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N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller elaborado por: GUIA COMPLETO INTRODUÇÃO ALIMENTAR DE SUCESSO N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Olá, sou a Thal i ta Müller, nutr i infanti l e mãe desses dois meninos l indos, Henrique e Heitor. Através da minha vivência com a maternidade me apaixonei pela área materno infanti l e resolvi dedicar meus estudos a introdução al imentar. Sendo assim, com toda minha experiência materna e prof issional resolvi cr iar este guia completo para te ajudar a ter uma introdução al imentar de sucesso. Aqui você vai aprender tudo o que é necessário para iniciar uma introdução al imentar segura e fel iz com todas as informações atuais, e poderá consultar o material sempre que surgir alguma dúvida. Apresentação TODOS OS DIREITOS DESTE MATERIAL SÃO RESERVADOS A NUTRICIONISTA THALITA MULLER BELLAFRONTE. A PUBLICAÇÃO E/OU REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE GUIA É VEDADA PELA LEI DE DIREITOS AUTORAIS 9610/98. As principais or ientações deste guia são de acordo com as recomendações of iciais do Ministér io da Saúde, Sociedade Brasi leira de Pediatr ia, Academia Americana de Pediatr ia e embasamentos cienti f icos. Este material não substitui o acompanhamento nutr icional e pediatr ico, na dúvida sempre consulte o prof issional que acompanha seu bebê. Bons estudos... N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller É impossível iniciar a introdução alimentar sem saber pelo menos o básico sobre os primeiros 1000 dias do bebê e por isso vou explicar de forma breve sobre esse conceito. Os primeiros 1000 dias correspondem o período da concepção até 2 anos de vida. Nesse período podemos modular o bebê de forma a prevenir doenças, como prevenção da obesidade, prevenção de doenças cardiovasculares e adquirir hábitos saudáveis. Agora vamos falar sobre o desenvolvimento das preferências alimentares que acontece nos primeiros 1000 dias. Essas experiências a sabores começam antes mesmo do nascimento do bebê, durante a sua vida intra-uterina através do l íquido amniótico que tem o seu sabor influenciado pela alimentação da mãe e após o nascimento através do leite materno que também tem o seu sabor alterado de acordo com o alimento que a mãe come. Essa exposição e habituação aos sabores segue com a introdução dos alimentos complementares, por isso é importante a mãe manter hábitos alimentares saudáveis tanto na gestação, como na lactação. OS PRIMEIROS 1000 DIAS DO BEBÊ Os primeiros mil dias do bebê, também é conhecido como janela de oportunidades, vamos colocar em prática todas as oportunidades para favorecer os hábitos saudáveis do seu bebê? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller A introdução alimentar é uma das fases mais importantes da vida do seu bebê, através dela você poderá moldar o seu paladar, estimular sua autonomia e independência e promover sua saúde a médio e a longo prazo, ou seja, uma introdução alimentar bem feita refletirá na saúde do seu fi lho(a) na vida adulta através da programação metabólica, como vimos na página anterior sobre os 1.000 dias do bebê. Para iniciar uma introdução alimentar de sucesso é necessário que o bebê tenha no mínimo 6 meses completos e apresente alguns sinais que são indicadores de que ele está pronto para iniciar a alimentação complementar, que são conhecidos como "sinais de prontidão": O bebê deve se sentar sozinho ou com mínimo apoio, em posição ereta, sem tombar para os lados, é importante que ele consiga se manter nessa posição por volta de 10 segundos; Já levar objetos a boca; Não ter mais o reflexo de protusão da língua (empurrar objetos para fora da boca com a l íngua); Mostrar interesse pela refeição (tentar pegar a comida que o adulto está comendo). QUAIS SÃO AS RECOMENDAÇÕES OFICIAIS SOBRE INTRODUÇÃO ALIMENTAR? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Não é recomendado iniciar a alimentação complementar antes dos 6 meses pela imaturidade do sistema digestivo do bebê, sendo que essa imaturidade pode desencadear reações de hipersensibil idade a algumas proteínas, pode diminuir o aleitamento materno, pode aumentar o risco de engasgo, além de que os rins do bebê ainda não tem capacidade de concentrar a urina para eliminar concentrações de solutos provenientes de alguns alimentos. Estudos atuais nos mostram que a partir dos 6 meses que o sistema digestório do bebê está mais desenvolvido e produzindo enzimas que são capazes de começar digerir alimentos. PORQUE NÃO INICIAR ANTES DOS 6 MESES? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o sal não é recomendado até 1 ano pela imaturidade dos rins do bebê, visto que o sódio e iodo presente nos alimentos já é o suficiente. Já o ministério da saúde recomenda o uso do sal a partir de 6 meses de forma moderada, porém não específica qual a quantidade moderada é segura para os bebês, sendo assim a minha recomendação é incluir o sal somente após o primeiro ano. O SAL: SUCO 100% FRUTA: Tanto a Sociedade Brasileira de Pediatria, como o Ministério da Saúde e a Academia Americana de Pediatria deixa evidente em suas diretrizes que o consumo de suco de forma limitada só deve ser inserido após 1 ano. Já a Organização Mundial da Saúde classifica o suco como uma bebida não saudável, mas não deixa claro em sua diretriz a partir de qual idade ele é recomendado, porém deixa explícito todos os seus malefícios. O suco não trás nenhum benefício para bebês em introdução alimentar, ele é pobre em fibras, tem baixo valor nutricional, alta concentração de açúcar l ivre, pode causar pico da glicemia, o que aumenta o risco de ter resistência à insulina, diabetes tipo 2 e obesidade, pode gerar sensação de saciedade, diminuindo o apetite para alimentos mais energéticos e nutritivos, não estimula a mastigação, pode atrapalhar a aceitação pela água e pela fruta. Sendo assim, ofereça o suco de preferência após 1 ano, e somente quando o bebê apresentar bom vínculo com a água e com a fruta. O QUE DIZ AS DIRETRIZES SOBRE... N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller O leite de vaca e seus derivados podem ser introduzidos em pequenas quantidades em receitas a partir dos 6 meses, mas não deve substituir o leite materno ou fórmula antes de 1 ano, pelo fato da baixa concentração de nutrientes como o ferro, zinco, ômega 3 e ômega 6 e alta concentração de proteína, soro e sódio. Existe uma alta prevalência de anemia por deficiência de ferro em crianças menores de 2 anos no Brasil pelo uso do leite de vaca. Por esse motivo, não substitua o leite materno ou fórmula infantil antes do primeiro ano do bebê. LEITE DE VACA: A oferta precoce de açúcar pode viciar o paladar do bebê para o doce, podendo causar seletividade alimentar. O consumo desses alimentos antes dos 2 anos também estão relacionados com o aparecimento de doenças a médio e longo prazo, como a obesidade, diabetes, pressão alta, dislipidemias, disbiose intestinal, entre outras. Já o mel, não é recomendado até 1 ano, pela possibil idade de contaminação pela bactéria Clostridium Botulinum, causadora do Botulismo, bebês nessa faixa etária não conseguem metabolizar a toxina dessa bactéria, porém como o mel também é um tipo de açúcar e pode mascarar o sabor dos alimentos, também recomendo seu uso após os dois anos. AÇÚCAR E MEL: N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS: Crianças com até 2 anos de idade não devem consumir alimentos com alta concentração de solutos excretáveis pelos rins e alimentos que possam agredir o epitélio digestório e que provoquem dificuldades de digestão e absorção, que é o caso dos alimentos ultraprocessados. Esses alimentos são produzidos pela indústria por meio de várias técnicas e etapas de processamento e levam muitos ingredientes, como sal, açúcar, óleos, gorduras e aditivosalimentares (corantes artificiais, conservantes, adoçantes, aromatizantes, realçadores de sabor, entre outros, não util izados em casa). Nesses alimentos, o açúcar pode estar presente de diferentes formas. As mais comuns são: maltodextrina, dextrose, xarope de milho, xarope de malte e açúcar invertido. CARNE MAL PASSADA E OVO COM A GEMA MOLE: A recomendação é oferecer após os 2 anos pelo alto risco de contaminação pela bactéria Salmonella. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller A janela imunológica acontece dos seis aos nove meses e de acordo com a recomendação atual esse é o melhor momento para oferecer ao seu bebê alimentos de potencial alergênico, visando a aquisição de tolerância e redução do risco de alergenicidade. Caso o seu bebê já apresenta alguma alergia, é necessário fazer um acompanhamento com o gastropediatra ou alergista e nutricionista infantil antes de iniciar a introdução alimentar. Ovo, leite de vaca, peixe e frutos do mar, trigo (glúten), oleaginosas e amendoim (oferecer em forma de pasta ou farinha), soja, morango,banana e kiwi. Não ofereça dois alimentos alergênicos no mesmo dia. A recomendação é oferecer um alimento por vez, observar possíveis reações de alergia e oferecer outro alimento após 3 a 5 dias; Principais sinais e sintomas de alergia: Vômito recorrente e na maioria das vezes em jato, sangue nas fezes, várias manchinhas vermelhas pelo corpo, em casos mais graves falta de ar. Na presença desses sintomas avise o profissional que acompanha o seu bebê para tomarem a melhor conduta sobre a oferta do alimento que causou reação. APROVEITE A JANELA IMUNOLÓGICA DO BEBÊ ALIMENTOS CONSIDERADOS ALERGÊNICOS: N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller De acordo com as recomendações atuais os alimentos não devem ser oferecidos misturados na mesma papinha, é recomendado oferecer um tipo de alimento de cada vez para que a criança identifique as características de cada um (cor, sabor, cheiro e textura), dessa forma conseguiremos promover tanto o vínculo com a comida e também o desenvolvimento sensorial do bebê. Não processar, l iquidificar e peneirar os alimentos dessa forma o alimento perde sua textura e nutrientes, além de aumentar as chances de seletividade alimentar, pois o bebê terá contato sempre com a mesma textura (pastosa); Ofereça o alimento levemente amassado com o garfo ou em pedaços macios e com cortes seguros para idade para o bebê comer com as mãos (BLW); Deixe o bebê explorar o alimento com as mãos. Ele precisa desse contato para conhecer sua textura e demais características, dessa forma ele terá mais confiança no alimento e a taxa de rejeição pode ser menor; Até 1 ano a principal fonte de alimento do bebê continua sendo o leite (materno ou fórmula), por isso não há necessidade de força-lo a comer toda a refeição, aproveite esse período para apresentar os alimentos com calma. A forma como for conduzida a introdução alimentar fará toda diferença na aceitação do bebê a comida. É IMPORTANTE QUE VOCÊ SAIBA... N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller COMO INICIAR A INTRODUÇÃO ALIMENTAR? Como já vimos, para dar início a introdução alimentar, o primeiro passo, é que o bebê tenha no mínimo 6 meses completos e apresente os sinais de prontidão. Bebês prematuros devem iniciar com a idade corrigida e não com a idade cronológica. Organizar os utensíl ios antecipadamente também é importante, a partir de 5 meses o bebê já pode começar a ficar na cadeira de alimentação para ir se habituando e não ter o risco de estranhar o local na hora de comer. Existem utensíl ios que proporcionam uma introdução alimentar mais lúdica, mas isso não é regra, você também pode usar utensíl ios que já tem em casa (confira o e-book extra sobre utensíl ios). A Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde orienta que inicie a introdução alimentar com 3 refeições, sendo elas: lanche da manhã e lanche da tarde + uma refeição principal (almoço ou jantar). O bebê pode comer todos os tipos de frutas e alimentos naturais desde os 6 meses. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller O pratinho deve ser composto pelos seguintes grupos alimentares: Carboidrato Proteína Leguminosa Legumes e verduras Fruta de sobremesa (opcional) COMO MONTAR O PRATINHO DO BEBÊ Prefira as frutas fontes de vitamina C (frutas cítr icas), pois auxi l iam na absorção do ferro presente nos vegetais. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Dessa forma você consegue contemplar todos os nutrientes essenciais. Os carboidratos são importantes para o fornecimento de energia necessária para o crescimento e atividades diárias, além de participar do metabolismo da proteína. Além de estarem presentes no arroz, macarrão, batatas, aipim, milho, etc, frutas e alguns legumes também possuem carboidrato. Combinações saudáveis oferecem fibras solúveis e insolúveis garantindo bom funcionamento do intestino. As proteínas são essenciais para o crescimento e manutenção das células do organismo. Devem ocupar boa parte da alimentação dos bebês e crianças, pois estão em fase de crescimento. As gorduras fazem parte do sistema nervoso e saúde das células. As fontes de Ômega 3 são peixes como, sardinha, merluza, pescada e tainha, farinha de l inhaça e chia são as opções com menos contaminação por mercúrio. Fontes de ômega 6 que podem ser oferecidas aos bebês são abacate, óleo de girassol e azeite de oliva. As vitaminas e minerais são essenciais para o bom funcionamento do organismo e sistema imunológico. PORQUE INCLUIR TODOS OS GRUPOS É IMPORTANTE? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller EXEMPLO DE UM DIA DE ALIMENTAÇÃO AOS 6 MESES Fonte: ministério da saúde N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller NÚMERO DE REFEIÇÕES DE ACORDO COM A IDADE Fonte: ministério da saúde Idade Número de refeições Refeições 6 meses 7-11 meses Após 12 meses 3 4 5 Lanche da manhã, uma refeição principal (almoço ou janta) e lanche da tarde Lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e janta Café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, janta N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller NÚMERO DE REFEIÇÕES DE ACORDO COM A IDADE Aos 6 meses, a família pode escolher a refeição principal que se encaixe melhor em sua rotina. Caso estejam com o bebê somente a noite e queiram participar desse momento, pode ser oferecido o jantar ao invés do almoço, por exemplo. A segunda refeição principal pode começar a ser oferecida assim que o bebê se adaptar bem a primeira. Isso pode acontecer aos 7 meses ou antes. A única regrinha é não sobrecarrega-lo com tantas novidades, por isso respeite esse processo de adaptação. Teoricamente não tem essa necessidade, mas depende da rotina da família, se necessário pode iniciar oferecendo uma porção extra de fruta ou alguma receitinha após os 9 meses, tudo isso caso o bebê já tenha uma boa aceitação aos alimentos. POSSO OFERECER O CAFÉ DA MANHÃ ANTES DOS 12 MESES? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Até os 6 meses o bebê recebeu como fonte de alimento o leite, logo ele entende que é dessa forma que poderá saciar sua fome e sendo assim, se ele for colocado com “fome” no cadeirão difici lmente vai aceitar comer comida. Até 1 ano, a principal fonte de alimento e de nutrientes do bebê continua sendo o leite materno ou a fórmula, por isso não tem problema amamentar em horário próximo a refeição, alguns bebês aceitam comer melhor após mamar por exemplo. Em relação a interação do cálcio na absorção do ferro, o leite materno auxilia ainda mais com o aporte do mineral. Estudos mostram que crianças que são amamentadas tem uma absorção de 50% a mais de ferro. Se seu bebê toma Fórmula Artificial, é necessário uma ingestão de aproximadamente 500mg de cálcio para que haja interação com o ferro. Uma mamadeira de 200 ml de fórmula contém aproximadamente 130mg decálcio, sendo assim só existe interação quando há excesso de cálcio associado a ingesta de ferro. O BEBÊ PODE MAMAR ANTES OU DEPOIS DA REFEIÇÃO? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller É super normal o bebê recusar ou fazer careta nas primeiras refeições, ou até mesmo nos primeiros meses, isso não significa que ele não gostou da comida, mas sim que tudo é uma novidade para ele, sentir outro sabor e outra textura pode ser um incomodo no início, mas eu garanto que vai passar, continue oferecendo. Se o bebê rejeitar algum alimento, depois de você oferecer por dois dias consecutivos, deixe-o de lado e volte a oferecê-lo depois de uma semana. Caso ele rejeite novamente, volte a oferecer depois de mais uma semana, o bebê precisa provar e recusar o alimento de 8 a 10 vezes, para assim então dizer que ele não gostou. Aproveite esse momento para oferecer uma grande variedade de alimentos saudáveis, lembre-se que a introdução alimentar é uma página em branco e tudo o que o bebê aprender nessa fase é o que ele tomará como correto. É NORMAL O BEBÊ FAZER CARETA E NÃO QUERER COMER? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller AS 7 ETAPAS DO APRENDER A COMER Para os bebês, comer é aprendido e não instintivo. É normal que no início eles comam pouquinho ou nem aceitem comer, pois na cabecinha deles o alimento que sacia sua fome ainda é o leite, por isso é preciso ter paciência e ser persistente nessa fase. Antes de comer o alimento, o bebê precisa passar pelas etapas do aprender: Visualizar o alimento, tocar, cheirar, explorar/amassar/jogar no chão, levar a boca, cuspir e por último comer. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller SE O BEBÊ TRANCAR A BOCA E VIRAR O ROSTO PARA COLHER... Se o bebê continuar resistente e trancando a boca ou virando o rosto para colher você pode tentar outras formas de estimular, uma delas é deixar ele comer sozinho, alguns bebês não aceitam receber a comida na boca e isso é normal. Deixe pedaços de alimentos macios e com cortes seguros para idade na bandeja da cadeira de alimentação e deixe ele explorar e colocar em pratica as 7 etapas do aprender a comer. Outra forma de estimular o bebê a comer é ajustando os pilares da introdução alimentar: Mudar a forma de apresentação dos alimentos, por exemplo: variar a apresentação da batata, que pode ser oferecida em forma de purê, cozida, assada, ensopada, e assim por diante com os outros alimentos; Mudar o local da refeição; Alguns bebês se sentem inseguros no início da introdução alimentar, nesse caso você pode tentar oferecer a refeição no colo; Ajustar os horários, caso a refeição seja no horário da soneca, deixe-o dormir primeiro, não tem problema atrasar o horário de comer, o importante é que o bebê esteja confortável; Amamentar primeiro. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Quem determina a quantidade é o bebê, portanto, não se apegue nisso e evite comparações com outras crianças, é natural que alguns comam mais e outros menos. Respeite a sua autorregulação energética (os bebês já nascem sabendo identificar quando estão saciados), isso é extremamente importante para que ele tenha uma boa relação com a comida a curto e a longo prazo. Siga o lema: Saciou, parou. A tabela abaixo é uma sugestão do Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos para se ter apenas um norte de qual quantidade colocar no prato. QUANTIDADE Idade Número de refeições Refeições 6 meses 7 a 8 meses 9 a 11 meses 2 colheres de sopa 3 colheres de sopa Quantidade total e não de cada alimento Quantidade total e não de cada alimento Quantidade total e não de cada alimento Quantidade total e não de cada alimento 12 a 24 meses 4 colheres de sopa 5 colheres de sopa N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller HORÁRIO DAS REFEIÇÕES Não é necessário rigidez de horários, com o tempo ele vai se adequando aos horários da família. Os limites do bebê precisam ser respeitados para uma boa introdução alimentar, se ele quiser dormir no horário do almoço por exemplo, deixe dormir e ofereça a refeição depois. No jantar, caso ele já esteja dormindo não precisa acorda-lo para oferecer. O intervalo entre uma refeição e outra é de 2-3 horas. (Leite materno em livre demanda). Ofereça o jantar no mínimo 1 hora e meia antes do bebê dormir, é muito importante ter esse espaçamento para que ele consiga fazer a digestão por completo. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller A oferta de água inicia com a introdução alimentar, e a recomendação atual para oferta de l íquidos é a seguinte: 800 mL para bebês de 6 a 12 meses; 1,3 L para crianças de 1 a 3 anos. Porém, essas quantidades consideram a água presente no leite materno ou fórmula infantil e nos alimentos e NÃO apenas água pura. Como complemento, recomenda-se oferecer no mínimo 100 mL de água e ir aumentando gradativamente. Incentive o bebê oferecendo inúmeras vezes ao dia e sendo o exemplo, tomando água em sua frente. É normal eles aceitarem pouquinho no início, caso não aceitem nada você pode tentar trocar o copo ou oferecer na colher. Recomendo o uso de copo aberto ou copo de bico rígido. Bicos de sil icone podem causar confusão de bico e o bebê pode começar a morder o seio na hora da amamentação. OFERTA DE ÁGUA N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller O chá pode ser oferecido a partir de 6 meses. Somente chás claros e sem cafeína, por exemplo: hortelã melissa camomila erva-doce cidreira O chá deve ser oferecido em pouca quantidade e NÃO deve ser adoçado e também NÃO substitui a água. Eu, particularmente não recomendo incluir na rotina do bebê logo no início da introdução alimentar, pelo seu baixo valor energético e nutricional e porque pode prejudicar a aceitação do bebê pela água pura. OFERTA DE CHÁS N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Pode ser usado todos os temperos naturais e desidratados. Não use temperos industrializados (em pó, sachês e tabletes), pois contém muitos aditivos, sódio e corantes. Condimentos picantes devem ser adicionados aos poucos e caso o bebê tenha refluxo evite. TEMPEROS TEMPEROS QUE PODEM SER UTILIZADOS DESDE O INÍCIO: Salsinha, cebolinha, alho, cebola, coentro, salsão, alho-poró, alecrim, manjericão, orégano, louro, cominho, pimenta-do-reino, açafrão, páprica doce ou defumada, gengibre. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller O INTESTINO DO BEBÊ APÓS A INTRODUÇÃO ALIMENTAR Após a introdução alimentar as fezes do bebê ficam mais consistentes e as vezes com pedacinhos de alimento, tudo isso é normal. O fluxo intestinal também pode mudar, isso porque a digestão dos alimentos é mais lenta que a do leite, e por isso a evacuação pode se tornar menos frequente. MEDIDAS PARA EVITAR OU AMENIZAR SINTOMAS DE CONSTIPAÇÃO Evite oferecer vários alimentos constipantes no mesmo dia, o ideal é equilibrar (se oferecer uma fruta constipante de manhã, ofereça uma laxativa a tarde); Amamente em livre demanda; Não liquidifique e/ou peneira a comida para não perder as fibras; Não ofereça sucos, pois eles também tem baixa concentração de firas; Ofereça água várias vezes ao dia. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller ALIMENTOS QUE PRENDEM O INTESTINO (CONSTIPANTES) Mandioca, cenoura, batatas, pão, caqui, banana, goiaba, melão, maçã, pera, caju, biscoitos, ovo, grão-de-bico, brócolis. ALIMENTOS QUE SOLTAM O INTESTINO (LAXATIVOS) Abacate, mamão, ameixa, kiwi, uva, manga, laranja, abacaxi, aveia, l inhaça, chia, miho verde, caqui. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller TIPOS DE ABORDAGENS N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Existem 3 tipos de abordagens muito conhecidas para iniciar a introdução alimentar: Método tradicional, método BLW e abordagem participativa. A família deve escolher o método que lhe trará mais confiança e que seja acessível conforme sua rotinae também testar com qual abordagem o bebê terá mais afinidade. Nas próximas páginas vamos conhecer melhor cada método. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller O método tradicional é baseado na introdução dos novos alimentos em forma amassada. ABORDAGEM TRADICIONAL Os alimentos não devem ser liquidificados e nem misturados em uma só papinha. Quando os alimentos são levemente amassados o bebê consegue sentir a sua textura e são estimulados a mastigação. Oferece-los separadinhos também permite que ele consiga identificar o sabor e demais características de cada alimento. É importante que o pratinho permaneça sempre no campo de visão do bebê, para que ele possa identificar o que está comendo. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Nesse método os pais ou cuidadores vão oferecer a comida na boca do bebê, util izando uma colher. Dessa forma o adulto que terá todo o controle da alimentação da criança: quantidade, qualidade, ritmo e duração da refeição. É necessário evoluir a consistência do alimento quando o bebê começa a apresentar o movimento de pinça, geralmente a partir dos 9 meses, essa evolução contribui para o desenvolvimento da habilidade de coordenação motora e da mastigação e deglutição do bebê. ABORDAGEM TRADICIONAL 6 a 8meses: Inicie com os alimentos amassados e após os 7 meses pode amassar de forma mais grosseira 9 a 11 meses: 12 a 23 meses: É necessário iniciar a transição da comida para consistência mais sólida, através de pedaços bem pequenos e macios Nessa fase o bebê já recebe a mesma comida da família, desde que seja saudável. Os alimentos devem ser picados (amassados, se necessário). N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller As frutas devem ser raspadas ou amassadas com o garfo. No caso de frutas um pouco mais consistentes como a maçã, uma opção é cozinhá-la no vapor ou assá-la no forno/airfryer para ficar mais fácil de amassar. * NÃO ACRESCENTE AÇÚCAR NAS FRUTAS! Os legumes e vegetais devem ser cozidos em vapor, caso você não tenha a panela para cozinhar no vapor, cozinhe em uma panela com pouca água e só coloque o alimento quando a água já estiver quente, depois de cozidos é só amassar com o garfo. Os alimentos devem estar separadinhos no prato, ensinando o sabor e a textura de cada alimento, isso ajuda na formação do paladar do bebê e evita seletividade alimentar no futuro. O feijão pode ser oferecido inteiro e não apenas o caldo, ele precisa estar bem cozido e amassado. Geralmente os bebês tem um pouco de dificuldade quando o arroz está muito seco, dessa forma deixá- lo um pouco mais empapado pode ajudar na aceitação. A carne deve estar desfiada, geralmente eles aceitam melhor quando ela está mais molhadinha também. MODO DE PREPARO DOS ALIMENTOS NO MÉTODO TRADICIONAL N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Vantagens: Evita o desperdício de alimentos; Faz menos bagunça e sujeira. Desvantagens: Dificulta o reconhecimento do sinal de saciedade pelo bebê; Alimentação monótona sem interação da criança com a comida, podendo resultar em menor interesse; Falta de autonomia de o bebê decidir quando e quanto vai comer e, caso a evolução das texturas dos alimentos não siga as diretrizes do guia alimentar, pode prejudicar o desenvolvimento das habilidades de mastigação. ABORDAGEM TRADICIONAL N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller MÉTODO BLW A tradução significa “Desmame guiado pelo bebê” e consiste na oferta de alimentos na forma finger food, ou seja, deixar o bebê segurar o alimento e comer sozinho, explorando melhor a sua textura, cheiro e sabor. Neste método não há interferência do adulto, que apenas observa o bebê comer. O método não consiste na oferta apenas de alimentos em pedaços, se a família estiver consumindo alimentos amassados o bebê também pode comer, desde que ele mesmo o leve até sua boca. A comida não deve ser feita separada da comida da família, só evite os temperos picantes e o uso do sal. Deixe que a criança pegue o alimento e coma em livre demanda, o diferencial é justamente estimular a sua autonomia e respeitar sua auto regulação (principio de saciedade). E o melhor de tudo, deixe ele se sujar à vontade. Atualmente existem babadores em forma de avental para evitar que suje a roupa e se preferir, forre o chão com jornal ou tapete ao redor da criança. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Aos 6 meses ofereça alimentos em forma de tiras longas ou palito, os pedaços devem ser firmes o suficiente para não serem esmagados entre os dedos, mas macio o suficiente para serem amassados com a força das gengivas; Os bebês conseguem mast igar e amassar o al imento com a gengiva. Uma dica para saber se o al imento está na consistência segura é pressiona- lo com a sua l íngua sent ido o céu da boca, se você conseguir amassa- lo dessa forma signi f ica que o bebê também vai conseguir . O formato dos alimentos e do corte vão variar de acordo com as habilidades motoras compatíveis com a idade do bebê Quando o bebê apresentar o movimento de pinça já pode ser oferecido alimentos em cubinhos pequenos e macios. . MEDIDAS DE SEGURANÇA NO MÉTODO BLW Confira exemplos de cortes seguros no e-book extra: Como fazer os cortes seguros para IA . N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller VANTAGENS DO BLW Permite que os bebês explorem sabor, textura, cor e cheiro dos alimentos; Encoraja independência, confiança e autonomia; Ajuda a desenvolver a coordenação visual-motora e as habilidades de mastigação; Estimula o desenvolvimento oral e da fala. A mastigação exige uma associação de movimentos da língua, dos lábios e da mandíbula, muito importante para a preparação e estimulação da musculatura da boca para a articulação. Desses movimentos mastigatórios vão se desenvolver os movimentos refinados da fala; O bebê aprende o controle da saciedade. Eles estão no controle do que e em que quantidade vão comer, estimulando o controle de saciedade. Certamente esse é um aspecto protetor para obesidade no futuro. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller DESVANTAGENS DO BLW A bagunça! Porém, a boa notícia é que os bebês desenvolvem suas habilidades motoras muito rápido e essa fase logo passa; O método pode ser desconhecido para alguns familiares e amigos, levando a família a ter que lidar com palpites desagradáveis, isso pode ser uma desvantagem se causar um ambiente estressante ou desconfortável para toda a família, do contrário prepare os argumentos para rebater os palpites e siga em frente. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Esse método é a junção do BLW e método tradicional. o bebê recebe o alimento na boca, mas também tem a oportunidade de comer sozinho e explorar o alimento. Assim como o BLW, a abordagem participativa também busca respeitar a autonomia e a saciedade do bebê. ABORDAGEM PARTICIPATIVA QUAL O MELHOR TIPO DE ABORDAGEM? Não existe recomendação oficial sobre qual a melhor abordagem. Existem bebês que preferem receber a comida na boca, enquanto outros viram o rosto para colher e preferem comer sozinhos. O ideal é deixar que o bebê demonstre qual método se sente mais confortável. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller O recomendado para bebês até 2 anos é uma colher de sobremesa (5 ml) por dia. AZEITE DE OLIVA: Pode ser usado em qualquer etapa de preparação (não há percas nutricionais com o aquecimento). Para escolher um bom azeite ele precisa ter acidez máxima de 2% (preferencialmente abaixo de 0,8%), estar em uma embalagem escura e de vidro e ser virgem ou extravirgem. ÓLEO DE MILHO E ÓLEO DE GIRASSOL: São boas opções. ÓLEO DE SOJA: Opção mais barata. Por ser feito a partir de soja transgênica use apenas se necessário. GORDURAS ANIMAIS: Banha de porco e manteiga são boas opções, porém são ricas em gordura saturada e por isso devem ser usadas com moderação. QUAL TIPO DEÓLEO USAR? N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller O recomendado é que sejam sempre congeladas em recipientes de vidro, inox ou sil icone. Evite os plásticos pois podem conter Bisfenol A (BPA). O recipiente deve ser sempre esteril izado com água fervente antes que o alimento seja armazenado. Após o fim do preparo, o alimento deve passar pelo processo de branqueamento. Esse procedimento inibe as mudanças químicas que resultam em alteração do sabor e da cor dos alimentos durante o congelamento. Além disso, ele destrói os microrganismos presentes na superfície das hortaliças. COMO CONGELAR A COMIDA? COMO FAZER O BRANQUEAMENTO? 1. Ferva o vegetal de 1 a 3 minutos Para vegetais mais macios como repolho e o brócolis o ideal é um minuto. Para os mais duros como a cenoura são três minutos, ou então até que fiquem macios. 2. Após a fervura coloque o alimento em um recipiente e, em outro recipiente maior, coloque água e gelo; 3. Coloque o recipiente com o alimento sobre o pote maior com água e gelo. Tenha cuidado para não deixá-lo entrar em contato com a água; 4. Com esse choque térmico o cozimento será interrompido imediatamente e a comida estará pronta para ser congelada; 5. Divida em pequenas porções e etiquete colocando o nome da refeição e a data da preparação; 5. Leve imediatamente ao congelador. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller VALIDADE DESCONGELAMENTO O alimento deve ser descongelado na geladeira, não deixe descongelando em temperatura ambiente, pois isso favorece a proliferação de bactérias. • Retire do congelador na véspera do consumo, leva em média 5 a 10 horas para descongelar totalmente; • Após descongelada pode ser aquecida no microondas ou banho-maria. • Caso tenha esquecido de descongelar na geladeira, util ize o banho-maria ou microondas, caso opte pelo microondas descongele um alimento por vez. Não faça recongelamento; Após descongelar o al imento, e le pode ser guardado na geladeira por até 3 dias; O resto do prat inho do bebê deve ser descartado. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Alimentos que aumentam o risco de engasgo: MEDIDAS DE SEGURANÇA CONTRA ENGASGO Maçã crua e inteira (oferecer quando o bebê tiver a dentição completa ou quase e boa mastigação); Pipoca (oferecer após os 2 anos, algumas fontes recomendam após 4 anos) Castanhas e amendoim inteiros (oferecer após os 3 anos); Alimentos arredondados inteiros como uva, ovo de codorna e tomate cereja; Miolo do pão; Pirulito e salsicha (embora não sejam recomendados, mas vale ressaltar o risco). A posição precisa ser ereta Jamais alimente em posição semi-deitada, lugares como bebê conforto, carrinho de bebê e cadeirinha de descanso não são seguros para alimentar. Prefira sempre a cadeira de alimentação. N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Quando o bebê está aprendendo a comer e a deglutir é natural que as vezes ele coloque o alimento para fora, o movimento se assemelha com uma ânsia de vomito e muitas vezes é confundido com engasgo, exemplo da foto: O REFLEXO DE GAG é uma resposta natural de defesa que acontece quando o bebê está aprendendo a deglutir, esse mecanismo o protege de um verdadeiro engasgo. Quando o bebê tenta engolir um pedaço de alimento muito grande ele faz uma ânsia para o alimento voltar para a boca, esse reflexo também acontece quando algum pedaço vai parar em um canto indesejado da boca ou simplesmente porque o bebê pode estranhar engolir uma nova textura diferente do leite. O reflexo de GAG tem a duração de 5 a 10 segundos, nesse caso o bebê vai tossir, ter ânsia de vômito e também pode ficar vermelho pela força para retirar o alimento da garganta, o adulto não precisa intervir e nem tentar tirar o pedaço de alimento da boca do bebê, essa tentativa pode fazer a comida voltar para garganta e nesse caso causar um engasgo. COMO DIFERENCIAR GAG X ENGASGO N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller Já no ENGASGO a traqueia do bebê é bloqueada por algum alimento ou objeto que impede a passagem de ar, nesse caso o bebê começa ficar sem reação, apresenta tosse silenciosa, dificuldade em emitir sons, a respiração fica ausente ou com dificuldade para respirar, ele tenta chorar mas não consegue e muda de cor para roxo ou azulado pela falta de ar. Nesse caso é necessário intervenção imediata do adulto, seguindo as orientações conforme as fotos: COMO DIFERENCIAR GAG X ENGASGO N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller As frutas, legumes e verduras são produzidos no meio ambiente e carregam bactérias, vírus e parasitas e por isso devemos fazer a sanitização correta para evitar intoxicação alimentar e até mesmo doenças como botulismo e doenças virais. Você deve higienizar todas as frutas que são consumidas com casca ou que o bebê poderá ter contato com ela, por exemplo a banana, maracujá, manga, entre outras, e os vegetais folhosos. O primeiro passo para higienização correta é retirar toda sujidade aparente em água corrente, pode usar uma esponja para isso, mas ela deve ser especifica para essa finalidade, não use a esponja de lavar louça e nem detergente. Após, deixe de molho por 10 minutos em solução com 1 colher (sopa) de água sanitária (2 a 2,5% de cloro ativo) para 1 l itro de água e enxágue em água corrente. Aguarde o alimento secar naturalmente ou seque com um pano limpo. COMO HIGIENIZAR FRUTAS E VERDURAS N U T R I C I O N I S T A C R N 1 0 7 9 0 0 Thalita Müller COMO PREPARAR AS LEGUMINOSAS? As leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico) precisam ficar de molho antes do cozimento porque possuem fatores antinutricionais como fitatos, taninos, lectinas e inibidores enzimáticos. Nesse caso a proteína, vitaminas e os minerais ficam presos a esses compostos e não conseguem ser absorvidos pelo organismo, além de que podem favorecer os gases pelo fato da redução da absorção do amido e das proteínas. COMO FAZER O REMOLHO? Lave os grãos em água corrente e escorra. Num recipiente, cubra-os com água e adicione limão para potencializar, deixe os grãos totalmente submersos. A água deve ficar no dobro da altura dos grãos, pois eles incham durante a hidratação. Deixe descansar pelo tempo médio de 12 horas a 24 horas. Por fim, é só escorrer, lavar os grãos novamente e cozinhar. Caso esquecer de deixar a leguminosa de molho, faça o remolho em água quente por pelo menos uma hora.