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1 GESTÃO INTEGRADA NA FABRICAÇÃO DE GELATOS: PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA INSTALAÇÕES PRODUTIVAS E AUMENTO DA EFICIÊNCIA OPERACIONAL INTEGRATED MANAGEMENT IN GELATO MANUFACTURING: STRATEGIC PLANNING FOR PRODUCTION FACILITIES AND INCREASING OPERATIONAL EFFICIENCY ¹OLIVEIRA, Vinícius Aparecido Padovan ²LUTA, Alexandre Mendonça ³ REZENDE, Edvaldo B. RESUMO Este artigo analisa estratégias de gestão de processos e sustentabilidade financeira em pequenas fábricas de gelato, em especial a fábrica Prazer em Gelato. Ao longo do estudo será abordado o layout fabril, gerenciamento de estoque, controle de qualidade, expedição e fornecedores. Destacando os métodos, como Kanban e tecnologias recorrentes para diminuir desperdícios e maximizar recursos, além de enfatizar a inovação de mercadorias, como o gelato vegano, sabores diversos, tipos de tortas, incluindo eficiência energética e embalagens, visando a competitividade no mercado atual. Além do mais, o estudo destaca os desafios enfrentados, como a qualidade do produto durante armazenamento e transporte, gerenciamento dos ingredientes e custos operacionais. O estudo propõe soluções, como a implementação de câmaras frias dedicadas e um layout otimizado para maximizar a eficiência da produção. Também destaca a relevância de um bom relacionamento com os fornecedores e a logística Just-in-Time (JIT) para mitigar o tempo de estocagem. A integração dessas estratégias contribui para a viabilidade econômica das fábricas, e também fortalece seu compromisso com a qualidade de seus produtos para o consumidor final. ___ ¹Engenharia de Produção - 19 período - EAD - viniciuspadovan@yahoo.com.br ²Curso: Engenharia de Produção - Período: 19 - Turma: EAD - E-mail: alexandremendoncaluta@gmail.com ³ Professor orientador: Mestre em Engenharia, Universidade Santo Amaro/SP. Rjlopes@prof.unisa.br 2 Palavras – Chave: Gestão de operações; Pequenas fábricas; Gelato. ABSTRACT This article analyzes process management and financial sustainability strategies in small gelato factories, especially the Prazer em Gelato factory. Throughout the study, factory layout, inventory management, quality control, shipping and suppliers will be covered. Highlighting methods, such as Kanban and recurring technologies to reduce waste and maximize resources, in addition to emphasizing merchandise innovation, such as vegan gelato, different flavors, types of pies, including energy efficiency and packaging, aiming for competitiveness in the current market. Furthermore, the study highlights the challenges faced, such as product quality during storage and transportation, ingredient management and operational costs. The study proposes solutions, such as the implementation of dedicated cold rooms and an optimized layout to maximize production efficiency. It also highlights the importance of a good relationship with suppliers and Just-in-Time (JIT) logistics to mitigate storage time. The integration of these strategies contributes to the economic viability of the factories, and also strengthens their commitment to the quality of their products for the end consumer. Keywords: Operations management; Small factories; Gelato. INTRODUÇÃO No decorrer dos últimos anos, a Prazer em Gelato, uma pequena fábrica de gelato artesanal, enfrentou desafios significativos no mercado de alimentos gourmet. Mesmo oferecendo produtos de alta qualidade e grande diversidade de produtos, a empresa encontrou dificuldades em manter sua eficiência operacional e garantir a sustentabilidade financeira necessária para expandir e consolidar sua presença no mercado. Este estudo abordou as estratégias de gestão adotadas pela Prazer em Gelato para aprimorar seus processos produtivos e assegurar sua viabilidade econômica, tornando-se mais competitiva no setor de gelatos artesanais. A indústria de gelato tem ganhado cada vez mais espaço no mercado, com pequenas fábricas se consolidando como uma opção artesanal e de alta qualidade, diferindo dos produtos industriais. Contudo, os desafios de gestão e 3 sustentabilidade financeira enfrentados por essas pequenas empresas exigem estratégias que garantam não apenas a sobrevivência, mas também o crescimento a longo prazo. Este estudo busca entender e propor soluções para a otimização dos processos e a sustentabilidade financeira de pequenas fábricas de gelato, levando em consideração as particularidades deste mercado. No cenário atual da indústria alimentícia, as pequenas fábricas de gelato enfrentam um ambiente de competição acirrada que exige estratégias de gestão altamente eficazes para garantir sua sobrevivência e prosperidade (SILVA, 2021). Este estudo se propõe a analisar as práticas de gestão que podem ser aplicadas para otimizar a operação dessas empresas, especialmente em um mercado que valoriza cada vez mais produtos artesanais e de alta qualidade. A capacidade de responder rapidamente às mudanças do mercado e de implementar inovações contínuas se torna um diferencial crucial para essas fábricas, que muitas vezes operam com recursos limitados e desafios específicos (LIMA, 2019). A crescente demanda por gelato artesanal no Brasil tem impulsionado o surgimento de novas pequenas fábricas. No entanto, com essa expansão, surgem também desafios operacionais, como a gestão de recursos humanos, o controle rigoroso de qualidade, e a necessidade de manter uma operação financeiramente sustentável (PEREIRA, 2023). Esses desafios são exacerbados pelas limitações inerentes às pequenas empresas, como a mão de obra reduzida e a escassez de capital para investir em novas tecnologias. Assim, a gestão eficaz se torna não apenas uma questão de eficiência, mas também de sobrevivência no longo prazo (MARTINS; SOUZA, 2022). A implementação de uma gestão eficiente em fábricas de gelato de pequeno porte passa pela necessidade de otimizar processos, reduzir desperdícios e assegurar a qualidade do produto final (HEIZER; RENDER, 2016). Este estudo se propõe a explorar como esses elementos podem ser harmonizados para criar uma operação que não apenas sobreviva, mas prospere em um mercado competitivo. A gestão financeira, em particular, é um dos pilares desse sucesso, uma vez que a saúde financeira da empresa determinará sua capacidade de investir em melhorias e responder às flutuações do mercado (BRAGG, 2012). Além disso, a inovação contínua desempenha um papel fundamental na manutenção da relevância dessas fábricas. Em um mercado onde as preferências dos consumidores podem mudar rapidamente, a capacidade de 4 introduzir novos sabores, aprimorar processos de produção e adotar novas tecnologias é crucial (CHRISTENSEN, 1997). O estudo destaca a importância de uma cultura organizacional que favoreça a inovação, permitindo que as pequenas fábricas de gelato mantenham sua competitividade (KIM; MAUBORGNE, 2005). 1.1 Objetivo do Estudo O objetivo deste estudo foi analisar as medidas implementadas pela Prazer em Gelato para melhorar a eficiência de seus processos de produção e assegurar sua sustentabilidade financeira. A fábrica adotou diversas estratégias de otimização de processos e gestão de custos, que permitiram não só aumentar sua produtividade, mas também melhorar sua posição competitiva no mercado. 1.2 Importância da Otimização de Processos para a Prazer em Gelato. Para a Prazer em Gelato, a otimização de processos se mostrou fundamental para enfrentar os desafios da produção em pequena escala. A empresa, inicialmente dependente de métodos manuais e artesanais, identificou que a automação de certas etapas e a implementação de ferramentas de melhoria contínua, como o lean manufacturing, poderiam reduzir significativamente os desperdícios de insumos e tempo. Como resultado, a Prazer em Gelato conseguiu aumentarsua eficiência sem comprometer a qualidade do gelato, mantendo seu apelo artesanal e maximizando a utilização de recursos. Um dos principais avanços na fábrica foi a reorganização do layout produtivo, que reduziu o tempo de movimentação de insumos e otimizou o fluxo de trabalho. Essa mudança resultou em uma redução significativa do tempo de produção, possibilitando o aumento da capacidade produtiva e a redução de custos operacionais. 1.3 Sustentabilidade Financeira e Competitividade no Mercado A sustentabilidade financeira foi um ponto crítico para a Prazer em Gelato desde sua fundação. A empresa, operando com margens de lucro apertadas, necessitava controlar rigorosamente seus custos para permanecer competitiva. Por meio de uma análise detalhada de seus processos, a fábrica conseguiu identificar pontos de desperdício e ineficiência, o que levou à adoção de medidas de redução de custos, como a negociação com fornecedores para obter melhores preços de insumos e a implementação de um sistema de controle de estoque mais eficiente. 5 Além disso, a Prazer em Gelato trabalhou na diversificação de seus produtos, oferecendo linhas sazonais e especiais que atraíram novos clientes e aumentaram a rotatividade dos produtos. Essa estratégia ajudou a empresa a ampliar sua base de clientes e, ao mesmo tempo, aumentar sua receita média por venda. O foco na otimização de processos e no controle financeiro permitiu que a Prazer em Gelato mantivesse sua qualidade artesanal, sem perder de vista a necessidade de crescer de maneira sustentável e se manter competitiva em um mercado cada vez mais exigente. Por fim, a Prazer em Gelato conseguiu consolidar sua presença no mercado local e até expandir para novos canais de distribuição, graças à aplicação de estratégias financeiras sólidas e à melhoria contínua de seus processos produtivos. 2. DEFINIÇÃO DA PLANTA FABRIL PARA PEQUENAS FÁBRICAS DE GELATO 2.1 Determinação dos Departamentos Constituintes Os departamentos foram dividios em, o a recepção onde são recepicionados clientes e visitantes,oe estoque de matérias-primas, que se destina à fiscalização e conservação de ingredientes. Logo em seguida, está localizada a área de preparação de ingredientes, onde os ingredientes são higienizados e colocados para produção. Na área de produção será realizado o processamento, pasteurização controle de qualidade e resfriamento do produto. Em outra parte, esta localizada a parte de conservação para armazenamento de produto acabado. Já o departamento de expedição será responsável pelas embalagens e rotulos dos gelatos. Adicionalmente, ainda temos os setores de adminitração, refeitorio e banheiros e vestiarios para os colaboradores. 2.2 Definição da Forma Geométrica dos Edifícios Um edifício com formato retangular foi escolhido, otimizando a circulação linear dos materiais e funcionários, facilitando o fluxo de trabalho. As dimensões sugeridas são 30m de comprimento por 20m de largura, resultando em 600m² de área construída. 6 Figura 1- Dimensão das medidas gerais Fonte: Elaborado pelos autores 2.3 Dimensionamento dos Departamentos Cada departamento foi projetado para suprir as necessidades de produção. A área de recepção e armazenamento de matérias-primas é de cerca de 70 m², que inclui cerca de 40 m² reservados para as câmaras frigoríficas. A área de preparação mede cerca de 50 m², ao tempo que a produção tem cerca de 200 m² para comportar o maquinário como, máquinas de pasteurização, maturação e demais procedimentos da produção. O armazenamento do produto final ocupa cerca de 60 m² já o departamento de expedição ocupa cerca de 50 m². Adicionalmente, a área de administração e escritórios abrange cerca de 70 m², e as comuns dos colaboradores clocam cerca de 60 m². 2.4 Estudo do Fluxo de Trabalho O fluxo de trabalho é projetado para ser linear e unidirecional, evitando cruzamentos entre processos e materiais, o que reduz riscos de contaminação e aumenta a eficiência. O layout segue as etapas de entrada de matérias-primas, preparação, produção, armazenamento e expedição, de forma contínua e organizada. 2.5 Relação das Áreas e Conexões Áreas interdependentes estão posicionadas para facilitar o fluxo contínuo, como a recepção conectada à área comum dos colaboradores que está com fácil acesso para a área de preparação para agilizar o uso de matérias-primas. 7 Outro facilitador é o fato de o armazenamento estar próximo a produção. Além disso a expedição adjacente ao Armazenamento para rápida distribuição. 2.6 Dimensionamento e Localização dos Corredores Os corredores são dimensionados para facilitar a circulação: Corredor principal comporta cerca de 25 metros de largura, conectando a recepção à expedição o que facilita a locomoção entre os corredores, além do mais, os corredores secundários tem cerca de 15 metros de largura para acessar áreas específicas. Todos de forma ampla e acessível. 3. DEFINIÇÃO DO LAYOUT INTERNO 3.1 Dimensionamento da Área do Centro de Produção A área de produção foi dimensionada para 200 m², espaço adequado para acomodar todos os equipamentos essenciais para a fabricação de gelato (máquinas de pasteurização, misturadores, maturadores, batedeiras, liquidificadores, frezeer etc.). Esse dimensionamento permite um fluxo eficiente de trabalho, sem aglomerações ou bloqueios no processo produtivo. 3.2 Área para Equipamentos Os equipamentos de produção ocupam a maior parte do centro de produção, com uma área de 200 m² dedicada. Nessa área, estarão localizados os principais maquinários usados no processo de produção, como pasteurizadores, misturadores e freezers, com espaço suficiente para operação e manutenção regular dos equipamentos. 3.3 Área para o Processo A área destinada ao processo produtivo é dividida em diversas etapas, gerando um processo de produção eficiente e tranquilo. Na primeira etapa, a preparação dos Ingredientes, que ocupa cerca de 50 m². Nesta fase, os ingredientes são devidamente selecionados e levados para a produção. Na segunda etapa, a área de produção ocupa cerca de 200 m², onde as matérias-primas tornan-se produtos acabados, este espaço foi projetado para facilitar a movimentação dos operadores e o manuseio dos equipamentos, assegurando que todo o processo seja realizado com maxima segurança e eficiencia. Na ultima etapa, está o armazenamento de produtos finalizados, que ocupa 60 m² que é destinado à preservação dos produtos até sua distribuição final. 8 A disposição linear otimiza o tempo e minimiza possiveis interrupções no decorrer da produção, facilitando uma operação eficiente e produtiva. Minimizando os tempos entre etapas e facilitando a comunicação entre as equipes, este layout gera um aumento significativo na produção, gerando melhores resultados e melhorias na qualidade do produto final. 3.4 Área para Operadores A área para operadores está integrada ao layout de produção, proporcionando espaço adequado para o trabalho contínuo. É importante que haja espaço suficiente para a circulação segura dos funcionários, permitindo que eles operem os maquinários e façam a manutenção sem riscos ou dificuldades. 3.5 Acesso e Manutenção O layout foi projetado para facilitar o acesso aos equipamentos e áreas de manutenção, com corredores principais e secundários bem dimensionados (25 metros e 15 metros de largura, respectivamente). Isso garante que os operadores tenham fácil acesso às áreas críticas e possam realizar manutenções sem interromper o fluxo de produção. 3.6 Área para Matéria-prima Não Processada A área destinada à matéria-prima não processada (recebimento e armazenamento) é de 70 m², com 40 m² dedicados a câmarasfrias para ingredientes perecíveis, como leite e frutas. Essa área permite o armazenamento de ingredientes por até uma semana, mantendo a qualidade e frescura. 3.7 Área para Matéria-prima em Processo A preparação de ingredientes ocorre em uma área de 50 m², equipada com bancadas, pias, e ferramentas de corte e pesagem. A proximidade dessa área à produção minimiza o tempo de deslocamento dos ingredientes até a fase de mistura e pasteurização, otimizando o fluxo de trabalho. 3.8 Área para Refugos e Resíduos Embora o documento não forneça detalhes específicos sobre uma área exclusiva para resíduos, recomenda-se que o gerenciamento de refugos e resíduos seja integrado ao fluxo de produção, de forma que esses materiais sejam tratados de maneira organizada e ambientalmente responsável. A separação dos resíduos e 9 seu descarte adequado devem ser uma prioridade, especialmente para cumprir normas sanitárias e ambientais. 3.9 Planejamento Sistemático de Layout (SPL) O Planejamento Sistemático de Layout (SPL) segue um fluxo unidirecional, evitando cruzamentos entre matérias-primas e produtos processados. Isso garante que cada estágio do processo seja realizado sem interrupções, assegurando a qualidade do produto final. O SPL também prioriza a acessibilidade, segurança e eficiência operacional, reduzindo tempos ociosos e otimizando o uso do espaço fabril. 4. RELACIONAMENTO COM FORNECEDORES 4.1 Política de Fornecimento de Matéria-prima A política de fornecimento de matéria-prima deve se concentrar em garantir a entrega contínua de ingredientes de qualidade, essenciais para a produção do gelato artesanal. Alguns pontos principais desta politica está a seleção de fornecedores confiáveis afim de estabelecer parcerias com fornecedores que garantam a qualidade e frescura dos ingredientes, especialmente os perecíveis, como leite fresco e frutas. Com isso possibilitando a negociação de prazos de entrega para organizar um cronograma de entregas que se alinhe à produção da fábrica, evitando tanto o excesso quanto a falta de insumos. Outro requisito fundamental é assegurar que as certificações e padrões de qualidade e segurança alimentar, mantendo o padrão do gelato. 4.2 Parceria de Fornecimento (Comerkship) A parceria de fornecimento (comerkship) consiste em estabelecer um relacionamento de longo prazo com fornecedores estratégicos e de confiança. Os benefícios dessa parceria vão além da negociação de melhores condições comerciais e parcerias sólidas podem garantir descontos por volume, prazos de pagamento mais flexíveis e melhores condições logísticas. Gera a regularidade e confiabilidade no fornecimento do produto garantindo que os ingredientes estejam sempre disponíveis, minimizando interrupções na produção. Essa parceria colabora com possíveis novas receitas, procedimentos e treinamentos ou soluções que melhorem a qualidade do produto final. Isso é especialmente importante quando a fábrica deseja inovar em sabores ou criar novas linhas de gelato, como opções veganas ou sazonais. 10 4.3 Aplicação do Processo Kanban A aplicação do sistema Kanban no processo de fornecimento e gestão de estoque é uma estratégia eficiente para controlar o fluxo de insumos e reduzir desperdícios. No contexto de uma fábrica de gelato, o Kanban pode ser implementado a visualização e controle de estoque, o Kanban utiliza cartões ou sinais visuais para indicar quando os ingredientes estão se esgotando, garantindo que novos pedidos sejam feitos a tempo e evitando excesso de estoque, essa sincronização da produção e fornecimento garante que o sistema fornece os insumos estejam disponíveis conforme a necessidade, minimizando desperdícios e otimizando a gestão de matéria-prima, especialmente para ingredientes perecíveis. Além disso, a redução de custos e o aumento da eficiência são outros pontos positivos do sistema Kanban que ajudam a evitar a superprodução e o desperdício, tornando o processo mais ágil e eficiente, sem a necessidade de software complexo ou de alto custo. FIGURA 2 - Sistema Kanbam Fonte: Elaborado pelos autores 5. GESTÃO DE ESTOQUES 5.1 Política de Qualidade no Recebimento A política de qualidade no recebimento é essencial para garantir que os insumos cheguem à fábrica nas condições adequadas, preservando a integridade do produto final. A inspeção de ingredientes na chegada é essencial para verificar a qualidade dos insumos logo no recebimento, especialmente produtos perecíveis como laticínios e frutas. Isso pode incluir a medição de temperatura, avaliação de frescor, validade e condições de transporte. A documentação e rastreabilidade garantem que 11 cada lote de insumos seja acompanhado de notas fiscais e registros que permitam rastrear a origem dos produtos, garantindo a conformidade com os padrões de segurança alimentar. Nos procedimentos de amostragem são realizados testes de qualidade com base em amostras aleatórias de cada lote recebido, assegurando que os ingredientes atendam aos padrões estabelecidos. 5.2 Dimensionamento dos Estoques de Matéria-prima O dimensionamento dos estoques de matéria-prima deve ser cuidadosamente planejado para evitar tanto o excesso quanto a escassez de insumos. Para uma pequena fábrica de gelato o armazenamento de perecíveis com ingredientes como leite, frutas e creme devem ser armazenados em câmaras frias com capacidade adequada para manter a produção por 7 dias, considerando que essas matérias-primas têm uma vida útil curta. Em contrapartida a estocagem de ingredientes não perecíveis: itens como açúcar e embalagens podem ser armazenados em prateleiras em uma área seca e acessível, suficiente para estocar entre 15 e 30 dias de produção, dependendo da demanda. A área total de armazenamento deve ser de aproximadamente 70 m², com 40 m² dedicados a câmaras frias para matérias-primas perecíveis e 30 m² para produtos secos. 5.3 Ponto de Ressuprimento O ponto de ressuprimento é fundamental para garantir que a fábrica nunca fique sem matéria-prima, ao mesmo tempo que evita o excesso de estoque. O sistema Kanban pode ser aplicado para gerenciar o cálculo do ponto de ressuprimento baseado no consumo médio diário e no tempo de entrega dos fornecedores, o ponto de ressuprimento para cada insumo deve ser calculado de forma precisa. Por exemplo, para leite fresco, o ressuprimento pode ocorrer quando o estoque atingir 150 litros (equivalente a três dias de produção), o Kanban usa sinais visuais (cartões ou etiquetas) para notificar quando um novo pedido precisa ser feito, facilitando o controle pelos operadores. 5.4 Layout para Estocagem de Matéria-prima O layout de armazenamento deve ser organizado para otimizar o espaço e facilitar o acesso rápido aos insumos durante o processo produtivo. As câmaras frigoríficas, com 40 m² dedicadas a perecíveis, devem estar localizadas próximas ao 12 centro de produção para minimizar o tempo de transporte interno e evitar a deterioração dos ingredientes. Além disso, deverá ser destinada uma área de armazenamento seco de 30 m² para itens não perecíveis, organizada com prateleiras modulares e corredores largos (15 metros) para facilitar o acesso e movimentação. É fundamental manter produtos perecíveis e não perecíveis em áreas separadas para evitar contaminação e preservar a integridade do produto. FIGURA 3 – Estoque e Armazenamento. Fonte: Elaborado pelos autores 6. EXPEDIÇÃO 6.1 Dimensionamento da Área de Estocagem de Produto Acabado O dimensionamento da área de estocagem de produto acabado deve ser adequado para suportar a produção diária e permitir que os produtos sejam mantidos em condições ideais até a expedição. Considerando uma produção de 500 litros de gelato por dia, a área deve ser capazde armazenar até três dias de produção, totalizando 1.500 litros. Recomenda-se uma área de 60 m², equipada com câmaras frias ajustadas para -18°C a -20°C, temperatura ideal para manter o gelato conservado até a distribuição. 6.2 Infraestrutura de Estoques A infraestrutura de estoques para produtos acabados deve assegurar a qualidade do gelato e permitir o acesso para organização e transporte. As Câmaras frias especificas devem possuir controle de temperatura contínuo, com sistemas de alerta para quedas de temperatura, garantindo que o gelato seja mantido em condições adequadas até a expedição. Além da organização por lotes: uso de racks modulares para maximizar o espaço vertical, permitindo a organização por lotes e datas de produção, essencial para a aplicação do sistema FIFO (First In, First Out), assegurando que os produtos mais antigos sejam expedidos primeiro. 13 Esse espaço deve contar com corredores de 15 metros de largura facilitam a movimentação dos operadores e empilhadeiras leves, garantindo que os produtos sejam acessados de forma rápida e eficiente. 6.3 Distribuição de Carga de Produto Acabado A distribuição dos produtos finalizados envolve uma logística especializada, garantindo que o gelato chegue ao consumidor final em perfeitas condições com veículos refrigerados que são essenciais para manter a temperatura baixa durante o transporte. O sistema Just-in-Time (JIT) deve ocorrer imediatamente após a embalagem dos produtos, minimizando o tempo de estocagem e assegurando que o gelato chegue fresco e na temperatura adequada ao destino. A área de expedição abrange uma área de 50 m² e deve ser dedicada ao carregamento dos veículos, com acesso direto às câmaras frias para agilizar o processo de distribuição. CONCLUSÃO 7.1 Principais Desafios e Soluções Propostas As pequenas fábricas de gelato enfrentam diversos desafios e de mercado. Abaixo, listo os principais desafios e suas soluções propostas: Desafios: Devido à natureza perecível do gelato, manter a qualidade durante armazenamento em câmaras frias e o transporte é um desafio constante. O estoque de ingredientes como leite fresco e frutas é delicado, com risco de desperdício caso o controle de estoque não seja eficaz. Além disso, os custos de energia, água, manutenção com equipamentos, transportes, colaboradores podem reduzir as margens de lucro. A limitação de espaço das fabricas de pequeno porte podem dificultar a eficiência na organização dos processos. Soluções Propostas: Entre as propostas viáveis estão, a implementação de câmaras frias especificas para matérias-primas e produtos finalizados, garantem a conservação correta e a qualidade do produto até a distribuição. Além da automatização o controle de estoque com o sistema Kanban ajuda a prever a demanda, evitando excessos e desperdícios. A adoção de um layout otimizando para maximizar o espaço da 14 fabrica com corredores amplos, áreas de estocagem organizadas e um fluxo de trabalho continuo. A Adoção de logística Just-in-Time (JIT) é ideal para minimizar o tempo de estocagem dos produtos finalizados, assegurando que o gelato seja distribuído de maneira rápida e segura, garantindo a qualidade para o consumidor final. 7.2 Contribuições para a Otimização e Sustentabilidade das Pequenas Fábricas de gelato As soluções propostas contribuem significativamente para a otimização dos processos e a sustentabilidade financeira das pequenas fábricas de gelato: Otimização de Processos: O layout bem planejado com fluxo unidirecional e proximidade entre os departamentos reduz o tempo de movimentação e melhora a eficiência operacional, aumentando a capacidade produtiva. Com o uso do sistema Kanban para controle de estoque, a fábrica reduz o risco de perda de matéria-prima e maximiza a utilização dos insumos. A prática também evita a superprodução e estocagem excessiva de gelato, alinhando a produção à demanda real. A utilização de câmaras frias modernas, juntamente com o planejamento de estocagem e produção Just-in-Time, reduz o consumo de energia e os custos operacionais Sustentabilidade Financeira: A redução de custos é realizada por meio da otimização da utilização do espaço, da implementação do sistema Kanban e da adoção de práticas Just-in- Time que diminuem as despesas de estoque, transporte e energia, aumentando assim a competitividade da fábrica. Ao mesmo tempo, os avanços na gestão da qualidade, inovação de produtos e rigoroso controle de custos permitem que a fábrica sustente preços competitivos sem sacrificar a qualidade, o que, por sua vez, expande sua base de clientes. Além disso, iniciativas contínuas em inovação e sustentabilidade, incluindo a utilização de embalagens biodegradáveis e a incorporação de medidas de eficiência energética, reforçam a reputação da fábrica entre consumidores ambientalmente conscientes, ao mesmo tempo em que aumentam a lucratividade a longo prazo. 15 REFERÊNCIAS AAKER, David. Strategic Market Management. 10. ed. New York: Wiley, 2014. ANDRADE, José; FERREIRA, Mário. Gestão Sustentável para Pequenas Empresas. São Paulo: Atlas, 2018. BRAGG, Steven M. Accounting Best Practices. 6. ed. Hoboken: Wiley, 2012. BROWN, Duncan; HAYES, Nick. Influencer Marketing. Amsterdam: Elsevier, 2008. CHRISTENSEN, Clayton M. The Innovator's Dilemma: When New Technologies Cause Great Firms to Fail. Boston: Harvard Business School Press, 1997. CHOPRA, Sunil; MEINDL, Peter. Supply Chain Management: Strategy, Planning, and Operation. 6. ed. Boston: Pearson, 2013. CHRISTOPHER, Martin. Logistics & Supply Chain Management. 5. ed. 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