Prévia do material em texto
CONTRATOS DE TRABALHO AULA 3 Profª Tatiana Lazzaretti Zempulski 2 CONVERSA INICIAL Estabilidades Nesta aula, serão estudadas as seguintes estabilidades decorrentes da relação de emprego: empregada gestante, empregado que sofreu acidente de trabalho, empregado dirigente sindical, empregado eleito pela CIPA, comissão de empregados para fiscalização e empregado eleito como representante dos empregados nas empresas com mais de 200 empregados. A estabilidade “é o direito do trabalhador de permanecer no emprego, mesmo contra a vontade do empregador, enquanto inexistir uma causa relevante expressa em lei e que permita a sua dispensa” (Nascimento, 2018, p. 339). Portanto, entende-se que a estabilidade é o direito que o empregado tem de permanecer no emprego e não ser dispensado, salvo a ocorrência de uma falta grave, que possa ensejar em uma dispensa por justa causa (Nascimento, 2018, p. 440). Já a garantia de emprego não se confunde com a estabilidade, pois é mais ampla e diz respeito tanto à obtenção de um emprego quanto à sua permanência nele, como a lei que estabelece a obrigatoriedade na contratação de aprendizes pelas empresas (Nascimento, 2018, p. 440). A estabilidade poderá ser geral ou especial. A estabilidade geral é a decorrente de negociação coletiva, a especial dependerá da causa que determinou a condição especial do empregado. Serão estudados alguns casos referentes às estabilidades especiais. TEMA 1 – EMPREGADA GESTANTE A empregada tem direito à estabilidade provisória a partir do momento que descobre que está grávida até cinco meses após o parto, conforme prevê o art. 10, II, b, do ADCT. Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição: I –(...) II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) (...) b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. 3 A LC 146/2014 estende a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do ADCT à trabalhadora gestante. E, nos casos de morte desta, a quem detiver a guarda de seu filho (Brasil, 2014). Quando a empregada descobrir seu estado gravídico, não é obrigada a comunicar o empregador, no entanto, não poderá ser demitida sem justa causa, conforme dispõe o art. 391 da CLT (Brasil, 1943). Não constitui justo motivo para a rescisão do contrato de trabalho da mulher o fato de haver contraído matrimônio ou de encontrar-se em estado de gravidez. Parágrafo único - Não serão permitidos em regulamentos de qualquer natureza contratos coletivos ou individuais de trabalho, restrições ao direito da mulher ao seu emprego, por motivo de casamento ou de gravidez. Contudo, a empregada poderá solicitar seu desligamento da empresa, por meio de uma carta escrita de próprio punho; assim, estará renunciando ao seu direito a garantia de emprego e também poderá ser demitida se cometer uma falta grave e for dispensada por justa causa. Observe-se ainda que, se a empregada obtiver a confirmação da gravidez durante o aviso prévio, também não poderá ser demitida, conforme dispõe o art. 391-A da CLT: A confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se ao empregado adotante ao qual tenha sido concedida guarda provisória para fins de adoção. (Brasil, 1943) Importante ressaltar ainda que o TST editou a Súmula n. 244 que trata dos casos de gestante e estabilidade provisória. Gestante. Estabilidade Provisória I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b" do ADCT). II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade. III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado. (Brasil, s. d.) 4 TEMA 2 – ACIDENTE DE TRABALHO O empregado que sofreu acidente de trabalho ou tenha adquirido doença decorrente do trabalho ou ocupacional não poderá ser demitido sem justa causa, desde que o empregado tenha sido afastado por mais de 15 dias do trabalho, e ficou afastado pela previdência social. Nesse sentido, observa-se alguns requisitos previstos nos arts. 59 e 118 da Lei 8213/91. Art. 59. O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido nesta Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos. Art. 118. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente. A Súmula n. 378 do TST, de forma didática, traz todos os requisitos. Estabilidade provisória. Acidente do trabalho. Art. 118 da lei n. 8.213/1991. I - É constitucional o artigo 118 da Lei n. 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. (ex-OJ n. 105 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997) II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. (primeira parte - ex-OJ n. 230 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001) III - O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei n. 8.213/91. (Brasil, S. d.) TEMA 3 – DIRIGENTE SINDICAL O empregado que exercer a função de dirigente sindical terá direito a estabilidade de emprego, desde o registro da sua candidatura, porém, se não for eleito, não terá direito à estabilidade. A estabilidade ocorrerá após a posse no cargo, e durante o exercício da função de dirigente sindical e um ano após o término de mandato, conforme previsão do art. 8º, VIII, da CRFB e art. 543, parágrafo 3º da CLT. Art. 8º [...] VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. 5 Art. 543 [...] parágrafo 3º - Fica vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado, a partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de direção ou representação de entidade sindical ou de associação profissional, até 1 (um) ano após o final do seu mandato, caso seja eleito inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave devidamente apurada nos termos desta Consolidação. (Brasil, 1943) O empregado que se candidata ao cargo de dirigente sindical durante o período de aviso prévio, ainda que indenizado, não lhe assegura a estabilidade. Para melhor explicar as questões relacionadas a essa espécie de estabilidade, importante a leitura da Súmula 369 do TST. Dirigente Sindical. Estabilidade Provisória I - É assegurada a estabilidade provisória ao empregado dirigente sindical, ainda que a comunicação do registro da candidatura ou da eleição eda posse seja realizada fora do prazo previsto no art. 543, § 5º, da CLT, desde que a ciência ao empregador, por qualquer meio, ocorra na vigência do contrato de trabalho. II - O art. 522 da CLT foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Fica limitada, assim, a estabilidade a que alude o art. 543, § 3.º, da CLT a sete dirigentes sindicais e igual número de suplentes. III - O empregado de categoria diferenciada eleito dirigente sindical só goza de estabilidade se exercer na empresa atividade pertinente à categoria profissional do sindicato para o qual foi eleito dirigente. IV - Havendo extinção da atividade empresarial no âmbito da base territorial do sindicato, não há razão para subsistir a estabilidade. V - O registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sindical durante o período de aviso prévio, ainda que indenizado, não lhe assegura a estabilidade, visto que inaplicável a regra do § 3º do art. 543 da Consolidação das Leis do Trabalho. TEMA 4 – EMPREGADO ELEITO PELA CIPA Outra modalidade de estabilidade ocorrerá quando o empregado é eleito para o cargo de representação da CIPA (Comissão Interna De Prevenção De Acidentes De Trabalho), conforme previsão no art. 10, inc. II, a, da ADCT. Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição: I - (...); II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. (Brasil, 2016) Deve-se observar também que o art. 165 da CLT estabelece que não poderá ocorrer a dispensa arbitrária do empregado eleito para o cargo de representante da CIPA (Brasil, 1943). Art. 165 - Os titulares da representação dos empregados nas CIPA (s) não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. 6 Importante fazer a leitura da Súmula 339 do TST, pois esta aborda várias peculiaridades sobre esse tipo de estabilidade, como a de que a estabilidade provisória não constitui vantagem pessoal do empregado eleito, e a consequência disso é que se o estabelecimento comercial fechar, termina o direito de estabilidade do empregado. CIPA. Suplente. Garantia de emprego. CF/1988 I – O suplente da CIPA goza da garantia de emprego prevista no art. 10, II, “a”, do ADCT a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988. (ex-Súmula n. 339 – Res. 39/1994, DJ 22.12.1994 – e ex-OJ n. 25 da SBDI-1 – inserida em 29.03.1996) II – A estabilidade provisória do cipeiro não constitui vantagem pessoal, mas garantia para as atividades dos membros da CIPA, que somente tem razão de ser quando em atividade a empresa. Extinto o estabelecimento, não se verifica a despedida arbitrária, sendo impossível a reintegração e indevida a indenização do período estabilitário. (ex-OJ n. 329 da SBDI-1 – DJ 09.12.2003). (Brasil, s. d.) TEMA 5 – REPRESENTANTE DOS EMPREGADOS NAS EMPRESAS COM MAIS DE 200 EMPREGADOS A estabilidade do representante dos empregados nas empresas com mais de 200 (duzentos) empregados é modalidade de estabilidade trazida pela Lei 13.467/2017, a chamada lei de reforma trabalhista. O Título IV-A da CLT traz novidade relativa à representação dos empregados diretamente com a empresa, sem a necessidade de intermediação dos sindicatos. No direito alemão, essa representatividade é chamada de betriebstrat que foi traduzido para o português como conselho de empresa: “é, pois, o órgão que, por força de lei, representa os empregados de um determinado estabelecimento perante o empregador, para desempenhar a competência legal que lhe é atribuída” (Silva, 1991). No direito do trabalho brasileiro, tal competência está prevista no arts. 510-A a 510-D. O art. 510-A regulamenta a representação dos empregados: Art. 510-A. Nas empresas com mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de uma comissão para representá-los, com a finalidade de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. Parágrafo 1o A comissão será composta: I - nas empresas com mais de duzentos e até três mil empregados, por três membros; II - nas empresas com mais de três mil e até cinco mil empregados, por cinco membros; 7 III - nas empresas com mais de cinco mil empregados, por sete membros. Parágrafo 2o No caso de a empresa possuir empregados em vários Estados da Federação e no Distrito Federal, será assegurada a eleição de uma comissão de representantes dos empregados por Estado ou no Distrito Federal, na mesma forma estabelecida no parágrafo 1o deste artigo. (Brasil, 1943) Atribuições da Comissão, previstas no art. 510-B: Art. 510-B. A comissão de representantes dos empregados terá as seguintes atribuições: I - representar os empregados perante a administração da empresa; II - aprimorar o relacionamento entre a empresa e seus empregados com base nos princípios da boa-fé e do respeito mútuo; III - promover o diálogo e o entendimento no ambiente de trabalho com o fim de prevenir conflitos; IV - buscar soluções para os conflitos decorrentes da relação de trabalho, de forma rápida e eficaz, visando à efetiva aplicação das normas legais e contratuais; V - assegurar tratamento justo e imparcial aos empregados, impedindo qualquer forma de discriminação por motivo de sexo, idade, religião, opinião política ou atuação sindical; VI - encaminhar reivindicações específicas dos empregados de seu âmbito de representação; VII - acompanhar o cumprimento das leis trabalhistas, previdenciárias e das convenções coletivas e acordos coletivos de trabalho. Parágrafo 1o As decisões da comissão de representantes dos empregados serão sempre colegiadas, observada a maioria simples. Parágrafo 2o A comissão organizará sua atuação de forma independente. (Brasil, 1943) A eleição do representante verifica-se no art. 510-C: Art. 510-C. A eleição será convocada, com antecedência mínima de trinta dias, contados do término do mandato anterior, por meio de edital que deverá ser fixado na empresa, com ampla publicidade, para inscrição de candidatura. Será formada comissão eleitoral, integrada por cinco empregados, não candidatos, para a organização e o acompanhamento do processo eleitoral, vedada a interferência da empresa e do sindicato da categoria. (Brasil, 1943) A candidatura do empregado e o direito a estabilidade estão previstos no art. 510-D: Art. 510-D. O mandato dos membros da comissão de representantes dos empregados será de um ano. Parágrafo 1º O membro que houver exercido a função de representante dos empregados na comissão não poderá ser candidato nos dois períodos subsequentes. Parágrafo 2º O mandato de membro de comissão de representantes dos empregados não implica suspensão ou interrupção do contrato de trabalho, devendo o empregado permanecer no exercício de suas funções. Parágrafo 3o Desde o registro da candidatura até um ano após o fim do mandato, o membro da comissão de representantes dos empregados não poderá sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. 8 Parágrafo 4o Os documentos referentes ao processo eleitoral devem ser emitidos em duas vias, as quais permanecerão sob a guarda dos empregados e da empresa pelo prazo de cinco anos, à disposição para consulta de qualquer trabalhador interessado, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho. (Brasil, 1943) FINALIZANDO Nesta aula, foram estudadas as seguintes estabilidades decorrente da relação de emprego: Empregada gestante; Empregado que sofreu acidente de trabalho; Empregado dirigente sindical; Empregado eleito pela CIPA; Comissão de empregados para fiscalização e empregado eleito como representante dos empregados nas empresascom mais de 200 empregados. 9 REFERÊNCIAS BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho. 1943. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2020. _____. Senado Federal. 2016. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2020. _____.TST – caderno de súmulas. [s. d.]. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2020. SILVA, A. A. Cogestão no estabelecimento e na empresa. São Paulo: LTr, 1991.