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Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 Princípios da Medicina de Família e Comunidade • Centrado na pessoa, não na doença • Centrado na relação entre o médico e o paciente, e na relação dele com sua família e comunidade ➔ Aborda o processo de saúde-adoecimento como um fenômeno complexo, relacionado a interação de fatores biológicos, psicológicos, sócio ambientais e espirituais, sendo um processo influenciado fortemente pela estrutura familiar comunitária do indivíduo • Conferência de Alma-Ata aconteceu no Cazaquistão 1975 – Surgiram os primeiros programas de residência médica em medicina da família sob denominações diversas 1981 – Passou a ser especialidade chama de Medicina Geral Comunitária por meio da Resolução da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) 2001 – Passou a receber a de Medicina da Família e Comunidade, reconhecida pela CNRM e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) Aspectos da prática do MFC comparados com outras especialidades: Médico de família e comunidade • Foco na pessoa • Continuidade sustentada • Geração de hipóteses e testes • Pouco específico • Problemas vistos no início, pouco definidos Outras especialidades • Foco na doença • Continuidade mínima • Baixa construção de hipóteses e padrão de reconhecimento • Mais específico • Problemas vistos mais tarde APS (Atenção Primária à Saúde) ➔ É o cuidado de primeiro contato, ou seja, porta de entrada da pessoa para o sistema de saúde ➔ Possui um atendimento integral e contínuo ➔ Tem a função de servir e coordenar todas as necessidades de saúde da pessoa ➔ Assume uma responsabilidade pela comunidade ➔ É um tipo altamente personalizado de prestação de serviços Objetivos da Medicina de Família e Comunidade: 1. Atuar a partir de uma abordagem biopsicossocial e existencial do processo saúde-adoecimento 2. Desenvolver ações integrais de promoção, proteção, recuperação da saúde, no nível individual e coletivo 3. Priorizar a prática médica centrada na pessoa, privilegiando o acesso, o primeiro contato, o vínculo, a continuidade e a integralidade do cuidado na atenção à saúde 4. Coordenar os cuidados de saúde prestados a determinado indivíduo, referenciando, sempre que necessário, para outras especialistas, mas sem perder o vínculo 5. Atender com elevado grau de qualidade e resolutividade, sem diferenciar o gênero ou faixa etária 6. Desenvolver, planejar, executar e avaliar, junto a equipe de saúde, programas integrais de atenção, objetivando dar respostas adequadas as necessidades de saúde de uma população adscrita. 7. Estimular a resiliência, a participação e a autonomia dos indivíduos, das famílias e da comunidade 8. Desenvolver novas tecnologias em APS 9. Desenvolver habilidades no campo da metodologia pedagógica e a capacidade de autoaprendizagem e empoderamento dos indivíduos 10. Desenvolver a capacidade de atuação médica humanizada, relevando seus aspectos científicos, éticos e sociais. Características desejáveis aos médicos de família e comunidade: • Forte senso de responsabilidade para o atendimento, total e permanente, das pessoas e da família durante saúde, doença e reabilitação • Compaixão e empatia, com sincero interesse na pessoa e na família • Atitude constantemente curiosa, entusiasmo com os problemas médicas indiferenciados e sua resolução • Interesse no amplo espectro da medicina clínica • Habilidade para lidar confortavelmente com múltiplos problemas que ocorrem ao mesmo tempo em uma pessoa • Desejo de frequentes e variados desafios intelectuais e técnicos • Capacidade de apoio às crianças durante o crescimento e desenvolvimento e em sua adaptação à família e à sociedade • Ajudar as pessoas a lidar com os problemas do cotidiano e na manutenção da estabilidade da família e da comunidade • Capacidade para atuar como coordenador de todos os recursos de saúde no atendimento de uma pessoa • Entusiasmo em aprender e na satisfação que vem da manutenção do conhecimento médico atualizado mediante educação médica continuada • Capacidade de manter a compostura em tempos de estresse e responder rapidamente utilizando lógica, eficácia e compaixão • Desejo de identificar os problemas o mais cedo possível ou de prevenir a doença inteiramente • Habilidades necessárias para gerenciar doenças crônicas e para assegurar a máxima recuperação após a doença aguda Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 • Habilidades para desenvolver, e um compromisso, de educar as pessoas e familiares sobre os processos de doenças de os princípios da boa saúde Princípios da MFC 1. O médico de família e comunidade é um clínico qualificado Deve ser competente, demonstrar empatia e harmonizando a relação clínica Deve conhecer os problemas de saúde mais frequentes (Das mais comuns as mais graves e emergentes) Estar atualizado com os protocolos mais recentes 2. A atuação do médico de família é influenciada pela comunidade Conhecer as condições de saúde da população de abrangência Ele verá pessoas com doenças crônicas, problemas emocionais, distúrbios agudos e contextos pessoas e familiares com problemas biopsicossociais complexos 3. O médico de família é recurso de uma população definida Estima-se que atende entre 1800 a 20220 pessoas 4. A relação médico-pessoa é fundamental para o desempenho do médico de família e comunidade Deve ser caracterizada pela compaixão, paciência, compreensão e honestidade. Experiência do adoecimento varia de pessoa para pessoa A história de vida, a personalidade e o contexto em que cada um está inserido repercutem fortemente na maneira como cada um enxerga sua doença Consulta e Abordagem Centrada na Pessoa • Cada pessoa é única • Construa uma relação específica • Contato visual é fundamental, demonstre interesse • Iniciar a consulta com perguntas abertas (Em que posso ajudar?) • Harmonizar é um objetivo essencial • Buscar empatia Consulta – É o encontro entre pessoas com expectativas, objetivos e tarefas definidas, em que se estabelece uma relação cujos objetivos principais são iguais, ou seja, o cuidado à saúde e a qualidade de vida Como é feito o preparo do médico para a consulta? • No curso de graduação, na sua postura e nos seus interesses frente ao aprendizado, e nos modelos de médico com os quais se identifica • Segue com a escolha da especialidade • Continua com o preparo na especialização • Tem relação com o seu momento de vida atual • Culmina nos momentos preliminares à consulta, como influência da consulta imediatamente anterior, conhecimento prévio da pessoa, etc Como é o prepara da pessoa que busca uma consulta? • Começa com sua história pessoal, familiar, genética e cultural, dos contatos com o adoecer • Progride com o estabelecimento do estilo de vida, ciclo de vida e outros aspectos biopsicossociais que interferem na saúde • Segue com a decisão no momento de buscar ajuda • Passa pela escolha do médico • Segue na recepção da Unidade de Saúde e tem seus momentos finais no ambiente e nas conversas da sala de espera e na escuta inicial Clímax do encontro é a consulta: Médico especialista em diagnósticos, exames e medicamentos Pessoa especialista nela própria Aspectos essenciais para uma consulta bem organizada e caracterizada: ➔ Ter controle de cena: Ambiente, tempo, etc ➔ Estimular a pessoa a falar, de forma orientada ➔ Encorajar a pessoa a falar sobre ela e suas percepções ➔ Enfatizar aspectos fortes apresentados ou identificados ➔ Incorporar esse modelo de comportamento expresso nos itens anteriores Onde os médicos erram • Pressupor que a pessoa não vai entender as explicações • Mentir ou omitir informações para poupar a pessoa sem que ela tenha manifestado vontade denão saber • Confundir persuasão com coerção. Ameaçar de morte não é a melhor forma de convencer de que um tratamento é melhor que o outro • Sentir-se ofendido se a pessoa manifesta desejo de ouvir outras opiniões • Impor à pessoa apenas uma possibilidade de tratamento, quando existem outras opções O QUE OS MÉDICOS DEVEM FAZER 1. Ser paciente e explicar quantas vezes for necessário. (A pessoa precisa entender o básico para tomar decisões) 2. Evitar muitas informações 3. Falar sempre francamente, usando bom senso para perceber o que a pessoa está preparada para escutar 4. Ser cordial. Falar com a pessoa e escutar o que ela tem a dizer 5. Usar linguagem adequada, que possa ser entendida facilmente sem ser formal ou coloquial demais. Escrever 6. Deixar em aberto a possibilidade de a pessoa buscar a opinião de outros profissionais 2200 Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 7. Saber respeitar as decisões da pessoa, mesmo que contrariem o que você acha melhor para ela 8. Caso se sinta constrangido, comunicar à pessoa e discutir a possibilidade de encaminhá-lo a outro profissional Componentes do método clínico de abordagem centrado na pessoa: 1. Explorar a doença e a experiência da pessoa em estar doente 4 dimensões devem ser avaliadas (SIFE) S: Sentimentos – Como a doença está afetando emocionalmente a pessoa (medos e preocupações) I: Ideias – Ideias da pessoa sobre o que pode estar de errado F: Função – Compreender como o problema afeta a vida diária da pessoa E: Expectativas – Expectativas do que pode ser feito pelo profissional para ajudá-lo a melhorar 2. Entender a pessoa como um todo, inteira Envolvimento com a família, educação emprego, lazer, comunidade, cultura, religião, situação econômica. 3. Elaborar um projeto comum ao médico e à pessoa para manejar os problemas Busca pela concordância entre três áreas: ▪ A natureza dos problemas e o estabelecimento das prioridades ▪ Definição dos objetivos do tratamento ▪ Caracterização dos papéis do médico e da pessoa 4. Incorporar prevenção e promoção da saúde na prática diária 5. Intensificar a relação médico-pessoa 6. Ser realista Possibilita o médico usar tempo e energia de forma eficiente, não tendo expectativas além das possibilidades Conhecer a rede de atenção, a agenda para saber se pode demorar mais na consulta ou não Uso adequado dos recursos disponíveis, tempo, onde vai encaminhar o paciente Abordagem Familiar Formas de apresentação da família: • Nuclear: Pai, mãe, filhos • Extensa: Relação de consanguinidade • Abrangente: não parentes que coabitam a casa ➔ A família é considerada a unidade base para o treinamento social Quando devemos chamar a família para participar da consulta? ➔ Nas doenças crônicas com não aderência ao tratamento ➔ Na recusa de tratamento ou de outro cuidado específico que possa trazer risco pessoal, familiar ou comunitário ➔ Consultas de puericultura ➔ Pré natal ➔ Nos problemas mentais e naqueles com baixo intelecto ➔ Nos casos de problemas interpessoais familiares ▪ A única situação em que há contraindicação em convidar a família a realizar a consulta em conjunto é quando existir o risco de violência direta à alguém: Ao paciente, a algum dos membros da família à equipe de saúde ou ao médico. Etapas da entrevista com a família 1. Apresentação social – Cumprimente cada pessoa individualmente 2. Aproximação – Buscar pontos de aproximação, conhecer o cotidiano das pessoas e perceber a diferentes formas de comunicação, tanto verbal, quanto não verbal 3. Entendimento da situação – Solicite a cada um que mostre seu ponto de vista, ouvir atentamente 4. Discussão – Encoraje a família a conversar. Organize esta conversa evitando desentendimentos 5. Estabelecimento de um plano terapêutico – Vá introduzindo orientações médicas e conhecimentos científicos e embasamentos técnicos que juntamente com os pontos de vista dos familiares e pessoas que consulta possibilite a elaboração de um plano terapêutico, encoraje a família a participar da elaboração, da execução e avaliação deste. A abordagem familiar é baseada em três pontos fundamentais: • Anatomia familiar – Nomes, datas, profissão, escolaridade, etc • Ciclo de vida – Representa a fase da vida que a família se encontra • Funcionamento – As regras de convivência familiar Ferramentas para abordagem familiar ➔ Ciclo de Vida ➔ Genograma ➔ Ecomapa ➔ FIRO ➔ PRACTICE CICLO DE VIDA • Sequência de transformações na história do desenvolvimento da família • Fase em que a família se encontra Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 • Isso ajudará o MFC prever possíveis situações que serão enfrentadas pelo indivíduo ou pela família • Períodos de maior vulnerabilidade são aqueles onde há a passagem de uma fase do ciclo de vida familiar para outra fase 1. Saindo da casa, jovens solteiros – aceitar a responsabilidade emocional e financeira 2. Novo casal – casamento – união de dois adultos jovens e independentes 3. Nascimento do 1º filho – aceitar novos membros no sistema marital 4. Família com adolescentes – Ter flexibilidade nas fronteiras familiares para incluir a independência dos filhos e fragilidade dos avós 5. Lançando os filos e seguindo em frente – “ninho vazio” – aceitar várias saídas e entradas familiares 6. Famílias no estágio tardio da vida – aceitar a mudança dos papeis em cada geração Ciclo de vida familiar da população de classe popular (Estágios) 1. Adolescência/Adulto jovem solteiro – As fronteiras entre a adolescência e a idade adulta jovem são confusas 2. Família com filhos – Começa sem que ocorra necessariamente o casamento, mas com a geração de filhos e a busca por formar um sistema conjugal, assumir papéis paternos e realinhamento dos relacionamentos com a família 3. Família no estágio tardio da vida – Ocorre com frequência uma composição familiar com 3 ou 4 gerações. Há pouca probabilidade de haver “ninho vazio”. Muitas vezes a base de sustentação familiar depende da aposentadoria de um dos avós. ANATOMIA FAMILIAR = Genograma + Ecomapa GENOGRAMA • Representação gráfica da estrutura familiar • Representa os diferentes membros da família, padrão de relacionamento e suas principais morbidades • Deve conter: Nomes; Idades; Estado marital (solteiro/casado); Casamentos prévios; Filhos, netos e agregados; Doenças da família; Datas de eventos traumáticos; Ocupações; Proximidades, distância ou conflito entre os membros; Outras informações que sejam relevantes • Homens ficam do lado esquerdo e mulheres do lado direito • Pessoas que moram na mesma casa devem-se circular e a pessoa índice deve ser grifada com dupla linha • Sempre deverá estar acompanhado de legenda, data de realização, atualizações e o nome de quem colheu as informações ECOMAPA • Identifica as relações e ligações da família com o meio onde habita • Linha simples indica que há uma ligação • Direção do fluxo de energia representada por uma seta. A direção da seta indica se o indivíduo/família gastam energia na relação com algum elemento da rede social, se eles se beneficiam dessa relação, ou se ambos ocorrem FIRO • Orientações Fundamentais nas Relações Interpessoais (Fundamental Interpersonal Relations Orientations FIRO) • Procuram avaliar os sentimentos de membros da família na vivência das relações do cotidiano • Usado quando as interações na família podem ser categorizadas nas dimensões inclusão, controle e intimidade, ou seja, a família pode ser estudada quanto às suas relações de poder, comunicação e afeto • Quando a família sofre mudanças importantes, ou ritos de passagem, tais como descritos no ciclo de vida, e faz-se necessáriocriar novos padrões de inclusão, controle e intimidade Inclusão – Desvenda os que “estão dentro” ou os que “estão de fora” do contexto familiar. Mostra como os membros da família se organizam, como se interagem, como compartilham. Identidade da família como um Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 grupo, incluindo as questões de valores e dos rituais familiares. Intimidade – Refere-se às interações familiares correlatas às trocas interpessoais, ao modo de compartilhar sentimentos, tais como esperanças e frustrações, ao desenvolvimento de atitudes de aproximação ou de distanciamento entre os familiares, às vulnerabilidades e às fortalezas P.R.A.C.T.I.C.E • Deve ser utilizado em situações mais complexas para resolver algum problema que a família apresenta e aplicado em reuniões familiares • Instrumento que permite a avaliação do funcionamento das famílias, facilita a coleta de informações e entendimento do problema, seja ele de ordem clínica, comportamental ou relacional, assim como a elaboração de avaliação e construção de intervenção com dados colhidos junto à família P: Problema – Permite que equipe conheça o problema da família e o que os diferentes membros da família pensam e sentem a respeito do fato R: Papéis e estrutura – Permite conhecer quais os papéis de cada membro da família e como se desempenham A: Afeto – Como se dá a troca de afeto dentro da família, e como isso afeta positivamente ou negativamente na resolução do problema C: Comunicação – Como é feita a comunicação verbal e não-verbal no contexto familiar T: Tempo – Procura correlacionar o problema apresentado com os papéis esperados dentro do ciclo de vida da família, procurando verificar onde está situada a dificuldade I: Doenças na família (passadas ou presentes) – Resgatam-se doenças vividas anteriormente pela família, como foi feito o cuidado, buscando valorizar as atitudes de cada membro da família, demonstrando a importância do suporte familiar no cuidado de um membro da família C: Lidando com o estresse – Procura identificar os recursos utilizados pela família para lidar com situações anteriores de estresse e como utilizar estes recursos para enfrentar a crise presente E: Ecologia – Procura conhecer os suportes externos que possam apoiar a família nesta situação atual Cultura, Saúde e o Médico da Família Características do sistema de saúde podem auxiliar na obtenção de uma melhor competência cultural: • Adequação entre a população adscrita e equipe de saúde • Política de fixação do profissional na mesma região por períodos prolongados • Planejamento das ações baseadas no diagnóstico local ➔ Diversos aspectos do comportamento individual são determinados por fatores socioculturais Motivos para se aprimorar a qualidade dos contatos interculturais: • Melhorar a relação e a comunicação para uma melhor adequação a diferentes subgrupos populacionais • Melhorar a adesão, as recomendações e o diálogo com as discordâncias • Diminuir atritos com outras formas de cuidado à saúde frequentemente mobilizadas pelas pessoas Evidências • A percepção cotidiana de que a simples aplicação da melhor evidência científica disponível na literatura internacional nem sempre produz o melhor resultado e a melhor satisfação • Melhora o desempenho em casos difíceis como o de hiperutilizadores ou de pessoas que não aderem às orientações • Entender a insuficiência da ciência como abordagem exclusiva perante os fenômenos complexos da vida, adoecimento e morte Antropologia Cultural – Todos os fenômenos relacionados com o ser humano e as formas que ele se relaciona com os outros seres humanos, grupos sociais, religiões e cultura Antropologia Médica – Área que trata das questões vinculadas ao corpo, à saúde e à doença. Como as pessoas, nas diferentes culturas e grupos sociais, explicam as causas das doenças, os tipos de tratamento em que acreditam e a quem recorrem se ficam doentes. ➔ Os cursos de medicina NÃO preparam os profissionais para lidar com a diversidade. A falta de preparo faz com que os aspectos culturais sejam menosprezados, ou mesmo temidos, durante o processo de cuidado. DISIASE • Visão médica da doença • Doença vista com um problema físico-biológico • Forma como a experiência da doença é interpretada pelos profissionais de saúde ILLNESS • Modo como as pessoas percebem a sua doença • Fenômeno que engloba aspectos individuais, sociais e culturais da experiência de adoecimento • Acham que tem alguma causa (ex: mau-olhado) Propostas para perder o receio de assumir a competência intercultural como característica diária da prática da MFC: Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 1. Admitir que EU estou totalmente convencido de uma cultura e que ao me formar profissional de saúde assumo mais este universo cultural, onde o meu trabalho médico depende de uma observação densa, uma leitura da realidade ao meu redor 2. Perceber a realidade do outro, sempre, com total respeito. Questões éticas complexas nascem desses encontros culturais. 3. Conhecer os recursos terapêuticos disponíveis para aquela população e a forma de acesso a ela 4. Aprendizado da língua e dialeto local, quando for necessário 5. Contato com pessoas importantes na comunidade de forma respeitosa, sem preconceitos e com grande empatia 6. Cesso a dados previamente coletados e a estudos antropológicos já realizados LEARN • Organização em um encontro terapêutico com uma abordagem que se pretende sensível culturalmente L: Listen – Ouvir com empatia e tentar entender a percepção da pessoa eu busca ajuda. E: Explain – Explicar, em palavras acessíveis, a visão médica do problema A: Acknowledge – Admitir que há diferenças (se existirem) e semelhanças, problematizando os pontos de vista R: Recommend – Recomendar um tratamento ou outras ações de cuidado à saúde N: Negociate – Negociar um acordo Questões a serem indagadas: 1. Como você chama este problema? 2. O que você acredita que causa este problema? 3. Como você espera que seja o seu andamento? Quão sério é o seu problema? 4. Como você pensa que este problema age dentro de seu corpo? 5. Como você pensa que este problema age em sua mente? 6. O que você teme que possa acontecer? 7. O que você teme em relação ao tratamento? QULTURA Q: Qualificar a escuta U: Usuário, sua família, comunidade, no centro do processo L: Levantar a importância de cada atuante-chave T: Tabelar ou mapear atuantes U: Unir resultados em um pacto terapêutico R: Reorganizar o coletivo A: Avaliação conjunta e adequação do plano • Delimita os novos limites do coletivo que se expressa nos sintomas da doença e, se adequadamente trabalhado, na configuração da cura ou controle desses. Práticas Integrais e Complementares (PICS) Objetivos: ➔ Estimular as ações referentes ao controle/participação social, promovendo o envolvimento responsável e continuado dos usuários, gestores e trabalhadores da saúde ➔ Promover a racionalização das ações de saúde, estimulando alternativas inovadoras e socialmente contributivas ao desenvolvimento sustentável ➔ Contribuir ao aumento da resolubilidade do Sistema e ampliação do acesso à PNPIC • Cada racionalidade médica é um universo em si • Não há como se fazer um utilitarismo terapêutico raso, uma miscelânea de práticas concomitantes, com o perigo de piora do estado de saúde • Trata-se justamente de integrar e complementar o cuidado coerentemente, de forma segura e inteligente • Para todo profissional que trabalha com saúde, é mais importante ter a realidade em si do que é um ser humano saudável do que ter a noção do que significa estar doente ➔ São formas de cuidado que chamam a atenção pela integratividade com que lidam com a complexidadehumana (em suas dinâmicas física, emocional, mental, social e espiritual) em uma prática sistematizada e coerente MEDICINA TRADICIONAL CHINESA • Práticas Corporais • Práticas mentais (meditação) • Orientação alimentar • Uso de plantas medicinais (Fitoterapia tradicional chinesa) AURICULOTERAPIA • Método terapêutico de analgésico • Estímulos no pavilhão auricular • Cada ponto na orelha tem um órgão específico • “Bebê de cabeça para baixo” Finalidades • Tratamento de dores por tensões • Problemas reumáticos, respiratórios, etc • Auxilia no combate à ansiedade e depressão • Método contra hipertensão e palpitações • Doenças da tireoide Formas de estimulação • Filiformes – Aplicadas sobre os pontos Atenção à Saúde II Letícia Brum Leal – 2022.2 • Intradérmicas – Ficam embaixo da pele por uma semana • Esferas magnéticas – Coladas na pele por 5 dias • Semente de mostarda – Aquecida ou não ➔ Aplicação de semente de mostarda precisa que haja estimulação no ponto várias vezes ao dia, já com a utilização de agulhas filiformes não precisa. MEDITAÇÃO – MINDFULNESS • Respiração profunda em uma posição confortável • Traz toda a sua consciência para aquela respiração • Atenção direcionada a um foco específico • Mindfulness = Atenção plena • Prestar atenção, perceber e estar presente em qualquer atividade que você esteja fazendo • Pode ser praticado a qualquer hora e local • Pode ser praticado durante a meditação comum • Não necessita de um período específico ➔ Quando está praticando mindfulness está meditando, mas nem toda meditação inclui uma prática de mindfulness 4 práticas de Mindfulness • Aproveitar os períodos do dia que é necessário a espera • Perceber as sensações do corpo em movimento • Pausar e respirar ½ vezes na troca de atividade no dia a dia • Concentração na alimentação ➔ Atletas praticam Mindfulness antes, durante e após competições AROMATERAPIA • Medicina natural e alternativa, que envolve a arte e a ciência • Utilização de óleos essenciais que são extraídos de plantas • Métodos mais utilizados são: inalação, banho aromático e aplicação na pele • Ajuda a equilibrar emoções, controle do estresse e da ansiedade, redução da tensão corporal, redução das dores físicas, ajuda no tratamento de demência, apresenta efeitos analgésicos, auxilia no sono, reduz náuseas e vômitos, presença de atividade antimicrobiana em alguns óleos essenciais Contraindicação • Pode irritar a superfície cutânea em caso de má utilização • Para algumas pessoas, os óleos à base de cetonas desencadeiam distúrbios neurológicos • Óleos de cânfora ou alecrim, se utilizados de forma inadequada, podem causar epilepsia • Alguns óleos, sob efeito de fotosensibilização, deixam a derme menos resistentes aos raios UV • Contraindicado para grávidas e recém-nascidos ▪ Alecrim – Artrite, cansaço mental, fraqueza ▪ Artemísia – Epilepsia, amenorreia e dismenorreia, vômitos nervosos, convulsões, acaríase e oxiurose ▪ Benjom – Resfriados, tosse, bronquites, laringites e infecções das vias respiratórias ▪ Bergamota – Eczema, acne, seborreia, furúnculos, cistites, prurido vaginal, halitose, pele oleosa, psoríase ▪ Camomila-dos-alemães – Úlceras gastrintestinais, inflamações ▪ Lavanda- Asma, bronquite, dores de garganta, gripe, enxaqueca, depressão, tensão e insônia FITOTERAPIA • Engloba conhecimento e utilização de plantas na cultura popular ou não • Medicamentos fitoterápicos utilizam conceitos farmacológicos para a extração de compostos das plantas • Utilização de plantas para fazer loções e chás • Indicado em todas as idades com uso controlado • Podem auxiliar na ansiedade, estresse, cicatrização, cansaço excessivo, insônia, etc HOMEOPATIA • Baseada no princípio vitalista e no uso da lei dos semelhantes, enunciada por Hipócrates no séc. IV a.C. • A homeopatia no SUS recoloca o sujeito no centro do paradigma da atenção, compreendendo-o nas dimensões física, psicológica, social e cultural • O adoecimento é a expressão da ruptura da harmonia dessas diferentes dimensões. Dessa forma, essa concepção contribui para o fortalecimento da integralidade da atenção à saúde • Fortalece a relação médico-paciente como um dos elementos fundamentais da terapêutica, provendo a humanização na atenção, estimulando o autocuidado e a autonomia do indivíduo. • Atua em diversas situações clínicas do adoecimento, por ex. nas doenças crônicas não transmissíveis, respiratórias e alérgicas, transtornos psicossomáticos, reduzindo a demanda por intervenções hospitalares e emergenciais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos usurários • Contribui para o uso racional de medicamentos, podendo reduzir a farmacodependência YOGA • Maior consciência e controle sobre a mente e as emoções • Traz flexibilidade e fortalece o corpo, calma e foco para a mente, harmoniza as emoções através da respiração, reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial, auxilia no tratamento da depressão, diminui a produção de cortisol, diminui ansiedade e melhora a qualidade do sono