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O MANDADO DE INJUNÇÃO é o remédio constitucional cabível para conferir efetividade a um direito fundamental subjetivo cujo exercício está impedido em razão da ausência de norma regulamentadora. BASE NORMATIVA: Artigo 5º, inciso LXXI, da Constituição Federal: LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; OBJETIVO: Suprir omissão inconstitucional que torne inviável ao impetrante o exercício de direitos, liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. No mandado de injunção a vítima da omissão busca a realização concreta de um direito subjetivo, com a supressão do vácuo pelo magistrado. NATUREZA JURÍDICA: O MI é uma ação processual constitucional, identificada a partir de sua instrumentalidade para garantir a tutela jurisdicional do direito* inviabilizado pela omissão legislativa/ausência de norma regulamentadora. Quanto ao caráter dessa ação constitucional, o mandado de injunção já foi considerado pelo STF como ação constitutiva (MI 689, STF), bem como há precedentes que o consideram uma ação mandamental (a exemplo do MI 721, STF), uma vez que o julgador determina àquele com competência para legislar sobre o assunto que assim o faça. * ✓ direitos fundamentais ✓ liberdades constitucionais prerrogativas inerentes à ✓ nacionalidade, ✓ soberania ✓ cidadania REQUISITOS: (A) omissão inconstitucional; (B) inviabilidade de direitos, liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Tem que existir uma relação de causa e efeito entre os dois requisitos, ou seja, não basta ter uma omissão, essa omissão deve ser a causa da inviabilidade dos direitos, liberdades e/ou prerrogativas. CABIMENTO: Situações concretas de inviabilidade de exercício de direitos, liberdades constitucionais e prerrogativas, em razão da inaplicabilidade imediata de normas constitucionais de eficácia limitada que sofrem da ‘síndrome de inefetividade das normas constitucionais’. Contudo, não se exige a expressa imposição constitucional de regulamentar a norma dirigida ao legislador ou administrador, como ocorre no caso da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, a ADO. Basta apenas que o direito não tenha como ser fruído, pois inexiste forma legal para a concessão (falta total ou parcial de norma regulamentadora). REGULAMENTAÇÃO LEGAL: O mandado de injunção é regulamentado por meio da Lei nº 13.300/2016, que disciplina o processo e o julgamento dos mandados de injunção individual e coletivo. Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão legislador competente. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC E DA LEI DO MS: (Art. 14 da Lei 13.300/16) Mesmo após a aprovação da lei regulamentadora específica em 2016, a aplicação subsidiária das normas do mandado de segurança ainda é aceita em casos de mandado de injunção, conforme o Supremo Tribunal Federal decidiu, em 1990. Também se pode destacar que, caso a Lei específica não seja suficiente para definir e regulamentar o mandado de injunção, as normas do Código de Processo Civil são aplicáveis. Lei nº 13.300/2016 Disciplina o processo e o julgamento dos mandados de injunção individual e coletivo e dá outras providências. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13300.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13300.htm LEGITIMIDADE ATIVA: Art. 3º São legitimados para o mandado de injunção, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora. Pessoas físicas e jurídicas titulares dos direitos obstaculizados. Vale ressaltar que apenas indivíduos ou grupos, cujo direito constitucional represente seus interesses próprios, podem entrar com o mandado de injunção, individual ou coletivo respectivamente. A ação NÃO é gratuita, ou seja, são cobradas custas judiciais. Para impetrar mandado de injunção, o titular do direito obstaculizado deve estar representado por advogado ou defensor público regularmente constituído. LEGITIMIDADE PASSIVA: O Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora. Em outras palavras, pessoa estatal a quem pode ser imputado o dever jurídico de editar o provimento normativo (lei, regulamento, ato administrativo normativo, dentre outros). No mais, o Supremo Tribunal Federal, por diversas vezes, já afirmou ser incabível o litisconsórcio passivo, necessário ou facultativo, entre particulares e entes estatais. DOS EFEITOS DA DECISÃO Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: I – determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; II – estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do caput quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. Em sendo reconhecida a mora legislativa, será deferida a injunção para determinar o prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora, e estabelecer as condições em que se dará o exercício de direitos, ou, se for o caso, as condições em que o interessado poderá promover ação própria visando a exercê-los, até a supressão da mora. Após a edição da norma, suspende-se a eficácia da decisão. Dos efeitos ex nunc da norma regulamentadora: A norma regulamentadora que surge, somente poderá gerar efeitos a partir daquele momento, conferindo segurança jurídica aos atos praticados sob as condições estabelecidas judicialmente, salvo se a aplicação da regra editada for mais favorável aos beneficiários (art. 11 da Lei nº 13.300/2016). DOS EFEITOS (cont.): Regra: efeitos inter partes Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora. Exceção legal: ultra partes ou erga omnes § 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração; § 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática do relator”. COMPETÊNCIA: A competência para o julgamento do mandado de injunção se estabelece de acordo com a autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora, ou seja, a competência será definida conforme a autoridade responsável pela edição da norma, seja no âmbito legislativo ou administrativo. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 estabelece algumas regras de competência para julgamento e processamento do mandado de injunção, a saber: Art. 102, inc. I, q, CF/88 afirma competir ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo, originariamente, processar e julgar o mandado de injunção, quando aelaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal. Estabelece, ainda, que caberá ao Supremo Tribunal Federal julgar, em recurso ordinário, o mandado de injunção decidido em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão (art. 102, II, a). Por sua vez, estabelece o art. 105, inc. I, h, CF/88, a competência do Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar, originariamente, o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal, detendo esta última competência geral para as causas em que sejam partes a União (STJ MI 193) e seus órgãos (STF MI 193), entidade autárquica federal, como, por exemplo, o Banco Central (STF MI-QO 571) e a ANATEL (STJ MI 174) ou, ainda, empresa pública federal, salvo quando haja circunstância especial ou de um dos dois órgãos judiciários de superposição, o Supremo ou o Superior Tribunal de Justiça. Portanto, os demais tribunais e os juízos federais e estaduais teriam competência de acordo com o que a lei vier a dispor. Em suma, os juízos competentes para julgar mandado de injunção são o STF e o STJ, remanescendo competência para os demais tribunais e juízos federais ou estaduais, na forma que a lei pertinente vier a dispor. Consultar Súmula 33 do STF. https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumulas.asp?base=26&sumula=1941 Previsto nos artigos 4º a 7º da Lei nº13.300/2016 Art. 4º A petição inicial deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual e indicará, além do órgão impetrado, a pessoa jurídica que ele integra ou aquela a que está vinculado. § 1º Quando não for transmitida por meio eletrônico, a petição inicial e os documentos que a instruem serão acompanhados de tantas vias quantos forem os impetrados. § 2º Quando o documento necessário à prova do alegado encontrar-se em repartição ou estabelecimento público, em poder de autoridade ou de terceiro, havendo recusa em fornecê-lo por certidão, no original, ou em cópia autêntica, será ordenada, a pedido do impetrante, a exibição do documento no prazo de 10 (dez) dias, devendo, nesse caso, ser juntada cópia à segunda via da petição. § 3º Se a recusa em fornecer o documento for do impetrado, a ordem será feita no próprio instrumento da notificação. PROCEDIMENTO: https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumulas.asp?base=26&sumula=1941 Art. 5º Recebida a petição inicial, será ordenada: I - a notificação do impetrado sobre o conteúdo da petição inicial, devendo-lhe ser enviada a segunda via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste informações; II - a ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para que, querendo, ingresse no feito. Art. 6º A petição inicial será desde logo indeferida quando a impetração for manifestamente incabível ou manifestamente improcedente. Parágrafo único. Da decisão de relator que indeferir a petição inicial, caberá agravo, em 5 (cinco) dias, para o órgão colegiado competente para o julgamento da impetração. Art. 7º Findo o prazo para apresentação das informações, será ouvido o Ministério Público, que opinará em 10 (dez) dias, após o que, com ou sem parecer, os autos serão conclusos para decisão. PECULIARIDADES: os pronunciamentos do Supremo são reiterados sobre a impossibilidade de concessão de liminar em mandado de injunção (STF MI 283 e STF MI 542). NÃO CABIMENTO: Finalmente, vale destacar que a jurisprudência aponta hipóteses de não cabimento de MI para: a) corrigir eventual inconstitucionalidade que infirme a validade de ato em vigor (STF MI 81); b) proteger benefícios de ordem meramente patrimonial previstos em norma infraconstitucional (STJ MI 211); c) assegurar a contagem e a averbação do tempo de serviço trabalhado em condições especiais nos assentamentos funcionais de servidor público (STF AgR-MI 3.881); d) suprir lacuna ou ausência de regulamentação de direito previsto em norma infraconstitucional, e muito menos de legislação que se refere a eventuais prerrogativas a serem estabelecidas discricionariamente pela União (STF AgR-MI 766); e) lograr o controle concentrado de constitucionalidade de certa norma (STF AgR-MI 575), sequer incidenter tantum (STF MI 81); f) obter declaração judicial de vacância de cargo (STF (MI-QO 14); g) compelir a Administração a reduzir, sem previsão legal, a base de cálculo do imposto (STJ MI 168). Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria. Pode ser promovido: I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis; II - por partido político com representação no Congresso Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a finalidade partidária; III - por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal. O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos individuais. A sentença fará coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da categoria substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 9º. DIFERENÇA ENTRE MI INDIVIDUAL E COLETIVO A diferenciação entre esses dois tipos se dá em razão da natureza do direito, não dos efeitos produzidos. Os efeitos inter partes, ultra partes ou erga omnes não podem se confundir com a qualidade individual ou coletiva do mandado de injunção. Portanto, quando a injunção almejar o exercício de direito individual, o meio adequado será a ação individual. Se tratando de direitos transindividuais, será caso de demanda coletiva. DIFERENÇA ENTRE MI E ADO A duas ações para sanar uma omissão legislativa: o Mandado de Injunção (MI) e a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO). A ADO é ação do controle de constitucionalidade concentrado que busca defender a eficácia das normas constitucionais, para que seja cumprida a edição de lei que fora descrita na CF/88. É importante ressaltar que existe um rol taxativo de legitimados para propor tal ação, descrito no art. 103 CF/88. Já o Mandado de Injunção é um remédio constitucional que visa a assegurar o cumprimento de um direito fundamental individual ou coletivo. O legitimado ativo para sua impetração é o titular do direito obstaculizado pela ausência de norma regulamentadora, de acordo com o art. 2º da supracitada lei. Logo não há um rol exaustivo de legitimados ativos.