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iesc III
3° PERÍODO 
Integração-ensino-serviço-
comunidade
OS CICLOS DE VIDA HUMANO E 
DA FAMÍLIA 
FAMÍLIA 
Trata-se de um sistema aberto, dinâmico e 
complexo, cujos membros pertencem a um mesmo 
contexto social compartilhado, (…) sede das 
primeiras trocas afetivo-emocionais e da construção 
da Identidade (FERNANDES; CURRA, 2006). 
OS TIPOS DE FAMÍLIAS 
• As diversas conjunturas podem gerar variadas 
formas de conflito, tendo em mente que as pré-
concepções dos profissionais de saúde não devem 
influenciar no tratamento do usuário. 
• As diretrizes do SUS concebem a família de 
"forma integral e sistêmica, como espaço de 
desenvolvimento individual e de grupo, dinâmico 
e passível de crises" (PAGANI, MINOZZO: 
QUAGLIA, 2011, p. 40). 
ESTRUTURA E CONFIGURAÇÃO FAMILIAR 
1. Biológica 
2. Sociológica: Instituições sociais 
3. Antropológica: Relacionados aos processos 
de socialização do indivíduo. 
4. Psicológica: Unidade emocional 
ARRANJOS FAMILIARES 
• Famílias monoparental: Pai e mãe solo. 
• Famílias nuclear: Família tradicional. 
• Famílias extensas: Famílias grandes. 
• Famílias abrangentes: inclui os não parentes 
que habitam na casa. 
• Famílias homoafetivas: Famílias com pais/
mães homoafetivos. 
OLHAR SISTÊMICO 
• A família é entendida a partir de suas relações. 
• Todo o seu contexto social, econômico, e político 
influenciam no bem-estar do indivíduo e da sua 
família. 
• É importante ter claro entendimento do contexto 
interpessoal do problema. 
É importante saber: 
1. Quem faz parte do sistema familiar. 
2. Se há pessoas importantes para a pessoa ou 
família que não estão presentes. 
3. O pensamento sistêmico foca-se nas relações, 
não só nos tratos entre os elementos da família, 
mas também nas relações entre a família e os 
profissionais que trabalham com ela. 
ABORDAGEM À FAMÍLIA 
• Elemento de gestão do cuidado em atenção 
domiciliar, e também em um elemento de prática 
diagnóstica e terapêutica; 
• Permite o conhecimento da família e das possíveis 
disfuncionalidades que prejudicam o bem estar 
biopsicossocial de seus membros. 
• No domicilio, algumas questões sobre a estrutura 
e hábitos familiares estão explícitos, por exemplo, 
para uma pessoa com diabetes descompensado os 
profissionais da atenção domiciliar podem 
estabelecer contato com todos os membros da 
família e visualizar in loco os seus hábitos 
alimentares. 
CICLO VITAL 
• Etapas pelas quais as famílias passam e os 
desafios/ tarefas a cumprir. 
• Permite uma visão panorâmica e focal 
simultaneamente. 
• Permite que o profissional da atenção domiciliar 
perceba os entraves que a família está 
atravessando - crise previsível ou não. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
- Observação: Em famílias de classe social 
vulnerável, alguns fenômenos contribuem para 
encurtar as fases do ciclo de vida. 
- Observação: As 3 fases do ciclo vital da família 
popular são: famílias com filhos pequenos; 
famílias com adulto jovem adulto e famílias no 
estágio tardio. 
- Observação : Famíl ias populares são, 
geralmente, famílias ampliadas, chefiadas pelos 
avós. 
ASPECTOS RELEVANTES NA AD 
• A Estrutura familiar - quantidade de pessoas que 
moram na casa e suas respectivas funções: o fato 
dos progenitores estarem vivos ou não, 
divorciados, separados ou dividindo moradia com 
outros parceiros, dentre outras características. 
• Pontos "fortes" e "fracos" da família para o 
cuidado domiciliar. 
• Observa-se a dinâmica familiar. 
• Comunicação: verbal e não-verbal.
Maria Vitória de Sousa Santos 
FERRAMENTAS DE 
ABORDAGEM FAMILIAR 
A FAMÍLIA COMO FOCO DA APS 
É necessário conhecer as configurações dessa 
família, seus arranjos, seus contentos, seu processo 
social de trabalho e vivência. 
Métodos utilizados: 
1. Genograma 
2. Ecomapa 
3. FIRO 
4. PRACTICE 
5. APGAR familiar 
GENOGRAMA 
• O g e n o g r a m a é u m a f e r r a m e n t a d e 
representação gráfica da família. 
• São representados os diferentes membros da 
família, o padrão de relacionamento entre eles e 
as suas principais morbidades. 
• Elementos estruturais - informações relativas à 
composição familiar, data de nascimento, grau de 
escolaridade, ocupação, hábitos, doenças, mortes, 
separações, etc). 
• Elementos funcionais - dinâmica funcional da 
família. 
• A demonstração gráfica da situação permite que 
o profissional que atua na atenção à família pare 
e reflita sobre a dinâmica familiar, os problemas 
mais comuns que a afligem e o enfrentamento 
dos mesmos pelos membros da família. 
Quando construir o genograma? 
• Pode ser utilizada por todos os membros da 
equipe, mas não deve ser feita como uma tarefa 
sem objetivo. 
As situações indicadas para sua utilização 
são: 
1. Sintomas inespecíficos. 
2. Utilização excessiva dos serviços de saúde. 
3. Doença crônica. 
4. Isolamento. 
5. Problemas emocionais graves. 
6. Situações de risco familiar, por violência 
doméstica ou drogadição. 
7. Mudanças no ciclo de vida. 
8. Resistência ao tratamento ou dificuldade para 
aceitar o diagnóstico. 
9. Alteração nos papéis familiares, por eventos 
agudos. 
Qual a contribuição do genograma? 
O genograma permite conhecer o indivíduo em seu 
contexto familiar e a influência da família em sua 
vida; conhecer as doenças mais frequentes na 
família e o padrão de repetição das mesmas, 
possibilitando ações efetivas de promoção de saúde 
nos seus descendentes; além de permitir ao 
profissional conhecer e explorar junto aos familiares 
suas crenças e padrões de comportamento. Tem 
valor não só diagnóstico, como também 
terapêutico. E, finalmente, avalia até que ponto o 
padrão de relacionamento é saudável ou funcional 
ou se contribui para o adoecimento dos seus 
membros. 
ECOMAPA 
• Elaboração da rede social da família - desenho 
complementar ao genograma na compreensão da 
composição e estrutura relacional intrafamiliar e 
a relação com o meio que a cerca. 
• Ao construir o ecomapa é necessário colocar 
todos os suportes da família: trabalho, igreja, 
grupos comunitários, clubes, vizinhança e outros 
que a família cite como estrutura de apoio. 
Exemplo: Veja na Figura que os membros da 
família e suas idades são mostrados no centro do 
círculo. Os círculos externos mostram os contatos 
da família com a comunidade. As linhas indicam o 
Maria Vitória de Sousa Santos 
tipo de conexão: linhas contínuas representam 
ligações fortes; linhas pontilhadas, ligações frágeis; 
linhas com barras, aspectos estressantes. As setas 
significam energia e fluxo de recursos. Ausência de 
linhas significa ausência de conexão. 
GEMOGRAMA E ECOMAPA 
• O conhecimento da dinâmica familiar, como 
componentes, papéis, funções, interações entre si 
e o ambiente é fundamental para o entendimento 
da relação entre seus membros. 
• Genograma e ecomapa frequentemente são 
usados em conjunto, possibilitando aos familiares 
a reflexão de suas relações e buscando suporte 
para a família dentro e fora da mesma. A análise 
dos instrumentos ocorre juntamente com a coleta 
de dados, colaborando para sua característica 
terapêutica e propicia a avaliação da intervenção. 
• São facilitadores da relação entrevistador e 
entrevistado; permitem maior percepção das 
relações inter e intrafamiliares; favorecem 
discussão sobre mudanças na família e a 
identificação de características comuns e únicas 
de cada membro da família; e possibilitam ao 
entrevistado se manifestar pela linguagem não 
verbal. 
FIRO (FUNDAMENTAL INTERPERSONAL RELATIONS 
ORIENTATIONS - ORIENTAÇÕES FUNDAMENTAIS NAS 
RELAÇÕES INTERPESSOAIS) 
• Avaliar os sentimentos de membros da família, na 
vivência das relações do cotidiano. 
• Objetiva compreender melhor o funcionamento 
da família estudando as suas relações de poder, 
comunicação e afeto. 
Significado de cada termo-chave: 
1. Inclusão: permite conhecer a dinâmica de 
relacionamento na família, como ela se 
organiza para enfrentar as situações de estresse, 
o papel de cada membro e como são a 
interação e participação de cada um dosmembros da família. Vamos voltar nossa 
reflexão para nossa própria família − como nos 
organizamos ao enfrentar um problema, quem 
apoia, quem se afasta, como nos comunicamos? 
2. Controle: mostra como é exercido o poder na 
família. Ele pode ser: dominante − um exerce o 
poder sobre toda a família; reativo − ocorre 
reação contrária a alguém que deseja exercer o 
papel de dominância; colaborativo − com- 
partilhamento de poder entre os membros da 
família. 
3. Intimidade: como os membros da família se 
unem para compart i lhar entre s i os 
sentimentos. 
PRACTICE 
• Instrumento que permite a avaliação do 
funcionamento das famílias. Esse instrumento 
facilita a coleta de informações e entendimento 
do problema, seja ele de ordem clínica, 
comportamental ou relacional, assim como a 
elaboração de avaliação e construção de 
intervenção, com dados colhidos com a família, 
facilitando o desenvolvimento da avaliação 
familiar. 
• O PRACTICE é ferramenta que pode auxiliar 
na atenção ao indivíduo e sua família e deve ser 
utilizado em situações mais complexas para 
resolver algum problema que a família apresenta. 
Estrutura do P.R.A.C.T.I.C.E. 
1. P- Problema (Presenting problem) 
Permite que a equipe conheça o problema da 
família e o que os diferentes membros da família 
pensam e sentem a respeito do fato. 
2. R- Papéis e estrutura (Roles and 
structure) 
Permite conhecer quais os papéis de cada membro 
da família e como eles o desempenham. 
3. A - Afeto (Affect) 
Como se dá a troca de afeto na família e como isto 
afeta, positiva ou negativamente, a resolução do 
problema. 
4. C- Comunicação (Comunication) 
Como é feita a comunicação verbal e não verbal no 
contexto da família. 
5. T- Tempo (Time of life cycle) 
Procura correlacionar o problema apresentado com 
os papéis esperados no ciclo de vida da família, 
procurando verificar onde está situada a 
dificuldade. 
6. I - Doenças na família, passadas ou 
presentes (Illness in family) 
Nesta parte resgatam-se as doenças vividas 
anteriormente pela família, como foi feito o 
cuidado, buscando valorizar as atitudes de cada 
Maria Vitória de Sousa Santos 
membro da família, demonstrando a importância 
do suporte familiar no cuidado de um membro da 
família. 
7. C - Lidando com o estresse (Coping with 
stress) 
Procura identificar os recursos utilizados pela 
família para lidar com situações anteriores de 
estresse e como utilizar esses recursos para 
enfrentar a crise presente. 
8. E - Ecologia (Ecology) 
Procura conhecer os suportes externos que possam 
apoiar a família nessa situação atual − igreja, 
vizinhos, enfim, a rede social de apoio –, além dos 
aspectos estruturais, como saneamento, renda, grau 
de escolaridade, moradia, transporte. 
A.PG.AR FAMILIAR (ADAPTATION, PARITNERSHIP, 
GROWTH, AFFECTION, RESOLVE) - ADAPTAÇÃO, 
PARTICIPAÇÃO, CRESCIMENTO, AFEIÇÃO, RESOLUÇÃO 
• Reflete a satisfação de cada membro da família. 
• A avaliação será feita para cada membro da 
família, por questionário de cinco perguntas 
referentes aos aspectos abordados, que serão 
pontuadas e analisadas depois. 
• Os diferentes índices de cada membro devem ser 
comparados para se avaliar o estado funcional da 
família. 
• A partir da aplicação do questionário e da 
avaliação do quadro familiar pode-se desenhar 
um plano terapêut ico que poderá ser 
desenvolvido pelo próprio médico de família ou 
pode exigir a participação de outros profissionais, 
como enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, 
terapeutas ocupacionais ou de família. 
Questionário A.P. G.A.R: 
1. Estou satisfeito com a atenção que recebo da 
minha famí l ia quando a lgo es tá me 
incomodando? 
2. Estou satisfeito com a maneira com que minha 
família discute as questões de interesse comum 
e compartilha comigo a resolução dos 
problemas? 
3. Sinto que minha família aceita meus desejos de 
iniciar novas atividades ou de realizar 
mudanças no meu estilo de vida? 
4. Estou satisfeito com a maneira com que minha 
família expressa afeição e reage em relação aos 
meus sentimentos de raiva, tristeza e amor? 
5. Estou satisfeito com a maneira com que eu e 
minha família passamos o tempo juntos? 
Para cada pergunta, pontuar da seguinte 
forma: 
1. Quase sempre: 2 pontos; 
2. As vezes: 1 ponto; 
3. Raramente: zero. 
Avaliação da pontuação para a ferramenta 
APGAR: 7 a 10 pontos (É o valor referência).
Maria Vitória de Sousa Santos 
MÉTODO CLÍNICO CENTRADO 
NA PESSOA 
MÉTODO CLÍNICO CENTRADO NA PESSOA 
O MCCP é a tentativa do médico de realizar uma 
tarefa dupla; entender a pessoa e entender a doença 
da pessoa. É desse entendimento que se deriva o 
processo de tratamento tanto para a pessoa quanto 
para a doença. 
COMPONENTES DO MCCP 
1. Explorando a saúde, a doença e a experiência 
da doença: Avaliar a história do paciente, 
exames, sentimentos e expectativas. 
2. Entendo a pessoa como um todo: A história de 
vida, os aspectos sociais, família, ocupação e 
suporte social. 
3. Elaborando um plano conjunto de manejo dos 
problemas: Problemas, prioridades, objetivos de 
tratamento, manejo- TPS. 
4. Incorporando a prevenção e a promoção da 
saúde: Melhoria na saúde, estratificação de 
risco, detecção precoce de doenças e 
complicações. 
5. Fortalecendo a relação médico pessoa: Exercer 
a compaixão, o auto conhecimento, a cura 
(efeito terapêutico). 
6. Sendo realista: Construir o trabalho em equipe, 
uso dos recursos disponíveis, planejar o tempo. 
DETALHANDO CADA COMPONENTE 
Explorando A Saúde, A Doença E A Experiência 
Da Doença 
• É nesse momento que o profissional de saúde 
deve estar atento a todos os sinais que o paciente 
apresenta na hora do seu atendimento. 
• Não só as técnicas convencionais como 
anamnese, exame físico e complementar, mas 
fatores coadjuvantes como linguagem corporal e 
verbal, história de processos de adoecimentos 
anteriores, sentimentos e expectativas em relação 
ao que se passa agora. 
• Eles podem nos dizer muito mais a respeito da 
situação que o diagnóstico clínico. 
• O método mnemônico SIFE pode auxiliar o 
profissional a avaliar a dimensão da experiência 
da doença: 
Entendendo A Pessoa Como Um Todo 
• Mais importante componente no MCCP. 
• Nesse ponto, avalia-se a compreensão da história 
de vida do indivíduo, as particularidades de sua 
vivência que o fizeram se tornar a pessoa que está 
ali na sua frente. 
• Assim, nos casos em que há dúvidas sobre a 
doença investigada, deve-se avaliar o ciclo de 
vida, a estrutura familiar, e a rede existente entre 
ele, sua família e a comunidade. 
• Não é um processo feito em apenas um 
atendimento, mas sim com um acompanhamento 
contínuo. 
• Entender a experiência da doença e o sofrimento 
que a pessoa sente. 
• É importante ressaltar que ao apresentar essa 
abertura com a pessoa para discutir a respeito de 
sua vida como um todo, além de fortalecer a 
própria relação médico-paciente, dá-se liberdade 
a ela de discutir questões que talvez, dentro de 
sua realidade de convivência, não tenha a 
oportunidade de falar, o que poderia contribuir 
até mesmo para o agravo do seu estado. 
• Melhora a relação médico-pessoa/paciente 
contribui para a definição da doença (caso exista). 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• As vivência da pessoa é influenciada pela fase do 
seu desenvolvimento (ciclos de vida), tarefas, 
responsabilidades. 
Elaborar Um Plano Em Conjunto Para Manejo 
Dos Problemas 
• Deve haver a criação de um plano entre o médico 
e o paciente para resolução do problema. 
• Ele deve ser montado abordando: a definição do 
problema da pessoa; o estabelecimento de metas 
para o tratamento e condução do seu quadro e 
identificar os papéis que cada um deve ocupar 
nesse processo. 
• Tal plano deve ser de comum acordo em todas as 
suas etapas. Para isso, o profissional deve tirar 
todas as dúvidas, usar uma linguagem acessível, 
avaliar discordâncias e dificuldades que possa 
haver e entender tais pontos, a fim de que as 
metas sejam adaptadas e resolutivas. 
• Essa etapa ajuda paraque o paciente se torne 
mais ativo em relação ao seu cuidado em saúde, 
estimulando-o a adquirir essa autonomia. 
• Em alguns casos, isso pode não ocorrer de início, 
assim, o médico deve orientá-lo a como começar, 
ou também o próprio paciente pode estar muito 
debilitado, o que exige um suporte maior. 
• É i m p o r t a n t e q u e s ó o t e m p o e o 
acompanhamento irão mostrar se as metas e o 
tratamento serão efetivos ou não. 
• Se necessário, ajustes e mudanças de estratégias 
devem ser feitas para que se alcance a cura. 
Incorporando A Prevenção E A Promoção Da 
Saúde 
• Promoção de saúde: Aumentar a autonomia para 
a pessoa cuidar da própria saúde. 
• Prevenção de doenças : 
1. Evitar riscos (primária) 
2. Reduzir riscos (secundária) 
3. Prevenir complicações (terciária) 
4. Evitar intervenções excessivas (quaternária) 
Fortalecendo A Relação Médico Pessoa 
• O objetivo do profissional é ajudar seu paciente, 
enxergando-o em toda sua complexidade como 
indivíduo. 
• Assim, é necessário que se desenvolva estratégias 
a fim de garantir uma relação de alta qualidade 
com esse, o que pode colaborar e ser a própria 
terapêutica do processo de tratamento. 
• O cuidado nesse caso exige do profissional: estar 
presente, conversar, sensibilidade, agir no melhor 
interesse do outro, sentimento, ação e 
reciprocidade. 
• Tais ferramentas se mostram essenciais para 
construir essa relação de qualidade, porém, 
algumas situações com pacientes podem levá-lo a 
ter desgastes que pode afetar sua atuação no 
atendimento e até a sua vida em geral. 
• Assim, é fundamental que o médico possua 
autoconhecimento e consciência de seus limites. 
• Aliado a todos os componentes anteriores, é 
essencial ao médico saber que a sua atuação 
junto a uma equipe interdisc ipl inar é 
indispensável para auxiliar no processo de 
abordagem do paciente e nos diversos nichos que 
compõem sua vida. 
• A interação e o trabalho entre os profissionais 
devem se basear em respeito e confiança a fim de 
que haja uma comunicação, um planejamento e 
uma execução de qualidade para se alcançar os 
objetivos do plano estipulado para o paciente. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
PROJETO TERAPÊUTICO 
SINGULAR 
O QUE É? 
• O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um 
conjunto de propostas de condutas terapêuticas 
articuladas para um indivíduo, uma família ou 
um grupo que resulta da discussão coletiva de 
uma equipe interdisciplinar com Apoio Matricial, 
se esse for necessário. 
• O PTS é construído a partir da relação entre o 
usuário e o profissional de Saúde, com base nas 
nece s s idade s i nd i v idua i s , l evando em 
cons ideração sua h i s tor ic idade e suas 
singularidades, buscando maior empoderamento 
em relação a sua saúde e autonomia. 
• Geralmente, o PTS é dedicado a situações mais 
complexas, buscando a singularidade como 
elemento central de articulação na tentativa de 
mudar a tendência de igualar as situações ou os 
sujeitos a partir dos diagnósticos firmados. 
• Ele pode ser uma ferramenta de cogestão e 
compartilhamento do cuidado, na medida em 
que possibilita a definição de objetivos comuns e 
o estabelecimento de tarefas correlacionadas e 
pactuadas em equipe. 
ETAPAS DO PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR 
1. Diagnóstico - Avaliação e problematização 
dos aspectos orgânicos, psicológicos e sociais 
para identificação de riscos e vulnerabilidade e 
potencialidades para o planejamento do 
cuidado. 
2. Definição De Metas: Propostas construídas 
para curto, médio e longo prazo que serão 
negociadas com o sujeito doente pelo membro 
da equipe com quem tiver um vinculo melhor. 
Devem ser negociadas com o sujeito singular 
em questão, preferencialmente pelo profissional 
com quem possuir melhor vinculo. 
3. Divisão De Responsabilidades: Técnico 
de referência / família / usuário em questão.As 
tarefas de cada envolvido. inclusive do sujeito 
singular em questão, devem ser bem definidas. 
Além disso deve-se identificar um profissional 
de referência na Equipe de Saúde da Família 
o u n a E q u i p e d e A t e n ç ã o B á s i c a , 
independentemente da formacão, para exercer 
esse papel, favorecendo a continuidade do 
andamento das ações acordadas no PTS. 
4. Reavaliação: Discussão e redefinição de 
propostas. 
APLICANDO O PTS 
• Para iniciar o PTS, a equipe da ESF deve se 
reunir com os profissionais do NASF que mais 
podem contribuir com o caso. Nessa reunido, 
lados os aspectos e informações conhecidas sobre 
o usuário, sua vida e sua família devem ser 
trazidos, além da queixa principal, outras 
necessidades e o que já foi realizado pela equipe 
ou por outros serviços. 
• Em seguida, discutem-se com a equipe os 
determinantes para o agravo em saúde, em uma 
perspectiva integral e pautada na historicidade e 
vivência social do usuário. 
• Definem-se, então, quais profissionais e áreas do 
serviço de saúde podem atuar no caso. 
APOIO MATRICIAL 
• Matriciamento ou apoio matricial é um novo 
modo de produzir saúde em que duas ou mais 
equ ipes, num proces so de cons t rução 
compartilhada, criam uma proposta de 
intervenção pedagógico-terapêutica. 
• O Apoio Matricial objetiva garantir retaguarda 
especializada assistencial e suporte técnico-
pedagógico às equipes de referência a fim de 
ampliar o seu campo de atuação e qualificar as 
suas ações, contribuindo para o aumento da sua 
capacidade resolutiva. 
• Na horizontalização decorrente do processo de 
matriciamento, o sistema de saúde se reestrutura 
em dois tipos de equipes: 
1. equipe de referência; (Profissionais da APS) 
2. equipe de apoio matricial. (Profissionais de 
especialidade médica). 
Observação: Na Atenção Básica de Saúde, a 
Equipe de Saúde da Família deve responsabilizar-
se, de modo longitudinal, pelo cuidado integral de 
dada população, mantendo a gestão e a 
coordenação do cuidado, mesmo quando a atenção 
em outros serviços do sistema de saúde seja 
requerida. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
,
reunião 
dados
a
ACOLHIMENTO NA ATENÇÃO 
PRIMÁRIA À SAÚDE 
O QUE É ACOLHIMENTO NA ATENÇÃO BÁSICA? 
O acolhimento é uma prática presente em todas as 
relações de cuidado, nos encontros reais entre 
trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de 
receber e escutar as pessoas, podendo acontecer de 
formas variadas. 
O QUE E A POLITICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO? 
• A PNH estimula a comunicação entre gestores, 
trabalhadores e usuários para construir processos 
coletivos de enfrentamento de relações de poder, 
trabalho e afeto que muitas vezes produzem 
atitudes e práticas desumanizadoras que inibem a 
autonomia e a corresponsabilidade dos 
profissionais de saúde em seu trabalho e dos 
usuários no cuidado de si. 
• Objetiva por em prática os princípios do SUS no 
cotidiano dos serviços de saúde, produzindo 
mudanças nos modos de gerir e cuidar. 
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) 
Implantação de políticas Financiamento 
de saúde includentes <—> insuficiente. 
DESAFIOS NO SUS 
1. Financiamento 
2. Força de trabalho 
3. Modelos de gestão e de atenção. 
POR QUE ACOLHER A DEMANDA ESPONTÂNEA NA 
ATENÇÃO BÁSICA? 
1. A primeira razão é porque, a despeito da 
existência de formas cientificamente fundadas 
de definição objetiva das necessidades de saúde 
e das formas de lidar com elas, é preciso 
entender que a ciência e os profissionais de 
saúde não são os únicos definidores das 
necessidades de saúde. Queiramos ou não, o 
usuário também define, com formas e graus 
variados, o que é necessidade de saúde para ele, 
podendo apresentá-la enquanto demanda ao 
serviço de saúde. E é importante que a 
demanda apresentada pelo usuário seja 
aco lh ida , e s cu tada , p rob l emat i zada , 
reconhecida como legítima. 
2. A segunda razão é que os vários tipos de 
demanda podem, em grande parte, ser 
acolhidos e satisfeitos na atenção básica, 
inclusive com as modalidades de tecnologias 
leve - duras (conhecimentos, protocolos) e duras 
(materiais, equipamentos), que podem e devem 
estar disponíveis nessetipo de serviço. Vejamos 
alguns exemplos de situações não programadas 
que podem ser acolhidas na atenção básica: 
usuário com cefaleia ou tontura; pessoa com 
ardência ou dor ao urinar; alguém que está 
com insônia há uma semana; criança com 
febre; mulher com sangramento genital, entre 
outros. Essas situações revelam que, apesar de 
ser necessário programar o acompanhamento 
das pessoas nas agendas dos profissionais (sob 
pena de a atenção básica se reduzir a um 
pronto-atendimento), também é fundamental 
que as unidades de atenção básica estejam 
abertas e preparadas para acolher o que não 
pode ser programado, as eventualidades, os 
imprevistos. Como um usuário poderia decidir 
o dia e hora em que ficaria gripado ou teria dor 
de cabeça? Seria possível prevenir todos os 
casos de ansiedade e dor muscular? Muitas 
vezes, o acolhimento a essas situações 
demandará continuidade no cuidado. Em 
outras, poderá requerer, inclusive, apoio 
matricial e/ou encaminhamento para outros 
serviços. 
3. Outra razão é que, muitas vezes, esses 
momentos de sofrimento dos usuários são 
fundamentais para a criação e fortalecimento 
de vínculos. São momentos em que se sentem, 
comumente, desamparados, desprotegidos, 
ameaçados, fragilizados. Nessas situações, é 
bastante razoável que muitos deles recorram às 
unidades de atenção básica quer pela 
proximidade física, quer pelos vínculos que 
possuem com os profissionais em quem eles 
confiam. O fato de conhecer um usuário, sua 
história, não só facilita a identificação do 
problema (evitando, às vezes, exames e 
procedimentos desnecessários ou indesejáveis), 
como também o seu acompanhamento. 
4. Não devemos esquecer, também, que mesmo os 
usuários que são acompanhados regularmente 
pelas ações programáticas podem apresentar 
exacerbações em seu quadro clínico e 
demandar atenção em momentos que não o de 
acompanhamento agendado. 
C o n s i d e r a r d i f e r e n t e s s e n t i d o s 
relacionados ao acolhimento: 
1. O aco lh imento como mecani smo de 
ampliação/facilitação do acesso; 
2. O acolhimento como postura, atitude e 
tecnologia de cuidado; 
3. O aco lh imento como d i spos i t i vo de 
(re)organização do processo de trabalho em 
equipe. 
FLUXOS DOS USUÁRIOS NA UBS 
Definição de intervenções segundo a estratificação 
da necessidade do usuário (mediante avaliação de 
r i s c o e v u l n e r a b i l i d a d e ) e m " n ã o 
a g u d o " ( i n t e r v e n ç õ e s p r o g r a m a d a s ) e 
"agudo" (atendimento imediato, prioritário ou no 
dia), o que se pretende é que a necessidade do 
Maria Vitória de Sousa Santos 
/
usuário seja estruturante do tipo e do tempo das 
intervenções, materializando, aqui, o princípio da 
equidade. 
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO 
1) Situação não aguda – condutas possíveis: 
• Orientação específica e/ou sobre as ofertas da 
unidade; 
• Adiantamento de ações previstas em protocolos 
(ex.: teste de gravidez); 
• Agendamento/programação de Intervenções. 
2) Situação aguda ou crônica agudizada– 
condutas possíveis: 
• Atendimento imediato (alto risco de vida): 
necessita de intervenção da equipe no mesmo 
momento, obrigatoriamente com a presença do 
médico. Exs.: PCR, dificuldade respiratória 
grave, convulsão, RNC, dor severa; 
• A t e n d i m e n t o p r i o r i t á r i o ( r i s c o 
moderado): necessita de intervenção breve da 
equipe, podendo ser ofertada inicialmente 
medida de conforto pela enfermagem até a nova 
avaliação do profissional mais indicado para o 
caso. Influencia na ordem de atendimento. Exs.: 
crise asmática leve e moderada, febre sem 
complicação, gestante com dor abdominal, 
usuários que necessitam de isolamento, pessoas 
com ansiedade significativa; 
• Atendimento no dia (risco baixo ou 
ausência de risco com vulnerabilidade 
importante): Situação que precisa ser 
manejada no mesmo dia pela equipe levando em 
conta a estratificação de risco biológico e a 
vulnerabilidade psicossocial. O manejo poderá 
ser feito pelo enfermeiro e/ou médico e/ou 
odontólogo, dependendo da situação e dos 
protocolos locais. Exs.: disúria, tosse sem sinais de 
r i sco, dor lombar leve, renovação de 
medicamento de uso contínuo que já terminou, 
conflito familiar, usuário que não conseguirá 
acessar o serviço em outro momento.
Maria Vitória de Sousa Santos 
EDUCAÇÃO NA SAÚDE 
Consiste na produção e sistematização de 
conhecimentos relativos à formação e ao 
desenvolvimento para a atuação em saúde, 
envolvendo práticas de ensino, diretrizes didáticas e 
orientação curricular. 
EDUCAÇÃO CONTINUADA 
É um processo dinâmico de ensino-aprendizagem 
destinado a atualizar e melhorar a capacitação de 
pessoas, ou grupos, face à evolução científico- 
tecnológica, às necessidades sociais e aos objetivos e 
metas institucionais. Envolve as atividades de 
ensino após a graduação, possui duração definida e 
utiliza metodologia tradicional, tais como as pós-
graduações. 
Meios de realização 
EDUCAÇÃO PERMANENTE 
• A educação permanente é uma estratégia 
político-pedagógica que toma como objeto os 
problemas e necessidades que surgem do processo 
de trabalho em saúde - Portaria nº 198/2003 - 
instituiu a Política Nacional de Educação 
Permanente em Saúde (PNEPS), reformulada 
posteriormente, em 2007. 
• A educação do dia a dia no âmbito do trabalho é 
potencialmente vantajosa, pois as situações 
vivenciadas são analisadas de forma crítica e 
reflexiva pelos próprios profissionais em um 
processo de educação permanente. 
• O conceito de educação permanente em saúde 
revela-se estratégico para a consolidação do SUS 
ao trazer uma questão fundamental: a articulação 
entre trabalho e educação. 
• Consiste em ações educativas embasadas na 
problematização do processo de trabalho em 
saúde; 
• A Educação Permanente em Saúde (EPS) é 
considerada como uma relevante estratégia para 
promover mudanças de procedimentos nas 
unidades de saúde, pois se baseia em pressupostos 
de ensino problematizador e aprendizagem 
significativa (PEREIRA et al., 2018). 
Objetivos da educação permanente 
EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL EM SAÚDE 
“A educação interprofissional ocorre quando duas 
ou mais profissões aprendem entre si, com e sobre 
as outras, para melhorar a colaboração e a 
qualidade dos cuidados” (CAIPE, 2002, p. 2). 
ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO 
1. Muldisciplinaridade: É um grupo de 
profissionais clínicos que trabalham unidos em 
prol do diagnóstico, tratamento e recuperação 
do paciente. Assim, é priorizado um consenso 
nas decisões de cada intervenção. 
2. I n t e r d i s c i p l i n a r i d a d e : A 
interdiscipl inaridade é o processo de 
comunicação entre duas ou mais disciplinas. 
Com a interdisciplinaridade em cursos da área 
de saúde, podemos olhar para um mesmo tema 
e discuti-lo sob diferentes pontos de vista 
profissionais. Isso adiciona uma visão do todo, 
facilitando a análise do problema e a oferta do 
tratamento, podendo propiciar resultados mais 
efetivos e duradouros ao paciente. 
3. Multiprofissional idade : A equ ipe 
multiprofissional de saúde é formada por um 
grupo de profissionais de saúde que trabalham 
em conjunto com o objetivo de promover a 
recuperação mais rápida e efetiva do paciente. 
A equipe multiprofissional pode ser constituída 
por diferentes profissionais de saúde, como 
médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos 
e fisioterapeutas, por exemplo, podendo a 
formação da equipe variar de acordo com o 
objetivo a ser alcançado. 
4. I n t e r p r o fi s s i o n a l i d a d e : 
Interprofissionalidade pode ser entendida como 
uma relação interdependente dentro de um 
ambiente de trabalho, a qual exige colaboração 
entre os agentes que compõem esse serviço, em 
busca de um objetivo em comum. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
EDUCAÇÃO PERMANENTE X CONTINUADA 
Maria Vitória de Sousa Santos 
ATENÇÃO DOMICILIAR NO SUS 
CONCEITOS 
1. Atenção Domiciliar: Modalidade de atenção 
à saúde integrada às Rede de Atenção à Saúde 
(RAS), caracterizada por um conjunto de ações 
deprevenção e tratamento de doenças, 
reabilitação, paliação e promoção à saúde, 
p re s t a d a s em d o m i c í l i o , g a r a n t i n d o 
continuidade de cuidados. 
2. Serviço de Atenção Domiciliar (SAD): 
Serviço substitutivo ou complementar à 
internação hospitalar ou ao atendimento 
ambulatorial, responsável pelo gerenciamento e 
o p e r a c i o n a l i z a ç ã o d a s E q u i p e s 
Multiprofissionais de Atenção Domiciliar 
(EMAD) e Equipes Multiprofissionais de Apoio 
(EMAP). 
3. Cuidador: Pessoa com ou sem vínculo 
familiar com o usuário, capacitada para auxiliá-
lo em suas necessidades e atividades da vida 
cotidiana. 
4. Assistência domiciliar: Está ligada a todo e 
qualquer atendimento a domicílio realizado por 
profissionais que integram a equipe de saúde. 
Não leva em conta a complexidade ou o 
objetivo do atendimento, que pode ser uma 
orientação simples até um suporte ventilatório 
invasivo domiciliar. 
5. Atendimento domiciliar: É a categoria 
diretamente relacionada à atuação profissional 
no domicílio, que pode ser operacionalizada 
por meio da visita e da internação domiciliar. 
Envolve atividades que vão da educação e 
prevenção à recuperação e manutenção da 
saúde das pessoas e seus familiares no contexto 
de suas residências. Abrange ou não cuidados 
multiprofissionais e pode ser semelhante a um 
consultório em casa. Alguns autores o 
relacionam a uma atenção mais pontual e 
temporária, ligada a situações agudas. 
6. Visita domicilia: Prioriza o diagnóstico da 
realidade do indivíduo e as ações educativas. É 
geralmente programada e utilizada com o 
intuito de subsidiar intervenções ou o 
planejamento de ações. 
7. Internação domiciliar: É uma categoria 
mais específica, que envolve a utilização de 
aparato tecnológico em domicílio, de acordo 
com as necessidades de cada situação. Não 
substitui a internação hospitalar, mas pode se 
constituir como uma continuidade desta, de 
forma temporária. 
8. Acompanhamento domiciliar: O primeiro 
diz respeito ao cuidado no domicílio para 
pessoas que necessitem de contatos frequentes e 
programáveis com a equipe. Exemplos são 
pessoas portadoras de doenças crônicas que 
apresentem dependência física; doentes em fase 
terminal; idosos com dificuldade de locomoção 
ou morando sozinhos; egressos do hospital que 
necessitem de acompanhamento por alguma 
condição que os incapacite a comparecer na 
Unidade Básica de Saúde (UBS); pessoas com 
outros problemas de saúde, incluindo doença 
mental, os quais determinem dificuldades de 
locomoção ou adequação ao ambiente da UBS. 
9. A vigilância domiciliar: É decorrente do 
comparecimento de integrante da equipe de 
saúde até o domicílio para realizar ações de 
promoção, prevenção, educação e busca ativa 
da população de sua área de responsabilidade, 
geralmente vinculadas à vigilância da saúde 
que a UBS desenvolve. Exemplos são visitas a 
puérperas, busca de recém-nascidos, busca 
ativa dos programas de prioridades, abordagem 
familiar para diagnóstico e tratamento.10 
ART. 39 - A ATENÇÃO DOMICILIAR TEM COMO 
OBJETIVO 
1. Redução da demanda por atendimento 
hospitalar; 
2. Redução do período de permanência de 
usuários internados; 
3. Humanização da atenção com ampliação da 
autonomia dos usuários; 
4. Desinstitucionalização e otimização dos 
recursos financeiros e estruturais da RAS. 
ORGANIZAÇÃO DA AD 
Art. 6° A AD será organizada em três 
modalidades: 
I. Atenção Domiciliar 1 (AD 1) 
II. Atenção Domiciliar 2 (AD 2) 
III. Atenção Domiciliar 3 (AD 3) 
Maria Vitória de Sousa Santos 
Observação: A determinação da modalidade está 
atrelada às necessidades de cuidado peculiares a 
cada caso, em relação à periodicidade indicada das 
visitas, à intensidade do cuidado multiprofissional e 
ao uso de equipamentos. 
MODALIDADE AD1 
Usuário que, tendo indicação de AD, requeira 
cuidados com menor frequência e com menor 
necessidade de intervenções multiprofissionais, uma 
vez que se pressupõe estabilidade e cuidados 
satisfatórios pelos cuidadores. 
MODALIDADE AD 2 
Usuário que, tendo indicação de AD, e com o fim 
de abreviar ou evitar hospitalização, apresente: 
1. Afecções agudas ou crônicas agudizadas, com 
necessidade de cuidados intensificados e 
sequenciais, como tratamentos parenterais ou 
reabilitação; 
2. Afecções crônico-degenerativas, considerando o 
grau de comprometimento causado pela 
doença, que demande atendimento no mínimo 
semanal; 
3. Necessidade de cuidados paliativos com 
acompanhamento clínico no mínimo semanal, 
com o fim de controlar a dor e o sofrimento do 
usuário; 
4. Prematuridade e baixo peso em bebês com 
necessidade de ganho ponderal. 
MODALIDADE AD3 
Usuário com qualquer das situações listadas na 
modalidade AD2, quando necessitar de cuidado 
mult iprofiss ional mais frequente, uso de 
equipamento(s) ou agregação de procedimento(s) de 
maior complexidade (por exemplo, ventilação 
mecânica, paracentese de repetição, nutrição 
parenteral e transfusão sanguínea), usualmente 
d e m a n d a n d o p e r í o d o s m a i o r e s d e 
acompanhamento domiciliar. 
ATENÇÃO DOMICILIAR NA APS 
PAPEL DA EQUIPE 
COMPOSIÇÃO MÍNIMA DA EMAP 
Mínimo de 3 (três) profissionais de nível superior - 
soma das cargas horárias semanais de, no mínimo 
90 horas de trabalho. 
1. Assistente social; 
2. Fisioterapeuta; 
3. Fonoaudiólogo; 
4. Nutricionista; 
5. Odontólogo; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
6. Psicólogo; 
7. Farmacêutico; ou 
8. Terapeuta ocupacional. 
COMPOSIÇÃO MÍNIMA DA EMAD 
 1-EMAD Tipo 1: 
1. Profissionais médicos - Carga horária de no 
mínimo 40 h; 
2. Profissionais enfermeiros - Carga horária de no 
mínimo 40h/sem; 
3. Profissional fisioterapeuta e/ou assistente social 
- Carga horária de no mínimo 30 horas; 
4. Auxiliares/técnicos de enfermagem - Carga 
horária de no mínimo 120 horas. 
1-EMAD Tipo 2 
1. Profissional médico - Carga horária de no 
mínimo de 20 h; 
2. Profissional enfermeiro - Carga horária de no 
mínimo 30h/sem; 
3. Profissional fisioterapeuta ou assistente social - 
Carga horária de no mínimo 30 horas; 
4. Auxiliares/técnicos de enfermagem - Carga 
horária de no mínimo 120 horas de trabalho. 
Observação: Estima-se, em média, o atendimento 
de 60 usuários para cada EMAD Tipo 1 e 30 
usuários para cada EMAD Tipo 2, mensalmente. 
REQU IS ITOS PARA QUE OS MUNICÍP IOS 
TENHAM SISTEMA DE ATENÇÃO DOMICILIAR 
1. Pactuação CIB/CIR: População igual ou 
superior a 20.000 habitantes. 
2. SAMU: Serviço de atendimento móvel de 
urgência. 
3. Município ou região: Hospital de referência. 
GESTÃO DO CUIDADO NA AD 
1. Acolhimento 
2. Clínica Ampliada 
3. Intersetorialidade 
4. Apoio Matricial: O apoio matricial visa 
garantir a retaguarda especializada as equipes 
que realizam atenção a saúde. Propõe ofertar, 
além de retaguarda assistencial, suporte técnico 
pedagógico as equipes de Saúde. 
Projeto Terapêutico Singular: O projeto 
terapêutico singular (PTS) e um conjunto de 
condutas/ações/medidas, de caráter clinico ou não, 
propostas para dialogar com as necessidades de 
saúde de um sujeito individual ou coletivo, 
geralmente em situações mais complexas, 
construídas a partir da discussão de uma equipe 
multidisciplinar
Maria Vitória de Sousa Santos 
POLÍTICAS DE ABORDAGEM ÀS DOENÇAS 
CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS 
PORTARIA N° 252, DE 19 DE FEVEREIRO 
DE 2013 (Revogada pela PRT GMIMS n° 483 de 
01/04/2014) 
PORTARIA N° 483, DE 1° DE ABRIL DE 
2014 
Redefine a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas 
com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema 
Único de Saúde (SUS) e estabelece diretrizes para a 
organização das suas linhas de cuidado. 
PONTOS DE ATENÇÃO NA REDE DE ATENÇÃO À 
PESSOAS COM DOENÇAS CRÔNICAS 
O QUE SÃO DOENÇAS CRÔNICAS? 
Art.2°: As doenças que apresentam início gradual, 
com duração longa ou incerta, que, em geral, 
apresentam múltiplas causas e cujo tratamento 
envolva mudanças de estilo de vida, em um 
processo de cuidado contínuo que, usualmente, não 
leva à cura. 
OBJETIVOS DAS RAS NA ATENÇÃO À PESSOAS 
COM DOENÇAS CRÔNICASSegundo o artigo 4°: 
1. Realizar a atenção integral à saúde das pessoas 
com doenças crônicas, em todos os pontos de 
atenção, através da realização de ações e 
serviços de promoção e proteção da saúde, 
prevenção de agravos, diagnostico, tratamento, 
reabilitação, redução de danos e manutenção 
da saúde. 
2. Fomentar a mudança no modelo de atenção à 
saúde, por meio da qualificação da atenção 
integral às pessoas com doenças crônicas e da 
ampliação das estratégias para promoção da 
saúde da população e para prevenção do 
desenvolvimento das doenças crônicas e suas 
complicações. 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA RAS NA ATENÇÃO À 
PESSOAS COM DOENÇAS CRÔNICAS 
Segundo artigo 5°: 
3. Ampliar o acesso. 
4. Promover o aprimoramento da qualidade da 
atenção à saúde. 
5. Acesso aos recursos diagnósticos e terapêuticos. 
6. Promover hábitos de vida saudáveis. 
7. Ampliar as ações para enfrentamento dos 
fatores de risco. 
8. Ampliação da sua capacidade de autocuidado e 
autonomia. 
9. Impactar positivamente nos indicadores. 
ESTRUTURAÇÃO DA RAS DAS PESSOAS COM 
DOENÇAS CRÔNICAS 
Segundo o artigo 11°: 
• Como nos outros países, no Brasil, as doenças 
crônicas não transmissiveis também se constituem 
como o problema de saúde de maior magnitude. 
• São responsáveis, em 2016, por 74% das causas 
de mortes, com destaque para: 
1. Doenças cardiovasculares (28%), 
2. Neoplasias (18%), 
3. Doenças respiratórias (6%) 
4. Diabetes (5%) 
• Atingem individuos de todas as camadas 
socioeconômicas e, de forma mais intensa, 
aqueles pertencentes a grupos vulneráveis, como 
os idosos e os de baixa escolaridade e renda. 
• De acordo com a OMS, um pequeno conjunto de 
fatores de risco responde pela grande maioria das 
mortes por DCNT: 
1. Tabagismo, 
2. Consumo alimentar inadequado 
3. Inatividade física 
4. Consumo excessivo de bebidas alcoólicas 
NÍVEIS DE PREVENÇÃO 
1. Prevenção primária: Não apresenta 
doenças ou sofrimento - Intervenções de 
promoção da saúde ou de proteção (Ex. 
Imunizações) 
2. Prevenção secundária: Não apresenta 
sintomas (doenças) - Intervenção à procura de 
doença (rastreamentos). 
3. Prevenção terciária: Pessoa doente e a 
intervenção é para prevenir complicações 
(exemplo: o exame sistemático dos pés em 
pessoas com diabetes). 
Maria Vitória de Sousa Santos 
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2
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7
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4. Prevenção quaternária: Sujeito se sente 
doente e o médico não encontra doença - risco 
de dano por intervenções desnecessárias. 
DETERMINAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE 
Maria Vitória de Sousa Santos 
ESTRATÉGIAS COMPORTAMENTAIS DE 
MOTIVAÇÃO E DE AUTOCUIDADO PARA 
MUDANÇA DE HÁBITOS DE VIDA 
MODELOS DE MUDANÇA COMPORTAMENTAL 
REDUÇÃO DE DANOS 
• A mudança comportamental e de hábitos é um 
grande desafio para a promoção da saúde. 
• Nem sempre apenas a educação em saúde é 
suficiente para a mudança de hábitos de vida e 
para a adesão ao tratamento. 
• Depende, também, da vontade individual, das 
estratégias motivacionais e do apoio profissional. 
• É muito importante a coordenação e a 
integração do cuidado e a corresponsabilização 
da pessoa. 
MODELO TRANSTEÓRICO 
• Desenvolvido na década de 1980 
• Pesquisadores norte-americanos Prochaska e 
DiClemente 
É constituído por quatro construtos: 
1. Estágios de mudança do comportamento 
2. Processos de mudança 
3. Equilíbrio de decisões 
4. Autoeficácia 
1. Pré-contemplação (“ I won’t”) - Não 
considera a possibilidade de mudar, nem se 
preocupa com a questão; 
2. Contemplação (“I might”) - Admite o 
problema, é ambivalente e considera adotar 
mudanças eventualmente; 
3. Preparação (“I will”) - Inicia algumas 
mudanças, planeja, cria condições para mudar, 
revisa tentativas passadas; 
4. Ação (“I am”) - Implementa mudanças 
ambientais e comportamentais, investe tempo e 
energia na execução da mudança; 
5. Manutenção (“I have”) - Processo de 
continuidade do trabalho iniciado com ação, 
para manter os ganhos e prevenir a recaída; 
6. Recaída - Falha na manutenção e retomada 
do hábito ou comportamento anterior – 
retorno a qualquer dos estágios anteriores. 
Observação: A pessoa não caminha nos estágios 
de forma linear-causal: uma vez atingida alguma 
mudança, não significa que se manterá nesse 
estágio [...] as pessoas podem progredir ou regredir 
por meio dos estágios de comportamento. 
ENTREVISTA MOTIVACIONAL 
• Criada por William Miller. 
• A entrevista motivacional (EM) é um estilo de 
conver sa co laborat iva vo l tada para o 
fortalecimento da própria motivação da pessoa e 
comprometimento com uma mudança. 
• A meta específica é resolver a ambivalência. 
• Envolve espírito de colaboração, de participação 
e de autonomia de ambas as partes; 
• A mudança é construída de forma natural e 
espontânea; 
• Técnica de abordagem centrada nas necessidades 
da pessoa e em suas experiências; 
• Busca identificar e trabalhar a motivação da 
pessoa. 
• Estimula a autoeficácia. 
Princípios básicos: 
1. Expressar empatia - Aceitar a postura do 
ind iv íduo, tentando entendê- lo, sem 
julgamento. Implica um certo grau de 
solidariedade emocional tentando compreender 
os seus pensamentos e emoções, colocando-se 
no lugar do cliente. A resposta empática é uma 
competência adquirida na qual o profissional é 
treinado para compreender e aceitar o que o 
outro é. Permite expressar solidariedade com 
gestos (tocando levemente o cliente) e palavras 
("Eu entendo que você se sentiu mal com 
aquilo que aconteceu"). Além de ouvir o que o 
cliente diz, o profissional responderá ao que 
ouve, decodificando aquilo que ouviu e 
repetindo para o cliente na forma de uma 
afirmação. (Ex: “Me deixa ver se entendi o que 
você está dizendo...”). Assim o profissional não 
assume o papel de 'expert', a relação terapeuta-
Maria Vitória de Sousa Santos 
cliente é mais de troca, visando à autonomia, 
liberdade de escolha do cliente e sua eficácia. 
2. Desenvolver discrepância - fazer um 
contraponto entre o atual comportamento e a 
meta a ser alcançada. É muito importante que 
o cliente tenha consciência das conseqüências 
de sua conduta, perceba a diferença entre o 
comportamento atual e os objetivos futuros. 
Interessa aumentar os seus níveis de conflito, 
especialmente entre o atual comportamento e 
os valores de sua vida. Trabalhar a emoção 
gerada pelo desconforto da dúvida e / ou de 
conflito é o maior motor para a mudança. 
3. Evitar discussões - confrontos diretos geram 
resistências. isto é, confrontações diretas. Evite 
discutir e debater com o cliente sobre a 
conveniência ou a utilidade de uma mudança, 
porque isso pode criar resistência. Os 
argumentos diretos e as tentativas para 
convencer tendem a produzir oposição ante as 
instruções, ordens ou sugestões para a 
mudança. Esta oposição surge quando a pessoa 
tem a percepção de que sua escolha é limitada 
e, em geral, quando a sensação de liberdade 
seja cerceada. Antes de informar é apropriado 
perguntar ao cliente se tem ou deseja obter 
informação, com frases como “Quer que eu te 
explique alguma coisa sobre este assunto?” 
Também é importante não se precipitar com 
um grande número de informações, sendo mais 
útil ir informando aos poucos e conferindo se 
ele entendeu, sempre centrado no conflito do 
cliente. Geralmente as discussões surgem da 
tentativa do profissional confrontar o cliente 
com seu problema e conseqüentemente querer 
rotulá-lo (por exemplo, o profissional esperar 
que o cliente se assuma como alcoólatra). 
Categorizar é desnecessário. 
4. Dissipar resistências - estar atento ao 
timing do paciente. Temos que reconhecer o 
momento do cliente e saber usá-lo ao invés de 
irmos contra ele. Suas percepções podem 
mudar, principalmente se forem de relutância 
ao tratamento, ao contato terapêutico ou 
mesmo à mudança propriamente dita. Novas 
perspectivas são bem recebidas, mas não devem 
ser impostas. 
5. Estimular a autoeficácia - reforçar a crença 
da pessoa na sua capacidade de conseguir 
alcançar seu objetivo. apoiar e reforçar o 
sentimentode auto-eficácia. Acreditar na 
possibilidade de mudança é um importante 
fator motivacional porque tem uma grande 
influência sobre a capacidade de iniciar um 
novo comportamento e mantê-lo. Os resultados 
anteriores satisfatórios reforçam a crença do 
paciente na sua capacidade de conseguir e a 
nossa ajuda pode ser analisar os resultados, 
potenciando a sua positividade ("É muito difícil 
parar de fumar e você conseguiu!”). Não 
podemos esquecer que o cliente é responsável 
por escolher e fazer a mudança e nós por lhe 
dar assistência, se desejado. 
Estratégias para lidar com a resistência 
1-Reflexão simples: Constatar que o cliente 
discorda ou que ele sente algo. Permite explorar 
melhor a situação ao invés de aumentar as defesas: 
- Cliente: "Não sou eu que tenho problemas. Se 
bebo, é porque minha esposa está sempre me 
enchendo [..]." 
- Profissional: "Parece que, para você, a razão 
de você beber tem relação com seus problemas 
conjugais" 
2-Reflexão amplificada: A idéia seria devolver 
ao cliente o que ele disse de uma forma amplificada 
ou mesmo exagerada. 
- Cliente: "Eu consigo controlar minha bebida." 
- Profissional: "Então quer dizer que você não 
tem nada a temer, álcool não é um problema 
para você" 
3-Reflexão de dois lados: Uma abordagem 
baseada na escuta crítica é constatar o que o cliente 
diz e acrescentar a isto, o outro lado da 
ambivalência do cliente, utilizando material 
fornecido anteriormente: 
- Cliente: "Está bem, eu tenho problemas com 
minha família e com meu chefe pelas ressacas 
frequentes, mas eu não sou um alcoólatra." 
- Profissional: "Você não tem dificuldade em 
assumir que a bebida está te prejudicando, mas 
você não quer ser taxado". 
4-Mudar o foco de atenção da pessoa de algo 
que parece uma barreira para sua evolução. 
- Cliente: "Eu fumo há muito tempo, nem sei o 
que seria da minha vida sem o cigarro, e já tentei 
parar antes e não consegui." 
- Profissional: "Mas agora é uma situação 
diferente, e você pode contar também com a 
ajuda de um grupo de apoio e medicamentos a 
que antes você não tinha acesso. O presente traz 
novas oportunidades". 
5-Concordar, mas com uma mudança sutil 
de direção. 
- Cliente: "Parar de fumar é muito difícil." 
- Profissional: "Você tem razão, muitos ex-
fumantes falam que passaram pelo que você está 
passando hoje". 
6-Enfatizar a escolha e o controle pessoal: 
Profissional: "Ninguém pode mudar o seu hábito. 
Afinal, quem decide é você". 
Maria Vitória de Sousa Santos 
7-Reinterpretar: Isto é, colocar os comentários 
do cliente num outro contexto ou mesmo dar-lhe 
outra interpretação, alterando o sentido: 
- Cliente: "Eu não aguento mais tentar, parar e 
não conseguir. Eu desisto!" 
- Profissional: "Realmente, muitas vezes, é difícil 
ver uma luz no fim do túnel. Eu percebo seu 
esforço em parar e te admiro por isso. Lembre-se 
do processo de mudança que foi discutido: 
quanto mais vezes você passar pelas fases de 
mudança do seu hábito, mais chances terá de 
chegar à manutenção daquilo que você tem 
como objetivo". 
Paradoxo terapêutico: "OK, talvez seja melhor 
mesmo você não fazer a dieta e não tomar seus 
medicamentos ...]" 
M E T O D O L O G I A D A E N T R E V I S T A 
MOTIVACIONAL: PARR 
Reflexão: a escuta reflexiva é a principal estratégia 
na EM. 
Repetição: 
Cliente: “É tão difícil não fumar depois que se para, 
mas eu estou conseguindo.” 
Profissional: “Você está conseguindo”. 
Refraseamento: 
Cliente: “Eu acredito que, quando meu joelho 
melhorar, será o momento de voltar a tentar fazer 
exercícios todos os dias.” 
Profissional: “Quando estiver recuperado, será o 
momento de voltar a tentar”. 
Paráfrase: 
Cliente: “No meu caso, se digo que é agora, é agora, 
e se eu digo, eu faço!” 
Profissional: “Quando você se propõe a algo, você 
consegue”. 
Apontamento emocional: Revelam sentimentos 
ou emoções 
Profissional: “Te percebo um pouco triste” ou 
“Parece que este assunto te emociona”. 
Silêncio: Está indicando que ele é aceito e 
compreendido. 
ARMADILHAS A SEREM EVITADAS 
Por outro lado, existem várias armadilhas que 
retardam ou dificultam o processo de mudança e 
geram resistência do paciente: 
1. Pergunta / Resposta: fazer perguntas que o 
cliente responde com frases curtas e simples. A 
relação “profissional ativo / cliente passivo” 
não facilita a reflexão e preparação por parte 
do cliente, por isto a preconização de perguntas 
abertas e escuta reflexiva. Como regra geral 
deve evitar a perguntar três perguntas abertas 
seguidas. 
2. Confrontar a Negação: é a mais freqüente 
armadilha a se evitar. Quanto mais confrontar 
o cliente com sua situação, este se torna mais 
resistente e relutante em mudar, por exemplo, 
com respostas como "Não creio que é tão grave 
esquecer as coisas quando eu bebo." 
3. Assumir o papel de “Expert”: oferecer, 
com as melhores intenções, respostas e soluções 
para o cliente, o levando a assumir um papel 
passivo totalmente contrária à abordagem da 
Entrevista Motivacional. 
4. Rotular: classificar um paciente com rótulos, 
que muitas vezes exercem certo tipo de estigma 
sobre as pessoas ("Você é um alcoólatra"). Os 
problemas podem ser analisados sem a 
necessidade de definir rótulos, que causam 
resistência desnecessária. 
5. Fo c a l i z a ç ã o p r e m a t u r a : f o c a r 
prematuramente o assunto que parece mais 
importante quando o cliente quer falar sobre 
outros assuntos que lhe digam respeito e que 
são mais extensos. É importante evitar o 
confronto sobre o que é mais adequado para 
iniciar a entrevista e começar com as 
preocupações do cliente facilita a tarefa. Se 
tentarmos focalizar a questão rapidamente ele 
irá se distanciar e ficar na defensiva. 
6. Culpar: gastar tempo e energia para analisar 
de quem é a culpa do problema deixa o cliente 
na defensiva. A culpa é irrelevante e convém 
enfrentá-la com reflexão e reformulação das 
preocupações do cliente. 
E S T R A T É G I A S Q U E A U M E N T E M A 
PROBABILIDADE DE MUDANÇA 
1. Aconselhar 
2. Remover Barreiras 
3. Oferecer opções de escolha 
4. Diminuir a vontade 
5. Praticar empatia 
6. Dar feedback 
7. Clarificar objetivos 
8. Ajuda ativa 
REDUÇÃO DE DANOS 
Trata-se de um conjunto de estratégias que visam 
reduzir os efeitos negativos do uso de drogas, sem a 
necessidade de abstinência, respeitando-se o direito 
desses cidadãos ao cuidado à saúde.
Maria Vitória de Sousa Santos 
ABORDAGEM À PESSOA COM DIABETES 
NA ATENÇÃO BÁSICA 
DIABETES MELLITUS (DM) 
• Doença crônica não transmissível (DCNT) 
definida como um distúrbio de múltiplas 
etiologias resultante de defeitos e ineficácia da 
insulina secretada pelo pâncreas ocasionando a 
resistência insulínica. 
• Essa hiperglicemia persistente, está associada à 
complicações crônicas micro e macrovasculares, 
aumento de morbidade, redução da qualidade de 
vida e elevação da taxa de mortalidade. 
• Trata-se de uma doença indiscriminada, capaz de 
afetar indivíduos de todas as raças, cor, 
escolaridade, sexo, idade e condição social. 
RASTREAMENTO 
• As equipes de Atenção Básica devem estar 
atentas, não apenas para os sintomas de diabetes, 
mas também para seus fatores de risco (hábitos 
alimentares não saudáveis, sedentarismo e 
obesidade). 
• Recomenda-se que a consulta de rastreamento 
para a população-alvo definida pelo serviço de 
Saúde seja realizada pelo enfermeiro da UBS, 
encaminhando para o médico em um segundo 
momento, a fim de confirmar o diagnóstico dos 
casos suspeitos. 
• Os objetivos da consulta de rastreamento são: 
conhecer a história pregressa da pessoa; realizar o 
exame físico, incluindo a verificação de pressão 
arterial, de dados antropométricos (peso, altura e 
circunferência abdominal) e do cálculo do IMC; 
identificar os fatores de risco para DM; avaliar as 
condições de saúde e solicitar os exames 
laboratoriais necessários e que possam contribuir 
para o diagnóstico e para a decisão terapêutica 
ou preventiva. 
CLASSIFICAÇÃO 
Diabetes tipo 1 
• A apresentação do diabetestipo 1 é em geral 
abrupta, acometendo principalmente crianças e 
adolescentes sem excesso de peso. 
• Na maioria dos casos, a hiperglicemia é 
acentuada, evoluindo rapidamente para 
cetoacidose, especialmente na presença de 
infecção ou outra forma de estresse. 
• Assim, o traço clínico que mais define o tipo 1 é a 
tendência à hiperglicemia grave e cetoacidose. 
• O termo “tipo 1” indica o processo de destruição 
da célula beta que leva ao estágio de deficiência 
absoluta de insulina, quando a administração de 
insulina é necessária para prevenir cetoacidose. 
• A destruição das células beta é geralmente 
causada por processo autoimune (tipo 1 
autoimune ou tipo 1A), que pode ser detectado 
p o r a u t o a n t i c o r p o s c i rc u l a n t e s c o m o 
antidescarboxilase do ácido glutâmico (anti-
GAD), anti-ilhotas e anti-insulina. 
• Em menor proporção, a causa é desconhecida 
(tipo 1 idiopático ou tipo 1B). 
• A destruição das células beta em geral é 
r a p i d a m e n t e p r o g r e s s i v a , o c o r r e n d o 
principalmente em crianças e adolescentes (pico 
de incidência entre 10 e 14 anos), mas pode 
ocorrer também em adultos. 
Diabetes tipo 2 
• O DM tipo 2 costuma ter início insidioso e 
sintomas mais brandos. 
• Manifesta-se, em geral, em adultos com longa 
história de excesso de peso e com história familiar 
de DM tipo 2. 
• No entanto, com a epidemia de obesidade 
atingindo crianças, observa-se um aumento na 
incidência de diabetes em jovens, até mesmo em 
crianças e adolescentes. 
• O termo “tipo 2” é usado para designar uma 
deficiência relativa de insulina, isto é, há um 
estado de resistência à ação da insulina, associado 
a um defeito na sua secreção, o qual é menos 
intenso do que o observado no diabetes tipo 1. 
• Após o diagnóstico, o DM tipo 2 pode evoluir por 
muitos anos antes de requerer insulina para 
controle. 
• Seu uso, nesses casos, não visa evitar a 
cetoacidose, mas alcançar o controle do quadro 
hiperglicêmico. 
• A cetoacidose nesses casos é rara e, quando 
presente, em geral é ocasionada por infecção ou 
estresse muito grave. 
• A hiperglicemia desenvolve-se lentamente, 
permanecendo assintomática por vários anos. 
Diabetes gestacional e diabetes detectado na 
gravidez 
• Diabe te s ge s tac iona l é um es tado de 
hiperglicemia, menos severo que o diabetes tipo 1 
e 2, detectado pela primeira vez na gravidez. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Geralmente se resolve no período pós-parto e 
pode frequentemente retornar anos depois. 
• Hiperglicemias detectadas na gestação que 
alcançam o critério de diabetes para adultos, em 
geral, são classificadas como diabetes na gravidez, 
independentemente do período gestacional e da 
sua resolução ou não após o parto. 
• Sua detecção deve ser iniciada na primeira 
consulta de pré-natal. 
DIAGNÓSTICO 
• Os sinais e sintomas característicos que levantam 
a suspeita de diabetes são os “quatro P’s”: 
poliúria, polidipsia, polifagia e perda inexplicada 
de peso. 
• Embora possam estar presentes no DM tipo 2, 
esses sinais são mais agudos no tipo 1, podendo 
progredir para cetose, desidratação e acidose 
metabólica, especialmente na presença de estresse 
agudo. 
• Sintomas mais vagos também podem estar 
presentes, como prurido, visão turva e fadiga. 
• No DM tipo 2, o início é insidioso e muitas vezes 
a pessoa não apresenta sintomas. 
• Não infrequentemente, a suspeita da doença é 
feita pela presença de uma complicação tardia, 
como proteinuria, retinopatia, neuropatia 
periférica, doença arteriosclerótica ou então por 
infecções de repetição. 
VALORES PARA DIAGNÓSTICO DIABETES TIPO 2 
AVALIAÇÃO DO PACIENTE DA APS 
1. C o n s u l t a d e e n f e r m a ge m : É d e 
competência do enfermeiro, realizar consulta 
de enfermagem para pessoas com maior risco 
para desenvolver DM tipo 2, abordando fatores 
de risco, estratificação do risco cardiovascular e 
orientação sobre MEV. A consulta de 
enfermagem tem o objetivo de conhecer a 
história pregressa do paciente, seu contexto 
social e econômico, grau de escolaridade, 
avaliar o potencial para o autocuidado e avaliar 
as condições de saúde. É importante que o 
enfermeiro estimule e auxilie a pessoa a 
desenvolver seu plano de autocuidado em 
relação aos fatores de risco identificados 
durante o acompanhamento. 
2. Consulta médica: A consulta de avaliação 
inicial de pessoas com diagnóstico de DM será 
realizada pelo médico da Atenção Básica. 
Nesta consulta, o profissional precisará 
identificar os fatores de risco, avaliar as 
condições de saúde, estratificar, se necessário, o 
risco cardiovascular da pessoa, e orientar 
quanto à prevenção e ao manejo de 
complicações crônicas. A consulta médica 
deverá incluir quatro aspectos fundamentais: 
história da pessoa, exame físico, avaliação 
laborator ia l e es trat ificação do r i sco 
cardiovascular. 
70-99
100-125
>= 126
Maria Vitória de Sousa Santos 
DE
AVALIAÇÃO E CUIDADOS COM OS PÉS DE 
PESSOAS COM DIABETES MELLITUS NA 
ATENÇÃO BÁSICA 
• Entre as complicações crônicas do diabetes 
mellitus (DM), as úlceras de pés (também 
conhecido como pé diabético) e a amputação de 
extremidades são as mais graves e de maior 
impacto socioeconômico. 
• As úlceras nos pés apresentam uma incidência 
anual de 2%, tendo a pessoa com diabetes um 
risco de 25% em desenvolver úlceras nos pés ao 
longo da vida. 
• Estudos estimam que essa complicação é 
responsável por 40% a 70% das amputações não 
traumáticas de membros inferiores. 
• Aproximadamente 20% das internações de 
indivíduos com diabetes ocorrem por lesões nos 
membros inferiores. 
• Oitenta e cinco por cento das amputações de 
membros inferiores no DM são precedidas de 
ulcerações, sendo que os principais fatores 
associados são a neuropatia periférica, 
deformidades no pé e os traumatismos. 
• A prevenção, por meio do exame frequente dos 
pés de pessoas com DM, realizado pelo médico 
ou pela enfermeira da Atenção Básica, é de vital 
importância para a redução das complicações. 
• Há evidências sobre a importância do 
rastreamento em todas as pessoas com diabetes a 
fim de identificar aquelas com maior risco para 
ulceração nos pés, que podem se beneficiar das 
intervenções profiláticas, incluindo o estímulo ao 
autocuidado. 
FINANCIAMENTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À 
SAÚDE (APS) 
PORTARIA GM/MS N° 102, DE 20 DE 
JANEIRO DE 2022 
2º São indicadores do pagamento por desempenho 
para o ano de 2022: 
I. Proporção de gestantes com pelo menos 6 (seis) 
consultas pré-natal realizadas, sendo a 1ª 
(primeira) até a 12ª (décima segunda) semana 
de gestação. 
II. Proporção de gestantes com realização de 
exames para sífilis e HIV. 
III. Proporção de gestantes com atendimento 
odontológico realizado. 
IV. Proporção de mulheres com coleta de 
citopatológico na APS. 
V. Proporção de crianças de 1 (um) ano de Idade 
vacinadas na APS contra Difteria, Tétano, 
Coqueluche, Hepatite B, Infecções causadas 
por haemophilus influenzae t ipo b e 
Poliomielite inativada 
VI. Proporção de pessoas com hipertensão, com 
consulta e pressão arterial aferida no semestre. 
VII.Proporção de pessoas com diabetes, 
com consulta e hemoglobina glicada 
solicitada no semestre.
Maria Vitória de Sousa Santos 
O CUIDADO AO PACIENTE COM 
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA NA 
ATENÇÃO BÁSICA 
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA 
É uma doença crônica não transmissível (DCNT) 
caracterizada por elevação persistente da pressão 
arterial (PA), com PA sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg 
e/ou PA diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg medida com 
a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões 
diferentes, na ausência de medicação anti-
hipertensiva. 
IMPACTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL NAS 
DOENÇAS CARDIOVASCULARES 
Principal fator de risco modificável para doenças 
cardiovasculares (DCV), doença renal crônica 
(DRC) e morte prematura. 
FATORES DE R ISCO PARA H I PERTENSÃO 
ARTERIAL 
1. Genética 
2. Idade 
3. Sexo 
4. Etnia 
5. Excesso de peso 
6. Sedentarismo 
7. Álcool e Fumo 
8. Ingestade sal 
RASTREAMENTO 
• Todo adulto com 18 anos ou mais de idade, 
quando vier à Unidade Básica de Saúde (UBS) 
p a r a c o n s u l t a , a t i v i d a d e s e d u c a t i va s , 
procedimentos, entre outros, e não tiver registro 
no prontuário de ao menos uma verificação da 
PA nos últimos dois anos, deverá tê-la verificada e 
registrada. 
• A primeira verificação deve ser realizada em 
ambos os braços. 
• Caso haja diferença entre os valores, deve ser 
considerada a medida de maior valor. 
• O braço com o maior valor aferido deve ser 
utilizado como referência nas próximas medidas. 
• O indivíduo deverá ser investigado para doenças 
arteriais se apresentar diferenças de pressão entre 
os membros superiores maiores de 20/10 mmHg 
p a r a a s p re s s õ e s s i s t ó l i c a / d i a s t ó l i c a , 
respectivamente. 
• Com intervalo de um minuto, no mínimo, uma 
segunda medida dever ser realizada. 
DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico da HAS consiste na média aritmética 
da PA maior ou igual a 140/90mmHg, verificada 
em pelo menos três dias diferentes com intervalo 
mínimo de uma semana entre as medidas, ou seja, 
soma-se a média das medidas do primeiro dia mais 
as duas medidas subsequentes e divide-se por três. 
CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL 
ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR 
A estratificação tem como objetivo estimar o risco 
de cada indivíduo sofrer uma doença arterial 
coronariana nos próximos dez anos. Essa estimativa 
se baseia na presença de múltiplos fatores de risco, 
como sexo, idade, níveis pressóricos, tabagismo, 
níveis de HDLc e LDLc. A partir da estratificação 
de risco, selecionam-se indivíduos com maior 
probabilidade de complicações, os quais se 
beneficiarão de intervenções mais intensas. O 
escore de Framinghan é uma ferramenta útil e de 
fácil aplicação no cotidiano. Ele classifica os 
indivíduos por meio da pontuação nos seguintes 
graus de risco cardiovascular (BRASIL, 2010) e 
auxilia na definição de condutas: 
1. Baixo Risco – quando existir menos de 10% 
de chance de um evento cardiovascular ocorrer 
Maria Vitória de Sousa Santos 
em dez anos. O seguimento dos indivíduos com 
PA limítrofe poderá ser anual após orientá-los 
sobre estilo de vida saudável. 
2. Risco Intermediário – quando existir 10% 
– 20% de chance de um evento cardiovascular 
ocorrer em dez anos. O seguimento dos 
indivíduos com PA limítrofe poderá ser 
semestral após orientações sobre estilo de vida 
saudável e, se disponível na UBS ou 
comunidade e s e de se jo da pe s soa , 
encaminhamento para ações coletivas de 
educação em Saúde. 
3. Alto Risco – quando existir mais de 20% de 
chance de um evento cardiovascular ocorrer 
em dez anos ou houver a presença de lesão de 
órgão-alvo, tais como IAM, AVC/AIT, 
hipertrofia ventricular esquerda, retinopatia e 
nefropatia. O seguimento dos indivíduos com 
PA limítrofe de alto risco poderá ser trimestral 
após orientações sobre estilo de vida saudável e, 
se disponível na UBS ou comunidade e, se 
desejo da pessoa, encaminhamento para ações 
de educação em Saúde coletivas. 
TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO 
• O tratamento não medicamentoso é parte 
fundamental no controle da HAS e de outros 
fatores de risco para doenças cardiovasculares 
(DCV), como obesidade e dislipidemia. 
• Esse tratamento envolve mudanças no estilo de 
vida (MEV) que acompanham o tratamento do 
paciente por toda a sua vida. 
• Entre as MEV está a redução no uso de bebidas 
alcoólicas. 
• O álcool é fator de risco reconhecido para 
hipertensão arterial e pode dificultar o controle 
da doença instalada. 
• Outro ponto a ser observado é o uso de 
anticoncepcionais hormonais orais. 
• A substituição de anticoncepcionais hormonais 
orais por outros métodos contraceptivos promove 
a redução da pressão arterial em pacientes 
hipertensas. 
• Embora fumar seja um fator de risco para o 
desenvolvimento de DCV, o papel do tabagismo 
como fator de risco para HAS não está, ainda, 
bem definido. 
• A adoção de hábitos saudáveis, como 
alimentação, diminuição do consumo de álcool, 
prática de atividade física, controle do peso e 
abandono do tabagismo. 
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
• A decisão de quando iniciar medicação anti-
hipertensiva deve ser considerada avaliando a 
preferência da pessoa, o seu grau de motivação 
para mudança de estilo de vida, os níveis 
pressóricos e o risco cardiovascular. 
• Pessoas com alto risco cardiovascular ou níveis 
pressóricos no estágio 2 (PA ≥ 160/100mmHg) 
beneficiam-se de tratamento medicamentoso 
desde o diagnóstico para atingir a meta 
pressórica, além da mudança de estilo de vida. 
• Pessoas que não se enquadram nos critérios 
acima e que decidem, em conjunto com o 
médico, não iniciar medicação neste momento, 
podem adotar hábitos saudáveis para atingir a 
meta por um período de três a seis meses. 
• Durante esse intervalo de tempo devem ter a 
pressão arterial avaliada pela equipe, pelo menos, 
mensalmente. 
• Quando a pessoa não consegue atingir a meta 
pressórica pactuada ou não se mostra motivada 
no processo de mudança de hábitos, o uso de 
anti-hipertensivos deve ser oferecido, de acordo 
com o método clínico centrado na pessoa. 
• O tratamento medicamentoso utiliza diversas 
classes de fármacos selecionados de acordo com a 
necessidade de cada pessoa, com a avaliação da 
presença de comorbidades, lesão em órgãos-alvo, 
h i s t ó r i a f a m i l i a r, i d a d e e g r av i d e z . 
Frequentemente, pela característica multifatorial 
da doença, o tratamento da HAS requer 
associação de dois ou mais anti-hipertensivos. 
TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO DAS 
PESSOAS COM HAS NA AB 
• O seguimento das pessoas com hipertensão deve 
ser feito com apoio de outros profissionais de 
Saúde de acordo com as necessidades de cada 
caso e recursos disponíveis. 
• Avaliação do nutricionista. 
• Acompanhamento com o educador físico. 
• Garantir o acesso às consultas de retorno. 
• Promover a inserção em grupos de educação em 
saúde e autocuidado. 
Observação: Faz parte do componente para 
repasse do financiamento da saúde: Previne Brasil. 
- VI - proporção de pessoas com hipertensão, com 
consulta e pressão arterial aferida no semestre.
Maria Vitória de Sousa Santos 
AÇÕES DE PREVENÇÃO PARA 
DOENÇAS 
CARDIOVASCULARES 
FAT O R E S D E R I S C O PA R A D O E N Ç A S 
CARDIOVASCULARES 
1. Hipertensão 
2. Dislipidemia 
3. Obesidade 
4. Sedentarismo 
5. Tabagismo 
6. Consumo abusivo de álcool 
7. Diabetes 
8. Histórico familiar 
Obse r v a ç ã o : A u m e n t a m o r i s c o d o 
desenvolvimento de doenças cardiovasculares. 
• A presença dos fatores de risco clássicos 
(h iper t en são, d i s l i p idemia , obe s idade, 
sedentarismo, tabagismo, diabetes e histórico 
familiar) aumenta a probabilidade pré-teste de 
DCV – com ênfase para a doença arterial 
coronariana (DAC) – e norteia a prevenção 
primária e secundária. 
• Medidas como o estímulo aos hábitos de vida 
saudáveis, o acesso às ações para prevenção 
primária e secundária de DCV, associados ao 
tratamento de eventos cardiovasculares (CV), é 
essencial para o controle das DCV. 
NÍVEIS DE PREVENÇÃO 
História natural da doença (Leavell e Clark): 
Prevenção primária: 
• A prevenção primária é marcada por ações 
focadas em impedir a ocorrência das doenças 
antes que elas se desenvolvam no organismo dos 
pacientes. 
• Ela subdivide-se em dois níveis: a promoção da 
saúde e a proteção específica, contempla o 
período pré-patogênico (antes do adoecimento) e 
ações sobre agentes patógenos e seus vetores. 
• Esse nível de prevenção, portanto, diz respeito a 
ações tomadas para remover causas e fatores de 
risco de um problema de saúde individual ou 
populacional, antes do desenvolvimento de 
alguma condição clínica. 
• Esse nível de atenção é fundamental para a 
sociedade, uma vez que tem ação preventiva e 
contribui para evitar o adoecimento da 
população. Isso, sem dizer da redução dos gastos 
com tratamentos de doenças. 
• Os programas de vacinação e imunização de 
doençastransmissíveis, por exemplo, são 
exemplos importantes de ações de prevenção 
primária. 
• Também fazem parte desse nível de prevenção 
ações de incentivo à educação alimentar, prática 
de atividade física e campanhas educativas, por 
exemplo, contra uso de cigarro ou bebidas 
alcoólicas. 
Prevenção secundária 
• A contrário do nível primário, aqui a doença já se 
manifestou, mas ainda em fase inicial.   
• A prevenção secundária é essencial, uma vez que 
o diagnóstico precoce é fundamental para o êxito 
de tratamentos de várias doenças, muitas delas, 
fatais. 
• Vale destacar que esse nível também é dividido 
em dois níveis: Diagnóstico precoce e Limitação 
da incapacidade. 
• Portanto, a prevenção secundária tem como foco 
detectar um problema de saúde em estágio 
in i c ia l , reduz indo ou preven indo sua 
disseminação e efeitos a longo prazo. 
• Um exemplo de ação nesse sentido é o 
rastreamento para diagnóstico precoce.   
• Esse nível de prevenção busca identificar e 
confirmar o diagnóstico e impedir que a 
enfermidade avance ou tenha seu quadro 
piorado. 
• Em caso de doenças infecciosas, é fundamental, 
pois pode reduzir sua disseminação. 
• O objetivo aqui é promover melhor evolução 
clínica para pacientes por meio de procedimentos 
diagnósticos e terapêuticos. 
Prevenção terciária 
• Esse nível de atenção é a evolução do nível 
anterior. 
• Nessa fase, por exemplo, o quadro patológico do 
paciente já evoluiu e a proposta é reduzir 
complicações ou agravos no quadro do indivíduo. 
• As ações que integram esse nível de prevenção se 
fazem necessárias ações para reduzir os prejuízos 
funcionais consequentes de um problema agudo 
ou crônico. 
• Podemos definir a prevenção terciária, portanto, 
como o conjunto de ações que objetivam reduzir 
a incapacidade do paciente, de forma a permitir 
sua rápida e melhor reintegração na sociedade.   
• A prevenção terciária é implementada para 
reduzir em um indivíduo ou em uma população 
os prejuízos funcionais advindos de um problema 
agudo ou crônico, a exemplo do diabetes ou do 
acidente vascular cerebral. 
• Trata-se, assim, da busca pela reabilitação de 
pacientes com doenças clinicamente detectáveis. 
Prevenção quaternária 
• Esse nível de prevenção é demandado com 
quando o paciente já está com a doença em 
estágio mais avançado. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Nesse sentido, podemos definir a prevenção 
quaternária como sendo o conjunto de ações 
realizadas com o objetivo de evitar danos 
relacionados a intervenções médicas e de outros 
profissionais de saúde. 
• É o caso, por exemplo, quando o tratamento é 
considerado pior do que a doença. 
• A proposta aqui é, principalmente, prevenir o que 
chamamos de hipermedicalização do cuidado, 
que nada mais é do que o uso excessivo de 
medicamentos. 
• Além disso, é objetivo da prevenção quaternária 
evitar intervenções invasivas desnecessárias, como 
cirurgias ou exames, assim como fortalecer a 
política de redução de danos junto ao paciente. 
• O desafio dos profissionais de saúde nesta fase é 
promover procedimentos científica e eticamente 
aceitáveis para melhor qualidade de vida do 
paciente. 
EQUIPES DE CONSULTÓRIO NA RUA 
1. Modalidade I – 4 (quatro) profissionais, entre os 
quais 2 (dois) conforme a letra A e os demais de 
A e B; 
2. Modalidade II – 6 (seis) profissionais, entre os 
quais 3 (três) conforme a letra A e os demais de 
A e B; 
3. Modalidade III – equipe da Modalidade II 
acrescida de um profissional médico. 
Componentes da equipe: 
A. Enfermeiro, Psicólogo, Assistente Social e 
Terapeuta Ocupacional. 
B. Agente Social, Técnico ou Auxiliar de 
Enfermagem, técnico em Saúde Bucal, 
Cirurgião dentista, profissional de Educação 
Física e profissional com formação em Arte e 
Educação. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
a

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