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CPF: 860.542.154-18
PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18
É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
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PROCESSO CIVIL – PONTO 2 
Competência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
1. FATO TÍPICO .................................................................................................................. 4 
1.1. CONDUTA ................................................................................................................... 4 
1.2. RESULTADO .............................................................................................................. 12 
1.3. NEXO CAUSAL .......................................................................................................... 13 
1.4. TIPICIDADE ............................................................................................................... 21 
1.5. TIPO PENAL .............................................................................................................. 25 
1.6. DOLO ........................................................................................................................ 31 
1.7. CULPA ...................................................................................................................... 35 
1.8. CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO .............................................................. 37 
2. QUESTÕES ................................................................................................................... 39 
3. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 47 
 
 
 
 
 
 
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DIREITO PENAL 
 
APRESENTAÇÃO 
Olá, pessoal! 
Hoje examinaremos as principais teorias do crime (causalista, finalista, funcionalista 
etc.). Também estudaremos o primeiro substrato do crime: o fato típico. Começamos a adentrar 
nas partes mais cobradas e mais difíceis da parte geral do Código Penal. Fique muito atento, um 
candidato que domina esse ponto está na frente dos demais. 
Alguns dispositivos legais serão indicados no resumo direta ou indiretamente, o que 
não dispensa o estudo isolado da lei seca. Como de costume, ao final estão selecionadas e 
comentadas questões importantes tanto na modalidade Certo e Errado quanto no estilo 
“abcde”. 
Bons estudos, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. FATO TÍPICO 
Historicamente, diversas teorias se voltaram ao estudo dogmático do crime. A seguir, 
veremos as principais características das teorias mais importantes. 
A doutrina majoritária ensina que o CP adotou a teoria finalista tripartite, que diz ser 
o crime composto por 3 elementos: fato típico, antijurídico e culpável. 
O fato típico pode ser definido como fato humano indesejado consistente em conduta 
produtora de determinado resultado, que se ajusta, formal e materialmente, a um tipo penal. O 
fato típico é composto de conduta, resultado, nexo causal, tipicidade. Trata-se da análise do 
primeiro substrato do crime. 
Atenção! Fato não pode ser confundido com conduta, isto porque nem sempre o fato é 
só a conduta, vejam: 
- Nos crimes de mera conduta e nos crimes formais: fato é igual a conduta. 
- Nos crimes materiais: fato é igual a conduta somada do resultado naturalístico e do nexo 
causal naturalístico. 
Mnemônico para os elementos do fato típico: CO-RE-NE-TI. 
Conduta + Resultado + Nexo causal + Tipicidade 
1.1. CONDUTA 
É o elemento central da teoria geral do crime e priemira característica do fato típico. 
Há diversas teorias a respeito da conduta. Vejamos as principais. 
1.1.1. Teoria causalista, naturalista, clássica ou mecanicista (séc. XIX) 
Tem como principal expoente Franz Von Liszt (século XIX), devendo-se mencionar, 
também, as contribuições de Ernst Von Beling e Gustav Radbruch. 
É marcada por ideias positivistas que, no panorama científico, valorizavam o método 
empregado nas ciências naturais ou exatas, pelo qual se analisa o mundo sob uma ótica 
causalista (relação de causa-efeito). Tudo se explicava por meio da experimentação dos 
fenômenos, sem espaço para abstrações. 
Na teoria causalista, o crime detinha três elementos (teoria tripartite): 
Fato típico + antijurídico + culpável 
Elementos objetivos Elemento subjetivo 
Fato típico Antijuridicidade Culpabilidade 
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Conceito de conduta no causalismo Conduta é o movimento corporal voluntário 
gerador de uma modificação no mundo exterior, passível de ser percebida pelos sentidos 
(observação da conduta apenas por meio dos sentidos). 
A conduta é produto da vontade, esta, porém, não está associada à finalidade do 
agente. A vontade, na perspectiva causalista, é composta pelo aspecto externo, ou seja, o 
movimento corporal do agente - que decorre da enervação muscular, e que provoca 
modificação no mundo exterior. 
 O aspecto interno – consistente na vontade de fazer ou não fazer (conteúdo final da 
ação), ao contrário do que é feito atualmente, é analisada, tão somente, quando do estudo do 
terceiro substrato do crime, na culpabilidade. 
Segundo os causalistas, a culpabilidade (denominada culpabilidade psicológica) era 
conceituada como o nexo psíquico entre o autor e o resultado. Este substrato do crime tinha, 
em sua composição, apenas dois elementos: a imputabilidade e o dolo ou culpa (culpabilidade 
dolosa ou culpabilidade culposa). 
Por fim, os adeptos da teoria consideravam normal o tipo penal composto somente 
de elementos objetivos/descritivos (anormal seria o tipo composto também de elementos 
normativos/subjetivos). 
Em apertada síntese, para os causalistas a conduta é movimento corporal que causa 
modificação no mundo exterior. 
Fato típico Antijurídico Culpável 
Conduta (sem finalidade) 
Resultado 
Nexo causal 
Tipicidade 
 Imputabilidade 
Dolo/culpa (são espécies de 
culpabilidade) 
Na teoria clássica, o dolo é normativo e possui os seguintes elementos: consciência da 
conduta, do resultado e do nexo de causalidade; consciência da ilicitude do fato; vontade de 
praticar a conduta e de produzir o resultado. 
Críticas à teoria clássica/causalismo 
Desconsidera que a conduta humana tem finalidade. Esta crítica parte dos finalistas: 
para eles, não há sentido em se destacar a conduta humana de sua finalidade, examinando, a 
primeira, no fato típico e a segunda só na culpabilidade. 
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Sem a análise da finalidade no momento do exame do fato típico, há dificuldade para 
se enquadrar a conduta do agente em determinado tipo penal (ex.: um sujeito corta uma 
mulher. A análise da finalidade de sua conduta é essencial, pois pode ele querer lesioná-la, matá-
la ou salvá-la numa cirurgia). 
Ademais, ao definira ação como movimento humano voluntário, a teoria causalista 
encontrou sérias dificuldades para justificar os crimes omissivos, formais e de mera conduta, 
razão que levou à sua superação. 
Sendo assim, não explicava a tentativa, pois não se importava com a finalidade da 
ação e pressupunha que a conduta só ocorreria com um resultado, que muitas vezes não ocorre 
na tentativa; não explicava os crimes omissivos, pois não há movimento corporal nessas 
condutas; não explicavam o “especial fim de agir” (Ex.: extorsão mediante sequestro, que visa 
obter vantagem); não explicavam a inimputabilidade, pois afasta a culpabilidade, que continha 
o dolo (a vontade), que desaparecia com a exclusão da culpabilidade, não diferencia a conduta 
dolosa da conduta culposa, pois não releva qualquer indagação sobre a relação psíquica do 
agente para com o resultado. 
1.1.2 Teoria neokantista ou neoclássica ou causal-valorativa ou normativista (séc. 
XX) 
São expoentes Mezger e Frank. A teoria Neokantista tem base causalista. 
Fundamenta-se numa visão neoclássica, marcada pela superação do positivismo, por 
intermédio da introdução da racionalização do método. 
Os adeptos entendem que a realidade não deve ser examinada apenas sob o prisma 
das ciências naturais, que além de coexistir com outras ciências, deve ser valorada através dos 
fenômenos metafísicos. Portanto, a teoria é marcada pela introdução dos valores no âmbito 
jurídico (método axiológico). 
Desse modo, passa-se a admitir a existência de tipos penais compostos de elementos 
normativos/subjetivos, sem que sejam vistos como “anormais”. 
A teoria em análise não altera a estrutura do conceito analítico de crime (tripartite) 
compreendendo-o, também, como fato típico, ilícito e culpável. A conduta, contudo, passa a ser 
mais abrangente, aparecendo não somente como ação, mas como comportamento, 
englobando, pois, a omissão. 
A culpabilidade, por seu turno, foi bastante enriquecida pelos neoclássicos. O dolo e a 
culpa passaram a ser encarados como elementos autônomos da culpabilidade (e não mais como 
sua espécie). O dolo, por sua vez, passou a ter como elemento a consciência atual da ilicitude 
(mas ainda era considerado dolo normativo ou dolus malus). 
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Por fim, à culpabilidade inseriu-se um componente de cunho normativo (deixando o 
terceiro substrato do crime de ser visto só como liame psicológico entre o autor e o fato por ele 
praticado): a inexigibilidade de conduta diversa. 
Nesta fase temos chamada teoria psicológico-normativa da culpabilidade, de 
Reihnart Frank. 
Crítica à teoria neoclássica 
Por partir de conceitos naturalistas ficou contraditória ao reconhecer elementos 
normativos e subjetivos do tipo penal e ao mesmo tempo continuar analisando dolo e culpa tão 
somente no âmbito da culpabilidade. 
1.1.3. Teoria finalista – ôntico-fenomenológica (séc. XX) 
Tem como expoente o jusfilósofo alemão Hans Welzel, que nas décadas de 1930 a 
1960, promoveu profundas alterações na estrutura dogmática do crime. 
Na ótica finalista, toda pessoa, ao agir, é movida por alguma finalidade. A teoria 
finalista concebe a conduta como comportamento humano voluntário e psiquicamente dirigido 
a um fim (eis a principal distinção das teorias anteriores). 
Welzel retirou o dolo e a culpa do substrato culpabilidade e os realocou no fato típico, 
mais precisamente na análise da conduta. Para o autor, quando alguém age, já se pode saber, 
desde já, se o faz de maneira dolosa ou culposa. 
Ademais, ao migrar para o fato típico, o dolo passa a ter, somente, dois elementos: a 
consciência e a vontade. No finalismo o dolo é natural (dolus bonus), ou seja, despido de 
valoração (o dolo normativo ficou nas teorias anteriores). 
 O tipo, por sua vez, passa a ter tanto uma dimensão objetiva (conduta, resultado, 
nexo e tipicidade) quanto uma dimensão subjetiva (dolo e culpa). 
Conceito de conduta no finalismo Conduta é comportamento humano (ação ou 
omissão) voluntário e consciente psiquicamente dirigido a um fim. 
Por isso Welzel sustentava que a causalidade exterior é cega, pois não analisa o querer 
interno do agente. Já a finalidade, por ser guiada, é vidente. 
Embora o finalismo tenha “esvaziado” a culpabilidade, ela permanece fundamental na 
estrutura do crime como juízo de reprovação ou censurabilidade. A culpabilidade passa a ser 
composta pela imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e pela consciência potencial da 
ilicitude. 
Por ter perdido o aspecto psicológico (dolo e culpa), a culpabilidade passa a ser 
chamada de normativa pura. 
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Fato típico Antijurídico Culpável 
Conduta (com dolo/culpa) 
Resultado 
Nexo causal 
Tipicidade 
 Imputabilidade 
Exigibilidade de conduta 
diversa 
Consciência potencial da 
ilicitude 
Segundo a doutrina, uma evidência da adoção do finalismo pelo CP, seria a figura do 
erro de tipo, prevista pelo artigo 20, caput: “O erro sobre o elemento constitutivo do tipo legal 
de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei”. 
Como explica Masson, “se a ausência de dolo acarreta a exclusão do fato típico (ainda 
que somente na forma dolosa), é porque o dolo está na conduta do agente, que deixa de ser 
dolosa para ser culposa.” 
Críticas ao finalismo 
O finalismo centra a análise no desvalor da conduta, não dando a importância devida 
ao desvalor do resultado. 
O finalismo não fornece uma explicação satisfatória para os crimes culposos. Se toda 
conduta tem uma finalidade, como explicar os crimes culposos, que têm resultado naturalístico 
involuntário? Em resposta, argumenta-se que a conduta culposa é também orientada por uma 
finalidade, mas uma finalidade lícita, que enseja resultado ilícito culposo por causa dos meios 
eleitos pelo agente (que indicam imprudência, negligência e imperícia) para atingir o fim 
almejado. 
Autores como MASSON anotam que Welzel não teria efetivamente conseguido sanar 
a citada falha em relação às condutas culposas, tanto assim que chegou a criar uma segunda 
teoria, por ele batizada de Teoria Cibernética ou Ação Biociberneticamente Antecipada, que 
tem por base o controle da vontade, pois elemento que estaria presente tanto em delitos 
dolosos, quanto em culposos. 
Welzel explicava que no nascedouro da Teoria Finalista (1935), trouxe o termo 
finalidade do campo da filosofia de Nicolai Hartmann, pois não havia outra expressão que se 
adequasse ao seu pensamento sobre a ação humana; depois, em 1948, veio a lume o termo 
cibernética, de Norbert Wiener, a fim de designar a ação como fato dirigido e orientado pela 
vontade, mas devido ao termo ser muito específico da matemática, manteve-se o uso linguístico 
jurídico-penal finalidade, devendo-se evitar, contudo, segundo o mestre do finalismo, a 
interpretação estreita e literal, preferindo-se tomar a ação como direção. 
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1.1.3.1. Teoria finalista bipartite 
Trata-se de teoria essencialmente brasileira, concebida por René Ariel Dotti, e que 
ganhou força na década de 1970. Hoje não tem a mesma relevância. 
É uma teoria finalista, segundo a qual o crime é um fato típico e antijurídico, sendo a 
culpabilidade mero pressuposto para aplicação da pena. 
Por essa vertente, alguém desprovido de culpabilidade(inimputável, por exemplo) 
pratica crime, estando ausente o pressuposto de aplicação de pena. 
Observação: A teoria finalista se subdivide em tripartite (crime é fato típico, antijurídico 
e culpável) e bipartite (crime é fato típico e antijurídico). Para ambas, dolo e culpa 
integram o fato típico (conduta). 
1.1.4. Teoria Social 
Teoria criada por Johannes Wessels e que teve como principal adepto Hans-Heinrich 
Jeschek. 
 A pretensão da teoria não é substituir as teorias clássica e finalista, mas acrescentar-
lhes uma nova dimensão: a relevância social do comportamento. 
Nessa ótica, conduta é o comportamento humano (ação ou omissão) voluntário e 
psiquicamente dirigido a um fim socialmente reprovável. 
Logo, apenas teria importância, para fins de tipificação, a conduta considerada 
socialmente reprovável que, a partir dessa teoria, passa a integrar o conceito de conduta, na 
condição de elemento implícito do tipo penal. Comportamentos socialmente aceitos não seriam 
típicos. 
O dolo e a culpa permanecem na conduta, mas voltam a ser analisados na 
culpabilidade. 
Críticas à teoria social da ação 
É difícil delimitar o que é socialmente relevante. A conduta é um elemento central para 
o Direito Penal, não podendo ser definida de modo tão vago. 
1.1.5. Teorias funcionalistas 
Todas as teorias acima estudadas discutem o que é crime e conduta sem se 
importarem com a missão do direito penal. As teorias funcionalistas ganham força na década 
de 70, principalmente na Alemanha, e buscam adequar o estudo do direito penal aos seus fins 
em determinado ordenamento jurídico. São duas as principais correntes funcionalistas. 
Passemos à sua análise. 
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1.1.5.1. Funcionalismo teleológico ou moderado ou racional ou dualista ou da 
política criminal 
Desenvolvido por Claus Roxin, a partir de 1970, com a obra “Política Criminal e Sistema 
Jurídico-Penal”. 
O autor defende que a função do Direito Penal é a proteção de bens jurídicos e a partir 
disso, apresenta novos conceitos aos elementos do crime. Trata-se de um marco na evolução 
do direito penal. 
Roxin procura apresentar um conceito normativo de conduta, desprovido de 
elementos ontológicos, provenientes da realidade (ao contrário do finalismo). 
 Para ele, conduta é o comportamento humano (ação ou omissão) voluntário, 
causador de relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado pela norma penal. A 
partir do conceito, Roxin admite que princípios de política criminal ensejem a exclusão da 
conduta (ex.: princípio da insignificância). 
Os elementos do crime, segundo o autor, são injusto penal (fato típico + 
antijuridicidade) + responsabilidade (que inclui a culpabilidade do finalismo). 
A culpabilidade não é mais substrato da infração penal, passando a figurar como limite 
funcional da pena. Estudaremos o tema em teoria geral da pena. 
A responsabilidade é composta por: 
a) imputabilidade; 
b) potencial consciência da ilicitude; 
c) exigibilidade de conduta diversa; 
d) necessidade da pena. 
Assim, ainda que o fato seja típico, antijurídico e culpável, isso, por si só, não é 
suficiente para se recorrer à sanção do Direito Penal, utilizando-se, para tal, os métodos 
dedutivo e indutivo (teleológico-racional), especialmente este último, pois sua preocupação é 
com a justiça do caso concreto. 
Como leciona CAPEZ, “a lei não cria o crime, mas apenas o reconhece, traduzindo um 
anseio social, mediante critérios legítimos e democráticos, e seguindo um método científico que 
pressuponha necessidade, idoneidade e proporcionalidade da norma”. 
Críticas ao funcionalismo teleológico ou moderado 
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Eliminar a culpabilidade do conceito de crime é um retrocesso. O juízo de 
reprovabilidade é vital para definir a infração penal. Ademais, o funcionalismo traz soluções para 
problemas que já solucionáveis através das teorias anteriores. 
1.1.5.2. Funcionalismo radical ou sistêmico ou monista 
Desenvolvido por Günther Jakobs, defende que a função do Direito Penal é a proteção 
do próprio sistema. 
Tomando por base a teoria dos sistemas de Niklas Luhmann, Jakobs vê o Direito Penal 
como um sistema normativo fechado e autorreferente (autopoiético). Sua missão é a 
conservação das expectativas sociais frente a decepções, promovida por meio da reafirmação 
da vigência das normas lesadas. 
Jakobs também procura apresentar um conceito de conduta destituído do aspecto 
ontológico da ação humana. Para ele a conduta é o comportamento humano voluntário 
causador de um resultado evitável, violador do sistema, frustrando as expectativas normativas. 
As bases do funcionalismo sistêmico possibilitaram a criação da teoria do Direito Penal 
do Inimigo. Considera-se que o tratamento do indivíduo infiel ao sistema, não deve ser o mesmo 
dispensado aos cidadãos, merecendo punição específica e mais severa. 
Rogério Sanches, em seu Manual de Direito Penal (8ª ed., 2020), elenca características 
do Funcionalismo Sistêmico: antecipação da punibilidade com a tipificação de atos 
preparatórios; condutas descritas em tipos de mera conduta e de perigo abstrato; descrição 
vaga dos crimes e penas; preponderância do direito penal do autor em contraposição ao direito 
penal do fato; surgimento das chamadas leis de luta ou combate; endurecimento da execução 
penal e restrição das garantias penais e processuais, característica do direito penal de 3ª 
velocidade. 
Exemplo desse funcionalismo sistêmico e direito penal do inimigo, seria o artigo 25 da 
Lei de Contravenções Penais, que (“Ter alguém em seu poder, depois de condenado por crime 
de furto ou roubo, ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio 
ou mendigo, gazuas, chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados usualmente na 
prática de crime de furto, desde que não prove destinação legítima”), dispositivo tido, pelo 
Plenário do STF, como incompatível com a CF/88, por diversos aspectos, dentre os quais por 
representar direito penal do autor, inadmissível pelo sistema penal brasileiro. 
Críticas ao funcionalismo sistêmico 
Assim como no funcionalismo moderado, o conceito normativo de conduta 
apresentado é vago. Ademais, o funcionalismo apresenta soluções para problemas que já 
podiam ser resolvidos com as teorias anteriores. 
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Ao defender que a função do Direito Penal é a proteção do próprio sistema, acaba 
deixando de fora, em última análise, a própria ideia de justiça, possibilitando o autoritarismo e 
teorias como a do Direito Penal do Inimigo. 
Teoria da Ação Significativa (Vivas Antón): Tem base na filosofia da linguagem 
(Wittgensein) e na teoria da ação comunicativa (Habermas). Visa ser via opcional entre finalismo 
e funcionalismo, absorvendo e compatibilizando a parcela ontológica do primeiro e a parte 
normativa do segundo. Ações humanas devem ser analisadas à luz de seu significado, sua 
expressão simbólica; ademais, só existiria a ação proibida após ser estabelecida a proibição, ou 
seja, sem a norma previamente positivada não haveria, portanto, significado para ação. Assim, 
tanto Rogério Sanches, como Bitencourt, exemplificam que não haveria o crime de homicídio se 
não houvesse a norma que define matar como conduta relevante para o Direito Penal, ou seja,não existem ações prévias às normas, concluindo Paulo César Busato que as ações, não sendo 
meros acontecimentos, exigem interpretação. Conforme Capez, derradeiramente, o grande 
marco dessa proposta doutrinária seria entender o tipo incriminador como tipo de ação, isto é, 
segundo NUCCI, a realização de algo interessante ao direito penal, em que não aparece a 
intenção. Logo, a conduta poderia ter a intenção ou não. 
Críticas a teoria da ação significativa: Conforme Nucci, já que a conduta humana, 
segundo o finalismo, contém a natural intenção (de agir ou não agir), independeria de uma 
norma penal para traduzi-la e nisso residiria a maior falha do Signficativismo, por “abstrair 
fatores ontológicos essenciais ao entendimento do que vem a ser a ação ou omissão humana”. 
• 1.1.6. Ausência de conduta 
Para a caracterização da conduta, é preciso que o agente atue com consciência e 
voluntariedade (comportamento precedido da vontade do agente e dirigido a uma finalidade). 
Há causas que suprimem a conduta ensejando a atipicidade do fato. 
Dentre as causas que retiram a consciência, pode-se mencionar o sonambulismo e a 
narcolepsia (sono súbito e incontrolável). 
Dentre as causas que retiram a voluntariedade, pode-se mencionar a coação física 
irresistível ou vis absoluta (ex.: sujeito é empurrado por outro, vindo a colidir contra a vítima e 
a lesioná-la), os movimentos reflexos e a hipnose. 
1.2. RESULTADO 
No estudo do fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade), já estudamos 
o primeiro elemento, vamos ao segundo. Eis a previsão legal: 
CP, art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a 
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não 
teria ocorrido. 
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O resultado pode ser analisado sob dois prismas. Vejamos. 
1.2.1. Resultado naturalístico 
É a modificação do mundo físico exterior. Ex.: subtração do patrimônio de alguém; a 
morte de determinada pessoa. 
Nem todo delito tem resultado naturalístico, vide crimes de mera conduta. Ex.: mero 
ingresso em propriedade alheia gera crime de invasão de domicílio. 
De acordo com o resultado naturalístico, as infrações classificam-se em materiais 
(exigem o advento de resultado naturalístico para consumação), formais (consumam-se com a 
prática de conduta, mas comportam resultado naturalístico, embora este seja dispensável) e de 
mera conduta (consumam-se com a prática de conduta, não comportando resultado 
naturalístico). 
1.2.2. Resultado Jurídico ou Normativo 
É a modificação do mundo jurídico, causada pela lesão ou perigo de lesão a um bem 
jurídico tutelado. Todo crime gera resultado jurídico. É a violação da lei penal, mediante 
agressão do valor ou interesse tutelado pela norma. Ex.: ingresso em domicílio alheio viola o 
direito à privacidade e à intimidade. 
Há o entendimento de que o legislador, no art. 13, adotou a concepção jurídica de 
resultado (Nucci, LFG, entre outros). Porém, o tema é controvertido, sendo que a doutrina 
majoritária adota o conceito naturalístico de resultado. 
1.3. NEXO CAUSAL 
Passamos ao estudo do terceiro elemento do fato típico. Nexo causal é o vínculo que 
liga determinada conduta (causa) à produção de resultado (efeito). 
O estudo do nexo causal busca aferir se o resultado pode ser atribuído, objetivamente, 
ao sujeito ativo como obra de seu comportamento típico. Esse estudo, contudo, possui 
relevância somente nos crimes materiais (que exigem resultado naturalístico para se 
consumarem), já que os crimes formais e de mera conduta se consumam com a mera prática da 
conduta, dispensando alterações no mundo exterior (ex. a corrupção ativa consuma-se com 
simples solicitação, independentemente de obtenção de vantagem ou prejuízo ao erário). 
Em regra, os delitos omissivos próprios, por serem de mera conduta, também 
dispensam análise sobre o nexo causal. Já nos omissivos impróprios, que são crimes materiais, 
o estudo do aludido elemento do fato típico é relevante. 
Alerta-se o aluno, contudo, sobre a necessidade de ampliar os conhecimentos acerca 
da Teoria da Imputação Objetiva, não somente porque, segundo Flávio Monteiro de Barros, na 
perspectiva de seus postulados, “todos os crimes (materiais, formais ou de mera conduta, 
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14 
consumados ou tentados) devem apresentar nexo normativo”, mas porque, efetivamente, vem 
se tornando frequentes os questionamentos concursais acerca de tal teoria. 
Por nexo normativo ou jurídico, entenda-se, segundo Nucci, a modificação gerada no 
mundo jurídico, seja na forma de dano efetivo ou na de dano potencial, ferindo interesse 
protegido pela norma penal. 
1.3.1. Teorias sobre o nexo causal 
Dentre as teorias sobre o nexo causal, o CP adotou, como regra, a teoria da 
equivalência dos antecedentes causais (ou teoria da equivalência das condições ou teoria da 
condição simples ou teoria da condição generalizadora ou da conditio sine qua non). Passemos 
a sua análise. 
1.3.1.1. Equivalência dos antecedentes 
Relação de causalidade 
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem 
lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria 
ocorrido. 
Para esta teoria, atribuída a Von Buri, considera-se causa todo o fato sem o qual não 
teria ocorrido o resultado. Assim, pela redação do CP, causa é todo e qualquer fator que exerça 
influência no resultado produzido. A teoria não estabelece níveis de importância entre os 
antecedentes causais. 
Então, pergunta-se: como saber se o fato foi ou não determinante para a ocorrência 
do resultado? 
Devemos nos valer, de forma complementar, do método da eliminação hipotética dos 
antecedentes causais de Thyrén: exclui-se, mentalmente, determinado evento. Se o resultado 
não tivesse ocorrido da mesma forma, é porque ele faz parte do nexo causal e, portanto, é sua 
causa. De maneira oposta, se no campo mental da suposição, mesmo com a supressão mental 
do fato, o resultado tivesse ocorrido da mesma forma, ele não será tido como sua causa. 
Da conjugação da teoria da equivalência dos antecedentes causais com a teoria da 
eliminação hipotética chega-se à causalidade objetiva ou efetiva do resultado (mera relação 
entre causa e efeito). 
A crítica que se faz a essa teoria é que se permite o regresso ao infinito. Ex.: Os pais 
de um homicida ingressam no nexo causal, porque, sem eles, o autor do crime não teria nascido 
e o resultado não teria ocorrido. 
Contudo, muita atenção! Estamos falando apenas de nexo causal! A responsabilidade 
penal depende também do elemento subjetivo (dolo/culpa) e não se esgota na simples relação 
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15 
entre causa e efeito que une conduta e resultado. O fato de determinado evento ingressar no 
nexo causal não significa punição automática de todos, pois depende, também, da análise da 
causalidade psíquica, sob pena de configuração de responsabilidade penal objetiva. 
Assim, determinada a causalidade objetiva ou efetiva do resultado, à ela deve-se 
agregar a causalidade psíquica, ou seja, o dolo ou a culpa. 
Nesse viés, parte da doutrina defende que a Teoria da Imputação Objetiva supriria a 
falha da causalidade objetiva e seu regresso ao infinito, posto queviabilizaria estabelecer um 
NEXO NORMATIVO (criação ou incremento de um risco proibido + realização do risco no 
resultado + resultado dentro do alcance do tipo) e a partir dele extrair a relevância dos atos para 
o processo causal do resultado. 
1.3.1.2. Causalidade adequada (teoria da condição qualificada ou teoria da condição 
individualizadora) 
Esta teoria, desenvolvida por Von Kries, estuda o nexo causal de maneira jurídica (ou 
não naturalística). Considera-se causa a pessoa, fato, ou circunstância que, além de praticar um 
antecedente indispensável à produção do resultado, realize uma atividade adequada à sua 
concretização. 
 Antecedente causal é somente aquilo que for necessário e adequado a causar o 
resultado, conforme o bom senso e a razoabilidade (alguns adotam o critério da probabilidade 
ou da previsibilidade). 
1.3.1.3. Teoria da imputação objetiva 
Ganhou notoriedade a partir dos anos 1970, pelas mãos de Claus Roxin, no contexto 
do funcionalismo. Para essa teoria, a existência do nexo causal depende, além da relação física 
de causa e efeito (nexo físico), do nexo normativo. 
A rigor, a imputação objetiva chega a extrapolar o âmbito do nexo causal, servindo 
como estrutura do funcionalismo no tocante à delimitação do fato típico e atribuição de 
responsabilidade. 
A imputação objetiva requer a criação ou incremento de um risco juridicamente 
intolerável e não permitido ao bem jurídico tutelado, além da concretização desse perigo em 
resultado típico, devendo estar o resultado dentro do alcance do tipo. 
Ou seja, para imputação do resultado, é preciso: 
1º) criação ou incremento de um risco juridicamente intolerável e não permitido ao 
bem jurídico tutelado. 
2º) concretização desse perigo em resultado típico. 
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16 
3º) resultado dentro do alcance do tipo. 
Exemplos: Os pais não ingressam no nexo causal do homicídio cometido pelo filho 
apenas por serem pais. Ao terem filhos, não estão criando um risco proibido; marido tem 
colesterol alto. Sua mulher decide matá-lo e, para tal, leva-o para a churrascaria. Ele come 
muito, sofre um AVC e morre. Pela equivalência dos antecedentes, a esposa entraria no nexo 
causal, enquanto pela imputação objetiva não, pois levar o marido para comer não é criar um 
risco proibido. 
A teoria da imputação objetiva já foi adotada pelo STJ: 
HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO CULPOSO. VÍTIMA – MERGULHADOR 
PROFISSIONAL CONTRATADO PARA VISTORIAR ACIDENTE 
MARÍTIMO. ART. 121, §§ 3º E 4º, PRIMEIRA PARTE, DO CÓDIGO 
PENAL. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA 
CAUSA. 
1. Para que o agente seja condenado pela prática de crime culposo, 
são necessários, dentre outros requisitos: a inobservância do dever 
de cuidado objetivo (negligência, imprudência ou imperícia) e o 
nexo de causalidade. 2. No caso, a denúncia imputa ao paciente a 
prática de crime omissivo culposo, na forma imprópria. A teor do § 
2º do art. 13 do Código Penal, somente poderá ser autor do delito 
quem se encontrar dentro de um determinado círculo normativo, 
ou seja, em posição de garantidor. 3. A hipótese não trata, 
evidentemente, de uma autêntica relação causal, já que a omissão, 
sendo um não-agir, nada poderia causar, no sentido naturalístico 
da expressão. Portanto, a relação causal exigida para a 
configuração do fato típico em questão é de natureza normativa. 
[...]. 6. Ainda que se admita a existência de relação de causalidade 
entre a conduta do acusado e a morte do mergulhador, à luz da 
teoria da imputação objetiva, seria necessária a demonstração da 
criação pelo paciente de uma situação de risco não permitido, 
não-ocorrente, na hipótese. 7. Com efeito, não há como 
asseverar, de forma efetiva, que engenheiro tenha contribuído de 
alguma forma para aumentar o risco já existente (permitido) ou 
estabelecido situação que ultrapasse os limites para os quais tal 
risco seria juridicamente tolerado. 8. Habeas corpus concedido 
para trancar a ação penal, por atipicidade da conduta. (STJ, HC 
68871/PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para o 
acórdão Og Fernandes, 6ª T., j. 06/08/2009). 
Deve-se registrar, contudo, que a Imputação Objetiva recebe fortes e inúmeras críticas 
da doutrina nacional, que a considera, no mais das vezes, dispensável, dado que os casos que se 
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17 
propõe a resolver, já seriam elucidados, de forma mais simples e segura, pela teoria da 
equivalência dos antecedentes, dado que, nas palavras de Cezar Roberto Bitencourt (Erro de 
tipo e erro de proibição, p. 20-21), “a relação de causalidade não é suficiente nos crimes de ação, 
nem sempre é necessária nos crimes de omissão e é absolutamente irrelevante nos crimes de 
mera atividade; portanto, a teoria da imputação objetiva tem um espaço e importância 
reduzidos”. (Nucci, CP Comentado, pag. 82) 
1.3.2. Concausas (ou concorrência de causas) 
O estudo da relação de causalidade ganha ainda mais complexidade quando se verifica 
que o resultado de um crime pode não ser efeito de um único comportamento, mas sim de uma 
pluralidade de fatores. A concorrência de causas (ou concausas) pode ser classificada em 
dependentes e independentes. 
1.3.2.1. Causas independentes e causas dependentes 
Causas independentes - São aquelas que produzem, por si só, o resultado 
naturalístico, provocando um corte no nexo causal. 
Podem ser preexistentes, concomitantes ou supervenientes. 
Preexistente 
Agente ingressa em residência e efetua disparo contra a vítima. 
Porém, ela já havia sido envenenada e acaba falecendo por conta do 
envenenamento. 
O agente que efetuou o disparo responde por homicídio tentado 
(mesmo que não tivesse atirado, a vítima morreria envenenada). 
Concomitante 
Agente envenena a vítima. No mesmo momento, assaltante ingressa 
na casa e dispara contra ela, que vem a falecer, por conta do disparo. 
O agente que envenenou a vítima responde por homicídio tentado 
(mesmo que não tivesse envenenado, a vítima morreria por conta do 
disparo). 
Superveniente 
Agente envenena a vítima. Antes de o veneno começar a produzir seus 
efeitos, um assaltante ingressa na residência e efetua um disparo 
contra a cabeça da vítima, matando-a instantaneamente. 
O agente que envenenou a vítima responderá por homicídio tentado 
(ainda que não tivesse envenenado, a vítima morreria da mesma 
forma). 
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18 
1.3.2.2. Causas relativamente independentes ou causas dependentes 
São causas associadas à causa principal que, somadas, produzem o resultado. Podem 
ser preexistentes, concomitantes e supervenientes: 
Preexistentes 
Agente, durante roubo, efetua um disparo contra a vítima, que é 
hemofílica, e morre. Hemofilia é uma causa relativamente 
independente previamente existente. 
Nesses casos, existe nexo causal (agente responde por homicídio 
consumado). 
Concomitantes 
Agente, querendo matar a vítima, atira contra ela, que se 
desequilibra, cai, bate a cabeça na calçada, vindo a falecer. 
Também existe nexo causal, o agente responde por homicídio 
consumado. 
Superveniente 
Existem duas situações: quando a concausa produz ou não por si só o 
resultado. 
Agente atira na vítima. No trajeto para o hospital, a ambulância 
capota e a vítima morre em decorrência do acidente viário. 
Tratando-se de causasuperveniente relativamente independente, 
que por si só produziu o resultado, temos uma exceção enunciada 
pela própria lei. 
Art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente 
independente exclui a imputação quando, por si só*, produziu o 
resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os 
praticou. 
* Por si só à entra no âmbito da imprevisibilidade, é algo fora do 
desdobramento natural causal. É justamente o caso da ambulância 
que capota e mata a vítima. No exemplo, o acidente é uma concausa 
superveniente relativamente independente, que por si só produziu 
o resultado. O capotamento da ambulância é algo imprevisível para o 
agente. Neste caso, o autor dos fatos responderá apenas pelo 
homicídio tentado. 
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OBS: Segundo doutrina majoritária, o art. 13, § 1º, CP, adotou, neste 
caso, a teoria da causalidade adequada (ou teoria da condição 
qualificada), que é mais benéfica ao réu. 
Atenção: Causa relativamente independente que não produz o 
resultado por si só à o resultado é previsível e está na linha de 
desdobramento causal. 
O agente responde pelo crime consumado. É o que ocorre, por 
exemplo, nos casos de infecção hospitalar após o disparo do agente 
e, para a maioria do STJ, nos casos de omissão no atendimento 
médico. Obs.: ao aluno mais curioso, indicamos hipótese real, 
discutida no bojo da Ap. TJ/SP 0052978-60.2009.8.26.0576, 2013) 
Em resumo, lembre-se que dentro dos dois grandes grupos de causas absolutamente 
independentes e causas relativamente independentes, sejam quaisquer das duas preexistentes, 
concomitantes ou supervenientes, com exceção apenas das relativamente independentes que 
produzem por si só o resultado, sempre será aplicada a teoria da conditio sine qua non. 
1.3.3. Relação de causalidade nos crimes omissivos próprios e impróprios 
1.3.3.1. Natureza jurídica da omissão 
Existem duas correntes acerca do tema: 
- Teoria da existência física da omissão: A omissão tem lugar no mundo naturalístico, 
assim como a ação. O mundo que vivemos existe porque pessoas fizeram certas coisas (ações) 
e também porque deixaram fazer outras (omissões). 
- Teoria da existência normativa da omissão: A omissão é um nada e, do nada, nada 
surge. Não provoca resultado e só é punida por vontade legal. 
No Brasil a questão é polêmica. Embora muitos doutrinadores defendam a teoria 
normativa (omissão não gera nexo causal, Bitencourt fala em “nexo de não impedimento”), para 
Nucci o CP parece adotar uma teoria mista ou eclética, pois, apesar de o §2º do art. 13 dizer que 
a omissão só é penalmente relevante quando o omitente podia e devia agir para evitar o 
resultado (teoria normativa), o caput do mesmo artigo traz a possibilidade de a omissão causar 
um resultado (teoria física). 
Natureza jurídica da omissão (art. 13) Mista/eclética 
Art. 13, Caput Física 
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20 
Art. 13, § 2º Normativa 
1.3.3.2. Omissão nos crimes omissivos próprios 
Os crimes omissivos próprios punem um “não fazer”. A omissão já vem descrita no 
próprio tipo penal. Ex.: omissão de socorro (art. 135 do CP). 
APROFUNDAMENTO: alguns tipos omissivos, que, regra geral, dispensam a 
investigação da causalidade, vão exigir tal análise quando um resultado mais grave, previsto 
pelo tipo omissivo, se concretizar; a majoração da sanção dependerá então de se aferir o nexo 
da omissão (do tipo básico) com o resultado mais grave, que recrudesce a pena. Ex.: art. 135, 
P.U., CP: omissão de socorro com resultado lesão corporal grave (aumento de ½) ou morte 
(dobro). 
1.3.3.3. Omissão nos crimes omissivos impróprios (ou comissivos por omissão) 
Aqui a omissão do agente, excepcionalmente, mesmo sem um tipo penal omissivo 
específico, é considerada penalmente relevante. O omitente devia e podia agir. Não o fazendo, 
responde pelo crime comissivo. 
O art. 13, § 2º do CP, traz três hipóteses em que está presente o dever de agir. Frise-
se que, para haver punição, é preciso estar presente, além do dever, a possibilidade de se agir 
no caso concreto. Nesses casos, a análise da causalidade deve ocorrer, nos mesmos moldes dos 
crimes comissivos normais. 
Relevância da omissão 
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar 
o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
Algumas pessoas, como policiais, bombeiros, agentes penitenciários, pais, têm o dever 
legal de cuidado, proteção ou vigilância. 
Ex.: carcereiro presencia presos ingressarem numa sala para estuprar o outro. Fica 
assistindo e nada faz. Responde por estupro. 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
Envolve outras hipóteses em que a pessoa assume o dever de agir. É o que se dá, por 
exemplo, quando alguém assume contratualmente o dever de atuar como salva-vidas em um 
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21 
clube. Se alguém se afogar e o agente ficar inerte, poderá ser responsabilizado por homicídio, 
que em regra é um crime comissivo. 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
Se alguém, com um comportamento prévio, gerou o risco, assume o dever de impedir 
o resultado. Ex.: em um churrasco, o agente empurra o amigo bêbado na piscina. Tem o dever 
impedir o afogamento, podendo ser responsabilizado. 
De se ressaltar, como observação final sobre o tema, que a descrição do §2º, ao indicar 
as hipóteses enunciativas do dever de agir, adota a Teoria das Fontes (Luiz Luisi – Os Princípios 
Constitucionais Penais – pag. 108), ou seja, deveres impostos pela ordem jurídica lato sensu, 
decorrentes de qualquer disposição que estabeleça um vínculo jurídico (decretos, 
regulamentos, portarias, e mesmo das sentenças judiciais e provimentos judiciários em geral), 
ou seja, derivados de norma penal ou extrapenal, de direito público ou de direito privado. (ao 
aluno curioso, vide REsp 1.618.975-PR/2017: responsabilidade, decorrente de lei ou contrato, 
inclusive do Administrador Público, por danos ambientais ) 
1.4. TIPICIDADE 
Mais uma vez relembrando que o fato típico é composto de conduta, resultado, nexo 
causal e tipicidade, passamos a analisar o último elemento. 
A tipicidade pode ser examinada sob o prisma formal e material. 
Formal (legal) – Subsunção do fato praticado ao tipo penal. Ex.: Paulo subtraiu, para 
si, objeto de Pedro. O fato se amolda ao tipo penal do furto. Na tipicidade formal não se fala em 
princípio da insignificância. 
Material – Não basta à subsunção do fato ao tipo penal, abrangendo também a efetiva 
lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado, ou seja, deve-se valorar a conduta e o 
resultado. Ex.: Se o objeto que Paulo subtraiu de Pedro foi uma folha de papel, embora 
formalmente seja uma conduta típica, materialmente não é. Fala-se no princípio da 
insignificância. 
Tipicidade = tipicidade formal + tipicidade material 
• O que é tipicidade conglobante? 
Para Eugênio Raul Zaffaroni, o juízo de tipicidade deve ser analisado a partir do sistema 
normativo considerado em sua globalidade. 
A tipicidade se divide em formal e conglobante, esta composta pela tipicidade material 
(elemento implícito) e pela antinormatividade (conduta não permitida ou não fomentada pelasCPF: 860.542.154-18
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22 
leis do ordenamento como um todo). Logo, quem age em estrito cumprimento do dever legal 
ou em exercício regular de direito não pratica fato típico, por serem causas de exclusão da 
tipicidade penal. 
 
 
Tipicidade material 
Tipicidade = Tipicidade 
formal 
+ Tipicidade 
conglobante 
 
+ 
 
Antinormatividade 
O STJ tem adotado a tipicidade conglobante em diversos julgados. Por exemplo, 
considerando atípico fato praticado em exercício regular de direito: 
PROCESSUAL PENAL - CRIME CONTRA A HONRA - QUEIXA-CRIME 
OFERECIDA POR JUÍZA CONTRA DESEMBARGADOR - DELITO DE 
DIFAMAÇÃO - ART. 139 C/C ART. 141, II, DO CP - AUSÊNCIA DO 
ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO – PROCESSO DE PROVIMENTO DE 
CARGO DE DESEMBARGADOR - EXPRESSÕES UTILIZADAS PARA 
FUNDAMENTAR VOTO DE PROMOÇÃO - CAUSA ESPECIAL DE 
EXCLUSÃO DO DELITO - REJEIÇÃO DA EXORDIAL ACUSATÓRIA. 
1. Queixa-crime oferecida por Juíza contra Desembargador que, 
durante processo de promoção por merecimento de magistrado, 
proferiu voto com expressões tidas por difamatórias pela 
querelante. 2. O querelado, em sessão pública, proferiu seu voto, 
consoante previsto na Resolução n° 106/2010 do CNJ, não se 
extraindo da sua manifestação conduta que se amolde na figura 
típica do art. 139 do Código Penal. Ausência de animus difamandi. 
3. O querelado agiu no estrito cumprimento do dever legal de 
fundamentação do voto, restando afastada a tipicidade 
conglobante do crime de difamação, nos termos do art. 142, III, do 
Código Penal e do art. 41 da LC n° 35/79 (LOMAN). 4. Queixa-crime 
rejeitada. (STJ, APn 683, Rel. Min. Eliana Calmon, Corte especial, j. 
21/11/2012). 
Também temos julgados se valendo da tipicidade conglobante para afastar a 
insignificância. Isso corre porque o resultado deve causar uma relevante lesão (significante) ao 
bem jurídico tutelado. Assim, se houve apenas uma lesão insignificante, a tipicidade 
conglobante é afastada, tornando o fato atípico. Por outro lado, se a lesão for relevante, não há 
que falar em atipicidade, não podendo ser aplicada a insignificância, vejam: 
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23 
PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. FURTO. 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. RECORRENTE REINCIDENTE EM 
CRIMES DA MESMA NATUREZA. INAPLICABILIDADE. RECURSO A 
QUE SE NEGA PROVIMENTO. 
1. O princípio da insignificância deve ser analisado em conexão com 
os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do 
Estado em matéria penal, no sentido de excluir ou afastar a própria 
tipicidade penal, observando-se a presença de "certos vetores, 
como (a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a 
nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de 
reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da 
lesão jurídica provocada" (HC 98.152/MG, Rel. Min. CELSO DE 
MELLO, 2ª T., DJe 5/6/2009). 2. De outra parte, "a aplicação do 
princípio da insignificância envolve um juízo amplo (conglobante), 
que vai além da simples aferição do resultado material da 
conduta, abrangendo também a reincidência ou contumácia do 
agente, elementos que, embora não determinantes, devem ser 
considerados." (HC 123108-MG, Rel. Min. Roberto Barroso, 
Tribunal Pleno, j. 03/08/2015). 3. Situação concreta (reincidência 
específica) que não recomenda a aplicação do princípio da 
insignificância. 4. Recurso ordinário improvido. (STJ, RHC 66184 / 
PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., j. 01/03/2016). 
1.4.1. Tipicidade direta/imediata e indireta/mediata 
Tipicidade por subordinação direta ou imediata – ocorre quando há o perfeito 
enquadramento do fato praticado ao tipo penal. Ex.: “A” mata “B”. Enquadra-se no tipo do 
homicídio (“matar alguém”). 
Tipicidade por subordinação indireta ou mediata – o enquadramento do fato 
praticado ao tipo penal exige uma norma de extensão, que pode ser: 
Temporal (diz-se temporal 
porque a norma de extensão 
antecipa a tutela penal para 
abarcar os atos executórios 
prévios à consumação.) 
Tentativa (“Art. 14, II – Diz-se o crime: (...) tentado, quando, 
iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias 
alheias à vontade do agente”). 
Para ilustrar: o art. 121 prevê a conduta de “matar alguém”, 
e não de “tentar matar alguém”. O art. 14, II, do CP, acaba 
estendendo o tipo penal, para permitir a tipificação dessa 
conduta. 
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24 
Pessoal e espacial (“pessoal” 
porque há extensão dos atos 
do autor ao partícipe e 
“espacial” porque expande o 
alcance do núcleo do tipo 
àquele que não o infringiu 
diretamente) 
Concurso de pessoas (Art. 29 - Quem, de qualquer modo, 
concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, 
na medida de sua culpabilidade). 
Ilustrando: o art. 157 criminaliza a subtração de coisa alheia 
móvel por violência ou grave ameaça. Não está tipificada a 
conduta do sujeito que leva os assaltantes até o local e fica 
do lado de fora, vigiando e aguardando para prestar fuga. O 
art. 29 estende a tipificação a esse sujeito, que incide no 
tipo do roubo por concorrer para a sua prática. 
Causal (“causal” porque 
permite a incidência da norma 
penal às causas (omissões) dos 
resultados ocorridos nestes 
casos, a fim de punir a inação 
do infrator, nos casos em que 
deveria e poderia agir. 
Art. 13, § 2º (dever de agir). 
Exemplo: o art. 213 pune a conduta de constranger alguém, 
mediante violência ou grave ameaça, à prática de conjunção 
carnal ou outro ato libidinoso. Não está prevista a conduta 
do carcereiro que, mesmo podendo, nada faz para impedir 
o estupro de um preso. A norma do art. 13, § 2º, amplia a 
causalidade, para abranger tal sujeito. 
1.4.2. Fases da tipicidade 
a) Fase da 
independência 
(Beling, 1906) 
A tipicidade tinha caráter meramente descritivo, sem guardar 
relação com a ilicitude. 
b) Fase do caráter 
indiciário ou ratio 
cognoscendi (Mayer, 
1915) 
A tipicidade passa a ser vista como indício da ilicitude. Se um fato é 
típico há presunção relativa de que também é ilícito. Fala-se em 
“tipo indiciário”. É a teoria adotada pelo CP. 
c) Fase da ratio 
essendi (Mezger, 
1931) 
A ilicitude integra a tipicidade. Se o fato é lícito, nunca pode ser 
típico. Amolda-se à teoria dos elementos negativos do tipo. A 
tipicidade integra a essência da ilicitude, não havendo distinção 
entre os institutos. Assim, todas as condutas típicas são também 
ilícitas. 
d) Teoria dos 
elementos negativos 
do tipo 
Aqui a ilicitude não possui autonomia. Pode-se considerar que se 
parte da mesma premissa da fase da ratio essendi, qual seja, a de 
que todas as condutas típicas são ilícitas. Porém, aqui, as causas de 
exclusão da ilicitude integram a tipicidade: para que haja um fato 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
25 
típico, não pode estar presente qualquer causa de exclusão da 
ilicitude. 
1.5. TIPO PENAL 
Tipo penal difere da tipicidade, pois é a descrição legal e abstrata de uma conduta. 
Resulta da atividade imaginativa do legislativo, podendo trazer elementos objetivos e subjetivos. 
O tipo penal pode ser incriminador ou permissivo.1.5.1. Funções do tipo 
Além de descrever condutas proibidas, o tipo penal exerce certas funções: 
Função Indiciária 
Há presunção relativa de antijuridicidade quando da ocorrência de 
um fato típico (lembrar da ratio cognoscendi). Porém, tal 
antijuridicidade pode ser posta à prova se presente uma das 
justificativas. 
Função de Garantia 
É consequência do princípio da reserva legal, já que “não há crime 
sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal” 
(art. 5º, XXXIX, da CF). 
Função 
Diferenciadora do 
Erro 
Todas as elementares do tipo devem ser de conhecimento do agente, 
ou seja, o dolo deve abarcar todos os elementos do tipo. A ignorância 
quanto à um dos elementos do tipo afastará o dolo e configurará erro 
de tipo. 
Função Seletiva 
Relaciona-se com o princípio da fragmentariedade, na medida em 
que é função do tipo penal selecionar aquelas condutas que, se 
realizadas, atacarão os bens jurídicos mais relevantes para a 
sociedade. 
Função 
Fundamentadora 
É a violação do tipo penal incriminador que fundamenta a atuação 
punitiva do Estado (ius puniendi). 
1.5.2. Estrutura do tipo penal 
Título ou rubrica (nomen juris) – É o nome dado pelo legislador à figura penal. Ex.: 
homicídio, roubo, estupro. Nem sempre está presente. 
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26 
Preceito primário – Descrição da conduta proibida nos tipos penais incriminadores. 
Ex. “matar alguém”; ou das condutas permitidas nos tipos penais permissivos. Ex. legítima 
defesa, estado de necessidade, aborto necessário, etc. 
Preceito secundário – Descrição da sanção. Exemplo: 
Rubrica/título Furto 
Preceito primário 
(descrição da conduta) 
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia 
móvel: 
Preceito secundário 
(descrição da sanção) 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
1.5.3. Elementos do tipo 
1.5.3.1. Elementos objetivos 
Meramente 
Descritivos 
São elementos descritivos, isto é, não relacionados à vontade do agente, 
e que podem ser compreendidos por meio de juízos de realidade ou pelo 
senso comum. Relacionam-se com tempo, local e meio de execução do 
crime. 
Em outras palavras, se o intérprete tiver alguma dúvida sobre o 
significado de alguma palavra, pode resolvê-la simplesmente 
consultando um dicionário. Ex.: “matar alguém”, “subtrair” etc. 
Normativos 
São elementos dissociados da vontade do agente, cuja compreensão 
depende de juízo de valor cultural ou jurídico. Beling denominava essas 
figuras de “tipos anormais” ou “abertos”, pois dependiam de juízos de 
valoração espiritual pelo intérprete. Ex.: ato obsceno (valoração 
cultural); cheque e duplicata (valoração jurídica). Ele era contrário a isso, 
entendendo que as normas deveriam conter apenas elementos 
descritivos (tipos fechados), em respeito ao princípio da taxatividade, 
gerando maior segurança jurídica. 
1.5.3.2. Elemento Subjetivo 
Diz respeito à intenção, objetivo, finalidade do agente no tipo. Análise da esfera 
anímica ou psicológica do agente. O elemento subjetivo pode ser: 
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27 
Genérico Abrange o dolo (direito ou eventual) 
Específico 
Finalidade especial que deve (elemento subjetivo positivo) ou não animar o 
agente (elemento subjetivo negativo). Alguns tipos penais exigem, outros não. 
O elemento subjetivo específico pode ser: 
Expresso – mencionado na própria norma. Ex.: “com o fim de”. 
Implícito – não estão descritas na própria norma. Ex.: para a configuração de 
crime contra a honra, exige-se o animus injuriandi, difamandi ou caluniandi, 
embora não estejam previstos no tipo. Já estudamos que se houver, por 
exemplo, apenas animus jocandi, o delito contra a honra não se configura. 
1.5.3.4. Classificações do tipo penal 
 1.5.3.4.1. Tipo simples e tipo misto 
Tipo simples: possui uma única conduta punível (1 verbo). Ex.: “matar alguém” (art. 
121); “subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel” (art. 155). 
Tipo misto: traz mais de uma conduta punível (mais de 1 verbo). Ex.: “adquirir, receber, 
transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de 
crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte” (art. 180). São os 
crimes de ação múltipla ou conteúdo variado. O tipo misto ainda pode ser: 
• - Alternativo – A prática de mais de uma conduta, no mesmo contexto fático, gera um 
único crime. Os verbos costumam se separar por vírgulas e pela expressão “ou” (que 
indica alternatividade). Ex.: agente adquire computador que sabe ser produto de crime, 
conduz o aparelho até sua casa e lá o oculta. Responderá por 1 crime de receptação. 
• - Cumulativo – A prática de mais de uma conduta implica na configuração de mais de 
um crime. Os verbos geralmente são separados por “;” ou pela expressão “e”, indicando 
cumulatividade. Na prática, são raros. 
O tipo pode ser alternativo e cumulativo ao mesmo tempo. Exemplo: 
CP, art. 242 – Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar 
recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil. 
Cumulativo Alternativo 
dar parto alheio como próprio; ocultar recém-nascido ou substituí-lo 
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28 
registrar como seu o filho de outrem; 
ocultar recém-nascido ou substituí-lo. 
Em qual categoria se enquadra o crime de estupro? 
Redação anterior à Lei 12.015/2009 Redação posterior à Lei 12.015/2009 
Estupro 
Art. 213 - Constranger mulher à conjunção 
carnal, mediante violência ou grave 
ameaça: 
Estupro 
Art. 213. Constranger alguém, mediante 
violência ou grave ameaça, a ter conjunção 
carnal ou a praticar ou permitir que com ele se 
pratique outro ato libidinoso: 
Atentado violento ao pudor 
Art. 214 - Constranger alguém, mediante 
violência ou grave ameaça, a praticar ou 
permitir que com ele se pratique ato 
libidinoso diverso da conjunção carnal: 
Atentado violento ao pudor 
Art. 214. Revogado 
A Lei 12.015/2009 revogou o crime de atentado violento ao pudor, aglutinando-o no 
atual art. 213 as condutas antes previstas separadamente nos artigos 213 e 214. 
Atualmente, se o sujeito pratica conjunção carnal + outro ato libidinoso (ex.: sexo anal) 
contra a mesma vítima no mesmo contexto fático, responderá por crime único. Contudo, o juiz 
pode considerar as circunstâncias do caso concreto na dosimetria da pena. Nesse sentido: 
Com as inovações trazidas pela Lei n. 12.015/2009, os crimes de 
estupro e atentado violento ao pudor são agora do mesmo gênero 
- crimes contra a dignidade sexual - e também da mesma espécie - 
estupro -, razão pela qual, desde que praticados contra a mesma 
vítima e no mesmo contexto, devem ser reconhecidos como crime 
único. III - Na espécie, evidencia-se que as práticas de conjunção 
carnal e ato libidinoso diverso ocorreram contra a mesma vítima e 
no mesmo contexto fático. Habeas Corpus não conhecido. Ordem 
concedida de ofício para cassar a decisão do Juízo da Execução e o 
v. acórdão objurgado e determinar que o Juízo das Execuções 
refaça a dosimetria das penas do crime único de estupro, nos 
termos da Lei n. 12.015/2009, admitindo-se a consideração acerca 
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29 
da prática de atos libidinosos diversos da conjunção carnal quando 
da avaliação das circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal. 
(STJ, HC 355963 / SP, 5ª T., Rel. Min. Felix Fischer, j. 02/05/2017, 
v.u.). 
1.5.3.4.2. Tipo básico e tipo derivado 
Tipo básico - Figura fundamental do delito, geralmente prevista no ca put dos 
dispositivos. Se as elementares forem alteradas, haverá outro crime ou o fato se tornará atípico. 
Tipo derivado - São circunstâncias especiais do crime, que interferem na aplicação da 
pena. Ex.: qualificadora, causa de aumento de pena etc. 
1.5.3.4.3. Tipo objetivo e subjetivo 
Tipo objetivo – É a parte do tipo penal referente aos elementos objetivos e 
normativos, alheios à vontade do agente. 
Tipo subjetivo – É o trecho do tipo penal referente à vontade do agente. Alguns tipos 
exigem uma finalidade especial, podendo ela ser expressa ou implícita (conforme já 
examinamos). 
1.5.3.4.4. Tipo fechado e aberto 
Tipo fechado – É aquele formado por elementos descritivos, que não dependem de 
juízos de valor para sua compreensão. 
Tipo aberto – É aquele que contém elementos normativos ou subjetivos, exigindo 
juízos de valoração. Ex.: ato obsceno é um tipo aberto; crimes culposos em geral são tipos 
abertos. 
1.5.3.4.5. Tipo de injusto (ou tipo-total de injusto) 
Liga-se à denominada teoria dos elementos negativos do tipo ou do tipo total de 
injusto. Para essa teoria, crime = fato típico + culpável. 
Quando se fala que o fato é típico, automaticamente se está considerando que é 
antijurídico. A legítima defesa, por exemplo, também é considerada um tipo penal, mas um tipo 
permissivo. Quando alguém mata outro alguém em legítima defesa, está praticando um fato 
atípico, pois o tipo proibido (matar) fica anulado pelo permissivo (em legítima defesa). 
1.5.3.4.6. Tipo congruente/simétrico e incongruente/assimétrico 
Tipo congruente ou simétrico - É aquele em que há coincidência entre os elementos 
objetivos e o elemento subjetivo. 
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30 
Tipo incongruente ou assimétrico – É aquele em que não há coincidência entre os 
elementos objetivos e o elemento subjetivo. Tal se dá no crime formal, tentado e no crime 
preterdoloso. 
Ex1.: A, querendo matar B, mata-o. Tipo congruente. 
Ex2.: A sequestra B, com o objetivo de obter vantagem patrimonial. O crime está 
consumado com o sequestro, ainda que não haja obtenção da vantagem. O aspecto subjetivo 
extrapola o objetivo. 
1.5.3.4.7. Tipos formais e materiais 
Tipos formais: São os modelos legais de conduta. 
Tipos materiais: São os modelos legais de conduta, mas ligados à efetiva lesão ou 
perigo de lesão a um bem jurídico tutelado, socialmente reprovável. 
1.5.4. EXCLUDENTES DE TIPICIDADE 
Podem ser legais (previstas expressamente na lei) ou supralegais. 
Exemplo de excludente de tipicidade legal está no §3º do art. 146 do CP: 
Constrangimento ilegal 
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe 
haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que 
a lei permite, ou a fazer o que ela não manda: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. [...] 
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo: 
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu 
representante legal, se justificada por iminente perigo de vida; 
II - a coação exercida para impedir suicídio. 
1.5.4.1. Excludentes de Tipicidade supralegais: 
a) Princípio da insignificância (ver item “princípios”). 
b) Princípio da adequação social (ver item “princípios”). 
DOLO E CULPA 
A conduta (comportamento humano) pode ser dolosa ou culposa. 
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31 
1.6. DOLO 
No finalismo, o dolo integra a conduta e, por consequência, o fato típico. É elemento 
subjetivo implícito e inerente a todo crime doloso. O dolo consiste na vontade e na consciência 
de praticar os elementos do tipo penal incriminador. 
1.6.1. Dolo direto e indireto 
Art. 18 - Diz-se o crime: 
I - doloso, quando o agente quis o resultado (dolo direto) ou assumiu o risco de produzi-
lo (dolo eventual). 
Dolo direto (determinado ou imediato) - É a vontade dirigida especificamente à 
produção do resultado típico (o dolo direto se subdivide em: dolo direto de primeiro grau e dolo 
direto de segundo grau). Veja-se a seguir). 
Dolo indireto (indeterminado) - Divide-se em dolo eventual e alternativo. 
• - Dolo eventual (de consequências possíveis): o agente direciona sua conduta à 
produção de um resultado, mas assume o risco de causar outro(s). Ex: sujeito faz racha 
na via pública, aceitando o risco de atropelar pessoas. 
• - Dolo alternativo: é a vontade de atingir, indistintamente, um ou outro resultado 
(alternatividade objetiva) ou uma outra vítima (alternatividade subjetiva). Ex.: agente 
agride a vítima, sendo-lhe indiferente se ocorrer lesão corporal ou morte. Nesse caso, o 
agente deve responder pelo crime mais grave, pois abrangido por sua vontade. 
Parte da doutrina critica o dolo alternativo, entendendo que, na realidade, é um 
problema de adequação típica. As pessoas sempre buscam algum resultado naturalístico, não 
raciocinam em termos técnicos. 
1.6.2. Teorias sobre o dolo 
Teoria da vontade: Dolo é a consciência e vontade do agente dirigida especificamente 
ao resultado. 
Teoria da representação: Dolo é a vontade de praticar a conduta, prevendo a 
possibilidade de produzir o resultado. O dolo estará presente com a representação ou previsão 
do resultado (esta teoria abrange a culpa consciente). 
Teoria do assentimento ou consentimento: Dolo é a vontade de praticar a conduta, 
assumindo o risco de produzir o resultado (no Brasil, identifica-se com a figura do dolo eventual). 
No Brasil, foram adotadas duas teorias: 
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32 
o Teoria da vontade - quanto ao dolo direto (art. 18, I, 1ª parte, CP). 
o Teoria do consentimento - quanto ao dolo eventual (art. 18, I, 2ª parte, CP). 
1.6.3. Elementos do dolo 
O dolo é composto por consciência e vontade. O primeiro, é seu elemento cognitivo 
ou intelectual; o segundo, seu elemento volitivo. 
Elemento cognitivo ou intelectual: É a consciência dos elementos objetivos do tipo. 
Elemento volitivo: É a vontade de realizar os elementos objetivos do tipo. 
1.6.4. Características do dolo 
Abrangência: O dolo deve envolver TODOS os elementos objetivos do tipo. Se deixar de 
abranger algum elemento, poderá surgir o denominado erro de tipo. Afasta-se o dolo, 
podendo o agente responder a título de culpa, se o crime comportar a modalidade 
culposa. 
Atualidade: O dolo deve estar presente no momento da conduta. Não existe dolo 
antecedente nem subsequente à conduta. 
Ex.: sujeito, por imprudência, atropela alguém. Ao descer do carro, vê que atingiu seu 
inimigo capital. O crime culposo não se transformará em doloso. 
Aptidão p/ influenciar o resultado: O dolo envolve um querer ativo - pune-se a vontade 
apta a produzir o resultado, não o pensamento negativo. 
Ex.: agente doa passagem e hospedagem aérea para o inimigo visitar Miami, torcendo 
que seja atingido por furacão. 
Adeptos da imputação objetiva fornecem esse tipo de exemplo para justificar a teoria. 
Diriamque o agente não responde porque dar passagem aérea não significa criar um 
risco proibido. Porém, o próprio finalismo já possui ferramentas para resolver o 
problema. 
1.6.5. Espécies de dolo 
1.6.5.1. Dolo de dano e dolo de perigo 
Dolo de dano: É a vontade de causar efetiva lesão a um bem jurídico tutelado. Ex.: 
atirar em alguém, visando matar. 
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33 
Dolo de perigo - É a vontade de expor a perigo um bem jurídico tutelado. 
1.6.5.2. Dolo genérico e dolo específico 
Dolo genérico: o agente visa praticar a conduta descrita no tipo, sem uma finalidade 
específica. Ex.: matar alguém. No finalismo, é simplesmente o “dolo”. 
Dolo específico: o agente deseja praticar a conduta visando a uma finalidade 
específica, que é elementar do tipo penal. Ex.: art. 159 (extorsão mediante sequestro). 
Na verdade, trata-se de uma linguagem causalista e desatualizada. No finalismo, fala-
se apenas em dolo acrescido de elemento subjetivo do tipo. 
1.6.5.3. Dolo de 1º grau e dolo de 2º grau (dolo de consequências necessárias ou de 
efeitos colaterais) 
Dolo de 1º grau – vontade de um produzir um determinado resultado, sem outras 
consequências. 
Dolo de 2º grau – vontade de atingir um determinado resultado, sabendo, de 
antemão, que ocorrerão outros resultados como consequência necessária da conduta (efeitos 
colaterais). Ex.: traficante coloca bomba em avião para matar seu inimigo, sabendo que, na 
explosão, o piloto e os passageiros também morrerão. 
Diferencia-se do dolo eventual porque, neste, o agente apenas assume o risco de 
produzir o resultado (ex.: atira contra o motorista do ônibus, assumindo o risco de ocorrer um 
acidente e morrerem passageiros). No dolo de 2º grau o agente sabe que o resultado ocorrerá 
(ex.: explode o ônibus para matar o motorista, sabendo que os passageiros também vão morrer 
na explosão). O dolo de 2º grau é considerado uma espécie de dolo direto. 
Atenção! Há autores que defendem a existência do Dolo de 3º grau (dolo de dupla 
consequência necessária): trata-se da vontade de atingir um determinado resultado, 
como consequência necessária dos efeitos colaterais necessários para atingir o fim 
proposto. Ex.: traficante coloca bomba em avião para matar seu inimigo, sabendo que, na 
explosão, o piloto e os passageiros também morrerão, ocorre que uma das passageiras 
está grávida. Assim sendo, o aborto foi consequência necessária do efeito colateral 
necessário, qual seja, a morte da passageira grávida. 
1.6.5.4. Dolo cumulativo 
Significa que o agente tem a vontade de atingir um determinado resultado, evoluindo, 
em seguida, para a vontade de atingir outro resultado. 
Ex.: rouba a vítima, depois decide estuprá-la. Responderá conforme as regras de 
concurso de crimes. 
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34 
1.6.5.5. Dolo geral, por erro sucessivo (aberratio causae) 
É o erro quanto ao meio efetivo da execução do crime. Ocorre quando o sujeito, 
acreditando ter alçado o resultado almejado, pratica nova conduta, com finalidade diversa, 
constatando-se, ao final, que foi esta que produziu o resultado que se buscava desde o início. 
Divide-se em: 
a) Erro sobre o nexo causal em sentido estrito (“aberratio causae”) - O agente, num 
só ato, executa seu plano criminoso e atinge o resultado no momento pretendido, mas de 
forma/nexo de causalidade diverso do planejado; Ex.: empurra a vítima de um penhasco para 
cair no rio e se afogar, mas, na queda, ela bate a cabeça e morre por traumatismo. 
b) Dolo Geral ou “dolus generalis” ou Dolo Sucessivo ou Erro Sucessivo – Após 
praticar conduta que imaginou ter levado ao resultado, o autor age pensando já estar no 
exaurimento, mas é aí que se consuma o crime; há uma pluralidade de atos distintos. Ex. A atira 
em B e, crendo que ele morreu, o joga na lagoa, vindo B a falecer por afogamento. 
Consequência: tecnicamente, seria uma tentativa de homicídio em concurso material com 
homicídio culposo, mas o dolo se “generaliza” e se leva em conta o “dolo geral” do agente, que 
era o de praticar crime único (Princípio Unitário). É conceito e previsão apenas doutrinária. 
Como se trata de criação doutrinária, ROGÉRIO SANCHES sustenta que se deve optar 
pelo nexo mais favorável ao agente, eis que algumas formas de execução podem constituir 
qualificadoras ou causas de aumento de pena. 
Majoritariamente, contudo, entende-se que o agente responderá pelo nexo (crime) 
que pretendia praticar, eis que se trata de dolo geral, examinado no contexto global e não de 
forma destacada. 
Ex.: agente dispara contra a vítima. Acreditando que ela morreu, para se livrar do 
corpo, coloca fogo, sendo esta a real causa da morte. 
Responderá o agente pelo homicídio (homicídio simples, em princípio, e não 
qualificado pelo emprego do fogo, embora haja polêmica na doutrina). Trata-se de erro 
acidental, irrelevante para o direito penal para fins de caracterização de crime. O dolo é geral, 
ou seja, examinado globalmente, e não de forma isolada. 
1.6.5.6. Dolo natural e dolo normativo 
A divisão do dolo em natural ou normativo relaciona-se aos sistemas finalista e clássico 
da conduta, conforme tangenciado anteriormente. 
Dolo normativo (colorido/valorado) – no sistema clássico o dolo alojava-se no interior 
da culpabilidade. Ainda, no dolo estava contida a consciência atual da ilicitude do fato. Por essa 
razão era chamado de dolo normativo. 
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Dolo natural (incolor/avalorado) – com o finalismo o dolo foi transferido para a 
conduta. A culpabilidade passou a ser formada pela imputabilidade, potencial consciência da 
ilicitude e inexigibilidade de conduta diversa. 
1.7. CULPA 
O crime culposo (art. 18, II, do CP) consiste numa conduta voluntária que realiza evento 
ilícito não pretendido ou não aceito pelo agente, mas que lhe era previsível (culpa inconsciente) 
ou excepcionalmente previsto (culpa consciente) e que podia ter sido evitado se o agente 
empregasse a cautela esperada. 
Para a doutrina majoritária, a culpa deve ser tratada como elemento normativo da 
conduta, inserida no fato típico. A punição pelo crime culposo fundamenta-se na violação da 
inobservância do dever objetivo de cuidado. 
1.7.1. Elementos do crime culposo 
1º) Conduta humana voluntária; 
2º) Infração ao dever objetivo de cuidado; 
Calcado no princípio da confiança, espera-se uma atuação cuidadosa, evitando danos 
a outrem. Ex: crer que os motoristas pararão no sinal vermelho. 
3º) Resultado naturalístico involuntário; 
Via de regra, os crimes culposos são materiais, portanto, para que estejam 
consumados, exige-se modificação física no mundo exterior. 
4º) Nexo causal entre conduta e resultado; 
5º) Previsibilidade objetiva do resultado; 
Possibilidade de se antever o perigo advindo da conduta. A Previsibilidade objetiva 
deve ser analisada de acordo com aquilo que se espera do homem médio. 
6º) Tipicidade. 
A culpa é sempre expressa. Art. 18, parágrafo único – “Salvo os casos expressos em lei, 
ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente”. 
1.7.2. Modalidades de culpa 
Imprudência Culpa no campo ativo, é uma atuação desprovida de cautela. 
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É proibida a reprodução destematerial sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
36 
Negligência Culpa no campo passivo, é uma omissão resultado de falta de atenção. 
Imperícia 
Culpa no campo técnico, é a falta de conhecimento necessário para o 
desempenho de determinada atividade. 
1.7.3. Espécies de culpa 
1.7.3.1. Culpa consciente e inconsciente 
Culpa consciente, com previsão ou ex lascivia – o agente prevê o resultado (há efetiva 
previsão e não mera previsibilidade), mas espera, sinceramente, que ele não ocorra, pois supõe 
poder evitá-lo, utilizando das suas habilidades ou contando com sua sorte. Na culpa consciente, 
mais do que previsibilidade, existe efetiva previsão. 
Observação: No dolo eventual, o agente também prevê o resultado, mas não se importa 
que ele venha a acontecer. O agente assume o risco do resultado, que lhe é indiferente 
(num linguajar simples “dane-se”). 
Já na culpa consciente, o agente, embora prevendo o resultado, espera sinceramente que 
ele não ocorra. Acredita que sua habilidade fará que o resultado previsto não ocorra (num 
linguajar simples “danou-se”). 
Observação: De acordo com o entendimento majoritário do STJ o racha é conduta 
animada pelo dolo eventual; quanto ao homicídio culposo cometido por motorista 
embriagado, há polêmica: há certa tendência na doutrina em se estabelecer o dolo 
eventual, mas para os Tribunais Superiores, majoritariamente, o crime é culposo 
(animado pela culpa consciente). 
Culpa inconsciente, sem previsão ou ex ignorantia – o agente não prevê o resultado, 
que, entretanto, era previsível. Neste caso, qualquer outra pessoa, nas mesmas circunstâncias, 
poderia prever a ocorrência daquele resultado. 
1.7.3.2. Culpa própria e imprópria 
Culpa própria ou culpa propriamente dita – o agente não quer o resultado e não 
assume o risco de produzir o resultado, mas acaba causando-o por descumprimento ao dever 
de cuidado objetivo necessário, por imprudência, negligência ou imperícia. 
Observação: a culpa própria é gênero cujas espécies são culpa consciente e culpa 
inconsciente. 
Culpa imprópria ou por equiparação ou por assimilação ou culpa por extensão (art. 
20 § 1º do CP) – É aquela em que o agente pretende atingir determinado resultado porque está 
envolvido por erro evitável (inescusável ou vencível). Ele imagina certa situação de fato, que se 
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37 
realmente existisse, excluiria a ilicitude do seu comportamento. Em outras palavras, o agente 
quer o resultado e prática intencionalmente a conduta, no entanto, sua vontade está viciada por 
um erro, que poderia ser evitado com o cuidado necessário. 
Ex.: sujeito vê um homem caminhando em sua direção à noite, pondo a mão no bolso. 
O sujeito pensa que ele vai sacar uma arma e, antecipando-se, atira e mata o homem. 
Aproximando-se, percebe que ele ia retirar um lenço do bolso. 
Sendo o erro escusável/inevitável, caracteriza-se a legítima defesa putativa (art. 20, § 
1º), inexistindo punição. Contudo, sendo o erro evitável/inescusável, deve haver punição a título 
de culpa, por razões de política criminal. Trata-se da denominada culpa imprópria, que, por ter 
estrutura de crime doloso, é a única modalidade de crime culposo no direito brasileiro que 
admite a forma tentada. 
1.7.4. Graus de culpa 
Predomina que não existem graus de culpa. Porém, cabe usar a maior ou menor 
desatenção, junto a demais fatores do caso concreto, na dosagem da pena. 
1.7.5. Compensação de culpas 
Não cabe no meio Penal. Cada agente responde por sua própria culpa no fato. 
Ademais, a culpa concorrente da vítima não isenta o agente de punibilidade. 
1.7.6. Concorrência de culpas ou coautoria sem previsão ou coautoria sem 
consciência 
Ocorre quando duas ou mais pessoas concorrem, culposamente, para o resultado, 
inexistindo liame psicológico entre eles. Ex.: dois motoristas batem e machucam terceiro. Cada 
um responderá conforme a sua responsabilidade. 
1.7.7. Culpa presumida ou in re ipsa 
Não admissível em Direito Penal. 
1.8. CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO 
É o delito que contém a tipificação de um determinado fato, bem como de resultado 
qualificador, que provoca a elevação da pena. 
Ex.: lesão corporal seguida de morte. Sujeito desfere um soco contra a vítima (lesão 
corporal dolosa), mas ela se desequilibra e bate a cabeça na calçada, vindo a falecer (morte 
culposa). 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
38 
Esse tipo de construção decorre de política criminal. Se não existisse, tais situações 
seriam resolvidas com a aplicação das regras de concurso de crimes. Podem ocorrer nas 
seguintes hipóteses: 
Dolo no antecedente + dolo no consequente 
 
Ex.: Latrocínio (art. 157, § 3º). 
Dolo no antecedente + culpa no consequente 
(crime preterdoloso) 
Ex.: Lesão corporal seguida de 
morte (art. 129, § 3º). 
Culpa no antecedente e culpa no consequente 
Ex.: Incêndio culposo com 
resultado lesão grave ou morte 
(art. 258). 
Culpa no antecedente e dolo no consequente 
(Nucci considera ilógico: “Não se admite, por 
impropriedade lógica, a modalidade culpa na conduta 
antecedente e dolo na consequente. Torna-se 
impossível agir sem desejar o resultado quanto ao fato-
base e almejar, ao mesmo tempo, o resultado 
qualificador”). 
Ex.: Motorista provoca lesão 
corporal culposa e deixa de 
prestar socorro dolosamente (art. 
303, p. único, CTB). 
 
1.8.1. Crime preterdoloso ou preterintencional 
É o crime qualificado pelo resultado que só se desenvolve com dolo na conduta 
antecedente e culpa na conduta consequente. 
O crime qualificado pelo resultado é gênero, do qual o crime preterdoloso é espécie. 
Veja os seus elementos: 
Conduta dolosa visando a um determinado resultado. 
Provocação de resultado (previsível) culposo mais grave que o desejado. 
Nexo causal entre a conduta e o resultado. 
Tipicidade (não se pune crime preterdoloso sem previsão legal). 
 
 
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39 
2. QUESTÕES 
1. (CESPE, Delegado/PF - 2013) No que se refere à teoria geral do crime, julgue o próxima item. 
Segundo a teoria causal, o dolo causalista é conhecido como dolo normativo, pelo fato de existir, 
nesse dolo, juntamente com os elementos volitivos e cognitivos, considerados psicológicos, 
elemento de natureza normativa (real ou potencial consciência sobre a ilicitude do fato). 
- Certo 
- Errado 
 
2. (CESPE, PC/DF - Agente, 2013) Em relação ao direito penal, julgue os próximos itens. 
O crime culposo advém de uma conduta involuntária. 
- Certo 
- Errado 
 
3. (CESPE, Escrivão/PF - 2013) No que concerne a infração penal, fato típico e seus elementos, 
formas consumadas e tentadas do crime, culpabilidade, ilicitude e imputabilidade penal, julgue 
os itens que se seguem. 
A culpa inconsciente distingue-se da culpa consciente no que diz respeito à previsão do 
resultado: na culpa consciente, o agente, embora prevendo o resultado, acredita sinceramente 
que pode evitá-lo; na culpa inconsciente, o resultado, embora previsível, não foi previsto pelo 
agente. 
- Certo 
- Errado 
 
4. (CESPE, PC/BA - Delegado, 2013) Considerando que, em determinada casa noturna, tenha 
ocorrido, durante a apresentação de espetáculo musical, incêndio acidental em decorrência do 
qual morreram centenas de pessoas e que a superlotação do local e a faltade saídas de 
emergência, entre outras irregularidades,tenham contribuído para esse resultado, julgue os 
itens seguintes. 
 
 
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40 
A causa jurídica das mortes, nesse caso, pode ser atribuída a acidente ou a suicídio, descartando-
se a possibilidade de homicídio, visto que não se pode supor que promotores,realizadores e 
apresentadores de shows em casas noturnas tenham, deliberadamente,intenção de matar o 
público presente. 
- Certo 
- Errado 
 
5. (CESPE, PC/BA - Delegado, 2013) Acerca da parte geral do direito penal e seus Institutos, 
julgue o item seguinte. 
As causas ou concausas absolutamente independentes e as causas relativamente 
independentes constituem limitações ao alcance da teoria da equivalência das condições. 
- Certo 
- Errado 
 
6. (MPE-PR, 2016) Analise as assertivas abaixo e indique a alternativa: 
I – Pode-se afirmar que a denominada “tipicidade formal” usualmente referida pela doutrina 
traz os elementos que servem para informar, de forma descritiva, o intérprete da lei a respeito 
da relevância ou irrelevância da conduta para o direito. Ou seja, a correspondência entre a 
previsão legal e a ação constatada no caso concreto recebe usualmente a denominação de 
“tipicidade formal” pela doutrina. 
II – Pode-se afirmar que para Welzel o tipo penal trata-se de uma mera descrição de uma 
realidade ontológica da conduta humana, portanto necessitando incorporar o direcionamento 
da vontade como um de seus elementos de constituição. 
III – A “Teoria da Causalidade Adequada”, uma das espécies das chamadas “Teorias Igualitárias”, 
afirma que ficam excluídas como causa de um resultado as ocorrências extraordinárias, 
referentes ao caso fortuito e força maior. 
IV – A “Teoria da Equivalência dos Antecedentes”, também chamada de “Teoria da conditio sine 
qua non”, sendo uma das espécies das chamadas “Teorias Diferenciadoras”, preconiza que 
causa é tudo aquilo que contribui de alguma forma para o resultado. 
a) Todas as assertivas estão corretas; 
b) Todas as assertivas estão incorretas; 
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41 
c) Apenas as assertivas I, II e IV estão corretas; 
d) Apenas as assertivas III e IV estão incorretas; 
e) Apenas as assertivas I e II estão incorretas. 
 
7. (TJAC.2019) Assinale a alternativa correta. 
a) Os crimes omissivos impróprios dispensam a existência de um resultado e, portanto, não 
necessitam de verificação do nexo de causalidade. 
b) A teoria da imputação objetiva do resultado estabelece os seguintes requisitos: a criação de 
um risco jurídico-penal relevante não coberto pelo risco permitido, a realização desse risco no 
resultado e a independência do resultado produzido entre o âmbito de proteção da norma 
penal. 
c) O Código Penal em vigor admite a concausa como condição concorrente para a produção do 
resultado com preponderância sobre a conduta do sujeito. 
d) De acordo com o Código Penal Brasileiro, a relação de causalidade entre a conduta humana 
e o resultado é uma relação valorada que deve ser aferida conjuntamente com o vínculo 
subjetivo do agente limitada ao dolo ou culpa. 
 
8. (TJBA.2019) João, com a intenção de matar José, seu desafeto, efetuou disparos de arma de 
fogo contra ele. José foi atingido pelos projéteis e faleceu. Considere que, depois de feitos os 
exames necessários, se tenha constatado uma das seguintes hipóteses relativamente à causa da 
morte de José. 
I. Apesar dos disparos sofridos pela vítima, a causa determinante da sua morte foi intoxicação 
devido ao fato de ela ter ingerido veneno minutos antes de ter sido alvejada. 
II. A morte decorreu de ferimentos causados por disparos de arma de fogo efetuados por 
terceiro no mesmo momento em que João agiu e sem o conhecimento deste. 
III. A vítima faleceu em razão dos ferimentos sofridos, os quais foram agravados por sua 
condição de hemofílica. 
IV. A morte decorreu de uma infecção hospitalar que acometeu a vítima quando do tratamento 
dos ferimentos causados pelos tiros. 
Nessa situação hipotética, conforme a teoria dos antecedentes causais adotada pelo CP, João 
responderá pela morte de seu desafeto caso se enquadre em uma das hipóteses previstas nos 
itens: 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
42 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) III e IV. 
d) I, II e IV. 
e) II, III e IV. 
 
9. (2017 - CESPE - PC-MT - Delegado de Polícia) Segundo a teoria da tipicidade conglobante 
proposta por Eugenio Raúl Zaffaroni, quando um médico, em virtude de intervenção cirúrgica 
cardíaca por absoluta necessidade corta com bisturi a região torácica do paciente, é CORRETO 
afirmar que 
a) responde pelo crime de lesão corporal. 
b) não responde por nenhum crime, pois está albergado pela causa de exclusão de ilicitude do 
exercício regular de direito. 
c) não responde por nenhum crime, carecendo o fato de tipicidade, já que não podem ser 
consideradas típicas aquelas condutas toleradas ou mesmo incentivadas pelo ordenamento 
jurídico. 
d) não responde por nenhum crime, pois estará agindo em erro de tipo provocado por terceiro. 
e) não responde por nenhum crime, pois está albergado pela causa de exclusão de ilicitude do 
estado de necessidade. 
 
10. (2012 - FUNCAB - PC-RJ - Delegado de Polícia) A relação de causalidade, estudada no 
conceito estratificado de crime, consiste no elo entre a conduta e o resultado típico. Acerca 
dessa relação, assinale a opção correta. 
a) Para os crimes omissivos impróprios, o estudo do nexo causal é relevante, porquanto o CP 
adotou a teoria naturalística da omissão, ao equiparar a inação do agente garantidor a uma 
ação. 
b) A existência de concausa superveniente relativamente independente, quando necessária à 
produção do resultado naturalístico, não tem o condão de retirar a responsabilização penal da 
conduta do agente, uma vez que não exclui a imputação pela produção do resultado posterior. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
43 
c) O CP adota, como regra, a teoria da causalidade adequada, dada a afirmação nele constante 
de que “o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe 
deu causa; causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”. 
d) Segundo a teoria da imputação objetiva, cuja finalidade é limitar a responsabilidade penal, o 
resultado não pode ser atribuído à conduta do agente quando o seu agir decorre da prática de 
um risco permitido ou de uma conduta que diminua o risco proibido. 
e) O estudo do nexo causal nos crimes de mera conduta é relevante, uma vez que se observa o 
elo entre a conduta humana propulsora do crime e o resultado naturalístico. 
 
11. (2016 - CESPE - DPC-PE) São elementos do fato típico, exceto: 
a) conduta. 
b) resultado. 
c) tipicidade. 
d) nexo causal. 
e) antijuricidade. 
 
12. (DPC-SP, 2018 – VUNESP) “Existe_________ quando o agente prevê o resultado, mas espera, 
sinceramente, que não ocorrerá; configura- se _________ quando a vontade do agente não está 
dirigida para a obtenção do resultado, pois ele quer algo diverso, mas, prevendo que o evento 
possa ocorrer, assume assim mesmo a possibilidade de sua produção.”Assinale a alternativa que correta e respectivamente completa as lacunas. 
a) dolo indireto ... dolo alternativo 
b) dolo eventual ... culpa consciente 
c) culpa inconsciente ... culpa consciente 
d) culpa consciente ... dolo eventual 
e) culpa inconsciente ... dolo eventual 
 
13. (2018 - FUMARC - PC-MG - Delegado de Polícia) NÃO é um elemento do tipo culposo de 
crime: 
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44 
a) Conduta involuntária. 
b) Inobservância de dever objetivo de cuidado. 
c) Previsibilidade objetiva. 
d) Tipicidade. 
14. (FCC, TJ-SC, 2015) O elemento subjetivo derivado por extensão ou assimilação decorrente 
do erro de tipo evitável nas descriminantes putativas ou do excesso nas causas de justificação 
amolda-se ao conceito de: 
a) culpa imprópria. 
b) dolo eventual. 
c) culpa inconsciente. 
d) culpa consciente. 
e) dolo direto. 
 
15. (MPE-RS, 2017) Assinale a alternativa INCORRETA. 
a) Para a teoria da conditio sine qua non, se a vítima morre quando poderia ter sido salva, caso 
levada, logo após o fato, a atendimento médico, responde o agente da ação com animus necandi 
por homicídio consumado. Mas, se levada a socorro em hospital, morresse por efeito de 
substância tóxica ministrada por engano pela enfermeira, o agente responderia por tentativa de 
homicídio e não por homicídio consumado. 
b) Para a teoria da imputação objetiva, o ato de imputar significa atribuir a alguém a realização 
de uma conduta criadora de um risco relevante e juridicamente proibido e a produção de um 
resultado jurídico. Pressupõe um perigo criado pelo agente e não coberto por um risco 
permitido dentro do alcance do tipo. O risco permitido conduz à atipicidade, e o risco proibido, 
quando relevante, à tipicidade. A imputação objetiva constitui elemento normativo implícito do 
tipo penal. 
c) Os princípios da adequação social e da insignificância, sugeridos pela doutrina, servem de 
instrumentos de interpretação restritiva do tipo penal, que afetam a tipicidade formal do fato. 
d) Para a teoria do domínio do fato, autor é quem executa a ação típica, por conduta própria ou 
pela utilização de outro como instrumento de realização; também quem, mesmo não 
executando o fato típico em sentido estrito, participa da resolução criminosa, realizando parte 
necessária da execução do plano global. A teoria, partindo do conceito restritivo de autor, segue 
um critério objetivo-subjetivo. 
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45 
e) Para a teoria finalista, ação é a conduta do homem, comissiva ou omissiva, dirigida a uma 
finalidade e desenvolvida sob o domínio da vontade do agente, razão pela qual não reputa 
criminosa a ação ocorrida em estado de inconsciência, como no caso de quem, durante o sono, 
sonhando estar em legítima defesa, esbofeteia e causa lesão corporal na pessoa que dorme ao 
seu lado. Para esta mesma teoria, a culpabilidade não é psicológica, nem psicológico-normativa. 
 
16. (VUNESP, TJ-SP, 2015) Assinale a alternativa correta. 
a) Norma penal em branco é aquela cujo preceito secundário do tipo penal é estabelecido por 
outra norma legal, regulamentar ou administrativa. 
b) A teoria da imputação objetiva consiste em destacar o resultado naturalístico como objeto 
do bem jurídico penalmente tutelado. 
c) Da Constituição Federal de 1988 pode-se extrair a garantia à sociedade pela aplicação do 
princípio da não fragmentariedade, consistente na proteção de todos os bens jurídicos e 
proteção dos interesses jurídicos. 
d) O Código Penal Brasileiro adotou a teoria do resultado para aferição do tempo do crime, 
conforme se depreende do art. 4º do mencionado Código. 
e) A tipicidade conglobante é um corretivo da tipicidade legal, posto que pode excluir do âmbito 
do típico aquelas condutas que apenas aparentemente estão proibidas. 
 
17. (MPE-SP, 2015) São elementos do fato típico: 
a) conduta, resultado, relação de causalidade e tipicidade. 
b) conduta, resultado, relação de causalidade e culpabilidade. 
c) conduta, resultado, antijuridicidade e culpabilidade. 
d) conduta, resultado, nexo de causalidade e antijuridicidade. 
e) conduta, relação de causalidade, antijuridicidade e tipicidade. 
 
18. (MPE-SP, 2015) Após a leitura dos enunciados abaixo, assinale a alternativa correta: 
I- A teoria finalista, no conceito analítico de crime, o define como um fato típico e antijurídico, 
sendo a culpabilidade pressuposto da pena. 
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46 
II- A teoria clássica, no conceito analítico de crime, o define como um fato típico, antijurídico e 
culpável. 
III- A teoria clássica entende que a culpabilidade consiste em um vínculo subjetivo que liga a 
ação ao resultado, ou seja, no dolo ou na culpa em sentido estrito. 
IV- A teoria finalista entende que, por ser o delito uma conduta humana e voluntária que tem 
sempre uma finalidade, o dolo e a culpa são abrangidos pela conduta. 
V- A teoria finalista entende que pode existir crime sem que haja culpabilidade, isto é, 
censurabilidade ou reprovabilidade da conduta, inexistindo, portanto, a condição indispensável 
à imposição e pena. 
a) Somente o II e o III são verdadeiros. 
b) Somente o I e o IV são verdadeiros. 
c) Somente o I, IV e V são verdadeiros. 
d) Somente o I e II são verdadeiros. 
e) Todos são verdadeiros. 
 
19. (MPE-MG, 2021) Quanto ao dolo, é INCORRETO afirmar: 
a) No dolo direto de segundo grau, o agente representa que o resultado ilícito colateral 
seguramente ocorrerá, mesmo que o resultado principal, por ele buscado, não se concretize. 
b) Segundo a doutrina majoritária, no dolo eventual, o agente representa o resultado ilícito 
como possível e leva a sério a possibilidade de sua realização, conformando-se com ele. Já na 
culpa consciente, o agente representa o resultado ilícito como possível, mas confia seriamente 
que não ocorrerá, e não se põe de acordo com ele. 
c) No dolo direto de primeiro grau, o resultado buscado pode ser uma etapa intermediária 
(meio) para a obtenção do objetivo final. 
d) Embora se exija a coincidência entre o dolo e o fato (princípio da simultaneidade), e ainda 
que, por tal razão, sejam inadmissíveis o dolus antecedens e o dolus subsequens, a presença do 
dolo no transcorrer de toda a fase executiva é dispensável, bastando que o agente ponha em 
marcha o processo de causação do resultado, mesmo que abandone o curso causal à própria 
sorte. 
 
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47 
20. (FGV - DPC-RN, 2021) Lidiane, exímia nadadora, convida sua amiga Karen para realizarem a 
travessia a nado de um rio, afirmando que poderia socorrê-la caso tivesse qualquer dificuldade. 
Durante a travessia, Karen e Lidiane foram pegas por um forte redemoinho que as puxou para 
o fundo do rio. Lidiane conseguiu escapar, mas, em razão da forte correnteza, não conseguiu 
salvar Karen, que veio a falecer por afogamento. 
Considerando o fato acima narrado, Lidiane: 
a) será responsabilizada pelo homicídio de Karen por omissão imprópria, visto que criou a 
situação de perigo e assumiu a posição de garantidora; 
b) assumiu a função de garantidora, devendo responder pela omissão de socorro com resultado 
morte;c) assumiu a função de garantidora, mas não responderá pela morte de Karen, pois estava 
impossibilitada de agir; 
d) não será responsabilizada pela morte de Karen, visto que não possuía o dever de agir; 
e) não assumiu a função de garantidora, devendo, contudo, responder pelo crime de omissão 
de socorro com resultado morte. 
3. GABARITO COMENTADO 
 
1. – Certo. Efetivamente, “De acordo com a doutrina, “Segundo a teoria causal, o dolo 
causalista é conhecido como dolo normativo, pelo fato de existir no dolo, juntamente com os 
elementos volitivos e cognitivos, considerados psicológicos, um elemento de natureza 
normativa (real ou potencial consciência sobre a ilicitude do fato) ” – (justificativa da CEBRASPE) 
2. - Errado. Vimos que no crime culposo apenas o resultado é involuntário, sendo 
necessária uma conduta voluntária prévia, sob pena de responsabilidade objetiva. 
3. – Certo. Veja um trecho da justificativa do CESPE: “Referida questão há de ser 
considerada correta, porquanto, conforme a melhor doutrina, distingue a culpa inconsciente da 
culpa consciente no que diz respeito a previsão do resultado; naquela, o resultado, embora 
previsível, não foi previsto pelo agente; nesta, o resultado é previsto, mas o agente acredita 
sinceramente na sua não ocorrência, não o deseja, tampouco assume o risco de produzi-lo”. 
4. - Errado. É simples imaginar a hipótese de homicídio culposo quando há negligência 
dos admintradores do local em manter uma lotação segura, por exemplo. Ademais, segundo o 
art. 13, §2º, ‘c’, do CP, “a omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir 
para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem com seu comportamento anterior, 
criou o risco da ocorrência do resultado”. 
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5. - Certo. Efetivamete, as concausas absoluta e relativamente independentes visam 
limtar o alcance da conditio sine qua non, pois evitam a responsabilização objetiva do agente 
quando são outras as razões que efetivamente causam lesões ao bem jurídico protegido. 
6. Letra "D". 
Item I - Certo. Tipicidade formal é a correspondência entre a previsão legal abstrata e 
o fato praticado. A tipicidade material leva em consideração, ainda, a efetiva lesão ou perigo de 
lesão a um bem jurídico tutelado. 
Item II - Certo. O finalismo de Welzel preceitua que a conduta é a ação ou omissão 
voluntária e consciente, com uma finalidade. A conduta é pré-existente ao próprio tipo penal 
(ontológica). 
Item III - Errado. A teoria da causalidade adequada é uma teoria diferenciadora, ou 
seja, não considera equivalentes todos os antecedentes. O nexo de causalidade é normativo, 
incluindo apenas o que for adequado a produzir o resultado. 
Item IV - Errado. A teoria da equivalência dos antecedentes é uma teoria igualitária, 
segundo a qual é causa tudo aquilo que influenciou para a produção do resultado. 
7. Letra "D". 
(A) Os crimes omissivos impróprios, ou comissivos por omissão, são aqueles praticados 
pelos agentes garantidores, conforme art. 13, §2º, CP. Nesse sentido, exigem o resultado e o 
nexo entre este e a conduta daquele que deixou de agir quando deveria. 
(B) Na concepção de Roxin, a teoria da imputação objetiva estabelece três requisitos 
básicos para a imputação objetiva do resultado, que representam, em realidade, três grandes 
grupos de problemas: 1) a criação de um risco jurídico-penal relevante, não coberto pelo risco 
permitido; 2) a realização desse risco no resultado; e 3) que o resultado produzido entre no 
âmbito de proteção da norma penal. É este item 3 que torna a opção incorreta. 
(C) Não há preponderância da causa sobre a conduta, porquanto o CP adota o finalismo 
e não o causalismo. Tanto é assim que, na forma do art. 13, §1º, CP, a superveniência de causa 
relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado. 
(D) Correta, em face da adoção do finalismo. 
8. Letra "C". No Código Penal, acolheu-se, como regra, a teoria da equivalência dos 
antecedentes. É o que se extrai do art. 13, caput, in fine: “Considera-se causa a ação ou omissão 
sem a qual o resultado não teria ocorrido”. Mas atenção, excepcionalmente, o Código Penal 
adota, no § 1.º do art. 13, a teoria da causalidade adequada. 
(I) Na hipótese, conforme a teoria dos antecedentes causais adotada pelo CP, João 
responderia por homicídio tentado. Trata-se de causa absolutamente independente 
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preexistente, assim, o resultado naturalístico ocorre independentemente da conduta do agente. 
A causa surge de forma autônoma, isto é, não se liga ao comportamento criminoso do agente. 
E, por serem independentes, produzem por si sós o resultado material. Por corolário, deve ser 
imputado ao agente somente o ato praticado, e não o resultado naturalístico, em face da quebra 
da relação de causalidade. 
(II) Na hipótese, conforme a teoria dos antecedentes causais adotada pelo CP, João 
responderia por homicídio tentado. Trata-se de causa absolutamente independente 
concomitante, assim, o resultado naturalístico ocorre independentemente da conduta do 
agente. A causa surge de forma autônoma, isto é, não se liga ao comportamento criminoso do 
agente. E, por serem independentes, produzem por si sós o resultado material. Por corolário, 
deve ser imputado ao agente somente o ato praticado, e não o resultado naturalístico, em face 
da quebra da relação de causalidade. 
(III) Na hipótese, conforme a teoria dos antecedentes causais adotada pelo CP, João 
responderia por homicídio consumado. Trata-se de causa relativamente independente 
preexistente. Incide a teoria da equivalência dos antecedentes ou da conditio sine qua non, 
adotada como regra geral no tocante à relação de causalidade (CP, art. 13, caput, in fine). O 
agente responde pelo resultado naturalístico, pois, suprimindo-se mentalmente a sua conduta, 
o resultado não teria ocorrido como e quando ocorreu. 
(IV) Na hipótese, conforme a teoria dos antecedentes causais adotada pelo CP, João 
responderia por homicídio consumado. Trata-se de uma causa dependente, que é a que emana 
da conduta do agente, dela se origina, razão pela qual se insere no curso normal do 
desenvolvimento causal. Existe dependência entre os acontecimentos, pois sem o anterior não 
ocorreria o posterior. Desse modo, não exclui a relação de causalidade. 
9. Letra “C”: Segundo a teoria de Zaffaroni, para a teoria da tipicidade conglobante, o 
exercício regular do direito passa a fazer parte da tipicidade (conglobante), e não da ilicitude. 
Assim, o médico, no caso narrado, por exercer regularmente a profissão para a qual se habilitou, 
comete fato atípico. 
10. Letra “D”: A finalidade da imputação objetiva é restringir a responsabilidade penal 
e, como afirmado no material, é necessário criar um risco proibido com a ação, sendo também 
necessário que ele realmente dê ensejo ao resulta a que se quis evitar com a norma penal. Nos 
crimes de mera conduta, não faz sentido avaliar o nexo causal, pois o resultado material é 
irrelevante para a sua ocorrência. A causalidade adequada é exceção no Direito brasileiro, sendo 
a equivalência dos antecedentes causais a regra. 
11. letra “E”: Antijuridicidade é sinônimo de ilicitude, não sendo, portanto, elemento 
da tipicidade, mas, sim, outro elemento do conceito analítico de crime. Lembre que os 
elementos do fato típico são lembrados com o mnemônico “CONERETI”: Conduta, nexo causal, 
resultado e tipicidade. 
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12. Letra “D”: A questão traz os próprios conceitos de culpa consciente (previsão da 
situação + sinceramente acredita que não ocorrerá) e dolo eventual (querer algo diversos + 
assunção do risco). Maiores detalhes estão na parte pertinente desse material. 
13. Letra “A”: No crime culposo a conduta deve ser voluntária. Não é elemento do 
crime culposos a involuntariedade da conduta. 
14. Resposta - Letra "A". Na culpa imprópria, o agente pretende atingir determinado 
resultado porque está envolvido pelo erro evitável/inescusável, decorrente de sua desatenção. 
Em outras palavras, o agente quer o resultado, mas sua vontade está viciada por um erro, que 
poderia ser evitado com o cuidado necessário. Exemplo: sujeito vê homem caminhando em sua 
direção à noite. O homem coloca a mão no bolso. Sujeito pensa que vai sacar uma arma e, 
antecipando-se, dispara e mata o homem. Ao se aproximar, percebe que ele ia retirar um lenço 
do bolso. Sendo o erro escusável/inevitável, estará caracterizada a legítima defesa putativa (art. 
20, § 1º), inexistindo punição. Contudo, sendo o erro evitável/inescusável, deve haver punição 
a título de culpa. É a denominada culpa imprópria (culpa com previsão do resultado). 
15. Resposta - Letra "C". Os princípios da adequação social e da insignificância excluem 
a tipicidade material. 
16. Resposta - Letra “E”. A tipicidade conglobante considera atípicas condutas não 
proibidas pelo ordenamento como um todo. Por essa teoria, o exercício regular de direito e o 
estrito cumprimento de dever legal são causas de exclusão da tipicidade. 
17. Resposta - Letra "A". Segundo entendimento majoritário, integram o fato típico: 
conduta, resultado, relação de causalidade e tipicidade. Para a teoria finalista, deve-se incluir 
ainda o dolo e a culpa. Antijuridicidade e Culpabilidade são substratos autônomos do crime, não 
elementos do fato típico. 
18. Resposta - Letra "E". Percebe-se que o examinador adotou a teoria finalista 
bipartite como "verdade absoluta". Sob essa ótica, todas estão corretas. Examinamos as diversas 
correntes em tópico destacado. 
19. Resposta - Letra "A". A alternativa está incorreta, porque no dolo direto de 2º grau, 
o resultado ilícito secundário é uma espécie de efeito colateral certo e necessário do meio de 
execução escolhido pelo agente. 
20. Resposta - Letra "C". Ficou claro que Lidiane assumiu a posição de garantidora, 
mas ficou impossibilitada de salvar Karen, por conta do redemointo e da forte correnteza, que 
podem ser enquadrados como força maior. Vejam o art. 13º, §2º: “A omissão é penalmente 
relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado”.

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