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Antirreumáticos. Dando enfâse no Tratamento a Artrite Reumátoide (AR). Artrite Reumatóide. ● A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune sistêmica de caráter inflamatório crônico que acomete, primariamente, a sinóvia, mas que também é associada a diversas manifestações extra-articulares. ○ Sinóvia ou Líquido Sinovial → Humor transparente e viscoso que lubrifica as articulações e que é secretado pela membrana sinovial. ● Cujo alvo primário são as articulações, cujo padrão de acometimento é simétrico, aditivo e periférico. Epidemiologia. ● 0,5 - 1% da população. ● Predominância em Mulheres. ● A média de idade ao diagnóstico fica entre a 4ª e 6ª décadas de vida. Etiofisiopatologia. ● A base etiológica da AR envolve mecanismos autoimunes, ou seja, uma resposta imune disfuncional devido à presença de autoantígenos. ● É uma somatória de fatores Genéticos e Ambientais. ● A predisposição genética, isoladamente, é responsável por apenas 10% a 20% de suscetibilidade à AR, com a maioria dos casos ocorrendo em famílias sem histórico da doença. ● O principal componente do risco genético está associado à presença de polimorfismos do gene HLA-DRB1, que codificam uma sequência de aminoácidos específica conhecida como “epítopo compartilhado”. Em pacientes com essa sequência, o processo de apresentação de antígenos ao nosso sistema imune ocorre de forma aberrante, contribuindo para a hiperativação de linfócitos. ● Tabagismo é o fator ambiental mais importante. ● O fato de a doença ser mais prevalente no sexo feminino e de ter risco reduzido durante a gravidez, mas aumentado no puerpério, sugere influência hormonal nesse processo. Outros fatores, como obesidade e consumo de determinados alimentos (ex: carne vermelha e café) também parecem estar relacionados mas ainda carecem de evidências robustas. ● Apesar de controverso, álcool e contraceptivos orais já foram apontados como fatores protetores para a AR ● Inicialmente, esses novos antígenos são apresentados aos linfócitos T, que, por sua vez, estimulam linfócitos B a produzirem autoanticorpos, como o fator reumatoide (FR) e o anti-CCP. Diversos estudos já mostraram que esses anticorpos podem surgir anos antes dos primeiros sinais e sintomas da AR, caracterizando uma fase pré-clínica da doença. Fisiopatologia. O alvo-primário da doença é a membrana sinovial, formada por tecido conjuntivo frouxo e camadas de células internas. Esse ataque às células sinoviais as torna mais espessas por proliferação celular de sinoviócitos e pela invasão de células do sistema linfo-hematopoiético. Há ainda hiperplasia e proliferação vascular, neoangiogênese e infiltrado inflamatório intenso. Ainda na região da membrana sinovial, forma-se um tecido granulomatoso com células gigantes, fibroblastos e macrófagos denominado pannus. Esse tecido pode invadir e induzir degradação do tecido conjuntivo, perda de condrócitos e erosões ósseas, por meio da estimualação da sobrevida de osteoclastos sobre a matriz óssea. Anticorpos e linfócitos T ativados exercem um papel patológico caracterizado pelo estímulo à proliferação das células que compõem a sinóvia e à produção de citocinas inflamatórias, como o fator de necrose tumoral (TNF) e a interleucina 6 (IL-6), que, além de atuarem localmente, também atraem outras células para dentro da articulação, resultando na lesão-chave na AR: Sinovite. Quadro Clínico. ● Articulações periféricas. ● Simétrica. ● Sinais flogísticos nas articulações. ● Rigidez matinal → Os sintomas são mais intensos pela manhã logo ao acordar e após longos períodos de inatividade. Duram mais de 1h (Prolongada). ○ Um dos diagnósticos diferenciais de AR é a osteoartrite, sendo que esta não cursa com rigidez matinal prolongada. ● Poliarticular: + 4 Articulações acometidas. ● Crônica: Presente há mais de 6 semanas. Manifestações Articulares. As mãos são envolvidas na grande maioria dos casos, afetando particularmente os punhos, metacarpofalangeanas (MCF) e interfalangeanas proximais (IFP). Convém pontuar que muito raramente a AR envolve as interfalangeanas distais (IFD) e seu acometimento deve levantar suspeita de diagnósticos diferenciais, como a artrite psoríaca. Outra articulação muito frequentemente acometida é a metatarsofalangeana (MTF). No entanto, qualquer articulação sinovial (diartrodial) pode ser afetada. ● Inicia-se de forma insidiosa (Começo lento). ● Piora progressiva dos sintomas. ● Padrão inflamatório → Melhora com atividade física e piora com repouso. Deformidades observadas. ● Dedos fusiformes. ● Desvio Ulnar. ● Dedos em Pescoço de Cisne → Hiperextensão da IFP e Flexão da IFD. ● Dedo em Betoneira: Flexão da IFP e Hiperextensão da IFD. ● Joelho → Sinal da Tecla e Cisto de Baker. ● Pés. ● Coluna Vertebral. Squezze test. Manifestações Extra-Articulares. ● Fadiga, astenia, mal-estar, redução do apetite e perda de peso. ● As manifestações extra-articulares ocorrem em cerca de 40% dos pacientes com AR e estão associadas à maior taxa de mortalidade. Melhor descristas nos materiais do Estratégia. Manifestações Cutâneas. ● Nódulos Subcutâneos. ○ Presente em cerca de 30% dos pacientes. ○ FR +. ○ Tendem a ser fortes e indolores. ○ Surgem mais frequentemente em áreas de atrito, como cotovelos, superfície extensora dos antebraços e sobre articulações dos dedos. Exames Complementares. Laboratório. ● Hemograma. ● Função Renal e Hepática devido ao possivel uso de GC e AINES para tratamento. ● PCR e VHS → Sinais de inflamação. ● FAN → Fator AntiNuclear, investigar se há doenças autoimunes. Obs: Em caso de dúvida no diagnóstico, podemos solicitar uma artrocentese e encaminhar o líquido sinovial para análise. O líquido típico da AR tem caráter inflamatório e celularidade entre 2.000/mm³ a 50.000/mm³ com 20% a 75% de polimorfonucleares. ● Autoanticorpos → FR (Fator Reumatoide) e anti-CCP. Imagem. ● Serve como diagnóstico e evolução. ● Radiografia é o exame sugerido. ● Imagens bilaterais. ● Inicialmente se espera alterações na Articulação MCF e IFP. ● Em casos mais avançados vemos erosão articular. Diagnóstico. ● Tabelas podem ser vistos no material do EstratégiaMED. ● Presença do sinais que falamos aqui. Diagnóstico Diferencial. ● Artrites infecciosas virais → Hepatites B e C, HIV. ● Chikungunya → Sorologia IgM e IgG. ● Lúpus. Tratamento. Dois grupos de Medicamentos. ● Sintomáticos → Trata os sintomas, não evita progressão da doença. ○ Glicocorticóides e AINES. ● Drogas antirreumáticas modificadoras do curso da doença (DMARDs). ○ Drogas Imunossupressoras. ○ Podem ser: ■ Sintéticas. ■ Biológicas. Obs: Isoladamente, os antimaláricos parecem não alterar radiográfica da AR. Apesar disso, sociedades nacionais e internacionais seguem classificando essas medicações como DMARDs. ● Em caso de uso de GC, usamos Prednisona de 15 mg/dia. ● AINES, respeite a posologia de cada um. Metotrexato. ● Fármaco de primeira escolha no Brasil. ● DMARDs. ● Comprimidos: 2,5 mg. ● Doses: 7,5 mg a 12,5 mg/Semana. ○ Dose Máxima: 25 mg. Obs: Sempre prescrever Ácido Fólico junto com o Metotrexato, devido ao seu mecanismo de ação ele acaba reduzindo os nivéis de ácido fólico no organismo (Inibe a enzima di-hidrofolato redutase). Uma opção é o ácido folínico em doses de 2,5 mg a 5 mg semanais. Os efeitos imunossupressores e tóxicos são devido à inibição da enzima envolvida no metabolismo do ácido fólico, a diidrofolato redutase ● Como o principal mecanismo de excreção do MTX é urinário, devemos ajustar a dose de acordo com o clearance de creatinina (ClCr) e não prescrever essa medicação para pacientes com ClCr● DIvidir a dose em 12/12h ou 8/8h. ● Efeitos Adversos: Náusea, vômito, distensão abdominal, anorexia, cefaleia, anemia hemolítica e outras citopenias (incluindo agranulocitose), rash cutâneo, oligospermia transitória e pneumonite. Leflunomida. ● Pró-Farmaco → Metabólito ativo atua como imunossupressor ao realizar a inibição da enzima diidroorotato desidrogenase, fundamental na síntese das pirimidinas e, consequentemente, no processo de replicação celular. ● Dose padrão: 20 mg/dia. ● Eventos adversos são gastrointestinais (náusea, vômito, diarreia), muco-cutâneos (alopecia, eritema), hipertensão, neuropatia periférica e toxicidade hepática. ● Monitoração: hemograma, creatinina e enzimas hepáticas a cada 4–12 semanas. Pode ser eliminada com a utilização de colestiramina na dosagem de 8 g/3 vezes ao dia, por 11 dias. Antimaláricos. ● Cloroquina e a hidroxicloroquina. ● Menos potentes, e devem ser usados em casos iniciais. ● Somente metade dos pacientes tratados responde ao fármaco. ● Os mecanismos pelos quais os antimaláricos exercem sua funçãoimunomodulatória ainda não são amplamente conhecidos, mas envolvem ações sobre a imunidade inata e celular com bloqueio dos toll-like receptors (TLR) e, consequentemente, redução da síntese de mediadores inflamatórios, como as interleucinas 1-beta, 6 e TNF-alfa. ● São consideradas drogas de depósito, ou seja, distribuem-se e acumulam-se em diversos órgãos e tecidos, além de apresentarem meia-vida longa. É justamente essa particularidade que explica, ao menos em parte, o principal evento adverso associado a essas medicações:Toxicidade retiniana. ● Doses: ○ Sulfato de hidroxicloroquina → Até 6 mg/kg/dia (VO) ○ Difosfato de cloroquina → Até 4 mg/kg/dia (VO)