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Carlos Eduardo Sabrito Jefferson Marlon Monticelli Robson da Silva Constante (Orgs.) EMPREENDEDORA Experiência EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA Carlos Eduardo sabrito JEffErson Marlon MontiCElli robson da silva ConstantE (orgs.) 1ª Edição agosto | 2020 Universidade La Salle Canoas | Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 | ead@unilasalle.edu.br Gestão Universidade Gestão EaD Reitor Vice-Reitor, Pró-Reitor de Pós-grad., Pesq. e Extensão e Pró-Reitor de Graduação Pró-Reitor de Administração Diretora de Graduação Diretor de Extensão e Pós-Graduação Lato Sensu Diretora de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu Diretor Administrativo Diretor de Marketing e Relacionamento Procuradora Jurídica Assessor de Assuntos Interinstitucionais e Internacionais Assessor de Inovação e Empreendedorismo Chefe de Gabinete Prof. Dr. Paulo Fossatti - Fsc Prof. Dr. Cledes Casagrande - Fsc Vitor Augusto da Costa Benites Profª. Dr.ª Cristiele Magalhães Ribeiro Prof. Me. Márcio Leandro Michel Profª. Dr.ª Patricia Kayser Vargas Mangan Denir Machado Cleiton Bierhals Decker Michele Wesp Cardoso Prof. Dr. José Alberto Miranda Prof. Dr. Jefferson Marlon Monticelli Prof. Dr. Renaldo Vieira de Souza Coordenadora Pedagógica Coordenador de Produção Profa. Me. Michele de Matos Kreme Prof. Dr. Jonas Rodrigues Saraiva Equipe de Produção EaD Anderson Cordova Nunes Arthur Menezes de Jesus Bruno Giordani Faccio Daniele Balbinot Érika Konrath Toldo Fabio Adriano Teixeira dos Santos Gabriel Esteves de Castro Guilherme P. Rovadoschi Ingrid Rais da Silva João Henrique Mattos dos Santos Jorge Fabiano Mendez Nathália N. dos Santos Patrícia Menna Barreto Sidnei Menezes Martins Tiago Konrath Araujo Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) E96 Experiência empreendedora / Carlos Eduardo Sabrito, Jefferson Marlon Monticelli, Robson da Silva Constante (orgs.) – Canoas, RS : Universidade La Salle EAD, 2020. 98 p. : il. ; 30 cm. – (Gestão e negócios) ISBN 978658663535-5 1. Administração de empresas. 2. Empreendedorismo. 3. Negócios. 4. Plano de negócios. I. Sabrito, Carlos Eduardo. II. Monticelli, Jefferson Marlon. III. Constante, Robson da Silva. IV. Série. CDU: 658.012.4 Bibliotecário responsável: Samarone Guedes Silveira - CRB 10/1418 Prezado estudante, A equipe de gestão da EaD LaSalle sente-se honrada em entregar a você este material didático. Ele foi produzido com muito cuidado para que cada Unidade de estudos possa contribuir com seu aprendizado da maneira mais adequada possível à modalidade que você escolheu para estudar: a modalidade a distância. Temos certeza de que o conteúdo apresentado será uma excelente base para o seu conhecimento e para sua formação. Por isso, indicamos que, conforme as orientações de seus professores e tutores, você reserve tempo semanalmente para realizar a leitura detalhada dos textos deste livro, buscando sempre realizar as atividades com esmero a fim de alcançar o melhor resultado possível em seus estudos. Destacamos também a importância de questionar, de participar de todas as atividades propostas no ambiente virtual e de buscar, para além de todo o conteúdo aqui disponibilizado, o conhecimento relacionado a esta disciplina que está disponível por meio de outras bibliografias e por meio da navegação online. Desejamos a você um excelente módulo e um produtivo ano letivo. Bons estudos! Gestão de EaD LaSalle APRESENTAÇÃO APRESENTANDO OS AUTORES Carlos Eduardo Sabrito Bacharel em Administração de Empresas pela UFRGS (1995), Mestre em Estratégia Empresarial pela PUCRS (2002) e Doutorando em Informática na Educação (UFRGS, 2013), atuante nas áreas de: Gestão de Pessoas, com foco em elaboração de estratégias e políticas para educação corporativa; e, Empreendedorismo, com foco em mentoria e elaboração de planos de negócios. Professor e orientador de trabalhos de conclusão nas áreas de Administração, Gestão de Pessoas, Estratégia e Empreendedorismo para cursos de Gestão nos níveis Tecnológico, Bacharelado e Pós-Graduação Lato-Sensu. Jefferson Marlon Monticelli Professor colaborador (Professor assistente nível II) na Universidade La Salle (PPG Saúde e Desenvolvimento Humano) e na Universidade Ibirapuera (PPG Administração). É professor de pós-graduação (MBA`s, Mestrado e Doutorado) de disciplinas relacionadas aos temas: Estratégia, Empreendedorismo, Criatividade e Negócios Internacionais. Pós-Doutorando em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo. Doutor e Mestre em Administração de Empresas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Formação em MBA em Finanças Empresariais pela Fundação Getúlio Vargas e MBA em Controladoria e Bacharelado em Administração de Empresas com Habilitação em Comércio Exterior pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Realizou período de doutorado sanduíche na Uppsala University, Suécia. É assessor de Empreendedorismo e Inovação na Universidade La Salle e founder e CEO de uma empresa especializada em prestação de serviços médicos estruturados e de uma healthtech. Foi um dos líderes do tema 09, divisão ESO, Enanpad 2019 (Insitituições, Estratégia, Mudança e Desempenho) e do tema 15, divisão ESO, 3Es2020 e Enanpad2020 (Estratégias de Coopetição). Membro suplente da Câmara Especial de Gestão e Tecnologia do Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul. Integrante Experiência Empreendedora do Grupo de Pesquisa Gestão Educacional nos Diferentes Contextos, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade La Salle Canoas. Seus temas de interesse são: Internacionalização de Empresas de Países Emergentes, Programas de Políticas Públicas para Incentivo aos Negócios Internacionais, Empreendedorismo e Negócios Familiares, Instituições e Coopetição. Robson da Silva Constante Possui doutorado em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Universidade Feevale (2013-2017). Possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Feevale (2006) e mestrado em Memória Social e Bens Culturais pelo Centro Universitário La Salle – Canoas (2013). Tem experiência com pesquisas nas áreas de comunicação, cibercultura, memória, inovação, marketing, blog e consumo juvenil, etnografia, fotoetnografia e análise de conteúdo. Desenvolve pesquisas sobre os temas: juventudes, cultura, consumo e pedagogia do consumo. Atualmente está inserido no Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Bens Culturais como bolsista de pós-doutorado. Atua como pesquisador voluntário na Universidade Feevale com o projeto de pesquisa intitulado: “Memórias do mundo do trabalho, práticas sociais e representações simbólicas: coleções etnográficas e etnografia audiovisual de bairros nas metrópoles contemporâneas”. APRESENTANDO A DISCIPLINA Caros aluno (a), Neste e-book, iremos aprender juntos sobre empreendedorismo. Iniciaremos esta Unidade buscando compreender conceitos sobre empreendedorismo, bem como as características e o perfil de uma pessoa que empreende, ou seja, que desenvolve habilidades empreendedoras. Ainda na Unidade 1, traçaremos um parâmetro das iniciativas já realizadas no Brasil em prol do empreendedorismo, com o intuito de deixar nossas empresas mais competitivas e nossos profissionais mais capacitados. Na Unidade 2, iremos compreender algumas oportunidades de negócios e como se configura o processo empreendedor. Também vamos verificar alguns instrumentos que ajudam o empreendedor a clarificar e mensurar oportunidades de negócios. Já na Unidade 3, vamos verificar as diferentes atuações de empreendedores, assim como conhecer e identificar oportunidades de negócios para o terceiro setor e características do empreendedor social e do Ecoempreendedorismo. E por fim, na Unidade 4, vamos aprender e entender a importância de um Plano de Negócio para ajudar a empresa a se tornar mais competitiva.negócio. Assim, é preciso se fazer algumas perguntas: • Você está disposto a deixar o emprego atual para encarar o desafio, mesmo sabendo que pode ficar anos sem receber uma remuneração compatível com a que recebia antes, sem os mesmos benefícios e regalias? • Essa é a oportunidade de sua vida? • Você se vê trabalhando nesse ramo de negócios e explorando essa oportunidade daqui a cinco, dez ou quinze anos? • Sua família o apoia nessa iniciativa? • Você está disposto a se desfazer de bens pessoais para investir nessa ideia? • Você conhece pessoas que fizeram algo semelhante e já foi conversar com elas a respeito? No caso de você já ser um empreendedor e a oportunidade significar uma mudança nos rumos de sua empresa, podemos pensar nas seguintes questões: • Você já apresentou a ideia aos atuais clientes e fornecedores? • Já debateu o tema com os demais membros da empresa? • Você realmente acredita que essa oportunidade é a melhor opção? Procure evitar que o entusiasmo sobressaia em relação à análise crítica do negócio. DICA Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 47 2.3 Caracterizando o Processo Empreendedor Nessa seção vamos falar sobre como se dá o processo empreendedor. Para Mirshawka (2003), qualquer que seja o tipo de empreendedor, ramo da atividade de uma organização que “nasce”, ou ainda, qualquer que seja o caminho adotado para sobreviver no mercado, deve-se começar pela pesquisa da capacidade empreendedora da organização. Assim, é por meio do estudo do processo, que, segundo Mirshawka (2003, p. 91), ocorre: • A identificação e o desenvolvimento de uma oportunidade na for- ma de uma visão; • A validação e a criação de um conceito de negócio e estratégia que ajudem a alcançar esta visão (por exemplo: criação, aquisição, franquia etc.); • A captação dos recursos necessários para implementar o conceito; • A implementação do conceito empresarial ou do empreendimento; • A captura plena da oportunidade por meio do crescimento do negócio; • A extensão do crescimento do negócio através da atividade em- preendedora. Quando o empreendedor enxerga uma boa oportunidade de negócio, é recomendável que inicie sua pesquisa por onde estão localizadas as oportunidades que demonstrarão os primeiros passos a serem dados. Isso fará com que a identificação de um bom negócio seja mais assertiva, mesmo que, por vezes, este seja um trabalho árduo e que demandará muita peregrinação. Há inúmeras sugestões de negócios indicadas por especialistas em todo o Brasil. Veja a seguir alguns mercados que prometem crescer ainda mais nos próximos anos: Ficou curioso? Quer saber mais sobre essas e outras ideias de negócios? Acesse a página do blog Conta Azul e confira quais são os outros negócios que estão em alta, no link: http://gg.gg/i4top • Mercado pet; • Alimentos saudáveis; • Microcervejarias; • Drones; • Impressão 3D; • Produtos orgânicos; • Realidade virtual; • Leitura biométrica; • Infoprodutos; • Desenvolvimento de aplicativos; • Coworking; • Cosméticos. SAIBA MAIS EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante48 2.4 Instrumentos para Avaliação de Oportunidades de Negócio Seja qual for a origem de um ideia ou oportunidade, devemos saber que não existe uma garantia de sucesso ou de lucratividade para a empresa ao abrir um novo negócio ou lançar um novo produto no mercado. Como vimos na Unidade 1, um dos grandes empreendedores contemporâneos na era da computação foi Steve Jobs, fundador da empresa Apple. Maximiano (2011) nos mostra que os empreendedores da área de tecnologia que mais lucram atualmente no mundo são aqueles que estão desenvolvendo aplicativos (software), deixando de lado o desenvolvimento de componentes físicos (hardware), tão popular no empreendedorismo da década de 1990. É possível determinar que o sucesso de empresas como a Apple e a Microsoft surge a partir das estratégias utilizadas para se manterem atuantes em um mercado cada vez mais competitivo, sempre em conjunto com a criatividade e a inovação, tão necessárias no século XXI. Figura 2.6 – Apple x Microsoft: o empreendedorismo competitivo. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). VS Você sabia que o Brasil é um dos países que mais baixa aplicativos para smartphone? Segundo o site do jornal Estadão, nosso país é o quarto maior consumidor de aplicativos do mundo. Com o avanço tecnológico e a popularização das plataformas mobile como Android e iOS, os usuários desfrutam de uma imensa gama de aplicativos grátis e pagos. Se quiser saber mais sobre o assunto, acesse a matéria “Brasileiro gasta 200 minutos por dia em aplicativos, diz estudo”, do Estadão: http://gg.gg/cx144. SAIBA MAIS Como podemos perceber, existem diversos segmentos que podem ser estudados e explorados no momento em que um empreendedor começa a pensar no ramo de seu negócio. Em relação aos processos que constituem um empreendedor, vamos ver agora os sete segredos do empreendedor bem-sucedido, apontados por Mirshawka (2003): 1. Ter foco e concentração; 2. Acreditar e apostar em um futuro próximo para seu negócio/empresa; 3. Aprender o tempo todo; 4. Ser decidido e compromissado; 5. Expulsar a mediocridade; 6. Agir com ética e integridade; 7. Não esquecer de viver a vida. Já os dez pecados que devem ser evitados pelo empreendedor, segundo Mirshawka (2003), são: • 1º pecado: Escolher um negócio incompatível e sobre o qual não tenha conhecimento prévio; • 2º pecado: Estabelecer expectativas não realistas para o próprio negócio; • 3º pecado: Confiar em um plano inadequado para o seu negócio; • 4º pecado: Perder o seu mercado-alvo para a concorrência; • 5º pecado: Fazer propaganda cara e ineficiente, bem como utilizar técnicas inadequadas de vendas ou propaganda enganosa; • 6º pecado: Obter financiamentos inadequados para o empreendimento; • 7º pecado: Gerenciar de forma caótica e inadequada, sempre “apagando incêndios”. • 8º pecado: Deixar que apenas o contador administre seus negócios; • 9º pecado: Expandir o seu negócio por motivos errados; • 10º pecado: Acreditar que você vai trabalhar para sempre. Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 49 2.4 Instrumentos para Avaliação de Oportunidades de Negócio Seja qual for a origem de um ideia ou oportunidade, devemos saber que não existe uma garantia de sucesso ou de lucratividade para a empresa ao abrir um novo negócio ou lançar um novo produto no mercado. Como vimos na Unidade 1, um dos grandes empreendedores contemporâneos na era da computação foi Steve Jobs, fundador da empresa Apple. Maximiano (2011) nos mostra que os empreendedores da área de tecnologia que mais lucram atualmente no mundo são aqueles que estão desenvolvendo aplicativos (software), deixando de lado o desenvolvimento de componentes físicos (hardware), tão popular no empreendedorismo da década de 1990. É possível determinar que o sucesso de empresas como a Apple e a Microsoft surge a partir das estratégias utilizadas para se manterem atuantes em um mercado cada vez mais competitivo, sempre em conjunto com a criatividade e a inovação, tão necessárias no século XXI. Figura 2.6 – Apple x Microsoft: o empreendedorismo competitivo. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). VS Você sabia que o Brasil é um dos países que mais baixa aplicativos para smartphone? Segundo o site do jornal Estadão, nosso país é o quarto maior consumidor de aplicativos do mundo. Com o avanço tecnológico e a popularização das plataformas mobile como Android e iOS, os usuários desfrutam de uma imensa gama de aplicativos grátis e pagos. Se quiser saber mais sobre o assunto, acesse a matéria “Brasileiro gasta 200 minutos por dia em aplicativos, diz estudo”, do Estadão: http://gg.gg/cx144. SAIBA MAIS EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante50 Figura 2.7 – Os aplicativos mais usados no mundo em 2020. Fonte: Adaptadode TechMundo (2020). Para Maximiano (2011), um outro exemplo de sucesso de estratégia é o caso do cinema. Embora inventado pelos franceses, que o cultivam como forma de arte, são os americanos que transformaram o cinema em um indústria universal e bilionária de diversão. Figura 2.8 – Hollywood, o paraíso do cinema norte-americano. Fonte: Pixabay (2019). Todos os downloads WhatsApp 1 Messenger 2 Facebook3 Instagram4 5 6 SHAREit 7 Snapchat 8 9 Netflix 10 Tik Tok Likee Spotify - - - 1 - 1 - 1 - 1 +1 +1 +1 +1 Para ampliar os seus conhecimentos sobre o ranking de downloads de aplicativos, leia a matéria “TikTok, WhatsApp e Facebook são os apps mais baixados de 2020 até agora”, do site TechMundo. O link está aqui: http://gg.gg/jjis5 SAIBA MAIS Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 51 Maximiano (2011) também afirma que existem muitos aspectos que devemos considerar quando acontece o surgimento de uma ideia e a criação de um novo negócio. Em alguns casos, segundo avalia o autor, o empreendedor acredita mais na sua ideia do que na necessidade de fazer uma avaliação negócio, esquecendo de verificar quais serão os recursos disponíveis que estarão, de certa forma, correndo risco por conta da aposta no inesperado. Segundo Dornelas (2018, p. 61), “um roteiro para a análise de oportunidade pode contribuir para que o empreendedor possa avaliar com maiores chances de acerto os rumos de seu negócio”. O roteiro é conhecido como 3 Ms e pode ser aplicado a qualquer ideia para saber se, primeiro, trata-se de uma oportunidade e, segundo, quais oportunidades são as mais interessantes. Dornelas (2018, p. 61) avalia que ao analisar o primeiro “M”, Demanda de Mercado, o empreendedor deve procurar responder às seguintes questões: • Qual o cliente-alvo? • Qual a durabilidade do produto/serviço no mercado? (ciclo de vida) • Os clientes estão acessíveis? (quais são os canais/pontos de venda) • Como os clientes veem o relacionamento com a minha empresa? (valor agregado) • O potencial de crescimento deste mercado é alto? (exemplo: maior do que 20% anualmente) • O custo de captação do cliente é recuperável no curto prazo? (exemplo: menor do que um ano) O segundo “M”, Tamanho e Estrutura do Mercado, está relacionado a outras questões críticas, listadas a seguir por Dornelas (2018, p. 62): • O mercado está crescendo? É emergente? É fragmentado? • Existem barreiras de entrada? Ou excessivos custos de saída? Você tem estratégias para transpor essas barreiras? Os 3 Ms são definidos como “Demanda de Mercado”, “Tamanho e Estrutura do Mercado” e “Análise de Margem”. DESTAQUE EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante52 • Quantos concorrentes existem no mercado? Eles controlam a propriedade intelectual? • Em que estágio do ciclo de vida está o produto? (o risco depende também do ciclo de vida e maturidade do produto) • Qual é o tamanho do mercado em reais e o potencial para se conseguir uma boa participação de mercado? • Como a indústria (setor onde sua empresa atua/atuará) está segmentada? Quais são as tendências? Que eventos influenciam os cenários? • E o setor, como está estruturado? (deve-se ter clareza quanto aos poderes – barganha e qualidades – dos fornecedores, compradores, concorrentes e produtos similares). Finalmente chegamos ao “M”, de Análise de Margem, em que se aplicam as seguintes questões e atividades, propostas por Dornelas (2018, p. 62): • Determinar as forças do negócio; • Identificar as possibilidades de lucros (exemplo: margem bruta maior do que 20%, 30% e 40%); • Analisar os custos (necessidades de capital), breakeven (ponto de equilíbrio) e retornos; • Mapear a cadeia de valor de negócio; • Procurar saber como seu produto/serviço chega até o cliente final. Isso ajudará o empreendedor a entender a sua cadeia de valor e de seus competidores, permitindo-lhe tomar decisões e implementar ações voltadas para resultados, tais como: • Cortar custos; • Remodelar os processos internos; • Atingir maiores margens. Como podemos perceber, os 3 Ms são abrangentes e envolvem questões críticas que, se respondidas e bem entendidas, serão úteis na avaliação e seleção das melhores oportunidades para serem desenvolvidas e capitalizadas pelo empreendedor. Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 53 É sempre interessante fazer um checklist (lista de verificações) final. Aliás, aconselha-se sua aplicação logo no início da avaliação, quando se está formatando a oportunidade. As questões elaboradas por Dornelas (2018, p. 62) são simples, porém, as respostas nem sempre são fáceis de se obter: • Existe algum problema a ser resolvido? • Existe algum produto e/ou serviço que tenha algum problema a ser solucionado? • É possível identificar potenciais clientes? • Será possível desenvolver uma estratégia de marketing/vendas e que seja possível executá-la? • A janela da oportunidade está aberta? Ou seja, realmente há clientes interessados em comprar o seu produto ou serviço? Alguns aspectos que devem ser incluídos na avaliação de uma nova oportunidade podem ser visualizados pelo quadro a seguir, proposto por Maximiano (2011, p. 28), dividido em cinco principais etapas a serem pensadas: Quadro 2.1 – Critérios para avaliar produtos e negócios. VIABILIDADE DE MERCADO CONCORRÊNCIA VIABILIDADE DE PRODUÇÃO CONTROLE GOVERNAMENTAL INVESTIMENTO INICIAL E RETORNO O produto tem compradores potenciais? Quem são os concorrentes? Existem componentes e matérias-primas para fazer o produto ou prestar serviço? Há controles governamentais sobre produtos ou tipo de negócio? Qual o investimento necessário? Com que frequência o produto é comprado? Quantos são? Existem máquinas, equipamentos e instalações? Há necessidade de licenciamento ou aprovação? Qual o período de retorno desse investimento? Quem compraria? Onde estão? Existe a mão de obra? Qual o investimento necessário para atender à legislação? Quantos compradores? Quais são as suas vantagens competitivas? Qual a necessidade de desenvolvimento e de experimentação? Onde estão os compradores? Qual é o alcance e a eficácia de seus canais de distribuição? Qual o investimento necessário? Qual preço aceitariam? Há barreiras para novos ingressantes? Fonte: Maximiano (2011, p. 28). EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante54 Vamos agora descrever a avaliação de oportunidade de negócios por meio da viabilidade de mercado. Segundo Maximiano (2011), o fator principal que todo empreendedor deve levar em conta é o mercado, ou seja, como e para quem será destinada a venda e a oferta dos produtos e/ou serviços. O empreendedor deve começar um novo negócio respondendo às seguintes perguntas: há um mercado real e/ou potencial para a ideia de negócio? Quem compraria o produto ou serviço? Para Maximiano (2011), outras perguntas devem ser feitas pelo empreendedor: • Como produtos e/ou serviços podem ser comprados? Qual a periodicidade desta compra? Todos os dias, uma vez por ano ou em ocasiões especiais? • Quem irá comprar? Será o próprio usuário? Ou a compra será realizada pelos pais para seu filho? • Qual é o tamanho do mercado em que quero atuar? Quantas pessoas ou consumidores potenciais existem nesse mercado? • Onde estão localizados geograficamente os clientes? • Até que preço meus clientes potenciais estariam dispostos a pagar pelo meu produto? • Como poderá ser ajustado o negócio ao risco da sazonalidade, presente em alguns ramos da atividade como moda, alimentos e brinquedos? Outros pontos importantes que precisam ser avaliados conforme o quadro demonstrado anteriormente é como se dará a viabilidade da produção, qual a influência do governo para as estratégias da empresa e qual será o retorno – ou não – do investimento financeiro. Para esses questionamentos, iremos dar maior ênfasena Unidade 4, quando iremos aprender cada umas das principais etapas na elaboração de um plano de negócio. Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 55 SÍNTESE DA UNIDADE Chegamos ao fim da Unidade 2. Primeiro, pudemos perceber a diferenciação entre ideias e oportunidades. Já sobre as fontes de geração de ideia, vimos como exemplo o método de brainstorming. Com essa metodologia, é possível garantir muitas ideias de várias pessoas que estão envolvidas no processo produtivo, administrativo e até mesmo na direção da empresa. Num segundo momento, aprendemos um pouco sobre como se dá a caracterização do processo empreendedor, ou seja, os principais aspectos a que o empreendedor deve estar atento e as habilidades para gerir um negócio com eficiência. Muitas perguntas e modelos de negócios possíveis foram apresentados. Por fim, verificamos alguns instrumentos para avaliação de oportunidade de negócios que ajudam o empreendedor na tomada de decisões e fazem com que as estratégias tornem a empresa mais eficiente, mais lucrativa e competitiva no mercado em que atua. EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante56 REFERÊNCIAS BESSANT, J.; TIDD, J. Inovação e Empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2009. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 7. ed. São Paulo: Empreende Editora, 2018. MAXIMIANO, A. C. A. Administração para empreendedores. 2. ed. São Paulo: Pearson, 2011. MIRSHAWKA, V. Gestão criativa: aprendendo com os mais bem-sucedidos empreendedores do mundo. São Paulo: DVS Editora, 2003. A Geração de Novos Modelos de Negócio Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Identificar novos modelos de negócios por meio do empreendedorismo. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Identificar e comparar as formas de atuação e expectativas dos diferentes grupos de empreendedores; • Caracterizar e identificar oportunidades de negócios em empreendedorismo social e no terceiro setor; • Caracterizar e identificar oportunidades de negócios voltadas ao empreendedorismo verde/ecoempreendedorismo; • Caracterizar e identificar oportunidades de negócios para diversos segmentos. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. Você sabe quais são as principais características dos empreendedores no Brasil? 2. Você sabe o que é empreendedorismo social? E ecoempreendedorismo? 3. Você conhece quais são os públicos emergentes que o empreendedor deve tem em mente para conquistar oportunidades de negócios? unidade 3 58 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 3.1 Atuação e Expectativas dos Diferentes Grupos de Empreendedores no Brasil Para começar essa Unidade, vamos verificar alguns dados sobre o perfil empreendedor no Brasil a partir dos dados do Monitoramento de Empreendedorismo Global (GEM, do inglês Global Entrepreneurship Monitor). Você lembra que já falamos sobre essa pesquisa na Unidade 1? Verificando os primeiros dados apontados pelo GEM (2017), que refletem o empreendedorismo no ano de 2016, podemos enxergar a Taxa Total de Empreendedores (TTE) em 36% no ano de 2016. Esse número é o total de pessoas que estão empreendendo no país, sendo inferior ao observado em 2015, quando 39,3% dos brasileiros estavam envolvidos em atividades empreendedoras. Já a Taxa de Empreendedorismo Inicial (TEA), composta por empreendedores que ainda estão começando seu negócio, alcançou o valor de 19,6%, também inferior a 2015, quando atingiu 21%. Curiosamente, se pensarmos apenas em novos empreendedores, a taxa se mantém igual a 2015: 14%. A respeito da Taxa de Empreendedorismo Estabelecido (TEE), que trata de proprietários que administram um negócio capaz de gerar lucro por mais de 42 meses, o valor apresentado foi de 16,9%. O resultado é inferior ao apontado em 2015, quando a taxa era de 18,9% (GEM, 2017, p. 22). Figura 3.1 – Taxas e estimativas de empreendedorismo segundo o estágio dos empreendedores em 2016. Fonte: GEM (2017, p. 23). Relembrando: O GEM é considerado o maior estudo unificador das atividades empreendedoras no mundo. A pesquisa reúne informações que permitem dinamizar e desenvolver serviços, atividades organizacionais e administrativas, o que garante a sua importância na elaboração de ideias de negócio e oportunidades econômicas em um âmbito global. DESTAQUE Estágio Taxas (%) Estimativas (Milhões de pessoas) Iniciais 19,6 26.191.876 Nascentes 6,2 8.350.471 Novos 14,0 18.793.132 Estabelecidos 16,9 22.674.916 Total de empreendedores 36,0 48.239.058 A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 59 3.1.1 Motivações Empreendedoras Vamos conhecer agora as motivações que levam o empreendedor brasileiro a abrir o seu próprio negócio. Segundo o GEM (2017), o Brasil vem sofrendo um período de retração da economia nacional desde 2012. Entretanto, o empreendedorismo continuou a crescer mesmo durante a crise. A curiosidade é que ele foi puxado por um componente menos habitual no ato empreendedor: a necessidade. Isto pode ser um indicativo de que o empreendedorismo no Brasil pode estar assumindo um comportamento mais independente do nível de atividade econômica, talvez sendo mais fortemente influenciado na última década por outros fatores estruturais que também estão em processo de mudança, tais como: o aumento do nível de escolaridade dos brasileiros e por negócios mais simples e de menor escala de faturamento, como a Lei responsável por criar o MEI; ou até mudanças na cultura brasileira (GEM, 2017, p. 29). Outro dado importante é de que a cada 100 empreendedores, 57 empreendem por oportunidade, seguido de 42 que buscam empreender por necessidade, como podemos ver a seguir. Figura 3.2 – Motivação dos empreendedores iniciais em 2016. Fonte: GEM (2017, p. 30). Os mesmos dados podem ser analisados no gráfico a seguir, com a perspectiva desse histórico desde 2002, em que se nota o início da inversão das taxas de oportunidade e necessidade a partir de 2015. Figura 3.3 – Taxas de empreendedorismo por oportunidade e por necessidade de 2002 a 2016. Fonte: GEM (2017, p. 30). Motivação Taxas (%) Percentual da TEA Número de Empreendedores Oportunidade 11,2 57,4 15.022.742 Necessidade 8,3 42,4 11.113.080 Razão Oportunidade/Necessidade 1,4 Oportunidade Necessidade 60 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 3.1.2 Empreendedorismo e Gênero O GEM (2017) também destaca a relação do empreendedorismo com o gênero. Pode-se perceber, segundo o levantamento de 2016, que a maior parte dos países apresenta uma supremacia masculina no desenvolvimento de novos empreendimentos. As exceções ficam a cargo do Brasil e do México, que apresentam as taxas mais balanceadas de empreendedores entre homens e mulheres responsáveis por novos negócios. No Brasil, a TEA é de 19,9% para mulheres e de 19,2% para homens, números que demonstram uma distribuição bastante equilibrada. Figura 3.4 – Taxas de empreendedorismo inicial (TEA) por gêneros em 2016. Fonte: GEM (2017, p. 35). Sobre a distribuição percentual dos empreendedores que estão iniciando seus empreendimentos, segundo o GEM (2017), a pesquisa apresenta uma série histórica com as distribuições percentuais dos empreendimentos iniciais no Brasil por gênero. Os percentuais de homens e mulheres entre os empreendedores iniciais têm se mantido semelhantes ao longo da década. Como é possível notar, os resultados de 2016 mostram uma leve supremacia feminina entre os empreendedores iniciais, com 51,5%, enquanto a participação masculina foi de 48,5%. Figura 3.5– Distribuição percentual dos empreendedores iniciais (TEA) por gênero entre 2007 e 2016. Fonte: GEM (2017, p. 45). Países Masculino (%) Feminino (%) TEA (%) Brasil 19,2 19,9 19,6 África do Sul 8,0 5,9 6,9 Alemanha 6,0 3,1 4,6 China 11,8 8,6 10,3 Estados Unidos 14,8 10,5 12,6 Índia 13,5 7,6 10,6 México 9,3 10,0 9,6 Rússia 6,9 5,7 6,3 Masculino Feminino A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 61 3.1.3 Escolaridade e Ação Empreendedora Sobre a escolaridade, podemos observar, na tabela a seguir, que, ao contrário do Brasil, indivíduos com “pós-secundário” (graduação) apresentam a maior TEA na África do Sul (11,9%), Alemanha (7,1%), Rússia (7,1%) e Índia (14,1%). Isso significa que, nesses países, os que possuem ensino superior completo (ou estão realizando algum tipo de pós-graduação) têm maior chance de estarem à frente de um empreendimento inicial do que em outras faixas de escolaridade. Em relação aos empreendedores estabelecidos no Brasil, indivíduos com “alguma educação” (ensino fundamental) apresentam a maior taxa específica (19,5%) de empreendedores entre os países pesquisados. Isso também reforça o “empreendedorismo por necessidade” que vimos anteriormente. Figura 3.6 – Taxas de empreendedorismo inicial (TEA) conforme nível de escolaridade em diversos países no ano de 2016. Fonte: GEM (2017, p. 39). Ainda sobre a escolaridade dos empreendedores, como podemos ver no gráfico a seguir, é possível compreender que a população com menor escolaridade (Educ0: sem educação formal ou com ensino fundamental incompleto) tem uma representação significativa de 29,2% entre os estabelecidos e 27,4% entre os que estão iniciando um negócio. Figura 3.7 – Distribuição percentual dos empreendedores iniciais (TEA) e estabelecidos (TEE) por escolaridade em 2016. Fonte: GEM (2017, p. 47). Países Alguma educação (%) Secundário completo (%) Pós secundário (%) TEA (%) Brasil 19,5 20,5 19,6 África do Sul 4,6 7,4 6,9 Alemanha 1,9 4,7 4,6 China 6,6 11,2 10,3 Estados Unidos 10,1 10,6 12,6 Índia 8,1 11,3 10,6 México 7,0 11,2 9,6 Rússia 6,4 2,8 14,4 11,9 7,1 12,1 13,1 14,1 14,9 7,1 Experiência pós-graduação (%) 22,9 18,5 14,0 6,1 17,1 6,3 Gráfico 3.5 - Distribuição percentual dos empreendedores iniciais (TEA) e estabelecidos (TEE) segundo nível de escolaride - Brasil - 20161 62 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Também podemos verificar que existe uma grande parcela da população de empreendedores na faixa de ensino fundamental completo e médio incompleto (Educ1), sendo aproximadamente um em cada quatro empreendedores estabelecidos (26,2%) e um em cada cinco (19,9%) empreendedores iniciais. O curioso é que apenas 6,4% dos empreendedores estabelecidos e 6,3% dos iniciais fazem parte do critério Educ3+, que reúne pessoas com ensino superior completo e/ou alguma especialização. Sobre escolaridade e possibilidades empreendedoras, o GEM (2017, p. 47) faz sua interpretação dos dados, conforme segue: Isto indica que a maior escolaridade abre mais possibilidades de inserção no mercado de trabalho, afetando negativamente a representatividade desta parcela da população no contexto empreendedor. Dada a possibilidade de que indivíduos com formação acadêmica mais robusta abram negócios intensivos em conhecimento, a ampliação da parcela da população com acesso a formação superior e pós-graduação deve afetar positivamente o cenário do empreendedorismo no país. 3.1.4 Faixas Etárias Empreendedoras Na análise da distribuição por idade, o GEM (2017) divide os empreendedores entre 18 a 64 anos em cinco faixas etárias, sendo elas: • de 18 a 24 anos; • de 25 a 34 anos; • de 35 a 44 anos; • de 45 a 54 anos; • de 55 a 64 anos. No gráfico a seguir, é possível identificar que a maioria dos empreendedores iniciais (TEA) no Brasil encontra-se na faixa dos 25 aos 34 anos (30,3%), seguida pela faixa de 35 a 44 anos (22,9%). A menor proporção desses empreendedores, 10,4%, tem idades entre 55 e 64 anos. Já nos empreendimentos estabelecidos (TEE), existe predominância de indivíduos com idades entre 35 e 44 anos (30,1%) e de 45 a 54 anos (26,5%). Em menor proporção, estão os indivíduos de 18 a 24 anos (6,2%), um número bem reduzido comparado aos empreendedores iniciais (19,7%). A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 63 Figura 3.8 – Distribuição percentual dos empreendedores iniciais (TEA) e estabelecidos (TEE) por faixa etária em 2016. Fonte: GEM (2017, p. 47). 3.1.5 O Apoio aos Empreendedores No Brasil, muitas instituições prestam serviços de apoio ao empreendedor. Esses órgãos têm como principal função auxiliá-las no desenvolvimento de novos negócios, oferecendo ajuda na análise de viabilidade de mercado, na elaboração do plano de negócios e no desenvolvimento de propostas para obtenção de recursos, entre outras atividades. Segundo a pesquisa do GEM (2017), apenas uma pequena parcela (13,4%) dos empreendedores brasileiros procura órgãos de apoio para gerenciar seus negócios. A baixa incidência na busca por órgãos de apoio em conjunto com a baixa escolaridade do empreendedor (cerca de metade deles não chegou a completar sequer o ensino médio) resulta em um quadro que requer mais atenção. Com base nessas informações, podemos pensar que empreendedores de baixa escolaridade e sem apoio de especialistas encontram maiores dificuldades em planejamento, gestão financeira e nas ações mercadológicas, entre outras tantas demandas relevantes que dariam maiores chances para o sucesso do negócio. Entre os que buscam ajuda, 68,1% procuram apoio no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), sendo esta a entidade mais reconhecida entre os empreendedores. O segundo lugar de buscas fica com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) (19,0%), seguido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) (14,9%), conforme aponta o GEM (2017). 64 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Figura 3.9 – Percentuais do total de empreendedores (TTE) que buscaram ajuda de órgãos de apoio em 2016. Fonte: GEM (2017, p. 51). 3.1.6 Os Empreendedores e suas Atividades Conforme aponta a pesquisa do GEM (2017) sobre empreendedores novos e estabelecidos, foi possível trazer em relevo três das atividades que mais se repetem em nosso país no ano de 2016. São elas: serviços especializados ligados à construção, cabeleireiros e serviços domésticos. Você pode conferir as principais atividades empreendedoras no Brasil na distribuição a seguir. Figura 3.10 – Distribuição percentual dos empreendedores por estágio segundo as atividades de seus empreendimentos em 2016. Fonte: GEM (2017, p. 60). Órgãos de apoio Procurou algum órgão de apoio 13,4 Principais órgãos de apoio procurados SEBRAE 68,1 SENAC 19,0 SENAI 14,9 Outros 12,3 % Atividades dos empreendedores Nascentes Novos Estabelecidos Atividades (CNAE) % Atividades (CNAE) % Atividades (CNAE) % Restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas 14,4 Serviços especializados para construção 9,6 Serviços especializados para construção 14,4 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 8,7 Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza 9,4 Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza 13,3 Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada 7,0 Serviços domésticos 9,4 Serviços domésticos 6,0 Manutenção e reparação de veículos automotores 6,8 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 8,1 Obras de acabamento 5,6 Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza 5,1 Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada 7,0 Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal 4,4 Serviços ambulantes de alimentação 4,8 Restaurantes e outros estabelecimentosde serviços de alimentação e bebidas 6,8 Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada 4,3 Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal 3,3 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 3,8 Outras Atividades 49,9 Outras Atividades 49,7 Outras Atividades 48,2 A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 65 3.2 Nichos Empreendedores A partir das percepções apresentadas pelo GEM (2017) em suas pesquisas sobre o perfil de empreendedores no Brasil em 2016, vamos, neste momento, falar sobre as mudanças na economia e nas relações de mercado. Para isso, vamos mostrar alguns nichos empreendedores que estão crescendo e demonstrando um imenso potencial de desenvolvimento. 3.2.1 Empreendedorismo Feminino Hoje, cada vez mais, pensa-se em uma economia mais sustentável e inclusiva (falaremos, ainda nessa unidade, sobre o ecoempreendedorismo). Além disso, as ações empreendedoras com relação aos gêneros emergem e estão cada vez mais populares. Para demonstrar essas mudanças, falaremos neste tópico sobre o empreendedorismo feminino. A mulher empreendedora vem ocupando o seu espaço no mercado de forma empoderada, criativa e ousada, participando ativamente tanto de ações de intraempreendedorismo quanto da gestão dos seus próprios negócios. Figura 3.11 – A mulher empreendedora e o empreendedorismo feminino. Fonte: Adaptado de Freepik (2019). Para obter informações atualizadas sobre o empreendedorismo no Brasil, e os relatórios completos do GEM, consulte o site do Sebrae: https://bit.ly/2VauTWa SAIBA MAIS 66 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Ao pesquisar sobre esse nicho, Aveni (2014) buscou entender como e onde estão as oportunidades tecnológicas e institucionais para o empreendedorismo feminino e que motivações empreendedoras surgem conforme o mercado onde elas estão inseridas. Partindo dessas inquietações, o autor buscou demonstrar, por meio de uma matriz SWOT e com base em pesquisas internacionais, como a educação e a cultura das mulheres são elementos de ação nos negócios empreendedores. A pesquisa de Aveni (2014) mostrou ainda que homens e mulheres têm motivações parecidas ao iniciar um negócio, porém são as mulheres que buscam mais capacitação e qualificação. Segundo o Sebrae (2019), as mulheres empreendedoras apresentam níveis de escolaridade 16% maiores que os homens. Já as diferenças entre as mulheres empreendedoras estão relativizadas à idade, à cultura, às motivações, ao tipo de empreendimento e à sua localização. Quadro 3.1 – Matriz SWOT sobre as mulheres empreendedoras. Fortes Fracos Melhor uso da educação e experiência passada; Redes de comunicação; Melhor acesso ao financiamento e capital social. Direito de propriedade e acesso à educação; Menor procura de riscos empresariais (menor capital e menor endividamento). Oportunidades Ameaças Crise do sistema econômico com base na produção fabril; Aumento do mercado dos serviços; Aumento do número de mulheres em posições de responsabilidade; Procura de inovação e novidades no mundo dos negócios e na sociedade; Empreendedorismo social. Redução de salários e de vagas de trabalho; Aumento de informalidade e desigualdade; Nichos restritos e dependentes dos lugares (deslocação e migrações); Globalização dos negócios de grandes empresas monopólios e controle de mercados. Fonte: Aveni (2014, p.134). A análise SWOT é junção das letras de termos da língua inglesa: Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças), consistindo em uma ferramenta de análise bastante popular no âmbito organizacional. A SWOT é utilizada em prol de um planejamento estratégico com o intuito de formar dados importantes que caracterizam o ambiente interno (as forças e fraquezas) e externo (as oportunidades e ameaças) da empresa. GLOSSÁRIO A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 67 S 3.2.2 O Empreendedorismo Social e o Terceiro Setor Todos nós sabemos que o empreendedorismo, como objetivo, visa ao lucro. Entretanto, uma categoria empreendedora, um pouco diferente das áreas tradicionais de atuação, cresce constantemente no mercado brasileiro: o empreendedor social. A competição empreendedora pelo lucro, seja por preço, funcionalidade do produto, personalização do serviço ou melhor tecnologia, é fator motivacional para o crescimento profissional de qualquer pessoa. Apesar disso, com o empreendedorismo social, a competitividade fica em segundo plano em relação às questões sociais. Segundo Aveni (2014), o empreendedor social ainda é pouco reconhecido no âmbito empresarial e seu valor econômico, infelizmente, é praticamente descartado, já que “o empreendedor social não desenvolve um efeito sobre o PIB visível” (2014, p. 91). O autor também aponta que o empreendedor social, ao contrário do empreendedor clássico, não busca a “destruição do mercado”, sempre agindo na busca do bem social, seja na produção de serviços públicos ou na melhoria da qualidade de vida da sociedade que o cerca. Em geral, o empreendedor social trabalha, ou é incluído, em ações estratégicas de uma organização que não irá gerar lucros no curto prazo, em ações sem fins lucrativos, ou ainda desempenhar suas habilidades em ONGs. O Sebrae também mantém pesquisas sobre empreender em nichos específicos. Para saber mais sobre o empreendedorismo feminino, acesse: http://gg.gg/i4ukg SAIBA MAIS 68 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Para quem deseja focar em estratégias desta natureza, o SEBRAE (2017) indica que as principais áreas de desenvolvimento do empreendedorismo social são vinculados à: educação, alfabetização e inclusão digital; moradia de baixo custo; reciclagem, indústrias limpas e energias alternativas; agricultura, floresta e uso de água; saúde e nutrição comunitárias; diversidade e multiculturalismo; oportunidades para deficientes; serviços em geral; apoio ao empreendedorismo e microcrédito. Figura 3.12 – Compreendendo o empreendedor social. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). ONG é uma sigla para definir uma organização não governamental. Toda ONG tem como característica ser sem fins lucrativos, ou seja, é criada e mantida por pessoas que, voluntariamente, trabalham em defesa de uma causa, que pode envolver, por exemplo: proteção ao meio ambiente, defesa aos direitos humanos, proteção a pessoas carentes em situação de vulnerabilidade, erradicação do trabalho escravo e/ou infantil, entre outras tantas. As ONGs também fazem parte do terceiro setor da sociedade e são mantidas financeiramente por pessoas físicas, empresas privadas e, em alguns casos, com a colaboração do próprio Estado. GLOSSÁRIO Econômico Social Ambiental A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 69 Finalizando a apresentação das características dos empreendedores sociais, Aveni (2014) aponta que atributos como iniciativa, originalidade, autoconfiança, inovação e capacidade de aceitar riscos moderados fazem parte do perfil de alguém que quer empreender nas áreas sociais. Segundo o autor, a principal diferença entre o empreendedor social e o empreendedor de negócios é a missão de gerar e agregar valor social, sendo que a riqueza buscada pelo empreendedor social é a felicidade das pessoas que terão suas vidas transformadas por conta de suas iniciativas. É bem verdade que os empreendedores sociais também têm características semelhantes aos empreendedores de negócios. Por exemplo, os empreendedores – seja qual for o ramo de atuação – são grandes trabalhadores e estão sempre motivados. O que muda, como vimos anteriormente, é o objetivo final, que, para o empreendedor social, é sempre o impacto na sociedade, e não a obtenção do lucro financeiro. Vale salientar que um dos mercados profissionais mais propícios para os empreendedoressociais é no terceiro setor, desempenhando estratégias sem fins lucrativos. Para entender melhor como funciona o terceiro setor, é fundamental conhecer a definição dos três setores da cadeia produtiva. No primeiro setor, encontra- se a área pública (organizada pelo Estado). No segundo setor, está a área privada (organizada pelo mercado). Já no terceiro setor, área de atuação do empreendedor social, estão as organizações sem fins lucrativos. Figura 3.13 – Os três setores e suas áreas de atuação. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). 1º Setor 2º Setor 3º Setor DESTAQUE 70 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante O terceiro setor, por definição, pode ser compreendido como um conjunto de entidades da sociedade civil e com fins públicos que não foquem em receitas financeiras, ou seja, que não busquem o lucro, como associações, institutos, fundações e cooperativas (SEBRAE, 2017). Quando falamos em terceiro setor, é importante também: [...] não confundir os setores da economia (que na verdade incluem também as famílias que fornecem trabalho e capitais) e os setores de análise do PIB, primário (agronegócio), secundário (indústria) e terciário (serviços). Também não se deve confundir com economia solidária, como definição do mercado brasileira derivada do movimento de origem social para defesa de pequenos artesãos e cadeias produtivas extremamente frágeis por serem geradas em situações de pobreza. A economia solidária visa mudar a economia capitalista por uma que possa sustentar empresas que geram renda para a população de baixa renda (AVENI, 2014, p. 99). Como podemos perceber, o autor fez questão de frisar que o terceiro setor e a economia solidária não devem ter o mesmo entendimento, já que a economia solidária tem um papel social de inserção de famílias carentes para que se tornem economicamente sustentáveis, mas pensando sempre na geração de lucro. Assim, o terceiro setor é um dos melhores caminhos para que o empreendedor social possa colocar seus projetos e sonhos na direção das realizações. 3.2.3 Empreendedorismo Verde (Ecoempreendedorismo) O conceito de desenvolvimento sustentável está diretamente ligado ao empreendedorismo verde ou ecoempreendedorismo, que é um mercado que cresce diariamente no Brasil. Para Aveni (2014), o desenvolvimento sustentável busca satisfazer as necessidades do mercado, ou seja, dos consumidores atuais, sem comprometer as necessidades dos consumidores do futuro. Dessa forma, Para entender mais sobre o empreendedorismo de impacto na base da pirâmide, assista ao vídeo “O que os negócios sociais têm a ensinar”, do canal “Endeavor Brasil”, no link: http://gg.gg/i4ul6 VÍDEO A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 71 o empreendedorismo verde trabalha para atender a demanda por produtos e serviços que preservem os recursos naturais, protegendo as espécies (animais), os habitats (florestas e rios) e tudo que envolve a natureza e o bem-estar de todos os seres vivos do planeta. Figura 3.14 – O ecoempreendedorismo é um mercado próspero no Brasil do século XXI. Fonte: Freepik (2019). O ecoempreendedor, visando à sustentabilidade, deve desempenhar suas funções opondo-se à economia predatória sobre os recursos naturais e posicionando-se contrariamente aos recursos prejudiciais às gerações futuras que são utilizados atualmente pelo mercado produtivo. Conforme explica Borges (2014, p. 184), para o empreendedor sustentável: é necessário compreender o desenvolvimento de capacidades de descobrir, criar e explorar oportunidades vislumbrando as conse- quências econômicas, sociais e ambientais. É importante aprender como estabelecer o equilíbrio entre essas três dimensões do em- preendimento, sabendo estimar o impacto para os envolvidos (ne- gócio, ambiente e sociedade). Não esqueça: o foco do empreendedorismo verde/ecoempreendedorismo é desenvolver novos produtos ou serviços reduzindo ao máximo os impactos ambientais. DESTAQUE 72 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 3.3 Oportunidades Empreendedoras em Outros Segmentos (Classe Média, Solteiros e Terceira Idade) Estamos finalizando a leitura e os aprendizados que compõem a terceira Unidade da disciplina de Experiência Empreendedora. Porém, antes disso, vamos “plantar uma sementinha” para que você possa estar atento aos mercados que merecem uma atenção especial e podem gerar oportunidades incríveis nas ações empreendedoras. Assim, separamos alguns públicos e consumidores potenciais que podem trazer ótimos resultados e potencialidades em um futuro negócio: • Classe média: consumidores de classe média são os novos “queridinhos” das grandes empresas. A facilidade de acesso ao crédito/crediário e as parcelas infinitas, dependendo do valor do bem, faz com que esses consumidores tenham acesso a produtos que, há alguns anos, não eram acessíveis. Porém, cabe destacar que algumas marcas, principalmente as mais luxuosas, não costumam querer esse perfil de consumidor usando e estimando os seus produtos por puro preconceito de classe. Para quem se interessar em buscar mais conhecimento sobre o empreendedorismo verde/ecoempreendedorismo, nossa dica de leitura é a obra do autor Gustav Berle, intitulada de “O Empreendedor do Verde: oportunidade de negócios em que você pode ajudar a salvar a Terra e ainda ganhar dinheiro”. Outra dica para saber mais sobre empreendedorismo sustentável e consultar um amplo acervo sobre pesquisas e vídeos relativos ao tema, acesse a página do Sebrae sobre sustentabilidade: http://gg.gg/i4um1 SAIBA MAIS A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 73 • Solteiros: uma parcela do mercado que cada vez mais vem despertando interesse por meio das empresas são os solteiros. Alguns produtos (embalagem e proporção) já estão disponíveis para esses públicos, principalmente quando o foco é oferecer produtos perecíveis em menores quantidades. Outro exemplo são os alimentos pré-prontos, vendidos na medida certa para os solteiros, por conta de sua comodidade e praticidade. • Terceira idade: é sabidamente divulgado que a população brasileira está envelhecendo. Esse público merece atenção e vem ganhando cada vez mais empresas dispostas a conquistar e fidelizar o público idoso. Alguns exemplos são as empresas de viagens, que oferecem vários pacotes promocionais para os aposentados. Por estarem, em sua maioria, fora do mercado de trabalho, os integrantes da terceira idade têm maior disponibilidade para viajar e curtir essa fase da vida, gastando mais e não se preocupando com os preços. Figura 3.15 – A terceira idade é um público atrativo para ações empreendedoras. Fonte: Freepik (2019). Para entender melhor os padrões de consumo da terceira idade, leia a matéria “Poder de consumo da terceira idade deve surpreender nos próximos anos”, da Revista Exame: http://gg.gg/cy51p. SAIBA MAIS 74 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante SÍNTESE DA UNIDADE Chegamos neste momento ao final de mais uma Unidade. Pudemos compreender um pouco mais sobre o perfil dos empreendedores, principalmente em nível nacional, pelo relatório da GEM em 2017. Em seguida, vimos um pouco sobre a mulher empreendedora e o chamado empreendedorismo feminino. Também aprendemos sobre o empreendedorismo verde/ecoempreendedorismo, que pode, efetivamente, transformar o mundo em que vivemos com ações positivas e saudáveis. Além disso, vimos o empreendedorismo social, voltado para as atividades do terceiro setor como ONGs, com o objetivo de transformar a realidade social das pessoas ao redor. Por fim, verificamos alguns públicos (perfis de consumo) que podem ser excelentes oportunidades de novos negócios ou de crescimento de receita financeira para empresas já estabelecidas. A Geração de Novos Modelos de Negócio | UNIDADE 3 75 REFERÊNCIASAVENI, A. Empreendedorismo contemporâneo: teorias e tipologias. São Paulo: Atlas, 2014. BORGES, C. Empreendedorismo Sustentável. 1.ed. São Paulo: Saraiva, 2014. GEM. Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil – 2016. Relatório Nacional: Curitiba, IBQP, 2017. Disponível em: http://gg.gg/cy527. Acesso em: 06 abr. 2020. SEBRAE. Tudo sobre Organizações Não Governamentais (ONGs). Brasília (DF): SEBRAE Nacional, 2017. Disponível em: http://gg.gg/ueuzh. Acesso em: 07 jun. 2020. SEBRAE. Relatório Especial - Empreendedorismo Feminino no Brasil. Brasília (DF): SEBRAE Nacional, 2019. Disponível em: http://gg.gg/i4uo6. Acesso em: 06 abr. 2020. SEBRAE. Empreendedorismo social: propósitos em equilíbrio com os negócios. Florianópolis: SEBRAE Santa Catarina, 2020. Disponível em: http://gg.gg/ueuzt. Acesso em: 07 jun. 2020. 76 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante ANOTAÇÕES O Desenvolvimento do Plano de Negócios Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Caracterizar as etapas para a elaboração de um plano de negócios. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Caracterizar a importância do plano de negócios como instrumento para tomada de decisão do empreendedor e dos investidores; • Analisar as principais etapas de um plano de negócios; • Verificar os desdobramentos do plano de negócios e a viabilidade dos projetos. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. Você sabe o que é um plano de negócios? 2. Sabe para que serve um plano de negócios? 3. Já ouviu falar que um plano de negócios pode fazer você ganhar dinheiro, ou até mesmo determinar os riscos de um empreendimento inviável? unidade 4 78 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 4.1 Plano de Negócios: a Tomada de Decisão do Empreendedor e dos Investidores Para iniciar essa Unidade, responda a essa pergunta: você sabe o que é um plano de negócios? Se sua resposta for não, saiba que você não é o único. Muitos empreendedores ainda não utilizam essa ferramenta, que poderá auxiliar na definição dos objetivos da empresa. O plano de negócios, segundo Dornelas (2016), é um documento utilizado para planejar um empreendimento ou uma unidade de negócios. Ele pode ser elaborado no estágio inicial da empresa ou no momento em que surgir a necessidade de ter uma visão estratégica a longo ou a curto prazo. Figura 4.1 – O plano de negócios auxilia o empreendedor a planejar suas estratégias e ações. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). O plano de negócio ajudará a empresa a dar direcionamento às suas estratégias e, com os dados obtidos ao longo da escrita e de seu desenvolvimento, é possível estimar se a empresa dará lucro ou prejuízo. DESTAQUE Muitos especialistas e entidades, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), alertam que um bom planejamento e conhecimento do negócio ajudará o empreendedor a manter a empresa no mercado. Infelizmente, no Brasil, temos uma alta taxa de mortalidade de empresas em seus primeiros anos de existência. Para ajudar você com informações estatísticas, confira um estudo realizado pelo Sebrae intitulado “Sobrevivência das empresas no Brasil”. Para ler, acesse: http://gg.gg/cy549. SAIBA MAIS O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 79 Assim, podemos dizer que o seu propósito é de definir e delinear a estratégia de atuação para o futuro de uma empresa independente do seu ramo de atuação. O Sebrae (2018) nos auxilia a entender melhor para que serve um plano de negócios: • Organizar e planejar as ideias para iniciar um novo negócio/empresa; • Orientar e dar direção para expansão de uma empresa já no mercado; • Apoiar a gestão estratégica do negócio (financeiro, marketing, produção, pesssoas); • Facilitar a comunicação entre sócios, empregados, clientes, investidores, fornecedores e parceiros; • Captar recursos, sejam financeiros, humanos ou parcerias de investimentos. Ainda segundo o Sebrae (2018), o plano de negócios pode ser utilizado: Como instrumento de planejamento: avaliar um novo modelo de negócio/empresa pelo olhar mercadológico, técnico, financeiro, jurídico e organizacional. Assim, é possível ter uma noção prévia de todo funcionamento que a empresa tem ou terá. Como instrumento de diagnóstico: avaliar o desenvolvimento da empresa para uma das etapas do plano. Dessa maneira, é possível efetuar um acompanhamento comparativo entre o previsto e o que vem sendo realizado, tomando medidas para corrigir desvios/erros. Como ferramenta de financiamento: facilitar a obtenção de capital de terceiros (sócios ou agentes financeiros) quando o capital próprio não é suficiente para cobrir os investimentos. A busca de investimento com terceiros é bem recorrente nas empresas que não têm dinheiro para investir em seu negócio. Logo, um plano de negócios bem escrito, e com bom retorno de investimento comprovado neste documento, serve como um cartão de visita para garantir investimentos ou, até mesmo, financiamentos em órgãos públicos ou privados. Fonte: http://gg.gg/cy54j. DESTAQUE 80 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 4.2 O Processo Empreendedor ao Iniciar um Plano de Negócios Segundo afirma Dornelas (2016), o desenvolvimento do plano de negócios fica mais claro quando se analisa o processo do empreendedor na elaboração desta excelente ferramenta de gestão. Como se fosse um passo a passo, esse roteiro pretende ajudar o profissional a se organizar desde o nascimento da ideia até a implementação do negócio. Para isso, esse processo está dividido em cinco etapas. Vamos ver quais são? Figura 4.2 – As cinco etapas do processo empreendedor. Fonte: Adaptado de Dornelas (2016, p. 14). Para que você já possa se ambientar com o plano de negócios, o Sebrae disponibiliza um modelo que pode ser baixado gratuitamente. O link está aqui: http://gg.gg/cy54q. SAIBA MAIS 1. Ideia 2. Oportunidade 3. Plano de negócios 4. Quantificação e obtenção de recursos 5. Gerenciamento do negócio O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 81 Analisando a figura anterior, vamos à definição de Dornelas (2016, p. 15-25) de cada uma das cinco etapas do processo empreendedor a fim de elaborar um bom plano de negócios. 4.2.1 Ideia O processo criativo é contínuo. Muitas ideias vêm e vão, mas apenas as sólidas e concretas se mantém. É fundamental que o empreendedor pense nos prós e contras de cada ideia para selecionar as melhores soluções para o seu negócio. Após a análise da oportunidade, pode-se rever o conceito ou a ideia inicial. 4.2.2 Oportunidade Após selecionar uma oportunidade, o empreendedor inicia o desenvolvimento do plano de negócios, ou seja, esse é o momento que a “ideia sairá do papel”. 4.2.3 Plano de Negócios Durante o desenvolvimento do plano de negócios, o empreendedor pode sentir a necessidade de rever o conceito, a ideia ou a oportunidade que motivou a criação do negócio. Esse é o momento para pensar em todas as possibilidades e riscos. 4.2.4 Quantificação e Obtenção de Recursos Com o plano de negócios concluído, o empreendedor saberá, com clareza, quais os recursos (funcionários, dinheiro, infraestrutura) necessários para implementar o negócio e onde poderá obtê-los. Com os recursos financeiros em mãos, parte-se para a gestão da empresa. 4.2.5 Gerenciamento do Negócio Depois que o negócio entrar em operação, o empreendedor provavelmente terá novas ideias e novas oportunidades. Dessa forma, precisará desenvolver e atualizar o plano de negóciospara capitalizar sobre essas novas diretrizes. 82 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 4.3 O Planejamento e a Utilização do Plano de Negócios Para Dornelas (2016), é preciso que o empreendedor tenha uma regra bem estabelecida em sua cabeça: só há razão de planejar algo se o empreendedor souber aonde quer chegar, ou seja, se ele souber qual é o seu objetivo. Ao se estabelecer um objetivo de crescimento para um negócio, seja em relação à receita, ao lucro, ao número de clientes ou à participação de mercado, ficará mais evidente a necessidade de se planejar cada passo que será dado para que o objetivo seja atingido com maiores chances de sucesso. Quando o plano de negócios estiver concluído, o empreendedor poderá identificar a quantidade necessária de recursos e as fontes existentes para viabilizar o empreendimento. No entanto, conforme aponta Dornelas (2016), o plano de negócios pode – e deve – ser utilizado após a constituição do negócio, sendo atualizado, ou como uma fonte de informações e alinhamento de visão para o futuro. O plano de negócios, conforme define Dornelas (2016), pode ser utilizado para atender aos seguintes objetivos de uma empresa: • Testar a viabilidade de um conceito de negócio: com o plano de negócios concluído, o empreendedor obterá uma análise de viabilidade econômica do negócio ou unidade empresarial. Chegar a uma conclusão negativa quanto à viabilidade do negócio não é necessariamente ruim. Nesse caso, o empreendedor evitará perder mais tempo e recursos financeiros em um projeto que, já na fase inicial de planejamento, mostrou-se inviável. • Orientar o desenvolvimento da estratégia e operações: o conteúdo do plano de negócios servirá de base para o desenvolvimento da estratégia da empresa. • Atrair recursos financeiros: para buscar recursos financeiros com banco ou fundos de investimento, o plano de negócios será crucial, pois essas instituições solicitam o plano de ação, antes de mais nada, para averiguar a empresa antes de decidir por análises mais detalhadas. • Transmitir credibilidade: no mundo dos negócios, infelizmente, não há espaço para o erro. Aqueles que tomam decisões apenas com base no feeling e com excesso de subjetividade são preteridos e podem sucumbir rapidamente. • Desenvolver a equipe de gestão: o plano de negócios bem estruturado pode servir para o empreendedor negociar com talentos em potencial e, eventualmente, atraí-los para o negócio propondo, inclusive, participação nos resultados ou uma sociedade na empresa. O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 83 Conforme já vimos no início desta Unidade, Dornelas (2016) também demonstra que um plano de negócio pode ser desenvolvido tanto na fase inicial de uma empresa como em qualquer outro estágio do seu desenvolvimento. Porém, os negócios em fases iniciais são os que mais demandam um plano de negócio, para que o seu início seja estruturado de maneira organizada e planejada. Dornelas (2016) explica ainda que o empreendedor deve estar ciente de que existem algumas peculiaridades que podem ser exigidas em um plano de negócio, dependendo do público que se quer atingir. As informações mais importantes (ou que precisam ser ressaltadas) para um público não são necessariamente as mesmas para outro. Isso demonstra que é sábia a decisão de se desenvolver várias versões de um mesmo plano de negócios para atender aos objetivos de interlocutores diferentes, como, por exemplo: • Parceiros: para estabelecimento de estratégias conjuntas (incentivar a entrada de futuros sócios); • Incubadoras de empresas: para analisar os candidatos que pleiteiam vagas na incubadora; • Bancos comerciais: para decidir sobre a concessão de financiamentos; • Investidores e bancos de investimentos: empresas de capital de risco, pessoas jurídicas, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), agências do governo, investidores pessoa física (anjos), startups e outros interessados. • Fornecedores: para outorgar crédito para compra de mercadorias e matéria-prima; • A própria empresa: para comunicação interna dos gestores com o Conselho de Administração e com os empregados, ou seja, para dar diretrizes, traçar objetivos e saber se está indo no rumo certo. • Os clientes potenciais: para vender a ideia e o produto/serviço. Vale lembrar que é importante adaptar o plano de negócios conforme o perfil de cada um desses interlocutores. Dornelas (2016) aponta alguns exemplos: investidores querem ver números sobre o mercado e as finanças; parceiros querem ver contrapartidas; incubadoras querem ver sua proposta de valor, inovação e visão de crescimento; bancos querem ver como você pagará o empréstimo. 84 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 4.5 Estrutura do Plano de Negócios A estrutura do plano de negócios é fundamental para direcionar o empreendedor na apresentação da ideia do seu produto ou serviço. Além da estrutura do Sebrae, no link que vimos no início desta Unidade, vamos conferir a proposta de estrutura do plano de negócios proposta por José Dornelas em seu site (2020). 1. Sumário Executivo • O conceito do negócio e a oportunidade. • Mercado e competidores. • Equipe de gestão. • Produtos/serviços e vantagens competitivas. • Estruturas e operações. • Marketing e projeções financeiras. 2. Conceito de Negócio • Apresentação (histórico, caso a empresa já exista). • Visão e missão (valores e diferenciais do negócio). • Oportunidade. • Produtos e serviços (resumo conceitual). • Aspectos legais e composição societária. • Certificações, licenças, regulamentações. • Localização e abrangência. • Terceiros e parcerias. 3. Mercado e Competidores • Análise setorial (análise macro). • Mercado-alvo (nicho de mercado). • Necessidades do cliente (onde está a oportunidade). • Análise dos competidores. • Vantagens competitivas. 4. Equipe de Gestão • Descrição dos principais executivos (pontos fortes, experiência, adequação ao negócio). 4.4 Principais Etapas de um Plano de Negócio Segundo Dornelas (2016), há vários tipos e formatos de planos de negócios. Há alguns anos, definiram-se os planos de negócios em completo (em torno de 20 a 40 páginas), resumido (em torno de 10 a 15 páginas) e operacional (sem limites de páginas). Atualmente, para uma comunicação mais direta e objetiva, os planos de negócios têm sido adaptados para atender a esse contexto, tornando- se cada vez mais objetivos e com menos páginas. Dornelas (2016) nos mostra que outra opção é a estrutura do plano de negócios apenas em slides ou lâminas de apresentação. Isso facilita o trabalho do empreendedor, que poderá criar uma apresentação com várias lâminas e escolher quais fazem parte do plano completo e quais fazem parte do plano resumido, por exemplo. Esse recurso é muito utilizado por empresas de consultoria. O plano de negócios completo, contendo todas as seções que explicam o modelo de negócio e a estratégia de negócios da empresa, pode ser construído desta forma, segundo Dornelas (2016): • Um sumário executivo, ou a síntese do plano de negócios, em poucas palavras ou slides/lâminas; • Um sumário executivo estendido, contendo ainda algumas tabelas com informações financeiras, mas de forma objetiva; • Uma planilha eletrônica, contendo todas as equações e análises que geraram as projeções financeiras e de receita da empresa; • Uma apresentação de slides, que servirá de base para a “venda” da ideia aos seus interlocutores. Os empreendedores com mais experiência sabem que o que fará muita diferença no plano de negócios é a sua primeira impressão. Ou seja, ele deve ser escrito de forma objetiva, coerente e criativa. Se o investidor ficar interessado logo no início do plano, com certeza ele irá olhar o documento na íntegra, garantindo mais chances de sucesso ao seu projeto. Não esqueça: o empreendedor aprenderá na práticaa escrever atraentes planos de negócios ao longo de sua trajetória profissional. DESTAQUE O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 85 4.5 Estrutura do Plano de Negócios A estrutura do plano de negócios é fundamental para direcionar o empreendedor na apresentação da ideia do seu produto ou serviço. Além da estrutura do Sebrae, no link que vimos no início desta Unidade, vamos conferir a proposta de estrutura do plano de negócios proposta por José Dornelas em seu site (2020). 1. Sumário Executivo • O conceito do negócio e a oportunidade. • Mercado e competidores. • Equipe de gestão. • Produtos/serviços e vantagens competitivas. • Estruturas e operações. • Marketing e projeções financeiras. 2. Conceito de Negócio • Apresentação (histórico, caso a empresa já exista). • Visão e missão (valores e diferenciais do negócio). • Oportunidade. • Produtos e serviços (resumo conceitual). • Aspectos legais e composição societária. • Certificações, licenças, regulamentações. • Localização e abrangência. • Terceiros e parcerias. 3. Mercado e Competidores • Análise setorial (análise macro). • Mercado-alvo (nicho de mercado). • Necessidades do cliente (onde está a oportunidade). • Análise dos competidores. • Vantagens competitivas. 4. Equipe de Gestão • Descrição dos principais executivos (pontos fortes, experiência, adequação ao negócio). 86 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 5. Produtos e Serviços • Descrição dos produtos e serviços. • Benefícios e diferenciais. • Utilidade e apelo. • Tecnologia, P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), patentes (propriedade intelectual). • Ciclo de vida 6. Estrutura e Operações. • Organograma funcional. • Máquinas e equipamentos necessários. • Processos de negócios. • Processo de produção e manufatura (caso se aplique). • Política de Recursos Humanos. • Fornecedores de serviços e matéria-prima. • Infraestrutura e planta (layout). • Infraestrutura tecnológica. 7. Marketing e Vendas • Posicionamento do produto/serviço. • Praça/canais de distribuição. • Promoção/comunicação. • Preço. • Projeção de vendas e market share. • Parcerias. 8. Estratégia de Crescimento • Análise estratégica (plano de desenvolvimento). • SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças). • Objetivos e metas. • Cronograma. O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 87 • Riscos críticos do negócio (e mitigação dos riscos/plano de contingência). 9. Finanças • Investimentos (usos e fontes). • Composição de custos e despesas. • Principais premissas (base para as projeções financeiras). • Evolução dos resultados financeiros e econômicos (projeção para cinco anos, mensal no primeiro ano e semestral/trimestral nos demais). • Demonstrativo de resultados. • Fluxo de caixa. • Balanço. • Indicadores financeiros. • Taxa interna de retorno. • Valor presente líquido. • Breakeven e payback (Ponto de equilíbrio - Quanto preciso vender para pagar as minhas despesas fixas). • Necessidade de aporte e contrapartida. • Cenários alternativos. • Plano prevendo possibilidades de expansão. 10. Anexos • Currículo da equipe de gestão/sócios. • Dados complementares sobre o mercado. • Detalhamento das pesquisas de mercado (primárias) e testemunhos. • Detalhamento das projeções financeiras. Ficou na dúvida sobre alguns dos tópicos apresentados acima? Caso sim, você pode acessar diversos planos de negócios no site do prof. José Dornelas, uma das referências quando o assunto é empreendedorismo e a principal fonte deste livro. O link está aqui: http://gg.gg/i4vlq. SAIBA MAIS 88 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 4.7 Passo a Passo para Desenvolver o seu Plano de Negócios Uma possível sequência para o desenvolvimento de um plano de negócios é iniciada pela análise da oportunidade (seguindo o processo empreendedor) e, em seguida, passa-se para uma rigorosa análise do mercado, do público-alvo e dos concorrentes. Segundo Dornelas (2016), a partir disso, o empreendedor poderá se dedicar a: a. Definir o seu modelo de negócio (o que vender, o que é o negócio, como vender, para quem, a que preço, o plano de marketing) e projetar a receita inicial; b. Estabelecer os investimentos iniciais necessários; c. Verificar a necessidade de recursos humanos; d. Projetar custos, despesas e receitas ao longo do tempo; e. Fechar o modelo de negócio cruzando necessidade de recursos com resultados; f. Criar os demonstrativos financeiros; g. Fazer análise de viabilidade através de índice de retorno sobre investimento, rentabilidade etc.; h. Revisão completa de todos os passos; i. Concluir a redação do plano e o fechamento do modelo. Leia a matéria “Etapas para um plano de negócios eficaz”, do site RehAgro, e confira algumas dicas para se dar bem na elaboração do seu plano de negócios. Você pode acessar o conteúdo neste link: http://gg.gg/cy59z. SAIBA MAIS Softwares para elaboração de planos de negócios: Sebrae: http://gg.gg/i5awu Make Money: http://gg.gg/i5axp Smart Business Plan: http://gg.gg/i5axv Luz: http://gg.gg/i5ay0 SAIBA MAIS 4.6 Aspectos-chave do Plano de Negócios Para um bom entendimento do plano de negócios, é preciso estar atento para mais alguns aspectos importantes, conforme Dornelas (2016) classifica: • Oportunidade, mercado e clientes: todo plano de negócios deve mostrar qual a oportunidade identificada e o mercado-alvo que o negócio foca/vai focar, bem como os clientes em potencial; • Capacidade gerencial de implementação: mesmo que você não tenha toda a equipe de gestão alocada no negócio, o seu plano de negócios deve mostrar quem já está fazendo parte do negócio e o perfil necessário e desejado para os novos profissionais que integrarão a equipe assim que o plano sair do papel; • Recursos mínimos requeridos (pessoas e infraestrutura): quais os recursos tangíveis e intangíveis (marca, imagem etc.) que serão necessários para o negócio acontecer; • Estratégia de entrada e visão de crescimento: mostrar como será o desenvolvimento inicial da empresa/unidade de negócio e a sua visão de crescimento, além de delimitar objetivos e metas com seus respectivos prazos; • Recursos financeiros requeridos, fluxo de caixa e acordo: apresentação da necessidade de investimento de recursos financeiros, como ficará a projeção do caixa da empresa e como será o acordo com potenciais investidores; • Análise de riscos e premissas: quais os principais riscos inerentes ao negócio e como eles serão mitigados; quais as premissas que deram base às projeções apresentadas; • Projeção de resultados: quais os resultados financeiros projetados para a empresa ao longo dos próximos anos: receita, lucro e margem; • Opções de “colheita”: se você estiver buscando recursos de investidores, poderá mostrar em que momento o investidor sairá do negócio e de que forma (por meio da venda da participação do investidor inicial para um novo investidor; por meio da recompra da participação do investidor inicial pelo empreendedor; por meio da venda da empresa; via abertura do capital da empresa na bolsa de valores etc). Observação: isso não precisa estar explícito no plano de negócios, mas pode ser apresentado durante uma negociação ou na reunião inicial com os investidores; • Cronograma: mostra os principais marcos a serem atingidos e as atividades que precisam ser desenvolvidas pela empresa para que isso ocorra. Lembre-se: o cronograma não é obrigatório. O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 89 4.7 Passo a Passo para Desenvolver o seu Plano de Negócios Uma possível sequência para o desenvolvimento de um plano de negócios é iniciada pela análise da oportunidade (seguindo o processo empreendedor) e, em seguida, passa-se para uma rigorosa análise do mercado, do público-alvo e dos concorrentes. Segundo Dornelas (2016), a partir disso, o empreendedor poderá se dedicara: a. Definir o seu modelo de negócio (o que vender, o que é o negócio, como vender, para quem, a que preço, o plano de marketing) e projetar a receita inicial; b. Estabelecer os investimentos iniciais necessários; c. Verificar a necessidade de recursos humanos; d. Projetar custos, despesas e receitas ao longo do tempo; e. Fechar o modelo de negócio cruzando necessidade de recursos com resultados; f. Criar os demonstrativos financeiros; g. Fazer análise de viabilidade através de índice de retorno sobre investimento, rentabilidade etc.; h. Revisão completa de todos os passos; i. Concluir a redação do plano e o fechamento do modelo. Leia a matéria “Etapas para um plano de negócios eficaz”, do site RehAgro, e confira algumas dicas para se dar bem na elaboração do seu plano de negócios. Você pode acessar o conteúdo neste link: http://gg.gg/cy59z. SAIBA MAIS Softwares para elaboração de planos de negócios: Sebrae: http://gg.gg/i5awu Make Money: http://gg.gg/i5axp Smart Business Plan: http://gg.gg/i5axv Luz: http://gg.gg/i5ay0 SAIBA MAIS 90 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 4.9 Fontes de Investimentos Para que você possa compreender as melhores formas de captação financeira e estrutural para o seu negócio, vamos conferir as principais fontes e tipos de investimentos, segundo a Valore Brasil (2017), que podem ajudar os empreendedores que querem se aventurar em novos mercados. 4.9.1 Angel Money (Investidor-Anjo) O angel money, ou investidor-anjo, é uma fonte de financiamento que está regulamentada na Lei Complementar nº 155/2016. Os investidores costumam aportar dinheiro em empresas que estão começando ou que tenham alto potencial competitivo. Os investidores-anjos costumam investir entre R$ 50 a R$ 500 mil em startups ou pequenas empresas, tentando, com o futuro sucesso do projeto, vender sua parte no negócio para um investidor maior. Figura 4.4 – Angel Money (Investidor-Anjo). Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). 4.9.2 Seed Capital (Capital Semente) O nome, em inglês, significa “capital semente” e é considerada a segunda camada de investimento para empreendedores. Normalmente, utiliza-se num estágio seguinte ao investidor-anjo por envolver altos valores e aumentar o risco para os investidores. É realizado, majoritariamente, por investidores com alto poder financeiro, que costumam aportar algo entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. 4.8 A Viabilidade do Projeto no Plano de Negócios Quando um empreendedor chega ao final da escrita do seu plano de negócio, um ponto importante da estratégia terá que ser definida: de onde virão os recursos financeiros para começar o novo negócio? Nesse momento, o empreendedor terá em mãos, por meio do plano de negócios, qual o valor será necessário para fazer com que a sua ideia “saia do papel” e se materialize. Isso pode ocorrer por meio de um financiamento ou a partir de recursos próprios. Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2009), um dos problemas mais difíceis no processo de criação de um novo empreendimento é obter financiamento. É fundamental que o empreendedor decida qual o melhor caminho de investimento: Dívida x Capital próprio Recursos internos x Recursos externos Para os autores, existem dois tipos de financiamento que devem ser considerados, sendo eles: • Financiamento por endividamento: é um método de financiamento que envolverá juros, cujo pagamento estará ligado diretamente às vendas e aos lucros do empreendimento. Tradicionalmente, para se conseguir esses recursos, a empresa precisará dispor de algum ativo (bem), como, por exemplo: automóvel, casa ou terreno, que será usado como garantia ao financiador. • Financiamento por capital próprio: é um método de obtenção de recursos para a empresa em troca de participação acionista. Por ser por meio da entrada de um ou mais sócios, ou até mesmo por investidores externos. Figura 4.3 – Na hora de fazer um financiamento, é preciso fazer as contas. Fonte: Freepik (2020). O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 91 4.9 Fontes de Investimentos Para que você possa compreender as melhores formas de captação financeira e estrutural para o seu negócio, vamos conferir as principais fontes e tipos de investimentos, segundo a Valore Brasil (2017), que podem ajudar os empreendedores que querem se aventurar em novos mercados. 4.9.1 Angel Money (Investidor-Anjo) O angel money, ou investidor-anjo, é uma fonte de financiamento que está regulamentada na Lei Complementar nº 155/2016. Os investidores costumam aportar dinheiro em empresas que estão começando ou que tenham alto potencial competitivo. Os investidores-anjos costumam investir entre R$ 50 a R$ 500 mil em startups ou pequenas empresas, tentando, com o futuro sucesso do projeto, vender sua parte no negócio para um investidor maior. Figura 4.4 – Angel Money (Investidor-Anjo). Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). 4.9.2 Seed Capital (Capital Semente) O nome, em inglês, significa “capital semente” e é considerada a segunda camada de investimento para empreendedores. Normalmente, utiliza-se num estágio seguinte ao investidor-anjo por envolver altos valores e aumentar o risco para os investidores. É realizado, majoritariamente, por investidores com alto poder financeiro, que costumam aportar algo entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. 92 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Figura 4.5 – Seed capital (Capital Semente). Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). 4.9.3 Crowdfunding Equity (Financiamento Coletivo) O crowdfunding equity é outra forma de investimento, mais conhecida como financiamento coletivo, pois a captação é feita por meio de micro investidores (normalmente via internet), recebendo participação na sociedade. As plataformas dessa modalidade de investimento, normalmente, apenas irão liberar o recurso para a empresa ou para o empreendedor após atingir um valor predefinido no momento da inclusão dos dados na plataforma. Assim, o risco do microinvestidor é reduzido, já que o projeto só andará quando atingir o valor estipulado no começo do projeto. Figura 4.6 – Crowdfunding Equity (Financiamento Coletivo). Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 93 4.9.4 Venture Capital (Capital de Risco) O venture capital é uma modalidade de fonte de capital de risco que os investidores oferecem às empresas iniciantes e às pequenas empresas com potencial de crescimento a médio e longo prazo. O capital de risco, nesse caso, vem normalmente de instituições financeiras e bancos de investimento. O valor aportado pode chegar a R$ 10 milhões, sendo que o objetivo é realizar uma grande operação de venda ou fusão conforme a empresa for se expandindo. Figura 4.7 – Venture Capital (Capital de Risco). Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). 4.9.5 Private Equity (Patrimônio Privado) O private equity é uma fonte de capital de investimento de pessoas e instituições de um alto patrimônio líquido que tem como objetivo adquirir participações em empresas de grande porte. Gestores de private equity coletam fundos (que costumam chegar na casa dos milhões) e gerenciam este capital para produzir retornos favoráveis para seus acionistas, geralmente com um horizonte de investimento entre quatro e sete anos. Os principais focos de investimentos são em empresas de capital aberto – ou que estão abrindo seu capital. 94 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Figura 4.8 – Private Equity. Fonte: Freepik (2019). Figura 4.9 – Relação entre o seed capital, venture capital e private equity. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). Aportam recursos em empresas já bem desenvolvidas, em processo de consolidação de mercado, para ajudá-las a se preparar para abrir capital, fundir-se ou serem adquiridasVamos analisar as principais etapas que compõem esse importante documento, que serve como instrumento de decisão tanto de um empreendedor quanto de possíveis investidores. Vamos começar nossos estudos? Sumário UNIDADE 1 Sociedade em Transformação .............................................................................................................. 9 Objetivo Geral ...................................................................................................................................... 9 Objetivos Específicos .......................................................................................................................... 9 Questões Contextuais ........................................................................................................................... 9 1.1 Introdução ......................................................................................................................................10 1.2 Definições Sobre o Empreendedorismo ........................................................................................11 1.3 O Empreendedorismo Diante de um Cenário de Mudanças no Brasil e no Mundo .....................18 1.4 As Variáveis Identificadas nos Perfis Empreendedores ...............................................................23 1.4.1 Os Mitos do Empreendedorismo ...................................................................................................... 24 1.5 Empreendedorismo, Inovação e Criatividade como Elementos Complementares ......................27 Síntese da Unidade ............................................................................................................................. 31 Referências ......................................................................................................................................... 32 UNIDADE 2 Ideias versus Oportunidades ............................................................................................................. 33 Objetivo Geral .................................................................................................................................... 33 Objetivos Específicos ........................................................................................................................ 33 QUESTÕES CONTEXTUAIS ................................................................................................................... 33 2.1 Diferenciando Ideias e Oportunidadesde Negócios ......................................................................34 2.2 Processo do Empreendedor ...........................................................................................................38 2.2.1 Experiência no Ramo como Diferencial ............................................................................................ 38 2.2.2 As Fontes de Novas Ideias .............................................................................................................. 39 2.2.3 Avaliação de Oportunidades ............................................................................................................ 41 2.2.4 Análise Econômica .......................................................................................................................... 42 2.2.5 Vantagens Competitivas .................................................................................................................. 44 2.2.6 Equipe Gerencial ............................................................................................................................. 45 2.2.7 Critérios Pessoais ............................................................................................................................ 46 2.3 Caracterizando o Processo Empreendedor ...................................................................................47 2.4 Instrumentos para Avaliação de Oportunidades de Negócio .......................................................49 Síntese da Unidade ............................................................................................................................. 55 Referências ......................................................................................................................................... 56 UNIDADE 3 A Geração de Novos Modelos de Negócio ......................................................................................... 57 Objetivo Geral .................................................................................................................................... 57 Objetivos Específicos ........................................................................................................................ 57 Questões Contextuais ......................................................................................................................... 57 3.1 Atuação e Expectativas dos Diferentes Grupos de Empreendedores no Brasil ..........................58 3.1.1 Motivações Empreendedoras ........................................................................................................... 59 3.1.2 Empreendedorismo e Gênero .......................................................................................................... 60 3.1.3 Escolaridade e Ação Empreendedora ............................................................................................... 61 3.1.4 Faixas Etárias Empreendedoras ...................................................................................................... 62 3.1.5 O Apoio aos Empreendedores ......................................................................................................... 63 3.1.6 Os Empreendedores e suas Atividades ............................................................................................ 64 3.2 Nichos Empreendedores ................................................................................................................65 3.2.1 Empreendedorismo Feminino .......................................................................................................... 65 3.2.2 O Empreendedorismo Social e o Terceiro Setor ................................................................................ 67 3.2.3 Empreendedorismo Verde (Ecoempreendedorismo) ......................................................................... 70 3.3 Oportunidades Empreendedoras em Outros Segmentos (Classe Média, Solteiros e Terceira Idade) ....................................................................................................................................................72 Síntese da Unidade ............................................................................................................................. 74 Referências ......................................................................................................................................... 75 UNIDADE 4 O Desenvolvimento do Plano de Negócios ........................................................................................ 77 Objetivo Geral .................................................................................................................................... 77 Objetivos Específicos ........................................................................................................................ 77 Questões Contextuais ......................................................................................................................... 77 4.1 Plano de Negócios: a Tomada de Decisão do Empreendedor e dos Investidores .......................78 4.2 O Processo Empreendedor ao Iniciar um Plano de Negócios ......................................................80 4.2.1 Ideia ................................................................................................................................................ 81 4.2.2 Oportunidade ..................................................................................................................................por outras grandes empresas. 3. Private Equity:2. Venture Capital: Investem em empresas que já estão faturando bem, mas ainda estão em processo de crescimento e desenvolvimento. Apostam na fase inicial dos negócios e, por isso, são chamados de seed capital ou capital semente. Eles fornecem recursos para estruturar e fazer essas empresas deslancharem. 1. Seed Capital: Ficou interessado em fontes de investimentos? A seguir, destacamos a matéria “Quais são as principais fontes de investimento de capital”, do site Valore Brasil. Nela, você saberá onde e como buscar aporte financeiro e ajuda em consultoria de investimentos. Assim, você poderá decidir qual é a melhor forma de investimento para constituir o seu próprio negócio. O link está aqui: http://gg.gg/cy5b0. SAIBA MAIS O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 95 Figura 4.10 – Aceleradoras potencializam boas ideias empreendedoras. Fonte: Freepik (2020). Se você, depois de ler tanto sobre empreendedorismo, deseja iniciar um negócio, uma boa dica são as aceleradoras. Elas são uma espécie de incubadora de empresas, visando potencializar ideias em seu nascedouro. Sua metodologia é mais complexa e estruturada. Seleciona-se, neste caso, empresas para acelerarem o desenvolvimento do empreendimento com diversos tipos de apoio como consultorias financeiras e operacionais. Ficou interessado? Acesse a matéria “As 10 aceleradoras que mais produzem startups de sucesso”, da Época Negócios, e saiba mais: http://gg.gg/cy5b5. SAIBA MAIS 96 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante SÍNTESE DA UNIDADE Caro aluno, chegamos ao fim de nosso e-book. Com ele, pudemos aprender mais sobre o empreendedorismo e as características e habilidades de um empreendedor. Nesta Unidade, em específico, buscamos analisar a importância de um plano de negócio, assim como a sua função e o seu objetivo. Conseguimos visualizar todas as etapas que contemplam essa importante ferramenta que apoia o empreendedor na tomada de decisões, seja ela na busca por investimentos, delineamento de estratégias para abertura de um novo negócio, ou até mesmo no direcionamento de uma empresa já existente. Vimos ainda que, com um plano de negócios bem elaborado, é possível projetar o futuro verificando a lucratividade, o prazo de retorno do investimento, e até mesmo ajudar o empreendedor a não abrir um novo negócio, caso este não seja viável. O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 97 REFERÊNCIAS APRENDA a fazer um plano de negócio. SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, 2018, São Paulo. Disponível em: http://gg.gg/cy5dk. Acesso em: 17 jan. 2019. BRASIL. Lei Complementar nº 155, de 27 de outubro de 2016. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 out. 2016. Disponível em: http://gg.gg/cz7yd. Acesso em: 24 jan. 2019. DORNELAS, J. C. A. José Dornelas: Plano de Negócios. 2020. Página Inicial. Disponível em: http://gg.gg/jjlv4. Acesso em: 05 abr. 2020. DORNELAS, J. C. A. Plano de Negócios seu guia definitivo: o passo a passo para você planejar e criar um negócio de sucesso. 2.ed. São Paulo: Empreende Editora, 2016. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. 7 ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. QUAIS são as principais fontes de investimento de capital. Valor Brasil, 2018, São Paulo. Disponível em: http://gg.gg/cy5dp. Acesso em: 17 jan. 2019. SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Aprenda a fazer um plano de negócio. 2018. Disponível em: http://gg.gg/cy5dk. Acesso em: 17 jan. 2019. VALOR BRASIL. Quais são as principais fontes de investimento de capital. 2017. Disponível em: http://gg.gg/cy5dp. Acesso em: 17 jan. 2019. 98 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante ANOTAÇÕES EMPREENDEDORISMO | Robson da Silva Constante Se você encontrar algum problema nesse material, entre em contato pelo email eadproducao@unilasalle.edu.br. Descreva o que você encontrou e indique a página. Lembre-se: a boa educação se faz com a contribuição de todos! CONTRIBUA COM A QUALIDADE DO SEU CURSO O Desenvolvimento do Plano de Negócios | UNIDADE 4 99 Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 eadproducao@unilasalle.edu.br81 4.2.3 Plano de Negócios ........................................................................................................................... 81 4.2.4 Quantificação e Obtenção de Recursos ............................................................................................ 81 4.2.5 Gerenciamento do Negócio .............................................................................................................. 81 4.3 O Planejamento e a Utilização do Plano de Negócios ..................................................................82 4.4 Principais Etapas de um Plano de Negócio ..................................................................................84 4.5 Estrutura do Plano de Negócios ....................................................................................................85 4.6 Aspectos-chave do Plano de Negócios .........................................................................................88 4.7 Passo a Passo para Desenvolver o seu Plano de Negócios .........................................................89 4.8 A Viabilidade do Projeto no Plano de Negócios ............................................................................90 4.9 Fontes de Investimentos .................................................................................................................91 4.9.1 Angel Money (Investidor-Anjo) ......................................................................................................... 91 4.9.2 Seed Capital (Capital Semente)........................................................................................................ 91 4.9.3 Crowdfunding Equity (Financiamento Coletivo) ................................................................................ 92 4.9.4 Venture Capital (Capital de Risco) .................................................................................................... 93 4.9.5 Private Equity (Patrimônio Privado) .................................................................................................. 93 Síntese da Unidade ............................................................................................................................. 96 Referências ......................................................................................................................................... 97 Sociedade em Transformação Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Caracterizar o empreendedorismo num contexto de mudanças. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Contextualizar o empreendedorismo diante de um cenário de mudanças (em nível global e nacional); • Apresentar definições de empreendedorismo; • Caracterizar variáveis identificadas nos perfis empreendedores; • Correlacionar empreendedorismo, inovação e criatividade como elementos complementares. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. Você sabe o que significa ser um empreendedor? 2. Já ouviu algum mito sobre os empreendedores? 3. E o perfil de um empreendedor, você sabe qual é? 4. Quando surgiu no Brasil a preocupação em empreender e se tornar mais competitivo? unidade 1 10 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 1.1 Introdução O conceito de empreendedorismo, assim como a importância das características e habilidades de um empreendedor, nunca tiveram tanta importância em nosso país. Para as empresas se tornarem competitivas e se manterem no mercado, elas precisam inovar e empreender, e, para isso, precisam de pessoas com capacitação e habilidades empreendedoras. Você se considera uma pessoa com perfil empreendedor? Sabe o seu significado e o que precisa saber (e fazer) para se tornar um profissional com as habilidades e competências de um empreendedor? Pois bem, não se preocupe se até esse momento você não sabe a resposta para essas perguntas. Neste e-book e nas leituras sugeridas nos ícones ao longo desta obra, você saberá e, sem dúvida, estará muito mais preparado para o mercado de trabalho, que está cada dia mais exigente, buscando profissionais com perfil empreendedor. Então, você está pronto para aprender a empreender? Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 11 1.2 Definições Sobre o Empreendedorismo Para começar, é preciso contextualizar as palavras empreendedor e empreendedorismo. Você sabe qual a sua principal caraterística? O empreendedor é uma pessoa que assume riscos. De acordo com Maximiano (2011), a palavra “empreendedor” vem do latim imprendere, que significa realizar uma tarefa difícil e trabalhosa, que exige esforços de quem a executa. Em francês, “empreendedor” é escrita entrepreneur, que deu origem à palavra inglesa entrepreneurship, partindo do conceito que trata sobre o comportamento do empreendedor, que conforme Maximiano (2011, p.1), refere-se ao “espírito empreendedor”: A ideia de um espírito empreendedor está de fato associada a pessoas realizadoras, que mobilizam recursos e correm riscos para iniciar organizações de negócios. Embora existiam empreendedores em todas as áreas da atividade humana, em seu sentido restrito a palavra designa a pessoa que cria uma empresa - uma organização de negócios. Figura 1.1 – As características empreendedoras são fundamentais para alcançar o sucesso. Fonte: Freepik (2019). Assim, pode-se dizer que o empreendedorismo exige ação e, tal ação, pode se traduzir na criação de novos produtos, processos e/ou serviços, devendo o empreendedor avaliar os riscos envolvidos em cada oportunidade que se apresenta. 12 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante A evolução histórica do empreendedorismo no mundo pode ser melhor compreendida por meio do quadro a seguir, proposto pelos autores Hisrich, Peters e Shepherd (2009): Quadro 1.1 – Evolução histórica do empreendedorismo. Idade Média Séculos XVII e XVIII Séculos XIX e XX O empreendedor: • gerenciava grandes projetos de produção; • não assumia riscos; • usava capital do governo. O empreendedor: • estabelecia acordo contratual com o governo; • passou a assumir riscos. O empreendedor: • absorve o papel de gerente; • assume o risco por perdas e ganhos. Fonte: Adaptado de Hisrich; Peters; Shepherd (2009, p. 35-45). Ainda sobre a compreensão do empreendedorismo, vamos trazer à luz alguns estudos sobre o assunto. Segundo Maximiano (2011), existem duas correntes de pensamento crítico a respeito da temática. Uma delas diz respeito à visão de economistas que associam o empreendedor à inovação e o seu desenvolvimento econômico. Já a segunda, vem dos estudiosos comportamentalistas, que tratam das atitudes e características da pessoa que empreende. Vamos neste momento nos deter em três economistas que estudaram os empreendedores: Cantillon, Say e Schumpeter. Cantillon: O empreendedor e economista Richard Cantillon, em seu estudo intitulado “A natureza do comércio em geral” (1755), foi o primeiro autor a mencionar o papel crucial do empreendedor na economia no século XVIII. Cantillon classificou o empreendedor como uma pessoa que passa a assumir riscos ao comprar serviços, produtos ou componentes por um determinado preço para depois revendê-los por um preço mais elevado. Figura 1.2 – Richard Cantillon. Fonte: Domínio Público (2020). Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 13 Say: O economista francês Jean Baptiste Say, em uma das suas pesquisas realizadas no século XIX, apontou as bases de um empreendedor no estudo intitulado “Economia Política” (1888), questionando o que faziam os empreendedores da época. Eles usam sua indústria (ou seja seu trabalho) paraorganizar e dirigir os fatores de produção, de forma a atender as necessidades humanas. No entanto, eles não são apenas dirigentes. São também planejadores, avaliadores de projetos e tomadores de riscos. Usando seu próprio capital, ou o que emprestam de outros, eles o transferem para os proprietários do trabalho, os recursos naturais (terra) e maquinários (ferramentas). Esses pagamentos, ou alugueis, somente serão recuperados se os empreendedores consegue vender o produto para o consumidores. (SAY, 1888 apud MAXIMIANO, 2011, p. 3). Say ainda mencionava que o sucesso empresarial da época não deveria ser almejado apenas para o empreendedor, mas para a sustentabilidade, que naquele período já era essencial para a sociedade. Para o economista, um país precisava ter muitos comerciantes, fabricantes e agricultores inteligentes, pois esses poderiam trazer prosperidade ao local e à área de atuação em que estavam desempenhando suas atividades. Say (1888 apud MAXIMIANO, 2011, p.3) tinha como lema que “empreendedores são capazes de alterar os recursos econômicos de uma área de baixa produtividade, transformando-a em uma área de produtividade e lucratividade elevadas”. Figura 1.3 – Jean Baptiste Say. Fonte: Domínio Público (2020). 14 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Schumpeter: Considerado um dos mais importantes (se não o mais importante) economista da primeira metade do século XX, tendo como sua principal obra o livro “Capitalismo, socialismo e democracia” (1942), Joseph A. Schumpeter consolidou e deixou mais claro o conceito de empreendedorismo, distinguindo as invenções das inovações do empreendedor. Schumpeter caracterizou empreendedores como pessoas que inovam não apenas pela identificação de formas de usar as invenções, mas também pela introdução de novos meios de produção, novos produtos e novas formas de organização. O economista sempre dizia que as invenções precisavam de tanta ousadia e habilidade quanto o processo de invenção, devendo promover a destruição criativa (MAXIMIANO, 2011). Figura 1.4 – Joseph A. Schumpeter. Fonte: Domínio Público (2020). Uma dica importante de leitura é o livro “Capitalismo, socialismo e democracia”, de Joseph A. Schumpeter. Essa é uma obra fundamental para compreender os primórdios do empreendedorismo e das inovações vinculadas ao ato de empreender. SAIBA MAIS Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 15 Para melhor entendermos essa destruição criativa, iremos apresentar algumas imagens de produtos que precisaram evoluir (ou seja, destruir) para que novas formas de pensar, utilizar e inovar em diversos segmentos surgissem. Figura 1.5 – A evolução/destruição criativa no processo de escutar música. Fonte: Adaptado de Lord Taryen (2019). Figura 1.6 – A evolução/destruição criativa no contexto da revolução industrial até os dias de hoje. Fonte: Adaptado de Terraço Econômico (2016). PROCESSO DE DESTRUIÇÃO CRIADORA DA MÚSICA 1977 Vinil Fita k7 CD iTunes Streaming 1978 2000 2003 2007 SURFANDO NAS ONDAS DE SCHUMPETER 1785 1845 1900 1950 1990 1999 2020 60 anos 55 anos Ri tm o de In ov aç ão 50 anos 40 anos 30 anos Energia hidráulica Têxteis Ferro Vapor Estrada de ferro Aço Eletricidade Química Motor de combustão interna Petroquímica Eletrônica Aeronáutica Redes digitais Software Novas mídias 1ª ONDA 2ª ONDA 3ª ONDA 4ª ONDA 5ª ONDA 16 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Figura 1.7 – A evolução/destruição criativa no processo de comunicação telefônica. Fonte: Adaptado de Toda Matéria (2014). Como podemos perceber nas imagens anteriores, o empreendedor, por meio da destruição criativa, tem um papel fundamental na evolução dos processos que visam à evolução da sociedade como um todo. Quer ver um exemplo? Os processos de compra, antes da invenção da moeda, eram realizados por trocas, seja por produtos ou serviços. Com o tempo, surgiram outras formas, além da moeda, para adquirir produtos, como os cheques, cartões magnéticos, transferências e até moedas virtuais como o Bitcoin. 03 As primeiras transmissões de sons musicais por meio de fios. Philipp Reis Conseguem a transmissão da primeira frase completa por telefone. Bell e Watson O acoplamento numa só peça do fone e do bocal. Lars Ericsson Cria um diafragma que quando vibra reproduz palavras. Antônio Meucci Inventa o microfone de carvão, utilizado até hoje. Thomas Edison 1861 1876 1885 1871 1878 Fio esticado para transmitir som. Robert Hooke 1667 01 Primeira transmissão de voz em telefonia sem fio. Landell de Moura 1893 Ativada, no Japão, a Telefonia Móvel Celular 1978 09 02 Primeira estação sistema mundial de comunicação por satélite. 1969 08 São ativados os primeiros celulares digitais da região metropolitana de São Paulo. 1998 04 05 06 07 10 Linha do tempo do telefone Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 17 Figura 1.8 – A evolução/destruição criativa das formas de pagamento. Fonte: Elaborado pelo autor (2018). EVOLUÇÃO DOS PAGAMENTOS Moeda metálica Papel moeda Cheque Cartão magnético Transferência eletrônica Pagamentos instantâneos BANK $ Para entender melhor como funcionam as moedas virtuais, uma tendência de mercado que parte de uma destruição criativa, assista ao vídeo “Bitcoins: tudo sobre a moeda virtual e lojas para gastá-las no Brasil”, do CanalTech. Acesse pelo link a seguir: http://gg.gg/cws2r. VÍDEO 18 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 1.3 O Empreendedorismo Diante de um Cenário de Mudanças no Brasil e no Mundo Segundo Dornelas (2018), o movimento de empreendedorismo no Brasil iniciou na década de 1990, quando entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Sociedade Brasileira para Exportação de Software (Softex) foram criadas. Segundo o autor, antes desses movimentos praticamente não se falava em empreendedorismo e na criação de pequenas empresas. Ou seja, o empreendedorismo no país era um movimento ainda embrionário. Figura 1.9 – O Sebrae é um grande incentivador das ações empreendedoras no Brasil. Fonte: Sebrae (2020). Com o passar dos anos, o Sebrae tornou-se uma das entidades mais conhecidas pelos pequenos e médios empresários. Já o programa/ organização Softex aprimorou suas atividades em empreendedorismo de softwares, estimulando o ensino da disciplina em universidades e a geração de novas empresas de softwares (startups). Ficou interessado? Mais informações sobre as duas entidades podem ser obtidas nos sites: http://gg.gg/i6k48 e http://gg.gg/i6k5l. SAIBA MAIS Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 19 Podemos perceber que, nas últimas três décadas, o Brasil vem realizando várias iniciativas em prol do empreendedorismo e criando bases sólidas. Vamos ver alguns exemplos? • As capacitações para o empreendedor por meio do Sebrae; • O programa Brasil Empreendedor, criado pelo Governo Federal, em 2002, que foi se aprimorando e ganhando outras nomenclaturas; • Entidades como a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), às quais contribuem para que empresas sejam incubadas dentro do ambiente das universidades; • Consolidação de programas de apoio à criação de novos negócios com recursos de subvenção econômica, bolsas e investimentos para empresas iniciantes que sejam inovadoras. Os recursos são provenientes de entidades governamentais de apoio à inovação e ao empredeedrmosimos, tais como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), as fundações de amparo à pesquisa, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre outros; • Os programas de fomento e aceleração para startups, como o InovAtiva Brasil e o SP Stars; • Evolução da legislaçãoem prol das micro e pequenas empresas. Exemplos: a Lei da Inovação, as instituições do Simples Nacional, a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e o Programa Empreendedor Individual. Startups são empresas que, ainda de maneira inicial, desenvolvem ou potencializam produtos ou serviços de caráter inovador, com potencial alto de crescimento e absorção do mercado. Para saber mais sobre startups, leia a matéria “100 startups brasileiras mais desejadas pelas empresas”, da Revista Exame, e confira algumas das ideias mais inovadoras disponíveis no mercado. Link: http://gg.gg/i4r1e GLOSSÁRIO 20 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante Sobre o empreendedorismo em nível global, podemos citar o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), consórcio internacional com sede em Londres, no Reino Unido, associado às principais instituições acadêmicas dos países membros para realizar pesquisas sobre empreendedorismo. O GEM é a única fonte de pesquisa global que coleta dados sobre empreendedorismo diretamente de empreendedores individuais. A Pesquisa de População Adulta do GEM fornece análises sobre as características, motivações e ambições de indivíduos que estão iniciando negócios, bem como atitudes sociais em relação ao empreendedorismo. Hoje, o GEM é considerado o maior estudo unificador das atividades empreendedoras no mundo, reunindo informações que permitem dinamizar e desenvolver serviços e atividades organizacionais e administrativas, o que garante a sua importância na elaboração de ideias de negócio e oportunidades econômicas em um âmbito global. Figura 1.10 – O GEM é um estudo que reúne informações úteis aos empreendedores. Fonte: GEM (2018). Se você tem interesse em abrir uma startup e não sabe por onde começar, existem diversos programas de fomento para potencializar sua ideia e abrir sua empresa. Conforme já citamos, o InovAtiva Brasil e o SP Stars são alguns deles, mas existem outros excelentes programas de aceleração para sua ideia ganhar o Brasil – e o mundo. Para saber mais, acesse a matéria “7 programas de fomento para empreendedores ficarem de olho”, da Associação Brasileira de Startups (AbStartups), para conhecer essas iniciativas: http://gg.gg/cwsea. SAIBA MAIS Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 21 A pesquisa GEM iniciou-se em 1999, fruto de uma parceria entre a Babson College e a London Business School e, atualmente, é a mais abrangente pesquisa anual sobre atividade empreendedora no mundo, explorando o papel do empreendedorismo no desenvolvimento social e econômico. Segundo a metodologia do GEM (2017), a análise do empreendedorismo é feita adotando uma visão processual ao considerar as diversas etapas que caracterizam o fenômeno do empreendedorismo global. Esse processo engloba quatro momentos: 1. a intenção dos indivíduos de iniciar um negócio; 2. a criação do empreendimento; 3. seu desenvolvimento considerando duas categorias (nascentes e novos); 4. a etapa em que o empreendimento é considerado estabelecido. O GEM analisa também os aspectos contextuais do processo empreendedor, que vão desde características sociodemográficas dos indivíduos, englobando também o ambiente institucional da sociedade em termos econômicos, políticos, sociais e de desenvolvimento e, por fim, a postura da sociedade em relação ao empreendedorismo enquanto atividade socialmente valorizada em termos de ocupação e geração de renda. Essas informações podem também ser utilizadas para a formulação e implantação de políticas públicas de fomento ao empreendedorismo. Já as análises comparativas da intensidade empreendedora entre países pesquisados pelo GEM, demonstram as dificuldades que são encontradas em função da complexidade na dinâmica de desenvolvimento social e econômico entre os países. A classificação adotada pela pesquisa classifica os países baseando-se nas diretrizes estabelecidas pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, do inglês World Economic Forum). Essa classificação utiliza indicadores sobre o tamanho do produto interno bruto (PIB), renda per capita e quota de exportação de produtos primários. A combinação dessa gama de indicadores, segundo o GEM (2017), classifica os países em três grupos: • Países impulsionados por fatores: são caracterizados pela predominância de atividades com forte dependência dos fatores trabalho e recursos naturais; 22 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante • Países impulsionados pela eficiência: são caracterizados pelo avanço da industrialização e ganhos em escala, com predominância de organizações intensivas em capital; • Países impulsionados pela inovação: são caracterizados por empreendimentos intensivos em conhecimento e pela expansão e modernização do setor de serviços. Conforme os apontamentos recentes do GEM, o Brasil integra o grupo de países impulsionados pela eficiência. Todas as informações dos últimos relatórios do GEM podem ser obtidas pelo site: http://gg.gg/i4r4q SAIBA MAIS Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 23 1.4 As Variáveis Identificadas nos Perfis Empreendedores Sobre as variáveis que envolvem o perfil de um empreendedor, segundo a definição do Sebrae (2016), ser empreendedor não é uma condição exclusiva de empresários ou de quem está na gestão do negócio. Na verdade, o perfil está ligado a atitudes que pessoas desenvolvem ao longo da sua vida profissional e acadêmica. Assim, existem alguns comportamentos que podem ser apontados e que representam as características empreendedoras. Vamos ver juntos? Porém, antes, não devemos esquecer que o empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões. Para isso, além de pensar, planejar e agir, ele deve desempenhar de forma eficiente cada uma das etapas de maneira estratégica para conseguir com que as metas e os objetivos sejam atingidos. As características básicas de um empreendedor de sucesso, segundo o Sebrae (2016), podem ser: • Iniciativa e coragem: Empreender é tirar as ideias do papel e colocá-las em prática. A boa ideia é aquela que pode ser executada traçando um plano de ação. Sobre utilizar a coragem nas suas atividades, o empreendedor não deve ter medo de assumir riscos, porém ousa de maneira consciente e bem planejada a fim de ofertar um novo produto no mercado ou mesmo expandir o negócio da empresa. • Visão estratégica: O empreendedor consegue perceber demandas de mercado, entende o perfil do seu cliente e sabe como irá posicionar estrategicamente sua empresa, analisando as vantagens e os riscos de cada ação colocada em prática. • Liderança: O empreendedor conhece cada processo e funcionamento da empresa e sabe como liderar, distribuindo tarefas e funções adequadas para cada perfil de seus colaboradores, fazendo com que sua gestão de talentos torne o gerenciamento produtivo mais eficiente e, claro, muito mais lucrativo. • Capacitação: O empreendedor sabe que o investimento na sua capacitação deve ser contínuo. Assim, tende a melhorar as suas competências. Esse investimento em capacitação e aprendizado não se restringe apenas ao gestor/empreendedor, mas engloba todos os funcionários. 24 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante 1.4.1 Os Mitos do Empreendedorismo Vamos, neste momento, falar sobre os mitos que surgem quando as pessoas falam e pensam sobre como é o perfil de um empreendedor. Segundo Dornelas (2018), existem vários mitos por aí, mas podemos destacar três deles em especial. Vamos vê-los com atenção, para que não sejam um empecilho para você se tornar um novo empreendedor: Mito 1: Empreendedores são natos, eles já nascem com o sucesso garantido. O gene empreendedor já está no DNA da pessoa. A realidade: Pode até ser que a maioria dos empreendedores já nasçam com um certo nível de inteligência, mas a realidade é que empreendedores de sucesso vão acumulando habilidadesrelevantes, experiências e contatos com o passar dos anos. A capacidade de se ter uma visão visionária sobre oportunidades de mercado tende a se aprimorar ao longo do tempo. Mito 2: Empreendedores são “jogadores” que assumem riscos altíssimos. A realidade: • Assumem riscos calculados/pensados; • Evitam riscos desnecessários; O Sebrae criou, em 1993, o Empretec, que é uma metodologia desenvolvida com o intuito de contribuir para as habilidades empreendedoras de pessoas, profissionais e alunos. Para saber como melhorar as suas características empreendedoras aumentando a competitividade e as chances de sucesso em seu mercado de atuação, acesse: http://gg.gg/13gm2n. SAIBA MAIS Ficou curioso sobre os perfis de empreendedores? Leia a matéria “Qual é o seu perfil empreendedor?”, da Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios. O link está aqui: http://gg.gg/13gm2y. Quer testar qual é o seu perfil? Acesse: http://gg.gg/omc7n. SAIBA MAIS Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 25 • Compartilham o risco com os outros (investidores, empresas etc.); • Dividem o risco em “partes menores”. Mito 3: Os empreendedores são “lobos solitários” e, por isso, não conseguem trabalhar em equipe. A realidade: • São ótimos líderes; • Desenvolvem equipes/times; • Criam excelente relacionamento no ambiente de trabalho com seus colegas, parceiros, clientes, fornecedores e muitos outros. Ainda segundo Dornelas (2018), o empreendedor é aquele indivíduo que, além de detectar uma nova oportunidade, cria um negócio para lucrar/capitalizar sobre ela, assumindo riscos muito bem pensados. Independentemente de qualquer definição que possa contextualizar o empreendedorismo, podemos destacar pelo menos três características essenciais ao perfil do empreendedor. 1. Ter iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz; 2. Utilizar, de forma eficiente e criativa, os recursos disponíveis transformando o ambiente social e econômico onde vive e trabalha; 3. Assumir riscos calculados tendo a visão realista de que há a possibilidade de fracassar. Antes de irmos para a próxima seção desta primeira Unidade, devemos ter a clareza de que o processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e ações que estão vinculadas à criação de uma nova empresa. Para Dornelas (2018, p. 30), existem três pontos importantes: Em primeiro lugar, o empreendedorismo envolve o processo e geração de algo novo, de valor. Em segundo, requer a devoção, o comprometimento de tempo e o esforço necessário para fazer a empresa crescer. E em terceiro, que riscos calculados sejam assumidos e decisões críticas tomadas; é preciso ousadia e ânimo apenas de falhas e erros. Podemos pensar no perfil de um empreendedor revolucionário, ou seja, o indivíduo que cria algo único, como foi o caso de Bill Gates, criador da Microsoft, que acabou revolucionando o mundo com o sistema operacional Windows. No entanto, a realidade nos mostra que a grande maioria dos empreendedores 26 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante tende a criar negócios em mercados já existentes, o caso de Steve Jobs, que criou um telefone celular (iPhone, da Apple) diferente de todos os outros que já existiam. Figura 1.11 – Windows, a revolução de Bill Gates. Fonte: Divulgação (2020). Figura 1.12 – Steve Jobs e o iPhone. Fonte: Divulgação (2020). Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 27 1.5 Empreendedorismo, Inovação e Criatividade como Elementos Complementares Podemos perceber que o empreendedorismo, a inovação e a criatividade são elementos complementares, trabalhados e desenvolvidos conjuntamente no papel/perfil de um profissional ou na cultura e nas características de uma empresa que busca a competitividade. Cabe salientar que o mercado de trabalho está cada vez mais acirrado tanto pelo aumento das exigências dos consumidores, quanto pelo aumento da concorrência, fazendo com que as empresas busquem cada vez mais atitudes e processos empreendedores. Na figura que veremos a seguir, podemos verificar que empreender, inovar e criar estão em perfeita harmonia durante o processo que deve ocorrer na jornada empreendedora. Figura 1.13 – Fatores que influenciam no processo empreendedor. Fonte: Adaptado de Dornelas (2018, p. 31). Segundo Dornelas (2018), quando falamos em inovação e/ou criatividade, a semente do processo empreendedor irá remeter naturalmente à inovação tecnológica. Devemos saber que inovar e empreender são um grande diferencial competitivo no desenvolvimento econômico mundial. Se a inovação e o inovação Ambiente oportunidade criatividade modelos (pessoas de sucesso) Fatores Pessoais realização pessoal assumir riscos valores pessoais educação experiência Fatores Pessoais empreendedor líder gerente visão Fatores Sociológicos networking equipes influência dos pais família modelos (pessoas de sucesso) Fatores Pessoais assumir riscos insatisfação com o trabalho ser demitido educação idade evento inicial crescimentoimplementação Fatores Organizacionais equipe estratégia estrutura cultura produtos Ambiente competição recursos incubadoras políticas públicas Ambiente competidores clientes fornecedores investidores bancos advogados recursos políticas públicas 28 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante empreendedorismo estiverem associados com a tecnologia, todas as ações serão automaticamente potencializadas. Esse desenvolvimento irá depender, prioritariamente, de quatro fatores críticos, apontados por Smilor e Gill (1986), que devem ser analisados para entender o complexo processo do empreendedor. Quadro 1.2 – Fatores críticos para o desenvolvimento econômico. Fonte: Adaptado de Dornelas (2018, p. 32). Segundo a lógica do quadro apresentado anteriormente, a inovação tecnológica, segundo Dornelas (2018), há quatro pilares que estão de acordo com os quatro fatores anteriormente (talento, tecnologia, capital e conhecimento/know-how): 1. Investimentos de capital de risco; 2. Infraestrutura de alta tecnologia; 3. Ideias criativas; 4. Cultura empreendedora focada na paixão pelo negócio. Diante dos quatro fatores e pilares apresentados, podemos perceber que o talento empreendedor é resultado de variáveis como percepção, direção, dedicação e muito trabalho. Empreendedores fazem acontecer o sucesso da empresa, seja de um novo produto ou um novo modelo de negócio. Assim, a pessoa que tem talento/criatividade terá sempre oportunidades de crescer, diversificar e desenvolver negócios. Vale lembrar que, conforme Dornelas (2018), o talento sem ideias é como uma semente sem terra e água. 1 - Talento - Pessoas criativas 2 - Tecnologia - Ideias inovadoras/criativas 3 - Capital - Recursos financeiros 4 - Know-how - Conhecimento Negócios de sucesso → Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 29 Para o mesmo autor, o talento deve estar aliado à tecnologia na busca de ideias aplicáveis, seguido por um fator importante: o capital (recurso disponível ou busca de uma fonte de investimento). O valor financeiro é fundamental para que o negócio saia, efetivamente, do papel. Um componente fundamental ao empreender é o know-how. Esse elemento trata do conjunto de conhecimentos e habilidades do empreendedor para fazer com que, no mesmo espaço, estejam, em sintonia, o talento, a tecnologia e o capital, fazendo com que a empresa tenha muito mais chances de obter sucesso no mercado em que irá atuar. Para que os talentos e as ideias sejam potencializados, existe o processo empreendedor, utilizado para ampliar e alinhar os movimentos e as atividades empreendedoras. Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2009), o processo empreendedor, base de toda a construção criativa dos projetos e das ações do empreendedorismo, tem quatro fases: 1. Identificar e avaliar a oportunidade; 2. Desenvolver o plano de negócios; 3. Determinar e captar os recursos necessários;4. Gerenciar a empresa criada. Para entendê-las melhor, vamos ver a imagem a seguir com o detalhamento de cada período. Figura 1.14 – O processo empreendedor. Fonte: Adaptado de Dornelas (2018, p. 34). • Criação e abrangência da oportunidade; • Valores percebidos e reais da oportunidade; • Riscos e retornos da oportunidade; • Oportunidade versus habilidades e metas pessoais; • Situação dos competidores. Identificar e avaliar a oportunidade 1. Sumário executivo; 2. O conceito do negócio; 3. Equipe de gestão; 4. Mercado e competidores; 5. Marketing e vendas; 6. Estrutura e operação; 7. Análise estratégica; 8. Plano financeiro; 9. Anexos. Desenvolver o plano de negócios • Recursos pessoais; • Recursos de amigos e parentes; • Angels; • Capitalismo de risco; • Bancos; • Governo; • Incubadoras. Determinar e captar os recursos necessários • Estilo de gestão; • Fatores críticos de sucesso; • Identificar problemas atuais e potenciais; • Implementar um sistema de controle; • Profissionalizar a gestão; • Entrar em novos mercados; Gerenciar a empresa criada 30 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante O processo empreendedor será abordado, de maneira detalhada, com a identificação e a avaliação de oportunidades na Unidade 2. Sobre o desenvolvimento de um plano de negócios e os demais itens apontados no processo empreendedor, iremos compreendê-los no decorrer das próximas unidades, com foco maior na Unidade 4. Sociedade em Transformação | UNIDADE 1 31 SÍNTESE DA UNIDADE Em nossa primeira Unidade, pudemos aprender juntos alguns conceitos sobre empreendedorismo, assim como as caraterísticas do perfil de um indivíduo que deseja empreender. Pudemos perceber que, para ser um empreendedor, não é necessário nascer com esse perfil, já que, na maioria das vezes, ele é aprimorado e apreendido no decorrer da vida profissional e acadêmica. Além disso, vimos que existem mitos que envolvem as características de um empreendedor, assim como algumas variáveis que são identificadas no perfil de pessoas que empreendem. Também contextualizamos como ocorreu e se desenvolveu o processo de empreendedorismo no Brasil e o quanto avançamos nesse sentido. Por fim, conseguimos correlacionar como ocorre o processo de empreender, inovar e criar como elementos complementares para deixar as empresas mais competitivas e o empreendedor ainda mais completo em suas capacidades, habilidades e características. 32 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante REFERÊNCIAS CONHEÇA características importantes para o comportamento empreendedor. SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, 2016, São Paulo. Disponível em: http://gg.gg/cws67. Acesso em: 06 abr. 2020. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 7. ed. São Paulo: Empreende Editora, 2018. GEM. Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil – 2016. Relatório Executivo. Curitiba: IBQP, 2017. Disponível em: http://gg.gg/i4r9b. Acesso em: 05 abr. 2020. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D.A. Empreendedorismo. 7 ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. HISTÓRIA do telefone. Toda Matéria, São Paulo, 2014. Disponível em: http://gg.gg/jjeeo. Acesso em: 05 abr. 2020 MAXIMIANO, A. C. A. Administração para empreendedores. 2. ed. São Paulo: Pearson, 2011. PROCESSO de destruição criativa. Lord Taryen, 2019, São Paulo. Disponível em: http://gg.gg/jjeh1. Acesso em: 05 abr. 2020. SCHUMPETER: inovação, destruição criadora e desenvolvimento. Terraço Econômico, São Paulo, 2016. Disponível em: http://gg.gg/jjewx. Acesso em: 05 abr. 2020. SMILOR, R. W.; GILL, M. D. Jr. The new business incubator. USA: Lexington Books, 1986. Ideias versus Oportunidades Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Desenvolver competências para identificar as oportunidades de negócio. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Diferenciar ideias e oportunidades de negócios; • Caracterizar o processo empreendedor; • Apresentar instrumentos para avaliação de oportunidades de negócio. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. Você já parou para pensar que o empreendedorismo pode te ajudar na concepção de novas ideias? 2. Você sabe diferenciar ideias e oportunidades de negócio? 3. Como o processo empreendedor ocorre na prática? 4. Você já ouviu falar sobre um roteiro denominado 3 Ms para ajudar a pensar nas oportunidades de negócio? 5. Você conhece os dez pecados que não devem ser praticados por um empreendedor? unidade 2 EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante34 2.1 Diferenciando Ideias e Oportunidades de Negócios Um dos grandes mitos a respeito de criar um novo produto ou um novo serviço é a ideia de que eles precisam ser inéditos no mercado. Entretanto, por mais estranho que pareça, a ideia de ser único não importa. O que realmente importa é como o empreendedor utilizará sua ideia para o crescimento de sua empresa. Aqui cabe esclarecer uma confusão comum quanto à natureza de um empreendedor em relação a um inventor. Um inventor, o indivíduo que cria algo pela primeira vez, é alguém altamente motivado por seu próprio trabalho e por suas ideias. Além de ser muito criativo, um inventor típico é apaixonado pelas suas criações, medidas pela quantidade de invenções desenvolvidas e pelo número de patentes que conseguiu obter. Já o empreendedor, vislumbra o novo empreendimento. Portanto, tentar esconder das outras pessoas uma ideia é um erro dos empreendedores de primeira viagem. Quando os jovens empreendedores são perguntados sobre a sua ideia, eles normalmente costumam responder: “A minha ideia é revolucionária, meu produto é único e não possui concorrentes, mas não posso falar do que se trata…” como exemplifica Dornelas (2018, p. 48). Para o autor, esse é um erro imperdoável, pois ideias revolucionárias são muito raras e produtos únicos não existem. É imprescindível que o empreendedor exponha a sua ideia e possa conversar com pessoas de diferentes segmentos para aperfeiçoar sua criação. Por vezes, as ideias estão movidas muito mais pela paixão do que pela razão, fazendo com que o empreendedor não tenha uma visão completa do produto ou serviço que deseja implementar. Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 35 Figura 2.1 – Nunca esconda uma ideia “revolucionária”. Fonte: Adaptado de Freepik (2019). Dornelas (2018) afirma que o importante é que o empreendedor teste sua ideia e o conceito de seu negócio junto aos clientes em potencial, ou busque ouvir empreendedores mais experientes (conselheiros) e amigos próximos antes que a paixão pela ideia cegue sua visão analítica do negócio. Uma ideia sozinha não vale nada. O que importa para o perfil ou característica de um empreendedor é que ele tenha a capacidade de saber desenvolver e implementar as ideias, e construir um negócio de sucesso. Uma ideia isolada não tem valor se não for transformada em algo cuja implementação seja viável, buscando atender ao público-alvo que faz parte de um nicho de mercado mal explorado. Isso é detec- tar uma oportunidade. Não significa que uma ideia revolucionária não seja capaz de dar início a uma empresa de sucesso, mas isso só ocorre quando o empreendedor por trás da ideia busca conhecer o mercado em que irá atuar (DORNELAS, 2018, p. 49). EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante36 Segundo aponta Dornelas (2018, p. 50), se você tem uma ideia que acredita ser interessante e que pode se transformar em um negóciode sucesso, pergunte a si mesmo e a seus sócios: • Quais são os clientes que comprariam um produto ou serviço de sua empresa? Qual o tamanho atual do mercado em reais e em número de clientes? • O mercado está em crescimento estável ou estagnado? • Quem atende a esses clientes atualmente, ou seja, quem são os seus concorrentes? Se você e seus sócios não conseguirem responder essas perguntas básicas e iniciais com dados concretos, vocês têm apenas uma ideia e não uma oportunidade de mercado. Figura 2.2 – O ciclo das ideias e das oportunidades. Fonte: Adaptado de Mundo Sebrae (2019). Ideia Oportunidade NecessidadeMercado DesejoPúblico-alvo Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 37 Você já ouviu a frase “Uma ideia certa no momento certo”? O timing é necessário para que uma ideia dê certo ou não. O momento em que a ideia foi pensada ou gerada diz muito sobre o futuro do produto ou serviço. O timing é fundamental em empresas de base tecnológica, em que normalmente as evoluções são imediatas e o ciclo de vida dos produtos é cada vez mais curto, exigindo mais inovação e agilidade das empresas para manter a competitividade mercadológica. Timing é a habilidade ou sorte em tomar certas medidas no momento mais adequado ou oportuno. Fonte: http://gg.gg/cx0z3. GLOSSÁRIO Você sabia que a Kodak inventou a câmera digital na década de 1970 e, contudo, perdeu o timing para este mercado? Acesse o link para saber mais: http://gg.gg/i4t8e SAIBA MAIS EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante38 2.2 Processo do Empreendedor Nesta seção, iremos aprender como o processo empreendedor vai se construindo em conjunto com as habilidades e características que podem ser adquiridas enquanto o empreendedor vai se desenvolvendo como profissional. Você sabe de onde partem/nascem as ideias? E como as ideias podem se tornar novos produtos/ serviços ou novos negócios? Como avaliar essas oportunidades? Esses são alguns dos questionamentos que vamos desenvolver durante esse capítulo. Teremos como principal apoio teórico o brasileiro José Dornelas, que atualmente é considerado um dos maiores especialistas em empreendedorismo e um dos mais requisitados conferencistas sobre o tema em nosso país. 2.2.1 Experiência no Ramo como Diferencial Ao falarmos sobre a experiência no ramo como diferencial, um caso muito frequente é quando o futuro empreendedor tem uma ideia brilhante dirigida a um mercado que ele pouco conhece ou a um ramo no qual nunca atuou profissionalmente. Nesse sentido, segundo afirma Dornelas (2018), as ideias terão poucas chances de sucesso, pois o empreendedor desconhece o caminho que irá trilhar. Para as chances de sucesso aumentarem, o recomendado é que se busque ampliar o leque de informações com pesquisas, contato com outros empreendedores e/ou empresas, ou mesmo conversando com possíveis clientes potenciais. Uma outra dica que Dornelas (2018) sugere a um futuro empreendedor é que ele procure criar negócios em áreas que conhece e que já possui alguma experiência, que já trabalhou ou ainda ter sócios que já trabalharam no ramo. Assista ao vídeo “De onde vem as boas ideias (dublado)”, do canal “André de Moraes”, com Steven Johnson, no link: http://gg.gg/i4tbb VÍDEO Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 39 Para o autor, o empreendedor deve ter em mente, em primeiro lugar, a paixão pelo negócio. Ganhar dinheiro deve ser apenas a consequência de todo o esforço, conhecimento e habilidade do empreendedor. É importante que existam projeções das dificuldades futuras e avaliar se existirá a disposição para enfrentar os desafios. Para isso, deve planejar com cuidado as etapas a serem seguidas, bem como a capacitação necessária sobre o mercado pretendido, a fim de ter certeza do caminho a seguir na área de interesse. 2.2.2 As Fontes de Novas Ideias Ainda segundo Dornelas (2018), agora sobre as fontes de novas ideias, devemos ter em mente que, apesar de existirem muitas fontes de informação, identificar uma nova oportunidade não é uma atividade fácil. No entanto, existem algumas dicas que podem auxiliar o empreendedor nessa tarefa. Uma delas, o brainstorming, serve para estimular a criatividade e a geração de ideias. Vale lembrar que simpatizar com uma área de atuação não é sinal de sucesso imediato. Se a dinâmica do mercado é desconhecida, é importante que o empreendedor pesquise, estude e veja se ela é viável financeiramente. Investir tempo e dinheiro em uma ideia deve ser uma decisão bem pensada e que amadureça junto com as oportunidades. DESTAQUE A tradução literal de brainstorming é tempestade cerebral (de ideias), que busca fazer com que as pessoas sejam estimuladas a gerar ideias quando estão em grupos, reunidas com outros indivíduos, normalmente num mesmo espaço. Para não se perder, o grupo define algumas regras básicas, mas sempre deve evitar ceifar a criatividade dos demais. GLOSSÁRIO EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante40 Figura 2.3 – Brainstorming. Fonte: Adaptado de Freepik (2019). É verdade que, em um brainstorming, muitas ideias não são aproveitadas, mas geralmente é assim que a criatividade é colocada à prova e surgem inovações ou soluções mais simples para um determinado problema. Aconselha-se que o brainstorming seja realizado com as seguintes regras, conforme Dornelas (2018, p. 52): 1. Ninguém pode criticar outras pessoas do grupo, e todos estão livres para expor as ideias que vierem à cabeça, mesmo que aparentemente pareçam um absurdo; 2. Quanto mais rodadas entre os participantes melhor, mais ideias serão ge- radas. Sempre, em cada rodada, todos os participantes devem apresentar uma ideia a respeito do tópico em discussão; 3. Pode-se dar ideias baseadas em ideias anteriores de outras pessoas. Essas combinações são bem-vindas e podem gerar bons resultados; 4. A sessão deve ser divertida, sem que exista uma ou outra pessoa dominan- do. Apenas deve ser garantido que todos participem, sem restrições. Vale a pena destacar outras dicas importantes que Dornelas (2018, p. 52) aponta como fontes para buscar novas ideias: • Conversar com pessoas de todos os níveis sociais e idade (de adolescentes aos mais velhos e experientes), sobre os mais variados assuntos, pois, Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 41 dessa interação, podem surgir novas ideias de produtos e serviços para um determinado nicho de mercado; • Pesquisar novas patentes e licenciamento de produtos, em áreas nas quais o empreendedor tem intenção de atuar com um novo negócio, pode produzir conclusões interessantes que definirão a estratégia da empresa; • Estar atento aos acontecimentos sociais de sua região, tendências, preferências da população, mudanças no estilo e padrão de vida das pessoas e hábitos dos jovens (futuros e até atuais consumidores para determinados produtos e serviços) e também dos mais velhos (mercado promissor em crescente ascensão em virtude do aumento da expectativa de vida da população); • Visitar institutos de pesquisa, universidades, feiras de negócios e empresas; • Participar de conferências e congressos da área, ir a reuniões e eventos de entidades de classe e associações. Complementando as sugestões de Dornelas, Bessant e Tidd (2009, p. 70) destacam ainda o estímulo à criatividade como forma alternativa de reflexão e de incentivo para o desenvolvimento de ideias e soluções, incluindo métodos como: • Remover ou suspender um pressuposto ou objetivo: o que fazer se, temporariamente, ignorarmos um objetivo ou pressuposto fundamental? • Reverter objetivos ou métodos: o que fazer para obter exatamente o contrário? • Exagerar o problema: e se o problema fosse muito maior ou muito menor? • Distorcer causas e efeitos: quais seriam as aplicações possíveis? • Criar insumos aleatórios: que novas ideias a introdução de uma palavra aleatória ajuda a criar? 2.2.3Avaliação de Oportunidades Neste momento, vamos falar em como melhor avaliar uma oportunidade. Para isso, devemos ter a clareza de que identificar uma oportunidade que possa gerar lucro e sucesso não é uma tarefa simples. Pensando nessa lógica, Dornelas EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante42 (2018, p. 54) destaca que o mais importante é que toda nova ideia seja avaliada por alguns aspectos, que podem ser descritos como: • Qual mercado ela pretende atender? • Que retorno econômico que ela proporcionará, ou seja, o que está sendo esperado? • Quais serão as vantagens competitivas que a oportunidade irá trazer para a empresa? • Qual será a equipe de profissionais que irá transformar essa oportunidade em negócio? • Até que ponto o empreendedor estará comprometido com o negócio? Como podemos perceber em vários momentos, o empreendedor deve parar, pensar e refletir sobre o seu negócio e as oportunidades que irá desenvolver num futuro próximo. Nesse sentido, outro ponto importante que merece atenção é ao mercado que se pretende atuar. Segundo Dornelas (2018, p. 54) destaca, “deve-se pensar em mercados que ainda não estão sendo atendidos, pois esse nicho pode ter um alto potencial para delimitar estratégias de crescimento”. Mercados novos são mais atrativos para a criação de negócios, pois possibilitam o crescimento rápido de participação de um produto ou serviço que surgiu recentemente. Vale lembrar que outros fornecedores irão oferecer produtos/serviços similares depois de um determinado tempo, gerando concorrência e fazendo com que o mercado seja competitivo. 2.2.4 Análise Econômica Sobre a análise econômica, Dornelas (2018) destaca que sua realização é muito importante, pois realizar uma criteriosa análise das reais possibilidades de retorno econômico do empreendimento é fundamental a qualquer empreendedor. É preciso ter em mente de que não adianta simplesmente ser líder de mercado se o retorno não compensa o esforço empreendido. Às vezes, é preferível ocupar a segunda ou a terceira posição em um mercado que lhe traga mais compensação financeira do que ser líder em outro mercado que tenha uma estrutura cara, altos custos de manutenção e pequenos lucros. Um exemplo disso é a marca de refrigerantes Pepsi, que já assumiu a sua estratégia publicamente em ser a segunda colocada, competindo de maneira Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 43 restrita com a líder de mercado no mundo, a Coca-Cola. A Pepsi é líder de mercado em pouquíssimos países, sendo o Egito um deles. Figura 2.4 – Coca-Cola versus Pepsi. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2020). Voltando às análises de retorno financeiro sobre investimento, segundo Dornelas (2018, p. 57), “muitos negócios são criados em mercados de alta competitividade e até proporcionam receitas razoáveis no fim do mês, o que geralmente não significa altos lucros, por causa da grande concorrência”. Um exemplo disso são os postos de combustíveis, que já foram negócios muito lucrativos no passado. Porém, atualmente, as margens de lucro são mínimas, a concorrência é muito forte e o gerenciamento eficaz desse tipo de empreendimento se faz cada vez mais necessário. Uma alternativa que muitos proprietários de postos de combustíveis têm adotado para se diferenciar no mercado é complementar a lucratividade VS Ficou curioso sobre as duas grandes marcas de refrigerantes e quais as estratégias utilizadas por elas para se manterem competitivas? A matéria “Pepsi x Coca-Cola: 6 comerciais provocativos” é da Revista Exame, e nela você verá uma coletânea com algumas propagandas que demonstram a rivalidade entre Pepsi e Coca-Cola. Acesse em: http://gg.gg/cx118. SAIBA MAIS EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante44 com os serviços das lojas de conveniência, que correspondem em muitos casos a mais de 30% da receita total dos postos, conforme aponta Dornelas (2018). Quando falamos sobre a quantidade de investimento inicial, o valor pode determinar se o empreendedor terá condições, ou não, de começar o negócio. Além disso, é nesse momento que o empreendedor deve tomar a decisão de investir muito – ou pouco – dinheiro, sempre vislumbrando o retorno que o negócio irá proporcionar. Em alguns casos, dependendo do investimento inicial, pode-se levar alguns anos para recuperar o capital investido, fazendo com que o empreendedor pense bem antes de começar um negócio. Em qualquer investimento, quando se usa criatividade, é possível obter um grande retorno, sempre com possibilidade de crescimento e lucros consideráveis. Vamos voltar a falar sobre o retorno de investimento na última Unidade deste e-book, ao analisarmos em conjunto a estrutura de um plano de negócio. 2.2.5 Vantagens Competitivas Pensando em vantagens competitivas, Dornelas (2018) avalia que algumas delas estão necessariamente ligadas aos diferenciais que proporcionam ganho (suprir necessidades, desejos, encantamento e expectativas) para o consumidor. Isso pode ocorrer por meio de um custo menor de produção, de estruturas enxutas ou de criatividade no processo de obtenção do produto, que, ao final, levam ao menor custo, e, consequentemente, à redução do preço final. O diferencial, nesse caso, é o valor reduzido do produto ou serviço. No entanto, a empresa pode deter um conhecimento de mercado muito superior à concorrência, o que lhe permitirá monitorar e controlar as tendências deste mercado, antecipando-se aos competidores e sempre trazendo novidades que atendam aos anseios de seus consumidores. Dessa forma, ela irá estabelecer sua marca e fortalecer sua presença na mente dos clientes. Ideias versus Oportunidades | UNIDADE 2 45 Figura 2.5 – Antecipando vantagens competitivas aos clientes. Fonte: Adaptado de Freepik (2019). As barreiras de entrada para novos competidores, e até para os competidores atuais, também constituem uma grande vantagem competitiva, uma vez que a empresa deve saber aproveitar essa oportunidade. As vantagens podem ser uma regulamentação governamental, uma concessão, um contrato de longo prazo com grande comprador ou acordos com fornecedores e distribuidores. Essas vantagens podem ser consideradas exemplos de barreiras de entrada que deixam uma empresa em situação cômoda perante a concorrência, pois está protegida dos competidores (DORNELAS, 2018). 2.2.6 Equipe Gerencial Sobre montar uma equipe gerencial, Dornelas (2018) afirma que o empreendedor deve ter em mente que de nada adianta identificar uma oportunidade, criar um protótipo de um produto, ter um mercado promissor, desenvolver um bom plano de negócios, se ele (empreendedor/empresa) não ter uma equipe qualificada e alinhada no projeto do negócio que está sendo criado. A experiência prévia (funcionários/sócios) no ramo conta muito, pois, com isso, é possível evitar vários erros e gastos desnecessários, bem como agregar um conhecimento singular ao negócio. Ainda segundo Dornelas (2018), outro fator que deve ser considerado é a formação da equipe. Se os membros da equipe tiverem formação eclética, multidisciplinar, % COMPRAR COMPRAR COMPRAR EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA | Carlos E. Sabrito; Jefferson M. Monticelli; Robson da S. Constante46 será um grande diferencial, pois a equipe, nesse caso, está sendo composta por profissionais com habilidades complementares. Apesar disso, de nada adianta a equipe ter todas essas características se as pessoas estiverem na empresa apenas em busca das compensações financeiras, sem paixão e orgulho pelo que estão fazendo, ou seja, sem comprometimento. Nesse caso, o rendimento não será o mesmo, já que o envolvimento poderá ser superficial e não haverá muita preocupação com a utilização dos recursos disponíveis. 2.2.7 Critérios Pessoais Sobre os critérios pessoais, segundo Dornelas (2018, p. 60), o empreendedor deve identificar-se com a ideia e com a oportunidade de