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GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 1 APG 9 – AVC & CEFALEIAS PRIMÁRIAS OBJETIVOS - REVISAR A MORFOFISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL, DANDO ÊNFASE NA VASCULARIZAÇÃO (POLÍGONO DE WILLIS). - ANALISAR O AVC EM SUA TOTALIDADE. - ANALISAR AS CEFALEIAS PRIMÁRIAS EM SUA TOTALIDADE. RESUMO REVISAR A MORFOFISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL, DANDO ÊNFASE NA VASCULARIZAÇÃO INTRODUÇÃO - O sistema nervoso central (SNC) é a divisão do sistema nervoso cuja função é analisar e integrar várias informações intra e extra pessoais, assim como gerar uma resposta coordenada a esses estímulos. De forma simplificada, o SNC é o principal centro de comando do corpo. - O SNC consiste em dois órgãos que são contínuos um com o outro: o encéfalo e a medula espinal. Eles estão envolvidos e protegidos por três camadas de meninges, e se abrigam em duas estruturas ósseas: o crânio e a coluna vertebral, respectivamente. - O encéfalo é formado pelo cérebro, pelas estruturas subcorticais, pelo tronco encefálico e pelo cerebelo. A medula espinal continua inferiormente a partir do tronco encefálico e se estende pelo canal vertebral. - O tecido nervoso é constituído por dois tipos de células principais: * NEURÔNIOS (células nervosas): unidades estruturais e funcionais do sistema nervoso especializadas para comunicação rápida. Sendo formado por um corpo celular com seus prolongamentos, os dendritos e os axônios que iram conduzir os impulsos que entram e saem do corpo celular. Além disso, possuem a mielina, sendo constituída por camadas de lipídios e substâncias proteicas que formam a bainha e recobrem o axônio favorecendo os impulsos se propagarem de maneira mais eficiente/rápida. Sendo assim, temos 2 tipos principais de neurônios: + MULTIPOLARES: com 2 ou mais dendritos e 1 axônio, são os mais comuns, e aparecem principalmente na parte motora que controla os músculos esqueléticos. + PSEUDOUNIPOLARES ou UNIPOLARES: são aqueles com características mais sensitivas, tem um prolongamento mais curto e único aparentemente, porém são duplos. # A comunicação entre os neurônios é feita nos pontos de contato entre eles, as sinapses. A comunicação ocorre por meio de neurotransmissores. * NEURÓGLIA (células gliais - que sustenta os neurônios): são 5x mais abundantes e é formada por células não neuronais, não excitáveis, que formam um importante componente do tecido nervoso, sustentando, isolando e nutrindo os neurônios. É composta por: oligodendróglia, astrócitos, células ependimárias e micróglia (pequenas células gliais). - As partes dos neurônios compõem o que chamamos de substância cinzenta e substância branca. * CINZENTA: é composta por agrupamentos de corpos neuronais. * BRANCA: é formada por seus axônios mielinizados. - A distribuição de substância branca e cinzenta é específica no encéfalo e na medula espinal: * ENCÉFALO: substância cinzenta é encontrada superficialmente(córtex cerebral) e a branca parte interna. * MEDULA ESPINAL, a substância cinzenta compõe a parte interna( formato borboleta) e a substância branca é externa. https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/sistema-nervoso https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/meninges-ventriculos-e-suprimento-sanguineo-do-cerebro https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cranio https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/coluna-vertebral-espinha https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cerebro https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/estruturas-subcorticais https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cerebelo-e-tronco-cerebral https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cerebelo-e-tronco-cerebral https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/tronco-encefalico-2 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cortex-cerebral GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 2 SISTEMA NERVOSO CENTRAL - TELENCÉFALO E LOBOS CEREBRAIS: O cérebro, ou prosencéfalo, é a parte mais proeminente do encéfalo. É formado por dois hemisférios cerebrais conectados através do corpo caloso. A superfície do cérebro é altamente irregular, composta por sulcos (depressões) e giros (elevações). Os sulcos e giros aumentam a área de superfície do cérebro, dando-lhe o maior poder de processamento e habilidade cognitiva de todo o sistema nervoso. Cada hemisfério é composto por cinco regiões chamadas de lobos cerebrais: frontal, parietal, temporal, occipital e insular. - DIENCÉFALO: localizado profundamente na substância branca do cérebro. É uma coleção de quatro estruturas cerebrais localizadas de cada lado da linha média, bilateralmente, ao lado do terceiro ventrículo do cérebro. Elas incluem: + Tálamo: transmite informação motora e sensitiva entre o córtex cerebral e a periferia. + Epitálamo: controle do ciclo sono-vigília (ritmo circadiano) e na iniciação e controle do movimento. + Subtálamo: é controlar, integrar e precisar a atividade motora. + Hipotálamo: regula a resposta ao estresse, o metabolismo e a função reprodutora através de vários feixes hipotalâmicos e do sistema porta hipofisário. - MESENCÉFALO: parte mais superior do tronco encefálico, envolvido nos reflexos audiovisuais, no estado de alerta e na regulação da temperatura corporal. - PONTE: envolvida em funções como sono, audição, deglutição, gustação, respiração, equilíbrio e ações motoras. - BULBO: parte mais inferior do tronco encefálico. Ele regula atividades autonômicas relacionadas às funções cardíaca, respiratória, reflexa e vasomotora. - CEREBELO: é ancorado ao tronco encefálico, atua na coordenação e precisão das atividades motoras, assim como aprendizado motor. - MEDULA ESPINAL: ela é constituída por substância cinzenta na região central, e a substância branca se dispõe ao redor. A função da medula espinal é conduzir informação entre o encéfalo e o restante do corpo. Além disso, a medula espinal regula funções corporais da parte inferior do organismo que não dependem do cérebro, tais como os reflexos. - MENINGES: três membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinal. Temos a Dura- máter, Aracnoide e Pia-máter. Atuando na proteção das estruturas https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/corpo-caloso https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/lobos-cerebrais https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/lobo-frontal https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/lobo-parietal https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/lobo-temporal https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/lobo-occipital https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/anatomia-do-talamo https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/hipotalamo GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 3 VASCULARIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL - É importante para o entendimento de patologias como o AVC que será abordado à frente. - DRENAGEM VENOSA DO ENCÉFALO: * Veias de paredes finas e sem válvulas: drenam o encéfalo > aracnoide-máter > dura- máter >seios venosos da dura-máter > veias jugulares internas. * Veias cerebrais superiores na face superolateral do encéfalo > seio sagital superior. * Veias cerebrais inferiores /superficial média > seios reto, transverso e petroso superior. * Veia cerebral magna (de Galeno- única) > linha mediana (encéfalo) > união de duas veias cerebrais internas > termina fundindo-se > seio sagital inferior > seio reto. - IRRIGAÇÃO ARTERIAL DO ENCÉFALO: - Encéfalo recebe aproximadamente um sexto do débito cardíaco e um quinto do oxigênio consumido pelo corpo em repouso. - É irrigado por quatro grandes artérias originadas dos troncos supra-aórticos. - O trajeto ocorre da seguinte forma: # a. carótidas comuns d./e. > bifurcam-se (cervical) > a. carótida interna e externa. # a. subclávias direita e esquerda > partem > a. vertebrais. - O suprimento arterial do cérebro é fornecido por duas fontes principais: + ARTÉRIAS CARÓTIDAS INTERNAS (formam acirculação anterior do cérebro, suprindo as suas regiões anterior e média). * originam-se no pescoço > artérias carótidas comuns. * A parte cervical > ascende verticalmente através do pescoço (sem ramificações)> até a base do crânio ( canal carótico ). * As artérias carótidas internas (anterior) > seios cavernosos > passa por > nervos abducentes(NC VI) / nervos oculomotor (NC III) / troclear (NC IV). * Os ramos terminais das artérias carótidas internas > artérias cerebrais anterior e média. + ARTÉRIAS VERTEBRAIS (suprem o cérebro posterior, tronco encefálico e cerebelo - circulação posterior). * Originam-se na raiz do pescoço (as partes pré-vertebrais das artérias vertebrais) como os primeiros ramos da primeira parte das artérias subclávias. * As duas artérias vertebrais geralmente têm tamanhos diferentes, sendo a esquerda maior do que a direita. * As partes transversárias (cervicais) das artérias vertebrais ascendem através dos forames transversários das seis primeiras vértebras cervicais. * As partes atlânticas das artérias vertebrais (partes relacionadas com o atlas, vértebra C I) perfuram a duramáter e a aracnoide-máter e atravessam o forame magno. * As partes intracranianas das artérias vertebrais unem-se na margem caudal da ponte para formar a artéria basilar. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 4 * A artéria basilar ascende até o clivo, a face inclinada do dorso da sela até o forame magno, através da cisterna pontocerebelar até a margem superior da ponte. Termina dividindo-se em duas artérias cerebrais posteriores. - Essas duas circulações se anastomosam na base do cérebro formando uma rede vascular denominada POLÍGONO DE WILLIS. + ARTÉRIAS CEREBRAIS: Além de enviar ramos para as partes mais profundas do encéfalo, os ramos corticais de cada artéria cerebral irrigam uma superfície e um polo do cérebro. *Os ramos corticais da: - Artéria cerebral anterior irrigam a maior parte das faces medial e superior do encéfalo e o polo frontal; - Artéria cerebral média irrigam a face lateral do encéfalo e o polo temporal; - Artéria cerebral posterior irrigam a face inferior do encéfalo e o polo occipital. - POLÍGONO DE WILLIS: é um anel anastomótico de artérias localizado na base do cérebro. Este círculo conecta os dois principais sistemas arteriais ao cérebro, as artérias carótidas internas e os sistemas vertebrobasilares (artérias vertebrais e basilares). - Se localiza na superfície inferior do cérebro, na cisterna interpeduncular do espaço subaracnóideo. - O círculo arterial é formado sequencialmente no sentido anteroposterior pela(s) pelas seguintes artérias: → Artéria comunicante anterior; → Artérias cerebrais anteriores; → Artérias carótidas internas; → Artérias comunicantes posteriores; → Artérias cerebrais posteriores. - A principal função do polígono de Willis é permitir o fornecimento de um fluxo sanguíneo colateral entre os sistemas arteriais anterior e posterior do cérebro. Além disso, ele também cria caminhos alternativos para o fluxo sanguíneo entre os hemisférios cerebrais direito e esquerdo. Logo, ele protege o cérebro de isquemia e infarto em casos de obstrução ou lesão vascular. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 5 - A vantagem do polígono de Willis é que, se houver hipofluxo de sangue numa das artérias que o compõem, pode haver uma inversão do fluxo proveniente de outro vaso, nutrindo aquela artéria deficitária. Porém, esse mecanismo compensatório é parcial e a estenose de um dos vasos que formam o polígono pode causar um AVC isquêmico. - As ARTÉRIAS CARÓTIDAS INTERNAS irrigam a maior parte do prosencéfalo. - O SISTEMA VERTEBROBASILAR é composto por duas artérias vertebrais e uma artéria basilar e irriga o lobo occipital, o tronco cerebral e o cerebelo. - ARCO ANTERIOR DO POLÍGONO DE WILLIS: a curta artéria comunicante anterior forma um canal anastomótico entre as artérias cerebrais anteriores direita e esquerda, que são ramos terminais da artéria carótida interna na cavidade craniana. As artérias cerebrais anteriores viajam em direção aos aspectos anteromediais da fissura inter-hemisférica do cérebro, para suprir as regiões da linha média dos córtices frontal, parietal e do cíngulo, bem como o corpo caloso. As artérias cerebrais médias formam a circulação cerebral anterior juntamente com a artéria comunicante anterior e as artérias cerebrais anteriores. - ARCO POSTERIOR DO POLÍGONO DE WILLIS: é formado pelas artérias cerebrais posteriores, de cada lado, e pelas artérias comunicantes posteriores, que conectam cada uma das artérias cerebrais posteriores à artéria carótida interna ipsilateral. As artérias vertebrais direita e esquerda se unem na junção bulbopontina para formar a artéria basilar. A artéria basilar então se bifurca nas artérias cerebrais posteriores na borda superior da ponte. As artérias vertebrais, a artéria basilar e as artérias cerebrais posteriores, juntamente com as artérias comunicantes posteriores, formam a circulação cerebral posterior. As artérias cerebrais posteriores, por meio de seus ramos central e cortical, suprem o lobo occipital do cérebro, a face inferior dos lobos temporais, o mesencéfalo, o tálamo e o plexo coroide do terceiro ventrículo e dos ventrículos laterais. ANALISAR O AVC EM SUA TOTALIDADE - Acidente vascular encefálico (AVE) é a síndrome de déficit neurológico focal agudo causada por um distúrbio vascular que danifica o tecido encefálico. * De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia, apesar de impreciso, o termo que devemos utilizar para referirmo-nos ao infarto ou hemorragia ocorridos em estruturas do encéfalo é acidente vascular cerebral (AVC) ou derrame. * Em inglês, AVC é stroke, que quer dizer golpe, pancada. Ou seja, é algo que a pessoa vai estar bem e acontece do nada como se fosse um golpe ou algo nesse sentido, que faz a vítima ser nocauteada. Tem um aparecimento súbito, ou seja, atinge sua intensidade máxima em pouco tempo. * Importante perguntar o que o paciente estava fazendo antes do acontecimento, certamente ele vai se lembrar por ser algo marcante. # De maneira geral: AVC é a redução ou perda súbita de determinadas funções neurológicas, causada por oclusão ou rompimento de uma artéria encefálica. - Existem dois tipos principais de AVE: ISQUÊMICO (mais comuns) e HEMORRÁGICO. AVC ISQUÊMICO DEFINIÇÃO - AVC isquêmico é definido como um episódio de disfunção neurológica causada por estenose ou oclusão vascular que resulta em infarto focal no cérebro, na medula espinal ou na retina sem um território vascular específico. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 6 EPIDEMIOLOGIA - É o tipo de AVC mais prevalente com 80 a 85% dos casos. - Entre as 58 milhões de mortes por ano no mundo, 5,7 milhões foram causadas por acidente vascular cerebral (AVC). Portanto, o AVC foi a segunda causa mais comum de morte, responsável por 10% de todas as mortes no mundo, tendo uma distribuição global é heterogênea, pois 85% das mortes ocorreram entre países em desenvolvimento e um terço afetou indivíduos economicamente ativos. - Espera-se que esse impacto aumente nas próximas décadas, conforme projetado por um aumento de 300% na população idosa de países em desenvolvimento nos próximos 30 anos, especialmente na América Latina e na Ásia. - No Brasil, o AVC foi responsável, em 2005, por 10% de todas as mortes (90.006 mortes) e por 10% de todas as internações hospitalares públicas. - Em dois estudos recentes de mortalidade relacionada a AVC, uma queda constante nas taxas de mortalidade foi observada nas últimas duas décadas ( influenciadas por condições socioeconômicas e qualidade da prevenção primária). * Hipertensão arterial é o mais importante fator de risco, elevando a chance de desenvolver um AVC em até 4 vezes. Ela está presente em 70% de todos os casos deAVC. ETIOLOGIA E FATORES DE RISCO - Os fatores de risco para AVC podem ser divididos em modificáveis (principais) e não modificáveis(não se consegue realizar nenhuma intervenção): - As principais causas a serem abordadas são: * Aterosclerose de grandes * Aterosclerose pequenos vasos * Cardioembolia * Dissecção arterial FISIOPATOLOGIA - No AVC isquêmico, a oclusão de um vaso gera redução do fluxo sanguíneo para um grupo de neurônios e consequente perda de função dessas células. Só que essa queda na perfusão tecidual não é homogênea em todo o tecido comprometido. Em algumas áreas, ela é mais intensa e em outras, mais discreta. - Os neurônios onde fluxo sanguíneo cai mais intensamente morrerão mais cedo do que os que ainda recebem uma quantidade um pouco maior de sangue. - Podemos identificar, durante a fase aguda do AVC isquêmico, duas áreas: CORE ISQUÊMICO PENUMBRA ISQUÊMICA * queda do fluxo sanguíneo é tão intensa que esses neurônios morrem em poucos minutos. * neurônios vivos, mas o sangue e nutrientes disponível é pouco e incompatível com o metabolismo celular ( região que não funciona, mas está temporariamente viva). * Se o fluxo voltar, os neurônios também retornam. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 7 - Na fisiopatologia, pode-se também abordar sobre o EDEMA CITOTÓXICO * Morte de neurônios -> redução -> ATP (bomba de Na/K) -> assim -> + sódio (extracelular) -> entra na célula -> levando água -> EDEMA CITOTÓXICO -> causa -> aumento do parenquima encefálico -> aumenta -> pressão intracraniana -> estruturas podem ser comprimidas -> perdendo função # em alguns casos pode gerar herniações e comprimir as tonsilas cerebelares no forame magno, que “controla a respiração” e pode levar o paciente a óbito. - Sobre o processo Etiopatogenico: - ATEROSCLEROSE DE GRANDES VASOS: isquemia se da: - Ruptura de uma placa com exposição do seu conteúdo lipídico, desencadeando uma cascata inflamatória e de coagulação com trombose do vaso e interrupção do fluxo sanguíneo a partir dele. OU - Uma embolia arterioarterial, causada pelo desprendimento de um fragmento da placa, que viajaria pela circulação até que encontrasse um vaso de menor calibre, onde causaria oclusão. - ATEROSCLEROSE DE PEQUENOS VASOS: vai causar as lacunas isquêmicas, onde vai ser pequenos infartos em partes profundas ou pequenas do encéfalo. - CARDIOEMBOLIA: Algumas doenças cardíacas podem causar AVC devido à embolização de coágulos ou, no caso da endocardite, de material infeccioso. A principal delas é a fibrilação atrial, em que o aumento do átrio esquerdo leva à formação de um trombo que pode ser impulsionado para a circulação encefálica e ocluindo um vaso. - DISSECÇÕES ARTERIAIS: endotélio rompe-se e forma-se uma falsa luz subendotelial, que devido ao fato de a camada adventícia ser mais rígida, acaba produzindo um hematoma intramural que pode estenosar ou ocluir a luz do vaso afetado. No caso das artérias cervicais, muito mais afetadas por esse mecanismo do que as intracranianas, a causa mais comum é trauma. # artéria comprometida com mais frequência no AVE isquêmico é a cerebral média, se for na Basilar, provavelmente é F (lascou). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS - Os principais sinais e sintomas dependem do território vascular envolvido, localização e tamanho da lesão envolvida, no entanto, na maioria das vezes acontecem: → Cefaleia de início súbito, sobretudo se acompanhada de vômitos; → Fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetando um dos lados do corpo; Hemiparesia, parestesia ou hemiplegia; → Disartria; Desvio de comissura labial; → Alterações da visão; → Rigidez nucal. - Os ataques isquêmicos podem manifestar-se também com alterações na memória e na capacidade de planejar as atividades diárias, às vezes podem passar despercebidos no início e intensificar-se ou evoluir para o AVE hemorrágico, por isso é necessário estar alerta aos sinais e sintomas. - Podem ser definidos clinicamente pela natureza do déficit neurológico associado com os sinais e sintomas se encaixando em síndromes definidas que representam territórios vasculares específicos. - As manifestações específicas de um AVE são determinadas pela artéria cerebral que é afetada, pela área de tecido encefálico que recebe o suprimento sanguíneo desse vaso e pela adequação da circulação colateral. → Os sintomas de AVE/AIT têm sempre manifestação súbita e focal e geralmente são unilaterais. - Os sintomas mais comuns são paralisação da face e fraqueza no braço, unilaterais, assim como fala arrastada. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 8 - Outros sintomas frequentes de AVE são dormência unilateral, perda de visão em um dos olhos (amaurose fugaz) ou de um dos lados (hemianopsia), perturbação da fala (afasia) e perda de equilíbrio súbita e inexplicável ou ataxia. DIAGNÓSTICO - O retardo no reconhecimento pré-hospitalar dos sinais/sintomas do AVE é a maior barreira à instituição imediata de tratamento e explica por que apenas 6% dos pacientes com AVE isquêmica agudo recebem terapia fibrinolítica. - Nos EUA, o recurso mnemônico FAST (face, braço [arm], fala [speech], intervalo de tempo até chamar o serviço de emergência [time]) foi propagado em um esforço de aumentar a conscientização a respeito dos sinais/sintomas de AVE e da urgência em procurar assistência médica. - Após o serviço de atendimento móvel de urgência ser acionado, os primeiros socorristas precisam caracterizar, de modo rápido e acurado, os sinais/sintomas de um AVE. - As escalas pré-hospitalares de AVE devem ser empregadas para ajudar no processo de rastreamento e no rastreamento rápido. - O mais usado é a Escala de AVC do NIH (National Institutes of Health). Na Escala de AVC do NIH, quanto mais déficits, maior a pontuação. Para indivíduos com exame neurológico normal, a pontuação da Escala do NIH é zero. - A avaliação rápida do AVE deve ser seguida por notificação pré- hospitalar porque já foi constatado que isso aumenta o uso do ativador do plasminogênio tecidual (tPA) IV e reduz o intervalo de tempo entre o aparecimento dos sinais/sintomas e a instituição do tratamento. - As manifestações têm início súbito de algum dos sintomas abaixo: Fraqueza ou formigamento na face, braço ou perna, especialmente em um lado do corpo; Desvio da rima labial, com a boca torta ao falar; Confusão mental, alteração da fala ou fala enrolada; Alteração da visão, com embaçamento ou visão dupla, em um ou ambos os olhos; Alteração do equilíbrio súbita, da coordenação, tontura ou desequilíbrio para andar; Dor de cabeça muito forte, súbita, sem história de dor anterior. - No Brasil, a sigla SAMU resume como se reconhecer um AVC: * Com rapidez no atendimento em -4,5h de início dos sintomas o trombolítico, que dissolve o coágulo, pode ser dado aos pacientes com AVC isquêmico, o tipo mais comum de AVC, diminuindo a chance de sequelas. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 9 - Temos a Escala de Rankin para avaliação das sequelas: - O exame físico é importante no diagnóstico, para avaliar a função neurológica do paciente, incluindo o nível de consciência, a força muscular, a sensibilidade e a fala. O médico também pode realizar testes para avaliar a coordenação e o equilíbrio do paciente. Por exemplo: TESTE DE FORÇA MUSCULAR: o médico pede ao paciente para mover os membros superiores e inferiores para avaliar a força muscular. TESTE DE SENSIBILIDADE: verifica-se a capacidade do paciente de sentir estímulos como toque, pressão e temperatura. REFLEXOS: utiliza-se um martelo de reflexos para avaliar os reflexos do paciente. TESTE DE EQUILÍBRIO. - Exames de Imagem são cruciais/ OBRIGATÓRIOS. A TC de crânio é o exame mais usado naavaliação inicial dos pacientes com suspeita de AVC isquêmico. Entretanto, muitas vezes ela vem normal, porque pode demorar horas para que uma lesão isquêmica seja visível por essa técnica. Ainda assim, ela tem seu valor: diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico, pois as hemorragias aparecem imediatamente após sua instalação na tomografia. * Nas imagens tomográficas, a hemorragia aguda possui caráter mais claro (hiperdenso/hiperatenuante). Nas isquemias, o aspecto é mais escuro do que o resto do parênquima normal (hipodenso/hipoatenuante): # os sinais precoces são: áreas de hipodensidade precoce, o sinal ‘ da artéria cerebral média hiperdensa, o apagamento de sulcos corticais e a perda da diferenciação entre substância branca e substância cinzenta. - Tem o Scores Aspects que vai analisar 10 locais do parênquima cerebral em dois cortes tomográficos axiais adjacentes, nas regiões dos núcleos da base e no corte axial imediatamente acima dela (supraganglionar). A pontuação normal é 10, se tiver em – de 6, é considerado um infarto extenso. - A ressonância magnética (RM) é um exame com técnicas extremamente complexas. Ela é capaz de detectar a ocorrência de um AVC isquêmico minutos após a sua instalação por meio da técnica de difusão. Todavia, é um exame demorado, caro e pouco disponível nos serviços de emergência. As imagens na RM de crânio podem ter aspecto mais escuro (hipossinal/hipointensidade), claro (hipersinal/hiperintensidade) ou igual ao parênquima (isossinal/ isointensidade). *Padrão-ouro para diagnóstico é a RM com difusão, mostrando hipersinal e o MAPA-ADC (coeficiente aparente de difusão) com hipossinal no local do infarto. TRATAMENTO - AVALIAÇÃO PRÉ-HOSPITALAR: Encaminhamento imediato para a atenção hospitalar, com: • TC de crânio funcionante; • trombolíticos; • neurocirurgião. • unidade para atendimento de AVC agudo; • neurologista; • unidade de terapia intensiva com experiência no cuidado a pacientes com AVC; GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 10 - Deve-se descartar outros diagnósticos que não sejam o AVC, para isso, faz-se exames glicêmicos e se ela estiver baixa (hipoglicemia), então deve-se repensar o tratamento e se estiver alta, é necessário fazer uma insulina terapia para o retorno a normalidade. - Deve- se também corrigir os níveis pressóricos e de temperatura do paciente para que haja um bom manejo da situação e facilitar a melhora do quadro. Lembrando que se houver aumento de temperatura pode se relacionar com infecções ou casos com endocardite. E para a pressão usa-se normalmente o nitroprussiato de sódio. - TROMBÓLISE ENDOVENOSA: Para salvar os neurônios da zona de penumbra isquêmica, o tratamento com mais evidência é a trombólise, por meio da infusão de uma medicação endovenosa que faz a lise do trombo oclusivo. Um exemplo do medicamento administrado é o ALTEPLASE, um ativador de plasminogênio tecidual recombinante (rt-PA), pode ser realizada por via endovenosa até 4,5h do início dos sintomas. Seu uso é VEDADO em casos de risco elevado de sangramento e área pequena de penumbra. - Temos a TROMBECTOMIA MECÂNICA onde se insere um Stent no local onde houve o AVC e o mesmo auxilia na recanalização do vaso e melhora o quadro, sendo realizada em oclusões com 100%. - Os ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS E ANTICOAGULANTES em monoterapia deve ser iniciada nas primeiras 48 horas do evento isquêmico, podendo ser utilizado o Ácido Acetilsalicílico, na dose de 75-325 mg/dia, ou o Clopidogrel, na dose de 75 mg/ dia. A sua utilização implica em um menor risco de recorrência de eventos vasculares e melhor prognóstico. A terapia combinada de Ácido Acetilsalicílico e de Clopidogrel pode ser utilizada no AVCI decorrente de estenose intracraniana, mas, somente, pelo período de 3 meses, devendo-se, em seguida, retornar à monoterapia com uma das medicações. O uso da anticoagulação em dose plena não é indicado de forma geral na fase aguda do AVCI, em virtude de ocasionar uma maior taxa de transformação hemorrágica da isquemia. AVC HEMORRÁGICO DEFINIÇÃO - É o sangramento que acontece no espaço subaracnóideo devido a qualquer etiologia que não seja o traumatismo cranioencefálico. - Essa hemorragia pode ocorrer no parênquima, pela ruptura de um vaso perfurante (vaso que tem calibre mais estreito e fica longe da superfície), cujo conteúdo sanguíneo extravasado formará uma coleção intraparenquimatosa ou irá para o espaço onde circula o liquor, o subaracnoide. - Tende a ser mais grave, com maior risco de sequelas e mortalidade. - Existem dois tipos principais de AVC hemorrágico: *HEMORRAGIA INTRACEREBRAL: Ocorre quando uma artéria dentro do cérebro se rompe, causando sangramento diretamente no tecido cerebral. *HEMORRAGIA SUBARACNOIDE: Resulta do sangramento na superfície do cérebro, especificamente no espaço subaracnoide, geralmente devido à ruptura de um aneurisma cerebral. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 11 EPIDEMIOLOGIA - O AVC hemorrágico corresponde a cerca de 10-15% de todos os casos de AVC. - Globalmente, a incidência anual de AVC hemorrágico varia de 10 a 20 casos por 100.000 pessoas, dependendo da população e da região. - A taxa de mortalidade do AVC hemorrágico é alta, especialmente nas primeiras semanas após o evento. Estima-se que a mortalidade nos primeiros 30 dias varie de 30% a 50%, dependendo da extensão da hemorragia e do acesso a cuidados médicos imediatos. - O prognóstico para pacientes com AVC hemorrágico é, em geral, pior do que para aqueles com AVC isquêmico. Sobreviventes frequentemente enfrentam desafios significativos na reabilitação, com altas taxas de incapacidade. - Em muitas regiões de baixa e média renda, a incidência de AVC hemorrágico é maior, em parte devido ao controle inadequado da hipertensão e acesso limitado a cuidados médicos de emergência. - Com o envelhecimento global da população, a carga de AVC hemorrágico tende a aumentar, exigindo maior atenção a estratégias de prevenção, como controle da pressão arterial e tratamento de aneurismas não rotos. ETIOLOGIA E FATORES DE RISCO - Os principais fatores de risco para o AVC HEMORRÁGICO INTRAPARENQUIMATOSO são hipertensão arterial (70% dos casos), angiopatia amiloide, MAV (malformações arteriovenosas), coagulopatias, tumores e drogas (principalmente em jovens usuários de cocaína). - Os principais fatores de risco para AVC SUBARACNOIDE são: tabagismo; hipertensão arterial; idade (6ª década); história familiar de aneurisma cerebral; presença de aneurisma cerebral; sexo feminino; afrodescendência; ingestão excessiva de álcool; uso de estatinas (controverso); esforço físico. # Em 85% dos casos, os aneurismas são da circulação anterior, principalmente nas bifurcações dos vasos do polígono de Willis. FISIOPATOLOGIA - AVC HEMORRÁGICO INTRAPARENQUIMATOSO: A ruptura arterial abrupta acarreta o rápido acúmulo de sangue no parênquima encefálico e aumento da pressão tecidual local, seguidos por início abrupto de forças de cisalhamento e destruição física. Além do relativo efeito expansivo, o próprio hematoma induz três alterações fisiopatológicas iniciais no tecido encefálico adjacente: (1) Morte neuronal e de células gliais por apoptose e inflamação, (2) Edema vasogênico (3) Ruptura da barreira hematencefálica. * A expansão do hematoma é uma importante causa de deterioração neurológica precoce, e o volume da hemorragia é um potente preditor de desfecho após HIC primária. * Um hematoma expansivo pode ser causado por sangramento persistente e/ou recidiva do sangramento por ruptura de somente uma arteríola. * O edema em torno da HIC pode ser produzido por mediadores inflamatórios locais e sistêmicos que promovem, direta ou indiretamente, lesão tecidual pela ativação de leucócitos, geração de prostaglandinas e leucotrienos,além da ativação do complemento (o sangue intracerebral é diretamente responsável pela ocorrência de edema local após HIC). GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 12 - AVC HEMORRAGIA SUBARACNÓIDEA: Será a ruptura de um aneurisma cerebral. Onde o sangramento resultante no espaço subaracnoide pode se estender bem além do local de origem, inundando a cisterna basal, ventrículos e espaço subaracnoide espinal. * Um aneurisma é uma protuberância na área de uma fraqueza localizada na parede muscular de um vaso arterial. A maioria dos aneurismas cerebrais é constituída por pequenos aneurismas saculares. * Eles geralmente ocorrem na circulação anterior e são encontrados em bifurcações e outros cruzamentos vasculares, como os do círculo de Willis. * Acredita-se que se originem de um defeito congênito na túnica média dos vasos envolvidos. * Assim como no tipo intracerebral, a falta de oxigênio e nutrientes nas células cerebrais leva a uma série de alterações fisiopatológicas. # resposta inflamatória > liberação de citocinas e quimiocinas > aumento da permeabilidade vascular > entrada de células inflamatórias no tecido cerebral > seguido > aumento do edema cerebral > devido aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos e redução da drenagem linfática > falta de oxigênio e nutrientes > leva > ativação de vias de morte celular (apoptose/necrose) > danos irreversíveis MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS - AVC HEMORRÁGICO INTRAPARENQUIMATOSO: Como a maioria das hemorragias espontâneas tem origem em vasos diminutos, o acúmulo de um hematoma é demorado e explica o início sereno da síndrome clínica ao longo de minutos ou horas. * A evolução progressiva, os vômitos frequentes e a cefaleia são elementos importantes que ajudam a diferenciar a hemorragia do infarto. * O putame é o local afetado com maior frequência. * Quando o HEMATOMA EM EXPANSÃO ACOMETE A CÁPSULA INTERNA ADJACENTE, ocorre hemiparesia contralateral, em geral com hemianestesia e hemianopsia e, em grandes hematomas, afasia ou comprometimento da consciência do distúrbio. * Quando a HEMORRAGIA TEM ORIGEM NO TÁLAMO, a hemianestesia precede a hemiparesia. * Uma vez estabelecidos os sinais motores, sensitivos e do campo visual contralaterais, os principais elementos que distinguem os dois locais são: (1) Desvio ocular horizontal conjugado na hemorragia do putame. (2) Comprometimento do olhar para cima na hemorragia talâmica. * A hemorragia pontina habitual leva o paciente ao coma com quadriparesia e distúrbios da motilidade ocular com desconjugação acentuada, embora pequenas hemorragias possam simular síndromes de infarto. * Em geral, a síndrome tem início abrupto, com vômitos e ataxia grave (que geralmente impede o paciente de ficar de pé e caminhar); às vezes, é acompanhada de disartria, acometimento dos nervos cranianos adjacentes (sobretudo do sexto e sétimo) e paralisia do olhar lateral conjugado para um lado, achados que podem levar os profissionais de saúde a pensarem que o local primário de acometimento é o tronco encefálico. - AVC HEMORRAGIA SUBARACNÓIDEA: Em geral, a HSA começa com uma cefaleia “explosiva” e generalizada, seguida por rigidez cervical, a dor focal pode se referir ao local de ruptura do aneurisma (p. ex., dor periorbital relacionada a aneurisma da artéria oftálmica). Os sintomas comumente associados são perda da consciência, náuseas e vômitos, dor nas costas ou nos membros inferiores e fotofobia. Nos pacientes que perdem a consciência, pode haver postura tônica e dificuldade de distinguir de uma crise epiléptica. * Um terço dos pacientes relata história de sintomas suspeitos dias ou semanas antes, entre os quais estão cefaleia, rigidez cervical, náuseas e vômitos, síncope ou perturbação visual. GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 13 * Com frequência, esses sintomas prodrômicos são causados por pequeno extravasamento de sangue do aneurisma e, portanto, denominados “extravasamentos de alerta” ou “cefaleias sentinela”. * A RIGIDEZ CERVICAL e o SINAL DE KERNIG são características da HSA. * As alterações no estado mental são as anormalidades mais comuns; alguns pacientes se mantêm conscientes e lúcidos; outros apresentam confusão, delírio, amnésia, letargia, torpor ou coma. * A ESCALA DE CLASSIFICAÇÃO DE HUNT E HESS MODIFICADA é um mecanismo de estratificação do risco de HSA com base no primeiro exame neurológico: * Os pacientes com HSA de grau I ou II têm prognóstico relativamente bom, o grau III indica prognóstico intermediário e os graus IV e V, prognóstico sombrio. * Os sinais neurológicos focais ocorrem na minoria dos pacientes, mas podem indicar o local de sangramento; a hemiparesia ou afasia sugere aneurisma da artéria cerebral média, e a paraparesia ou abulia sugere aneurisma da porção proximal da artéria cerebral anterior. DIAGNÓSTICO - AVC HEMORRÁGICO INTRAPARENQUIMATOSO: usa-se a TC para avaliar a extensão, localização, grau de edema e desorganização anatômica. O volume do hematoma, um potente preditor da mortalidade em 30 dias, onde se usa as 3 dimensões do hematoma e divide-se por 2, tudo isso para ver o acometimento e verificar se tem chances de sobrevivência. Além disso, tem-se a angiotomografia que basicamente visualiza se há alguma malformação arteriovenosa. Por fim, usa- se a RM, que pode mostrar uma causa secundária. - AVC HEMORRAGIA SUBARACNÓIDEA: usa-se a TC como primeiro exame para diagnóstico, ela mostra sangue difuso nas cisternas interpedunculares (basais); nas hemorragias mais graves, o sangue se estende para as fissuras de Sylvius e inter-hemisférica, o sistema ventricular e sobre as convexidades. A distribuição de sangue oferece indicações importantes acerca da localização do aneurisma roto. TC normal nunca descarta a HSA, e sempre se deve realizar punção lombar quando existe suspeita de HSA e a TC é negativa. A Escala de Fisher Modificada ajuda a prever o risco de vasoespasmo e isquemia cerebral na radiologia. A RM, para detectar um aneurisma com trombose completa se a angiografia inicial for negativa. Tem-se também a Punção Lombar, com líquido cerebrospinal (LCS) contém sangue visível. Por fim, a Angiografia, é o procedimento diagnóstico definitivo para a detecção de aneurismas intracranianos e definição de sua anatomia (obrigatória para início do tratamento). TRATAMENTO - AVC HEMORRÁGICO INTRAPARENQUIMATOSO: A atenção pré-hospitalar segue diretrizes semelhantes às dos outros tipos de AVE, quando o objetivo é oferecer acesso rápido a recursos médicos capazes de lidar com pacientes que sofreram um AVE, deve ter a triagem rápida, com uso GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2 Pá gi na 14 de TC para ter acesso a unidades específicas para manejo do AVE ou unidades de terapia intensiva (UTI). * REVERSÃO DE EMERGÊNCIA DA ANTICOAGULAÇÃO: pacientes em tratamento com anticoagulantes orais (ACO) por várias indicações, agentes antiplaquetários e deficiências congênitas ou adquiridas de fatores ou plaquetas. Medicamentos como a DABIGATRANA, RIVAROXABANA e APIXABANA são usados e pacientes que usam VARFARINA, devem ter reversão imediata com complexos protrombínicos que contêm os fatores de coagulação II, VI, IX e X, dependentes de vitamina K. O tratamento nunca deve ser adiado para verificar o coagulograma quando o paciente tem HIC aguda e uma história declarada de uso de ACO. Há também o uso de fator VIIa ativado recombinante (rFVIIa), um potente agente pró-hemostático, para acelerar a reversão da anticoagulação com varfarina em pacientes com HIC. * CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL: A redução excessiva da pressão arterial (PA) após HIC em caso de comprometimento da autorregulação pode exacerbar a lesão isquêmica, enquanto a ausência de controle da PA pode teoricamente exacerbar a expansão precocedo hematoma e o edema vasogênico (deve estar entre 180 a 130 mmHg). * TRATAMENTO CIRÚRGICO: é um dos mais indicados, fazendo a evacuação cirúrgica ou instituição de dreno ventricular (descomprime a abóbada craniana e interrompe o processo de herniação inferior do tronco encefálico) em caráter de emergência ou uma craniotomia. - AVC HEMORRAGIA SUBARACNÓIDEA: deve ser feito na UTI e vai tentar evitar a recidiva do sangramento mediante a exclusão do saco aneurismático da circulação intracraniana e, ao mesmo tempo, preservação da artéria de origem e de seus ramos. * O manejo vai basear em: (1) Minimizar a lesão encefálica contínua em pacientes com grau desfavorável e alterações do estado mental (2) Diminuir o risco de recidiva de sangramento do aneurisma antes de um procedimento efetivo de reparo. * Deve-se ter oxigenação encefálica satisfatórias, se não tiver deve- se intubar , administrar oxigênio suplementar quando necessário e tratamento intensivo da hipotensão com líquidos e vasopressores para manter pressão arterial média de 90 mmHg. * Controle da hipertensão arterial (pressão arterial sistólica