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CURSO DE FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA MARIA ACIRENE GOMES MONTEIRO MÓDULO 11 – NEUROSE, PSICOSE E PERVERSÃO Palmas – TO 2023 NEUROSE, PSICOSE E PERVERSÃO A neurose é uma das formas pelas quais o organismo psíquico pode se defender contra conflitos que não foram submetidos à repressão total (NASIO, 1991). A formação do trauma cria um excesso de força de energia na psique que precisa ser reprimida, mas o processo de repressão também se origina na psique, na qual ela tenta controlar essa carga para que as forças entrem em conflito. No caso das neuroses, a repressão falha, de modo que o excesso de energia gerado pelo trauma (também chamado de gozo inconsciente e doloroso), supera a força do recalque e coloca o sujeito à mercê de um sofrimento profundo, de modo que a neurose se desenvolve como forma de proteção do organismo, que transforma esse gozo doloroso sem ser totalmente destrutivo para o sujeito (ZIRMERMAN, 2004). Existem basicamente três grupos de categorias por meio das quais se desenvolvem os processos de defesa: histeria, obsessão e fobia. Esses três tipos de neurose compartilham o objetivo de substituir o gozo inconsciente e perigoso pelo sofrimento consciente e tolerável, mas podemos distingui-los de acordo com os principais mecanismos de defesa utilizados nessa transformação do excesso de carga, portanto, eles têm três maneiras diferentes de experimentar a neurose (NASIO, 1991). A neurose como uma obsessão refere-se ao sofrimento consciente no pensamento. Nesse estado, o gozo inconsciente e perigoso passa para o pensar, para o reino da imaginação consciente (NASIO, 1991). Freud, diz que a carga afetiva é separada de sua ideia original e associada a outras representações toleráveis. Deste modo, na neurose obsessiva, a representação original associada ao trauma é substituída por representações que fazem parte da vida da pessoa no momento do aparecimento dos sintomas obsessivos, podendo esta substituição ser consciente ou não (Macedo, 2005). Um exemplo típico se trata de pacientes que têm rituais de especial valor religioso, que os realizam por acreditar que, se não forem realizados, trarão consequências terríveis, acreditam em presságios e outros (OLIVEIRA, 2011). A neurose, como a fobia, refere-se ao sofrimento consciente em relação ao mundo exterior. Nesse caso, o gozo inconsciente e insuportável é projetado para fora do sujeito, cristalizado em algum elemento do meio externo, que se torna um objeto ameaçador (NASIO, 1991). Um exemplo dessa condição, é o caso estudado por Freud sobre o pequeno Hans, onde Freud discute como a fobia apresentada por Hans em relação aos cavalos, na verdade, representa a ansiedade que surge em Hans quando ele percebe a falta de um falo nas mulheres, e relaciona isso ao castigo paterno, ansiedade que surge, segundo Freud, neste mesmo caso, os meninos podem vivenciar o fim do complexo. Wolf Man, onde o medo de cavalos é substituído pelo medo de lobos (HENCKEL; BERLINCK, 2003). Segundo Zimerman (2004), é difícil encontrar um neurótico puro, ou seja, alguém cujos sintomas sejam apenas neurose. Como a predominância de neuroses mistas é comum. No entanto, a maioria da população sofre de neurose, apresentando certo grau de sofrimento ou adaptação, mas mantêm uma integração razoável de si mesmos, têm boa capacidade de julgamento crítico e de adaptação à realidade, “apesar do fato de que, em certa medida, há sempre uma parte psicótica da personalidade em todo neurótico” (ZIRMERMAN, 2004, apud BION, 1957). PSICOSE Segundo Zimerman (2004), o termo “psicose” não possui uma definição clara. Dividindo, clinicamente, em três categorias: psicoses (propriamente falando); estados psicóticos; e estados psicóticos. A psicose é um processo de degradação do ego que causa sérios prejuízos ao contato com a realidade. Um exemplo disso é a esquizofrenia. Um estado psicótico refere-se à preservação de regiões do ego que atendem a duas condições. Já indivíduos borderline, apesar de suas psicoses, são mais adaptáveis ao mundo exterior em comparação com os esquizofrênicos. Logo, os estados psicóticos referem-se a sujeitos bem ajustados ao mundo exterior, mas que apresentam estados mentais que os caracterizam como psicóticos. Segundo Freud (1924), a psicose seria um conflito entre o ego e a realidade externa. O núcleo estrutural central tem como fator predominante o princípio do prazer e não o princípio da realidade. Ou seja, há um distanciamento do ego e uma aproximação do id, que, tentando reparar os danos causados pelo distanciamento, o sujeito entra em contato com a realidade, mas através do id. O que explica os principais sintomas como: delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado, períodos que podem ser muito agitados ou muito lentos, mudanças repentinas de humor, como tornar-se muito feliz em um momento e deprimido em outro, confusão mental, entre outros (SOARES e MIRANDOLA, 1998). Deste modo, na psicose, o id é o fator de influência predominante, havendo necessariamente uma perda da realidade, ainda que em intensidade variável e em momentos distintos. Tem dois aspectos principais, um é sobre a despersonalização, que é sobre o conhecimento que o indivíduo tem de si mesmo e o segundo aspecto diz respeito à desrealização, que é o conhecimento do mundo pelo indivíduo (BOSA; CALLIAS, 2000; FREUD, 1996). No tocante ao diagnóstico, menos de 1% da população é diagnosticada com esquizofrenia após os 18 anos, abaixo desta idade é considerada "esquizofrenia de início precoce" e antes dos 13 anos como "esquizofrenia de início muito precoce" devido à raridade de início na infância. Existem diferenças entre diferentes autores quanto à validade do diagnóstico de esquizofrenia na infância. Como o desenvolvimento não está completo, não há como formalizar o diagnóstico, pois as condições de desequilíbrio se configurarão apenas na fase adulta. Diagnosticar desequilíbrios mentais crônicos na infância apenas estigmatiza as crianças e prejudica seu desenvolvimento, diz esta linha de autores (MEYER, 2008; BOSA e CALLIAS, 2000). PERVERSÃO A perversão, assim como a neurose e a psicose, é uma psicopatologia. A definição de perversão está relacionada a algum tipo de comportamento sexual depravado ou que represente um desvio da normalidade. De modo geral, a perversão é entendida como sinônimo de depravação sexual. No entanto, essa definição é muito limitada em si mesma para que possamos considerar um conceito mais amplo de perversão como psicopatologia na clínica psicanalítica. A perversão é uma psicopatologia que se estrutura como uma forma de transgredir o que é convencional (MARTINHO, 2011). A perversão está relacionada a um desvio de comportamento existente desde a infância e cujo desenvolvimento se intensificou na idade adulta. Portanto, é fundamental que o analista se debruce sobre o material do passado do paciente para ter mais pistas na hora de fazer um prognóstico (ZIMERMAN, 2004). No campo da psicanálise, a pesquisa sobre a perversão sexual pode ser dividida em três etapas. O primeiro momento marcado pela publicação de “a neurose é o negativo da perversão” publicado em “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”; o segundo momento se referindo à teoria do Complexo de Édipo, que se trata da caracterização do núcleo das neuroses e das perversões; e no terceiro momento quando Freud define a recusa da castração como mecanismo essencial da perversão. Aborda como traços polimórficos anormais perpétuos na vida adulta, típicos do sexo genital pré-infantil, prejudicam o que ele considera o sexo genital normal (MARTINHO, 2011; ZIMERMAN, 2004). O conceito de perversão esteve imbuído de preconceitos, estigmas e ideias moralistas ao longo de todo o tempo. Com o avanço dos estudos psicanalíticos, essa terminologia ganhou um novo redirecionamento, caracterizando-se como um conjunto de comportamentos que buscam o prazer de modo continuado sendo estruturado a partir da infância se desenvolvendo no mundo adulto com base na fixação do desvio quanto aoobjeto do desejo. BREVE RELATO DO FILME “CISNE NEGRO” O filme gira em torno da personagem principal, Ninna, uma bailarina do principal Ballet da cidade de Nova York em busca de maior destaque, o qual procura obter com disciplina e dedicação férreas na busca da perfeição completa. Observa-se nas primeiras cenas, uma moça de vinte e poucos anos acordando em um quarto de “princesa”, extremamente infantilizado para sua idade. No café da manhã, com sua mãe, as únicas habitantes da casa, também reina um clima infantil. Logo de início, o filme nos leva a entender que Ninna não tem outros interesses na vida a não ser a dedicação total à dança, no que conta com total apoio da mãe (uma ex-bailarina), que aparentemente não alcançou o sucesso almejado e agora busca se realizar através da filha, com inúmeros indicativos de sentimentos ambivalentes com relação a isso. Em nenhum momento do filme há uma presença paterna, ainda que somente mencionada. Sabe-se apenas que a mãe parou de dançar aos 28 anos quando ficou grávida. Ao chegar no Ballet para os ensaios gerais, Ninna fica sabendo que será feita uma nova montagem do ballet “O lago dos cisnes” de Tchaikowsky , e também que a principal bailarina até então irá se aposentar, lavando-a a buscar o papel principal. No entanto, o diretor, Thomaz, não demonstra qualquer inclinação para escolhê-la, pois acha que ela, apesar de tecnicamente perfeita, não possui a paixão e a sensualidade exigidas para desempenhar, os papeis do cisne branco (a jovem donzela transformada em cisne por um feitiço) e o cisne negro (a rival que seduz o príncipe que poderia desfazer a maldição). Porém, Ninna lança-se na busca pelo papel e Thomaz acaba por julgar possível que ela o desempenhe. Mas para isso, o diretor, busca tentar despertar nela, de todas as formas, a sensualidade necessária para tal papel, levando-a a romper limites até então adormecidos e pressionando-a sem tréguas para que demonstre a paixão e a força necessárias. Chega, inclusive, a lhe sugerir que se masturbe, para poder desenvolver alguma sensualidade. Ninna obedecerá, mas irá se deparar com a mãe sentada na poltrona ao lado de sua cama, adormecida, fazendo com que se iniba e sinta constrangimento. Vê-se que Ninna apresenta algumas irrupções cutâneas nas costas, aparentemente derivadas de uma compulsão por se coçar e também apresenta sangramento nas cutículas das unhas. A mãe, quando vê estes sinais, que já existiram e que, aparentemente, julgava resolvidos, apressa-se a cortar suas unhas de forma agressiva numa clara demonstração de impaciência. Em várias outras situações, vê-se a presença onipresente nociva da mãe, com amargura, inveja e até mesmo com sutil violência, ao mesmo tempo em que tenta se alegrar com o sucesso da filha. Há uma relação bastante doentia entre elas, entre a extrema dependência e a hostilidade, neste caso, principalmente da mãe. Com o avanço das cenas, Ninna começa a ter alguns delírios, principalmente com imagens, por exemplo: uma pessoa que se aproxima no metrô de forma meio assustadora que, ao chegar perto, tem sua própria cara. Enquanto Ninna luta para atingir os padrões de garra e sensualidade exigidos pelo diretor, muitas vezes beirando o sadismo, surge a figura da rival/amiga, Lilly, uma bailarina recém chegada à cidade, cheia de sensualidade e naturalidade, escolhida como a substituta de Ninna, caso necessário, mas que também busca alguma aproximação com ela. Nesta aproximação, Ninna como que desperta para o crescimento e enfrenta a mãe pela primeira vez, ao concordar em ir jantar fora com Lilly. No jantar, Lilly lhe oferece ecstasy, para que ela relaxe, mas ela recusa. Depois, em uma boate, Ninna acaba tomando um drink com a droga e se solta mais. Uma cena traz forte esta busca pelo crescimento e pela separação da mãe: numa de suas crises com os ensaios e com as exigências de Thomaz, Ninna chega em casa e joga no lixo todos os bichinhos de pelúcia que enfeitavam seu quarto de princesa. A partir daí, os delírios que já vinham aumentando conforme a pressão aumentava, tornam-se constantes, a ponto de não sabermos exatamente o que é real o que é imaginário. Em vários momentos, além de delírios surgem algumas alucinações; vê-se uma figura com toques demoníacos surgindo. Em uma das cenas, Ninna vai para casa com Lilly após a balada e fazem sexo com volúpia, levando Ninna a um forte orgasmo. Lilly já não está em casa quando acorda e a mãe sequer lhe dirige uma palavra, demonstrando a liberdade que a personagem tem em sua casa. Ao chegar atrasadíssima para os ensaios (a estréia está chegando), Ninna vê Lilly ensaiando no papel principal e Thomaz é bastante ríspido com ela, levando-a a crer que tivesse perdido o papel. Posteriormente, Lilly vem se explicar quanto à situação, Ninna indaga porque ela não estava em casa pela manhã, quando Lilly olha com estranhamento: todo o desenrolar posterior à balada tinha sido apenas outra alucinação de Ninna ou só um sonho, como manifestação de desejo? A figura de Lilly também apresenta algumas dubiedades: não se sabe até que ponto pretende o lugar de Ninna como bailarina principal e até que ponto, de fato, tem alguma estima por ela e sua aproximação é autêntica. Na véspera da estréia, Ninna fica ensaiando até mais tarde que todos, tem outra alucinação com a bailarina aposentada, e, ao chegar em casa, tem uma séria briga com sua mãe, chegando a agredi-la. No dia seguinte, a mãe não a chama na hora e avisa ao diretor que ela não está bem. Quando ela acorda e percebe a situação sai correndo para o teatro; chegando, vê Lilly já pronta para assumir o papel. Ninna age como se estivesse tudo bem e começa a se maquiar para o espetáculo – Thomaz se convence a deixa-la se apresentar. No primeiro ato, quando apenas o cisne branco está em cena, Ninna está assustada, e tem alguns delírios – não consegue o desempenho satisfatório e chega a cair das mãos do bailarino seu partner. Thomaz fica furioso no intervalo e ela se tranca em seu camarim quando se encontra com Lilly, que a desafia e confronta dizendo que ela irá fazer o papel de cisne negro. As duas brigam fisicamente e um espelho é quebrado; com um dos cacos, Ninna atinge Lilly que sangra até desfalecer ou morrer? Durante a briga, Lilly ora aparece com sua cara, ora com o rosto de Ninna com expressão demoníaca. Ninna esconde o corpo no banheiro, limpa a sujeira e segue para o segundo ato, o ato do cisne negro. Neste ato, Ninna se transforma em cisne negro e o filme lança mão de artifícios em que se vê a transformação física da personagem em um ser cheio de paixão, sensualidade e ira. O desempenho é magnífico e todos ficam maravilhados. Ao retornar para o camarim, antes do ato final, Lilly bate à porta para cumprimentar a amiga: a briga havia sido mais uma alucinação de Ninna. No último ato, Ninna arrebata a todos com intensidade absurda, ao subir ao alto, de onde se lança, como cisne branco, para a morte. Quando os aplausos explodem, Thomaz e todas as demais bailarinas vão busca-la para os agradecimentos, quando percebe-se que ela está sangrando verdadeiramente na altura de onde supostamente tinha atingido Lilly com o caso de espelho; nesse momento, morre, dizendo “foi perfeito!”. ANÁLISE DOS PERSONAGENS DO FILME O personagem de Ninna, no filme, sugere a existência de estrutura psicótica: há uma visível fusão com a mãe, em que as bordas de uma e de outra chegam a ficar borradas. Além disso, é clara a ambiguidade da mãe com relação à filha, manifestando a inveja que sente da filha que está lhe ultrapassando profissionalmente e parece lhe atribuir a culpa por sua carreira não ter decolado – hipótese inverossímil, pois engravidou com 28 anos (velha para uma bailarina). A mãe é uma figura tóxica, invasiva, sádica, que mutila a filha com seu cuidado excessivo e constante. Sendo a mãe, a única referência para Ninna. Não se sabe nada sobre o pai, nem mesmo cita sua figura ao longo do filme, de forma que não se sabe se a mãe é solteira, viúva, divorciada. Visivelmente, a função paterna não entrou e não foi feita a devidainterdição. A célula narcísica permaneceu e fica claro que a mãe não permitiu qualquer função paterna na forma infantilizada que se relaciona com a filha. Qualquer movimento da filha que sugira um mínimo de independência e desejo próprio e prontamente barrado pela mãe. No caso de Ninna, parece que a psicose ficou adormecida pelo tempo em que sua rotina era a busca obsessiva pela perfeição, com disciplina e controles constantes, porém, ao ser exposta a uma situação de estresse, ela perde o controle e seu ninho narcísico com a mãe, eclodindo a psicose. Seus sintomas físicos poderiam até sugerir uma estrutura com alguma neurose de transferência, porém, não parece ser o caso. Também estão presentes os elementos de caráter homossexual: a mãe que não se separou da filha e não permitiu seu crescimento e integração, a rival/amiga/amante de suas alucinações (sonhos?), os delírios persecutórios, sempre com figuras femininas. Por fim, quando da alucinação final, em que ela briga com a rival/colega e acaba por se ferir, pensando ter matado a colega, é interessante notar que o rosto da rival, às vezes, é o seu próprio, com um ar demoníaco. Tal alucinação aparece outras vezes, sugerindo que o “cisne negro” precisa matar o “cisne branco” literalmente, para poder surgir. No final, parece ser sugerido uma integração da personalidade que não foi possível, em que as ambivalências pudessem ser vividas e equilibradas, como não houve a separação da célula narcísica com a mãe, só a morte torna possível que ela dê vazão a tantas pulsões. Não por acaso, a última pessoa para quem ela olha, antes de se lançar como “cisne branco” para a morte é sua mãe. REFERÊNCIAS BOSA, C., CALLIAS M. Maria (2000) Autismo: breve revisão de diferentes abordagens. Psicol. Reflex. Crit. vol.13 n.1 Porto Alegre. FREUD, S. (1923). Neurose e psicose. Obras completas. RJ: Imago, 1996. FREUD, S. (1996). A dissolução do complexo de Édipo. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 19, pp. 189-199). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1924) MARTINHO, M. H. Perversão: um fazer gozar. Tese (Doutorado em Psicologia) – Programa de Pós-Graduação em Psicanálise, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011. MEYER, Gabriela Rinaldi. Algumas considerações sobre o sujeito na psicose. Disponível em: https://www.scielo.br/j/agora/a/QgqLHstcsLnD5WKt89KmmMt/?lang=pt. Acesso em 28 de julho de 2023. NAZIO, J.D. Os grandes casos de psicose. Ed. Zahar, 2000. ZIMERMAN, D. (2004). Manual de Técnica Psicanalítica, Editora Artmed, Porto Alegre. image1.png