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ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: A importância da formação continuada dos educadores na inclusão de alunos com deficiência na educação regular. Revisão de Literatura ¹Jacilene Araujo Cordeiro ²Lêda de Brito Sousa Resume A inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares é um direito garantido e uma prática necessária para a construção de uma sociedade mais justa. Este estudo aborda o papel do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e a importância da formação continuada dos educadores para assegurar uma educação inclusiva e de qualidade. A análise foca no AEE como componente essencial do processo de inclusão, fornecendo suporte individualizado e estratégias pedagógicas que atendam às necessidades específicas dos alunos com deficiência. Também destaca o papel central do professor do AEE na adaptação do ensino e na promoção de um ambiente acolhedor e inclusivo. A formação continuada se apresenta como um elemento crucial, proporcionando aos educadores atualizações sobre metodologias e tecnologias assistivas, capacitando-os a aplicar práticas pedagógicas inclusivas e colaborativas. O estudo conclui que a formação constante dos docentes no AEE é fundamental para a garantia de uma educação inclusiva, promovendo equidade e acessibilidade no ambiente escolar. Palavras chave: Inclusão escolar. Atendimento Educacional Especializado (AEE). Formação continuada de educadores. Abstract The inclusion of students with disabilities in regular schools is both a guaranteed right and a necessary practice for building a more just society. This study examines the role of Specialized Educational Assistance (SEA) and the importance of ongoing teacher training to ensure inclusive, quality education. The analysis highlights SEA as a key component in the inclusion process, providing individualized support and pedagogical strategies tailored to the specific needs of students with disabilities. It also underscores the central role of SEA teachers in adapting teaching methods and fostering an inclusive, welcoming environment. Continuous training emerges as essential, offering educators updates on inclusive methodologies and assistive technologies, equipping them to apply inclusive and collaborative teaching practices. The study concludes that ongoing teacher training in SEA is crucial for ensuring inclusive education, promoting equity, and accessibility within the school environment. Keywords: School inclusion. Specialized Educational Assistance (SEA). Continuing teacher education. 1. INTRODUÇÃO A inclusão de alunos com deficiência no sistema de ensino regular é um direito garantido e uma necessidade para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Esse processo, no entanto, exige uma adaptação significativa do ambiente escolar e, sobretudo, uma preparação especializada dos educadores, que desempenham um papel central na garantia do aprendizado e desenvolvimento desses alunos. Na escola inclusiva o aluno é visto como sujeito integral e capaz, não tendo sua identidade determinada por modelos ideais, permanentes e essenciais (MANTON, 2015). Assim sendo, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) surge como um componente essencial na promoção da inclusão, oferecendo apoio individualizado e estratégias pedagógicas específicas que atendem às particularidades dos alunos com deficiência. Para que o AEE seja eficaz, é fundamental que os profissionais da educação estejam em constante aprimoramento, uma vez que a formação inicial muitas vezes não cobre todas as competências necessárias para lidar com a diversidade presente nas salas de aula. A formação continuada dos educadores, nesse contexto, assume um papel indispensável. Ela proporciona o desenvolvimento de habilidades específicas, a atualização sobre novas metodologias e o acesso a recursos didáticos inclusivos, tornando os educadores mais aptos a promover um ambiente acolhedor e acessível para todos os alunos. Este estudo busca explorar a importância da formação continuada dos educadores para a inclusão eficaz de alunos com deficiência no ensino regular. Examinar essa questão é essencial para entender como o fortalecimento das competências docentes pode contribuir para um ensino mais inclusivo e para a construção de práticas pedagógicas que respeitem as particularidades de cada estudante, promovendo, assim, um aprendizado verdadeiramente equitativo e integrador. 2. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: O docente e a inclusão A inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares representa um avanço significativo no campo educacional e social, uma vez que busca oferecer a todos os estudantes, independentemente de suas condições, o direito a uma educação equitativa e acessível. Toda criança, com ou sem deficiência, passa por processos semelhantes de desenvolvimento, necessitando da mesma dedicação dos profissionais da educação e tendo os mesmos direitos garantidos. A inclusão escolar, conforme assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96, reforça o direito das crianças com deficiência ao convívio com a diversidade, incentivando a troca de experiências e promovendo o respeito às diferenças. Segundo a LDB: Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação (BRASIL, 1996). Conforme o Art. 5º da Resolução CNE/CEB nº4, de 2 de outubro de 2009, que instaurou as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, na modalidade Educação Especial, O AEE é realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, também, em centro de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (BRASIL/MEC/SEESP, 2009, p. 2). O AEE deve ser preferivelmente realizado nas salas multifuncionais e visto como parte que compõe o projeto político pedagógico da escola sem que este venha a substituir o que se aprende no ensino regular. Assim deve ser visto como um recurso pedagógico adicional, que trabalha de maneira complementar ao ensino convencional, garantindo uma educação inclusiva e de qualidade para todos os alunos, respeitando a diversidade e promovendo a equidade no processo de aprendizagem. Nesse contexto, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) desempenha um papel essencial, sendo uma estratégia para garantir que esses alunos tenham suporte adequado para seu aprendizado e desenvolvimento. O papel do docente é central nesse processo, pois ele atua diretamente na adaptação do ensino às necessidades dos alunos, promovendo um ambiente inclusivo que valoriza a diversidade e respeita as especificidades de cada estudante. Para que o AEE seja efetivo, é imprescindível que os educadores estejam bem preparados para enfrentar os desafios de uma sala de aula inclusiva. Essa preparação, no entanto, não se limita à formação inicial; envolve um compromisso contínuo com a formação continuada, que é essencial para o desenvolvimento de competências específicas voltadas para o atendimento de alunos com deficiência. A formação continuada permite que os docentes estejam atualizados sobre as metodologias, tecnologias assistivas e práticas pedagógicas inclusivas que podem ser utilizadas para atender às necessidades desses alunos. 2.1 AEE: O Papel do Docente no Atendimento Educacional Especializado O papel do docente no Atendimento Educacional Especializado (AEE) é crucial para garantir que os estudantes com necessidades educacionais específicas tenham acesso a uma educação inclusiva e de qualidade. Esse atendimento é direcionado a apoiar odesenvolvimento de competências e habilidades que complementem a aprendizagem curricular e promovam a autonomia dos alunos. De acordo com a Cartilha de Educação Inclusiva, disponibilizada pelo MEC (2004, p.26) com relação à Sistemática formal de suporte para o professor, assegura que: O suporte para o professor do ensino regular que recebe alunos com necessidades educacionais especiais, em sua sala de aula, deve ser ministrado pela Coordenação Pedagógica[...] a qual deve ter conhecimento dos conteúdos curriculares, dos métodos de ensino, dos recursos didático-pedagógicos e estimular a criatividade do professor. A Coordenação Pedagógica deve ser ativa e participante no cotidiano da sala de aula, da escola e das relações com a comunidade. Outra fonte importante de suporte para o professor do ensino regular é o assessoramento de uma equipe interdisciplinar, que deverá contribuir com seus conhecimentos sobre recursos e métodos para o ensino de alunos com necessidades educacionais especiais (BRASIL,2004, p26). O primeiro passo no AEE é a identificação adequada das necessidades educacionais dos alunos. O docente deve estar atento às características e desafios que cada aluno apresenta, considerando tanto os laudos diagnósticos como observações pedagógicas. Essa identificação é fundamental para o desenvolvimento de um plano de ensino individualizado (PEI), que estabelece as estratégias e recursos mais adequados para cada caso, conforme, (Pereira e Nunes, 2018), o PEI pode contribuir significativamente para a instrumentalização dos professores de forma bastante objetiva e prática. O docente do AEE deve adaptar os conteúdos e o material pedagógico para tornar o aprendizado acessível e significativo para o aluno. Isso inclui desde o uso de recursos visuais e táteis até a adaptação de metodologias que considerem diferentes ritmos e modos de aprendizagem. A personalização do ensino contribui para que os alunos se sintam acolhidos e capazes de participar ativamente do processo educacional. A colaboração entre o docente do AEE e os professores do ensino regular é fundamental para garantir a inclusão educacional. Essa parceria permite que os conteúdos e estratégias desenvolvidos no AEE sejam integrados ao ensino regular, facilitando a continuidade do aprendizado. O docente do AEE também atua como um mediador entre o aluno e a equipe escolar, promovendo a compreensão das necessidades específicas e sugerindo adaptações necessárias. O uso de tecnologias assistivas é um componente importante no AEE, nesse sentido em relação aos serviços de TA aplicados à educação, Manzini (2012) fundamentando-se no conceito de TA da CAT, concebe o professor que trabalha com alunos com deficiência e que utiliza práticas e estratégias em prol da sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social, como um sujeito que trabalha no âmbito da TA. Sendo assim o docente deve estar capacitado a utilizar e orientar o uso de dispositivos e softwares que promovam a autonomia e a comunicação do aluno, como leitores de tela, softwares de comunicação aumentativa e equipamentos específicos. Essas tecnologias permitem que os alunos superem barreiras e tenham acesso ao conteúdo educacional de forma mais autônoma. Além do aspecto acadêmico, o docente do AEE desempenha um papel importante no apoio ao desenvolvimento emocional e social dos alunos. É essencial criar um ambiente seguro e acolhedor, onde o aluno sinta-se valorizado e respeitado. O incentivo à interação social e ao desenvolvimento de habilidades interpessoais fortalece a autoestima e promove uma participação mais ativa na vida escolar e na comunidade. A avaliação no AEE deve ser contínua e personalizada, focando no progresso e no desenvolvimento das habilidades específicas de cada aluno. O docente deve adotar métodos avaliativos que permitam acompanhar o aprendizado de forma inclusiva e que considerem as particularidades de cada estudante, ajustando estratégias e metas conforme necessário. Em suma, o papel do docente no Atendimento Educacional Especializado vai além da sala de aula e das disciplinas tradicionais. Ao atuar de forma colaborativa e personalizada, o docente do AEE assegura que o direito à educação inclusiva seja garantido, promovendo a igualdade de oportunidades e o respeito à diversidade dentro do ambiente escolar, conforme as diretrizes estabelecidas na Resolução CNE/CEB nº 4/2009. 2.3 Formação continuada do docente. A formação continuada do docente é um processo essencial para a melhoria da qualidade da educação e o desenvolvimento profissional dos professores. No contexto do Atendimento Educacional Especializado (AEE), a formação contínua é ainda mais crucial, pois envolve o domínio de práticas pedagógicas específicas, estratégias diferenciadas e o uso de tecnologias assistivas para atender às necessidades de alunos com deficiências ou outras dificuldades de aprendizagem. Bueno (2011) ressalta que, para ampliar efetivamente as oportunidades educacionais de todos os estudantes, com ou sem necessidades educacionais especiais, é preciso romper as barreiras que existem na formação dos professores que atuam na sala de aula comum e no AEE. A legislação e as diretrizes que orientam o AEE, como a Resolução CNE/CEB nº 4/2009, passam por revisões periódicas, e as novas práticas pedagógicas e inovações tecnológicas exigem que o docente se mantenha atualizado. A formação continuada garante que o professor esteja ciente das novas metodologias, recursos e exigências legais, permitindo-lhe aplicar as melhores práticas e atender às necessidades emergentes dos alunos. A formação continuada no AEE deve capacitar os docentes a reconhecer e atuar de forma personalizada com cada estudante. Isso inclui o desenvolvimento de habilidades para elaborar Planos Educacionais Individualizados (PEI), realizar diagnósticos precisos das necessidades dos alunos, e utilizar estratégias pedagógicas diferenciadas que possibilitem uma aprendizagem significativa. O processo de formação contínua deve proporcionar o domínio de metodologias que atendam aos diferentes tipos de deficiência e necessidades educacionais, incluindo distúrbios de aprendizagem, transtornos do espectro autista, deficiências sensoriais e motoras, entre outras. A incorporação de tecnologias assistivas no AEE é um dos avanços mais importantes no processo de inclusão. As ferramentas tecnológicas, como softwares adaptativos, equipamentos de apoio à comunicação e dispositivos de acessibilidade, ajudam os alunos a superar barreiras e aprender de maneira mais independente. A formação continuada deve incluir a capacitação dos docentes no uso dessas tecnologias, permitindo-lhes escolher as mais adequadas para cada aluno e utilizar esses recursos de maneira eficaz dentro do planejamento pedagógico. Para BERSCH, p. 2, 2017: Uma solução para a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade são as ferramentas de tecnologia assistiva (TA). Essas ferramentas são usadas justamente para tentar devolver ou aproximar as habilidades funcionais dessas pessoas às das pessoas sem deficiência. A fisioterapeuta Rita Bersch diz que “A TA deve ser entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência ou pelo envelhecimento.” O desenvolvimento profissional contínuo também abrange a capacidade dos docentes de trabalhar em equipe. No AEE, a colaboração entre os professores do ensino regular, educadores especializados, psicopedagogos e outros profissionais da escola é fundamental para garantir a inclusão plena do aluno. A formação continuada deve incentivar práticas de trabalho colaborativo, ajudando os docentes a planejar e implementar estratégias conjuntas para a inclusão dos estudantes no ambiente escolar. A formação continuada do docente também deve promover a reflexão constante sobre a prática pedagógica. Ao longo de sua carreira, o professor deve ser incentivado a avaliar o impacto de suas estratégias,buscar feedback dos colegas e da comunidade escolar, e fazer ajustes necessários. Esse processo de autoavaliação e melhoria contínua é fundamental para o desenvolvimento de uma pedagogia inclusiva, adaptada às necessidades dos alunos. A formação continuada do docente no Atendimento Educacional Especializado é um componente fundamental para garantir que a educação inclusiva se concretize de maneira eficaz. Ao proporcionar uma atualização constante em práticas pedagógicas, uso de tecnologias assistivas e metodologias diferenciadas, a formação contínua fortalece a capacidade dos professores de atender às necessidades diversificadas dos alunos, promovendo um ambiente escolar mais justo e inclusivo. O investimento na formação dos docentes é, portanto, um pilar essencial para o sucesso do AEE e para a construção de uma educação verdadeiramente inclusiva. CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. MEC/SEESP, Brasília, 2008. Disponível em: .Acesso em: 02 out. 2016. PEREIRA, D. M.; NUNES, D. R. P. Diretrizes para a elaboração do PEI como instrumento de avaliação para educando com autismo: um estudo interventivo. Revista Educação Especial, v. 31, n. 63, p. 939-960, out.-dez. 2018. MANTOAN, M. T. E. Inclusão Escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015. MANZINI, E. J. Formação do professor para trabalhar com recursos de tecnologia assistiva: um estudo de caso em Mato Grosso. Educação e Fronteiras (On-line) Dourados, v.2, n.5, p.98-113, 2012. BUENO, J. G. S. Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional e a formação de professores: generalista ou especialista. In: BUENO, J.G.S. Educação especial brasileira: questões conceituais e de atualidade. São Paulo: EDUC, 2011. p. 119-143. BERSCH, Rita. Introdução à tecnologia assistiva. Porto Alegre: CEDI, 2013. Disponível em: . Acesso em 13 nov. 2017.