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N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 421 Contratação Direta Outro tema de suma importância bastante cobra- do nas provas de concursos, é a possibilidade de afas- tar o procedimento licitatório pelo gestor e optar pela contratação direta (sem licitação). Destacamos, que a regra é a obrigatoriedade de prévia licitação para celebração de contratos adminis- trativos. Como exceção, a Lei Geral de Licitação auto- riza a realização de contratação direta sem licitação, nos seguintes casos: Dispensada Art.17º Lei 8.666/93 Contratação Direta (sem licitação) Dispensável Art.24º Lei 8.666/93 Inexigível Art.25º Lei 8.666/93 z Licitação Dispensada Os casos de licitação dispensada não envolvem a possibilidade discricionária, como nas hipóteses con- vencionais de dispensa, se a Administração escolher entre promover a licitação ou realizar a contratação direta. Trata-se, portanto, de situações em que a con- tratação direta é uma decisão vinculada. Simplificando o conceito: nessa situação, existe a viabilidade de realização da licitação, mas o legislador proíbe a sua ocorrência. z Licitação Dispensável Previstos taxativamente no artigo 24 da Lei nº. 8.666/93, os casos de dispensa envolvem situações em que a competição é possível, mas sua realização pode não ser para a Administração conveniente e oportuna, à luz do interesse público. Assim, nos casos de dispen- sa, a efetivação da contratação direta é uma decisão discricionária da Administração Pública. Simplificando o conceito: nessa situação, existe a viabilidade de realização da licitação, mas o legisla- dor expressamente autoriza que o gestor público opte pela contratação direta. z Inexigibilidade As hipóteses de inexigibilidade estão previstas exemplificativamente no artigo 25 da Lei nº. 8.666/93. São casos em que a realização do procedimento lici- tatório é logicamente impossível por inviabilidade de competição, seja porque o fornecedor é exclusivo, seja porque o objeto é singular. Simplificando o conceito: neste último caso de contratação direta, há a inviabilidade do procedi- mento licitatório, o que torna a realização da licitação impossível. Para a melhor fixação, no esquema abaixo, sinteti- zamos os principais pontos da contratação direta: CONTRATAÇÃO DIRETA DISPENSADA DISPENSÁVEL INEXIGÍVEL Viabilidade de licitação Viabilidade de licitação Inviabilidade de licitação Gestor não pode realizar a licitação Gestor pode op- tar pela licitação Licitação impossível Hipóteses Taxativas (Art 17º) Hipóteses Taxativas (Art 24º) Hipóteses Exemplificativas (Art 25º) Estamos finalizando os principais pontos cobrados em relação à Compras no setor Público, esse assunto também é cobrado com maior profundidade na disci- plina de Direito Administrativo e sempre é aconselhá- vel a leitura da lei referentes ao tema. É hora de praticar o que aprendemos! EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) Julgue o item, relativo à administração de pessoal e a processos de compras governamentais no âmbito do setor público. A modalidade de licitação utilizada para a venda de produtos legalmente apreendidos ou penhorados é denominada concurso. ( ) CERTO ( ) ERRADO A modalidade de licitação utilizada para a venda de produtos legalmente apreendidos ou penhorados é denominada leilão. É o que diz o artigo 22, parágrafo 5º da Lei 8.666/1993: “o Leilão é a modalidade de lici- tação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação”. Resposta: Errado. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2020) Julgue o próximo item, relativo à licitação de obras públicas. Em processo licitatório para escolha de trabalho técni- co, científico ou artístico, deve-se utilizar uma combi- nação das modalidades convite e concurso. ( ) CERTO ( ) ERRADO A Lei de Licitação veda a combinação entre as modalidades licitatórias. Ademais, não é o caso de convite, mas sim isoladamente de concurso. Respos- ta: Errado. 422 RECEBIMENTO E ARMAZENAGEM ENTRADA, CONFERÊNCIA, CRITÉRIOS E TÉCNICAS DE ARMAZENAGEM Gestão dos Centros de Distribuição Nos tópicos anteriores, estudamos “o que, quanto e quando comprar” (Gestão de Estoques) e “De quem e com quais condições comprar” (gestão de com- pras), agora chegou o momento de definirmos como controlar fisicamente os materiais na organização, e isto é responsabilidade da gestão dos centros de distribuição. Os Centros de distribuição de uma organização, em uma visão macro, são responsáveis pela gestão do fluxo de entrada, movimentação interna e saída de materiais. Sintetizando: Gestão de Almoxarifados Movimentação (Interna e Externa) Centros de Distribuição Gestão de almoxarifados Neste tópico, vamos entender o que é, como fun- ciona, suas atividades e quais os objetivos do famoso almoxarifado. O almoxarifado é peça fundamental em qualquer organização, é onde acontece o recebimento, a clas- sificação, a guarda e, após o requerimento dos mais diversos setores, a distribuição do material. A gestão dos almoxarifados, aplicando as boas prá- ticas do mercado, pode significar um grande aumento na lucratividade da organização. Por essa razão, cada vez mais as empresas se preocupam em aplicar roti- nas rigorosas neste setor, na busca da máxima prote- ção dos bens estocados. Podemos definir a gestão de almoxarifados como sendo o conjunto de atividades que visam a fiel guarda dos itens materiais estocados na organização, no intuito de garantir a manutenção de sua integridade e preserva- ção, até a distribuição aos clientes (internos e externos). Desse modo, o almoxarifado é o local designado à fiel guarda e à conservação dos itens materiais, em recintos cobertos ou não, em estoque ou em uma empresa. Importante! A pessoa encarregada de um almoxarifado é chamada de Almoxarife. Portanto, os almoxarifados deverão ser dimensio- nados para atender às necessidades das organizações quanto à guarda provisória dos materiais e ao arranjo físico (layout) de suas instalações, com a finalidade de minimizar os custos operacionais, maximizar a pro- dutividade e permitir um rápido fluxo nos processos de recebimento, guarda e expedição. Segundo Gonçalves, um dos maiores especialistas nesta disciplina, são três fatores que podem influen- ciar consideravelmente a redução de custos e o aumento da produtividade, são eles: z Eficácia na utilização dos equipamentos de movi- mentação e transporte. z Utilização de pessoal qualificado e treinado para realizar as operações internas. z Maximização do uso do espaço cúbico disponível. Qual a diferença entre o Almoxarifado e o Depósito? O almoxarifado cuida dos insumos (matérias-pri- mas) necessários à produção, enquanto o depósito recebe os produtos acabados no final da produção para posteriormente disponibilizá-los aos clientes finais. Nesse sentido, em um processo contínuo, são ativi- dades básicas na gestão de almoxarifados: RECEBIMENTO CLASSIFICAÇÃO MOVIMENTAÇÃO ARMAZENAGEM DISTRIBUIÇÃO N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 423 Agora que já conhecemos as atividades básicas do almoxarifado, vamos entender como cada uma con- tribui para consecução dos objetivos da Administra- ção de Materiais. Recebimento O recebimento é a atividade entre a compra e o pagamento do fornecedor, sendo de sua responsa- bilidade a conferência dos materiais destinados a organização. Conforme Viana, o fluxo de recebimento de mate- riais pode ser dividido em quatro fases: 1º fase: Entrada de materiais 2º fase: Conferência Quantitativa 3º fase: Conferência Qualitativa 4º fase: Regularização z 1º fase: Entrada de materiais Representa o início do processo de recebimento, tendo como propósito a recepção dos veículos trans- portadores; verificação de dados básicos daentrega e o encaminhamento para a área de descarga. Nesta etapa, a pessoa encarregada assina o docu- mento fiscal (“aceite da nota”) que acompanha o material, apenas para fins de comprovação da entre- ga (data). z 2º fase: Conferência Quantitativa É a verificação se a quantidade declarada pelo for- necedor na nota fiscal corresponde a quantidade efe- tivamente entregue, ou seja, a típica contagem. Exemplificando, é quando a pessoa encarrega- da confere o quantitativo real com o que consta na nota fiscal. Por exemplo, se na nota fiscal constar dez caixas de papel A4, deve ser entregue essa mesma quantidade. z 3º fase: Conferência Qualitativa É a confrontação das condições técnicas contrata- das com as consignadas na nota fiscal, examinando os seguintes itens: z Características dimensionais (dimensões) z Características específicas (marcas/modelos) z Restrições de especificação Exemplificando, se na nota fiscal constar que o papel A4 deve ser ecológico, a pessoa encarregada da conferência deve atentar para essa característica. z 4º fase: Regularização A regularização caracteriza-se pelo controle do processo de recebimento, pela confirmação da con- ferência quantitativa e qualitativa, para decidir se aceita (entrada do material no estoque) ou recusa (devolução do material ao fornecedor) o material. Exemplificando, se todas as fases anteriores esti- verem dentro do combinado, a pessoa encarregada aceita o recebimento e encaminha para a descarga no almoxarifado. Classificação A classificação de materiais já foi estudada profun- damente nos tópicos anteriores deste material. Relembrando o conceito, temos: Classificar um material é saber agrupá-lo confor- me suas características, ordenando-os através de cri- térios pré-determinados. Essa etapa é de suma importância, pois, a medida em que se classifica corretamente os materiais, por parte do gestor, torna-se possível a escolha dos melho- res métodos de movimentação e armazenagem dos materiais. Movimentação A movimentação de materiais é a etapa responsá- vel pelo transporte dos materiais recebidos (muitas vezes na portaria da empresa) até o almoxarifado, onde acontece a sua armazenagem. Para o alcance dos seguintes objetivos, o planeja- mento da melhor forma de movimentação deve ser buscado: z Otimizar o fluxo de materiais do recebimento até o almoxarifado; z Priorizar critérios de saúde e segurança do tra- balho, evitando assim a fadiga e lesões dos funcionários; z Permitir que a movimentação não atrapalhe a roti- na do almoxarifado. Desse modo, em busca da eficiência, o sistema de movimentação e transporte de materiais deve observar algumas regras relacionadas ao fluxo dos materiais, denominadas leis de movimentação dos materiais, são elas: 424 z Lei da obediência do fluxo das operações: Plane- jar as trajetórias de movimentação, mantendo a sequência das operações. z Lei da mínima distância: Maximizar ao máximo as distâncias na movimentação e no transporte. z Lei da manipulação mínima: Evitar a manipulação dos materiais ao longo do ciclo de processamento e sempre que possível utilizar o transporte mecâ- nico e automatizado. z Lei da máxima utilização dos equipamentos: Utili- zar ao máximo os equipamentos. z Lei da máxima utilização do espaço disponível: Utilizar ao máximo o espaço cúbico disponível. z Lei da segurança e da satisfação: Prevenção da segurança e fadiga dos colaboradores. z Lei da padronização: Utilizar, ao máximo, os equi- pamentos padronizados. z Lei da flexibilidade: Utilizar equipamentos flexíveis que podem ser usados em diferentes tipos de cargas. z Lei da máxima utilização da gravidade: Utilizar ao máximo a gravidade para movimentação e o trans- porte de materiais. z Lei do menor custo total: Selecionar os equipamentos, analisando o seu custo-be- nefício (custo total comparado com o tempo de vida útil). Respeitando as leis da movimentação acima, che- gou o momento de escolher os equipamentos mais adequados para a movimentação. Eles constituirão o sistema de movimentação interna. A análise da escolha do melhor equipamento varia em função das características da movimentação. Entre os equipamentos mais utilizados no transporte e manuseio dos materiais, podemos citar: z Paleteiras Utilizadas para o transporte manual de pallets, em roteiros aleatórios de curta distância e com aciona- mento manual ou elétrico. Tipos de Paleteiras. Fonte: Gonçalves, Paulo Sérgio. Administração de Materiais (p.389). Fonte: Dias, Marco Aurélio P. Administração de Materiais (p. 231). z Empilhadeiras Equipamento para a movimentação e estocagem automatizados de pallets, cuja principal vantagem é a otimização do espaço vertical. As empilhadeiras podem ser elétricas, a gás ou a combustão (diesel ou gasolina) e disponíveis nos modelos frontal, lateral ou trilateral. Empilhadeira Elétrica. Fonte: Dias, Marco Aurélio P. Administração de Materiais (p. 232). Atlas. Para utilização das empilhadeiras, é necessário mão de obra especializada (operador especializado). As empilhadeiras laterais são utilizadas, especial- mente, para o manuseio de peças de grande compri- mento, tais como tubos, barras, tábuas e etc. Elas possuem seus garfos do lado e apanham as suas cargas no sentido perpendicular ao seu desloca- mento, eliminando a necessidade de se virar a máqui- na dentro do corredor. Empilhadeiras laterais. Fonte: Dias, Marco Aurélio P. Administração de Materiais (p. 237). Atlas. Essa possibilidade em se deslocar no sentido per- pendicular ao seu eixo, proporciona uma maior liber- dade de movimento, conferindo uma versatilidade de alta eficiência, tanto para cargas regulares quanto para cargas de grande comprimento. z Tratores Equipamentos destinados à movimentação de car- gas em fluxos horizontais.