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Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 01. Microbiota Intestinal e a Saúde............................................03 Colonização do intestino e alterações da microbiota ao longo da vida..............................................................................05 Inflamação e intestino................................................................07 Eixo cérebro-intestino................................................................09 Produção de neurotransmissores pela microbiota............................................................................................12 Impacto da disbiose intestinal na saúde mental....................................................................................................14 Como modular a microbiota intestinal com probióticos e prebióticos...........................................................17 Psicobióticos – um novo conceito.......................................19 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. Índice Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Microbiota intestinal é, por definição, o conjunto de microrganismos (não só bactérias) que povoam/colonizam o trato gastrointestinal do ser humano (TGI). O microbioma intestinal diz respeito ao genoma desses microrganismos os quais estabelecem com o hospedeiro uma relação de mutualismo, em que ambos contribuem e se beneficiam com o equilíbrio entre eles. A microbiota intestinal é bastante diversificada e numerosa. Com o progresso de técnicas de genética e o avanço no estudo do microbioma, hoje é possível descrever algumas espécies integrantes da microbiota, bem como os produtos derivados do seu metabolismo. Estudos de metagenômica, metatranscriptômica, metaproteômica e metametabolômica, permitem descrever a diversidade de espécies microbianas existentes no intestino. A microbiota intestinal caracteriza-se pelo seu constante dinamismo, sendo que este pode ser afetado por inúmeros fatores ambientais como dieta, estilo de vida, prática regular de atividade física e idade. O desenvolvimento da microbiota ocorre logo após o nascimento e vai ter influência na fisiologia do hospedeiro. Além disso, a microbiota materna terá um papel importante também, por isso durante a gestação é de extrema importância que a mãe mantenha hábitos saudáveis, pois isso irá influenciar no início desta composição da microbiota do bebê. O tipo de parto também pode influenciar nessa composição, assim como a introdução alimentar. Ela terá papel essencial no desenvolvimento e morfogênese de órgãos e na manutenção do equilíbrio de tecidos e órgãos. Contribuirá, também, para o desempenho de funções metabólicas, principalmente na obtenção de energia a partir da dieta e no desenvolvimento do sistema imunológico. Microbiota Intestinal e a Saúde Humana E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 3 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 O desenvolvimento adequado tanto do GALT (isto é, do tecido linfóide associado à mucosa intestinal, que constitui o sistema imunológico do trato gastrointestinal), como da tolerância imunológica são de extrema importância para o hospedeiro pois permitem que este seja menos suscetível a desenvolver patologias. É perceptível o quanto a microbiota irá influenciar a saúde. Quando ocorre um desequilíbrio, o organismo fica mais suscetíveis a invasão de patógenos, gerando um supercrescimento bacteriano, produção de toxinas e aumento da permeabilidade intestinal, o que pode gerar alterações imunológicas e hormonais. Logo é impossível pensar em homeostase e não lembrar de cuidar da microbiota. E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 4 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Uma das coisas mais interessantes acerca do intestino é saber que ele é colonizado por cerca de 100 trilhões de células bacterianas. Porém, ele não é composto apenas por bactérias, há outros microrganismos que o povoam, assim se forma o que chamamos de microbiota intestinal. Embora a composição da microbiota seja relativamente estável ao longo da vida do indivíduo, esta pode ser alterada por diversos fatores, como a microbiota materna, idade, fatores genéticos, tratamento antibiótico, estilo de vida e dieta. A microbiota intestinal está envolvida em funções cruciais para a homeostasia do hospedeiro, como digestão e síntese de nutrientes, desenvolvimento do sistema imunitário e trato digestivo do hospedeiro, e produção de moléculas ativas farmacologicamente. Para além disso, pode atuar como barreira contra patógenos e parece ter influência no desenvolvimento do sistema nervoso e funções cognitivas. Deste modo, uma alteração do equilíbrio da microbiota intestinal pode causar diversas situações patológicas. A microbiota se desenvolve logo após o nascimento e a medida que a população envelhece ela vai mudando e tentando se ajustar às mudanças. A alteração do equilíbrio ocorre a partir de alguns fatores primordiais. Colonização do intestino e alterações da microbiota ao longo da vida E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 5 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 A figura 1 ilustra alguns desses fatores, desde do tipo de amamentação a uma má alimentação (rica em alimentos industrializados), pois alguns podem aumentar a produção de citocinas pró-inflamatórias. Inclui-se, também, o consumo de álcool; tabagismo; sedentarismo (que faz com que ocorra o aumento de peso e com isso há mudanças na composição da microbiota); privação do sono; estresse por conta do hormônio cortisol (que fará com que o ambiente intestinal fique mais sensível a bactérias não benéficas); e o uso de medicamentos, principalmente os antibióticos, visto que alguns podem não ser tão absorvidos e alterarão, assim, a flora intestinal. A dieta é, dentre todos, o mais importante para manter um equilíbrio visto que irá fornecer os nutrientes tanto para o hospedeiro quanto para as bactérias que ali povoam. Figura 1: Alterações da microbiota ao longo da vida E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 6 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 A microbiota intestinal é, na maioria do tempo, estável, e alguns fatores ajudam nessa homeostase, como dieta, estilo de vida, prática regular de atividade física e idade. Porém há fatores que podem causar um desequilíbrio e, nesse momento, a barreira intestinal se enfraquece e deixa o intestino mais suscetível a patógenos. Isso pode resultar em um supercrescimento bacteriano, produção de toxinas e aumento da permeabilidade intestinal, que resultam em alterações imunológicas e hormonais. Esse desequilíbrio é conhecido como disbiose, que é um desarranjo das bactérias boas e ruins, que pode resultar em alterações imunológicas e hormonais. Assim, os hábitos de vida mencionados acima fazem com que a microbiota transitória prevaleça sobre a residente, predispondo a distúrbios gastrintestinais e inflamatórios. Estima-se que cerca de 400 espécies de bactérias habitam o trato gastrointestinal humano, sendo o cólon o local de maior povoamento bacteriano devido às condições favoráveis para a proliferação dos microrganismos. As bactérias que ali vivem são divididas em dois grupos: que são consideradas benéficas, probióticas, como por exemplo, as Bifidobactérias e Lactobacilos e as que são consideradas prejudiciais, nocivas, como por exemplo, as Enterobacteriaceae e Clostridium ssp, classificando assim uma colonização heterogênea. Inflamação e intestino E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 7 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa- sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 A composição da microbiota intestinal tem grande impacto no ser humano, quando ela não está harmônica pode proporcionar a multiplicação de bactérias patogênicas e consequentemente a produção de toxinas metabólicas. Em outras palavras, quando essa microbiota é acometida por algum desequilíbrio, o organismo fica propício ao crescimento de fungos, bactérias e outros patógenos, esses microrganismos produzem toxinas que são absorvidas pela corrente sanguínea, induzindo processos inflamatório, interferindo na expressão genética, no sistema imunológico, no risco de doenças crônicas e graves, desde diabetes mellitus até neoplasias gastrintestinais. Entre os processos inflamatórios é possível citar algumas doenças autoimunes, que são conhecidas como doenças inflamatórias intestinais (DII). Esse é um termo genérico usado para descrever distúrbios que envolvem inflamação crônica do trato digestivo, a doença de Crohn e a retocolite ulcerosa/ colite ulcerativa. E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 8 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 O cérebro é o órgão matriz do sistema nervoso que está localizado dentro do crânio nos seres humanos e é o principal centro de regulação e controle das atividades corporais: sede da consciência, do pensamento, da memória e da emoção. É ele, portanto, que permite ao homem identificar, perceber e interpretar o mundo que o rodeia. Já o intestino é parte importantíssima do sistema digestório, sendo a sua principal função a de absorção de nutrientes e água. O intestino é dividido em duas partes: intestino delgado e intestino grosso. No primeiro, é onde ocorre a absorção de grande parte dos nutrientes ingeridos. No segundo, é absorvida grande parte da água utilizada no processo de digestão. Ao ler a definição de cada um, é possível pensar que eles não estão relacionados ao cérebro. Contudo, tais órgãos estão interligados, formando um eixo que é conhecido como eixo cérebro-intestino. Essa conexão pode ser comparada como uma “linha telefônica” de alta complexidade que se comunica bidirecionalmente, caso o sinal de um lado falhe o outro lado não irá entender perfeitamente, com isso gera distúrbios gastrointestinais, emocionais, obesidade, doenças neurológicas. A microbiota influencia a formação e modulação do funcionamento do eixo intestino-cérebro. A microbiota intestinal tem um impacto significativo nos processos relacionados à síntese de neurotransmissores, a mielinização de neurônios no córtex pré- frontal, e também está envolvida no desenvolvimento da amígdala e do hipocampo. Eixo cérebro-intestino E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 9 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 As bactérias intestinais também são uma fonte de vitaminas, cuja deficiência acredita-se estar relacionada à resposta à terapia antidepressiva e pode levar à exacerbação dos sintomas depressivos. A microbiota intestinal desempenha um papel importante na fisiopatologia da depressão. A depressão (transtorno depressivo maior, TDM) é uma doença psiquiátrica séria que afeta negativamente os pensamentos, o comportamento, os sentimentos, a motivação e a sensação de bem-estar de forma persistente. Atualmente, a depressão é considerada uma doença da civilização moderna, devido à sua elevada prevalência. A conexão (vide figura 2) será feita a partir de substâncias chamadas de mediadores hormonais, como serotonina e dopamina (responsáveis pela sensação de bem-estar), que são liberadas no intestino e caem na corrente sanguínea até chegar ao cérebro. Outra via é a imunológica, quando proteínas liberadas por células do sistema imune, como as citocinas, também caem no sangue e vão até o cérebro. São vários os mecanismos que fazem a ligação entre esses dois eixos e os tornam algo tão complexo. As interações entre cérebro e intestino são complexas e muito importantes e para entendermos é necessário compreender que comunicação neuronal é exercida através do sistema nervoso entérico e do nervo vago, e tem um papel fundamental nos sinais do encéfalo para o trato GI e vice-versa, fazendo assim a “linha telefônica”. A figura 3 ilustra a relação entre a microbiota e o sistema imune, por exemplo. E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 10 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Figura 3: Ligação da microbiota com o sistema imune Figura 2: Vias que fazem a comunicação do eixo intestino-cérebro. E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 11 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Atualmente, a ciência sabe que as bactérias intestinais têm receptores e produzem neurotransmissores que possibilitam uma comunicação direta com o cérebro por vias neurais, exatamente da mesma maneira como o nervo vago funciona. São vários os neurotransmissores produzidos por espécies comensais como a serotonina, o GABA, as catecolaminas, a acetilcolina e a histamina. Diferentes estudos revelam que as bactérias probióticas estão aptas a produzir substâncias neuroativas, as quais exercem influência direta sobre o eixo cérebro intestino. O GABA é o principal inibidor do neurotransmissor no cérebro, onde a sinalização está bem ativada, tendo função importante na fisiopatologia dos transtornos de ansiedade e humor. As células enteroendócrinas encontradas ao longo do trato intestinal representam um maior produtor de hormônios e aminas biogênicas no corpo, dentre elas, a histamina, a serotonina e as catecolaminas (dopamina, noradrenalina e adrenalina). A serotonina será determinante para uma boa conexão intestino- cérebro, pois a maior parte deste neurotransmissor encontra-se no sistema entérico, sendo sintetizado pelas células enterocromafins (células de Kulchitsky) do trato gastrointestinal. Produção de neurotransmissores pela microbiota E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 12 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Assim, a alteração da dieta induz a alteração ou diminuição de neurotransmissores causando um estresse alimentar. Portanto, a ansiedade e depressão podem ser moduladas de maneira eficiente pela dieta. Os neurotransmissores utilizados por diferentes bactérias intestinais têm funções importantes, exemplos dessas bactérias e funções respectivamente são: Lactobacillus sp e Bifidobacterium spp, que podem produzir ácido aminobutírico (GABA); Escherichia sp, Bacillus sp. ou Saccaromyces spp., que sintetiza noradrenalina; Streptococcus sp, Escherichia sp. e Enterococcus spp. podem produzir serotonina; Bacillus sp. produz dopamina e Lactobacillus sp., que pode sintetizar acetilcolina. Logo, percebe-se que a microbiota intestinal é uma moduladora da cognição e da emoção de seu hospedeiro. E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 13 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Ainda na comparação da conexão cérebro-intestino a uma linha telefônica de alta complexidade, o sistema imune será um intermediário entre a microbiota e o cérebro. As citocinas podem sinalizar para o cérebro via nervo vago, ou diretamente nas regiões permeáveis da barreira hematoencefálica. Porém, se o sinal de um lado falhar o outro não receberá a informação correta, o que causará um desequilíbrio. Esse desequilíbrio ocorre na microbiota. A microbiota terá um papel fundamental na manutenção homeostática do sistema nervoso central, dado o seu papel chave na comunicação bidirecional entre o sistema gastrointestinal e o cérebro, refletindo-se no comportamento e humor. Quando ocorre esse desequilíbrio, denominado disbiose, perde-seo estado de homeostase. A regulação da homeostase do SNC (Sistema Nervoso Central) pelo eixo microbiota-TGI-cérebro (vide figura 4) tem reflexo no estado de humor e comportamento do indivíduo. O SNC e os diversos ramos que o compõem são influenciados e regulados pelo eixo intestino-cérebro, desse modo quando a microbiota se encontra saudável, o eixo é mantido estável e saudável, sem alterações, e a relação entre os microrganismos da ali presentes e o hospedeiro ocorre beneficiando ambos. Impacto da disbiose intestinal na saúde mental E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 14 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Porém, quando ocorre qualquer problema nessa relação ocasiona a desregulação do metabolismo gerando consequências negativas, entre as quais estão os distúrbios endócrinos metabólicos e neurais, nesses últimos estão presentes fatores que irão desencadear os transtornos mentais. A desregulação na comunicação entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso central levará o sistema imune a produzir respostas indevidas, o que eleva a quantidade de mediadores inflamatórios, fazendo com que doenças psiquiátricas possam ser desenvolvidas. O padrão alimentar é crucial para o estabelecimento das espécies comensais dominantes, pois alterações na dieta podem condicionar mudanças significativas na comunidade entérica, sendo que o SNE tem a capacidade de modular o SNC, que estará ligado ao intestino. Embora a causalidade ainda não tenha sido estabelecida, a disbiose intestinal emergiu como uma marca registrada de várias doenças, incluindo transtornos neuropsiquiátricos. O fato de a microbiota e o sistema nervoso central estarem em co-desenvolvimento durante os primeiros anos de vida sugere um papel potencial da modulação da microbiota no tratamento de alguns transtornos. Estudos em modelos animais de estresse no início da vida mostraram que algumas cepas de probióticos podem neutralizar os efeitos invasivos do estresse durante este período crucial de desenvolvimento e resgatar sintomas comportamentais relacionados à ansiedade e depressão mais tarde na vida. E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 15 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Figura 4: Rotas de comunicação eixo cérebro-intestino E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 16 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Atualmente, probióticos são conhecidos como microorganismos benéficos para a saúde humana e prebióticos são caracterizados como fibras ou carboidratos não digeríveis pelas enzimas humanas, e, por isso, servem de substrato para as bactérias intestinais, favorecendo a colonização benéfica e saudável da microbiota humana. As bactérias benéficas habitantes dos intestinos são capazes de metabolizar compostos importantes (vide figura 5) que possuem papel regulador, como neurotransmissores, a exemplo da serotonina e do Ácido gama-aminobutírico (GABA), fundamentais no balanceamento do humor e de transtornos depressivos e de ansiedade. A ingestão de probióticos por meio de alimentos ou suplementos parece ser uma estratégia ineficaz se a dieta não for equilibrada e rica em carboidratos acessíveis à microbiota, ou prebióticos. As melhores fontes alimentares de prebióticos são as frutas e hortaliças, naturalmente fontes de fibras, com destaque para oligossacarídeos, pectina, β-glucanos e amido resistente. Como modular a microbiota intestinal com probióticos e prebióticos E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 17 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 18 Figura 5: Modulação eixo intestino-cérebro Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Os psicobióticos são uma classe especial de probióticos, que trazem benefícios para a saúde mental dos indivíduos. Eles diferem dos probióticos convencionais em sua capacidade de produzir ou estimular a produção de neurotransmissores, ácidos graxos de cadeia curta, hormônios enteroendócrinos e citocinas com potencial anti-inflamatório, que apresentam efeito benéfico ao sistema nervoso central (SNC). Devido a esse potencial, os psicobióticos têm um amplo espectro de aplicações que vão desde o alívio do humor e do estresse até ser um adjuvante no tratamento terapêutico para vários distúrbios do neurodesenvolvimento e doenças neurodegenerativas. As bactérias psicobióticas comuns pertencem à família Lactobacilli, Streptococci, Bifidobacteria, Escherichia e Enterococci. O crosstalk bidirecional entre o cérebro e o sistema gastrointestinal é influenciado por essas bactérias. Os neurônios presentes no sistema nervoso entérico interagem diretamente com as substâncias neuroquímicas produzidas pela microbiota intestinal, influenciando a sinalização para o SNC. Essas bactérias são capazes de produzir substâncias neuroativas, como o ácido gama-aminobutírico (GABA) e a serotonina, que atuam no eixo intestino-cérebro, logo podem ser benéficas para a saúde em pacientes que apresentam distúrbios psiquiátricos, dentre outros correlacionados. O efeito benéfico dos psicobióticos nos resultados relacionados à depressão em adultos parece estar mais claro. Embora os mecanismos específicos permaneçam indefinidos, o efeito dos psicobióticos envolve o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal, a permeabilidade intestinal e a inflamação local e sistêmica. Psicobióticos – um novo conceito E-book | Intestino e Cérebro | Karina Al Assal 19 Do Nutrição - contato@donutricao.com - IP: 189.6.245.241Aede Carvalho Sousa - sousacarvalho78@gmail.com - CPF: 949.145.245-20 Referências BELKAID, Yasmine; HARRISON, Oliver. Homeostatic immunity and the microbiota. Immunity, p.562-576, 2018. FURTADO, Celine de Carvalho. Et al. PSICOBIÓTICOS: UMA FERRAMENTA PARA O TRATAMENTO NO TRANSTORNO DA ANSIEDADE E DEPRESSÃO? Revista UNILUS Ensino e Pesquisav. 15, n. 40, jul./set.2018ISSN 2318-2083 (eletrônico) Del Toro-Barbosa M, Hurtado-Romero A, Garcia-Amezquita LE, García-Cayuela T. 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