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www.jornaldocomercio.comFundado por J.C. Jarros - 1933O Jornal de economia e negócios do RS Venda avulsa R$ 6,50Porto Alegre, segunda-feira, 24 de março de 2025Nº 210 - Ano 92 Nova linha de crédito tem 35 milhões de solicitações Cooperativismo agropecuário resiste no Norte do Estado, apesar dos desafios Em apenas três dias de operação, modalidade de consignado superou 7 mil contratos firmados p. 14 MINUTO VAREJO Eventos de moda movimentam economia a partir desta semana em Porto Alegre VATICANO p. 16 Papa Francisco faz primeira aparição pública após internação AGRONEGÓCIO p. 10 Conab antecipa contratos de compra de arroz LOGÍSTICA Incentivo às ferrovias está de volta com aportes do novo PAC Programa deve investir per- to de R$ 1,5 trilhão até 2026 em todos os estados da fede- ração, e mais R$ 0,5 trilhão após esse período. Nessa perspectiva, surgem proje- tos como o da Sultrens, que pretende conectar Porto Ale- gre a Gramado. p. 8 ENTREVISTA p. 18 e 19 Líder da bancada gaúcha em Brasília levará tema do Propag à Câmara Inicia amanhã o Porto Alegre Fashion Week na Zona Norte da capital gaúcha, com expec- tativa de grande público. Tam- bém foi anunciado o Trend Sul, mas esse será em junho. p. 5 Alto Uruguai enfrentou diversas crises financeiras a partir de 2005, mas negócios vêm superando barreiras com intercooperação Caderno Empresas OCERGS/DIVULGAÇÃO/JC Iguatemi montou passarela de desfiles em 2 mil metros quadrados PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/.JC Marcelo Moraes integra o PL AS S ES S O R IA D E IM PR EN S A M AR CE LO M O R AE S /D IV U LG AÇ ÃO /J C Dólar Comercial ....................................... 5,7167/ 5,7177 Banco Central ..................................5,7235/5,7241 Turismo ...........................................5,8600/ 5,9500 Euro Comercial ........................................ 6,1830/6,1850 Banco Central ..................................6,1842/6,1860 Turismo..............................................6,3500/6,4450 No mês No ano Em 12 meses +7,77% +10,03% +3,27% B3 Volume: R$ 54,949bi Ganho do Ibovespa na semana foi fomentado pelo ingresso de capital estrangeiro na Bolsa. Até o dia 19, houve entrada de R$ 5,615 bilhões; na sexta B3 fechou aos 132.344,88 pontos. +0,3% Indicadores 21 de março de 2025 2 Jornal do Comércio | Porto Alegre opinião Segunda-feira, 24 de março de 2025 direcao@jornaldocomercio.com.br editorchefe@jornaldocomercio.com.br Diretor-Presidente Giovanni Jarros Tumelero Editor-Chefe Guilherme Kolling Conselho Presidente: Mércio Cláudio Tumelero Membros do Conselho: Cristina Ribeiro Jarros Jenor Cardoso Jarros Neto Valéria Jarros Tumelero Av. João Pessoa, 1282 Porto Alegre, RS • CEP 90040.001 Atendimento ao Assinante: (51) 3213.1300 Fundado em 25/5/1933 por Jenor C. Jarros Zaida Jayme Jarros www.jornaldocomercio.com ⁄ CENÁCULO/REFLEXÃO ⁄ DESTAQUES NA EDIÇÃO DIGITAL ⁄ EDITORIAL ⁄ FRASES E PERSONAGENS Uma mensagem por dia jornaldocomercio JC_RSjornaldocomercio company/jornaldocomercioJornaldoComercioRS Editora: Paula Sória Quedi opiniao@jornaldocomercio.com.br O novo aumento de um ponto percentual na taxa básica de ju- ros, confirmado na semana pas- sada, na verdade, não tem nada de novidade. Na primeira reunião do ano, em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) já havia dei- xado clara sua posição de elevar a Selic de 13,25% para 14,25% - desde setembro, já aumentou 3,75 pontos. A novidade é que as ele- vações não devem parar por aí. Para a terceira reunião de 2025, em maio, o colegiado indicou a possibilidade de um novo ajuste, porém, de menor magnitude. Por certo, as decisões vão de- pender de dados como a evolução da dinâmica da in- flação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômi- ca e à política mo- netária. Um aspec- to que, de fato, não pode ser ignorado diante de um cená- rio recente marcado por desanco- ragem adicional das expectativas de inflação, projeções de maior elevação, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Por isso tudo, a ava- liação do Copom é de que a eco- nomia brasileira exige uma políti- ca monetária mais contracionista. Uma situação que preocupa a indústria, a agropecuária e o setor de serviços. Como é ampla- mente sabido, a elevação da Selic a níveis tão altos tende a restrin- gir os investimentos, aumentar os custos de produção e redu- zir a competitividade da indús- tria brasileira. O nível atual da Selic implica taxa de juros real de 8,5% a.a. - 3,5 p.p. acima da taxa neutra es- timada pelo BC. Conjunturalmen- te, já tem impactado a economia, que apresenta desaceleração mais aguda do que a prevista por di- versos analistas econômicos. É unanimidade entre os seto- res que fazem a roda da econo- mia girar que novas consequên- cias são iminentes, já que juros mais altos significam crédito mais caro. Na indústria, por exemplo, os dados são pou- co animadores. A produção estagnou em janeiro, frente a dezembro de 2024, depois de cair por três meses consecu- tivos entre outubro e dezembro. Para maio, o grande dilema é se o Banco Central vai elevar a Selic até 15% e, se isso ocor- rer, por quanto tempo manterá essa taxa elevada. Para o Copom perceber uma economia saudável e reverter essa tendência de alta, a prioridade do governo federal deve ser a busca pela sustentabi- lidade fiscal. Sem esse comprometimen- to, o descompasso entre política monetária e política fiscal segui- rá impactando o custo do crédito, premissa básica para viabilizar investimentos e sustentar o rit- mo mais vigoroso de crescimen- to econômico. Em determinado momento do dia, reserve alguns minutos de silêncio, para escutar seu íntimo, compreender seus sentimentos e escolher o melhor caminho a ser trilhado. Se agir desse modo, sentirá a grandeza de Deus. Meditação Reserve um momento do dia para falar com Deus e ouvir o que Ele tem a dizer, pela oração. Confirmação “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escon- dido. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa” (Mt 6,6). Rosemary de Ross/Editora Paulinas A elevação da Selic a níveis tão altos tende a restringir investimentos, aumentar custos de produção e reduzir a competitividade “Sabemos com certeza que todos - empresas, famílias e for- muladores de políticas monetá- rias - odeiam a incerteza.” David Wilcox, ex-membro da equipe do Fed (Banco Central do EUA) que ago- ra trabalha no Peterson Institute for International Economics e na Bloom- berg Economics. “Trump disse que quer passar para a história como pacificador e unificador. O problema é que pre- cisamos definir o termo paz corre- tamente. Ocupação não é paz. Ocu- pação é guerra, apenas em outra forma. Paz significa liberdade para viver sem medo de violência. Isso é algo que as pessoas em territórios ocupados e na Ucrânia não têm.” Oleksandra Matviichuk, vencedora do prêmio Nobel da Paz em 2022. “Queremos oportunizar (com o novo Refaz Reconstrução) às em- presas a regularização do ICMS. Todas as eventuais inadimplências desde a pandemia e a calamidade poderão ser sanadas” Pricilla San- tana, secretária da Fazenda do RS. “O aumento das exportações da Indústria de Transformação em fevereiro (6,6%) reflete o fortaleci- mento da presença do RS no mer- cado asiático. A tendência de cres- cimento das exportações para as Filipinas é um indicativo da conso- lidação de novos mercados e da di- versificação das destinações para os produtos suínos gaúchos.” Clau- dio Bier, presidente da Fiergs. A apresentação da 27ª edição da pesquisa Marcas de Quem Decide, promovida pelo Jornal do Comércio, ocorre hoje, a partir das 8h, no Teatro Fiergs. O evento reúne as lideranças das marcas mais lembradas e preferidas de empresários, gestores e executivos gaúchos. Acesse o QR Code para acompanhar a cobertura completano Instituto Caldeira. Promovido pelo Instituto Caldeira, programa deve impactar 40 mil jovens de todo o Brasil na fase online INSTITUTO CALDEIRA/DIVULGAÇÃO/JC De agosto a dezembro, os 200 jovens finalistas participam da eta- pa presencial do Geração Caldeira, no hub em Porto Alegre. Os alunos formados serão encaminhados para processos seletivos com em- presas parceiras de empregabilida- de. A expectativa é que 90% deles sejam empregados. Uma das principais novidades da edição 2025 é a introdução de um formato contínuo de capaci- tação online. Os alunos que par- ticiparem da fase online - mesmo aqueles que não avançarem para a etapa presencial - terão acesso a treinamentos e conteúdos exclusi- vos ao longo de um ano, por meio de uma plataforma educacional via WhatsApp. O modelo segue a lógica de micro learning, com ma- teriais didáticos em vídeo e áudio, facilitando o aprendizado em um ambiente acessível e de uso diário dos jovens. Neste ano, a etapa on- line do Geração Caldeira começa em 12 de maio, com as entrevistas finais agendadas para acontecer entre 8 e 11 de julho, e o anúncio dos selecionados para a fase pre- sencial marcado para 22 de julho. A aula inaugural da etapa presen- cial acontece em 6 de agosto, e a formatura da turma, em 10 de de- zembro. “Qualquer jovem, alu- no ou ex-aluno da rede pública, pode participar. Nossa meta é tra- zer cada vez mais estudantes de outros estados para Porto Alegre, garantindo moradia estudantil e suporte financeiro durante o pro- grama.” Neste ano, a expectativa é contar com pelo menos 20 estu- dantes de outros estados entre os 200 selecionados. Nvidia e players de telecom vão criar redes IA para 6G A Nvidia anunciou parceria com a T-Mobile, Mitre, Cisco, ODC e Booz Allen Hamilton para pes- quisa e desenvolvimento de har- dware, software e arquitetura de rede sem fio nativa de Inteligência Artificial para 6G. As redes sem fio de próxima geração devem ser fundamentalmente integradas a IA para conectar telefones, senso- res, câmeras, robôs e veículos au- tônomos. A expectativa é que for- neçam serviços aprimorados para bilhões de usuários na medida em que definirão novos padrões em eficiência espectral — a taxa na qual os dados podem ser transmi- tidos em uma determinada largu- ra de banda. “As redes sem fio de próxi- ma geração serão revolucionárias, e temos uma oportunidade sem precedentes de garantir que a IA seja incorporada desde o início”, aposta Jensen Huang, fundador e CEO da Nivia. “Trabalhando com líderes no campo, estamos cons- truindo uma rede 6G aprimora- da por IA que atinge extrema efi- ciência espectral”, acrescentou. A companhia já está colaborando com líderes de telecomunicações e pesquisa para desenvolver uma pilha de rede sem fio nativa de IA com base na plataforma Nvidia AI Aerial. C6 Bank, AWS e OX têm 2 mil vagas para pessoas negras O C6 Bank, a Amazon Web Services (AWS) e a OX, empresa especializada em conteúdo para o setor financeiro, vão oferecer um treinamento gratuito em in- teligência artificial (IA) generati- va para 2 mil pessoas negras. As inscrições para o programa Finan- ce TechBoost: Formação em IA e análise de dados para o mercado financeiro estão abertas. O curso começa no dia 23 de abril. O trei- namento de IA e análise de dados aplicado ao setor financeiro é aber- to a profissionais negros de todas as áreas de formação, sem necessi- dade de experiência prévia em in- teligência artificial. “Ao capacitar profissionais negros para usar IA generativa, estamos contribuindo para pro- porcionar um salto de eficiência e aumento da diversidade no setor financeiro”, comenta a gerente de Treinamentos Massivos na AWS para a América Latina, Andréa Leal. Os 200 alunos com melhor desempenho no curso serão men- torados por profissionais negros que já atuam na área. No Hotel Hilton Porto Alegre. Inscreva-se! Lideranca e Transição Energética: a realidade que assusta! Erasmo Battistella Diretor Presidente da Be8 e Presidente da Câmara de Comércio Italiana Rio Grande do Sul - Brasil 31mar, 12h-14h P A T R O C Í N I O M A S T E R A P O I O 12 Jornal do Comércio | Porto Alegre economia índices e mercados Segunda-feira, 24 de março de 2025 1Jornal do Comércio | Porto Alegre índices e mercados Segunda, 01 de Janeiro de 1900 OURO ALUGUEL Indicador (%) Março Abril Maio Junho Julho IPC (IEPE) 3,48 3,08 2,86 3,21 3,66 INPC (IBGE) 3,86 3,40 3,23 3,34 3,70 IPC (FIPE/USP) 3,00 2,87 2,77 2,66 2,97 IGP-DI (FGV) -4,04 -4,00 -2,32 0,88 2,88 IGP-M (FGV) -3,76 -4,26 -3,04 -0,34 2,45 IPCA (IBGE) 4,50 3,93 3,69 3,93 4,23 Média do INPC e do IGP-DI -0,09 -0,30 0,46 2,11 3,29 Válido para correção de imóveis com período anual. O cálculo do reajuste é feito pelo índice do mês anterior. Os índices desta tabela mostram o acumulado de 12 meses. CUB - RS - FEVEREIRO NBR 12.721 - Versão 2006 Projetos Padrão de acabamento Projetos padrões R$/m2 Variação (%) Mensal No ano 12 meses Residenciais R - 1 (Residência Unifamiliar) Baixo R 1-B 2.335,58 0,37 0,08 6,36 Normal R 1-N 3.074,28 0,40 0,56 8,41 Alto R 1-A 4.133,56 0,17 0,51 8,84 PP (Prédio Popular) Baixo PP 4-B 2.206,95 0,30 -0,08 6,61 Normal PP 4-N 3.007,65 0,24 0,40 8,38 R - 8 (Residência Multifamiliar) Baixo R 8-B 2.100,95 0,28 -0,20 6,68 Normal R 8-N 2.621,74 0,29 0,33 8,51 Alto R 8-A 3.347,07 0,11 0,39 9,30 R - 16 (Residência Multifamiliar) Normal R 16-N 2.565,48 0,29 0,34 8,51 Alto R 16-A 3.420,98 0,28 0,44 9,31 PIS (Projeto de Interesse Social) PIS 1.678,53 0,31 0,06 6,20 RPQ1 (Residência Popular) RP1Q 2.395,80 0,73 0,57 6,25 Comerciais CAL- 8 (Comercial Andar Livres) Normal CAL 8-N 3.385,59 0,17 0,57 9,39 Alto CAL 8-A 3.884,25 0,13 0,82 10,62 CSL- 8 (Comercial Salas e Lojas) Normal CSL 8-N 2.611,26 0,34 0,27 8,37 Alto CSL 8-A 3.038,07 0,42 0,59 9,68 CSL- 16 (Comercial Salas e Lojas) Normal CSL 16-N 3.517,16 0,34 0,30 8,51 Alto CSL 16-A 4.087,91 0,40 0,60 9,74 GI (Galpão Industrial) GI 1.301,65 0,56 0,01 6,21 FONTE: SINDUSCON/RS ⁄ MERCADO IMOBILIÁRIO ⁄ CRÉDITO DOS BANCOS CHEQUE ESPECIAL Taxa média Banco % (ao mês) Bradesco 8,96 Banco do Brasil 7,90 Banrisul 7,71 Safra 5,36 Santander 8,26 Caixa Econômica Federal 8,12 Agibank - Itaú Unibanco 8,76 Período: 27/01/2025 a 31/01/2025 FONTE: BANCO CENTRAL � � ⁄ CONJUNTURA PIB Ano Índice (%) 2026* 1,60 2025* 1,99 2024 3,49 2023 2,92 2022 3,03 *Previsão Focus FONTE: IBGE BALANÇA (US$ bi) Exportação Importação Saldo Fev 17.004 15.713 1.290 Jan 42.184 38.729 3.455 Dez 17.000 15.703 1.297 Nov 28.021 30.991 7.030 Out 29.304 25.109 4.195 FONTE: BANCO CENTRAL RESERVAS Liquidez Internacional Data US$ bilhões 20/03 19/03 18/03 17/03 14/03 13/03 335.345 334.667 334.788 334.855 334.400 334.332 FONTE: BANCO CENTRAL SALÁRIO- FAMÍLIA Quem recebe salário de até R$ 1.906,04 Benefício de R$ 65,00 SALÁRIO- MÍNIMO Cada faixa atende a categorias específi cas. Nacional: R$ 1.518,00 Rio Grande do Sul R$ 1.656,52 R$ 1.694,66 R$ 1.733,10 R$ 1.801,55 R$ 2.099,27 CESTA BÁSICA DIEESE (R$) IEPE/UFRGS (R$) 1/2025 770,63 1.045,19 12/2024 783,72 1.332,24 11/2024 780,71 1.316,33 DIEESE: 13 produtos para famílias com até quatro pessoas e um salário mínimo. IEPE/UFRGS: 54 produtos com 1.182 famílias da Região Metropolitana que recebem até 21 salários mínimos. IMPOSTO DE RENDA Base cálculo (R$) Alíquota (%) Dedução (R$) Até 2.259,90 --- --- De 2.259,21 até 2.826,65 7,5 169,44 De 2.826,66 até 3.751,05 15 381,44 De 3.751,06 até 4.664,68 22,5 662,77 Acima de 4.664,68 27,5 896,00 Deduções: R$ 189,59 por dependente mensal; R$ 1.903,98 por aposentadoria após os 65 anos; pensão alimentícia. FONTE: RECEITA FEDERAL CONTRIBUIÇÕES AO INSS Salário contribuição (R$) Alíquota (%) Até um salário mínimo (R$ 1.518) 7,5 De R$ 1.518,01 a R$ 2.793,88 9 De R$ 2.793,89 a R$ 4.190,83 12 De R$ 4.190,84 a R$ 8.157,41 14 Tabela de contribuição dos segurados empregados, empregado doméstico e trabalhador avulso, para pagamento de remuneração apartir de 1 de Janeiro de 2025. FONTE: PREVIDÊNCIA SOCIAL ⁄ SUA VIDA ⁄ CADERNETA DE POUPANÇA ANTIGA (depósitos até 3/5/2012) Dia 24/03 25/03 26/03 27/03 28/03 Rendimento % 0,5748 0,5748 0,5754 0,5761 0,5773 Mês Fevereiro Março Rendimento % 0,5000 0,5000 *Contas com aniversário no dia 1 FONTE: BANCO CENTRAL NOVA (depósitos a partir de 4/5/2012) Dia 24/03 25/03 26/03 27/03 28/03 Rendimento % 0,5748 0,5748 0,5754 0,5761 0,5773 FONTE: BANCO CENTRAL INDEXADORES Out 2024 Nov 2024 Dez 2024 Valor de alçada (R$) - 13.322,50 13.367,50 URC R$/anual 53,10 53,29 53,47 UPF-RS (R$)/anual 25,9097 25,9097 25,9097 FGTS (3%) - - - UIF-RS 35,09 35,24 35,44 UFM (Unidade fi nanceira de Porto Alegre/anual/R$) 5,5089 FONTE: FORUM CENTRAL DE PORTO ALEGRE, SEC. DA FAZENDA DO RS, CEF, TRT E SEDAI ÍNDICES DE PREÇOS (%) Acumulado Nov Dez Jan Fev Ano 12 meses IGP-M (FGV) 1,30 0,94 0,27 - 0,27 6,75 IPA-M (FGV) 1,74 1,21 0,24 - 0,24 7,59 IPC-BR-M (FGV) 0,07 0,12 - - - 4,02 INCC-M (FGV) 0,44 0,51 0,71 - 0,71 6,85 IGP-DI (FGV) 1,18 0,87 0,11 - 0,11 7,27 IPA-DI (FGV) 1,66 1,08 - - - 7,72 IPA-Ind. (FGV) 0,94 1,25 0,61 - 0,61 6,21 IPA-Agro (FGV) 3,50 0,63 -1,55 - -1,55 14,27 IGP-10 (FGV) 1,45 1,14 0,53 - 0,53 6,73 INPC (IBGE) 0,33 0,48 0,00 1,48 1,48 4,87 IPCA (IBGE) 0,39 0,52 0,16 1,31 1,47 5,06 IPC (IEPE) 0,33 0,69 0,02 - 0,02 3,38 IPCA-E (IBGE) 0,62 0,34 - - Trimestral: - FONTE: FGV, IBGE E IEPE ÍNDICES EDITADOS EM 05/02/2025 IPCA ANUAL Ano Índice (%) 2026* 4,48 2025* 5,66 2024 4,89 2023 4,46 2022 5,62 *Previsão Focus FONTE: IBGE ⁄ INFLAÇÃO ⁄ MOEDAS Dia Comercial VariaçãoCompra Venda 21/03 5,7167 5,7177 +0,74% 20/03 5,6753 5,6758 +0,49% 19/03 5,6475 5,6480 -0,42% 18/03 5,6716 5,6721 -0,25% 17/03 5,6854 5,6864 -0,99% DÓLAR Compra Venda Dólar (EUA) 5,8600 5,9500 Dólar Australiano 3,1000 3,9000 Dólar Canadense 3,5000 4,3500 Euro 6,3500 6,4450 Franco Suíço 5,3000 6,9000 Libra Esterlina 6,5000 7,9000 Peso Argentino 0,0300 0,0600 Peso Uruguaio 0,1000 0,1700 Yene Japonês 0,0265 0,0450 Yuan Chinês 0,3500 0,9000 FONTE: AGÊNCIA ESTADO E PRONTUR CÂMBIO TURISMO/BRASIL Dia B3 grama Nova York onça-troy (31,1035g) 21/03 343,000 3.021,40 20/03 343,000 3.043,80 19/03 343,000 3.041,2 FONTE: AGÊNCIA ESTADO CÂMBIO BC 21/03/2025 - Valor de venda Em R$ Em US$ Real 1,00 5,7235 Dólar (EUA) 5,7235 1 Euro 6,1842 1,0805 Yene (Japão) 0,03842 148,98 Libra Esterlina (UK) 7,3793 1,2893 Peso Argentino 0,005358 1068 ⁄ COTAÇÕES DÓLAR FUTURO 21/03/2025 Meses Contr. aberto Contr. negoc. Máximo Médio Último Volume total Abri/2025 636.011 242.430 5.695,000 5.679,665 5.688,500 68.846.059.875 Mai/2025 49.190 6.070 5.724,000 5.717,547 5.724,000 1.735.275.750 Jun/2025 3.535 - - - - - Jul/2025 4.200 - - - - - Bolsa de Mercadorias & Futuros - Taxa do Dólar Comercial (contrato =US$ 50.000,00; cotação = R$ 1.000,00) FONTE: B3 JUROS FUTURO 21/03/2025 Meses Contr. aberto Contr. negoc. Máximo Médio Último Volume total Abr/2025 3.235.770 88.899 14,16 14,15 14,15 8.852.619.257 Mai/2025 600.470 59.952 14,16 14,15 14,15 5.907.659.193 Jun/2025 751.867 62.241 14,35 14,34 14,35 6.064.048.351 Jul/2025 3.422.939 436.042 14,50 14,46 14,47 42.021.004.198 Bolsa de Mercadorias & Futuros - DI de 1 Dia Futuro FONTE: B3 (contrato = R$ 100.000,00; cotação = PU) PETRÓLEO Tipo Em US$ Brent/Londres/Abr 72,00 WTI/Nova Iorque/Mar 68,07 PREÇOS RECEBIDOS PELOS PRODUTORES Rio Grande do Sul - Semana de 10/03/2025 a 14/03/2025 Produto Unidade Mínimo (R$) Médio (R$) Máximo (R$) Arroz saco 50 kg 80,00 88,16 95,00 Boi para abate kg vivo 9,00 10,97 12,00 Cordeiro para abate kg vivo 8,00 10,23 11,50 Feijão saco 60 kg 150,00 230,00 480,00 Leite (valor liq. recebido) litro 2,00 2,50 2,78 Milho saco 60 kg 64,00 68,29 76,00 Soja saco 60 kg 126,00 128,44 134,00 Suíno tipo carne kg vivo 5,75 7,74 12,00 Trigo saco 60 kg 65,50 70,17 72,00 Vaca para abate kg vivo 8,00 9,71 10,50 FONTE: EMATER/RS-ASCAR ⁄ AGRONEGÓCIO TJLP Taxa de Juros de Longo Prazo Mês % Fev/2025 7,97 Jan/2025 7,97 Dez/2024 7,43 SELIC Mês Juros para pagamento em atraso Fev/2025 0,99% Jan/2025 1,01% Dez/2024 0,93% Meta: 12,25% Taxa efetiva: 10,75% Para débitos federais, entre eles o I.R, além dos juros, há multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% sobre o valor nominal. TLP-PRÉ* Taxa de Longo Prazo * Sem IPCA Mês % Mar/2025 7,68 Fev/2025 7,45 Jan/2025 7,04 ⁄ INDEXADORES FINANCEIROS Taxa Referencial Período Dias úteis (%) 22/05 a 22/06 22 0,2068 21/05 a 21/06 21 0,1791 20/05 a 20/06 20 0,1515 19/05 a 19/06 20 0,1420 18/05 a 18/06 21 0,1800 FONTE: INVESTIMENTOS E NOTÍCIAS TR Taxa Básica Financeira Validade Índice (%) 22/05 a 22/06 1,0485 21/05 a 21/06 1,0006 20/05 a 20/06 0,9527 19/05 a 19/06 0,9532 18/05 a 18/06 1,0015 FONTE: INVESTIMENTOSE NOTÍCIAS TBF CUSTO DO DINHEIRO Tipo % Hot-money (mês) 0,63 Capital de giro (anual) 6,76 Over (anual) 14,15 CDI (anual) 14,15 CDB (30 dias) 14,16 FONTE: AGÊNCIA ESTADO FONTE: SECOVI/RS FONTE: AGÊNCIA ESTADO FONTE: AGÊNCIA ESTADO CRIPTOMOEDA 23/03 (18h) Valor Bitcoin R$ 490.441,00 13Jornal do Comércio | Porto Alegre economia Segunda-feira, 24 de março de 2025 MUNDO/BOLSAS Nova York Londres Frankfurt Milão Sidney Coreia do Sul Índices em % Dow Jones +0,08% Nasdaq +0,52% FTSE-100 -0,63 Xetra-Dax -0,47 FTSE(Mib) -0,39 S&P/ASX +0,16 Kospi +0,23 Paris Madri Tóquio Hong Kong Argentina China Índices em % CAC-40 -0,63 Ibex + 0,33 Nikkei -0,20 Hang Seng -2,19 BYMA/Merval +3,05 Xangai -1,29 Shenzhen -1,76 BLUE CHIPS Ação/Classe Movimento Itau Unibanco PN +0,22% Petrobras PN +1,55% Bradesco PN +1,38% Ambev ON +0,96% Petrobras ON +1,61% BRF SA ON +0,05% Vale ON +0,37% Itausa PN -0,1% MAIS NEGOCIADAS Ação/Classe Preço R$ Oscilação HAPVIDA ON NM 2,17 -3,56% BRADESCO PN N1 12,52 +1,38% BRASIL ON EX NM 28,37 +0,42% PETROBRAS PN ATZ N2 36,80 +1,55% CEMIG PN N1 10,80 -4,85% (N1) Nível 1 (N2) Nível 2 (NM) Novo Mercado (S) Referenciadas em US$ MAIORES ALTAS Ação/Classe Preço R$ Oscilação LIGHT S/A ON NM 4,67 +14,18% MOVIDA ON NM 5,01 +13,61% CASAS BAHIA ON NM 8,000 +12,52% PETTENATI ON 9,90 +11,86% BEMOBI TECH ON NM 16,410 +9,40% (*) cotações p/ lote mil ($) ref. em dólar (NM) Cias Novo Mercado (N1) Cias Nível 1 (#) ações do Ibovespa (&) ref. em IGP-M (N2) Cias Nível 2 (MB) Cias Soma MAIORES BAIXAS Ação/Classe Preço R$ Oscilação ZAMP S.A. ON 2,40 −15,49% PLASCAR PARTON 6,12 −12,32% COPEL PNA N2 9,98 −10,89% AUTOMOB ON NM 0,270 −10,00% MONT ARANHA ON 270,00 −9,40% (*) cotações por lote de mil ($) ref. em dólar (NM) Cias Novo Mercado (N1) Cias Nível 1 (#) ações do Ibovespa (&) ref. em IGP-M (N2) Cias Nível 2 (MB) Cias Soma ⁄ MERCADO DIA ⁄ MERCADO DE CAPITAIS Na semana, Ibovespa teve avanço de 2,63% Moeda norte-americana apresentou alta firme na sexta-feira e voltou a superar o nível de R$ 5,70 Com agenda esvaziada na sexta-feira, o Ibovespa teve um dia de acomodação após a leve realização da quinta-feira, que sucedeu seis dias de ganhos, no que foi sua mais longa sequên- cia de alta desde agosto passa- do. A referência da B3 oscilou apenas 812 pontos entre a mí- nima (131.776,39) e a máxima (132.588,02) da sessão, em que saiu de abertura aos 131.934,22 pontos. Ao fim, conseguiu se afastar um pouco da estabili- dade, em alta de 0,30%, aos 132.344,88 pontos, com giro a R$ 54,9 bilhões em dia de ven- cimento de opções sobre ações. Na semana, o Ibovespa teve alta de 2,63%, vindo de ganhos de 3,14% e de 1,82% nos inter- valos anteriores, que colocam o avanço no ano a 10,03% e o do mês a 7,77%. “O ganho do Ibo- vespa na semana foi bastante fo- mentado pelo ingresso de capitalestrangeiro na Bolsa, com a rota- ção de ativos a partir de ajuste recente nos mercados america- nos”, diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos. Em rela- tiva recuperação, o desempenho dos principais índices de ações em Nova York no acumulado da semana ficou entre +0,17% (Nas- daq) e +1,20% (Dow Jones). Na sexta, também prevaleceu alta ao fim: Dow Jones +0,08%, S&P 500 +0,08% e Nasdaq +0,52%. De acordo com os mais re- centes dados disponíveis, em março, até o dia 19, houve en- trada de R$ 5,615 bilhões em recursos estrangeiros na B3, re- sultado de compras acumuladas de R$ 206,191 bilhões e vendas de R$ 200,576 bilhões. No acu- mulado do ano, o fluxo de capi- tal externo está positivo em R$ 14,315 bilhões. Na B3, a sexta-feira era de ajuste majoritariamente negati- vo para as principais blue chips, à exceção de Petrobras, que acentuou ganhos em direção ao fechamento, com a ON em alta de 1,61% e a PN, de 1,55%, em ses- são de pouco avanço para o pe- tróleo em Londres e Nova York. Vale ON também ajudou ao fim, saindo do negativo ao positivo, na máxima do dia no fechamen- to (+0,37%). Entre os grandes bancos, o sinal era misto até per- to do fim, mas também se uni- ficou, com ganhos entre 0,22% (Itaú PN) e 1,61% (Bradesco ON). Na ponta ganhadora do Iboves- pa, Marfrig (+6,80%), Brava (+5,57%) e Hypera (+3,93%). No lado oposto, Automob (-10,00%), Cemig (-4,85%) e Petz (-4,30%). No exterior, fato importante foi o retardamento de sanções tarifárias da União Europeia em resposta a iniciativas dos Esta- dos Unidos, o que sinaliza um possível diálogo entre as partes para uma solução em comum acordo, acrescenta o operador, contribuindo para uma certa tranquilidade quanto a desdo- bramentos da guerra comercial nesta véspera de fim de semana. Nesse contexto mais favorá- vel ao apetite por risco, o mer- cado financeiro voltou a elevar o otimismo quanto ao desem- penho das ações no curtíssimo prazo. A parcela que espera alta do Ibovespa para a próxima se- mana voltou a ser majoritária, com 57,14% dos participantes, bem acima dos 42,86% da edi- ção anterior. Os que preveem queda são 28,57% e os que acre- ditam em estabilidade, 14,29%, ante 42,86% e 14,29% na últi- ma pesquisa. Bruna Centeno, advisor da Blue3 Investimentos, observa que o Ibovespa iniciou a sexta- -feira em leve alta, mas não con- seguia subir muito ao longo da sessão até perto do fechamento, ante o avanço do dólar (+0,74%, a US$ 5,7177) e também da cur- va de juros doméstica - tendo permanecido, dessa forma, bem perto do “zero a zero” na maior parte da etapa vespertina. “Mer- cado acompanha o risco de uma desaceleração econômica global, associado à política comercial dos Estados Unidos, que pode tirar até 1 ponto porcentual de crescimento do PIB americano, conforme já estimam algumas casas de análise, gestoras e cor- retoras”, acrescenta. “Cenário é de incerteza e cautela.” O dólar apresentou alta firme na sexta-feira e voltou a superar o nível de R$ 5,70, acompanhan- do a onda de fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, em dia marcado por apreensão sobre os impactos das tarifas do presidente dos Esta- dos Unidos, Donald Trump, so- bre a economia dos EUA. O real, que vinha apresentando desem- penho superior a de seus pares nos últimos dias, teve a segunda maior perda entre as principais divisas globais, à frente da moe- da de Israel, que recuou mais de 1% em relação ao dólar. Além de tradicionalmen- te sofrer mais em períodos de aversão ao risco, o real pode ter sido abalado pelo desconforto com o quadro fiscal provocado pelos números do Orçamento de 2025, aprovado na quinta à noi- te pelo Congresso. Com máxima a R$ 5,7345, o dólar encerrou o dia em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,7177. Apesar de ter subido na quinta e na sexta, a moeda fechou a semana com perdas de 0,45% - o que leva a desvaloriza- ção acumulada em março para 3,36%. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) continuaram a subir na sexta- -feira, refletindo a reação dos in- vestidores ao orçamento do go- verno para 2025 e, em menor grau, a continuidade dos ajus- tes na curva após a sinalização dada pelo Comitê de Política Mo- netária (Copom) do Banco Cen- tral na quarta-feira, de pelo me- nos mais um aumento da Selic. A taxa do contrato de DI para janeiro de 2026 subiu a 14,930%, de 14,878% no ajus- te anterior. A taxa para janeiro de 2027 aumentou a 14,780%, de 14,653%, e a taxa para janeiro de 2029 avançou a 14,535%, de 14,411%. 14 Jornal do Comércio | Porto Alegre economia Segunda-feira, 24 de março de 2025 ⁄ CONJUNTURA Novo consignado supera 35 milhões de simulações Modelo permite que trabalhadores formais solicitem empréstimos a juros mais baixos do que os de mercado A nova linha de crédito con- signado criada pelo governo Lula (PT) já registrou 35,9 milhões de simulações de empréstimo e cer- ca 3,13 milhões de solicitações de proposta feitas às instituições até as 11h deste domingo, conforme dados da Dataprev, empresa de tecnologia de informações da Pre- vidência, divulgados pelo Ministé- rio do Trabalho. Foram apenas três dias desde o lançamento do em- préstimo, na sexta-feira. O Progra- ma Crédito do Trabalhador já fir- mou nesse período 7.644 contratos por meio do aplicativo da Carteira Digital de Trabalho Digital (CTPS Digital). Com garantia do FGTS, as instituições financeiras participan- tes da modalidade têm o prazo de até 24 horas para fornecer opções, que depois serão avaliadas pelos trabalhadores. O modelo permi- te que trabalhadores formais so- licitem empréstimos a juros mais baixos do que os praticados pelo mercado, tendo o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia. A adesão ao crédito deve ser feita pelo aplicativo CTPS Digital (Carteira de Trabalho Digital), na aba Crédito ao Trabalhador. De acordo com o Ministério do Tra- balho, o volume de acesso à pla- taforma nos últimos dois dias está 12 vezes acima do referencial se- manal, considerando os últimos três meses. Diante da alta procu- ra, o chefe da pasta, Luiz Mari- nho, alertou para que os interes- sados no modelo de crédito “não tenham pressa” em fechar o con- trato. O ideal, segundo ele, é que os trabalhadores aguardem as 24 ho- ras necessárias para que todas as instituições financeiras habilitadas enviem suas propostas. “O trabalhador precisa ter cau- tela, calma para analisar a melhor proposta”, disse o ministro. Quem contratar o novo con- Em apenas três dias de operação, modalidade de crédito teve 7.644 contratos firmados até às 11h de ontem JOEL SANTANA/PIXABAY/JC signado terá as parcelas do em- préstimo descontadas mensalmen- te na folha de pagamento por meio do eSocial, observada a margem consignável de 35% do salário. É preciso autorizar as institui- ções financeiras habilitadas pelo Ministério do Trabalho a acessar dados como nome, CPF, margem do salário disponível para consig- nação e tempo de empresa, em respeito à LGPD (Lei Geral de Pro- teção de Dados). Apenas a partir de 25 de abril o trabalhador que já tem empréstimo com descon- to em folha poderá pedir migra- ção do contrato existente para o novo modelo. Iniciativa deve impulsionar bancos em meio à alta de juros, dizem especialistas O novo consignado privado deve ter um efeito positivo no ba- lanço dos bancos ao reduzir o risco em meio à alta da inflação e dos juros, dizem especialistas. Apesar de ser um produto mais barato, já que é mais seguro - o que impli- ca juros menores-, seu volume de contratação deve ser maior que o do crédito pessoal, que tem taxas mais altas, o que deve compen- sar a diferença na rentabilidade das operações. Além disso, com a garantia do salário e do FGTS (Fundo de Ga- rantia do Tempo de Serviço) do trabalhador contratante, a perda esperada da nova modalidade é menor. Se ele tomar o lugar do cré- dito pessoal, como é a aposta do governo, bancos poderão provisio- nar menos dinheiro paraperdas esperadas, o que tende a melhorar o resultado final da instituição. Segundo analistas, a perda es- perada dos bancos no crédito pes- soal varia entre 20% e 30%, em média. Já no consignado privado, apenas de 6% a 8% dos emprésti- mos ficam sem pagamento. “Esperamos que a nova reso- lução estimule a originação e me- lhore a qualidade do crédito no setor bancário, mesmo que possa impactar negativamente as mar- gens devido à migração de linhas de crédito mais caras para este produto, que será objeto de uma concorrência mais intensa. No en- tanto, o efeito líquido será positi- vo para o sistema”, diz Alexandre Albuquerque, analista sênior da Moody’s Ratings. A expectativa inicial da Febra- ban (Federação Brasileira de Ban- cos) é que R$ 85 bilhões de crédito pessoal contratado por trabalhado- res formais migre para o novo con- signado. “A introdução de um pro- duto mais barato e de menor risco provavelmente fornecerá algum suporte ao crédito em um ano mar- cado por um apetite reduzido devi- do ao aumento das taxas de juros, desaceleração econômica e dimi- nuição da confiança empresarial e do consumidor”, diz relatório da Moody’s sobre o novo consignado. Com a inflação e os juros em alta, os grandes bancos disseram que não irão acelerar a concessão de empréstimos e financiamentos neste ano. A estratégia, porém, não vale para o novo consignado. “O consignado privado para o Banco do Brasil é um oceano azul. Temos experiência com o consignado INSS e vamos usá-la para buscar a liderança de mer- cado também nessa nova moda- lidade”, afirmou Tarciana Medei- ros, presidente do banco estatal, em entrevista sobre o balanço de 2024. O BB pretende abocanhar 10% de participação de merca- do na nova modalidade. No atual consignado privado, o banco tem apenas 3,8%, segundo dados da Genial Investimentos. Os líderes são Itaú e Santan- der, com 30,2% do mercado cada um, que se destacaram em 2024 com crescimento de lucro líquido e rentabilidade em meio à alta de ju- ros. O Bradesco, que visa uma car- teira de crédito mais saudável, tem 12% do consignado privado. “Esperamos que os bancos públicos serão mais proativos [em oferecer o novo consignado] e os privados serão mais graduais”, dizem Alexandre Albuquerque e Daniel Girola, analistas sênior da Moody’s Ratings. Além de BB e Caixa Econômi- ca Federal, os analistas também esperam fortes ofertas de Nubank, Banco Inter e C6 Bank, que quase não têm a modalidade por falta de convênios com grandes empresas. “Estamos preparados para ofertar taxas competitivas com um modelo ágil, que garante o pa- gamento em até uma hora, com ta- xas em linha com a média do mer- cado, de 2,80%, podendo variar de acordo com o perfil de cada clien- te”, afirma Flávio Queijo, diretor de Crédito Imobiliário e Consigna- do do Inter -o crédito pessoal tem uma média de juro de 6%. A expectativa do banco digi- tal é que o novo produto seja uma alavanca para o cumprimento da meta de crescimento para 2027, de 60 milhões de clientes (atualmente são 36 milhões) e um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 30% (atualmente a 11,7%). Já os grandes bancos devem seguir conservado- res na concessão de crédito, diz a Moody’s, de modo a manter uma carteira saudável e rentável e recu- perar a margem de lucro. Em es- pecial, Bradesco e Santander, que estão em processo de recuperação após troca de CEOs.Banco do Brasil pretende ficar com 10% da participação de mercado no novo consignado, destaca Tarciana TÂNIA MEINERZ/JC 15Jornal do Comércio | Porto Alegre economia Segunda-feira, 24 de março de 2025 Administrativo e Financeiro Telefone (51) 3213.1381 financeiro@jornaldocomercio.com.br rh@jornaldocomercio.com.br suprimentos@jornaldocomercio.com.br Redação Telefones e e-mails (51) 3213.1362 Editoria de Economia (51) 3213.1369 economia@jornaldocomercio.com.br Editoria de Geral (51) 3213.1372 geral@jornaldocomercio.com.br Editoria de Política (51) 3213.1374 politica@jornaldocomercio.com.br Editoria de Cultura (51) 3213.1376 cultura@jornaldocomercio.com.br Departamento de Circulação circulacao@jornaldocomercio.com.br Atendimento ao Assinante Telefone (51) 3213.1300 De 2ª a 6ª das 8h às 18h atendimento@jornaldocomercio.com.br Vendas de Assinaturas Telefone/Whatsapp: (51) 3213.1397 vendas.assinaturas@jornaldocomercio.com.br Exemplar avulso: R$ 6,50 Whatsapp: Henderson Comunicação Brasília - DF QI 23. 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Trata-se da energia gerada pelos próprios con- sumidores perto do local de con- sumo, por meio de painéis em te- lhados e pequenos terrenos. Com isso, a modalidade chegou a 37,4 GW de potência instalada no País, detalhou a Absolar. Considerando, também, a capacidade de grandes usinas fotovoltaicas conectadas no Sistema Interligado Nacional (SIN), de 17,6 GW, a fonte solar alcançou 55 GW no Brasil. Isso representa 22,2% da matriz elétrica brasilei- ra (250 GW), o que lhe confere a posição de segunda maior fonte do País, atrás da hidrelétrica (44,6%) e à frente da eólica (13,4%). Pelo balanço da Absolar, a ge- ração fotovoltaica já evitou a emis- são de cerca de 66,6 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade, contribuindo para a transição energética no Brasil. Desde 2012, o setor teria trazi- do para o País mais de R$ 251,1 bi- lhões em investimentos novos, 1,6 milhão de empregos, e contribuído com mais de R$ 78 bilhões em ar- recadação aos cofres públicos. Entre as unidades consumido- ras abastecidas pela geração distri- buída, residências lideram o uso da tecnologia, com 69,2% do total de imóveis, seguidas pelos comér- cios (18,4%) e propriedades rurais (9,9%). Entre os estados, Minas Ge- rais aparece em primeiro no volu- me de unidades atendidas pela ge- ração própria solar, com mais de 900 mil. Na sequência, estão São Paulo, com 756 mil, e Rio Grande do Sul, com 468 mil. Entre janei- ro e março, período marcado pela onda de calor extremo que elevou o consumode energia, foram ins- talados mais de 147 mil sistemas solares pelos consumidores, que passaram a abastecer cerca de 228,7 mil imóveis, em total de 1,6 gigawatt (GW) adicionado, infor- mou a entidade. Apesar do crescimento, o se- tor enfrenta gargalos apontados pela Absolar no documento: falta de ressarcimento aos empreende- dores pelos cortes compulsórios de geração renovável (curtailments), que traz “insegurança jurídica e maior percepção de risco”, e bar- reiras à conexão de pequenos sis- temas de geração própria solar, sob a alegação de inversão de flu- xo de potência, sem que haja es- tudos técnicos que comprovem as eventuais sobrecargas na rede. Não fossem esses entraves, diz ⁄ ENERGIA Geração distribuída de energia solar supera 5 milhões de imóveis no País Sistema fotovoltaico já evitou a emissão de cerca de 66,6 milhões de toneladas de CO2 Estado tem 468 mil unidades consumidoras próprias, diz a Absolar CELESC/DIVULGAÇÃO/JC a Absolar, “o setor poderia contri- buir ainda mais e atender volume maior de consumidores, de todos os perfis, que buscam economia, independência e autonomia”. Segundo a Absolar, a partici- pação da geração própria solar ain- da é de apenas 5%, frente às 93,9 milhões de unidades consumido- ras de energia elétrica no mercado cativo brasileiro. “Com a queda de mais de 50% no preço dos painéis solares nos últimos dois anos, vi- vemos o melhor momento para se investir em sistemas fotovoltaicos em residências, empresas e pro- priedades rurais. E ainda há um enorme potencial de crescimento do uso da tecnologia fotovoltaica”, aponta no documento Ronaldo Ko- loszuk, presidente do Conselho de Administração da Absolar. Segundo a entidade, ao apro- ximar a geração de eletricidade dos locais de consumo, a geração própria solar “reduz o uso da in- fraestrutura de transmissão, ali- via a pressão sobre a operação e diminui as perdas em longas distâncias, o que contribui para a confiabilidade e segurança em momentos críticos”. Por outro lado, críticos do movimento apontam a intermitência inerente à fonte e a falta de maior acompanhamento e controle sobre a sua penetração. A Absolar também defende a aprovação do Projeto de Lei nº 624/2023, que institui o Programa Renda Básica Energética, para tra- zer soluções aos desafios enfrenta- dos pela geração distribuída solar. (51) 3373.5509 www.espacoconte.com.br 16 Jornal do Comércio | Porto Alegre internacional Segunda-feira, 24 de março de 2025 internacional@jornaldocomercio.com.br ⁄ VATICANO O papa Francisco fez sua pri- meira aparição pública em cinco semanas antes de receber alta nes- te domingo do hospital onde sobre- viveu a um grave caso de pneumo- nia que por duas vezes ameaçou sua vida. De cadeira de rodas, o lí- der da Igreja Católica fez uma bre- ve saudação para os fiéis durante a oração dominical do Angelus, por volta das 8 horas da manhã (horá- rio de Brasília). Os fiéis aclamaram o retorno com gritos de “viva o papa” e, em mensagem lida para todos, o pon- tífice agradeceu as orações por sua recuperação. Ele deu sua bênção do 5º an- dar do Hospital Gemelli, em Roma. Ele preferiu fazer a aparição deste local - e não do 10º andar do pré- dio, onde fica a suíte papal - para que as centenas de fiéis que se reú- nem na praça próxima ao Gemelli possam vê-lo melhor. Ele não pre- side a oração do Angelus desde 9 de fevereiro. Após se despedir da equipe do centro médico, ele retornará ao Va- ticano para começar pelo menos dois meses de descanso, reabilita- ção e convalescença, durante os quais os médicos disseram que ele deveria evitar encontros em gran- des grupos ou esforçar-se demais. Contudo, o médico pessoal de Francisco, o doutor Luigi Carbone, Papa faz primeira aparição pública após internação De cadeira de rodas, pontífice fez saudação a fiéis neste domingo Após alta, médicos recomendam a Francisco dois meses de repouso FILIPPO MONTEFORTE/AFP/DIVULGAÇÃO/JC disse no sábado que o papa even- tualmente deveria poder retomar todas as suas atividades normais desde que mantenha o progresso lento e constante que tem apresen- tado até agora. Seu retorno para casa, após a hospitalização mais longa de seu papado de 12 anos e a segunda mais longa na história papal re- cente, trouxe alívio tangível ao Va- ticano e aos fiéis católicos que têm acompanhado com nervosismo os 38 dias de altos e baixos médi- cos e se perguntando se Francisco se recuperaria. Nenhum arranjo especial foi feito na Domus Santa Marta, o ho- tel do Vaticano ao lado da basíli- ca de São Pedro onde Francisco vive em uma suíte de dois quartos no segundo andar. Francisco terá acesso a oxigênio suplementar e cuidados médicos 24 horas por dia conforme necessário, embora Car- bone tenha dito que espera que Francisco progressivamente pre- cise de menos assistência respira- tória à medida que seus pulmões se recuperem. Embora a infecção por pneu- monia tenha sido tratada com su- cesso, Francisco continuará to- mando medicação oral por um bom tempo para tratar a infecção fúngica em seus pulmões e conti- nuará sua fisioterapia respiratória e física. “Por três ou quatro dias ele tem perguntado quando pode ir para casa. Então ele está muito fe- liz”, disse Carbone. ⁄ GUERRA Israel amplia ofensiva em Gaza e mata liderança política do Hamas Explosões e bombardeios atingiram o norte, centro e sul da Faixa de Gaza neste domingo, em momento de escalada dos comba- tes retomados na semana passa- da entre Israel e Hamas. Ao menos 30 palestinos mor- reram em ataques israelenses em Rafah e Khan Yunis, no sul do ter- ritório de acordo com autoridades de saúde ligadas ao Hamas. O grupo terrorista afirmou também que um de suas lideran- ças políticas, Salah al-Bardaweel, morreu em ataques. Bardaweel era membro do órgão de tomada de decisões do Hamas e ocupou cargos como chefe da delegação da facção para negociações indiretas de tré- gua com Israel em 2009 e liderou o escritório de mídia do grupo em 2005. Menos de uma semana após Israel romper o cessar-fogo e reto- mar os bombardeios na Faixa de Gaza, o Hamas afirma que o nú- mero de palestinos mortos no ter- ritório ultrapassou 50 mil. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, disse que são ao menos 50.021 mortos - o grupo terrorista não diferencia civis de integrantes da facção. O total de feridos seria de 113.274 desde o início da guer- ra, ainda segundo o Hamas. Cer- ca de 1.200 pessoas foram mor- tas no ataque terrorista em Israel em outubro de 2023, e mais de 250, sequestradas. Além de bombardeios, nes- te domingo Israel ampliou ope- rações terrestres em Gaza. Em comunicado publicado na rede social X, o porta-voz militar is- raelense Avichay Adraee disse que o Exército israelense realiza uma ofensiva no bairro Tal al-Sul- tan, em Rafah, cidade no sul do território palestino que faz fron- teira com o Egito. O porta-voz militar também pediu aos palestinos que estavam na região que deixassem a “peri- gosa zona de combate” e se deslo- cassem para o norte do território. A mesma mensagem está es- crita em cartazes lançados por drones nesta área de Rafah, con- forme observado por correspon- dentes da AFP em Gaza. Depois de várias semanas de desacordo com o Hamas so- bre como continuar a trégua que entrou em vigor em 19 de janei- ro, Israel quebrou o cessar-fogo ao retomar seus bombardeios na Faixa de Gaza antes de enviar no- vamente soldados para as áreas de onde havia se retirado durante a trégua. O ministro israelense da De- fesa, Israel Katz, ameaçou nes- ta semana anexar parte de Gaza caso o grupo terrorista não liber- te os reféns ainda sob seu poder. Ele disse que Tel Aviv está inten- sificando os ataques por ar, terra e mar na região. Em 2 de março, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu cortou tam- bém o fluxo de ajuda humanitá- ria para o território conflagrado. Israel parou ainda de fornecer eletricidade para a principal usi- na de dessalinizaçãode água no local. O enviado especial dos Esta- dos Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, afirmou que o Ha- mas é o responsável pela retoma- da dos combates em Gaza após o grupo rejeitar proposta para con- tinuidade do acordo. Em paralelo, os rebeldes hou- this no Iêmen, apoiados e finan- ciados pelo Irã, reivindicaram a autoria de um disparo de míssil balístico em direção ao aeroporto Ben Gurion, em Israel, na manhã deste domingo. Israel afirmou que interceptou o míssil antes que ele cruzasse as fronteiras do país. Gaza voltou a ser alvo de ataques após Israel romper cessar-fogo EYAD BABA/AFP/JC ⁄ RELAÇÕES INTERNACIONAIS EUA proíbem Cristina Kirchner de entrar no país O secretário de Estado dos Es- tados Unidos, Marco Rubio, anun- ciou a proibição de entrada da ex- -presidente da Argentina Cristina Kirchner e de Julio Miguel de Vido, ex-ministro de Planejamento do país sul-americano, alegando “en- volvimento em corrupção significa- tiva durante o tempo em que ocu- param cargos públicos”. De acordo com comunicado di- vulgado pelo Departamento de Es- tado americano, os familiares ime- diatos do dois ex-líderes argentinos também estão “inelegíveis para entrada nos EUA”. “Kirchner e de Vido abusaram de suas posições ao orquestrar e se beneficiar financei- ramente de múltiplos esquemas de suborno envolvendo contratos de obras públicas, resultando em mi- lhões de dólares roubados do go- verno argentino”, afirmou Rubio. No texto, o secretário rea- firmou o compromisso dos EUA em combater a corrupção global, “incluindo nos mais altos níveis de governo”. ⁄ INGLATERRA Reino Unido ordena investigação sobre Heathrow O governo do Reino Unido or- denou no sábado uma investigação sobre a “resiliência energética” da região, após o incêndio em uma subestação elétrica ter forçado o fechamento do aeroporto de Hea- throw, na última sexta-feira. O inci- dente causou transtornos em voos em todo o mundo. O Secretário de Energia britâ- nico, Ed Miliband, disse que a si- tuação não pode se repetir, e pediu ao operador do sistema que super- visiona as redes de gás e eletricida- de para “investigar urgentemente” o incêndio. Os primeiros resultados devem sair em até seis semanas. O líder da Comissão Nacional de Preparação, Toby Harris, afir- mou que o fechamento de Hea- throw foi “um grande constrangi- mento” para o país. 17Jornal do Comércio | Porto Alegre política Segunda-feira, 24 de março de 2025 ⁄ JULGAMENTO STF tem 4 votos para condenar Carla Zambelli Ministro Flávio Dino votou para culpar deputada federal do PL/SP por perseguir homem armada em 2022 O ministro Flávio Dino, do Su- premo Tribunal Federal (STF), deu o quarto voto no plenário virtual para condenar a deputada federal Carla Zambelli (PL/SP) por porte ilegal e arma e constrangimento legal com emprego e arma de fogo. O processo movido em razão de a parlamentar, com uma pistola, ter perseguido um homem na véspe- ra do segundo turno das eleições de 2022. Antes de Dino, já haviam votado no mesmo sentido o relator do caso, Gilmar Mendes, e os mi- nistros Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes. Ainda não houve divergências e são necessários seis votos para que seja formada maioria no julga- mento, que vai até o próximo dia 28 de março. Os votos, na linha do sugerido pelo relator, definem uma pena de cinco anos e três me- ses de prisão em regime semiaber- to. Gilmar também defendeu que o STF decrete a perda do mandato da deputada como consequência da condenação criminal. Se o posicionamento for con- firmado pela maioria do plená- rio, Carla Zambelli perde o man- dato, mas apenas após o trânsito em julgado do processo, ou seja, depois que todos os recursos fo- rem esgotados. “Ainda que possuísse auto- rização para o porte de arma de fogo, ao utilizá-la de forma osten- siva em uma lanchonete e em via pública, a acusada agiu em des- conformidade com o regulamen- to vigente, o que faz com que sua conduta se adeque perfeitamente à descrição típica contida no artigo 14 da Lei 10.826/2003”, disse Flá- vio Dino em seu voto. Segundo Dino, “a Constituição Federal exige dos agentes públicos uma conduta pautada em valores essenciais, como a honestidade, o respeito à vida do próximo, a pru- dência e o compromisso com o in- teresse público”. “A legitimidade do poder político decorre do rigo- roso respeito às normas jurídicas e éticas, impondo-se, portanto, que todo agente exerça suas funções de forma a afastar condutas lesi- vas ao bem coletivo, sob pena de abalar a confiança legitimamente depositada pela sociedade. É uma contradição insanável que um re- presentante político ameace gra- vemente um representado, como se estivesse acima do cidadão ao ponto de sujeitá-lo com uma arma de fogo, em risco objetivo de per- der a sua vida”, completou. A defesa de Carla Zambelli tentou tirar o processo do STF, ale- gando que o caso não tem relação com o exercício do mandato e, por isso, deveria ser analisado na pri- meira instância. A estratégia não prosperou. Carla Zambelli alega que agiu após Se posicionamento for confirmado por maioria, ela perde mandato LULA MARQUES/EBC/JC provocações e que achava que es- tava exercendo um direito, já que ela tinha autorização para portar arma - a licença foi suspensa após o episódio. Carla perseguiu um homem negro junto com seus seguranças no bairro Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno da eleição. A deputada federal sacou a arma e correu atrás do jornalista Luan Araújo até um restaurante da região. Ela reagiu após ouvir que “Amanhã é Lula” e “Vocês vão vol- tar para o bueiro de onde não de- veriam ter saído”. COM LEANDRA PACHECO TODOS AS QUINTAS A PARTIR DAS 19h30 Aponte o seu celular para o QR CODE e tenha acesso a todas nossas plataformas de conteúdo e streaming na palma da sua mão. 18 política Segunda-feira, 24 de março de 2025 Repórter Brasília Conversas entre Trump e Putin O professor Rubem Siqueira Duarte, do programa de pós-gra- duação de ciências militares na Escola de Comandos e Estado-Maior do Exército e coordenador do Laboratório de Análise Política Mun- dial, fez uma avaliação dos possíveis avanços entre as conversas de Donald Trump, dos EUA, e Vladimir Putin, da Rússia, na guerra da Ucrânia. O especialista afirmou que é possível identificar algum avanço nas conversas entre os dois presidentes. Posição do senador Hamilton Mourão “A Guerra na Ucrânia mostrou a falência dos organismos internacionais, que não conse- guiram impedir a invasão inicial, a matança, e nem articular a paz”, avalia o senador gaúcho Hamilton Mourão (foto), general e ex-vice pre- sidente da República, acrescentando que, “por outro lado, há um vácuo de lideranças fortes e autênticas na União Europeia, propiciando que os EUA e a Rússia protagonizem as negociações, ocupando esse vácuo de poder geopolítico”. Interesse econômico “Lembro, por fim, que a reconstrução da Ucrânia tem custo es- timado de ao menos US$ 500 bilhões; fato que sem dúvida vai des- pertar interesses econômicos em função das oportunidades que daí podem advir”, concluiu o senador gaúcho. Trocar espaço por tempo O professor Rubem Siqueira Duarte, em longa entrevista à CBN, disse que “há uma estratégia muito clara de Putin, como a gente chama no meio militar, de trocar espaço por tempo, ou seja, ele cede um pouquinho, quase nada, para conseguir alongar a ne- gociação, e com isso ganhar vantagens lá na frente”. Enrolando Trump “Está muito claro que Putin está conseguindo, com sucesso, enrolar Trump e tentar algumas vantagens mais significativas no longo prazo, como por exemplo, retirar todas as sanções que eles receberam desde o início da guerra, descongelar os ativos que es- tão na Europa, que são russos, e também um jogo político no mun- do”, avalia o coordenador do Laboratório de Análise Política Mun- dial, Rubem Siqueira Duarte. Rússia se sente livre Na opinião de Rubem Siqueira Duarte, “não é a primeira vez quea Rússia se sente livre; em 2007, a Rússia fez um ataque ciber- nético na Estônia, que é membro da Otan, e a Otan não respondeu. Em 2008, invadiu a Geórgia, ninguém respondeu; em 2014, invadiu a Crimeia, ninguém respondeu, e agora mais territórios da Ucrânia, e também a resposta foi aquém do que poderia ser”, avalia o professor. Vantagens para outras negociações O professor fala sobre qual vai ser a relação futura da Rússia com o Irã, qual vai ser a futura relação da Rússia com a Síria, que são os outros tabuleiros que estão acontecendo ao mesmo tempo, e Putin quer usar a guerra na Ucrânia com vantagem também nessas outras negociações. Temor na Europa “O temor que existe, por exemplo, entre países da Europa, é de que a partir da forma como se está conduzindo a negociação desse conflito, a Rússia se sinta livre para tentar agir também em outros territórios, a exemplo do que fez com a Ucrânia; esse é um risco que vai se tornando cada vez mais real”, disse. Países europeus se rearmando É claro, acentua o especialista militar, “a Rússia está se sen- tindo livre, volta a ser uma potência europeia muito forte, e não à toa, os países europeus estão se rearmando”. Líder da bancada gaúcha na Câ- mara dos Deputados em 2025, Mar- celo Moraes (PL) terá o desafio de ar- ticular no Congresso Nacional temas de interesse do Rio Grande do Sul. Entre eles, as tratativas quanto ao Programa de Pleno Pagamento da Dí- vida dos Estados (Propag) e as ações que ainda são necessárias para a re- construção do RS após as cheias de maio de 2024. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Moraes defende que o atual modelo de negociação da dí- vida com a União em que o Estado está inserido, o Regime de Recupe- ração Fiscal (RRF), é prejudicial à competitividade do RS em relação a outros entes federados, mas tam- bém que os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao texto do Propag aprovado no Congresso difi- cultam as finanças gaúchas. Moraes também aborda assun- tos relacionados às articulações do Partido Liberal para as eleições de 2026, tanto em nível estadual quanto nacional. Neste sentido, o parlamen- tar afirma haver a necessidade de um fortalecimento da sigla no RS, e não poupa críticas à atual presidên- cia do partido. Jornal do Comércio – Para 2025, acredita que o tema da re- construção do Estado após as cheias de maio segue sendo a prioridade da bancada? Marcelo Moraes - Com certeza. Temos muitos temas relacionados à reconstrução do Estado. Passamos por um momento muito difícil em 2024, e o governo federal deixou a desejar em relação ao envio de re- cursos para o estado, e acredito que a bancada gaúcha tem fundamental importância dentro dessa discussão. Estou falando isso não só em relação aos recursos, mas muitos projetos importantes tramitam aqui em Bra- sília. Posso dar alguns exemplos. O primeiro deles é o que trata da ques- tão do Propag, que seria praticamen- te um refinanciamento das contas dos estados para com a União. Esse projeto foi apresentado, foi aprova- do, e ele melhora a condição em re- lação ao Regime de Recuperação Fis- cal, que é um calo para os gaúchos e gaúchas, é algo que atrapalha de- mais as finanças do Rio Grande do RRF traz prejuízo à Sul. E o Propag teve alguns pontos que foram vetados pelo presiden- te Lula e que trazem prejuízo muito grande para o Rio Grande do Sul. JC – Quais vetos valia como os mais prejudiciais para o Estado? Moraes - Dois pontos são muito importantes. O primeiro deles é que o Estado teria que abrir mão desse perdão da dívida durante três anos, e isso representa ao redor de R$ 20 bi- lhões. Recursos esses que não pode- mos abrir mão, tendo em vista que estamos em um momento de recu- peração. Outro ponto que me preo- cupa muito, e que foi vetado pelo presidente Lula, é a possibilidade de utilizar o recurso que hoje vai para o Fundo de Desenvolvimento do Nor- deste para pagar a conta. Isso gera ao redor de R$ 5 bilhões por ano. Então, imagina, são R$ 5 bilhões por ano que mandamos para desenvol- ver outros estados, e isso já acontece há muitos anos, sendo que estamos em uma situação em que precisa- mos de ajuda, não só pela enchen- te, mas porque ao longo dos anos as finanças do Rio Grande do Sul não conseguem se equilibrar, justamente porque temos uma conta que é pra- ticamente impagável junto à União. É um empréstimo que começou com R$ 9 bilhões, já pagamos ao redor de R$ 50 bilhões, e estamos devendo quase R$ 100 bilhões. Quer dizer, é necessário utilizar esse recurso, que hoje serve para desenvolver os esta- dos do Nordeste, é importante que a gente possa usar para desenvolver e recuperar o nosso Estado. Entre ou- tros vetos, mas acredito que esses são os dois mais importantes que va- mos ter que tratar dentro da banca- da gaúcha, e também conversar com outros estados que têm interesse. JC – E como estão as articula- ções para a derrubada dos vetos? Moraes - Assumi a bancada faz pouco tempo, e vou ter uma reunião, já recebendo algumas entidades que trazem as suas necessidades, e acre- dito que a partir dali a gente come- ça a discutir esse tema. Até porque ele não está na pauta, ou seja, não está pronto para a votação. Essa vo- tação dos vetos deve acontecer em uma sessão conjunta do Congresso. Temos que trabalhar a questão da bancada gaúcha, mas sempre enten- dendo que não serão só deputados a votar, mas também senadores da República. Então, já começamos a articular, a conversar com outros es- tados no sentido de buscar unanimi- dade. Claro que existem alguns ru- mores de que deputados ligados ao governo poderiam votar contra, mas não posso afirmar isso, porque não ouvi ninguém até agora se manifes- tando contrário à derrubada desses vetos. O que posso afirmar é que a bancada gaúcha, agora, na sequên- cia, começa a tratar desse tema im- portante para o desenvolvimento do estado do Rio Grande do Sul. JC - O senhor acredita que a dívida já foi paga? Moraes - Essa discussão se dá há muitos anos, desde o momento em que eu era deputado estadual. Fui presidente da Comissão de Fi- nanças na Assembleia Legislativa e, desde aquele momento, a pau- ta maior era a discussão da dívida do Estado com a União, e, de várias maneiras, na minha opinião, essa dívida já foi paga sim. Primeiro por- que, volto a dizer: contratamos R$ 9 bilhões, já pagamos ao redor de R$ 50 bilhões, e ainda estamos deven- do quase R$ 100 bilhões. Ou seja, já pagamos essa dívida. Mas tem algo que também deveria entrar nessa discussão. No passado, foi aprovado um projeto de lei que foi a Lei Kandir, que isentava o ICMS, que é um im- posto estadual, com a promessa de compensar os estados. Acredito que aquilo que a União deveria devolver Bolívar Cavalar bolivarc@jcrs.com.br “As finanças do RS não conseguem se equilibrar, porque temos uma conta que é impagável junto à União” PE D R O F R AN Ç A/ AG ÊN C IA S EN AD O /J C 19Jornal do Comércio | Porto Alegre Editora: Paula Coutinho politica@jornaldocomercio.com.br Marcelo Moraes (PL) nasceu em Santa Cruz do Sul e é deputado federal pelo Rio Grande do Sul em segundo mandato. Em 2025, assumiu a liderança da bancada gaúcha na Câmara dos Deputados. Foi deputado estadual de 2011 a 2018, tendo presidido, em 2017, a Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Também foi eleito vereador de Santa Cruz do Sul para o mandato 2009-2012, e atuou como secretário de Transportes e Serviços Públicos do município, de 2009 a 2010. Perfil FO TO S : A SS ES S O R IA D E IM PR EN S A PA R LA M EN TA R /D IV U LG AÇ ÃO /J C para o Rio Grande do Sul ultrapassa a marca dos R$ 80 bilhões, R$ 90 bilhões. Ou seja, se passar a régua daquilo que eles nos devem em re- lação à Lei Kandir para aquilo que devemos, essa dívida ou não exis- te ou já estaria paga. O estado do Rio Grande do Sul hoje tem que ser competitivo emrelação aos outros, como Santa Catarina, que é um es- tado superdesenvolvido, e o Paraná também. O RRF acaba nos deixan- do numa condição não tão compe- titiva, não podendo ter incentivos fiscais, que são para trazer empre- sas e gerar emprego aqui no RS. E também temos ainda mais de 50 municípios que sequer têm acesso asfáltico, e a gente não consegue ser competitivo em relação a bus- car novas empresas e novos empre- gos, não conseguimos ser competi- tivos em relação à infraestrutura e não conseguimos ser competitivos em tantas outras áreas, justamente porque temos uma conta gigantesca para pagar, e isso tem influenciado negativamente no desenvolvimento do Estado. JC - Em 2024, o líder da ban- cada gaúcha foi Dionilso Marcon (PT), que compõe o governo Lula. Neste ano, a liderança é do PL. O que muda com o líder da banca- da sendo de oposição? Moraes - Primeiro que o Mar- con, assim como outros deputados que passaram pela bancada gaú- cha, todos eles conseguiram dei- xar a questão ideológica um pou- co de lado e trabalhar as pautas de interesse do estado do RS. Eu e o deputado Dionilso Marcon temos posições ideológicas totalmente di- ferentes, mas eu reconheço o traba- lho que ele fez à frente da bancada no ano de 2024, em um momen- to difícil, em que muitas vezes nós deputados não conseguimos nem vir a Brasília por falta de aeropor- to. E ele tentava ajudar em todos os momentos para que a gente pudes- se continuar trabalhando aqui em Brasília, continuar buscando inves- timentos, e abriu muitas portas. En- tão, faço meu elogio ao deputado Dionilso Marcon, e que não foi dife- rente em relação a todos os deputa- dos que passaram pela liderança da bancada gaúcha. O meu trabalho será o mesmo. Claro que não po- demos deixar de ter os nossos po- sicionamentos ideológicos, e eles fa- zem parte da nossa essência como parlamentar, mas, dentro da banca- da gaúcha, a nossa ideia é discutir temas que são de relevância e que têm consenso para tentar ajudar o Rio Grande do Sul a se desenvolver. A pauta ideológica lá dentro não é prioritária, e sim o desenvolvimen- to do Rio Grande. JC – Sobre o PL, o partido pas- sa por um momento em que seu principal nome, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está prestes a ser julgado pelo STF. Como avalia a atual situação da sigla? Moraes - Se o presidente Bol- sonaro não participar da eleição de 2026, com certeza é o maior crime contra a democracia aqui no Brasil. Até porque os argumentos para ele não participar da eleições são rasos. Imagina que uma reunião com em- baixadores, que nem sequer votam no Brasil, vai retirar os direitos po- líticos de alguém que tem o tama- nho dele em relação à política bra- sileira. Da mesma forma, eu vejo a questão do processo que ele está respondendo em relação ao 8 de ja- neiro (de 2023). Lá dentro acusam ele de depredação de patrimônio público, mas ele nem no Brasil es- tava. No dia 8 de janeiro ele estava nos Estados Unidos. Acusam ele de ter montado a minuta de um golpe que nunca aconteceu e que, segundo quem acusa, não aconteceu porque um dos envolvidos não conseguiu pegar um táxi. São acusações ab- surdas. E essas acusações, na minha humilde opinião, são de alguém que quer muito prejudicar a direita, de quem quer muito que ele não volte à presidência da República, e aí ten- ta inventar argumentos rasos para tentar tirá-lo do processo. E a gente já viu isso no passado. É o mesmo argumento raso que tirou o Lula da cadeia. Imagina que, lá no passado, os mesmos que estão agora tentan- do tirar o Bolsonaro da eleição são os mesmos que inventaram um erro de CEP para tirar o Lula da cadeia para concorrer na última eleição. En- tão, eu acredito que a nossa demo- cracia passa por um momento muito difícil. Quero aqui, inclusive, elogiar a postura do deputado Eduardo Bol- sonaro (PL-SP), que fica nos Estados Unidos lutando pela democracia. Ele também era um dos perseguidos por esse sistema que é liderado pelo Ju- diciário e que vem perseguindo os direitistas Brasil afora. E aí fazer uma comparação: é trágico a gente en- xergar que pessoas que estavam na Praça dos Três Poderes, mas não en- traram dentro dos prédios públicos, esses estão sendo condenados siste- maticamente. E, ao mesmo tempo, estamos enxergando uma anistia, uma “descondenação” por parte de todos aqueles que foram réus confes- sos na Lava Jato, em que muitos de- les confessaram os crimes e inclusive fizeram um ajuste para poder devol- ver o dinheiro roubado. Então esse é o Judiciário brasileiro, que entrega os rigores da lei para os direitistas e os benefícios da lei para os esquerdis- tas. Isso quando não cria lei que não está na Constituição para tentar per- seguir aqueles que têm um pensa- mento mais à direita aqui no Brasil. É lamentável esse momento que nós estamos vivendo aqui no nosso País. JC – E em âmbito estadual, como estão as tratativas do PL para as eleições de 2026? Moraes - Acredito que tem que haver um fortalecimento do partido, para que a partir desse fortalecimen- to nós possamos começar a conver- sar com outros partidos. Claro que essa política da boa vizinhança, de conversa com outros partidos que tenham um pensamento ideológico parecido conosco, já acontece, inclu- sive no nosso dia a dia aqui em Bra- sília, mas nada que esteja já direcio- nado a compor a chapa com o nome A ou B para a próxima eleição. Até porque na eleição que vem nós va- mos eleger, além de deputados esta- duais e federais, governador e vice, vamos ter eleição com dois senado- res, então isso amplia o leque de op- ções para o eleitor. O PL tem grandes nomes, claro que nós temos que pas- sar por uma reestruturação. A presi- dência do deputado Cherini não tem somado muito para o crescimento do partido, porém, com a quantida- de de mandatos de deputados que vieram para o partido, isso faz com que o partido cresça, independente da inoperância do deputado Cheri- ni. Mas eu acredito que nós temos muitos nomes que podem estar dis- putando tanto o governo do estado quanto o Senado. Como, por exem- plo, o deputado (Luciano) Zucco, o nosso sempre ministro Onyx Loren- zoni, nós temos a vinda de deputa- dos que são renováveis com muita experiência, como, por exemplo, o deputado Osmar Terra, que sai do MDB para migrar para o PL na se- quência, entre tantos outros nomes. Se eu continuar aqui falando eu vou talvez esquecer de algum nome, mas temos nomes fortes para concorrer tanto ao governo do estado quanto para o senado. E eu acredito que o PL não possa abrir mão de estar na cabeça de chapa, acredito que nós temos tamanho para isso e nós deve- mos buscar um time, uma coligação, buscar partidos de centro, buscar uma coligação forte para tentar fazer um governo totalmente diferente no estado do Rio Grande do Sul. JC - Há articulações no PL gaú- cho para mudança na presidência do partido? Moraes - Conversamos sobre isso na véspera da eleição do ano passado. E aí, naquele momento, se preferiu deixar como estava, até por- que estava na véspera de uma elei- ção, e depois não retomamos mais esse assunto. Mas é algo que, em al- gum momento, vamos ter que dis- cutir dentro do partido. Até porque partido não é propriedade privada. Talvez ele (Giovani Cherini) não te- nha entendido que o partido não é uma propriedade privada dele, e sim um ambiente em que todos tem voz e vez. JC – E o senhor, quais os planos para 2026? Concorrer à reeleição? Moraes - Eu sou um soldado do partido. Aquilo que eu for convida- do a concorrer, estarei concorrendo. Claro que trabalho muito forte com a questão da reeleição, mas estou à disposição do partido para o cená- rio que for necessário e para a bata- lha que a gente tiver que enfrentar pela frente. competitividade do RS, avalia Moraes 20 Jornal do Comércio | Porto Alegre geral Segunda-feira, 24 de março de 2025 Editor: Deivison Ávila geral@jornaldocomercio.com.br Andar pelo Brique da Reden- ção aos domingos é encontrar,de forma espontânea, as múltiplas manifesta- ções e reivindicações de qualquer grande ci- dade: shows ao ar li- vre, truques de mágica para encantar as crian- ças, doação de animais, diversos tipos de ex- pressões políticas e ar- tísticas, venda de arte- sanato, antiguidades, comidas típicas de feira e, claro, muitos turistas que aproveitam para conhecer o parque no coração da capital gaú- cha. Mas passear pelo Brique da Redenção também significa a cer- teza de rever velhos conhecidos e fortalecer o vínculo com a cultu- ra local. Na comemoração dos 47 anos do Brique, realizada neste domin- go, ocorreu o tradicio- nal desfile de carros antigos do Veteran Car Club do Rio Grande do Sul em direção à fei- ra. Além disso, hou- ve uma mateada com distribuição gratuita de erva-mate e água quente para chimarrão e tererê. Na banca Charles Müller, especializada em futebol, os clien- tes não paravam de chegar. Entre as vozes, uma em espanhol pedia o distintivo do Peñarol, clube uru- guaio. “Aqui atendemos pessoas de todos os lugares: alemães, es- panhóis... Também falamos em in- glês. O futebol é uma paixão que une as pessoas. E o legal de estar aqui é a troca que temos com os nossos clientes – nunca é só ven- der”, considerou Ana Paula Dullius, que expõe no local ao lado do ma- rido, de mesmo nome da banca, há quase 13 anos. No espaço, colecio- nadores encontram peças raras de times e eventos esportivos de dife- rentes épocas e lugares. Um local assim, considerado um cartão-postal de Porto Alegre, merecia mais atenção do poder pú- blico, na visão de Charles. “Com frequência, vemos pessoas caindo nesses buracos da rua, os banhei- ros estão em péssimas condições, há furtos de cabos e (os bueiros) es- tão sempre entupidos. Além disso, há poucas lixeiras. Como apresen- tar isso para um turista?”, questio- nou. O casal, que mora em Cruzei- ro do Sul, já cogitou deixar a feira, mas desistiu da ideia. “Temos um carinho muito grande pelo Brique. Se não viemos, parece que falta algo no domingo. Nossos clientes são amigos, é muito gratificante”, afirmou Ana Paula. O casal Lisandra e Wagner Acosta estava com os dois filhos, mostrando uma banca de fantoches do Brique aos pequenos. “Sempre viemos para cá e estamos passan- do esse hábito para nossos filhos, para que continuem frequentando quando crescerem. É um passeio econômico, diverso e atrativo”, dis- se Lisandra. Segundo ela, o que as crianças mais gostam é de comer pipoca dos ambulantes e visitar as bancas de brinquedos. “Tem do- mingo que a gente não quer vir, mas eles pedem”, acentuou Wagner. A festa foi organizada pela Co- missão Deliberativa do Brique da Redenção, com o apoio das secreta- rias municipais de Desenvolvimen- to Econômico, Turismo e Eventos (SMDETE) e da Cultura (SMC), além do Shopping Total. A celebração in- tegra a programação oficial do ani- versário de Porto Alegre, que com- pleta 253 anos em 26 de março (ver quadro abaixo). Criado em 1978 por profissio- nais do ramo de antiquários, o Brique funciona desde 1982 na ex- tensão da avenida José Bonifácio. Concebido como uma feira a céu aberto, teve inspiração no Mercado de Pulgas, de Montevidéu, e na Fei- ra de San Telmo, de Buenos Aires. Em 2005, uma lei estadual decla- rou o Brique da Redenção patrimô- nio cultural do Rio Grande do Sul. Brique da Redenção celebra seus 47 anos Criado em 1978 por profissionais do ramo de antiquários, o Brique virou um patrimônio simbólico da Capital Bárbara Lima barbaral@jcrs.com.br Programação - 253 anos de Porto Alegre Segunda-feira, 24: 10h30 - Dança Comunidade Local: Solar Paraíso - Travessa Paraíso, 71, bairro Santa Tereza; Terça-feira, 25: 12h - Churrasco Solidário Local: Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público, bairro Centro Histórico; Quarta-feira, 26: 8h30 - Ação educativa cultural com alunos de escolas da rede pública de ensino para 150 Crianças. Local: Museu Joaquim José Felizardo – rua João Alfredo, 582, bairro Cidade Baixa; 11h - Encontro da Cultura com pessoas que circulam pelo Centro para cantar o “Parabéns a você” pelos 253 anos de Porto Alegre. Local: Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10 - Centro Histórico) Palco inclusivo disponível para apresentações artísticas e culturais. Quinta-feira, 27: 18h - Exposição Paisagens de Porto Alegre na pintura de Érico Santos – Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéo, 10), bairro Centro Histórico; 18h - Aniversário da Cinemateca Capitólio, com entrega de melhorias no centro cultural – rua Demétrio Ribeiro, 1.085, bairro Centro Histórico; 19h - Cerimônia de premiação do Açorianos de Teatro Adulto, Circo e Tibicuera de Teatro Infantojuvenil - Teatro de Câmara Túlio Piva: rua da República, 575, bairro Cidade Baixa; Sexta-feira, 28: 19h - Cerimônia de Premiação do Açorianos de Artes Visuais - Teatro de Câmara Túlio Piva: rua da República, 575, bairro Cidade Baixa; Sábado, 29: 14h - Exposição Road Sense I: na Biblioteca Municipal Josué Guimarães – avenida Erico Verissimo, 307, bairro Cidade Baixa; 15h - Baile da Cidade, no Parque da Redenção; * Atrações: DJ Carol; Roda de Capoeira; Cláudia Quadros; Conjunto de Folclore Internacional Os Gaúchos; Nego Izolino; CTG Estância da Azenha; Xandele; Alma Gaudéria; Negra Jack; Banda Municipal 100 anos; Tributo a Charlie Brown; escolas de samba Mocidade da Lomba do Pinheiro, União da Tinga e Imperadores do Samba; Papas da Língua. Carnaval de Rua 12h - Circuito de Blocos da Orla - Edital Fumproarte Local: avenida Augusto de Carvalho, no Centro Histórico; 16h - Desfile do Bloco Areal da Baronesa Local: Praça Garibaldi, no bairro Cidade Baixa; 17h - Circuito de Blocos Zona Norte - Edital Fumproarte Local: Praça México, no bairro Rubem Berta; Domingo, 30 Carnaval de Rua 12h - Circuito de Blocos Leste - Edital Fumproarte Local: Praça da Juventude - Parada 12 A, bairro Lomba do Pinheiro; 15h - FavelaFolia - Apresentação de Blocos Carnavalescos – AMAVTRON Local: avenida Cruzeiro do Sul - Esplanada da Grande Cruzeiro; 17h - Carnaval de Rua nas Ilhas - apresentação de escolas de samba e blocos Local: Colônia de Pescadores Z5, Ilha da Pintada; 17h - Carnaval de Rua - Circuito de Blocos Zona Sul - Edital Fumproarte Local: Praça Macedônia, no bairro Restinga; Carnaval de Rua 12h – Apresentação de Rodrigo Almada e banda Local: Praça Nelson Marchezan – bairro Cohab Costa e Silva. Fonte: Prefeitura Municipal de Porto Alegre ⁄ CLIMA Semana será marcada pelo retorno da chuva ao Estado A penúltima semana de março será marcada pelo retor- no da chuva ao Rio Grande do Sul - após diversos dias de inten- so calor e sem a ocorrência da instabilidade no território gaú- cho. Segundo o Instituto Nacio- nal de Meteorologia (Inmet), as temperaturas oscilam entre 21 e 31 graus no Estado nesta segun- da-feira. A previsão é de um dia com muitas nuvens, acompanha- das de pancadas de chuva e tro- voadas isoladas ao longo do dia. Na terça-feira, o clima será mar- cado pela ocorrência de muitas pancadas de chuva e trovoadas e uma leve diminuição das tempe- raturas. No domingo, o Rio Gran- de do Sul registrou temperaturas elevadas, com as máximas che- gando 33,8 graus em Teutônia e 32,4 e 29,7 graus em Porto Ale- gre, no Jardim Botânico e no Be- lém Novo, respectivamente. A chuva no mês de março tem sido escassa e com grande irregularidade na sua distribui- ção pelo território gaúcho, segun- do dados do Inmet. A ocorrência de chuva está abaixo da média histórica do mês na maioria dos municípios - em muitas cidades desde o dia 1° de março até agora o Instituto não registrou sequer 50 mm. O tempo instável que predo- mina pelo Estado também estará presente neste começo de sema- na em Porto Alegre. O sol entre nuvens é o que predomina, com temperaturas quentes para a épo- ca do ano. Porém, este aqueci- mento, somado à umidade mais elevada,vai acabar por gerar al- gumas nuvens mais carregadas. ⁄ TRANSPORTE PÚBLICO Tarifa de ônibus de Porto Alegre vai a R$ 5,00 a partir de 31 de março Os porto-alegrenses vão pa- gar mais caro pela passagem de ônibus. O valor passa para R$ 5,00 a partir de 31 de março, con- forme anunciado pelo prefeito Se- bastião Melo, durante solenidade no Paço Municipal na sexta-fei- ra. O valor não era reajustado des- de 2021, quando custava R$ 4,80. Durante a entrevista coletiva, Melo disse que o município não recebeu em 2023 e 2024 aportes do governo federal para o trans- porte público. Segundo ele, se não fossem as medidas para con- ter o aumento em anos anteriores, como a saída de cobradores e mo- dificações nas isenções, a tarifa técnica da passagem passaria de R$ 6,65 para R$ 9,00. Com relação aos táxis, a ban- deirada passa para R$ 6,95. O km em bandeira 1 será de R$ 3,47, en- quanto o da bandeira 2 fica em R$ 4,51. As lotações não terão reajus- tes, seguindo no valor de R$ 8,00. 21Jornal do Comércio | Porto Alegre esportes Segunda-feira, 24 de março de 2025 esportes@jornaldocomercio.com.br Tênis - Com uma carreira pro- fissional que ainda está nos primeiros passos, o brasileiro João Fonseca segue alcançando novos patamares. No sábado, no Miami Open, ele derrotou o fran- cês Ugo Humbert por 2 a 0 (6/4 e 6/3) e, pela primeira vez, avan- çou à terceira rodada em um torneio de nível Masters 1000, o mais alto depois dos Grand Slams. Agora, o próximo adver- sário será o australiano Alex de Minaur, hoje, após as 20h. Estaduais - O presidente da Cha- pecoense, Alex Passos, decla- rou que deve avaliar mudança para outra federação estadual na próxima semana, cogitan- do participar do Gauchão ou do Campeonato Paranaense. A fala ocorreu depois de polê- micas de arbitragem durante a final do Catarinense, conquista- do pelo Avaí após empate em 1 a 1 neste sábado. CBF - A partir da primeira roda- da do Campeonato Brasileiro, a entidade irá adotar nova regra, aprovada no último conselho da International Football Associa- tion Board (Ifab), para impedir a cera dos goleiros durante o jogo. Ela consiste em conceder um es- canteio ao adversário assim que o goleiro segurar a bola com as mãos por mais de oito segundos. Fórmula 1 - Oscar Piastri conquis- tou o Grande Prêmio da China, após manter a liderança durante a maioria absoluta da corrida na madrugada deste domingo. O australiano venceu pela terceira vez na carreira, com um tempo de 1h36min934. Piastri liderou a dobradinha da McLaren no pódio, com Lando Norris em segundo, deixando George Rus- sell, da Mercedes, em terceiro. O brasileiro Gabriel Bortoleto ter- minou em 14º. Surfe - O Brasil segue dominando as ondas da Praia de Supertu- bos. Em uma final verde-ama- rela repleta de manobras aéreas, Yago Dora superou Italo Ferreira e conquistou o título do MEO Rip Curl Pro Portugal, neste domin- go, a terceira etapa do Circuito Mundial de Surfe. Judô - Rafael Macedo subiu ao pódio neste domingo no Grand Slam de Tbilisi, na Geórgia. Ele conquistou o bronze na catego- ria até 90kg ao derrotar o ho- landês Mark van Djik por ippon no golden score. Após perder nas quartas de final, Macedo se recuperou na repescagem e, na disputa pelo pódio, precisou de 23 segundos no tempo extra para aplicar um ashi guruma e garantir a vitória. ⁄ NOTAS ESPORTIVAS Neste final de semana, Porto Alegre foi palco de uma das eta- pas do STU Pro Tour, realizada no Skate Park da Orla 3. O even- to, que trouxe grandes nomes do skate mundial à cidade, marcou a estreia da temporada do circui- to internacional e teve um cenário especial, com o Guaíba ao fundo e as arquibancadas lotadas de pú- blico. Entre os destaques, Rayssa Leal se consagrou campeã, ontem, na modalidade street feminino, mostrando mais uma vez porque é uma das principais atletas da modalidade no mundo. Rayssa, que vinha de uma re- cuperação de lesão no joelho e não competia há três meses, brilhou nas descidas com sua habilidade e determinação. Mesmo com dores na perna direita, a maranhense não deu chances para as adversá- rias e se sagrou campeã na final, com uma nota de 81,57. Sua per- formance empolgou os torcedores, que aplaudiram de pé a jovem de 17 anos, que mostrou confiança de campeã mundial, mesmo após se- manas longe das pistas. Ao lado de Rayssa, outras bra- sileiras também se destacaram na modalidade, como a gaúcha Ma- ria Lucia, que fez bonito na pista e terminou em terceiro lugar, fi- cando atrás da espanhola Danie- la Terol, que conquistou a segun- da posição. Já no park feminino, outra espanhola, Naia Laso, brilhou ao vencer com uma volta impecável na última das cinco descidas, ga- rantindo uma nota de 90,67. Yn- diara Asp, outra grande promessa brasileira, terminou em segun- do, enquanto a japonesa Mizuho Hasegawa completou o pódio em terceiro. O evento não se limitou ao fe- minino. Na categoria street mas- culino, Giovanni Viana, paulista e campeão do SLS SuperCrown 2023, confirmou seu favoritismo ao vencer a etapa. Viana, que fi- cou em segundo lugar logo após a primeira volta dos finalistas, não se abalou e, com uma série de manobras precisas, marcou no- tas de 86,27 e 88,80, garantindo a vitória. O pódio foi fechado pelo gaú- cho Carlos Ribeiro, que obteve o ⁄ SKATE Rayssa Leal brilha e conquista o título no STU de Porto Alegre Giovanni Viana e Gui Khury também levaram o Brasil ao lugar mais alto do pódio Mesmo com dores, maranhense se sagrou campeã com nota 81,57 CÉSAR LOPES/PMPA/DIVULGAÇÃO/JC segundo lugar, e pelo peruano An- gelo Caro, que completou os três primeiros. Outro destaque do Es- tado, Bruno Melão, também fez uma boa apresentação, mas ter- minou em sexto lugar. Na categoria park masculi- no, Gui Khury, jovem curitibano de apenas 16 anos, foi o grande vencedor. Khury, com uma per- formance de alto nível, conquis- tou a primeira etapa do ano com uma nota de 91, superando gran- des nomes do skate mundial. O atleta, que é parte da forte escola paranaense de skate, mostrou ma- turidade e precisão nas manobras, confirmando o título após uma in- crível quinta volta, onde garantiu a nota que lhe deu a vitória. O norte-americano Tate Ca- rew e o italiano Alessandro Ma- zzara completaram o pódio, en- quanto Pedro Barros, favorito da competição, não conseguiu com- pletar nenhuma volta devido a uma lesão no tornozelo, o que o afastou da disputa. ⁄ SELEÇÃO BRASILEIRA ‘Chegou nossa hora’, diz Marquinhos sobre jejum contra Argentina O zagueiro e capitão da sele- ção brasileira, Marquinhos, des- tacou que o jejum de vitórias do Brasil sobre a Argentina, que dura desde 2019, será um fator motivan- te para o confronto de amanhã, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Em entrevis- ta coletiva neste domingo, em Bra- sília, o defensor chegou a afirmar que “agora chegou a nossa hora de ganhar”. O último triunfo do Brasil so- bre os rivais sul-americanos ocor- reu na semifinal da Copa América de 2019, quando a Canarinho ven- ceu por 2 a 0, no Mineirão, gols de Gabriel Jesus e Roberto Firmino. Desde então, os países se reencon- traram em quatro ocasiões, mas sem vitórias para os brasileiros. Atualmente, a Argentina lide- ra as Eliminatórias com 28 pontos, enquanto o Brasil ocupa apenas a terceira posição, com 21. Apesar do cenário desafiador, Marquinhos se mostrou confiante após a vitória sobre a Colômbia, que deu tranqui- lidade à seleção brasileira. “Ganha- mos o último jogo, mas sabemos que podemos melhorar em vários aspectos. Aqui, a busca pela evo- lução precisa ser insaciável”, disse. Na preparação para o clássico, a equipe contou com a chegada de Weverton, Beraldo, João Gomes e Ederson, que se apresentaram nes- te sábado e estão à disposição de Dorival Júnior para o confronto. Weverton substitui Alisson, cor- tado devido a uma concussão ce- rebral, enquanto Ederson ocupa a vaga de Gerson, que sentiu dores na coxa esquerda. Já Joãoao longo do dia pelo site do JC. Amanhã, a edição impressa também trará notícias com os melhores momentos do evento. REPRODUÇÃO/JC INSTAGRAM/JCPerdeu os principais assuntos da semana? O JC Te Lembra traz um resumo do que aconteceu. Começou o período de envio do Imposto de Renda. O Banco Central aumentou a taxa de juros brasileira. A Selic agora está em 14,25% ao ano. Já aqui no Rio Grande do Sul, o governo do Estado lançou um programa de renegociação de dívidas do ICMS. Acesse o QR Code e confira todas as notícias. TÂNIA MEINERZ/JC O descompasso entre política monetária e fiscal Começo de Conversa 3Jornal do Comércio | Porto Alegre Segunda-feira, 24 de março de 2025 Tesla na China A nova megafábrica da Tesla em Xangai, no leste da China, ex- portou na sexta-feira o seu primeiro lote de baterias de armazena- mento de energia megapack. As informações são da agência de no- tícias Xinhua, da China. Levou pouco mais de um mês após o lançamento da sua produção para realizar a sua primeira venda ao exterior. Luxo na Serra Uma pesquisa encomendada pela Planta, empresa para- naense de Inteligência Estratégica, mostra os números do merca- do imobiliário de Gramado e Canela durante 2024. O metro quadrado dos imóveis novos chegou a R$ 18.914 em Gramado e R$ 13.953 em Canela. O de Gramado é maior, em média, que o das três capitais da Região Sul – o metro quadrado de Florianó- polis (SC) é de R$ 16.943, o de Porto Alegre R$ 14.344 e o de Curitiba (PR) está em R$ 13.664. Imóveis de alto padrão Cerca de 80% dos imóveis que estão à venda em Gramado tem o valor entre 700 mil a R$ 2 milhões. Os imóveis de super luxo tem valor, em média, de R$ 7 milhões e Gramado possui imóveis em planta com metro quadrado que chegam a custar R$ 37.143. Este segmento já responde por 12,5% do total da de- manda. No total, a oferta é de 1.774 imóveis novos à venda em Gramado e 1.051 em Canela. A maioria é composta por aparta- mentos de dois dormitórios. Ela merece Os 70 anos que a Ascar completa em 2025 foi tema do Grande Expediente da Assembleia Legislativa na quinta-feira passada. A ho- menagem foi uma proposição da deputada estadual Silvana Covatti (PP), relembrou a história dessas sete décadas e destacou as princi- pais ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) da Emater/RS-Ascar. Distribuidora destaque A Certel, de Teutônia, conquistou o segundo lugar nas categorias “Permissionárias acima de 10 mil unidades consumidoras”, “Maior crescimento anual 2024/2023” e “Brasil Permissionárias” do prêmio Aneel de Satisfação do Consumidor, promovido pela Agência Nacio- nal de Energia Elétrica. De todas as distribuidoras do País, as 12 me- lhores avaliadas na pesquisa são cooperativas. Inteligência climática A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) lançou, na sexta-feira, o pro- jeto “Inteligência Climática para Caxias do Sul”, iniciati- va que deverá aprimorar a forma como a cidade lida com as adversidades do cli- ma. Inclui a instalação de oito estações meteorológicas, estrategicamente distribuí- das pelo território do municí- pio, com o objetivo de moni- torar as condições climáticas em tempo real, oferecendo dados abertos e acessíveis à comunidade, produtores e órgãos públicos. O bom exemplo de Nova Petrópolis A prefeitura de Nova Petrópolis fez a primeira coleta de lixo eletrônico, óleo de cozinha e vidro em 2025. Foram recolhidos 11.187 quilos de resíduos, sendo 4.867 quilos de lixo eletrônico, 6.320 quilos de vidro, e 1.500 litros de óleo de cozinha. Os resíduos recolhidos tiveram destinação correta e reaproveita- mento em outros usos, graças a parcerias com empresas locais. Um ótimo exemplo a ser seguido. Começa amanhã e vai até sexta-feira a Expoagro Afubra, em Rio Pardo. O evento foi criado para mostrar as potencialidades do agro ao produtor rural. A feira é realizada desde 2001. A edição de 2024 recebeu 154 mil visitantes e movimentou R$ 310 milhões em negócios. JORDANA KIEKOW/COMUNICAÇÃO PMNP/DIVULGAÇÃO/JC Rodeio de caminhões Um rodeio de caminhões reuniu os melhores motoristas do transporte de combustíveis, açúcar e biomassa do Brasil em Canoas no fim de semana. O evento, promovido pela Raízen, ocorreu na sede da Dinon Transportes, em Canoas. Cinquenta motoristas fize- ram um circuito para avaliação de suas performances. Dez estão se- lecionados para a final no meio do ano no Nordeste. NATHAN LEMOS/JC Garanta seu ingresso agora. R EA L I Z AÇÃO : A FBV 2025 está chegando! Conecte-se às maiores tendências do varejo, marketing, e-commerce e IA em mais de 70 horas de conteúdo. opiniao@jornaldocomercio.com.br 4 Jornal do Comércio | Porto Alegre opinião Segunda-feira, 24 de março de 2025 ⁄ PALAVRA DO LEITOR ⁄ ARTIGOS Na coluna Palavra do Leitor, os textos devem ter, no máximo, 500 caracteres, podendo ser sintetizados. Os artigos, no máximo, 2300 caracteres, com espa- ço. Os artigos e cartas publicados com assinatura neste jornal são de respon- sabilidade dos autores e não traduzem a opinião do jornal. A sua divulgação, dentro da possibilidade do espaço disponível, obedece ao propósito de esti- mular o debate de interesse da sociedade e o de refletir as diversas tendências. A vice-prefeita de Por- to Alegre, Betina Worm (PL), cumpriu a função de prefeita interina durante viagem do prefeito Melo (MDB). Em evento na Asso- ciação Comercial de Porto Alegre (ACPA), Betina deta- lhou os principais desafios para a gestão e explicou o que já está sendo feito na cidade (Jornal do Comér- cio, edição de 12/03/2025). Que faça um bom trabalho e dê um destino correto aos impostos que “todos”, seja direita ou esquerda, paga- mos. (Emerson Luz) Malha viária Com metade da malha viária de Porto Alegre já mapeada pelo Sistema de Gestão Integrada de Pavimentos, que usa inteligência artificial em veículos equipados para esse fim, o levantamento mostra que os trechos em pior estado estão na Zona Norte (JC, 11/03/2025). Mas precisa desse equipamento para comprovar o que qualquer morador já sabe? Só não sabe disso quem não anda nas ruas de Porto Alegre. (Éverton Ângelo) Malha viária II Zona Norte, literalmente, esquecida. (Leandra Brambilla) Inflação Produtores rurais, representantes da indústria de carnes e supermercadistas reagiram mal à decisão do governo federal de zerar alíquotas de importação de alguns produtos para conter a inflação (JC, 10/03/2025). Esse governo é contra o próprio País. Isso é sabotagem. Um país agrícola importar alimentos é contra a segurança nacional e terá consequências mais a frente. (Alex Rodrigues) Pelotas Uma padaria localizada na Praia do Laranjal, em Pelotas, foi interditada no dia 18 de fevereiro pela Força-Tarefa do Programa Segurança dos Alimentos, do Ministério Público do RS. A medi- da foi tomada devido às condições de higiene inadequadas do lo- cal (JCSul, site do JC, 19/02/2025). Que a ação desenvolvida em Pe- lotas prossiga por diferentes rincões do nosso Estado, pois a falta de higiene é uma dura realidade em muitas atividades comerciais, como se tudo fosse o mais normal possível, lamentavelmente. (Ari Quadros) Empreendedorismo A Flora Kolesar, administrada por Cláudia Mariana Kolesar, é uma das bancas mais antigas do Mercado Público de Porto Ale- gre. A empreendedora herdou a banca de seus pais e é a tercei- ra geração da família no Mercado (Caderno GeraçãoE, site do JC, 05/03/2025). Parabéns à Cláudia pela dedicação e pela coragem para empreender neste País. (Emílio Becker Filho) Juros altos aquecem mercado no litoral Convergência em prol do interesse público A venda de imóveis no Litoral Norte do Rio Grande do Sul atingiu um recorde histórico no ano passado, totalizando R$ 6 bilhões. O montan- te representa um crescimento de 20% em compa- ração a 2023, de acordo com dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sin- duscon-RS). O cálculo tem como base a arrecada- ção dos municípios comGomes e Beraldo entram nos lugares dos suspensos Bruno Guimarães e Ga- briel Magalhães. O Brasil treina ainda nesta se- gunda-feira em Brasília antes de embarcar para Buenos Aires, onde joga o clássico contra a Argentina às 21h de terça-feira. ⁄ MERCADO DA BOLA Dupla Gre-Nal monitora janela interna, mas encara limitações Sem atuar desde a final do Campeonato Gaúcho, no último dia 16, e com a estreia no Brasileirão marcada apenas para o próximo fim de semana devido à Data Fifa, Grêmio e Inter aproveitam a pausa no calendário para prospectar refor- ços no mercado nacional. O Colora- do, campeão estadual, e o Tricolor, vice, observam oportunidades, mas encaram a janela interna de transfe- rências com muita cautela. Aberta até 11 de abril, a “mini janela” permite apenas a contrata- ção de jogadores que disputaram campeonatos estaduais. No Grê- mio, a diretoria vê poucas opções e considera difícil encontrar um reforço de impacto. A prioridade é um zagueiro, e o nome de Arbole- da, do São Paulo, é o mais cotado, embora outras posições também sejam monitoradas. Mesmo assim, o clube anunciou, no último sába- do, a contratação do goleiro Jorge, 24 anos, que disputou o Gauchão pelo Pelotas. O Tricolor também trabalha na saída de jogadores com pouco espaço no elenco. O lateral Mayk, o meia Nathan e o atacante André Henrique estão na fila para deixar o clube. O goleiro Adriel, por outro lado, já foi emprestado ao Athletic- -MG, enquanto Natã Felipe está pró- ximo de reforçar o Juventude. Do outro lado da cidade, o In- ter busca reforços pontuais. Mesmo com Braian Aguirre consolidado na lateral-direita, a diretoria considera a chegada de mais um jogador para a posição, diante da provável saí- da de Nathan e da lesão de Bruno Gomes. William, do Cruzeiro, é um dos nomes avaliados, mas a nego- ciação é vista como financeiramen- te inviável. Mariano, do América- -MG, também foi especulado, mas um acerto parece distante. Gabriel Margonar gabrielm@jcrs.com.br 22 Segunda-feira, 24 de março de 2025 Áries: A busca de valores inspirados e de altas intuições da mente favorece enormemente seu desenvolvimento como pessoa. De que- bra, as condições de conforto são agradáveis. Touro: É tempo de descobrir o que se passe em sua psique, nas camadas mais recônditas dela. Você pode não apreciar muito isso, mas neste momento lhe fará um grande bem. Gêmeos: As relações humanas podem se tornar muito mais humanas em um dia como hoje. Abra-se para as pessoas da maneira como elas são. Evite se apoiar em preconceitos. Câncer: Momento agradável e benfazejo para com as relações sociais e de amizade. Mas o melhor é o quanto você pode crescer em con- fiança em relação a seu papel de autoridade. Leão: Momento para se apaixonar por algum ideal, alguma causa elevada ou por algum crescimento que queira imprimir à sua pró- pria pessoa. Um dia voltado para o bem. Virgem: Um dia propício para explorar o desconhecido, em todas as suas possíveis dimensões. Nada de ficar nos limites de cá. Dia para ir para o lado de lá, para o além. Libra: As relações humanas se tornam mais fluentes, e você se reaproxima das pessoas queridas, inclusive vivendo com elas senti- mentos cheios de energia e intensidade. Escorpião: Momento especial para seu trabalho. Você pode descobrir talentos e capacidades que lhe são inerentes, mas que não estavam realiza- dos ainda. Procure fazer algo nesse sentido. Sagitário: Momento crepitante para os senti- mentos amorosos, com você mostrando real- mente o que se passa em seu coração, mesmo que isso cause espanto ou lhe pareça deslocado. Capricórnio: É tempo de limpar a área, de virar a página, de soltar-se de antigos ressentimen- tos. Aliás, como você pretende alcançar suas metas carregando tanto peso morto assim? Aquário: A comunicação e o contato com as pessoas podem ser tremendamente revelado- res. Inclusive revelar aspectos de sua própria natureza ou identidade que estavam velados. Peixes: Grandes alegrias no amor, em peque- nos acontecimentos. A certeza de ser bem recebido e ser querido. Há valores seus no trabalho que precisa conhecer melhor. PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS Solução www.coquetel.com.br © Revistas COQUETEL BANCO 70 3/eva — pie. 5/aviar. 6/favour. 7/fricote — samurai. 9/aracnídeo. 10/ostracismo. 16/confisco de terras. CAC OSTRACISMO INALADORAN FLCONFINS IVANTREU SOIDEAISM CADROCHEDO PODRESTND DECORRENTE ZEROAIPIE TIBSFSN REFRESCANTE RIMAVIAR TRESCOTG AVSAMURAI SAMUELROSA Punição a culpado de trabalho escravo (?)- conduto: passe militar Animal como a viúva- negra Forma o particípio do verbo em “ar” Aprender a (?), lição aritmética escolar Pedro (?): herói do Grito do Ipiranga (?) Lanka: o antigo Ceilão Exílio forçado, na Anti- guidade Absorvido por meio da res- piração Aeroporto de Belo Horizonte (?) Lins: gravou “Lembra de Mim” A taxa re- ferencial de juros (sigla) “(?) te Amo”, filme de Jabor Pergunta queixosa da pessoa gulosa Profissão de Olympio Faissol Estado de ovos lan- çados em protesto Para o que (?) e vier: sem pre- condições Acidente geográfico como Gibraltar Novak Djokovic, tenista sérvio Derivado (de outro fato) Valor positivo do mani- queísmo “(?) Hora”, jornal diário gaúcho Ice Blue, rapper paulista Ana Ivanovic, tenista ´ Herói auto- detonável da Marvel (HQ) O efeito de balas de hortelã ou menta (?) Mendes, atriz e modelo “O Último (?)”, filme com Tom Cruise Orlando Teruz, pintor de “Futebol” A carta de maior valor no pôquer Número de títulos de Piquet na F1 “Mens- trual”, em TPM Cantor e compositor mineiro Dado da conta de luz Tolo (pop.) Filme de Kurosawa Chilique (bras.) Torta, em inglês Favor, em inglês Preparar (remédio) Autor de “Sampa” Senhora (abrev.) À (?): ao pé da letra Objetivos supremos Símbolo LGBTQIA+ Horóscopo Gregório Queiroz / Agência Estado Maternidade e palhaçaria Cinema e antropologia na Ufrgs Curso gratuito para projetos culturais Concebido a partir de conversas com mães da periferia de Porto Alegre, o espetáculo Riso de Mãe é Coisa Séria terá uma nova tempo- rada de apresentações em nove cidades do Rio Grande do Sul. Realizado pelos grupos Las Brujas Cia de Teatro e Artes Integradas e Hipotenusa Artes da Cena, o pro- jeto oferece sessões com entra- da gratuita e abertas ao público em geral. As apresentações terão início no município de Boa Vista do Sul, no dia 24 de março, e deverão seguir por Marau, Maquiné, Tuparendi, Manoel Viana, Tupanciretã, Estrela e Ivoti, até o final do mês de maio. Em todos os municípios, também serão realizados círculos de escuta e troca de vivências artísticas com praticantes de palhaçaria locais de cada região. Criada pela pesquisadora Lolita Goldschmidt, a iniciativa Riso de Mãe foi idealizada com o objeti- vo de refletir sobre a forma como a prática do riso atua em mulhe- res mães, formulando uma refle- xão sobre a valorização dessas figuras femininas na socieda- de contemporânea. Tem início nesta segunda-feira a mostra Cinema e Antropologia, rea- lizada na Sala Redenção da Ufrgs (rua Eng. Luiz Englert, 333) em par- ceria com o Programa de Pós-Gra- duação em Antropologia Social da universidade e o festival POADOC. Quatro documentários nacionais integram a programação, sempre com sessões às 16h e às 19h. Na agenda, estão incluídos os lon- gas-metragens Assexybilidade (que abre a mostra com duas ses- sões nesta segunda-feira), Chão, Fabiana e Campo grande é o céu, que abordam temáticas como a desmistificação da sexualidade, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, a transgeneridade e as populações quilombolas. Confira os horários de exibição de cada fil- me no site da Sala Redenção. A partir do mês de abril, a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) pro- move o curso Elaboração de Proje- tos Culturais. Organizada através do Programa Estadual de Formação e Qualificação na Área Cultural do Sistema Estadual de Cultura (SEC), a atividade ocorrenos dias 22, 23, 29 e 30, em formato online e gratuito. A formação terá enfoque, principal- mente, em temáticas relacionadas ao gerenciamento de processos or- ganizacionais e a concepção criati- va de propostas culturais. Apesar de ser direcionado para profissionais iniciantes nas áreas de arte, cultura e gestão, o curso está disponível para todos os públicos. Regulamen- to e formulário de inscrição (até 17 de abril) no site da Sedac. Peça Riso de Mãe é Coisa Séria tem sessões gratuitas em nove cidades LUÍS ANDRÉ CANCIAN/DIVULGAÇÃO/JC 23Jornal do Comércio | Porto Alegre Segunda-feira, 24 de março de 2025 Editor: Igor Natusch igor@jornaldocomercio.com.br A exposição Homo Machina Reloaded, assinada pelo escultor Paulo Favalli, está em cartaz no re- cém-inaugurado Museu de Arte do Paço/Mapa (Praça Montevidéu, 10). A visitação é gratuita e segue até o dia 16 de maio, de segundas às sex- tas-feiras, das 9h às 17h. A mostra individual tem curadoria de José Francisco Alves (membro da Asso- ciação Internacional de Críticos de Arte) e apresenta uma reflexão so- bre a relação entre o ser humano e a tecnologia, explorando aspec- tos antropológicos e ambientais, através de uma linguagem artística complexa e imersiva. Diferente da exposição anterior do artista, Homo Machina (2019), essa nova investida é composta de esculturas com elementos tec- nológicos interativos, como com- putadores, luzes e sons. Além do bronze, material tradicionalmente utilizado em suas esculturas, Faval- li incorporou a cerâmica em suas obras, explorando novas texturas e cores, a fim de simbolizar tanto a linguagem arcaica da tecnologia quanto o contraste com a ideia fu- turista de inovação. “Esta é uma nova etapa da minha carreira”, destaca o escultor, que também é cirurgião plástico. Desenhista desde a infância, em 2008 Favalli buscou expandir seu domínio sobre o tridimensio- nal, realizando sua primeira escul- tura em bronze. Com o passar dos anos, construiu sua linguagem ar- tística a partir da modelagem figu- rativa em argila ou plastilina, bem como da apropriação de peças elé- tricas e mecânicas de garimpo. Em 2016, passou a criar esculturas hí- bridas, que remetem ao clássico conceito homem-máquina, influen- ciadas pela ficção científica. Desde 2022, principalmente, após uma vi- vência imersiva sob a orientação dos escultores Eudald de Juana e Grzegorz Gwiazda, o artista buscou ampliar fronteiras, e o realismo pas- sou a se sobressair à anatomia, com emprego de computadores progra- mados, que funcionam de verdade. Com uma abordagem pes- soal, Favalli conecta, assim, sua experiência na área médica à sua produção artística, abordan- do questões que, embora distan- tes da sua prática clínica, refletem sua curiosidade e paixão por te- mas como inteligência artificial, questões ambientais e os desafios da sociedade contemporânea. “Na mostra de 2019, o mote das obras era exercício de entender o quan- to de nós, humanos, temos de ‘má- quina’ no nosso organismo – por isso a ‘brincadeira’ com peças me- cânicas. Desta vez, desenvolvi uma linha de trabalho que não aban- dona esse conceito, mas vai para um campo mais amplo e profun- do, com o acréscimo do viés antro- pológico”, detalha. A mostra atual reúne dez obras, algumas compos- tas por mais de uma escultura. De acordo com o curador, o ar- tista “cria um mundo sob atmos- fera cibernética”, projetando com- binações humanas anatômicas e componentes robóticos. “Nas obras (concebidas para o espaço expositi- vo e todas interligadas), o público vai ver computadores funcionando dentro e fora das esculturas, emi- tindo sons e mensagens, via dis- plays e painéis de led”, completa o escultor. Segundo ele, Homo Ma- china Reloaded é “um convite à reflexão profunda sobre os rumos que a humanidade está tomando em um mundo cada vez mais tec- nológico e interconectado”. A exposição inclui uma insta- lação imersiva que simula um mu- seu de história das civilizações hu- manas, com uma trajetória que vai desde as origens da humanidade até um futuro distópico, em um for- PAULO FAVALLI/DIVULGAÇÃO/JC Mostra de Paulo Favalli une esculturas e elementos tecnológicos interativos no Museu de Arte do Paço Adriana Lampert adriana@jornaldocomercio.com.br Exposição Homo Machina Reloaded está em cartaz até 16 de maio SILVIA BRUM/DIVULGAÇÃO/JC mato multimídia, com vídeos, tri- lhas sonoras e elementos plásticos. “Toda a mostra alerta para os pos- síveis caminhos sombrios do de- senvolvimento tecnológico. São es- culturas com apelo conceitual forte, mas também com apelo estético e bastante figurativas, que passam mensagems muito atuais. Inclusi- ve, uma parte da exposição é tex- tual, reforçando o que mostram as imagens”, ressalta Favalli. “No caso da instalação, inseri peças que são achados arqueológicos, com indi- cações da origem do homem, em uma trajetória que chega a um fu- turo hipotético, que nos faz refletir para onde estamos indo”, contex- tualiza o artista. Favalli acrescenta que, duran- te o processo criativo de Homo Machina Reloaded, realizou uma “pesquisa antropológica” através do acesso a livros, vídeos, aulas de antropologia, e filmes clássicos, como 2001: Uma odisseia no espa- ço (1968), Blade Runner - O caçador de androides (1982), Matrix (1999) e Ex_Machina: Instinto artificial (2014). Entre o humano e a máquina ARTES VISUAIS www.jornaldocomercio.com Morreu na última sexta-feira o ex-pugilista George Foreman, aos 76 anos. Lenda do boxe, Foreman foi bicampeão mundial dos pesos pesados e campeão olímpico representando os Estados Unidos. A causa da morte não foi informada pela família. O primeiro título mundial de Foreman foi conquistado aos 24 anos, em 1973. Ele repetiu o feito em 1994, quando tinha 45 e se tornou o lutador mais velho a ser campeão na categoria. A vitória foi por nocaute sobre Michael Moorer. Em 1968, na Cidade do México, o pugilista faturou o ouro olímpico, na categoria pesado (+81 kg). Ele derrotou, na luta decisiva, o soviético Ionas Chepulis. Foreman se aposentou com um cartel de 81 lutas, sendo 76 vitórias (68 por nocaute) e apenas cinco derrotas. Foreman é considerado um dos maiores pesos pesados de todos os tempos, e protagonizou aquela que é considerada a maior da história, quando foi derrotado por Muhammad Ali em 1974, na República Democrática do Congo (ainda com o nome de Zaire). Ali foi o único a vencê-lo por nocaute. Outra luta memorável para os fãs brasileiros foi contra Maguila, em 1990. Os dois duelaram em Las Vegas, com Foreman nocauteando o adversário no segundo round. O americano ainda ficou conhecido pelo empreendimento com o George Foreman Grill. O eletrodoméstico foi lançado em 1994 e, em 2009, alcançou a marca de mais de 100 milhões de vendas. ÎMarcas de Quem Decide A 27ª edição do evento de divulgação da pesquisa Marcas de Quem Decide, pro- movida tradicionalmente pelo Jornal do Comércio, ocorre hoje, a partir das 8h, no Teatro Fiergs, na Zona Norte de Porto Ale- gre. Lideranças das marcas mais lembra- das e preferidas dos gaúchos conhecerão sua posição no ranking elaborado a partir de pesquisa com entrevistas realizadas pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO). O estudo soma 79 categorias de diversos seto- res da economia gaúcha, sendo cinco no- vas. São elas: Loja de Produtos Pet, Marca de Calçados, Ração para Pets, Shopping e Marca Símbolo da Retomada Econômica. Inscrições no link: https://shre.ink/MCFn ÎBrics A presidente do Novo Banco de Desen- volvimento (NDB, na sigla em inglês), Dil- ma Rousseff, afirmou ontem, em Pequim, ter sido eleita para um novo mandato à frente da instituição, conhecida como ban- co do Brics e sediada em Xangai. Ela havia sido indicada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, após uma articulação do presidente Lula. ÎColgate Clientes têm relatado nas redes sociais que a nova fórmula da pasta de dentes Col- gate Total estaria dando reações alérgicas como ardência,inchaço, vermelhidão e aftas na boca, na língua e na gengiva. Os problemas teriam ocorrido após a mudan- ça na fórmula do produto, que agora con- tém fluoreto de estanho, no segundo se- mestre deste ano. A Anvisa (Agência Nacional de Segurança Sanitária) também recebeu relatos de reações após o uso do produto. ÎAuxílio emergencial O Ministério do Desenvolvimento e As- sistência Social está notificando 176.862 pessoas que receberam o auxílio emergen- cial entre 2020 e 2021, durante a pandemia, mas não tinham direito por não atender aos critérios de elegibilidade. Todos que fa- zem parte deste grupo devem devolver os valores. Ao todo, 6,7 milhões receberam o benefício de forma indevida, representan- do um ressarcimento aos cofres públicos estimado em R$ 7 bilhões. ÎChamada pública Interessados em participar da Teia de Soluções – Resiliência Climática para o Rio Grande do Sul, chamada pública que irá selecionar iniciativas para fortalecer a capacidade de resposta aos impactos dos eventos meteorológicos no Estado, terão mais duas semanas para encaminhar seus projetos. O prazo de inscrições agora vai até as 18h do dia 7 de abril. Porto Alegre, segunda-feira, 24 de março de 2025 fonte: M E T E O R O L O G I A A semana começa com tempo instável mais uma vez. Apesar das aberturas de sol que teremos pelo Estado, isoladamente há chance de chuva. No entanto, estas pancadas de chuva que ocorrem vão ter uma característica de verão, ou seja, mal distribuídas. Enquanto ocorre em uma cidade – as vezes com trovoadas e apertando a intensidade – não passará de um aumento de nuvens em uma região próxima. Temperaturas da tarde trazem aquecimento sem ser exagerado. O tempo instável que predomina pelo Estado também estará presente neste começo de semana na região da Capital. O sol entre nuvens é o que predomina, ou seja, a maior parte do dia será assim. As temperaturas trazem um dia quente. Porém, este aquecimento com a umidade mais elevada acaba gerando algumas nuvens mais carregadas. Rio Grande do Sul Porto Alegre 15° 32° 22° 30° PORTO ALEGRE NOS PRÓXIMOS DIAS Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado 21° 30° 21° 30° 20° 30° 21° 32° 21° 30° Dois filhotes de leão levantaram Porto Alegre na noite de sábado. Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia, que incendiaram o Brasil com suas icônicas jubas ao iniciarem suas carreiras musicais na década de 1960, mostraram que ainda são referência em MPB. Com cerca de 35 mil pessoas, lotaram a Arena do Grêmio e encerraram de maneira triunfal a turnê conjunta iniciada em 2024. O fim da turnê dos filhos de Dona Canô não estava previsto para Porto Alegre, mas, sim, em São Paulo. Entretanto, em consequência dos danos causados pela enchente de maio passado na Arena, o show em solo gaúcho, que estava previsto para 12 de outubro, precisou ser adiado. Mesmo assim, o público, que englobava diferentes gerações, não deixou de prestigiar os artistas. Apesar do contexto trágico que envolve a mudança de data do show, o público de Porto Alegre teve uma sorte: prestigiou a segunda execução de Um Baiana, música autoral inédita de Caetano. Na letra, o renomado artista brasileiro clama pela paz: “Os da guerra acreditam / Que mandam na Terra / E agora ainda mais / Mas nós que demos tudo / Não vamos ser mudos / É a paz”. Confira a crítica completa, assinada por Amanda Flora e Ana Stobbe, no site do Jornal do Comércio. MICHAEL SHICK/WIKIMEDIA COMMONS/REPRODUÇÃO/JC AMANDA FLORA/ESPECIAL/JC 24-JCA001-DIG 24-JCA002-DIG 24-JCA003-DIG 24-JCA004-DIG 24-JCA005-DIG 24-JCA006-DIG 24-JCA007-DIG 24-JCA008-DIG 24-JCA009-DIG 24-JCA010-DIG 24-JCA011-DIG 24-JCA012-DIG 24-JCA013-DIG 24-JCA014-DIG 24-JCA015-DIG 24-JCA016-DIG 24-JCA017-DIG 24-JCA018-DIG 24-JCA019-DIG 24-JCA020-DIG 24-JCA021-DIG 24-JCA022-DIG 24-JCA023-DIG 24-JCA024-DIGo Imposto sobre Trans- missão de Bens Imóveis (ITBI). O avanço do mercado imobiliário reflete o crescimento populacional da região, que registrou um aumento de 32% entre 2010 e 2022, segun- do o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísti- ca (IBGE). Em 2024, chegou a 434,3 mil habitan- tes. A expansão da infraestrutura, a ampliação da oferta de serviços e o crescimento do turismo têm atraído tanto investidores quanto pessoas em busca de melhor qualidade de vida. O cenário atual de juros elevados no Brasil contribui para quem deseja construir um patri- mônio a longo prazo, com a possibilidade de uti- lizar aplicações financeiras para equilibrar o in- vestimento. Aplicações de renda fixa, como CDBs e Tesouro Direto, oferecem retornos que podem ser usados para o pagamento de parcelas de imó- veis, permitindo a aquisição sem comprometer integralmente o capital inicial. No segmento de novos empreendimentos, os lançamentos de lotes têm se destacado como uma alternativa atrativa, registrando uma valorização média de 30% durante o período de pagamento. Esse aumento expressivo se deve a uma deman- da crescente por espaços tanto residenciais quan- to comerciais no litoral. O terreno pode ser utili- zado para construção, revenda ou como garantia para novos investimentos. A localização é um fator determinante para valorização. No litoral gaúcho, empreendimentos situados entre a Estrada do Mar e a praia são al- tamente valorizados por oferecerem fácil acesso e proximidade ao mar, características cada vez mais raras. Outro ponto essencial é a es- colha da construtora ou incorporadora. Em- presas com histórico sólido e transparência garantem mais segu- rança ao investimento, aumentando a confia- bilidade do projeto e assegurando a entrega no prazo e nas condições acordadas. Diante desse cenário positivo, o mercado imo- biliário no Litoral Norte segue aquecido, consoli- dando-se como um dos setores mais dinâmicos da economia gaúcha. Seja para moradia, lazer ou investimento, a região continua a atrair cada vez mais interessados, impulsionando o desenvolvi- mento urbano local. Sócio-diretor da Metagon/ Durafa Incorporadora O ano de 2025 começou, e com isso, os desa- fios tradicionais da política. Após o Rio Grande do Sul ter passado pela maior tragédia climática de sua história, ocorreram as eleições em outubro, quando os gaúchos foram às urnas com a expecta- tiva de eleger quem terá comprometimento com o trabalho para superar, de vez, as dificuldades cau- sadas pela enchente. Contudo, como qualquer início de le- gislatura, é comum vermos trocas de far- pas entre vereadores, discussões superficiais e uma série de brava- tas no plenário com o (único) propósito de render cortes nas redes sociais, não avançando em temas que realmen- te importam e sejam de interesse público – e não “de público”. Agora, o foco deve ser em assuntos para melhorar a qualidade de vida da nossa popu- lação e atacar os problemas reais do dia a dia. Não podemos mais perder tempo. Oito meses depois do colapso provocado pelas chuvas, é ne- cessário que as novas composições parlamentares das 497 cidades do nosso Estado dialoguem a fim de construir uma convergência sobre quais são as pautas que mexem com a vida da sociedade, que são de interesse público, considerando todos os as- pectos inerentes ao contexto atual. Vereadores e vereadoras de esquerda, centro e direita: precisamos firmar um pacto com o futuro, com o objetivo de realizar as transformações que o Rio Grande do Sul precisa. Mas como fazer isso quando discutimos questões de gênero ou apela- mos para ideologias sem nexo, desrespeitando o eleitor que depositou o seu voto de confiança no fim de 2024? Depois, não adianta reclamarmos do que deixamos de fazer em cada um dos municí- pios gaúchos. O início de 2025 apresenta práticas já conhe- cidas da política, mas os vereadores precisam ter em mente o que está em jogo. E a população está cansada de retrocessos. Precisamos convergir na escolha dos debates em prol do interesse público, valorizando quem escolheu os atores responsáveis pela política nas cidades. Temos muito trabalho a fazer, e o Rio Grande precisa de nós. É preciso ter coragem neste momento de cons- truir a convergência. O mais cômodo é optar pelo lugar comum da divergência vazia, às vezes sim- plesmente por ser de direita ou esquerda. O revo- lucionário, neste caso, é construir a paz e a solução para conflitos e problemas. Presidente do Podemos RS Betina Worm Marcelo Strazas Everton Braz 19Jornal do Comércio | Porto Alegre política Quarta-feira, 12 de março de 2025 ⁄ PREFEITURA DE PORTO ALEGRE O prefeito de Porto Alegre, Se- bastião Melo (MDB), viajou a Bra- sília para se reunir com o minis- tro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), junto de outros gestores mu- nicipais da Frente Nacional de Pre- feitas e Prefeitos (FNP). O encontro marcado para esta terça-feira, no entanto, foi adiado para o dia 19 de março, após o petista ser con- vocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a comparecer à inauguração do Centro de Desen- volvimento de Tecnologia Híbrida Flex no município de Betim, em Minas Gerais. Com a ausência de Haddad, o ministro designou o secretário Extraordinário da Reforma Tribu- tária, Bernard Appy, para receber os prefeitos e tratar da composição de uma chapa para concorrer ao comando do Comitê Gestor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). De Melo tem reunião com Haddad adiada em Brasília Encontro com ministro da Fazenda deve ocorrer no próximo dia 19 Bolívar Cavalar bolivarc@jcrs.com.br Prefeito aproveitou viagem para tratar de reforma tributária e habitação THAYNÁ WEISSBACH/JC acordo com Melo, ele ainda cum- priu agenda junto ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o convidou para compor a chapa da frente municipalista. “Fui visitar o governador Iba- neis, em nome da Frente Nacio- nal de Prefeitos, para convidá-lo (a compor chapa), porque neste comitê federativo ele tem um as- sento duplo, como governador do Distrito Federal, mas Brasília tem um assento também como muni- cípio. Ele aceitou o convite para estar conosco na Frente Nacional de Prefeitos”, disse o prefeito da capital gaúcha em áudio enviado à reportagem. Além destes compromissos relacionados à reforma tributária, o prefeito da Capital também par- ticipou de reuniões para tratar de assuntos relacionados à habitação, como os programas federais Com- pra Assistida e Minha Casa, Mi- nha Vida. Betina Worm detalha primeiras ações e desafios da gestão “Muitos omeletes são feitos quebrando ovos.” Foi assim que a vice-prefeita Betina Worm (PL) de- finiu a atuação do poder público, especialmente no trabalho de rear- borização da Capital e de preven- ção contra novas enchentes. Beti- na, que está cumprindo função de prefeita interina durante a viagem do prefeito Sebastião Melo (MDB) a Brasília, detalhou os principais de- safios da gestão e explicou o que já está sendo feito na cidade durante palestra no Menu POA, evento or- ganizado pela Associação Comer- cial de Porto Alegre (ACPA). Convi- dada em razão do mês da mulher, a ex-militar afirmou que “se tem alguém que sabe o que é trabalhar em um ambiente masculino, eu te- nho alguma escola”. Em sua fala, a prefeita interi- na destacou o trabalho do Execu- tivo municipal na prevenção con- tra cheias, ressaltando ações como o alteamento do dique do Sarandi, reformas nas casas de bomba e em bocas de lobo, criação de novas es- truturas de bombeamento e fecha- mento dos portões 1, 3 e 5 do Muro da Mauá. A ex-militar também co- mentou sobre a criação do Centro de Monitoramento e Alerta da De- fesa Civil (Cemadec) e do Centro de Monitoramento e Contingência Cli- mática, ligado à Secretaria do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustenta- bilidade (Smamus). Segundo ela, as obras de reconstrução de Porto Alegre já somam R$ 536 milhões. A prefeitura prevê que todos os ajustes totalizarão R$ 839 milhões,ainda que a prospecção seja de R$ 1,2 bilhão. Os recursos utilizados para custear a reconstrução vêm das mais diversas origens. Na gestão anterior, o governo Melo havia pe- dido financiamentos federais por meio do Novo Programa de Ace- leração do Crescimento (PAC) e da Comissão de Financiamentos Ex- terno (Cofiex). Contudo, os recur- sos não foram autorizados. Após as enchentes, os valores foram li- berados pelas entidades federais, fazendo com que R$ 6 bilhões che- gassem ao Estado. Financiamen- tos como o do Banco Mundial e da AFD (Agence Française de Dévelo- ppement) já haviam sido negocia- dos e aprovados antes da catástro- fe climática, mas somaram-se aos cofres municipais recentemente e serão usados para requalifica- ção do espaço urbano, projetos de transporte público e micro e ma- crodrenagem no Centro Histórico e no 4º Distrito. Já com os recur- sos do banco alemão KfW, que também haviam sido acordados anteriormente, será feita a macro- drenagem dos arroios Moinho, Cavalhada e Guabiroba. A Capi- tal também recebeu repasses do Comitê Andino de Fomento (CAF) e do Banco Interamericano de Fo- mento (BID). No evento, Betina detalhou a sua atuação como vice-prefeita, elencando os temas segurança, mobilidade urbana, causa animal, relações internacionais e desen- volvimento econômico como seus principais focos. Ela, que está as- sumindo um cargo político pela primeira vez, afirma que sua ro- tina tem sido intensa. “Acho que as dificuldades estão me ensinan- do até a ter mais jogo de cintu- ra”, comenta. Sobre o reajuste da passagem de ônibus, Betina disse que “está se estudando e analisando a me- lhor forma de abordar e solucionar o repasse da isenção dos 65 mais (idosos), que é responsabilidade do governo federal”. Segundo ela, a ausência de repasses federais para custear a isenção de passageiros do transporte público com mais de 65 anos impacta diretamente no valor cobrado pelo poder público. Sofia Utz sofiae@jcrs.com.br Vice-prefeita Betina falou a empresários no Menu Poa da ACPA RAMIRO SANCHEZ/JC ⁄ MUNICIPALISMO PP tem quatro prefeitos na disputa pela Famurs Partido que mais elegeu pre- feitos no Rio Grande do Sul nas eleições municipais de 2024, o PP elegerá no dia 11 de abril o nome que irá presidir a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) na gestão 2025-2026. Ontem foi o prazo limite para que os gestores municipais manifestem interesse em comandar a Famurs. Até o momento, quatro pre- ⁄ INVESTIGAÇÃO Bolsonaro recorre para ser julgado pelo plenário do STF O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quer ser julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em vez de pela Primeira Turma da corte. O recurso foi apresentado nesta segunda-feira. Bolsonaro recorre de decisão que negou, no fim do mês passado, pedidos para declarar os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin impe- didos para julgar a denúncia da Pro- curadoria-Geral da República sobre a trama golpista, na qual Bolsonaro e mais 33 pessoas estão implicadas. O plenário, em que o ex-presi- dente quer ser julgado, é formado pelos 11 ministros da corte, entre eles André Mendonça e Nunes Mar- ques, nomeados durante o seu go- verno. Já a Primeira Turma tem os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Alexandre de Mo- raes e Flávio Dino. O primeiro pedido foi negado pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que entendeu que os argu- mentos da defesa de Bolsonaro não justificariam um impedimento legal contra Dino e Zanin. Entre as alegações da defesa estavam uma queixa-crime de Dino contra Bolsonaro quando ele era mi- nistro da Justiça e Segurança Públi- ca, nos primeiros meses do gover- no do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já contra Zanin, os advo- gados argumentam que o ministro foi advogado da campanha de Lula e entrou com ações contra a chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022. feitos manifestaram interesse em presidir a entidade; são eles: Volmir Rodrigues, de Sapucaia do Sul, Adriane Perin de Olivei- ra, de Nonoai, Schamberlaen Silvestre, de Cambará do Sul, e Marcos Corso, de Três de Maio. O escolhido irá substituir Mar- celo Arruda (PRD), que coman- dou a Famurs ao longo da gestão 2024-2025. O PP elegeu 164 prefeitos e 136 vices no Estado no ano pas- sado, mas Jaury Gonzales da Cunha, eleito para comandar Ar- roio dos Ratos, faleceu ainda em 2024. Assim, estão aptos para votar 299 representantes da sigla na eleição interna do partido. A eleição do presidente da Famurs deve ocorrer em 21 de abril, e a data da posse ainda não foi definida. Para as próxi- mas gestões, indicarão presiden- tes os outros três partidos com maior número de prefeitos elei- tos em 2024 - MDB, com 125, PDT, com 50, e PL, com 35. O mercado imobiliário no Litoral Norte está entre os setores mais dinâmicos da economia gaúcha Leia o artigo “Brasil é protagonista na transição para a eletromobilidade”, de Mikio Kawai Jr., em www.jornaldocomercio.com É necessário que parlamentares nas 497 cidades do RS dialoguem a fim de construir uma convergência 5Jornal do Comércio | Porto Alegre Segunda-feira, 24 de março de 2025 Patrícia Comunello patriciacomunello@jornaldocomercio.com.br No pontoNo Ponto Do POAFW ao Trend Sul: moda mobiliza Porto Alegre Iguatemi debuta na cena nacional, e Trend Sul foca indústria gaúcha Porto Alegre está na moda, li- teralmente. Não que não estivesse até hoje, mas duas iniciativas com diferentes propósitos, promotores e engajamento reforçam o olhar sobre o segmento, que, fora a ali- mentação, é o que mais sustenta o consumo ao envolver todas as ge- rações. As duas iniciativas são o POA Fashion Week (POAFW) e o Trend Sul 2025. Esta semana entra em cena o POAFW, de amanhã a quinta-feira, na mega área de 2 mil metros quadrados montada pelo shopping Iguatemi, com passarela de desfiles, salas de talks e mostra de moda, no primeiro piso do em- preendimento - acesso ao lado da megaloja da Renner -, e que pro- mete “agitar” o complexo, avisa a gerente-geral, Nailê Santos. “O POAFW consolida cada vez mais o posicionamento de que o Iguate- mi é o maior lançador de moda no Sul do País. Vai ser uma semana de muito agito e oportunidade de muitas vendas para nossos lojis- tas”, aposta Nailê. O POAFW tem direção de Paulo Borges, presiden- te do Instituto Nacional de Moda, Design e Economia Criativa (Inmo- de) e fundador do SPFW. Além dos desfiles de dezenas de lojas do mix do Iguatemi, dois nomes do circu- tio SPFW estarão na passarela da Capital: Lino Villaventura e Luiz Cláudio. A exposição “As Joias da Rainha”, com a trajetória da pri- meira editorialista de moda brasi- leira, Regina Guerreiro, é uma das atrações no palco do megaevento. “O Trend Sul vai ser o maior evento do Sul do Brasil”, convoca Elaine Deboni, vice-presidente de Micro e Pequenas Empresas da As- sociação Comercial de Porto Ale- gre (ACPA). A iniciativa foi abra- çada pela associação comercial e pretende turbinar a cadeia da moda, fabricação, designers e va- rejo. “Nossa indústria é forte, mas é isolada. Vamos trabalhar juntos”, reforça Elaine. No lançamento na semana passada, foi detalhado o evento, que será no Parque Har- monia, na Capital, de 27 a 29 de junho. A meta é atrair mais de 80 mil pessoas, entre players e consu- midores. “A ideia é trazer o Brasil para Porto Alegre”, diz Lessandra Fraga, coordenadora do Trend Sul. O Núcleo da Moda (Numoda) é um dos apoiadores. Lessandra explica que o outro foco é atrair a produ- ção regional “para movimentar a economia após a enchente”. Iguatemi monta passarela de desfiles em 2 mil metros quadrados PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/.JC Coluna ganha lista de envio de notícias pelo WhatsApp Fala galera! A coluna Minu- to Varejo ganhou uma nova frente de conversa com vocês. É o canal pelo WhatsApp. Para receber notí- cias em primeira mão e logo que a novidade surge, basta salvar na lista dos contatosno celular o nú- mero (51) 99692-2573. Depois, crie e envie mensagem para o número salvo, pelo aplicativo, com “minu- to varejo” e seu nome e sobrenome. Você não será incluído em um gru- po de diálogo. As mensagens serão enviadas separadamente para cada usuário. Você poderá ler e compar- tilhar o conteúdo pelo WhatsApp. Pós-NRF: dia 26, Fabiano Zortéa estará em evento da Fe- deração Varejista do RS e CDL Novo Hamburgo, às 19h, no Salão de Atos Campus II, da Feevale; e dia 27, painel na ACPA, no Palácio do Comércio, às 8h, tem mediação do Minuto Va- rejo, com Carlos Klein (CDL) e Diana Lienert (SindilojasPOA). Coluna de quinta A edição de quinta-feira vai trazer os melhores momentos do episódio número 12 do videocast da coluna, com Diego Argenta, superintendente do grupo SIM. A Mamma Mia, restau- rante de culinária italiana, tem agora CEO, é o ex-dire- tor regional do grupo Igua- temi, Marcelo Borba, que deixou a função após 20 anos e encara a nova em- preitada. Borba assumiu há pouco mais de 10 dias e diz que vem expansão da rede. “Vai ter muita novidade.” A marca buscou um executivo de varejo para apoiar o em- presário Julinho Cavichioni. A Docile tem mudança no comando: Ricardo Heineck assumiu a presidência, e os irmãos Alexandre e Fernando, todos sócios, passam a ser presidente do Conselho de Administração e membro do órgão, respectivamente. PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC TÂNIA MEINERZ/JC A Chanel vai abrir no Iguatemi Porto Ale- gre. A marca francesa terá operação da Fra- grante & Beauty (perfumaria e beleza). Previ- são é estrear até julho, segundo a marca. A Fruki, patrocinadora do STU PRO Tour 2025, em Porto Alegre, montou um ”quiosque lab” para o público testar sabores em combinações inusitadas, diz a marca. FR U K I B EB ID AS /D IV U LG AÇ ÃO /J C ACPA lançou iniciativa para alavancar da indústria e designers a lojas PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC 6 Jornal do Comércio | Porto AlegreSegunda-feira, 24 de março de 2025 Em 2010, na euforia da des- coberta do pré-sal, o governo fez o equivocado diagnóstico de que as rendas futuras de petróleo pa- gariam, com sobra, toda a despe- sa pública. Mesmo com o sucesso da ex- ploração do pré-sal, isso nem de longe aconteceu. Em 2024, o total de rendas de petróleo da União foi de R$ 107 bilhões, enquanto o seu déficit nominal somou R$ 900 bilhões. Na crença de que nos torna- ríamos uma nova Arábia Saudita, foi criado o Fundo Social, onde se- ria depositada parte do esperado superávit nominal, para acumular poupança em benefício das gera- ções futuras. O superávit não veio. Criar fundo de poupança em país defi- citário equivale a tomar dinheiro no cheque especial para depositar na caderneta de poupança: prejuí- zo certo. Com dívida e juros altos, o melhor que se pode fazer pelas gerações futuras é não lhes le- gar uma dívida ainda mais alta e cara: controlar a despesa e usar a renda do petróleo para pagar as contas correntes, evitando endivi- damento adicional. Escolheu-se, contudo, criar o Fundo Social, que, abastecido por rendas de petróleo da União, faria investimentos no exterior. O prin- cipal investido seria preservado, gastando-se apenas os rendimen- tos em oito áreas escolhidas pelo Congresso, que vão de educação a esportes. As instâncias de governança desse fundo, previstas na lei, que planejariam e executariam os in- vestimentos, jamais foram cria- das. Os investimentos não foram feitos e os recursos se acumula- ram na conta única do Tesouro. Em 2013 já estava claro que os investimentos no exterior não decolariam. Foi então autoriza- do o gasto de 50% dos valores do fundo em educação e saúde. A outra metade do fluxo de recei- tas continuou acumulando saldo no fundo. De tempos em tempos pas- sava-se uma lei para desvincular esse saldo, usando-o para pagar dívida pública, o que é correto. Chegamos ao presente, em que ainda há recursos empoça- dos no Fundo Social e novos flu- xos mensais de receita aumentam esse saldo mês a mês. O governo não pode usar esse dinheiro para aumentar despesa primária, porque há um teto de gastos, determinado pela lei do arcabouço fiscal, que já está total- mente consumido. Deveria extinguir o Fundo So- cial, que se provou inútil, e usar o saldo e os novos fluxos de re- ceita para reduzir o déficit públi- co, o que faria a dívida crescer mais lentamente. Contudo, o governo prefe- riu uma linha alternativa. Apro- vou, em setembro de 2024, uma lei desvinculando R$ 20 bilhões do fundo, repassando-os ao BN- DES, para constituir funding para empréstimos. O truque é que esse desem- bolso não é despesa primária, logo não se submete ao teto de gastos. Entre controlar o crescimento da dívida e fazer política pública de expansão de crédito, o governo es- colheu a segunda opção. A dose se repete com a recente edição da MP 1.291, que não extin- guiu o Fundo Social, mas acabou com a fantasia dos investimentos no exterior, colocando os recursos disponíveis para uso do orçamen- tário corrente. Porém, novamente para evi- tar o teto de gastos, o governo já informou ao Congresso que vai usar a via do desembolso finan- ceiro, mandando R$ 21 bilhões para concessão de financiamentos via bancos públicos. Em tese, uma vez que os to- madores finais quitem os emprés- timos feitos pelos bancos públicos, os recursos poderiam voltar para o Tesouro e serem usados para pa- gar dívida pública. Na prática, os recursos permanecem nos ban- cos, financiando novas operações, e são parcialmente consumidos por inadimplência, subsídios nos juros e taxas de administração. Enquanto isso, a dívida públi- ca continua subindo. Fundo Social: escolhas ruins, ontem e hoje De projeções exageradas ao truque fiscal Marcos de Vasconcellos Jornalista, assessor de investimentos e fundador do Monitor do Mercado ⁄ MINUTO VAREJO Exigência de manter funcionários na compra do Nacional é do Carrefour, diz sindicalista “É uma relação comercial”, definiu o presidente da Federação dos Comerciários do Rio Grande do Sul (Fecosul), Guiomar Vidor, sobre qualquer mudança na condi- ção de que, para comprar pontos do Nacional, é preciso assumir o quadro de funcionários. A exigên- cia é do Carrefour, que tem hoje 26 unidades ainda sem venda defini- da. O presidente do grupo Asun, sétimo supermercadista gaúcho, Antônio Ortiz Romacho, disse, em entrevista à coluna Minuto Vare- jo, que a permanência do quadro “emperrou” a compra de seis lojas que o grupo tinha interesse em fi- car. O Asun já arrematou pontos do Carrefour, quando acertou a aquisição de unidades do Maxxi- -Atacado (extinta) e Nacional, mas em outro negócio. Vidor reforça que a medida, eventual negocia- ção sobre isso, “não está sobre o controle do sindicato”: “Bem que gostaríamos de ter, vamos dizer assim, esse poder de definição”, admite o sindicalista, que dirige negociação neste mo- mento para maior indenização dos empregados que poderão ser de- mitidos caso filiais do supermerca- do sejam fechadas. O Carrefour já oficializou, em seu balanço de re- sultados de 2024, que vai encerrar as lojas que não forem negociadas até junho. Com isso, as dispensas serão inevitáveis. “Antes da re- forma trabalhista, havia obrigato- riedade da empresa de negociar com os sindicatos qualquer tipo de demissão coletiva, no caso de fechamento de empresa também, como nesse caso”, compara Vidor, que também preside a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil do Rio Grande do Sul. “Acho que o Carrefour, na ver- dade, quer se livrar do passivo tra- balhista, por isso que está fazendo essa exigência. Mas isso não tem relação nenhuma com a negocia- ção que estamos fazendo”, escla- Patrícia Comunello patriciacomunello@jornaldocomercio.com.br Rede teve venda de 13 lojas até agora com o quadro completo, mas faltam 26 unidades para negociar PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC rece o sindicalista. Mas Vidor con- sidera que a condição é adequadae garante que seria o pedido tam- bém do setor, para que a varejis- ta “vendesse as lojas com todos os trabalhadores, transmitindo todos os seus direitos para os no- vos proprietários”. O presidente da Fecosul cita que a manutenção do quadro ocorreu nas tratativas já feitas de venda para outros super- mercadistas, como as 11 lojas para o grupo Nicolini, que aguarda ava- lia do Cade, e uma para o Kern e outra para o Viezzer. “Todas fo- ram vendidas junto com os seus trabalhadores, sem rompimento de vínculo.” 7Jornal do Comércio | Porto Alegre economia Segunda-feira, 24 de março de 2025 Editora: Fernanda Crancio economia@jornaldocomercio.com.br ⁄ TURISMO ‘País tem potencial para ser referência em ecoturismo’ Após quase 20 anos pilotan- do carros a mais de 320 km por hora - seja na Fórmula 1 ou na Fórmula Indy - Mario Haberfeld deixou o automobilismo e, ago- ra, em uma velocidade mais re- duzida, busca se alinhar ao tem- po da natureza. Em 2011, fundou a Onçafari, que busca conservar a biodiversidade brasileira por meio do ecoturismo, da ciên- cia e da proteção de áreas natu- rais. Entre as diferentes frentes em que a ONG atua atualmente, está a de reintroduzir na natu- reza animais que são símbolos da fauna brasileira, como as on- ças pintadas. Em entrevista ao Jornal do Comércio, Haberfeld - que em abril estará em Porto Alegre como um dos palestrantes do Fó- rum da Liberdade 2025 - dá mais detalhes de como ocorreu essa curiosa transição das pistas para o ambientalismo e fala sobre o potencial do País para evoluir no turismo sustentável. Jornal do Comércio - Con- te como foi essa mudança de piloto de automobilismo para um defensor da vida selvagem e da conservação? Mario Haberfeld - Corri de carro durante quase 20 anos e cheguei a andar na Fórmula 1 como piloto de teste e correr na Fórmula Indy. Mas chegou um momento que senti a necessida- de de um novo desafio. Me apo- sentei das corridas em 2008 e sabia que queria trabalhar com conservação, mas não sabia como. Afinal das contas, não sou cientista, biólogo ou veterinário, mas sempre gostei muito dessa área. Tudo começou quando fui pela primeira vez para a África, quando tinha 12 anos. Meu pai me levou para um safari. Não era igual como é hoje, com hotéis lu- xuosos. Fizemos tudo na caçam- ba de um caminhão, andando pelo Serengeti - um dos maiores parques da Tanzânia. Essa via- gem me marcou e depois que pa- rei de correr resolvi que tinham vários animais que queria gos- taria de ver na natureza. Fiquei dois anos viajando junto com um amigo com esse propósito. Fui ver o urso panda, na China, o gorila, na Uganda, o tigre, na Índia e o urso polar, no Canadá. Dessas viagens, surgiu a ideia do Onçafari, porque percebi que a maioria desses animais estavam sendo salvos graças ao ecoturis- mo. Cheguei à conclusão de que a onça pintada era o nosso “leão brasileiro” e veio à tona a ideia de criar um safari no Brasil. JC - De que forma o Onça- fari começou a desenvolver o ecoturismo no País e de que forma esse projeto foi ganhan- do outras frentes? Haberfeld - Começamos com esse processo que chamamos de habituação, que é fazer com que seja possível conseguir ver as onças pintadas na natureza na reserva Caiman (localizado no Pantanal sul-matogrossense) e deu super certo. Naquele local, já existia um lodge e viam-se on- ças duas vezes por ano somente. Hoje, é possível avistar o animal 1,3 mil vezes ao ano. Com o eco- turismo funcionando, passamos a abrir outras frentes, como a da ciência. Com essa parte, começa- mos a descobrir várias questões de comportamento da onça pin- tada que ninguém sabia. Depois, veio a parte social para melhorar a vida das pessoas onde a gen- te trabalha e dar mais oportu- nidades, especialmente para as mulheres do Pantanal, onde a pecuária é muito forte. Há ain- da uma frente de educação am- biental, que atua em escolas ou por meio de palestras, publica- ção de livros e documentários, e outra de advocacy, que luta para termos mais parques e melhores leis ambientais no Brasil. JC - A ONG do fundador da The North Face serviu de inspi- ração para vocês? Haberfeld - Sim. Desde 2019, a Onçafari criou uma frente que chamamos de “Florestas”. Nesta frente, buscamos comprar áreas que estão sobre algum grau de ameaça com o objetivo de criar verdadeiros corredores ecológi- cos. Essa ideia veio da atuação da família Tompkins (da The North Face), que vem fazendo isso na Argentina e no Chile há cerca de 30 anos. Nos inspiramos neles para fazermos o nosso mo- delo, com a diferença de que as terras que compramos não são doadas para os governos a fim de virar parques nacionais como ocorre nas ações deles (da Fun- dação Tompkins Conservation). Após comprarmos as áreas, nós fazemos um fundo de perpetui- dade para mantê-las. JC - Quais dados que aju- dam a mensurar a evolu- ção da Onçafari nesses últi- Nícolas Pasinato nicolasp@jcrs.com.br Ex-piloto de automobilismo, Mario Haberfeld fundou a ONG Onçafari e será palestrante do Fórum da Liberdade THABATA CORDEIRO/DIVULGAÇÃO/JC mos anos? Haberfeld - Hoje, temos 16 bases de atuação espalhadas pelo Brasil. Começamos no Pan- tanal e passamos a atuar na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica. Nessa parte de compra de áreas, a Onçafari tem, atual- mente, aproximadamente 120 mil hectares de terras conserva- das. No ecoturismo, consegui- mos fazer com que a reserva de Caiman se tornasse o melhor do lugar do mundo para ver uma onça pintada. Nos últimos três anos, todos os nossos hóspedes que ficaram por pelo menos três noites, independente da época do ano, conseguiram ver pelo me- nos uma onça. Ou seja, estamos contribuindo para que o Brasil entre no mapa internacional do ecoturismo, atraindo pessoas que gostam de fazer safaris. Estamos contribuindo para que o Brasil entre no mapa internacional do ecoturismo, atraindo pessoas que gostam de fazer safaris JC - De que forma o se- nhor avalia que o ecoturis- mo vem crescendo no País e qual a importância desse se- tor para a preservação do meio ambiente? Haberfeld - Estamos ainda muito atrás da África e há anda muito o que avançar, mas esta- mos no caminho. Como somos um país continental, precisa- mos melhorar a infraestrutura de voos. Para ir do Pantanal para a Foz do Iguaçu, por exemplo, é preciso passar por São Paulo. Tudo é mais difícil. Mas assim como a África do Sul, que tem no turismo a sua principal fonte de renda, o Brasil tem tudo para evoluir e se tornar uma gran- de referência. Ao desenvolver o ecoturismo, muda a percepção e a consciência das pessoas, que passam a ajudar na preservação. JC - Quais são os planos para o futuro da ONG e há al- guma possibilidade de vocês atuarem no Sul do País? Haberfeld - O plano é seguir crescendo na parte de ecoturis- mo, abrindo novas perspectivas em diferentes partes do Brasil. A área de pesquisa é um negó- cio que nunca vai ter fim, en- tão há sempre coisa nova a se descobrir. A mesma coisa com a educação, com a parte social. Na parte que a gente chama de floresta, em que criamos corre- dores ecológicos ao comprarmos áreas, pretendemos dobrar de ta- manho nos próximos dois anos. O Sul está, sim, no nosso mapa e temos bastante vontade de atuar- mos nesta região. JC - No RS, tivemos as en- chentes como catástrofe cli- mática. No Pantanal e na Mata Atlântica há o problema do desmatamento e das queima- das. Qual a mensagem que costuma deixar em suas pa- lestras sobre a importância da preservação e do combate ao aquecimento global? Haberfeld - O ser humano precisa acordar. Com tudo isso que está acontecendo, quem ti- nha dúvidas sobre o Global War- ming não deveria mais ter. No Sul, foram as enchentes. No Pan- tanal e na Amazônia, as quei- madas. Um terço do Pantanal foi queimado no ano passado, uma área que representa o tamanho da Suíça. Também vimos os in- cêndios que ocorreram agora em Los Angeles. Mas o ser humanoacha que as coisas vão acontecer daqui 100 anos, quando ele não estiver mais aqui. Precisamos pensar nas novas gerações, nos nossos filhos e netos. As coisas estão acontecendo muito mais rápido do que os cientistas pre- viam. Então acho que as pessoas precisam entender que, mesmo que a tecnologia possa ajudar a minimizar esses impactos, é muito mais barato você cuidar do que ainda existe do que cor- rer atrás do estrago depois. 8 Jornal do Comércio | Porto Alegre economia Segunda-feira, 24 de março de 2025 TAP brinda com Miolo A comemoração será no dia 1º de abril, mas não é mentira. Muito pelo contrário. A TAP, que sempre ofereceu aos passageiros do voo Lisboa-Porto Alegre exclusivamente rótulos portugueses, abre uma exceção para celebrar a retomada do trecho. As taças dos viajantes terão Miolo Cuvée Brut, um espumante com Deno- minação de Origem Vale dos Vinhedos (DOVV), elaborado com uvas Chardonnay, cultivadas nos vinhedos da Vinícola Miolo. Ao pousar na capital gaúcha, parte dos passageiros seguirá em uma programação a diversos destinos turísticos do Rio Grande do Sul. E, claro, o Vale dos Vinhedos, é parada obrigatória para um grupo de jornalistas portugueses. Uma retomada estratégica A retomada da rota aérea ocorre em um momento estratégico para o turismo gaúcho, especialmente após a reabertura do Aeropor- to Internacional Salgado Filho, que ficou fechado por meses devido aos alagamentos de maio de 2024. Com essa retomada, a expectativa é que o turismo entre Brasil e Portugal ganhe ainda mais força, esti- mulando o crescimento econômico e promovendo a cultura e belezas do Rio Grande do Sul para o mercado europeu. Destino turístico inteligente A Administração Municipal de Gramado recebeu, por meio da Secretaria de Turismo, uma premiação internacional na noite da quarta-feira passada (19) durante a programação da Feira Interna- cional de Destinos inteligentes (FIDI), que está sendo realizada em Bonito (MG). Gramado foi a grande vencedora do Prêmio Íbero-Ame- ricano de Destino Inteligente (DTI) 2025 na categoria Governança. O dia da Síndrome de Down Dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down, um dia para refletir sobre os desafios enfrentados por essas pessoas. A falta de acesso a oportunidades de emprego e a discri- minação são realidades que limitam seu desenvolvimento. Com o objetivo de tornar o mercado de trabalho mais inclusivo, a Arcos Do- rados e a marca McDonald ‘s se destacam na contratação de pessoas com deficiência. População vegana reduzida Uma pesquisa lançada em março de 2025, realizada pelo Insti- tuto Datafolha, a pedido da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), aponta que 7% da população brasileira concorda totalmente ou em parte com a afirmação de que é vegana. O levantamento foi realiza- do entre os dias 9 e 11 de dezembro de 2024. Além disso, o estudo revela que 22% dos entrevistados afirmam já ter tentado parar de comer carne em algum momento. Descarbonização de edifícios Os principais especialistas do segmento de construção susten- tável do Brasil estiveram reunidos em Balneário Camboriú, litoral norte de Santa Catarina, nesta quinta- feira (20), no 3º Seminário de Descarbonização de Edifícios, promovido pelo ASHRAE South Brazil Chapter. Ele teve o patrocínio da FG Empreendimentos, reforçando seu compromisso com práticas ambientais responsáveis e com a evo- lução do setor. O tema do Fórum da Liberdade Em um mundo polarizado, conflituoso, repleto de desinforma- ção e disputas sobre quem é o dono da verdade, o Fórum da Liber- dade 2025 centra seu foco na busca do indivíduo para romper esse círculo vicioso e realizar suas próprias escolhas. Por isso, “Coragem para Escolher” é o tema do Fórum da Liberdade, que ocorrerá em 3 e 4 de abril na Pucrs de Porto Alegre. O Fórum da Liberdade é uma conferência sobre economia e política, organizada pelo Instituto de Estudos Empresariais. Ele se realiza anualmente desde 1988, já ten- do contado com a presença de cinco ganhadores do Prêmio Nobel de Economia e nove chefes de Estado, entre outros. ⁄ FERROVIAS Depois de décadas de esque- cimento, o incentivo às ferrovias nacionais está de volta, com apor- tes previstos no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deve investir até R$ 1,5 trilhão até 2026 em todos os estados da fe- deração, e mais R$ 0,5 trilhão após esse período. Nessa perspectiva, surgem projetos como o da Sul- trens, que pretende conectar Por- to Alegre a Gramado, com base no Marco Institucional das Ferrovias, de 2021, e na legislação do governo estadual, de 2023. Essa legislação autoriza o setor privado a operar serviços ferroviários por 99 anos, desde que estejam alinhados com a política governamental e sejam autossustentáveis, sem a utilização de recursos públicos. Embora traga vantagens para o meio ambiente e para a econo- mia, as malhas ferroviárias, de diferentes tipos, exigem cuida- dos ambientais, conforme ressal- ta Evandro Eifler Neto, Diretor de Engenharia da Arvut, consultoria especializada em meio ambiente. “É necessário considerar o impacto social, pois os traçados podem exi- gir desapropriações e afetar comu- nidades, o que demanda um tra- balho extensivo de comunicação”, Mais sustentáveis, projetos de ferrovias exigem cuidados PAC pretende investir até R$ 1,5 trilhão no modal até o ano de 2026 Bárbara Lima barbaral@jcrs.com.br Malhas ferroviárias de diferentes tipo exigem atenção ambiental ANTF /DIVULGA??O/JC afirmou. Além disso, nos locais onde não é possível desapropriar moradores, é fundamental atentar para o conforto acústico. “Existem ruídos e vibrações com a passagem dos trens. Há tecnologias mais si- lenciosas, além das barreiras acús- ticas, mas o mais importante é realizar um acompanhamento pe- riódico da manutenção”, explicou. Ele também destacou a su- pressão de vegetação e o afasta- mento da fauna como um dos prin- cipais desafios. “Muitos animais se afastam quando a vegetação é re- movida. A vegetação que pode ser retirada deve ser replantada em outras áreas. A recomendação é fazer um planejamento detalhado e um plano de obra bem estrutura- do”, acrescentou Neto. Apesar dessas ressalvas, ele reforça que o modal ferroviário é sustentável e estratégico para um país de dimensões continentais como o Brasil. “É um meio eficien- te, reduzindo os impactos dos ga- ses de efeito estufa emitidos por automóveis e caminhões, além de ser produtivo para o escoamen- to da produção e o transporte de cargas”, afirmou. Além disso, o modal ferroviário impulsiona o tu- rismo e gera muitos empregos nas regiões atendidas. “Considerando as mudanças climáticas que es- tamos enfrentando, investir neste tipo de transporte é uma excelen- te ideia, e o projeto de Gramado a Porto Alegre está dentro dessa li- nha, o que torna o projeto muito interessante”, concluiu. ⁄ TRIBUTOS Prazo para pagar IPVA 2025 com desconto termina dia 31 Os proprietários de veículos no Rio Grande do Sul têm até o dia 31 de março para aproveitar os descontos no pagamento do IPVA 2025. Ao quitar o tributo até o úl- timo dia do mês, é possível obter uma redução de até 20,80% no va- lor devido, somando os descontos de antecipação (1%) com os benefí- cios do Bom Motorista e do Bom Ci- dadão (15% e 5%, respectivamen- te). Após esse prazo, o pagamento do tributo deverá ser feito confor- me o vencimento das placas, que ocorre até 30 de abril. Quem optou pelo parcelamento também deve ficar atento, pois a terceira parcela vence neste domingo (23). O pagamento pode ser realiza- do nos bancos credenciados (Ban- risul, Bradesco, Sicredi, Sicoob, Banco do Brasil - somente para correntistas) e nas lotéricas da Cai- xa. Além disso, é possível quitar o tributo via Pix, sendo necessária a geração de um QR Code atualiza- do. Os descontos para bons moto- ristas são para os proprietários de veículos que não cometeram infra- ções no trânsito pelo período míni- mo de um ano. Para os condutoresque não tiveram registro de infra- ções nos sistemas de informações do Estado no período entre 1º de novembro de 2021 e 31 de outubro de 2024 (três anos), a redução será de 15%. Quem não teve multa de- pois de 1º de novembro de 2022 (dois anos) recebe desconto de 10% e, após 1º de novembro de 2023 (um ano), tem direito a um bene- fício de 5%. Por sua vez, o desconto do Bom Cidadão é uma modalidade do programa Nota Fiscal Gaúcha (NFG). Dividido também em três faixas, a redução no valor do IPVA pelo Bom Cidadão resulta da par- ticipação do contribuinte (pessoa física) no NFG e da solicitação de notas com CPF na hora da com- pra. O desconto máximo de 5% é para quem possuir 150 notas ou mais, de 3% para quem tiver en- tre 100 e 149 notas e de 1% para o contribuinte que somar entre 51 a 99 documentos fiscais devidamen- te registrados. Os motoristas que não opta- ram pelo pagamento antecipa- do ou pelo parcelamento devem seguir o calendário de venci- mento conforme o final da placa do veículo. 9Jornal do Comércio | Porto Alegre Segunda-feira, 24 de março de 2025 agro negócio Além da edição impressa, as notícias do Agronegócio são publicadas diariamente no site do JC. Aponte a câmera do celular para o QR Code e acesse. www.jornaldocomercio.com/agro Tupanciretã abre a colheita de soja no Rio Grande do Sul Ato simbólico na sexta-feira contou com a presença de autoridades O governador Eduardo Lei- te participou, na sexta-feira, da abertura oficial da colheita da soja, realizada na cidade de Tu- panciretã. O ato simbólico ocor- reu na Fazenda Pedras Altas. Os titulares das secretarias da Agricultura, Pecuária, Pro- dução Sustentável e Irrigação (Seapi), Clair Kuhn, de Desen- volvimento Rural (SDR), Vilson Covatti, e de Desenvolvimen- to Econômico (Sedec), Ernani Polo, também compareceram ao evento. No evento, Eduardo Leite reforçou o compromisso do go- verno com as políticas de irriga- ção para proteção das lavouras e com o apoio aos produtores. “Celebramos esta colheita por- que, apesar das dificuldades, nossos produtores persistem, resistem e fazem do agronegó- cio gaúcho uma potência. Esta- mos aqui também para renovar o compromisso do governo com o setor, protegendo nossas la- vouras com irrigação, prepara- ção e correção do solo”, frisou. Kuhn ressaltou a impor- tância do cultivo da soja para a economia do Rio Grande do Sul, mas mencionou que a sa- fra não será fácil para os produ- tores rurais, que sofreram com as enchentes e, agora, mais uma estiagem. “Por isso o governo estadual solicita à União uma securitiza- ção, ou seja, a renegociação das dívidas dos produtores, para que tenham fôlego para conti- nuar plantando”, disse. O governador e o secretário destacaram o Programa de Irri- gação do Estado, que está com edital aberto e destina 20% do valor do projeto de irrigação aos produtores, limitado a R$ 100 mil por cada beneficiário. O objetivo é aumentar a área ir- rigada e garantir a produtivida- de mesmo em tempo de escas- sez hídrica. A soja é uma das principais culturas do Rio Grande do Sul, produzida em 434 municípios. Estimativas da Emater/RS-As- car comparando a safra atual com a do ano passado apontam que o grão apresentou um pe- queno aumento de área cultiva- Evento celebrou uma das principais culturas do Rio Grande do Sul JÜRGEN MAYRHOFER/SECOM/DIVULGAÇÃO/JC da, de 0,3%, e que a cultura foi implantada em mais de 6,7 mi- lhões de hectares. No entanto, as condições climáticas não foram favorá- veis, o que ocasionou a redução de 17,4% da produção, agora es- timada em 15.072.765 toneladas, com produtividade de 2.240 kg/ ha (redução de 20,3% de produ- tividade quando comparada à safra 2023/2024). Tupanciretã é o maior mu- nicípio produtor de soja do Rio Grande do Sul, seguido dos mu- nicípios de Palmeira das Mis- sões, Júlio de Castilhos, Cruz Alta e Santa Bárbara do Sul. Dados da Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2024, publicação da Seapi, apontam que, em 2023, o Rio Grande do Sul exportou produtos do com- plexo soja para 61 países, ge- rando negócios da ordem de US$ 6,36 bilhões. Lisiane Lemos SEIDAPE Rosani Pereira SMDET Bacharel em Administração Wagner Lopes 25 MARÇO 12 às 14 HORAS Para mais informações: :511 321440216 Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA) Salão Nobre - Largo Visconde do Cairú, 17, Centro Histórico. South Summit 2025: Surpresas e Desafios MENU POA CONECTANDO EMPREENDEDORES José Renato Hopf Country Manager South Summit Brazil Patrocinadores Apoiadores 10 Jornal do Comércio | Porto AlegreSegunda-feira, 24 de março de 2025 Além da edição impressa, as notícias do Agronegócio são publicadas diariamente no site do JC. Aponte a câmera do celular para o QR Code e acesse. www.jornaldocomercio.com/agro agro negócio Além da edição impressa, as notícias do Agronegócio são publicadas diariamente no site do JC. Aponte a câmera do celular para o QR Code e acesse. www.jornaldocomercio.com/agro agro negócio Conab antecipa contratos de compra de arroz Cotação para maio é de R$ 82,85 saca de 50 quilos, abaixo dos custos de produção, critica a Federarroz A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou na sexta-feira a antecipação da execução dos Contratos de Opção de Venda (COV) de arroz, de agos- to para o mês de abril, com paga- mento até 20% acima do preço mínimo por saca de 50 quilos. O movimento é considerado pelo go- verno uma medida em apoio aos produtores, diante do cenário de forte queda nas cotações. Mas so- fre críticas dos arrozeiros por ter, segundo o setor, contribuído para que os valores desabassem. Serão pagos em maio R$ 82,85 pela saca com 58% de grãos inteiros. Ou R$ 87,62 em agosto, explicou o gerente de Produtos Agropecuários da Conab, Sérgio dos Santos Júnior. De acordo com o presidente da autarquia, Edegar Pretto, a antecipação da possibi- lidade de execução dos contratos foi definida como alternativa para garantir renda ao produtor, esti- mular a produção para atender o consumo interno e formar esto- ques públicos. No final do ano passado, a companhia pretendia ter nego- ciado 500 mil toneladas do ce- real com produtores gaúchos, mas conseguiu concretizar apenas 91 mil toneladas, utilizando R$ 162 milhões dos R$ 1 bilhão disponibi- lizados em crédito especial. Pret- to avaliou que o não atingimento da meta se deveu a uma “leitura equivocada” do setor sobre o ce- nário de mercado que se desenha- va para o grão. “Os produtores foram deses- timulados a aderir aos contratos, que são de opção de venda, acre- ditando que as cotações seguiriam altas como estavam durante qua- se todo o ano passado. Mas nós fa- zemos captações de informações e leituras de dados agropecuários sistematicamente, no Brasil e no mundo. E, quando definimos pa- gamento até 20% acima do míni- mo, os preços estavam elevados”, afirmou o presidente da Conab. A perspectiva é de produ- ção de 8,2 milhões de toneladas no RS, 12 milhões de toneladas no Brasil, chegando a 17 milhões na soma dos países produtores do Mercosul e uma oferta global de 783 milhões de toneladas, se- gundo levantamento da Safras & Mercado. E as cotações, que ron- davam os R$ 120,00 por saca na época do lançamento dos contra- tos de opção pelo governo, estão em R$ 75,00 na Fronteira Oeste. Para o analista de arroz da Sa- fras, Evandro Silva, o setor precisa recuperar espaço no mercado in- ternacional. A disputa por expor- tações, inclusive com países como Argentina e Uruguai, será grande. Os Estados Unidos, em plena en- tressafra, estão com preços atra- tivos no mercado. E os cortes im- postos pelo governo de Donald Trump à Agência dos Estados Uni- dos para o Desenvolvimento Inter- nacional (USAID), maior compra- dora do cereal americano, podem jogar um volume ainda maior de arroz no mercado. Isso sem falar na Índia, maior exportadora mun- dial e que voltou a vender arroz quebrado, produto importante na balança comercial brasileira para países daÁfrica. “Considerando esse ambien- te, e olhando para o futuro, vemos uma tendência forte de dificulda- des na comercialização do produ- to no segundo semestre. Então, a execução dos contratos de opção pode ser uma boa oportunidade para negociar uma pequena parte da produção, diminuindo o volu- me disponível no mercado a par- tir da metade do ano. Até porque a demanda interna está enfraque- cida, e a indústria ainda não con- seguiu fazer o equilíbrio entre os preços ao produtor e ao consumi- dor”, ponderou o especialista. Na quinta-feira, a Federarroz emitiu nota manifestando preo- cupação com os preços pratica- dos no mercado nacional. Con- forme a entidade, a pressão veio da queda antecipada dos valores do grão, reflexo dos leilões da Co- nab, que desequilibraram o mer- cado. Atualmente, o valor pago Claudio Medaglia claudiom@jcrs.com.br Elevada oferta mundial provocou queda dos preços atrativos de 2024 CATIANA DE MEDEIROS/CONAB/JC ao produtor encontra-se no ponto de equilíbrio na média do Estado, mas em diversas regiões não co- bre os custos de produção, confor- me tabela da Conab, que desconsi- dera a depreciação de maquinário e rubricas de mão de obra terceiri- zada, diz o texto. Edegar Pretto respondeu que a análise dos arrozeiros “não tem fundamentação técnica”. E que o objetivo do governo era justamen- te reduzir a oferta do cereal no mercado, possibilitando a eleva- ção dos preços ao produtor. Já o presidente da Federar- roz, Alexandre Velho, reconheceu que a antecipação dos contratos, no contexto de hoje, com preços em queda, pode ajudar a trazer um piso para o mercado interno. Mas ponderou que os valores ofer- tados nos leilões eram “baixíssi- mos” e contribuíram para derru- bar o mercado. “(A antecipação) Seria uma garantia ao produtor se os valo- res mínimos fossem de R$ 90,00 a saca. Nosso custo de produção oscila entre R$ 90,00 e R$ 100,00, para uma produtividade média de 8,3 mil quilos por hectare. A Co- nab considera R$ 75,00”, criticou o dirigente, acrescentando: “É justo buscar reduzir o pre- ço ao consumidor. Mas ninguém pensa em diminuir os custos das lavouras, com redução de im- postos, para aumentar a com- petitividade do setor. Uma saca a R$ 80,00 não cobre os custos do produtor”. Estiagem e crédito alternativo serão temas discutidos pelo setor cerealista, diz Goergen Temas como a criação de cré- dito alternativo para o setor ce- realista e a discussão de propos- tas para combater a estiagem no Rio Grande do Sul vão marcar a segunda gestão de Jerônimo Goer- gen, que foi reeleito para a presi- dência da Associação das Empre- sas Cerealistas do Brasil (Acebra). Para o novo mandato, de dois anos, o dirigente afirma que tam- bém será prioridade a análise de uma ação judicial questionando o pagamento do Fundo de As- sistência ao Trabalhador Rural (Funrural). “É um tema que impacta di- retamente a competitividade das empresas cerealistas. Nosso ob- jetivo é defender os interesses do setor e buscar segurança jurí- dica, garantindo condições mais justas para a atuação no merca- do”, destaca. O presidente da Acebra infor- ma que no dia 29 de abril, em São Paulo, será feita uma solenidade Cláudio Isaías isaiasc@jcrs.com.br de posse da diretoria e a come- moração dos 20 anos associação. “É um evento que vai marcar a chegada da associação a São Pau- lo. Estamos consolidando o papel político da entidade e trabalhando na ampliação das associações nos estados”, explica. Para o segundo mandato, Goergen comenta que a entidade vai debater o tema da biotecnologia, que, segundo o diri- gente, está sendo usada como bar- reira comercial. “Estamos focados na discussão do tema no cenário internacional e o que isso afeta o mercado”, destaca. Goergen afirma que a entida- de está tentando construir meca- nismos de crédito alternativo para o setor cerealista, porque cada vez mais o crédito é privado. “Cria- mos, em novembro, a CerealCred, que é o braço financeiro do se- tor”, destaca. Outra ação da asso- ciação será a discussão em nível nacional sobre o tema da arma- Goergen foi reeleito para a Acebra ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC zenagem. “No Rio Grande do Sul, sobram armazéns. Porém, no res- tante do Brasil, faltam armazéns”, acrescenta. Segundo o dirigente, é um problema para o produtor por- que está relacionada a questão da infraestrutura especialmente no tema da armazenagem. No Rio Grande Sul, a diretoria da Acebra pretende discutir ações relaciona- das a estiagem que afeta o Estado nos últimos anos. Nos primeiros dois anos da sua gestão, Goergen liderou ini- ciativas na Acebra, como a rea- lização de duas edições do Con- gresso Cerealista Brasileiro que reuniu empresários, especialistas e autoridades para debater os de- safios e oportunidades do setor. Em 2025, a terceira edição do con- gresso já está confirmada para o Mato Grosso. Outra iniciativa considera- da importante por Goergen foi a atuação da associação durante a reforma tributária. “Trabalha- mos na entidade para que a pro- posta de Reforma Tributária que tramitava no Congresso Nacional fosse minimamente justa e não onerasse ainda mais as empre- sas do setor cerealista”, comenta o dirigente. 11Jornal do Comércio | Porto Alegre Segunda-feira, 24 de março de 2025 Quer receber notícias de inovação e tecnologia? Cadastre-se no Bot do Mercado Digital! Mercado Digital Confira, diariamente, no blog Mercado Digital, conteúdos sobre tecnologia e inovação. Para acessar, aponte a câmera do seu celular para o QR Code. jornaldocomercio.com/mercadodigital Geração Caldeira terá R$ 800 mil para formar jovens A edição 2025 do Geração Cal- deira, programa de capacitação e inserção produtiva para jovens talentos na nova economia, está com inscrições abertas. A meta é alcançar 10% de todos os alunos do ensino médio da rede pública do Rio Grande do Sul. Promovido pelo Instituto Caldeira, o programa deve impactar 40 mil jovens de todo o Brasil na fase online. As ins- crições vão até o dia 4 de maio, no site oficial do programa. O lança- mento oficial aconteceu na sede do hub de inovação gaúcho e reuniu o ecossistema de inovação e educa- ção, inclusive alunos das edições anteriores do projeto. “O Geração Caldeira abre um novo universo de empregabilida- de para esses jovens, de contatos, de construção de futuro. É um dos projetos mais bonitos que reúne ju- ventude, empregabilidade e desen- volvimento de competências para a era digital que eu já vi no Brasil”, elogia Claudia Costin, ex-diretora global de educação do Banco Mun- dial. Ela passou a integrar o Con- selho de Administração do institu- to recentemente. Em 2025, o Geração Caldei- ra mantém o foco na qualificação em áreas estratégicas da nova eco- nomia, com destaque para uma nova trilha de aprendizado em In- teligência Artificial e Dados. O pro- grama inclui certificações de pla- yers como AWS, IBM, Microsoft, Google, Oracle, Salesforce e Nvidia e o desenvolvimento de habilida- des comportamentais. Além disso, o programa um aumento da bolsa concedida aos alunos selecionados para a etapa presencial, que passa de R$ 3 mil para R$ 4 mil por estu- dante. Como são 200 jovens con- templados nesta fase, a iniciativa representa um investimento total de R$ 800 mil em bolsas. “Queremos criar um movi- mento nacional para carreiras do futuro. Com essa nova jornada, qualquer jovem pode ter acesso a formações qualificadas, inde- pendentemente de ser selecionado para a etapa presencial”, explica o diretor do Campus Caldeira, Felipe Amaral. “Queremos democratizar essas carreiras em tecnologia, para que qualquer jovem do Brasil pos- sa ter acesso a isso”, acrescenta. Na fase inicial do processo se- letivo, os participantes do Geração Caldeira terão acesso a trilhas de aprendizado e passam por provas técnicas online. Os que obtiverem uma boa média na prova e um bom desempenho geral no curso serão selecionados para uma en- trevista individual presencial