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Curso de Especialização Medicina de Família e Comunidade UNB/UNASUS Módulo 4 – Ferramentas de abordagem clínica-VF Aluno: Jonas Brandão Pereira Desafio Avaliativo Escolhi descrever uma consulta recente com uma paciente tentando utilizar a sequência da Consulta em 7 Passos por considerar um método objetivo, mas que engloba a consulta de forma ampla, além de estar em conformidade com as teorias e práticas que já me utilizava tanto na faculdade quanto na prática clínica de caráter humanizado e efetivo. Quanto a consulta, inicialmente realizo minha rotina ao chegar ao consultório organizando os documentos sobre a escrivaninha na ordem que mais utilizo: receituário, solicitação de exames, guia de encaminhamento e receituário especial. Outros tantos documentos eu deixo na primeira gaveta para acessá-los quando necessário. Posiciono as cadeiras dos pacientes e mantenho também à mesa meus acessórios como esteto, esfingo, oxímetro, termômetro, carimbo e caneta. Vou até a porta e peço pra paciente entrar. Cumprimento, recebo o prontuário da mão da paciente e logo olho o nome pra iniciar a abordagem chamando-a pelo nome. Inicio a consulta com perguntas como: Qual o motivo da sua consulta hoje? O que está lhe incomodando? No que eu posso lhe ajudar hoje? A partir daí deixo a paciente falar suas queixas, faço as anotações no prontuário alguns minutos depois, mas intercalando com o olhar direcionado para o paciente. A mesma referiu tontura, cansaço, cefaleia e “aperto no peito” há cerca de uma semana. Estando preocupada pois tem a “saúde de ferro” e não costuma adoecer. Então orientada por familiares decidiu se consultar pra fazer “exames da cabeça e do coração”. Enquanto anoto algumas informações instigo ela a falar mais sobre os sintomas, afim de evitar um silencio desconfortável, como o horário e a intensidade, além de falar sobre o sono, alimentação, sintomas gástricos e urinários. Ela refere estar dormindo mal e comendo pouco. Ao tentar entender o motivo da alteração de sono e alimentação eu pregunto sobre a situação em casa como convivência ou alguma questão familiar recente. Ela refere ter perdido um parente próximo por quem tinha muita afeição há cerca de uma a duas semanas, apresentando tristeza e apatia, além de pensamentos ruins sobre doenças e morte, tanto em relação a si mesma quanto a familiares e amigos próximos. Colhi informações adicionais sobre a ausência de comorbidades apesar de estar com 60 anos de idade, entretanto apresentava familiares com HAS e DM, mas nenhum caso de IAM ou AVC que ela tenha tido conhecimento. Ao realizar o exame físico, pedindo permissão para examiná-la e explicando o procedimento, constatei ausência de alterações na Ausculta Pulmonar e Cardíaca, tendo como uma única alteração dos sinais vitais um pequeno aumento da pressão sistólica (140x80mmHg). A partir de todas essas informações pude refletir sobre a influência de seu estado emocional decorrente do luto recente em seu estado físico, interferindo em condições básicas e fundamentais para o bem-estar como a alimentação e o sono. Consequentemente, tais condições geram sintomas físicos como tontura e alteração de PA. Assim tentei de forma clara repassar essas informações para paciente sugerindo voltar nossas atenções para o seu bem-estar emocional, tentando entender que o luto é algo intrínseco a todo esse processo e que devemos buscar ferramentas para amenizar e ajudar a superar essa etapa. Informei que gostaria de encaminhá-la para a Psicóloga que atende na própria unidade e se ela gostaria disso. Ela se mostrou colaborativa após eu abordar sobre o processo do luto e como entende-lo e discuti-lo poderia acelerar o processo. Informei também sobre a possibilidade do uso de medicamentos fitoterápicos, tentando diferenciá-los de medicamentos antidepressivos ou sedativos, o que ela concordou, mas questionando sobre o uso de chás, sobre os quais orientei não haver problema, se isso a faria se sentir bem, alertando para o cuidado com o exagero nas infusões. Acrescentei a necessidade da realização de exames como Lipidograma e Glicemia devido ela ter mais de 60 anos, estar com sobrepeso e ter histórico familiar de DM. Mas expliquei de não haver necessidade da realização de exames de imagens pois não havia alterações em seu exame físico, o que ela também concordou. Ao término da consulta expliquei novamente sobre os medicamentos da prescrição e os exames solicitados, reforçando o porquê deles. Combinei seu retorno após o resultado dos exames ou caso não sentisse melhora dos sintomas ou surgisse algum sintoma novo. Antes de me despedir perguntei se havia alguma dúvida, o que ela prontamente disse que não e agradeceu, parecendo mais “aliviada”. Em relação a primeira etapa da Consulta em 7 passos acredito que preparei o ambiente como já faço normalmente, mas negligenciei o meu próprio estado emocional. Geralmente me mantenho inabalável nas consultas, mas absorvo sensações e sentimentos que me afetam posteriormente fora do ambiente de trabalho. Acredito que em relação a pactuar os planos, isso só aconteça de fato quando o paciente apresenta nível educacional mais elevado ou com melhor acesso a informações, permitindo uma troca a partir de dúvidas que requerem reflexão e não respostas automáticas. O último passo da Consulta em 7 Passos também não me foi possível realizar nessa consulta e na maioria das consultas da minha rotina de atendimento devido a não haver tempo hábil entre as consultas, devido a quantidade de atendimentos e visitas domiciliares que as vezes são realizadas no mesmo dia. Na consulta realizada a Prática em Saúde Baseada em Evidências passou pela minha própria experiencia profissional na hora de colher as informações de sintomas mais gerais e associar a outras condições que não necessariamente físicas para a elaboração do diagnóstico e tratamento, utilizando-se do Raciocínio clínico para colocar em uma ordem cronológica de causa e efeito. Além de levar em consideração as preferencias do paciente, permitindo que ele fosse informado sobre as minhas recomendações acerca do diagnóstico e tratamento e se ele as aceitava e estaria disposto a segui-las, mas também respeitando sua crença em meios de tratamento alternativo, mas cultural como o uso de infusões. Entretanto, a busca por evidências cientificas permaneceu no campo da experiencia particular, sendo algo não utilizado por mim tão rotineiramente no consultório, transferindo esse processo pra fora do consultório a partir das minhas anotações e dúvidas sobre os casos consultados que serão analisados a posteriori. Em algumas situações me utilizo de aplicativo médico ou resumos impressos que separei por antecedência. Acredito ter aplicado a ideia da Prevenção Quaternária evitando tratamentos desnecessários e a realização de exames sem indicação, sempre tentando explicar os motivos de prescrição ou não de medicamento e solicitação ou não de exames. Além de tentar deixar o paciente ciente do processo e indagar sua concordância. Apesar de perceber que muitos dessas habilidades e ferramentas da abordagem clínica eu já utilizava pensando sempre em garantir uma boa relação médico-paciente, o conhecimento teórico nos faz refletir sobre o quanto podemos melhorar nosso atendimento através de uma melhor estruturação de todo o processo. Além de ampliar nossa visão do todo e ser capaz de detectar quando se faz necessário utilizar de abordagens mais eficazes de acordo com a individualidade de cada indivíduo. Um dos maiores entraves na aplicação prática dessas ferramentas estudadas se deve ao fato de negligenciar o meu bem-estar, empatia, mente e corpo que algumas vezes não estão em harmonia. Com isso acabo cedendo ao caminho mais fácil e dar ao paciente o que ele quer e não o que ele precisa, não baseado necessariamente na minha opinião, mas baseado em evidências e protocolos.