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ESTRUTURAS PSICANALÍTICAS 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Juliana Santos 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Em conteúdos anteriores, buscamos percorrer as trilhas de Freud e Lacan 
para entendermos de que modo as estruturas clínicas se constituem. Freud se 
indagava a respeito de por que uma pessoa “escolheria” a neurose ao invés da 
psicose. Através dessa indagação, ele, ao longo de sua teorização, foi 
encontrando alguns mecanismos que operam no início da vida psíquica e 
condicionada à subjetividade em sua forma de apreender a realidade. 
Freud, ainda que não tenha usado o termo estrutura, deixou pegadas para 
que Lacan pudesse fundamentar a sua tese sobre a constituição das estruturas 
clínicas. Isso porque foi através da interpretação do texto A negação (1925) que 
Lacan apreende o conceito da Bejahung, uma afirmação primordial, que opera 
no psiquismo a verificação de posse e de realidade das representações 
internalizadas, atribuindo um juízo de existência. 
A Bejahung é, portanto, a operação mais primordial de todas. Na sua 
contraposição, está o que Freud nomeou de Austossung (expulsão), que, 
segundo Lacan, é o campo do o real “na medida em que ele é o domínio que 
subsiste fora da simbolização” (Lacan, 1954, p. 384). Contudo, se a Bejahung é 
pura afirmação, para que ela se constitua como tal, algo tem que ser expulso, ou 
melhor negado. A negação é, então, a forma possível da Bejahung se constituir 
e se produzir no campo da consciência. Desse modo, o não viabiliza a existência 
de um Bejahung. 
É nesse sentido que Freud elabora a sua teoria da constituição da neurose 
e perversão, onde é sob a égide da negação, da castração propriamente, que a 
afirmação se institui por outras vias, isto é, pela via do recalque na neurose e por 
via do desmentido na perversão. 
Assim, para esta etapa, iremos nos deter nas ocorrências dessa 
afirmação primária — a Bejahung, priorizando a ocorrência do recalque da 
castração, em que o neurótico, para negar sua existência na consciência, 
perpetua essa afirmação no inconsciente. E é daí que o sujeito se divide: por um 
lado, pela força em que essa afirmação se institui; e por outro lado, por um não 
querer saber nada sobre isso. E aí está a fórmula do conflito neurótico, que se 
dá entre os impulsos do id e do ego. 
 
 
3 
Portanto, se as investigações acerca das neuroses sempre tiveram nos 
holofotes da clínica psicanalítica, cabe-nos agora nos aprofundar sobre essa 
estrutura, a fim de compreendermos o modo como o sujeito neurótico lida com a 
sua realidade. 
TEMA 1 – A NEUROSE 
A neurose é o resultado de um conflito psíquico no qual resulta em 
bloqueio das descargas necessárias, criando, desse modo, um estado 
recalcado. Otto Fenichel (2004, p.119) afirma que, por definição, “o conflito 
neurótico é um conflito que surge entre uma tendência que luta pela descarga e 
outra tendência que tenta impedir esta última”. 
Para entendermos a origem do conflito neurótico, vamos retomar o Projeto 
para uma psicologia científica (1985), em que Freud apresenta a perspectiva 
econômica do aparelho psíquico, aferindo à consciência o processo de descarga 
do excesso de energia psíquica. Contudo, na evocação de lembranças muito 
penosas, a consciência fica incapaz de reagir a essas representações, daí ela 
se defende pela operação do recalque. 
O recalque é, portanto, um mecanismo de defesa característico da 
neurose, cujo objetivo é, essencialmente, afastar da consciência as ideias 
incompatíveis. Porém, diante da queixa de seus pacientes, Freud se deu conta 
que a operação do recalque é ineficiente e de que tais representações 
insuportáveis retornam à consciência pelas formações inconscientes, a qual 
Freud nomeou de sintoma. 
Na Carta 105 (1899, p. 329), Freud destaca que “o sintoma surge ali onde 
o pensamento recalcado e o pensamento recalcador conseguem juntar-se na 
realização do desejo”. Desse modo, o sentido do sintoma é um par contraditório 
de realização de desejo, conclui Freud. 
Nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, (1905), Freud nos indica 
que a amnésia infantil se produz por uma ação do recalque e, por isso, tais 
lembranças poderiam ser trazidas de volta em análise, já que elas não foram 
apagadas. Nesse ponto, ele afirma que os neuróticos sofrem da mesma amnésia 
infantil e, que, na sexualidade adulta seria um resíduo dessas experiências 
infantis, que resistiria à recordação em virtude da moralidade impressa. 
 
 
4 
Assim, a sexualidade desempenha um papel fundamental na etiologia das 
neuroses, pois é nesse encontro inevitavelmente traumático, que o sujeito 
constitui sua defesa pela escolha de uma neurose. 
1.1 O recalque 
Freud concebeu o recalque como um mecanismo de defesa no qual as 
representações insuportáveis são retidas e separadas da consciência, tal 
operação estaria a serviço do princípio do prazer e se organiza no sistema 
inconsciente. Com o desenvolvimento da teoria até a segunda tópica, o aparelho 
psíquico é formulado em três instâncias: o eu, o id e o superego. Nessa nova 
organização, o eu e o superego participam de determinada parcela inconsciente. 
Desse modo, o recalcado é apenas parte do inconsciente, e não a parte inteira 
dele, como se pensava antes. 
 A partir do conceito de pulsão de morte, o recalque passa por uma 
revisão. No texto Inibição, sintoma e angústia (1926), o recalque é articulado a 
“fora-da-lei”, visto que ele está submetido à lei do id, não a serviço do princípio 
de prazer. Entretanto, o eu segue impondo uma censura, mas as moções 
pulsionais não cessam de buscar a satisfação (Freud, 1926, p. 150). Assim, o 
sujeito é impelido a uma compulsão à repetição inconsciente. 
TEMA 2 – PULSÃO E FANTASIA 
Freud, após comunicar à sociedade a existência da sexualidade infantil, 
pôde conceber a teoria da pulsão como uma atividade primária. Nesse sentido, 
a pulsão é posta como uma quantidade de energia que exerce força constante 
em busca de satisfação, que só se encontra ao ser descarregada pelas zonas 
erógenas (boca e ânus). É sob esse ponto de evacuação que a pulsão cria uma 
fixação. 
Assim, o corpo é uma superfície onde se inscrevem as primeiras marcas, 
sede dos investimentos pulsionais. É a partir das incidências da linguagem que 
o corpo perde a sua relação com a natureza e se transforma em um corpo 
simbólico. O resultado dessa operação é a perda do objeto, isto é, a renúncia 
pulsional imprescindível para a entrada no campo simbólico. Contudo, as zonas 
 
 
5 
erógenas não deixaram de buscar esse reencontro com o objeto perdido da 
satisfação. 
É nesse sentido que Freud declara que o neurótico sofre por 
reminiscência. Ele se recusa a renunciar o objeto perdido, o objeto da satisfação 
plena. Trata-se de das Ding, a coisa freudiana inominável, que se apresenta no 
campo simbólico como falta. 
Portanto, é em torno desse vazio que o sujeito vai se constituir no campo 
simbólico, se utilizando dos sistemas de linguagem (metáfora e metonímia) 
inconscientemente para tentar tamponar sua falta. A partir daí, surgem vários 
objetos que vão sendo inseridos na cadeia significante e que têm por aspiração 
o “eu ideal” (i(a)), a imagem plena. Trata-se do investimento feito na fantasia que 
tenta articular o sujeito e o objeto. 
2.1 A clínica da fantasia 
Freud se deparou com a fantasia desde o início de sua prática clínica com 
as histéricas. De início, chegou a acreditar nas cenas de sedução, as quais suas 
pacientes relatavam nas entrelinhas. Mas, com o desenvolvimento da sua teoria, 
pôde se dar conta que se tratava de uma realidade que não se conjectura com 
o real, mas de uma realidade psíquica. Alessandra Fernandes Carreira (2009) 
explica assim: 
É justamente em função de seu caráter traumático que a 
verossimilhança dessas cenas, narradas pelas histéricas freudianas, 
não pôde ser tomada como inverdade, mas como ficção que dá 
estruturaà verdade. Tal verdade é reiterada na enunciação que 
subsiste nos enunciados dessa ficção e os engendra, fixando o sujeito 
em um instante eterno e inenarrável: instante em que ele (não) é 
tomado pelo desejo do Outro. (Carreira, 2009) 
A fantasia passa a assumir o ponto crucial da escuta clínica, pois nela se 
constitui um saber inconsciente onde o sujeito busca responder à questão sobre 
o seu ser, tentando encobrir a falta inerente a ele. 
2.2 Do Édipo à fantasia fundamental 
Já sabemos que a constituição psíquica do sujeito se situa na vivência 
edipiana, onde ocorrem os três tempos lógicos do Édipo. No primeiro tempo, a 
criança está identificada ao objeto desejado da mãe (o falo materno), sendo 
 
 
6 
assim, a relação mãe-bebê plena; o segundo tempo ocorre a partir da presença 
de um terceiro elemento, que faz a criança perceber que o desejo da mãe não 
está dirigido apenas para ela, mas a mãe deseja outra coisa, geralmente o pai. 
A interpretação da criança de que a mãe deseja o pai faz emergir uma rivalidade 
imaginária com o pai, pois, para a criança, o pai tem o falo, que falta à mãe. 
Assim, conforme nos ensina Lacan, é a função paterna, através do significante 
Nome-do-Pai, que introduz a falta na relação mãe-bebê. A criança, então, perde 
a identificação ao falo materno e recalca; começa o terceiro tempo lógico, onde 
a criança se dá conta da castração da mãe e, assim, da sua própria castração e 
vai em busca de ter falo. Portanto, o falo é elevado ao nível simbólico, fazendo 
de todos castrados, inclusive o pai. 
Ocorre que a criança, ao perder sua identificação ao falo, irá demandar 
ao Outro, tesouro do significante, que responda sobre o seu desejo. Contudo, o 
que surge desde aí é a pergunta: que quer você? (Lacan, 1960, p. 829). 
O vazio pela falta de resposta do Outro indica que o Outro também é 
faltoso, pois não existe nada que supra essa incompletude do Outro, portanto, 
declara Lacan (1960, p. 833): “não há Outro do Outro”. Desse modo, o sujeito se 
constitui pela falta do Outro, advindo como um falta-a-ser, pois do Outro não 
receberá a resposta para o seu desejo. A falta, portanto, é irremediável, sendo 
assim, a fantasia se forma para dar conta dela. 
Portanto, a fantasia pode ser considerada o produto da operação do 
complexo de Édipo, cujo registro é imaginário, mas que se articula ao simbólico, 
e sua montagem inconsciente se ergue na tentativa de sanar o vazio deixado à 
questão “Che Vuoi?”. 
Coutinho Jorge (2010) afirma que a fantasia é um elemento que se 
instaura para a criança como uma verdadeira contrapartida ao gozo que ela 
perdeu. Assim, ela se constrói, essencialmente, como uma fantasia de 
completude. 
TEMA 3 – A FANTASIA FUNDAMENTAL 
Freud (1919), em seu texto Bate-se numa criança, onde ele privilegia o 
espancamento, mas poderia ser qualquer outra coisa, afirma que a fantasia 
fundamental é uma fantasia origem edipiana, cuja dissolução desse complexo 
 
 
7 
faz emergir a fantasia como um resíduo que irá determinar a posição do sujeito 
em seu modo de gozo. 
O mecanismo principal que organiza a estrutura fantasmática, declara 
Nasio (1993), está sempre encoberto por uma frase organizada em torno de um 
verbo fácil de identificar no relato do paciente. O autor diz, ainda, que a 
identificação do sujeito à posição de objeto, de fato, está no verbo da frase: 
morder, espancar, sujar, ignorar etc. 
Para entendermos isso, voltemos ao texto Bate-se numa criança, onde 
Freud nos indica três tempos da fantasia: 
1. Uma criança é espancada: é o relato de uma primeira cena emergente, 
onde o relator não faz parte da cena, portanto, ela não é uma cena 
masoquista nem sádica: bate-se. 
2. Estou sendo espancada pelo meu pai: o relator da cena coincide com a 
criança espancada. É uma cena de masoquismo, mas, segundo Freud, 
trata-se de uma cena que nunca existiu, assim, diz respeito a uma 
construção de análise. 
3. Provavelmente estou olhando: o relator surge na cena apenas no lugar de 
quem olha, não coincidindo com a criança espancada. Há presença de 
excitação sexual masturbatória cujo caráter é sádico manifesto. 
Freud, que de início considerou o sadismo de caráter primário, resultado 
da rivalidade com a figura do pai, em 1920, com o conceito de pulsão de morte, 
dá um passo atrás e reconhece no texto O problema econômico do masoquismo 
(1924), que na origem está o masoquismo e permanecerá na base da estrutura 
do sujeito. Portanto, com a nova leitura do masoquismo primário, podemos 
entender que sobre o mecanismo da fantasia há um masoquismo nuclear, assim: 
uma cena primária (deixa um traço de memória); depois, com a dissolução do 
Édipo, a criança vai se identificar ao objeto da cena (a criança espancada), ou 
seja, retroativamente (S1-S2), construindo a sua fantasia de base masoquista, 
onde se vincula o gozo; e no terceiro tempo, o que caracteriza essa fase é que 
a fantasia está fortemente ligada a uma excitação sexual e seu modo de gozo 
resquícios dessas experiências. Sobre esse texto, Coutinho Jorge declara: 
Os três tempos da fantasia “Uma criança é espancada” parecem, 
assim, caminhar precisamente na seguinte direção: do amor ao gozo. 
Da posição de sujeito, $, que a criança ocupa no primeiro tempo, para 
 
 
8 
a posição de objeto, a, que se delineia no segundo tempo e se 
configura rapidamente no terceiro. (Coutinho Jorge, 2010, p. 108) 
Portanto, a fantasia não se trata de um devaneio, ela porta o desejo. 
Sendo assim, é a forma como o sujeito tenta encadear o seu desejo na cadeia 
de significantes. Mas, em contrapartida, é justamente nessa tentativa de 
passagem ao significante que o recalque é gerado. 
Surge, então, o sintoma para encobrir a verdade do sujeito e, na clínica 
psicanalítica, ele recebe voz para denunciar o desejo recalcado e desvelar o 
modo de gozo da estrutura. Portanto, é dessa forma que o sujeito se apega ao 
seu sintoma. Lacan situa o sintoma numa estreita relação com o corpo, que se 
impõe para além das construções imaginárias e simbólicas que atravessam o 
sujeito, pois há algo da dimensão do real, do sem sentido que não entra no 
campo da linguagem do Outro. 
TEMA 4 – A HISTERIA 
Para a psicanálise, a histeria é, antes de mais nada, um dos modos como 
o sujeito neurótico se enlaça e tece a suas relações com os outros a partir de 
suas fantasias. Coutinho Jorge (2010) declara que a fantasia é uma espécie de 
matriz psíquica que funciona mediatizando o encontro do sujeito com o real. 
Desse modo, a fantasia constitui o princípio da realidade de cada sujeito. “Essa 
fantasia, em que o sujeito é preso, é, como tal, o suporte do que se chama 
expressamente, na teoria freudiana, o princípio de realidade” (Lacan citado por 
Coutinho Jorge, 2010, p. 77). 
Isso significa que o histérico, assim como qualquer sujeito neurótico, vai 
se posicionar na relação afetiva com o outro de acordo com lógica de sua 
estrutura, condicionado, sempre, por sua fantasia inconsciente sem que ele 
tenha poder sobre isso. 
A fantasia inconsciente diz respeito a algo traumático inerente à 
sexualidade do histérico, contudo, Coutinho Jorge e Travasso (2021) sublinham 
que se trata de um trauma contingencial, visto que não há como não ocorrer, 
pois refere-se à falta de inscrição da diferença sexual no inconsciente. Sendo 
assim, a própria concepção do sexo é, inevitavelmente, traumática. “Trata-se 
aqui do real inerente ao pulsional, do inassimilável inerente à sexualidade, com 
sua intensidade e excesso” (Coutinho Jorge; Travasso, 2021). 
 
 
9 
Freud descobre um paradoxo da sexualidade histérica, no qual aponta 
para uma grande necessidade sexual, no mesmo passo que demostra uma 
profunda aversão ao sexo. Assim, constata que o sujeito histérico erotiza o corpo 
e amortece o órgão sexual. Na histeria, o corpo é sexualizado, exceto o próprio 
sexo. Nesse sentido, os sintomas histéricos ocorrem geralmente no corpo, 
obedecendoao significante inconsciente. No texto Fragmento da análise de um 
caso de histeria, Freud (1905, p. 37) declara: “Eu tomaria por histérica, sem 
hesitação, qualquer pessoa em quem uma oportunidade de excitação sexual 
despertasse sentimentos preponderantes ou exclusivamente desprazerosos, 
fosse ela ou não capaz de produzir sintomas somáticos”. 
A inibição sexual histérica, contudo, não significa um retraimento, destaca 
Nasio (1991), pois, na verdade, trata-se de um movimento ativo de rechaço. Diz 
mais em A Histeria: 
A impotência, a ejaculação precoce, o vaginismo ou a frigidez, todos 
são distúrbios característicos da vida sexual do histérico, os quais, de 
uma maneira ou de outra, exprimem a angústia inconsciente do homem 
de penetrar no corpo da mulher, e a angústia inconsciente da mulher 
de se deixar penetrar. O paradoxo do histérico diante da sexualidade 
caracteriza-se, portanto, por uma contradição: de um lado, há homens 
e mulheres excessivamente preocupados com a sexualidade, 
procurando erotizar toda e qualquer relação social, e de outro, eles 
sofrem — sem saber por que sofrem — por ter que passar pela 
experiência do encontro genital com o sexo oposto. (Nasio, 1991, p. 
45) 
É preciso compreender, o quanto antes, que a sexualidade histérica não 
é uma sexualidade genital, mas um “simulacro de sexualidade”, visto que seu 
gozo está mais em criar sinais sexuais que raramente vão estar articulados ao 
ato sexual que ele enuncia. “E, no entanto, se há um desejo a que o histérico se 
atém é o de que esse ato (sexual enunciado por ele) fracasse; mais exatamente, 
ele se apega ao desejo inconsciente de não realização do ato” (Nasio, 1991, p. 
18), pois para o histérico, o desejo é que o desejo continue insatisfeito. 
Mas, por que sustentar um desejo insatisfeito, se deveríamos ir em busca 
de satisfação? Nasio (1991, p. 15) responde: 
o histérico é fundamentalmente um ser de medo que, para atenuar sua 
angústia, não encontrou outro recurso senão manter incessantemente, 
em suas fantasias e em sua vida, o doloroso estado de insatisfação, 
pois, para ele, o perigo pressentido que o levaria a seu aniquilamento 
é “o perigo de viver o gozo máximo”. 
Portanto, a questão da histeria é posta por Nasio da seguinte forma: 
 
 
10 
Pouco importa que ele imagine esse gozo máximo como o gozo do 
incesto, o sofrimento da morte ou a dor da agonia; e pouco importa que 
imagine os riscos desse perigo sob a forma da loucura, da dissolução 
ou do aniquilamento de seu ser: o problema consiste em evitar a 
qualquer preço qualquer experiência que evoque de perto ou de longe 
um estado de plena e absoluta satisfação. Esse estado, de resto 
impossível, é pressentido pelo histérico, no entanto, como o perigo 
supremo de um dia ser arrebatado pelo êxtase e gozar até a derradeira 
morte. (Nasio, 1991, p. 16) 
O sujeito histérico é aquele, então, que para se defender de um gozo 
máximo, ele se mantém num estado fantasmático de insatisfação. O histérico se 
afasta da ameaça do gozo, construindo inconscientemente um cenário 
fantasmático, do qual tenta provar a si mesmo que há falta e, portanto, o seu 
gozo permanecerá insatisfeito. 
A realidade histérica, consequentemente, terá os moldes de sua fantasia. 
Desse modo, as pessoas de seu convívio também serão portadoras da falta, pelo 
qual o histérico desenvolve, de formas aguçadas, meios incessantes de busca, 
para poder apontar a falta do outro. 
4.1 O caso Dora 
O caso Dora é o caso clínico de histeria mais paradigmático da 
psicanálise. Dora era uma jovem de 18 anos quando chegou para receber o 
tratamento psicanalítico. Segundo relato de Freud, Dora apresentava todos os 
sintomas que caracterizavam uma pequena histeria: enxaquecas, tosse nervosa, 
perda da voz, abatimento e tédio da vida. Mas o fato que levou o pai de Dora a 
buscar ajuda de Freud foi ter encontrado uma carta de despedida endereçada 
aos seus pais, pois ela “não podia mais suportar a vida”, somada a um ataque 
de perda de consciência. 
A trama que rodeia a vida de Dora é formada pela relação conturbada 
com a sua mãe, pois ela se recusa a ajudar nos afazeres domésticos; pela 
relação com o pai, que manteve uma relação de amante com a Sra. K; pelo Sr. 
K, que a cortejava e ela fingia não ver, pois, por causa da relação de amantes 
entre o seu pai e a Sra. K, Dora se colocava como objeto de troca dessa relação. 
Dora admite à Freud que era cúmplice dessa relação amorosa 
extraconjugal de seu pai, pois todas as vezes que visitavam a Sra. K, cuidava de 
seus dois filhos para deixá-los sozinhos. 
 
 
11 
Dora e a Sra. K eram amigas, confidentes e conselheiras. Nas vezes em 
que Dora dormia na casa da Sra. K, o Sr. K deixava o quarto para que elas 
dormissem na mesma cama, já que entre as duas não havia nada que não 
pudessem ser conversado. Dora elogiava o corpo, a pele e a aparência da Sra. 
K para Freud, o que lhe parecia mais um relato de amantes do que uma mulher 
se referindo a uma rival. 
Nessa relação com a família K, Dora relata a Freud que, quando tinha 14 
anos, o Sr. K a convidou para encontrar-se com ele e a Sra. K, para juntos irem 
à procissão. Ocorre que quando Dora chega à loja do Sr. K, ele estava sozinho, 
e quando os dois vão sair, ele abraça Dora e lhe dá um beijo na boca. Dora conta 
que sente uma violenta repugnância. Nadiá P. Ferreira e Marcus A. Motta (2014) 
destacam essa cena e apontam para o horror histérico: 
Esse beijo, um segredo só revelado na análise, opera, segundo Freud, 
um trauma sexual que se conecta com outras experiências sexuais 
traumáticas da infância. Referindo-se a esse episódio, Jacques-Alain 
Miller comenta que o horror que Dora passa a sentir por um homem 
sexualmente excitado e o nojo, que provém do recalque da parte 
erógena dos lábios, permitem “afirmar que a interpretação que Freud 
realiza centra-se no mau encontro de Dora com o gozo sexual”. 
(Ferreira; Motta, 2014, p. 15) 
Um segundo episódio é relatado por Dora. Ela conta que num passeio à 
beira do lago com o Sr. K, ele a beija novamente e lhe faz uma declaração de 
amor. Dessa vez, Dora lhe bofeteia e sai correndo. Passados uns dias, Dora 
conta à mãe o que ocorre. Esta, por sua vez, relata ao seu marido. Contudo, o 
Sr. K, ao ser procurado pelo pai de Dora, nega a acusação e diz ser fruto da 
imaginação de Dora. O Sr. K tinha ao seu favor a denúncia de que Dora, junto 
com sua esposa, tinham o hábito de ler livros inapropriados para a idade dela. 
Freud aponta para a traição da Sra. K com a sua amiga, pois revelara o 
segredo das duas, mas o que surpreende Freud é que Dora, no lugar de sentir 
ódio de sua amiga, sente ciúmes da relação amorosa que ela tinha com o pai. 
Lacan (1951), em seu texto Intervenção sobre a transferência, assinala 
para a inversão dialética estabelecida por Freud, pois ele se dá conta de que o 
repentino ciúme de Dora pelo pai mascara, na verdade, uma fascinação pela 
Sra. K, motivo pelo qual Dora se mantém leal, mesmo depois da traição e ela 
própria se passando por mentirosa. 
 
 
12 
Numa primeira interpretação dada por Freud, ele acreditou que se tratava 
de um amor recalcado pelo Sr. K. Mas, com a cena do lago, esse amor, por 
motivos ainda desconhecidos, fez desencadear uma violenta resistência, 
fazendo ressurgir o amor infantil. Já na última interpretação, Freud descobre a 
face homossexual da neurose histérica, de modo que, a nível inconsciente, o 
ciúme de Dora pela Sra. K é, de fato, fruto de sua identificação com o homem. 
“Essas correntes afetivas masculinas, ou, melhor dizendo, ginecofílicas, devem 
ser consideradas típicas da vida amorosa inconsciente das jovens histéricas” 
(Freud citado por Ferreira; Motta, 2014, p. 16). 
No seminário 4, Lacan (1957) sublinha que o laço libidinal que liga Dora à 
Sra. K trata-se de uma identificação histérica à imagem viril. Portanto, ela, por 
via do Sr. K, na medida em que está identificada imaginariamenteao Sr. K, está 
ligada à Sra. K. Assim, conforme nos explica Ferreira e Motta, entre Dora e a 
Sra. K, é muito mais do que uma paixão, mas trata-se de uma questão histérica: 
o que é uma mulher? 
Muito mais que uma paixão, o que liga Dora à Sra. K. é uma questão: 
o que é ser mulher? É a partir dessa questão, encarnada na Sra. K., 
que Dora se situa em uma relação triangular. Todos, ou seja, ela, seu 
pai e o Sr. K., idolatram a Sra. K. Dora, de certa forma, é 
condescendente com o assédio do Sr. K. Mas ela o esbofeteia quando 
ele lhe diz que a Sra. K. não é nada para ele. (Ferreira; Motta, 2014, p. 
17) 
Freud apreende, a partir do caso Dora, que a estrutura da fantasia 
histérica é atravessada pelo desejo da bissexualidade que se enuncia através 
da questão do impossível do sexo: sou homem ou mulher? 
TEMA 5 – NEUROSE OBSESSIVA 
Que a psicanálise foi inventada pelo encontro de Freud com as histerias, 
todo mundo já sabe, mas o que é menos evidenciado é que Freud “inventou” a 
neurose obsessiva. Pois bem, Maria Anita Carneiro (2011, p. 23), em seu livro 
Um certo tipo de mulher, enfatiza que Freud foi o pai da neurose obsessiva: “sua 
cria, surgida do rigor da pesquisa e do cuidado meticuloso com o diagnóstico 
diferencial”. Ao contrário da histeria que os sintomas se manifestam 
primordialmente no corpo, na neurose obsessiva, o sujeito sofre dos 
pensamentos. 
 
 
13 
Na neurose obsessiva, o encontro com o sexo, que é sempre traumático, 
é acompanhado com um excesso de gozo, que posteriormente, ao surgir na 
consciência, será acompanhado de culpa e autorrecriminação. Desse modo, 
será recalcado, e o afeto é deslocado para uma ideia substitutiva. O sujeito 
obsessivo passará, então, a ser atormentado por uma autorrecriminação sobre 
fatos aparentemente fúteis e irrelevantes. 
Freud diz que, na verdade, a ideia obsessiva é correta no que tange ao 
afeto e à categoria, mas é falsa em decorrência do deslocamento e da 
substituição por analogia. Ou seja: a ideia obsessiva pode ser contrária 
a qualquer lógica, embora sua força compulsiva seja inabalável. 
(Carneiro, 2011, p. 16) 
A formação dos sintomas da neurose obsessiva tem como efeito o 
deslocamento do afeto e a substituição por analogia da representação 
traumática. Por isso, a operação do recalque é mais frágil do que de uma histeria 
que converte o sintoma no corpo. A consequência dessa fragilidade do recalque 
pode ser observada facilmente na clínica, pois o obsessivo acaba colocando na 
sua fala elementos que deveriam estar recalcados. Por exemplo: com 
frequência, vemos relatos de sonhos eróticos, que ao final o analisante diz: “não 
era a minha mãe”. Assim, através da negação, Freud vai nos dizer que o sujeito 
se autoriza a dizer a frase proibida: “era a minha mãe”, pois, afinal, foi o próprio 
analisante, que colocou a mãe na conversa. 
Outro fenômeno presente nos sintomas obsessivos é a crença na 
representação recalcada, pois o obsessivo crê na autorrecriminação, crê na 
representação recalcada, e é porque crê, ele se permite duvidar. A dúvida, que, 
como destaca Carneiro (2011), Descartes elevou à dignidade de um método 
filosófico, não será apenas um sintoma da neurose obsessiva, mas também uma 
defesa contra a angústia, contra o afeto que se desloca de uma representação 
à outra. Desse modo, o neurótico obsessivo tende a esvaziar o seu afeto. 
É nesse ponto, da crença, que Freud distingue a paranoia da neurose 
obsessiva, pois em ambas o encontro com o sexo é vivenciado com gozo 
excessivo, mas enquanto na neurose há uma autorrecriminação, na paranoia o 
sujeito não crê na autorrecriminação, pois ele projeta a culpa para o outro. 
 
 
 
14 
5.1 Do sintoma da neurose obsessiva a sua fantasia 
A neurose, como bem vimos, é resposta do recalque ao trauma sexual. 
Através dessa descoberta, Freud conclui que não há indicação de realidade 
objetiva no inconsciente, portanto, a realidade é psíquica, fruto de uma fantasia 
inconsciente. Assim, quando tratamos do inconsciente, não há como distinguir a 
verdade da ficção, pois a verdade do sujeito é tecida pela sua ficção. Sendo 
assim, a fidedignidade dos fatos não nos interessa, visto que a verdade está no 
que o sujeito conta. 
Na neurose obsessiva, o sujeito está preso ao tema da morte, pois ela 
configura o tema da castração, visto que na fantasia inconsciente, o pai pode 
matá-lo por ter desejado e gozado da mãe. Essa ideia está na origem do sintoma, 
que se constitui como compromisso à representação intolerável do trauma que 
provocou gozo e culpa. 
Outra consequência dessa fantasia inconsciente, na neurose obsessiva o 
sujeito tenta, a todo custo, anular o seu desejo, cujas estratégias são de várias 
consequências clínicas, mas com o mesmo objetivo: dar um curto-circuito no 
desejo. Maria Anita Carneiro (2011) declara: 
A estratégia obsessiva divide-se em duas partes: em primeiro lugar, 
trata-se de fazer calar o desejo do outro reduzindo-o aos pedidos que 
o outro lhe faz. Assim, um obsessivo pode ser muito solícito, muito 
gentil, atendendo da melhor maneira a tudo que lhe pedem para não 
deixar espaço para o desejo, que está oculto para além do que se pede 
explicitamente. Ou então pode ser um sujeito “do contra”, que se opõe 
aos pedidos dos outros, mantendo assim a ilusão de que anula o 
desejo. São manobras opostas a serviço da mesma estratégia. 
(Carneiro, 2011, p. 25) 
Para se afastar do seu desejo, o sujeito obsessivo o mantém no lugar do 
impossível. Assim, a procrastinação faz parte de sua vida, visto que ele joga para 
o tempo o seu desejo. Portanto, só faz o que precisa quando não tem mais tempo 
e precisa fazer. Carneiro sublinha que os sintomas da neurose obsessiva estão 
articulados ao pai. 
O obsessivo crê no pai, crê no traço identificatório tomado do pai e, 
portanto, crê nas palavras, crê no pensamento, e é a partir dessa 
crença que combate o desejo. O desejo é contra a lei, incestuoso — o 
desejo proibido pela mãe inclui o desejo da morte do pai. O obsessivo, 
submisso, se identifica ao traço tomado do pai (identificação simbólica), 
mas também se identifica imaginariamente ao pai, cujo lugar quer 
ocupar. E é a partir daí que a culpa cobra seu preço. (Carneiro, 2011, 
p. 26) 
 
 
15 
5.2 O caso do homem dos ratos 
O caso do homem dos ratos é paradigmático na clínica da neurose 
obsessiva. Trata-se do relato de um jovem tenente de nome Lehrs, que buscou 
Freud (1909), em meio a muito sofrimento. Ele conta que em seu acampamento 
militar havia um certo capitão, que narrou uma crueldade que se aplicava no 
Oriente, onde, segundo o capitão, tomava-se um tonel com uma única abertura 
e nele se colocavam muitos ratos famintos. E sobre a abertura do tonel, era posta 
uma pessoa completamente nua para ser torturada, oferecendo-o, assim, como 
única saída o seu corpo. 
A partir dessa história, o jovem tenente passou a se sentir perturbado com 
uma viva impressão, que a história que deixara. Passados uns dias, os óculos 
que ele havia encomendado, após perder os seus, chegaram de Viena, e o tal 
capitão, erroneamente, cobrou-lhe, dizendo que ele deveria pagar o reembolso 
postal ao tenente Z, pois este havia pagado a dívida. Prontamente, jurou 
mentalmente fazê-lo, e completou em pensamento a frase do capitão: “senão o 
suplício dos ratos será aplicado à moça que eu amo e a meu pai”. O detalhe é 
que seu pai já havia falecido. 
Ocorre que quando vai pagar a sua dívida, descobre que quem pagou a 
sua postagem foi uma senhora que trabalhava no correio. Então, armou de pagar 
o tenente Z, para que ele pagasse a senhora do correio, mas o tenente Z havia 
sido transferido para outro regimento em outra cidade. O tenente Lehrs resolveu, 
então, pegar um trem e ir ao encontro do tenente Z, para convencê-lo a voltar 
com ele para que ele o entregasse à senhora do correio, para que assim o 
dinheiro fosse entregue ao verdadeiro encarregado do correio, o tenente B.Todo 
esse jogo logístico ocorreu para que o tormento dos ratos não fosse aplicado à 
sua namorada e ao seu pai, que aliás já estava morto. 
Freud se dá conta de um elemento central em todos os casos de neurose 
obsessiva — a dívida. A dívida, no caso do homem dos ratos, tem uma estreita 
relação com a imagem do seu pai, pois, seu pai morreu devendo uma dívida de 
jogo. “Diante de sua própria dívida para com a senhora do correio, agravada pelo 
juramento que fizera, o tenente Lehrs se vê identificado ao pai devedor” 
(Carneiro, 2011, p. 31). 
 
 
16 
No relato do homem dos ratos, Freud destaca que, em sua fala de 
suplício, era possível observar em seu rosto um gozo desconhecido para o 
próprio sujeito, pois parecia que ele se sentia fascinado e assustado pelo próprio 
relato. Outro ponto destacado por Freud é que, o obsessivo, traz uma fala 
interrompida, incompleta, mostrando dificuldade de tocar em assuntos difíceis, 
trata-se de “mecanismo auxiliares do recalque”, pois o obsessivo sabe que ao 
falar o desejo escapa. Nesse sentido, ele tenta anular a significação dos seus 
atos e fala, por conta disso, que é necessário ao analista auxiliá-lo, emprestando-
lhe palavras. 
NA PRÁTICA 
Na clínica da neurose obsessiva, o Outro goza, como o capitão do homem 
dos ratos, pois o Outro é patente do pai da horda primitiva que barra o seu acesso 
ao gozo. Assim, para não deixar emergir o gozo do Outro, o sujeito anula o seu 
desejo, com a dúvida, com pensamentos trágicos, com cálculos impossíveis, 
pois, diante do Outro, o sujeito está sempre na posição de escravo. 
Por exemplo: um analisante que desde criança buscava ganhar dinheiro, 
pois achava que não podia ser um peso para sua família. Começou a trabalhar 
logo que pôde e arcou com muita dificuldade a todo custo da sua faculdade. Diz 
ser muito dinheirista e nunca se sentiu à vontade para pedir as coisas para a sua 
mãe. 
Nesse caso, a relação com o dinheiro se agravou quando a analisante 
perde o seu pai, e sua mãe fica muito “depressiva”. Essa situação a levou a 
assumir o papel de supridor, cuja falta da família não podia parecer que 
prontamente se forçava por tamponar. Entrava em relacionamentos abusivos, 
dos quais não conseguia sair. 
Quando a analisante começa o tratamento, aos poucos ela vai se dando 
conta de todas as contradições de sua vida, pois sempre se direcionava para 
caminhos que se opunha ao que deseja, visto que seu desejo era diminuído 
frente ao desejo do outro, uma relação de escravo. A fantasia do neurótico 
obsessivo é sustentada por uma dívida simbólica impagável, que o coloca 
sempre culpado diante do seu desejo. 
 
 
 
17 
FINALIZANDO 
A neurose: vimos que a neurose é resposta do recalque que opera no 
encontro com o sexo, que, inevitavelmente, é da ordem do trauma. 
A clínica da fantasia: assim, na neurose, o sujeito retira o investimento da 
libido no objeto da realidade e o investe no objeto da fantasia. 
A fantasia fundamental: na base estrutural de toda fantasia, existe o 
masoquismo original, pelo qual o sujeito constitui o seu modo de gozo apoiado 
em sua fantasia fundamental. 
A histeria: em sua fantasia, o sujeito histérico se questiona: sou homem 
ou mulher? Visto que seu corpo é entregue, mas seu gozo se mantém 
insatisfeito. 
A neurose obsessiva: em sua fantasia, o sujeito obsessivo está preso ao 
tema da morte, pelo qual a morte é a grande figura da castração. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
CARNEIRO, M. A. A neurose obsessiva. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. 
CARREIRA, A. F. Algumas considerações sobre a fantasia em Freud e Lacan. 
Psicologia USP [online], v. 20, n. 2, p. 157-171, 2009. Disponível em: 
<https://doi.org/10.1590/S0103-65642009000200002>. Acesso em: 8 maio 
2022. 
COUTINHO JORGE, M. A.; TRAVASSO, N. P. Histeria e sexualidade. Rio de 
Janeiro: Zahar, 2021. 
FERREIRA, N. P.; MOTTA, M. A. A histeria: o caso Dora. Rio de Janeiro: Zahar, 
2014. 
FREUD, S. Carta 125. In: Obras completas, Vol. 1. Rio de Janeiro: Imago, 1996. 
_____. Fragmentos da análise de um caso de histeria. Obras completas, Vol. 
1. Rio de Janeiro: Imago, 1996. 
_____. Projeto para uma psicologia científica. In: Obras completas, Vol. 1. Rio 
de Janeiro: Imago, 1996. 
_____. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Obras completas, Vol. 1. 
Rio de Janeiro: Imago, 1996. 
NASIO, J. D. A histeria: teoria e clínica psicanalítica. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar, 1991.

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