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Plano Terapêutico Singular (PTS) - Caso Clínico de Henrique A.B.Sales Henrique, um senhor de 56 anos, compareceu à unidade de saúde para uma consulta de rotina. É fumante desde os 30 anos e, ao longo da conversa, demonstrou estar bastante cansado, apresentando queixas de falta de ar ao realizar pequenas atividades, como subir escadas ou caminhar até a esquina. Além disso, relatou emagrecimento nos últimos meses e uma tosse persistente, especialmente pela manhã. Durante a avaliação física, observei que ele estava pálido, pesando 58 kg, o que é preocupante considerando sua altura de 1,73 m. Pela clínica apresenta DPOC leve, sem necessidade de oxigenoterapia, mas suas condições de saúde são complicadas por demandas emocionais. 1. Trabalhando com Pedro e sua Família Pedro enfrenta não apenas questões físicas, mas também emocionais. Ele sofre de ansiedade e depressão, sem acompanhamento psicológico regular. Sua esposa está visivelmente afetada pela situação, pois Pedro frequentemente reclama da vida e não busca ajuda. Em duas consultas, ele pediu laudos sobre sua condição mental para solicitar aposentadoria pelo INSS, mas já expliquei que não posso emitir esse tipo de laudo. Encaminhei-o a uma psiquiatra e a uma psicóloga, mas sua adesão a esses tratamentos tem sido difícil. Também tenho incentivado Pedro a participar de um grupo de tabagismo na unidade de saúde próxima, mas sua resistência tem dificultado essa participação. O ambiente familiar está tenso, pois ninguém quer estar próximo devido às constantes reclamações e brigas. Encaminhei também para o pneumologista para avaliação de minhas suspeitas, expliquei a esposa a importância dessa consulta. 2. Sinto um misto de responsabilidade e frustração ao lidar com o caso de Pedro. Ele é um paciente complicado, com dificuldades em seguir os planos propostos. Acredito que, além da medicação, a adesão a programas de reabilitação pulmonar e suporte psicológico em grupos de tabagismo seriam essenciais. No entanto, é um desafio motivá-lo a buscar essa ajuda. O apoio da família é crucial, mas atualmente, eles se sentem sobrecarregados e distantes devido ao seu comportamento, conversamos sobre a possibilidade de iniciar fluoxetina até conseguir consultas com os especialistas, e o paciente aceitou. 3. Encaminhei Pedro para uma equipe multidisciplinar que inclui um pneumologista, um nutricionista e um psicólogo. A abordagem integrada é fundamental para lidar com suas múltiplas demandas, tanto físicas quanto emocionais. Recentemente, também encaminhei Pedro a um urologista devido a queixas de dor nos testículos e dificuldade em ejacular. Os exames de imagem não mostraram alterações significativas, mas a próstata apresentou aumento benigno, e ele já havia iniciado um tratamento anteriormente, mas o abandonou. 4. Acompanhamento e Desafios Estou ciente da complexidade de acompanhar um paciente em oxigenoterapia domiciliar, caso necessário, embora atualmente não seja o caso. No entanto, sempre estou atenta aos sinais de alerta, como a piora da falta de ar, aumento da frequência respiratória ou sinais de infecção. O acompanhamento de Pedro requer paciência e persistência, e espero que, ao longo do tempo, ele possa encontrar a motivação necessária para buscar a ajuda que precisa, tanto para sua saúde física quanto emocional. A comunicação constante com a equipe de saúde será vital para garantir que Pedro receba o suporte adequado e que sua família também esteja envolvida nesse processo, durante consultas conversamos muito, dou conselhos, explico e tiro duvidas sobre a DPOC, durante reunião de equipe comentei o caso as ACS pedindo um apoio de visitas breves para ver como andam as coisas, e incentiva-lo sempre a frequentar nossos grupos de idosos, já que não temos o de tabagismo devido falta de profissionais capacitados, estrutura e recursos do município. 5. O fluxo de oxigenioterapia sou leiga, pois todo tramite é realizado pelo especialista em um centro de referência, no qual é mandado o encaminhamento e pedido para regulação e aguardar ser chamado. Em nossa unidade não temos nenhum caso de paciente dependente de oxigenioterapia no momento, mas sei que são casos especiais, que necessitam de uma atenção maior, com visitas regulares sendo intercaladas enfermeiro e médico.