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Princípios Gerais da Oncologia Você vai entender o início e o desenvolvimento dos tumores, desde as alterações genéticas até os mecanismos de reparo, bem como a epidemiologia, o diagnóstico e os tipos de tratamento contra o câncer. Prof. Edgard Alencar 1. Itens iniciais Propósito O entendimento sobre o câncer em todas as suas nuances é indispensável para formação de todos os profissionais de saúde. Compreender os aspectos moleculares, as estratégias diagnósticas e os tratamentos possibilita uma atuação profissional mais humanizada e assertiva diante de um conjunto de doenças que despertam imensa preocupação global. Preparação Antes de iniciar seus estudos em oncologia, pesquise e acesse o Dicionário de Termos Linguísticos, disponível no Portal da Língua Portuguesa, para entender termos específicos da área. Objetivos Identificar a origem e as habilidades da célula tumoral. Reconhecer a epidemiologia, o diagnóstico e os tratamentos do câncer. Introdução A oncologia é uma ciência da saúde que estuda o câncer em todas as suas vertentes, mesclando diversas áreas do conhecimento. Por isso, neste conteúdo, entenderemos os principais aspectos da biologia celular, da biologia molecular e dos bioquímicos relacionados à origem das células tumorais, processo chamado de carcinogênese. Esse entendimento é primordial para compreensão das diferentes modalidades de diagnóstico e tratamentos disponíveis no cenário atual. Além disso, abordaremos os impactos epidemiológicos do câncer no Brasil e no mundo, contextualizando esses dados com as técnicas de rastreio, diagnóstico e modalidades de tratamento. Por fim, esses saberes interdisciplinares servirão de base para o aprofundamento na temática e para a formação de profissionais de saúde aptos à atuação na área oncológica. • • 1. Carcinogênese e bases moleculares do câncer Estágios da carcinogênese O câncer O enfrentamento do câncer é um dos principais desafios de saúde global, se expandindo entre os países independentemente de suas condições socioeconômicas. Atualmente, o câncer é a doença não transmissível responsável por grande parte das mortes ao redor do mundo. O câncer pode ser definido como uma entidade patológica, pois representa diferentes patologias que compartilham algumas características em comum, sendo a de maior relevância a proliferação celular atípica, ou seja, com um padrão diferente da proliferação que ocorre em células sadias. Embora essas patologias sejam agrupadas em um grande grupo chamado câncer, as características moleculares de cada tipo de câncer em específico implicam manifestações clínicas distintas, diferentes resultados frente aos tratamentos disponíveis e desfechos também bastante variados. Por esse motivo, é preciso compreender os mecanismos promotores dessas alterações moleculares, que permitem o desenvolvimento de células atípicas, bem como as estratégias de sobrevivência destas células nos tecidos. Chamamos esse processo de formação da célula tumoral de carcinogênese, um processo complexo e multifatorial, que requer uma maior elaboração para que seja efetivamente compreendido. Etapas da carcinogênese Para compreendermos como se formam as células tumorais, precisamos inicialmente considerar que o processo de carcinogênese se caracteriza por etapas ou caminhos interligados entre si. Como surge um câncer? Neste vídeo, você vai compreender o que é o câncer e as etapas envolvidas no processo de carcinogênese. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Conforme as alterações moleculares e celulares que as células sofrem, essas etapas podem ser elencadas em quatro fases: iniciação, promoção, progressão e metástase. Vamos compreender melhor cada uma delas a seguir. Iniciação É a fase que se refere à primeira modificação genética de uma célula sadia, podendo ser uma mudança, alteração ou mutação de genes específicos. A origem desse processo pode ser aleatória ou espontânea, uma vez que as células são capazes de se dividir via mitose, no caso de células somáticas; ou via meiose, no caso de células germinativas. Entretanto, a etapa de iniciação pode ser induzida pela presença ou exposição a fatores capazes de induzir mutações, chamados de mutagênicos. Promoção É uma fase intermediária na qual as células iniciadas começam um processo de divisão celular e fazem cópias de si mesmas. Essa fase é lenta e leva ao acúmulo de células pré-neoplásicas, pois nela ainda é possível observar a correção dessas modificações genéticas, seja por substâncias antioxidantes endógenas como vitaminas ou por mecanismos intracelulares de reparo de DNA. Progressão É a etapa na qual as transformações sofridas pelas células pré-neoplásicas são consolidadas, ao invés de reparadas. Nesse momento, estamos diante das células neoplásicas que expressam características de malignidade, como: Estímulo à intensa proliferação. Evasão dos mecanismos de reparo de material genético. Silenciamento de etapas de controle de divisão celular. Metástase É um processo ocasionado pela migração das células neoplásicas pela corrente sanguínea ou pelo sistema linfático até outros tecidos, próximos ou distantes de onde a célula neoplásica se formou. A imagem a seguir mostra resumidamente como se dá o processo de carcinogênese. Em linhas gerais, o processo de carcinogênese pode ser dividido em três tipos principais: Carcinogênese química Processo relacionado ao desenvolvimento de alterações genéticas em células sadias após serem expostas a substâncias químicas, como nicotina e amianto, indutores de tumores de pulmão; e etanol, indutor de tumores de cabeça e pescoço. Carcinogênese física Processo relacionado ao desenvolvimento das alterações genéticas em células sadias após serem expostas a fenômenos físicos como radiação ultravioleta ou radiação ionizante. Podemos citar como exemplo os tumores de pele associados à exposição a raios ultravioletas solares e o desenvolvimento de tumores hematológicos provenientes da radiação ionizante de tratamentos que utilizam substâncias radioativas. Carcinogênese biológica Processo relacionado ao desenvolvimento das alterações genéticas em células sadias após serem expostas a infecções ou inflamações recorrentes. Por exemplo, a relação entre a infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV) e o desenvolvimento de tumores de colo de útero. Ou a relação entre as doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn, e o desenvolvimento de tumores de cólon. Tipos de Tumores Neste vídeo, você vai compreender como é feita a classificação dos tumores e as principais diferenças entre os parâmetros dos tumores benignos e malignos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Classificação dos tumores • • • Uma das classificações iniciais mais significativas para os tumores é a sua divisão em tumores benignos e malignos. Essa classificação leva em consideração os seguintes aspectos: Características morfológicas típicas e atípicas. Características relacionadas ao processo de divisão celular. Capacidade de desenvolvimento de metástase. Confira na tabela as principais diferenças entre tumores benignos e malignos. Atenção Apesar da utilização do termo benigno, esses tumores podem estar associados a complicações fisiológicas importantes, como a compressão de estruturas medulares e descompensações hormonais significativas. Classificação dos tumores malignos Uma segunda classificação dos tumores, também de grande relevância, leva em consideração aspectos genéticos, classificações histológicas, morfológicas e moleculares. De forma didática, tendo em vista as características morfológicas e histológicas, os tumores podem ser classificados segundo os tipos de células ou sistemas que os originaram em tumores sólidos ou hematológicos. Tumores sólidos São maciços celulares anormais, que podem ser encontrados em diferentes órgãos ou cavidades do nosso organismo, e não estão relacionados aos sistemas hematológico e linfático. Integram essa classificação muitostipos de doenças oncológicas, caracterizadas por diferentes tipos celulares de origem. São exemplos de tumores sólidos os tumores da mama feminina, o tipo de câncer mais incidente no mundo, representando quase 12% de todos os tumores. Ainda dentro dessa classificação, é possível caracterizar os tumores sólidos conforme os tecidos originários, tais quais: Carcinoma Tipo mais comum de tumor, originado a partir de células de revestimento, como tecido epitelial e tecidos de mucosas. Quando associado à tecidos epiteliais glandulares, o tumor recebe o nome de adenocarcinoma. Exemplo: adenocarcinoma de próstata. Sarcomas Tipo de tumor que se origina de células de suporte, como tecido ósseo, muscular, adiposo etc. Exemplo: osteosarcoma. • • • https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/39985/img/tabela_01.pdf Tumores de células germinativas Tipo de tumor que é proveniente de células gonadais (ovários ou testículos) ou de tecidos extragonadais, indicando falhas na embriogênese. Exemplo: seminoma. Glioma Tipo de tumor proveniente de células gliais, tipo de célula nervosa presente no cérebro e na medula espinhal. Exemplo: glioblastoma. Neuroblastoma Tipo de tumor sólido pediátrico, que se desenvolve a partir de células embrionárias do sistema nervoso. Exemplo: neuroblastoma adrenal. Melanoma Tipo de tumor oriundo dos melanócitos, que são células produtoras de pigmentos. Exemplo: melanoma maligno da pele. Tumores hematológicos Também podem ser chamados de hematopatias malignas ou neoplasias da hematopoiese. Originam-se das mutações ocorridas em células da medula óssea ou células linfoides presentes na periferia do organismo e podem ser classificados como: Leucemias Células tumorais de origem hematopoiética que descompensam a produção de leucócitos via processos de transformação celular. Exemplo: leucemia mieloide aguda. Linfomas Tumores hematológicos relacionados aos linfócitos T, com ampla distribuição pelo organismo. Esse tipo de neoplasia hematológica pode ser dividido em dois grupos: Linfomas de Hodgkin Linfomas não Hodgkin • • Mielomas Tumores que possuem origem nos plasmócitos, células produtoras de anticorpos localizadas comumente na medula óssea. Exemplo: mieloma múltiplo. Instabilidades genéticas e câncer Neste vídeo, você vai compreender o funcionamento do processo de mutação e o impacto que pode ter no desenvolvimento de tumores. Além disso, você vai descobrir o papel dos oncogenes e dos genes supressores de tumor na oncogênese, e como ocorrem as modificações pós-transcricionais envolvidas nesse processo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Instabilidade genética Mutações são processos celulares que alteram de forma significativa o material genético no núcleo das células, podendo ocorrer tanto de forma espontânea como induzida. Assim, quanto mais divisões uma célula realiza, maior a chance de que essas alterações ocorram, as quais chamamos mutações. Tais erros que caracterizam as mutações podem ser irreparáveis e incompatíveis com a vida, sendo esse um momento crucial para que a célula entre em processo de apoptose. Entretanto, quando os erros são irreparáveis e essas mutações são compatíveis com a vida, as células que apresentam mutações tornam-se diferentes das células que as originaram. Esse tipo de mutação pode ser especialmente problemático e estar associado à malignidade, caso envolva a hiperexpressão de algum segmento gênico ou a supressão de outro. As possibilidades são múltiplas e influenciam consideravelmente a oncogênese. Apoptose Morte celular programada. Vejamos a seguir algumas das principais mutações no DNA que promovem o desenvolvimento de tumores: Substituições de bases A substituição de um único par de bases em um determinado gene do DNA pode promover a formação de um aminoácido diferente. Isso pode suprimir a formação de determinada proteína ou formá-la incapaz de cumprir sua função integral. Deleções genéticas grosseiras Processo de mutação em que ocorrem perdas de segmentos gênicos de determinada região do DNA, impedindo a sua decodificação. Deleções genéticas pequenas Nosso genoma possui regiões repetidas de DNA, chamadas microssatélites. Essas regiões são mais propensas a mutações, podendo sofrer deleções ou inserções de pares de bases. Inserções Processo de mutação em que ocorre a inserção de pares de bases em segmentos gênicos específicos. Esse fenômeno é mais comum em regiões de microssatélite. Conversão de genes Fenômeno mutacional importante, que envolve a troca de um segmento gênico por outro. Apesar de os danos às fitas de DNA serem frequentes, nossas células possuem mecanismos de correção. Um exemplo desse mecanismo é a recombinação homóloga, que repara duplas fitas de DNA que porventura estejam quebradas, seja durante a replicação ou quando expostas à radiação, por exemplo. Esse mecanismo faz a junção das fitas rompidas, trazendo normalidade ao processamento do material genético. Curiosidade Em 2013, a atriz estadunidense Angelina Jolie anunciou aos tabloides a retirada profilática das mamas em razão de uma mutação gênica importante evidenciada em exames genéticos. A atriz apresentava mutações no gene BRCA1, que indicam uma probabilidade alta de desenvolvimento de tumores de mama. O gene BRCA1, em condições de normalidade, está relacionado aos mecanismos de reparo de mutações, suprimindo a formação de tumores e promovendo o reparo das fitas de DNA rompidas por recombinação homóloga. Oncogenes e genes supressores de tumor De uma forma geral, as células sadias possuem genes reguladores específicos associados ao processo de proliferação e diferenciação. Esses genes podem auxiliar na proliferação celular (os proto-oncogenes) ou na supressão dessa etapa (genes supressores de tumor). No câncer, é possível identificar mutações nesses genes que estimulam de forma exacerbada a proliferação e a supressão do controle apoptótico, uma combinação de eventos que leva as células modificadas a proliferar intensamente, tendendo a imortalidade. Em situações normais, células que apresentam mutações sofrem a ação de proteínas supressoras de tumor, que são derivadas de genes supressores de tumor. Ao inibir a proliferação celular, essas proteínas impedem que a mutação seja replicada. Segundo o dogma central da biologia molecular, os genes levam, após múltiplas etapas, à formação de proteínas. No caso da geração de tumores, daremos ênfase aos oncogenes e aos genes supressores de tumor e sua relação com a produção de proteínas que atuarão no controle do ciclo celular e na regulação da apoptose. Vamos chamá-las de oncoproteínas. Agora, vamos conhecer mais sobre essas diferenças: Proto-oncogenes São genes que estimulam sinais intracelulares que culminam no estímulo aos fatores de crescimento. Podem sofrer mutações e se tornar oncogenes, ou seja, genes específicos que promovem o desenvolvimento de proteínas atípicas nas células, transformando-as em tumores por estimular o avanço do ciclo celular e, consequentemente, em novas cópias da célula por meio da mitose. Ainda como oncogenes, destacam-se aqueles que são antiapoptóticos (impedem que a apoptose ocorra). São exemplos de enorme relevância em oncologia os oncogenes que formam as proteínas RAS, que atuam como estimulante à progressão do ciclo celular, fazendo com que uma célula adquira intensa capacidade proliferativa. Outro oncogene de destaque leva à produção da proteína BCL-2, que atua como freio da apoptose, promovendo imortalidade às células tumorais que expressam esse oncogene. Genes supressores de tumor Atuam de forma contrária aos oncogenes. Em células sadias, esses genes são especialmente úteis em retardar a proliferação celular, impedindo que eventuais mutações sejam perpetuadas e promovendo ainda o reparo do DNA mutado. Quando ativados, esses genes produzem proteínas de grande relevância, como a proteína Rb-1, a proteína p27 e a proteína p53. A proteína p53 ocupa uma posição de destaque nas investigações genéticas,e as mutações mais frequentes observadas em tumores malignos são as que ocorrem nos genes que a codificam. As proteínas supressoras de tumor possuem mecanismos intracelulares bastante robustos e retardam a progressão do ciclo celular de diferentes formas, por exemplo, pelo impedimento da síntese de enzimas envolvidas na replicação do material genético. Entretanto, quando mutações são observadas nos genes supressores de tumor, as proteínas formadas por esses genes são expressas de forma equivocada ou suprimidas. Esses processos contribuem para a desregulação da apoptose, o aumento da proliferação celular e a sobrevivência das células tumorais. Em resumo, as mutações das células tumorais podem promover o aumento da expressão dos oncogenes e o silenciamento da expressão dos genes supressores de tumor, atuando respectivamente como acelerador de uma etapa e freio da outra. Modificações pós-transcricionais Sabemos que os oncogenes e os genes supressores de tumor atuam estimulando ou inibindo a proliferação celular. Essas atividades se dão por meio de manipulação genética e estão relacionadas ao processo de transformações gênicas, especialmente transcricionais. Relembrando O processo de transcrição é aquele no qual se produz uma molécula simples de RNA (ácido ribonucleico), utilizando-se uma das fitas do DNA como molde. Já o processo de tradução é aquele no qual o RNA mensageiro (mRNA) é convertido em proteínas. Os avanços da biologia molecular permitem compreender que, após a etapa de transcrição, o RNA formado deve passar por algumas etapas de processamento para tornar-se completamente viável. Em linhas gerais e com base nas estruturas que compõem o mRNA, as modificações podem ser agrupadas em três grupos: Etapa 1 Adição do cap 5’. Também chamado de capacete 5, trata-se de uma modificação na extremidade 5’ da molécula de mRNA realizada para manter a estabilidade da molécula e facilitar as próximas etapas de tradução. Etapa 2 Adição da cauda Poli-A. Assim como a adição de cap 5’, a adição de poliadenosinas na extremidade 3’ mantém a estabilidade da molécula e facilita a produção de proteínas. Etapa 3 Splicing. Os genes possuem regiões codificantes e não codificantes, chamadas éxons e íntrons, respectivamente, e que se intercalam. Para traduzir em proteínas, os éxons orientam a ordem de adição dos aminoácidos. Já os íntrons são regiões não codificadoras localizadas entre os éxons, que são retirados no processo de splicing, formando o mRNA maduro, apto à síntese de proteínas. Uma abordagem interessante é evidenciada pela atividade dos pequenos RNAs reguladores, como o microRNA (ou miRNA), que são moléculas de RNA que não codificam proteínas, mas regulam a expressão gênica e as traduções. No processo de carcinogênese, os miRNAs se ligam a mRNAs, levando à degradação desses e impedindo a produção de proteínas. Quando os miRNAs se ligam a mRNAs que levariam a produção de proteína supressoras de tumor, a sua tradução é interrompida e a célula adquire capacidade proliferativa exacerbada. Se por um lado, a ligação do miRNA ao sítio promotor de um gene promove um efeito positivo na transcrição desse gene, ou seja, mais cópias de determinado mRNA serão produzidas; por outro, quando esses miRNAs se ligam a regiões promotoras de oncogenes, mais proteínas oncogênicas serão formadas e uma maior progressão tumoral será observada. Existem outros tipos de RNA importantes, como os pequenos RNAs de interferência, conhecidos como siRNAs, que estão relacionados à destruição do RNA mensageiro, realizando essa atividade ao clivar especificamente determinado segmento gênico, evitando assim que estes sejam traduzidos em proteínas. Alguns reguladores pós-transcricionais já são conhecidos, entretanto não há conhecimento suficiente sobre eles e suas funcionalidades a ponto de consolidá-los como novos alvos terapêuticos. Indutores de instabilidade genética Neste vídeo, você vai descobrir quais são os tipos de indutores de instabilidade genética e qual seu papel na oncogênese. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Agora que já conhecemos as modificações moleculares intracelulares que causam o câncer, é preciso compreender como os agentes carcinogênicos induzem essas transformações. De uma forma geral, os danos ao material genético das células podem ser endógenos ou exógenos. Endógenos quando os indutores de mutação são produzidos pelas células e exógenos quando são obtidos através do ambiente. Agentes carcinogênicos Agentes indutores de mutações que contribuem para o desenvolvimento dos tumores. Para melhor uma compreensão, dividiremos os agentes que induzem mutações em três grupos: químicos, físicos e biológicos. Agentes químicos São substâncias que interagem com o DNA, causando modificações compatíveis com processos oncogênicos. Espécies reativas de oxigênio (EROs) Um exemplo importante de moléculas endógenas que cumprem essa função são as espécies reativas de oxigênio (EROs). Embora sejam produtos do metabolismo celular normal, em condições de estresse oxidativo ocorre a produção exacerbadas dessas espécies, o que causa danos ao DNA. Destacam-se como EROs importantes os ânions peróxido e superóxido, entre outras espécies químicas que são reativas e interagem com o DNA causando lesões incompatíveis com os processos biológicos de transcrição e tradução normais. Por muito tempo, essas substâncias foram chamadas de radicais livres, devido à sua capacidade de se ligarem ao DNA. Essa ligação pode ocorrer diretamente às bases nitrogenadas (o que induz mudanças nessas bases), promover ligações cruzadas entre as fitas duplas ou causar quebras nos filamentos do DNA. Álcool e nicotina Outros agentes químicos bastante conhecidos são a nicotina e o álcool, duas substâncias psicoativas lícitas, mas sabidamente carcinogênicas. Por seu potencial mutagênico, o tabagismo e o etilismo apresentam forte relação com o desenvolvimento de tumores de pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, entre outros. Poluição, metais pesados e conservantes alimentícios Do ponto de vista ambiental, é possível destacar como carcinógenos químicos um grupo de substâncias às quais os indivíduos são expostos, como poluição, presença de metais pesados nos rejeitos industriais e da mineração, produtos alimentícios, utilização de substâncias ilícitas, entre outros. Como exemplo, podemos destacar os tumores de pulmão associados à exposição ao amianto (tipo de minério), que promove inflamações nas mucosas com consequente estímulo a mutações, bem como os tumores gastrointestinais associados ao consumo de alimentos embutidos e ultraprocessados, como as linguiças por exemplo, que possuem conservantes e outras substâncias carcinogênicas. Agentes físicos Esses agentes também são potencialmente cancerígenos. Neste contexto, destacam-se as radiações e sua capacidade ionizante. Radiação ultravioleta Atualmente, a relação entre os efeitos do sol e, consequentemente, da exposição à radiação ultravioleta (UV) à pele dos indivíduos e ao envelhecimento é uma das preocupações globais. Nesse sentido, é importante abordar os potenciais riscos de desenvolvimento de tumores relacionados à exposição solar. Os raios ultravioletas possuem a capacidade de penetrar as células da pele e induzir alterações em seu material genético, como a produção de dímeros de pirimidina-ciclobutano (CPD), que são fotoprodutos formados a partir da exposição solar inadequada. Esses produtos são considerados genotóxicos, pois lesionam o DNA e são compatíveis com a carcinogênese. Atenção É importante ressaltar que a exposição adequada à luz solar desempenha um papel indispensável na síntese da vitamina D no organismo. Essa vitamina é responsável pela manutenção do metabolismo ósseo. Radiação ionizante Esse tipo de radiação, incluindo raios X, raios gama e raios ultravioletas, é especialmente problemático devido à sua capacidade de induzir a ionização de outras moléculas. A radiação ionizante pode ser proveniente também de átomos que apresentemdecaimentos nucleares, como o rádio (Ra), o urânio (U), entre outros, os quais são chamados de radioativos. Esses elementos químicos emitem energia o suficiente para perturbar os elétrons de estruturas celulares eletronicamente carregadas, como o DNA, podendo induzir quebras nas duplas-fitas, deleções de segmentos gênicos importantes e formação de ligações cruzadas entre as bases, todas essas compatíveis com processos tumorais. Atenção O entendimento sobre o potencial lesivo da radiação ionizante, propiciou a sua utilização como tratamento oncológico por meio da radioterapia. Essa técnica consiste em irradiar somente os tumores, preservando as células sadias e induzindo danos letais às células tumorais. Agentes biológicos É consenso no meio acadêmico o papel dos agentes biológicos no desenvolvimento dos tumores. Antes de discutirmos como microrganismos contribuem para a carcinogênese, é importante destacar que tanto os processos inflamatórios fisiológicos quanto os patológicos também são responsáveis pelo estímulo às transformações moleculares no DNA e no RNA, observáveis no início dos processos oncológicos. Processos inflamatórios Inflamações recorrentes, como as observadas nas doenças inflamatórias intestinais, na obesidade ou nas recorrências da infecção estomacal pela bactéria Helicobacter pylori, expõem os tecidos lesados às alterações genéticas, em razão do intenso metabolismo local. A compreensão da relação entre inflamação e câncer já é bem estabelecida para tumores gastrointestinais e tumores de mama, por exemplo. Processos infecciosos Infecções virais também são preocupantes do ponto de vista oncológico, em razão do potencial mutagênico que os vírus oferecem às células humanas. O vírus do papiloma humano (HPV) é causador de uma infecção sexualmente transmissível (IST) capaz de ocasionar o desenvolvimento do câncer do colo do útero. Do ponto de vista molecular, o HPV ativa as telomerases, retardando o encurtamento dos telômeros e promovendo evasão da apoptose, o que torna essas células imortais. Nesse processo, como as células não entram em apoptose, a população de células aumenta consideravelmente e os erros de replicação se tornam mais frequentes. Telômeros São estruturas terminais dos cromossomos que vão se encurtando à medida que as células se dividem, até alcançar o seu encurtamento máximo, que é um sinal apoptótico. Células embrionárias, por exemplo, não encurtam seus telômeros, o que favorece múltiplas divisões sem perda da função celular, favorecendo o desenvolvimento dos embriões. Também são exemplos de vírus oncogênicos o HIV (vírus da imunodeficiência humana) e o EBV (Epstein-Barr vírus), que estão relacionados ao desenvolvimento de leucemias, linfomas e outros tumores sólidos. Propagação das células tumorais Neste vídeo, você vai compreender os mecanismos utilizados pelas células tumorais para que consigam se propagar. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. As células tumorais caracterizam-se pela capacidade de propagação, mas isso não se trata apenas de uma capacidade de intensa proliferação celular, refere-se também a um conjunto de estratégias que promovem o desenvolvimento dessas células, ainda que sejam diferentes das células do tecido de origem. Essas estratégias são fundamentais já que, em condições normais, uma célula atípica dificilmente se proliferaria estando rodeada por células com características tão diferentes. Uma vez formado o tumor, para que tenha progresso, é preciso que ele desenvolva um conjunto de atividades que promovam sobrevivência, proliferação, diferenciação, nutrição, capacidade de migração e evasão do sistema imune. Vejamos com um pouco mais de detalhes algumas dessas etapas a seguir. Hiperativação das sinalizações intracelulares A comunicação no nosso organismo é efetuada por meio da interação entre ligantes e receptores extracelulares, que promovem ações intracelulares, seja de uma célula para outra vizinha ou pelo transporte de ligantes via corrente sanguínea. O receptor de tirosina-quinase, que é um tipo de receptor de membrana, quando estimulado, promove uma série de cascatas de sinalização intracelulares, que estimulam vias bioquímicas relacionadas à proliferação, ao controle do ciclo celular e à sobrevivência das células. Por razões oncogenéticas, os receptores podem ter a sua expressão aumentada, conferindo às células tumorais maior capacidade de proliferação e modificações gerais. Esses receptores são atualmente alvos de importantes fármacos antitumorais, como anticorpos monoclonais e inibidores de tirosina-quinase específicos. Angiogênese À medida que um tumor se desenvolve, ocorre um aumento da demanda por nutrientes e oxigênio, especialmente para as células que estão mais no centro. Dentre as habilidades da célula tumoral, destaca-se a capacidade de estimular a produção e a liberação de fatores de crescimento do endotélio vascular. Essas moléculas se ligam a receptores específicos dos vasos sanguíneos e estimulam a proliferação das células vasculares, o que, consequentemente, aumenta o suprimento de sangue na região onde o tumor está localizado. Chamamos esse processo de angiogênese tumoral, ou seja, o surgimento de novos vasos sanguíneos induzidos pelo tumor. À medida que fornece nutrientes e oxigênio para os tumores, a angiogênese, facilita o seu crescimento e sobrevivência e favorece o processo de deslocamento dessas células tumorais para outros sítios, em um processo chamado metástase. Metástase É o desenvolvimento de um tumor secundário em um local do organismo diferente daquele que originou o tumor inicial, que podemos chamar de tumor primário. As metástases podem ser: Locais, quando ocorrem em tecidos vizinhos. À distância, quando células do tumor primário se deslocam para locais mais distantes via corrente sanguínea ou linfática para colonização de outros tecidos. O processo de metástase caracteriza-se por algumas peculiaridades, podendo ser dividido nas seguintes etapas: Invasão Essa etapa se inicia com o movimento das células tumorais para outros tecidos mais próximos, por meio do rompimento da lâmina basal do tecido. Intravasão Nessa etapa, as células metastáticas acessam o lúmen vascular, sendo transportadas pela corrente sanguínea até a próxima etapa do processo de metástase. Extravasão Nessa etapa, as células metastáticas saem do vaso sanguíneo para etapa final de colonização do tecido secundário. Para que o processo de metástase obtenha êxito, as células tumorais devem superar uma série de pressões. Em todos os tecidos pelos quais elas passam, as pressões seletivas são significativas. No entanto, em razão do alto grau de diferenciação, essas células evadem dos mecanismos de controle e alcançam áreas distantes de onde foram originalmente formadas. Outro mecanismo importante no desenvolvimento de metástases é a via linfonodal. Os linfonodos (ou gânglios linfáticos) são parte do sistema linfático e estão amplamente distribuídos pelo corpo humano, formando uma cadeia organizada que tem como papel drenar as impurezas e servir como sítio para células imunes. Ao se desprender do tumor primário e acessar o sistema linfático, as células tumorais migram para outro órgão e iniciam a colonização. Evasão imune O sistema imune desempenha um papel fundamental na defesa do nosso organismo contra o ataque de patógenos. Uma das principais vantagens desse sistema é a sua capacidade de realizar uma vigilância constante em nossos tecidos, identificando antígenos diversos. Nessa etapa de vigilância, as células circulantes do sistema imune são capazes de detectar a presença de células tumorais, que se diferenciam das células sadias do tecido nas quais estão localizadas e expressam antígenos de superfície diferentes das demais células. Ao encontrar a célula tumoral e reconhecê-la como invasora (ou atípica), o sistema imune inicia etapas organizadas de controle, que envolvem a liberação de citocinas, mobilização de outras células imunes e fagocitose, todas com o intuitode destruir essa célula, levando o tecido novamente à normalidade. As células tumorais possuem mecanismos complexos para escapar das respostas do sistema imune. Esses mecanismos são adquiridos por meio de mutações e envolvem a expressão de moléculas que silenciam essas respostas. • • Um exemplo disso é a expressão da proteína PDL1, que é um ligante expresso na superfície de algumas células tumorais, capaz de interagir com os receptores PD1 dos linfócitos circulantes. Ele transmite a mensagem de que a célula não deve ser destruída, por mais diferente que ela seja do tecido que a originou. Atualmente, o tratamento oncológico direcionado às proteínas PD1/PDL1 tem crescido em importância, justamente por inibir a evasão imune que as células tumorais desempenham. Essa modalidade se chama imunoterapia e já é realidade de tratamento para inúmeros tumores, tendo diferentes alvos. A CTLA-4 é outra molécula supressora da resposta imune tumoral que também é alvo dessa terapia. Atenção Os mecanismos de propagação das células tumorais são fundamentais para o crescimento do tumor, afinal, os tecidos exercem uma enorme pressão seletiva para manter suas características originais e banir células que sejam diferentes das células sadias. Verificando o aprendizado Questão 1 Com os avanços na área da genética, foi possível realizar melhoramentos genéticos em muitas espécies, tornando-as mais adaptadas a diferentes condições. Esses melhoramentos já são realidade na pecuária e nas demais culturas animais, bem como na agricultura. Do ponto de vista oncológico, as células tumorais também passam por modificações genéticas para se adaptar aos sistemas fisiológicos de forma espontânea. Assinale a alternativa que apresenta alteração(s) genética(s) de relevância oncológica que promove(m) a evolução dos tumores A Expressão de genes supressores de tumor. B Expressão de oncogenes e silenciamento dos genes supressores de tumor. C Expressão de precursores de membrana plasmática. D Expressão de genes que freiam o ciclo celular. E Silenciamento da expressão de oncogenes. A alternativa B está correta. As células tumorais possuem mecanismos complexos que facilitam sua proliferação de forma mais acentuada. Geneticamente, as mutações que promovem esses mecanismos são a expressão de oncogenes e o silenciamento de genes supressores de tumor. Essas duas estratégias combinadas promovem a progressão do ciclo celular e freiam o processo de apoptose. Questão 2 Células tumorais costumam enfrentar muitas adversidades impostas pelas células sadias do tecido onde estão localizadas, afinal a organização tecidual é bastante íntegra e imprime uma pressão seletiva sobre os tumores. Sobre as transformações celulares pelas quais a célula tumoral pode passar leia os itens abaixo: I – Bloqueio da angiogênese. II – Aumento da expressão de fatores de crescimento. III – Evasão do sistema imune. IV – Estímulo à proliferação celular. Assinale a alternativa que indica quais dentre as afirmativas representam estratégias que promovem a sobrevivência das células tumorais. A I, II e III. B I, III e IV. C II, III e IV. D III e IV. E I e IV. A alternativa C está correta. Um mecanismo importante de sobrevivência das células tumorais é o estímulo à angiogênese, ou seja, a produção de novos vasos sanguíneos. Ao estimular novos vasos, as células recebem aporte de oxigênio e nutrientes indispensáveis para a proliferação e sobrevivência. 2. Diagnóstico e tratamento do câncer Epidemiologia do câncer no Brasil e no mundo A cada três anos o Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulga dados estatísticos sobre os novos casos de câncer no Brasil distribuídos por tipo, região geográfica e sexo dos indivíduos acometidos. Segundo a publicação referente aos anos de 2023 a 2025, estima-se aproximadamente 704 mil novos casos de câncer, ou, excluindo os casos de tumores de pele não melanoma, 483 mil novos. Distribuição por tipo Quanto à distribuição por tipo sítio primário, os tumores mais incidentes na população brasileira são os tumores de mama feminina (10,5%), seguidos por tumores de próstata (10,2%), câncer colorretal (6,5%), câncer de pulmão (4,6%) e de estômago (3,1%). Distribuição por sexo Distribuindo os casos por sexo e excluindo os tumores de pele não melanoma, para os homens, os tumores mais incidentes são os de próstata (21,0%), seguidos por tumores colorretais (6,4%), de pulmão (5,3%), de estômago (3,9%) e da cavidade oral (3,2%). Esses dados estão associados às fragilidades de acesso e de cuidados experimentados pela população masculina, que demonstra menor taxa de busca por atendimentos de saúde e maior prevalência de tabagismo e etilismo, quando comparados à população feminina. Já para a população feminina, o câncer de mama representa o topo da incidência, com 20,3%, seguido dos tumores colorretais (6,5%), de colo do útero (4,7%), de pulmão (4,0%) e de tireoide (3,9%). Esses dados são interessantes e podem ser correlacionados com as variações hormonais vivenciadas pela população feminina nos diferentes estágios da vida, além de ressaltar maior compromisso dessa população com a periodicidade da realização de exames de rastreio. Distribuição por região Quando a distribuição é feita por região, espera-se que as regiões Sul e Sudeste concentrem aproximadamente 70% da incidência nacional. A região Sudeste destaca-se ainda com cerca de metade dos novos casos de câncer do país. Os mapas a seguir mostram a incidência estimada de neoplasias malignas nas diferentes regiões do Brasil para 2023 segundo o INCA. Os dados apresentados são compatíveis com a densidade populacional da região, o que possibilita a visualização de novos diagnósticos de câncer. Ainda no aspecto regional, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens, e o câncer de mama é o tipo de tumor mais incidente entre as mulheres, independentemente da região do Brasil analisada. Entretanto, os segundos e terceiros tipos variam consideravelmente segundo o desenvolvimento econômico de cada região. Confira agora a representação espacial da incidência de neoplasia malignas por gênero: Epidemiologia do câncer no mundo O câncer, de fato, é uma questão de saúde global que mobiliza muitas lideranças internacionais e expõe fortemente as fragilidades e as dificuldades de acessos dos diferentes países ao diagnóstico precoce e às estratégias de tratamento. Os dados mundiais sobre a epidemiologia do câncer são compilados pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC, do inglês International Agency for Research on Cancer), que publica periodicamente dados de incidência e mortalidade por câncer distribuídos ao redor do mundo, sendo os dados de incidência disponibilizados pelos países e os dados de mortalidade disponibilizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora disponhamos de dados estatísticos robustos e de uma análise criteriosa, é importante ressaltar que essas informações ainda estão distantes do ideal. Nesse cenário, o subdesenvolvimento ainda é uma barreira a ser superada na realização de diagnósticos, pois contribui para a subnotificação dos casos de câncer e retarda as investigações dos óbitos relacionados. A análise realizada em 2018 pela IARC aponta que a subnotificação de mortes por câncer é uma realidade em países da África e Ásia, cenário que destoa do padrão de notificação encontrado na Europa e nas Américas, por exemplo. Os dados que dispomos vêm apontando para o aumento da incidência de novos casos de câncer ao redor do mundo. Em 2018, as análises conduzidas pela IARC revelaram um total de 18,1 milhões de novos casos de câncer e 9,6 milhões de mortes relacionadas à doença. Já em 2020, os dados apresentados foram de cerca de 19,3 milhões de novos casos e aproximadamente 10 milhões de mortes. Atualmente, a comunidade acadêmica tem aguardado novos dados a partir dos quais visa compreender os impactos do contexto pandêmico no diagnóstico e na mortalidade do câncer. A última análise global que temos disponível apontao câncer de mama feminino com o tipo de câncer mais diagnosticado e incidente na população global (11,7%), seguido pelos tumores de pulmão (11,4%), colorretal (10%), de próstata (7,3%) e de estômago (5,6%). Esses dados são bastante compatíveis com os apresentados pelo INCA no Brasil, alternando somente os valores de incidência e a posição em que se encontram, conforme a seguir: Tanto os dados mundiais quanto os nacionais são muito relevantes, ressaltando a importância de implementar políticas públicas de saúde que impulsionem a pesquisa e o desenvolvimento de estratégias de rastreamento e controle do câncer. Dados sobre câncer no Brasil e no mundo Neste vídeo, você vai entender a relevância da epidemiologia do câncer e seu impacto nas políticas públicas de saúde. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Fatores de risco, rastreio e detecção precoce O câncer abrange uma variedade de doenças com características histológicas diferentes e origens multifatoriais, que incluem fatores como hereditariedade, exposição a agentes etiológicos, hábitos e estilos de vida, questões ocupacionais e até mesmo tratamentos oncológicos prévios. Hereditariedade Embora diversos achados epidemiológicos indiquem a influência da hereditariedade no desenvolvimento de câncer, apenas uma pequena porcentagem das doenças oncológicas possui caráter hereditário. Graças aos avanços das técnicas moleculares, hoje em dia é possível pesquisar mutações específicas e realizar exames em descendentes diretos de indivíduos com câncer. Essa abordagem permite a adoção de medidas profiláticas, adotando estratégias para retardar ou minimizar o desenvolvimento dessas doenças. Agentes etiológicos Se dividem em: Incidência do câncer no Brasil Mama feminina (10,5%) Próstata (10,2%) Colorretal (6,5%) Pulmão (4,6%) Estômago (3,1%) Incidência do câncer no Mundo Mama feminina (11,7%) Pulmão (11,4%) Colorretal (10%) Próstata (7,3%) Estômago (5,6%) • • • • • • • • • • Infecções virais A exposição aos agentes etiológicos também é bastante preocupante para o desenvolvimento de tumores. As infecções virais pelos vírus HIV, HPV, HCV (hepatite C), HBV (hepatite B) e EBV (Epstein- Barr), além das complicações infecciosas observadas em sua fisiopatologia, expõem os indivíduos a elevado risco de carcinogênese. Tais infecções estão fortemente associadas a tumores pélvicos (HPV), tumores hepáticos (HCV e HBV) e casos de leucemias e linfomas (HIV e EBV). Infecções bacterianas Esse quadro infeccioso também inclui infecções bacterianas, como a causada pela bactéria Helicobacter pylori, que está associada ao desenvolvimento de carcinomas gástricos e linfoma de MALT (um tipo de linfoma que acomete o tecido linfático das mucosas). Hábitos e estilo de vida Alguns hábitos de vida também estão associados ao desenvolvimento de doenças oncológicas, como: Obesidade Além de fornecer maior aporte nutricional as células tumorais, promove um desequilíbrio hormonal e inflamatório potencialmente lesivo, já bem consolidado como fator de risco para tumores gastrointestinais. Tabagismo Fator responsável por grande parte dos tumores de pulmão e bexiga, representa o principal hábito evitável e capaz de minimizar a incidência e mortalidade pelo câncer. Etilismo Também evitável, configura fator de risco para desenvolvimento de tumores gástricos e de cabeça e pescoço. Exposição solar Quando inadequada, sujeita a pele a mutações induzidas pela radiação ultravioleta. Tratamentos oncológicos Outro fator de risco importante é a realização prévia de tratamentos oncológicos. Indivíduos que realizaram quimioterapia para tratamento do câncer possuem maior chance de desenvolvimento de tumores tardios, em razão do potencial mutagênico dos fármacos antineoplásicos. Saiba mais A carcinogênese pode ser iniciada a partir da exposição à agentes nocivos em decorrência de atividades laborais. Esse tipo de exposição é chamada de exposição ocupacional. Por ser um fator relacionado ao ambiente de trabalho do indivíduo, cabe ao empregador disponibilizar meios de proteção para evitar ou minimizar tal exposição. Diversas ocupações apresentam riscos significativos de desenvolvimento de câncer. Como exemplo, podemos citar trabalhadores das indústrias químicas e têxteis, profissionais expostos a medicamentos oncológicos e à radiação ionizante, e indivíduos que trabalham com material biológico. Para cada uma dessas condições, é indispensável a utilização de equipamentos de proteção individual e equipamentos de proteção coletiva, como luvas, máscaras, óculos de proteção, jalecos, cabines de segurança biológica, disponibilidade de salas específicas com ambiente controlado para manuseio de determinadas substâncias, entre outras alternativas de proteção. Rastreio e detecção precoce Há um consenso geral de que o diagnóstico precoce do câncer aumenta significativamente as chances de cura. Para que isso aconteça, é essencial que os sistemas de saúde se articulem para a conscientização da população sobre a importância das técnicas de rastreio. Rastrear, nesse contexto, significa buscar, por meio de exames, em uma população-alvo assintomática, características clínicas ou evidências de determinada doença para reduzir as suas taxas de morbimortalidade. Em oncologia especialmente, o rastreamento está fortemente relacionado à detecção precoce, podendo ser decisivo na redução das complicações que uma doença oncológica pode causar. O rastreamento pode ser classificado em dois tipos: Rastreamento oportunístico É aquele em que o indivíduo se propõe a realizar exames por conta própria ou por indicação de um profissional de saúde durante consultas médicas de rotina. Rastreamento organizado É aquele em que há um consenso entre os dados epidemiológicos e as comunidades científicas, havendo clara indicação sobre o tipo de exame que deve ser realizado para cada população-alvo, sobretudo com dimensionamento de periodicidades. A recomendação atual é de que mulheres entre os 50 e 69 anos realizem a mamografia como exame de rastreamento para o câncer de mama a cada dois anos. Na presença de nódulos ou lesões sugestivas, os resultados serão analisados pelos profissionais que assistem à paciente, sendo definidas novas periodicidades de realização ou inclusão de novas técnicas diagnósticas. Para homens, nos quais os tumores de próstata são os mais incidentes e prevalentes, a recomendação atual é a realização do exame de toque e busca pelo antígeno prostático específico (PSA) a partir dos 50 anos de idade. De fato, os rastreios bem realizados contribuem para a detecção precoce do câncer e, consequentemente, para um prognóstico favorável. Exame clínico das mamas. A detecção precoce está associada à redução da morbimortalidade ao favorecer o diagnóstico em estágios iniciais da doença, oferecendo maiores possibilidades de cura e redução da complexidade das abordagens terapêuticas, possibilitando cirurgias e procedimentos minimamente invasivos, e tendo forte impacto nos custos associados aos tratamentos. Fatores de risco, rastreio e detecção precoce do câncer Neste vídeo, você vai conhecer os fatores de risco para o desenvolvimento de câncer e saber um pouco mais sobre como pode ser feito o rastreio e a detecção precoce do câncer. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Como o câncer pode ser diagnosticado? Conheça as diferentes metodologias utilizadas para o diagnóstico do câncer. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O diagnóstico do câncer é uma etapa crítica, que envolve aspectos clínicos, emocionais e sociais. Por ser um processo complexo, requer cautela e a combinação de diferente saberes e técnicas para o diagnóstico final. Vejamos a seguir as principais abordagens que propiciam diagnósticos mais precisos e comungam com a proposição de tratamentos mais assertivos contra o câncer. Exame clínico O exame clínico é o ponto partida de uma abordagem diagnóstica. Nessamodalidade, os profissionais de saúde conduzem uma anamnese detalhada dos pacientes ouvindo suas queixas e conhecendo o seu histórico. Trata-se de uma consulta orientada, com o objetivo de mensurar e classificar as queixas, bem como realizar as etapas principais de inspeção, ausculta, palpação e percussão. Um exemplo importante é o exame clínico das mamas, realizado por médicos ginecologistas e mastologistas, no qual o encontro de alguma anormalidade sugere a realização de outros exames. Diagnóstico por imagem O diagnóstico por imagem é uma prática bastante comum e indicada para o diagnóstico dos tumores, sejam eles benignos ou malignos. Dentre as principais técnicas utilizadas, destacam-se: Raio X Mamografia Tomografia computadorizada (TC) Ressonância magnética (RM) • • • • Cintilografia Tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) Os achados clínicos observados em consultas ou pelo próprio paciente, ou até mesmo os encaminhamentos realizados em razão de rastreamento organizado, levam os pacientes à realização de exames de imagem para diagnóstico ou acompanhamento da evolução das doenças. Em linhas gerais, as técnicas diagnósticas utilizam baixas doses de radiação para identificar anomalias anatômicas, inchaços, fraturas ósseas e para mensurar a proliferação celular no local analisado. Exemplo A mamografia é um exemplo importante de exame de imagem utilizado no diagnóstico do câncer mama. Trata-se de uma modalidade de raio X que permite visualizar a anatomia da mama e identificar nódulos não palpáveis durante o exame clínico. Os resultados da mamografia são avaliados de acordo com a classificação Bi-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System), que gradua de 0 a 6 os nódulos observados, fornecendo diretrizes para a melhor abordagem terapêutica e sugerindo a realização de exames adicionais para confirmar e aprimorar o diagnóstico. Biópsia As biópsias são exames baseados na análise tecidual de amostras biológicas suspeitas de malignidade e desempenham um papel crucial no diagnóstico do câncer. Esses exames envolvem a remoção de pequenos fragmentos de lesões, nódulos ou outros achados suspeitos para que seja realizada uma análise detalhada. A realização da biópsia pode ser guiada por exames de imagem, como a ultrassonografia, que auxilia na identificação do local onde será feita a incisão para remoção de tecido. As biópsias podem ser realizadas por via: Em alguns casos, as biópsias podem ser realizadas durante procedimento cirúrgico. Além dessas modalidades, a biópsia também pode ser realizada por meio de: Esses exames são essenciais para investigar lesões visíveis, que podem ser nódulos benignos ou pólipos, e requerem análises mais aprofundadas para confirmar o tipo histológico da lesão identificada e descartar características de malignidade. Na elaboração dos laudos, os patologistas utilizam técnicas importantes, que abrangem desde a observação morfológica, por meio da microscopia, até a realização de testes genéticos e imuno-histoquímicos para caracterização mais fidedigna dos tipos de tumores ou elucidação de eventuais alterações genéticas. Atualmente, a biópsia líquida, que é um tipo de biópsia menos invasivo, vem sendo bastante discutida. Essa modalidade reduz significativamente os riscos e minimiza os desconfortos experimentados pelos pacientes. • • Incisional É retirado um fragmento da lesão para análise. Excisional A lesão é totalmente extirpada e encaminhada para análise. Aspiração Como as biópsias de medula óssea. Endoscópica Como as realizadas em endoscopias ou colonoscopias. Trata-se de um exame de sangue a partir do qual busca-se DNA ou outros achados genéticos associados a tumores. Marcadores tumorais Outra abordagem importante consiste na avaliação dos marcadores tumorais, que são moléculas, geralmente de origem proteica, produzidas por células tumorais e por células sadias. A identificação desses marcadores pode ser realizada em diferentes fluidos biológicos, como: Urina Fezes Sangue Um exemplo importante é o marcador PSA, ou antígeno prostático específico. Trata-se de um marcador produzido pelas células epiteliais da próstata em condições fisiológicas normais, mas que em condições neoplásicas tem sua expressão aumentada, servindo como achado diagnóstico que contribui para o diagnóstico e o acompanhamento dos tratamentos para esse tipo de câncer. Também são exemplos o antígeno carcinoembrionário (CEA), o CA 19-9, CA-125 e até mesmo o hormônio da gonodotrofina coriônica humana (beta-HCG). Esses são os biomarcadores tumorais mais comuns e apresentam níveis elevados em diferentes tipos de tumor, conforme a imagem a seguir: Embora os marcadores tumorais auxiliem no diagnóstico, identificando anormalidades na fisiologia dos órgãos ou tecidos, é necessário ter cautela ao interpretar seus resultados clínicos devido à possibilidade de falsos positivos. Esses marcadores podem estar elevados em razão de outros fatores, como exercícios físicos, fases de ciclos hormonais, estresse ou outras condições não oncológicas. Tratamento do câncer Você chegou até aqui e certamente compreende que o câncer é um conjunto de doenças muito complexas que possuem etiologias muito distintas, sendo assim, você está apto a desvendar as principais modalidades de tratamento oncológico disponíveis atualmente, que são capazes de curar ou minimizar as mazelas que as doenças oncológicas representam aos indivíduos acometidos. A seguir, vamos conhecer algumas dessas principais modalidades, que podem ser utilizadas isoladamente ou em conjunto no tratamento do câncer. Modalidades de tratamento oncológico Modalidade cirúrgica Procedimentos cirúrgicos são abordagens terapêuticas de grande relevância nos tratamentos oncológicos, pois podem promover a remoção completa do tumor ou de parte dele. No passado, essa modalidade caracterizava-se como uma prática mutilante e bastante invasiva. Entretanto, com o avanço de outras técnicas de tratamento tornou-se menos agressiva e capaz de poupar, sobretudo, aspectos estéticos dos indivíduos. No entanto, nem todas as doenças oncológicas são passíveis de cirurgia. Isso vai depender de fatores como: Tipo de tecido no qual o tumor está localizado. • • • • Homem recebendo radioterapia de elétrons para câncer de pele. Tamanho do tumor, já que tumores muito grandes ou que estejam comprimindo estruturas como vértebras ou nervos dificilmente são submetidos à abordagem cirúrgica, por causa dos riscos envolvidos no procedimento. Presença de características contraindicativas, como comorbidades cardiovasculares ou idade avançada do paciente, o que pode vetar o uso de anestesia, por exemplo. Saiba mais A realização de cirurgias robóticas já é uma prática consolidada em todo o mundo e com amplo destaque na prática oncológica. Nessa modalidade, minimamente invasiva, os cirurgiões utilizam robôs para realizar o procedimentos cirúrgicos, o que tende a poupar o paciente e minimizar os impactos da cirurgia sobre outros órgãos. Essas cirurgias podem ser realizadas presencialmente, com o cirurgião dentro do centro cirúrgico, ou remotamente, com o cirurgião controlando o robô a distância. Moderno, não? Quimioterapia Embora a adoção da quimioterapia seja bastante questionada atualmente, diante de um cenário de abordagens mais modernas, a quimioterapia ainda é a prática terapêutica mais utilizada no tratamento do câncer. De uma forma geral, ela consiste na utilização de fármacos quimioterápicos que possuem como alvo as células com intensa capacidade proliferativa, como as células tumorais. Entretanto, essa prática pode expor as células sadias aos seus efeitos, devendo ser escolhida com cautela pelos profissionais oncologistas. O conhecimento da fisiologia tumoral, associado aos avanços da biologia molecular permitiram identificar as principais etapas envolvidas na divisão celular das células tumorais. Esses achados colaboram para a identificação de alvos de atuação dos fármacos quimioterápicos, como as enzimas envolvidasno processo de divisão celular, as proteínas necessárias para desenvolvimento das células, entre outros aspectos que exponham as células tumorais ao ataque desses fármacos. Apesar dessa evolução, os quimioterápicos ainda são capazes de afetar as células sadias do organismo. Nesse sentido, esses fármacos vêm sendo gradativamente substituídos por fármacos mais seletivos, como veremos a seguir. Radioterapia É a modalidade terapêutica que envolve a utilização da radiação ionizante direcionada sobre as células tumorais. Esse tipo de tratamento oncológico consiste no uso de feixes de radiação ionizante proveniente de fontes radioativas como cobalto e césio, para irradiar os tumores. Essa técnica de tratamento é utilizada para a destruição ou o controle da proliferação celular das células tumorais. A radiação ionizante promove alterações no material genético das células, formando estruturas que não são capazes de cumprir com as funções esperadas. • • Atualmente, os serviços de radioterapia apresentam aparelhos bastante sofisticados, capazes de oferecer a radiação com precisão milimétrica. A precisão do tratamento é garantida pela realização de exames de imagem, que permitem a localização precisa dos tumores, bem como pelo planejamento cuidadoso das áreas a serem irradiadas. Esse processo é uma estratégia crucial para proteger as células saudáveis do organismo e minimizar os efeitos da radiação sobre elas. A braquiterapia é uma modalidade da radioterapia que consiste na inserção de partículas contendo material radioativo nos tecidos tumorais. No caso da braquiterapia da próstata, sementes radioativas são administradas no interior da próstata. Hormonioterapia Por muitos anos, a hormonioterapia foi conhecida como terapia de privação hormonal. Este termo está correto e se baseia no conhecimento da função dos hormônios nas células, especialmente nas células da mama, da próstata, dos ovários e dos testículos. De forma geral, a atuação dos hormônios em seus receptores promove uma série de modificações intracelulares fortemente associadas à proliferação celular. A esse respeito, podemos fazer uma analogia citando as profundas mudanças que acontecem na puberdade, quando o estímulo hormonal promove alterações morfológicas consideráveis nos indivíduos. De maneira muito semelhante, durante a menopausa, também ficam evidentes as transformações resultantes de alterações hormonais. Alguns tumores são capazes de reproduzir receptores hormonais, uma atividade que é induzida pela ativação de oncogenes específicos. O aumento da produção desses receptores torna as células tumorais mais suscetíveis à ação dos hormônios, o que estimula o seu crescimento. Neste contexto, um tratamento bastante utilizado para os tumores de mama, testículos e ovários é a utilização de bloqueadores hormonais, que podem agir tanto nos receptores locais quanto em estruturas centrais localizadas no eixo hipotálamo-hipófise. Essa abordagem terapêutica é chamada de hormonioterapia e é bastante pertinente após a identificação da disponibilidade dos receptores hormonais por meio de biópsia. Terapia-alvo A terapia-alvo, como o próprio nome sugere, é aquela em que os fármacos são seletivos e atingem alvos específicos, produzindo assim menos efeitos adversos para as células sadias. Graças aos avanços da biologia molecular, tornou-se possível identificar proteínas específicas, vias metabólicas alteradas e outros alvos prevalentes nas células tumorais. Na prática oncológica atual, são amplamente utilizadas estratégias terapêuticas que fazem parte da terapia-alvo, dentre as quais destacam-se o uso de fármacos inibidores de domínios de tirosina-quinase e os anticorpos monoclonais. Ao longo dos anos, o desenvolvimento da terapia- alvo tem progredido de forma significativa, tornando a experiência do tratamento oncológico menos agressiva e contribuindo com prognósticos favoráveis. Tratamento do câncer Neste vídeo, você vai conhecer as diferentes metodologias que podem ser utilizadas no tratamento do câncer. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O tratamento do câncer, assim como o de outras doenças, tem como principal objetivo a cura dos indivíduos. Entretanto, muitas doenças oncológicas ainda não possuem uma cura definitiva, o que leva os pacientes a necessitarem de um conjunto de cuidados especiais, conhecidos como cuidados paliativos. Nesse contexto, vale destacar que é um equívoco considerar que os cuidados paliativos são exclusivamente voltados para o fim da vida. Os cuidados paliativos compreendem todos as abordagens terapêuticas adotadas com a finalidade de reduzir o crescimento das células tumorais e controlar as complicações oriundas delas quando a doença oncológica não é mais curável. É importante que você, profissional de saúde em formação, reconheça a importância dos cuidados paliativos, pois eles garantem a qualidade de vida dos pacientes. Esses cuidados não são menos relevantes do que as estratégias curativas, pois toda vida humana merece respeito e acesso às melhores opções disponíveis para a sua recuperação. Verificando o aprendizado Questão 1 Durante procedimento cirúrgico para retirada de tumores de mama, em alguns casos, é realizada uma punção no primeiro linfonodo próximo à mama. Esse linfonodo localiza-se na axila e recebe o nome de linfonodo sentinela. Ainda com a paciente no centro cirúrgico, o patologista pesquisa células tumorais nos fragmentos do linfonodo puncionado. Caso seja confirmada a presença de células tumorais, o linfonodo sentinela e a cadeia de linfonodos associada a ele são removidos, processo chamado de esvaziamento axilar. O ato de selecionar e extrair um fragmento para análise e confirmação da presença de células tumorais é chamado de A ultrassonografia. B ressonância magnética. C biópsia. D PET-CT E tomografia computadorizada. A alternativa C está correta. A retirada de fragmentos de tecidos para análise, também chamado de biópsia, é uma técnica bastante utilizada e crucial para confirmação de tumores, sejam eles benignos ou malignos. As demais alternativas apresentam outros exames essenciais para o diagnóstico do câncer, mas que não envolvem a retirada de fragmentos. Questão 2 Em alguns casos, os tumores não são passíveis de remoção cirúrgica, ou os pacientes não são aptos à realização de tratamentos com fármacos em razão de comorbidades pré-existentes aos tumores. Para esses casos, é possível utilizar uma modalidade terapêutica que consiste na aplicação de radiação ionizante diretamente na área onde se encontram as células tumorais. Essa modalidade de tratamento se chama A quimioterapia. B radioterapia. C terapia hormonal. D terapia alvo. E tratamento paliativo. A alternativa B está correta. A radioterapia é uma modalidade de tratamento contra o câncer bastante utilizada. Nela, células tumorais são irradiadas e consequentemente destruídas. Essa técnica pode ser utilizada em conjunto com outras técnicas ou de forma isolada, a depender do tipo de tumor a ser tratado. As demais alternativas apresentam modalidades de tratamento que não estão baseadas na utilização da radiação. 3. Conclusão Considerações finais Como vimos, a oncologia é uma área de atenção em saúde que demanda diferentes saberes da área médica, desde o conhecimento de aspectos celulares e moleculares, até o entendimento da epidemiologia e das modalidades de tratamento do câncer. O seu estudo requer dedicação e aprimoramento contínuo, uma vez que o futuro nos reserva novos saberes e um maior aprofundamento dos conhecimentos que temos hoje. Estudar o câncer e todas as suas nuances habilita o profissional de saúde a cuidar de pacientes que vivenciam o tratamento oncológico, além de prepará-lo para lidar com as inúmeras possibilidades identificadas em um ambiente clínico. Esperamos que tudo que você leu aqui sirva como base para construção de sólidos conhecimentos em oncologia e prepare você para atuar em um cenário desafiador, porém recompensador, pessoal e profissionalmente.Afinal, disponibilizar conhecimento e técnica, bem como prestar um atendimento primoroso a um paciente com câncer, são ações transformadoras. Explore + Veja como o médico oncologista Siddhartha Mukherjee aborda o surgimento do câncer no livro O Imperador de todos os males – uma biografia do câncer, publicado em 2012 pela Companhia das Letras. Para saber mais sobre os riscos da radiação no desenvolvimento de tumores, assista ao documentário O brilho da morte: 30 anos do césio 137, no canal do YouTube Geovane Ázara. Este documentário narra em ordem cronológica os fatos ocorridos no maior acidente radiológico ocorrido no Brasil, em Goiânia. O câncer é uma doença que acomete inclusive a população pediátrica. Veja o que Suellen Valadares Moura Feliciano e outros colaboradores falam sobre as neoplasias pediátricas no artigo Incidência e mortalidade por câncer entre crianças e adolescentes: uma revisão narrativa, publicado em 2018 na Revista Brasileira de Cancerologia. Referências BARROSO-SOUSA, R.; FERNANDES, G. Oncologia: princípios e prática clínica. Barueri, SP: Manole, 2023. BRASILEIRO FILHO, G. Bogliolo Patologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. GOVINDAN, R.; MORGENSZTERN, D. Washington Manual Oncologia. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2017. HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em hematologia de Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. INCA. Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Consultado na internet em: 1 jun. 2023. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. INCA Detecção precoce do câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2021. Consultado na internet em: 1 jun. 2023. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. INCA. 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Conteúdo interativo Iniciação Promoção Progressão Metástase Carcinogênese química Carcinogênese física Carcinogênese biológica Tipos de Tumores Conteúdo interativo Classificação dos tumores Atenção Classificação dos tumores malignos Tumores sólidos Carcinoma Sarcomas Tumores de células germinativas Glioma Neuroblastoma Melanoma Tumores hematológicos Leucemias Linfomas Mielomas Instabilidades genéticas e câncer Conteúdo interativo Instabilidade genética Substituições de bases Deleções genéticas grosseiras Deleções genéticas pequenas Inserções Conversão de genes Curiosidade Oncogenes e genes supressores de tumor Proto-oncogenes Genes supressores de tumor Modificações pós-transcricionais Relembrando Etapa 1 Etapa 2 Etapa 3 Indutores de instabilidade genética Conteúdo interativo Agentes químicos Espécies reativas de oxigênio (EROs) Álcool e nicotina Poluição, metais pesados e conservantes alimentícios Agentes físicos Radiação ultravioleta Atenção Radiação ionizante Atenção Agentes biológicos Processos inflamatórios Processos infecciosos Propagação das células tumorais Conteúdo interativo Hiperativação das sinalizações intracelulares Angiogênese Metástase Invasão Intravasão Extravasão Evasão imune Atenção Verificando o aprendizado 2. Diagnóstico e tratamento do câncer Epidemiologia do câncer no Brasil e no mundo Distribuição por tipo Distribuição por sexo Distribuição por região Epidemiologia do câncer no mundo Dados sobre câncer no Brasil e no mundo Conteúdo interativo Fatores de risco, rastreio e detecção precoce Hereditariedade Agentes etiológicos Infecções virais Infecções bacterianas Hábitos e estilo de vida Obesidade Tabagismo Etilismo Exposição solar Tratamentos oncológicos Saiba mais Rastreio e detecção precoce Rastreamento oportunístico Rastreamento organizado Fatores de risco, rastreio e detecção precoce do câncer Conteúdo interativo Como o câncer pode ser diagnosticado? Conteúdo interativo Exame clínico Diagnóstico por imagem Exemplo Biópsia Marcadores tumorais Tratamento do câncer Modalidades de tratamento oncológico Modalidade cirúrgica Saiba mais Quimioterapia Radioterapia Hormonioterapia Terapia-alvo Tratamento do câncer Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Conclusão Considerações finais Explore + Referências