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(VI Exame de Ordem Unificado) No dia 10 de março de 2011, após ingerir um litro de vinho na sede de sua fazenda, José Alves pegou seu automóvel e passou a conduzi-lo ao longo da estrada que tangencia sua propriedade rural. Após percorrer cerca de dois quilômetros na estrada absolutamente deserta, José Alves foi surpreendido por uma equipe da Polícia Militar que lá estava a fim de procurar um indivíduo foragido do presídio da localidade. Abordado pelos policiais, José Alves saiu de seu veículo trôpego e exalando forte odor de álcool, oportunidade em que, de maneira incisiva, os policiais lhe compeliram a realizar um teste de alcoolemia em aparelho de ar alveolar. Realizado o teste, foi constatado que José Alves tinha concentração de álcool de um miligrama por litro de ar expelido pelos pulmões, razão pela qual os policiais o conduziram à Unidade de Polícia Judiciária, onde foi lavrado auto de prisão em flagrante pela prática do crime previsto no art. 306 da Lei n. 9.503/97 c/c art. 2º, II, do Decreto n. 6.488/2008, sendo-lhe negado no referido auto de prisão em flagrante o direito de entrevistar-se com seus advogados ou com seus familiares. Dois dias após a lavratura do auto de prisão em flagrante, em razão de José Alves ter permanecido encarcerado na delegacia de polícia, você é procurado pela família do preso, sob protestos de que não conseguiam vê-lo e de que o delegado não comunicara o fato ao juízo competente, tampouco à Defensoria Pública. QUESTÃO: Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado de José Alves, redija a peça cabível, exclusiva de advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, questionando, em juízo, eventuais ilegalidades praticadas pela autoridade policial, alegando para tanto toda a matéria de direito pertinente ao caso. 001. Em 6 de dezembro de 2023, Augusto foi preso em flagrante por roubo. Após a lavratura do auto de prisão em flagrante, o policial civil Carlos, acompanhado por um jornalista e sua equipe, coagiu Augusto, que estava na cela, mediante grave ameaça, a cantar músicas para uma reportagem de tom humorístico, atendendo a um pedido do jornalista. Esta conduta foi posteriormente investigada, levando o Ministério Público a acusar formalmente Carlos de abuso de autoridade. Com o recebimento da denúncia, o processo transcorreu normalmente e culminou na condenação de Carlos pelo juízo competente, que determinou a perda de seu cargo público. Considerando apenas as informações do enunciado, na condição de advogado de Carlos, responda aos questionamentos a seguir. a) Qual peça processual deverá ser interposta pela defesa de Carlos para a reforma da sentença? Justifique (Valor: 0,60). b) Qual o fundamento de direito material a ser defendido em favor de Carlos? Justifique (Valor: 0,65). 002. Pedro, primário, residente em Curitiba (PR), adquiriu ecstasy pela internet de um fornecedor holandês, Gustavo. Gustavo, por sua vez, enviou o pacote com a substância via postal direto da Holanda. Entretanto, ao chegar ao Brasil em um voo internacional com destino a Porto Alegre (RS), o pacote foi escolhido para inspeção na alfândega da Receita Federal. Durante a inspeção, o exame de raio X revelou a droga escondida dentro da caixa, momento em que ocorreu a apreensão. Após a investigação da Polícia Federal, Pedro foi denunciado na 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre (RS), e a inicial foi recebida pelo magistrado, que, em seguida, determinou a citação de Pedro, para manifestar-se pela primeira vez sobre a denúncia oferecida contra ele. Considerando apenas as informações do enunciado, na condição de advogado de Pedro, responda aos questionamentos a seguir. a) Compete ao juiz que mandou citar Pedro o julgamento do caso descrito? Justifique (Valor: 0,65). b) O procedimento adotado pelo magistrado apresenta algum vício? Justifique (Valor: 0,60). 003. Ana, enfrentando uma situação de extrema pobreza e fome, adentrou um supermercado e subtraiu alguns itens alimentícios de valor ínfimo. Posteriormente, foi detida, acusada e, durante seu interrogatório em juízo, admitiu o furto. No entanto, justificou sua ação alegando estado de necessidade, devido à severa crise financeira e fome, o que a motivou a cometer o ato para alimentar-se. O juiz competente, contudo, optou pela condenação de Ana. Ao proferir a sentença, o magistrado decidiu pelo não reconhecimento da atenuante da confissão espontânea, embora a tenha adotado em desfavor da ré, argumentando que Ana teria confessado apenas com o intuito de embasar sua defesa. Considerando apenas as informações do enunciado, na condição de advogado de Ana, responda aos questionamentos a seguir. a) Além do estado de necessidade, poderia ter sido sustentada outra tese defensiva em favor de Ana? Justifique (Valor: 0,60). b) Sobre a atenuante, decidiu corretamente o juiz? Justifique (Valor: 0,65). 004. João foi condenado por tráfico de drogas à pena de 5 anos de reclusão. O juiz, ao determinar o regime inicial de cumprimento da pena, optou pelo regime fechado. Em sua decisão, o juiz justificou que, dada a gravidade do crime de tráfico de drogas, considera apropriado que o regime inicial seja o fechado, independentemente do fato de João ser primário ou das eventuais circunstâncias do caso concreto. Além disso, na dosimetria da pena, entendeu pela não incidência de minorantes porque João foi surpreendido tendo em sua posse cocaína, uma droga de alta lesividade para quem a consome. Considerando apenas as informações do enunciado, na condição de advogado de João, responda aos questionamentos a seguir. a) A fundamentação para a imposição do regime inicial fechado foi adequada? Justifique (Valor: 0,60). b) Poderia ser reconhecido o tráfico privilegiado em favor de João? Justifique (Valor: 0,65).