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Princípios e Direitos Básicos do 
Consumidor
ASPECTOS GERAIS
☆ Art. 4º: Política Nacional das Relações de Consumo – conjunto de diretrizes → consolidação de direitos e garantias mínimas ao consumidor 
☆ Regras básicas – conflitos consumeristas devem ser dirimidos a partir dos princípios 
Art. 4º. A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios:
Os princípios se encontram no art.4° do CDC.
Os direitos básicos se encontram no art.6° do CDC.
São os direitos que todos os consumidores tem, que configuram deveres ao fornecedor.
O art.4° é o artigo que traz os princípios basilares.
A Política Nacional das Relações de Consumo tem objetivos, que são: atender a necessidades dos consumidores. 
Elas são atendidas respeitando a dignidade, saúde, segurança, melhoria na qualidade de vida, transparência nas relações.
Para que a política nacional seja desenvolvida há princípios basilares.
Os valores que o ordenamento jurídico elege são transmutados pelos princípios que são as bases das nossas regras. 
As regras e baseiam nos princípios que resguardam valores.
1. PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR
☆ Art. 4º, I, CDC: reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo
Encontra-se inclusive na CF/88.
☆ Princípio do favor debilis (princípio do mais fraco).
A ONU, desde 1985, já reconhecia o consumidor como a aparte mais frágil, que precisa de mais proteção, o legislador de 1995 reproduziu esse entendimento.
Por conta desse principio que a CF/88 determina que a defesa do consumidor é direito fundamental.
☆ Princípio da isonomia
☆ Direitos e garantias → equilíbrio da relação de consumo 
☆ Redução de abusos cometidos pelos fornecedores → Redução de conflitos
☆ Melhoria da qualidade de vida da população consumerista
☆ Efetiva reparação de danos morais e materiais
☆ Independe de outras condições
Todos somos vulneráveis.
Pessoa Física: presume-se a vulnerabilidade.
Pessoa Jurídica: comprova-se a vulnerabilidade.
☆ Estado → obrigação de agir para defender os consumidores de abusos dos fornecedores e do alto poderio econômico, financeiro e educacional dos mesmos, consagra a vulnerabilidade do consumidor como forma de respeitar e reafirmar o princípio da dignidade da pessoa humana como fundamento da vida em sociedade. 
Se eu tendendo que o consumidor é a parte mais fraca urge melhorar a qualidade de vida deles com produtos mais seguros, e se houver um dano ele terá que ser reparado, seja material, estético ou a imagem.
A função desse principio é reduzir a desigualdade e proteger a dignidade do consumidor.
Vulnerabilidade é uma situação em que alguém está em situação de desvantagem para com a outra pessoa, urge então trazer mecanismos para restabelecer o equilíbrio dessa relação, por isso criou-se uma lei de proteção/defesa a essas pessoas.
 No aspecto prático, o que é vulnerabilidade?
A doutrina clássica e a jurisprudência destacam 3 tipos, lembrando que no caso concreto podem ser trazidas novas vulnerabilidades.
a) Técnica: o consumidor não possui conhecimentos técnicos acerca do produto ou serviço que está adquirindo, seja quanto as suas características seja quanto a sua utilidade; 
É a ausência de conhecimento técnico.
b) Fática (ou socioeconômica): o consumidor, economicamente e socialmente falando, se encontra em posição de inferioridade em relação aos fornecedores.
Ex: Consumidor x Samsung
c) Jurídica: inexperiência jurídica e contábil, falta de conhecimentos jurídicos específicos, conhecimentos de contabilidade ou de economia.
A estrutura jurídica do consumidor é menor que a do fornecedor.
Existem também as vulnerabilidades contemporâneas que são: vulnerabilidade informacional, tecnológica e educativa.
Elas devem ser trazidas pelo caso concreto.
☆ Hipossuficiência (desconhecimento em técnicas de produção + situação agravada por fatores econômicos, sociais e culturais → concessão de direitos e garantias extras) – processual: falta de condições de produzir as provas em seu favor ou comprovar a veracidade do fato constitutivo de seu direito.
Hipossuficiência e diferente de vulnerabilidade.
	Hipossuficiência
	Vulnerabilidade
	É conceito de direito processual
	É conceito de direito material
	São vulnerabilidades agravadas pela dificuldade de fazer provas em processo / juízo
	Todos os consumidores são vulneráveis
	Gera a inversão do ônus da prova
	É o que caracteriza o consumidor
Hipossuficiência são vulnerabilidades agravadas inclusive pela dificuldade de produzir provas em processo, e deve ser verificada no caso concreto.
O que gera a inversão do ônus da prova é a hipossuficiência e não a vulnerabilidade.
Nem todo consumidor é hipossuficiente, mas todo consumidor é vulnerável, ou seja, consumidores são hipossuficientes, mas nem todos.
☆ Processualmente o consumidor pode ou não possuir meios de obtenção de prova.
☆ Obs: Inversão do ônus da prova em favor do consumidor e facilitação da defesa de seus direitos como direito básico, constante no artigo 6º, VIII CDC.
Como o consumidor é vulnerável, o legislador desenvolveu mecanismos para facilitar a defesa dos seus direitos.
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências.
Exemplos:
1. Consumidor pode dar entrada na ação no seu domicilio;
2. Responsabilidade objetiva e solidária entre os fornecedores;
3. Inversão do ônus da prova.
Responsabilidade objetiva: independe de comprovação de culpa (negligência, imprudência e imperícia).
Responsabilidade solidária: todos os que forem os causadores do dano vão participar da cadeia de responsabilidade.
Ônus da prova: pelo art.373 do CPC, o ônus da prova cabe a parte autora (quem alega), pois esta é quem tem que fazer provado fato constitutivo do seu direito.
O inciso II trás que o réu também tem o ônus da prova, quando ele alegar fato que vai impedir (fato impeditivo), modificar (fato modificativo) ou extinguir (fato extintivo) o direito que a parte autora alega ter.
Em uma ação de consumo o autor é o consumidor, logo, ele tem o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, tendo que trazer prova em juízo.
Esse autor terá que provar o dano sofrido e a relação de causa e efeito (nexo causal), mas ele não tem que provar que o fornecedor agiu com culpa.
Dessa forma, o legislador inverteu o ônus da prova em favor do consumidor no processo civil, quando o critério do juiz no caso concreto, ele verificar: verossimilhança das alegações ou quando o consumidor for hipossuficiente.
Se for verificado um desses dois: o ônus da prova vai para o fornecedor.
Hipossuficiência é de caráter processual (produção de provas), que consiste na inversão do ônus da prova.
☆ Vulnerabilidade ≠ Hipossuficiência: aquela, todos os consumidores tem; esta pode ser econômica, quando o consumidor aponta dificuldades financeiras, ou processual, quando o consumidor tem dificuldade de fazer prova em juízo, além de que esta condição de hipossuficiência deve ser demonstrada no caso concreto.
Havendo inversão do ônus da prova que deve ser verificada no caso concreto, cabe ao fornecedor (réu) fazer prova em juízo de que não há defeito naquele produto, que ele não colocou o produto no mercado ou que foi culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.
A inversão do ônus da prova é em todo caso, a critério do juiz e verificada no caso concreto, é o fornecedor que precisa provar que aquele seu produto não teve defeito, que ele não colocou no mercado e que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.
Se o fornecedor conseguir fazer uma dessas três provas, ele se isenta de responsabilidade.
Sempre é importante
abrir um tópico na petição inicial para pedir a inversão do ônus da prova.
O que inverte o ônus da prova é a hipossuficiência.
Verossimilhança do ônus da prova é outra hipótese de se inverter o ônus da prova, é o juiz perceber que naquela narrativa há veracidade.
Quando se inverte o ônus da prova, não quer dizer que o consumidor não vai fazer prova, ele vai, caso contrário, a ação será improcedente.
Esse autor precisa trazer minimamente provas, nem que seja o dano que ele sofreu veio realmente daquela causa, o que ele não conseguirá provar é a culpa (negligência, imprudência e imperícia).
Quando o fornecedor é profissional liberal ele responde como supletivo.
DIREITO DO CONSUMIDOR. CONSUMO INTERMEDIÁRIO. VULNERABILIDADE. FINALISMO APROFUNDADO.
Não ostenta a qualidade de consumidor a pessoa física ou jurídica que não é destinatária fática ou econômica do bem ou serviço, salvo se caracterizada a sua vulnerabilidade frente ao fornecedor. A determinação da qualidade de consumidor deve, em regra, ser feita mediante aplicação da teoria finalista, que, numa exegese restritiva do art. 2º do CDC, considera destinatário final tão somente o destinatário fático e econômico do bem ou serviço, seja ele pessoa física ou jurídica. Dessa forma, fica excluído da proteção do CDC o consumo intermediário, assim entendido como aquele cujo produto retorna para as cadeias de produção e distribuição, compondo o custo (e, portanto, o preço final) de um novo bem ou serviço. 
Vale dizer, só pode ser considerado consumidor, para fins de tutela pelo CDC, aquele que exaure a função econômica do bem ou serviço, excluindo-o de forma definitiva do mercado de consumo. Todavia, a jurisprudência do STJ, tomando por base o conceito de consumidor por equiparação previsto no art. 29 do CDC, tem evoluído para uma aplicação temperada da teoria finalista frente às pessoas jurídicas, num processo que a doutrina vem denominando "finalismo aprofundado". Assim, tem se admitido que, em determinadas hipóteses, a pessoa jurídica adquirente de um produto ou serviço possa ser equiparada à condição de consumidora, por apresentar frente ao fornecedor alguma vulnerabilidade, que constitui o princípio-motor da política nacional das relações de consumo, premissa expressamente fixada no art. 4º, I, do CDC, que legitima toda a proteção conferida ao consumidor.
☆ A doutrina tradicionalmente aponta a existência de três modalidades de vulnerabilidade: técnica (ausência de conhecimento específico acerca do produto ou serviço objeto de consumo), jurídica (falta de conhecimento jurídico, contábil ou econômico e de seus reflexos na relação de consumo) e fática (situações em que a insuficiência econômica, física ou até mesmo psicológica do consumidor o coloca em pé de desigualdade frente ao fornecedor). Mais recentemente, tem se incluído também a vulnerabilidade informacional (dados insuficientes sobre o produto ou serviço capazes de influenciar no processo decisório de compra). 
O caso concreto pode trazer novos tipos de vulnerabilidade, que poderão atrair a incidência do CDC, se não for de vulnerabilidade não vai para o código.
Além disso, a casuística poderá apresentar novas formas de vulnerabilidade aptas a atrair a incidência do CDC à relação de consumo. Numa relação interempresarial, para além das hipóteses de vulnerabilidade já consagradas pela doutrina e pela jurisprudência, a relação de dependência de uma das partes frente à outra pode, conforme o caso, caracterizar uma vulnerabilidade legitimadora da aplicação do CDC, mitigando os rigores da teoria finalista e autorizando a equiparação da pessoa jurídica compradora à condição de consumidora.  (REsp 1.195.642-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2012)
2. PRINCÍPIO DO DEVER GOVERNAMENTAL
☆ Art. 4° II, CDC - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor:
 a) por iniciativa direta;
 b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas;
c) pela presença do Estado no mercado de consumo;
d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho. 
O Estado participa da relação de consumo, como por exemplo: criando as normas de fabricação dos produtos (ex: inmetro, anvisa, vigilância sanitária).
Os padrões de qualidade dos produtos são pensados pelo Estado, no qual os fornecedores precisam adotar.
☆ Princípio da garantia de adequação: segurança e qualidade (proteção à vida, saúde e segurança) – dever do Estado de fiscalizar.        
Art. 4º, V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo;
Art. 6º, I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.
☆ Art. 4° VII, CDC - racionalização e melhoria dos serviços públicos;
Se eu tenho um Estado que fiscaliza e impõe normas e um fornecedor que aplica as boas práticas e tem meios de controle de qualidade, tem-se uma melhoria da vida do consumidor como saúde, segurança e etc. que são direitos básicos do consumidor.
Serviços públicos tem-se a participação do Estado também.
PROCON é o órgão administrativo e não judiciário, onde tenta-se resolver lá primeiro (não obrigatoriamente), e caso não de certo, é que vai para o judiciário.
☆ Estado – presença ativa – implantação da PNRC/ assegurar mecanismos protetivos.
3. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA
☆ Arts. 4º, III (III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem) e 51, IV (Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade)
São comportamentos éticos.
A boa-fé é reciproca, ou seja, o consumidor também tem o direito/dever de boa-fé, positivada pelo estado.
☆ É o dever imposto a quem quer que tome parte em uma relação negocial, de agir com lealdade e cooperação – valores éticos, abstendo-se de condutas prejudiciais à outra parte.
Ex: Site de TV deu um bug e televisores que eram de 15.000 reais e devido ao bug, estavam por 1.500 reais, onde muitas pessoas compraram, o que aconteceu foi que o presidente do IDEC (Instituto de defesa do consumidor) se manifestou dizendo que as Tv’s não seriam entregues e os consumidores seriam ressarcidos do valor, pois os consumidores também tem o dever de boa-fé, ela é objetiva e reciproca.
☆ Cooperação – evitar práticas que importem abusos ou lesões a direitos
O legislador quis positivar essa boa-fé e transparece no dever de cooperação.
☆ Boa-fé objetiva: comportamento objetivamente adequado aos padrões de ética, lealdade e honestidade – ética negocial – NORMA
Essa boa-fé objetiva e recíproca com um comportamento ético, correto e moral.
Há um princípio que traz que o fornecedor é vinculado a oferta, trata-se do principio do vinculo a oferta, que diz que o que ofertou tem que cumprir. 
No entanto, no caso concreto como foi no das TV’s, é um erro justificado, os fornecedores não precisariam cumprir com aquela oferta.
☆ Das funções da boa-fé objetiva:
a) Função interpretativa: é dirigida ao julgador, servindo como orientação e fundamento para se buscar a integração do negócio jurídico, por meio do preenchimento de lacunas: justiça no caso concreto. Art. 113, CC. Art 47, CDC
b) Função criadora de deveres jurídicos (ou integrativa): criar deveres anexos (ou laterais) que se dirigem aos contratantes – seja na fase da oferta, na execução, até mesmo na fase pós-contratual – de forma que as legítimas expectativas, criadas com a avença contratual, restem devidamente atendidas. Dá origem dos deveres anexos (art. 422, CC): princípio
da confiança.
c) Função limitadora do exercício dos direitos subjetivos (ou de controle): A vontade das partes não se apresenta mais de forma absoluta. No contrato de consumo, não se encontrar conformada aos parâmetros éticos da boa-fé objetiva - exercício abusivo de um direito, o qual deverá ser coibido e considerado, inclusive, ato ilícito. Dá ensejo ao abuso do direito (art. 187, CC). CDC: resolução do contrato.
A boa-fé vai para o legislador na hora de elaborar a lei e para os contratantes na hora de elaborar o contrato.
Ela é parâmetro, onde havendo descumprimento com a boa-fé, é um dos argumentos para rescindir o contrato.
Ex: Fornecedor não cumpriu com o que estava no contrato.
Ela é um principio basilar das relações privadas.
Obs.: Boa-fé subjetiva é aquela que está na mente do agente/sujeito e não se consegue extrair. 
Resp 595.631. Recurso especial. Civil. Indenização. Aplicação do princípio da boa-fé contratual. Deveres anexos ao contrato. 
- O princípio da boa-fé se aplica às relações contratuais regidas pelo CDC, impondo, por conseguinte, a obediência aos deveres anexos ao contrato, que são decorrência lógica deste princípio. 
- O dever anexo de cooperação pressupõe ações recíprocas de lealdade dentro da relação contratual. 
- A violação a qualquer dos deveres anexos implica em inadimplemento contratual de quem lhe tenha dado causa. 
- A alteração dos valores arbitrados a título de reparação de danos extrapatrimoniais somente é possível, em sede de Recurso Especial, nos casos em que o quantum determinado revela-se irrisório ou exagerado. 
Recursos não providos.
Valores
Princípios
Regras

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