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93Editora Bernoulli
Nesse caso, a locução adverbial “à vontade” desempenharia 
a função sintática de adjunto adverbial do verbo da oração 
subordinada substantiva.
A partir dessas análises, fica claro que a propaganda 
explora a homofonia entre o nome do produto anunciado 
e a forma verbal “mate”, com a intenção de sugerir que a 
vontade de tomar chá só pode ser saciada com Matte Leão.
CLASSIFICAÇÕES E FUNÇÕES 
DA PALAVRA “QUE”
A palavra QUE pode pertencer a várias categorias 
gramaticais, exercendo as mais diversas funções sintáticas. 
Veja a seguir quais são essas funções e classificações.
Advérbio
Intensifica adjetivos e advérbios, atuando sintaticamente 
como adjunto adverbial de intensidade. Tem valor 
aproximado a quão e quanto.
Exemplos:
– Que longe está meu sonho!
– “Os braços...; oh! Os braços! Que bem-feitos!” 
(Machado de Assis)
Substantivo
Como substantivo, tem o valor de qualquer coisa ou 
alguma coisa. Nesse caso, é modificado por um artigo, 
pronome adjetivo ou numeral, tornando-se monossílabo 
tônico (portanto, acentuado). Pode exercer qualquer função 
sintática substantiva.
Exemplo:
– Um tentador quê de mistério torna-a cativante.
 (Nessa oração, o QUÊ é núcleo do sujeito.)
Também quando indicamos a décima sexta letra do nosso 
alfabeto usamos o substantivo quê.
Exemplo:
– Mesmo tendo como símbolo kg, a palavra “quilo” deve 
ser escrita com “quê”.
Preposição
Equivale à preposição de ou para, geralmente ligando 
uma locução verbal com os verbos auxiliares ter e haver.
Exemplos:
– Tem que combinar? (= de)
– Amanhã, teremos pouco que fazer em nosso escritório. 
(= para)
Além disso, atua como preposição quando possui sentido 
próximo ao de exceto ou salvo.
Exemplo:
– Chegara sem outro aviso que seu silêncio inquietante. 
Interjeição
Quando interjeição, exprime um sentimento, uma emoção, 
um estado interior, tornando-se tônica (acentuada). Equivale 
a uma frase (exclamativa) e não desempenha função 
sintática em oração alguma.
Exemplos:
– Quê! Você por aqui!
– Quê! Nunca você fará isso!
Partícula expletiva ou de realce
Nesse caso, sua retirada não prejudica a estrutura 
sintática ou o sentido da oração, pois trata-se de um 
recurso expressivo, enfático. Nessa função, comumente 
aparece acompanhado do verbo “ser” conjugado no presente 
do indicativo, formando a locução é que. 
Exemplos:
– Ela quase que chegava a tempo de ver o melhor 
cineasta do mundo! 
– Então qual que é a verdadeira versão da história?
– Mas é que lá passava o ônibus para o Centro.
Pronome relativo
O pronome relativo refere-se a um termo – substantivo 
ou pronome – já mencionado na frase (por isso mesmo 
chamado de antecedente) e, simultaneamente, funciona 
como conectivo, subordinando uma oração à outra. 
Geralmente, o pronome relativo introduz uma oração 
subordinada adjetiva e pode ser substituído por qual, 
o qual, a qual, os quais, as quais. Nesse caso, o QUE pode 
desempenhar qualquer função sintática, como foi visto 
no estudo das orações adjetivas. 
Exemplos:
– “João amava Teresa que amava Raimundo”. 
(Carlos Drummond de Andrade)
 (Nesse exemplo, o QUE é sujeito da oração 
subordinada adjetiva restritiva.)
– Há pessoas que eu detesto.
 (Nesse exemplo, o QUE funciona como objeto direto 
da oração subordinada adjetiva restritiva.) 
Análise sintático-semântica
94 Coleção Estudo
Pronome indefinido substantivo
Quando equivale a que coisa. 
Exemplos:
– Que caiu?
– A fantasia era feita de quê? 
Pronome indefinido adjetivo
Quando, funcionando como adjunto adnominal, acompanha 
um substantivo. 
Exemplos:
– Que tempo estranho, ora faz frio, ora faz calor. 
– Que vista linda há aqui! 
Pronome substantivo interrogativo
Substitui o elemento sobre o qual se deseja resposta, 
exercendo sempre uma das funções substantivas com 
significado equivalente a que coisa. 
Exemplos:
– Que terá acontecido?
– Que adiantaria a minha presença?
Pronome adjetivo interrogativo
Acompanha os substantivos nas frases interrogativas, 
desempenhando função de adjunto adnominal.
Exemplos:
– Que livro você está lendo? 
– “Que orvalho em teus olhos tomba?” (Cecília Meireles) 
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TOME NOTA!
Caso semelhante (que não figura entre os tipos de 
pronomes registrados pela NGB) ocorre em frases 
exclamativas. Nesse caso, teríamos um pronome 
adjetivo exclamativo, sintaticamente atuando como 
adjunto adnominal.
Exemplos:
– Que poema acabamos de declamar! 
– Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!
Conjunção coordenativa
Liga orações coordenadas, ou seja, orações sintaticamente 
equivalentes. Nesse caso, não desempenha função sintática; 
funciona apenas como conectivo.
Aditiva
Liga orações independentes, estabelecendo uma sequência 
de fatos. Nesse caso, tem valor bastante próximo da 
conjunção e.
Exemplos:
– Anda que anda e nunca chega a lugar algum. 
– Fica lá o tempo com aquele chove que chove...! 
Explicativa
A oração coordenada explicativa aponta a razão de se 
ter feito a declaração contida em outra oração coordenada. 
Quando introduz esse tipo de oração, tem valor próximo ao 
da conjunção pois. 
Exemplos:
– Mantenhamo-nos unidos, que a união faz a força.
– Deixe, que os outros pegam.
Adversativa
Indica oposição, ressalva, apresentando valor equivalente 
a mas.
Exemplos:
– Outro, que não eu, teria de fazer aquilo. 
– Outro aluno, que não eu, deveria falar-lhe, professor!
Conjunção subordinativa
Introduz orações subordinadas substantivas e adverbiais. 
Essas orações são subordinadas porque desempenham, 
respectivamente, funções substantivas e adverbiais nas 
orações chamadas principais. Não desempenha função 
sintática; apenas atua como conectivo. 
Integrante
Quando introduz oração subordinada substantiva. 
Exemplos:
– “E ao lerem os meus versos pensem que eu sou 
qualquer coisa natural.” (Alberto Caeiro) 
– Parecia-me que as paredes tinham vulto. 
Frente C Módulo 17
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Causal
Introduz orações adverbiais causais, possuindo valor 
próximo ao de porque. 
Exemplos:
– Fugimos todos, que a maré não estava pra peixe. 
– Não esperaria mais, que elas podiam voar.
Final
Introduz orações subordinadas adverbiais finais, 
equivalendo a para que, a fim de que. 
Exemplos:
– “[...]Dizei que eu saiba.” (João Cabral de Melo Neto) 
– Todos lhe fizeram sinal que se calasse.
Consecutiva
Introduz orações subordinadas adverbiais consecutivas. 
Exemplos:
– A minha sensação de prazer foi tal que venceu a de 
espanto.
– “Apertados no balanço 
 Margarida e Serafim 
 Se beijam com tanto ardor 
 Que acabam ficando assim.” (Millôr Fernandes) 
Comparativa
Introduz orações subordinadas adverbiais comparativas.
Exemplos:
– Eu sou maior que os vermes e todos os animais. 
– As poltronas eram muito mais frágeis que o divã.
Concessiva
Introduz orações subordinadas adverbiais concessivas, 
sendo equivalente a conjunções (ou locuções conjuntivas) 
concessivas como “embora”, “mesmo que”, “ainda que”. 
Exemplos:
– Que nos tirem o direito ao voto, continuaremos 
lutando. 
– Estude, menino, um pouco que seja!
Temporal
Introduz orações subordinadas adverbiais temporais, 
com valor aproximado ao de desde que. 
Exemplos:
– “Porém já cinco sóis eram passados que dali nós 
partíramos.” (Camões) 
– Agora que a lâmpada acendeu, podemos ver tudo. 
CLASSIFICAÇÕES E FUNÇÕES 
DA PALAVRA “SE”
A palavra SE também pode exercer diferentes funções 
na língua portuguesa.
Pronome reflexivo
Pronome reflexivo com função 
sintática de objeto direto
Exemplo:
– Elas não se encontravam na redação.
Pronome reflexivo com função 
de objeto indireto
Exemplo:
– Ele atribuía-se o direito de julgar.
Pronome reflexivo recíproco 
com função de objeto direto
Exemplo:
– Admiravam-se de longe.
Pronome reflexivo recíproco 
com função de objeto indireto
Exemplo:
– Eles retribuíram-se as respectivas malvadezas.
Pronome reflexivocom a função 
de sujeito de um infinitivo
Exemplo:
– Ela deixou-se ir.
Análise sintático-semântica
96 Coleção Estudo
Pronome apassivador
Acompanha verbos transitivos diretos empregados na terceira pessoa para formar a voz passiva sintética.
Exemplo:
– Compram-se jornais.
Índice de indeterminação do sujeito
Acompanha verbos intransitivos ou transitivos indiretos na terceira pessoa do singular.
Exemplo:
– Assistiu-se a um belo espetáculo.
Pronome de realce
A exemplo do que ocorre com o QUE expletivo, funciona como recurso enfático.
Exemplo:
– O mestre da outra escola sorriu-se da tradução.
Conjunção subordinativa integrante
Tal como o QUE, quando conjunção subordinativa integrante, introduz orações subordinadas substantivas em um período. 
Não desempenha função sintática, funcionando apenas como conectivo.
Exemplo:
– Ela queria ver se conseguia.
Conjunção subordinativa condicional
Introduz uma oração subordinada adverbial condicional. Tem sentido equivalente a caso, contanto que, etc.
Exemplo:
– Se eles vierem, serão bem recebidos.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
01. (Unicamp-SP–2008)
GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Folha de S. Paulo on line. Disponível em: .
A) No primeiro quadrinho, a menção a “palavrões” constrói uma expectativa que é quebrada no segundo quadrinho. 
MOSTRE como ela é produzida, apontando uma expressão relacionada a “palavrões”, presente no primeiro quadrinho, 
que ajuda na construção dessa expectativa.
B) No segundo quadrinho, o cômico se constrói justamente pela quebra da expectativa produzida no quadrinho anterior. 
Entretanto, embora a relação pressuposta no primeiro quadrinho se mantenha, ela passa a ser entendida num outro sentido, 
o que produz o riso. EXPLIQUE o que se mantém e o que é alterado no segundo quadrinho em termos de pressupostos 
e relações entre as palavras.
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