orgânica dos Parti-
dos, de dezembro de 1979) visou dividir a oposição e dar
uma nova roupagem à legenda de apoio ao regime então
vigente.
A respeito dessa reforma, é correto afirmar que uma de
suas disposições foi
[A] o retorno do pluripartidarismo.
[B] o ressurgimento do bipartidarismo.
[C] a proibição da criação de novos partidos.
[D] o fim do pluripartidarismo.
[E] a proibição de legendas de oposição.
Gabarito comentado
Resposta da questão 1: [A]
Resposta da questão 2: [B]
Resposta da questão 3: [A]
A alternativa [B] está errada porque a tabela não trata
disso. A alternativa [C] também não está correta porque
a essência do Plano de Metas é a indústria e a infraestru-
tura.
A alternativa [D] tem resposta fora do que o quadro apre-
senta. A [E] não procede porque o quadro apresenta o au-
mento da produção industrial, e não o que está afirmado.
Resposta da questão 4: [E]
A Coluna Prestes (1925-1927) foi o ponto culminante de
um movimento militar, chamado de Tenentismo. Esse
movimento armado visava derrubar as oligarquias que,
através de acordos e esquemas políticos (Coronelismo,
Política dos Governadores e Política do Café-com-Leite),
dominavam o país e, posteriormente, desenvolver um
conjunto de reformas, com o objetivo de eliminar os ví-
cios da República Velha.
A grande marcha realizada pela Coluna Prestes por vários esta-
dos do Brasil não conseguiu efetivamente atrair a simpatia da opinião
pública; apenas em algumas ocasiões, grupos de homens apoiaram o
movimento e até mesmo passaram a integrá-lo.
Embora não tenha conseguido derrubar o governo, a Coluna Prestes foi
um movimento que enfraqueceu politicamente a República Velha,
abrindo caminho para a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas
ao poder.
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54
Resposta da questão 5: [A]
O Convênio de Taubaté foi um acordo firmado durante o governo do
presidente Rodrigues Alves (1902-1906), visando instituir uma política
de valorização artificial do café brasileiro e assegurar os lucros dos ca-
feicultores diante do crescimento da oferta de café no mercado mundial.
Resposta da questão 6: [E]
A expressão “Voto de cabresto” designa o controle dos coronéis sobre
eleitores durante a Velha República (1889-1930), em razão de o voto
ser aberto. Essa prática foi fundamental para a sustentação das oligar-
quias nas diferentes esferas do poder político.
Resposta da questão 7: [B]
A crise do encihamento foi provocada pela política econômica equivo-
cada de Rui Barbosa, Ministro da Fazenda Deodoro da Fonseca, que
adotou uma política baseada em créditos livres aos investimentos in-
dustriais garantidos pelas emissões monetárias. Teve como principais
consequências um rápido crescimento de inflação, um violento arrocho
dos salários e um enorme número de falências.
Resposta da questão 8: [B]
Reformas de base foi o nome dado pelo presidente João Goulart, às re-
formas estruturais para o Brasil, propostas por sua equipe em 1954. Es-
tas abrangiam os setores educacional, fiscal, político e agrário.
Resposta da questão 09: [C]
A expressão “outra vez” permite entender que Vargas já havia gover-
nado e que muitos queriam seu retorno ao poder. Dessa forma, podemos
imaginar o período de governo Dutra, que foi antecedido pelo Estado
Novo de Vargas e foi substituído por Vargas, desta vez eleito pelo voto
direto dos cidadãos em 1950. Vale lembrar que Getúlio suicidou-se em
1954 e JK foi eleito no final do ano seguinte. Getulio foi governador do
estado do Rio Grande do Sul entre 1928 e 1930.
Resposta da questão 11: [B]
A construção de uma nova capital para o país foi integrada ao Plano de
Metas e contribuiu para reforçar o discurso desenvolvimentista da cam-
panha presidencial. Oficialmente, a nova capital, no interior do país,
contribuiria para reduzir a concentração econômica nas áreas litorâneas
e, portanto, criaria uma dinâmica de desenvolvimento do interior.
Resposta da questão 12: [A]
A corrida para a região amazônica no final de século XIX atraiu brasi-
leiros de diversas regiões, notadamente do norte e nordeste. As popula-
ções do norte em grande parte foram atraídas pela possibilidade de ri-
queza e pela relativa proximidade com a região produtora; já a popula-
ção do nordeste, além de vislumbrar o trabalho, fugia das secas e dos
desmandos dos grandes coronéis.
Resposta da questão 13:[C]
A estrutura política estabelecida neste período baseava-se num encade-
amento que envolvia as três esferas de poder: o Municipal, Estadual e
o Federal. A política do café com leite se completava com o apoio dos
governadores estaduais que, por sua vez, dependia dos coronéis e do
controle que estes exerciam sobre a população pobre através do voto de
cabresto.
Resposta da questão 14: [A]
Somente a alternativa [A] está correta. A questão remete ao Nacional
Desenvolvimentismo de JK que defendeu 50 anos de progresso em 5
anos de governo. Este político mineiro governou o Brasil de 1956-1960
abrindo a economia do Brasil ao capital externo. Para JK a junção do
capital nacional com o internacionalgeraria o progresso necessário ao
país.
Resposta da questão 15: [B]
O Plano de Metas de JK – baseado no slogan “50 anos em 5” e que
previa melhorias em infraestrutura e industrialização – foi estruturado
a partir da abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro, o que,
a longo prazo, aumentou a dívida externa brasileira.
Resposta da questão 16: [B]
Na fase da chamada República Oligárquica, durante a República Velha,
a maior parte dos governadores firmou acordos com a presidência da
república para que fosse garantida tanto a autonomia dos estados quanto
a manutenção dos privilégios políticos e econômicos nas esferas esta-
dual e federal (apoio dos governadores à "política do café com leite",
por exemplo). Nesse contexto, os governadores fizeram também acor-
dos com os grandes fazendeiros nos municípios (coronéis) que, em
troca de proteção política, garantiam a votação nos candidatos dessas
oligarquias através da fraude ou da coerção, como foi o caso do "voto
de cabresto".
Resposta da questão 17: [C]
A Revolta do Forte de Copacabana foi um primeiro confronto armado
de militares contra o governo da República Oligárquica. O desconten-
tamento de setores de patente intermediária do exército contra os vícios
políticos dos governantes e do modelo vigente deu origem a protestos
caracterizados pela defesa da moralização política e de expressões na-
cionalistas no meio militar, denominadas de “tenentismo”.
Resposta da questão 18: [C]
Em 1903, o Brasil comprou da Bolívia o atual território do estado do
Acre, porque durante o surto da borracha a região que estava desabitada
foi ocupada por seringalistas brasileiros.
Depois do confronto entre tropas brasileiras e bolivianas, foi assinado
o Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil ficava com o território do
Acre em troca do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e da cons-
trução da estrada de ferro Madeira-Mamoré, que permitia aos bolivia-
nos atingir o rio Amazonas e exportar mercadorias por Belém do Pará.
Resposta da questão 19:[B]
A revolta dos populares contra a campanha de vacinação obrigatória
contra a varíola e as brigadas de mata-mosquito contra a febre amarela,
ocorrida no Rio de Janeiro, recebeu o nome de Revolta da Vacina.
Resposta da questão 20: [B]
Uma das principais características do movimento operário do início do
século foi o fato de contar com lideranças anarquistas, formadas princi-
palmente por homens de origem italiana. Pelo texto pode-se perceber o
estímulo à organização do operariado para a luta contra os patrões e, em
particular, contra “qualquer forma de governo”, o que diferencia o anar-
quismo do socialismo.
Resposta da questão 21: [E]
A expansão da lavoura cafeeira, desde o século XIX, possibilitou a mo-
dernização da cidade de São Paulo. Surgiram indústrias, bancos, casas
de câmbio e as ferrovias. A vida urbana modificou-se, mas, ao mesmo
tempo, guardou características do mundo rural, como as carroças e uma
riqueza que, direta ou indiretamente, derivou do café.
Resposta da questão 22:[C]
A "Política dos Governadores" foi uma aliança formada entre os presi-
dentes da República, os governadores e os coronéis no Brasil durante a
República Velha. Tal política, baseada no apoio mútuo entre as partes
envolvidas, garantia o aumento do poder de influência dos líderes regi-
onais, ou seja, dos coronéis.
Resposta da questão 23: [A]
Somente a alternativa [A] está correta. Na atualidade o governo brasi-
leiro tem realizado algumas indenizações aos familiares das vítimas que
morreram durante o regime militar que ocorreu no Brasil entre 1964-
1985. A Comissão Nacional da Verdade está reescrevendo algumas pá-
ginas da nossa História referente às pessoas que foram mortas (“desa-
parecidas”) durante o regime militar. A charge faz referência ao golpe
de 1964 que derrubou João Goulart e colocou os militares no poder. Os
militares deram o golpe em nome da “ordem” por entender que o Brasil
caminhava rumo ao comunismo devido às reformas de base de Jango.
As demais alternativas estão incorretas.
QUESTÃO 01
Leia o trecho abaixo, que faz referência a uma matéria
intitulada “Como uma Mulher Deve Ajudar o Marido”,
publicada no jornal A Federação, em 1919.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
55
Dorothy Diz escreveu para o jornal A Federação, dando
conselhos às donas de casa de como tratar o marido. Tais
como de não sobrecarregá-lo com as queixas do dia a dia,
alimentá-lo, incentivá-lo no trabalho e estar sempre
pronta para atendê-lo e ouvi-lo. Ou seja, não poderia
nunca esquecer os seus deveres de rainha do lar e anjo
tutelar, e somente assim poderia ser uma musa inspira-
dora. Mesmo que para isso tenha que se sacrificar e anu-
lar-se.
ISMÉRIO, Clarisse. O discurso moralista e as mulheres.
Estudos Ibero-Americanos, n. 2, dez. 1995. p. 117-138.
Com a Proclamação da República em 1889, o Rio Grande
do Sul passou a ser governado pelo Partido Republicano
Rio-grandense (PRR), cujos ideais políticos, sociais e
morais eram veiculados pelo jornal A Federação.
Sobre tais ideais, é correto afirmar que
[A] valorizavam a autonomia econômica e profissional
das mulheres.
[B] defendiam a participação ativa das mulheres na vida
política.
[C] consideravam o trabalho das mulheres superior ao
dos homens.
[D] incentivavam o protagonismo das mulheres na soci-
edade.
[E] privilegiavam a atuação privada e doméstica das mu-
lheres.
QUESTÃO 02
O início do período republicano no Brasil foi marcado
por uma série de conflitos que culminaram com a Revo-
lução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.
Abaixo estão listados atos e fatos relacionados a nossa
história.
I. Modelo econômico agroexportador.
II. Comissão Verificadora de Poderes.
III. Possibilidade de o Presidente nomear Interventores
estaduais.
IV. Criação da Consolidação das Leis Trabalhistas.
Assinale a opção que apresenta elementos relacionados à
Primeira República.
[A] I e II
[B] I e III
[C] II e III
[D] II e IV
[E] III e IV
QUESTÃO 03
Entre 1945 e 1964, existiam no Brasil dois projetos de
Nação que disputavam a preferência dos eleitores, o na-
cional estatismo, liderado por Getúlio Vargas, e o libera-
lismo conservador, liderado por Carlos Lacerda. Avalie
as informações abaixo listadas.
I. O Estado devia intervir na economia.
II. Abertura total às empresas e aos capitais estrangeiros.
III. O Brasil deveria alinhar-se com os EUA incondicio-
nalmente.
IV. Criação das empresas estatais em áreas estratégicas.
A alternativa que apresenta propostas do liberalismo con-
servador é
[A] I e II.
[B] I e III.
[C] II e III.
[D] II e IV.
[E] III e IV.
QUESTÃO 04
Leia atentamente os seguintes excertos a respeito da atu-
ação da Igreja Católica no Brasil na década de 1960:
“Certamente sem querer, a ditadura contribui bastante
para a conscientização do clero e bispos em algumas
áreas. O caso de D. Paulo Evaristo Arns, cardeal-arce-
bispo de São Paulo [...] é bem expressivo. [...] Em 1964,
simpatizou com o golpe, como a maioria dos religiosos.
[...] Como em todo o Brasil, a repressão agiu brutalmente
em São Paulo, sobretudo após o AI-5, e logo D. Evaristo
passou a receber denúncias e mais denúncias de famílias
de mortos, “desaparecidos”, mutilados. A exemplo de D.
Waldyr, ele “não podia ficar parado”. Gradativamente,
tornou-se um de nossos bispos mais corajosos, combati-
vos e identificados com a causa do povo”.
SALEM, Helena. Dos palácios à miséria da periferia. In:
SALEM, Helena (Org.). A Igreja dos Oprimidos. Col.
Brasil Hoje nº 3. São Paulo: Ed. Brasil Debates, 1981,
p.33.
“Em 1964, enquanto a maioria do episcopado defendia o
golpe de Estado, iniciavam-se perseguições políticas, in-
clusive entre padres e outros religiosos, forçando grada-
tivamente a hierarquia a assumir a defesa desses setores.
Se a ala conservadora se encarregavade aproximar a
Igreja do Estado, os setores progressistas participavam de
passeatas e manifestações em oposição ao regime, num
“processo educativo em que as bases educam seus diri-
gentes”.
DOIMO, Ana Maria. Movimento Social Urbano, Igreja
e Participação Popular. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984,
p.34.
A partir dos textos acima, pode-se concluir acertada-
mente que
[A] a Igreja Católica apoiou o início da ditadura militar
iniciada em 1964, mas, a partir dos atos praticados pelos
governos do período, nasceram dentro dela movimentos
de oposição ao regime.
[B] apesar de alguns opositores ao regime militar apare-
cerem no início do período ditatorial, não houve, ao
longo dos 21 anos de governos militares, nenhuma opo-
sição dentro da Igreja.
[C] todos os setores da Igreja Católica, inclusive aqueles
ligados à TFP (Tradição, Família e Propriedad[E], parti-
ciparam ativamente dos movimentos que visavam derru-
bar o regime autoritário instalado em 1964.
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
56
[D] como em tantos outros momentos da nossa história,
a Igreja Católica, assim como outras igrejas cristãs, não
se envolveu em questões políticas, deixadas ao encargo
dos leigos.
QUESTÃO 05
O Monumento à Independência, localizado em São
Paulo, foi criado em 1922 para as comemorações do cen-
tenário da emancipação política brasileira. O projeto ven-
cedor, sem a aprovação unânime da comissão julgadora,
foi alterado e teve de incluir episódios e personalidades
vinculados ao processo da independência, tais como: na
lateral esquerda do monumento, passaram a figurar os in-
confidentes mineiros (1789); na lateral direita, os revolu-
cionários pernambucanos (1817). Na face frontal, perma-
neceram as esculturas “Independência ou Morte” e “Mar-
cha Triunfal da Nação Brasileira”.
Os contextos políticos nos quais são criados os monu-
mentos interferem na valorização de determinadas inter-
pretações sobre as experiências históricas por eles repre-
sentadas.
As mudanças realizadas no projeto original do Monu-
mento à Independência expressam o seguinte interesse
das autoridades governamentais da época:
[A] reconhecimento da liderança de D. Pedro nas lutas
pela autonomia
[B] culto à identidade nacional instituída pela centraliza-
ção monárquica
[C] alusão ao ideário republicano presente em episódios
anteriores ao grito do Ipiranga
[D] valorização da participação popular no processo de
separação entre Brasil e Portugal
QUESTÃO 06
O conflito ocorrido no final do Século XIX, caracterizado
pelo caráter messiânico (religioso) e de contestação so-
cial, foi a
[A] Guerra do Contestado.
[B] Revolta da Armada.
[C] Revolta Federalista.
[D] Revolta da Vacina.
[E] Guerra de Canudos.
QUESTÃO 07
Leia atentamente o seguinte excerto:
“Na tentativa de impor “civilidade” ao habitante da urbe,
Pereira Passos vai emitindo, ao longo de sua gestão, uma
série de proibições relativas a práticas urbanas comuns na
cidade: proíbe que se cuspa na rua e nos bondes, proíbe a
vadiagem de caninos, proíbe que se façam fogueiras nas
vias da cidade, que se soltem balões, proíbe a venda am-
bulante de loterias, de exposição de carnes à venda nas
ruas, também proíbe o trânsito de vacas leiteiras na ci-
dade e andar descalço e sem camisa. Em uma ação con-
junta com tais restrições, Pereira Passos buscou substituir
antigas práticas urbanas por novos hábitos tidos como
“civilizados”. Desta forma, o prefeito proíbe o entrudo,
substituindo-o pela batalha de flores e derruba os quios-
ques do centro da cidade, estimulando com a sua reforma
a abertura de lojas para o chá da tarde”.
AZEVEDO, André Nunes de. A reforma Pereira Passos:
uma tentativa de integração conservadora. Revista tem-
pos históricos, volume 19, 2º semestre de 2015, p.167.
O texto acima diz respeito
[A] ao processo de transformações ocorridas no Rio de
Janeiro com a vinda da Família Real para o Brasil, após
a invasão napoleônica em Portugal no início do século
XX.
[B] ao processo de remodelamento e disciplinarização
dos espaços urbanos, típicos das reformas ocorridas em
várias cidades brasileiras no período da chamada Belle
Époque.
[C] às medidas disciplinadoras impostas ao povo pelos
governos militares após a derrubada do governo de João
Goulart em 1964.
[D] ao modelo de administração proposto pelo Partido
Conservador no início da redemocratização pós-64 e ado-
tado, no Rio de Janeiro, pelo então prefeito da cidade.
QUESTÃO 08
“Na Bruzundanga, como no Brasil, todos os representan-
tes do povo, desde o vereador até o Presidente da Repú-
blica, eram eleitos por sufrágio universal, e, lá, como
aqui, de há muito que os políticos práticos tinham conse-
guido quase totalmente eliminar do aparelho eleitoral
esse elemento perturbador – o voto”. (Lima Barreto, Os
bruzundangas.) Escrito em 1917, o livro Os bruzundan-
gas corresponde a uma forte sátira da sociedade brasi-
leira.
Em relação ao trecho citado, é correto afirmar que Lima
Barreto, por meio da ficção, refere-se:
[A] às lutas populares pelo direito ao voto.
[B] aos processos políticos que levaram ao fim do Impé-
rio.
[C] à participação das mulheres nos processos políticos
nacionais.
[D] às práticas políticas da Primeira República.
[E] à suspensão das eleições diretas para presidente da
República durante o governo militar.
QUESTÃO 09
Iniciada em 3 de outubro de 1930, a chamada Revolução
de 1930 transformaria o Brasil a partir dessa data. Sobre
esse movimento, fundamental para que se tenha uma me-
lhor compreensão do Brasil no século XX, é correto afir-
mar que
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
57
[A] se deu como uma ruptura do acordo das oligarquias
de São Paulo e Rio Grande do Sul, chamado política do
café-com-leite; a partir daí, o governador gaúcho Getúlio
Vargas liderou a tomada de poder contra o governo do
paulista Washington Luís.
[B] a indicação de João Pessoa para ser candidato a pre-
sidente, apoiado pelos paulistas, levou à ruptura do
acordo das oligarquias e lançou gaúchos, mineiros e pa-
raibanos em luta armada contra o governo de Washington
Luís.
[C] além da ruptura entre paulistas e mineiros, devido à
indicação de Júlio Prestes pelos paulistas e sua vitória na
campanha presidencial, havia insatisfação com o governo
por parte dos tenentes e da população empobrecida pelos
efeitos econômicos da crise de 1929.
[D] apesar de a Revolução de 1930 ter marcado a ascen-
são de Getúlio Vargas ao poder, esse governo durou
pouco tempo, pois, não resistindo às pressões do cargo, o
presidente cometeu suicídio após três anos e sete meses
de governo.
QUESTÃO 10
Os antecedentes da subida de Getúlio Vargas ao poder,
em 1930, estão ligados à crise política que indicaria o
candidato do governo federal para as eleições presidenci-
ais de 1930. As desavenças entre o PRP - Partido Repu-
blicano Paulista e o PRM - Partido Republicano Mineiro,
levaram o presidente Washington Luís a indicar Júlio
Prestes para concorrer à presidência da república.
Nesse contexto é correto afirmar, exceto:
[A] O assassinato por motivos pessoais de João Pessoa -
político da Paraíba e candidato a vice-presidente na chapa
de Getúlio Vargas - também contribuiu para o clima de
revolta que levou Getúlio Vargas ao poder.
[B] Líderes da Aliança Liberal não aceitavam o resultado
das eleições. Alegavam fraude no sistema eleitoral.
[C] Os políticos de Minas Gerais, que apoiavam Wa-
shington Luís, seguiram o líder político Antônio Carlos e
com a formação da Aliança Liberal passaram a compor o
grupo de apoio a Getúlio Vargas.
[D] Na disputa com Júlio Prestes, Getúlio Vargas mos-
trou a força da Aliança Liberal e foi eleito presidente da
república, sendo empossado ainda em 1930.
QUESTÃO 11
Observe o cartaz de propaganda do Partido Democrático
de SãoPaulo para as eleições legislativas de 1927.
Considerando a imagem e os conhecimentos sobre a his-
tória política da época, pode-se concluir que esse Partido
[A] expunha a facilidade de manipulação de analfabetos
pela classe política dominante.
[B] denunciava o controle político dos votantes favore-
cido pelo voto a descoberto.
[C] condenava as eleições regulares de representantes po-
líticos na Primeira República.
[D] criticava o domínio do poder federal por políticos de
São Paulo e de Minas Gerais.
[E] reivindicava a liberdade de imprensa como condição
necessária à democracia.
QUESTÃO 12
O período que correspondeu à presidência de Juscelino
Kubitschek (1956-1961) pode ser definido por uma pala-
vra: desenvolvimentismo. O Plano de Metas, primeiro
projeto de planejamento para o desenvolvimento econô-
mico desencadeou crescimento econômico sem prece-
dentes.
A reação às políticas inovadoras e até arrojadas de Jusce-
lino partiu de vários setores da sociedade. Já em 1957,
Juscelino enfrentara lockout de cafeicultores de São
Paulo, Minas e Paraná que, pelas estradas, mobilizaram
agricultores com suas máquinas (a “Marcha da Produ-
ção”), enquanto o Pacto de Unidade Intersindical (PUI)
articula em São Paulo, 450 mil operários na greve contra
a carestia. No fim do governo, as classes médias, embora
tenham experimentado melhora em suas condições de
vida, estavam insatisfeitas com a política desenvolvimen-
tista.
(Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do
Brasil: uma interpretação)
A partir da leitura do texto e de seu conhecimento a res-
peito do governo do presidente JK, é correto assinalar que
a reação às políticas desenvolvimentistas, que afetavam
as classes médias, derivou:
[A] do apoio de JK à Revolução Cubana, liderada por Fi-
del Castro em 1959;
[B] da ruptura com os Estados Unidos e a adesão a uma
política terceiro-mundista;
[C] da aceleração da inflação e aumento do endivida-
mento do país com o exterior;
[D] da ruptura com o PSD, partido que congregava a bur-
guesia e o empresariado;
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
58
[E] do retumbante fracasso do Plano de Metas, especial-
mente nos setores da indústria e dos transportes.
QUESTÃO 13
Após a saída de Getúlio Vargas do poder em 1945 o então
Ministro da Guerra do Estado Novo, General Eurico Gas-
par Dutra, foi eleito presidente do Brasil. Entre as carac-
terísticas do seu governo pode-se destacar, exceto:
[A] Uma nova constituição foi aprovada e o voto tornou-
se obrigatório para todos os brasileiros alfabetizados,
maiores de 18 anos e de ambos os sexos.
[B] Alinhamento com o bloco capitalista liderado pelos
Estados Unidos e rompimento de relações diplomáticas
com a União Soviética.
[C] Criação do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico (BND[E], fundação da Petrobrás e início da
campanha nacional “O petróleo é nosso”.
[D] Propôs o SALTE, um plano econômico desenvolvi-
mentista que priorizava investimentos na Saúde, Alimen-
tação, Transporte e Energia.
QUESTÃO 14
TEXTO I
Programa do Partido Social Democrático (PSD)
Capitais estrangeiros
É indispensável manter clima propício à entrada de capi-
tais estrangeiros. A manutenção desse clima recomenda
a adoção de normas disciplinadoras dos investimentos e
suas rendas, visando reter no país a maior parcela possí-
vel dos lucros auferidos.
TEXTO II
Programa da União Democrática Nacional (UDN)
O capital
Apelar para o capital estrangeiro, necessário para os em-
preendimentos da reconstrução nacional e, sobretudo,
para o aproveitamento das nossas reservas inexploradas,
dando-lhe um tratamento equitativo e liberdade para a sa-
ída dos juros.
CHACON, V. História dos partidos brasileiros: discurso
e práxis dos seus programas. Brasília: UnB. 1981 (adap-
tado).
Considerando as décadas de 1950 e 1960 no Brasil, os
trechos dos programas do PSD e UDN convergiam na de-
fesa da
[A] autonomia de atuação das multinacionais.
[B] descentralização da cobrança tributária.
[C] flexibilização das reservas cambiais.
[D] liberdade de remessa de ganhos.
[E] captação de recursos do exterior.
QUESTÃO 15
Torna-se importante, portanto, salientar que as pautas
econômicas dominantes não se incompatibilizavam com
demandas políticas ou por garantia de direitos contra as
decisões da própria Justiça do Trabalho. Pelo contrário,
muitas greves incluíam várias demandas de natureza dis-
tinta, e mesmo em demandas primariamente econômicas,
colocava-se muitas vezes a dimensão do enfrentamento
político. Em todos esses casos, confirma-se a hipótese de
que direitos instituídos ou garantias das convenções co-
letivas, respaldadas pela Justiça do Trabalho, não signifi-
cavam conquistas materiais às quais os trabalhadores ti-
vessem acesso líquido e certo. Era preciso muitas vezes
recorrer às greves para garantir direitos conquistados.
MATTOS, M. B. Greves, sindicatos e repressão policial
no Rio de Janeiro (1954-1964). Revista Brasileira de
História, n. 47, 2004 (adaptado).
De acordo com o texto, um dos problemas com os quais
as organizações sindicais de trabalhadores se defronta-
vam, de 1954 a 1964, era o descompasso entre
[A] legislação e realidade social.
[B] profissão e formação técnica.
[C] meio rural e cidades industriais.
[D] população e representação parlamentar.
[E] empresariado nacional e capitais estrangeiros.
QUESTÃO 16
Um fluxo intenso de mudanças, atingindo todos os níveis
da experiência social, transformou o cotidiano das popu-
lações urbanas do ocidente, marcado pelo desenvolvi-
mento e uso da eletricidade, do petróleo, da siderurgia e
pelos avanços dos transportes, das comunicações e da
medicina. No ritmo dessas mudanças, surgiram os gran-
des complexos industriais e as metrópoles modernas, nas
quais se observa uma nova temporalidade, marcada pelo
ritmo de produção das máquinas, pela racionalização dos
usos do tempo, com a implantação de relógios em espa-
ços públicos.
(SEVCENKO, Nicolau. Introdução. In: NOVAIS, Fer-
nando (org.). História da Vida Privada no Brasil. Vol.
III. São Paulo: Cia. das Letras, 1998). Adaptado.
O contexto internacional da Revolução Técnico-Cientí-
fica ao qual o texto se refere está relacionado à mudança
institucional e à recomposição social e política da socie-
dade brasileira no período
[A] da Proclamação da República.
[B] da Pós-Revolução de 1930.
[C] do Golpe do Estado Novo.
[D] do Golpe Civil-Militar de 1968.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à(s) questão(ões), considere o texto
abaixo.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
59
Se a obra historiográfica de Sérgio Buarque de Hollanda
foi um olhar para o passado brasileiro a partir da Histó-
ria de São Paulo (as monções, as entradas e bandeiras,
os caminhos e fronteiras) entre a generalidade do ensaio,
em Raízes do Brasil, e a sistematização acadêmica de
sua produção na USP, a cidade do Rio de Janeiro funda
um universo poético e um horizonte criativo inteiramente
novos em Chico Buarque, no cruzamento das atividades
do “morro” (o samba, sobretudo) com as da “cidade”
(A Bossa Nova e a vida intelectual do circuito Zona Sul).
FIGUEIREDO, Luciano (org). História do Brasil para
ocupados.
Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013, p. 451.
QUESTÃO 17
A Bossa Nova emergiu durante os chamados “anos JK”.
Após a vitória eleitoral de Juscelino Kubitschek, ocorreu
[A] o processo de construção da cidade de Brasília para
a mudança da capital federal, então situada no Rio de Ja-
neiro, e a promulgação de uma nova Constituição Fede-
ral.
[B] a aliança política entre o PTB e a UDN, em oposição
ao governo eleito, e a gradativa instalação de um Parque
Industrial composto por diversas multinacionais na re-
gião do ABC, em São Paulo.
[C] a construção da Companhia Siderúrgica Nacional,da
Usina Hidrelétrica de Itaipu e outros empreendimentos
para geração de energia, e a elaboração das Reformas de
Base para acelerar o desenvolvimento do país.
[D] a mobilização de militares legalistas para garantir sua
posse e a de seu vice, João Goulart, e a execução do pro-
jeto desenvolvimentista denominado Plano de Metas.
[E] o saneamento da dívida externa por meio de um plano
de gerenciamento de recursos denominado Salte e a ins-
talação das primeiras indústrias automobilísticas no Bra-
sil.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à(s) questão(ões), considere o texto
abaixo.
A composição da obra de Graciliano Ramos resulta de
um processo rigorosamente seletivo e subordinado es-
sencialmente aos limites da experiência pessoal, notada-
mente sertaneja. Nos limites da paisagem rural, de estru-
tura bem característica, o fazendeiro é poderoso e único,
por vezes o “coronel”, até que se enfraquece em conse-
quência da desarticulação de todo um sistema de man-
donismo tradicional, ou consequência de um drama pes-
soal, que nos parece ainda condicionado de qualquer
forma pelo sentimento fatalista do homem regional.
Adaptado de: CANDIDO, Antonio e CASTELLO, José
Aderaldo. Presença da Literatura Brasileira – Moder-
nismo. 6. ed. Rio de Janeiro-São Paulo: Difel, 1977, p.
290.
QUESTÃO 18
Durante a Primeira República, era chamado de “coro-
nel”, em geral, o
[A] proprietário de terras que exercia forte poder local,
controlando as eleições por meio de estratégias como
fraudes e o chamado voto de cabresto.
[B] mandatário local que chefiava milícias armadas e
agia politicamente segundo os interesses republicanos
que configuravam a política do café com leite.
[C] fazendeiro que recebia essa patente dos marechais
que se sucederam no poder, Deodoro da Fonseca e Flori-
ano Peixoto, incumbido de garantir a ordem social na ine-
xistência de uma Guarda Nacional.
[D] oligarca assim nomeado de acordo com a política dos
governadores, cuja função era o apadrinhamento de can-
didatos para garantir a vitória eleitoral do tenentismo no
Sudeste.
[E] dono de terras situado no sertão nordestino ou no in-
terior do Brasil, regiões então afetadas por intensos con-
flitos sociais, como o Cangaço e a Farroupilha.
QUESTÃO 19
É principalmente a partir de Getúlio Vargas (1930-45 e
1950-54) que o fenômeno entendido como industrializa-
ção passa a ser uma preocupação incentivada e sistema-
tizada pelo Estado. Num segundo momento é Juscelino
Kubitschek − JK (1956-61) que retoma e acelera o pro-
cesso.
Estabelecendo uma comparação entre os processos de in-
dustrialização desenvolvidos por Vargas e JK é correto
afirmar que
[A] ambos se utilizaram do endividamento externo como
fonte básica para desenvolver o processo, fortemente
concentrado no eixo São Paulo-Rio de Janeiro, no perí-
odo Vargas, mas desconcentrado com JK.
[B] ambos privilegiaram as indústrias de bens de con-
sumo; no entanto, Vargas encarava as importações de
produtos industriais como necessárias, fato que JK com-
batia com políticas protecionistas.
[C] enquanto Vargas adotou como prioridades os capitais
nacionais, os estatais e as indústrias de base, JK promo-
veu a organização do espaço industrial à custa da inter-
nacionalização da economia.
[D] tanto Vargas como JK apoiaram-se no empresariado
nacional que defendia a substituição das importações; no
entanto, JK, com seu Plano de Metas, atrelou a industria-
lização à redução das desigualdades regionais.
[E] enquanto Vargas se utilizou de uma tripla base de ca-
pitais estatais, nacionais e internacionais, JK, refletindo o
momento mundial de expansão das multinacionais,
apoiou-se somente nos capitais internacionais.
QUESTÃO 20
[...] Renegando os princípios da democracia representa-
tiva, os ‘revolucionários’ de 1964 recorreram a um arse-
nal de instrumentos de exceção (atos institucionais, atos
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
60
complementares, decretos-leis), graças aos quais ficaram
mais de 20 anos no poder. A implantação da ditadura e
da violência generalizada não ocorreu de imediato. Foi
uma escalada que resultou do surgimento de uma oposi-
ção civil ao novo regime e de divergências no interior das
próprias hostes golpistas. [...]
(KUPPER, Agnaldo e CHENSO, Paulo A. História crí-
tica do Brasil. São Paulo: FTD, 1998, p. 278)
Com base no arsenal a que o texto se refere, pode-se afir-
mar que, nesse período, os governos
[A] abriram a economia ao capital estrangeiro, reduzindo
ou proibindo todo o comércio com os países socialistas.
[B] procuraram reduzir a atuação direta do Estado em se-
tores estratégicos da economia, como em serviços de sa-
úde e na indústria bélica.
[C] montaram uma rede de órgãos repressivos com o ob-
jetivo de manter acuados não apenas grupos sociais de
esquerda, mas toda a sociedade.
[D] adotaram a política econômica neoliberal com o ob-
jetivo de amenizar as desigualdades sociais geradas pelo
funcionamento do mercado.
[E] resgataram a plenitude política do cidadão ao revogar
os atos de exceção do regime militar, determinar eleições
diretas e restaurar o habeas corpus.
QUESTÃO 21
O instituto popular, de acordo com o exame da razão, fez
da figura do alferes Xavier o principal dos Inconfidentes,
e colocou os seus parceiros a meia ração de glória. Mere-
cem, decerto, a nossa estima aqueles outros; eram patrio-
tas. Mas o que se ofereceu a carregar com os pecadores
de Israel, o que chorou de alegria quando viu comutada a
pena de morte dos seus companheiros, pena que só ia ser
executada nele, o enforcado, o esquartejado, o decapi-
tado, esse tem de receber o prêmio na proporção do mar-
tírio, e ganhar por todos, visto que pagou por todos.
ASSIS, M. Gazeta de Notícias, n. 114, 24 abr. 1892.
No processo de transição para a República, a narrativa
machadiana sobre a Inconfidência Mineira associa
[A] redenção cristã e cultura cívica.
[B] veneração aos santos e radicalismo militar.
[C] apologia aos protestantes e culto ufanista.
[D] tradição messiânica e tendência regionalista.
[E] representação eclesiástica e dogmatismo ideológico.
QUESTÃO 22
Em 1908, o navio Kasato Maru aportou no Brasil, tra-
zendo o primeiro de muitos grupos de imigrantes japone-
ses para o nosso território. O fluxo migratório contínuo
transformou o Brasil no país que, atualmente, abriga a
maior população de origem japonesa fora do Japão.
Considerando os contextos brasileiro e japonês, entre o
final do século XIX e as primeiras décadas do século XX,
assinale a alternativa correta.
[A] Refugiados da Guerra Civil Meiji, os japoneses que
chegaram ao Brasil tiveram dificuldades para encontrar
trabalho, engrossando a massa de desempregados nas
grandes cidades e compondo, por muitas décadas, um se-
tor marginalizado da população das metrópoles.
[B] A vinda de imigrantes foi parte de um pacote de me-
didas de cooperação entre os dois impérios, cujo objetivo
era o desenvolvimento de tecnologias de mecanização do
campo brasileiro.
[C] A imigração foi imposta pelo imperador Hirohito em
represália aos participantes da chamada Rebelião dos Sa-
murais, que visava a instalação do regime republicano no
Japão.
[D] A pressão demográfica no Japão e a carência de mão
de obra nas lavouras de café paulistas foram os principais
fatores responsáveis pela vinda desses imigrantes.
[E] Após a explosão das bombas atômicas de Hiroshima
e Nagasaki, milhares de japoneses se dirigiram ao Brasil,
fugindo dos horrores da Segunda Guerra Mundial.
QUESTÃO 23
Atente ao seguinte enunciado:
“Episódios mais notórios, como a Revolta dos 18 do
Forte de Copacabana, em 1922, e a Revolução Paulista
de 1924, ou um evento pouco citado nos livros de Histó-
ria, como a Comuna de Manaus, também ocorrido em
1924, são partes do mesmo movimento a que pertencea
Coluna Prestes, que, de 1925 a 1927, percorreu cerca de
pelo interior do território brasileiro comba-
tendo as forças oligárquicas e espalhando sua ideologia”.
O enunciado acima se refere ao movimento pertencente
à História republicana do Brasil conhecido como
[A] Tenentismo, que marcava o descontentamento de
parte da jovem oficialidade do exército com as caracte-
rísticas políticas da República Velha.
[B] Restauracionismo, que uniu militares e religiosos em
lutas com o objetivo de depor a República e restaurar a
monarquia no Brasil.
[C] Messianismo, movimento por meio do qual os líderes
religiosos faziam uso de sua influência para eleger os gru-
pos políticos que apoiavam o fim das mudanças promo-
vidas pela República.
[D] Coronelismo, no qual senhores de terra e líderes po-
líticos locais tentaram impedir avanços socialistas pro-
postos pelo Presidente da República Artur Bernardes.
QUESTÃO 24
A Greve Geral de 1917 no Brasil
[A] iniciou-se com as ações de propaganda dos líderes
comunistas que seguiam, em termos estratégicos, a ori-
entação do bolchevismo russo.
25.000 km
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
61
[B] caracterizou-se por ser uma das mais abrangentes e
longas greves da época em São Paulo e Rio de Janeiro,
liderada pelos anarquistas.
[C] desenvolveu-se em todo o país a partir do apoio dos
meios de comunicação e da adesão dos setores rurais.
[D] encerrou-se com o Estado aprovando uma legislação
trabalhista eficaz, embora inicialmente nenhuma exigên-
cia do movimento tivesse sido atendida.
QUESTÃO 25
Em agosto de 2016, completaram-se 100 anos do fim da
Guerra do Contestado e o ano de 2017 marcará os 120
anos da queda de Canudos, ocorrida em outubro de 1897,
frente à poderosa expedição militar enviada pelo Estado
republicano brasileiro.
Sobre esses dois eventos, é correto afirmar que
[A] se caracterizam pela oposição dos senhores de terra
ao novo modelo político da República que implantara o
fim do escravismo e a igualdade legal entre os brasileiros.
[B] marcam reações negativas dos setores médios da po-
pulação urbana contra as mudanças promovidas pela mo-
dernização e pela República, que reduziram seus privilé-
gios.
[C] demonstram a capacidade do Estado brasileiro da-
quela época em lidar com questões sociais, como a dis-
tribuição de terras e riquezas, de forma pacífica e integra-
dora.
[D] se caracterizam pelo messianismo de seus líderes, ali-
ado aos descontentamentos em relação às condições con-
cretas de vida das populações rurais exploradas.
QUESTÃO 26
“Rios caudalosos, florestas impenetráveis, tribos indíge-
nas desconhecidas e histórias de animais gigantes que se
alimentam de seres humanos. Um cenário assustador para
a maioria, mas perfeito para aventureiros em busca de
fama e riqueza no final do século XIX e início do XX.
Foi nessa época que a Amazônia recebeu milhares de tra-
balhadores para a indústria de extração da borracha e para
a construção de uma ferrovia de quase quilômetros,
que escoaria essa produção cortando os rios Madeira e
Mamoré, a oeste do atual estado de Rondônia.”
Cristina Romanelli, “A ferro e sangue”. Disponível em:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-re-
vista/a-ferro-e-sangue.
Acessado em: 05/08/2016.
A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
[A] era um símbolo de progresso que contrastava com um
surto de febre amarela, pois a floresta, com suas caracte-
rísticas físicas, era um habitat propício para o mosquito
do gênero Aedes.
[B] era um evidente desperdício de recursos, pois as con-
dições sanitárias da região eram precárias, e contribuiu
para um grande surto de cólera, comprometendo o plano
de ocupar a fronteira territorial com a Bolívia.
[C] era uma propaganda da pujança brasileira em contra-
ponto aos vizinhos bolivianos e um surto de dengue
ocorreu pela presença de imigrantes que não tinham imu-
nidade contra o mosquito do gênero Aedes.
[D] foi bem sucedida, apesar de um surto de malária tra-
zido pelos imigrantes oriundos do Nordeste e que dizi-
mou a população indígena da região.
QUESTÃO 27
Eleito para governar o Brasil, no período de janeiro de
1951 a janeiro 1956, Getúlio Vargas não conseguiu ter-
minar o seu mandato, que acabou em agosto de 1954, de-
vido
[A] ao seu suicídio, motivado pelas pressões da oposição,
liderada pela UDN, que usou contra ele a insatisfação po-
pular por causa da inflação e do atentado a Carlos La-
cerda.
[B] a um golpe militar, planejado por Carlos Lacerda e
apoiado pela UDN, que o tirou do poder e colocou em
seu lugar o Marechal Humberto de Alencar Castelo
Branco.
[C] ao processo de impeachment instaurado pela oposi-
ção no Congresso Nacional por acusações de corrupção
no processo de criação da PETROBRAS.
[D] a sua renúncia ao cargo, em uma manobra política
fracassada, por meio da qual buscava o apoio popular que
deveria vir após a veiculação pela mídia de sua saída do
governo.
QUESTÃO 28
Observe o cartaz, relativo ao plebiscito realizado em ja-
neiro de 1963.
O cartaz alude à situação histórica brasileira marcada por
[A] estabilidade política, crescimento da economia
agroindustrial e baixas taxas de inflação.
[B] renúncia presidencial, debates sobre sistema de go-
verno e projetos de reforma social.
[C] ascensão de governos conservadores, despolitização
da sociedade e abolição de leis trabalhistas.
[D] deposição do presidente da República, privatizações
de empresas estatais e adoção do neoliberalismo.
[E] autoritarismos governamentais, restrições à liberdade
de expressão e cassações de mandatos de parlamentares.
QUESTÃO 29
Descrevendo as transformações ocorridas no Brasil du-
rante a década de 1950, Mônica Kornis diz o seguinte:
“Se o otimismo e a esperança implicaram profundas alte-
rações na vida da população em todo o mundo, permi-
tindo, não a todos, mas a uma parcela - os setores médios
400
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
62
dos centros urbanos – consumir novos e mais produtos,
por outro lado, a vontade do novo trazia embutido, em
várias áreas da cultura, o desejo de transformar a reali-
dade de um país subdesenvolvido, de retirá-lo do atraso,
de construir uma nação realmente independente”.
KORNIS, Mônica A. O Brasil de JK: Sociedade e Cul-
tura nos anos 1950. on-line. CPDOC/FGV. Disponível
em: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/So-
ciedade/Anos1950.
Sobre esse período da história brasileira, é correto afir-
mar que
[A] foi marcado pelo nacionalismo e isolacionismo pro-
movido pelo Presidente Juscelino Kubitschek que nacio-
nalizou as multinacionais aqui existentes.
[B] apesar do desenvolvimento das emissoras de TV
(Tupi-SP,1950; Tupi-RJ,1951; Record,1953 e TV
Rio,1955), o consumismo das camadas médias urbanas
não se desenvolveu.
[C] a modernização ocorrida no espaço urbano não se re-
produziu no ambiente rural onde permaneceram as velhas
relações de poder, mesmo com o aumento da mobilização
dos movimentos sociais do campo.
[D] apoiando as Ligas Camponesas, Juscelino Kubits-
chek realizou um amplo programa de Reforma Agrária
aproximando as condições de vida do Campo e da Ci-
dade.
QUESTÃO 30
“Os liberais-conservadores não se conformavam com
Vargas na presidência da República. Por duas vezes der-
rotada com seu candidato, em 1945 e 1950, a União De-
mocrática Nacional escolheu a estratégia de desqualificar
Vargas. A opção pelo golpe vai sendo amadurecida pelos
grupos conservadores, tendo a UDN à frente, até tornar-
se uma decisão irreversível a partir de 1953.”
FERREIRA, Jorge. Crises da República: 1954, 1955 e
1961. In: FERREIRA, Jorge & DELGADO, Lucília de
A. N. (Orgs.). O tempo da experiência democrática: da
democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964.
4ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, p.
306-307 (Coleção O BrasilRepublicano, v. 3.
Nesse contexto, ocorreram fatos que foram decisivos
para o recuo dos defensores do golpe de Estado e a so-
brevivência da democracia, dentre os quais destacam-se
[A] a vitória de Carlos Lacerda e a instauração de uma
ditadura.
[B] a eleição de Cristiano Machado e o fim do parlamen-
tarismo.
[C] o suicídio de Getúlio Vargas e o golpe preventivo do
general Lott.
[D] o impeachment de Juscelino Kubitschek e a posse do
deputado Carlos Luz.
QUESTÃO 31
Eleito com o slogan “cinquenta anos em cinco”, o presi-
dente Juscelino Kubitschek – JK – fez de seu governo um
período de grandes investimentos em setores produtivos,
mas também de gastos elevadíssimos. Apesar do inegável
avanço e diversificação do setor produtivo, o último ano
de seu governo apresentou um índice de inflação de
30,9%. O processo inflacionário gerado nesse período
corroeu a economia brasileira nos anos seguintes ao seu
governo.
Um dos aspectos de destaque do governo de JK foi
[A] o investimento de capital nacional em indústrias de
base, com a criação da Petrobrás e da CSN – Companhia
Siderúrgica Nacional.
[B] o aumento da dívida externa em função dos vultuosos
empréstimos tomados para realização de seu Plano de
Metas e para a construção de Brasília.
[C] a promoção da importação de automóveis, pois JK
acreditava que era mais importante comprar a preços van-
tajosos do que investir na produção nacional.
[D] sua política desenvolvimentista, voltada exclusiva-
mente para atender o desenvolvimento das atividades
agroexportadoras de que o Brasil dependia.
QUESTÃO 32
No Brasil, entre os anos de 1945 e 1964, vivenciou-se um
momento de ampliação da participação popular na polí-
tica e de renovação da possibilidade de livre associação e
circulação de ideias. Ainda assim, os limites impostos
pelo ambiente da Guerra Fria e pelas resistências de de-
terminados setores da sociedade à experiência democrá-
tica brasileira de 1945-1964 não podem ser desconside-
rados.
Sobre este período, é INCORRETO afirmar que:
[A] embora todos os presidentes eleitos no período te-
nham tomado posse, ocorreram diversas tentativas de
golpe e de anulação de eleições.
[B] a despeito do contingente eleitoral ter aumentado sig-
nificativamente, uma ampla parcela da população com-
posta por analfabetos não tinha direito ao voto.
[C] diversos jornais com distintas orientações políticas e
partidárias mantinham expressiva circulação e buscavam
aproximar-se do grande público.
[D] a participação do Partido Comunista do Brasil
(PC[B] em todos os pleitos eleitorais evidencia a livre or-
ganização partidária então vigente.
[E] instrumentos de combate às fraudes e coação eleito-
rais como a cédula única oficial, instituída em 1955, vi-
savam a garantir o livre exercício do voto.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Um pensamento liberal moderno, em tudo oposto ao pe-
sado escravismo dos anos 1840, pode formular-se tanto
entre políticos e intelectuais das cidades mais importan-
tes quanto junto a bacharéis egressos das famílias nordes-
tinas que pouco ou nada poderiam esperar do cativeiro
em declínio.
(BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo:
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
63
Companhia das Letras, 1992, p. 224)
QUESTÃO 33
O poder local exercido por um reduzido número de famí-
lias abastadas, não apenas nas províncias nordestinas,
como o texto indica, mas em todo o território brasileiro,
manteve-se após a proclamação da República e contri-
buiu para que alguns historiadores denominassem de
“oligárquica” essa fase do período republicano. Em nível
nacional, o favorecimento do poder das oligarquias se
evidenciava, nessa época,
[A] no formato das eleições, que prescindiam do voto se-
creto e admitiam a participação e a candidatura de cida-
dãos analfabetos.
[B] no combate a movimentos populares como o can-
gaço, que vinham causando o fim do coronelismo no in-
terior do país.
[C] na existência de uma Comissão de Verificação de Po-
deres, que, a cada eleição, redistribuía os poderes do Le-
gislativo, Executivo e Judiciário.
[D] na nomeação de interventores junto aos governos es-
taduais, pelo presidente, a fim de garantir que os interes-
ses das principais oligarquias fossem atendidos.
[E] na política dos governadores, baseada em acordos de
colaboração política entre a presidência e os governos es-
taduais, localmente amparados pela ação de “coronéis”.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Na América Latina do século XX, em incontáveis mo-
mentos, a criação artística articulou-se com utopias ou
perspectivas de transformação social. Em diferentes con-
textos, artistas usaram sua produção para corroborar de-
terminados projetos políticos ou consentiram que suas
criações fossem apropriadas e sustentadas por movimen-
tos políticos, dentro ou fora do Estado.
PRADO, Maria Ligia e PELLEGRINO, Gabriela. Histó-
ria da América Latina. São Paulo: Contexto, 2014, p.
187-188.
QUESTÃO 34
A construção de Brasília contou com apaixonados sim-
patizantes e ferrenhos críticos do projeto, entre artistas e
profissionais liberais de distintos ramos. Dentre as polê-
micas que ainda hoje cercam o projeto conhecido como
Plano Piloto, destaca-se
[A] a incapacidade de inclusão das populações pobres
que migraram para a região para a execução da obra,
como os “candangos”, trabalhadores que se estabelece-
ram na periferia da cidade e contribuíram para o surgi-
mento das cidades satélites, hoje densamente povoadas.
[B] o alto custo desse investimento para os cofres públi-
cos, uma vez que foi necessário ao governo brasileiro
contrair empréstimos nos Estados Unidos para a constru-
ção da cidade, que só deixou de representar um peso or-
çamentário ao ser reconhecida como patrimônio da hu-
manidade e passar a ser mantida, na atualidade, por enti-
dades internacionais.
[C] a inadequação do projeto à locomoção na cidade, bem
como o isolamento, por guarnições militares, do setor de
edifícios que sempre abrigaram os poderes
governamentais, características que se vinculavam ao au-
toritarismo vigente no país sob o mandato de Juscelino
Kubitschek.
[D] a marca stalinista presente na arquitetura monumen-
tal empregada, na divisão da cidade em “setores”, na nu-
meração de ruas e blocos, e que ecoava as inclinações po-
líticas dos idealizadores do projeto, Oscar Niemeyer e
Roberto Burle Marx, que já gozavam de renome interna-
cional.
[E] o prejuízo que a transferência da capital federal sig-
nificou para o Rio de Janeiro, uma vez que resultou em
milhares de funcionários públicos desempregados, crise
que favoreceu o fortalecimento político de Carlos La-
cerda, artífice do golpe de 64 e defensor do regime militar
durante toda a ditadura.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.
A industrialização contemporânea requer investimentos
vultosos. No Brasil, esses investimentos não podiam ser
feitos pelo setor privado, devido à escassez de capital que
caracteriza as nações em desenvolvimento. Além disso,
o crescimento econômico do Brasil, um recém-chegado
ao processo de modernização, processou-se em condi-
ções socioeconômicas diferentes. Um efeito internacio-
nal de demonstração, na forma de imitação de padrões de
vida, entre países ricos e pobres, e entre classes ricas e
pobres dentro das nações, resultou em pressões significa-
tivas sobre as taxas de crescimento para diminuir a dife-
rença entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento.
Em vista das aspirações de melhores padrões de vida, o
governo desempenhou um papel importante no cresci-
mento econômico recente do Brasil.
(Carlos Manuel Peláez e Wilson Suzigan. História mo-
netária do Brasil, 1981. Adaptado.)
QUESTÃO 35
Os impasses do desenvolvimento industrial brasileiro,
apontados pelo texto, foram enfrentados no governo Jus-
celino Kubitschek (1956-1961) com oPlano de Metas,
cujo objetivo era promover a industrialização por meio
[A] da associação de esforços econômicos entre o Estado,
o capital estrangeiro e as empresas nacionais.
[B] da valorização da moeda nacional, da estatização de
fábricas falidas e da contenção de salários.
[C] da criação de indústrias têxteis estatais e do aumento
de impostos sobre o grande capital nacional.
[D] do emprego de empresas multinacionais submetidas
à severa lei da remessa de lucros, juros e dividendos para
o exterior.
[E] do combate à seca no Nordeste e do aumento do sa-
lário mínimo, com controle da inflação.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
ATO INSTITUCIONAL Nº 5, DE 13 DE DEZEMBRO
DE 1968.
“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL, ouvido o Conselho de Segurança Nacional,
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
64
(...) Resolve editar o seguinte:
(...)
Art. 4º - No interesse de preservar a Revolução, o Presi-
dente da República, ouvido o Conselho de Segurança Na-
cional, e sem as limitações previstas na Constituição, po-
derá suspender os direitos políticos de quaisquer cida-
dãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos
federais, estaduais e municipais.
Parágrafo único - Aos membros dos Legislativos federal,
estaduais e municipais, que tiverem seus mandatos cas-
sados, não serão dados substitutos, determinando-se o
quorum parlamentar em função dos lugares efetivamente
preenchidos.
Art. 5º - A suspensão dos direitos políticos, com base
neste Ato, importa, simultaneamente, em:
I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de fun-
ção;
II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas elei-
ções sindicais;
III - proibição de atividades ou manifestação sobre as-
sunto de natureza política;
IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas
de segurança:
[A] liberdade vigiada;
[B] proibição de frequentar determinados lugares;
[C] domicílio determinado; (…)
Art. 10º - Fica suspensa a garantia de habeas corpus, nos
casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a
ordem econômica e social e a economia popular.”
Retirado de: http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/AIT/ait-05-68.htm. Acesso em 24/05/2017.
QUESTÃO 36
O contexto que motivou a edição do AI-5 foi marcado
por:
[A] Protestos de estudantes, membros da Igreja e cassa-
ção de lideranças políticas, além das greves de trabalha-
dores e da negativa da Câmara em cassar dois deputados.
[B] Marchas das famílias e outros movimentos cristãos
pela moralidade, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que
obtiveram o apoio da imprensa.
[C] Interferência de outros países, como os EUA, na cul-
tura nacional, responsáveis pela propagação de ideolo-
gias contrárias à tradição brasileira.
[D] Processos subversivos e a guerra revolucionária,
além da suspensão dos direitos políticos e individuais
proposta pelo Legislativo.
QUESTÃO 37
Leia o trecho abaixo do discurso de Getúlio Vargas, pro-
ferido em sua posse como chefe do Governo Provisório,
em 3 de novembro de 1930, depois da Revolução de
1930.
“O movimento revolucionário, iniciado vitoriosamente a
3 de outubro no sul, centro e norte do país, e triunfante a
24 nesta capital, foi a afirmação mais positiva que até
hoje tivemos da nossa existência como nacionalidade.
Em toda a nossa história política, não há, sob esse as-
pecto, acontecimento semelhante. Ele é, efetivamente, a
expressão viva e palpitante da vontade do povo brasi-
leiro, afinal senhor de seus destinos e supremo árbitro de
suas finalidades coletivas.”
Sobre o discurso de Vargas e a Revolução de 1930 refe-
rida no texto, afirma-se:
I. O “movimento revolucionário” mencionado é a Ali-
ança Nacional Libertadora, que defendia o combate ao
imperialismo, a reforma agrária e a instalação do socia-
lismo no Brasil.
II. Por definir o “povo” como “senhor de seus destinos e
supremo árbitro de suas finalidades coletivas”, Vargas
pautou seu governo pela defesa das camadas populares e
pelo respeito às liberdades democráticas.
III. Na campanha eleitoral à Presidência, em 1930, Var-
gas defendeu o voto secreto e a autonomia da justiça elei-
toral, o que lhe possibilita associar o movimento revolu-
cionário à “expressão viva e palpitante da vontade do
povo brasileiro”.
Está/Estão correta(s) apenas a(s) afimativa(s)
[A] I.
[B] II.
[C] III.
[D] I e II.
[E] II e III.
QUESTÃO 38
Batizado por Tancredo Neves de “Nova República”, o
período que marca o reencontro do Brasil com os gover-
nos civis e a democracia ainda não completou seu quinto
ano e já viveu dias de grande comoção. Começou com a
tragédia de Tancredo, seguiu pela euforia do Plano Cru-
zado, conheceu as depressões da inflação e das ameaças
da hiperinflação e desembocou na movimentação que an-
tecede as primeiras eleições diretas para presidente em 29
anos.
O álbum dos presidentes: a história vista pelo JB. Jornal
do Brasil. 15 nov. 1989.
O período descrito apresenta continuidades e rupturas em
relação à conjuntura histórica anterior. Uma dessas con-
tinuidades consistiu na
[A] representação do legislativo com a fórmula do bipar-
tidarismo.
[B] detenção de lideranças populares por crimes de sub-
versão.
[C] presença de políticos com trajetórias no regime auto-
ritário.
[D] prorrogação das restrições advindas dos atos institu-
cionais.
[E] estabilidade da economia com o congelamento anual
de preços.
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
65
QUESTÃO 39
Dentre os fatores que contribuíram para a queda do re-
gime militar no Brasil (1964-1985), pode-se apontar cor-
retamente
[A] o aumento da inflação, a recessão, o desemprego e,
do ponto de vista político, a campanha Diretas Já.
[B] a moratória, os acordos com o FMI e, no âmbito po-
lítico, a aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita.
[C] a união das oposições ao regime, a reforma partidária
e o apoio ao regime das comunidades eclesiais de base.
[D] a crise do petróleo, a candidatura de candidatos de
esquerda a Presidente da República e a revogação do AI-
5.
QUESTÃO 40
Paralelamente à abertura da Transamazônica processa-se
o trabalho da colonização, realizado pelo INCRA (Insti-
tuto Nacional de Colonização e Reforma Agrári[A]. As
pequenas agrovilas se sucedem de vinte em vinte quilô-
metros à margem da estrada, e nos cem hectares que cada
colono recebeu são plantados milho, feijão e arroz. Já no
próximo mês começará a plantação de cana-de-açúcar,
cujas primeiras mudas, vindas dos canaviais de Sertãozi-
nho, em São Paulo, acabaram de ser distribuídas. Jovens
agrônomos, recém-saídos da universidade, orientam os
colonos... No meio da selva começam a surgir as agrovi-
las. Vindos de diferentes regiões do país, os colonos po-
voam as margens da Transamazônica e espalham pelo
chão virgem o verde disciplinado das culturas pioneiras.
Os pastos da região são excelentes.
Revista Manchete, 15 de abril de 1972.
Segundo o texto, é correto afirmar que a Transamazônica,
cuja construção se iniciou no regime militar (1964-1985),
representou, inclusive,
[A] um projeto para eliminar o controle nacional e estatal
dos recursos naturais da Amazônia, facilitando o avanço
de interesses britânicos na região.
[B] um esforço de ampliar as áreas de ocupação na Ama-
zônia e de construir a ideia de que se vivia um período de
avanço, integração e crescimento nacional.
[C] uma superação das dificuldades de comunicação e
deslocamento entre o Sul e o Norte do país, facilitando a
migração e permitindo plena integração entre os oceanos
Atlântico e Pacífico.
[D] uma tentativa de reaquecer a economia da borracha,
com a criação de rotas de escoamento rápido da produção
em direção aos portos do Sudeste.
[E] um projeto de utilização dessa estrada para delimitar
as fronteiras entre os estados da região.
QUESTÃO 41
Em 2015, completam-se 40 anos dacriação do ProÁl-
cool. Em 1975, o presidente brasileiro __________ deci-
diu criar um programa para estimular a produção de com-
bustível a partir __________. A intenção era encontrar
um substituto para __________, com o objetivo de redu-
zir as importações de __________, que estava com
preços elevados no mercado internacional.
Assinale a alternativa que preenche as lacunas do texto
na sequência correta.
[A] Getúlio Vargas – da cana-de-açúcar – o etanol – pe-
tróleo
[B] Ernesto Geisel – da cana-de-açúcar – a gasolina – pe-
tróleo
[C] Emílio Médici – do milho – a gasolina – álcool
[D] Ernesto Geisel – do milho – o etanol – petróleo
[E] Getúlio Vargas – da cana-de-açúcar – a gasolina –
álcool
QUESTÃO 42
Em 1º de abril de 1964, Miguel Arraes foi preso no Palá-
cio das Princesas pelo Coronel Castilho, que chefiava
uma missão do IV Exército, e transportado para Fernando
de Noronha.
DEBERT, Guita Grin. Ideologia e populismo: Adhemar
de Barros, Miguel Arraes, Carlos Lacerda, Leonel Bri-
zola. Rio de Janeiro: Centro Eldestein, p. 80.
Qual a principal motivação para a deposição de Miguel
Arraes do Governo de Pernambuco no contexto descrito?
[A] A forte oposição de Arraes ao governo de João Gou-
lart
[B] A perda do apoio dos grandes usineiros da cana-de-
açúcar
[C] O golpe civil-militar de 1964 com a doutrina de Se-
gurança Nacional
[D] As pressões dos movimentos sociais contrários às re-
formas econômicas
[E] O rompimento com as forças políticas de esquerda
que apoiavam o governo
QUESTÃO 43
A Operação Condor está diretamente vinculada às expe-
riências históricas das ditaduras civil-militares que se dis-
seminaram pelo Cone Sul entre as décadas de 1960 e
1980. Depois do Brasil (e do Paraguai de Stroessner), foi
a vez da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uru-
guai e Chile (1973) e Argentina (novamente, em 1976).
Em todos os casos se instalaram ditaduras civil-militares
(em menor ou maior medid[A] com base na Doutrina de
Segurança Nacional e tendo como principais característi-
cas um anticomunismo militante, a identificação do ini-
migo interno, a imposição do papel político das Forças
Armadas e a definição de fronteiras ideológicas.
PADRÓS, E. S. et al. Ditadura de Segurança Nacional
no Rio Grande do Sul (1964-1985): história e memória.
Porto Alegre: Corag, 2009 (adaptado).
Levando-se em conta o contexto em que foi criada, a re-
ferida operação tinha como objetivo coordenar a
[A] modificação de limites territoriais.
[B] sobrevivência de oficiais exilados.
[C] interferência de potências mundiais.
[D] repressão de ativistas oposicionistas.
[E] implantação de governos nacionalistas.
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
66
QUESTÃO 44
Esses cartazes, divulgados durante o regime militar bra-
sileiro, buscavam
[A] estimular o nacionalismo e o ufanismo, para ampliar
o apoio político ao governo.
[B] repudiar o passado nacional de subdesenvolvimento
e incentivar o empreendedorismo dos jovens empresá-
rios.
[C] contestar a oposição que, através da imprensa, afir-
mava que o país enfrentava uma crise financeira.
[D] valorizar as conquistas obtidas no setor esportivo,
apesar de o país atravessar período de alta inflacionária.
[E] mostrar à população que o país se tornara a principal
potência militar do planeta.
QUESTÃO 45
Analise os itens a seguir, considerando as características
do período brasileiro de exceção política iniciado em
1964:
I. práticas políticas repressivas;
II. reações dos movimentos de esquerda;
III. crises econômicas;
IV. massiva propaganda política do governo;
V. eleições diretas para os cargos eletivos.
Pode-se afirmar corretamente que correspondem às ca-
racterísticas do período brasileiro de exceção política ini-
ciado em 1964 somente os itens
[A] I, II e V.
[B] I, III, IV e V.
[C] II, III, IV e V.
[D] I, II, III e IV.
QUESTÃO 46
A chamada crise do Encilhamento, no final do século
XIX, foi provocada
[A] pela moratória brasileira da dívida contraída junto a
casas bancárias alemãs e italianas.
[B] pela crise da Bolsa de Valores, que não resistiu ao
surto especulativo do pós-Primeira Guerra Mundial.
[C] pelo fim da política de proteção à produção e expor-
tação de café, que enfrentava forte concorrência colom-
biana.
[D] pela emissão descontrolada de papel-moeda, que pro-
vocou especulação financeira e alta inflacionária.
[E] pelo encarecimento dos bens de primeira necessi-
dade, que eram majoritariamente importados dos Estados
Unidos.
QUESTÃO 47
Sobre o período da Primeira República (1889-1930), é
CORRETO afirmar que:
[A] os temas da nação e da cidadania ganharam centrali-
dade na Constituição de 1891, havendo atenção aos pro-
blemas sociais e à participação política, com leis traba-
lhistas e extensão significativa do direito ao voto.
[B] a violência e o risco de fraude nas eleições eram re-
duzidos - assim como a barganha política, a venda de vo-
tos e a dependência a chefes locais, havendo combate dos
expedientes ilícitos pelo Estado.
[C] havia um Estado forte e centralizador que limitava a
autonomia do poder estadual e garantia o controle sobre
a produção e comercialização dos principais produtos
agrícolas brasileiros.
[D] havia uma ordem liberal e uma organização federa-
tiva, o domínio político das oligarquias estaduais e a
força dos coronéis nos municípios, além de uma partici-
pação eleitoral restrita.
[E] houve a rejeição do capital externo na promoção da
urbanização das cidades brasileiras e também o incentivo
estatal à industrialização, que superou a fragilidade de
uma economia outrora dependente da agroexportação.
QUESTÃO 48
A Proclamação da República Brasileira inaugurou uma
nova ordem política no País. No que diz respeito à orga-
nização político-administrativa nos primeiros anos dessa
jovem república, assinale a afirmação FALSA.
[A] O centralismo, presente no período imperial, foi
substituído pelo federalismo, porém os estados não foram
dotados de autonomia financeira, administrativa ou polí-
tica.
[B] Os dois primeiros governos corresponderam à cha-
mada República da Espada, sob a hegemonia de militares
ligados ao exército.
[C] As transações políticas, na primeira república, não
envolveram somente o Partido Republicano em âmbito
nacional; também envolveram vários partidos de expres-
são regional ou estadual.
[D] O poder político passou a ser controlado pelas oligar-
quias rurais, embora tal fato não tenha ocorrido de ime-
diato após a Proclamação da República.
QUESTÃO 49
No início do século XX, os médicos brasileiros começa-
ram a alarmar-se com os índices crescentes da mortali-
dade infantil no Brasil. Atente ao que se diz acerca das
causas desse fenômeno.
I. O desinteresse e a negligência do Estado pela situação
das crianças abandonadas, bem como as péssimas
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
67
condições de higiene nas instituições assistenciais contri-
buíam para o agravamento da situação.
II. A hereditariedade patológica, a ignorância e a pobreza
eram os maiores fatores de mortalidade infantil, segundo
o discurso médico.
III. As famílias mal constituídas, desequilibradas, forma-
das por pais bêbados e de moral duvidosa poderiam dar
origem aos problemas infantis que evoluiriam para a
morte.
É correto o que se afirma em
[A] I e II apenas.
[B] I e III apenas.
[C] I, II e III.
[D] II e III apenas.
QUESTÃO 50
Sobre a Revolta da Chibata, assinale a alternativa cor-
reta.
[A] Embora os marinheiros revoltosos, homens negros
em sua maioria, tenham assumido o controle de grandes
embarcações de guerra, não souberam como manejá-las,
visto que somente oficiais de alta patente possuíam co-
nhecimento e domínio da tecnologia necessária para con-
duzir as embarcações de guerra.
[B]O governo não cedeu à pressão dos marinheiros re-
voltados e conseguiu dominar e prender todos os envol-
vidos. As principais lideranças foram fuziladas por for-
mação de motim, e os demais participantes foram enca-
minhados a campos de trabalho no extremo norte do país.
[C] O movimento foi liderado por um marinheiro negro,
João Cândido, único líder que conseguiu anistia do go-
verno e foi imediatamente liberado, uma vez que foi
quem intermediou as negociações de rendição dos mari-
nheiros.
[D] O movimento foi composto exclusivamente por ma-
rinheiros negros que exigiam o fim dos castigos corporais
e a criação de uma lei que penalizasse a discriminação
racial nas forças armadas.
[E] Além do fim do castigo corporal, o movimento exigia
melhoria na alimentação, criação de uma nova tabela de
serviços, que diminuísse o excesso de trabalho dos mari-
nheiros, e anistia para todos os envolvidos na revolta.
QUESTÃO 51
No contexto da Primeira República, emergiu o movi-
mento tenentista. No que diz respeito a esse movimento,
pode-se afirmar corretamente que
[A] foi um movimento político-militar que ganhou apoio
dos setores de alta patente do exército e eclodiu apenas
na capital federal.
[B] foi um movimento basicamente integrado por oficiais
de baixa patente, que trouxe à superfície a revolta da cor-
poração contra os baixos salários e precárias condições
de trabalho.
[C] assumiu uma conotação social explicitamente favo-
rável à democracia liberal e bem condizente com ações
democráticas no âmbito da corporação militar.
[D] apesar de não ter ocorrido qualquer levante ou ação
radical, os tenentes passaram a defender a instalação de
um governo forte e centralizado, capaz de promover a
salvação nacional.
QUESTÃO 52
O final dos anos 1920 e o início dos anos 1930 foram
marcados por uma crise financeira generalizada, agra-
vada pela quebra da bolsa de Nova York, que, no Brasil,
afetou mais fortemente a
[A] economia cafeeira.
[B] produção algodoeira.
[C] manufatura açucareira.
[D] indústria automobilística.
QUESTÃO 53
A “Revolução de 1930” foi um movimento que reuniu
grupos e lideranças de três diferentes estados que compu-
seram a chamada Aliança Liberal. Segundo FAUSTO
(2006), a classe média deu lastro a Aliança Liberal, mas
era por demais heterogênea e dependente das forças
agrárias [...]. Os vitoriosos de 1930 compunham um qua-
dro heterogêneo, tanto do ponto de vista social quanto
político. [...] A partir de 1930 ocorreu uma troca de elite
do poder sem grandes rupturas. Caíram os quadros oli-
gárquicos tradicionais; subiram os militares, os técnicos
diplomados, os jovens políticos e, um pouco mais tarde,
os industriais.
FAUSTO, B. História concisa do Brasil. 2. ed. São
Paulo: Edusp, 2006, p.182.
A partir da leitura do excerto acima, avalie as seguintes
afirmativas.
I. A “Revolução de 1930” inaugurou uma nova fase da
República brasileira, na qual o Estado, diferentemente do
que ocorreu na “República Velha” (1889-1930), buscou
sua legitimidade em classes médias e populares, e não nas
antigas oligarquias ligadas ao núcleo cafeeiro.
II. O excerto permite inferir que é preciso relativizar o
enquadramento do movimento de 1930 na ideia de “re-
volução”. As transformações decorrentes da troca de elite
do poder só seriam percebidas ao longo da “Era Vargas”.
III. A Aliança Liberal representava classes regionais não
associadas ao núcleo político e econômico cafeeiro.
Composta por Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraíba, a
Aliança depôs o presidente Washington Luís e colocou
Getúlio Vargas no poder.
Assinale a alternativa correta.
[A] Somente as afirmativas I e II estão corretas.
[B] Somente a afirmativa I está correta.
[C] Somente a afirmativa II está correta.
[D] Somente as afirmativas I e III estão corretas.
[E] Todas as afirmativas estão corretas.
QUESTÃO 54
A imagem a seguir é uma foto que retrata a marcha dos
“18 do Forte”, ocorrida em 5 de julho de 1922, quando o
Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi tomado du-
rante um levante militar.
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
68
Esse movimento está relacionado
[A] à indignação dos militares, em relação à política ex-
terna brasileira, considerada subserviente aos interesses
norte-americanos.
[B] à reação contra a chamada Coluna Prestes, que per-
corria o interior do Brasil combatendo as forças do exér-
cito.
[C] à repressão ao Partido Comunista Brasileiro, que aca-
bara de ser fundado por influência da Revolução Bolche-
vique.
[D] aos interesses das elites de São Paulo e Minas Gerais,
que estimulavam o levante contra o centralismo do Rio
de Janeiro.
[E] ao tenentismo, movimento nacionalista que propunha
reformas na estrutura do poder político oligárquico do
país.
QUESTÃO 55
Atente ao seguinte excerto: “Em 1912, o governador do
Estado de Santa Catarina, Vidal Ramos, advertia: ‘Nos-
sos caboclos do mato são fáceis de se fanatizar, e se for
exato o que se ouve, é necessária a ação enérgica’. Ele
considerava perigoso para o poder local o ajuntamento de
sertanejos pobres em torno do Curandeiro José Maria”.
MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do Contestado:
a formação e atuação de chefias caboclas (1912-1916).
Campinas: Editora da Unicamp, 2004.
Sobre o excerto acima, é correto afirmar que
[A] se refere à Guerra do Contestado, que, para a im-
prensa e autoridades militares, era uma reedição do fana-
tismo de Canudos.
[B] faz menção ao Movimento do Contestado, que foi um
movimento religioso, com características messiânicas, no
qual só ingressavam meninas virgens e meninos puros,
para a construção de uma Nova Jerusalém.
[C] trata do Movimento do Contestado, cujo líder foi José
Maria, um missionário franciscano alemão que atuou no
Planalto Catarinense entre 1890 e 1930.
[D] faz referência à Guerra do Contestado, cuja popula-
ção envolvida era muito religiosa, louvava a monarquia e
o retorno da Casa Real de Bragança ao trono brasileiro.
QUESTÃO 56
No anúncio, há referências a algumas das transformações
ocorridas no Brasil nos anos 1950 e 1960. No entanto,
tais referências omitem transformações que impactaram
segmentos da população, como a
[A] exaltação da tradição colonial.
[B] redução da influência estrangeira.
[C] ampliação da imigração internacional.
[D] intensificação da desigualdade regional.
[E] desconcentração da produção industrial.
QUESTÃO 57
Eleito em 1945, após o fim do Estado Novo, o presidente
Eurico Gaspar Dutra governou o país durante os primei-
ros anos da Guerra Fria. Sobre o seu governo, é incorreto
afirmar que
[A] a aliança política entre o Partido Social Democrático
(PSD), a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido
Republicano (PR) garantiu maioria folgada para a apro-
vação das principais matérias no parlamento.
[B] alinhou-se aos Estados Unidos, rompeu relações di-
plomáticas com a União Soviética e cassou o registro do
Partido Comunista Brasileiro (PCB).
[C] pautou-se por uma postura repressiva: proibiu greves,
decretou intervenção em sindicatos e fechou a Confede-
ração Geral dos Trabalhadores do Brasil.
[D] pôs fim à época de ouro dos cassinos no país, ao pro-
ibir os jogos de azar em nome da moral e dos bons costu-
mes, com o apoio dos principais jornais do Distrito Fede-
ral.
[E] a nova Constituição, promulgada em 1946, favoreceu
o poder arbitrário do Executivo e restringiu as atribuições
do Congresso.
QUESTÃO 58
A imagem a seguir representou um momento histórico
para o Brasil e, do ponto de vista do desenvolvimento
energético brasileiro, está vinculada à (ao):
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
69
[A] Criação da CSN, em Volta Redonda, nos anos 1940.
[B] Estabelecimento do Plano de Metas nos anos 1950.
[C] Fundação do BNDES, nos anos 1940.
[D] Inauguraçãode Itaipu, nos anos 1970.
[E] Criação da Petrobrás, nos anos 1950.
QUESTÃO 59
A Marcha da família com Deus pela liberdade:
“Movimento surgido em março de 1964 e que consistiu
em uma série de manifestações, ou "marchas", organiza-
das principalmente por setores do clero e por entidades
femininas em resposta ao comício realizado no Rio de Ja-
neiro, em 13 de março de 1964, durante o qual o presi-
dente João Goulart anunciou seu programa de reformas
de base.”
Adap. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/producao/dos-
sies/Jango/artigos/AConjunturaRadicalizacao/A_mar-
cha_da_familia_com_Deus acessado em: 12/08/2015.
Assinale a alternativa correta sobre a Marcha da família
com Deus pela liberdade.
[A] Mostrou o protagonismo do movimento feminista e
da contracultura, em especial a Campanha da Mulher
pela Democracia (Camde, a União Cívica Feminina e a
Fraterna Amizade Urbana e Rural).
[B] Congregou segmentos das classes populares, em es-
pecial sem tetos e operários da indústria, em parceria com
a Federação do Centro das Indústrias do Estado de São
Paulo (FIESP).
[C] Tinha como meta propagar a ideia de liberdade reli-
giosa e de liberdade sexual.
[D] Contou com a aliança, de setores de esquerda da
igreja católica e da juventude estudantil de classe média,
contra o conservadorismo da sociedade Brasileira.
[E] Era favorável à deposição do presidente eleito João
Goulart e teve papel importante no Golpe Militar de
1964.
QUESTÃO 60
“Os anos 50 destacam-se (...) como um período estraté-
gico para a constituição de partidos políticos no Brasil
como organizações de massa, o que significa tanto um
esforço organizacional interno em bases mais modernas,
quanto uma atuação agressiva na área do alistamento
eleitoral, ou seja, na produção de cidadãos com efetivo
direito de voto.”
(GOMES, Angela de Castro. Trabalhismo e democracia:
o PTB sem Vargas. In: Vargas e a crise dos anos 50. Rio
de Janeiro: Relume-Dumará, 1994. p. 158. Adaptação.).
No segundo governo de Getúlio Vargas, qual partido se
destacou como o principal inimigo do trabalhismo e de
suas lideranças, vinculadas ao Partido Trabalhista Brasi-
leiro?
[A] Partido Social Democrático.
[B] União Democrática Nacional.
[C] Partido Comunista Brasileiro.
[D] Partido Republicano Paulista.
[E] Partido Republicano Liberal.
QUESTÃO 61
Em 1955, foram eleitos Juscelino Kubitschek (JK), para
presidência da República, e João Goulart, para a vice-pre-
sidência.
Com relação ao contexto dessas eleições e ao governo
JK, considere as seguintes afirmações.
I. Descontentes com o resultado das eleições, Carlos La-
cerda e políticos ligados à União Democrática Nacional
(UDN) tentaram impugnar as eleições, gerando uma crise
política que ativou setores golpistas da sociedade civil e
das forças armadas.
II. O Plano de Metas previa investimentos do Estado em
infraestrutura, visando à modernização social e ao desen-
volvimento do setor industrial.
III. O governo de JK caracterizou-se por instabilidade po-
lítica, devido à inexistência de maioria parlamentar no
Congresso, o que acabou atrasando a construção de Bra-
sília.
Quais estão corretas?
[A] Apenas I.
[B] Apenas III.
[C] Apenas I e II.
[D] Apenas II e III.
[E] I, II e III.
QUESTÃO 62
No que diz respeito à participação do Brasil na Primeira
Guerra Mundial (1914-1918), é correto afirmar que
[A] com a eclosão do conflito, em 1914, o governo bra-
sileiro foi obrigado a intervir, logo em 1915, em virtude
dos ataques à costa brasileira.
[B] o Brasil participou ativamente do início ao final do
conflito, em virtude das pressões que sofreu da Inglaterra,
de quem era aliado desde o início do século XIX.
[C] submarinos alemães torpedearam vários navios bra-
sileiros, porém, após o torpedeamento do paquete Paraná
em 1917, o Brasil entrou definitivamente no conflito.
[D] o Brasil participou do conflito realizando operações
de patrulhamento no Atlântico Sul e enviando matéria-
prima e suprimentos aos aliados.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, considere o
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
70
texto abaixo.
O universo ficcional de Machado de Assis é povoado pe-
los tipos sociais que se mesclavam na sociedade flumi-
nense do século XIX: proprietários, rentistas, comercian-
tes, homens pobres mas livres e escravos. Cruzam seus
interesses e medem-se em seus poderes ou em sua falta
de poder. É essa a configuração das personagens das
obras-primas Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom
Casmurro. A tragédia do negro escravizado está exposta
em contos violentos, e o capricho dos senhores proprie-
tários dá o tom a narradores como Brás Cubas e Bento
Santiago, o Bentinho, que contam suas histórias de modo
a apresentar com ar de naturalidade a prática das violên-
cias pessoais ou sociais mais profundas.
(TÁVOLA, Bernardim da. Inédito).
QUESTÃO 63
A tragédia do negro escravizado, no Brasil, deixou mar-
cas profundas na sociedade brasileira. Durante a primeira
República a maioria absoluta da população negra conti-
nuou excluída da vida política, tendo colaborado para
essa exclusão o fato de que
[A] a legislação republicana oficializou medidas segrega-
cionistas em nível nacional.
[B] a população negra livre não era contemplada pelo sis-
tema clientelista.
[C] os negros optaram por permanecer no campo, não se
inserindo nas cidades.
[D] os analfabetos, mendigos e soldados não podiam vo-
tar.
[E] as organizações políticas ou culturais que agregassem
negros eram proibidas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, considere o
texto abaixo.
Contraditoriamente, foi o patrocínio da fração mais euro-
peizada da aristocracia rural de São Paulo, aberta às in-
fluências internacionais, que permitiu o florescimento
das inovações estéticas. O café pesou mais do que as in-
dústrias. Os velhos troncos paulistas, ameaçados em face
da burguesia e da imigração, se juntaram aos artistas
numa grande “orgia intelectual”, conforme a definição de
Mário de Andrade. Segundo ele, “foi da proteção desses
salões literários [promovidos pela aristocracia rural] que
se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movi-
mento modernista.”
(MARQUES, Ivan. Cenas de um modernismo de provín-
cia.
São Paulo: Editora 34, 2011, p. 11)
QUESTÃO 64
Considere os itens abaixo.
I. O desenvolvimento da cafeicultura exigiu o surgimento
de uma série de atividades complementares, tais como
ferrovias, bancos, empresas de seguro, de navegação flu-
vial etc.
II. A imigração contribuiu para o incremento da urbani-
zação, a ampliação do mercado interno, além de propor-
cionar mão de obra especializada.
III. A Primeira Guerra Mundial, ao dificultar as importa-
ções, estimulou a produção interna de artigos manufatu-
rados.
Os fenômenos a que os itens se referem
[A] foram causados pela elevação das taxas alfandegárias
sobre as importações, para proteger a indústria brasileira,
a partir do século XX.
[B] contribuíram para a acumulação primitiva e o desen-
volvimento da indústria de base, responsável pela criação
da tecnologia nacional.
[C] resultaram de uma política econômica, que, por meio
de incentivos fiscais, favoreceu a criação de um polo in-
dustrial no Sudeste.
[D] provocaram o crescimento do setor industrial e o in-
gresso maciço de capitais estrangeiros, a partir da queda
da oligarquia cafeeira.
[E] incentivaram o desenvolvimento industrial e a diver-
sificação da economia brasileira, a partir da primeira dé-
cada do século XX.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, considere o
texto abaixo.
A década de 1960 também representou um período de
grande renovação no âmbito da literatura latino-ameri-
cana. Foram os chamados anos do boom, quando uma
safra de escritores ganhou projeçãointernacional, especi-
almente em virtude de obras que exploram o gênero do
realismo mágico (...) A Revolução Cubana, sobretudo em
seus primeiros tempos, irradiou ideais e conquistou sim-
patias (...)
(PRADO, Maria Ligia e PELLEGRINO, Gabriela. His-
tória da América Latina.
São Paulo: Contexto, 2014, p. 192; 194)
QUESTÃO 65
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
71
No período de 1964 a 1985, a estratégia do Regime Mili-
tar abordada na charge foi caracterizada pela
[A] priorização da segurança nacional.
[B] captação de financiamentos estrangeiros.
[C] execução de cortes nos gastos públicos.
[D] nacionalização de empresas multinacionais.
[E] promoção de políticas de distribuição de renda.
QUESTÃO 66
De 1964 a 1985, o Brasil viveu o período denominado de
Ditadura Militar. De acordo com Fausto (1999, p. 513):
“Outra noção associada ao regime militar é o autorita-
rismo. De fato, o regime não teve características fascis-
tas: não se realizaram esforços para organizar as massas
em apoio ao governo; não se tentou construir o partido
único acima do Estado, nem uma ideologia capaz de ga-
nhar os setores letrados”. Ainda assim, de acordo com o
autor: “Quem manda agora não são os políticos profissi-
onais, nem o Congresso é uma instância decisória impor-
tante”. Tendo em vista o texto acima, marque a alterna-
tiva CORRETA sobre o Regime Militar no Brasil.
[A] O regime militar utilizou-se amplamente do popu-
lismo, ou seja, a classe operária continuou sendo utilizada
como um recurso de poder.
[B] As classes estudantil e camponesa não perderam
força política e de protesto neste período: as manifesta-
ções dessas classes não só eram permitidas como também
não eram reprimidas.
[C] Durante a Ditadura Militar brasileira, o poder de
mando estava nas mãos da alta cúpula militar, que utili-
zava os órgãos de informação e de repressão para a ma-
nutenção do regime militar.
[D] O Estado não se utilizou de uma burocracia técnica
para governar.
[E] Os militares atuaram em bloco e coesos na arena po-
lítica brasileira, não havendo divergências políticas entre
eles.
QUESTÃO 67
O Movimento Tenentista foi um dos principais fatores de
desestabilização da República Velha. Sobre esse movi-
mento, é INCORRETO afirmar que
[A] foi provocado pelo descontentamento da baixa ofici-
alidade do Exército com suas condições de trabalho e
com o sistema político do período, baseado no controle
do poder pelas elites agrárias do País.
[B] pregou, entre outras medidas, o voto secreto, a inde-
pendência do Poder Judiciário e um Estado mais centra-
lizado no Governo Federal.
[C] caracterizou-se pela formação de Colunas, como a
Coluna Prestes, agrupamentos militares rebeldes que
atravessaram o País, procurando mobilizar a população
contra o Governo Federal.
[D] opôs-se à Aliança Liberal e à Revolução de 30, pois
a maioria de seus integrantes via, em Getúlio Vargas e no
grupo que ascendeu ao poder com ele, a continuidade dos
mesmos vícios políticos do regime anterior.
[E] teve, como principais líderes: Eduardo Gomes, um
dos heróis da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana;
Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, comandantes da fa-
mosa Coluna Miguel Costa-Prestes.
QUESTÃO 68
Atente às seguintes afirmações acerca do Movimento
Tenentista no Brasil.
I. O Tenentismo surgiu entre militares, especialmente en-
tre os militares de baixa patente.
II. Os Tenentes, de modo geral oriundos das camadas mé-
dias da população, defendiam a moralização da vida po-
lítica.
III. Nos anos 1920, organizaram várias ações militares,
entre elas o chamado Levante de Copacabana.
IV. Os Tenentistas pretendiam um governo comunista e
exigiram, a partir de 1922, que seus líderes se filiassem
ao PCB (Partido Comunista Brasileiro).
Está correto o que se afirma apenas em
[A] I e IV.
[B] I, II e III.
[C] II e III.
[D] III e IV.
QUESTÃO 69
Durante o período conhecido por “República Velha”,
para assegurar a manutenção do controle das oligarquias
sobre a vida política do país foi criada pelo(a)(s)
[A] Congresso Nacional a Comissão de Verificação de
Poderes.
[B] Governo Federal a Guarda Nacional, composta de
grandes proprietários rurais, que recebiam o título de co-
ronéis.
[C] presidentes estaduais, verdadeiros exércitos que im-
punham a vontade popular contra a vontade política dos
governantes.
[D] Presidente da República, Prudente de Morais, pri-
meiro presidente civil e paulista, a política café com leite.
[E] Constituição dos Estados Unidos do Brasil, o voto de
cabresto, que permitia transparência na escolha dos can-
didatos por parte do eleitor.
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
72
QUESTÃO 70
Observe a seguinte figura:
O mapa acima mostra a trajetória percorrida pela Coluna
Prestes, uma das manifestações mais importantes do mo-
vimento tenentista. Sobre o movimento, é INCOR-
RETO afirmar:
[A] Foi um movimento militar que fazia críticas à repú-
blica oligárquica, exigindo dela algumas reformas políti-
cas, como o voto secreto e o fim das fraudes eleitorais.
[B] O movimento também teve, entre suas manifesta-
ções, a revolta do Forte Copacabana, no Rio de Janeiro,
e a Revolta de 1924, em São Paulo.
[C] Os tenentes lutavam pela implantação do comunismo
no Brasil, por terem sido influenciados pela Revolução
Russa.
[D] Um dos maiores líderes do movimento foi Luiz Car-
los Prestes, um dos dirigentes da Coluna.
[E] O movimento tenentista se acirrou a partir da derrota
de Nilo Peçanha, candidato pela Reação Republicana
para a candidatura de Artur Bernardes.
QUESTÃO 71
Jesuíno Alves de Melo Calado foi o boiadeiro romântico,
espécie matuto de Robin Hood, adorado pela população
pobre, defensor dos fracos, dos velhos oprimidos, das
moças ultrajadas, das crianças agredidas. Sua fama ainda
resiste, indelével, num clima de simpatia irresistível. Cer-
tas injustiças acontecem porque Jesuíno não existe mais.
Uma justificação do prestígio natural de Jesuíno Bri-
lhante para os sertanejos seria o horror ao ladrão. Não
roubava e o seu bando era rigorosamente vigiado para
respeitar o décimo mandamento. Recebia o que lhe da-
vam e, às vezes, pedia. Era auxiliado pela multidão dos
admiradores, nada lhe faltando e mesmo possuía recursos
de lavoura e gado.
(Trindade, 2010 in: Nonato, 1998, p. 86.)
Nascido em Patu, no Rio Grande do Norte, em 1844, e
morto num tiroteio, em 1879, Jesuíno Brilhante, foi um
legítimo representante de um movimento de banditismo
social característico da Primeira República Brasileira
(1889-1930), que assolou o Nordeste brasileiro conhe-
cido como
[A] Chibata.
[B] Cangaço.
[C] Canudos.
[D] Contestado.
QUESTÃO 72
Em 2014, completaram-se 60 anos da morte de Getúlio
Vargas. Político de muitas facetas, a figura de Vargas
ainda reflete muitas discussões políticas na atualidade,
como podem atestar as diversas publicações que abordam
seus governos.
Acerca do seu último governo (1951/1954), todas as al-
ternativas estão corretas, exceto a:
[A] O nacionalismo, defendido por Getúlio Vargas em
seu governo, teve como ápice a campanha “o petróleo e
nosso” e a criação da Petrobras, em 1953. Para Vargas, o
petróleo era uma questão central para o desenvolvimento
e autonomia do país.
[B] Sobre a questão indígena no Brasil, Vargas deu um
passo importante ao criar o Parque Nacional do Xingu,
delimitando uma grande área para as populações indíge-
nas.
[C] O plano SALTE, criado por Getúlio Vargas, previa
investimentos nacionais em setores da saúde, alimenta-
ção, transporte e energia. A aprovação deste plano estava
tramitando no Congresso Nacional quando Vargas come-
teu suicídio.
[D] Uma das crises políticas de seu governo está ligada
aos aumentos do salário mínimo. Vargas chegou a au-
mentar o salário mínimoem já que o mesmo es-
tava bastante defasado em virtude da inflação.
QUESTÃO 73
(...) Primeiro, o partido (PC[B] foi posto fora da lei, os
comunistas perseguidos, todo aquele movimento estu-
dantil perseguido, a UNE foi incendiada, logo todas
aquelas atividades foram por água abaixo, uma perse-
guição muito grande. Por outro lado, os projetos pesso-
ais também, eu mesma, estudava Química nessa época, e
me formei nesse ano de 64. Já tinha feito prática, estágio,
na fábrica de borracha da Petrobrás (...). Mas, aí, tudo
isso foi por água abaixo. Porque, inclusive, todas as pes-
soas de esquerda que trabalhavam na Petrobrás foram
postas para fora, expulsas ou presas. Foi assim, uma re-
viravolta total na vida, não só na minha como daquele
pessoal que estava participando do movimento na época,
foi muito impactante realmente.
PRESTES, Anita. Depoimento concedido ao projeto
“Marcas da Memória: História Oral da Anistia no Bra-
sil”, 29 jun 2012. In: Revista Anistia Política e Justiça de
Transição, n. 6. Brasília: Ministério da Justiça, 2012, p.
179-180.
Filha de personagens importantes da história política bra-
sileira – Luís Carlos Prestes e Olga Benário, Anita
100%
C H Q O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
73
Prestes relembra o Golpe de 1964. Com base em seu de-
poimento, NÃO é correto afirmar que
[A] os partidos políticos foram colocados na ilegalidade.
[B] o movimento estudantil recuou frente à repressão po-
licial.
[C] a vida pessoal dos cidadãos brasileiros permaneceu
inalterada.
[D] as empresas estatais foram atingidas pela perseguição
política.
[E] a indústria da borracha deixou de receber investimen-
tos públicos.
QUESTÃO 74
Em julho de 1959, em uma palestra no Clube Militar, no
Rio de Janeiro, o presidente Juscelino Kubitschek expôs
alguns aspectos de seu arrojado Plano de Metas, por ele
apelidado de “50 anos em 5”.
Esse conjunto de medidas integrava um projeto de desen-
volvimento nacional que:
[A] não resultou em qualquer mudança no cenário eco-
nômico nacional, a despeito da divulgação na mídia e da
bem estruturada propaganda do governo sobre sua neces-
sidade de implantação.
[B] reafirmava a vocação agrária nacional, estimulando a
exportação de bens primários, razão pela qual investiu na
construção de estradas para o escoamento da produção.
[C] concebia o investimento estatal em setores básicos da
economia e a gestão dos recursos naturais sob o ponto de
vista nacionalista, mas não rejeitou a entrada de capitais
estrangeiros no país.
[D] não se preocupou com o desenvolvimento do Nor-
deste, pois tinha como meta principal a transferência da
capital federal para Brasília, uma cidade construída a par-
tir da estaca zero na região central do país.
[E] restringiu as emissões de papel moeda e impôs o con-
trole de preços, conseguindo, assim, contornar o grave
problema da inflação que assolava o país há muitos anos.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Observe a imagem e leia o texto para responder à(s)
quest(ões):
"Os efeitos políticos do suicídio de Getúlio Vargas
(1882-1954), que hoje completa 60 anos, já se dissiparam
há muito tempo, mas o ato continua a reverberar pela sin-
gularidade. Num homem tão racional e metódico, mesmo
os lances da paixão foram comedidos pelo cálculo. Psi-
cologia à parte, o extraordinário nesse suicídio é seu al-
cance político — num derradeiro passe de mágica o velho
prestidigitador inverte a maré, derrota os inimigos
quando mal haviam aberto o champanhe e se consagra na
memória popular, comandando seu vasto eleitorado por
algumas décadas desde o além-túmulo."
Otavio Frias Filho. “Mil disfarces de Getúlio Vargas con-
vergem num gesto de coerência”,
in Folha de S. Paulo, 24.08.2014. Adaptado.
QUESTÃO 75
O suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, foi pro-
vocado, entre outros fatores,
[A] pela campanha contrária a seu governo unanime-
mente desenvolvida pela imprensa escrita, pela dificul-
dade de articular uma candidatura de sucessão e pelas re-
centes derrotas eleitorais de seu partido político.
[B] pela perda do apoio do operariado, pela oposição dos
sindicatos e das centrais operárias e pela insatisfação po-
pular com a criação da legislação trabalhista.
[C] pelas dificuldades políticas e econômicas enfrentadas
durante o mandato, pela forte oposição parlamentar e
pela crise provocada pelo atentado contra um de seus ad-
versários políticos.
[D] pela reação popular a seu governo ditatorial, pelas
pressões internacionais pela redemocratização e pela
perda do apoio político da burguesia nacionalista.
[E] pelas reações contrárias a seu projeto de abertura do
país ao capital estrangeiro, pelo aumento significativo da
dívida externa e pela crise com os setores militares após
o chamado Comício da Central.
Gabarito comentado
Resposta da questão 1: [E]
A ideia exposta no texto é bastante clara: a mulher deve entender sua
posição e suas funções no âmbito do casamento e dentro do lar. Sendo
assim, defendia-se os ideais de atuação privada e doméstica das mulhe-
res.
Resposta da questão 2: [A]
As afirmativas [III] e [IV] fizeram parte da Era Vargas (1930 a 1945),
e não da Primeira República (1889 a 1930).
C H Q A O / H i s t ó r i a d o B r a s i l
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Resposta da questão 3: [C]
As afirmativas [II] e [III] fazem parte do projeto político defendido por
Carlos Lacerda, conhecido como Liberalismo Conservador. Já as afir-
mativas [I] e [IV] fazem parte do projeto defendido por Vargas.
Resposta da questão 4: [A]
Assim como boa parte da população, a Igreja Católica também apoiou
o Golpe Militar, em 1964, devido ao medo da ascensão do Comunismo
no Brasil. Mas, a partir de 1968, devido à institucionalização do AI-5 e
a violência imposta por ele, a Igreja passou a contestar os atos do Re-
gime.
Resposta da questão 5: [C]
O recente governo republicano brasileiro, naquela data (1922), buscava
construir uma nova memória de identidade nacional através da supres-
são do passado imperial e da valorização de ícones e personagens repu-
blicanos. Por isso a referência à Inconfidência Mineira e à Revolução
Pernambucana no Memorial da Independência.
Resposta da questão 6:[E]
A Guerra de Canudos, ocorrida na Bahia a partir de 1896, foi um mo-
vimento messiânico comandado por Antônio Conselheiro e ocorreu, em
especial, devido às péssimas condições políticas, econômicas e sociais
do Nordeste brasileiro.
Resposta da questão 7: [B]
O texto diz respeito ao projeto de reurbanização da cidade do Rio de
Janeiro, pedido do presidente Rodrigues Alves ao prefeito Pereira Pas-
sos, numa tentativa clara de tornar a Capital da República uma cidade
mais europeizada.
Resposta da questão 8: [D]
Ao afirmar que, desde há muito, o fator “voto” havia sido eliminado em
Bruzundanga, Lima Barreto fez referência ao sistema eleitoral da Re-
pública Oligárquica no Brasil. Tal sistema era manipulado pelo Coro-
nelismo, o que fazia com que os políticos não precisassem necessaria-
mente do voto para se eleger.
Resposta da questão 9: [C]
A Revolução de 1930 começou a ser costurada a partir dos Movimentos
Tenentistas, encorpados ao longo da década de 1920, através do qual os
tenentes brasileiros passaram a questionar vários aspectos da política
oligárquica brasileira, e ganhou corpo definitivo a partir do rompimento
da Política do Café-com-Leite por parte de São Paulo, através da indi-
cação de Júlio Prestes para a sucessão de Washington Luís. Diante
disso, a oligarquia mineira se uniu a outras oligarquias, formando a Ali-
ança Liberal, base política e social para a Revolução.
Resposta da questão 10: [D]
Apesar da articulação da Aliança Liberal, Vargas foi derrotado por
Prestes em 1930, numa eleição marcada pelas fraudes, grande costume
da República Oligárquica. Depois dessa derrota, Vargas e seus aliados
articularam o Golpe de 1930.
Respostada questão 11:[B]
A charge denunciava um dos maiores problemas da política brasileira
durante a República Oligárquica: a manipulação eleitoral por parte dos
coronéis. Dentre outros fatores, tal manipulação era facilitada pelo fato
de que o voto não era secreto e, sim, aberto, de acordo com a Constitui-
ção de 1891.
Resposta da questão 12: [C]
O desenvolvimentismo de JK, estabelecido através do Plano de Metas,
promoveu o crescimento industrial brasileiro e a construção de Brasília,
mas, ao mesmo tempo, aumentou a dívida externa brasileira, o que afe-
tou negativamente os índices inflacionários na economia, o que causou
problemas à economia do país.
Resposta da questão 13: [C]
Os feitos destacados na alternativa [C] pertencem ao segundo governo
de Getúlio Vargas (1950-1954).
Resposta da questão 14: [E]
A defesa de obtenção de recursos no exterior fica clara nos seguintes
trechos dos programas: “(...) é indispensável manter clima propício à
entrada de capitais estrangeiros (...)” (PS[D] e “(...) apelar para o ca-
pital estrangeiro (...)” (UDN).
Resposta da questão 15: [A]
Ao destacar que “em todos esses casos, confirma-se a hipótese de que
direitos instituídos ou garantias das convenções coletivas, respaldadas
pela Justiça do Trabalho, não significavam conquistas materiais às
quais os trabalhadores tivessem acesso líquido e certo” o texto nos
mostra um claro descompasso entre a legislação vigente e os ganhos
reais dos trabalhadores.
Resposta da questão 16: [A]
O texto relata o uso da eletricidade e da siderurgia. Logo, trata-se da
Segunda Revolução Industrial. Cronologicamente, no Brasil, em fins
do século XIX, fazia-se a transição entre o Segundo Reinado e a Pri-
meira República.
Resposta da questão 17: [D]
JK e seu vice, João Goulart, precisaram da ajuda da Campanha de Le-
galistas militares para confirmarem sua vitória do pleito eleitoral de
1955. Uma vez no poder, JK pôs em prática seu Plano de Metas, que
previa que o país cresceria 50 anos em 5.
Resposta da questão 18: [A]
O coronel do Brasil oligárquico era o grande senhor de terra que detinha
o poder político, econômico e social nas cidades, interferindo, inclu-
sive, nos processos eleitorais através do voto de cabresto e das fraudes.
Resposta da questão 19:[C]
Apesar de promoveram o chamado nacional-desenvolvimentismo, Var-
gas e JK apostaram em políticas econômicas diferentes: Vargas era a
favor do Nacionalismo Econômico e JK apostava na abertura da econo-
mia ao capital estrangeiro para alavancar o crescimento industrial do
país.
Resposta da questão 20:[C]
O governo militar, através dos Atos Institucionais – em especial o AI-5
– estabeleceu uma organização de governo amparada na legalidade da
censura, da tortura e da repressão. E toda a sociedade estava sujeita à
repressão imposta pelo governo, desde que se manifestasse contra o
mesmo.
Resposta da questão 21: [A]
Os agentes proclamadores da República buscaram forjar novos heróis
nacionais para legitimar o novo regime. Dentre os heróis escolhidos es-
tava Tiradentes, cuja figura, para ser exaltada, foi aproximada da ima-
gem crística e colocada como defensora da soberania nacional.
Resposta da questão 22: [D]
Assim como já havia feito no Segundo Reinado, o governo brasileiro
incentivou, no início do século XX, a vinda de imigrantes para trabalhar
nas lavouras de café do Vale do Paraíba, uma vez que a abolição da
escravatura, em 1888, diminuiu bastante a mão de obra. Dentre os imi-
grantes atraídos, houve um significativo número de japoneses em busca
de melhores condições de vida fora do Japão.
Resposta da questão 23: [A]
O tenentismo foi um movimento criado por jovens oficiais do Exército
brasileiro. Tais oficiais estavam insatisfeitos como o governo republi-
cano oligárquico e queriam promover várias reformas políticas no país.
Resposta da questão 24: [B]
Podendo ser incluída nas revoltas da República Oligárquica, a Greve
Geral de 1917 expôs, além das péssimas condições de trabalho nas fá-
bricas brasileiras, a significativa entrada de ideais socialistas e anarquis-
tas no país. Após tal Greve, os operários brasileiros conseguiram alguns
poucos direitos trabalhistas.
Resposta da questão 25: [D]
Canudos e Contestado ocorreram devido às péssimas condições de vida
na Bahia e em Santa Catarina, respectivamente, e tiveram líderes mes-
siânicos, ou seja, que eram vistos como salvadores por seus seguidores:
Antônio Conselheiro e José Maria.
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Resposta da questão 26: [A]
A construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré representou o pro-
gresso da região amazônica a partir da exploração da borracha, mas
contrastou com grandes problemas médicos, uma vez que surtos de ma-
lária e febre-amarela assolavam a região.
OBS.: A febre amarela pode ser transmitida por dois vetores: nas zonas
urbanas, pelo mosquito Aedes; Nas zonas de mata, pelo mosquito Ha-
emagogus. Logo, o vetor da doença seria do gênero Haemagogus, uma
vez que o mosquito do gênero Aedes só transmite a doença nas áreas
urbanas.
Resposta da questão 27: [A]
O segundo governo de Vargas entra em crise, em 1954, após o famoso
“atentado da Rua Toneleiros”, no qual Carlos Lacerda é ferido e um
Major da Aeronáutica é morto. Pressionado, então, pela UDN, pelos
militares e por parte da elite, Vargas tira a própria vida em 24 de agosto
de 1954.
Resposta da questão 28: [B]
O plebiscito votado em 1963 questionava a população sobre o regime
de governo que deveria vigorar no país: presidencialista ou parlamen-
tarista. O plebiscito veio à tona após a renúncia de Jânio Quadros, em
1962, e a formação de um governo parlamentarista para governar o país
enquanto se discutia a posse ou não do vice João Goulart. Goulart era
rejeitado por parte da população brasileira devido aos seus ideais de
reforma social.
Resposta da questão 29: [C]
Apesar do desenvolvimentismo promovido por JK durante seu governo,
as diferenças entre as zonas urbanas e as zonas rurais se acentuaram do
Brasil da década de 1950. Isso ocorreu, em grande parte, porque JK
concentrou seus esforços de modernização nas cidades, deixando o
campo de lado.
Resposta da questão 30: [C]
O suicídio de Vargas foi fundamental para adiar qualquer tentativa de
golpe político no Brasil, pelo menos até 1964. O que parecia iminente
em 1954, numa união entre as forças conservadoras da UDN e as forças
armadas brasileiras que ameaçava retirar Vargas do poder à força, foi
por água abaixo devido à comoção popular que o suicídio de Vargas e
sua Carta Testamento causaram no país.
Resposta da questão 31: [B]
Boa parte das realizações de JK – em especial o investimento industrial
e a construção de Brasília – foi feita com vultuosos empréstimos advin-
dos do exterior, o que elevou a dívida externa brasileira e levou nossa
inflação a níveis altíssimos.
Resposta da questão 32: [D]
A partir do governo de Dutra (1946-1950), o Brasil alinhou-se com os
EUA no contexto da Guerra Fria e, por isso, o Partido Comunista foi
colocado na ilegalidade e os candidatos eleitos por tal partido nas elei-
ções de 1946 tiveram seus mandatos cassados.
Resposta da questão 33: [E]
A Política dos Governadores era uma aliança entre as três esferas de
poder: federal, estadual e local. A aliança previa ajuda mútua em troca
da obtenção de interesses políticos, em especial a eleição para os gover-
nos dos Estados de candidatos indicados pelo Presidente da República.
Para garantir essas eleições, cabia aos coronéis estabelecer, nos muni-
cípios, uma rede de manipulação eleitoral que contava com fraudes e
ameaças.
Resposta da questão 34: [A]
O governo de JK fez grande campanha para que ocorresse a migração
interna de pessoas para trabalhar na construção de Brasília. Mas, uma
vez pronta, a cidade não planejava absorver essas pessoas, que tiveram
que ocupar as periferias e acabaram por fundaras chamadas cidades-
satélites de Brasília.
Resposta da questão 35:[A]
O Plano de Metas de JK pretendia fazer o Brasil crescer 50 anos em 5
por meio de investimentos em infraestrutura e industrialização. Para
cumpri-lo, JK abriu a economia ao capital estrangeiro em busca de
investimentos empresariais. Ocorria, assim, o Nacional Desenvolvi-
mentismo baseado em investimentos estrangeiros.
Resposta da questão 36: [A]
O AI-5, sancionado em 1968, inaugura os chamados Anos de Chumbo
no Brasil. Tal Ato Institucional foi criado para punir qualquer tentativa
de oposição ao governo militar, fosse de parlamentares ou de cidadãos
comuns. As prerrogativas do AI-5 vigoraram no país até 1978.
Resposta da questão 37:[C]
A afirmativa [I] está incorreta porque o movimento revolucionário a
que Vargas faz referência é a Revolução de 1930.
A afirmativa [II] está incorreta porque o governo de Vargas não foi
completamente democrático, devido à instalação do Estado Novo, em
1937.
Resposta da questão 38: [C]
O período mencionado pela questão – entre 1985 e 1989 – corresponde
ao governo de José Sarney. No qual foi comum a presença de políticos
que fizeram carreira durante a Ditadura – o próprio Sarney, ACM, Paulo
Maluf, Ulysses Guimarães, entre outros – nos círculos políticos.
Resposta da questão 39:[A]
Problemas inerentes ao próprio sistema – como a crescente crise eco-
nômica e as pressões sociais e populares pelo fim do regime – foram
responsáveis pela queda da ditadura militar.
Resposta da questão 40: [B]
Durante o chamado Milagre Econômico, o governo ditatorial brasileiro
buscou passar à população brasileira uma imagem de avanço, cresci-
mento e unidade nacional. Sendo assim, a construção da Transamazô-
nica enquadra-se nessa lógica.
Resposta da questão 41:[B]
A questão faz referência ao projeto do Proálcool criado em 1975 no
governo militar do presidente Geisel. A ideia era criar um motor de
carro movido a etanol produzido pela cana de açúcar considerando que
o preço da gasolina oscilava muito por conta dos conflitos no Oriente
Médio. A década de 1970 foi caracterizada pelas duas crises do petró-
leo, 1973 e 1979 gerando a necessidade de criar combustíveis alternati-
vos.
Resposta da questão 42: [C]
Miguel Arraes, assim como qualquer brasileiro, político ou não, que
fosse contrário ao Regime Militar, foi perseguido e punido pela Dita-
dura através da sua Doutrina de Segurança Nacional.
Resposta da questão 43: [D]
A Operação Condor foi criada em conjunto pelos órgãos de segurança
dos países que compunham o chamado Cone Sul com o objetivo de in-
vestigar, vigiar e punir qualquer atividade de oposição aos governos
militares.
Resposta da questão 44: [A]
O governo militar brasileiro, através de ampla propaganda, vendia à po-
pulação a ideia de que o regime militar promovia o avanço da sociedade
brasileira, seja em termos políticos, econômicos, sociais ou culturais.
Assim, tais cartazes refletem a base do pensamento do governo sobre
esse avanço, amparada no discurso de amor à pátria.
Resposta da questão 45: [D]
A questão remete as características do regime militar que aconteceu no
Brasil entre 1964-1985. O poder ficou concentrado no executivo, no
presidente militar, que adotava práticas políticas repressivas e truculen-
tas. A esquerda não se calou, ocorreram manifestações contra a ditadura
ao longo de todo o período militar. Apesar do “Milagre Brasileiro”, no
final do regime militar, na década de 1980, o Brasil viveu uma grave
crise econômica, inflação alta, dívida externa alta, greves, etc. Ao longo
da ditadura militar, o governo elaborou muitas propagandas através de
músicas ufanistas, slogans como “eu te amo meu Brasil”, “ame-o ou
deixe-o”, entre outros. As eleições eram indiretas e não diretas.
Resposta da questão 46: [D]
O encilhamento foi a crise provocada pelo excesso de emissão de papel-
moeda sem que houvesse caixa no Tesouro Nacional para tanto, o que
provocou especulação e inflação.
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Resposta da questão 47: [D]
São características do Brasil durante a República Velha: (1) a restrição
eleitoral (analfabetos, mulheres e mendigos não podiam votar), (2) a
ascendência dos Estados sobre a Federação (a partir da Política dos Go-
vernadores) e (3) a predominância do poder dos coronéis (coronelismo).
Resposta da questão 48: [A]
A Constituição de 1891 dava ampla liberdade aos Estados, desde que
suas determinações não contrariassem a Constituição Federal.
Resposta da questão 49: [C]
Todas as afirmativas estão corretas, fazendo parte de um contexto so-
cial, sanitário e médico deficiente no Brasil no início do século XX.
Resposta da questão 50: [E]
A Revolta da Chibata foi um movimento que exigia uma série de mu-
danças no Regimento da Marinha Brasileira, desde itens como os casti-
gos corporais, passando pela alimentação e chegando ao número de ho-
ras trabalhadas. Além disso, a anistia para os integrantes da Revolta
também era uma exigência.
Resposta da questão 51: [B]
O movimento tenentista foi integrado por oficiais de baixa patente que,
basicamente, opunham-se ao então presidente da República Arthur Ber-
nardes e buscavam melhorias de salário e trabalho.
Resposta da questão 52: [A]
A questão vincula a crise econômica mundial da década de 1920/1930
com a crise cafeeira no Brasil. A economia brasileira era agrária expor-
tadora tendo o café como o produto mais importante na pauta de expor-
tação ao longo do Segundo Reinado, 1840-1889, a da República Velha,
1889-1930. A grave crise econômica de 1929 nos EUA quebrou todo o
mundo capitalista. Vargas perdeu a eleição presidencial no Brasil em
1930 pela “Aliança Liberal”. Assumiu o poder diante de um movimento
que alguns historiadores chamam de “Revolução de 30”. Mudou o mo-
delo econômico do país: de agrária exportadora para uma indústria de
substituição de importação com forte intervenção estatal.
Resposta da questão 53: [A]
A afirmativa [III] está incorreta, porque a Aliança Liberal era formada
por Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, e não contava com São
Paulo.
Resposta da questão 54: [E]
O tenentismo foi um movimento militar ocorrido entre 1920 e 1930 no
Brasil. Tal movimento se opunha ao padrão político oligárquico brasi-
leiro e exigia uma série de mudanças no país, dentre as quais a amplia-
ção da educação básica pública.
Resposta da questão 55: [A]
A Guerra do Contestado foi um movimento messiânico ocorrido em
Santa Catarina sob a tutela do monge José Maria. Assim como Canu-
dos, Contestado também foi visto como um movimento fanático e peri-
goso pelo governo federal.
Resposta da questão 56: [D]
O carro mostrado no anúncio surgiu como consequência do aumento da
indústria automobilística no Brasil durante o governo de JK. Esse au-
mento acabou por desenvolver as cidades do Sudeste, em especial as do
ABC Paulista. Mas JK, priorizando a industrialização, deixou a agricul-
tura e o campo de lado, causando desigualdades de desenvolvimento no
Nordeste e no interior.
Resposta da questão 57: [E]
A Constituição de 1946 foi amplamente democrática, desfazendo as im-
posições ditatoriais do Estado Novo (1937-1945) varguista.
Resposta da questão 58: [E]
Somente a alternativa [E] está correta. A questão aponta para o gesto
emblemático de Getúlio Vargas (posteriormente imitado pelo presi-
dente Lul[A] em seu segundo mandato com a campanha “O petróleo é
nosso” culminando na criação da Petrobras em outubro de 1953.
Resposta da questão 59: [E]
A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, como o próprio texto
deixa claro, foi um movimento contrário à intenção de João Goulart de
promover as Reformas de Base. Logo, o movimento era a favor da de-
posição do presidente e teve papel importante no Golpe Militar.
Resposta da questão 60: [B]
A UDN, presidida por Carlos Lacerda, era a principal inimiga do PTBde Getúlio Vargas.
Resposta da questão 61: [C]
A afirmativa [III] está incorreta, porque o governo JK não foi marcado
por instabilidades políticas, tanto que o presidente não teve dificuldades
em aprovar a construção de Brasília.
Resposta da questão 62: [D]
A participação brasileira na Primeira Guerra ocorreu de maneira indi-
reta, tendo o Brasil, principalmente, enviado médicos, enfermeiros e
suprimentos para o front de batalha.
Resposta da questão 63: [D]
A Constituição brasileira de 1891, a primeira da República, excluía do
direito ao voto os analfabetos, os soldados rasos, as mulheres, os men-
digos e os membros do baixo clero. Logo, boa parte da população não
votava, dentre os quais muitos negros.
Resposta da questão 64: [E]
Nos anos após a Primeira Guerra Mundial, atrelado ao crescimento da
cafeicultura e à necessidade de substituir os produtos que a Europa não
podia fornecer, o Brasil deu início ao seu processo de Industrialização
de Substituição, o que proporcionou um princípio de diversificação eco-
nômica no país.
Resposta da questão 65: [B]
Uma das características do chamado Milagre Econômico, posto em prá-
tica durante a Ditadura, foi a adoção da política de abertura da economia
nacional ao capital estrangeiro, inclusive por meio de vultuosos emprés-
timos para a realização de obras de infraestrutura.
Resposta da questão 66: [C]
Apesar de não adotar práticas fascistas de Estado, o governo militar
brasileiro apoiou-se no autoritarismo como forma de governo, legali-
zando práticas de tortura, censura e repressão contra aqueles que se
mostrassem contra o regime.
Resposta da questão 67: [D]
O Movimento Tenentista apoiou a Aliança Liberal e o Golpe de 30,
sendo fundamental para pôr fim à política da República Oligárquica no
Brasil.
Resposta da questão 68: [B]
Somente a proposição [B] está correta. A questão remete ao Movimento
Tenentista que ocorreu no Brasil na década de 1920. Foi um movimento
vago e difuso associado à classe média, aos jovens tenentes, criticava a
estrutura política viciada da República Velha (Política do Café com
Leite, Política dos Governadores, Coronelismo, Voto de Cabresto, frau-
des nas eleições, entre outras), defendia a moralização da política bra-
sileira, da coisa pública. Não pretendiam implantar um governo comu-
nista no Brasil. Ocorreram três movimentos tenentistas: a Revolta de
Copacabana de 1922 no Rio de Janeiro, a Revolta Paulista de 1924 e a
Coluna Prestes.
Resposta da questão 69:[A]
Somente a proposição [A] está correta. A questão remete ao contexto
da República Velha, 1889-1930. Este momento foi caracterizado pela
política do “Café com Leite”, “Política dos Governadores”, “Corone-
lismo”, “Voto de Cabresto” e a “Comissão Verificadora de Poderes”
que consistia na justiça eleitoral que “diplomava” os candidatos vincu-
lados aos coronéis e “degolava” a oposição. Desta forma, assegurava a
manutenção do controle das oligarquias na vida política do Brasil. As
demais alternativas estão incorretas. A Guarda Nacional foi criada no
Período Regencial, 1831-1840. Não havia transparência na escolha dos
candidatos por parte do eleitor.
Resposta da questão 70: [C]
Os tenentes brasileiros lutavam por mudanças profundas no sistema re-
publicano oligárquico brasileiro, em especial nas questões eleitorais e
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nos vícios políticos. Mas, naquele momento, não houve a defesa do co-
munismo por parte dos tenentes.
Resposta da questão 71: [B]
O Cangaço foi um fenômeno ocorrido durante a República Velha, es-
pecificamente entre os anos de 1889 e 1940, caracterizados por ser uma
espécie de banditismo, no qual seus integrantes agiam como mercená-
rios, fazendo serviços a quem melhor pagasse. Por vezes, grupos de
cangaceiros agiam de maneira violenta, aterrorizando o interior do Nor-
deste.
Resposta da questão 72: [C]
O plano SALTE foi uma criação do governo do presidente Eurico Gas-
par Dutra, e não do segundo governo de Vargas.
Resposta da questão 73: [C]
Observação: Originalmente, a questão pede que seja escolhida a al-
ternativa correta. Porém, as alternativas [A], [B], [D] e [E] estão cor-
retas.
Para que a resposta seja a alternativa [C] o enunciado foi alterado de
“Com base em seu depoimento, é correto afirmar que”, para “Com base
em seu depoimento, NÃO é correto afirmar que”. Com base nessa
adaptação, a resolução é a seguinte:
Como fica claro no depoimento que acompanha a questão, a vida pes-
soal dos cidadãos foi alterada pelo Golpe Militar de 1964. Basta obser-
var o trecho “(...) os projetos pessoais também [foram por água abaixo]
(...)”.
Resposta da questão 74: [C]
O Plano de Metas de JK – baseado no slogan “50 anos em 5” – previa
investimentos em infraestrutura e industrialização, a partir do chamado
modelo nacional-desenvolvimentista, que contava com aportes do Go-
verno Federal e de empréstimos do exterior.
Resposta da questão 75: [C]
O suicídio de Vargas foi resultado do produto da soma dos problemas
enfrentados pelo seu governo, como a oposição do Congresso às suas
ideais – Lei de Remessa de Lucros –, a dificuldade de equilibrar a eco-
nomia brasileira e o atendado da Rua Toneleiros, sofrido por Carlos
Lacerda.
QUESTÃO 01
"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo
coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre
mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, ca-
luniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufo-
car a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não
continue a defender, como sempre defendi, o povo e prin-
cipalmente os humildes. Sigo o destino que me é im-
posto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos
grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me
chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de li-
bertação e instaurei o regime de liberdade...".
Trecho extraído do(a):
a) Carta Testamento de Vargas
b) Documento Renúncia de Jânio Quadros
c) Discurso de João Goulart já no exílio
d) Documento Renúncia de Fernando Collor
e) Documento Renúncia de Marechal Deodoro
QUESTÃO 02
No Brasil, a organização política implantada pelo Re-
gime Militar, instalado pós/64, caracterizou-se pela
a) ampliação dos poderes estaduais sustentada por acor-
dos regionais entre chefes políticos conservadores e
setores de vanguarda empresarial.
b) crescente concentração de poderes para o Executivo
com os Atos Institucionais legitimando a manutenção
de um Estado forte.
c) permanente utilização de instrumentos de exceção
controlados pelos representantes do Congresso que
passou a ser autônomo e independente.
d) implantação de controle popular sobre os antigos caci-
ques políticos municipais que ameaçavam a estabili-
dade do Regime.
e) estratégia de abertura e distensão política executada de
forma lenta e gradual com o objetivo de fortalecer o
poder dos partidos políticos.
QUESTÃO 03
Com um público de 792 mil espectadores desde que es-
treou em quatro de agosto, o filme de Sérgio Rezende é
baseado na história da estilista que lutou por seu sagrado
direito de mãe de enterrar o filho morto pelo regime mi-
litar brasileiro.
(O Estado de São Paulo, 20/09/2006)
O filme em questão é:
a) O Maior Amor do Mundo.
b) Anjos do Sol.
c) Vida de Menina.
d) Bens Confiscados.
e) Zuzu Angel.
QUESTÃO 04
Considere seus conhecimentos de História para a análise
da tabela a seguir.
Anos/atividades 1939 1953 1957 1968
Agricultura (% do
PIB) 25,8 26,1 22,8 17,9
Indústria (% do
PIB) 19,4 23,4 24,4 28
Adaptação de dado: IBGE, estatísticas.
Após a análise dos dados apresentados, pode-se afirmar
que a tabela demonstra.
a) crescimento da indústria no Brasil, entendido como fa-
tor importante para o desenvolvimento brasileiro pela
política nacional-desenvolvimentista.
b) o crescimento da política de substituição de importa-ção para proporcionar o crescimento industrial.
c) o crescimento da agricultura resultado da importância
dada ao setor pelo Plano de Metas de JK.
d) a queda da agricultura devido à Política Nacionalista
deflagrada pelo Presidente Vargas durante o Estado
Novo.
e) a queda da produção industrial devido à Política Naci-
onal-Desenvolvimentista do período militar.
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QUESTÃO 05
O presidente Rodrigues Alves (1902-1906), com a ambi-
ção de transformar o Rio de Janeiro numa metrópole, pro-
jetou, juntamente com Pereira Passos, prefeito do RJ, um
plano de recuperação e modernização. Muitas desapro-
priações foram efetuadas, casas derrubadas, ruas alarga-
das, o que transformou a cidade numa área repleta de de-
sabrigados e de entulhos. Enquanto isso, Osvaldo Cruz
desenvolvia uma vacina para sanear a cidade, comba-
tendo a varíola e a febre amarela. O povo, já indignado
com a diminuição do poder aquisitivo, com as desapro-
priações e com a “favelização” da cidade, rejeitou as me-
didas de saneamento e provocou uma rebelião, que se tor-
nou conhecida como a Revolta
a) de Canudos.
b) da Chibata.
c) do Contestado.
d) da Vacina.
e) dos Mückers.
QUESTÃO 06
Entre 1924 e 1927, como parte do chamado movimento
tenentista, a Coluna Prestes percorreu milhares de quilô-
metros em território brasileiro e tinha como objetivo:
a) alinhar o Brasil ao modelo nazifascista que vinha cres-
cendo na Europa naquele período;
b) promover uma ampla reforma agrária, contando para
isso com o apoio explícito de alguns setores oligárqui-
cos da região sul;
c) criar condições para a ocorrência, no menor espaço de
tempo possível, de um movimento comunista apoiado
pela União Soviética;
d) estimular a sindicalização dos trabalhadores rurais,
como forma de dar a eles um mínimo de garantias tra-
balhistas;
e) mudar o esquema político em vigor naquele momento,
baseado principalmente nas fraudes eleitorais, na cor-
rupção e no clientelismo.
QUESTÃO 07
As dificuldades enfrentadas pela economia cafeeira du-
rante a República Velha foram parcialmente minimizadas
com a adoção das resoluções negociadas na(o):
a) Convênio de Taubaté.
b) Política dos Governadores.
c) Funding Loan.
d) Política do “café com leite”.
QUESTÃO 08
Considere a charge para responder à questão.
A charge é uma alusão ao voto
a) secreto, uma conquista dos sindicatos operários du-
rante a era Vargas.
b) censitário, em que havia a exigência de uma renda
anual para votar e para se candidatar a cargos públicos.
c) da mulher, fruto da luta feminina nos anos 30.
d) da mandioca, em que votar era permitido apenas para
homens livres e com uma renda igual ou superior ao
valor de 1,5 toneladas de mandioca.
e) do cabresto, uma característica do coronelismo.
QUESTÃO 09
Depois de proclamada a República brasileira e instaurado
o governo provisório do Mal. Deodoro da Fonseca (1889-
1891), foram necessárias medidas no plano econômico-
financeiro para solucionar a insuficiência de papel-mo-
eda em circulação no país.
Rui Barbosa, ministro da fazenda, elaborou uma rápida
solução que ficou conhecida como Encilhamento.
Esse plano econômico-financeiro tinha como principal
característica
a) o confisco do papel-moeda em circulação, o que gerou
inflação e especulação.
b) a emissão de papel-moeda para a reativação dos negó-
cios, o que provocou inflação e especulação.
c) a criação de nova moeda para o país, levando o Brasil
à condição de nação desenvolvida.
d) a organização do mercado e de novos negócios, a partir
da criação de mais quatro bancos no país.
e) a distribuição equilibrada da renda, provocando um
aquecimento na economia do mercado interno.
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QUESTÃO 10
Dentre as razões do golpe militar empreendido pelas For-
ças Armadas brasileiras em 1964 estavam as chamadas
Reformas de Base propostas pelo presidente João Gou-
lart. Assinale a alternativa que identifica CORRETA-
MENTE uma dessas reformas propostas no início da dé-
cada de 60 do século XX para o Brasil:
a) Reforma Monetária.
b) Reforma Agrária.
c) Reforma Sanitária.
d) Reforma Partidária.
QUESTÃO 11
Considere a foto a seguir, que é uma referência da histó-
ria política do Brasil da década de 80, para responder à
questão.
Os comícios que atraíram milhares de pessoas em todo o
país eram realizados em defesa
a) da anistia aos exilados políticos.
b) das greves dos metalúrgicos de São Bernardo do
Campo.
c) das eleições diretas para presidente.
d) da permanência dos militares no poder.
e) de uma ação conjunta entre Brasil e Argentina para por
fim à ditadura militar.
QUESTÃO 12
Observe a charge abaixo.
Esta charge, inspirada em uma marcha de carnaval inter-
pretada por Francisco Alves, faz referência
a) à ascensão de Getúlio Vargas ao poder, após o golpe
do Estado Novo.
b) ao término do Estado Novo com a destituição de Ge-
túlio Vargas.
c) à volta de Getúlio Vargas ao poder, após o governo de
Eurico Dutra.
d) à eleição de Getúlio Vargas como governador do Rio
Grande do Sul, após a redemocratização.
e) à reeleição de Getúlio Vargas como presidente, após o
governo JK.
QUESTÃO 13
Sobre o governo de João Goulart (1963-1964), é correto
afirmar:
a) Goulart procurou implementar todas as reformas de
base, como a reforma agrária, a reforma urbana e a
maior intervenção do Estado na economia, sendo im-
pedido pelo golpe militar de 1964.
b) Goulart realizou acordos multilaterais com países eu-
ropeus e os Estados Unidos para a criação de filiais das
principais empresas automobilísticas do mundo.
c) Goulart tinha amplo apoio do empresariado nacional,
pois possuía ideias arrojadas para a época, como fazer
as reformas de base, que aumentariam os lucros das
empresas sediadas no Brasil.
d) A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, reali-
zada em 1964, foi uma manifestação de homenagem a
João Goulart em defesa de seu governo e contra as
ameaças dos militares.
QUESTÃO 14
A construção de Brasília durante o governo Juscelino Ku-
bitschek (1956-1961) teve, entre suas motivações ofici-
ais,
a) afastar de São Paulo a sede do governo federal, impe-
dindo que a elite cafeicultora continuasse a controlá-
lo.
b) estimular a ocupação do interior do país, evitando a
concentração das atividades econômicas em áreas li-
torâneas.
c) deslocar o funcionalismo público do Rio de Janeiro,
permitindo que a cidade tivesse mais espaços para
acolher os turistas.
d) tornar a nova capital um importante centro fabril, reu-
nindo a futura indústria de base do Brasil.
e) reordenar o aparato militar brasileiro, expandindo suas
áreas de atuação até as fronteiras dos países vizinhos.
QUESTÃO 15
A denominada "Campanha da Legalidade", ocorrida no
Rio Grande do Sul no final de agosto de 1961, foi uma
consequência da
a) renúncia do presidente Jânio Quadros, que provocou a
mobilização política para garantir a posse do vice-pre-
sidente João Goulart.
b) vitória eleitoral do PTB, que supostamente ameaçava
os setores conservadores da sociedade brasileira.
c) renúncia do presidente Juscelino Kubitschek, fato que
provocou uma extensa mobilização militar visando
garantir a posse de João Goulart.
d) vitória eleitoral do PSD, partido que tinha em seus
quadros diversos elementos supostamente golpistas.
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80
e) política promovida por Leonel Brizola, que queria im-
pedir a tomada do poder pelos grupos ligados à luta
armada.
QUESTÃO 16
Borracha e borracheiro, segundo o dicionário Houaiss,
podem significar:
“Borracha: substância elástica e impermeável, resultanteda coagulação do látex de vários vegetais, esp. de árvores
dos gên. Hevea e Ficus, com propriedades diversas e inú-
meros usos industriais, segundo os vários tipos de trata-
mento a que é submetida; caucho, goma-elástica”.
“Borracheiro: 1) aquele que produz, industrializa ou
vende borracha ('substância') 2) Regionalismo: Brasil. in-
divíduo que repara e/ou vende pneus; 3) Regionalismo:
Norte do Brasil. m.q. seringueiro ('trabalhador').
Houaiss (Dicionário da Língua portuguesa. Verbetes
Borracha e borracheiro. Versão digital, SP: Instituto An-
tônio Houaiss, Editora Objetivo, 2009).
Os verbetes acima esclarecem os significados do termo
“borracha” no Brasil. Um desses significados põe em evi-
dência o Norte do país, em que a palavra tem um emprego
diferenciado historicamente porque
a) o norte do Brasil teve um contato mais próximo com a
produção do látex e, nesta região, a palavra borra-
cheiro passou a significar mais do que a produção da
borracha em si, definindo também o seu produtor (tra-
balhador), o seringueiro.
b) o Brasil, como um todo, conheceu a borracha como um
produto que se industrializa, pois esse produto era ex-
traído da Amazônia e industrializado no Centro Sul.
Assim, no Norte o significado da borracha ligou-se ao
campo do trabalho e no Sul vinculou-se ao da produ-
ção.
c) o Norte do Brasil percebe a goma elástica de maneira
mais ampla e correta, pois, distinguindo-se do resto do
Brasil, os nortistas conhecem o processo de produção
e trabalho com o látex, diferentemente do que ocorre
com os nordestinos e sulistas.
d) o Centro-Sul do Brasil visualiza a borracha em seus
produtos como os pneus; já o povo do Norte e Centro-
Oeste percebem o produto em todo o seu processo pro-
dutivo, desde a extração do látex até a sua produção e
comercialização.
e) o Centro-Sul do Brasil é o reduto da produção e do
trabalho com o látex, por isso o significado da palavra
é mais amplo. Já no Norte e Nordeste apenas se sabe
que a borracha tem utilidades como a fabricação do
pneu, o que justifica o uso mais simplificado da pala-
vra.
QUESTÃO 17
A denominação de república oligárquica é frequente-
mente atribuída aos primeiros 40 anos da República no
Brasil.
Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fa-
zem parte do vocabulário político necessário ao entendi-
mento desse período.
(Adaptado de Maria Efigênia Lage de Resende, “O pro-
cesso político na Primeira República e o liberalismo oli-
gárquico”, em Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves
Delgado (orgs.), O tempo do liberalismo excludente – da
Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 91.)
Relacionando os termos do enunciado, a chamada “repú-
blica oligárquica” pode ser explicada da seguinte ma-
neira:
a) Os governadores representavam as oligarquias estadu-
ais e controlavam as eleições, realizadas com voto
aberto. Isso sustentava a República da Espada, na qual
vários coronéis governaram o país, retribuindo o apoio
político dos governadores.
b) Diante das revoltas populares do período, que ameaça-
vam as oligarquias estaduais, os governadores se alia-
ram aos coronéis, para que chefiassem as expedições
militares contra as revoltas, garantindo a ordem, em
troca de maior poder político.
c) As oligarquias estaduais se aliavam aos coronéis, que
detinham o poder político nos municípios, e estes frau-
davam as eleições. Assim, os governadores elegiam
candidatos que apoiariam o presidente da República, e
este retribuía com recursos aos estados.
d) Os governadores excluídos da política do “café com
leite” se aliaram às oligarquias nordestinas, a fim de
superar São Paulo e Minas Gerais. Essas alianças fa-
voreceram uma série de revoltas chefiadas por coro-
néis, que comandavam bandos de jagunços.
QUESTÃO 18
Assinale a personalidade da história brasileira que está
associada à expressão “50 anos em 5”.
a) Juscelino Kubitschek
b) Getúlio Vargas
c) Jânio Quadros
d) Ulysses Guimarães
e) Fernando Collor de Mello
19. (Uern 2012) “No governo de JK predominou o dis-
curso desenvolvimentista. O lema era assegurar o pro-
gresso econômico do Brasil através do Plano de Metas,
que priorizava os setores básicos, como transportes, ener-
gia, educação e indústria. Prometendo realizar em cinco
anos aquilo que normalmente seria feito em cinquenta, o
governo passava a imagem de que o Brasil estava en-
trando numa era de otimismo e que as mudanças termi-
nariam por beneficiar a todos”.
(Rezende, A. P. e Didier, M. T. Rumos da História. His-
tória Geral e do Brasil. Volume Único. Ensino Médio. 2ª
Ed. São Paulo: Atual 2005 p. 608)
Pode ser considerada uma consequência do plano de me-
tas:
a) O Estado permitiu a participação do capital estrangeiro
em setores como o de petróleo, dos transportes e da
produção de aço.
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b) As portas do país foram abertas para a entrada dos ca-
pitais estrangeiros.
c) A relação do governo com o capital nacional foi mar-
cada pela convergência total de interesses.
d) O transporte rodoviário foi deixado de lado, optou-se
pelo transporte ferroviário.
QUESTÃO 20
Entre as principais características do modelo político
adotado no Brasil durante a República Velha (1889-
1930), destacaram-se
a) a política do Regresso Conservador, o militarismo e o
voto censitário.
b) a “política dos governadores”, o coronelismo e o “voto
de cabresto”.
c) o “parlamentarismo às avessas”, o clientelismo e o
voto a descoberto.
d) a “política do café com leite”, o coronelismo e o voto
secreto censitário.
e) a política de valorização do café, o populismo e o voto
universal.
QUESTÃO 21
A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilô-
metros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-
se
a) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às
fraudes eleitorais da Primeira República.
b) à tentativa de implantação de um poder popular, ex-
pressa na defesa de pressupostos marxistas.
c) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à ten-
tativa de derrubar o presidente Artur Bernardes.
d) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República
e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Var-
gas.
e) ao esforço de implantação de um regime militar e à
primeira mobilização política de massas na história
brasileira.
QUESTÃO 22
Em 1918, ocorreu no Brasil uma grande mortalidade en-
tre a população do país, ocasionada pela epidemia de
“gripe espanhola”. A respeito desse surto epidêmico,
considere as afirmações abaixo.
I. A doença chegou ao Brasil com o afluxo de imigrantes
vindos da Europa.
II. O cotidiano dos brasileiros foi profundamente alte-
rado, com o fechamento de locais públicos e a proibi-
ção de reuniões noturnas.
III. Rodrigues Alves eleito à Presidência da República
em 1918, não pode tomar posse a 15 de novembro por
estar acometido da “gripe espanhola”.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
QUESTÃO 23
Em 05 julho de 1922 eclodiu a Revolta do Forte de Co-
pacabana, na cidade do Rio de Janeiro. “A revolta não se
estendeu a outras unidades. No dia seguinte, centenas de-
les se entregaram, atendendo a um apelo do governo. Um
grupo se dispôs, porém, a resistir. O forte voltou a ser
bombardeado por mar e por aviões. Dezessete militares,
com a adesão ocasional de um civil, decidiram sair pela
praia de Copacabana, ao encontro das forças governa-
mentais. Na troca de tiros, morreram dezesseis, ficando
feridos os oficiais Siqueira Campos e Eduardo Gomes”.
(In: FAUSTO, Boris. História do Brasil. 5 edição. São
Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997. Pá-
gina 308.)
O texto se refere:
a) a Revolução Constitucionalista.
b) a Coluna Prestes.
c) ao movimento