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iesc III
3° PERÍODO
Integração-ensino-serviço-
comunidade
OS CICLOS DE VIDA HUMANO E
DA FAMÍLIA
FAMÍLIA
Trata-se de um sistema aberto, dinâmico e
complexo, cujos membros pertencem a um mesmo
contexto social compartilhado, (…) sede das
primeiras trocas afetivo-emocionais e da construção
da Identidade (FERNANDES; CURRA, 2006).
OS TIPOS DE FAMÍLIAS
• As diversas conjunturas podem gerar variadas
formas de conflito, tendo em mente que as pré-
concepções dos profissionais de saúde não devem
influenciar no tratamento do usuário.
• As diretrizes do SUS concebem a família de
"forma integral e sistêmica, como espaço de
desenvolvimento individual e de grupo, dinâmico
e passível de crises" (PAGANI, MINOZZO:
QUAGLIA, 2011, p. 40).
ESTRUTURA E CONFIGURAÇÃO FAMILIAR
1. Biológica
2. Sociológica: Instituições sociais
3. Antropológica: Relacionados aos processos
de socialização do indivíduo.
4. Psicológica: Unidade emocional
ARRANJOS FAMILIARES
• Famílias monoparental: Pai e mãe solo.
• Famílias nuclear: Família tradicional.
• Famílias extensas: Famílias grandes.
• Famílias abrangentes: inclui os não parentes
que habitam na casa.
• Famílias homoafetivas: Famílias com pais/
mães homoafetivos.
OLHAR SISTÊMICO
• A família é entendida a partir de suas relações.
• Todo o seu contexto social, econômico, e político
influenciam no bem-estar do indivíduo e da sua
família.
• É importante ter claro entendimento do contexto
interpessoal do problema.
É importante saber:
1. Quem faz parte do sistema familiar.
2. Se há pessoas importantes para a pessoa ou
família que não estão presentes.
3. O pensamento sistêmico foca-se nas relações,
não só nos tratos entre os elementos da família,
mas também nas relações entre a família e os
profissionais que trabalham com ela.
ABORDAGEM À FAMÍLIA
• Elemento de gestão do cuidado em atenção
domiciliar, e também em um elemento de prática
diagnóstica e terapêutica;
• Permite o conhecimento da família e das possíveis
disfuncionalidades que prejudicam o bem estar
biopsicossocial de seus membros.
• No domicilio, algumas questões sobre a estrutura
e hábitos familiares estão explícitos, por exemplo,
para uma pessoa com diabetes descompensado os
profissionais da atenção domiciliar podem
estabelecer contato com todos os membros da
família e visualizar in loco os seus hábitos
alimentares.
CICLO VITAL
• Etapas pelas quais as famílias passam e os
desafios/ tarefas a cumprir.
• Permite uma visão panorâmica e focal
simultaneamente.
• Permite que o profissional da atenção domiciliar
perceba os entraves que a família está
atravessando - crise previsível ou não.
Maria Vitória de Sousa Santos
- Observação: Em famílias de classe social
vulnerável, alguns fenômenos contribuem para
encurtar as fases do ciclo de vida.
- Observação: As 3 fases do ciclo vital da família
popular são: famílias com filhos pequenos;
famílias com adulto jovem adulto e famílias no
estágio tardio.
- Observação : Famíl ias populares são,
geralmente, famílias ampliadas, chefiadas pelos
avós.
ASPECTOS RELEVANTES NA AD
• A Estrutura familiar - quantidade de pessoas que
moram na casa e suas respectivas funções: o fato
dos progenitores estarem vivos ou não,
divorciados, separados ou dividindo moradia com
outros parceiros, dentre outras características.
• Pontos "fortes" e "fracos" da família para o
cuidado domiciliar.
• Observa-se a dinâmica familiar.
• Comunicação: verbal e não-verbal.
Maria Vitória de Sousa Santos
FERRAMENTAS DE
ABORDAGEM FAMILIAR
A FAMÍLIA COMO FOCO DA APS
É necessário conhecer as configurações dessa
família, seus arranjos, seus contentos, seu processo
social de trabalho e vivência.
Métodos utilizados:
1. Genograma
2. Ecomapa
3. FIRO
4. PRACTICE
5. APGAR familiar
GENOGRAMA
• O g e n o g r a m a é u m a f e r r a m e n t a d e
representação gráfica da família.
• São representados os diferentes membros da
família, o padrão de relacionamento entre eles e
as suas principais morbidades.
• Elementos estruturais - informações relativas à
composição familiar, data de nascimento, grau de
escolaridade, ocupação, hábitos, doenças, mortes,
separações, etc).
• Elementos funcionais - dinâmica funcional da
família.
• A demonstração gráfica da situação permite que
o profissional que atua na atenção à família pare
e reflita sobre a dinâmica familiar, os problemas
mais comuns que a afligem e o enfrentamento
dos mesmos pelos membros da família.
Quando construir o genograma?
• Pode ser utilizada por todos os membros da
equipe, mas não deve ser feita como uma tarefa
sem objetivo.
As situações indicadas para sua utilização
são:
1. Sintomas inespecíficos.
2. Utilização excessiva dos serviços de saúde.
3. Doença crônica.
4. Isolamento.
5. Problemas emocionais graves.
6. Situações de risco familiar, por violência
doméstica ou drogadição.
7. Mudanças no ciclo de vida.
8. Resistência ao tratamento ou dificuldade para
aceitar o diagnóstico.
9. Alteração nos papéis familiares, por eventos
agudos.
Qual a contribuição do genograma?
O genograma permite conhecer o indivíduo em seu
contexto familiar e a influência da família em sua
vida; conhecer as doenças mais frequentes na
família e o padrão de repetição das mesmas,
possibilitando ações efetivas de promoção de saúde
nos seus descendentes; além de permitir ao
profissional conhecer e explorar junto aos familiares
suas crenças e padrões de comportamento. Tem
valor não só diagnóstico, como também
terapêutico. E, finalmente, avalia até que ponto o
padrão de relacionamento é saudável ou funcional
ou se contribui para o adoecimento dos seus
membros.
ECOMAPA
• Elaboração da rede social da família - desenho
complementar ao genograma na compreensão da
composição e estrutura relacional intrafamiliar e
a relação com o meio que a cerca.
• Ao construir o ecomapa é necessário colocar
todos os suportes da família: trabalho, igreja,
grupos comunitários, clubes, vizinhança e outros
que a família cite como estrutura de apoio.
Exemplo: Veja na Figura que os membros da
família e suas idades são mostrados no centro do
círculo. Os círculos externos mostram os contatos
da família com a comunidade. As linhas indicam o
Maria Vitória de Sousa Santos
tipo de conexão: linhas contínuas representam
ligações fortes; linhas pontilhadas, ligações frágeis;
linhas com barras, aspectos estressantes. As setas
significam energia e fluxo de recursos. Ausência de
linhas significa ausência de conexão.
GEMOGRAMA E ECOMAPA
• O conhecimento da dinâmica familiar, como
componentes, papéis, funções, interações entre si
e o ambiente é fundamental para o entendimento
da relação entre seus membros.
• Genograma e ecomapa frequentemente são
usados em conjunto, possibilitando aos familiares
a reflexão de suas relações e buscando suporte
para a família dentro e fora da mesma. A análise
dos instrumentos ocorre juntamente com a coleta
de dados, colaborando para sua característica
terapêutica e propicia a avaliação da intervenção.
• São facilitadores da relação entrevistador e
entrevistado; permitem maior percepção das
relações inter e intrafamiliares; favorecem
discussão sobre mudanças na família e a
identificação de características comuns e únicas
de cada membro da família; e possibilitam ao
entrevistado se manifestar pela linguagem não
verbal.
FIRO (FUNDAMENTAL INTERPERSONAL RELATIONS
ORIENTATIONS - ORIENTAÇÕES FUNDAMENTAIS NAS
RELAÇÕES INTERPESSOAIS)
• Avaliar os sentimentos de membros da família, na
vivência das relações do cotidiano.
• Objetiva compreender melhor o funcionamento
da família estudando as suas relações de poder,
comunicação e afeto.
Significado de cada termo-chave:
1. Inclusão: permite conhecer a dinâmica de
relacionamento na família, como ela se
organiza para enfrentar as situações de estresse,
o papel de cada membro e como são a
interação e participação de cada um dosmembros da família. Vamos voltar nossa
reflexão para nossa própria família − como nos
organizamos ao enfrentar um problema, quem
apoia, quem se afasta, como nos comunicamos?
2. Controle: mostra como é exercido o poder na
família. Ele pode ser: dominante − um exerce o
poder sobre toda a família; reativo − ocorre
reação contrária a alguém que deseja exercer o
papel de dominância; colaborativo − com-
partilhamento de poder entre os membros da
família.
3. Intimidade: como os membros da família se
unem para compart i lhar entre s i os
sentimentos.
PRACTICE
• Instrumento que permite a avaliação do
funcionamento das famílias. Esse instrumento
facilita a coleta de informações e entendimento
do problema, seja ele de ordem clínica,
comportamental ou relacional, assim como a
elaboração de avaliação e construção de
intervenção, com dados colhidos com a família,
facilitando o desenvolvimento da avaliação
familiar.
• O PRACTICE é ferramenta que pode auxiliar
na atenção ao indivíduo e sua família e deve ser
utilizado em situações mais complexas para
resolver algum problema que a família apresenta.
Estrutura do P.R.A.C.T.I.C.E.
1. P- Problema (Presenting problem)
Permite que a equipe conheça o problema da
família e o que os diferentes membros da família
pensam e sentem a respeito do fato.
2. R- Papéis e estrutura (Roles and
structure)
Permite conhecer quais os papéis de cada membro
da família e como eles o desempenham.
3. A - Afeto (Affect)
Como se dá a troca de afeto na família e como isto
afeta, positiva ou negativamente, a resolução do
problema.
4. C- Comunicação (Comunication)
Como é feita a comunicação verbal e não verbal no
contexto da família.
5. T- Tempo (Time of life cycle)
Procura correlacionar o problema apresentado com
os papéis esperados no ciclo de vida da família,
procurando verificar onde está situada a
dificuldade.
6. I - Doenças na família, passadas ou
presentes (Illness in family)
Nesta parte resgatam-se as doenças vividas
anteriormente pela família, como foi feito o
cuidado, buscando valorizar as atitudes de cada
Maria Vitória de Sousa Santos
membro da família, demonstrando a importância
do suporte familiar no cuidado de um membro da
família.
7. C - Lidando com o estresse (Coping with
stress)
Procura identificar os recursos utilizados pela
família para lidar com situações anteriores de
estresse e como utilizar esses recursos para
enfrentar a crise presente.
8. E - Ecologia (Ecology)
Procura conhecer os suportes externos que possam
apoiar a família nessa situação atual − igreja,
vizinhos, enfim, a rede social de apoio –, além dos
aspectos estruturais, como saneamento, renda, grau
de escolaridade, moradia, transporte.
A.PG.AR FAMILIAR (ADAPTATION, PARITNERSHIP,
GROWTH, AFFECTION, RESOLVE) - ADAPTAÇÃO,
PARTICIPAÇÃO, CRESCIMENTO, AFEIÇÃO, RESOLUÇÃO
• Reflete a satisfação de cada membro da família.
• A avaliação será feita para cada membro da
família, por questionário de cinco perguntas
referentes aos aspectos abordados, que serão
pontuadas e analisadas depois.
• Os diferentes índices de cada membro devem ser
comparados para se avaliar o estado funcional da
família.
• A partir da aplicação do questionário e da
avaliação do quadro familiar pode-se desenhar
um plano terapêut ico que poderá ser
desenvolvido pelo próprio médico de família ou
pode exigir a participação de outros profissionais,
como enfermeiros, psicólogos, psiquiatras,
terapeutas ocupacionais ou de família.
Questionário A.P. G.A.R:
1. Estou satisfeito com a atenção que recebo da
minha famí l ia quando a lgo es tá me
incomodando?
2. Estou satisfeito com a maneira com que minha
família discute as questões de interesse comum
e compartilha comigo a resolução dos
problemas?
3. Sinto que minha família aceita meus desejos de
iniciar novas atividades ou de realizar
mudanças no meu estilo de vida?
4. Estou satisfeito com a maneira com que minha
família expressa afeição e reage em relação aos
meus sentimentos de raiva, tristeza e amor?
5. Estou satisfeito com a maneira com que eu e
minha família passamos o tempo juntos?
Para cada pergunta, pontuar da seguinte
forma:
1. Quase sempre: 2 pontos;
2. As vezes: 1 ponto;
3. Raramente: zero.
Avaliação da pontuação para a ferramenta
APGAR: 7 a 10 pontos (É o valor referência).
Maria Vitória de Sousa Santos
MÉTODO CLÍNICO CENTRADO
NA PESSOA
MÉTODO CLÍNICO CENTRADO NA PESSOA
O MCCP é a tentativa do médico de realizar uma
tarefa dupla; entender a pessoa e entender a doença
da pessoa. É desse entendimento que se deriva o
processo de tratamento tanto para a pessoa quanto
para a doença.
COMPONENTES DO MCCP
1. Explorando a saúde, a doença e a experiência
da doença: Avaliar a história do paciente,
exames, sentimentos e expectativas.
2. Entendo a pessoa como um todo: A história de
vida, os aspectos sociais, família, ocupação e
suporte social.
3. Elaborando um plano conjunto de manejo dos
problemas: Problemas, prioridades, objetivos de
tratamento, manejo- TPS.
4. Incorporando a prevenção e a promoção da
saúde: Melhoria na saúde, estratificação de
risco, detecção precoce de doenças e
complicações.
5. Fortalecendo a relação médico pessoa: Exercer
a compaixão, o auto conhecimento, a cura
(efeito terapêutico).
6. Sendo realista: Construir o trabalho em equipe,
uso dos recursos disponíveis, planejar o tempo.
DETALHANDO CADA COMPONENTE
Explorando A Saúde, A Doença E A Experiência
Da Doença
• É nesse momento que o profissional de saúde
deve estar atento a todos os sinais que o paciente
apresenta na hora do seu atendimento.
• Não só as técnicas convencionais como
anamnese, exame físico e complementar, mas
fatores coadjuvantes como linguagem corporal e
verbal, história de processos de adoecimentos
anteriores, sentimentos e expectativas em relação
ao que se passa agora.
• Eles podem nos dizer muito mais a respeito da
situação que o diagnóstico clínico.
• O método mnemônico SIFE pode auxiliar o
profissional a avaliar a dimensão da experiência
da doença:
Entendendo A Pessoa Como Um Todo
• Mais importante componente no MCCP.
• Nesse ponto, avalia-se a compreensão da história
de vida do indivíduo, as particularidades de sua
vivência que o fizeram se tornar a pessoa que está
ali na sua frente.
• Assim, nos casos em que há dúvidas sobre a
doença investigada, deve-se avaliar o ciclo de
vida, a estrutura familiar, e a rede existente entre
ele, sua família e a comunidade.
• Não é um processo feito em apenas um
atendimento, mas sim com um acompanhamento
contínuo.
• Entender a experiência da doença e o sofrimento
que a pessoa sente.
• É importante ressaltar que ao apresentar essa
abertura com a pessoa para discutir a respeito de
sua vida como um todo, além de fortalecer a
própria relação médico-paciente, dá-se liberdade
a ela de discutir questões que talvez, dentro de
sua realidade de convivência, não tenha a
oportunidade de falar, o que poderia contribuir
até mesmo para o agravo do seu estado.
• Melhora a relação médico-pessoa/paciente
contribui para a definição da doença (caso exista).
Maria Vitória de Sousa Santos
• As vivência da pessoa é influenciada pela fase do
seu desenvolvimento (ciclos de vida), tarefas,
responsabilidades.
Elaborar Um Plano Em Conjunto Para Manejo
Dos Problemas
• Deve haver a criação de um plano entre o médico
e o paciente para resolução do problema.
• Ele deve ser montado abordando: a definição do
problema da pessoa; o estabelecimento de metas
para o tratamento e condução do seu quadro e
identificar os papéis que cada um deve ocupar
nesse processo.
• Tal plano deve ser de comum acordo em todas as
suas etapas. Para isso, o profissional deve tirar
todas as dúvidas, usar uma linguagem acessível,
avaliar discordâncias e dificuldades que possa
haver e entender tais pontos, a fim de que as
metas sejam adaptadas e resolutivas.
• Essa etapa ajuda paraque o paciente se torne
mais ativo em relação ao seu cuidado em saúde,
estimulando-o a adquirir essa autonomia.
• Em alguns casos, isso pode não ocorrer de início,
assim, o médico deve orientá-lo a como começar,
ou também o próprio paciente pode estar muito
debilitado, o que exige um suporte maior.
• É i m p o r t a n t e q u e s ó o t e m p o e o
acompanhamento irão mostrar se as metas e o
tratamento serão efetivos ou não.
• Se necessário, ajustes e mudanças de estratégias
devem ser feitas para que se alcance a cura.
Incorporando A Prevenção E A Promoção Da
Saúde
• Promoção de saúde: Aumentar a autonomia para
a pessoa cuidar da própria saúde.
• Prevenção de doenças :
1. Evitar riscos (primária)
2. Reduzir riscos (secundária)
3. Prevenir complicações (terciária)
4. Evitar intervenções excessivas (quaternária)
Fortalecendo A Relação Médico Pessoa
• O objetivo do profissional é ajudar seu paciente,
enxergando-o em toda sua complexidade como
indivíduo.
• Assim, é necessário que se desenvolva estratégias
a fim de garantir uma relação de alta qualidade
com esse, o que pode colaborar e ser a própria
terapêutica do processo de tratamento.
• O cuidado nesse caso exige do profissional: estar
presente, conversar, sensibilidade, agir no melhor
interesse do outro, sentimento, ação e
reciprocidade.
• Tais ferramentas se mostram essenciais para
construir essa relação de qualidade, porém,
algumas situações com pacientes podem levá-lo a
ter desgastes que pode afetar sua atuação no
atendimento e até a sua vida em geral.
• Assim, é fundamental que o médico possua
autoconhecimento e consciência de seus limites.
• Aliado a todos os componentes anteriores, é
essencial ao médico saber que a sua atuação
junto a uma equipe interdisc ipl inar é
indispensável para auxiliar no processo de
abordagem do paciente e nos diversos nichos que
compõem sua vida.
• A interação e o trabalho entre os profissionais
devem se basear em respeito e confiança a fim de
que haja uma comunicação, um planejamento e
uma execução de qualidade para se alcançar os
objetivos do plano estipulado para o paciente.
Maria Vitória de Sousa Santos
PROJETO TERAPÊUTICO
SINGULAR
O QUE É?
• O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um
conjunto de propostas de condutas terapêuticas
articuladas para um indivíduo, uma família ou
um grupo que resulta da discussão coletiva de
uma equipe interdisciplinar com Apoio Matricial,
se esse for necessário.
• O PTS é construído a partir da relação entre o
usuário e o profissional de Saúde, com base nas
nece s s idade s i nd i v idua i s , l evando em
cons ideração sua h i s tor ic idade e suas
singularidades, buscando maior empoderamento
em relação a sua saúde e autonomia.
• Geralmente, o PTS é dedicado a situações mais
complexas, buscando a singularidade como
elemento central de articulação na tentativa de
mudar a tendência de igualar as situações ou os
sujeitos a partir dos diagnósticos firmados.
• Ele pode ser uma ferramenta de cogestão e
compartilhamento do cuidado, na medida em
que possibilita a definição de objetivos comuns e
o estabelecimento de tarefas correlacionadas e
pactuadas em equipe.
ETAPAS DO PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR
1. Diagnóstico - Avaliação e problematização
dos aspectos orgânicos, psicológicos e sociais
para identificação de riscos e vulnerabilidade e
potencialidades para o planejamento do
cuidado.
2. Definição De Metas: Propostas construídas
para curto, médio e longo prazo que serão
negociadas com o sujeito doente pelo membro
da equipe com quem tiver um vinculo melhor.
Devem ser negociadas com o sujeito singular
em questão, preferencialmente pelo profissional
com quem possuir melhor vinculo.
3. Divisão De Responsabilidades: Técnico
de referência / família / usuário em questão.As
tarefas de cada envolvido. inclusive do sujeito
singular em questão, devem ser bem definidas.
Além disso deve-se identificar um profissional
de referência na Equipe de Saúde da Família
o u n a E q u i p e d e A t e n ç ã o B á s i c a ,
independentemente da formacão, para exercer
esse papel, favorecendo a continuidade do
andamento das ações acordadas no PTS.
4. Reavaliação: Discussão e redefinição de
propostas.
APLICANDO O PTS
• Para iniciar o PTS, a equipe da ESF deve se
reunir com os profissionais do NASF que mais
podem contribuir com o caso. Nessa reunido,
lados os aspectos e informações conhecidas sobre
o usuário, sua vida e sua família devem ser
trazidos, além da queixa principal, outras
necessidades e o que já foi realizado pela equipe
ou por outros serviços.
• Em seguida, discutem-se com a equipe os
determinantes para o agravo em saúde, em uma
perspectiva integral e pautada na historicidade e
vivência social do usuário.
• Definem-se, então, quais profissionais e áreas do
serviço de saúde podem atuar no caso.
APOIO MATRICIAL
• Matriciamento ou apoio matricial é um novo
modo de produzir saúde em que duas ou mais
equ ipes, num proces so de cons t rução
compartilhada, criam uma proposta de
intervenção pedagógico-terapêutica.
• O Apoio Matricial objetiva garantir retaguarda
especializada assistencial e suporte técnico-
pedagógico às equipes de referência a fim de
ampliar o seu campo de atuação e qualificar as
suas ações, contribuindo para o aumento da sua
capacidade resolutiva.
• Na horizontalização decorrente do processo de
matriciamento, o sistema de saúde se reestrutura
em dois tipos de equipes:
1. equipe de referência; (Profissionais da APS)
2. equipe de apoio matricial. (Profissionais de
especialidade médica).
Observação: Na Atenção Básica de Saúde, a
Equipe de Saúde da Família deve responsabilizar-
se, de modo longitudinal, pelo cuidado integral de
dada população, mantendo a gestão e a
coordenação do cuidado, mesmo quando a atenção
em outros serviços do sistema de saúde seja
requerida.
Maria Vitória de Sousa Santos
,
reunião
dados
a
ACOLHIMENTO NA ATENÇÃO
PRIMÁRIA À SAÚDE
O QUE É ACOLHIMENTO NA ATENÇÃO BÁSICA?
O acolhimento é uma prática presente em todas as
relações de cuidado, nos encontros reais entre
trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de
receber e escutar as pessoas, podendo acontecer de
formas variadas.
O QUE E A POLITICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO?
• A PNH estimula a comunicação entre gestores,
trabalhadores e usuários para construir processos
coletivos de enfrentamento de relações de poder,
trabalho e afeto que muitas vezes produzem
atitudes e práticas desumanizadoras que inibem a
autonomia e a corresponsabilidade dos
profissionais de saúde em seu trabalho e dos
usuários no cuidado de si.
• Objetiva por em prática os princípios do SUS no
cotidiano dos serviços de saúde, produzindo
mudanças nos modos de gerir e cuidar.
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)
Implantação de políticas Financiamento
de saúde includentes <—> insuficiente.
DESAFIOS NO SUS
1. Financiamento
2. Força de trabalho
3. Modelos de gestão e de atenção.
POR QUE ACOLHER A DEMANDA ESPONTÂNEA NA
ATENÇÃO BÁSICA?
1. A primeira razão é porque, a despeito da
existência de formas cientificamente fundadas
de definição objetiva das necessidades de saúde
e das formas de lidar com elas, é preciso
entender que a ciência e os profissionais de
saúde não são os únicos definidores das
necessidades de saúde. Queiramos ou não, o
usuário também define, com formas e graus
variados, o que é necessidade de saúde para ele,
podendo apresentá-la enquanto demanda ao
serviço de saúde. E é importante que a
demanda apresentada pelo usuário seja
aco lh ida , e s cu tada , p rob l emat i zada ,
reconhecida como legítima.
2. A segunda razão é que os vários tipos de
demanda podem, em grande parte, ser
acolhidos e satisfeitos na atenção básica,
inclusive com as modalidades de tecnologias
leve - duras (conhecimentos, protocolos) e duras
(materiais, equipamentos), que podem e devem
estar disponíveis nessetipo de serviço. Vejamos
alguns exemplos de situações não programadas
que podem ser acolhidas na atenção básica:
usuário com cefaleia ou tontura; pessoa com
ardência ou dor ao urinar; alguém que está
com insônia há uma semana; criança com
febre; mulher com sangramento genital, entre
outros. Essas situações revelam que, apesar de
ser necessário programar o acompanhamento
das pessoas nas agendas dos profissionais (sob
pena de a atenção básica se reduzir a um
pronto-atendimento), também é fundamental
que as unidades de atenção básica estejam
abertas e preparadas para acolher o que não
pode ser programado, as eventualidades, os
imprevistos. Como um usuário poderia decidir
o dia e hora em que ficaria gripado ou teria dor
de cabeça? Seria possível prevenir todos os
casos de ansiedade e dor muscular? Muitas
vezes, o acolhimento a essas situações
demandará continuidade no cuidado. Em
outras, poderá requerer, inclusive, apoio
matricial e/ou encaminhamento para outros
serviços.
3. Outra razão é que, muitas vezes, esses
momentos de sofrimento dos usuários são
fundamentais para a criação e fortalecimento
de vínculos. São momentos em que se sentem,
comumente, desamparados, desprotegidos,
ameaçados, fragilizados. Nessas situações, é
bastante razoável que muitos deles recorram às
unidades de atenção básica quer pela
proximidade física, quer pelos vínculos que
possuem com os profissionais em quem eles
confiam. O fato de conhecer um usuário, sua
história, não só facilita a identificação do
problema (evitando, às vezes, exames e
procedimentos desnecessários ou indesejáveis),
como também o seu acompanhamento.
4. Não devemos esquecer, também, que mesmo os
usuários que são acompanhados regularmente
pelas ações programáticas podem apresentar
exacerbações em seu quadro clínico e
demandar atenção em momentos que não o de
acompanhamento agendado.
C o n s i d e r a r d i f e r e n t e s s e n t i d o s
relacionados ao acolhimento:
1. O aco lh imento como mecani smo de
ampliação/facilitação do acesso;
2. O acolhimento como postura, atitude e
tecnologia de cuidado;
3. O aco lh imento como d i spos i t i vo de
(re)organização do processo de trabalho em
equipe.
FLUXOS DOS USUÁRIOS NA UBS
Definição de intervenções segundo a estratificação
da necessidade do usuário (mediante avaliação de
r i s c o e v u l n e r a b i l i d a d e ) e m " n ã o
a g u d o " ( i n t e r v e n ç õ e s p r o g r a m a d a s ) e
"agudo" (atendimento imediato, prioritário ou no
dia), o que se pretende é que a necessidade do
Maria Vitória de Sousa Santos
/
usuário seja estruturante do tipo e do tempo das
intervenções, materializando, aqui, o princípio da
equidade.
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO
1) Situação não aguda – condutas possíveis:
• Orientação específica e/ou sobre as ofertas da
unidade;
• Adiantamento de ações previstas em protocolos
(ex.: teste de gravidez);
• Agendamento/programação de Intervenções.
2) Situação aguda ou crônica agudizada–
condutas possíveis:
• Atendimento imediato (alto risco de vida):
necessita de intervenção da equipe no mesmo
momento, obrigatoriamente com a presença do
médico. Exs.: PCR, dificuldade respiratória
grave, convulsão, RNC, dor severa;
• A t e n d i m e n t o p r i o r i t á r i o ( r i s c o
moderado): necessita de intervenção breve da
equipe, podendo ser ofertada inicialmente
medida de conforto pela enfermagem até a nova
avaliação do profissional mais indicado para o
caso. Influencia na ordem de atendimento. Exs.:
crise asmática leve e moderada, febre sem
complicação, gestante com dor abdominal,
usuários que necessitam de isolamento, pessoas
com ansiedade significativa;
• Atendimento no dia (risco baixo ou
ausência de risco com vulnerabilidade
importante): Situação que precisa ser
manejada no mesmo dia pela equipe levando em
conta a estratificação de risco biológico e a
vulnerabilidade psicossocial. O manejo poderá
ser feito pelo enfermeiro e/ou médico e/ou
odontólogo, dependendo da situação e dos
protocolos locais. Exs.: disúria, tosse sem sinais de
r i sco, dor lombar leve, renovação de
medicamento de uso contínuo que já terminou,
conflito familiar, usuário que não conseguirá
acessar o serviço em outro momento.
Maria Vitória de Sousa Santos
EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Consiste na produção e sistematização de
conhecimentos relativos à formação e ao
desenvolvimento para a atuação em saúde,
envolvendo práticas de ensino, diretrizes didáticas e
orientação curricular.
EDUCAÇÃO CONTINUADA
É um processo dinâmico de ensino-aprendizagem
destinado a atualizar e melhorar a capacitação de
pessoas, ou grupos, face à evolução científico-
tecnológica, às necessidades sociais e aos objetivos e
metas institucionais. Envolve as atividades de
ensino após a graduação, possui duração definida e
utiliza metodologia tradicional, tais como as pós-
graduações.
Meios de realização
EDUCAÇÃO PERMANENTE
• A educação permanente é uma estratégia
político-pedagógica que toma como objeto os
problemas e necessidades que surgem do processo
de trabalho em saúde - Portaria nº 198/2003 -
instituiu a Política Nacional de Educação
Permanente em Saúde (PNEPS), reformulada
posteriormente, em 2007.
• A educação do dia a dia no âmbito do trabalho é
potencialmente vantajosa, pois as situações
vivenciadas são analisadas de forma crítica e
reflexiva pelos próprios profissionais em um
processo de educação permanente.
• O conceito de educação permanente em saúde
revela-se estratégico para a consolidação do SUS
ao trazer uma questão fundamental: a articulação
entre trabalho e educação.
• Consiste em ações educativas embasadas na
problematização do processo de trabalho em
saúde;
• A Educação Permanente em Saúde (EPS) é
considerada como uma relevante estratégia para
promover mudanças de procedimentos nas
unidades de saúde, pois se baseia em pressupostos
de ensino problematizador e aprendizagem
significativa (PEREIRA et al., 2018).
Objetivos da educação permanente
EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL EM SAÚDE
“A educação interprofissional ocorre quando duas
ou mais profissões aprendem entre si, com e sobre
as outras, para melhorar a colaboração e a
qualidade dos cuidados” (CAIPE, 2002, p. 2).
ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO
1. Muldisciplinaridade: É um grupo de
profissionais clínicos que trabalham unidos em
prol do diagnóstico, tratamento e recuperação
do paciente. Assim, é priorizado um consenso
nas decisões de cada intervenção.
2. I n t e r d i s c i p l i n a r i d a d e : A
interdiscipl inaridade é o processo de
comunicação entre duas ou mais disciplinas.
Com a interdisciplinaridade em cursos da área
de saúde, podemos olhar para um mesmo tema
e discuti-lo sob diferentes pontos de vista
profissionais. Isso adiciona uma visão do todo,
facilitando a análise do problema e a oferta do
tratamento, podendo propiciar resultados mais
efetivos e duradouros ao paciente.
3. Multiprofissional idade : A equ ipe
multiprofissional de saúde é formada por um
grupo de profissionais de saúde que trabalham
em conjunto com o objetivo de promover a
recuperação mais rápida e efetiva do paciente.
A equipe multiprofissional pode ser constituída
por diferentes profissionais de saúde, como
médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos
e fisioterapeutas, por exemplo, podendo a
formação da equipe variar de acordo com o
objetivo a ser alcançado.
4. I n t e r p r o fi s s i o n a l i d a d e :
Interprofissionalidade pode ser entendida como
uma relação interdependente dentro de um
ambiente de trabalho, a qual exige colaboração
entre os agentes que compõem esse serviço, em
busca de um objetivo em comum.
Maria Vitória de Sousa Santos
EDUCAÇÃO PERMANENTE X CONTINUADA
Maria Vitória de Sousa Santos
ATENÇÃO DOMICILIAR NO SUS
CONCEITOS
1. Atenção Domiciliar: Modalidade de atenção
à saúde integrada às Rede de Atenção à Saúde
(RAS), caracterizada por um conjunto de ações
deprevenção e tratamento de doenças,
reabilitação, paliação e promoção à saúde,
p re s t a d a s em d o m i c í l i o , g a r a n t i n d o
continuidade de cuidados.
2. Serviço de Atenção Domiciliar (SAD):
Serviço substitutivo ou complementar à
internação hospitalar ou ao atendimento
ambulatorial, responsável pelo gerenciamento e
o p e r a c i o n a l i z a ç ã o d a s E q u i p e s
Multiprofissionais de Atenção Domiciliar
(EMAD) e Equipes Multiprofissionais de Apoio
(EMAP).
3. Cuidador: Pessoa com ou sem vínculo
familiar com o usuário, capacitada para auxiliá-
lo em suas necessidades e atividades da vida
cotidiana.
4. Assistência domiciliar: Está ligada a todo e
qualquer atendimento a domicílio realizado por
profissionais que integram a equipe de saúde.
Não leva em conta a complexidade ou o
objetivo do atendimento, que pode ser uma
orientação simples até um suporte ventilatório
invasivo domiciliar.
5. Atendimento domiciliar: É a categoria
diretamente relacionada à atuação profissional
no domicílio, que pode ser operacionalizada
por meio da visita e da internação domiciliar.
Envolve atividades que vão da educação e
prevenção à recuperação e manutenção da
saúde das pessoas e seus familiares no contexto
de suas residências. Abrange ou não cuidados
multiprofissionais e pode ser semelhante a um
consultório em casa. Alguns autores o
relacionam a uma atenção mais pontual e
temporária, ligada a situações agudas.
6. Visita domicilia: Prioriza o diagnóstico da
realidade do indivíduo e as ações educativas. É
geralmente programada e utilizada com o
intuito de subsidiar intervenções ou o
planejamento de ações.
7. Internação domiciliar: É uma categoria
mais específica, que envolve a utilização de
aparato tecnológico em domicílio, de acordo
com as necessidades de cada situação. Não
substitui a internação hospitalar, mas pode se
constituir como uma continuidade desta, de
forma temporária.
8. Acompanhamento domiciliar: O primeiro
diz respeito ao cuidado no domicílio para
pessoas que necessitem de contatos frequentes e
programáveis com a equipe. Exemplos são
pessoas portadoras de doenças crônicas que
apresentem dependência física; doentes em fase
terminal; idosos com dificuldade de locomoção
ou morando sozinhos; egressos do hospital que
necessitem de acompanhamento por alguma
condição que os incapacite a comparecer na
Unidade Básica de Saúde (UBS); pessoas com
outros problemas de saúde, incluindo doença
mental, os quais determinem dificuldades de
locomoção ou adequação ao ambiente da UBS.
9. A vigilância domiciliar: É decorrente do
comparecimento de integrante da equipe de
saúde até o domicílio para realizar ações de
promoção, prevenção, educação e busca ativa
da população de sua área de responsabilidade,
geralmente vinculadas à vigilância da saúde
que a UBS desenvolve. Exemplos são visitas a
puérperas, busca de recém-nascidos, busca
ativa dos programas de prioridades, abordagem
familiar para diagnóstico e tratamento.10
ART. 39 - A ATENÇÃO DOMICILIAR TEM COMO
OBJETIVO
1. Redução da demanda por atendimento
hospitalar;
2. Redução do período de permanência de
usuários internados;
3. Humanização da atenção com ampliação da
autonomia dos usuários;
4. Desinstitucionalização e otimização dos
recursos financeiros e estruturais da RAS.
ORGANIZAÇÃO DA AD
Art. 6° A AD será organizada em três
modalidades:
I. Atenção Domiciliar 1 (AD 1)
II. Atenção Domiciliar 2 (AD 2)
III. Atenção Domiciliar 3 (AD 3)
Maria Vitória de Sousa Santos
Observação: A determinação da modalidade está
atrelada às necessidades de cuidado peculiares a
cada caso, em relação à periodicidade indicada das
visitas, à intensidade do cuidado multiprofissional e
ao uso de equipamentos.
MODALIDADE AD1
Usuário que, tendo indicação de AD, requeira
cuidados com menor frequência e com menor
necessidade de intervenções multiprofissionais, uma
vez que se pressupõe estabilidade e cuidados
satisfatórios pelos cuidadores.
MODALIDADE AD 2
Usuário que, tendo indicação de AD, e com o fim
de abreviar ou evitar hospitalização, apresente:
1. Afecções agudas ou crônicas agudizadas, com
necessidade de cuidados intensificados e
sequenciais, como tratamentos parenterais ou
reabilitação;
2. Afecções crônico-degenerativas, considerando o
grau de comprometimento causado pela
doença, que demande atendimento no mínimo
semanal;
3. Necessidade de cuidados paliativos com
acompanhamento clínico no mínimo semanal,
com o fim de controlar a dor e o sofrimento do
usuário;
4. Prematuridade e baixo peso em bebês com
necessidade de ganho ponderal.
MODALIDADE AD3
Usuário com qualquer das situações listadas na
modalidade AD2, quando necessitar de cuidado
mult iprofiss ional mais frequente, uso de
equipamento(s) ou agregação de procedimento(s) de
maior complexidade (por exemplo, ventilação
mecânica, paracentese de repetição, nutrição
parenteral e transfusão sanguínea), usualmente
d e m a n d a n d o p e r í o d o s m a i o r e s d e
acompanhamento domiciliar.
ATENÇÃO DOMICILIAR NA APS
PAPEL DA EQUIPE
COMPOSIÇÃO MÍNIMA DA EMAP
Mínimo de 3 (três) profissionais de nível superior -
soma das cargas horárias semanais de, no mínimo
90 horas de trabalho.
1. Assistente social;
2. Fisioterapeuta;
3. Fonoaudiólogo;
4. Nutricionista;
5. Odontólogo;
Maria Vitória de Sousa Santos
6. Psicólogo;
7. Farmacêutico; ou
8. Terapeuta ocupacional.
COMPOSIÇÃO MÍNIMA DA EMAD
1-EMAD Tipo 1:
1. Profissionais médicos - Carga horária de no
mínimo 40 h;
2. Profissionais enfermeiros - Carga horária de no
mínimo 40h/sem;
3. Profissional fisioterapeuta e/ou assistente social
- Carga horária de no mínimo 30 horas;
4. Auxiliares/técnicos de enfermagem - Carga
horária de no mínimo 120 horas.
1-EMAD Tipo 2
1. Profissional médico - Carga horária de no
mínimo de 20 h;
2. Profissional enfermeiro - Carga horária de no
mínimo 30h/sem;
3. Profissional fisioterapeuta ou assistente social -
Carga horária de no mínimo 30 horas;
4. Auxiliares/técnicos de enfermagem - Carga
horária de no mínimo 120 horas de trabalho.
Observação: Estima-se, em média, o atendimento
de 60 usuários para cada EMAD Tipo 1 e 30
usuários para cada EMAD Tipo 2, mensalmente.
REQU IS ITOS PARA QUE OS MUNICÍP IOS
TENHAM SISTEMA DE ATENÇÃO DOMICILIAR
1. Pactuação CIB/CIR: População igual ou
superior a 20.000 habitantes.
2. SAMU: Serviço de atendimento móvel de
urgência.
3. Município ou região: Hospital de referência.
GESTÃO DO CUIDADO NA AD
1. Acolhimento
2. Clínica Ampliada
3. Intersetorialidade
4. Apoio Matricial: O apoio matricial visa
garantir a retaguarda especializada as equipes
que realizam atenção a saúde. Propõe ofertar,
além de retaguarda assistencial, suporte técnico
pedagógico as equipes de Saúde.
Projeto Terapêutico Singular: O projeto
terapêutico singular (PTS) e um conjunto de
condutas/ações/medidas, de caráter clinico ou não,
propostas para dialogar com as necessidades de
saúde de um sujeito individual ou coletivo,
geralmente em situações mais complexas,
construídas a partir da discussão de uma equipe
multidisciplinar
Maria Vitória de Sousa Santos
POLÍTICAS DE ABORDAGEM ÀS DOENÇAS
CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS
PORTARIA N° 252, DE 19 DE FEVEREIRO
DE 2013 (Revogada pela PRT GMIMS n° 483 de
01/04/2014)
PORTARIA N° 483, DE 1° DE ABRIL DE
2014
Redefine a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas
com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema
Único de Saúde (SUS) e estabelece diretrizes para a
organização das suas linhas de cuidado.
PONTOS DE ATENÇÃO NA REDE DE ATENÇÃO À
PESSOAS COM DOENÇAS CRÔNICAS
O QUE SÃO DOENÇAS CRÔNICAS?
Art.2°: As doenças que apresentam início gradual,
com duração longa ou incerta, que, em geral,
apresentam múltiplas causas e cujo tratamento
envolva mudanças de estilo de vida, em um
processo de cuidado contínuo que, usualmente, não
leva à cura.
OBJETIVOS DAS RAS NA ATENÇÃO À PESSOAS
COM DOENÇAS CRÔNICASSegundo o artigo 4°:
1. Realizar a atenção integral à saúde das pessoas
com doenças crônicas, em todos os pontos de
atenção, através da realização de ações e
serviços de promoção e proteção da saúde,
prevenção de agravos, diagnostico, tratamento,
reabilitação, redução de danos e manutenção
da saúde.
2. Fomentar a mudança no modelo de atenção à
saúde, por meio da qualificação da atenção
integral às pessoas com doenças crônicas e da
ampliação das estratégias para promoção da
saúde da população e para prevenção do
desenvolvimento das doenças crônicas e suas
complicações.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA RAS NA ATENÇÃO À
PESSOAS COM DOENÇAS CRÔNICAS
Segundo artigo 5°:
3. Ampliar o acesso.
4. Promover o aprimoramento da qualidade da
atenção à saúde.
5. Acesso aos recursos diagnósticos e terapêuticos.
6. Promover hábitos de vida saudáveis.
7. Ampliar as ações para enfrentamento dos
fatores de risco.
8. Ampliação da sua capacidade de autocuidado e
autonomia.
9. Impactar positivamente nos indicadores.
ESTRUTURAÇÃO DA RAS DAS PESSOAS COM
DOENÇAS CRÔNICAS
Segundo o artigo 11°:
• Como nos outros países, no Brasil, as doenças
crônicas não transmissiveis também se constituem
como o problema de saúde de maior magnitude.
• São responsáveis, em 2016, por 74% das causas
de mortes, com destaque para:
1. Doenças cardiovasculares (28%),
2. Neoplasias (18%),
3. Doenças respiratórias (6%)
4. Diabetes (5%)
• Atingem individuos de todas as camadas
socioeconômicas e, de forma mais intensa,
aqueles pertencentes a grupos vulneráveis, como
os idosos e os de baixa escolaridade e renda.
• De acordo com a OMS, um pequeno conjunto de
fatores de risco responde pela grande maioria das
mortes por DCNT:
1. Tabagismo,
2. Consumo alimentar inadequado
3. Inatividade física
4. Consumo excessivo de bebidas alcoólicas
NÍVEIS DE PREVENÇÃO
1. Prevenção primária: Não apresenta
doenças ou sofrimento - Intervenções de
promoção da saúde ou de proteção (Ex.
Imunizações)
2. Prevenção secundária: Não apresenta
sintomas (doenças) - Intervenção à procura de
doença (rastreamentos).
3. Prevenção terciária: Pessoa doente e a
intervenção é para prevenir complicações
(exemplo: o exame sistemático dos pés em
pessoas com diabetes).
Maria Vitória de Sousa Santos
1
2
3
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5
6
7
-
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BUM
B
4. Prevenção quaternária: Sujeito se sente
doente e o médico não encontra doença - risco
de dano por intervenções desnecessárias.
DETERMINAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE
Maria Vitória de Sousa Santos
ESTRATÉGIAS COMPORTAMENTAIS DE
MOTIVAÇÃO E DE AUTOCUIDADO PARA
MUDANÇA DE HÁBITOS DE VIDA
MODELOS DE MUDANÇA COMPORTAMENTAL
REDUÇÃO DE DANOS
• A mudança comportamental e de hábitos é um
grande desafio para a promoção da saúde.
• Nem sempre apenas a educação em saúde é
suficiente para a mudança de hábitos de vida e
para a adesão ao tratamento.
• Depende, também, da vontade individual, das
estratégias motivacionais e do apoio profissional.
• É muito importante a coordenação e a
integração do cuidado e a corresponsabilização
da pessoa.
MODELO TRANSTEÓRICO
• Desenvolvido na década de 1980
• Pesquisadores norte-americanos Prochaska e
DiClemente
É constituído por quatro construtos:
1. Estágios de mudança do comportamento
2. Processos de mudança
3. Equilíbrio de decisões
4. Autoeficácia
1. Pré-contemplação (“ I won’t”) - Não
considera a possibilidade de mudar, nem se
preocupa com a questão;
2. Contemplação (“I might”) - Admite o
problema, é ambivalente e considera adotar
mudanças eventualmente;
3. Preparação (“I will”) - Inicia algumas
mudanças, planeja, cria condições para mudar,
revisa tentativas passadas;
4. Ação (“I am”) - Implementa mudanças
ambientais e comportamentais, investe tempo e
energia na execução da mudança;
5. Manutenção (“I have”) - Processo de
continuidade do trabalho iniciado com ação,
para manter os ganhos e prevenir a recaída;
6. Recaída - Falha na manutenção e retomada
do hábito ou comportamento anterior –
retorno a qualquer dos estágios anteriores.
Observação: A pessoa não caminha nos estágios
de forma linear-causal: uma vez atingida alguma
mudança, não significa que se manterá nesse
estágio [...] as pessoas podem progredir ou regredir
por meio dos estágios de comportamento.
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
• Criada por William Miller.
• A entrevista motivacional (EM) é um estilo de
conver sa co laborat iva vo l tada para o
fortalecimento da própria motivação da pessoa e
comprometimento com uma mudança.
• A meta específica é resolver a ambivalência.
• Envolve espírito de colaboração, de participação
e de autonomia de ambas as partes;
• A mudança é construída de forma natural e
espontânea;
• Técnica de abordagem centrada nas necessidades
da pessoa e em suas experiências;
• Busca identificar e trabalhar a motivação da
pessoa.
• Estimula a autoeficácia.
Princípios básicos:
1. Expressar empatia - Aceitar a postura do
ind iv íduo, tentando entendê- lo, sem
julgamento. Implica um certo grau de
solidariedade emocional tentando compreender
os seus pensamentos e emoções, colocando-se
no lugar do cliente. A resposta empática é uma
competência adquirida na qual o profissional é
treinado para compreender e aceitar o que o
outro é. Permite expressar solidariedade com
gestos (tocando levemente o cliente) e palavras
("Eu entendo que você se sentiu mal com
aquilo que aconteceu"). Além de ouvir o que o
cliente diz, o profissional responderá ao que
ouve, decodificando aquilo que ouviu e
repetindo para o cliente na forma de uma
afirmação. (Ex: “Me deixa ver se entendi o que
você está dizendo...”). Assim o profissional não
assume o papel de 'expert', a relação terapeuta-
Maria Vitória de Sousa Santos
cliente é mais de troca, visando à autonomia,
liberdade de escolha do cliente e sua eficácia.
2. Desenvolver discrepância - fazer um
contraponto entre o atual comportamento e a
meta a ser alcançada. É muito importante que
o cliente tenha consciência das conseqüências
de sua conduta, perceba a diferença entre o
comportamento atual e os objetivos futuros.
Interessa aumentar os seus níveis de conflito,
especialmente entre o atual comportamento e
os valores de sua vida. Trabalhar a emoção
gerada pelo desconforto da dúvida e / ou de
conflito é o maior motor para a mudança.
3. Evitar discussões - confrontos diretos geram
resistências. isto é, confrontações diretas. Evite
discutir e debater com o cliente sobre a
conveniência ou a utilidade de uma mudança,
porque isso pode criar resistência. Os
argumentos diretos e as tentativas para
convencer tendem a produzir oposição ante as
instruções, ordens ou sugestões para a
mudança. Esta oposição surge quando a pessoa
tem a percepção de que sua escolha é limitada
e, em geral, quando a sensação de liberdade
seja cerceada. Antes de informar é apropriado
perguntar ao cliente se tem ou deseja obter
informação, com frases como “Quer que eu te
explique alguma coisa sobre este assunto?”
Também é importante não se precipitar com
um grande número de informações, sendo mais
útil ir informando aos poucos e conferindo se
ele entendeu, sempre centrado no conflito do
cliente. Geralmente as discussões surgem da
tentativa do profissional confrontar o cliente
com seu problema e conseqüentemente querer
rotulá-lo (por exemplo, o profissional esperar
que o cliente se assuma como alcoólatra).
Categorizar é desnecessário.
4. Dissipar resistências - estar atento ao
timing do paciente. Temos que reconhecer o
momento do cliente e saber usá-lo ao invés de
irmos contra ele. Suas percepções podem
mudar, principalmente se forem de relutância
ao tratamento, ao contato terapêutico ou
mesmo à mudança propriamente dita. Novas
perspectivas são bem recebidas, mas não devem
ser impostas.
5. Estimular a autoeficácia - reforçar a crença
da pessoa na sua capacidade de conseguir
alcançar seu objetivo. apoiar e reforçar o
sentimentode auto-eficácia. Acreditar na
possibilidade de mudança é um importante
fator motivacional porque tem uma grande
influência sobre a capacidade de iniciar um
novo comportamento e mantê-lo. Os resultados
anteriores satisfatórios reforçam a crença do
paciente na sua capacidade de conseguir e a
nossa ajuda pode ser analisar os resultados,
potenciando a sua positividade ("É muito difícil
parar de fumar e você conseguiu!”). Não
podemos esquecer que o cliente é responsável
por escolher e fazer a mudança e nós por lhe
dar assistência, se desejado.
Estratégias para lidar com a resistência
1-Reflexão simples: Constatar que o cliente
discorda ou que ele sente algo. Permite explorar
melhor a situação ao invés de aumentar as defesas:
- Cliente: "Não sou eu que tenho problemas. Se
bebo, é porque minha esposa está sempre me
enchendo [..]."
- Profissional: "Parece que, para você, a razão
de você beber tem relação com seus problemas
conjugais"
2-Reflexão amplificada: A idéia seria devolver
ao cliente o que ele disse de uma forma amplificada
ou mesmo exagerada.
- Cliente: "Eu consigo controlar minha bebida."
- Profissional: "Então quer dizer que você não
tem nada a temer, álcool não é um problema
para você"
3-Reflexão de dois lados: Uma abordagem
baseada na escuta crítica é constatar o que o cliente
diz e acrescentar a isto, o outro lado da
ambivalência do cliente, utilizando material
fornecido anteriormente:
- Cliente: "Está bem, eu tenho problemas com
minha família e com meu chefe pelas ressacas
frequentes, mas eu não sou um alcoólatra."
- Profissional: "Você não tem dificuldade em
assumir que a bebida está te prejudicando, mas
você não quer ser taxado".
4-Mudar o foco de atenção da pessoa de algo
que parece uma barreira para sua evolução.
- Cliente: "Eu fumo há muito tempo, nem sei o
que seria da minha vida sem o cigarro, e já tentei
parar antes e não consegui."
- Profissional: "Mas agora é uma situação
diferente, e você pode contar também com a
ajuda de um grupo de apoio e medicamentos a
que antes você não tinha acesso. O presente traz
novas oportunidades".
5-Concordar, mas com uma mudança sutil
de direção.
- Cliente: "Parar de fumar é muito difícil."
- Profissional: "Você tem razão, muitos ex-
fumantes falam que passaram pelo que você está
passando hoje".
6-Enfatizar a escolha e o controle pessoal:
Profissional: "Ninguém pode mudar o seu hábito.
Afinal, quem decide é você".
Maria Vitória de Sousa Santos
7-Reinterpretar: Isto é, colocar os comentários
do cliente num outro contexto ou mesmo dar-lhe
outra interpretação, alterando o sentido:
- Cliente: "Eu não aguento mais tentar, parar e
não conseguir. Eu desisto!"
- Profissional: "Realmente, muitas vezes, é difícil
ver uma luz no fim do túnel. Eu percebo seu
esforço em parar e te admiro por isso. Lembre-se
do processo de mudança que foi discutido:
quanto mais vezes você passar pelas fases de
mudança do seu hábito, mais chances terá de
chegar à manutenção daquilo que você tem
como objetivo".
Paradoxo terapêutico: "OK, talvez seja melhor
mesmo você não fazer a dieta e não tomar seus
medicamentos ...]"
M E T O D O L O G I A D A E N T R E V I S T A
MOTIVACIONAL: PARR
Reflexão: a escuta reflexiva é a principal estratégia
na EM.
Repetição:
Cliente: “É tão difícil não fumar depois que se para,
mas eu estou conseguindo.”
Profissional: “Você está conseguindo”.
Refraseamento:
Cliente: “Eu acredito que, quando meu joelho
melhorar, será o momento de voltar a tentar fazer
exercícios todos os dias.”
Profissional: “Quando estiver recuperado, será o
momento de voltar a tentar”.
Paráfrase:
Cliente: “No meu caso, se digo que é agora, é agora,
e se eu digo, eu faço!”
Profissional: “Quando você se propõe a algo, você
consegue”.
Apontamento emocional: Revelam sentimentos
ou emoções
Profissional: “Te percebo um pouco triste” ou
“Parece que este assunto te emociona”.
Silêncio: Está indicando que ele é aceito e
compreendido.
ARMADILHAS A SEREM EVITADAS
Por outro lado, existem várias armadilhas que
retardam ou dificultam o processo de mudança e
geram resistência do paciente:
1. Pergunta / Resposta: fazer perguntas que o
cliente responde com frases curtas e simples. A
relação “profissional ativo / cliente passivo”
não facilita a reflexão e preparação por parte
do cliente, por isto a preconização de perguntas
abertas e escuta reflexiva. Como regra geral
deve evitar a perguntar três perguntas abertas
seguidas.
2. Confrontar a Negação: é a mais freqüente
armadilha a se evitar. Quanto mais confrontar
o cliente com sua situação, este se torna mais
resistente e relutante em mudar, por exemplo,
com respostas como "Não creio que é tão grave
esquecer as coisas quando eu bebo."
3. Assumir o papel de “Expert”: oferecer,
com as melhores intenções, respostas e soluções
para o cliente, o levando a assumir um papel
passivo totalmente contrária à abordagem da
Entrevista Motivacional.
4. Rotular: classificar um paciente com rótulos,
que muitas vezes exercem certo tipo de estigma
sobre as pessoas ("Você é um alcoólatra"). Os
problemas podem ser analisados sem a
necessidade de definir rótulos, que causam
resistência desnecessária.
5. Fo c a l i z a ç ã o p r e m a t u r a : f o c a r
prematuramente o assunto que parece mais
importante quando o cliente quer falar sobre
outros assuntos que lhe digam respeito e que
são mais extensos. É importante evitar o
confronto sobre o que é mais adequado para
iniciar a entrevista e começar com as
preocupações do cliente facilita a tarefa. Se
tentarmos focalizar a questão rapidamente ele
irá se distanciar e ficar na defensiva.
6. Culpar: gastar tempo e energia para analisar
de quem é a culpa do problema deixa o cliente
na defensiva. A culpa é irrelevante e convém
enfrentá-la com reflexão e reformulação das
preocupações do cliente.
E S T R A T É G I A S Q U E A U M E N T E M A
PROBABILIDADE DE MUDANÇA
1. Aconselhar
2. Remover Barreiras
3. Oferecer opções de escolha
4. Diminuir a vontade
5. Praticar empatia
6. Dar feedback
7. Clarificar objetivos
8. Ajuda ativa
REDUÇÃO DE DANOS
Trata-se de um conjunto de estratégias que visam
reduzir os efeitos negativos do uso de drogas, sem a
necessidade de abstinência, respeitando-se o direito
desses cidadãos ao cuidado à saúde.
Maria Vitória de Sousa Santos
ABORDAGEM À PESSOA COM DIABETES
NA ATENÇÃO BÁSICA
DIABETES MELLITUS (DM)
• Doença crônica não transmissível (DCNT)
definida como um distúrbio de múltiplas
etiologias resultante de defeitos e ineficácia da
insulina secretada pelo pâncreas ocasionando a
resistência insulínica.
• Essa hiperglicemia persistente, está associada à
complicações crônicas micro e macrovasculares,
aumento de morbidade, redução da qualidade de
vida e elevação da taxa de mortalidade.
• Trata-se de uma doença indiscriminada, capaz de
afetar indivíduos de todas as raças, cor,
escolaridade, sexo, idade e condição social.
RASTREAMENTO
• As equipes de Atenção Básica devem estar
atentas, não apenas para os sintomas de diabetes,
mas também para seus fatores de risco (hábitos
alimentares não saudáveis, sedentarismo e
obesidade).
• Recomenda-se que a consulta de rastreamento
para a população-alvo definida pelo serviço de
Saúde seja realizada pelo enfermeiro da UBS,
encaminhando para o médico em um segundo
momento, a fim de confirmar o diagnóstico dos
casos suspeitos.
• Os objetivos da consulta de rastreamento são:
conhecer a história pregressa da pessoa; realizar o
exame físico, incluindo a verificação de pressão
arterial, de dados antropométricos (peso, altura e
circunferência abdominal) e do cálculo do IMC;
identificar os fatores de risco para DM; avaliar as
condições de saúde e solicitar os exames
laboratoriais necessários e que possam contribuir
para o diagnóstico e para a decisão terapêutica
ou preventiva.
CLASSIFICAÇÃO
Diabetes tipo 1
• A apresentação do diabetestipo 1 é em geral
abrupta, acometendo principalmente crianças e
adolescentes sem excesso de peso.
• Na maioria dos casos, a hiperglicemia é
acentuada, evoluindo rapidamente para
cetoacidose, especialmente na presença de
infecção ou outra forma de estresse.
• Assim, o traço clínico que mais define o tipo 1 é a
tendência à hiperglicemia grave e cetoacidose.
• O termo “tipo 1” indica o processo de destruição
da célula beta que leva ao estágio de deficiência
absoluta de insulina, quando a administração de
insulina é necessária para prevenir cetoacidose.
• A destruição das células beta é geralmente
causada por processo autoimune (tipo 1
autoimune ou tipo 1A), que pode ser detectado
p o r a u t o a n t i c o r p o s c i rc u l a n t e s c o m o
antidescarboxilase do ácido glutâmico (anti-
GAD), anti-ilhotas e anti-insulina.
• Em menor proporção, a causa é desconhecida
(tipo 1 idiopático ou tipo 1B).
• A destruição das células beta em geral é
r a p i d a m e n t e p r o g r e s s i v a , o c o r r e n d o
principalmente em crianças e adolescentes (pico
de incidência entre 10 e 14 anos), mas pode
ocorrer também em adultos.
Diabetes tipo 2
• O DM tipo 2 costuma ter início insidioso e
sintomas mais brandos.
• Manifesta-se, em geral, em adultos com longa
história de excesso de peso e com história familiar
de DM tipo 2.
• No entanto, com a epidemia de obesidade
atingindo crianças, observa-se um aumento na
incidência de diabetes em jovens, até mesmo em
crianças e adolescentes.
• O termo “tipo 2” é usado para designar uma
deficiência relativa de insulina, isto é, há um
estado de resistência à ação da insulina, associado
a um defeito na sua secreção, o qual é menos
intenso do que o observado no diabetes tipo 1.
• Após o diagnóstico, o DM tipo 2 pode evoluir por
muitos anos antes de requerer insulina para
controle.
• Seu uso, nesses casos, não visa evitar a
cetoacidose, mas alcançar o controle do quadro
hiperglicêmico.
• A cetoacidose nesses casos é rara e, quando
presente, em geral é ocasionada por infecção ou
estresse muito grave.
• A hiperglicemia desenvolve-se lentamente,
permanecendo assintomática por vários anos.
Diabetes gestacional e diabetes detectado na
gravidez
• Diabe te s ge s tac iona l é um es tado de
hiperglicemia, menos severo que o diabetes tipo 1
e 2, detectado pela primeira vez na gravidez.
Maria Vitória de Sousa Santos
• Geralmente se resolve no período pós-parto e
pode frequentemente retornar anos depois.
• Hiperglicemias detectadas na gestação que
alcançam o critério de diabetes para adultos, em
geral, são classificadas como diabetes na gravidez,
independentemente do período gestacional e da
sua resolução ou não após o parto.
• Sua detecção deve ser iniciada na primeira
consulta de pré-natal.
DIAGNÓSTICO
• Os sinais e sintomas característicos que levantam
a suspeita de diabetes são os “quatro P’s”:
poliúria, polidipsia, polifagia e perda inexplicada
de peso.
• Embora possam estar presentes no DM tipo 2,
esses sinais são mais agudos no tipo 1, podendo
progredir para cetose, desidratação e acidose
metabólica, especialmente na presença de estresse
agudo.
• Sintomas mais vagos também podem estar
presentes, como prurido, visão turva e fadiga.
• No DM tipo 2, o início é insidioso e muitas vezes
a pessoa não apresenta sintomas.
• Não infrequentemente, a suspeita da doença é
feita pela presença de uma complicação tardia,
como proteinuria, retinopatia, neuropatia
periférica, doença arteriosclerótica ou então por
infecções de repetição.
VALORES PARA DIAGNÓSTICO DIABETES TIPO 2
AVALIAÇÃO DO PACIENTE DA APS
1. C o n s u l t a d e e n f e r m a ge m : É d e
competência do enfermeiro, realizar consulta
de enfermagem para pessoas com maior risco
para desenvolver DM tipo 2, abordando fatores
de risco, estratificação do risco cardiovascular e
orientação sobre MEV. A consulta de
enfermagem tem o objetivo de conhecer a
história pregressa do paciente, seu contexto
social e econômico, grau de escolaridade,
avaliar o potencial para o autocuidado e avaliar
as condições de saúde. É importante que o
enfermeiro estimule e auxilie a pessoa a
desenvolver seu plano de autocuidado em
relação aos fatores de risco identificados
durante o acompanhamento.
2. Consulta médica: A consulta de avaliação
inicial de pessoas com diagnóstico de DM será
realizada pelo médico da Atenção Básica.
Nesta consulta, o profissional precisará
identificar os fatores de risco, avaliar as
condições de saúde, estratificar, se necessário, o
risco cardiovascular da pessoa, e orientar
quanto à prevenção e ao manejo de
complicações crônicas. A consulta médica
deverá incluir quatro aspectos fundamentais:
história da pessoa, exame físico, avaliação
laborator ia l e es trat ificação do r i sco
cardiovascular.
70-99
100-125
>= 126
Maria Vitória de Sousa Santos
DE
AVALIAÇÃO E CUIDADOS COM OS PÉS DE
PESSOAS COM DIABETES MELLITUS NA
ATENÇÃO BÁSICA
• Entre as complicações crônicas do diabetes
mellitus (DM), as úlceras de pés (também
conhecido como pé diabético) e a amputação de
extremidades são as mais graves e de maior
impacto socioeconômico.
• As úlceras nos pés apresentam uma incidência
anual de 2%, tendo a pessoa com diabetes um
risco de 25% em desenvolver úlceras nos pés ao
longo da vida.
• Estudos estimam que essa complicação é
responsável por 40% a 70% das amputações não
traumáticas de membros inferiores.
• Aproximadamente 20% das internações de
indivíduos com diabetes ocorrem por lesões nos
membros inferiores.
• Oitenta e cinco por cento das amputações de
membros inferiores no DM são precedidas de
ulcerações, sendo que os principais fatores
associados são a neuropatia periférica,
deformidades no pé e os traumatismos.
• A prevenção, por meio do exame frequente dos
pés de pessoas com DM, realizado pelo médico
ou pela enfermeira da Atenção Básica, é de vital
importância para a redução das complicações.
• Há evidências sobre a importância do
rastreamento em todas as pessoas com diabetes a
fim de identificar aquelas com maior risco para
ulceração nos pés, que podem se beneficiar das
intervenções profiláticas, incluindo o estímulo ao
autocuidado.
FINANCIAMENTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À
SAÚDE (APS)
PORTARIA GM/MS N° 102, DE 20 DE
JANEIRO DE 2022
2º São indicadores do pagamento por desempenho
para o ano de 2022:
I. Proporção de gestantes com pelo menos 6 (seis)
consultas pré-natal realizadas, sendo a 1ª
(primeira) até a 12ª (décima segunda) semana
de gestação.
II. Proporção de gestantes com realização de
exames para sífilis e HIV.
III. Proporção de gestantes com atendimento
odontológico realizado.
IV. Proporção de mulheres com coleta de
citopatológico na APS.
V. Proporção de crianças de 1 (um) ano de Idade
vacinadas na APS contra Difteria, Tétano,
Coqueluche, Hepatite B, Infecções causadas
por haemophilus influenzae t ipo b e
Poliomielite inativada
VI. Proporção de pessoas com hipertensão, com
consulta e pressão arterial aferida no semestre.
VII.Proporção de pessoas com diabetes,
com consulta e hemoglobina glicada
solicitada no semestre.
Maria Vitória de Sousa Santos
O CUIDADO AO PACIENTE COM
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA NA
ATENÇÃO BÁSICA
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
É uma doença crônica não transmissível (DCNT)
caracterizada por elevação persistente da pressão
arterial (PA), com PA sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg
e/ou PA diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg medida com
a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões
diferentes, na ausência de medicação anti-
hipertensiva.
IMPACTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL NAS
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
Principal fator de risco modificável para doenças
cardiovasculares (DCV), doença renal crônica
(DRC) e morte prematura.
FATORES DE R ISCO PARA H I PERTENSÃO
ARTERIAL
1. Genética
2. Idade
3. Sexo
4. Etnia
5. Excesso de peso
6. Sedentarismo
7. Álcool e Fumo
8. Ingestade sal
RASTREAMENTO
• Todo adulto com 18 anos ou mais de idade,
quando vier à Unidade Básica de Saúde (UBS)
p a r a c o n s u l t a , a t i v i d a d e s e d u c a t i va s ,
procedimentos, entre outros, e não tiver registro
no prontuário de ao menos uma verificação da
PA nos últimos dois anos, deverá tê-la verificada e
registrada.
• A primeira verificação deve ser realizada em
ambos os braços.
• Caso haja diferença entre os valores, deve ser
considerada a medida de maior valor.
• O braço com o maior valor aferido deve ser
utilizado como referência nas próximas medidas.
• O indivíduo deverá ser investigado para doenças
arteriais se apresentar diferenças de pressão entre
os membros superiores maiores de 20/10 mmHg
p a r a a s p re s s õ e s s i s t ó l i c a / d i a s t ó l i c a ,
respectivamente.
• Com intervalo de um minuto, no mínimo, uma
segunda medida dever ser realizada.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da HAS consiste na média aritmética
da PA maior ou igual a 140/90mmHg, verificada
em pelo menos três dias diferentes com intervalo
mínimo de uma semana entre as medidas, ou seja,
soma-se a média das medidas do primeiro dia mais
as duas medidas subsequentes e divide-se por três.
CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL
ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR
A estratificação tem como objetivo estimar o risco
de cada indivíduo sofrer uma doença arterial
coronariana nos próximos dez anos. Essa estimativa
se baseia na presença de múltiplos fatores de risco,
como sexo, idade, níveis pressóricos, tabagismo,
níveis de HDLc e LDLc. A partir da estratificação
de risco, selecionam-se indivíduos com maior
probabilidade de complicações, os quais se
beneficiarão de intervenções mais intensas. O
escore de Framinghan é uma ferramenta útil e de
fácil aplicação no cotidiano. Ele classifica os
indivíduos por meio da pontuação nos seguintes
graus de risco cardiovascular (BRASIL, 2010) e
auxilia na definição de condutas:
1. Baixo Risco – quando existir menos de 10%
de chance de um evento cardiovascular ocorrer
Maria Vitória de Sousa Santos
em dez anos. O seguimento dos indivíduos com
PA limítrofe poderá ser anual após orientá-los
sobre estilo de vida saudável.
2. Risco Intermediário – quando existir 10%
– 20% de chance de um evento cardiovascular
ocorrer em dez anos. O seguimento dos
indivíduos com PA limítrofe poderá ser
semestral após orientações sobre estilo de vida
saudável e, se disponível na UBS ou
comunidade e s e de se jo da pe s soa ,
encaminhamento para ações coletivas de
educação em Saúde.
3. Alto Risco – quando existir mais de 20% de
chance de um evento cardiovascular ocorrer
em dez anos ou houver a presença de lesão de
órgão-alvo, tais como IAM, AVC/AIT,
hipertrofia ventricular esquerda, retinopatia e
nefropatia. O seguimento dos indivíduos com
PA limítrofe de alto risco poderá ser trimestral
após orientações sobre estilo de vida saudável e,
se disponível na UBS ou comunidade e, se
desejo da pessoa, encaminhamento para ações
de educação em Saúde coletivas.
TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO
• O tratamento não medicamentoso é parte
fundamental no controle da HAS e de outros
fatores de risco para doenças cardiovasculares
(DCV), como obesidade e dislipidemia.
• Esse tratamento envolve mudanças no estilo de
vida (MEV) que acompanham o tratamento do
paciente por toda a sua vida.
• Entre as MEV está a redução no uso de bebidas
alcoólicas.
• O álcool é fator de risco reconhecido para
hipertensão arterial e pode dificultar o controle
da doença instalada.
• Outro ponto a ser observado é o uso de
anticoncepcionais hormonais orais.
• A substituição de anticoncepcionais hormonais
orais por outros métodos contraceptivos promove
a redução da pressão arterial em pacientes
hipertensas.
• Embora fumar seja um fator de risco para o
desenvolvimento de DCV, o papel do tabagismo
como fator de risco para HAS não está, ainda,
bem definido.
• A adoção de hábitos saudáveis, como
alimentação, diminuição do consumo de álcool,
prática de atividade física, controle do peso e
abandono do tabagismo.
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
• A decisão de quando iniciar medicação anti-
hipertensiva deve ser considerada avaliando a
preferência da pessoa, o seu grau de motivação
para mudança de estilo de vida, os níveis
pressóricos e o risco cardiovascular.
• Pessoas com alto risco cardiovascular ou níveis
pressóricos no estágio 2 (PA ≥ 160/100mmHg)
beneficiam-se de tratamento medicamentoso
desde o diagnóstico para atingir a meta
pressórica, além da mudança de estilo de vida.
• Pessoas que não se enquadram nos critérios
acima e que decidem, em conjunto com o
médico, não iniciar medicação neste momento,
podem adotar hábitos saudáveis para atingir a
meta por um período de três a seis meses.
• Durante esse intervalo de tempo devem ter a
pressão arterial avaliada pela equipe, pelo menos,
mensalmente.
• Quando a pessoa não consegue atingir a meta
pressórica pactuada ou não se mostra motivada
no processo de mudança de hábitos, o uso de
anti-hipertensivos deve ser oferecido, de acordo
com o método clínico centrado na pessoa.
• O tratamento medicamentoso utiliza diversas
classes de fármacos selecionados de acordo com a
necessidade de cada pessoa, com a avaliação da
presença de comorbidades, lesão em órgãos-alvo,
h i s t ó r i a f a m i l i a r, i d a d e e g r av i d e z .
Frequentemente, pela característica multifatorial
da doença, o tratamento da HAS requer
associação de dois ou mais anti-hipertensivos.
TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO DAS
PESSOAS COM HAS NA AB
• O seguimento das pessoas com hipertensão deve
ser feito com apoio de outros profissionais de
Saúde de acordo com as necessidades de cada
caso e recursos disponíveis.
• Avaliação do nutricionista.
• Acompanhamento com o educador físico.
• Garantir o acesso às consultas de retorno.
• Promover a inserção em grupos de educação em
saúde e autocuidado.
Observação: Faz parte do componente para
repasse do financiamento da saúde: Previne Brasil.
- VI - proporção de pessoas com hipertensão, com
consulta e pressão arterial aferida no semestre.
Maria Vitória de Sousa Santos
AÇÕES DE PREVENÇÃO PARA
DOENÇAS
CARDIOVASCULARES
FAT O R E S D E R I S C O PA R A D O E N Ç A S
CARDIOVASCULARES
1. Hipertensão
2. Dislipidemia
3. Obesidade
4. Sedentarismo
5. Tabagismo
6. Consumo abusivo de álcool
7. Diabetes
8. Histórico familiar
Obse r v a ç ã o : A u m e n t a m o r i s c o d o
desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
• A presença dos fatores de risco clássicos
(h iper t en são, d i s l i p idemia , obe s idade,
sedentarismo, tabagismo, diabetes e histórico
familiar) aumenta a probabilidade pré-teste de
DCV – com ênfase para a doença arterial
coronariana (DAC) – e norteia a prevenção
primária e secundária.
• Medidas como o estímulo aos hábitos de vida
saudáveis, o acesso às ações para prevenção
primária e secundária de DCV, associados ao
tratamento de eventos cardiovasculares (CV), é
essencial para o controle das DCV.
NÍVEIS DE PREVENÇÃO
História natural da doença (Leavell e Clark):
Prevenção primária:
• A prevenção primária é marcada por ações
focadas em impedir a ocorrência das doenças
antes que elas se desenvolvam no organismo dos
pacientes.
• Ela subdivide-se em dois níveis: a promoção da
saúde e a proteção específica, contempla o
período pré-patogênico (antes do adoecimento) e
ações sobre agentes patógenos e seus vetores.
• Esse nível de prevenção, portanto, diz respeito a
ações tomadas para remover causas e fatores de
risco de um problema de saúde individual ou
populacional, antes do desenvolvimento de
alguma condição clínica.
• Esse nível de atenção é fundamental para a
sociedade, uma vez que tem ação preventiva e
contribui para evitar o adoecimento da
população. Isso, sem dizer da redução dos gastos
com tratamentos de doenças.
• Os programas de vacinação e imunização de
doençastransmissíveis, por exemplo, são
exemplos importantes de ações de prevenção
primária.
• Também fazem parte desse nível de prevenção
ações de incentivo à educação alimentar, prática
de atividade física e campanhas educativas, por
exemplo, contra uso de cigarro ou bebidas
alcoólicas.
Prevenção secundária
• A contrário do nível primário, aqui a doença já se
manifestou, mas ainda em fase inicial.
• A prevenção secundária é essencial, uma vez que
o diagnóstico precoce é fundamental para o êxito
de tratamentos de várias doenças, muitas delas,
fatais.
• Vale destacar que esse nível também é dividido
em dois níveis: Diagnóstico precoce e Limitação
da incapacidade.
• Portanto, a prevenção secundária tem como foco
detectar um problema de saúde em estágio
in i c ia l , reduz indo ou preven indo sua
disseminação e efeitos a longo prazo.
• Um exemplo de ação nesse sentido é o
rastreamento para diagnóstico precoce.
• Esse nível de prevenção busca identificar e
confirmar o diagnóstico e impedir que a
enfermidade avance ou tenha seu quadro
piorado.
• Em caso de doenças infecciosas, é fundamental,
pois pode reduzir sua disseminação.
• O objetivo aqui é promover melhor evolução
clínica para pacientes por meio de procedimentos
diagnósticos e terapêuticos.
Prevenção terciária
• Esse nível de atenção é a evolução do nível
anterior.
• Nessa fase, por exemplo, o quadro patológico do
paciente já evoluiu e a proposta é reduzir
complicações ou agravos no quadro do indivíduo.
• As ações que integram esse nível de prevenção se
fazem necessárias ações para reduzir os prejuízos
funcionais consequentes de um problema agudo
ou crônico.
• Podemos definir a prevenção terciária, portanto,
como o conjunto de ações que objetivam reduzir
a incapacidade do paciente, de forma a permitir
sua rápida e melhor reintegração na sociedade.
• A prevenção terciária é implementada para
reduzir em um indivíduo ou em uma população
os prejuízos funcionais advindos de um problema
agudo ou crônico, a exemplo do diabetes ou do
acidente vascular cerebral.
• Trata-se, assim, da busca pela reabilitação de
pacientes com doenças clinicamente detectáveis.
Prevenção quaternária
• Esse nível de prevenção é demandado com
quando o paciente já está com a doença em
estágio mais avançado.
Maria Vitória de Sousa Santos
• Nesse sentido, podemos definir a prevenção
quaternária como sendo o conjunto de ações
realizadas com o objetivo de evitar danos
relacionados a intervenções médicas e de outros
profissionais de saúde.
• É o caso, por exemplo, quando o tratamento é
considerado pior do que a doença.
• A proposta aqui é, principalmente, prevenir o que
chamamos de hipermedicalização do cuidado,
que nada mais é do que o uso excessivo de
medicamentos.
• Além disso, é objetivo da prevenção quaternária
evitar intervenções invasivas desnecessárias, como
cirurgias ou exames, assim como fortalecer a
política de redução de danos junto ao paciente.
• O desafio dos profissionais de saúde nesta fase é
promover procedimentos científica e eticamente
aceitáveis para melhor qualidade de vida do
paciente.
EQUIPES DE CONSULTÓRIO NA RUA
1. Modalidade I – 4 (quatro) profissionais, entre os
quais 2 (dois) conforme a letra A e os demais de
A e B;
2. Modalidade II – 6 (seis) profissionais, entre os
quais 3 (três) conforme a letra A e os demais de
A e B;
3. Modalidade III – equipe da Modalidade II
acrescida de um profissional médico.
Componentes da equipe:
A. Enfermeiro, Psicólogo, Assistente Social e
Terapeuta Ocupacional.
B. Agente Social, Técnico ou Auxiliar de
Enfermagem, técnico em Saúde Bucal,
Cirurgião dentista, profissional de Educação
Física e profissional com formação em Arte e
Educação.
Maria Vitória de Sousa Santos
a