Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DIMENSÕES 
BIOLÓGICAS E 
BIOQUÍMICAS DA 
ATIVIDADE 
MOTORA
João Francisco Barbieri
Metabolismo anaeróbico 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Reconhecer os princípios do metabolismo anaeróbico.
 Descrever o metabolismo bioenergético anaeróbico alático.
 Explicar o metabolismo bioenergético anaeróbico lático.
Introdução
É possível distinguir os seres vivos pela maneira que produzem sua energia, 
alguns deles fazem-na a partir da matéria inorgânica, como plantas e 
algumas quimiobactérias; já outros, por meio de reações das oxidações 
de compostos orgânicos, por exemplo, seres humanos.
As vias de produção de energia no organismo podem ser divididas 
com relação aos processos bioquímicos que realizam, e aquelas que não 
dependem de oxigênio para fazer a oxidação dos compostos orgânicos 
são conhecidas como vias metabólicas anaeróbicas e formam dois tipos 
distintos, o metabolismo anaeróbico alático e o lático.
Neste capítulo, você estudará como os seres humanos podem pro-
duzir energia pela oxidação de compostos orgânicos na ausência de 
oxigênio, as etapas das vias metabólicas que serão responsáveis pela 
produção de energia no corpo (trifosfato de adenosina [ATP]), bem como 
sua relação com a prática de atividades físicas e esporte.
Metabolismo energético 
O corpo humano precisa de uma produção constante de energia para manter 
suas funções vitais e, para isso, ele apresenta diferentes formas de produção e 
transformação da energia. A energia potencial contida nas diferentes ligações 
dos substratos energéticos, como carboidratos, gorduras e proteínas, é liberada 
em pequenas quantidades devido às diversas reações químicas que sofrem no 
organismo (McARDLE; KATCH; KATCH, 2016).
Durante o exercício físico, as reações químicas catabólicas que visam o 
fornecimento de energia serão influenciadas principalmente pela intensidade e 
duração da atividade. Nessa situação, as vias metabólicas de geração de energia 
estarão atuando em conjunto para que seja fornecida sua devida quantidade 
para a tarefa realizada ser cumprida. 
Existem dois principais mecanismos de transformação de energia — 
um envolve sua produção na ausência de oxigênio e o outro na presença 
dele — que são descritos, respectivamente, como metabolismo anaeróbico 
e aeróbico. O metabolismo aeróbico é caracterizado, sobretudo, pelo supri-
mento de grandes demandas de energia por longos períodos de tempo, sendo 
um processo complexo e envolvendo a atuação de uma organela especial, 
chamada mitocôndria. Pode-se utilizar diversos exemplos de atividades 
físicas que exigem sua participação majoritária, mas para se encaixar nessa 
categoria, é necessário que a prática tenha uma duração longa, de vários 
minutos ou horas, como uma partida de futebol, uma corrida de rua de 5 km, 
uma prova de resistência na natação, etc (LÓPEZ CHICHARRO; LÓPEZ 
MOJARES, 2008).
Já o metabolismo anaeróbico é caracterizado principalmente pela produção 
de energia de forma rápida, com processos menos numerosos e complexos 
(LÓPEZ CHICHARRO; LÓPEZ MOJARES, 2008). Por exemplo, para a 
prática de atividades que exigem a participação predominante desse tipo, 
destacam-se as modalidades de curta duração e alta intensidade, como uma 
corrida de 100 m, uma prova de velocidade na natação, um levantamento 
olímpico, entre outras.
Os processos metabólicos de geração de energia são numerosos e inte-
ressantes, a seguir, você pode ver uma explicação mais detalhada sobre essa 
produção na ausência de oxigênio.
Metabolismo anaeróbico 
O metabolismo anaeróbico divide-se em dois tipos distintos: lático e alático. 
Eles apresentam diferenças marcantes entre si, como velocidade de produção 
de energia, quantidade de energia oferecida ao sistema e estoques presentes 
no organismo, o que infl uencia diretamente no tempo de atuação desse me-
tabolismo durante diferentes atividades.
Metabolismo anaeróbico2
Metabolismo anaeróbico alático
No metabolismo anaeróbico alático, tem-se duas principais fontes de forne-
cimento de energia, o ATP nos tecidos musculares e a fosfocreatina (CP). Por 
isso, ele também é conhecido como sistema ATP-CP.
Trifosfato de adenosina
O ATP é a única fonte de energia que consegue ser utilizada diretamente pelo 
tecido muscular, sendo que todas as vias metabólicas de produção de energia 
devem ressintetizar essa importante molécula. Ele tem níveis constantes no 
organismo, mas apenas em condições de atividade física extrema nota-se 
diminuição em seu conteúdo. Para manter-se, o ATP é constantemente ressin-
tetizado por meio de diversas formas, entre elas, a CP (NELSON; COX, 2014).
O sistema de ATP, juntamente ao CP, oferece uma fonte de energia rápida 
e imediata ao corpo humano e pode ser chamado de fosfagênio, atuando no 
início das atividades, sejam leves, moderadas ou intensas — o que mudará 
é o tempo de contribuição. Por exemplo, um indivíduo que possua 20 kg de 
músculo tem energia proveniente do fosfagênio o suficiente para acionar uma 
caminhada rápida por 1 minuto, ou uma corrida em ritmo moderado por 20 a 
30 segundos, ou ainda uma corrida em velocidade máxima de 5 a 8 segundos 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2016).
A estrutura química do ATP é composta de uma base nitrogenada (ade-
nina), um monossacárido de cinco átomos de carbono (ribose) e três grupos 
de fosfato, conforme apresentado na Figura 1.
Figura 1. Estrutura do trifosfato de adenosina.
Fonte: Rodwell et al. (2017, p. 115).
3Metabolismo anaeróbico
Hidrólise de trifosfato de adenosina intramuscular
A conversão imediata de energia química em mecânica é determinada, 
sobretudo, pela enzima ATPase, localizada na cabeça da miosina, uma das 
proteínas contráteis do músculo. Ela acopla uma molécula de água (H2O) à 
molécula de ATP, e esse processo de hidrólise gera como produto o difosfato 
de adenosina (ADP), o fosfato inorgânico (Pi) e um próton de hidrogênio 
(H+). Trata-se de um processo exergônico que libera energia após a reação 
química, aproximadamente 7,3 kcal de energia livre (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2016).
Diferentemente do que se acredita, a hidrólise de ATP é utilizada em 
diversos processos celulares, não se restringindo somente à contração mus-
cular. Pode-se citar como processos que usam a energia do ATP proveniente 
da hidrólise: a digestão; o transporte de substâncias entre o meio interno e 
o externo da célula — processo chamado de transporte ativo, em que existe 
o gasto de ATP; bem como a transmissão neural (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2016).
A contração muscular é um fenômeno necessário para o movimento e 
somente acontece na presença de ATP, utilizado na proteína miosina pela 
enzima ATPase, que o hidrolisa, gerando como subproduto ADP + Pi e H+. 
Assim, a atividade física aumentará o gradiente de concentração de ADP, Pi 
e H+, de maneira proporcional à vigorosidade e frequência da hidrólise de 
ATP pela ATPase. Já o ADP gerado precisa ser ressintetizado e, para isso, 
passa por uma reação endergônica para transformar-se novamente em ATP. 
As reservas de ATP na célula são muito pequenas, sendo que sua utilização 
se esgota nos primeiros 4 segundos de atividade física intensa. Várias ações 
da vida cotidiana podem esgotar essas reservas de ATP muscular, como 
uma corrida rápida para pegar o ônibus, um levantamento de um objeto e 
em diferentes gestos esportivos, por exemplo, um lançamento de dardo, um 
ataque no vôlei e um arremesso no basquete (McARDLE; KATCH; KATCH, 
2016). A primeira fonte de ressíntese do ATP é a CP, que transferirá seu 
grupo fosfato (Pi) rico em energia para recompor uma molécula de ADP + 
Pi novamente em ATP.
Metabolismo anaeróbico4
Vias de restauração do trifosfato de adenosina 
de forma anaeróbica alática 
Fosfocreatina
Na célula muscular, o ATP é sintetizado pela energia liberada da molécula de 
CP, formada por um grupo Pi ligado à molécula de creatina. Trata-se de um 
processo de restauração simples e rápido, pois consiste em uma transferência 
dogrupo Pi para a molécula de ADP, devido à enzima creatina quinase (CK). 
Essa reincorporação do grupo Pi no ADP o transforma novamente em uma 
molécula de ATP que realizará um novo trabalho biológico. Na Figura 2, você 
pode ver um exemplo de ressíntese de ATP por meio da ação da CP.
Figura 2. Exemplo de ressíntese de trifosfato de adenosina por meio da 
ação da fosfocreatina.
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2016, p. 271).
Na célula muscular, as concentrações de CP são de 3 a 5 vezes maiores 
que as de ATP, portanto, seu tempo de sustentação da atividade física até 
o esgotamento também é maior. As reservas desse composto na célula, em 
sua forma fosforilada, dependem principalmente da intensidade da atividade 
executada, de modo que as mais intensas demandarão um aporte energético 
5Metabolismo anaeróbico
maior e, consequentemente, uma queda nos níveis de CP, considerando que 
essa molécula foi desfosforilada pela ação da CK para ressíntese de ATP. 
A quantidade de CP está diretamente ligada à taxa de reposição do ATP 
e é inversamente proporcional a de creatina. O acoplamento do sistema 
ATP-CP possibilita a diminuição das reservas de CP, mantendo os níveis 
de ATP constantes na célula muscular (LÓPEZ CHICHARRO; LÓPEZ 
MOJARES, 2008). Por exemplo, Sahlin et al. (1997) viram que uma única 
sessão de ciclismo até a exaustão foi capaz de depletar as reservas de CP em 
torno de 40%, quando avaliada a fibra muscular logo após o treino; porém, 
depois de cinco minutos de repouso, seus estoques já haviam voltado aos 
níveis normais.
A literatura relata outros fatores que podem influenciar os níveis de CP no 
organismo, como o volume de massa muscular (sua maior quantidade implica 
em maior quantidade de CP), o tipo de fibra muscular (as fibras do tipo 2 
apresentam até 12% mais CP que as do tipo I), o regime de treinamento (o 
de potência é mais efetivo para o aumento) e a suplementação com creatina 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2016; SNOW; MURPHY, 2003).
O sistema ATP-CP é um dos principais utilizados nos gestos ou nas 
ações motoras de curta duração e elevada intensidade. Por exemplo, no 
esporte, existem diferentes gestos técnicos ou provas que precisam ser 
rápidas e explosivas, como um sprint de 100 metros no atletismo ou uma 
prova de natação de 50 metros, ambos possuem tempo de duração inferior 
a 30 segundos. 
Os esportes apresentam diferentes demandas energéticas, entre elas, há a contribui-
ção dos metabolismos quanto à sua participação, predominante ou determinante. 
A primeira oferece maior quantidade de energia para que a tarefa seja cumprida, 
já a segunda está atrelada ao metabolismo envolvido no gesto motor que será 
decisivo para a pontuação da modalidade. Nos esportes coletivos, a duração 
das partidas pode chegar a horas, o que torna o fornecimento de energia pelo 
metabolismo aeróbico predominante, por exemplo, as modalidades de lutas com 
vários rounds, nas quais, embora de longa duração, os golpes rápidos e explosivos 
decidem a disputa, sendo o metabolismo anaeróbico, nesse caso, determinante 
para o resultado. 
Metabolismo anaeróbico6
A suplementação de creatina, juntamente ao exercício, promove o aumento da concen-
tração de CP no músculo, e sugere-se que ela aconteça localmente, somente os músculos 
envolvidos no exercício apresentam aumento, não se estendendo ao corpo todo. Para 
esse fenômeno, há mecanismos que vão além do fluxo sanguíneo aumentado para a 
musculatura em exercício. Postula-se que a creatina entra nas células por meio de proteínas 
carreadoras específicas nas membranas das células musculares, sendo que o treinamento 
propicia o aumento e transporte delas para dentro do músculo (SNOW; MURPHY, 2003).
A oferta de energia por meio dos sistemas de fosfagênio é limitada, sendo 
que, para atividades de maior duração, outras fontes serão usadas. Já o me-
tabolismo dos nutrientes oferece a maior parte da energia para o organismo 
para as mais diversas situações. Acompanhe, a seguir, como a glicose pode 
contribuir com essa oferta na ausência de oxigênio.
Vias de restauração do trifosfato de adenosina 
de forma anaeróbica lática 
Glicólise anaeróbica
Após a digestão de carboidratos, estes são absorvidos, sobretudo, como mo-
nossacáridos e transformados em moléculas de glicose, levando-as à corrente 
sanguínea e armazenando-as em forma de glicogênio no fígado e nos músculos. 
A glicose é um dos principais substratos energéticos do corpo, bem como o único 
que permite a produção de energia na presença e na ausência de oxigênio. A 
síntese de ATP por meio da utilização de carboidratos na ausência de oxigênio 
chama-se fermentação, um dos processos mais antigos de aquisição de energia. 
No ser humano, as vias anaeróbicas são muito importantes para a prática de 
atividades físicas, sendo a metabólica a que mais fornece energia em atividades 
de alta intensidade mantidas por aproximadamente 120 segundos (McARDLE; 
KATCH; KATCH, 2016).
A glicose é o monossacárido mais abundante na natureza, amplamente 
utilizado como fonte de energia por diversos seres vivos e feito, principalmente, 
por plantas durante a fotossíntese, processo em que gás carbono e H2O são 
transformados nesse composto. Veja a fórmula estrutural da glicose na Figura 3.
7Metabolismo anaeróbico
Figura 3. Fórmula estrutural da glicose.
Fonte: Atkins e Jones (2012, p. 781).
Os níveis sanguíneos de glicose são controlados, principalmente, por fatores 
hormonais, e entre os hormônios que têm ação no seu controle, destacam-se 
os pancreáticos insulina e glucagon.
A insulina é produzida pelas células beta-pancreáticas, sendo considerada 
um dos principais hormônios anabólicos do corpo. Sua principal função se 
trata de estimular a captação da glicose sanguínea por essas células para que 
seja estocada ou utilizada como fonte de energia (NELSON; COX, 2014).
Já o glucagon é produzido pelas células alfa-pancreáticas e considerado 
um dos principais hormônios catabólicos do corpo. Ele atua no aumento de 
glicose na corrente sanguínea, diretamente sobre as reservas de glicogênio 
hepático, e promove a glicogenólise (quebra do glicogênio). O aumento das 
concentrações sanguíneas de glicose tem como finalidade fornecer substrato 
energético para o exercício ou as situações de jejum, em que seus níveis são 
mais baixos (NELSON; COX, 2014).
Após a glicose passar pela membrana celular, ela pode ser utilizada 
como fonte de energia, sendo que os primeiros processos de degradação 
ocorrem no citoplasma (parte gelatinosa da célula), fora da mitocôndria. 
As reações que ela sofrer no citoplasma são comumente chamadas de 
glicólise anaeróbica. 
Metabolismo anaeróbico8
Fases da glicólise anaeróbica
O metabolismo da glicose envolve 10 etapas, nas quais ela é reduzida em 
piruvato; este, por sua vez, em condições específi cas, também na ausência 
de oxigênio, sofre uma fase adicional, reduzindo-se ao lactato. Veja a seguir 
as duas fases do metabolismo da glicose no citoplasma: investimento e 
pagamento. 
Na fase de investimento de energia, durante suas primeiras cinco reações, 
é necessário investir energia (ATP) para que elas aconteçam, sendo que são 
investidas duas moléculas de ATP, deixando duas de ADP livres na célula. 
Nessas reações, há um acompanhamento de cinco enzimas, sendo utilizada 
uma enzima para cada reação. 
  Primeira reação: a participação da primeira molécula de ATP e da enzima 
hexoquinase forma a molécula glicose 6-fosfato como produto dessa 
reação. Na maioria dos tecidos, ela aprisiona a glicose dentro da célula.
  Segunda reação: a enzima glicose-6-fosfato isomerase acelera a reação 
transformando esta em frutose-6-fosfato.
  Terceira reação: a molécula de glicose ganha um grupo de fosfato 
ao usar a segunda molécula de ATP da etapa de investimento. Nessa 
reação, há ainda a enzima fosfofrutoquinase (PFK), transformando a 
frutose-6-fosfato em frutose-1,6-difosfato, apresentando dois fosfatos, 
um no carbono 1 e outro no carbono 6.
Regulação da glicólise pela PFK
Os mecanismosque regulam a preferência do músculo por utilizar glicose ou 
ácidos graxos como fonte de energia não foram completamente estabelecidos, 
porém, os estudos já mostram que a demanda energética do músculo é um fator 
importante na escolha do substrato usado, sendo que maiores demandas energéticas 
exercem uma inibição na oxidação de ácidos graxos e aumentam a da glicose. Já 
em situações contrárias, as demandas menores de energia, como o repouso ou as 
atividades de menor intensidade, inibem a oxidação de glicose, aumentando a dos 
ácidos graxos — essa preferência ocorre pela regulação da enzima PFK. Sabe-se 
que o aumento de citrato, um dos subprodutos do metabolismo do ciclo de ácido 
cítrico, juntamente aos elevados níveis de ATP, inibe a atividade da enzima PFK, 
9Metabolismo anaeróbico
  Quarta reação: a frutose-1,6-difosfato é dividida em duas moléculas 
com três carbonos cada sob a ação da enzima aldolase, sendo esta a 
quarta enzima da reação. Seus subprodutos são as moléculas 3-fosfo-
gliceraldeido e fosfato de di-hidroxiacetona.
  Quinta reação: a molécula de três carbonos di-hidroxiacetona sofre 
ação da quinta enzima da reação, a tiosefosfato-isomerase, e se converte 
na segunda molécula de 3-fosfogliceraldeido (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2016; NELSON; COX, 2014).
Devido à ação da aldolase, molécula inicial de glicose, que possui seis car-
bonos e é clivada em duas moléculas de três carbonos, esta etapa do processo 
dá o nome a via glicólise, a qual significa quebra da glicose.
Até a quinta reação da glicólise, tem-se a fase de investimento, em que 
dois ATP foram gastos, um na primeira reação e outro na terceira. Já as outras 
cinco reações se dedicam à produção de energia adicional. 
O glicogênio pode participar da produção de energia por meio da reação fosfolí-
tica, catalisada pela enzima glicogênio-fosforilase, as quais catalisam um processo 
que agrega um fosfato na extremidade de uma molécula de glicose oriunda do 
glicogênio muscular, transformando-a em glicose-1-fosfato — essa molécula será 
transformada pela enzima fosfoglicomutase em glicose-6-fosfato. O processo de 
produção de glicose-6-fosfato, por meio da quebra de glicogênio, não gasta um 
ATP, como o processo de transformação de glicose a glicose-6-fosfato. Sendo 
assim, a glicólise pelo glicogênio terá um saldo final de três ATP, em vez de dois 
ATP, como ocorre na glicólise das moléculas de glicose (McARDLE; KATCH; KATCH, 
2016; NELSON; COX, 2014). 
Veja na Figura 4 a degradação do glicogênio pela enzima glicogênio-fosforilase.
interrompendo a glicólise, pois esses metabólitos, em grande quantidade, indicam 
que a demanda de energia é menor que a quantidade produzida. A PFK tem sido 
bastante estudada por sua relação com o metabolismo da glicose, sendo que seu 
aumento está associado à maior atividade glicolítica, como acontece nas fibras 
do tipo 2, que apresentam maiores quantidades dessa enzima (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2016; SILVEIRA et al., 2011).
Metabolismo anaeróbico10
Figura 4. Degradação do gligogênio intracelular pela glicogênio-fosforilase.
Fonte: Nelson e Cox (2014, p. 561).
Na fase de pagamento de produção de energia (ATP), durante as últimas 
cinco reações da glicólise, as duas moléculas remanescentes são oxidadas para 
essa produção. Nessas etapas, inicia-se a influência da coenzima nicotinamida 
adenina dinucleotídeo (NAD), que é a forma ativa da vitamina B3 e se apresenta 
em dois estados diferentes de oxidação: na forma oxidada de nicotinamida 
adenina dinucleotídeo (NAD+) e na forma reduzida de nicotinamida adenina 
dinucleotídeo (NADH). Obtém-se a NADH pela redução do NAD+ com dois 
elétrons e aceitação de um próton (H+). 
  Sexta reação: duas moléculas de 3-fosfogliceraldeído se transformam 
em 1,3-bifosfoglicerato, e uma coenzima de NAD+ é oxidada para cada 
uma das moléculas de carbono, tendo como resultado duas coenzimas 
NADH. Essas enzimas reduzidas têm importante papel na ressíntese 
de ATP na cadeia de transporte de elétrons, dentro da mitocôndria. 
Todo esse processo ocorre na presença da sexta enzima envolvida 
gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase.
11Metabolismo anaeróbico
  Sétima reação: a primeira ressíntese direta de ATP ocorre, em que 
dois ADP são fosforilados dando origem a dois novos ATP. Nesse 
momento, a reação está em equilíbrio com relação à quantidade de 
energia investida e gerada, com dois ATP investidos e dois gerados. 
Já a fosfoglicerato-quinase é sua enzima catalizadora e dá origem ao 
elemento 3-fosfoglicerato. 
  Oitava reação: a enzima participante é a fosfoglicerato-mutase, que 
transforma duas moléculas de 3-fosfoglicerado em duas moléculas de 
2-fosfoglicerato. 
  Nona reação: as duas moléculas de 2-fosfoglicerato sofrem ação da 
enzima enolase, que resulta da desidratação da 2-fosfoglicerato e criação 
da fosfoenolpiruvato.
  Décima reação: a enzima piruvato-quinase participa dessa fase, na qual 
ocorre a ressíntese de mais duas moléculas de ADP, gerando mais dois 
ATP. O subproduto da ação da piruvato-quinase sobre as duas moléculas 
de fosfoenolpiruvato se trata de duas moléculas de piruvato, o produto 
final da glicólise (NELSON; COX, 2014).
Quando se pensa no saldo final energético da via glicolítica anaeróbica, 
considera-se as quantidades de ATP investido e gerado. Sendo assim, tem-se 
dois ATP investidos e quatro ATP gerados, com um saldo final de dois ATP 
(NELSON; COX, 2014).
O piruvato pode seguir dois caminhos diferentes, participando do me-
tabolismo energético na presença de oxigênio, dentro da mitocôndria, ou 
sendo reduzido em situações de grande demanda energética e utilizado para 
regenerar o NAD+. No processo de redução das coenzimas NADH em NAD+, 
o piruvato torna-se lactato por meio da atuação de mais um processo, mediado 
pela enzima lactato desidrogenase, no qual a NADH, em seu estado reduzido, 
não poderia voltar a atuar na via glicolítica, o que a interromperia, assim, a 
produção de lactato permite que essa via continue a produzir energia.
Ao pensar na participação da via glicolítica anaeróbica em atividades 
físicas, deve-se ter em mente que se trata de uma atividade de alta intensi-
dade e curta duração (até 120 s) que tem como consequência a produção de 
lactato. O lactato produzido no interior da fibra muscular a deixa por meio 
de proteínas de (acoplamento) membranas específicas, os transportadores 
de monocarboxilato do tipo 4 (MCT4), os quais funcionam na presença de 
lactato e íons de (H+), sendo importante para o controle do pH intramuscular, 
uma vez que retira os íons de H+ e o lactato da célula e os liberam na corrente 
sanguínea (FROLLINI et al., 2008). 
Metabolismo anaeróbico12
Por meio do lactato, nota-se importantes informações sobre a utiliza-
ção de carboidratos na produção de energia. O produto metabólico é muito 
utilizado por essa propriedade como marcador da intensidade do exercício, 
porque a redução de uma molécula de glicose ao lactato acontece em situações 
de necessidade de suprimento energético. Como transporta-se o lactato de 
dentro da célula para a corrente sanguínea, ele é facilmente mensurável por 
meio das coletas de sangue. Hoje em dia, há equipamentos que podem fazer 
uma leitura precisa desse metabólito com pequenas quantidades de sangue, 
chamados lactímetros.
A concentração de lactato sanguíneo é um importante marcador de estresse da 
atividade que foi realizada, sendo associada às situações de fadiga e queda de desem-
penho. As estratégias que visam a melhora da remoção do lactato são empregadas 
para aprimorar o desempenho em tarefas repetidas, como uma partida de futebol, 
em que é necessária a recuperação para o melhor desempenho no segundo tempo. 
Monedero e Donne (2000) se dedicaram a investigar a melhor estratégia para acelerar 
a remoção de lactato da corrente sanguínea após uma prova de 5 km e avaliaram 
quatro estratégias: pausa passiva, em que o ciclista não executa nenhum movimento 
após o final da prova; pausa ativa, na qual o indivíduo permanece pedalandoa uma 
intensidade leve após o final da prova; massagem, nos membros inferiores ao final da 
prova; e método misto, composto de massagem e pausa ativa. Como conclusão, eles 
encontraram que o método misto foi o melhor para promover a remoção de lactato, 
e sua justificativa para isso foram algumas hipóteses como a melhora no sistema de 
tamponamento, maior fluxo do lactato do músculo para o sangue e maior remoção 
do lactato por tecidos alvo (como fígado, músculo esquelético e coração). Já a pausa 
ativa se trata do método mais efetivo para aumentar o fluxo sanguíneo para o músculo 
trabalhado, o que se evidencia pelo maior batimento cardíaco; a massagem, por sua 
vez, demonstrou aumento no fluxo sanguíneo local, o que potencialmente aumenta 
a remoção do lactato da musculatura trabalhada para os tecidos-alvos.
Os conhecimentos sobre os processos metabólicos são muito úteis para 
profissionais de educação física envolvidos com exercício ou esporte. Por 
meio deles, por exemplo, como os metabolismos se comportam em diferen-
tes atividades, cria-se treinos melhores e incrementa-se o desempenho ou 
respostas adaptativas.
Neste capítulo, você viu que o processo de metabolismo anaeróbico inclui 
duas principais vertentes: lático e alático. O metabolismo alático é composto do 
13Metabolismo anaeróbico
sistema ATP-CP, tendo sua principal contribuição em gestos motores intensos 
e de curta duração, limitado na sua capacidade de ressíntese de ATP pela CP 
e com tempo de ação considerado curto, sendo suas fontes depletadas em até 
30 segundos. Já o processo de produção de energia de forma anaeróbica lática 
considera a quebra da glicose para a ressíntese de ATP, com 10 reações distintas 
responsáveis por transformar a glicose em piruvato, sendo que em condições 
de grande demanda energética, um processo a mais reduz o piruvato ao lactato, 
um importante marcador de intensidade para profissionais de educação física. 
Essa via de metabolismo energético é pronunciada em atividades com duração 
superior a 30 segundos e inferior a 2 minutos, por exemplo, uma prova de 400 
metros de atletismo, ou uma de 100 metros na natação.
No canal do Youtube do prof. Leonardo De Lucca, você pode estudar os processos 
da glicólise anaeróbica e da geração de ATP, bem como os processos bioquímicos 
envolvidos na oxidação das moléculas de glicose, na ausência do oxigênio, disponível 
no link a seguir (GLICÓLISE…, 2017):
https://goo.gl/ESH7u1
1. O corpo humano é especializado 
em executar diferentes tarefas, seja 
as que requerem pouca quantidade 
de energia ou que exigem esforços 
máximos. Por exemplo, considere 
uma pessoa que chegou atrasada 
no ponto de ônibus e precisa correr 
50 metros na maior intensidade que 
conseguir, essa corrida durará cerca 
de 10 segundos. Quais reações serão 
mais utilizadas para gerar energia 
nessa situação? 
a) ADP e ATP. 
b) NAD e NADH.
c) ATP e CP.
d) Pcr e glicólise. 
e) Cr e Pi. 
2. As reservas de ATP são consideravel-
mente baixas, tendo duração apro-
ximada de 4 segundos de atividade, 
por isso, ele deve ser ressintetizado 
o tempo todo. Além disso, o ATP é, 
no músculo, hidrolisado pela enzima 
ATPase, localizada na cabeça da 
miosina. Quais os subprodutos da 
hidrólise de ATP?
a) ATP + Pi + hidrogênio (H+). 
b) ADP + Cr. 
Metabolismo anaeróbico14
c) ADP + 2 Pi + 2 H+. 
d) ADP + Pi + H+. 
e) ADP + Pi + Cr. 
3. A glicólise anaeróbica é um processo 
que ocorre na ausência de oxigênio, 
caracterizado pelo fornecimento 
rápido de energia, sendo sua via 
predominante em atividades intensas 
com duração de até 120 segundos. 
Assinale o produto final orgânico deri-
vado dessa via sob exercício intenso.
a) NAD+.
b) NADH.
c) Lactato.
d) Glicogênio.
e) Glicose.
4. O processo de glicólise é compre-
endido como a quebra da molécula 
de glicose em moléculas menores, 
como o piruvato e o lactato. Existe 
uma passagem durante as 10 
reações em que a glicose é clivada, 
gerando dois substratos de três car-
bonos cada, a 3-fosfogliceraldeido e 
a fosfato de di-hidroxiacetona. Qual 
o nome da enzima que participa 
desse processo?
a) Aldolase.
b) Glicose-6-fosfato isomerase.
c) Hexoquinase.
d) Fosfofrutoquinase.
e) Tiosefosfato-isomerase.
5. A glicólise possui duas fases distintas, 
uma de investimento, na qual o ATP 
é investido doando seu grupamento 
de fosfato, e outra de pagamento, 
em que se ressintetiza moléculas 
de ATP. Qual o saldo de moléculas 
de ATP no final da glicólise de uma 
molécula de glicose?
a) 38 ATP.
b) 4 ATP.
c) 3 ATP.
d) 1 ATP.
e) 2 ATP.
ATKINS, P. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 
Porto Alegre: Bookman, 2012.
FROLLINI, A. B. et al. Exercício físico e regulação do lactato: papel dos transportadores 
de monocarboxilato (proteínas MCT). Revista da educação física/UEM, Maringá, v. 19, n. 
3, p. 453-463, 3. trim. 2008. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2018.
GLICÓLISE anaeróbia: geração de ATP. Videoaula ministrada por prof. Leonardo De 
Lucca. [S. l.], 2017. 1 vídeo (17min). Disponível em: . Acesso 
em: 19 nov. 2018.
LÓPEZ CHICHARRO, J.; LÓPEZ MOJARES, L. M. Fisiología clínica del ejercicio. Buenos Aires: 
Médica Panamericana, 2008.
McARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e 
desempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
15Metabolismo anaeróbico
MONEDERO, J.; DONNE, B. Effect of recovery interventions on lactate removal and 
subsequent performance. International journal of sports medicine, [s. l.], v. 21, n. 8, p. 
593-597, nov. 2000. Disponível em: . 
Acesso em: 19 nov. 2018.
NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de Lehninger. 6. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2014.
RODWELL, V. W. et al. Bioquímica ilustrada de Harper. 30. ed. Porto Alegre: AMGH, 2017.
SAHLIN, K. et al. Phosphocreatine content in single fibers of human muscle after 
sustained submaximal exercise. American journal of physiology: cell physiology, [s. l.], 
n. 273, n. 1, p. 172-178, Jul. 1997.
SILVEIRA, L. R. et al. Regulação do metabolismo de glicose e ácido graxo no músculo 
esquelético durante exercício físico. Arquivos brasileiros de endocrinologia & metabologia, 
São Paulo, v. 55, n. 5, p. 303-313, jun. 2011. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2018.
SNOW, R.; MURPHY, R. M. Factors influencing creatine loading into human skeletal mus-
cle. Exercise and sport sciences reviews, [s. l.], v. 31, n. 3, p. 154-158, Jul. 2003. Disponível em: 
. Acesso em: 19 nov. 2018.
Metabolismo anaeróbico16
Conteúdo:

Mais conteúdos dessa disciplina