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TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO MORFOFISIOLOGIA DAS ESTRUTURAS DO SNC O encéfalo pesa em média 1,3kg e é dividido em 3 grandes grupos: CÉREBRO TRONCO ENCEFÁLICO CEREBELO MEDULA CÉREBRO Composto pelo DIENCEFALO e pelo TELENCÉFALO. Diencéfalo: (Tálamo, hipotálamo, epitalamo e subtalamo) Telencéfalo: É dividido em 2 hemisférios (Direito e Esquerdo) pela fissura longitudinal. Apesar de separados não são independentes, eles permanecem conectados por um conjunto de fibras chamado CORPO CALOSO. Cada hemisfério é dividido em 4 lobos (frontal, parietal, temporal e occipital) . Além disso, algumas partes do telencéfalo e do diencéfalo que se localizam em volta do tronco encefalico, formam uma região chamada SISTEMA LÍMBICO. Essa é responsável por controlar nossas emoções. Uma das estruturas do Sistema Límbico é LOBO DA ÍNSULA, considerado por alguns autores como o 5º lobo cerebral. TRONCO ENCEFÁLICO Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico. O tronco encefálico se localiza logo abaixo do cérebro e ele por sua vez se divide em 3 partes: Superior: chamada de Mesencéfalo; Intermediária: chamada Ponte; Inferior: Bulbo O Bulbo se prolonga pra dentro da coluna vertebral, formando a “Medula Espinal” Logo atrás do tronco encéfalico temos o “Cerebelo”. CEREBELO Importante para a manutenção da postura, equilíbrio, coordenação dos movimentos e aprendizagem de habilidades motoras. Todas essas estruturas são muito importantes e elas precisam ser protegidas. E a proteção do encéfalo fica a cargo de membranas que chamamos de “meninges”, de um líquido que circula entre essas membranas chamado de “Líquor”, e da própria estrutura óssea que está em volta de tudo isso que é o nosso “Crânio”. As meninges que revestem o nosso encefalo e também a medula espinal, são 3: 1- Pia-máter, mais delgada e interna; 2- Aracnóide, mais intermediária; 3- Dura-máter, mais externa e espessa. O líquor ou líquido cerebrospinal é um líquido produzidos nos plexos coroides que circula no espaço subaracnóide. Ele circula em volta do encéfalo, da medula espinal e também pelos ventrículos. O líquor protege nosso SNC absorvendo choques e ajuda na nutrição e remoção de resíduos do SNC. Os tálamos são duas massas volumosas de substância cinzenta, de forma ovoide, dispostas uma de cada lado na porção laterodorsal do diencéfalo. O tálamo é uma área muito importante do cérebro, relacionada sobretudo com a sensibilidade, mas tem também outras funções. O hipotálamo é uma área relativamente pequena do diencéfalo, situada abaixo do tálamo, com importantes funções, relacionadas sobretudo com o controle da atividade visceral. O hipotálamo é uma das áreas mais importantes do cérebro, regula o sistema nervoso autônomo e as glândulas endócrinas e é o principal responsável pela constância do meio interno (homeostase). O epitálamo limita posteriormente o III ventrículo, acima do sulco hipotalâmico, já na transição com o TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO mesencéfalo. Seu elemento mais evidente é a glândula pineal, ou epífise, glândula endócrina ímpar e mediana de forma piriforme, que repousa sobre o teto mesencefálico. O subtálamo tem função motora. Mesencéfalo O mesencéfalo interpõe-se entre a ponte e o diencéfalo. Primeiramente, o mesencéfalo é dividido em duas metades pelo aqueduto cerebral, que o atravessa. A parte anterior é conhecida como tegmento e a posterior como tecto mesencefálico. A superfície anterior do mesencéfalo contém dois pedúnculos cerebrais e o núcleo rubro. Cada pedúnculo contém a substância negra e o crus cerebri que leva as fibras dos tratos corticoespinhais, as quais são parte do tracto piramidal. Situada entre os pedúnculos está a fossa interpeduncular, que contém a substância perfurada posterior, através da qual as artérias perfurantes, que suprem o mesencéfalo, passam. O núcleo rubro é uma massa redonda e bastante vascularizada de substância cinzenta onde os tratos rubros aferentes (corticobulbar, cerebelo-rubral) e eferentes (rubro- espinhal, rubro-olivar) começam e terminam, respetivamente. Outras estruturas na superfície anterior do mesencéfalo incluem os tratos ópticos e a emergência do nervo oculomotor (NC III). Rodeando o mesencéfalo, encontramos várias estruturas visíveis na sua face posterior. As mais proeminente são os corpos quadrigêmeos, que se apresentam como quatro eminências arredondadas, chamadas de colículos, na lâmina do teto mesencefálico. Cada colículo superior representa a estação retransmissora para reflexos visuais, enquanto cada colículo inferior, localizados inferiormente, funciona como uma estação retransmissora da via auditiva. Cada colículo correspondente é separado medialmente pelo frênulo do véu medular superior. Aqui emerge o nervo troclear (NC IV). Ponte Ponte é a parte do tronco encefálico interposta entre o bulbo e o mesencéfalo. No limite entre a ponte e o pedúnculo cerebelar médio, emerge o nervo trigêmeo, V par craniano. Esta emergência se faz por duas raízes, uma maior, ou raiz sensitiva do nervo trigémeo, e outra menor, ou raiz motora do nervo trigêmeo. A parte ventral da ponte é separada do bulbo pelo sulco bulbo-pontino, de onde emergem de cada lado, a partir da linha mediana, o VI, o VII e o VII pares cranianos. O VI par, nervo abducente, emerge entre a ponte e a pirâmide do bulbo. O VIII par, nervo vestíbulo-coclear, emerge lateralmente, próximo a um pequeno lóbulo do cerebelo, denominado flóculo. O VII par nervo facial emerge medialmente ao VIII par, com o qual mantém relações muito íntimas. Entre os dois, emerge o nervo intermédio. ↪ A presença de tantas raízes de nervos cranianos em uma área relativamente pequena explica a riqueza de sintomas observados nos casos de tumores que acometem esta área, levando à compressão dessas raízes e causando a chamada síndrome do ângulo ponto-cerebelar. Bulbo O bulbo ou medula oblonga tem a forma de um tronco de cone cuja extremidade menor continua caudalmente com a medula espinhal. Não existe uma linha de demarcação nítida entre medula e bulbo. Considera-se que o limite entre eles está em um plano horizontal que passa imediatamente acima do filamento radicular mais cranial do primeiro nervo cervical, o que corresponde ao nível do forame magno do osso occipital. Na parte caudal do bulbo, fibras deste trato cruzam obliquamente o plano mediano em feixes interdigitados que obliteram a fissura mediana anterior e constituem a decussação das pirâmides. Ele recebe as informações de diversos órgãos e controla funções como os batimentos cardíacos, respiração, pressão do sangue, entre outros. Cerebelo: O cerebelo fica situado dorsalmente ao bulbo e à ponte, contribuindo para a formação do teto do IV ventrículo. Repousa sobre a fossa cerebelar do osso occipital e está separado do lobo occipital do cérebro por uma prega da dura-máter denominada tenda do cerebelo. Liga-se à medula e ao bulbo pelo pedúnculo cerebelar inferior e à ponte e ao mesencéfalo pelos pedúnculos cerebelares médio e superior, respectivamente. O cerebelo é importante para a manutenção da postura, equilíbrio, coordenação dos movimentos e TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO aprendizagem de habilidades motoras. Embora tenha fundamentalmente função motora, estudos recentes demonstraram que está também envolvido em algumas funções cognitivas. Anatomicamente, distingue-se no cerebelo uma porção ímpar e mediana, o vérmis, ligado a duas grandes massas laterais, os hemisférios cerebelares. Vascularizaçãoencefálica: O sistema nervoso é formado de estruturas nobres e altamente especializadas, que exigem para o seu metabolismo um suprimento permanente e elevado de glicose e oxigênio. O consumo de oxigênio e glicose pelo encéfalo é muito elevado, o que requer um fluxo sanguíneo muito intenso. Polígono de Willis: O encéfalo é vascularizado através de dois sistemas: Vértebro-basilar (artérias vertebrais) e Carotídeo (artérias carótidas internas). Estas são artérias especializadas pela irrigação do encéfalo. Na base do crânio estas artérias formam um polígono anastomótico, o Polígono de Willis, de onde saem as principais artérias para vascularização cerebral. As artérias vertebrais se anastomosam originado a artéria basilar, alojada na goteira basilar. Ela se divide em duas artérias cerebrais posteriores que irrigam a parte posterior da face inferior de cada um dos hemisférios cerebrais. As artérias carótidas internas originam, em cada lado, uma artéria cerebral média e uma artéria cerebral anterior. As artérias cerebrais anteriores se comunicam através de um ramo entre elas que é a artéria comunicante anterior. As artérias cerebrais posterior esse comunicam com as arteriais carótidas internas através das artérias comunicantes posteriores. ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL Acidente vascular encefálico é definido por uma lesão encefálica secundária a um mecanismo vascular e não traumático, caracterizado pela instalação súbita de um déficit neurológico, geralmente focal, de rápida evolução, com duração maior que 24 horas (ou menor, quando leva o paciente à morte). No Brasil, de acordo com os dados do DATASUS, o AVE representa a primeira causa de morte por doenças cardiovasculares. O AVC se subdive em AVC hemorrágico (AVCh) e AVC isquêmico (AVCi): AVC HEMORRAGICO É um sangramento no interior do panrequima encefálico. Decorrente de um sangramento espontâneo. È uma emergência neurológica, o quadro clínico varia desde cefáleia até o coma. EPIDEMIOLOGIA - Corresponde a 15 a 20% dos AVCs (80% são AVCI). - 1/3 dos pacientes morrem em 30 dias; TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO - Leva a maiores custos de internação e tmb maiores custos para reabilitar esse paciente (p/ voltar a vida social normal). Já que apenas 20% dos pacientes vão apresentar independencia funcional em 6 meses. - Acomete cerca de 4 milhões de pessoas por ano no mundo. Essa incidência é muito maior nos países em desenvolvimento do que em comparação com países em desencolvimentos. FISIOPATOLOGIA AVCh Primário AVCh secundário Hipertensivo Coagulopatia (discrasias sanguíneas) Angiopatia amiloide Malformações vasculares (MAV, aneurismas, cavernomas) Trombose venosa cerebral Neoplasias Endocardite O AVCh se divide em 2 grandes grupos: hemorragia subaracnoide e hemorragia intraparenquimatosa. HEMORRAGIA INTRAPARENQUIMATOSA PRIMÁRIO AVSh hipertensivo Corresponde a 50-70% dos AVChs. Ocorre uma diferença de pressão entre um grande vaso e os pequenos vasos (perfurantes). Levando a uma necrose fibrinoide do vaso (processo de lipo- hialinose) levando a formação de fragilidade da parede o que acaba acarretando na formação de Aneurismas de Charcot-Bouchard (vaso da aquela dilatada e fica propenso a romper). Como esses aneurismas ocorrem nesses vasos perfurantes (que se originam da artéria cerebral média, da cerebral posterior, da basilar, dos vasos cerebelares – como a AICA e a PICA) são sangramentos profundos. Mas isso não significa que não possa ocorrer também nos lobos. Não Núcleos da base Tem Tálamo Pressão Ponte Controlada Cerebelo Angiopatia amiloide Temos uma proteína precursora do peptídeo amilóide (APP) Qd esses mecanismos falham há um acumulo de peptídeo Beta-40 na parede do vaso, ocasionando fragilidade e daí o sangramento (propenso a rompimento). OBS: Isso vem de vasos que vem das leptomeninges (região mais superficial – cortical). Então, vai gerar sangramento nos lobos, não será sangramentos profundos. Muito mais comum em idosos. (só ocorre o sangramento nos lobos corticais). SECUNDÁRIO Discrasias sanguíneas (Coagulopatias) Outra causa importante responsável por 12-14% dos casos. Uso de anticogulantes (como varfarina), TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO uso de antiplaquetário, paciente que tem insuficiência hepática, IR levando a anemia. Malformações arteriovenosas São anastomoses, emaranhados de vasos arteriais que se ligam as veias, dilatando-as, podendo rompê-las. Aneurisma Micótico (Endocardite) São embolos septicos que saem do coração para endocardite infecciosa, que vão se acumular nos vasos, causando fragilidade da parede e consequente rompimento. AVC ISQUEMICO Acidentes vasculares cerebrais isquêmicos são devidos a uma redução ou bloqueio completo do fluxo sanguíneo. Essa redução pode ser devido à diminuição da perfusão sistêmica, estenose grave ou oclusão de um vaso sanguíneo. A diminuição da perfusão sistêmica pode ser o resultado de pressão arterial baixa, insuficiência cardíaca ou perda de sangue. A determinação do tipo de AVC pode influenciar o tratamento a ser utilizado. As principais causas de isquemia são trombose, embolização e infarto lacunar por doença de pequenos vasos. Os AVCs isquêmicos representam cerca de 80% de todos os AVCs. Há 2 classificações principais para os AVCs isquemicos: Trombose: refere-se à obstrução de um vaso sanguíneo devido a um processo oclusivo localizado dentro de um vaso sanguíneo Embolia: refere-se ao coágulo ou outro material formado em outro lugar dentro do sistema vascular que viaja do local de formação e se aloja nos vasos distais, causando bloqueio desses vasos e isquemia. Frequentemente é impossível distinguir trombo de Êmbolo por meios de métodos de imagens ou por material histopatológico e, então, ambos os processos são classificados juntos. AVCs de pequenos vasoso, são chamados de lacunas, são causados por oclusões de pequenas arteríolas e representam 20% dos AVCs. EPIDEMIOLOGIA O AVE (isquêmico e hemorrágico) é a segunda causa principal de morte no mundo e a quinta causa principal de óbito nos EUA,1 além de representar a causa principal de incapacidade do adulto. Além da idade, da raça ou etnia e da história familiar, certos fatores do estilo de vida e condições clínicas aumentam o risco de AVE. A hipertensão arterial é o fator isolado mais importante, uma vez que o risco de AVE aumenta com a elevação da pressão arterial sem efeito de limiar. O diabetes está associado ao dobro do risco de AVE. A fibrilação atrial está associada a quase 25% dos AVEs isquêmicos, com variação do risco absoluto de acordo com os fatores de risco concomitantes. A estenose extracraniana de artéria carótida é encontrada em 5 a 10% dos indivíduos com mais de 65 anos e está associada a cerca de 10% de todos os AVEs isquêmicos. A estenose assintomática da artéria carótida não tratada conduz a apenas 1 a 2% de risco anual de AVE, e o risco diminui para até 0,5% anualmente com a terapia clínica padrão. O AVE é também uma complicação da doença falciforme, com risco substancialmente reduzido com a terapia de transfusão em crianças de alto risco. Diferentemente da doença da artéria coronária, a associação geral entre concentração elevada de colesterol e risco de AVE é menos certa. O risco de AVE isquêmico está associado a níveis mais altos de colesterol total, enquanto o de AVE hemorrágico aumenta com níveis mais baixos de colesterol.FISIOPATOLOGIA Após o início da oclusão vascular, é comum os sinais e sintomas flutuarem, e melhorarem ou piorarem, muitas vezes rapidamente. Se os sintomas passarem em 1 a 2 horas, o paciente teve AIT, o que gera areas de PENUMBRAS – area de infarto que o neuronio ainda é viável, não morreu, ou seja´é reversível. No isquemico, essa area é administrada e mantida atraves do aumento do fluxo colateral. No AIT, ocorre resolução autonoma do problema, provavelmente por dissolução do embolo com restauração do fluxo sanguíneo regional, diminuição dos vasoespasmo, e melhora da perfusão secundaria ao fluxo colateral. A persistência de qualquer deficit neurológico por mais de 2 horas, estamos na TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO presença de um AVC, até que se prove o contrário. Depois de 2 horas, mesmo que o paciente se recupere inteiramente, é quase sempre acompanhada por um certo grau de destruição tecidual. Horas a dias depois que o paciente está estável, ele pode desenvolver um aumento de deficits neurologicos, uma deteotização chamada de AVC em progressão. Para pacientes com um AIT e que por definição, correm risco aumentado de sofrer um AVE isquêmico durante os próximos dias ou semanas ou que tenham um AVE isquêmico, a distinção entre as principais causas fisiopatológicas (p. ex., aterotrombótica, cardioembólica, de pequenos vasos) é essencial para orientar a prevenção secundária. ATEROSCLEROSE A aterotrombose decorrente de aterosclerose é a causa mais comum de AIT ou AVE relacionados com a doença esteno-oclusiva em uma única artéria. A isquemia pode ser causada quando uma estenose progressiva no sítio de uma placa aterosclerótica leva ao comprometimento hemodinâmico, afetando o tecido cerebral distal. Às vezes, o sangramento na placa pode levar à oclusão arterial abrupta, e, às vezes, um trombo que se formou em uma placa ulcerada pode embolizar e ocluir uma artéria distal. Entretanto, a oclusão de uma artéria cerebral não leva, necessariamente, à lesão cerebral isquêmica. O sangue ainda pode atingir o território suprido por meio de colaterais, pelo polígono de Willis ou a partir de anastomoses extracranianas-intracranianas. Atualmente a dissecção arterial é reconhecida, com frequência, graças a exames de imagem não invasivos, como a angiografia por RM ou por tomografia computadorizada (TC). Outras arteriopatias, como a displasia fibromuscular (ver Capítulos 70, 72 e 116), também podem levar ao AVE isquêmico único com distribuição de grandes vasos. A aterosclerose da aorta ascendente ou o arco aórtico podem levar à formação de trombo, o qual pode então embolizar para uma artéria cerebral. CARDIOEMBOLICOS A fibrilação atrial é a causa isolada mais comum de AVE cardioembólico. Outras causas cardíacas de embolia cerebral incluem coágulos ou vegetações em pacientes com valvopatia cardíaca, como as próteses mecânicas de valvas cardíacas, endocardite infecciosa e endocardite não bacteriana; e trombos murais em pacientes com cardiomiopatia ou infarto do miocárdio, particularmente o infarto do miocárdio anterosseptal. A embolia paradoxal de um coágulo venoso por defeito cardíaco congênito, tal como persistência do forame oval ou defeito de septo interatrial, é outra causa de AVE embólico. A doença de pequenos vasos intracranianos pode resultar em AVE isquêmico na distribuição de um único vaso penetrante. Esses AVEs afetam comumente estruturas profundas (p. ex., centro semioval, núcleos da base, tálamo, cápsula interna, ponte) e ocorrem com mais frequência em pacientes com hipertensão e diabetes. Classicamente, AVEs de pequenos vasos são causados por lipo-hialinose, que é o espessamento de uma parede de vaso resultando em diminuição da área do lúmen, mas eles também podem ser causados por aterotrombose ou embolia. A. Suprimento vascular: Os sintomas e sinais focais que resultam do AVE correlacionam-se com a área do encéfalo irrigada pelo vaso sanguíneo afetado. No AVE isquêmico, a oclusão vascular interrompe o fluxo sanguíneo para uma região específica do encéfalo, produzindo um padrão bastante característico de déficits neurológicos resultantes da perda de funções controladas por aquela região. O padrão de déficits resultante de hemorragia é menos previsível porque depende da localização do sangramento e também de fatores que afetam a função de regiões do encéfalo distantes da hemorragia (p. ex., pressão intracraniana aumentada, edema encefálico, compressão de tecido encefálico vizinho e ruptura de sangue para dentro de ventrículos ou do espaço subaracnóideo). B. Acidente vascular encefálico isquêmico: Os AVEs isquêmicos resultam de oclusão trombótica ou embólica de vasos cerebrais. Déficits neurológicos causados por oclusão de artérias grandes resultam de isquemia focal à área do encéfalo suprida pelo vaso afetado e produzem TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO síndromes clínicas reconhecíveis. Nem todos os sinais estão presentes em cada paciente, porque a extensão do déficit depende da presença de fluxo sanguíneo colateral, variações individuais na anatomia vascular, pressão arterial e localização exata da oclusão. A trombose geralmente envolve as artérias carótida interna, cerebral média ou basilar. Em geral, os sintomas evoluem por vários minutos, e podem ser precedidos por breves episódios de déficits focais reversíveis conhecidos como ataques isquêmicos transitórios. Êmbolos provenientes do coração, do arco aórtico ou das artérias carótidas geralmente ocluem a artéria cerebral média, porque ela transporta mais de 80% do fluxo sanguíneo para o hemisfério cerebral. Êmbolos que percorrem as artérias vertebral e basilar comumente se alojam no ápice da artéria basilar, ou em uma ou ambas as artérias cerebrais posteriores. AVEs isquêmicos envolvendo oclusão de artérias pequenas ocorrem em localizações selecionadas, onde a perfusão depende de vasos pequenos que são artérias terminais. A maioria resulta de uma alteração degenerativa no vaso, descrita patologicamente como lipo-hialinose, que é causada por hipertensão crônica e predispõe à oclusão. Os vasos mais comumente envolvidos são as artérias lenticuloestriadas, que surgem da artéria cerebral média proximal e fazem a perfusão dos núcleos da base e da cápsula interna. Também comumente afetados são os pequenos ramos das artérias basilar e cerebral posterior que penetram no tronco cerebral e tálamo. A oclusão desses vasos forma áreas pequenas de dano tecidual conhecidas como infartos lacunares. Estes ocorrem normalmente no putame, no caudado, no tálamo, na ponte e na cápsula interna, e menos comumente na substância branca subcortical e no cerebelo. Os infartos lacunares produzem várias síndromes clínicas bemestereotipadas. Os dois mais comuns são o AVE motor puro e o AVE sensorial puro. No AVE motor puro, o infarto ocorre geralmente dentro da cápsula interna ou da ponte contralateral ao lado fraco. No AVE sensorial puro, o infarto ocorre geralmente no tálamo contralateral. Vários distúrbios vasculares, cardíacos e hematológicos podem causar isquemia encefálica focal. A mais comum é aterosclerose das grandes artérias do pescoço e da base do encéfalo. Acredita-se que aterosclerose se origine de lesão das células endoteliais vasculares por insultos mecânicos, bioquímicos ou inflamatórios. A lesão endotelial estimula a adesão de monócitos e linfócitos circulantes que migram para dentro da parede do vaso e estimulam a proliferação de células musculares lisas e fibroblastos, o que leva à formação de uma placa fibrosa. As células endoteliais danificadas também fornecem um nicho para agregação e ativação de plaquetas.As plaquetas ativadas secretam fatores de crescimento que encorajam a proliferação adicional de músculo liso e fibroblastos. Finalmente, a placa pode aumentar para ocluir o vaso, ou pode romper, liberando êmbolos. C. Acidente vascular encefálico hemorrágico: Hematomas epidurais e subdurais ocorrem normalmente como sequelas de traumatismo craniano. Hematomas epidurais se originam de dano a uma artéria, geralmente a artéria meníngea média, que pode ser rompida por uma pancada no osso temporal. O sangue disseca a dura-máter do cérebro e comprime o hemisfério subjacente. A perda de consciência inicial pelo trauma é devida à concussão e pode ser transitória. Os sintomas neurológicos então retornam poucas horas mais tarde, quando o hematoma exerce um efeito de lesão expansiva que pode ser grave o bastante para causar herniação do encéfalo. Os hematomas subdurais geralmente se originam de sangue venoso que vaza de veias corticais rotas transpondo o espaço subdural. Essas podem ser rotas por traumatismo relativamente leve, sobretudo em idosos. O sangue está sob baixa pressão e os sintomas resultantes do efeito de lesão expansiva podem não aparecer por vários dias. Hemorragia subaracnóidea pode acontecer por traumatismo craniano, extensão de sangue a partir de outro compartimento para dentro do espaço subaracnóideo ou ruptura de um aneurisma arterial. A disfunção cerebral ocorre devido à pressão intracraniana aumentada, e por efeitos tóxicos malcompreendidos do sangue subaracnóideo sobre o tecido do encéfalo e dos vasos cerebrais. A causa mais comum de hemorragia subaracnóidea espontânea (não traumática) é a ruptura de um aneurisma em amora (berry), que pode ser originário de uma fragilidade congênita das paredes de vasos grandes na base do encéfalo. Os aneurismas tornam-se sintomáticos na idade adulta, geralmente depois da terceira década. A ruptura eleva subitamente a pressão intracraniana, o que TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO pode interromper o fluxo sanguíneo cerebral e causar uma lesão concussiva generalizada. Isso resulta em perda de consciência em cerca de metade dos pacientes. Com hemorragias muito grandes, a isquemia encefálica global pode causar lesão encefálica grave e coma prolongado. Isquemia focal pode resultar posteriormente por vasospasmo de artérias no local da ruptura ou perto dela. Recorrência da hemorragia dentro dos primeiros poucos dias é uma complicação comum e, muitas vezes, fatal. Hemorragia intraparenquimatosa pode resultar de elevações agudas da pressão arterial ou de uma variedade de distúrbios que enfraquecem os vasos. O hematoma resultante causa um déficit neurológico focal por compressão de estruturas adjacentes. Além disso, efeitos metabólicos do sangue extravasado perturbam a função do tecido encefálico circundante, e vasos próximos são comprimidos, causando isquemia local. Hipertensão crônica é o fator predisponente mais comum. Em pacientes hipertensos, pequenos aneurismas de Charcot- Bouchard aparecem nas paredes de pequenas artérias penetrantes; e acreditase que sejam os locais principais de ruptura. Os mais vulneráveis são os pequenos vasos que também estão envolvidos em infartos lacunares. As hemorragias hipertensivas ocorrem principalmente nos núcleos da base, no tálamo, na ponte e no cerebelo, e menos comumente na substância branca subcortical. Outras causas de hemorragia intraparenquimatosa incluem malformações vasculares, que contêm vasos anormalmente frágeis suscetíveis à ruptura com pressões arteriais normais, e certos tumores encefálicos, como o glioblastoma multiforme, que induzem proliferação de vasos frágeis dentro do tumor. Certos distúrbios das plaquetas e da coagulação podem predispor à hemorragia intracerebral por inibição da coagulação. Cocaína e anfetaminas causam elevação rápida da pressão sanguínea e são causas comuns de hemorragia intraparenquimatosa em adultos jovens. A hemorragia pode estar relacionada com sangramento espontâneo por elevação aguda da pressão arterial, ruptura de uma anomalia vascular oculta ou vasculite induzida por drogas. Angiopatia amiloide cerebral é um distúrbio que ocorre principalmente nos idosos e pode estar associado com doença de Alzheimer. O depósito de amiloide enfraquece as paredes de pequenos vasos corticais e causa hemorragia lobar, frequentemente em vários locais. D. Excitotoxicidade: Existem observações de que a homeostase do glutamato no SNC é acentuadamente alterada durante a isquemia, levando a níveis aumentados e tóxicos de glutamato extracelular. Neurônios profundos dentro de um foco isquêmico morrem por privação de energia. Entretanto, na margem da região isquêmica, os neurônios parecem morrer devido à estimulação excessiva de receptores de glutamato. Como observado, o glutamato é liberado em sinapses excitadoras, e os níveis de glutamato no espaço extracelular normalmente são regulados estritamente por sistemas de recaptação dependentes de sódio em neurônios e na glia. Na glia, o glutamato é destoxificado adicionalmente pela conversão em glutamina por meio da enzima dependente de ATP, glutamina sintase. A glutamina é então liberada pela glia e captada por neurônios, onde ela é reembalada em vesículas sinápticas para liberação subsequente. A isquemia priva o encéfalo de oxigênio e glicose, e a interrupção resultante do metabolismo celular exaure os neurônios e a glia de reservas de energia necessárias para manter os gradientes normais de íons transmembrana. Isso leva ao acúmulo de Na+ intracelular e ao colapso do gradiente de Na+ transmembrana, que inibe a captação de glutamato. As reservas de energia em declínio também reduzem a conversão de glutamato em glutamina na glia. Ambos os eventos promovem o acúmulo de glutamato extracelular, que estimula receptores de glutamato em neurônios adjacentes, causando entrada de Ca2 + e Na+. O influxo de cátions despolariza esses neurônios, estimulando influxo adicional de Ca2 + pelos canais com portão de voltagem. A isquemia também interrompe a homeostase do K+, levando a um aumento da concentração de K+ extracelular ([K+] ) . Dois transportadores dependentes de energia são particularmente importantes para a remoção de K+ extracelular pela glia: uma Na+-K+ ATPase e um transportador de ânions que cotransporta K+ e Na+ com c1-. Na isquemia, esses mecanismos dependentes de energia falham, e o K+ liberado no espaço extracelular não pode mais ser captado pela glia. Isso despolariza neurônios porque o gradiente de K+ através das membranas neuronais determina o TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO nível do potencial de membrana em repouso. A despolarização ativa liberação de neurotransmissores, aumentando o acúmulo de glutamato nas sinapses excitadoras e no espaço extracelular. O efeito resultante desses eventos é um influxo tremendo de Na+ e Ca2 + para dentro dos neurônios através de canais iônicos com portões de glutamato e de voltagem. A sobrecarga resultante de Ca2 + intracelular parece ser especialmente tóxica, e pode exceder a capacidade do neurônio de expelir ou sequestrar o cátion, o que resulta em ativação mantida de uma variedade de enzimas sensíveis ao cálcio, inclusive proteases, fosfolipases e endonucleases, levando à morte celular. A favor de um mecanismo excitotóxico de morte celular no AVE estão estudos em animais que demonstram uma redução no tamanho de lesões isquêmicas depois do tratamento com antagonistas de receptor de glutamato. 3. FATORES DE RISCO HAS (responde p/50-70% dos AVCh) PA sist >160 e PA diast >110 aumenta o risco em 5x de ter AVCh Baixa escolaridade Uso de anticoagulantes Aumenta a taxa de sangramento Uso de mentafentamina e cocaína Idade Etilismo Fatores genéticos (proteína miloide cerebral) Diabetes : é um importante fator de risco para o desenvolvimento de doença cerebrovascular, especialmente infarto cerebral aterotromboembólico. Os mecanismos etiopatogênicos de AVE e AIT nos diabéticos se devem a alterações da hemodinâmica cerebral, à hiperglicemia e a outros fatores de risco associados. O diabetes constitui risco para AVE por mecanismos aterogênicos diretos e por interagir com outros fatores de risco, como hipertensão e hiperlipidemia. Em vista da alta prevalência de diabetes não diagnosticada entre pacientes com AVE e morbidade e mortalidade aumentadas associadas com DM, recomenda-se rastreamento para DM em todos os pacientes com AVE isquêmico. Fumo: Muitos estudos epidemiológicos têm estabelecido que o fumo é um fator de risco importante para AVE, sendo sinérgico à hipertensão, ao diabetes melito, à intolerância à glicose, à idade, à hipercolesterolemia e à doença cardiovascular preexistente Fumantes de mais que 40 cigarros/dia apresentaram risco relativo 2 vezes maior que fumantes de menos que 10 cigarros/dia. Parar de fumar reduz o risco de forma já significativa após 2 anos, atingindo o patamar de não-fumante em 5 anos. Fumantes leves retornam a valores de não-fumantes, mas fumantes pesados permanecem com o dobro do risco. O fumo contribui independentemente para a incidência de AVE com maior risco para hemorragia subaracnóide, seguido por infarto cerebral. O fumantes pesados mostram risco relativo de AVE 2 a 4 vezes maior que não fumantes. A coexistência de fumo e hipertensão potencializa o risco de doença cerebrovascular. A redução do risco de AVE pelo tratamento farmacológico da hipertensão é muito maior em hipertensos leves não-fumantes que em fumantes com hipertensão leve, destacando a importância do fumo. Assim, espera-se maior benefício de parar de fumar em fumantes pesados que são hipertensos. Todo fumante reduzirá o risco de AVE Lavine Santos SOI V isquêmico ao parar de fumar, independente do tipo de exposição prévia. No Brasil, é fator de risco muito importante para doença cerebrovascular e AVE, pois o consumo de cigarros cresceu. Fibrilação atrial: A presença de FA aumenta o risco de AVE em 4 a 5 vezes. O risco atribuído para AVE associado a FA aumenta de 1,5% aos 50 a 59 anos para 23,5% aos 80 a 89 anos. A fibrilação atrial aumenta a mortalidade em quase duas vezes em ambos os sexos, mesmo ajustada para condições cardiovasculares e idade. Cardiopatias, especialmente isquêmica recente e hipertensão, são fortemente associadas com maior risco de FA. Raça e fatores socioeconômicos: Taxas de TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO incidência de primeiro AVE têm sido determinadas em diferentes populações caucasianas. Nos EUA, a incidência de AVE entre negros foi duas vezes maior, assim como a mortalidade do AVE também foi maior nas pessoas negras tanto nos EUA como na Inglaterra. O menor grau de controle de hipertensão nestes grupos étnicos poderia ser uma explicação, mas isto tem sido observado em todos os grupos socioeconômicos. História Familiar; Anticoncepcionais orais: Os anticoncepcionais orais (ACOs) são fatores de risco independentes para AVE isquêmico e hemorrágico, nas mulheres que fumam, que têm mais de 35 anos de idade ou que tenham história de hipertensão, mas esse risco diminui nas que usam formulações de doses mais baixas (< 50 µg estrógeno). Enxaqueca: A migrânea (enxaqueca) é um fator de risco para AVE isquêmico entre homens e mulheres. A migrânea clássica (com aura) pode apresentar mais risco que a migrânea simples (sem aura). Parece ser um fator de risco de base para AVE, que também age como precipitante agudo, porque alguns pacientes têm AVE durante uma crise de migrânea (AVE migranoso). A ocorrência relativa desses dois tipos de AVE na migrânea não é bem conhecida. uso de drogas ilícitas, em especial a cocaína (principalmente após as primeiras 48 horas de uso) 4. DIFERENCIAR AVEI DO AVEH NA EMERGÊNCIA IMP: ↪ Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico. BULBO XII – hipoglosso IX – glossofaríngeo X- vago PONTE V – trigêmio VI – abducente VII – facial VIII – vestibulo – coclear MESENCEFALO III – oculomotor IV - troclear MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS (Vamos ter um deficit focal diretamente relacionado à sua localização) - Qd chega um paciente com quadro de deficit neurológico de início agudo, sempre pensar 1º em AVC. É quase impossível diferenciar pela clínica o AVCh do AVCi, o que vai prevalecer mais no AVCh são oos sinais de hipertensão intracraniana, pq temos um sangue que ocupa rapidamente o espaço intracraniano: Cefaleia, Nauseas/ Vomitos e alterações dos níveis de consciência. (mas como disse o prof. Antônio, isso não tem muito significado. Além disso, temos: Hemiparesia; Hemi-hipoestesia; Disartria (disturbio da articulação da fala, dif na produção de fonemas) Afasia (disturbio de linguagem, afeta a capacidade de comunicação) Ataxia (equilíbrio ou coordenação motoro prejudicados) TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO Alteração dos nervos cranianos Alteração de campo visual (se pegar os lobos occipitais) Sistema carotídeo • Artéria oftálmica: alterações visuais monoculares. • Artéria cerebral anterior: sinais de frontalização, déficit motor e sensitivo na região proximal do membro superior contralateral. • Artéria cerebral média: déficit motor; perda sensorial em face ou membro superior; afasia de Wernick (área da compreensão da fala) e Broca (área motora da fala) no hemisfério dominante; Negligência no hemisfério não dominante; hemiplegia fasciobraquio-crural (por atingir cápsula interna); síndrome piramidal contralateral (por interrupção da via corticoespinhal). Obs.: Síndrome do 1o neurônio motor: ocorre quando atinge as artéria perfurantes do sistema lentículoestriado, que irriga a cápsula interna (local mais atingido no AVE lacunar). O paciente apresenta sincinesias, sinal de Babinski, hiperreflexia, espasticidade e sinreflexias. A artéria cerebral média é a artéria mais comumente envolvida em oclusões associadas à embolia cardiogênica. Ela supre as porções laterais dos lobos frontal, parietal e temporal, assim como os núcleos da base e o ramo anterior, além do joelho da cápsula interna. As oclusões dessa artéria são caracterizadas pelo envolvimento da face contralateral e do braço em extensão maior que o comprometimento do membro inferior, geralmente acompanhadas por negligência hemiespacial contralateral. Quando o hemisfério dominante é envolvido, o paciente apresenta afasia. Quando há envolvimento do lobo frontal, os pacientes costumam mostrar desvio conjugado ipsilateral dos olhos, o que pode ser forçado após a linha média com estímulo vigoroso, manobras oculocefálicas ou estimulação calórica. As oclusões de ramos da artéria cerebral média podem resultar em síndromes parciais. Por exemplo, a oclusão de um ramo dessa artéria com colaterais intactas pode causar um quadro de afasia global sem déficit motor associado (p. ex., “afasia global sem hemiparesia”). Oclusões da artéria cerebral média do hemisfério dominante do ramo anterior podem causar afasia de expressão do tipo cortical (Broca) com preservação de compreensão. A oclusão do ramo angular da artéria cerebral média pode causar afasia do tipo de compreensão da linguagem falada e escrita (Wernicke). Os infartos de zona limítrofe podem resultar em afasias transcorticais, caracterizadas por repetições relativamente preservadas. Sistemavertebrobasilar • Artéria cerebral posterior: cefaléia ipsilateral, alterações de memória, hemibalismo, alterações do campo visual, rebaixamento do nível de consciÊncia, déficit sensitivo, alterações de funções nervosas superiores. As duas artérias cerebrais posteriores surgem da artéria basilar em cerca de 75% da população. Nos demais 25%, um ou ambos os segmentos P1 são hipoplásicos ou inexistentes, com as artérias cerebrais posteriores surgindo da artéria carótida interna ipsilateral (a chamada circulação fetal). Sem exames de imagem vasculares, não é possível determinar se um infarto da distribuição da artéria cerebral posterior está associado à doença das artérias carótida ou vertebrobasilar. As artérias cerebrais posterior e comunicante posterior suprem o tálamo. Infartos talâmicos podem resultar em hemianestesia e ataxia contralaterais. Se o núcleo subtalâmico for danificado, poderá ocorrer hemibalismo contralateral. O infarto do lobo occipital ipsilateral causa hemianopsia homônima contralateral, que pode ser parcial, dependendo da extensão da lesão. O déficit de campo visual tende a se tornar mais congruente nos dois olhos, à medida que a área da lesão se torna mais posterior (p. ex., mais próxima do polo occipital). Artérias vertebral e basilar A oclusão da artéria basilar pode levar à “síndrome de encarceramento” , na qual o paciente está acordado e alerta, porque a substância cinzenta periaquedutal pode receber suprimento sanguíneo separado, mas é incapaz de se mover ou de se comunicar, exceto por movimentos verticais dos olhos, porque os núcleos coliculares no mesencéfalo foram poupados. O topo da artéria basilar é um local comum para a oclusão embólica. Os sintomas podem incluir defeitos de campo TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO visual decorrentes de lesão occipital uni ou bilateral e de estados de confusão em razão do envolvimento do tálamo. As oclusões de ramos penetrantes e circunferenciais das artérias basilar e vertebral podem produzir vários sintomas, dependendo da porção da artéria envolvida, várias das quais constituem as síndromes do mesencéfalo, pontina ou bulbar com epônimos conhecidos. A oclusão da artéria cerebelar superior pode causar ataxia do tronco, em razão do infarto do vérmis cerebelar, com ou sem ataxia dos membros ipsilaterais, que pode ser causada por infarto do hemisfério cerebelar ipsilateral. • Artéria vertebral ou cerebelar póstero- inferior: síndrome bulbar (vertigem central, disfagia, náuseas, vômitos, nistagmo e ataxia ipsilateral) e síndrome de Horner ipsilateral (ptose palpebral, anisocoria, perda da sensibilidade térmica e dolorosa em face ipsilateral, disartria e nistagmo para o lado infartado). A artéria mais afetada pelo AVE isquêmico é a cerebral média, afetando locais irrigados por essa artéria, enquanto as mais atingidas pelo AVE hemorrágico são os ramos perfurantes. Se incluem nesse quadro paresias e parestesias plenas ou no lado contralateral à artéria afetada, alterações na visão, afasias, rebaixamento de nível de consciência, tontura e distúrbios de marcha (principalmente nos AVEs cerebelares), cefaléias súbitas (muito relacionadas à HSA), dentre outros. O chamado “AVC isquêmico maligno” ou “infarto maligno cerebral” é definido como o infarto de mais de 50% do território de irrigação da artéria cerebral média, representando grande parte do hemisfério cerebral, e têm mortalidade de 80% apesar do tratamento conservador adotado, sendo uma importante causa de morte encefálica. No AVE hemorrágico, os sintomas aparecerão de acordo com o local em que a hemorragia esteja concentrada. Os locais mais acometidos na Hemorragia Intraparenquimatosa (HIP) são: Putâmen, Tálamo, Cerebelo e Ponte. - Hemorragia no putâmen: Costuma atingir a cápsula interna, cursando com quadro súbito de hemiplegia fasciobraquiaquicrural contralateral. Desvio do olhar conjugado contrário à hemiplegia também pode ocorrer. Aqui, a hemorragia pode se estender e causar hemoventrículo. - Hemorragia talâmica: Também atinge a cápsula interna, gerando os mesmos sintomas da hemorragia no putâmen, associada a hemianestesia para todas as sensibilidades. Pela extensão da hemorragia ao hipotálamo e teto do mesencéfalo, são comuns: desvio dos olhos em direção ao nariz, ou para o lado da hemiplegia; pupilas mióticas; anisocoria com pupila menor ao lado da hemorragia (síndrome de Horner) e afasia talâmica. É comum a hemorragia se estender ao terceiro ventrículo. - Hemorragia de cerebelo: gera quadro idêntico ao AVE isquêmico cerebelar (náuseas, vertigem central, vômitos e ataxia cerebelar aguda). Têm grande efeito expansivo, podendo comprimir o IV ventrículo e levar à hidrocefalia obstrutiva, piora da HIC e coma. A complicação mais temível é a herniação através do forame magno e conseqüente compressão de estruturas como amígdalas cerebelares e bulbo, levando à apnéia súbita e morte. - Hemorragia de ponte: Tem um quadro muito característico: quadriplegia súbita, coma e pupilas mióticas e fototorregentes, além de perda dos reflexos oculocefálicos. Decerebração, hiperpneia e hiperidrose são achados comuns, e a letalidade é alta: quase 90% dos casos. - A hemorragia lobar (ou seja, dos lobos frontal, parietal, temporal e occipital) é um tipo de HIP que acomete principalmente os idosos, em razão de sua causa: a angiopatia amilóide que ocorre nesta idade, a rotura de microvasos subcorticais cujas paredes contém depósitos amilóides. Os pacientes com doença de Alzheimer são, portanto, ainda mais propensos a esta condição! Já na Hemorragia Subaracnóidea (HSA), o quadro clínico é caracterizado por uma súbita cefaléia holocraniana de forte intensidade (a “pior da vida”), do tipo “tunderclap” ou em “trovoadas”, podendo evoluir com síncope, vômitos, rigidez de nuca e sinais de meningismo e associada ou não a déficit neurológico focal – o principal é a paralisia do nervo oculomotor, gerando anisocoria, diplopia e estrabismo divergente. Crises convulsivas são uma complicação frequente nestes casos. A escala de Hunt-Hess é a principal utilizada para TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO determinação clínica do prognóstico, e também como definidora de condutas. DIAGNOSTICO E CONDUTA Por tratar-se de uma emergência clínica, inicialmente deve ser realizada a avaliação das funções vitais, manutenção de vias aéreas, respiração e circulação (ABC da urgência e emergência), instalação de monitorização cardíaca, oximetria de pulso, glicemia capilar e dois acessos venosos. A avaliação por neuroimagem é a chave para a diferenciação entre lesões isquêmicas e hemorrágicas. Na grande maioria dos serviços, a escolha inicial é pela tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste por sua maior disponibilidade, menor custo e menor tempo de execução. A TC é altamente sensível para o diagnóstico agudo de hemorragias intracerebrais, evidenciando lesões hiperdensas brancas focais dentro do parênquima cerebral. Já a TC de crânio de um paciente com AVCI pode manter-se inalterada por um período de até, aproximadamente, 24 horas do início dos sintomas, sendo importante nessa situação buscar sinais precoces, tais como apagamento dos sulcos corticais, perda da diferenciação cortical- subcortical e dos núcleos da base e hiperdensidade da artéria cerebral média. TC de crânio deve ser realizada em dois momentos: Uma TC sem contraste assim que o paciente chegar com suspeita de AVE, que deve estar laudada em no máximo 45 minutos e uma TC de controle após 72 horas de início dos sintomas. A avaliação complementar deve incluir hemograma, glicemia, provas de atividade inflamatória,função renal, eletrólitos, coagulogramas, enzimas cardíacas, eletrocardiograma e raio-X de tórax. É importante lembrar que o resultado dos exames laboratoriais não deve ser aguardado para dar início à trombólise. O controle glicêmico deve ser intensivo, verificando a glicemia capilar a cada 6 horas. A hipoglicemia é fator de risco isolado para lesão cerebral, devendo ser prontamente corrigida com glicose via endovenosa. A hiperglicemia também está relacionada a uma maior mortalidade e glicemias acima de 180 mg/dl têm que ser corrigidas com insulinoterapia. Do mesmo modo, a temperatura corporal deve ser mantida sob controle rigoroso, uma vez que a hipertermia se correlaciona com maior grau de incapacidade. Recomenda-se o uso de antipiréticos quando a temperatura for superior a 37,8oC. A avaliação da pressão arterial média (PAM) deve ser equilibrada, já que, em grande parte dos casos, a PAM se encontra elevada em pacientes no quadro agudo, representando uma resposta apropriada para manter a perfusão cerebral. Deve-se ponderar o perigo potencial de grandes aumentos na pressão sanguínea e a possibilidade de declínio da função neurológica quando a pressão arterial é reduzida. Escala FAST/SAMU: É usada na triagem para reconhecimento rápido de sinais clínicos de AVC, baseada na escala de suspeita pré-hospitalar de Cincinnati, que se baseia em Face (paralisia facial), Arms (fraqueza nos MMSS), Speech (alterações de fala) e Time (tempo dos sintomas). Déficit neurológico focal súbito > 15 minutos = internação e exame de imagem! TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO Escala NIH: A escala frequentemente utilizada para quantificar o déficit neurológico é a National Institute of Health (NIH), podendo ser executada de forma rápida por uma ampla gama de profissionais da saúde. Ela avalia o déficit do AVE através da pontuação de 15 parâmetros, variando de 0 (sem déficit) a 42 (maior déficit). Os parâmetros são: nível de consciência observado, orientação no tempo (em relação a mês e idade), resposta a comandos, olhar, campo visual, movimento facial, função motora de membros superiores e inferiores, ataxia de membros, sensibilidade, linguagem, articulação da fala, e extinção ou desatenção durante o exame. 0-42 <5: leve >/= 15: grave >/= 26: gravissimo (provavelmente vai morrer) O escore ASPECTS é usado para avaliação do dano isquêmico na TC de crânio do AVE isquêmico, subdividindo o território de irrigação da artéria cerebral média (ACM) em 10 regiões que serão avaliadas em dois cortes: o primeiro na altura do tálamo e núcleos da base e o segundo acima dos núcleos da base. Ressonância Magnética com difusão: mais sensível que a TC, diagnóstica área isquêmica muito precocemente, tendo mais acurácia que a TC no AVEi; porém, é um exame que demora e não tão acessível, é a TC é superior à RM na hemorragia subaracnoidea. Muito útil nos casos de dúvida se há AVE na TC, ou então nos pacientes com janela terapêutica desconhecida ou fora da janela, para se avaliar melhor a zona de penumbra. Além disso, é o exame de escolha para avaliação da fossa encefálica posterior, região que não pode ser bem avaliada na tomografia. Coagulograma: Devemos esperar seu resultado antes de realizar a trombólise (no caso de AVE isquêmico) caso haja história de uso de anticoagulantes ou suspeita de alterações. Outros exames laboratoriais: Uréia, Creatinina, Eletrólitos, hemograma completo, gasometria, marcadores de necrose miocárdica e ECG também devem ser realizados nesses pacientes. Não atrasam a trombólise! Doppler transcraniano: determina a artéria intracraniana obstruída no AVE isquêmico. Ecocardiograma: podemos verificar causas de AVE isquêmico, como aneurisma vorticular de ventrículo esquerdo, doença de chagas... Doppler de carótidas: permite verificar aterosclerose. ESCALA DE NISS CONDUTA ISQUEMICO Janela para terapia antitrombolitica: até 4,5hrs Se PA até 220x120mmHg não fazer nada. Salvo em casos que ultrapasse esse valor ou se paciente cardiopata ou com comorbidades que não pode ficar com a PA tao alta comprometendo outros sistemas (Nesses casos, reduzir a PA em 15%, mas não pode abaixar mais que 185x110mmHg, Se for trombolizar (terapia de reperfusão): PA deve ser ajustada até 185x110mmHg Obs: da chegada até o inicio da adm do antitrombolitico nao deve passar dos 60 minutos. Após 24 horas da terapia antitrombolitica: Pac deve estar com A PA até 180x100mmHg Medicação para redução da PA: Beta bloqueador injetavel TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO Medicação antitrobolitico: Rt-PA (alteplase) 0,9/Kg – sendo que 10% dessa qt em “Bolus” (1 min). O restante em 1 Hora. Se pac apos a janela de 4,5h, fazer RM para ver se ainda é possível fazer a terapia antitrombolitica. Se na imagem estiver brilhando, morte dos neuronios, então nao adianta fazer. Prosseguir om terapia nao- trombolitica: Terapia Nao Trombolitica: Ex: Pa de 230x110 mmHg – reduzir em 15%, mas noa menos que 180/100mmHg. A partir de 2021, passou a ter no SUS a trombopectomia. CONDUTA HEMORRAGICO 1. A – Vias aereas B – ventilação C – Circulação = Estabilizar o paciente hemodinamicamente 2. Fazer exame físico geral e neurologico bem direcionados 3. Colher exames rapidamente: - Hemograma - Função renal e hepatica - Eletrolitos - Coagulograma 4. E vai levar para correndo para a TC com o objetivo de: - Definir a localização desse sangramento; - Volume; - Presença de acometimento ventricular (sangue nos ventrículos, podendo levar a hidrocefalia, obstrui a passagem do líquor) 3 PILARES DO MANEJO DO HEMATOMA INTRAPARENQUIMATOSO CORREÇÃO DE DISCRASIAS SANGUÍNEAS (SE FOREM EXISTENTES) CONTROLE DA PA TTO CIRURGICO (140X90) Correção das discrasias sanguíneas (reversão da anticoagulação) Se pac usava: VARFARINA Vit K e plasma fresco congelado DABIGATRANA Idarucizumab RIVAROXABANA ou APIXABANA S/antidotos disponíveis. Pode usar compleco prootrombinico ALTEPLASE Crioprecipitado PLAQUETOPENIA Transfusão de plaquetas se <100 mil Correção da PA Tem-se como alvo corrigir a PA até 140x90mmHg. Utiliza-se normalmente um antihipertensivo chamado: Nitroposionato de Ca+. Tratamento cirurgico Chamar o neurocirurgião sempre que tiver hemorragia cerebelar (principalemente com diametro >3 cm e que causem deteorização neurologica (paciente com rebaixamento do nível de consciência) - Pac que inundação ventricular prejudicando a reabsorção do líquor (daí aumento dos ventrículos- hidrocefalia) – chamar cirurgiao para drenar esse líquido. Obs: Cerebro não tem pra onde crescer. - Hematoma lobares volumosos, casos eles estejam menos de cm de profuncidade para serem drenados. Por fim: Tratar a causa base: TUTORIA 11 AVC ISQUÊMICO E AVC HEMORRÁGICO FRANCIELLE SANTOS AGOSTINHO PINHEIRO Ex: Malformações artiovenosas (MAVs): Resseca- las cirurgicamente ou por cateterismo. IMPORTANTE: Nunca usar corticoide e drogas antiepiléticas no AVCh. ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO (Toda vez que atender um paciente com AVCh deve-se calcular a “ESCALA DE AVCh” ICH score Quando tiver diante de um paciente com AVCh hipertensivo, por exemplo, o subtipo mais frequente de hemorragia intracerebral, muitas famílias irão te perguntar: “E qual é o prognóstico, doutor?!” Esta escalinha, chamada de escore ICH (intracranial hemorrhage), ou ICH score pode ser utilizada: V – OLUME I – IDADE G – LASGOW I – INUNDAÇÃO VENTRICULAR L – LOCALIZAÇÃO