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(Art. 8, Lei 13.300 e 102, I, q da CRFB/88). Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a 
injunção para: I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma 
regulamentadora; 
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas 
reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a 
exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. 
Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do caput quando comprovado 
que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição 
da norma. 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente: 
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da 
República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas 
Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo 
Tribunal Federal; 
A situação apresentada trata da inércia legislativa em regulamentar um direito social constitucionalmente 
previsto. Neste caso, a orientação jurídica mais adequada seria a proposição de um mandado de injunção 
por Fernando perante o Supremo Tribunal Federal (STF). 
O mandado de injunção, conforme disposto no artigo 5º, inciso LXXI, da Constituição Federal de 1988, é o 
instrumento jurídico adequado para sanar uma lacuna legislativa que impede a fruição de um direito ou 
liberdade constitucional. Esse remédio constitucional é utilizado quando a falta de norma regulamentadora 
torna inviável o exercício de direitos e liberdades constitucionais, bem como de prerrogativas inerentes à 
nacionalidade, à soberania e à cidadania. 
A Lei 13.300, que regula o mandado de injunção, estabelece no seu artigo 8º as medidas que podem ser 
tomadas diante de uma mora legislativa. O inciso I do referido artigo autoriza o Judiciário a estabelecer um 
prazo razoável para que o órgão responsável promova a edição da norma regulamentadora. Além disso, o 
inciso II permite ao Judiciário definir as condições em que se dará o exercício do direito, liberdade ou 
prerrogativa, caso a mora legislativa não seja suprida no prazo determinado. 
No caso concreto, o STF já reconheceu a mora do Congresso Nacional em regulamentar o direito social em 
questão. Portanto, o mandado de injunção seria o meio adequado para Fernando buscar a efetivação de seu 
direito. Neste mandado, poderia ser solicitado que o STF estabelecesse as condições para o exercício do 
direito social em questão, suprindo assim a falta de regulamentação específica. 
Ademais, o artigo 102, I, q, da Constituição Federal atribui competência ao STF para processar e julgar 
originariamente os mandados de injunção quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição 
do Presidente da República, do Congresso Nacional, entre outros órgãos federais. Dessa forma, Fernando 
estaria agindo conforme as disposições constitucionais e legais ao impetrar um mandado de injunção 
perante o STF para garantir o exercício do direito social não regulamentado. 
 
QUESTÃO 13. O Presidente da República promulgou a Lei Federal XX/2022, versando sobre certa matéria, 
que também poderia ser objeto de medida provisória. Tal lei vem sendo aplicada normalmente por 
diversos órgãos judiciais e administrativos do País. 
No entanto, convicto da inconstitucionalidade da Lei Federal XX/2022, um legitimado resolveu ajuizar 
ação direta de inconstitucionalidade (ADI) perante o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o referido 
 
 
diploma legal. No julgamento da ADI, o Plenário do STF resolve, por maioria absoluta de seis Ministros, 
julgar procedente o pedido e declarar a inconstitucionalidade da Lei Federal XX/2022. 
Com base na situação hipotética apresentada, assinale a opção que está de acordo com o sistema 
brasileiro de controle de constitucionalidade. 
a) A decisão final de mérito do STF no julgamento da ADI tem efeito vinculante todo o Poder Judiciário, 
incluindo o próprio Pleno do Tribunal. 
b) O Presidente da República poderá editar medida provisória sobre a matéria, porque, ao exercer função 
legislativa, não está vinculado à decisão definitiva de mérito do STF, proferida em sede de ADI. 
c) A decisão definitiva de mérito proferida pelo STF no julgamento da referida ADI produz efeito erga 
omnes, porque vincula plenamente todos os três Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário). 
d) Apenas a Administração Pública direta, nas esferas federal, estadual e municipal, está vinculada à 
decisão definitiva de mérito proferida pelo STF em sede de ADI. 
Comentários 
A alternativa correta é a letra B. 
(Art. 28, p.u, Lei. 9.868/99). 
Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará 
publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão. 
Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação 
conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia 
contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, 
estadual e municipal. 
A alternativa se alinha com o sistema brasileiro de controle de constitucionalidade. O ponto central da 
questão é a possibilidade do Presidente da República editar medida provisória (MP) sobre uma matéria já 
declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (ADI). 
Primeiro, é importante entender que a ADI é um instrumento de controle concentrado de 
constitucionalidade, utilizado para questionar a constitucionalidade de leis ou atos normativos federais ou 
estaduais perante o STF. Quando o STF declara uma lei inconstitucional em ADI, esta decisão tem efeito 
vinculante e erga omnes, ou seja, vincula todos os órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública, e 
tem efeito sobre todos, conforme o artigo 28, parágrafo único, da Lei 9.868/99. 
Entretanto, essa vinculação não atinge diretamente a função legislativa, que inclui a capacidade do 
Presidente da República de editar medidas provisórias. O entendimento é que, mesmo após a declaração de 
inconstitucionalidade de uma lei pelo STF, o Presidente, no exercício de sua função legislativa, pode editar 
uma MP sobre a mesma matéria. Contudo, essa MP não pode simplesmente replicar o conteúdo da lei 
declarada inconstitucional, pois isso violaria a decisão do STF. A MP deverá trazer uma abordagem diferente 
ou tratar a matéria de uma forma que não confronte o entendimento do STF sobre a inconstitucionalidade. 
Portanto, embora o Presidente da República possa editar uma MP sobre a mesma matéria de uma lei 
declarada inconstitucional pelo STF, ele deve fazer isso respeitando os limites estabelecidos pela decisão do 
Tribunal, evitando reincidir nos mesmos vícios de inconstitucionalidade que levaram à invalidação da lei 
anterior. 
 
QUESTÃO 14. À luz de um caso concreto, que envolvia um cliente do escritório, dois advogados iniciaram 
um debate sobre a relevância do instituto da Súmula Vinculante como instrumento de interpretação.