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Problema 02 1. Conceituar qualidade e seus pilares na saúde. A qualidade é uma prática iluminada pela crítica e vice-versa. Representa uma importante contribuição para a existência, concretude e historicidade do setor. A qualidade é uma constante nas diferentes formas de produzir serviços. Para Donabedian, qualidade, na saúde, é definida como um conjunto de atributos que inclui um nível de excelência profissional, o uso eficiente de recursos, um mínimo de risco e um alto grau de satisfação aos usuários, considerando-se essencialmente os valores sociais existentes. No mercado, os sistemas de qualidade foram adotados na busca de competitividade, de eficiência e de eficáciafe dos processos e dos altos índices de desempenho com resultados de sucesso. Isso refletiu em mudanças na gestão, pois trouxe a busca por inovação e excelência, por meio de práticas mais racionais e focadas nas demandas dos clientes. Teve uma tendência a valorização dos talentos humanos para atuarem como agentes participativos do replanejamento e da ressignificação do contexto do trabalho vigente (o trabalhador é muito importante na garantia de um cuidado de qualidade, é importante considerar a satisfação pessoal do profissional e as condições de serviço). A qualidade começou a exigir dos trabalhadores postura ativa, participativa e transformadora, afetando diretamente as relações com as organizações e o modo de fazer. · 7 Pilares que Fundamentam a Qualidade, de Acordo com Donabedian: · Eficácia – capacidade de produzir melhorias no setor de saúde. Significa o melhor que se pode fazer nas condições mais favoráveis dado o estado do paciente. · Efetividade – é o grau em que o cuidado, cuja qualidade está sendo avaliada, alcança o nível de melhoria de saúde, cujos estudos de eficácia tenham estabelecido como alcançáveis. · Eficiência – é a medida do custo com o qual dada uma melhoria na saúde é alcançada. Se duas estratégias de cuidado são igualmente eficazes e efetivas, a mais eficiente é a de menor custo. · Otimização – emprego da relação custo-benefício na assistência à saúde. · Aceitabilidade – sinônimo de adaptação do cuidado aos desejos, expectativas e valores dos clientes e familiares. Depende da efetividade, da eficiência e da otimização, além da acessibilidade do cuidado e das características da relação profissional de saúde-cliente. · Legitimidade – aceitabilidade do cuidado da forma como é visto pela sociedade em geral. · Equidade – princípio pelo qual se determina o que é justo ou razoável na distribuição do cuidado e de seus benefícios entre os membros de uma população. 2. Discutir quais os aspectos da gestão da qualidade relacionam-se com administração das Unidades de Saúde. A gestão de qualidade refere-se ao processo ativo de determinar e orientar o caminho a ser seguido para atingirmos os objetivos, empregando todos os recursos contidos na produção de um bem ou de um serviço. Ou seja, as ações dos gestores em saúde contêm a representação social do conceito de trabalho e de qualidade, que estabelece a vinculação do fazer com a percepção e com a verdade tomada pela liderança como direcionadora de seus planos de trabalho. Nos serviços de saúde, a qualidade deve ser enfatizada, principalmente porque o produto/serviço é consumido durante a sua produção, tornando-se diferente da produção dos bens, em que é possível separar o produto com defeito, sem maiores consequências, exceto a perda de matéria-prima e retrabalho. A avaliação é uma função da gestão destinada a auxiliar no processo de decisão, visando torna-lo mais racional e efetivo possível. Portanto, afirmam que é necessário definir claramente a finalidade pela qual se está fazendo uma avaliação (como a de qualidade), cabendo ao avaliador analisar informações disponíveis para melhor conhecer a situação que se pretende avaliar. · Sistemáticas de Qualidade na Área da Saúde como Modelo de Gestão: · Acreditação – é um procedimento da avaliação dos recursos organizacionais, “voluntário” (as instituições precisam procurar uma melhoria contínua da qualidade), periódico e reservado, que tende a garantir a qualidade da assistência com base em padrões previamente aceitos. Não se avaliam setores ou departamentos isoladamente, mas todos os serviços da organização. Mede o desempenho e promove melhorias de qualidade. Tem um caráter eminentemente educativo, voltado para melhoria contínua, sem finalidade de fiscalização ou controle oficial. As principais vantagens da acreditação são: segurança para os pacientes e profissionais; qualidade da assistência; construção de equipe e melhoria contínua; útil instrumento de gerenciamento; critérios e objetivos concretos adaptados à realidade brasileira; o caminho para melhoria contínua. · Acreditação Canadense – tem como foco a segurança do paciente e as boas práticas no atendimento. · Certificação – aplica-se aos profissionais, aos procedimentos, aos produtos, aos sistemas/processo e aos equipamentos, enquanto a acreditação aplica-se às instituições. 3. Identificar o processo de organização de unidades, considerando os aspectos de estrutura, processo e resultado, segundo a Gestão em Saúde. Donabedian acrescenta, ainda, que um primeiro ponto na definição do que é qualidade da assistência é que ela não se constitui num atributo abstrato, e, sim, que é construída pela avaliação da assistência através de três dimensões: · Estrutura: implica as características relativamente estáveis das instituições. São os recursos físicos, humanos, materiais e financeiros necessários para a assistência médica, os quais correspondem às suas características mais estáveis. Para o autor, é difícil quantificar a influência ou contribuição exata desse componente na qualidade final da assistência prestada, mas é possível falar em termos de tendências, ou seja, uma estrutura mais adequada aumenta a probabilidade de a assistência prestada ser de melhor qualidade; · Processo: abrange todas as atividades envolvendo profissionais de saúde e pacientes, com base em padrões pré-estabelecidos. A partir destas relações é que se obtêm os resultados da assistência e a valoração da qualidade. A análise pode ser sob o ponto de vista técnico-assistencial e/ ou administrativo. Entre outros fatores, no processo aparecem os aspectos éticos e da relação médico/profissional/ equipe de saúde-paciente. Em suma, tudo o que diz respeito ao tratamento diretamente e no momento em que ele está ocorrendo pode ser considerado como processo. · Resultado: é a obtenção das características desejáveis dos produtos ou serviços, retratando os efeitos da assistência na saúde do cliente da população. Dessa forma, é o produto final da assistência prestada, considerando saúde, satisfação de padrões e de expectativas. 4. Entender os indicadores e sua importância na avaliação de qualidade. A qualidade é avaliada por meio de indicadores, que são variáveis, características ou atributos, capazes de sintetizar, representar e/ou dar maior significado ao que se quer avaliar. O indicador é uma unidade de medida de uma atividade com a qual está relacionado, ou, ainda, uma medida quantitativa que pode ser usada como um guia para monitorar e avaliar a qualidade assistencial e gerencial de um serviço. Além disso são medidas-síntese que contêm informação relevante sobre =/determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. São exemplos de indicadores de qualidade em saúde: · ↦ o número de profissionais de saúde a atender uma população; · ↦ as condições de armazenamento de medicamentos em uma farmácia; · ↦ o percentual de prescrições realizadas em um serviço de saúde e atendidas pela farmácia do próprio serviço; · ↦ a sensibilidade (probabilidade de o exame diagnosticar a doença se o indivíduo tem a doença) e a especificidade (probabilidade de o exame ser negativo se o indivíduo não tem a doença) de um exame diagnóstico; · ↦ a taxa de infecção hospitalar em um hospital; · ↦ a existência de um sistema de referência e contra referência de pacientes dentro de uma rede deserviços de saúde. Os indicadores incluem categorias que englobam a qualidade e o desempenho de todas as áreas de atendimento dos serviços de saúde, incluindo os elementos: atendimento, recepção de pacientes, calibragem de equipamentos, capacitação e tecnologia de gestão. Um outro conceito de grande importância na Avaliação em Saúde é o de padrão. Esse conceito se refere a um valor especificado para distinguir a qualidade de práticas, ou de serviços de saúde, em aceitável ou não, à luz de um certo indicador. Além disso, é importante compreender os conceitos de acreditação (permite que a instituição busque assegurar o padrão de qualidade no atendimento, por meio de procedimentos documentados e de maneira que indique seus pontos fracos para que a busca pela excelência seja feita com esforços direcionados aos reais problemas, otimizando o tempo gasto para implementar rotinas e garantindo maior eficiência e eficácia do sistema como um todo). Os indicadores de saúde, tradicionalmente, são medidos (taxas, proporções, índices, percentuais, números absolutos ou fatos) que procuram sintetizar o efeito determinantes de natureza variada (sociais, econômicos, ambientais e biológicos), acerca do estado de saúde de determinada população. Dificilmente, um indicador, de maneira estanque, é capaz de retratar a realidade; é mais provável que um grupo de indicadores possa espelhar determinada situação. Logo, para garantir o acesso a um conjunto de indicadores, é fundamental a existência de um sistema de informação capaz de propiciar maiores e melhores elementos para sua construção e para a sua aplicabilidade. 5. Explicar o papel do enfermeiro com a qualidade do atendimento.