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Processo administrativo e judicial tributário
Prof. Rodrigo Vieira Farias
false
Descrição
Aspectos principais do processo administrativo e judicial tributário.
Propósito
O conhecimento a respeito do processo administrativo e judicial
tributário é de fundamental importância para o profissional do Direito,
em especial do direito público. Trata-se de ramo de destaque, o qual lida
com um dos aspectos principais da sociedade contemporânea, qual
seja, a tributação.
Preparação
Antes de iniciar seu estudo, tenha em mãos um Vade Mecum, para usar
especialmente o Código de Processo Civil (CPC), a Lei nº 6.830/1980 e
a Lei nº 12.016/2009.
Objetivos
Módulo 1
Noções fundamentais
Analisar as noções fundamentais do processo administrativo.
Módulo 2
Principais características
Reconhecer as principais características da execução fiscal,
designadamente sobre a principal ação exacional de nosso Direito.
Módulo 3
Ações antiexacionais
Listar as principais ações antiexacionais.
1 - Noções fundamentais
Ao fim do módulo, você será capaz de analisar as noções fundamentais do
processo administrativo.
Processo administrativo
O Direito Tributário é um dos principais braços do direito público
brasileiro. O expansionismo da CF/1988 em matéria tributária,
somado à complexidade da legislação infraconstitucional na
matéria, faz com que o contencioso tributário, seja na seara
administrativa, seja na seara judicial, tenha forte importância.
Neste conteúdo, dissertaremos sobre alguns dos principais pontos
relacionados com o processo administrativo e judicial tributário no
Brasil. Quanto ao último, veremos a execução fiscal, que é a ação
exacional por excelência, de iniciativa do Fisco, e as ações
antiexacionais, que são de iniciativa do contribuinte ou do
responsável tributário.
Introdução
tributário: noções gerais
O processo administrativo tributário versa sobre a fase processual
tributária no âmbito administrativo, ou seja, ainda na esfera do próprio
ente tributante (município, estado, Distrito Federal ou União). Divide-se
em duas espécies:
Processo administrativo tributário
contencioso
Trata-se do litígio entre o Fisco e o sujeito passivo (contribuinte ou
responsável), o qual tem início com a manifestação deste em resistir à
pretensão da Fazenda de lhe impor algum gravame tributário (cobrar
tributo e/ou impor penalidade).
Processo administrativo tributário
consultivo
Versa sobre as consultas que podem ser efetuadas pelo sujeito passivo
junto ao detentor da capacidade tributária ativa, nos termos da
respectiva lei de processo administrativo tributário. Tem previsão no art.
161, § 2º, do Código Tributário Nacional (CTN).
O processo administrativo tributário contencioso é a espécie que
desperta maior atenção e que será objeto de análise mais aprofundada
neste material.
A competência para legislar sobre processo administrativo tributário,
conforme dispõe o art. 24, I, c/c art. 30, I, da CF/1988 de 1988 (CF/1988)
é atribuída concorrentemente à União, aos estados e aos municípios
como corolário da competência legislativa concorrente para legislarem
sobre Direito Tributário e da autonomia dos entes federativos.
Assim, cada um deles tem competência legislativa e administrativa em
relação a seu próprio processo administrativo tributário.
Destaque-se que a competência legislativa concorrente em matéria de
processo administrativo tributário deve observância às normas gerais de
Direito Tributário, as quais são editadas pela União, com lastro no art.
146, III, da CF/1988.
A principal norma geral de Direito Tributário é o
CTN (Lei Federal nº 5.172/1966, que tem status de
lei complementar).
No que tange ao imposto sobre circulação de mercadorias e serviços
(ICMS) e ao imposto sobre serviços (ISS), dois dos principais impostos
estaduais e municipais, é importante observar também o disposto nas
Leis Complementares nº 87/1996 e nº 103/2003.
Feitas essas breves considerações, passa-se a tratar dos princípios que
informam o processo administrativo tributário no Brasil.
Princípios do processo
administrativo tributário
De início, aponta-se que o processo administrativo tributário, como
atividade da Administração Pública, está sujeito aos princípios que
disciplinam a atuação administrativa, elencados de forma não exaustiva
no caput do art. 37 da CF/1988, quais sejam:
Legalidade;
Impessoalidade;
Moralidade;
Publicidade;
Eficiência.
Os direitos fundamentais processuais elencados no art. 5º da CF/1988
também devem ser seguidos por todos os entes da Federação durante
todo o iter do processo administrativo tributário:
 Inciso XXXV
A i f t bilid d d t l j i di i l d
É importante destacar, por sua relevância, o princípio do formalismo
moderado, que visa a impedir que minúcias e pormenores não
essenciais afastem a compreensão da verdadeira finalidade da atuação
da Administração Pública (MEDAUAR, 2018, p. 168). Os princípios
previstos para o processo administrativo daquele ente federativo, da
mesma forma, também são aplicáveis ao processo administrativo
tributário de maneira subsidiária, naquilo que for cabível.
Exemplo
O princípio da proporcionalidade é aplicável ao processo administrativo
tributário do estado do Rio de Janeiro por força do art. 2º c/c art. 75 da
Lei Estadual nº 5.427/2009, que disciplina o processo administrativo
estadual.
A inafastabilidade do controle jurisdicional da
decisão proferida na esfera administrativa.
 Inciso LIV
O devido processo legal.
 Inciso LV
O contraditório e a ampla defesa.
 Inciso LVI
A inadmissão das provas obtidas por meios ilícitos.
 Inciso LXXVIII
Duração razoável do processo.
Aponte-se ainda a previsão do art. 15 do CPC, que estabelece que, na
ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou
administrativos, suas disposições lhes serão aplicadas supletiva e
subsidiariamente.
Passa-se agora a analisar o processo contencioso administrativo
tributário federal, diante de sua abrangência e influência no contencioso
administrativo tributário dos estados e municípios.
Princípios do processo
administrativo tributário
No vídeo a seguir, o professor Rodrigo Farias define os princípios do
processo administrativo tributário e explica suas implicações práticas,
com exemplos.
Contencioso administrativo
tributário federal
O contencioso administrativo tributário federal é regulamentado, em
grande parte, pelo disposto na primeira parte do Decreto nº
70.235/1972. A segunda parte deste destina-se a cuidar precipuamente
do processo de consulta, que não tem natureza contenciosa e será
objeto de breves considerações mais adiante.
O Decreto nº 70.235/1972 foi editado sob a égide da Constituição
Federal de 1967, com base no art. 2º do Decreto-lei nº 822/1969, que
delegou ao Poder Executivo federal a atribuição de disciplinar o
processo administrativo de determinação e exigência de:


Penalidades

Consultas

Empréstimos compulsórios

Créditos tributários federais
Tem, assim, natureza jurídica de lei ordinária, razão pela qual eventuais
alterações que venha a sofrer devem ser feitas mediante instrumento
legal de hierarquia idêntica, como já decidido pelo Superior Tribula de
Justiça (STJ) no REsp. nº 877.352/SP.
Fase de instauração
O processo administrativo tributário no âmbito federal tem início com a
impugnação da exigência, ofertada pelo sujeito passivo (art. 14 do
Decreto nº 70.235/1972).
A impugnação deve ser ofertada por escrito, de modo a
preservar a fidelidade das alegações do sujeito passivo
(art. 15).
Além disso, em função da formalidade do processo administrativo, isso
permite o controle posterior de se a Administração está analisando
aquilo que realmente foi objeto de alegação pelo contribuinte
(RODRIGUES, 2021 p. 71).
A exigência pode ser materializada por meio da lavratura de auto de
infração, disciplinado pelo art. 10 do decreto, ou de notificação de
lançamento, regida pelo art. 11 do decreto. O auto de infração é utilizado
para asde informações não enseja a
decretação de revelia da pessoa jurídica, até mesmo porque a
autoridade coatora não é parte no mandado de segurança.
A ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica
interessada, para, querendo, ingressar no feito, destina-se a permitir à
advocacia (pública ou privada) a oportunidade de trazer argumentos de
defesa em prol do ato impugnado. Processualmente, essa ciência se dá
por meio de intimação.
Sentença e acórdão de julgamento
Após adotadas as providências citadas, será aberta vista ao Ministério
Público, para, querendo, oferecer parecer, como dispõe o art. 12 da Lei
nº 12.016/2009, e, após, segundo o parágrafo único do artigo, o
processo será concluso ao juízo ou ao órgão colegiado para proferir
sentença ou acórdão, a depender de o mandado de segurança tramitar
em primeiro ou segundo grau de jurisdição.
A sentença, denegatória ou concessiva da segurança, é recorrível por
meio de apelação, como deixa claro o art. 14 da Lei nº 12.016/2009. A
sentença concessiva está sujeita ao reexame necessário, como
estabelece o art. 14, § 1º, da Lei nº 12.016/2009. Segundo o art. 19 da
Lei nº 12.016/2009, a sentença ou o acórdão que denegarem mandado
de segurança, sem decidirem o mérito, não impedirão que o requerente,
por ação própria, pleiteie seus direitos e os respectivos efeitos
patrimoniais.
Em se tratando de mandado de segurança de competência originária de
tribunal, a decisão final poderá ser impugnada por meio de recurso
ordinário, nas hipóteses previstas nos arts. 102, II, b, e 105, II, b, da
CF/1988, ou ainda por meio de recurso especial e extraordinário, nos
casos elencados nos arts. 102, III, e 105, III, da CF/1988.
Ação anulatória
A ação anulatória, no Direito Tributário, pode ter duas finalidades: a
primeira, a de buscar a desconstituição de ato praticado no âmbito de
procedimento ou processo fiscal; e a segunda — que, em verdade, é
espécie da primeira, embora mereça tratamento diverso —, a de obter o
desfazimento da decisão administrativa que indeferiu o pleito de
repetição de indébito formulado pelo contribuinte ou responsável, na
forma do art. 169 do CTN.
Quanto a seu procedimento, a ação anulatória segue o procedimento
comum do CPC, previsto no art. 318 e seguintes do Código, com as
particularidades pertinentes ao processo tributário. Dois pontos acerca
da ação anulatória despertam a atenção do intérprete:

Conexão entre ação anulatória e
execução fiscal

Possibilidade de litispendência entre a
ação anulatória e os embargos à
execução fiscal
Conexão entre ação anulatória e
execução fiscal
Comecemos analisando a primeira hipótese. Considerando que a mera
propositura de ação anulatória não suspende a exigibilidade do crédito
tributário, é possível que seja ajuizada execução fiscal na pendência do
julgamento da ação anulatória. Em tal caso, em razão da conexão, por
se tratar de ações que discutem a mesma relação jurídica, deve haver a
reunião para julgamento conjunto, com lastro no art. 55, § 1º, do CPC.
Com efeito, a reunião de processos não deve ocorrer se um desses já
houver sido sentenciado, como estabelece a parte final do art. 55, § 1º,
do Código, ou se a reunião importar na alteração de regra de
competência absoluta (nesse sentido, REsp. nº 1.587.337/SP, rel. min.
Herman Benjamin, 2ª Turma, julgado em 17/5/2016, DJe 1/6/2016).
Possibilidade de litispendência
Passemos a analisar a segunda hipótese. É plausível que haja
litispendência entre a ação anulatória e os embargos à execução fiscal,
se houver identidade de partes, causa de pedir e pedido. O CPC, com
efeito, adotou a teoria da tríplice identidade, razão pela qual somente se
os três elementos das ações forem idênticos é que haverá
litispendência, como estabelece o art. 337, § 2º, do CPC.
Ação declaratória
A ação declaratória, no Direito Tributário, tem como principal serventia o
reconhecimento da existência ou da inexistência de relação jurídica
entre o ente tributante e o sujeito passivo, ou, quanto ao primeiro caso,
em relação ao conteúdo e aos limites da relação jurídica existente (e.g.,
contribuinte busca excluir determinada parte do processo produtivo da
base de cálculo do imposto sobre produtos industrializados – IPI).
Quanto ao seu procedimento, a ação declaratória segue o procedimento
comum do CPC, previsto no art. 318 e seguintes do Código, com as
particularidades pertinentes ao processo tributário.
No que tange à sentença na ação declaratória, devem-se fazer breves
apontamentos para a hipótese em que é reconhecida a inexistência de
relação jurídica tributária. Em tal caso, a eficácia declaratória da
sentença faz com que seja igualmente reconhecido como indevido o
pagamento feito pelo autor em favor do réu na ação declaratória,
podendo, inclusive, promover o cumprimento dessa sentença, com
lastro no art. 515, I, do CPC.
Comentário
Anote-se, no ponto, o teor da Súmula nº 461 do STJ, segundo a qual o
contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por
compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória
transitada em julgado. Frise-se que a opção pela compensação somente
existirá se o ente tributante tiver lei disciplinando a compensação
tributária, de modo a atender ao disposto no art. 170 do CTN.
A inexistência de lei disciplinadora da compensação faz com que o
autor somente possa receber o indébito tributário por meio de
precatório, ou ainda de requisição de pequeno valor, a depender do
montante do crédito.
Ação de consignação em
pagamento
O professor Rodrigo Farias aborda o cabimento da ação de consignação
em pagamento tributária.
A ação de consignação em pagamento, disciplinada pelo art. 164 do
CTN, é a ação antiexacional destinada às hipóteses previstas no CTN,
em que há recusa do ente tributante em receber a importância devida
ou, ainda, que existe incerteza acerca da titularidade do crédito
tributário.
Frise-se que a consignação em pagamento é forma de extinção do
crédito tributário, como prevê o art. 156, VIII, do CTN.
Cabimento
O rol de cabimento da ação de consignação em pagamento é elencado
no art. 164 do CTN, como mencionado no parágrafo anterior. São
hipóteses:
Inciso I
Recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro
tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória.
Inciso II
Subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências
administrativas sem fundamento legal.
Inciso III
Exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo
idêntico sobre um mesmo fato gerador.
Em tais casos, o sujeito passivo, com vistas a exonerar-se dos eventuais
encargos moratórios, pode consignar a importância devida em juízo. Em
razão da literalidade do art. 164 do CTN, a consignação extrajudicial,
prevista no art. 539, § 1º, do CPC, resta afastada.
Relembre-se, nesse sentido, que, segundo o art. 164, § 1º, do CTN, a
consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante propõe-
se pagar. Assim, quaisquer outras pretensões do sujeito passivo
deverão ser manejadas por meio de ação própria (e.g., obter o
reconhecimento de que o débito tem valor menor do que o que está
sendo cobrado pelo Fisco; nessa linha, STJ, AgRg. no REsp. nº
1.270.034/RS, rel. min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, julgado em
23/10/2012, DJe 6/11/2012).
Procedimento
O procedimento da ação de consignação em pagamento é disciplinado,
no que couber, pelas disposições do CPC acerca do procedimento
especial da consignação em pagamento, presentes nos arts. 539 a 549
do Código.
Assim, segundo o art. 542 do CPC, cabe ao autor da ação de
consignação requerer o depósito da quantia devida, a ser efetivado no
prazo de cinco dias contados do deferimento, e a citação do réu, para
levantar o depósito ou oferecer contestação. Conforme o parágrafo
único do art. 542, não realizado o depósito no prazo do inciso I, o
processo será extinto sem resolução do mérito.
O depósito deve ser integral,referente a todo o crédito tributário que
está sendo cobrado do sujeito passivo. Em se tratando de consignação
fundada no inciso III do art. 164, deverá ser depositado o maior valor
que está sendo exigido pelos entes tributantes (nessa linha,
(RODRIGUES, 2021, p. 315-317).
Em sede jurisprudencial, controverte-se a possibilidade ou não de
complementação do depósito, caso este seja insuficiente. De um lado,
há julgados entendendo que, havendo depósito parcial da quantia
devida, a consignação há de ser julgada improcedente (nessa linha, AC.
nº 0023854-43.2000.4.01.3400, des. fed. Luciano Tolentino Amaral,
TRF1, 7ª Turma, e-DJF1 14/11/2008, p. 223).
Saiba mais
De outro lado, há decisões admitindo a extinção do crédito tributário até
o total depositado pelo autor da ação de consignação em pagamento
(TJSP, Apelação Cível nº 9111692-41.2006.8.26.0000, rel. Osvaldo
Palotti Jr., 14ª Câmara de Direito Público, F. D. Arujá/Santa Isabel, 1.
Vara Distrital, julgado em 22/9/2011, registro em 28/9/2011).
Segundo o art. 164, § 2º, do CTN, julgada procedente a consignação, o
pagamento reputa-se efetuado, e a importância consignada é convertida
em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte,
cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das
penalidades cabíveis.
No caso do julgamento pela improcedência da consignação, os
encargos moratórios somente devem incidir em relação à diferença
entre o valor devido e o depositado, como já reconhecido pelo STJ em
alguns julgados da Corte (nessa linha, AgRg. no REsp. nº 1.348.040/DF,
rel. min. Humberto Martins, 2ª Turma, julgado em 27/8/2013, DJe
6/9/2013).
Ação de repetição de indébito
A ação de repetição de indébito tem como finalidade a restituição de
tributo pago indevidamente pelo sujeito passivo, total ou parcialmente.
O art. 165 do CTN elenca as hipóteses em que se admite a repetição de
indébito tributário, sendo elas as seguintes:
Inciso I
Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o
devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou
circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
Inciso II
Erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota
aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou
conferência de qualquer documento relativo ao pagamento
Inciso III
Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.
Prazo
O art. 168 do CTN disciplina o prazo decadencial para buscar o direito à
repetição de indébito. No caso dos incisos I e II do art. 165, o prazo tem
início na data da extinção do crédito tributário e, no caso do inciso III do
art. 165, na data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou
passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado,
revogado ou rescindido a decisão condenatória.
Anote-se que, segundo a Súmula nº 625 do STJ, o pedido administrativo
de compensação ou de restituição não interrompe o prazo prescricional
para a ação de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do
CTN, nem o da execução de título judicial contra a Fazenda Pública.
O art. 169 do CTN prevê prazo específico para a hipótese em que o
sujeito passivo busca a repetição de indébito pela via administrativa, e o
Fisco indefere o pleito. Em tal caso, há o prazo de dois anos para o
ajuizamento de ação anulatória em face da decisão denegatória da
restituição.
Legitimidade
A legitimidade ativa para a ação de repetição de indébito é conferida,
como regra, ao sujeito passivo que efetuou o pagamento indevido, como
deixa claro o art. 165 do CTN.
O art. 166 do CTN disciplina a hipótese dos tributos indiretos, ou seja,
aqueles em que há a transferência do respectivo encargo financeiro.
Nesses, o contribuinte de direito, que é o sujeito passivo à luz da
legislação disciplinadora do tributo, transfere a outrem, o contribuinte de
fato, o ônus de arcar com a exação (e.g., o comerciante, contribuinte de
direito do ICMS, inclui no valor da mercadoria o valor pago a título de
imposto, transferindo ao adquirente o encargo de arcar com seu
pagamento).
Nesse caso, a legitimidade para buscar a repetição do indébito é
conferida ao contribuinte de direito, e não ao contribuinte de fato, salvo
se este for autorizado expressamente por aquele a pleitear a repetição,
como estabelece a parte final do art. 166 do CTN.
A sentença da ação de repetição de indébito tem natureza condenatória,
impondo à Fazenda Pública o dever de efetuar a devolução do valor
indevidamente pago pelo autor da demanda. Relembre-se, no ponto, o
teor da Súmula nº 461 do STJ, segundo a qual o contribuinte pode optar
por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito
tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.
O STJ tem julgados admitindo a possibilidade de compensação do
indébito tributário, a despeito da inexistência de lei disciplinadora da
compensação naquele ente (nessa linha, REsp. nº 1.114.404/MG, rel.
min. Mauro Campbell Marques, 1ª Seção, julgado em 10/2/2010, DJe
1/3/2010).
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(Fafipa – 2019 – Prefeitura de Foz do Iguaçu/PR – Procurador do
Município) Sobre o uso de mandado de segurança no processo
tributário, é correto afirmar que:
A
O mandado de segurança poderá ser impetrado pelo
contribuinte contra lei em tese quando este
identificar ilegalidade ou inconstitucionalidade na
legislação.
B
É cabível o mandado de segurança para convalidar a
compensação tributária realizada pelo contribuinte.
C
O mandado de segurança pode apresentar-se sob
as modalidades repressiva e preventiva. A
modalidade preventiva, por sua vez, tem como
pressuposto situação que motive o justo e fundado
receio de que a Administração venha a impor ao
contribuinte determinada obrigação.
Parabéns! A alternativa C está correta.
O mandado de segurança repressivo é adequado para as hipóteses
em que o direito líquido e certo alegadamente existente já fora
lesado, ao passo que o mandado de segurança preventivo busca
evitar a ocorrência de lesão ao direito, lesão essa supostamente na
iminência de ocorrer.
Questão 2
(Cespe – 2014 – TCE/PB – Procurador) Júlio, responsável tributário
pelo pagamento de um tributo, entendendo que não deveria pagar o
valor total do tributo com as penalidades que lhe foram impostas
em auto de infração, dirigiu-se ao Poder Judiciário, no qual
ingressou com ação de consignação em pagamento, tendo
depositado valor inferior ao constante do auto de infração.
Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.
D
A liminar em mandado de segurança tem o mesmo
efeito que a tutela provisória de evidência, de modo
que poderá conceder compensação de créditos
tributários, entrega de mercadorias entre outros,
desde que comprovado o fumus bonis iuris e o
periculum in mora.
E
Não é necessário que o direito a ser defendido seja
líquido e certo, que exista um ato de autoridade
praticado com ilegalidade ou abuso de poder, bem
como que a prova seja pré-constituída, ou seja,
apresentável de plano, não necessitando dilação
probatória.
A
Na hipótese em apreço, a extinção do crédito
tributário ocorreria com o simples ingresso da ação
de consignação, desde que o valor consignado
tivesse sido o montante integral cobrado pelo Fisco.
Parabéns! A alternativa B está correta.
A hipótese é disciplinada pelo art. 164, § 2º, do CTN, que prevê tal
consequência para a improcedência da ação de consignação em
pagamento.
Considerações finais
Neste conteúdo, analisamos os principais pontos de estudo acerca do
processo administrativo tributário e da execução fiscal, bem como as
principais ações antiexacionais (mandado de segurança, ação
declaratória, consignação em pagamento, ação anulatória e repetição de
indébito).
Vimos algumas das principais controvérsias sobre esses temas, tais
como a exigência ou não de garantia do juízopara fins de
admissibilidade de embargos à execução fiscal, o cabimento de
mandado de segurança em matéria tributária, a declaração de
B Caso a ação de consignação judicial impetrada por
Júlio seja julgada improcedente, ser-lhe-á cobrado o
crédito acrescido de juros moratórios, sem prejuízo
das penalidades cabíveis.
C
Na condição de responsável tributário, Júlio é
terceiro interessado e, portanto, não estaria
legitimado a ingressar com a ação de consignação.
D
Na ação de consignação em pagamento, é possível
a discussão a respeito do valor devido constante do
auto de infração lavrado contra Júlio.
E
Na hipótese considerada, caso se exigisse de Júlio a
consignação do montante integral do crédito
tributário, estampado no auto de infração contra ele
lavrado, para que a exigibilidade do crédito tributário
fosse suspensa, isso feriria direito constitucional.
inconstitucionalidade das restrições à concessão de liminares, entre
outras. São matérias importantes na atuação do profissional do Direito e
que também vêm sendo cobradas em concursos públicos.
Assim, a compreensão adequada acerca dos pontos de estudo nesta
apostila é de extrema relevância, mormente pela importância dos
assuntos vistos.
Podcast
Agora, o professor Rodrigo Farias encerra discorrendo sobre as ações
tributárias e explica, brevemente, quando é cabível cada ação.

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Indicamos para vocês duas obras que possuem relação com o conteúdo
abordado. Logo, a leitura será importante para o aprofundamento do
estudo do processo administrativo e judicial tributário.
MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo tributário. 13. ed. Rio de
Janeiro: GEN, 2021.
ROCHA, Sérgio André. Processo administrativo fiscal: controle
administrativo do lançamento tributário. Lisboa: Almedina, 2018.
Referências
ARAÚJO, José Henrique Mouta. Mandado de segurança. 2. ed. Salvador:
Juspodivm, 2010.
FIGUEIREDO, Lucia Valle. Curso de Direito Administrativo. 7. ed. São
Paulo: Malheiros Editores, 2004.
GRECO, Leonardo. Instituições de processo civil. 3. ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2015. v. I.
MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo moderno. 21. ed. Belo
Horizonte: Fórum, 2018.
MIRANDA, Pontes de. Dez anos de pareceres. São Paulo: Francisco
Alves, 1974.
NERY JR., Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo
Civil comentado. 18. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2018.
RODRIGUES, Marco Antonio. A Fazenda Pública no processo civil. 2. ed.
Rio de Janeiro: GEN, 2017.
RODRIGUES, Marco Antonio. Processo administrativo e judicial
tributário. Salvador: Juspodivm, 2021.
THEODORO JR., Humberto. Lei de Execução Fiscal. 12. ed. São Paulo:
Saraiva, 2011.
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Relatar problemahipóteses em que há a imposição de penalidade ao sujeito
passivo, cumulada ou não com a cobrança do tributo. A notificação de
lançamento, por sua vez, é reservada somente à cobrança de tributo.
Vale a menção à Súmula nº 21 do Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais (CARF), dotada de eficácia vinculante, que dispõe que “é nula,
por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a
identificação da autoridade que a expediu”.
Quanto aos requisitos da impugnação, estão elencados no art. 16 do
decreto. São os seguintes:
CARF
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
Assim como poderemos colocar um modal com o link de acesso ao site do
CARF, uma vez que tal sítio eletrônico não é tão usual aos alunos como os
sites dos tribunais.
A indicação da autoridade julgadora a quem é dirigida.
A qualificação do impugnante.
Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos
de discordância e as razões e provas que tiver. O sujeito passivo
deve veicular sua “causa de pedir” e as provas que tiver ao tempo
da apresentação da impugnação. O § 4º do dispositivo, por sua
vez, estabelece que a prova documental será apresentada na
impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em
outro momento processual, a menos que fique demonstrada a
impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de
força maior (alínea a), que se refira a fato ou a direito
superveniente (alínea b) ou que se destine a contrapor fatos ou
razões posteriormente trazidas aos autos (alínea c).
A juntada de documentos após a impugnação deverá ser
requerida à autoridade julgadora mediante petição em que se
demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das
Inciso I 
Inciso II 
Inciso III 
condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior (art. 16, §
5º, do Decreto nº 70.235/1972).
As diligências ou perícias que o impugnante pretenda que sejam
efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a
formulação dos quesitos referentes aos exames desejados,
assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a
qualificação profissional de seu perito.
Se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,
devendo ser juntada cópia da petição. Essa exigência decorre do
art. 38, parágrafo único, da Lei de Execução Fiscal (LEF – Lei nº
6.830/1980), que estabelece a renúncia à instância
administrativa na hipótese de que o contribuinte proponha ação
judicial em relação aos mesmos fatos que constituem objeto de
impugnação pelo sujeito passivo.
No mesmo sentido, a Súmula nº 1 do Carf dispõe que: “importa renúncia
às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação
judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do
lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento
administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”.
O § 1º do art. 16 estabelece ser não formulado o pedido de diligência ou
perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no mencionado
inciso IV.
Inciso IV 
Inciso V 
Por força do art. 17, considerar-se-á não impugnada a matéria que não
tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, de forma
bastante parecida com a regra da eventualidade, prevista para a
contestação no art. 341 do CPC. A regra ainda decorre da presunção de
veracidade e legalidade dos atos administrativos. Essa presunção não
será maculada se o contribuinte não a atacar em sede de impugnação
(RODRIGUES, 2021, p. 77).
O art. 18 estabelece que a autoridade julgadora de primeira instância
determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de
diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as
que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O § 1º, por sua vez, prevê
que, deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua
realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a
ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame
requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo
que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem
executados.
Por fim, deve-se destacar a disciplina atinente às intimações no âmbito
do processo administrativo fiscal, prevista no art. 23 do decreto, e que
será realizada da seguinte forma:
Por via postal
Por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com
prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito
passivo (inciso II).
Por meio eletrônico
Com prova de recebimento, mediante envio ao domicílio tributário
do sujeito passivo (alínea a), ou por registro em meio magnético
ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (alínea b).
Pessoal
Pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador,
na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito
passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com
declaração escrita de quem o intimar (inciso I).
Destacamos na modalidade via postal a redação da Súmula nº 9 do
Carf, prevendo que:“É válida a ciência da notificação por via postal
realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a
assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o
representante legal do destinatário”.
Fase de julgamento
A competência para julgamento das impugnações em primeira instância
é atribuída às delegacias da Receita Federal de Julgamento, nos termos
do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/1972. A Súmula nº 102 do Carf dispõe
que “é válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de
Julgamento – DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito
passivo”.
O art. 27 prevê que os processos remetidos para apreciação da
autoridade julgadora de primeira instância deverão ser qualificados e
identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles em que estiverem
presentes as circunstâncias de crime contra a ordem tributária ou de
elevado valor, este definido em ato do ministro de Estado da Fazenda. O
dispositivo deve ser lido em conjunto com o art. 62 do Decreto nº
7.574/2011, o qual confere prioridade de julgamento aos processos lá
elencados.
Em acréscimo, o art. 27, parágrafo único, estabelece que os processos
serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do
secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o
caput.
O art. 29 prevê que, na apreciação da prova, a autoridade julgadora
formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências
que entender necessárias. O art. 31 traz os elementos da decisão. São
eles:
 Relatório resumido do processo
Tal como no processo judicial, o relatório tem a
função de conter a história relevante do processo.
 Fundamentos legais
E d i í i d ti ã d t
O art. 28 do decreto prevê que, na decisão em que for julgada questão
preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e
dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou
perícia, se for o caso. Houve a utilização da espécie “questões
preliminares” para fazer referência ao gênero “questões prévias”, que
engloba as questões prejudiciais — estas, sim, que permitem o
julgamento do mérito.
Em face da decisão de primeira instância, é cabível a oposição de
embargos de declaração, na forma do art. 65 do Regimento Interno do
Carf, “quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição
entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o
qual deveria pronunciar-se a turma”.
Saiba mais
Além disso, por força do art. 33, da decisão caberá recurso voluntário,
total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 dias seguintes à
ciência da decisão. Essa disposição está em consonância com o art.
Em nome do princípio da motivação dos atos
administrativos, as delegacias da Receita Federal
de Julgamento devem expor as razões de fato e de
direito de suas decisões, de maneira a legitimar sua
atuação e permitir queo contribuinte possa
conhecer as razões de decisão, facilitando a feitura
de eventual recurso em face desta.
 Conclusão
É a decisão efetivamente proferida.
 Ordem de intimação
Devendo referir-se, expressamente, a todos os
autos de infração e notificações de lançamento
objeto do processo, bem como às razões de defesa
suscitadas pelo impugnante contra todas as
exigências.
151, III, do CTN, que prevê a suspensão da exigibilidade do crédito
tributário em razão “das reclamações e dos recursos, nos termos das
leis reguladoras do processo tributário administrativo”.
Fase recursal
O Decreto nº 70.235/1972 consagra o duplo grau de jurisdição —
embora, a rigor, a atividade administrativa de julgamento de
impugnações não seja atividade jurisdicional —, ao permitir a oferta de
recurso diante da decisão proferida em face de sua impugnação. Há,
pois, o direito de obter um segundo provimento a respeito da pretensão
do contribuinte. Há ainda a previsão, no art. 34 do decreto, de hipóteses
em que a decisão deve ser submetida obrigatoriamente ao órgão de
segundo grau, que, como será visto na sequência, é o CARF. Trata-se de
sistemática semelhante à do reexame necessário, com previsão no art.
496 do CPC.
O art. 25, II, do decreto confere ao CARF a competência para “julgar
recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem
como recursos de natureza especial”. Quanto à composição, o Carf será
constituído por seções e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (art.
25, § 1º). A organização interna do Carf e o julgamento de seus
processos são matéria a ser disciplinada por seu Regimento Interno (art.
37), o qual foi veiculado pela Portaria MF nº 343/2015.
Em face de decisão do CARF que der à lei tributária interpretação
divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara ou
turma especial; ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais,
caberá recurso especial para esta, no prazo de 15 dias, contados da
ciência do acórdão (art. 37, caput e § 2º). Esse recurso especial tem
índole administrativa, compartilhando apenas seu nome com a figura
prevista no art. 105, III, a, da CF/1988. Tanto em face da decisão de
primeira instância quanto em relação ao acórdão do CARF, não é cabível
pedido de reconsideração (arts. 36 e 37, § 3º)
Também há previsão de que, no âmbito do processo administrativo
fiscal, fique vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou
deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob
fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A). Isso se aplica às três
instâncias de julgamento antes mencionadas, sendo tal disposição
complementada pela Súmula nº 2 do Carf, a qual dispõe que “o CARF
não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
lei tributária”.
Essa disposição, porém, é excepcionada pelo § 6º do art. 26-A, que
permite ao CARF afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei
ou ato normativo:
“Coisa julgada administrativa”
 Que já tenha sido declarado inconstitucional por
decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal
Federal (STF) (inciso I).
 Que fundamente crédito tributário objeto de
dispensa legal de constituição ou de ato
declaratório do procurador-geral da Fazenda
Nacional (inciso I), na forma dos arts. 18 e 19 da Lei
nº 10.522, de 19 de julho de 2002 (alínea a); súmula
da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da
Lei Complementar nº 73/1993 (alínea b); ou
pareceres do advogado-geral da União aprovados
pelo presidente da República, na forma do art. 40 da
Lei Complementar nº 73/1993 (alínea c).
O art. 42 do Decreto nº 70.235/1972 confere definitividade às decisões
finais proferidas em sede de processo administrativo fiscal, impedindo
sua revisão no bojo da própria Administração Pública Federal. Trata-se
da chamada “coisa julgada administrativa”, referenciada entre aspas em
razão de a coisa julgada ser um fenômeno formado pela prolação de
sentença judicial.
A chamada “coisa julgada administrativa” pode vir a ser objeto de
revisão pelo Judiciário, em função do direito fundamental de acesso à
justiça, na forma do art. 5º, XXXV, da CF (RODRIGUES, 2021, p. 102).
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(Cesgranrio – 2008 – BR Distribuidora – Advogado) De acordo com
a norma que disciplina o processo administrativo de determinação
e exigência dos créditos tributários da União, atualmente admite-se
a intimação:
I. Pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão
preparador, na repartição ou fora dela, provada com a
assinatura do sujeito passivo, de seu mandatário ou preposto,
ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o
intimar.
II. Por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,
com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo
sujeito passivo.
III. Por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante
envio ao domicílio tributário do sujeito passivo, ou registro em
meio magnético, ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.
Está(ão) correto(s) o(s) item(ns):
A I, apenas.
B II, apenas.
C I e II, apenas.
D I e III, apenas.
Parabéns! A alternativa E está correta.
As referidas formas de notificação constam do art. 23 do Decreto
nº 70.235/1972.
Questão 2
(FGV – 2010 – Sead/AP – Auditor da Receita do Estado – Prova 2)
Analise as afirmativas a seguir:
I. Em se tratando de processo administrativo tributário, o
princípio da ampla defesa garante ao contribuinte a
apreciação de toda e qualquer matéria relativa aos aspectos
constitucionais.
II. Vige no processo administrativo tributário o princípio da
inquisitoriedade, posto que dotado de viés meramente
investigatório das práticas adotadas pelos contribuintes.
III. Reza o princípio do formalismo moderado que os atos do
processo administrativo não dependem de forma determinada
senão quando a lei expressamente o exigir.
Parabéns! A alternativa E está correta.
E III, apenas.
A Se somente a afirmativa I estiver correta.
B Se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
C Se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
D Se somente a afirmativa II estiver correta.
E Se se somente a afirmativa III estiver correta.
O princípio do formalismo busca afastar diligências e formalidades
inúteis, prestigiando o conteúdo em detrimento da forma.
2 - Principais características
Ao fim do módulo, você será capaz de reconhecer as principais características
da execução fiscal, designadamente sobre a principal ação exacional de nosso
Direito.
Execução fiscal: noções gerais
A execução fiscal é a ação exacional por excelência, ou seja, ação
proposta pelo Fisco em face do sujeito passivo (contribuinte ou sujeito
passivo). Trata-se ainda do principal mecanismo executivo a cargo da
Fazenda para obter a satisfação de seus créditos (tributários ou não
tributários), não obstante, nos últimos tempos, tenha havido significativo
incremento da utilização de meios extrajudiciais de cobrança de
créditos titularizados pelo Estado, tais como o protesto de certidão de
dívida ativa (CDA), previsto no art. 1º, parágrafo único, da Lei nº
9.472/1997.
A LEF (Lei nº 6.830/1980) disciplina o procedimento executivo fiscal,
sendo-lhe aplicável, subsidiariamente, o disposto no CPC, nos termos de
seu art. 1º.
Certidão de dívida ativa
Os créditos passíveis de cobrança por execução fiscal devem estar
materializados em um título executivo denominado certidão de dívida
ativa (CDA). O conceito de dívida ativa consta do art. 2º, caput e § 1º, da
Lei Federal nº 6.830/1980: qualquer valor cuja cobrança seja atribuída à
União, aos estados, ao Distrito Federal, aos municípios e às respectivas
autarquias será considerado dívida ativa, seja de natureza tributária, seja
de natureza não tributária.
Exemplo
A cobrança de tributos constitui dívida ativa, considerando que o art.
201 do CTN considera dívida ativa tributária a proveniente de crédito
dessa natureza. Da mesmaforma, valores devidos por servidores
federais em débito com o erário constituem dívida ativa, nos termos do
art. 47, parágrafo único, da Lei nº 8.112/1990.
A CDA materializa a inscrição em dívida ativa de um crédito de
titularidade da Fazenda Pública, inscrição essa que se destina a apurar a
liquidez e a certeza do crédito e que suspenderá a prescrição, para
todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da
execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo (art. 2º, §
3º, da Lei nº 6.830/1980). A CDA contém os mesmos elementos do
termo de inscrição (art. 2º, § 6º, da Lei nº 6.830/1980).
A dívida ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e
liquidez, presunção essa que é relativa e pode ser ilidida por prova
inequívoca, a cargo do executado ou de terceiro, a quem aproveite (art.
3º, caput e parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980).
O termo de inscrição em dívida ativa e a CDA devem obedecer aos
requisitos do art. 2º, § 5º, da Lei nº 6.830/1980, sob pena de nulidade.
Vejamos brevemente quais são esses requisitos:

Inciso I
O nome do devedor, dos corresponsáveis e, sempre que conhecido, o
domicílio ou residência de um e de outros.

Inciso II
O valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de
calcular os juros de mora e demais encargos previstos em lei ou
contrato.

Inciso III
A origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida.

Inciso IV
A indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização
monetária, bem como o respectivo fundamento legal e o termo inicial
para o cálculo.

Inciso V
A data e o número da inscrição no Registro de Dívida Ativa.

Inciso VI
O número do processo administrativo ou do auto de infração, se neles
estiver apurado o valor da dívida.
A emenda ou substituição da CDA, em caso de vício, pode ocorrer até a
decisão de primeira instância, assegurada ao executado a devolução do
prazo para embargos, nos termos do art. 2º, § 8º, da Lei nº 6.830/1980.
Deve-se observar ainda o disposto na Súmula nº 392 do STJ, segundo a
qual a Fazenda Pública pode substituir a CDA até a prolação da
sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou
formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução.
Os embargos à execução são o principal meio de defesa do executado
em sede de execução fiscal, como será visto em mais detalhes neste
mesmo módulo, sendo lícito à Fazenda Pública, até a prolação de sua
sentença, substituir ou emendar a CDA. A sentença da execução fiscal,
por sua vez, é prolatada depois do julgamento dos embargos, ao término
da fase executiva.
A vedação à modificação do sujeito passivo por meio de emenda ou
substituição da CDA, com efeito, parece ser decorrência de que a
certidão indica aquele que foi cientificado para o processo
administrativo fiscal. Assim, a alteração do sujeito passivo na certidão
acarretará, em última análise, a inserção de pessoa que não fez parte do
processo administrativo fiscal e que, portanto, não teve direito ao devido
processo legal e ao contraditório na esfera administrativa (RODRIGUES,
2020 p. 150) e em sede jurisprudencial (REsp. nº 1.045.472/BA, rel. min.
Luiz Fux, 1ª Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009, julgado
sob o rito dos recursos repetitivos).
Legitimidade
A legitimidade é a pertinência subjetiva para figurar no polo ativo ou
passivo de uma ação. Neste item, analisaremos a legitimidade ativa e a
legitimidade passiva em sede de execução fiscal.
Legitimidade ativa
A legitimidade ativa para a propositura de execução fiscal é atribuída,
primariamente, às entidades da Administração Direta: União, estados,
Distrito Federal e municípios, como disposto no art. 2º da Lei nº
6.830/1980, e respectivas autarquias. Outras pessoas jurídicas com
personalidade de direito público, tais como fundações públicas de
direito público e agências reguladoras, também têm legitimidade ativa
para propor execuções fiscais.
Os conselhos de fiscalização profissional, diante de sua natureza
autárquica, igualmente são legitimados ao ajuizamento de execução
fiscal para cobrança das anuidades que lhe são devidas. Nesses termos,
inclusive, é a redação da Súmula nº 66 do STJ, que dispõe que compete
à Justiça Federal processar e julgar execução fiscal promovida por
conselho de fiscalização profissional.
No que tange à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a jurisprudência
do STJ vem reconhecendo sua ilegitimidade para propositura de
execução fiscal para cobrança das anuidades devidas por advogados e
estagiários, considerando sua natureza de autarquia sui generis, exposta
na decisão do STF na ADI nº 3.026. Assim, a OAB deve cobrar seus
créditos pela via da execução de título extrajudicial regida pelo CPC (a
título de exemplo, REsp. nº 1.073.369/PR, rel. min. Mauro Campbell
Marques, 2ª Turma, julgado em 21/10/2008, DJe 21/11/2008).
É possível ainda a celebração de convênios para delegação da
atribuição de cobrança de créditos passíveis de inscrição em dívida
ativa, o que, naturalmente, tem aptidão para repercutir na legitimidade
ativa para o processo de execução fiscal. É o caso do art. 2º, § 2º, da Lei
nº 8.884/1994, que autoriza a celebração de convênio entre a
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Caixa Econômica Federal
para que esta realize a representação judicial e extrajudicial do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para a correspondente cobrança,
relativamente à contribuição, às multas e aos demais encargos
previstos na legislação respectiva.
Legitimidade passiva
A legitimidade passiva na execução fiscal é disciplinada pelo art. 4º da
Lei nº 6.830/1980, o qual estabelece que a execução fiscal poderá ser
promovida contra:
O devedor.
O fiador.
O espólio: destaque-se que a inscrição em dívida ativa do espólio
é de fundamental importância, em razão de a propositura de
execução fiscal em face de sócio já falecido ensejar a extinção
do processo sem resolução do mérito, não admitindo a emenda
ou substituição da CDA na hipótese, tampouco o
redirecionamento da execução fiscal em face do espólio (nesse
sentido, REsp. nº 1.826.150/RS, rel. min. Herman Benjamin, 2ª
Turma, julgado em 10/9/2019, DJe 5/11/2019).
A massa falida: a falência da pessoa jurídica antes da
propositura da execução permite a correção da CDA, nos termos
do art. 2º, § 8º, da Lei nº 6.830/1980, como já reconhecido pelo
STJ em sede de recursos repetitivos (REsp. nº 1.372.243/SE, rel.
min. Napoleão Nunes Maia Filho, rel. para acórdão min. Og
Fernandes, 1ª Seção, julgado em 11/12/2013, DJe 21/3/2014).
Inciso I 
Inciso II 
Inciso III 
Inciso IV 
O responsável, nos termos da lei, por dívidas, tributárias ou não,
de pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito privado (inciso
V): a responsabilidade tributária está disciplinada pelos arts. 134,
VII, e 135 do CTN, que estabelecem os casos de
responsabilidade de sócios, administradores, diretores, gerentes
ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado; os
sucessores a qualquer título.
Os sucessores a qualquer título.
O nome do devedor e corresponsáveis deve constar do termo de
inscrição em dívida ativa, como estabelece o art. 2º, § 5º, da Lei nº
6.830/1980. Com efeito, a execução fiscal deve ser ajuizada em face do
sujeito passivo elencado na CDA, a qual, relembre-se, deve refletir com
exatidão o termo de inscrição em dívida ativa. A propositura da
execução fiscal em face de terceiros não elencados na CDA enseja
nulidade, ressalvadas as hipóteses de redirecionamento da execução
fiscal.
Com efeito, o redirecionamento da execução fiscal prescinde da
inclusão do nome do sócio e/ou do responsável na CDA, sendo
suficiente que a Fazenda demonstre o preenchimento dos requisitos
previstos no art. 135 do CTN, sem que haja nulidade na hipótese.
A inclusão do nome do sócio ou responsável na CDA traz como grande
vantagem a inversão do ônus da prova em desfavor daquele, na medida
em que a CDA gozade presunção relativa de veracidade, cabendo
àquele em face do qual a execução fiscal foi redirecionada desconstituir
tal presunção. Tal entendimento é acolhido pelo STJ, inclusive, em sede
de recursos repetitivos (REsp. nº 1.104.900/ES).
Legitimidade passiva na
Inciso V 
Inciso VI 

execução fiscal
No vídeo a seguir, o professor Rodrigo Farias apresenta exemplos das
diversas hipóteses de legitimidade passiva na execução fiscal.
Competência
Há diversos critérios definidores da competência para o processo e o
julgamento de execuções fiscais. De início, analisaremos a competência
em razão da pessoa, critério esse que, relembre-se, uma vez
descumprido, enseja a incompetência absoluta, nos termos do art. 62
do CPC. Vamos conhecer agora as competências:
 Justiça Federal
Se a execução fiscal for ajuizada pela União, suas
autarquias ou fundações de direito público, por
força do art. 109, I, da CF/1988. No caso dos
conselhos de fiscalização profissional, que,
segundo entendimento do STF, equiparam-se às
autarquias, igualmente a competência será
atribuída à Justiça Federal, nos termos da Súmula
nº 66 do STJ.
 Supremo Tribunal Federal
A ã fi l j i d f d E t d
A execução fiscal ajuizada em face de Estado
estrangeiro ou organismo internacional, em razão
do disposto no art. 102, I, e, da CF/1988. A seu
turno, a execução fiscal de multa imposta pelo
Ministério do Trabalho é de competência da Justiça
do Trabalho, como estabelece o art. 114, VII, da
CF/1988.
 Justiça do Trabalho
A execução fiscal de multa imposta pelo Ministério
do Trabalho é de competência da Justiça do
Trabalho, como estabelece o art. 114, VII, da
CF/1988.
 Justiça Eleitoral
É competente para processar e julgar execuções
fiscais relativas a multas eleitorais (art. 367, IV, do
Código Eleitoral [CE] c/c art. 109, I, da CF/1988),
assim como as ações anulatórias de débito
decorrente de multa eleitoral igualmente são de
competência da Justiça Eleitoral, como esposado
na Súmula 374 nº do STJ.
Residualmente, caso promovida a execução fiscal por estado ou
município, estaremos diante de competência da Justiça Estadual, nos
termos do art. 125 da CF/1988.
Quanto à competência territorial, pelo art. 46, § 5º, do CPC, a execução
fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou
no do lugar onde for encontrado. Com efeito, a previsão parece melhor
direcionada à União, que tem atuação em todo o território nacional,
diversamente de estados e municípios, cuja estrutura das respectivas
procuradorias é distribuída no âmbito de seu território, como regra.
Tomando esse e outros inconvenientes resultantes desse dispositivo, há
entendimento doutrinário no sentido de que a regra deve ser
interpretada conforme a Constituição, para que as execuções fiscais
sejam propostas nos limites territoriais do ente tributante (RODRIGUES,
2017, p. 46). O artigo foi impugnado no bojo da ADI nº 5.492, pendente
de julgamento.
Procedimento
A execução fiscal é deflagrada por meio da propositura da petição
inicial.
Relembrando
O procedimento executivo fiscal é disciplinado subsidiariamente pelo
disposto no CPC às execuções de iniciativa particular, como estabelece
o art. 1º da LEF.
Pelo art. 6º da LEF, a petição inicial indicará apenas o juízo a quem for
dirigida, o pedido e o requerimento de citação, e deve ser instruída com
a CDA, como estabelece seu § 1º. Pelo § 2º, a petição inicial e a CDA
podem constituir um único documento, o que, na praxe forense, é
bastante comum. O valor da causa na execução fiscal corresponde ao
valor da dívida, com os encargos legais, nos termos do art. 6º, § 4º, da
Lei nº 6.830/1980.
A decisão do juízo que admitir a petição inicial importará na ordem para
as providências elencadas nos incisos do art. 7º da LEF:

Citação
Pelas modalidades previstas no art. 8º.

Ordem de penhora
Se não for paga a dívida, nem garantida a execução, por meio de
depósito, fiança ou seguro garantia

Arresto
Se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar.

Registro da penhora ou do arresto
Independentemente do pagamento de custas ou outras despesas,
observado o disposto no art. 14.

Avaliação
Avaliação dos bens penhorados e arrestados.
Passemos a ver, brevemente, as referidas providências elencadas no art.
7º da Lei nº 6.830/1980.
Citação (art. 7º, I)
A citação em execução fiscal é disciplinada no art. 8º da LEF. A ordem
de citação em execução fiscal destina-se a cientificar o executado para
que, no prazo de cinco dias, pague a dívida com os juros, a multa de
mora e os encargos indicados na CDA, ou garanta a execução.
Quanto à modalidade de citação, como regra, a citação em execução
fiscal será postal, salvo se a Fazenda requerer a realização da citação de
outra forma, na forma do art. 8º, I, da Lei nº 6.830/1980. A utilização de
modalidade citatória diversa exige parcimônia por parte da Fazenda
Pública, na medida em que a citação postal tem baixo custo e relativa
celeridade em sua realização, em comparação com as demais.
Pelo inciso II do art. 8º, a citação pelo correio considera-se feita na data
da entrega da carta no endereço do executado.
Se a data for omitida, no aviso de recepção, dez dias após a entrega da
carta à agência postal. Em complemento, o inciso III do art. 8º da lei
estabelece que, se o aviso de recepção não retornar no prazo de 15 dias
da entrega da carta à agência postal, a citação será feita por oficial de
justiça ou por edital.
Também é cabível a citação por hora certa em sede de execução fiscal,
com base no art. 252 do CPC e da Súmula nº 196 do STJ, ambos
aplicados subsidiariamente à execução fiscal. Relembre-se que a
citação por hora certa será utilizada quando, por duas vezes, o oficial de
justiça houver procurado o citando em seu domicílio ou residência sem
encontrá-lo, devendo, havendo suspeita de ocultação, intimar qualquer
pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho de que, no dia útil
imediato, voltará, a fim de efetuar a citação, na hora que designar.
No dia e na hora designados, o oficial de justiça, independentemente de
novo despacho, comparecerá ao domicílio ou à residência do citando, a
fim de realizar a diligência. Se o citando não estiver presente, ele
procurará informar-se das razões da ausência, dando por feita a citação,
ainda que o citando tenha se ocultado em outra comarca, seção ou
subseção judiciárias, como prevê o art. 253, caput e § 1º CPC.
Atenção
Frise-se que, consoante entendimento do STJ firmado em sede de
recursos repetitivos (REsp. nº 1.102.431/RJ, rel. min. Luiz Fux, 1ª Seção,
julgado em 9/12/2009, DJe 1/2/2010), a Súmula nº 106 do STJ é
aplicável às execuções fiscais. Segundo o verbete, “proposta a ação no
prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos
inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da
arguição de prescrição ou decadência”.
Penhora
Se não for paga a dívida, nem garantida a execução, por meio de
depósito, fiança ou seguro garantia (art. 8º, II).
A penhora, em apertadíssima síntese, é o ato judicial de constrição de
bens do executado, com vistas à satisfação do crédito do exequente.
São seus desdobramentos:
Em relação aos débitos tributários, é importante destacar a
previsão do art. 185-A do CTN. Com efeito, caso o executado não
pague a dívida, não nomeie bens à penhora, nem sejam
encontrados bens penhoráveis, o juízo determinará a
indisponibilidade de bens e direitos do executado, comunicando
a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e
entidades que promovem registros de transferência de bens,
especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a
fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a
ordem judicial, limitada a indisponibilidade ao valor total exigível.
A indisponibilidade tem feição cautelar, destinada a assegurar a
efetividade da execução. Assim, o magistrado nãotem o dever
de decretá-la, cabendo avaliar se estão presentes ou não os
requisitos do art. 300 do CPC, quais sejam, a probabilidade de
existência do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil
do processo (nesse sentido, THEODORO JR., 2011, p. 113).
A fraude à execução fiscal tem disciplina própria no art. 185 do
CTN, além daquela genericamente prevista no art. 792 do CPC.
Indisponibilidade de bens 
Fraude à execução fiscal 
Pelo mencionado artigo, presume-se fraudulenta a alienação ou
oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo
em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário
regularmente inscrito como dívida ativa.
De acordo com o parágrafo único desse artigo, se o sujeito
passivo reservar bens ou rendas suficientes ao pagamento do
total da dívida inscrita, não restará configurada a fraude à
execução fiscal.
O art. 11 da Lei nº 6.830/1980 estabelece regra própria de
preferência de bens para a penhora. Trata-se, como dito, de
ordem preferencial, podendo ser excepcionada no caso concreto,
atendido, em especial, o princípio da menor onerosidade da
execução, previsto no art. 805 do CPC.
Realizada a penhora, o executado será intimado, na pessoa de
seu advogado e por publicação em órgão oficial, de sua
realização, para que tome ciência, nos termos do art. 12 da LEF.
Frise-se que, em se tratando de autos eletrônicos, a intimação da
penhora poderá dar-se por meio de portal próprio, como prevê o
art. 5º da Lei nº 11.419/2006.
Em se tratando de intimação em comarca do interior, de acordo
com o art. 12, § 1º, a intimação da penhora se dará por correio.
Tal regra precisa ser interpretada em conjunto com o caput do
artigo, pois, se houver órgão oficial de publicação de atos
processuais, tal forma de intimação será preferida à postal, em
nome da maior simplicidade que aquela modalidade tem, o que
prestigia a duração razoável da execução (RODRIGUES, 2021, p.
189).
A substituição da penhora pode dar-se a requerimento do
executado ou da Fazenda, ambos disciplinados pelo art. 15 da
Ordem de preferência de bens para a penhora 
Intimação da penhora 
Substituição e reforço da penhora 
Lei nº 6.830/1980. O reforço da penhora, a seu turno, dá-se a
pedido da Fazenda Pública.
Em se tratando de pedido de substituição da penhora formulado
pelo executado, o inciso I do art. 15 da Lei nº 6.830/1980 permite
a substituição da penhora por depósito em dinheiro, fiança
bancária ou seguro garantia. Relembre-se que o art. 9º da LEF
prevê que o executado ofereça, em garantia da execução fiscal,
dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia, nomeie bens à
penhora, obedecida a ordem do art. 11, ou indique bens
oferecidos por terceiros para tanto, com aceitação da Fazenda.
Diversamente do oferecimento de garantia inicial da execução
fiscal por meio de fiança bancária ou seguro garantia, que, à luz
do art. 9º, I da LEF, foram tratados da mesma forma que o
dinheiro, a substituição da penhora em dinheiro por fiança
bancária ou seguro garantia não constitui direito subjetivo do
executado.
Com efeito, o dinheiro é o primeiro bem da ordem preferencial de
penhora constante do art. 11 da Lei nº 6.830/1980, e sua
substituição depende da demonstração de que inexistirá prejuízo
à efetividade da execução e resguardo à menor onerosidade da
execução (nesse sentido, AgInt. no REsp. nº 1.447.376/SP, rel.
min. Benedito Gonçalves, 1ª Turma, julgado em 24/10/2017, DJe
10/11/2017).
Por sua vez, a substituição ou o reforço da penhora a
requerimento da Fazenda Pública, disciplinados pelo art. 15, I, da
Lei nº 6.830/1980, têm como principal viés interpretativo a
efetividade da execução e o respeito ao princípio da menor
onerosidade da execução. Demonstrada a baixa liquidez do bem
penhorado, ou ainda sua imprestabilidade para fins de satisfação
do credor, seja por meio de alienação ou de adjudicação, caberá
sua substituição por outros bens, a despeito da ordem
preferencial do art. 11 da LEF.
O reforço da penhora ocorrerá nas hipóteses em que o bem ou o
conjunto de bens penhorados mostrar-se insuficientes para
garantir a execução. Assim, deverão ser buscados outros bens
para reforço da garantia.
Defesas do executado
Os embargos à execução fiscal e à exceção de pré-executividade são os
principais meios de defesa do executado em sede de execução fiscal.
Também é possível cogitar o uso da ação anulatória de débito fiscal, que
tem como pretensão a declaração de nulidade do lançamento tributário
ou do auto de infração. Neste item, trataremos dos embargos à
execução fiscal e da exceção de pré-executividade, ao passo que a ação
anulatória será trabalhada no módulo seguinte, ao vermos as ações
antiexacionais.
Embargos à execução fiscal
A defesa do sujeito passivo em sede de execução fiscal se dá por
oposição de embargos à execução, disciplinados no art. 16 da LEF. Os
embargos à execução fiscal têm natureza jurídica de ação autônoma,
embora sejam apensados aos autos da execução fiscal nos mesmos
moldes dos embargos à execução civil, aplicando-se à hipótese o art.
914, § 2º, do CPC.
Competência
A competência para a oposição de embargos à execução segue, como
regra, o disposto no art. 914, § 1º, do CPC:
Serão distribuídos por dependência aos autos da
execução fiscal, seguindo a mesma sistemática de
competência antes vista.
Por sua vez, em se tratando de execução por carta (execução em que os
atos expropriatórios são realizados em juízo de competência territorial
diversa do juízo da execução fiscal, por meio de carta precatória), por
força do art. 20 da LEF, os embargos do executado serão oferecidos no
juízo deprecado, que os remeterá ao juízo deprecante, para instrução e
julgamento.
A seu turno, pelo art. 20, parágrafo único, da LEF, quando os embargos
tiverem por objeto vícios ou irregularidades de atos do próprio juízo
deprecado, caber-lhe-á unicamente o julgamento dessa matéria. Trata-
se de regra especial, em comparação com o art. 914, § 2º, do CPC,
segundo a qual os embargos serão oferecidos no juízo deprecante ou no
juízo deprecado, mas a competência para julgá-los é do juízo
deprecante, salvo se versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da
penhora, da avaliação ou da alienação dos bens efetuadas no juízo
deprecado.
Prazo
Quanto ao prazo, conforme a literalidade do art. 16 da LEF, os embargos
à execução devem ser opostos no prazo de 30 dias, os quais serão
contados do depósito (inciso I), da juntada da prova da fiança bancária
ou do seguro garantia (inciso II), ou da data da intimação da penhora
(inciso III).
 Inciso I
Depósito
Há julgados do STJ entendendo que a contagem
deve ser feita a partir da intimação do depósito
(nessa linha, REsp. nº 1.690.521/SP, rel. min.
Herman Benjamin, 2ª Turma, julgado em 19/9/2017,
DJe 10/10/2017), não obstante o tribunal também
ter decisões aplicando a literalidade do art. 16, I, da
LEF, contando o referido prazo a partir da data do
depósito (a título de exemplo, REsp. nº 713.507/PR,
rel. min. Luiz Fux, 1ª Turma, julgado em 12/12/2006,
DJ 15/2/2007, p. 214).
 Inciso II
Juntada da prova da fiança bancária ou do
seguro garantia
A despeito de sua disposição literal, há
entendimento doutrinário e jurisprudencial no
sentido de que o prazo para oposição de embargos
à execução fiscal somente será contado a partir da
data da intimação da lavratura de termo de penhora,
interpretando-se sistematicamente os incisos II e III
do art. 16 da LEF (nessa linha, RODRIGUES, Direito
Processual administrativo e judicial tributário. Op.
cit., 2021, p. 201-203; AgRg. no REsp. nº
1.156.367/MG, rel. min. Napoleão Nunes Maia Filho,
1ª Turma, julgado em 24/9/2013, DJe 22/10/2013).
Garantia do juízo
A oposição de embargos à execução fiscal tem como requisito
específico de admissibilidade a garantia do juízo, como previsto no art.
16, § 1º, da LEF. Trata-se de sistemática especial e diversa daquela
prevista para os embargos à execução disciplinados peloCPC, que, em
seu art. 914, dispensa a realização de penhora, depósito ou caução para
fins de admissibilidade dos embargos.
O STJ, em sede de recursos repetitivos, assentou que a exigência de
garantia do juízo para oposição de embargos à execução fiscal
remanesce, a despeito de o CPC, desde o advento da Lei nº
11.232/2005, dispensá-la (à luz do CPC de 1973, REsp. nº 1.272.827/PE,
rel. min. Mauro Campbell Marques, 1ª Seção, julgado em 22/5/2013,
DJe 31/5/2013; AgInt. no REsp. nº 1.699.802/RJ, rel. min. Benedito
Gonçalves, 1ª Turma, julgado em 21/3/2019, DJe 26/3/2019).
Dica
Não se trata de exigência absoluta, porém. O STJ tem julgados
entendendo pela possibilidade de dispensa da garantia do juízo, sendo
comprovada a hipossuficiência patrimonial do devedor,
independentemente da concessão de gratuidade de justiça em favor do
executado (nesse sentido, AgInt. no REsp. nº 1.836.609/TO, rel. min.
Gurgel de Faria, 1ª Turma, julgado em 7/6/2021, DJe 16/6/2021). O ônus
da prova da insuficiência de recursos para garantir o juízo compete ao
devedor.
Efeitos
Os embargos à execução, como regra, não têm efeito suspensivo. A
concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução fiscal
depende do preenchimento dos requisitos previstos no art. 919, § 1º, do
CPC:
 Inciso III
Data da intimação da penhora
Realizada a penhora, deverá haver a intimação do
executado a respeito, sendo certo que o prazo para
oposição de embargos à execução fiscal daí será
contado.
i. Requerimento do embargante;
ii. Garantia do juízo;
iii. Preenchimento dos requisitos para concessão de tutela provisória
(probabilidade de existência do direito e perigo de dano/risco ao
resultado útil do processo).
Há, contudo, uma exceção. Em se tratando de execução fiscal garantida
por depósito integral em dinheiro, pelo art. 32, § 2º, da LEF, após o
trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado,
será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante
ordem do juízo competente. Dessa forma, nesse caso, se o
levantamento somente pode ocorrer após o trânsito em julgado,
evidentemente, não será possível realizar atos expropriatórios no curso
da execução fiscal antes do trânsito em julgado dos embargos à
execução.
Matérias passíveis de alegação em sede de embargos
A defesa do executado nos embargos pode versar sobre qualquer
matéria de seu interesse, conforme autoriza o art. 16, § 2º, da LEF, aos
mesmos moldes do disposto no art. 917 do CPC. O fundamento para
tanto é o fato de que a execução fiscal é lastreada em título executivo
extrajudicial, não sendo precedida de fase cognitiva, razão pela qual
deve ser oferecida ao embargante a possibilidade de se opor à
execução por meio de mecanismo processual de cognição plena.
Matérias passíveis de alegação em sede de embargos
Há, em síntese, três recursos cabíveis em face das decisões proferidas
em sede de embargos à execução:

Agravo de instrumento

Apelação

Embargos infringentes de alçada
Relembre-se ainda que, por força do art. 1022 do CPC, os embargos de
declaração são cabíveis em face de qualquer decisão judicial.
Começaremos analisando o cabimento do agravo de instrumento.
Os embargos à execução têm natureza de ação de conhecimento.
Nesse sentido, o regime de recorribilidade das decisões interlocutórias
proferidas em seu curso segue a sistemática do art. 1015, caput, do
CPC: somente as decisões interlocutórias previstas no rol do dispositivo
admitem impugnação por agravo de instrumento (e.g., decisão que
verse sobre tutela provisória, prevista no art. 1015, I, do CPC).
Quanto às demais decisões interlocutórias proferidas na fase de
conhecimento dos embargos à execução, estas não vão precluir de
imediato, podendo ser impugnadas em sede de preliminar de recurso de
apelação ou de contrarrazões, como estabelece o art. 1009, § 1º, do
CPC.
A apelação é o recurso cabível em face da sentença nos embargos à
execução, aplicando-se o art. 1009 do CPC.
Atenção
Em se tratando de apelação interposta em face de sentença que julgou
improcedente ou extinguiu sem resolução do mérito os embargos à
execução, o recurso não será dotado de efeito suspensivo ope legis,
aplicando-se o art. 1012, § 2º, II, do CPC.
O art. 34 da LEF prevê ainda modalidade recursal específica para as
sentenças proferidas em embargos à execução de valor igual ou inferior
a 50 obrigações reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTNs): os
embargos infringentes de alçada.
A ORTN foi um título público federal extinto pelo Decreto-lei nº
2.284/1986 e substituído, ao longo dos anos, por diversos outros títulos,
até a unidade fiscal de referência (Ufir), a qual deixou de existir a partir
da Medida Provisória nº 1.973-67, de 26 de outubro de 2000, que foi
sucessivamente reeditada até ser convertida na Lei nº 10.522/2002.
Assim, para fins de análise do cabimento de embargos infringentes de
alçada, deverá ser levada em consideração a Ufir, e não a ORTN.
O STJ, no julgamento do REsp. nº 1.168.625, julgado sob o regime dos
recursos repetitivos, consolidou a tese de que 50 ORTNs correspondem
a 308,50 Ufirs, os quais equivaliam a R$ 328,27 em janeiro de 2001, valor
esse corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
Especial (IPCA-E) a partir de então e que, para fins de cabimento dos
embargos infringentes de alçada, deverá ser considerado tendo como
referência a data de propositura da execução fiscal.
Exceção de pré-executividade
A execução de pré-executividade, também denominada objeção de pré-
executividade, é meio de defesa do executado em sede de execução
fiscal que não tem previsão legal expressa. Trata-se de construção
doutrinária de Pontes de Miranda (ver MIRANDA, 1974), a qual
encontrou acolhida na jurisprudência.
A Súmula nº 393 do STJ elenca os requisitos para que a exceção de pré-
executividade possa ser manejada: a exceção deve versar sobre
matérias cognoscíveis de ofício e que não demandem dilação
probatória. Caso seja necessário alegar matérias que não sejam
cognoscíveis de ofício ou que exijam a apresentação de provas, a
exceção não é defesa adequada, devendo ser utilizados os embargos
(RODRIGUES, 2021, p. 217).
Em relação aos embargos à execução, a exceção de pré-executividade
tem duas vantagens:
De início, não há a exigência de garantia do juízo para que a exceção
seja admitida;
A exceção de pré-executividade não está sujeita a prazo, considerando
que versa sobre questões cognoscíveis de ofício, ou seja, que o
magistrado pode conhecer independentemente de provocação de
quaisquer das partes.
Suspensão da execução fiscal
A suspensão da execução fiscal é disciplinada pelo art. 40 da Lei nº
6.830/1980. Duas são as hipóteses que ensejam a suspensão da
execução fiscal:

A não localização do devedor

Quando não forem encontrados bens
penhoráveis
Estando caracterizado ao menos um desses casos, o juiz determinará a
suspensão da execução fiscal, abrindo vista dos autos ao representante
judicial da Fazenda, nos termos do art. 40, § 1º, da LEF, quando terá
início o prazo de um ano, previsto no art. 40, § 2º, para que o devedor
e/ou os bens penhoráveis sejam localizados.
Findo esse prazo de um ano sem que o devedor ou os bens penhoráveis
sejam localizados, o juiz ordenará o arquivamento dos autos, quando,
então, terá início o prazo de prescrição intercorrente, como deixa claro a
Súmula nº 314 do STJ. Findo esse prazo sem que o devedor ou os bens
penhoráveis sejam localizados, terá ocorrido a prescrição intercorrente,
a ensejar a extinção do processo com resolução do mérito, nos termos
do art. 487, II, do CPC.
O STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp. nº 1.340.553/RS, rel. min.
Mauro Campbell Marques, 1ª Seção, julgado em 12/9/2018, DJe
16/10/2018), firmou entendimento no sentido de que o prazo de um ano
tem início a partir da primeira medida de localização do devedor ou de
constrição patrimonial que seja negativa.
Segundo entendimento firmado pelo STJ, o prazo deprescrição
intercorrente tem início automaticamente após o decurso do prazo de
um ano, sendo interrompido com a primeira medida executiva positiva
ocorrida dentro do prazo prescricional, seja a citação do devedor, seja a
realização de ato de constrição patrimonial. Caso a medida seja
requerida dentro do prazo quinquenal, porém, e somente seja efetivada
após o referido prazo, aplicar-se-á a Súmula nº 106 do STJ, eis que a
Fazenda Pública foi diligente e não poderá sofrer prejuízo em razão da
demora da atividade jurisdicional.
Frise-se que, antes de ser declarada a ocorrência de prescrição
intercorrente, pelo art. 485, § 4º, da LEF, o representante judicial da
Fazenda deve ser ouvido, não obstante o juiz possa declarar a
prescrição intercorrente de ofício.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(MS Concursos – 2016 – Creci – 1ª Região/RJ – Advogado) No que
tange à execução fiscal, assinale a alternativa em conformidade
com o ordenamento jurídico brasileiro:
A
Até a decisão de segunda instância, a certidão de
dívida ativa poderá ser emendada ou substituída,
assegurada ao executado a devolução do prazo
para embargos.
B
A dívida ativa regularmente inscrita goza da
presunção absoluta de certeza e liquidez.
C
A execução fiscal será proposta no foro de domicílio
do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for
encontrado.
D
A produção de provas pela Fazenda Pública
depende de requerimento na petição inicial.
E
O prazo para oferecimento dos embargos à
execução é de dez dias da lavratura do auto de
penhora.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A competência na execução fiscal segue o disposto no art. 46, § 5º,
do CPC, que prevê tais foros como concorrentes para sua
propositura.
Questão 2
(Vunesp – 2014 – Desenvolvesp – Advogado) Encontra previsão
expressa no procedimento que rege a execução fiscal:
Parabéns! A alternativa D está correta.
A prescrição intercorrente é disciplinada de maneira expressa pelo
art. 40, § 4º, da LEF.
A A exceção de pré-executividade.
B A prescrição intercorrente.
C
A presunção absoluta de liquidez e a certeza da
dívida ativa regularmente inscrita.
D A denúncia espontânea.
E A impenhorabilidade de plantações.
3 - Ações antiexacionais
Ao fim do módulo, você será capaz de listar as principais ações antiexacionais.
Ações antiexacionais: noções
gerais
Conceitualmente, as ações antiexacionais são ações de iniciativa do
sujeito passivo e com a pretensão de atacar uma exação tributária, atual
ou eventual. Como principais ações tributárias em espécie, podem-se
mencionar:
 O mandado de segurança tributário
 A ação anulatória
 A ação declaratória
Frise-se que os embargos à execução fiscal igualmente são espécie de
ação antiexacional, tendo sido tratados ao estudarmos a execução
fiscal, no módulo anterior.
Competência
A competência nas ações antiexacionais não tem norma específica,
sendo disciplinada pelas disposições acerca da competência para as
ações em que a Fazenda Pública figure no polo passivo da demanda e
que foram tratadas no módulo anterior, ao falarmos sobre a execução
fiscal.
Suspensão da exigibilidade do crédito tributário
Deve-se frisar que a mera propositura de ação antiexacional não induz à
suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por não estar elencada
entre as causas de suspensão previstas no art. 151 do CTN.
Na seara judicial, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pode
ocorrer nas hipóteses em que o autor efetuar seu depósito integral (art.
151, II, do CTN), pela concessão de medida liminar em mandado de
segurança (art. 151, IV, do CTN), ou pela concessão de medida liminar
ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (art. 151, V,
do CTN).
Atenção
Frise-se que, consoante entendimento sumulado do STJ, em sua Súmula
nº 112, o depósito somente suspende a exigibilidade do crédito
tributário se for integral e em dinheiro.
Assim, o oferecimento de fiança bancária ou outra modalidade de
garantia não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito,
como, inclusive, decidido pelo mesmo tribunal em sede de recurso
 A ação de consignação em pagamento
 A ação de repetição de indébito
especial repetitivo (REsp. nº 1.156.668/DF, rel. min. Luiz Fux, 1ª Seção,
julgado em 24/11/2010, DJe 10/12/2010).
Dispensa de depósito prévio
Relembre-se, no ponto, o teor da Súmula Vinculante nº 28, segundo a
qual é inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de
admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a
exigibilidade de crédito tributário, tornando a parte final do art. 38 da LEF
não recepcionada pela CF/1988.
Feitas tais considerações, passa-se a tratar das ações antiexacionais
em espécie, a começar pelo mandado de segurança tributário.
Mandado de segurança
tributário
Conceitualmente, o mandado de segurança é o remédio constitucional
para a defesa de direito líquido e certo que fora lesado ou esteja
ameaçado de lesão por ato de autoridade pública ou por particular no
exercício de função pública. Tem previsão no art. 5º, LXIX e LXX, da
CF/1988 e, no plano infraconstitucional, é disciplinado pela Lei nº
12.016/2009.
Impetrante
Autor do mandado de segurança.
Autoridade coatora
Autoridade responsável pela prática do ato alegadamente lesivo ou em
vias de ser praticado.
Direito líquido e certo
Direito líquido e certo é o direito passível de demonstração por meio de
prova documental pré-constituída, cabendo ao impetrante instruir sua
petição inicial com os elementos de convicção suficientes, a demonstrar
a existência e a extensão de seu direito. Em outras palavras, o mandado
de segurança é ação que não admite dilação probatória.
Frise-se que, na hipótese em que os documentos necessários à prova
das alegações do impetrante se encontrarem em repartição ou
estabelecimento público, ou em poder de autoridade que se recuse a
fornecê-los por certidão ou de terceiro, segundo o art. 6º, § 1º, da Lei nº
12.016/2009, o juiz ordenará, preliminarmente, por ofício, a exibição
desse documento em original ou em cópia autêntica e marcará, para o
cumprimento da ordem, o prazo de dez dias.
A ausência de provas acerca do direito líquido e certo alegadamente
titularizado pelo impetrante enseja a extinção do mandado de segurança
sem resolução do mérito, considerando-se que a prova do direito líquido
e certo é um pressuposto processual específico do writ (nesse sentido,
GRECO, 2015, p. 238).
Prazo
O mandado de segurança, segundo o art. 23 da Lei nº 12.016/2009,
deve ser impetrado no prazo de 120 dias, a contar da data da ciência do
ato impugnado. O STF, em sua Súmula nº 632, pacificou entendimento
no sentido da constitucionalidade da fixação de prazo para a impetração
de mandado de segurança.
Quanto à sua natureza jurídica, o prazo para impetração de mandado de
segurança tem natureza decadencial, razão pela qual, uma vez iniciado,
não se suspende, nem se interrompe e, uma vez exaurido, extingue o
direito à impetração.
Atenção
É importante destacar que, segundo entendimento do STJ, caso o
término do prazo para impetração ocorra em dia não útil, em nome do
direito de acesso à justiça, será prorrogado para o primeiro dia útil
seguinte (AgInt. no MS nº 22.654/DF, rel. min. Sérgio Kukina, 1ª Seção,
julgado em 10/8/2016, DJe 18/8/2016).
Em se tratando de mandado de segurança impetrado em face de ato
omissivo, o prazo para impetração será contado a partir do momento
em que estiver esgotado o prazo legalmente previsto para atuação da
autoridade. Caso não exista previsão de prazo para a prática do ato, o
mandado de segurança poderá ser proposto, demonstrando-se que a
omissão tornou-se lesiva dentro dos 120 dias pretéritos (RODRIGUES,
2021, p. 273).
Atos passíveis de mandado de segurança
O mandado de segurança é instrumento para que sejam impugnados
atos de autoridade pública ou de particular investida no exercício de
função pública. Concernenteà matéria tributária, como exemplo da
primeira espécie, tem-se o caso do ato de lançamento tributário e, como
exemplo da segunda espécie, atos de cobrança de contribuições
devidas aos serviços sociais autônomos, cujas contribuições têm
natureza tributária em razão do disposto no art. 149 da CF/1988.
Alguns atos de autoridade em espécie ensejam tratamento próprio, para
fins da análise do cabimento de mandado de segurança. O primeiro
deles é o ato de autoridade que nega o direito à repetição de indébito.
Nesse caso, o cabimento de mandado de segurança é afastado pela
Súmula 269 nº do STF, segundo a qual o mandado de segurança não é
substituto de ação de cobrança.
 Compensação tributária
No que tange à compensação tributária, o mandado
de segurança pode ser utilizado para que a
autoridade coatora seja compelida a promover a
compensação, hipótese em que o sujeito passivo
deve instruir sua petição inicial com documentos
que comprovem os valores indevidamente
recolhidos (nessa linha, REsp. nº 1.365.095/SP, rel.
min. Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Seção, julgado
em 13/2/2019, DJe 11/3/2019, decidido em sede
de recursos repetitivos), ou para declarar o direito à
compensação tributária, a ser buscada
administrativamente pelo sujeito passivo (nesse
sentido, inclusive, é a redação da Súmula nº 213 do
STJ).
 Leis tributárias
Em relação às leis tributárias, deve-se atentar para a
redação da Súmula nº 266 do STF, segundo a qual
não cabe mandado de segurança em face de lei em
tese (ou seja, lei dotada de generalidade e
abstração). Isso porque, em tal hipótese, o
mandado de segurança atuaria como substituto de
ação de controle concentrado de
constitucionalidade.
Por sua vez, acerca das leis de efeitos concretos, o mandado de
segurança é via adequada para sua impugnação, com vistas à obtenção
de sua declaração incidental de inconstitucionalidade (e.g., lei
concessiva de isenção a contribuinte em específico).
Legitimidade ativa para o mandado de segurança
Em razão de sua natureza de remédio constitucional, o mandado de
segurança tem legitimidade ampla, à luz do art. 5º, LXIX, da CF/1988, e
do art. 1º da Lei nº 12.016/2009: qualquer pessoa física ou jurídica é
parte legítima para impetrar mandado de segurança.
Da mesma forma, pessoas jurídicas de direito público e órgãos públicos
despersonalizados, desde que, no último caso, tenham status
constitucional, são igualmente legitimados à propositura de mandado
de segurança.
Legitimidade passiva para o mandado de segurança
Quanto à legitimidade passiva, prevalece em doutrina e jurisprudência o
entendimento segundo o qual o polo passivo do mandado de segurança
deve ser ocupado pela pessoa jurídica em relação à qual a autoridade
coatora integra (a título de exemplos, em sede doutrinária, FIGUEIREDO,
2004, p. 374, e, em sede jurisprudencial, REsp. nº 729.658/PA, rel. min.
Luiz Fux, 1ª Turma, julgado em 4/9/2007, DJ 22/10/2007, p. 192).
Autoridade coatora
A autoridade coatora, segundo o art. 6º, § 3º, da Lei nº 12.016/2009, é a
autoridade que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a
ordem para sua prática. Trata-se, com efeito, do agente público ou
privado no exercício de função pública responsável pela ocorrência do
ato impugnado ou que dá ensejo à omissão para sua prática, tendo
poder decisório a seu respeito.
A autoridade coatora, frise-se, não é parte no mandado de segurança,
conforme entendimento majoritário em doutrina e jurisprudência, mas
deve ser notificada para apresentar informações, nos termos do art. 7º,
I, da Lei nº 12.016/2009, e é parte legítima a interpor recurso em face da
sentença concessiva ou denegatória do mandado de segurança, como
estabelece o art. 14, § 2º, da Lei nº 12.016/2009.
A errônea indicação da autoridade coatora, como regra, não enseja a
extinção do mandado de segurança sem resolução do mérito. Com
efeito, na hipótese, duas providências poderão possivelmente ser
adotadas:

A determinação de emenda da petição
inicial

A aplicação da teoria da encampação
A emenda da petição inicial no mandado de segurança deve ser
determinada pelo magistrado se, quando da admissibilidade da petição
inicial, for constatado que o impetrante apontou erroneamente a
autoridade coatora, sendo a autoridade responsável pelo ato impugnado
integrante da mesma pessoa jurídica. Em tal caso, segundo o art. 321
do CPC, o juízo deve indicar precisamente a autoridade coatora correta,
para que o impetrante corrija a peça inaugural do writ.
A teoria da encampação, por sua vez, segundo a Súmula nº 628 do STJ,
é aplicada no mandado de segurança quando presentes,
cumulativamente, os seguintes requisitos:
Preenchidos tais requisitos, a autoridade que prestou as informações
“encampa” o ato impugnado, não obstante não tenha sido a responsável
por sua prática, manifestando-se acerca de seu mérito. Caso não haja
modificação de competência estabelecida na CF/1988 ou ainda da
 Manifestação a respeito do mérito nas
informações prestadas
 Ausência de modificação de competência
estabelecida na CF/1988
 Existência de vínculo hierárquico entre a
autoridade que prestou informações e a que
ordenou a prática do ato impugnado
competência originária dos tribunais de justiça, como já reconhecido
pelo STJ em alguns julgados (a título de exemplo, REsp. nº
1.656.756/MG, rel. min. Herman Benjamin, 2ª Turma, julgado em
25/4/2017, DJe 5/5/2017), será possível a aplicação da referida teoria.
Liminar em mandado de segurança
A liminar em mandado de segurança é prevista no art. 7º, II, da Lei nº
12.016/2009, permitindo sua concessão para suspensão do ato
impugnado quando houver fundamento relevante e do ato impugnado
puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida,
sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, com o
objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. Duas
considerações são pertinentes aqui.
Embora a lei mencione tão somente a possibilidade de suspensão do
ato impugnado, a liminar em mandado de segurança poderá ter
conteúdo cautelar ou antecipatório dos efeitos da tutela final, aplicando-
se, pois, o art. 301 do CPC, que reconhece o poder geral de cautela do
magistrado (nessa linha, ARAÚJO, 2010, p. 93-94).
O art. 7º, § 2º, da Lei nº 12.016/2009 estabelecia restrições à concessão
de medida liminar em mandado de segurança. O STF, na ADI nº 4.296
(acórdão pendente de publicação), declarou a inconstitucionalidade do
dispositivo. Em matéria tributária, havia a previsão expressa de vedação
à concessão de liminar para compensação de créditos tributários, que
igualmente consta da Súmula nº 212 do STJ.
Procedimento
O procedimento do mandado de segurança, considerando sua natureza
de procedimento especial com vistas à obtenção de tutela célere em
face de atos de autoridade, é bastante simplificado. Passemos em
revista os principais pontos de destaque no que tange ao referido
procedimento.
Estando em ordem a petição inicial, segundo o art. 7º da Lei nº 12.016/,
o juízo deverá ordenar:
Inciso I
Que se notifique o coator do conteúdo da petição inicial, enviando-lhe a
segunda via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de que,
no prazo de dez dias, preste as informações.
Inciso III
Que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa
jurídica interessada, enviando-lhe cópia da inicial sem documentos, para
que, querendo, ingresse no feito.
Se os requisitos para concessão de liminar se apresentarem, os quais
foram vistos ao se tratar da liminar em mandado de segurança, o juiz
deverá conceder igualmente a tutela de urgência, como prevê o inciso II
do art. 7º da Lei nº 12.016/2009. A decisão concessiva ou denegatória
de liminar é impugnável por agravo de instrumento (art. 7º, § 1º, da Lei
nº 12.016/2009).
As informações prestadas pela autoridade coatora destinam-se a trazer
esclarecimentos ao juízo acerca dos fatos narrados pelo impetrante em
sua petição inicial. Tanto que a ausência

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