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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Karin Willms 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
A legislação brasileira determina que o Brasil é um Estado laico, então qual 
a razão de manter no currículo uma disciplina que verse sobre religião? 
A raça humana, entre todos os demais animais do planeta Terra, é a única 
que busca respostas para os fenômenos naturais e para sua existência. Também 
é a única a buscar subsídios que lhe permitam compreender outras dimensões e 
questões como sentimentos. Dentre essas buscas por explicações, surgem as 
religiões e os deuses, que têm como objetivo não só sanar as questões 
relacionadas à origem das coisas e do homem, mas também ao destino da 
humanidade. 
Assim, cada pessoa busca por grupos que respondam as suas questões 
pessoais, e assim as organizações religiosas vão surgindo e se 
institucionalizando, definindo normas de conduta, de convivência, estabelecendo 
cultos, ritos etc. Esses grupos organizados passam a vivenciar os preceitos de 
sua religião, não só em suas reuniões, mas na sua vida cotidiana. Assim, as 
questões religiosas passam a permear a vida em sociedade e a cultura. 
TEMA 1 – QUESTÕES GERAIS 
Segundo Figueiredo, (1995, p.41-51), 
de atuação que tem como destinatário o sujeito, religioso ou não, que 
indaga sobre as razões de ser religioso dentro ou fora da religião, a partir 
de dentro ou de fora do grupo religioso, ou em não ter religião alguma 
(Figueiredo, 1995, p. 41-51) 
Ora, a humanidade sempre foi "guiada" por alguns questionamentos como: 
De onde viemos? Para onde vamos? Por qual razão existimos? Enfim, tais 
questionamentos deram origem à filosofia, às ciências, e também à religião. Esses 
questionamentos surgem naturalmente em algum momento da vida. Durante 
muito tempo, professores de Ensino Religioso acreditaram que era sua 
responsabilidade sanar essas dúvidas através das aulas de religião, ensinando às 
crianças as respostas cristãs para essas perguntas. 
É muito comum, não só nas aulas de Ensino Religioso, mas durante o 
período letivo em geral, que algumas crianças tragam esses questionamentos. 
Porém, o professor deve separar o que é sua crença religiosa do que é a sua 
prática pedagógica. 
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Mas, se eu não posso ensinar a religião, porque a disciplina se chama 
Ensino Religioso? Como vimos na citação de Figueiredo (1995) acima, religioso é 
um nome relativamente controverso. Religioso, segundo os dicionários de língua 
portuguesa, é tudo aquilo "que é relativo à religião". Bem, nesse caso podemos 
dizer que ao trabalharmos o "calendário oficial", abordamos o religioso, pois a sua 
origem, organização e feriados etc. são cristãs. Ou seja, o que é "religioso" 
permeia a cultura e a vivência cotidiana mesmo daqueles que não são religiosos 
ou não professam nenhum tipo de fé. 
Por que o Ensino Religioso é importante? Tendo em vista os 
acontecimentos contemporâneos no Brasil e no mundo, as inúmeras notícias de 
casos de violência por motivações religiosas, e a legislação brasileira, que torna 
crime a intolerância religiosa, é de extrema importância que as crianças, com base 
na formação para a cidadania, aprendam a respeitar a diversidade de crenças e 
de não crenças1. 
TEMA 2 – MODALIDADES DO ENSINO RELIGIOSO 
O Ensino Religioso, apesar de seguir as normativas delimitadas pela Lei de 
Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (1996) e, mais recentemente, a Base 
Nacional Comum Curricular (2018), se apresenta em diferentes modalidades, 
dependendo da filosofia educacional desenvolvida pela mantenedora. Dentre as 
modalidades de Ensino Religioso, podemos destacar: 
1. Ensino Religioso Aconfessional: não expressa qualquer confissão religiosa, 
levando em consideração as questões culturais e sociais das religiões, bem 
como suas influências na história (Cristianismo + Judaísmo + Islamismo + 
Hinduísmo + Budismo + Zoroastrismo + Espiritismo + Umbanda etc.). 
2. Ensino Religioso Interconfessional: expressa os princípios e ensinamentos 
comuns de organizações religiosas de mesma base ideológica 
(Cristianismo = Catolicismo, Ortodoxismo e Protestantismo em geral). 
3. Ensino Religioso Pluriconfessional: distribui os alunos em salas de aula 
separadas de acordo com a crença que professam (Sala 1 – Católicos; Sala 
2 – Evangélicos; Sala 3 – Espíritas etc.). 
4. Ensino Religioso Confessional: visa fornecer aos alunos o ensino religioso 
de acordo com uma religião específica (Católica; ou Adventista; ou Batista; 
 
1 Assista ao vídeo indicado na seção Saiba mais. 
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ou Espírita etc.). 
Assim, as escolas públicas e privadas podem apresentar diferenças bem 
grandes com relação ao desenvolvimento dessa disciplina. As diferenças 
encontradas nas escolas podem variar da seguinte forma. 
2.1 Escolas públicas, disciplina de oferta obrigatória e matrícula facultativa 
Seguem a legislação educacional de forma mais rígida, por estarem 
diretamente vinculadas ao poder público. As escolas que compõem a rede pública 
de ensino (municipais, estaduais e federais) devem, obrigatoriamente, ofertar a 
disciplina Ensino Religioso na carga horária normal de aulas. Ou seja, de acordo 
com a lei, essa disciplina não pode acontecer no contra turno ou como extensão 
do período de aulas. Outra questão legal importante, nesse caso, é a proibição de 
“quaisquer formas de proselitismo”; assim, nas escolas públicas, o Ensino 
Religioso não deve ser apresentado na forma de “aula de religião”, ou no modelo 
“confessional”. A não participação dos alunos, uma vez que a disciplina é 
facultativa, deve ser registrada no ato da matrícula e/ou em ata junto à equipe 
administrativo-pedagógica da escola. Por se tratar de estudantes do Ensino 
Fundamental, portanto menores de idade, essa decisão deve ser registrada por 
seus responsáveis legais. 
2.2 Escolas privadas, confessionais ou não 
 Por se tratar de escolas da rede privada, as normativas se dão de forma 
um pouco diferente das escolas públicas. Assim, na rede privada, temos cinco 
modalidades de ensino referentes à religiosidade: 
1. Escolas em que não há a oferta da disciplina Ensino Religioso; 
2. Escolas que ofertam a disciplina como optativa (como acontece na rede 
pública); 
3. Escolas que tem a disciplina grade curricular “obrigatória”; 
4. Escolas que ofertam a disciplina em forma de “catequese” no contraturno; 
5. Escolas que apresentam a educação religiosa como base filosófica e 
pedagógica da instituição. 
 São escolas privadas e, portanto, matricular os filhos em uma dessas 
modalidades é “opção” das famílias; o entendimento é que nenhum princípio da 
legislação vigente é ferido com tais práticas. 
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TEMA 3 – TEOLOGIA 
A teologia foi, durante muito tempo, a base para o desenvolvimento dos 
conteúdos do Ensino Religioso. Teologia2 pode ser definida como o estudo, sob 
uma ótica humana, das “coisas divinas”, ou como o próprio nome traz “o estudo 
de deus”. Mas, ao pensarmos na acepção do termo, a teologia nos remete, 
normalmente, a estudos voltados a uma cultura judaico-cristã, por tratar a figura 
divina pelo título de “deus” ou “teo”. A teologia pode ser estudada sob diferentes 
óticas e/ou perspectivas; observamos ao longo da história que muitos se 
interessaram pelo estudo da teologia como base para o desenvolvimento de suas 
crenças religiosas (como é o caso de padres, pastores, missionários etc., que 
fazem
o estudo da teologia a fim de aprofundar os seus conhecimentos acerca da 
religião que professam), ou aqueles que a estudam a fim de compreender mais 
profundamente as questões históricas e culturais da relação do homem com o 
transcendente. 
Dentro dos cursos de Teologia, os estudos acerca do transcendente se 
aprofundam de tal forma que, para leigos, podem parecer confusos. Como é o 
caso da teologia cristã, em que teremos a presença de disciplinas como 
escatologia, bibliologia, soterologia, angeologia etc. Há ainda o envolvimento de 
questões como arte, filosofia, direito etc. 
Por se tratar de curso “confessional” – ou seja, o curso de Teologia é 
direcionado a uma religião específica (mesmo que em certo ponto apresente a 
diversidade, a base filosófica é fixada em uma religião específica) –, não há cursos 
de teologia em Universidade Públicas no Brasil. Na década de 1960, houve certo 
movimento com a intenção de criar um Instituto Teológico ligado à Universidade 
de Brasília, porém com a instalação do governo militar e o incêndio na instituição 
o projeto acabou por não ser concretizado. Durante muitos anos, em parceria com 
a Diocese de Parnaíba, a Universidade Federal do Piauí manteve um curso de 
Teologia em seu programa, porém ele foi extinto. Os melhores cursos de Teologia 
do Brasil são (Saiba quais..., 2015: 
 Unicesumar; 
 Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); 
 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); 
 
2 Assista o vídeo indicado na seção Saiba mais. 
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 Universidade Presbiteriana Mackenzie (MACKENZIE); 
 Unviersidade Metodista de São Paulo (UMESP); 
 Centro Universitário Filadélfia (UNIFIL); 
 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO); 
 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP); 
 Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP); 
 Faculdades EST (EST); 
 Centro Universitário Internacional (UNINTER); 
 Faculdade Adventista Paranaense (IAP); 
 Faculdade de São Bento (FSB); 
 Faculdade Palotina (FAPAS); 
 Instituto Tecnológico Franciscano (ITF); 
 Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA); 
 Faculdade João Paulo II (FAJOPA); 
 Faculdade Messiânica; 
 Faculdade Adventista da Amazônia (FAAMA); 
 Faculdade STBNB. 
Durante muitos anos, com resultado das bases confessionais do Ensino 
Religioso, a teologia forneceu os subsídios para a organização curricular da 
disciplina. Porém, com o processo de laiscização do Estado e, portanto, da 
Educação Pública, bem como com o crescimento da diversidade religiosa no país, 
aos poucos a teologia foi deixada de lado, dando espaço a conhecimentos 
voltados à cientificidade do conhecimento religioso numa perspectiva plural. 
TEMA 4 – CIÊNCIAS DA RELIGIÃO 
As ciências da religião podem ser definidas como um estudo interdisciplinar 
do que chamamos de “fenômeno religioso”; diferentemente da teologia, que tem 
suas bases filosóficas fixadas em uma determinada vertente religiosa, as ciências 
da religião buscam a pluralidade. As ciências da religião reúnem diferentes formas 
de compreender o fenômeno religioso, e vão buscar em diferentes pensamentos 
as explicações para seus questionamentos; assim, trazem conhecimentos 
referentes a sociologia, história, antropologia, filosofia, psicologia, estudos de 
religiões comparadas, entre outras abordagens que permitam vislumbrar a 
diversidade sob uma ótica científica. 
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Especificamente sobre o fenômeno religioso, Abreu (2018) aponta: 
O Fenômeno Religioso é explicitamente verificado em todas as épocas 
e lugares, as pessoas necessitam de um ser superior, para servir-lhes 
de consolo diante dos embates do mundo que muitas vezes deixam-nas 
aflitas e sem direção, naquele momento em que tudo parece não ter 
sentido, no exato momento em que a razão já não explica mais a nossa 
realidade, gemina a fé, a crença e a esperança num amanhã glorioso 
circundado pelo gosto da vitória. A religião solidifica nossa crença, 
amadurece nossa relação com o transcendente, nos leva a uma 
realidade metafísica para a posteriori compreendermos nossa realidade 
física e humanamente limitada. Somos limitados! Mas, nossas ações 
tornam-se ilimitadas quando deixamos frutos de nossa existência, 
quando as pessoas captam em nos valores, e, agregam esses valores 
dando novo sentido ao seu existir. Nossos valores serão sempre 
renovados com o contato religioso, quando se adere a uma religião não 
pode ser uma decisão precipitada, mas uma convicção a ser seguida, 
uma vez que as maiores de todas as religiões (Cristianismo) (Judaísmo) 
(Protestantismo) se solidificam baseados no valor da dignidade humana! 
Assim devemos conduzir nossa vida respeitando em primeiro lugar 
nossa vida e fazer dela um testemunho vivo da presença do sagrado. 
A fim de refletir e discutir sobre questões ligadas ao Ensino Religioso 
escolar, seu papel, função e modelo nas escolas públicas, algumas universidades 
têm desenvolvido cursos de licenciatura em Ciências da Religião; entre elas 
podemos destacar a Universidade Federal de Juiz de Fora e a Universidade 
Federal da Paraíba, cujos programas estão consolidados. Também vemos 
algumas universidades investindo em cursos de pós-graduação na área de 
Ciências da Religião e Ensino Religioso, com foco no trabalho em sala de aula. 
TEMA 5 – CONCEPÇÃO DE ENSINO RELIGIOSO 
Afinal, o que é Ensino Religioso? Se pensarmos apenas no significado 
“literal” das palavras, podemos ter uma ideia errada do que vêm a ser essa 
disciplina escolar. Afinal, segundo os dicionários de língua portuguesa, ensino é: 
“transferência de conhecimento”, enquanto que religioso “é tudo aquilo relativo ou 
próprio da religião”. Assim, utilizando apenas o dicionário, poderíamos ter a ideia 
errada de que Ensino Religioso é a transmissão dos conhecimentos acerca da 
religião, o que poderia ser compreendido como uma “catequese”. Por isso, para 
compreender a disciplina é preciso analisarmos não só o significado das palavras 
que compõem o seu rótulo, mas as concepções que envolvem o termo. 
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, que chamamos de PCNs, 
A religião passa a ser um dos principais aparelhos ideológicos do Es-
tado, concorrendo para o fortalecimento da dependência ao poder 
político por parte da Igreja. Dessa forma, a instituição eclesial é o 
principal sustentáculo do poder estabelecido, e o que se faz na Escola é 
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o Ensino da Religião Católica Apostólica Romana. (Fonaper, 2004, p. 
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É preciso remontar aos primórdios da História da Educação no Brasil, que 
também trata da História do Ensino Religioso, das primeiras escolas eram 
mantidas pela Igreja Católica e, assim, consequentemente, do Ensino Religioso 
era confessional. Com o texto declarando que o ensino será laico, acontece uma 
grande discussão em torno do assunto, diante da possibilidade de se excluir o 
ensino religioso no texto da Constituição de 1891, regendo a laicidade. A Igreja 
católica romana ainda continuava com sua atuação voltada para a prática 
proselitista da catequização dentro das escolas públicas brasileiras, essa fase se 
prolonga em todo percurso da história da educação brasileira, precisamente até 
os 400 anos da história. 
Porém, com o passar dos anos, a necessidade de ampliação na oferta da 
educação básica e a democratização do Ensino, o Estado passa a assumir essa 
função, tornando a escola laica e, assim, readequando o Ensino Religioso às 
necessidades sociais. 
Posteriormente, uma nova redação é dada ao art. 33 da LDB,
que definia a 
disciplina Ensino Religioso. O novo texto traz: 
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da 
formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais 
das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à 
diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de 
proselitismo. 
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a 
definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas 
para a habilitação e admissão dos professores. 
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas 
diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do 
ensino religioso. (Brasil, 1996) 
Demonstra assim essa “nova forma” de conceber o Ensino Religioso 
escolar. 
5.1 A natureza do Ensino Religioso escolar 
Ora, para compreendermos a concepção de Ensino Religioso, precisamos 
partir da concepção de Educação. A partir do momento em que a Educação 
entende o estudante como sujeito complexo que, portanto, vê o processo 
educativo como uma experiência de desenvolvimento integral desse indivíduo, é 
necessário ter uma visão sobre todos os níveis de conhecimento, entre os quais 
se encontra o conhecimento “religioso”. A ideia da criança como “uma folha em 
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branco” já foi superada há bastante tempo, pois sabemos que os alunos chegam 
a escola repletos de uma gama de conhecimentos que devem ser sistematizados, 
desmitificados e valorizados de acordo com o desenvolvimento e a faixa etária de 
cada um. 
Cada grupo e/ou sociedade é organizado de uma maneira diferente; 
podemos dizer que essas diferentes formas de organização, religiosa, política etc., 
são definidas pelo seu ethos cultural. Compreender essas diferenças culturais 
contribui para o desenvolvimento dos conhecimentos e do respeito relativos às 
diferenças (econômicas, étnicas, físicas, culturais, religiosas etc.). 
A religiosidade ou a cultura religiosa fazem parte do cotidiano escolar, 
mesmo que indiretamente. Seja no nome da escola (uma herança das influências 
da Igreja Católica no Estado e na instituição das escolas no Brasil), seja na 
vestimenta de professores e alunos, estamos cercados por elementos religiosos. 
Pensando na sistematização dos conhecimentos acerca das diferenças, nesse 
caso, religiosas, e na compreensão da religiosidade como um fenômeno cultural 
e social, a disciplina escolar Ensino Religioso caracteriza-se pela compreensão 
dessas diferenças na constituição dos sujeitos e do grupo escolar, abordando 
conteúdos que promovam a reflexão e o diálogo entre essas diferentes “formas” 
de expressão religiosa. 
Podemos observar que, nessa compreensão, o Ensino Religioso escolar 
não tem como função promover experiências religiosas, nem apresentar 
diferentes possibilidades para a escolha de “uma nova religião”. O Ensino 
Religioso escolar tem por natureza o diálogo, o “conhecer para respeitar”. Trata-
se de estimular o conhecimento acerca das diferenças e analisar suas influências 
na cultura e, por consequência, na sociedade. 
5.2 A dimensão pedagógica do Ensino Religioso escolar 
Nesse sentido, o Ensino Religioso escolar deve promover uma abordagem 
“antropológica” e “filosófica” da religião, ou seja, buscar a compreensão do 
fenômeno religioso como ação humana, dentro de uma perspectiva pedagógica. 
Ou seja, dentro de uma análise educacional, o “religioso” abordado no Ensino 
Religioso escolar tem como função auxiliar o estudante na elaboração de 
conhecimentos e atitudes com vistas à construção de relações sadias com o 
“diferente”. Podemos afirmar que o Ensino Religioso trata de reflexões acerca do 
que é relativo à vida humana; assim, o desenvolvimento dessa disciplina pode 
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impactar diretamente no comportamento dos alunos, principalmente no que se 
relaciona a ética, respeito e tolerância. 
Segundo Catão (1995, p. 44), 
Na medida em que as religiões tenderam a se institucionalizar e a se 
tornarem organizações públicas, mantidas e presididas pelo rei ou 
sustentadas oficialmente como um bem do Estado, pela comunidade 
política, introduziu-se uma distinção, mais ou menos perversa, entre 
ética, regulada pela fidelidade dos cidadãos aos costumes e bens da 
comunidade política, e a religião, cujas práticas eram ditadas pela 
fidelidade aos ritos e celebrações, independentemente da qualidade 
ética, tanto dos cidadãos como dos sacerdotes que os presidiam. 
Assim, nas comunidades ocidentais, havia uma distinção entre a “vida 
religiosa” e a “vida pública”, o que impactava diretamente na construção do ethos 
cultural. Essa separação dos conhecimentos e comportamentos acarreta uma 
“certa dificuldade” ao abordarmos a diversidade religiosa, pois mesmo o professor 
foi educado no sentido de que a vida pública e a religiosa são coisas distintas e, 
portanto, não têm conhecimentos acerca do fenômeno religioso em outros grupos, 
que não sejam o seu núcleo de convivência. Por isso, ao professor de Ensino 
Religioso, para além das funções docentes cotidianas, atribui-se um caráter 
pesquisador muito forte. 
Assim, para além da constante busca por informações e conhecimento, o 
professor de Ensino Religioso encara mais um obstáculo: O que e como fazer? 
Bem, tendo em vista que a sala de aula não é o espaço para práticas religiosas e 
que o Estado é laico, e, portanto, a escola pública também é, o professor deve 
encarar as aulas de Ensino Religioso como um espaço de reflexão acerca da 
diversidade e da superação dos preconceitos. Ou seja, deve promover o diálogo 
e a constante busca pelo conhecimento, e também as relações entre teoria e 
prática, trazendo elementos da sociedade e da cultura, e analisando-os sob a ótica 
do fenômeno religioso e suas implicações sociais. 
5.3 Ética 
Não é incomum ouvirmos, inclusive de colegas na sala dos professores, 
questionamentos como: “Pra que aula de Ensino Religioso?”, “Não seria mais útil 
ensinarmos valores?”, “Os estudantes precisam aprender ética, não religião”, 
“Melhor ética que religião” etc. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que todos 
os professores deveriam conhecer o Currículo Escolar, os PCNs, BNCC, LDB etc. 
na íntegra, e não somente os relacionados à área do conhecimento que lhes 
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compete. Ao tomar conhecimento desses documentos, boa parte desses 
questionamentos perde o sentido. Outro ponto importante para pensarmos é que, 
ao desconhecer tais documentos, boa parte dos professores traz na sua memória 
a concepção de Ensino Religioso do período em que era aluno, pois muitos 
tiveram acesso apenas ao Ensino Religioso Confessional. 
Mais um ponto para pensarmos é: de qual ética os professores falam 
quando a colocam como fundamental para o desenvolvimento dos educandos? 
Ora, segundo Catão (1995, p. 63) “Toda religião comporta uma ética e toda ética 
desemboca numa religião, na mesma medida em que a ética se orienta pelo 
sentido transcendente da vida humana”. A ética deve seguir os princípios da 
consciência e da liberdade, do respeito e do diálogo, da diversidade e da 
tolerância, aspectos contemplados pela disciplina Ensino Religioso escolar. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
ABREU, E. S. de. O fenômeno religioso. Brasil Escola, 2018. Disponível em: 
. 
Acesso em: 3 dez. 2018. 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Diário Oficial
da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 21 dez. 1996. 
CATÃO, F. O Fenômeno Religioso, São Paulo: Letras & Letras, 1995. 
FIGUEIREDO, A. de P. O Ensino Religioso: perspectivas pedagógicas. 2. ed. 
Petrópolis: Vozes, 1995. 
_____. O Ensino Religioso no Brasil: tendências, conquistas, perspectivas. 
Petrópolis: Vozes, 1996. 
FONAPER. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Religioso. São Paulo: 
Ave Maria, 2004. 
VIESSER, L. C. Um paradigma didático para o ensino religioso. Rio de 
Janeiro: Vozes, 1994. 
 
 
 
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