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Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 
Princípios da Medicina de Família e Comunidade 
• Centrado na pessoa, não na doença 
• Centrado na relação entre o médico e o paciente, e 
na relação dele com sua família e comunidade 
➔ Aborda o processo de saúde-adoecimento como um 
fenômeno complexo, relacionado a interação de 
fatores biológicos, psicológicos, sócio ambientais e 
espirituais, sendo um processo influenciado 
fortemente pela estrutura familiar comunitária do 
indivíduo 
• Conferência de Alma-Ata aconteceu no 
Cazaquistão 
1975 – Surgiram os primeiros programas de residência 
médica em medicina da família sob denominações 
diversas 
1981 – Passou a ser especialidade chama de Medicina 
Geral Comunitária por meio da Resolução da Comissão 
Nacional de Residência Médica (CNRM) 
2001 – Passou a receber a de Medicina da Família e 
Comunidade, reconhecida pela CNRM e pelo Conselho 
Federal de Medicina (CFM) 
Aspectos da prática do MFC comparados com outras 
especialidades: 
Médico de família e comunidade 
• Foco na pessoa 
• Continuidade sustentada 
• Geração de hipóteses e testes 
• Pouco específico 
• Problemas vistos no início, pouco definidos 
Outras especialidades 
• Foco na doença 
• Continuidade mínima 
• Baixa construção de hipóteses e padrão de 
reconhecimento 
• Mais específico 
• Problemas vistos mais tarde 
APS (Atenção Primária à Saúde) 
➔ É o cuidado de primeiro contato, ou seja, porta de 
entrada da pessoa para o sistema de saúde 
➔ Possui um atendimento integral e contínuo 
➔ Tem a função de servir e coordenar todas as 
necessidades de saúde da pessoa 
➔ Assume uma responsabilidade pela comunidade 
➔ É um tipo altamente personalizado de prestação de 
serviços 
Objetivos da Medicina de Família e Comunidade: 
1. Atuar a partir de uma abordagem biopsicossocial e 
existencial do processo saúde-adoecimento 
2. Desenvolver ações integrais de promoção, proteção, 
recuperação da saúde, no nível individual e coletivo 
3. Priorizar a prática médica centrada na pessoa, 
privilegiando o acesso, o primeiro contato, o 
vínculo, a continuidade e a integralidade do cuidado 
na atenção à saúde 
4. Coordenar os cuidados de saúde prestados a 
determinado indivíduo, referenciando, sempre que 
necessário, para outras especialistas, mas sem 
perder o vínculo 
5. Atender com elevado grau de qualidade e 
resolutividade, sem diferenciar o gênero ou faixa 
etária 
6. Desenvolver, planejar, executar e avaliar, junto a 
equipe de saúde, programas integrais de atenção, 
objetivando dar respostas adequadas as 
necessidades de saúde de uma população adscrita. 
7. Estimular a resiliência, a participação e a autonomia 
dos indivíduos, das famílias e da comunidade 
8. Desenvolver novas tecnologias em APS 
9. Desenvolver habilidades no campo da metodologia 
pedagógica e a capacidade de autoaprendizagem e 
empoderamento dos indivíduos 
10. Desenvolver a capacidade de atuação médica 
humanizada, relevando seus aspectos científicos, 
éticos e sociais. 
Características desejáveis aos médicos de família e 
comunidade: 
• Forte senso de responsabilidade para o atendimento, 
total e permanente, das pessoas e da família durante 
saúde, doença e reabilitação 
• Compaixão e empatia, com sincero interesse na 
pessoa e na família 
• Atitude constantemente curiosa, entusiasmo com os 
problemas médicas indiferenciados e sua resolução 
• Interesse no amplo espectro da medicina clínica 
• Habilidade para lidar confortavelmente com 
múltiplos problemas que ocorrem ao mesmo tempo 
em uma pessoa 
• Desejo de frequentes e variados desafios 
intelectuais e técnicos 
• Capacidade de apoio às crianças durante o 
crescimento e desenvolvimento e em sua adaptação 
à família e à sociedade 
• Ajudar as pessoas a lidar com os problemas do 
cotidiano e na manutenção da estabilidade da 
família e da comunidade 
• Capacidade para atuar como coordenador de todos 
os recursos de saúde no atendimento de uma pessoa 
• Entusiasmo em aprender e na satisfação que vem da 
manutenção do conhecimento médico atualizado 
mediante educação médica continuada 
• Capacidade de manter a compostura em tempos de 
estresse e responder rapidamente utilizando lógica, 
eficácia e compaixão 
• Desejo de identificar os problemas o mais cedo 
possível ou de prevenir a doença inteiramente 
• Habilidades necessárias para gerenciar doenças 
crônicas e para assegurar a máxima recuperação 
após a doença aguda 
Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 
• Habilidades para desenvolver, e um compromisso, 
de educar as pessoas e familiares sobre os processos 
de doenças de os princípios da boa saúde 
Princípios da MFC 
1. O médico de família e comunidade é um clínico 
qualificado 
 Deve ser competente, demonstrar empatia e 
harmonizando a relação clínica 
 Deve conhecer os problemas de saúde mais 
frequentes (Das mais comuns as mais graves e 
emergentes) 
 Estar atualizado com os protocolos mais 
recentes 
2. A atuação do médico de família é influenciada pela 
comunidade 
 Conhecer as condições de saúde da população de 
abrangência 
 Ele verá pessoas com doenças crônicas, 
problemas emocionais, distúrbios agudos e 
contextos pessoas e familiares com problemas 
biopsicossociais complexos 
3. O médico de família é recurso de uma população 
definida 
 Estima-se que atende entre 1800 a 20220 
pessoas 
4. A relação médico-pessoa é fundamental para o 
desempenho do médico de família e comunidade 
 Deve ser caracterizada pela compaixão, 
paciência, compreensão e honestidade. 
 Experiência do adoecimento varia de pessoa 
para pessoa 
 A história de vida, a personalidade e o contexto 
em que cada um está inserido repercutem 
fortemente na maneira como cada um enxerga 
sua doença 
Consulta e Abordagem Centrada na Pessoa 
• Cada pessoa é única 
• Construa uma relação específica 
• Contato visual é fundamental, demonstre interesse 
• Iniciar a consulta com perguntas abertas (Em que 
posso ajudar?) 
• Harmonizar é um objetivo essencial 
• Buscar empatia 
Consulta – É o encontro entre pessoas com 
expectativas, objetivos e tarefas definidas, em que se 
estabelece uma relação cujos objetivos principais são 
iguais, ou seja, o cuidado à saúde e a qualidade de vida 
Como é feito o preparo do médico para a consulta? 
• No curso de graduação, na sua postura e nos seus 
interesses frente ao aprendizado, e nos modelos de 
médico com os quais se identifica 
• Segue com a escolha da especialidade 
• Continua com o preparo na especialização 
• Tem relação com o seu momento de vida atual 
• Culmina nos momentos preliminares à consulta, 
como influência da consulta imediatamente 
anterior, conhecimento prévio da pessoa, etc 
Como é o prepara da pessoa que busca uma consulta? 
• Começa com sua história pessoal, familiar, genética 
e cultural, dos contatos com o adoecer 
• Progride com o estabelecimento do estilo de vida, 
ciclo de vida e outros aspectos biopsicossociais que 
interferem na saúde 
• Segue com a decisão no momento de buscar ajuda 
• Passa pela escolha do médico 
• Segue na recepção da Unidade de Saúde e tem seus 
momentos finais no ambiente e nas conversas da 
sala de espera e na escuta inicial 
Clímax do encontro é a consulta: Médico especialista 
em diagnósticos, exames e medicamentos Pessoa 
especialista nela própria 
Aspectos essenciais para uma consulta bem organizada 
e caracterizada: 
➔ Ter controle de cena: Ambiente, tempo, etc 
➔ Estimular a pessoa a falar, de forma orientada 
➔ Encorajar a pessoa a falar sobre ela e suas 
percepções 
➔ Enfatizar aspectos fortes apresentados ou 
identificados 
➔ Incorporar esse modelo de comportamento 
expresso nos itens anteriores 
Onde os médicos erram 
• Pressupor que a pessoa não vai entender as 
explicações 
• Mentir ou omitir informações para poupar a pessoa 
sem que ela tenha manifestado vontade denão saber 
• Confundir persuasão com coerção. Ameaçar de 
morte não é a melhor forma de convencer de que 
um tratamento é melhor que o outro 
• Sentir-se ofendido se a pessoa manifesta desejo de 
ouvir outras opiniões 
• Impor à pessoa apenas uma possibilidade de 
tratamento, quando existem outras opções 
O QUE OS MÉDICOS DEVEM FAZER 
1. Ser paciente e explicar quantas vezes for necessário. 
(A pessoa precisa entender o básico para tomar 
decisões) 
2. Evitar muitas informações 
3. Falar sempre francamente, usando bom senso para 
perceber o que a pessoa está preparada para escutar 
4. Ser cordial. Falar com a pessoa e escutar o que ela 
tem a dizer 
5. Usar linguagem adequada, que possa ser entendida 
facilmente sem ser formal ou coloquial demais. 
Escrever 
6. Deixar em aberto a possibilidade de a pessoa buscar 
a opinião de outros profissionais 
2200
Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 
7. Saber respeitar as decisões da pessoa, mesmo que 
contrariem o que você acha melhor para ela 
8. Caso se sinta constrangido, comunicar à pessoa e 
discutir a possibilidade de encaminhá-lo a outro 
profissional 
Componentes do método clínico de abordagem 
centrado na pessoa: 
1. Explorar a doença e a experiência da pessoa em 
estar doente 
 4 dimensões devem ser avaliadas (SIFE) 
S: Sentimentos – Como a doença está afetando 
emocionalmente a pessoa (medos e preocupações) 
I: Ideias – Ideias da pessoa sobre o que pode estar de 
errado 
F: Função – Compreender como o problema afeta a vida 
diária da pessoa 
E: Expectativas – Expectativas do que pode ser feito 
pelo profissional para ajudá-lo a melhorar 
2. Entender a pessoa como um todo, inteira 
 Envolvimento com a família, educação 
emprego, lazer, comunidade, cultura, religião, 
situação econômica. 
 
3. Elaborar um projeto comum ao médico e à pessoa 
para manejar os problemas 
 Busca pela concordância entre três áreas: 
▪ A natureza dos problemas e o estabelecimento das 
prioridades 
▪ Definição dos objetivos do tratamento 
▪ Caracterização dos papéis do médico e da pessoa 
 
4. Incorporar prevenção e promoção da saúde na 
prática diária 
 
5. Intensificar a relação médico-pessoa 
 
6. Ser realista 
 Possibilita o médico usar tempo e energia de 
forma eficiente, não tendo expectativas além das 
possibilidades 
 Conhecer a rede de atenção, a agenda para saber 
se pode demorar mais na consulta ou não 
 Uso adequado dos recursos disponíveis, tempo, 
onde vai encaminhar o paciente 
Abordagem Familiar 
Formas de apresentação da família: 
• Nuclear: Pai, mãe, filhos 
• Extensa: Relação de consanguinidade 
• Abrangente: não parentes que coabitam a casa 
➔ A família é considerada a unidade base para o 
treinamento social 
Quando devemos chamar a família para participar da 
consulta? 
➔ Nas doenças crônicas com não aderência ao 
tratamento 
➔ Na recusa de tratamento ou de outro cuidado 
específico que possa trazer risco pessoal, familiar 
ou comunitário 
➔ Consultas de puericultura 
➔ Pré natal 
➔ Nos problemas mentais e naqueles com baixo 
intelecto 
➔ Nos casos de problemas interpessoais familiares 
 
▪ A única situação em que há contraindicação em 
convidar a família a realizar a consulta em conjunto 
é quando existir o risco de violência direta à 
alguém: Ao paciente, a algum dos membros da 
família à equipe de saúde ou ao médico. 
Etapas da entrevista com a família 
1. Apresentação social – Cumprimente cada pessoa 
individualmente 
2. Aproximação – Buscar pontos de aproximação, 
conhecer o cotidiano das pessoas e perceber a 
diferentes formas de comunicação, tanto verbal, 
quanto não verbal 
3. Entendimento da situação – Solicite a cada um que 
mostre seu ponto de vista, ouvir atentamente 
4. Discussão – Encoraje a família a conversar. 
Organize esta conversa evitando desentendimentos 
5. Estabelecimento de um plano terapêutico – Vá 
introduzindo orientações médicas e conhecimentos 
científicos e embasamentos técnicos que 
juntamente com os pontos de vista dos familiares e 
pessoas que consulta possibilite a elaboração de um 
plano terapêutico, encoraje a família a participar da 
elaboração, da execução e avaliação deste. 
A abordagem familiar é baseada em três pontos 
fundamentais: 
• Anatomia familiar – Nomes, datas, profissão, 
escolaridade, etc 
• Ciclo de vida – Representa a fase da vida que a 
família se encontra 
• Funcionamento – As regras de convivência familiar 
Ferramentas para abordagem familiar 
➔ Ciclo de Vida 
➔ Genograma 
➔ Ecomapa 
➔ FIRO 
➔ PRACTICE 
CICLO DE VIDA 
• Sequência de transformações na história do 
desenvolvimento da família 
• Fase em que a família se encontra 
Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 
• Isso ajudará o MFC prever possíveis situações que 
serão enfrentadas pelo indivíduo ou pela família 
• Períodos de maior vulnerabilidade são aqueles onde 
há a passagem de uma fase do ciclo de vida familiar 
para outra fase 
1. Saindo da casa, jovens solteiros – aceitar a 
responsabilidade emocional e financeira 
2. Novo casal – casamento – união de dois adultos 
jovens e independentes 
3. Nascimento do 1º filho – aceitar novos membros no 
sistema marital 
4. Família com adolescentes – Ter flexibilidade nas 
fronteiras familiares para incluir a independência 
dos filhos e fragilidade dos avós 
5. Lançando os filos e seguindo em frente – “ninho 
vazio” – aceitar várias saídas e entradas familiares 
6. Famílias no estágio tardio da vida – aceitar a 
mudança dos papeis em cada geração 
Ciclo de vida familiar da população de classe popular 
(Estágios) 
1. Adolescência/Adulto jovem solteiro – As fronteiras 
entre a adolescência e a idade adulta jovem são 
confusas 
2. Família com filhos – Começa sem que ocorra 
necessariamente o casamento, mas com a geração 
de filhos e a busca por formar um sistema conjugal, 
assumir papéis paternos e realinhamento dos 
relacionamentos com a família 
3. Família no estágio tardio da vida – Ocorre com 
frequência uma composição familiar com 3 ou 4 
gerações. Há pouca probabilidade de haver “ninho 
vazio”. Muitas vezes a base de sustentação familiar 
depende da aposentadoria de um dos avós. 
ANATOMIA FAMILIAR = Genograma + Ecomapa 
GENOGRAMA 
• Representação gráfica da estrutura familiar 
• Representa os diferentes membros da família, 
padrão de relacionamento e suas principais 
morbidades 
• Deve conter: Nomes; Idades; Estado marital 
(solteiro/casado); Casamentos prévios; Filhos, 
netos e agregados; Doenças da família; Datas de 
eventos traumáticos; Ocupações; Proximidades, 
distância ou conflito entre os membros; Outras 
informações que sejam relevantes 
• Homens ficam do lado esquerdo e mulheres do lado 
direito 
• Pessoas que moram 
na mesma casa 
devem-se circular e 
a pessoa índice deve 
ser grifada com 
dupla linha 
• Sempre deverá estar 
acompanhado de 
legenda, data de realização, atualizações e o nome 
de quem colheu as informações 
 
ECOMAPA 
• Identifica as relações e ligações da família com o 
meio onde habita 
• Linha simples indica que há uma ligação 
• Direção do fluxo de energia representada por uma 
seta. A direção da seta indica se o indivíduo/família 
gastam energia na relação com algum elemento da 
rede social, se eles se beneficiam dessa relação, ou 
se ambos ocorrem 
 
 
 
 
 
 
FIRO 
• Orientações Fundamentais nas Relações 
Interpessoais (Fundamental Interpersonal Relations 
Orientations FIRO) 
• Procuram avaliar os sentimentos de membros da 
família na vivência das relações do cotidiano 
• Usado quando as interações na família podem ser 
categorizadas nas dimensões inclusão, controle e 
intimidade, ou seja, a família pode ser estudada 
quanto às suas relações de poder, comunicação e 
afeto 
• Quando a família sofre mudanças importantes, ou 
ritos de passagem, tais como descritos no ciclo de 
vida, e faz-se necessáriocriar novos padrões de 
inclusão, controle e intimidade 
Inclusão – Desvenda os que “estão dentro” ou os que 
“estão de fora” do contexto familiar. Mostra como os 
membros da família se organizam, como se interagem, 
como compartilham. Identidade da família como um 
Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 
grupo, incluindo as questões de valores e dos rituais 
familiares. 
Intimidade – Refere-se às interações familiares 
correlatas às trocas interpessoais, ao modo de 
compartilhar sentimentos, tais como esperanças e 
frustrações, ao desenvolvimento de atitudes de 
aproximação ou de distanciamento entre os familiares, 
às vulnerabilidades e às fortalezas 
P.R.A.C.T.I.C.E 
• Deve ser utilizado em situações mais complexas 
para resolver algum problema que a família 
apresenta e aplicado em reuniões familiares 
• Instrumento que permite a avaliação do 
funcionamento das famílias, facilita a coleta de 
informações e entendimento do problema, seja ele 
de ordem clínica, comportamental ou relacional, 
assim como a elaboração de avaliação e construção 
de intervenção com dados colhidos junto à família 
P: Problema – Permite que equipe conheça o problema 
da família e o que os diferentes membros da família 
pensam e sentem a respeito do fato 
R: Papéis e estrutura – Permite conhecer quais os papéis 
de cada membro da família e como se desempenham 
A: Afeto – Como se dá a troca de afeto dentro da 
família, e como isso afeta positivamente ou 
negativamente na resolução do problema 
C: Comunicação – Como é feita a comunicação verbal 
e não-verbal no contexto familiar 
T: Tempo – Procura correlacionar o problema 
apresentado com os papéis esperados dentro do ciclo de 
vida da família, procurando verificar onde está situada 
a dificuldade 
I: Doenças na família (passadas ou presentes) – 
Resgatam-se doenças vividas anteriormente pela 
família, como foi feito o cuidado, buscando valorizar as 
atitudes de cada membro da família, demonstrando a 
importância do suporte familiar no cuidado de um 
membro da família 
C: Lidando com o estresse – Procura identificar os 
recursos utilizados pela família para lidar com situações 
anteriores de estresse e como utilizar estes recursos para 
enfrentar a crise presente 
E: Ecologia – Procura conhecer os suportes externos 
que possam apoiar a família nesta situação atual 
Cultura, Saúde e o Médico da Família 
Características do sistema de saúde podem auxiliar na 
obtenção de uma melhor competência cultural: 
• Adequação entre a população adscrita e equipe de 
saúde 
• Política de fixação do profissional na mesma região 
por períodos prolongados 
• Planejamento das ações baseadas no diagnóstico 
local 
➔ Diversos aspectos do comportamento individual 
são determinados por fatores socioculturais 
Motivos para se aprimorar a qualidade dos contatos 
interculturais: 
• Melhorar a relação e a comunicação para uma 
melhor adequação a diferentes subgrupos 
populacionais 
• Melhorar a adesão, as recomendações e o diálogo 
com as discordâncias 
• Diminuir atritos com outras formas de cuidado à 
saúde frequentemente mobilizadas pelas pessoas 
Evidências 
• A percepção cotidiana de que a simples aplicação 
da melhor evidência científica disponível na 
literatura internacional nem sempre produz o 
melhor resultado e a melhor satisfação 
• Melhora o desempenho em casos difíceis como o de 
hiperutilizadores ou de pessoas que não aderem às 
orientações 
• Entender a insuficiência da ciência como 
abordagem exclusiva perante os fenômenos 
complexos da vida, adoecimento e morte 
Antropologia Cultural – Todos os fenômenos 
relacionados com o ser humano e as formas que ele se 
relaciona com os outros seres humanos, grupos sociais, 
religiões e cultura 
Antropologia Médica – Área que trata das questões 
vinculadas ao corpo, à saúde e à doença. Como as 
pessoas, nas diferentes culturas e grupos sociais, 
explicam as causas das doenças, os tipos de tratamento 
em que acreditam e a quem recorrem se ficam doentes. 
➔ Os cursos de medicina NÃO preparam os 
profissionais para lidar com a diversidade. A falta 
de preparo faz com que os aspectos culturais sejam 
menosprezados, ou mesmo temidos, durante o 
processo de cuidado. 
DISIASE 
• Visão médica da doença 
• Doença vista com um problema físico-biológico 
• Forma como a experiência da doença é interpretada 
pelos profissionais de saúde 
ILLNESS 
• Modo como as pessoas percebem a sua doença 
• Fenômeno que engloba aspectos individuais, 
sociais e culturais da experiência de adoecimento 
• Acham que tem alguma causa (ex: mau-olhado) 
Propostas para perder o receio de assumir a 
competência intercultural como característica diária 
da prática da MFC: 
Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 
1. Admitir que EU estou totalmente convencido de 
uma cultura e que ao me formar profissional de 
saúde assumo mais este universo cultural, onde o 
meu trabalho médico depende de uma observação 
densa, uma leitura da realidade ao meu redor 
2. Perceber a realidade do outro, sempre, com total 
respeito. Questões éticas complexas nascem desses 
encontros culturais. 
3. Conhecer os recursos terapêuticos disponíveis para 
aquela população e a forma de acesso a ela 
4. Aprendizado da língua e dialeto local, quando for 
necessário 
5. Contato com pessoas importantes na comunidade 
de forma respeitosa, sem preconceitos e com grande 
empatia 
6. Cesso a dados previamente coletados e a estudos 
antropológicos já realizados 
LEARN 
• Organização em um encontro terapêutico com uma 
abordagem que se pretende sensível culturalmente 
L: Listen – Ouvir com empatia e tentar entender a 
percepção da pessoa eu busca ajuda. 
E: Explain – Explicar, em palavras acessíveis, a visão 
médica do problema 
A: Acknowledge – Admitir que há diferenças (se 
existirem) e semelhanças, problematizando os pontos de 
vista 
R: Recommend – Recomendar um tratamento ou outras 
ações de cuidado à saúde 
N: Negociate – Negociar um acordo 
Questões a serem indagadas: 
1. Como você chama este problema? 
2. O que você acredita que causa este problema? 
3. Como você espera que seja o seu andamento? Quão 
sério é o seu problema? 
4. Como você pensa que este problema age dentro de 
seu corpo? 
5. Como você pensa que este problema age em sua 
mente? 
6. O que você teme que possa acontecer? 
7. O que você teme em relação ao tratamento? 
QULTURA 
Q: Qualificar a escuta 
U: Usuário, sua família, comunidade, no centro do 
processo 
L: Levantar a importância de cada atuante-chave 
T: Tabelar ou mapear atuantes 
U: Unir resultados em um pacto terapêutico 
R: Reorganizar o coletivo 
A: Avaliação conjunta e adequação do plano 
• Delimita os novos limites do coletivo que se 
expressa nos sintomas da doença e, se 
adequadamente trabalhado, na configuração da cura 
ou controle desses. 
Práticas Integrais e Complementares (PICS) 
Objetivos: 
➔ Estimular as ações referentes ao 
controle/participação social, promovendo o 
envolvimento responsável e continuado dos 
usuários, gestores e trabalhadores da saúde 
➔ Promover a racionalização das ações de saúde, 
estimulando alternativas inovadoras e socialmente 
contributivas ao desenvolvimento sustentável 
➔ Contribuir ao aumento da resolubilidade do Sistema 
e ampliação do acesso à PNPIC 
 
• Cada racionalidade médica é um universo em si 
• Não há como se fazer um utilitarismo terapêutico 
raso, uma miscelânea de práticas concomitantes, 
com o perigo de piora do estado de saúde 
• Trata-se justamente de integrar e complementar o 
cuidado coerentemente, de forma segura e 
inteligente 
• Para todo profissional que trabalha com saúde, é 
mais importante ter a realidade em si do que é um 
ser humano saudável do que ter a noção do que 
significa estar doente 
 
➔ São formas de cuidado que chamam a atenção pela 
integratividade com que lidam com a complexidadehumana (em suas dinâmicas física, emocional, 
mental, social e espiritual) em uma prática 
sistematizada e coerente 
MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 
• Práticas Corporais 
• Práticas mentais (meditação) 
• Orientação alimentar 
• Uso de plantas medicinais (Fitoterapia tradicional 
chinesa) 
AURICULOTERAPIA 
• Método terapêutico de analgésico 
• Estímulos no pavilhão auricular 
• Cada ponto na orelha tem um órgão específico 
• “Bebê de cabeça para baixo” 
Finalidades 
• Tratamento de dores por tensões 
• Problemas reumáticos, respiratórios, etc 
• Auxilia no combate à ansiedade e depressão 
• Método contra hipertensão e palpitações 
• Doenças da tireoide 
Formas de estimulação 
• Filiformes – Aplicadas sobre os pontos 
Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 
• Intradérmicas – Ficam embaixo da pele por uma 
semana 
• Esferas magnéticas – Coladas na pele por 5 dias 
• Semente de mostarda – Aquecida ou não 
➔ Aplicação de semente de mostarda precisa que haja 
estimulação no ponto várias vezes ao dia, já com a 
utilização de agulhas filiformes não precisa. 
MEDITAÇÃO – MINDFULNESS 
• Respiração profunda em uma posição confortável 
• Traz toda a sua consciência para aquela respiração 
• Atenção direcionada a um foco específico 
• Mindfulness = Atenção plena 
• Prestar atenção, perceber e estar presente em 
qualquer atividade que você esteja fazendo 
• Pode ser praticado a qualquer hora e local 
• Pode ser praticado durante a meditação comum 
• Não necessita de um período específico 
➔ Quando está praticando mindfulness está 
meditando, mas nem toda meditação inclui uma 
prática de mindfulness 
4 práticas de Mindfulness 
• Aproveitar os períodos do dia que é necessário a 
espera 
• Perceber as sensações do corpo em movimento 
• Pausar e respirar ½ vezes na troca de atividade no 
dia a dia 
• Concentração na alimentação 
➔ Atletas praticam Mindfulness antes, durante e após 
competições 
AROMATERAPIA 
• Medicina natural e alternativa, que envolve a arte e 
a ciência 
• Utilização de óleos essenciais que são extraídos de 
plantas 
• Métodos mais utilizados são: inalação, banho 
aromático e aplicação na pele 
• Ajuda a equilibrar emoções, controle do estresse e 
da ansiedade, redução da tensão corporal, redução 
das dores físicas, ajuda no tratamento de demência, 
apresenta efeitos analgésicos, auxilia no sono, reduz 
náuseas e vômitos, presença de atividade 
antimicrobiana em alguns óleos essenciais 
Contraindicação 
• Pode irritar a superfície cutânea em caso de má 
utilização 
• Para algumas pessoas, os óleos à base de cetonas 
desencadeiam distúrbios neurológicos 
• Óleos de cânfora ou alecrim, se utilizados de forma 
inadequada, podem causar epilepsia 
• Alguns óleos, sob efeito de fotosensibilização, 
deixam a derme menos resistentes aos raios UV 
• Contraindicado para grávidas e recém-nascidos 
 
▪ Alecrim – Artrite, cansaço mental, fraqueza 
▪ Artemísia – Epilepsia, amenorreia e dismenorreia, 
vômitos nervosos, convulsões, acaríase e oxiurose 
▪ Benjom – Resfriados, tosse, bronquites, laringites e 
infecções das vias respiratórias 
▪ Bergamota – Eczema, acne, seborreia, furúnculos, 
cistites, prurido vaginal, halitose, pele oleosa, 
psoríase 
▪ Camomila-dos-alemães – Úlceras gastrintestinais, 
inflamações 
▪ Lavanda- Asma, bronquite, dores de garganta, 
gripe, enxaqueca, depressão, tensão e insônia 
FITOTERAPIA 
• Engloba conhecimento e utilização de plantas na 
cultura popular ou não 
• Medicamentos fitoterápicos utilizam conceitos 
farmacológicos para a extração de compostos das 
plantas 
• Utilização de plantas para fazer loções e chás 
• Indicado em todas as idades com uso controlado 
• Podem auxiliar na ansiedade, estresse, cicatrização, 
cansaço excessivo, insônia, etc 
HOMEOPATIA 
• Baseada no princípio vitalista e no uso da lei dos 
semelhantes, enunciada por Hipócrates no séc. IV 
a.C. 
• A homeopatia no SUS recoloca o sujeito no centro 
do paradigma da atenção, compreendendo-o nas 
dimensões física, psicológica, social e cultural 
• O adoecimento é a expressão da ruptura da 
harmonia dessas diferentes dimensões. Dessa 
forma, essa concepção contribui para o 
fortalecimento da integralidade da atenção à saúde 
• Fortalece a relação médico-paciente como um dos 
elementos fundamentais da terapêutica, provendo a 
humanização na atenção, estimulando o 
autocuidado e a autonomia do indivíduo. 
• Atua em diversas situações clínicas do 
adoecimento, por ex. nas doenças crônicas não 
transmissíveis, respiratórias e alérgicas, transtornos 
psicossomáticos, reduzindo a demanda por 
intervenções hospitalares e emergenciais, 
contribuindo para a melhoria da qualidade de vida 
dos usurários 
• Contribui para o uso racional de medicamentos, 
podendo reduzir a farmacodependência 
YOGA 
• Maior consciência e controle sobre a mente e as 
emoções 
• Traz flexibilidade e fortalece o corpo, calma e foco 
para a mente, harmoniza as emoções através da 
respiração, reduz a frequência cardíaca e a pressão 
arterial, auxilia no tratamento da depressão, diminui 
a produção de cortisol, diminui ansiedade e melhora 
a qualidade do sono

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