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11 FACULDADE EDUCACIONAL DA LAPA - FAEL A IMPORTÂNCIA DA BRINCADEIRA NO DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL E EMOCIONAL DA CRIANÇA DE 0 (ZERO) A 6 (SEIS) ANOS RODRIGUES, Elisângela de Lima[footnoteRef:1] [1: Acadêmica do Curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Educacional da Lapa – FAEL.] MINARI, Rosilene da Luz Morales[footnoteRef:2] [2: Acadêmica do Curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Educacional da Lapa – FAEL.] Orientadora: Cláudia Cristina Mendes Giesel[footnoteRef:3] [3: Doutora em Educação e Mestre em Linguística Aplicada pela Iowa State University, professora pedagogia EAD da FAEL. ] RESUMO: O presente trabalho propõe uma análise sobre a importância do brincar e a consequência disso no desenvolvimento da criança. A pesquisa visa esclarecer a necessidade da participação dos pais na formação emocional e intelectual dos seus filhos, pois é no seio familiar que o indivíduo cresce e desenvolve valores éticos e morais, a escola é uma extensão da família e precisa estar interligada para o melhor resultado. Foi feita uma pesquisa bibliográfica com base em Piaget, Vygotsky, Tierno, Teodoro, entre outros trabalhos acadêmicos. A investigação foi feita através de pesquisas bibliográficas e de campo, onde é possível analisar a teoria com a prática e a realidade local. Objetivando, portanto, fazer uma abordagem sobre a importância dos jogos e brincadeiras no desenvolvimento emocional e intelectual da criança. Contudo, o principal objetivo desse estudo é enfatizar a importância da brincadeira e do brincar no desenvolvimento infantil, pois de acordo com os autores pesquisados este é um período essencial no que se refere à aprendizagem e a formação pessoal. A criança nessa faixa etária constrói seu aprendizado com as influências do meio em que vive. Suas brincadeiras e interações com familiares e colegas irão propiciar novas construções emocionais e intelectuais. Os pais e a escola são essências para a estimulação das crianças em suas brincadeiras, por isso estes têm papel importantíssimo, devendo fomentar um ambiente lúdico, rico em jogos e brincadeiras. Os jogos e as brincadeiras desenvolvem nas crianças aprendizagens e emoções que propiciarão seu pleno desenvolvimento. Palavras-chave: Desenvolvimento infantil, brincar, escola, família. INTRODUÇÃO O presente artigo abordou o tema “A importância da brincadeira no desenvolvimento emocional e intelectual da criança de zero a seis anos”, interessou-nos como acontece o desenvolvimento das crianças nesta faixa etária, sendo crucial essa fase para a formação emocional e intelectual. Qual a importância da participação dos pais e da escola no contexto do brincar e a consequência disso no desenvolvimento das crianças? É notável a necessidade de sensibilizar as famílias da importância de estar presente na vida dos filhos através da brincadeira e participar ativamente do desenvolvimento infantil. A interação entre as crianças e os brinquedos pode criar possibilidades para que elas desenvolvam, pois, as atividades lúdicas são importantes para seu desenvolvimento, influenciando assim a forma como elas assimilam o que está ao seu redor. Atualmente nota-se a necessidade de resgatar o verdadeiro sentido da brincadeira, a participação dos pais é essencial para que tenha êxito nesse processo. Os pais têm papel fundamental nesse processo, pois é preciso ensinar a brincar, estar disponível e conviver com os filhos. Utilizamos como metodologia a pesquisa bibliográfica onde pudemos analisar o ponto de vista de diversos autores ao decorrer da história. Para enfatizar e enriquecer ainda mais nosso artigo buscamos conhecer um pouco mais a nossa realidade através da observação de campo e uma pesquisa com coleta de dados, aplicamos um questionário aos pais com nove perguntas abordando os diversos assuntos. O tema será exposto de forma descritiva, visando à construção de um texto rico em reflexões significativas. O principal objetivo desse estudo foi enfatizar a importância do brincar no desenvolvimento infantil, pois é um período essencial no que se refere à aprendizagem e a formação pessoal. É importante estimular o interesse dos pais nas brincadeiras e no processo de aprendizagem dos filhos, aumentando assim a participação nesse processo. Para que haja um bom desempenho na vida escolar e na formação de futuros indivíduos é preciso que a criança possa ser criança, brincar e interagir com regras. Este artigo foi dividido em capítulos exemplificando dados e conhecimentos. O desenvolvimento foi subdividido em quatro tópicos sendo eles: 2. O brinquedo e o brincar no desenvolvimento infantil, 2.1. Um breve histórico de infância, 2.2. Fases do desenvolvimento infantil, 2.3. A interação entre família e escola, 2.4. Metodologia e análise dos dados; logo após as considerações finais e as referências utilizadas na construção do trabalho acadêmico. UM BREVE HISTÓRICO DE INFÂNCIA Para melhor análise da infância é preciso conhecer o real significado da palavra criança, nos dicionários de língua portuguesa registram como um período de crescimento do ser humano entre o nascimento e a puberdade. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (lei 8.069 de 13/07/1990), “criança é a pessoa de até 12 anos de idade incompletos e adolescente aquela entre os 12 e 18 anos”. É direito da criança brincar e se desenvolver de maneira adequada em cada faixa etária. O conceito de infância passou por mudanças significativas ao longo da história, fazer uma análise desse contexto histórico nos revela como foi sofrido esse período. A infância era vista como um período sem importância, apenas de transição, as crianças eram vítimas de maus tratos e abandono, muitas eram criadas por terceiros para que pudessem aprender um ofício. Compreender a história nos faz refletir sobre a evolução do conceito de infância, as condições gerais de saúde e higiene eram muito precárias, tornando o índice de mortalidade infantil muito elevada, por isso os próprios pais não tinham uma ligação fraterna com seus filhos, de certo modo acabavam não se apegando e investindo nas crianças. Conforme Ariès, “a criança sempre existiu, não estava ausente na idade média, ao menos a partir do século XIII, mas nunca um modelo de um retrato de uma criança real”. (ARIÈS, 1981, p.56). A criança era tida como um ser pequeno que logo iria executar suas atividades, um adulto em miniatura, os meninos desde cedo já trabalhavam para ajudar os pais, enquanto as filhas eram menos desejadas, pois não dariam lucro às famílias, então ficavam a cargo da mãe educá-las para que se tornassem boas donas de casa e futuras esposas. Em meados do século XIX e início do século XX, com a revolução industrial e a segunda guerra mundial, surgiram as primeiras instituições de ensino, muitas mulheres se virão obrigadas a trabalhar nas fábricas e não tinham com quem deixar seus filhos. Nesse período o principal papel da escola era de cuidar, também se nota durante esse processo a diferença entre as classes sociais, as mais bem favorecidas não tinham a necessidade de ingressar no mercado de trabalho; enquanto a grande maioria, todos os integrantes da família estavam no mercado de trabalho. Ao decorrer do século XX e com a globalização, a história vem tomando rumos diferentes, o termo infância vem se moldando com o tempo. Dentro das prerrogativas culturais, a criança e o adolescente passaram da figura de meros coadjuvante para indivíduos de direito que são. Na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 227, surgiu o alicerce legal e posteriormente esses direitos vêm assegurado no Estatuto da Criança e do Adolescente. As crianças precisam ser crianças, brincar e aproveitar a infância, essa fase é de grande importância na formação do indivíduo, desde o ventre materno a criança já sente quando há amor e carinho, para se desenvolver de forma mais ampla é preciso um ambiente seguro e com afeto. 3. FASES DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL Na teoria de Vygotsky, o desenvolvimento infantil se dá por intermédio da relação da criança comoutros indivíduos e o próprio meio em que está inserido. Essa interação possibilita novas experiências, e consequentemente novos conhecimentos. A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é caracterizada pela diferença entre a capacidade própria da criança e o desempenho dessa mesma criança quando tem o auxílio de um adulto para executar a tarefa. Segundo Ivic: As modalidades de assistência adulta na zona proximal são múltiplas: demonstrações de métodos que devem ser imitados, exemplos dados à criança, questões que façam apelo à reflexão intelectual, controle de conhecimentos por parte do adulto, mas, também, e em primeiro lugar, colaboração nas atividades partilhadas como fator construtivo do desenvolvimento. (IVIC, 2010, p. 33) Com o passar do tempo e a maturação a criança passa a ter a capacidade do desenvolvimento real, ela é capaz de assimilar e realizar tarefas sem o auxílio de um adulto. Segundo Ivic, “A diferença entre o nível das tarefas realizáveis com o auxílio dos adultos e o nível das tarefas que podem desenvolver-se com uma atividade independente define a área de desenvolvimento potencial da criança”. (IVIC, 2010, p. 95). A área de desenvolvimento potencial permite-nos, pois, determinar os futuros passos da criança e a dinâmica do seu desenvolvimento e examinar não só o que o desenvolvimento já reproduziu, mas também o que produzirá no processo de maturação. (IVAN, 2010, p. 96). Após Piaget observar e estudar o desenvolvimento infantil chegou à conclusão que o progresso das crianças passa por quatro etapas e na mesma sequência lógica, sendo eles: Estágio sensório-motor (até 2 anos), Estágio pré-operatório (dos 2 aos 6/7 anos), Estágio operatório concreto (dos 6/7 aos 11/12 anos) e Estágio das operações formais (dos 11/12 até a vida adulta). · Estágio Sensório-motor (zero a dois anos): Nesse estágio a criança cria habilidades motoras grossas e finas, não tem muito discernimento e não consegue se colocar no lugar do próximo. Segundo Piaget, "A evolução afetiva durante os dois primeiros anos dá lugar a um quadro que, no conjunto, corresponde, exatamente, a aquele estabelecido através do estudo das funções motoras e cognitivas”. (PIAGET, 1999, p.22) Através da acomodação e assimilação a criança começa a construir o pensamento. Esse período é conhecido como sensório motor, pois é nele que a criança adquire a inteligência prática, seu desenvolvimento está relacionado pelas ações e o meio que vive. · Estágio Pré-Operatório (dois a sete anos): Este estágio é caracterizado pela capacidade simbólica, é nessa fase que a criança aprende a socializar através da fala, dos desenhos, histórias, etc. É uma fase de grandes mudanças, início da vida escolar, começa a ter noção de tempo e espaço. Essa fase é caracterizada por alguns estágios distintos, o estágio egocêntrico (2 a 4 anos) e o estágio intuitivo (5 a 7 anos). Aparecem os esquemas representativos, também conhecidos como simbólicos. A linguagem oral e a noção de espaço se desenvolvem nessa fase, também é construído novas formas de lidar e socializar com o meio. Segundo Piaget, “a imitação senso-motora torna-se uma cópia cada vez mais precisa de movimentos que lembram os movimentos conhecidos, e finalmente a criança reproduz os movimentos novos mais complexos. A imitação de sons tem evolução parecida”. (PIAGET, 1999, p.25). · Estágio Operatório Concreto (sete a onze anos): A criança começa a ter capacidade de analisar o pensamento lógico e se torna menos egocêntrica, é capaz de constatar e explicar os atos, já diferencia o real da fantasia e vice-versa. Consegue entender e respeitar as regras, é capaz de distinguir entre o certo e o errado. De acordo com Teodoro, “Neste estágio, a criança já tem condições de lidar com operações de adição, subtração, divisão e multiplicação. Além disso, também existe a noção de conservação de quantidade.” (TEODORO, 2013, p. 29). · Estágio Operatório Formal (Acima de onze anos): Nesse último estágio proposto por Piaget começa na pré-adolescência e vai até a fase adulta, o pensamento se torna livre e crítico, o indivíduo já é capaz de analisar a realidade que está inserido, criando possibilidades de se desenvolver. Piaget aponta que nesse estágio a criança desenvolve as operações mentais e o raciocínio lógico, fatores ambientais favorecem não apenas o seu crescimento físico, mas como o social e o emocional. Teodoro destaca, “O período de operações formais é marcado pelo raciocínio abstrato. Este simbolismo permite que a pessoa aprenda conceitos subjetivos como, por exemplo, ideologia.” (TEODORO, 2013, p. 29). Para Piaget o desenvolvimento infantil é parte do pressuposto que há continuidade entre os processos biológicos e o meio em que a criança está inserida, vários são os fatores que influenciam nesse contexto, como por exemplo, se o ambiente é propício e seguro para um bom desenvolvimento emocional e intelectual. O conhecimento vai se construindo desde a infância até a fase adulta, a interação com o ambiente em que a criança está inserida interfere nesse aprendizado. 4. A INTERAÇÃO ENTRE FAMÍLIA E ESCOLA A família é tida como a primeira e a principal instituição social da criança, pois é no contexto familiar que se aprende valores básicos de moral e bons costumes; já a escola tem um papel mais educativo. Segundo Tierno, “Não é somente tarefa do sistema educativo; os pais devem aproveitar a leitura, a brincadeira e os passeios com seus filhos para lhes ensinar a descobrir coisas e como retê-las na memória”. (TIERNO, 2014, p. 127). É na brincadeira, onde a criança encontra um ambiente propício para desenvolver a atenção e concentração, trabalho em equipe, estimula relações de confiança e afeto, aumenta a autoestima e o senso de partilha. No momento de brincar a criança tem contato com sentimentos como o sucesso e frustrações, alegria e tristeza, etc. Conforme Tierno, “A brincadeira é a atividade mais importante, transcendental e insubstituível que permite à criança desenvolver suas habilidades, destrezas, inteligência, linguagem e imaginação”. (TIERNO, 2014, p. 142). Brincando de faz de conta a criança cria seu próprio mundo, onde ela é capaz de criar e reproduzir situações do cotidiano, geralmente imitando os pais nos afazeres domésticos, profissionais e de lazer. Tierno destaca que “por intermédio da brincadeira, a criança vai adquirindo uma série de conceitos e habilidades que lhe ajudarão no processo de socialização”. (TIERNO, 2014, p. 147) A brincadeira é importante no desenvolvimento da criança porque lhe permite o prazer de fazer as coisas, de imaginá-las diferentes do modo como nos aparecem, de chegar a mudá-las em colaboração com os demais, descobrindo na cooperação o fundamento real de sua vida social. (TIERNO, 2014, p. 147). É no brincar que a criança se encontra, é um momento de felicidade e satisfação; já o brinquedo é desafiador para a criança e está unido ao prazer e a capacidade de conhecer e obedecer às regras. De acordo com o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil: O principal indicador da brincadeira, entre as crianças, é o papel que assumem enquanto brincam. Ao adotar outros papéis na brincadeira, as crianças agem frente à realidade de maneira não-literal, transferindo e substituindo suas ações cotidianas pelas ações e características do papel assumido, utilizando-se de objetos substitutos. (BRASIL, 1998, p. 27, v.01). A fase de adaptação das crianças na escola é um momento importante e a instituição precisa estar preparada para esse acolhimento. De acordo com Tierno, “A criança encontrará no ambiente escolar um meio totalmente diferente do familiar, com disciplina e normas impessoais, com exigências da tarefa escolar e com uma vida coletiva completamente nova”. (TIERNO, 2014, p. 129). Ainda sobre a importância das instituições de ensino para o desenvolvimento infantil Teodoro destaca: Vale lembrar que o fato mais importante no processo de adaptação é a qualidade do relacionamento que vai se formando entre a institui��ão e a criança, através da educadora,e entre a instituição e os pais, que podem transmitir segurança aos seus filhos na medida em que podem confiar na instituição. Isso exige uma boa preparação de toda a equipe envolvida. (TEODORO, 2013, pg. 11). A criança aprende brincando e precisa aprender de maneira lúdica, buscando ferramentas diversificadas para que possam assimilar o conteúdo e vivenciar na prática esses aprendizados. As crianças já permanecem bastante tempo na escola e esse período precisa ser prazeroso para que elas gostem de frequentar e não se sintam obrigadas ou cansadas. De acordo com Ribeiro, “A criança quando brinca aprende com prazer, pois através das brincadeiras a criança satisfaz suas emoções, desenvolve suas capacidades que serão de fundamental importância para ao longo do processo de desenvolvimento”. (RIBEIRO, 2017, pp. 813-827). Educar é muito mais que repassar informações ou mostrar apenas um caminho, mas mostrar para a criança quem ela é e de que é capaz. É oferecer várias formas para que o indivíduo possa ter possibilidades de escolha e encontrar novos caminhos, de preferência aquele que concilia com seus princípios, seu olhar para o mundo e com as possibilidades adversas que poderá encontrar. (GONÇALVES E COSTA, 2018, pp. 175-186). O lúdico nas creches e pré-escolas auxilia para que os alunos aprendam e se desenvolvam de maneira mais ampla e eficiente, Segundo Genei Santos em seu artigo, “O processo de escolarização iniciado na educação infantil precisa ser de modo lúdico, o qual estimula a autonomia e promove o desenvolvimento integral da criança”. Ainda sobre a ludicidade destaca, “O mundo lúdico é o elo entre a realidade interna do sujeito e a realidade externa, compartilhado com outras pessoas”. (GENEI, 2017, pp. 41-56). A participação da família na vida escolar da criança é muito importante, a família é a base da sociedade, do cidadão, é ela que influenciará a criança nos acontecimentos e atitudes, tendo então a responsabilidade de através do cotidiano fazer com que a criança sinta segura e compreenda as situações, pois a criança reflete o que ela vê em casa e aprende através da repetição criando novas hipóteses. (RIBEIRO, 2017, pp. 813-827). É no brincar que é possível criar e aprender, evoluir e se desenvolver; durante a brincadeira a criança aprende os valores e a cultura dos pais e familiares, por isso é tão importante a participação na vida dos filhos. Enquanto a criança brinca ela aprende a respeitar regras, constrói um senso de partilha, respeitar as diferenças, a conviver em sociedade, etc. 5. METODOLOGIA E ANÁLISE DOS DADOS Ao decorrer da história vários pesquisadores e estudiosos buscam desmistificar o desenvolvimento e a evolução infantil, tendo em mente a importância dessa fase e a consequência dessa idade posteriormente na vida adulta. Com o passar do tempo e a modernização, as crianças também evoluíram e as famílias estão se adequando aos novos tempos, a quantidade de filhos reduziu drasticamente e a necessidade de garantir o sustento levou ambos os pais ao mercado de trabalho. Através da pesquisa bibliográfica é notória a importância de grandes estudiosos como Piaget e Vygotsky e como foi grande a influência deles até os dias atuais. Ao tentar entender esse universo infantil, mais encantador é perceber a importância dessa fase no desenvolvimento do indivíduo. Com o passar do tempo foi se descobrindo que não apenas os fatores genéticos podem interferir na formação do cidadão, como ressalta Tierno em seu livro A psicologia da criança e seu desenvolvimento. Segundo Tierno, “são duas as conclusões dos diferentes trabalhos científicos sobre a transcendência, tanto das características dos fatores ambientais que rodeiam a criança desde os primeiros anos como da conveniência de uma ativação prematura”. (TIERNO, 2014, p. 9). 1) Que a riqueza, variedade e adequação dos fatores ambientais, apresentados a tempo, influem de uma maneira decisiva no desenvolvimento e incremento da capacidade intelectual de uma pessoa, segundo o nível evolutivo real da criança nas diferentes áreas: psicomotricidade, pensamento, linguagem, sociabilidade, etc. 2) O quanto antes acontecer a repercussão no desenvolvimento das diferentes potencialidades, mais perceptível e enriquecedora ela será. O ideal seria que a ação e interação da criança com o ambiente mais propicio se inicie desde o berço. (TIERNO, 2014, p. 9). Tierno apresenta em seu livro um estudo sobre gêmeos monovitelinos que foram separados ao nascer e viveram em ambientes diferentes. Ao decorrer dos anos inúmeros países se destacaram em pesquisas similares e chegaram aos seguintes resultados, Conforme destaca Tierno, “As diferenças no rendimento intelectual observadas em todos os casos estudados de gêmeos monovitelinos são mais perceptíveis o quanto antes acontece a separação e quanto mais diferente é o novo espaço de ambiente e estímulo”. (TIERNO, 2015, p. 10). A infância é o momento mais importante da vida do ser humano, Tierno descreve esse período como “idade de ouro da criança”. O fator ambiental e tão importante quanto a genética nesse processo de desenvolvimento, oferecer um espaço rico em oportunidades e propício para que ela possa ser estimulada a cada dia evoluir e se desenvolver. Tierno relata estudos com gêmeos monovitelinos, “Quando se tornaram adultos, ao medir o quociente de inteligência de ambos, os pesquisadores encontraram uma diferença de 24 pontos a favor da criança que desde o princípio era mais rico e em que se favorecia a aprendizagem”. (TIERNO, 2015, p. 11). A brincadeira é fundamental para estreitar os laços entre pais e filhos, é através das brincadeiras antigas que são passadas pelos pais e avós que a criança aprende a cultura da brincadeira. É importante que a família estimule a criança desde cedo, possibilitando que ela se torne autônoma, ensinando a respeitar as regras. A criança é um ser autônomo, ser lúdico que faz suas próprias construções através do brincar, sendo que como todo ser humano a criança quando nasce já está inserida em um contexto sócio-cultural, já faz parte de uma organização familiar, ou seja, já tem uma determinada cultura e um determinado momento histórico. (RIBEIRO, 2017, pp. 813-827). Para melhor análise aplicamos um questionário em um Centro Educacional que atende crianças com a faixa etária de 01 ano e 04 meses a 06 anos de idades. O CEI tem por finalidade garantir a formação humana e educacional, a primeira etapa da Educação Básica. Nossa pesquisa de campo foi elaborada através do estudo e observação da turma do Pré I, são 22 crianças, sendo que apenas 18 participaram da pesquisa (oito do sexo feminino e dez do sexo masculino), as crianças têm entre três e quatro anos e são atendidas por uma única professora. As crianças que participaram do estudo frequentam a escola no período vespertino, das 13:00 às 15:00 horas. Elas permanecem em sala até às 16:30 horas e após esse horário vão para o pátio brincar, todas as salas da instituição revezam para brincar em diferentes locais, como, o playground, o parque de areia, a brinquedoteca, entre outros; também ajudam a cultivar uma horta. Quando as crianças saem da sala de aula, elas se sentem livres, gostam de correr no pátio e brincar ao ar livre, pois passam muito tempo em casa e na sala de aula. Muitas crianças são filhos únicos e aproveitam esse tempo para interagir com outras crianças. Durante a observação é notório a diferença no brincar entre elas, algumas são mais agitadas e causam conflitos, pois não sabem partilhar os brinquedos. A escola não pode eliminar outras atividades como a brincadeira, o esporte ou a televisão. Ensine seu filho, desde o primeiro momento, a organizar seu tempo, estabelecendo um horário funcional e flexível que lhe permita conhecer em cada momento o que ele pode fazer. (TIERNO, 2014, p. 133) As crianças são proativas e sempre dispostas a participar, algumas mais tímidas, mas no geral são carinhosas e amorosas. Essa fase do início escolar é um momento de grande importância para o aprendizado e a socialização, segundoTierno, “Aos quatro anos, a criança harmoniza melhor sua independência e sociabilidade e é mais firme e segura. É mais sistemática e cuidadosa na realização de tarefas e faz toda sorte de comentários e perguntas sobre o que não entende”. (TIERNO, 2014, p. 67-68). Toda sexta-feira a criança é livre para levar um brinquedo à escola, muitos levam bonecas e carrinhos, mas não podemos deixar de notar que houve uma criança que levou um tablete, inevitavelmente as outras crianças também se interessaram para ficar olhando, apenas “olhando” o coleguinha jogar, deixando seus brinquedos de lado. Aí fica a pergunta: Até onde os meios tecnológicos influenciam essa nova geração? Gráfico 1 - Dados da pesquisa. Como podemos perceber no gráfico 1, grande parte das famílias (setenta e dois por cento), das 18 famílias pesquisadas, exatamente em 13 delas são ambos os pais trabalham fora. Nos dias atuais a família viu a necessidade de ambos os pais trabalharem fora de casa para prover o sustento da família, a educação dos filhos ficou a cargo de terceiros (babás e familiares) e das Instituições de ensino (creches e pré-escolas); sendo necessário um espaço físico que atenda requisitos de segurança, higiene e estimulação, mas não se esquecendo da parte afetiva. É notório o sentimento de culpa da maioria dos pais pela ausência na vida dos filhos, muitas vezes esse sentimento é retribuído de maneira erroneamente e acabam cedendo aos caprichos e birras dos filhos, amar é dar carinho e amor, mas também impor limites. É difícil perceber que os filhos estão crescendo, a adaptação escolar é um dos momentos mais dolorosos, mas é preciso que eles transpassem as barreiras e se sintam confiantes e seguros para que possam crescer e se desenvolver. Conforme Teodoro: No caso da mãe, é comum se observar o sentimento de culpa por estar deixando a criança na instituição, acarretando despedidas demoradas que despertam insegurança e ansiedade. Percebe-se a dificuldade da própria mãe em desligar-se da criança. (TEODORO, 2013, p. 80). Priorizar a brincadeira e não apenas o brinquedo, para uma criança não existe a brincadeira certa, cada uma usa a imaginação e aos poucos vai criando a noção de regras e convivência. Conforme Tierno, “No caso da criança, a brincadeira adquire uma maior importância, pois, para ela, quase todas as atividades são lúdicas. Por isso, mediante a brincadeira, a criança cresce, espiritual e intelectualmente.” (TIERNO, 2014, p. 141). Através do questionário aplicado aos pais percebemos que as brincadeiras favoritas variam de acordo com o sexo da criança. Ainda existe um conceito ultrapassado de que as meninas devem brincar com bonecas e casinha, enquanto os meninos devem brincar com carrinhos e bolas. A própria indústria acaba priorizando esse paradoxo, é difícil encontrar nas lojas, por exemplo, uma cozinha de brinquedo na cor neutra, sendo que ambos os sexos podem cozinhar e cuidar dos afazeres domésticos. Gráfico 2 - Dados da pesquisa. As brincadeiras também foram mudando ao longo do tempo, o brincar se tornou mais educativo e tecnológico, muitas crianças ficam em casa jogando em tabletes e celulares ou assistindo filmes e desenhos. As brincadeiras antigas foram esquecidas no passado, com isso as crianças acabam não interagindo umas com as outras e diminuindo as atividades físicas, como correr, pular, etc. Segundo Teodoro, “Pouco se tem feito para manter as brincadeiras típicas do mundo infantil como o faz de conta. O brincar oferece à criança a possibilidade de resolver parte de seus conflitos e dificuldades, abrindo espaço para a criatividade e a fantasia”. (TEODORO, 2013, p. 12). Jamile Ribeiro ressalta em seu artigo a importância de resgatar essas brincadeiras tradicionais: As crianças de hoje em dia dificilmente conhecem as brincadeiras de antigamente, e resgatar essas brincadeiras para o cotidiano escolar das crianças é uma forma de possibilitar para elas o conhecimento de como era as brincadeiras das gerações anteriores, ou seja, brincadeiras que os pais ou até mesmo os avós dessas crianças possam ter vivenciado. (RIBEIRO, 2017, pp. 813-827). Conforme podemos analisar no gráfico 2, grande parte das crianças assistem desenhos e filmes mais de uma hora por dia, é importante a supervisão dos pais ou de um adulto enquanto elas estão assistindo, pois cada programação tem uma faixa etária indicada. Infelizmente o uso desenfreado e o acesso das crianças a programas com conteúdos inadequados e violentos, como cenas lutas, que podem gerar comportamentos agressivos na criança. No entanto, Teodoro destaca, “melhor seria oferecer modelos mais saudáveis de liberação dessa energia como, por exemplo, as atividades esportivas,...” (TEODORO, 2013, p. 100). Como a maioria dos pais trabalham fora, consequentemente passam menos tempo com os filhos, muitas vezes esse tempo empregado também não é de qualidade, pois estão presentes e ao mesmo tempo ausentes, o uso desenfreado das redes sociais acaba afastando as pessoas e as crianças são as que mais podem sofrer, prejudicando o seu desenvolvimento. Os pais precisam incentivar nesse processo, brincando e lendo junto com as crianças, é primordial criar um ambiente seguro e participar ativamente da vida dos filhos. Gráfico 3 - Dados da pesquisa. É importante que os pais participem da vida dos filhos, estejam sempre presentes e possam gerar confiança, estreitar os laços afetivos. Usar artifícios para que possa haver a interação entre ambos, saber impor limites, mas ser paciente ao ensinar; falar de maneira simples e respeitosa com os filhos, explicar e procurar entender os erros, ensinando-os a maneira correta também. (TIERNO, 2014, p. 122). Os brinquedos e as brincadeiras também mudam de acordo com o tempo e a cultura. Segundo Tierno, “O brinquedo é especialmente a oportunidade e o material facilitador da atividade que desejamos exercitar mediante a brincadeira”. (TIERNO, 2014, p. 148). O brinquedo tem que ser aberto para que a criança use a criatividade para brincar e suprir a necessidade de evoluir a cada dia. O brinquedo também passa a ter um papel educativo, “O objetivo é canalizar a energia que a criança libera para incrementar e fomentar o desenvolvimento de suas habilidades e destrezas”. (TIERNO, 2014, p. 148). Durante o período de observação podemos perceber nas crianças algumas singularidades, cada uma tem um ritmo para aprender. É possível observar que aquelas crianças que são pouco incentivadas em casa, consequentemente tem um desempenho escolar insuficiente, uma simples atividade de cortar revela que algumas ainda têm dificuldade no manuseio da tesoura e nos movimentos das mãos. A professora regente destacou que a criança que é estimulada em casa aprende com mais facilidade. É através da ação do adulto que a criança se espelha e aprende, filhos imitam os pais ou pessoas próximas e por isso bons exemplos são fundamentais, muitas vezes inconscientemente ela copia os pais e nas brincadeiras de faz e conta reproduzem atividades cotidianas dos familiares próximos. Ribeiro destaca, “É importante que a família estimule a criança desde, através de jogos e brincadeiras educativas, pois o desenvolvimento da criança no contexto família e escola e de suma importância”. (RIBEIRO, 2017, pp. 813-827) Os jogos ajudam na coordenação motora através do exercício sensório-motor e do simbolismo, favorecendo o aprendizado e a capacidade intelectual da criança, isso reflete no desempenho escolar. O brinquedo em si não é garantia de um bom uso na atividade, e sim a capacidade da criança usá-lo da melhor maneira, é necessário que a jogo ou brincadeira seja assistida pelo pedagogo ou alguém da família, o incentivo à criatividade é fundamental. Todas as brincadeiras são necessárias e contribuem para conseguir um desenvolvimento integral mais complexo e generalizado. Há brincadeiras que ativam o movimento, o vigor e a energia, e permitem à criança se balançar, rodar, esticar-se, golpear, engatinhar, empurrar, subir, saltar... (TIERNO, 2014, p. 143). No questionário aplicadoaos pais foi feita a seguinte pergunta aberta: Quais as brincadeiras favoritas dos filhos? Percebemos que a maioria das respostas varia de acordo com o sexo da criança, as meninas gostam mais de brincar de boneca, comidinha e brincadeiras mais tranquilas; enquanto os meninos gostam de brincar de bola, carrinho e andar de bicicleta. Conforme Teodoro, “Culturalmente, é aceito e esperado que as meninas sejam mais reservadas e os meninos mais ativos.” (TEODODO, 2013, 94). Foram poucas famílias que relataram brincadeiras antigas e ao ar livre, como pega-pega, esconde-esconde, etc. Poucos pais relataram que os filhos brincam com terra ou areia, somente na escola eles têm a oportunidade de brincar com terra e interagir com a natureza. De acordo com Tierno: A criança necessita descobrir a natureza e se inserir nela para aprender a amá-la e a respeitá-la. Precisa aproveitar o tempo livre para ir no campo, ao parque... Dessa forma, a criança aprenderá a cuidar das plantas, a observar os pássaros, a não sujar e a ter cuidado com o fogo. (TIERNO, 2014, p. 147-148). A professora regente ressaltou a importância da participação dos pais e da escola no contexto do brincar e a consequência disso no desenvolvimento das crianças. Os pais devem participar ativamente do desenvolvimento da criança, sua presença é fundamental em todos os momentos, é assim que a criança percebe o amor, o carinho e o afeto da família. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O assunto sobre o tema estudado é abrangente e de grande valor para ser abordado, pois é na infância que a criança forma o caráter e cria vínculos afetivos, não dar oportunidades para que ela se desenvolva de maneira plena é como cortar as asas, isso pode afetar sua vida no futuro, tornando-a um adulto inseguro e triste. Brincar ajuda na coordenação motora e no aprendizado, as brincadeiras de faz-de-conta ajudam a compreender a realidade. O interesse pelo tema se deu ainda durante o estágio supervisionado na Educação Infantil, somos mães e acadêmicas, e essa fase muito nos encanta pela importância que têm no desenvolvimento da criança. Infelizmente percebemos que com o avanço da tecnologia as crianças estão cada vez mais usufruindo dela e deixando a oportunidade de brincar, os pais acabam cedendo o apelo dos filhos pela comodidade que isso traz para a vida corrida e agitada dos tempos modernos. A interação entre as crianças e os brinquedos será capaz de criar possibilidades para que elas desenvolvam, essas relações permeiam a atividade lúdica e será um importante indicador do seu desenvolvimento influenciando a forma como encara o mundo. Vygotsky afirma, “A essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção visual, ou seja, entre situações no pensamento e situações reais”. (VYGOTSKY, 1998, p. 137). Toda criança precisa ser cuidada e estimulada para que obtenha um desenvolvimento adequado, é durante esse período que a formação moral é constituída, por isso é tão importante que a família participe durante esse processo. Oferecer um ambiente propício e seguro para que a criança viva e se desenvolva de forma saudável, criar oportunidades através do afeto e das brincadeiras, pois a criança aprende brincando. A criança tem que ser criança e aproveitar essa fase tão importante para o seu desenvolvimento. Infelizmente o papel da família foi se destituindo, a educação dos filhos ficou a mercê da televisão e meios tecnológicos, como por exemplo, celular e tablete. Muitas crianças deixaram de brincar, preferem jogar ou assistir, os pais acabam cedendo pela comodidade, sem ter noção do mal que estão fazendo. O acesso ilimitado e a falta de controle dos pais quanto ao uso desses equipamentos tecnológicos pode causar prejuízos na interação com outras crianças, acarretando o isolamento e atrapalhando o desenvolvimento saudável das crianças. Através da pesquisa pode-se concluir que o aspecto emocional e cultural está intimamente ligado com o desenvolvimento neurológico, afetando positivamente ou negativamente na aprendizagem e na formação integral do indivíduo. É notória a diferença entre uma criança que é estimula a brincar e a respeitar regras, é importante a participação dos pais para auxiliar e incentivar no processo de desenvolvimento e aprendizagem dos filhos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARIÈS, Philippe. A história social da família e da criança. 2ª ed. São Paulo: 1981. BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei 8.069/90, de 13 de julho de 1990. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil/Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. - Brasília: MEC/SEF, 1998, volume: 1 e 2. GONÇALVES, Lady Jane; COSTA, Célia Regina. O Brincar na Educação Infantil como um Ato de Aprendizagem. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição o2, Ano 03, Vol. 01, pp. 175-186, 2018. IVIC, Ivan. Lev Semionovich Vygotsky. Edgar Pereira Coelho (org.) Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010. PIAGET. Jean. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999. RIBEIRO, Jamile Cristina. A importância de resgatar as brincadeiras tradicionais no cotidiano escolar das crianças. Revista Eventos Pedagógicos. Edição 22, vol. 8, n. 2, 2017. SANTOS, Geneí Gonçalves. A Importância do Brincar na Formação do Sujeito. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 05. Ano 02, Vol. 01, pp. 41-56, 2017. TEODORO, Wagner Luiz. O desenvolvimento infantil de 0 a 6 e a vida escolar. Uberlândia, 2013. TIERNO, Bernabé. A psicologia da criança e seu desenvolvimento. São Paulo: Editora Paulos, 2014. VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. Quanto tempo por dia as crianças assistem desenhos e filmes Até uma hora De uma a duas horas De duas a três horas 5 10 3 Quanto tempo a família dedica para brincar com os filhos Até uma hora De uma a duas horas De duas a três horas 5 8 5 Pais que trabalham fora Pai Mãe Ambos 2 3 13